Arquivos Diários: 1 maio, 2013

O Mundo vai mal, a Europa pior – por mário soares / lisboa.pt

A crise não é só financeira, é também económica, política, social, ética e ambiental. E se não for atalhada dará origem a um novo conflito

Para qualquer lado que nos voltemos, o Mundo vai mal. A ONU, que nos orientou na segunda metade do século XX, tem hoje uma participação menor. Não intervém em defesa dos Direitos Humanos – o caso da Síria é exemplar – e quase ninguém fala de ecologia. Poucos Estados se dão ao trabalho de pensar no Universo, apesar dos desastres que ocorrem serem cada vez mais graves e preocupantes. As grandes potências só se ocupam dos seus interesses imediatos e, cada vez, querem menos saber do aquecimento da Terra ou das preocupantes mudanças do clima e dos desastres ditos naturais que ocorrem por toda a parte. Recentemente tocou mais uma vez à China.

A ONU, ao que parece, desinteressou-se da ecologia. Os poucos grupos ecológicos que ainda existem, têm pouco apoio dos jornais internacionais, das televisões e das rádios. Parece ser uma temática que deixou de interessar aos atuais dirigentes políticos e que nada lhes interessa o que terão de sofrer os seus filhos e netos. Só o dinheiro – e não as pessoas – preocupa os dirigentes políticos na Europa, na América (dos republicanos) e nos outros continentes, com as honrosas exceções de duas figuras únicas, extraordinárias: Barack Obama e o Papa Francisco, que deixou a inquisição e adotou, ao que parece, o franciscanismo. Olha para os pobres com respeito, quer ajudá-los, visita-os e fala com os católicos mas também com os agnósticos, com os ateus e com os membros de outras religiões.

Mas se o Mundo vai mal, é seguro que a União Europeia (UE) vai pior. Porquê? Porque as duas famílias políticas que construíram a CEE e depois a UE – os socialistas, trabalhistas ou social-democratas e, por outro lado, os democratas-cristãos, partidários ambos de Estados sociais e da solidariedade e igualdade entre os Estados da União – foram substituídos por partidos cuja ideologia política é neoliberalismo e, por isso, são ultraconservadores, só pensam no dinheiro – e na sua importância – e ignoram as pessoas. Daí o empobrecimento dos Estados europeus, o crescimento em muitos deles do desemprego, da emigração, do suicídio e da criminalidade.

Na UE estamos a viver o que se chama uma nova ordem internacional, criada pelo neoliberalismo e pela globalização sem valores – dada a incapacidade dos dirigentes atuais, que só pensam no dinheiro que ganham – que estão a destruir os Estados Sociais e a pôr em causa a Democracia, tal como a pensámos e vivemos antes da crise. Tudo começou pela importância que a chanceler Merkel tomou, luterana, vinda do totalitarismo comunista depois da queda do muro de Berlim e que a pouco e pouco se tornou a figura dominante da União.

O primeiro país atingido foi a Grécia, berço da nossa civilização, graças à importância que os bancos alemães aí tinham. Depois foi a Irlanda, mais por razões financeiras que economicistas e sociais; depois foi Portugal, com um Governo, que dura quase há dois anos e é, em absoluto, subserviente a uma troika, que ninguém sabe bem donde veio e é comandada pelos mercados usurários. A seguir a Espanha que, até agora recusou uma troika, mas cujo regime económico e político está a ficar paralisado. E a Itália, um dos Estados fundadores, apesar de ter um Presidente excecional, o notável Giorgio Napolitano, que está a atingir o fim da carreira (mas foi eleito para novo mandato); e alguns outros Estados, como a Holanda, e mesmo – quem tal diria? – a própria França.

A crise europeia não está só a ser uma nova forma de totalitarismo, mais ou menos fascista. Vai a caminho de destruir a Democracia Europeia e a pôr em causa a existência do Estado Social, da União e do euro. Se não muda de paradigma – como ensina Barack Obama -, vai autodestruir-se e liquidar o euro, como a nossa moeda única (e ainda forte). A crise não é só financeira. É também económica, política, social, ética e ambiental. E se não for atalhada rapidamente – como espero – dará origem a um novo conflito internacional. Haja bom senso e evite-se uma tragédia

Ler mais: http://visao.sapo.pt/o-mundo-vai-mal-a-europa-pior=f725719#ixzz2S5Sn5PKD

AMIGO – de gilda e. kluppel / curitiba.pr

Amigo

 

A vida nos apresenta vários amigos

ou que chamamos de amigos

ou pensamos serem amigos

os meio amigos ou amigos da onça

alguns dedicados, outros fingidos

tantos incompreendidos, mal resolvidos

os amigos do coração e os amigos do alheio

os amigos da alma e os amigos da matéria

os amigos de si mesmos, fechados em seus egos inchados

os que dizem serem nossos amigos por mais de mil vezes

e junto deles não precisamos sequer de um inimigo.

Entre tantos, existe um sentimento sagrado

de irmão, próximo e semelhante

daquele que respeita as diferenças

sabe compreender e rir das nossas bobagens

sem nos acusar de ridículo, sem cobrar atos perfeitos

não necessitamos pedir licença para a nossa existência

diante das falhas e fraquezas recebemos a delicadeza

de quem nos acompanha em coisas importantes

ou sem nenhuma relevância ou até em extravagâncias.

O amigo não está nas relações efêmeras

vencedor e vencido, ilusor e iludido

porque não é para o consumo,

mero material descartável

para se depositar cargas pesadas

e abandonar o fardo em seus ombros.

Amigo não é plataforma para se lançar

é porto para se ancorar

não é consumido pelo tempo

para mais adiante ser esquecido

amigo não tem muita explicação

mas, pode ajudar a explicar muitas coisas.

Cabe num poema, vale uma oração

não precisa ser encantado

apenas proporcionar muitos sorrisos.

Quando saímos da presença de alguém

sentindo a alma mais leve

este é o nosso amigo, simplesmente o abrigo

esteja sempre comigo.