Arquivos Mensais: dezembro \26\UTC 2012

EDITOR DE FÉRIAS. ANO NOVO COMO QUEREMOS! ATÉ LÁ!

JB VIDAL - DE FÉRIAS COM LAPTOP - sem título

A BONECA DE NATAL – de jorge lescano / são paulo.sp

In Memoriam Luanda.

As lojas tentavam a população com seus produtos estrategicamente expostos nas vitrines para criar a ilusão de que todos podiam proporcionar alegria ao levar para casa o objeto desejado por aquela pessoa querida. Tal, mais ou menos, a linguagem utilizada nos anúncios.

Mesmo nos bairros mais afastados do centro comercial, as lojas acenavam com um esboço de felicidade pré-datada até para o mais necessitado ou imprevidente dos mortais. Os preços e as facilidades do crédito convidavam a se endividar, e a data justificava o endividamento.

Postado ao lado da porta de uma destas lojas da rua Butantã, encontrava-se um homem magro, modestamente vestido, carregando uma espécie de valise com fecho de zíper, que ele fazia correr num sentido e noutro. Difícil dizer se experimentava o seu funcionamento ou se a ação correspondia a nervosismo.

Várias caixas com brinquedos de plástico se encontravam na entrada do estabelecimento. O preço – módico – unificava os objetos. Cada caixa ostentava uma placa com o valor genérico. Pelo valor de cinco reais podia-se adquirir tanto um trenzinho como uma boneca de plástico marrom vestida com um macacão vermelho e um lenço na cabeça, amarrado à moda africana.

Por duas vezes, nas lojas populares da rua Direita, vira a conseqüência do furto. A primeira, duas moças que haviam furtado peças de lingerie, a segunda, uma boneca dentro de uma caixa.

O caso das moças se deu esquina da praça Clóvis Beviláqua. Ele viu no momento em que o empregado da loja fez que elas abrissem as bolsas e de lá retirassem as peças furtadas. Alguns curiosos pararam para olhar. Uma das moças abaixou cabeça e deixou a mão escorregar ao longo do rosto, ocultando-o. Era metade da tarde e nessa hora a multidão se apinhava no local.

O homem que se apropriara da boneca era magro como ele. Pelo que havia podido observar, enquanto circulava pela loja entre as mesas de exposição, o homem cometeu o erro de prestar atenção excessiva ao brinquedo, chamando a atenção do funcionário encarregado da segurança. O movimento rápido que fez a caixa desaparecer no interior da sacola, provocou um deslocamento sincrônico do empregado, e apesar do homem ganhar a rua em alta velocidade, sem correr, contudo, para não chamar excessivamente a atenção, porém a passos mais rápidos que os usuais nessa rua, permitidos porque nessa hora o comércio já começara a abaixar as portas, foi alcançado pelo segurança e outro funcionário, que devia servir-lhe de escudeiro. Sem resistência, o homem entregou a boneca. Isto não satisfez os guardiões da ordem comercial, que fizeram questão de levar o larápio para os fundos da loja.

A testemunha ainda teve tempo de ouvir o comentário de um passante Sujar-se por pouca coisa não vale a pena! Ele pensou na filha do homem, que inutilmente esperaria seu presente.

O homem magro não deixaria que sua criança pensasse haver sido esquecida por Papai Noel. Com passo firme entrou na loja

CONTO DE NATAL ou: Demitir em dezembro é muito mais gostoso – por roberto prado / curitiba.pr

Já pressentindo o tamanho do peru de Natal, a extensão da ressaca em Matinhos e a dureza do ano novo, o Coitado é repentinamente chamado à salinha para uma conversa.

– Você pode dar um pulinho aqui um instantinho?

Pelos diminutivos, percebe que boa coisa não é. No país da cordialidade todos aprendem rapidinho que as grandes desgraças corporativas costumam rimar com “inho”. Com trêmula tentativa de vã dignidade ele caminha da mesa de trabalho ao matadouro em câmera lenta, um jeito infantil de retardar o abate que só serve para aumentar insuportavelmente o conteúdo dramático da cena.

Reengenhariazinha. Reduçãozinha. Adequaçãozinha. Enxugadinha. E o empreguinho garantido depois que passasse a crisezinha. Sei! Entre um passo e outro ele lamenta não ter aderido prontamente à Revolução Bolivariana e seguido o seu profeta local na ocasião da histórica Abertura do Mar Vermelho de Curitiba. Os colegas acompanham seu desfile, tensos, mas sem excessos que possam ser interpretados como solidariedade, pois, em tempos de crise, o Vírus Degola é ainda mais contagioso.

O Coitado devolve os olhares bovinos com um olho da rua, vendo que é peixe fora da água, desprezado em silencioso uníssono pelas piranhas, traíras, tubarões, robalos, trutas e lambaris de valeta do escritório. Neste momento o coitado se transforma em coitadinho e acelera em direção ao golpe fatal. A portinha à sua frente não esconde, certamente, o cenário adequado para cheques de bônus, prêmios por produtividade, medalhas por serviços prestados, promoção por méritos ou algo do gênero. Ali era a entrada para a clássica “salinha”, rampa de lançamento em forma de escorregador de parquinho infantil que leva direto para a rua da amargura. Ele mete a mão na maçaneta com decisão: seja como for, mas que seja rápido. Depois, sentado na calçada, observando a água da sarjeta, ele pensaria na volta por cima, na vingança contra aqueles imundos porcos capitalistas.

– Um minutinho. Senta aí, serve um cafezinho pra nós.

À sua frente, gingando na poltrona executiva com amortecedores hidráulicos, a hiena sorridente ao celular, antegozando o prazer de uma legítima demissão em dezembro, decretada depois que o Coitado já esmerilhou o cartão de crédito, vaporizou o 13º e desintegrou a parcela do terço das férias que vendeu. “Definitivamente o Chaves tinha razão, ele e aquele outro, o índio”, matutava, coitadinho, já começando a considerar razoáveis, inclusive, os argumentos daquele esquisitão da Coréia do Norte. De quando em quando o algoz do outro lado da mesa mostra os dentes de crocodilo e agita a mão cheia de bichos pedindo um pouquinho mais de paciência. Finalmente, depois de um sonoro “tá combinado então, cachorrão, passa aqui pegar seu uísque”, larga o telefone, não sem antes dar uma conferida em alguma coisa na tela imensa e reclamar que ganhou o aparelho da mulher, mas não tem a mínima idéia de como atualizar a porcaria de um número. A criatura lupina, finalmente, olha nos olhos do Coitado, pigarreia, apanha a caneta, separa uns papéis, confere alguma coisa com fingida distração, faz o seu famoso silêncio preparatório e dispara:

– Você sabe que tem essa crisezinha aí… … tá ruim pra todo mundo… o trem tá feio, companheiro…

O coitado concorda com a cabeça e acrescenta mentalmente: “bem feito, quem mandou não escutar o Chaves e o Kim Jong II”. O outro continua, girando a cadeira para lá e para cá.

– Vou ser franco… Eu pessoalmente não concordo, mas é coisa do patrão, tá tudo aqui, ó. – A cascavel chacoalha os papéis. – Coisa de chefe, entende? Uma reduçãozinha de despesas.

O escorpião deixa o suspense no ar e o Coitado suspende a respiração.

– Vou ser bem direto. É o seguinte… – prossegue a besta do apocalipse – …neste fim de ano a firma não vai bancar a confraternização… eu achei isso uma tremenda sacanagem e estou propondo que a gente faça uma vaquinha…

O mente do Coitado paralisa, seus olhos esbugalham.

– Calma, rapaz, não precisa se assustar… já fiz até as contas… tá tudo aqui… se você concordar é trintão por cabeça para cerveja, refrigerante, churrasco, salada, uma linguicinha. Vamos fazer lá em casa mesmo, assim a gente fica mais à vontade. Só não me vá entrar de cueca na piscina, olhe lá, hem…

A mão trêmula do Coitado estende as notas amassadas, assina ao lado do seu nome na lista e vai saindo lentamente, mas sua vontade é correr, ir direto ao refúgio do carro com 56 prestações em aberto e voar até a segurança do apartamento financiado em 20 anos. Abre a porta e já está acelerando quando ouve a vozinha vindo do interior da salinha.

– Ah… só mais uma coisinha…

Sua espinha congela, o celular do outro toca o hino do Atlético.

– Avisa a macacada pra ninguém sair sem acertar comigo, que eu ainda tenho que encomendar a carne!

O FIM DO MUNDO ou a explosão global de 21 / 12 / 2012

 

a explosão

 

“Para encontrar a alma é necessário perdê-la”. (Alexander Luria, neuropsicólogo russo)

Segundo muitos exotéricos que interpretam tragicamente o calendário maia, produto de uma avançada civilização pré-colombiana da América Central, o mundo terá – ou teria ! – explodido no dia 21 de dezembro de 2012. No mundo inteiro há quem leve a sério esses maus presságios e locupletam algumas cidades, consideradas à salvo da apocalipse, congestionando estradas e devorando os escassos mantimentos que seus modestos estabelecimentos comerciais dispõem.  Uma delas aqui no Brasil, em Goiás: Alto Paraíso. Trata-se de uma bela cidade situada a nordeste do Estado de Goiás, a 230 km de Brasília, na Chapada dos Veadeiros, numa região rude e violenta que serviu de inspiração aos melhores contos e romances regionais do escritor Bernardo Ellis, o melhor deles “O Tronco”, levado às telas por J.Batista de Andrade.  Prova disso foi o assassinado do Prefeito da cidade há dois anos. Não obstante, situada sobre uma plataforma de cristal de rocha, no ponto mais alto do Planalto Central, Alto Paraíso há muitos anos atrai místicos do mundo inteiro que ali semeiam templos, tribos ou oficinas individuais dando um colorido diferente à pacata sociedade local. Lá encontrei, também,  em minhas inúmeras viagens,  vários gaúchos que povoam  o Centro Oeste lavrando o cerrado e contribuindo para fazer do Brasil o celeiro do mundo. Bom para o agro-business, ruim para a natureza, que se molda à mão do homem.

Para a Ciência, avessa às superstições e especialmente à Astrologia, o que haverá na fatídica data é apenas um mero alinhamento sideral. Entre os dias 21 e 23 de dezembro, com  ápice entre 11:16 hs e 11:26 hs da manhã do dia 22/12. nosso planeta Terra, a Lua e o Sol estarão alinhados com Alcyone, a estrela maior da Via Láctea, fato que ocorre a cada 25 mil anos. Mas , para os místicos, este seria um momento especial porque as energias planetárias estariam  se reorganizando  levando-nos à possibilidade de vivenciar  um momento cósmico  especial, com uma suposta extraordinária ortunidade para que muitos se iluminem passando  a vibrar em outras dimensões. “É esperado que milhões de almas se beneficiem desta oportunidade espiritual única”afirmam.

As religiões monoteístas firmemente estabelecidas também refutam essas proclamações de uma Nova Era e a condenam , tanto quanto a Astrologia, como mera superstição.  Alguns Governos laicos, como o da China, vai mais longe e está perseguindo com severidade as seitas que divulgam os prognósticos do fim do mundo.

Ciência, Governos laicos e Igrejas se unem, portanto, na reafirmação do destino não como fatalidade, mas como possibilidade, ou seja,  como resultado de  complexos fatores biológicos , ambientais e psicológicos sobre os quais se interpõe o livre arbítrio. Não fora isto, como julgar as ações humanas? Os filósofos vão mais longe: A condição humana assinalaria o aparecimento da consciência mediada pelo desejo, cuja raiz etimológica – de-sidere – marcaria a afirmação da vontade livre frente aos desígnios siderais, ou seja, a idéia mesma  de destino.   Para o Iluminismo, enfim,  sob cujas luzes ainda nos “ iludimos “, o homem é um ser moral dotado de plena capacidade para legislar com  autonomia sobre suas ações. A pós-modernidade já sepultou esta crença na capitulação do sujeito. Mas não capitulou à astrologia… E um novo fisicismo científico, igualmente pós-moderno, descrito como “tumor metafísico”por Eduardo Gianetti em seu livro “A Ilusão da Alma”, Cia. Das Letras. e cantado em verso  por Fernando Chuí, relança o tema da pré-destinação, mas mais  como determinação bio-genética do que rastro estelar  :

A Invenção da Alma

                                                                                                                                              Fernando chuí

                                                                                                    

 

Certa vez, um amontoado de átomos

adquiriu inexplicavelmente o desejo

de ser mais do que matéria em movimento.

.

O criador, curioso ao perceber tal rebeldia

submergindo da luz e do caos,

decidiu, quase em um tom lúdico,

enviar àquela manifestação sete fadas

para lhe presentearem com dotes que o auxiliassem

na engenharia daquele novo e improvável universo.

.

Voz, a primeira fada,

voou por entre os orifícios da cabeça

e soprou-lhe o dom de inventar sentidos próprios

nos sons que era capaz de emitir.

.

Mãos, a segunda fada,

atravessou seus poros até atingir seus ossos,

seguindo os braços até as suas extremidades

e lá deixou a habilidade de transformar as formas à sua volta

apenas pelo contato com seus dedos.

.

Paixão, a terceira fada,

rasgou-lhe o peito para lhe enfiar sua adaga

que continha o poder de se entorpecer e se entregar à cegueira

diante de um outro ser.

.

Conhecimento, a quarta fada,

nadou por toda a sua carne

espalhando por todo o corpo

a capacidade de salvar a sua história

por meio de escritos, imagens e objetos.

.

Política, a quinta fada,

mergulhou em seu sangue

e lhe inoculou a aptidão de se organizar socialmente

em sistemas, classes e disciplinas.

.

Karma, a sexta fada

(que também respondia pelo nome de Neurose),

escorregou pelo couro cabeludo para lhe derramar

a capacidade de lutar contra a própria felicidade.

.

Dor, a sétima e última fada,

beijou seus olhos

e lhe ofertou a capacidade de chorar.

.

Feliz com seu feito, o criador agradeceu

e despediu-se das fadas.

Porém, temeroso de ser alcançado

pelos poderes concedidos àquela nova criatura,

o criador lançou àquele ser um feitiço:

Não teria jamais a certeza de coisa alguma.

.

Feito isto, pôs-se a dormir, invisível.

.

E aquele ser que acordava

e já não aceitava mais a sua pureza atômica,

passava seus dias a inventar, tal qual vício ou peste,

novas estruturas lingüísticas, estéticas, políticas e tecnológicas

para a dominação de seu povo e da natureza à sua volta.

Estas que, via de regra,

sempre geravam indefectíveis desastres

faziam-no passar todo o tempo buscando novas invenções

para consertar os próprios erros de outrora.

.

E mesmo se multiplicando em ritmo absurdamente acelerado,

o ser inventou a solidão.

Sentia-se agora tão só

que inventou em si um novo talento,

o dom de inventar deuses.

.

Da voz, compôs uma reza.

Das mãos, moldou o altar.

Da paixão, lançou-se ao culto.

Do conhecimento e da política, teceu a religião.

Da neurose, fez a culpa, a vergonha e o castigo.

.

O ser derramou assim

sobre a terra azul e seca,

de alegria e melancolia,

a primeira e doída lágrima,

junto à primeira prece.

.

.

Elas, que aí estão;

Elas, que não têm mais fim.

Entre crenças, princípios científicos e vã filosofia enfrentemos, pois, o 21 de dezembro. E, se o mundo sobreviver e nós com ele, preparemo-nos para a boa semana de celebrações que lhe seguirá.

ARTISTAS E VACAS – por jorge lescano / são paulo.sp

O analista revelara à paciente que ela sofria de falsa identidade – ou como esses profissionais da escuta esotérica chamem esta perturbação da personalidade –: era uma vaca presa num corpo de mulher. Ela decidiu assumir seu verdadeiro EU. Começou a mugir e se fazer tatuar grandes manchas negras na pele branca.

Sem que se conhecessem, ela vivia a metamorfose almejada pelo poeta. Este, em protesto pelo descaso da plebe ignara com a ninfa Eco, sonhava ser uma vaca, malhada, de nome Gertrudes, como os irlandeses chamam as fêmeas do seu gado bovino, segundo James Joyce num romance do argentino Ricardo Piglia

 

O pintor Paul Klee, nascido na Suíça, herdou do pai a nacionalidade alemã e só recebeu a cidadania do seu país natal, solicitada sete anos antes, um dia depois de sua morte.

Alguém comentou – talvez seja apenas uma boutade, com esta ressalva figura numa biografia do artista – que a demora teve origem em um quadro no qual o pintor retratou um rebanho de vacas empilhadas, sugerindo que o país não tinha espaço suficiente para sua pecuária. Isto numa nação que se orgulha da qualidade do seu queijo e criou um gênero de canções dedicadas a este ruminante.

 

O romancista acordou e deu pela falta do seu manuscrito. O jornal não fornecia o título do romance. Um pouco afastada da árvore sob a qual o escritor dormira sua sesta de verão, uma vaca ruiva ruminava a sua merenda.

Tarde demais ele ficou sabendo que os nutrientes que este animal encontra no capim também estão no papel.

 

Com o passar das gerações a anedota ficou mais ou menos assim:

A senhora interrogava Claude Debussy sobre o método utilizado para suas composições.

– É muito fácil, eu pego todos os sons e retiro aqueles que não desejo usar – teria respondido o músico.

– Confesso que não entendo as suas melodias – disse a dama. – Eu apenas sei do que gosto e do que não gosto.

E o compositor:

– Como as vacas, minha senhora!

 

 

O ator dirigia a sua motocicleta em alta velocidade quando o ruminante estacionou no meio da estrada. Não houve tempo para desviar ou frear. O veículo bateu em cheio na massa de carne que na hora do impacto ganhou solidez de concreto.

A polícia rodoviária contou com a serra e a habilidade de um magarefe para extrair a cabeça e os ombros do motoqueiro do flanco da vaca.

Aquela noite foi de consagração do ator substituto. Em turnê pelo interior do estado, a companhia representava Androcles e o leão, de George Bernard Shaw.

 

Como descrever o assombro da vaca solitária ao contemplar com seu olhar bovino o jovem negro atravessar a cerca, armar seu saxofone e totalmente concentrado improvisar alguns compassos na sua frente e para seu exclusivo prazer, enquanto seus colegas, não menos surpresos que ela, esperavam o final do breve concerto à beira da estrada?

Quem disse que as vacas gostam de música?, deve ter pensado o animal ao ver o carro se afastar levantando uma nuvem de poeira.

A cena foi narrada por um integrante da banda de Charlie Parker presente na ocasião.

TENTATIVA DE GOLPE: “Oligopólio midiático quer que Dilma banque abismo fiscal para salvar oligopólio bancário”

GRANDE MÍDIA BRASILEIRA QUER JOGAR DILMA NUMA FRIA MAIS TERRÍVEL QUE A GEADA DE MOSCOU, DESTRUINDO A POPULARIDADE DELA QUE ALCANÇOU 78%. Os ataques coordenados pela grande midia brasileira contra a política econômica nacionalista adotada pela presidenta Dilma Roussef, de combate à especulação financeira, por intermédio da redução continuada dos juros, configuram crime de lesa pátria, porque eles significam favorecimento à sobrevalorização da moeda nacional, cujas consequências representam aumento do endividamento público e desindustrialização nacional. Ou seja, pintaria o abismo fiscal, também, no Brasil, como acontece nos Estados Undios. No momento em que o Banco Central americano decide continuar com a expansão monetária – guerra cambial – para combater a onda de desemprego na América , se Dilma segue a orientação pregada pelo poder midiático oligopolizado brasileiro, porta-voz dos interesses do poder financeiro, igualmente, olipolizado, deixando a economia sem proteção, detona, consequentemente, o mercado interno, que a política nacionalista lulista-dilmista controi como arma contra a crise global, a fim de favorecer as estratégias adotadas pelos governos dos países ricos, ameaçados por ondas deflacionárias. A grande mídia tupiniquim, anti-nacionalista, expressa a insatisfação da bancocracia patrocinadora da agiotagem, considerando Dilma intervencionista, responsável por um mal gerenciamento econômico que impediria os investimentos produtivos. Ou seja, uma construção mental distorcida, ideologicamente traidora, que, se implementada, trabalharia a favor dos interesses do capitalismo cêntrico, às voltas com excesso de produção, que precisa ser desovado na periferia por meio de ofertas monetárias excessivas, como as que estão sendo implementadas pelo governo Obama, de modo a desvalorizar o dólar e sobrevalorizar as moedas dos outros concorrentes. O mesmo fazem Europa e Japão. Dilma resiste e busca fazer igual ao que eles, lá fora, estão fazendo, isto é, jogando duro contra os especuladores, reservando a estes juro zero ou negativo para suas aplicações especulativas. O exemplo dado, durante a semana, pelo Banco Central Europeu, de supervisionar, de agora em diante, os bancos, cujas estratégias especulativas, desregulamentadoras, oligopolizadas, levaram o capitalismo ao colapso financeiro, coloca em xeque o discurso neoliberal, anti-nacional, abraçado pelo poder mídiático brasileiro, colocado a serviço do poder bancário olipolizado no Brasil, inconformado com a política nacionalista dilmista, decidida a estabelecer para os bancos uma outra possibilidade, ou seja, a de ganharem dinheiro, de agora em diante, não mais na especulação, mas na aposta na produção, coisa que, ao longo da história da Nova República, eles não fizeram. A reação do poder midático oligopolizado à presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, também, se explica por ai, porque ao abrir possibilidades para outros grupos midiáticos surgirem, democratizando a oferta de informação, uma outra fonte informativa, nacionalista, entraria em cena. Certamente, onda sul-americana, nese sentido, tende a ampliar-se. Tem lógica uma Rede Globo, por exemplo, deter, em território nacional, mais de 120 empresas associadas, para sintonizar o discurso global anti-nacionalista, configurando crime de lesa pátria? O pder midiático que vive de concessão patrocinada pelo Estado nacional se coloca contra o próprio Estado nacional sob impacto da orientação econõmica nacionalista. Um novo tempo está chegando, minha gente.
CIC.

Ceia de Natal – de gilda kluppel / curitiba.pr

 

 

A mesa está posta

toalha e guardanapos

em tons vermelhos

para saudar aquele…

senhor das barbas brancas

ao invés de reis magos

somente os convidados.

Para seguir outra estrela

distante de Belém

e que conduz aos excessos

ao invés do perfume de mirra

o cheiro da comida.

Ele, de roupa pesada

torturado pelo calor de dezembro

largo cinturão preto

afrouxado para a ceia

os presentes no grande saco

as tantas quinquilharias

para alegrar uma noite

e talvez mais algumas horas

de fervoroso consumo

ao invés de Feliz Natal

agora se diz apenas Boas Festas.

Maria e José do lado de fora

espiam pela janela

procurando por Jesus querem saber

a cruz ainda pregada na parede da sala

alguém lembra do aniversário?

 

 

O CHAMADO DAS PEDRAS de CORA CORALINA

CORALINA  NAS PEDRAS

O chamado das Pedras

A estrada está deserta.
Vou caminhando sozinha.

Ninguém me espera no caminho.
Ninguém acende a luz.
A velha candeia de azeite
de lá muito se apagou.

Tudo deserto.
A longa caminhada.
A longa noite escura.
Ninguém me estende a mão.
E as mãos atiram pedras.
Sozinha…

Errada a estrada.
No frio, no escuro, no abandono.
Tateio em volta e procuro a luz.
Meus olhos estão fechados.
Meus olhos estão cegos.
Vêm do passado.

Num bramido de dor.
Num espasmo de agonia
Ouço um vagido de criança.
É meu filho que acaba de nascer.

Sozinha…
Na estrada deserta,
Sempre a procurar
o perdido tempo que ficou pra trás.

Do perdido tempo.
Do passado tempo
escuto a voz das pedras:

Volta…Volta…Volta…
E os morros abriam para mim
Imensos braços vegetais.

E os sinos das igrejas
Que ouvia na distância
Diziam: Vem… Vem… Vem…

E as rolinhas fogo-pagou
Das velhas cumeeiras:
Porque não voltou…
Porque não voltou…
E a água do rio que corria
Chamava…chamava…

Vestida de cabelos brancos
Voltei sozinha à velha casa deserta.

Cora Coralina, “Meu Livro de Cordel”, 8°ed., 1998.

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS / O N U

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS

Adotada e proclamada pela resolução 217 A (III)
da  Assembleia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948

Preâmbulo

        Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo,
Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração do homem comum,
        Considerando essencial que os direitos humanos sejam protegidos pelo Estado de Direito, para que o homem não seja compelido, como último recurso, à rebelião contra tirania e a opressão,
Considerando essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações,
Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta, sua fé nos direitos humanos fundamentais, na dignidade e no valor da pessoa humana e na igualdade de direitos dos homens e das mulheres, e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla,
Considerando que os Estados-Membros se comprometeram a desenvolver, em cooperação com as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos humanos e liberdades fundamentais e a observância desses direitos e liberdades,
Considerando que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mais alta importância para o pleno cumprimento desse compromisso,

A Assembleia  Geral proclama

        A presente Declaração Universal dos Diretos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.

Artigo I

        Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão  e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.

Artigo II

        Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua,  religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.

Artigo III

        Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

Artigo IV

        Ninguém será mantido em escravidão ou servidão, a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas.

Artigo V

        Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.

Artigo VI

        Toda pessoa tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecida como pessoa perante a lei.

Artigo  VII

        Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.

Artigo VIII

        Toda pessoa tem direito a receber dos tributos nacionais competentes remédio efetivo para os atos que violem  os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei.

Artigo IX

        Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.

Artigo X

        Toda pessoa tem direito, em plena igualdade, a uma audiência justa e pública por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir de seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele.

Artigo XI

        1. Toda pessoa acusada de um ato delituoso tem o direito de ser presumida inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa.
2. Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não constituíam delito perante o direito nacional ou internacional. Tampouco será imposta pena mais forte do que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso.

Artigo XII

        Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques à sua honra e reputação. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.

Artigo XIII

        1. Toda pessoa tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado.
2. Toda pessoa tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a este regressar.

Artigo XIV

        1.Toda pessoa, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países.
2. Este direito não pode ser invocado em caso de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos propósitos e princípios das Nações Unidas.

Artigo XV

        1. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade.
2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade.

Artigo XVI

        1. Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer retrição de raça, nacionalidade ou religião, têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento, sua duração e sua dissolução.
2. O casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento dos nubentes.

Artigo XVII

        1. Toda pessoa tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros.
2.Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.

Artigo XVIII

        Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.

Artigo XIX

        Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.

Artigo XX

        1. Toda pessoa tem direito à  liberdade de reunião e associação pacíficas.
2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.

Artigo XXI

        1. Toda pessoa tem o direito de tomar parte no governo de seu país, diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos.
2. Toda pessoa tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país.
3. A vontade do povo será a base  da autoridade do governo; esta vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo  equivalente que assegure a liberdade de voto.

Artigo XXII

        Toda pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social e à realização, pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade.

Artigo XXIII

        1.Toda pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego.
2. Toda pessoa, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho.
3. Toda pessoa que trabalhe tem direito a uma remuneração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim como à sua família, uma existência compatível com a dignidade humana, e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social.
4. Toda pessoa tem direito a organizar sindicatos e neles ingressar para proteção de seus interesses.

Artigo XXIV

        Toda pessoa tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e férias periódicas remuneradas.

Artigo XXV

        1. Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle.
2. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção social.

Artigo XXVI

        1. Toda pessoa tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito.
2. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz.
3. Os pais têm prioridade de direito n escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos.

Artigo XXVII

        1. Toda pessoa tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do processo científico e de seus benefícios.
2. Toda pessoa tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja autor.

Artigo XVIII

        Toda pessoa tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e  liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados.

Artigo XXIV

        1. Toda pessoa tem deveres para com a comunidade, em que o livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade é possível.
2. No exercício de seus direitos e liberdades, toda pessoa estará sujeita apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer às justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.
3. Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos contrariamente aos propósitos e princípios das Nações Unidas.

Artigo XXX

        Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição  de quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos.

Oscar Niemeyer, a Veja online e o Escaravelho – por leonardo boff / são paulo.sp

Com a morte de Oscar Niemeyer aos 104 anos de idade ouviram-se vozes do mundo inteiro cheias de admiração, respeito e reverência face a sua obra genial, absolutamente inovadora e inspiradora de novas formas de leveza, simplicidade e elegância na arquitetura. Oscar Niemeyer foi e é uma pessoa que o Brasil e a humanidade podem se orgulhar.

LEONARDO BOFFE o fazemos por duas razões principais: a primeira, porque Oscar humildemente nunca considerou a arquitetura a coisa principal da vida; ela pertence ao campo da fantasia, da invenção e do lúdico. Para ele era um jogo das formas, jogado com a seriedade com que as crianças jogam.

A segunda, para Oscar, o principal era a vida. Ela é apenas um sopro, passageira e contraditória. Feliz para alguns mas para as grandes maiorias cruel e sem piedade. Por isso, a vida impõe uma tarefa que ele assumiu com coragem e com sérios riscos pessoais: a da transformação. E para transformar a vida e torná-la menos perversa, dizia, devemos nos dar as mãos, sermos solidários uns para com os outros, criarmos laços de afeto e de amorosidade entre todos. Numa palavra, nós humanos devemos aprender a nos tratar humanamente, sem considerar as classes, a cor da pele e o nível de sua instrução.

Isso foi que alimentou de sentido e de esperança a vida desse gênio brasileiro. Por aí se entende que escolheu o comunismo como a forma e o caminho para dar corpo a este sonho, pois, o comunismo, em seu ideário generoso, sempre se propôs a transformação social a partir das vítimas e dos mais invisíveis. Oscar Niemeyer foi um fiel militante comunista.

Mas seu comunismo era singular: no meu modo de ver, próximo dos cristãos originários pois era um comunismo ético, humanitário, solidário, doce, jocoso, alegre e leve. Foi fiel a esse sonho a vida inteira, para além de todos os avatares passados pelas várias formas de socialismo e de marxismo.

Na medida em que pudemos observar, a grande maioria da opinião pública mundial, foi unânime na celebração de sua arte e do significado humanista de sua vida. Curiosamente a revista VEJA de domingo, dedica-lhe 10 belas páginas. Outra coisa, porém, é a revista VEJA online de 7 de dezembro com um artigo do blog do jornalista Reinado Azevedo que a revista abriga.

Ele foi a voz destoante e de reles mau gosto. Até agora a VEJA não se distanciou daquele conteúdo, totalmente, contraditório àquele da edição impressa de domingo. Entende-se porque a ideologia de um é a ideologia do outro. Pouco importa que o jornalista Azevedo, de forma confusa, face às críticas vindas de todos os lados, procure se explicar. Ora se identifica com a revista, ora se distancia, mas finalmente seu blog é por ela publicado.

Notoriamente, VEJA se compraz em desfazer as figuras que melhor mostram nossa cultura e que mais penetraram na alma do povo brasileiro. Essa revista parece se envergonhar do Brasil, porque gostaria que ele fosse aquilo que não é e não quer ser: um xerox distorcido da cultura norte-americana. Ela dá a impressão de não amar os brasileiros, ao contrário expõe ao ridículo o que eles são e o que criam. Já o titulo da matéria referente a Oscar Niemeyer da autoria de Azevedo, revela seu caráter viciado e malevolente: “Para instruir a canalha ignorante. O gênio e o idiota em imagens”. Seu texto piora mais ainda quando, se esforça, titubeante, em responder às críticas em seu blog do dia 8/12 também na VEJA online com um título que revela seu caráter despectivo e anti-democrático:”Metade gênio e metade idiota- Niemeyer na capa da VEJA com todas as honras! O que o bloco dos Sujos diz agora?” Sujo é ele que quer contaminar os outros com a própria sujeira de uma matéria tendenciosa e injusta.

O que se quer insinuar com os tipos de formulação usados? Que brasileiro não pode ser gênio; os gênios estão lá fora; se for gênio, porque lá fora assim o reconhecem, é apenas em sua terceira parte e, se melhor analisarmos, apenas numa quarta parte. Vamos e venhamos: Quem diz ser Oscar Niemeyer um idiota apenas revela que ele mesmo é um idiota consumado. Seguramente Azevedo está inscrito no número bem definido por Albert Einstein: “conheço dois infinitos: o infinito do universo e o infinito dos idiotas; do primeiro tenho dúvidas, do segundo certeza”. O articulista nos deu a certeza que ele e a revista que o abriga possuem um lugar de honra no altar da idiotice.

O que não tolera em Oscar Niemeyer que, sendo comunista, se mostra solidário, compassivo com os que sofrem, que celebra a vida, exalta a amizade e glorifica o amor. Tais valores não cabem na ideologia capitalista de mercado, defendida por VEJA e seu albergado, que só sabe de concorrência, de “greed is good” (cobiça é coisa boa), de acumulação à custa da exploração ou da especulação, da falta de solidariedade e de justiça em nível internacional.

Mas não nos causa surpresa; a revista assim fez com Paulo Freire, Cândido Portinari, Lula, Dom Helder Câmara, Chico Buarque, Tom Jobim, João Gilberto, frei Betto, João Pedro Stédile, comigo mesmo e com tantos outros. Ela é um monumento à razão cínica. Segue desavergonhadamente a lógica hegeliana do senhor e do servo; internalizou o senhor que está lá no Norte opulento e o serve como servo submisso, condenado a viver na periferia. Por isso tanto a revista quanto o articulista revelam um completo descompromisso com a verdade daqui, da cultura brasileira.

A figura que me ocorre deste articulista e da revista semanal, em versão online, é a do escaravelho, popularmente chamado de rola-bosta. O escaravelho é um besouro que vive dos excrementos de animais herbívoros, fazendo rolinhos deles com os quais, em sua toca, se alimenta. Pois algo semelhante fez o blog de Azevedo na VEJA online: foi buscar excrementos de 60 e 70 anos atrás, deslocou-os de seu contexto (ela é hábil neste método) e lançou-os contra Oscar Niemeyer. Ela o faz com naturalidade e prazer, pois, é o meio no qual vive e se realimenta continuamente. Nada de surpreendente, portanto.

Paro por aqui. Mas quero apenas registrar minha indignação contra esta revista, em versão online, travestida de escaravelho por ter cometido um crime lesa-fama. Reproduzo igualmente dois testemunhos indignados de duas pessoas respeitáveis: Antonio Veronese, artista plástico vivendo em Paris e João Cândido Portinari, filho do genial pintor Cândido Portinari, cujas telas grandiosas estão na entrada do edifício da ONU em Nova York e cuja imagem foi desfigurada e deturpada, repetidas vezes, pela revista-escaravelho.

Casa Branca: ” Legado de Niemeyer inspirará gerações “

enquanto isso a REVISTA VEJA chama-o de  ” …..meio gênio e meio IMBECIL…”. pois é…

 

08/12/2012 | 16:51 | AGÊNCIA ESTADO

O legado de Oscar Niemeyer vai ficar vivo na beleza de suas obras e inspirar gerações, afirmou a Casa Branca em um comunicado em que lamenta a morte do arquiteto brasileiro, na noite da última quarta-feira (5). “Os Estados Unidos estendem suas profundas condolências ao povo do Brasil pelo falecimento do lendário arquiteto Oscar Niemeyer”, destaca a nota à imprensa divulgada neste Sábado.

A nota ressalta que Niemeyer foi inovador e mestre em criatividade, deixando sua marca em várias obras pelo mundo e ajudando a moldar a identidade única da nação brasileira. “Ele transpôs as curvas naturais da antiga capital, Rio, para os prédios e monumentos de Brasília.”

O comunicado ressalta a contribuição do arquiteto para desenhar a sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, e o fato de Niemeyer ser considerado membro honorário do Instituto Americano de Arquitetos desde 1963.

Ex-general argentino é condenado a prisão perpétua pela oitava vez por crimes na ditadura

Em sua defesa, Luciano Benjamín Menéndez repetiu o discurso de combate à subversão da esquerda

Wikicommons

O ex-general Luciano Benjamín Menéndez (direita) justificou seus atos pelo combate à “subversão marxista internacional”

O ex-general Luciano Benjamín Menéndez foi condenado, nesta sexta-feira (07/12), pela oitava vez, a prisão perpétua por crimes cometidos durante a ditadura argentina (1976-1983), quando cerca de 30 mil pessoas foram assassinadas ou desapareceram, segundo organizações de direitos humanos.

Condenado na província de La Rioja como coautor na prisão ilegal e homicídio triplamente qualificado de dois sacerdotes – ações classificadas pelo tribunal como “crime contra a humanidade”-, o ex-comandante do Terceiro Corpo do Exército, hoje com 85 anos, cumprirá suas sentenças na penitenciária de Ezeiza, na região metropolitana de Buenos Aires.

Menéndez foi o comandante máximo das atividades do Exército em dez províncias argentinas durante o período de repressão, fato pelo qual acumula, além das sete sentenças perpétuas atuais, numerosas acusações por violações aos direitos humanos.

O ex-vice-comodoro, Luis Fernando Estrella, e o ex-delegado de polícia Domingo Benito Vera também foram condenados a prisão perpétua pelos mesmos crimes. Ambos cumprirão a sentença no serviço penitenciário de La Rioja. Ao fim do julgamento, ativistas, membros de organizações de direitos humanos e de comunidades cristãs celebraram a decisão do tribunal.

Durante a leitura da sentença, o juiz responsável pelo caso teve que gritar repetidas vezes, de forma brusca, a ordem de “silêncio na sala”, frente à manifestação dos presentes, que comemoravam as sentenças perpétuas “por unanimidade” e a revogação do pedido de prisão domiciliar a Menéndez e aos demais condenados. Antes mesmo do fim da leitura, alguns dos presentes invocaram o nome dos sacerdotes, ao que respondiam “presente!”.

Segundo a imprensa local, Menéndez fez seu último pronunciamento por vídeoconferência, na qual afirmou que o julgamento de “supostos culpados de supostos crimes” é “inconstitucional”. O ex-general voltou a repetir o discurso sustentado pela cúpula da ditadura, da existência de uma “guerra contra a subversão marxista internacional”, que justificaria seus atos.

Ao serem sequestrados em julho de 1976, na província de La Rioja, os sacerdotes Carlos de Dios Murias e Gabriel Longueville foram interrogados e torturados em uma base da Força Aérea Argentina. Seus corpos foram encontrados com vendas nos olhos e marcas de torturas um mês depois.

Segundo parentes dos sacerdotes, uma das características da repressão na região foi a perseguição de religiosos comprometidos com o movimento rural, que reivindicavam o direito dos camponeses à terra. De acordo com a secretaria de Direitos Humanos, dependente do Ministério de Justiça, há numerosas provas que atestam a perseguição a sacerdotes pelos repressores.

VEJA reinaldo azevedo, O TECLADO DE ALUGUEL PARA OS CORRUPTOS, o que escreve na VEJA sobre OSCAR NIEMAYER. reinaldo recebeu seus dinheirinhos em dia!

 

06/12/2012

às 5:03

Morre Oscar Niemeyer, metade gênio e metade idiota

Morreu o arquiteto Oscar Niemeyer, aos 104 anos. Pensava e escrevia coisas detestáveis. Dele se pode dizer o que disse Millôr Fernandes sobre um colega seu de Pasquim: “Metade é gênio, e metade é idiota”.

Não tenho nada a acrescentar ao que escrevi sobre ele, neste blog, quando fez 99 anos – teve tempo de escrever e de dizer muitas tolices depois. Mas nada disso, acho, macula a sua obra. Reproduzo aquele texto. Volto para encerrar.
*
Um homem não é sua obra. Céline — Louis-Ferdinand Céline — era um idiota político e um antissemita delirante. E, no entanto, escrevia como um príncipe. Cumpre não usar o seu belo texto para justificar seu cretinismo. Ezra Pound era um fascistoide do miolo mole, mas um poeta admirável (embora não do meu gosto pessoal) e um homem de cultura. Os textos sobre política de Fernando Pessoa não servem nem para catar cocô. E foi, a meu ver, um dos maiores poetas de todos os tempos em qualquer língua. A lista seria gigantesca. Há cretinos políticos de esquerda também. O meu romancista predileto no Brasil, Graciliano Ramos, era comunista, mas São BernardoAngústiaVidas Secas ou mesmo Memórias do Cárcere — relato de quando foi preso pela ditadura de Getúlio justamente porque era comunista — não são.

Os meus amigos sabem o que penso: artistas jamais deveriam se ocupar de política — não em sua arte. Não acredito em obra engajada, a não ser naquela que expressa melancolia, desespero e saudosismo. A boa arte política é sempre reacionária, voltada para o passado. Artistas que se dobram a utopias finalistas se transformam em prosélitos. Desconheço se Churchill escreveu algum verso ou disse algo relevante sobre a condição humana. Mas, em política, foi o maior entre os, chamemo-lo ainda assim, contemporâneos. Cada coisa em seu lugar. É típico do obscurantismo e da burrice — fascista ou leninista — satanizar a obra deixada por um artista por conta do seu alinhamento ideológico. Seria como censurar Churchill porque mau poeta.

Respeito, como quase sempre, opiniões contrárias e até entendo a natureza da crítica. Pessoalmente, no entanto, acho Oscar Niemeyer um gênio, embora deplore as suas escolhas políticas e enxergue em sua trajetória de vida o principal desvio de caráter dos comunistas: o oportunismo nos meios com o totalitarismo no fim. Mas e daí? Vou dizer, por isso, que não vislumbro no seu trabalho a centelha do gênio? Vislumbro. Não sei quanto tempo ainda dura esta nossa aventura. Pelo tempo que durar, o seu trabalho restará como bom exemplo do que pode produzir o gênio humano.

Assim como, sei lá eu, o gótico foi a expressão material do espírito de um tempo, acho que Niemeyer conseguiu dar forma à cultura moderna, com a leveza do seu concreto, o que já é quase um clichê. A Catedral de Brasília, templo de oração projetado por um ateu militante, consegue a síntese perfeita entre o mundo horizontal e igualitário — o espírito do tempo moderno — e o apelo ao divino, a memória cultural que uma igreja, qualquer uma, evoca. Acho descabidas as críticas a seus prédios brasilienses — “desconfortáveis”, “ignoram a natureza”, sei lá o quê… Mas tudo bem: essa crítica é pertinente e aceitável.

O que censuro mais em Juscelino Kubitschek do que nele, aí, sim, é a vocação para achar que a sociedade obedece a regras que cabem num projeto. Brasília foi, em muitos aspectos, um delírio caro, desnecessário e megalômano, que, ademais, afastou a política da vida dos cidadãos comuns. A concepção, em si, é autoritária, menos pelo que possa haver de “comunismo” embutido do que de descolamento de certa elite da realidade do país. Cidades só nasciam por atos administrativos na vontade de imperadores e déspotas. Elas são construções coletivas, como, aliás, a Brasília cheia de defeitos de hoje prova à farta.

Voltei
A estupidez política de Niemeyer, que defendia regimes homicidas, não condena a sua obra. Mas a sua obra também não absolve a sua estupidez política.

NIEMEYER : A VIDA É UM MINUTO…

 

Morreu, aos 104 anos, às 21:55 do dia 05 do mês de novembro do ano da graça de 2012 um dos grandes gênios da inteligência brasileira: Oscar Niemeyer. O arquiteto, com mais de cem grandes obras revolucionárias construídas no niemeyermundo inteiro e que teve nos monumentos  de Brasília um de seus momentos culminantes, não foi apenas um homem da prancheta. Foi um humanista, voltado à afirmação da vida, na incansável tentativa de juntar os céus à terra, a imaginação à razão, os ideais ao real. A Presidente Dilma Roussef  ofereceu o Palácio do Planalto para as cerimônias fúnebres de Niemeyer e emitiu Nota que sintetiza o sentimento de todos os brasileiros diante da grande perda:

 PRESIDENCIA DA REPUBLICA

A gente tem que sonhar, senão as coisas não acontecem”, dizia Oscar Niemeyer, o grande brasileiro que perdemos hoje. E poucos sonharam tão intensamente e fizeram tantas coisas acontecer como ele

A sua história não cabe nas pranchetas. Niemeyer foi um revolucionário, o mentor de uma nova arquitetura, bonita, lógica e, como ele mesmo definia, inventiva.

Da sinuosidade da curva, Niemeyer desenhou casas, palácios e cidades. Das injustiças do mundo, ele sonhou uma sociedade igualitária. “Minha posição diante do mundo é de invariável revolta”, dizia Niemeyer. Uma revolta que inspira a todos que o conheceram.

Carioca, Niemeyer foi, com Lúcio Costa, o autor intelectual de Brasília, a capital que mudou o eixo do Brasil para o interior. Nacionalista, tornou-se o mais cosmopolita dos brasileiros, com projetos presentes por todo o país, nos Estados Unidos, França, Alemanha, Argélia, Itália e Israel, entre outros países. Autodeclarado pessimista, era um símbolo da esperança.

O Brasil perdeu hoje um dos seus gênios. É dia de chorar sua morte. É dia de saudar sua vida.

Brasília, 05 de dezembro de 2012 – Dilma Roussef – Presidente da República

 

 

Niemeyer , o Poeta –  Poema das Curvas, 1988

Não é o ângulo reto que me atrai.
Nem a linha reta, dura, inflexível,
criada pelo homem.
O que me atrai é a curva livre e
sensual.
A curva que encontro nas
montanhas do meu país,
no curso sinuoso dos seus rios,
nas nuvens do céu,
no corpo da mulher amada.
De curvas é feito todo o universo.
O universo curvo de Einstein.

 

Niemeyer, o arquiteto da modernidade
“A técnica de defender os monumentos não é copiar, é fazer o contraste. Todo mundo gosta da arquitetura colonial. Mas a gente sabe perfeitamente que ela é mais portuguesa que brasileira. Eu quando vou a Europa e passo por uma cidade antiga eu me sinto melhor. Passar por Portugal naquelas velhas aldeias portuguesas que a gente parece estar no Brasil né ? Eu me lembro que na Europa, às vezes eles diziam: O passado arquitetônico de vocês é pobre, é mais português do que brasileiro. E eu dizia: isso é muito bom para nós, porque vocês vivem circulando entre monumentos, e nós estamos livres pra fazer hoje o passado de amanhã.”

 

Niemeyer, o político: O importante é protestar
“A minha arquitetura não é uma solução pra arquitetura, é a minha arquitetura. Assim como na pintura a gente tá de acordo de que não existe a pintura antiga e moderna, existe a boa e a má pintura. Na arquitetura é a mesma coisa. O ideal é cada um procurar o seu caminho e fazer o que gosta. Eu confesso a você que eu tô um pouco cansado de falar de arquitetura. Porque as coisas se repetem, a conversa é a mesma, as perguntas são as mesmas. Mais importante do que a arquitetura é estar pronto pra protestar e ir na rua, isso que é importante, é o sujeito se sentir bem, sentir que não é um merda, que ele tá ali pra ser útil…”

Autoajuda. Está tudo resolvido – por luiz fernando pereira / curitiba.pr

Nunca tinha me dado conta do incrível avanço das publicações de livros de autoajuda (sim, aqui a reforma, sob meu protesto, sacou o hífen). Especialmente nas livrarias mais modernosas, há sempre um enorme departamento luiz-fernando-pereiraespecialmente dedicado. Não é o caso do nosso Chain, livreiro que ainda resiste um pouco ao subproduto. Chain vende autoajuda – é inevitável -, mas os livros estão um pouco escondidos, revelando saudável constrangimento.

Achei alguns números. Há dez anos a revista Veja já mostrava que a publicação de obras do gênero havia tido um crescimento de mais de 700% nos últimos oito anos, contra um aumento de 35% do mercado geral de livros. Dez anos depois e os livros de autoajuda tomaram conta do mercado. Notem que as listas de mais vendidos estão divididas em três categorias: ficção, não ficção e autoajuda. Por que atraem tanto? É simples: prometem resolver tudo de forma rápida e simples.

Dizem que foi o americano Dale Carnegie que deu início ao gênero. E convenhamos: faz todo o sentido que tenha começado no fértil ambiente dos americanos. Nos anos 30 Carnegie publicou Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas. Vendeu mais de cinquenta milhões de exemplares. É muita coisa. Nemesis, livro de despedida de Philip Roth, tem uma tiragem de sete mil exemplares aqui no Brasil. Carnegie vende muito mais porque sabe simplificar. Costuma dizer: “Acredite que você pode mudar sua vida, e isso se concretizará”. Fascina multidões.

Bem analisado o fenômeno, autoajuda faz em boa medida o que a religião sempre fez. Confira comigo: Quando você diz que é impossível, Deus observa: “tudo é possível” (Lucas – capítulo 18, versículo 27). Quer mais? Quando você diz: Eu não posso, Deus discorda: “tudo podes” (Filipenses 4:13). Não por acaso a bíblia vende ainda mais do que Dale Carnegie. É auto-ajuda do início ao fim. Os budistas criaram o mesmo papinho cinco séculos antes de Cristo e os muçulmanos cinco séculos depois. Na essência é tudo autoajuda.

Não tenho capacidade e não quero fazer análise sociológica do fenômeno, é claro. A curiosidade dos títulos é o que me motiva. Já pensando em escrever o artigo, anotei alguns bem interessantes. Como são incontáveis as publicações, se você tiver tempo ou dinheiro para apenas um, sugiro Como Conquistar Tudo o que Você Deseja mais Rápido do que Jamais Imaginou. Conquistar tudo que deseja. E rápido. Esse é perfeito.

Entre os mais focados, estão os orientados para o assim chamado mundo corporativo. Lançado em 2011, o título (sempre autoexplicativo) é Consiga um aumento e seja promovido com rapidez. Se você leu, entendeu e seguiu os conselhos, mas não foi promovido e muito menos conseguiu aumento, não se preocupe. Tente Como se destacar em seu ambiente de trabalho, de Joe Calloway. Novo insucesso? Aí é o caso de apelar para um tal John Hoover e culpar o chefe: Como trabalhar para um idiota, já na décima primeira edição pela Saraiva. E se você por acaso for o próprio chefe, Bruce Tulgan lançou título encorajador: Não tenha medo de ser chefe.

Gosto muito dos que tratam das questões de alcova, a começar por um clássico: Tudo o que Você Queria Saber Sobre Sexo… Mas Tinha Medo de Perguntar. Leu e está sabendo tudo, mas perdeu um pouco o entusiasmo na relação? Pamela Lister, pela Editora Gente, tem a solução: Sexo no casamento: dez segredos para manter viva a atração. De acordo com a autora, “o desejo a longo prazo está ao alcance de todos os que se empenharem”. Como não pensamos nisso antes? A mulher já não é mais tão nova? Sem problemas. Gail Sheehy, agora pela Rocco, explica tudo em O sexo e a mulher madura. Bem, se eventualmente os livros anteriores não ajudaram, resta gastar um pouco mais com o livro de Rosaura Rodriguez: Bem-vinda ao clube do divórcio. Li a contracapa. Rosaura explica que “não se deve confiar em conselhos estapafúrdios de amigas solteiras”. No final a incrível conclusão: “é possível ser feliz sozinha ou acompanhada”. Genial a Rosaura.

Com o crescimento do mercado, é natural que aumente o grau de especialidade dos títulos. Gostei de alguns realmente bem direcionados. Antônio Fonseca Jr., orientado pelo aumento do percentual de obesos, publicou: Tudo que um gordo deveria saber (atitudes de um gordo). No anúncio promete uma visão holística da matéria. Fico a pensar: o que pode ser uma visão holística do gordo? Você não é gordo, mas se acha muito tímido e introvertido, ponha sua vida nas mãos de Susan Cain e seu novo livro: O poder dos quietos. A autora critica “o ideal da extroversão do século XX” (?!) e, também como está na síntese apresentada, “oferece inestimáveis conselhos sobre como os tímidos podem tirar vantagem das suas características”. Para os não raros casos de gordos tímidos a saída é ler os dois livros. Até pelo menos que alguém lance algo mais específico: “sucesso total ao alcance imediato dos gordos tímidos” (fica minha singela sugestão de título).

No fundo eu desconfio que todos os livros são escritos por heterônimos de um mesmo autor – que só muda um pouco a ordem das palavras. Viva o Chain – que ainda mantém intacta a vergonha e quase esconde os livros de autoajuda.

ROSA DE SOUZA e FUNDAÇÃO CATARINENSE DE CULTURA convidam: ilha de santa catarina

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ENTREVISTA ABRE JANELA PARA IMPEACHMENT DE FUX.

fux
                                                                                                                     LUIZ FUX.Depoimento desastroso à jornalista Mônica Bergamo aponta sinais de quebra de decoro por parte do ministro Luiz

Fux, do Supremo Tribunal Federal. Ele revela que como fez lobby explícito para chegar à suprema corte e confessa que usou decisões judiciais que tomou para se promover. No Brasil, nunca houve um impeachment de ministro do STF e a decisão compete ao Senado Federal. Qualquer cidadão pode propor a ação.
A ENTREVISTA:
02/12/2012 – 04h30

Em campanha para o STF, Luiz Fux procurou José Dirceu

MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA

O ministro Luiz Fux, 59, diz que desde 1983, quando, aprovado em concurso, foi juiz de Niterói (RJ), passou a sonhar com o dia em que se sentaria em uma das onze cadeiras do Supremo Tribunal Federal (STF).

Quase trinta anos depois, em 2010, ele saía em campanha pelo Brasil para convencer o então presidente Lula a indicá-lo à corte.

Fux era ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça), o penúltimo degrau na carreira da magistratura. “Estava nessa luta” para o STF desde 2004 –sempre que surgia uma vaga, ele se colocava. E acabava preterido. “Bati na trave três vezes”, diz.

‘Pensei que não tinha provas; li o processo do mensalão e fiquei estarrecido’, diz Fux

Sérgio Lima/Folhapress
Ministro Luiz Fux no prédio do Supremo Tribunal Federal, em Brasília
Ministro Luiz Fux no prédio do Supremo Tribunal Federal, em Brasília

AVAL

Naquele último ano de governo Lula, era tudo ou nada.

Fux “grudou” em Delfim Netto. Pediu carta de apoio a João Pedro Stedile, do MST. Contou com a ajuda de Antônio Palocci. Pediu uma força ao governador do Rio, Sergio Cabral. Buscou empresários.

E se reuniu com José Dirceu, o mais célebre réu do mensalão. “Eu fui a várias pessoas de SP, à Fiesp. Numa dessas idas, alguém me levou ao Zé Dirceu porque ele era influente no governo Lula.”

O ministro diz não se lembrar quem era o “alguém” que o apresentou ao petista.

Fux diz que, na época, não achou incompatível levar currículo ao réu de processo que ele poderia no futuro julgar. Apesar da superexposição de Dirceu na mídia, afirma que nem se lembrou de sua condição de “mensaleiro”.

“Eu confesso a você que naquele momento eu não me lembrei”, diz o magistrado. “Porque a pessoa, até ser julgada, ela é inocente.”

Conversaram uma só vez, e por 15 minutos, segundo Fux. Conversaram mais de uma vez, segundo Dirceu.

A equipe do petista, em resposta a questionamento da Folha, afirmou por e-mail: “A assessoria de José Dirceu confirma que o ex-ministro participou de encontros com Luiz Fux, sempre a pedido do então ministro do STJ”.

Foram reuniões discretas e reservadas.

CURRÍCULO

Para Dirceu, também era a hora do tudo ou nada.

Ele aguardava o julgamento do mensalão. O ministro a ser indicado para o STF, nos estertores do governo Lula, poderia ser o voto chave da tão sonhada absolvição.

A escolha era crucial.

Fux diz que, no encontro com Dirceu, nada disso foi tratado. Ele fez o seguinte relato àFolha:

Luiz Fux – Eu levei o meu currículo e pedi que ele [Dirceu] levasse ao Lula. Só isso.

Folha – Ele não falou nada [do mensalão]?

Ele falou da vida dele, que tava se sentindo… em outros processos a que respondia…

Tipo perseguido?

É, um perseguido e tal. E eu disse: “Não, se isso o que você está dizendo [que é inocente] tem procedência, você vai um dia se erguer”. Uma palavra, assim, de conforto, que você fala para uma pessoa que está se lamentando.

MATO NO PEITO

Dirceu e outros réus tiveram entendimento diferente. Passaram a acreditar que Fux votaria com eles.

Uma expressão usual do ministro, “mato no peito”, foi interpretada como promessa de que ele os absolveria.

Fux nega ter dado qualquer garantia aos mensaleiros.

Ele diz que, já no governo Dilma Rousseff, no começo de 2011, ainda em campanha para o STF (Lula acabou deixando a escolha para a sucessora), levou seu currículo ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Na conversa, pode ter dito “mato no peito”.

Folha – Cardozo não perguntou sobre o mensalão?

Não. Ele perguntou como era o meu perfil. Havia causas importantes no Supremo para desempatar: a Ficha Limpa, [a extradição de Cesare] Battisti. Aí eu disse: “Bom, eu sou juiz de carreira, eu mato no peito”. Em casos difíceis, juiz de carreira mata no peito porque tem experiência.

Em 2010, ainda no governo Lula, quando a disputa para o STF atingia temperatura máxima, Fux também teve encontros com Evanise Santos, mulher de Dirceu.

Em alguns deles estava o advogado Jackson Uchôa Vianna, do Rio, um dos melhores amigos do magistrado.

Evanise é diretora do jornal “Brasil Econômico”. Os dois combinaram entrevista “de cinco páginas” do ministro à publicação.

Evanise passou a torcer pela indicação de Fux.

Em Brasília, outro réu do mensalão, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), articulava apoio para Fux na bancada do PT.

A movimentação é até hoje um tabu no partido. O deputado Cândido Vacarezza (PT-SP) é um dos poucos que falam do assunto.

Vacarezza – Quem primeiro me procurou foi o deputado Paulo Maluf. Eu era líder do governo Lula. O Maluf estava defendendo a indicação e me chamou no gabinete dele para apresentar o Luiz Fux. Tivemos uma conversa bastante positiva. Eu tinha inclinação por outro candidato [ao STF]. Mas eu ouvi com atenção e achei as teses dele interessantes.

Folha – E o senhor esteve também na casa do ministro Fux com João Paulo Cunha?

Eu confirmo. João Paulo me ligou dizendo que era um café da manhã muito importante e queria que eu fosse. Eu não te procurei para contar. Mas você tem a informação, não vou te tirar da notícia.

O mensalão foi abordado?

Não vou confirmar nem vou negar as informações que você tem. Mas eu participei de uma reunião que me parecia fechada. Tinha um empresário, tinha o João Paulo. Sobre os assuntos discutidos, eu preferia não falar.

Fux confirma a reunião. Mas diz que ela ocorreu depois que ele já tinha sido escolhido para o STF. Os petistas teriam ido cumprimentá-lo.

Na época, Cunha presidia comissão na Câmara por onde tramitaria o novo Código de Processo Civil, que Fux ajudou a elaborar.

Sobre Maluf, diz o magistrado: “Eu nunca nem vi esse homem”. Maluf, avisado do tema, disse que estava ocupado e não atendeu mais às chamadas da Folha. Ele é réu em três processos no STF.

CHORO

No dia em que sites começaram a noticiar que ele tinha sido indicado por Dilma para o STF, “vencendo” candidatos fortes como os ministros César Asfor Rocha e Teori Zavascki, também do STJ, Fux sofreu, rezou, chorou.

Luiz Fux – A notícia saiu tipo 11h. Mas eu não tinha sido comunicado de nada. E comecei a entrar numa sensação de que estavam me fritando. Até falei para o meu motorista: “Meu Deus do céu, eu acho que essa eu perdi. Não é possível”. De repente, toca o telefone. Era o José Eduardo Cardoso. Aí eu, com aquela ansiedade, falei: “Bendita ligação!”. Ele pediu que eu fosse ao seu gabinete.

No Ministério da Justiça, ficou na sala de espera.

Luiz Fux – Aí eu passei meia hora rezando tudo o que eu sei de reza possível e imaginável. Quando ele [Cardozo] abriu a porta, falou: “Você não vai me dar um abraço? Você é o próximo ministro do Supremo Tribunal Federal”. Foi aí que eu chorei. Extravasei.

De fevereiro de 2011, quando foi indicado, a agosto de 2012, quando começou o julgamento do mensalão, Fux passou um período tranquilo. Assim que o processo começou a ser votado, no entanto, o clima mudou.

Para surpresa dos réus, em especial de Dirceu e João Paulo Cunha, ele foi implacável. Seguiu Joaquim Barbosa, relator do caso e considerado o mais rigoroso ministro do STF, em cada condenação.

Foi o único magistrado a fazer de seus votos um espelho dos votos de Barbosa. Divergiu dele só uma vez.

Quanto mais Fux seguia Barbosa, mais o fato de ter se reunido com réus antes do julgamento se espalhava no PT e na comunidade jurídica.

Advogados de SP, Rio e Brasília passaram a comentar o fato com jornalistas.

A raiva dos condenados, e até de Dilma, em relação a Fux chegou às páginas dos jornais, em forma de notas cifradas em colunas –inclusive da Folha.

Pelo menos seis ministros do STF já ouviram falar do assunto. E comentaram com terceiros.

Fux passou a ficar incomodado. Conversou com José Sarney, presidente do Senado. “Sei que a Dilma está chateada comigo, mas eu não prometi nada.” Ele confirma.

Na posse de Joaquim Barbosa, pouco antes de tocar guitarra, abordou o ex-deputado Sigmaringa Seixas, amigo pessoal de Lula. Cobrou dele o fato de estarem “espalhando” que prometera absolver os mensaleiros.

Ao perceber que a Folha presenciava a cena, puxou a repórter para um canto. “Querem me sacanear. O pau vai cantar!”, disse. Questionado se daria declarações oficiais, não respondeu.

Dias depois, um emissário de Fux procurou a Folha para agendar uma entrevista.

RAIO X – LUIZ FUX, 59

Origem
Rio de Janeiro (RJ)

Família
Casado com Eliane Fux, tem dois filhos: Rodrigo e Marianna, ambos advogados

Formação
Bacharel em direito pela Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). Concluiu doutorado em processo civil, também pela Uerj

Carreira
Atuou por 18 anos no Ministério Público do Rio. Foi juiz em para Niterói (RJ). Passou a desembargador do TJ-RJ em 1997 e, em 2001, foi nomeado pelo então presidente FHC para o STJ. Está no Supremo desde 2011, indicado por Dilma

DITADURA ARGENTINA: Pela primeira vez, pilotos e tripulantes dos “voos da morte” serão julgados.

A prática era utilizada por militares para o desaparecimento de pessoas, que eram sedadas e jogadas do alto de aviões

O maior julgamento por violações aos direitos humanos perpetradas durante a ditadura argentina (1976-1983) terá início nesta quarta-feira (28/11), em Buenos Aires. Ao todo, 68 acusados de assassinatos, torturas e desaparecimentos na ESMA (Escola de Mecânica da Armada), onde funcionou o maior centro clandestino de prisão do país na época da repressão, sentarão no banco dos réus.

Divulgação

Presos políticos desaparecidos durante a ditadura militar na Argentina. Responsáveis por “voos da morte” serão julgados

Entre os acusados, estão pela primeira vez oito pilotos e tripulantes acusados de 50 homicídios nos emblemáticos “voos da morte”, prática utilizada por militares para o desaparecimento de pessoas, que eram sedadas e jogadas do alto de aviões no mar ou no Rio da Prata. No julgamento, que deve durar aproximadamente dois anos, cerca de 900 testemunhas devem ser escutadas sobre casos de 789 vítimas, das quais cerca de um terço é sobrevivente.

O maior julgamento por crimes na ditadura até então foi realizado em Tucumán, com 41 acusados no banco dos réus. O que começa nesta quarta-feira inclui acusados da Marinha, Exército, Polícia Federal, Prefeitura naval e do Serviço Penitenciário, e dois civis: um advogado acusado de participar de torturas e de pelo menos um voo da morte e um ex secretário de Fazenda de José Alfredo Martínez de Hoz, ministro de Economia entre 1976 e 1981.

Dos 68 réus, 16 já foram condenados, no ano passado, por crimes cometidos na ditadura. Jorge “Tigre” Acosta, por exemplo, soma penas de 30 anos e perpétua, por atrocidades como o roubo sistemático de bebês nascidos em prisões clandestinas; Antonio Pernías, também condenado a perpétua, encarregado do “aquário”, um setor da ESMA onde os presos faziam trabalho escravo; e Alfredo Astiz, condenado na França e na Argentina pelo assassinato das freiras francesas Alice Domon e Léonie Duquet.

ESMA

Administrada pela Marinha na época da ditadura, a ex-ESMA, localizada no bairro de Núñez, em Buenos Aires é um dos maiores símbolos do terror vivido no país durante o regime imposto após o golpe de Estado contra María Estela Martínez de Perón, em março de 1976. Segundo estimativas, cinco mil pessoas passaram por suas celas e salas de tortura, e cerca de 100 sobreviveram.

Maior prisão clandestina do país durante os anos de chumbo, o local teve dupla função durante a ditadura militar: prisão de oposicionistas e formação de novos militares. A investigação sobre os crimes cometidos na ESMA foi aberta nos anos 1980, após a redemocratização do país. O inquérito foi depois arquivado com as leis do Ponto Final (1986) e da Obediência Devida (1987).

Em outubro do ano passado, 12 repressores foram condenados à prisão perpétua pelo sequestro, tortura e assassinato de 86 pessoas no local. Outros quatro condenados receberam penas de 18 a 25 anos e dois dos réus foram absolvidos, mas continuaram presos à espera de mais julgamentos.

A ESMA ficou nas mãos das Forças Armadas até 2007, três anos depois de o ex-presidente Néstor Kirchner ordenar o desalojamento dos militares. Hoje, o local funciona como um “centro cultural e de memória”. Algumas dependências da ex-prisão clandestina podem ser visitadas, como o Cassino dos Oficiais (área onde mantinham e torturavam os presos) e a maternidade clandestina, onde se realizavam partos de presas grávidas. Muitos bebês nascidos no edifício foram sequestrados e ilegalmente adotados por outras famílias.

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