Arquivos Diários: 10 abril, 2013

Chão de Estrelas – silvio caldas / rio de janeiro.rj

Chão de Estrelas

Silvio Caldas

Minha vida era um palco iluminado
Eu vivia vestido de dourado
Palhaço das perdidas ilusões
Cheio dos guizos falsos da alegria
Andei cantando a minha fantasia
Entre as palmas febris dos corações
Meu barracão no morro do Salgueiro
Tinha o cantar alegre de um viveiro
Foste a sonoridade que acabou
E hoje, quando do sol, a claridade
Forra o meu barracão, sinto saudade
Da mulher pomba-rola que voou
Nossas roupas comuns dependuradas
Na corda, qual bandeiras agitadas
Pareciam estranho festival!
Festa dos nossos trapos coloridos
A mostrar que nos morros mal vestidos
É sempre feriado nacional
A porta do barraco era sem trinco
Mas a lua, furando o nosso zinco
Salpicava de estrelas nosso chão
Tu pisavas os astros, distraída,
Sem saber que a ventura desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão

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http://www.youtube.com/watch?v=wvSsOpA7jm4

 

Aos que não creem: para procurar inverdades – por amilcar neves / ilha de santa catarina.sc

Trata-se de um documentário. Um documentário repleto de despachos, Amilcar Nevestelegramas, cartas, informes, relatórios, avaliações e sugestões. E mais: pleno de gravações, fotografias e filmagens. São conversas, encontros, reuniões, confabulações e conspirações expostas às claras.

 

E se, de repente, uma potência estrangeira decidisse invadir o Brasil e tomar militarmente o País, de que lado ficaríamos?

 

E, para piorar, se essa decisão de invadir o Brasil, de nos submeter pelas armas, não tivesse nenhuma motivação nobre, como a defesa da democracia, das liberdades, dos direitos humanos ou de princípios filosóficos, mas apenas a proteção dos interesses comerciais e econômicos do invasor, como nos veríamos e nos portaríamos frente a isso?

 

E se nem ao menos fossem levantadas vagas e difusas questões religiosas (a religião tantas vezes usada como pretexto para as guerras levadas a cabo sempre de olho nos negócios e nos lucros) para tentar justificar a invasão do Brasil por uma potência estrangeira, invasão que só visasse os objetivos do comércio exterior do invasor, o que faríamos então e, especialmente, o que diríamos, na hora e depois, aos nossos amigos, aos nossos filhos e aos nossos netos?

 

E se, para atingir a meta planejada – a invasão militar do Brasil por uma grande potência com fins escusos e rasteiros, ou seja, por dinheiro -, fosse empregada uma quantidade enorme desse mesmo dinheiro para mentir, subornar, forjar, enganar, iludir e tapear a opinião pública, qual seria o nosso grau de revolta com uma situação dessas?

 

E, além disso tudo, qual seria a nossa taxa de indignação e de repúdio com relação aos brasileiros que apoiassem essa invasão militar do Brasil para atender aos interesses econômicos da potência invasora, tenha esse apoio sido dado por ingenuidade ou, conhecendo os bastidores da ação, por interesses políticos, financeiros e de assalto ao poder?

 

Alguns daqueles poucos que chegaram até aqui podem estar se dizendo que só acreditam em evidências não contaminadas por ideologias. Com isso, estarão a dizer que só creem naquilo que provier dos Estados Unidos, única nação insuspeita do mundo. Que ótimo.

 

E se tal documentário estiver recheado de papéis, fotos, gravações e imagens, até há pouco classificados como top secret, liberados pelos Estados Unidos, e for conduzido por três pesquisadores, a saber, Peter Kornbluh, Coordenador dos Arquivos da Segurança Nacional dos EUA, James Green, Historiador da Brown University, dos EUA, e Carlos Fico, Professor de Teoria e Metodologia da História na UFRJ?

 

O plano dessa invasão existiu e, em março de 1964, uma formação da Marinha de Guerra estadunidense deslocou-se para fundear em frente ao porto de Santos. Só não deu um único tiro porque, cá dentro, não se deu um único tiro para reagir ao golpe de Estado planejado pelos EUA, com surpreendente participação do embaixador Lincoln Gordon na defesa dos interesses comerciais das empresas do seu país. Só se começou a dar tiros contra o golpe muito tarde, depois do AI-5, de 1968, quando os tiranos se fizeram ainda mais sanguinários.

 

O documentário, de título O Dia que Durou 21 Anos (está hoje num cinema e não pode ser perdido!), é uma vigorosa aula de História que deveria ser levada a todas as escolas do Brasil. Só poderá falar de 1964 e de ditadura (ditabranda, no deboche de alguns) quem assistir a esse filme que, pela origem insuspeita da sua matéria-prima, está isento de conotações ideológicas.

MENSALÃO: “Não houve desvio de dinheiro público” – por janio de freitas / são paulo.sp

A matéria divulgada hoje, dia 09 de Abril, pelo jornalista Janio de Freitas, no jornal Folha de S.Paulo, é definitiva:

Os 73.850 milhões não eram do Banco do Brasil;

A VISANET dona do dinheiro é uma empresa multinacional;

O dinheiro foi utilizado em serviços executados pela agencia de publicidade;

A “bonificação por volume – BV” em transações de publicidade e marketing, figurou com distorção acusatória no quesito BB/Visanet/DNA do julgamento, e os meios de comunicação sabem muito bem disso e como funciona o BV.

O Blog Megacidadania parabeniza o jornalista Janio de Freitas por divulgar A VERDADE. Que os juizes do STF tenham a grandeza de reconsiderar seus votos para poderem assim resgatar a condição de Magistrados isentos e guardiães da justiça (= que respeitam os documentos constantes do processo).

A seguir a íntegra da coluna de Jano de Freitas:

Questões para os juízes

Elementos novos incidem sobre pontos decisivos no teor da acusação do Mensalão. 

Os ministros do Supremo Tribunal Federal vão deparar com grandes novidades em documentos e dados, quando apreciem os recursos à sentença formal, esperada para os próximos dias, da ação penal 470 ou caso mensalão. Muitos desses elementos janio de freitasnovos provêm de fontes oficiais e oficiosas, como Banco do Brasil, Tribunal de Contas da União e auditorias. E incidem sobre pontos decisivos no teor da acusação e em grande número dos votos orais no STF.

A complexidade e a dimensão das investigações e, depois, da ação penal deram-lhes muitos pontos cruciais, para a definição dos rumos desses trabalhos. Dificuldades a que se acrescentaram problemas como a exiguidade de prazo certa vez mencionada pelo encarregado do inquérito na Polícia Federal, delegado Luiz Flávio Zampronha. Inquérito do qual se originou, por exemplo, um ponto fundamental na acusação apresentada ao STF pela Procuradoria Geral da República e abrigada pelo tribunal.

Trata-se, aí, do apontado repasse de quase R$ 74 milhões à DNA Propaganda, dinheiro do Banco do Brasil via fundo Visanet, sem a correspondente prestação de quaisquer serviços, segundo a perícia criminal da PF. Estariam assim caracterizados peculato do dirigente do BB responsável pelo repasse e, fator decisivo em muitas condenações proferidas, desvio de dinheiro público.

Por sua vez, perícia de especialistas do Banco do Brasil concluiu pela existência das comprovações necessárias de que os serviços foram prestados pela DNA. E de que foi adequado o pagamento dos R$ 73,850 milhões, feito com recursos da sociedade Visanet e não do BB, como constou. Perícia e documentos que os ministros vão encontrar em breve.

No mesmo ponto da ação, outra incidência decisiva está revista: nem Henrique Pizzolato era o representante do Banco do Brasil junto à Visanet nem assinou sozinho contrato, pagamento ou aporte financeiro. Documento do BB vai mostrar esses atos sempre assinados pelo conjunto de dirigentes setoriais (vários nomeados ainda por Fernando Henrique e então mantidos por Lula). A propósito: os ministros talvez não, mas os meios de comunicação sabem muito bem o que é e como funciona a “bonificação por volume”, em transações de publicidade e marketing, que figurou com distorção acusatória no quesito BB/Visanet/DNA do julgamento.

A indagação que os novos documentos e dados trazem não é, porém, apenas sobre elementos de acusação encaminhados pela Procuradoria-Geral –aparentemente nem sempre testada a afirmação policial– e utilizados em julgamento do Supremo. Um aspecto importante diz respeito ao próprio Supremo. Quantos dos seus ministros serão capazes de debruçar-se com neutralidade devida pelos juízes, sem predisposição alguma, sobre os recursos que as defesas apresentem? E, se for o caso, reconsiderar conceitos ou decisões –o que, afinal de contas, é uma eventualidade a que o juiz se tornou sujeito ao se tornar juiz, ou julga sem ser magistrado.

Pode haver pressentimento, sugerido por ocasiões passadas, mas não há resposta segura para as interrogações. Talvez nem de alguns dos próprios juízes para si mesmos.