O TAC. De novo?! – por amilcar neves / ilha de santa catarina.sc

Os abris não têm sido benevolentes com o Teatro Álvaro de Carvalho, o nosso TAC. Nosso porque é um bem público, um patrimônio da Amilcar Nevessociedade – e uma bela edificação tombada, um dos poucos resquícios arquitetônicos do século XIX que sobraram na Ilha de Santa Catarina. O resto foi abaixo.

 

Em abril de 2007 o TAC estava na linha de tiro para ser privatizado. Não só o Teatro como a Biblioteca Pública do Estado e dois museus, todos administrados pelo governo estadual, que tem a obrigação legal de mantê-los e fazê-los funcionar. Dispunha de pessoal e orçamento para isso, mas o governador achava que a iniciativa privada tudo resolve melhor e mais eficientemente do que a administração pública. Na verdade, desejava fazer caixa com a venda do terreno da Biblioteca e com o repasse do prédio do Teatro.

 

Notável humorista e exímio nomenclador, Luiz Henrique da Silveira iniciava seu segundo mandato em 2007. Quatro anos antes, para o órgão estadual que “cuidaria” da Cultura deu o nome de Secretaria de Organização do Lazer (o lazer, então, andava que era uma esculhambação só), para a qual forjou a criativa sigla SOL, e propôs a extinção da Fundação Catarinense de Cultura. Não conseguiu matar a FCC e, em 2005, mudou o nome da pasta para Secretaria de Cultura, Turismo e Esporte, à qual atribuiu o mesmo SOL como sigla. Tudo a ver. Quando teve a brilhante ideia de suprimir das obrigações estaduais a Biblioteca, o Teatro e os museus (também não conseguiu matá-los, apesar de lutar bravamente cortando-lhes os repasses de verbas e não repondo o pessoal que saía), renomeou o órgão como Secretaria de Turismo, Cultura e Esporte, uma mudança fundamental refletida já na sigla que lhe conferiu: SOL.

 

A maior piada de LHS foi criar 36 secretarias regionais, idealizadas para abafar ou cooptar lideranças que surgissem em qualquer ponto do Estado, chamando-as “de desenvolvimento”. Outra, recente, foi publicar sexta-feira neste DC o artigo A Capela Sistina, a Torre Eiffel e a Ponta do Coral, onde afirma que a Ilha perderá seu “novo ícone” se continuar opondo-se à construção de um hotel privado, ao estilo Dubai, na Ponta do Coral; esqueceu que o ícone já existe, chama-se Ponte Hercílio Luz e, durante suas duas gestões, ele não a recuperou nem como ponte, nem como monumento. A Ponte só não caiu porque não quis.

 

Agora, neste novo abril, o TAC volta a ser ameaçado. Vazou, e a imprensa local tem publicado, que há um acerto costurado com o SESC para repassar-lhe o Teatro. Gente da SOL e gente da Fecomércio, a federação dos sindicatos patronais dos comerciantes, que administra o SESC, desconversa dizendo que ainda não se chegou aos detalhes operacionais do acordo. Apesar disso, confirma-se que a assinatura do repasse se dará no próximo dia 8 de maio. Onde? No próprio TAC, é claro, de carona em solenidade de lançamento de editais para a Cultura. Era para ser surpresa.

 

Fala-se desde um comodato de 45 anos até algum compartilhamento de pauta durante 100 ou 200 semanas. Pelo uso do bem público, a entidade do Comércio faria reformas necessárias no prédio. Como de hábito, aqui fora ninguém sabe de nada: nem o respeitável público, nem os nobres artistas.

 

Além de se alinhavar essas coisas a portas fechadas, o que é muito feio, o pior é que se ignora a existência de um Plano Estadual de Cultura em gestação (a despeito do governo atual), que deveria orientar esse tipo de iniciativa. Mas seria no mínimo ingenuidade acreditar, aqui, em planos e em Cultura.

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