AÍ VINDES OUTRA VEZ INQUIETAS SOMBRAS – por paulo timm / torres.rs

AÍ VINDES OUTRA VEZ INQUIETAS SOMBRAS

 

Paulo Timm  Fevereiro 27

 

O ano de eleições gerais no Brasil deveria prometer grandes novidades: Novos líderes, idéias renovadas, processos inovadores. Mas nada disso. Os últimos dias estão testemunhando algo muito estranho na conjuntura política.

Em primeiro lugar, há uma nítida e perigosa ruptura da cultura política. Enquanto as ruas explodem em violência inaudita, PAULO TIMMcomprometendo a velha imagem do “brasileiro cordial”, a política institucional – que comanda as eleições- se arrasta que nem procissão, sem despertar a fé dos eleitores nos supostos candidatos: Dilma, Aécio, Eduardo Campos et caterva. Ao contrário, relevam no horizonte as imagens  antagônicas de Lula, com um incontido grito de “VOLTA LULA”, e de Fernando Henrique Cardoso. Este, obnubilado pelo seu próprio Partido – PSDB – nas eleições de 2002 – 2004 – 2010, volta com impressionante vigor à cena política tentando cavar um espaço para o crescimento da Oposição. É cuidadoso: Defende o candidato Aécio, mas não coloca nele todas as suas fichas. Sabe, no fundo, que ele é um candidato fraco, cuja força está muito mais na hora e na vez de Minas Gerais do que em seus próprios méritos. Também, pudera: Aécio não consegue fazer um discurso emocionante de improviso. Em todas as ocasiões oficiais de confirmação , pré-lançamento  e celebração de sua candidatura, lá puxa do bolso um caprichado discurso feito por um aspone  sem qualquer charme – Ah que saudades de Itamar Franco que, pelo menos, lia os discursos preparados por Mauro Santayana!!- e se põe a ler com artificial entusiasmo.

A verdade verdadeira é muito simples:  O Brasil real mudou muito do Plano Real para cá, isto é, duas décadas, o que só sublinhou as mudanças trazidas pela redemocratização e consagradas pela Constituição de 1988. Os espaços públicos abriram-se à movimentação de idéias e agentes políticos surpreendentes, com amplas garantias individuais e coletivas, sem esquecer da presença maciça do povo nos processos eleitorais,  ao tempo em que o poder aquisitivo das classes trabalhadoras elevou-se consideravelmente, garantindo-lhe acesso e bens e serviços até então confinados à reduzida classe média, inclusive nível superior.  A renda média no Brasil , hoje, situa-se em torno de US$ 800, sendo que tal valor se multiplica até por três quando se fala em renda familiar, porque nos lares mais pobres todos trabalham, desde cedo. O Salário Mínimo, mercê da política de valorização na era petista, corre atrás, deixando num tempo remoto  quando nunca chegava a US$ 100,00. O Brasil continua pobre, enfim  com quase metade de sua população vivendo ameaçadoramente à míngua, fora do mercado. Mas é tão grande que a “metade superior” , aliada à providência  natural lhe impulsiona para o futuro enquanto se debate para superar as agruras do presente. E aí estão as raízes da contraditória

insatisfação popular: Apoiam, em tese,  o Governo, mas vivem à beira de um ataque de nervos aglomerados em grande centros metropolitanos carentes de infra-estrutura física e social, quando acabam se confundindo com os “excluídos”.   Ocasionalmente explodem  e trazem à tona ícones políticos do passado como figuras extraordinárias. Estivesse Brizola vivo e , certamente, seria um poderoso candidato na atual sucessão…Vivemos, aparentemente, reféns da década da redemocratização, nos idos de 70, quando FHC, Lula e Brizola emergiram ao primeiro plano da vida nacional com seus distintos projetos e grande personalidade. Seus herdeiros, honestamente, não lhe fazem jus…Como diria Machado de Assis, se hoje fosse o cronista deste folhetim: – “ Aí vindes outra vez, inquietas sombras…”

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