CADÊ O AMARILDO? CADÊ MARIA DO ROSÁRIO? – por paulo timm / torres.rs

CADÊ O AMARILDO? CADÊ MARIA DO ROSÁRIO?

                        Paulo Timm – Torres, julho 31 – copyleft

Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado

Tiago: 4. 17

 

Há duas semanas o auxiliar de pedreiro Amarildo de Souza, brasileiro, morador da Rocinha-RJ, foi “detidoparaaveriguações” e ela Polícia Militar do Estado do Rio e sumiu.Ele não pode estar entre os 3,3 milhões de pessoas que saudaram o Papa. Mas, desde então, por todos os cantos do país, com grande impacto na mídia, todos se indagam:

CADÊ O AMARILDO?

O país está inquieto com o desaparecimento do operário nas mãos de órgãos de Segurança. Parece que voltamos PAULO TIMMaos anos de chumbo da ditadura. Ou, quem sabe, nunca saímos realmente dela? Mais precisamente, quem sabe ela sempre existiu para quem é negro, mulato, pobre e  morador de periferia? Ou gay? Lembro, com emoção do dia em que o General Geisel, Presidente da República, demitiu o Comandante do II Exército, em São Paulo,  Gen. Enardo D´Avila ,depois do episódio das torturas e mortes no DOI-CODI. Foi um momento dramático no processo de redemocratização. O país rumava para o Estado de Direito Democrático e se tinha grandes esperanças em que em breve veríamos o fim das arbitrariedades policiais. Com a Nova República em 1985 e com a Constituição de 1988 houve avanços: Os líderes de movimentos políticos e sociais são mais respeitados, apesar da criminalização de manifestações desde o Governo FHC. Mas a truculência nunca arrefeceu. Os métodos, a filosofia de atuação dos órgãos de segurança e a ação da Polícia continuam os mesmos quando tratam com pessoas simples do povo e mesmo com eventuais delinqüentes ou condenados ou simplesmente membros de uma minoria discriminada. No fundo, a questão social ainda é tratada, apesar dos afagos de um governo federal de inspiração popular em suas origens, como caso de Polícia, tal como na Velha República ou no Império. Ou na ditadura. Isso tem que mudar! O povo hoje mais esclarecido, mais consciente de seus direitos já não suporta este tipo de Política e de Polícia. Metade dos eleitores brasileiros já têm secundário ou superior completo, nas grandes metrópoles todos têm acesso à INTERNET e Redes Sociais, um terço dos municípios brasileiros, segundo IDHM recém publicado pelo IPEA/PNUD, é  alto e comparável ao de países desenvolvidos, nossa vida média também é comparável à deles, 73 anos. Estamos vivendo mais, sabendo das coisas e de olhos e ouvidos muito abertos. Por isso queremos saber:

CADÊ O AMARILDO?

Chega a ser comovente, ver e ouvir familiares de sua família dizendo que não querem proteção governamental. Querem é saber do Amarildo. Até porque se dizem protegidos pela comunidade. Que coisa impressionante! Sentem-se protegidos pela comunidade. Então, existe comunidade na Rocinha. E existe consciência e solidariedade na favela. A favela é humana…Isso, acima de tudo, é lindo! Isso é o verdadeiro Brasil! Não o mundo artificial dos Políticos e outras autoridades públicas deste país que continuam a achar que seus cargos lhes conferem privilégios de Príncipes: salários altíssimos, assessorias incontáveis, mordomias, conluios altamente sospechosos  com interesses privados como se vivêssemos nas cortes absolutistas. Pior: eternização na vida pública tansformando de instrumento da sociedade em meio de vida pessoal.

Aí vem o Governador Cabral,  tocado pelas palavras do Papa e pede perdão pelos pecados cometidos. Reconhece que foi soberbo e prepotente.  Agora vai ouvir as ruas: O Museu do Indio será preservado, ao lado do Maracanã. As passagens de ônibus não aumentarão. Eotras cositas más…Tocante! Mas tragicômico. Teve que ter o menor reconhecimento público (12%) e submeter o Brasil aos vexames dos desencontros na vinda do  Papa Francisco para se dar conta de que havia “ algo de podre no Reino da Dinamarca”. A ele meu  veredicto:

                                               FORA CABRAL!

Mas ao longo de todas as manifestações de junho e julho, me ocorre outra indagação:

CADÊ A MARIA DO ROSÁRIO, Ministra dos Direitos Humanos?

A diligente Ministra, tão ciosa de suas responsabilidades na Comissão da Verdade parece achar que os atentados à pessoa humana só aconteceram na ditadura. Será que ela não sabe que não há Governo sem crime? Particularmente em sociedades com elevado passivo social e evidente histórico de violência policial? A OAB e Defensorias Públicas do Rio e São Paulo, até de outras cidades que também têm visto manifestações de rua, não arrefeceram em seu ofício de proteger a cidadania. Mas jamais vi ao lado deles a Ministra. Nem lhe ouvi uma só palavra sobre os exageros do Estado contra manifestantes ou mesmo contra  meros transeuntes, vítimas de balas de borracha e gases  intoxicantes. Isso se chama omissão. A mesma omissão do antigo comandante do II Exército, à época dos generais, que o levou ao desterro:

É evidente que estamos falando de omissão, que nada mais é do que nos silenciar diante de determinadas coisas, ficarmos mudos diante de fatos onde deveríamos nos posicionar, deixar de lado aquilo que não poderia ser deixado.

(O pecado da omissão – http://www.palavrafiel.com.br/?p=3865)

 

Ora direis ouvir estrelas, responderão alguns. Isso é pura poesia teológica. Recorro, então, ao dicionário e ele é ainda mais contundente:

Omissão, no direito, é a conduta pela qual uma pessoa não faz algo a que seria obrigada ou para o que teria condições.

Deduzo, pois, que Maria do Rosário foi e continua sendo OMISSA diante do que vem ocorrendo no país e, principalmente, diante do desaparecimento de Amarildo. Ela deveria ser sempre a primeira voz em defesa dos Direitos Humanos ameaçados. E a primeira a exigir providências, na forma da Lei. Se não o fez e não faz, cabe à Presidente Dilma a responsabilidade de chamá-la ao Ofício. Enquanto isto, nos continuaremos gritando, a plenos pulmões:

                               C A D Ê   O   A M A R I L D O?

E lamentando o fato de que uma área tão delicada quanto Direitos Humanos tenha sido entregue, não a uma lutadora ou  lutador eméritos desta nobre causa, como é Perez Esquivel, como é Paulo Sérgio Pinheiro, como é José Gregori, como foi Dom Paulo Evaristo Arns,  mas a uma militante partidária,  eventualmente respeitável  mas sem vulto, nem desenvoltura  na área. Muito menos independência.  Decididamente, Dilma está só. Muito só!

Senhor, rogai por ela! Por Amarildo! Por todos nós..!!!

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Uma resposta

  1. Tem que ser averiguado mesmo, com todo rigor, mas reparo que nas décadas em que o tráfico dominava absoluto e sumiam dezenas ou centenas de pessoas por ano, não se via partido emergente ou vestais éticos exigindo saber dos seus paradeiros. Ética seletiva? … Ou oportunismo político? Ainda hoje somem dezenas de pessoas pobres nas mãos das ‘policias mineiras’, mas não se vê um movimento sério fazendo campanha contra isso. Ah, entendi, era só oportunismo político mesmo …

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