GENTILEZA GERA GENTILEZA – por paulo timm / torres.rs

                                                                                                                                                              .Paulo Timm – Torres Nov 14 -dia da gentileza

Gentileza: uma atitude nobre.

Nobre…? Por que? Como assim? Por que não popular…? Não seria “politicamente mais correto”?

Talvez fosse. Mas a história registra a origem da Ética, como disciplina, no âmbito da Filosofia, nos códigos de honra da aristocracia PAULO TIMMgrega nos campos de batalha. Havia, até, uma palavra que os continha:Aretê. Devemos lembrar, também, que na origem mesmo da Filosofia, com Sócrates, quem aliás era um bravo guerreiro, a sabedoria era o meio do homem livrar-se do medo. E esta era, também, um predicado da nobreza, numa sociedade na qual nascia a democracia, maculada, porém pela escravidão e pela discriminação às mulheres e estrangeiros. Uma democracia, no fundo, oligárquica. E que condenou o Pai da Filosofia à cicuta sob a alegação de que pervertia a juventude com idéias subversivas. Ele tentava explicar a origem das coisas pelas próprias coisas e não pelos oráculos. Aquele que sabe, enfim, faz a hora, descobre seu desejo e se liberta do próprio destino. Mas não basta saber. Há que fazê-lo segundo as imposições morais e legais do convívio social. Aí entram as boas maneiras , o respeito às tradições, a coragem na guerra, o reconhecimento do outro como digno de atenção e consideração. À falta de jeito, diz-se, falece a melhor razão. Vai-se a civilização.

Eis, pois,  o fundamento da gentileza: o cuidado com o outro, numa troca de atitudes que escapam à brutalidade da guerra pela sobrevivência de todos contra todos, crescentemente dominada pela mercantilização das relação humanas e seus produtos. Gentileza não custa nada, tal como civilidade e urbanidade. E se expressa por palavrinhas e comportamentos mágicos:

– Bom Dia!

– Desculpe!

– Por favor!

– Ladies first!

Como lembra Eliane Brum:

“Acho que ser gentil não é nada prosaico, é um ato de resistência diante de uma vida determinada por valores calculáveis: só faço tal coisa se ganhar algo em troca, seja dinheiro ou um dos muitos pequenos poderes ou um ponto a mais com quem manda.”

 

O assunto veio à tona na semana que passou, quando, no dia 13 se celebrou mundialmente o Dia da Gentileza. No Brasil também a celebramos no dia 29 de maio, em homenagem à um personagem popular do Rio de Janeiro, falecido aos 79 anos em 1996 – Profeta Gentileza – que se celebrou por se ter tornado um missionário da causa. Abandonou família, empresa e a vida e transformou 56 pilares de um viaduto daquela cidade em templo da gentileza. Vestia-se no rigor bíblico, portava grandes cartazes, escrevia frases que acabaram inspirando diversos artistas e personalidades brasileiras. Uma delas está no título desta crômica: “Gentileza gera gentileza”. Tinha razão o Profeta, que na sua visionária missão, transformou-se em verdadeiro patrimônio da cultura popular. Ele internalizou a nobreza do gesto como uma imposição da convivência humana.

Não basta, pois, cumprir a Lei numa sociedade organizada. Há que se tecer, em torno dela, um novelo de atitudes amorosas que nos fazem mais felizes. E isto não é sintoma de fraqueza, mas de humanidade. E se alguém lhe opuser um comportamento insípido, ríspido, ou autoritário, muito próprio dos Governos não morra, por uma questão de gentileza. Responda-lhe, apenas:

– Com licença, eu vou à luta!

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