Arquivos Diários: 2 agosto, 2013

COMPREENDAMOS A REALIDADE. OU NÃO – por paulo timm /torres.rs

 

Paulo Timm – Torres, agosto 02 – copyleft

“As 300 maiores fortunas do planeta acumulam mais riqueza que os mais de 3 bilhões de pobres que existem no mundo e representam 99% da população.”

( Jason Hickel, da  London School,  assessor do movimento The Rules, que luta contra a desigualdade)

*

Compreendamos a realidade. Afinal, trata-se da vida como ela é. Duas grandes observações. A primeira de Maquiavel, uma máxima ; a segunda, de Nelson Rodrigues, mera alegoria. Juntas, uma verdadeira estratégia de sobrevivência, em qualquer lugar, em qualquer tempo.  “ A guerra de todos contra todos”… Os séculos XVI e XVII, aliás, são pródigos em máximas que acabariam moldando os tempos vindouros. Tudo dissecado pelo bisturi da modernidade, quando tudo se volvió positivo: A Ciência Positiva, desde Newton; a Economia Positiva, desde Marshall; o Direito Positivo, desde Kelsen; a Sociologia Positiva, desde Comte e Durkheim; até a Filosofia, desde sempre especulativa, agora tem uma vertente Positiva, cevada no profícuo leito do Círculo de Viena . A soberania absolutista do fato ,  sob o imperativo iluminista do binômio razão + liberdade.  Esta, supostamente isenta de qualquer poder alheio que lhe tolha os movimentos, aquela, a serviço da verdade.

Tudo a serviço da destruição do planeta, da humanidade…Pouco importa. O que importa são os resultados parciais: O PIB, o desejo saciado, as próximas eleições. Nisso o Mundo Moderno é ótimo. Já chegamos ao Novo Continente e estamos tocando as estrelas…Em breve a Aldeia Global será celestial. E mesmo que não cheguemos lá, nossos artefatos lá chegarão.

Tendo me adaptar à esta realidade da vida mas jamais consegui. Nem consigo. Serei pré-moderno ou pós…? Não sei. Só sei que a despeito de tudo, tal como o Poeta, tenho em mim os maiores sonhos do mundo. Sou um sonhador. Até meu socialismo, longe de ser criterioso ou científico, como pretendem os modernos, é utópico. Sonho com um Estado sem crimes a serviço do bem comum; com um sistema econômico perfeitamente produtivo e redistributivo sobre as pessoas e a natureza; com uma sociedade socialmente equilibrada, na qual todos tenham acesso não só aos bens essenciais ao corpo, mas, sobretudo essenciais ao espírito;  sonho com a beleza, com o amor e com a Poesia, embalados em suaves acordes bachianos; sonho, enfim, com a possibilidade de que a razão e a liberdade se combinem para a salvação do Homem.

♫ ♪♫ Sonho meu…! Sonho Meu…! ♫ ♪♫.

A dura realidade é maior do que meus sonhos. Ou do que a canção. Governos praticam hediondos crimes, a economia do mundo caminha para a concentração da riqueza nas mãos de meia dúzia, que consomem todas as riquezas do planeta, a sociedade está cada vez mais desequilibrada, o mundo está em visível desencanto. Daí, talvez, a euforia com um Papa tão conservador e ao mesmo tempo tão simpático, cuja principal característica é falar o óbvio. Mas é precisamente do óbvio que estamos precisando.

O *Le-Monde* desta quarta (8/ago-2012) aborda a mais escandalosa das desigualdades.

– 4/5 do consumo global (76,6%) é realizado pelos dois décimos mais ricos;

– o décimo mais rico é responsável por quase 3/5 do consumo (59%).

– as taxas de crescimento dos mercados de luxo sempre superam as demais,
tanto em fases de expansão, quanto nas de retração global.

Assim é, pois… Em plena crise as fortunas aumentam (correiodobrasil.com.br/) , o mercado de luxo dispara (Worldwide Luxury Markets Monitor –
Fondazione Altagamma: http://www.altagamma.it ), os bancos, cuja principal mercadoria é informação, apresentam lucros fabulosos (www.cartamaior.com.br | 01/08/2013 ), os brasileiros mais aquinhoados vão às compras no exterior e torram em alguns dias os dólares  que a natureza levou milhões de anos para produzir.

Compreendamos a realidade. Afinal, trata-se da vida como ela é. Guerra de todos contra todos

Será mesmo…?

Acho que é mais a do 1% contra os 99%.

Breno Altman dedetiza Olavo de Carvalho

BRENO SOBRE OLAVO: “A MÃO QUE BALANÇA O BERÇO DA VIOLÊNCIA”

“O único propósito deste filósofo de bordel é semear intolerância e ódio contra ideias, organizações e vozes do campo progressista”, diz o jornalista Breno Altman, sobre o ataque feito pelo “trânsfuga” Olavo de Carvalho
1 DE AGOSTO DE 2013 ÀS 16:04

A mão que balança o berço da violência

Propósito de Olavo de Carvalho é semear intolerância e ódio contra ideias, organizações e vozes do campo progressista

O senhor Olavo de Carvalho faz parte de uma turma bem conhecida. A dos trânsfugas, com suas mentes atormentadas e rancores insones. Talvez seja o lobo mais boçal da alcateia, mas não está sozinho. Do mesmo clube fazem parte Reinaldo Azevedo, Arnaldo Jabor, Demétrio Magnoli, Marcelo Madureira e um punhado de outros. Foram todos, na juventude, militantes de esquerda. Hoje são a vanguarda do liberal-fascismo.

O único propósito deste filósofo de bordel é semear intolerância e ódio contra ideias, organizações e vozes do campo progressista. A expressão, no caso, não tem o objetivo de rebaixar os frequentadores de lupanários e suas abnegadas profissionais. Apenas identifica um tipo clássico de charlatão, capaz de dissertar sobre vários assuntos sem conhecer qualquer um deles, para gáudio dos porcos que se refestelam com pérolas de conhecimento rasteiro.

Sua primeira resposta ao artigo em que foi citado, aliás, é bastante reveladora de personalidade e padrão intelectual. “Fico no bordel olhando a sua mãe balançar as banhas diante dos clientes, e aproveito para meditar o grande mistério do parto anal”, escreveu o energúmeno. Não é uma gracinha? Tratado como professor e guru por seus áulicos, a verdade é que não passa de um embusteiro.

Figuras desse quilate normalmente deveriam estar relegadas ao ostracismo. O degenerado Carvalho, porém, é representativo de valores e métodos das forças de direita. Mentiroso contumaz, atua como menestrel a animar suas hordas contra a democracia e a esquerda.

Calça-frouxa, seu dedo não aperta o gatilho, mas vocifera mantras que estimulam a violência e exaltam gangues fascistas como as que atacaram integrantes do Foro de São Paulo na noite de ontem. Por essa razão, Opera Mundi decidiu publicar, com destaque, sua resposta. Nada mais daninho a um vampiro de corações e mentes, afinal, que a luz do dia.

O alvo da ocasião é uma entidade que, desde a fundação, realiza todas as suas reuniões de forma pública, abertas à cobertura de imprensa e até às provocações de mequetrefes. Os integrantes são partidos que lideraram revoluções populares, foram levados aos governos de seus países pelas urnas ou estão na oposição a administrações conservadoras. As agremiações mais antigas estiveram à frente, heroicamente, da resistência dos povos da região contra ditaduras que provocam nostalgia na canalha fascista.

O degenerado Carvalho tem saudades dos tempos da tortura e do desaparecimento, das prisões e assassinatos. Suas infâmias pueris para criminalizar o Foro de São Paulo evidenciam seus pendores, mas também denunciam desespero diante do avanço das correntes progressistas por toda a América Latina. Contorce-se de ódio. Os cães sempre ladram quando passa a caravana.

Quem age na sombra e na penumbra, sem dar qualquer satisfação sobre como se financiam ou se organizam, são as quadrilhas do submundo reacionário, aquelas que se embevecem com a retórica dos vira-casacas e saem às ruas para atos de agressão covarde. Navegam na cultura política gerada pela máquina de comunicação do pensamento conservador, dedicada a estereótipos e amálgamas contra a esquerda.

O degenerado Carvalho não vale meia aspirina vencida, mas é parte de uma súcia a qual já passa da hora de ser combatida sem contemporização. Essa patota dedica-se a agredir reputações, inventar histórias e disseminar cizânia, açulando os porões da sociedade e do Estado. Destruir o ovo da serpente é indispensável para impedir que a violência fascista se propague em nossa vida política.

O filósofo tem o direito democrático de continuar sua cantilena no bordel que bem desejar e o aceitar. Mas toda vez que levantar sua voz para incitar o crime, ou gente de sua laia o fizer, a resposta deve ser pronta e imediata. Nunca é tarde para a devida dedetização ideológica dos vermes e insetos que funcionam como arma biológica do reacionarismo.

* Breno Altman é jornalista, diretor editorial do site Opera Mundi e da revista Samuel.

No Brasil 247.

O BRASIL ESTÁ AMEAÇADO – por roberto requião / brasilia.df

Em discurso na reabertura dos trabalhos, ontem, no Senado, Roberto Requião disse que a República sofre grave ameaça no Brasil; ele aponta a banalização da política e a falta de projeto de Nação como problemas não enfrentados na atualidade pelo governo Dilma; o peemedebista criticou as PPPs, sobretudo nas rodovias, com cobrança de pedágio; o governo é incompetente para lidar com a crise econômica, pois insiste em medidas tópicas, “tangendo a economia a golpes de desonerações fiscais”.

O senador Roberto Requião (PMDB-PR), em discurso na volta do recesso, nesta quinta-feira (1º), demonstrou que a crise econômica global cerca o Brasil de graves ameaças, e que nem o governo e nem os partidos têm uma estratégia de combate para enfrentar e debelar tais riscos. Segundo ele, enquanto os políticos reagem com indiferença “ ao vendaval que se aproxima”, o governo insiste em medidas tópicas, “tangendo a economia a golpes de desonerações fiscais”.

O senador disse também que não via da parte da oposição qualquer idéia mais séria para o enfrentamento dos problemas que rondam o país, na economia e na política. “O máximo que a oposição consegue sugerir é que a presidente corte o número de ministérios e gaste menos no cabeleireiro”, disse ele.

Requião dedicou boa parte de sua fala ao PMDB, conclamando o partido a retomar sua própria história, desempenhando um papel de protagonista e não de mero “braço auxiliar”, como acontece hoje. Para tanto, ele propôs a realização urgente de uma contenção nacional extraordinária, para oferecer ao país um programa que atenda as vozes das ruas e retire o país do atoleiro econômico em que se meteu.

“Nem sempre os políticos estão à altura de suas missões, mas neste discurso Requião mostrou que está à altura do Brasil. Foi um dos mais importantes pronunciamentos deste Senado , até hoje”, disse o senador Cristovam Buarque (PDT-DF).

Assista ao vídeo:

esmael moraes.