Arquivos Mensais: junho \25\UTC 2014

O sucesso da Copa é a força de nosso povo – POR RICARDO KOTSCHO / são paulo.sp

O sucesso da Copa é a força de nosso povo.

Ricardo Kotscho

Faz duas semanas, deixei um país em guerra, afundado nas mais apocalípticas previsões, e desembarquei agora noutro, na volta, bem diferente, sem ter saído do Brasil. Durante meses, fomos submetidos a um massacre midiático sem precedentes, anunciando o caos na Copa do Fim do Mundo.

Fomos retratados como um povo de vagabundos, incompetentes, imprestáveis, corruptos, incapazes de organizar um evento deste porte. Sim, eu sei, não devemos confundir governo com Nação. Eles também sabem, mas, no afã de desgastar o governo da presidente Dilma Rousseff, acabaram esculhambando a nossa imagem no mundo todo, confundindo Jesus com Genésio, jogando sempre no popular quanto pior, melhor.

Estádios e aeroportos não ficariam prontos ou desabariam, o acesso aos jogos seria inviável, ninguém se sentiria seguro nas cidades-sede ocupadas por vândalos e marginais. Apenas três dias após o início da Copa, o New York Times, aquele jornalão americano que não pode ser chamado de petista chapa-branca, tirou um sarro da nossa mídia ao reproduzir as previsões negativas que ela fazia nas manchetes até a véspera. Certamente, muitos torcedores-turistas que para cá viriam ficaram com medo e desistiram. Quem vai pagar por este prejuízo provocado pelo terrorismo midiático?

Agora, que tudo é festa, e o mundo celebra a mais bela Copa do Mundo das últimos décadas, com tudo funcionando e nenhuma desgraça até o momento em que escrevo, só querem faturar com o sucesso alheio e nos ameaçam com o tal do “legado”. Depois de jogar contra o tempo todo, querem dizer que, após a última partida, nada restará de bom para os brasileiros aproveitarem o investimento feito. Como assim? Vai ser tudo implodido?

A canalhice não tem limites, como se fossemos todos idiotas sem memória e já tenhamos esquecido tudo o que eles falaram e escreveram desde que o Brasil foi escolhido, em 2007, para sediar o Mundial da Fifa. Pois aconteceu tudo ao contrário do que previam e ninguém veio a público até agora para pedir desculpas.

Como vivem em outro mundo, distantes da vida real do dia a dia do brasileiro, jornalistas donos da verdade e do saber não contaram com a incrível capacidade deste povo de superar dificuldades, dar a volta por cima, na raça e no improviso, para cumprir a palavra empenhada.

Para alcançar seus mal disfarçados objetivos políticos e eleitorais, após três derrotas seguidas, os antigos “formadores de opinião” abrigados no Instituto Millenium resolveram partir para o vale tudo, e quebraram a cara.

Qualquer que seja o resultado final dentro do campo, esta gente sombria e triste já perdeu, e a força do povo brasileiro ganhou mais uma vez. Este é maior legado da Copa, a grande confraternização mundial que tomou conta das ruas, resgatando a nossa autoestima, a alegria e a cordialidade, em lugar das “manifestações pacíficas” esperadas pelos black blocs da mídia para alimentar o baixo astral e melar a festa. Pois tem muito gringo por aí que já não quer mais nem voltar para seu país. Poderiam trocar com os nativos que não gostam daqui.

Que tal?

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Destruir o Iraque para redesenhar o mapa do Oriente Médio? – por larry chin

Destruir o Iraque para redesenhar o mapa do Oriente Médio?21/6/2014, Larry Chin, Global Research, Canadá – http://goo.gl/fYR3S0  
O Iraque estaria sendo repentinamente invadido por ondas de “terroristas”? Ou o Iraque está sendo sabotado, sacrificado e destruído?

A imprensa-empresa comercial dominante pinta a coisa como “insurgência terrorista” de “extremistas” sunitas que, aparentemente de repente, do dia para a noite, tomaram o país. O governo Obama é criticado por ter sido apanhado “com a guarda baixa”. Se o Iraque for perdido, segundo essa narrativa, todos os “ganhos” dos EUA serão “desperdiçados”.

De fato, o que se vê na região é massiva operação da CIA, um longo plano geoestratégico em construção: fazer naufragar a região numa guerra sectária, um gigantesco banho de sangue, com múltiplas desestabilizações e deliberado show de violência sectária cruzando várias fronteiras, até que todo o mapa do Oriente Médio e da Ásia Central – e para lá disso – seja redesenhado.

IMAGEM: O novo mapa do Projeto Oriente Médio: mapa não oficial da OTAN e da Academia Militar dos EUA (http://www.globalresearch.ca/wp-content/uploads/2014/06/The-Project-for-the-New-Middle-East.jpg) 

O mapa acima foi preparado pelo tenente-coronel Ralph Peters. Foi publicado no Armed Forces Journal em jun.-2006. Peters é coronel aposentado da Academia Militar dos EUA (Copyright do mapa, Lieutenant-Colonel Ralph Peters, 2006).

Os EUA estão jogando dos dois lados desse conflito explosivo, com vistas aos objetivos mais amplos de EUA/OTAN.

A força invasora, ISIS, é criação da CIA-EUA e dos seus aliados ricos em petrodólares Arábia Saudita, Kuwait e Qatar. É uma frente da Al-Qaeda. A Al-Qaeda é braço da inteligência militar da CIA-EUA desde a Guerra Fria. ISIS é o exército da inteligência militar do império em sua guerra contra a Síria.

Há provas que apontam fortemente para uma deliberada retirada das forças de EUA e Iraque, que permitiram que oISIS tomasse Mosul, Tikrit, Fallujah e, sobretudo, tomasse armas e equipamento norte-americano ‘miraculosamente’ esquecido em grandes quantidades, para serem ‘encontrados’. O ISIS controla agora a refinaria de petróleo de Baji ao norte de Bagdá, o que dá ao grupo fonte de combustível e lucrativa fonte de renda. Os sunitas, incluindo seguidores de Saddam Hussein, “voltaram”.

Num processo horrendamente surreal, o espetáculo militar que está em preparação pode pôr forças militares dos EUA a usar drones e aviões bombardeiros a favor do regime xiita de Maliki e contra as próprias forças sunitas doISIS da CIA que usa armas e equipamento dos EUA. Mentiras e fogo cerrado matarão milhões de iraquianos e devastarão o país.

Tudo isso, para quê?

O Iraque está sendo reinvadido e redestruído, para ser transformado em algo bem próximo do plano original de Bush/Cheney, que queriam o país dividido por linhas sectárias, que deixariam a produção crucial e petróleo e gás no sul, em mãos de empresas aliadas do ‘ocidente’. Jamais algum desses cogitou de um Iraque estável. O plano sempre foi obter um Iraque maleável. Simples etapa em direção a coisa maior.

Tendo fracassado na tentativa de golpe para derrubar Damasco com uma insurgência de “combatentes da liberdade”, a CIA redireciona e realoca seus ‘procuradores’ que agem à distância. O ISIS está agora mais forte e mais bem armado. Tem a vantagem estratégica de ter bases tanto na Síria como as recém capturadas em território iraquiano. Está em posição para cercar e pressionar tanto a Síria quanto o Irã.

Desestabilização regional 

O objetivo é desencadear tal escala de violência sectária na região que seja difícil de conter e impossível de ignorar. Encene essas atrocidades horríveis à porta das nações-alvo, e os governos são empurrados para tais agitações e conflitos que não terão como evitar. Assim esses governos são enfraquecidos e ‘caem’. De fato, são derrubados. Mas o modelo é bem conhecido e foi usado sempre em virtualmente todas as ‘conquistas’ imperiais nas décadas recentes, dos Bálcãs ao Oriente Médio e à África. Na Ucrânia. 

O padrão é sempre o mesmo: na sequência, virá a “restauração da ordem” nos novos territórios, seja militarmente seja sob o disfarce de ajuda humanitária. E instalam-se regimes fantoches. Chegam as empresas, para “reconstruir” e para “investir”, assumindo o controle, sempre, para começar, do petróleo e do gás, e da geografia, pelas bases que se constroem – e das quais se lançam as operações militares/de inteligência.

Os eventos no Iraque podem marcar o início de um apocalipse mais amplo. Segundo Michel Chossudovsky, a agenda de longo prazo dos EUA é ‘esculpir’ ambos, Iraque e Síria, em três territórios separados: um Califato Islamista Sunita, uma República Árabe Xiita e uma República do Curdistão. O Iraque deixará de existir completamente. Toda a região está sob ameaça.

Mentiras e ambiguidades 

Dentro das fronteiras dos EUA, reina a morte cerebral mais desinteressada de tudo. A vasta maioria dos norte-americanos de nada sabem, de nada querem saber e não se importam. O cidadão médio reage a questões sociais, como igualdade de direitos para casar ou o racismo em jogos de futebol (que são questões sem importância alguma aos olhos das grandes potências), e absolutamente não dá nenhuma atenção às grandes ameaças que pesam sobre a humanidade – dentre as quais a maior é a guerra que continua a consumir vidas de norte-americanos, que norte-americanos usam como bucha de canhão. 

As massas norte-americanas não acordaram, não importa o quanto tantos fatos tenham sido amplamente expostos. A narrativa de propaganda, falsa, do 11/9, está firmemente implantada, talvez para sempre: os EUA estão em guerra contra “os terroristas que nos atacaram dia 11/9” e “temos de defender a liberdade”.

A esquerda política (em larga medida cooptada por atividades de tipo ‘programas de contrainteligência’) caça o próprio rabo, aceitando as narrativas produzidas em Washington, vez ou outra embarcando tolamente em visões limitadas como “o revide”, sempre disposta a crer na “inocência atrapalhada” de Washington… e engolindo praticamente todas as mentiras que ouça.

Na Washington capital da corrupção, a cena está além de qualquer cenário orwelliano. Reinam a propaganda e todos os tipos de mentiras. O círculo mais interno do poder sabe do que se passa e transpira, mas a arrogância e a disputa do poder entre dois ‘partidos’ persiste. A imprensa-empresa recusa-se a noticiar fatos e vive de repetir a mais desgastada propaganda, como é mandada repetir. A “guerra ao terror” vai muito bem, obrigada.

A senadora Dianne Feinstein está alertando contra “consequências devastadoras” das “forças sunitas em marcha” – e não diz que os EUA estão por trás das tais “consequências” e das tais “forças”. E conclama “os dois lados” (Democratas e Republicanos) a se “unirem”.

Não por coincidência, John McCain, senador que abertamente apoia os terroristas da Al-Qaeda e as atrocidades clandestinas, está outra vez no centro do palco, na primeira linha. Vive a cuspir desaforos contra a “fraqueza” e a “estupidez” do governo, que não reinvade o Iraque: “Todos nessa equipe de segurança nacional, inclusive o Comandante do Estado-maior têm de ser substituídos. É um colossal fracasso.” 

McCain exige que os EUA ataquem militarmente já (e provavelmente apoia cada um dos passos de Obama). É o mesmo McCain sempre diretamente envolvido em fornecer armas aos terroristas da Al-Qaeda na Líbia e na Síria. Não há dúvida possível de que McCain, sempre pronto a apoiar e armar e enriquecer “combatentes da liberdade” da Al-Qaeda da CIA, está ao lado, também, dos terroristas do ISIS.

IMAGEM: McCain com líderes terroristas da Al Qaeda e do exército sírio livre.

O bom amigo de McCain e inventador de guerras como ele, senador Lindsey Graham (R-SC), também ‘exige’ ataques aéreos imediatos e só faz promover a ideia de que “o próximo 11/9 está sendo preparado”. 

Obama está “falhando”?

E Obama? Agora que é presidente ‘pato-manco’, sem ter de preocupar-se com política e imagem falsificadas para a re-eleição, Obama e o seu aparelho de segurança nacional parecem mover-se em duas frentes: uma real; a outra, propaganda. 

O governo Obama está promovendo a agressão contra Ucrânia/Síria/Iraque a novos níveis, em busca desenfreada por alcançar rapidamente objetivos pelos quais anseia há muito tempo (a realpolitik), ao mesmo tempo em que se vai autossacrificando politicamente (na narrativa que a propaganda lhe cobra). 

Politicamente, Obama estará “tombando sobre a espada”? Aparentemente, como todos os presidentes antes dele, Obama está sendo dispensado do cargo como completo fracasso de política externa nos anos finais do mandato – o que abre o caminho para o sucessor, que fará novamente e sempre a mesma coisa. É sempre assim. 

Se, de agora em diante, Obama não conseguir “restaurar a ordem”, sairá como o presidente que “perdeu o Iraque”, “abandonou o Iraque antes da hora”, não conseguiu deter os terroristas, não conseguiu livrar-se de Assad, não pôs fim ao Irã, etc., etc. 

Agora, Obama está sendo culpado pela “paralisia política” do governo Maliki. O governo, e a provável candidata Democrata à presidência, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, já se viram envolvidos em escândalo gigantesco, como “a equipe que perdeu Benghazi” e encobriu tudo.

Somada ao fato de que Obama ampliou muito a geoestratégia assassina dos anglo-norte-americanos iniciada por Bush/Cheney (Obama ampliou exponencialmente as agressões, ao mesmo tempo em que manteve máscara de político democrático), os EUA devem esperar uma forte guinada à direita – outra vez, de volta à linha Bush/Cheney: o mesmo tipo de fascismo de direita “movido a ódio” que está tomando conta da Europa e que se vê claramente exemplificado na Ucrânia neonazista.

Para o próximo estágio da guerra mundial, e para controlar também os seus próprios dissidentes em território nacional, os EUA precisarão de presidente aberta e declaradamente brutal, na Casa Branca. Talvez alguém como Jeb Bush, com gabinete formado dos criminosos de guerra da equipe Republicana de Bush/Cheney, todos arrancados das respectivas tumbas para infernizar outra vez os vivos.

Ameaça ao futuro da humanidade 

O império norte-americano continua a trabalhar a favor da guerra total, usando todos os meios necessários para alcançar o controle do subcontinente eurasiano, diretamente contra Rússia e China. 

Esse holocausto tem escala e objetivos além da compreensão dos homens e mulheres de bem. Eventos no Iraque, Síria e Irã andam lado a lado com eventos na Ucrânia, todos inscritos numa única e desesperada agenda global. Só se busca o controle do que resta de petróleo e gás no planeta, dos oleodutos, dos gasodutos, das rotas de transmissão de energia, enquanto essas fontes de energia vão sendo exauridas e estarão esgotadas em poucas décadas.

Os eventos que se desenrolam no Iraque não são resultados de “fracassos da inteligência”, mas, como o 11/9 e outras atrocidades, são operação planejada pela inteligência; mais uma operação, numa sempre a mesma repetida horrorosa sequência. *****

O fascismo ronda o Brasil em 2014 – por Frei Betto / são paulo.sp

O fascismo ronda o Brasil em 2014 – Por Frei Betto.

 
Ao votar este ano, reflita se por acaso você estará plantando uma semente do fascismo ou colaborando para extirpá-la.
Jean-Marie le Pen, líder da direita francesa, sugeriu deter o surto demográfico na África e estancar o fluxo migratório de africanos rumo à Europa enviando, àquele sofrido continente, “o senhor Ebola”, uma referência diabólica ao vírus mais perigoso que a humanidade conhece. Le Pen fez um convite ao extermínio.
O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy propôs a suspensão do Tratado de Schengen, que defende a livre circulação de pessoas entre trinta países europeus. Já a livre circulação do capital não encontra barreiras no mundo… E nas eleições de 25 de maio a extrema-direita europeia aumentou o número de seus representantes no Parlamento Europeu.
A queda do Muro de Berlim soterrou as utopias libertárias. A esquerda europeia foi cooptada pelo neoliberalismo e, hoje, frente a crise que abate o Velho Mundo, não há nenhuma força política significativa capaz de apresentar uma saída ao capitalismo.
Aqui no Brasil nenhum partido considerado progressista aponta, hoje, um futuro alternativo a esse sistema que só aprofunda, neste pequeno planeta onde nos é dado desfrutar do milagre da vida, a desigualdade social e a exclusão.
Caminha-se de novo para o fascismo? Luis Britto García, escritor venezuelano, frisa que uma das características marcantes do fascismo é a estreita cumplicidade entre o grande capital e o Estado. Este só deve intervir na economia, como apregoava Margareth Thatcher, quando se trata de favorecer os mais ricos. Aliás, como fazem Obama e o FMI desde 2008, ao se desencadear a crise financeira que condena ao desemprego, atualmente, 26 milhões de europeus, a maioria jovens.
O fascismo nega a luta de classes, mas atua como braço armado da elite. Prova disso foi o golpe militar de 1964 no Brasil. Sua tática consiste em aterrorizar a classe média e induzi-la a trocar a liberdade pela segurança, ansiosa por um “messias” (um exército, um Hitler, um ditador) capaz de salvá-la da ameaça.
A classe média adora curtir a ilusão de que é candidata a integrar a elite embora, por enquanto, viaje na classe executiva. Porém, acredita que, em breve, passará à primeira classe… E repudia a possibilidade de viajar na classe econômica.
Por isso, ela se sente sumamente incomodada ao ver os aeroportos repletos de pessoas das classes C e D, como ocorre hoje no Brasil, e não suporta esbarrar com o pessoal da periferia nos nobres corredores dos shopping-centers. Enfim, odeia se olhar no espelho…
O fascismo é racista. Hitler odiava judeus, comunistas e homossexuais, e defendia a superioridade da “raça ariana”. Mussolini massacrou líbios e abissínios (etíopes), e planejou sacrificar meio milhão de eslavos “bárbaros e inferiores” em favor de cinquenta mil italianos “superiores”…
O fascismo se apresenta como progressista. Mussolini, que chegou a trabalhar com Gramsci, se dizia socialista, e o partido de Hitler se chamava Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, mais conhecido como Partido Nazista (de Nationalsozialist).
Os fascistas se apropriam de símbolos libertários, como a cruz gamada que, no Oriente, representa a vida e a boa fortuna. No Brasil, militares e adeptos da quartelada de 1964 a denominavam “Revolução”.
O fascismo é religioso. Mussolini teve suas tropas abençoadas pelo papa quando enviadas à Segunda Guerra. Pio XII nunca denunciou os crimes de Hitler. Franco, na Espanha, e Pinochet, no Chile, mereceram bênçãos especiais da Igreja Católica.
O fascismo é misógino. O líder fascista jamais aparece ao lado de sua mulher. Como dizia Hitler, às mulheres fica reservado a tríade Kirche, Kuche e Kinder (igreja, cozinha e criança).
O fascismo é anti-intelectual. Odeia a cultura. “Quando ouço falar de cultura, saco a pistola”, dizia Goering, braço direito de Hitler. Quase todas as vanguardas culturais do século XX foram progressistas:expressionismo, dadaísmo, surrealismo, construtivismo, cubismo, existencialismo. Os fascistas as consideravam “arte degenerada”.
O fascismo não cria, recicla. Só se fixa no passado, um passado imaginário, idílico, como as “viúvas” da ditadura do Brasil, que se queixam das manifestações e greves, e exalam nostalgia pelo tempo dos militares, quando “havia ordem e progresso”. Sim, havia a paz dos cemitérios… assegurada pela férrea censura, que impedia a opinião pública de saber o que de fato ocorria no país.
O fascismo é necrófilo. Assassinou Vladimir Herzog e frei Tito de Alencar Lima; encarcerou Gramsci e madre Maurina Borges; repudiou Picasso e os teatros Arena e Oficina; fuzilou García Lorca, Victor Jara, Marighella e Lamarca; e fez desaparecer Walter Benjamin e Tenório Júnior.
Ao votar este ano, reflita se por acaso você estará plantando uma semente do fascismo ou colaborando para extirpá-la.

Maria da Conceição Tavares: Resistir para avançar

Em conversa com Carta Maior, Maria da Conceição Tavares adverte para o risco de soluções supostamente redentoras e faz uma exortação: ‘Resistir para avançar.

por: Saul Leblon

Arquivo

Cautelosa, quase reticente em falar  de  economia, ‘numa hora em que tem tanta gente falando bobagem’, Maria da Conceição Tavares, a decana dos economistas brasileiros, voz   sempre ouvida com atenção quando o horizonte se anuvia, como agora, rejeita  as soluções miraculosas oferecidas  na praça para destravar os nós do crescimento brasileiro.A campanha eleitoral antecipada na queda de braço em torno da Copa do Mundo  exacerbou a divisão do país em duas visões de futuro, diz a voz cautelosa.Uma valoriza os avanços obtidos na construção da democracia social  nos últimos  doze anos.

Não considera  o caminho concluído, mas é o que está sendo construído.

A outra, majoritariamente abraçada pelo conservadorismo e seu martelete midiático, equipara o resultado desse  percurso  a uma montanha desordenada de escombros .Um Brasil aos cacos.

Propõe-se a saneá-lo de forma radical.

Em primeiro lugar,  esse ‘começar de novo’ retiraria  o país  das mãos do ‘populismo petista’, em outubro próximo.

Para entregá-lo em seguida a quem entende do ramo: os mercados e suas receitas de ‘contração expansiva’,  que combinam  arrocho salarial e fiscal  com fastígio dos fluxos de capital sem lei.

Na conversa com Carta Maior, Conceição  avança com cuidado, escolhendo as palavras ao transpor o limite que havia se imposto de não mexer nesse ambiente conflagrado.

‘A situação é muito delicada por conta do  encavalamento  de gargalos econômicos e  disputa eleitoral’, admite.

‘Mas o fato é que o projeto em curso é o mais adequado à sociedade brasileira’, afirma  esticando  seu divisor no campo minado.

“Avanços sociais, emprego, salário e crédito para manter a atividade  –não para puxar, me entenda, mas para manter o nível de atividade’, desfia a economista enquanto delimita a sua trincheira de resistência.

“São doze anos de estirão por essa via, agora é manter, enquanto se avança no investimento em infraestrutura, que vai puxar o novo ciclo. É o que tem que ser feito. E está sendo feito’, enfatiza para demonstrar certo desalento  em seguida:

“A maior dificuldade reside justamente nisso. Não há muito mais o que inventar,  essas coisas mirabolantes que se puxa da cabeça, como se a crise fosse uma coisa mental e não uma luta social, não fazem sentido e arriscam por tudo a perder’.

Em outras palavras, os desafios graves  não são endógenos ao modelo, nem superáveis na atual correlação de forças. Daí a dificuldade em se traçar um caminho reto e previsível em direção ao passo seguinte da história.

Quem fala entende de crise.

Conceição nasceu em abril de 1930, seis meses depois da 5º feira negra de outubro de 1929, quando as bolsas reduziram todo um ciclo capitalista de riqueza especulativa a pó e pânico.

‘O que se passa  é distinto de tudo aquilo’, dizia ela em entrevista a Carta Maior no calor dos acontecimentos da desordem neoliberal, em 2011.

Aquele  entendimento pioneiro  é reiterado hoje quase com as mesmas palavras,  agora  endossadas  pelos fatos em curso.

“Essa é uma crise que estreita o campo de manobra , ao invés de ampliá-lo, como em 29. Sim, você tem a comprovação empírica do fracasso neoliberal,  mas  são eles que persistem  e dão as cartas no xadrez  global. Vivemos um colapso do neoliberalismo sob o tacão dos neoliberais:  a pasmaceira política aqui é reflexo desse paradoxo’.

A professora de reconhecida bagagem intelectual,  em geral prefere não  avançar na reflexão política e ideológica. Mas tem feito concessões diante do cenário de areia movediça no qual a bússola política parece  ter perdido a capacidade de mediar o cipoal econômico (leia ao final desta nota trechos de um artigo de Maria da Conceição , ‘A era das distopias’, publicado originalmente na revista  Insight Inteligência).

Preocupa-a  a ansiedade que  a crispação  política injeta no quadro econômico.

‘Os partidos estão desengonçados, os movimentos sociais fracionados, os sindicatos aquém do espaço que  lhes cabe. Essa pulverização incentiva soluções redentoras’,  avisa com um misto de preocupação e revolta.

Conceição metaboliza  o diagnóstico alguns segundos  para alvejar:

‘Uns querem milagre social,  outros arrocho fiscal ’. Repete a disjuntiva, satisfeita com a síntese extraída  à força do denso  nevoeiro.

‘E  ambos estão desastradamente equivocados!’, arremete então escalando as sílabas.

A crítica aberta alveja, de um lado, movimentos avulsos que se comportam às vezes como clientes da sociedade e não corresponsáveis pela arquitetura  de sua emancipação.

De outro,  a pregação ortodoxa, a ecoar a agenda tucana para outubro de 2014.

‘Uns querem milagre, outros arrocho’, reitera. E nesse corredor estreito elege a resistência histórica como  o chão pelo qual vale a pena lutar nesse momento.
‘Lula está certo, em geral ele está certo’, pondera.

‘Lula é uma pessoa sensata, ao contrário de muitos  economistas visionários que estão à procura de um novo modelo; ele sabe que uma conquista histórica  não se pode perder’.

‘Se não há inflação de demanda, e não há,  então por que arrochar o crédito?’, questionou o ex-presidente em evento recente no Rio Grande do Sul, diante de autoridades da área econômica do governo.

Conceição o ampara.

‘A inflação de alimentos  tem origem na seca, não na exacerbação da demanda. O custo da energia, idem. Do lado externo, o dólar baixo  que desestabiliza o setor externo da economia é um reflexo da fraca recuperação mundial. Vamos negociar um novo modelo com o clima ou com o Fed ?’,  detona.

Sem mudar o tom de voz, a economista debulha e esfarela  os grãos das receitas alternativas: ‘Vamos fazer um arrocho fiscal? Arrocho quem faz são eles. Eu não recomendo mexer em modelo algum. O que devemos é sustentar  o nível de atividade  e avançar no investimento em infraestrutura , com forte aporte estatal’, discorre  já inteiramente à vontade e rompida com a decisão de não discutir ‘aquilo que vive um momento delicado’ : a luta pelo desenvolvimento brasileiro.

Conceição  não  acredita que o país  possa recuperar integralmente o espaço perdido pela sua indústria para  a concorrência internacional. Mas preconiza  uma revitalização em novas bases. Injetando nervos e musculatura  à capacidade competitiva com uma dose combinada de  desvalorização cambial e redução do juro –‘ Não agora, no próximo governo, quando a inflação climática perder seu ímpeto’.

A reinvenção do sistema industrial conta, no seu entender, com uma alavanca fortemente apoiada em três pontos de chão firme: mercado de massa,  pré-sal e  grandes projetos de infraestrutura. ‘Não é coisa pouca’, encoraja.

O ceticismo  dos que enxergam uma contradição insolúvel num capitalismo que bordeja a fronteira do pleno emprego não ofusca seu campo de visão.

O emprego, o salário e o crédito  ordenam a ótica histórica dessa economista que modulou  a filiação  keynesiana pela chave da esquerda.

Formam trunfos da luta pelo democracia social, não obstáculos.

Muito diferente da estranha ponte de consenso que se esboça entre segmentos progressistas e concepções ortodoxas acerca do passo seguinte do desenvolvimento brasileiro.

Os pilares dessa construção híbrida  constatam  que o pleno emprego no capitalismo enseja ganhos salariais acima do incremento de produtividade.

Uma dissociação que resultaria em  desequilíbrios  esgotantes circunscrevendo a história em uma espécie de inferno de Sísifu: luta-se para gerar empregos até que, uma vez criados, eles se tornam disfuncionais e devem ser destruídos.

Pelo bem do sistema.

E ai de quem não o fizer.

O ‘populismo petista’ está entre os que resistem. A um custo alto para a economia.

Em miúdos e graúdos a fatura assumiria a forma de uma inflação ascendente, com retração do investimento produtivo em proveito da especulação rentista  –que se beneficia da alta dos juros inerente à tensão inflacionária do conjunto.

É o diagnóstico híbrido que se dissemina.

Mas que Conceição  rejeita.

A ideia de um sistema econômico intrinsecamente avesso ao pleno emprego é estranha a essa economista.

Como assim, se o que tivemos nos trinta anos do pós-guerra foi exatamente pleno emprego, com estabilidade, direitos  e crescimento?’, questiona.

O que existe hoje, no seu entender,  é um pouco mais complexo e enervado de história do que uma fórmula fechada em si.

A desregulação  financeira  –que se explica em parte por erros, rendições e derrotas da esquerda mundial —  catalisou e fortaleceu interesses contrários a um desenho de  desenvolvimento comprometido com a maior convergência da riqueza  e das oportunidades.

‘Aceitá-lo como inexorável explica o funeral  da socialdemocracia europeia’, diz Conceição.

Mas não significa que não se possa  –se deva, retruca–  reinventar o espaço de um desenvolvimento cuja finalidade seja gerar empregos, salários, qualidade de vida e direitos.

Esse espaço morreu na Europa hoje.

“Mas está vivo no Brasil e partes da América Latina’, lembra essa portuguesa que escolheu  a luta pelo desenvolvimento com justiça social  como sua pátria.

De dentro dela,  Conceição encara as adversidades  a sua volta e endossa a intuição de Lula e o destemor de Dilma com uma palavra  tantas vezes pertinente em sua vida: resistir, resistir, resistir.

‘Resistir para avançar. O resto é arrocho’.

Leia, abaixo, trecho de um artigo de Maria da Conceição Tavares, publicado originalmente na revista  Insight Inteligência.

A era das distopias

“As pessoas estão perdidas, não sabem como se guiar do ponto de vista político, econômico. E com isso a história parece que não se move. O futuro fica ilegível, amorfo”

“Na verdade, se o PIB é “pibinho” ou não, qual o problema? vai ser 2%, 3% ou 4%? O problema é ter emprego. Para mim, os critérios clássicos são emprego, salário mínimo e ascensão social das bases”

Desde o século XVIII, os movimentos políticos, sociais e econômicos deixaram de se orientar pela ideia de tradição, substituindo-a pela de um futuro diferente e melhor. Eles acreditavam que a história tinha um sentido, um objetivo, uma utopia: criar uma sociedade mais livre e mais igualitária.

A busca da liberdade pautou o século XIX: liberdade do indivíduo, política e econômica, representada pela Revolução Francesa. Depois, no século XX, veio o marxismo e a promessa do reino da igualdade, representada pela Revolução Russa. Foi também em nome da igualdade que se construiu o Estado do bem-estar, como uma alternativa ao socialismo.

O planejamento era uma ideia inseparável dessa visão de mundo. Democratização, planificação, esse é o século XX. As pessoas acreditavam que o futuro estava destinado a isso. E orientavam-se politicamente em função da reconstrução do mundo. Mas essa orientação histórica rumo à liberdade e à igualdade, elaborada no Iluminismo, acabou no final do século XX.

Acho difícil saber para onde vamos. Não dá para dizer se o resultado do que está ocorrendo será positivo ou negativo, à luz do que se conheceu até aqui. O que ocorre hoje pode ser uma transição ou um apodrecimento. Transição não sei para quê, porque não há uma utopia prévia. Você podia falar em transição para o socialismo no século XVIII ou XIX porque estavam lá as manifestações e as utopias prévias. Mas, agora, a transição para o socialismo quer dizer o quê?

Tudo bem, pode ser que seja um viés reformista da minha geração… Eu sou uma adolescente do século XX e me identifico muito com ele, a favor do que era bom, e contra o que era ruim. Por outro lado, não vejo causas que sirvam para agregar de forma propositiva tantos interesses fracionados. Ninguém sabe como reagir se não há conceito e pensamento, organizados a partir de uma utopia. Acho que esta sensação de impotência, de não se ver ninguém pensando diferente, deriva daí.

Diga-me um autor relevante que não esteja pensando dessa maneira, prostrado pela falta de alternativas? Não há ousadia em nada, pelo menos do ponto de vista do pensar. Ninguém na academia está falando nada muito diferente. Por isso, não gosto de dar entrevista, não quero engrossar o coro de lamentação dos intelectuais. Pode ser que eu já esteja ultrapassada, que esteja velha. Mas é como eu estou vendo. De qualquer forma, esse ciclo vai passar. Torcemos para que ele não seja longo’.

 

A Copa Nacional versus Não Copa golpista – Dom Orvandil

A Copa Nacional versus Não Copa golpista – Dom Orvandil

Vive-se hoje verdadeira tensão desequilibrada entre a maioria que torce e apoia a Copa do Mundo no Brasil e uma minoria mesclada entre fingidos que publicamente dizem não se interessar pela Copa, mas que na intimidade torcem por ela e os que a ligam ao Governo Dilma e pressionam pela derrota da Seleção Brasileira tentando alvejar a candidata à reeleição. Há os que alegam que a Copa não deve se misturar com política, numa falsa dicotomia entre coisas que são políticas e outras que não são.

Torcedores e Seleção Brasileira - selfie

 

Querido Rudá Morcillo

Sou-te imensamente agradecido pelo convite que me fizeste para escrever para teu maravilhoso site (Meu Blog de Política). Este é o primeiro artigo que compartilho prazerosamente contigo, meu amigo. Abordo aqui o problema da luta política em torno da Copa do Mundo no Brasil.

Vive-se hoje verdadeira tensão desequilibrada entre a maioria que torce e apoia a Copa do Mundo no Brasil e uma minoria mesclada entre fingidos que publicamente dizem não se interessar pela Copa, mas que na intimidade torcem por ela e os que a ligam ao Governo Dilma e pressionam pela derrota da Seleção Brasileira tentando alvejar a candidata à reeleição. Há os que alegam que a Copa não deve se misturar com política, numa falsa dicotomia entre coisas que são políticas e outras que não são.

É preciso entender a vinculação política histórica entre os grandes esportes e as lutas dos blocos que defendem interesses contraditórios. A Copa sempre foi política, mesmo que o Felipão, treinador principal da Seleção, não saiba disso. O que é lamentável é que a Seleção do Brasil não receba um direcionamento deliberado como política de Estado na defesa dos interesses nacionais e sociais de nosso povo, como o Presidente Nelson Mandela fez na África do Sul, usando o futebol como fator de unidade nacional e de cura das feridas abertas e sangramentos divisionistas pelo racismo nazista, que separou negros e brancos, pobres e ricos, opressores e oprimidos.

Quando a direita dominou usou abertamente o esporte como fator de propaganda. Assim aconteceu no dia 1º de agosto de 1936 na Alemanha, evento olímpico aberto Adolfo Hitler. Com advento da TV o principal teórico de marketing e comunicação do ditador nazista o “ministro nazi Joseph Goebbels (blog Esquerda.net) como meio de propaganda política, encomendou um filme que retratasse a supremacia dos atletas “arianos” frente aos outros desportistas. Sob a direção de Leni Riefenstahl, foi rodado o filme Götter des Stadions (Deuses do Estádio), que registrou em mais de 300 quilômetros de película os principais resultados daquela Olimpíada para os alemães.” Os Estados Unidos, contudo, sem intervenção de Hitler, que não desejava isolar-se do mundo, enviaram para a competição mundial negros e judeus. Foi aí que a intenção política clara do nazismo de ressaltar a superioridade branca e ariana fracassou. “… a maior revelação das competições foi Jesse Owens, um atleta americano e, ainda por cima, negro.” Jesse Owens, negro, subiu ao centro e no alto do pódio.

Durante a ditadura civil-mediática-militar no Brasil o carniceiro general Garrastazu Médici usou e abusou da Copa e, principalmente da vitória dos Canarinhos em 1970, para fazer propaganda política da ditadura e calar os gritos e gemidos que emergiam das prisões e dos porões sujos de sangue, onde patriotas sofriam sob o tacão opressor do terrorismo adotado pelo Estado, por lutarem contra o fascismo.

Pelo lado do povo os países socialistas contaram com o esporte, notadamente o futebol, para unir seus povos. Assim aconteceu com a extinta União Soviética e acontece com Cuba, com a China e com todos os outros. Os grandes eventos esportivos sempre foram fatores políticos, de um lado ou de outro.

Aqui no Brasil nesse ano grupos de direita e a mídia, igualmente de interesse colonial e fascista, usa o povo e setores inocentes sociais para boicotar o governo Dilma, disso os esclarecidos sabem. A barulheira do “não vai ter copa” (até na frase há ignorância. Porque não dizer com simplicidade “não haverá copa”?) tem a intenção escondida o denuncismo sem provas, que nada fundamenta quanto à corrupção e gastos excessivos com o grande evento mundial. Os ruídos, felizmente cada vez mais abafados pela paixão nacional, intencionam evitar o sucesso dos jogos e, sublinhe-se, o “risco” de a Seleção sair-se campeã e de isso ajudar a campanha da reeleição da Presidente Dilma.

No fundo, essa campanha, ignorante não somente na formulação da frase, é contra o Brasil, é contra a comunhão internacional que se dará aqui nesses dias, é contra os milhares de empregos gerados direta e indiretamente pelas grandes obras que se edificam. É contra a enorme projeção cultural e econômica do Brasil. É uma torcida contra o Brasil e contra o nosso povo.

A TV Globo e os demais bobos da corte da casa grande, numa política perniciosa e antipatriótica, falam mal das obras e do legado que a Copa entregará ao nosso País. Mentem deslavadamente e de modo hipócrita, até para esconder os antros de corrupção de seus negócios, das sonegações e mentiras junto da Receita Federal. Esses órgãos, que são concessões do povo através do Estado, massacram a verdade ao mentir e tentar jogar o povo contra o mundo, que crava seus olhos em nós, impondo uma propaganda criminosa e ainda impetram mandatos judiciais pedindo que o STF libere os tais “protestos” durante os jogos, num verdadeiro arroubo de oportunismo.

Sinceramente, penso que o Ministério dos Esportes e a Presidenta Dilma deveriam ser mais enfáticos na orientação da Seleção Brasileira e exigir que os jogadores e toda a equipe de apoio tivessem aulas de política nacional, de posturas políticas em campo e de gestos que ajudassem nosso povo e lutar por mais dignidade, como nos ensinou o grande jogador Sócrates, que sabia como deveriam se comportar os jogadores conscientes de sua cidadania e dos compromissos com a Pátria, mesmo jogando.

Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz.

Dom Orvandil: bispo cabano, farrapo e republicano, também na Copa.

Elite de US$ 30 trilhões discute renovação do capitalismo em Londres

Elite de US$ 30 trilhões discute renovação do capitalismo em Londres

Um grupo de pessoas que juntas controlam US$ 30 trilhões (R$ 67 trilhões) em ativos globais – ou cerca de 14 vezes o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil – estão reunidas em Londres nesta terça-feira para debater os rumos do sistema capitalista.

A reportagem foi publicada no portal da BBC Brasil, 27-05-2014.

Segundo a organização do seminário Conference on Inclusive Capitalism: Building Value, Renewing Trust (A Conferência sobre o Capitalismo Inclusivo: Construindo Valores, Renovando a Confiança, em tradução livre), o objetivo é discutir ideias que ajudem a promover uma sociedade baseada no livre mercado, porém mais igualitária.

O evento inclui entre os palestrantes de peso como o ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, e a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI)Christine Lagarde. O príncipe Charles, do Reino Unido, abriu os trabalhos.

A conferência ocorre em meio à polêmica recente lançada pelo economista francês Thomas Piketty de que ocapitalismo vem concentrando renda, em vez de distribui-la.

BBC ouviu três participantes do evento sobre quais rumos o capitalismo deve tomar. Leia os relatos.

– Lynn Forester (CEO do conglomerado EL Rothschild, pertencente à família Rothschild, e fundadora da Conference on Inclusive Capitalism: Building Value, Renewing Trust):

O capitalismo tem de provar à sociedade como um todo que é um mundo de oportunidades para a prosperidade geral e para o crescimento dinâmico. Por causa dos escândalos que tivemos nos últimos cinco anos, e por causa do crescimento da desigualdade, penso que os patrões têm a obrigação moral de provar o que é bom para a sociedade e é bom somente para os seus negócios.

O capitalismo inclusivo não é nada diferente do capitalismo consciente ou do capitalismo progressivo. Trata-se de um sistema que permite um desenvolvimento maior de toda a sociedade e não se sustenta por si mesmo. O capitalismo inclusivo é bom capitalismo.

Já o mau capitalismo é amarrar as taxas Libor (taxa preferencial de juros que remunera grandes empréstimos entre os bancos internacionais operantes no mercado londrino), é vender instrumentos financeiros que são prejudiciais ao seu investir, é tirar vantagem dos trabalhadores e não se importar com a sustentabilidade da sua cadeia de fornecedores. Há muitos coisas que formam o que entendo por ser mau capitalismo.

É por causa disso que temos tão pouca confiança do público em geral sobre o capitalismo, porque, por muito tempo, nos permitimos um mau comportamento dentro dos nossos negócios. Temos de reconhecer de uma vez por todas que fizemos coisas erradas.

Um dos meus principais objetivos como fundadora e co-apresentadora da Conferência sobre o Capitalismo Inclusivoera fazer com que investidores do mundo inteiro não se preocupassem apenas com o lucro.

Eu quero que eles perguntem às suas equipes coisas do tipo: O que você está fazendo para garantir a perenidade da sua cadeia de fornecedores? Como é o seu contato com a comunidade à sua volta? Você é admirado? O que estou fazendo para melhorar?

Se os investidores colocarem dinheiro em companhias que têm uma visão de longo prazo sobre a sociedade, então, as corporações vão fazer o mesmo. O nosso horizonte tem de ser de 20 anos, não de 12 semanas. Esse é meu objetivo imediato.

– Madsen Pirie (fundador e presidente do Instituto Adam Smith, que defende o livre mercado):

Quando as pessoas renunciam aos prazeres do cotidiano e só pensam em investir, acreditando com isso que vão ganhar dinheiro ao proporcionar mercadorias e serviços que outras pessoas talvez queiram no futuro. Essa é a minha definição de capitalismo.

O capitalismo gerou a riqueza necessária para tirar grande parcela da humanidade da substência e da fome e nos permitiu financiar a ciência, a educação e as artes, assim como obter conforto material e oportunidades.

Tal como a democracia pode ser corrompida pelo populismo repressivo, o capitalismo também pode ser desvirtuado pela busca de renda, quando as pessoas tentam obter ganhos maiores do que os produtos e serviços que produzem para os outros.

Algumas vezes, essas mesmas pessoas tentam influenciar o cenário político de modo a pressionar pela manutenção de monópolios e evitar a entrada de novos atores no mercado que trazem consigo o potencial criativo. Algumas vezes, eles usam governos para lhes fornecer subsídios por meio dos contribuintes, ou proíbem produtos importados mais baratos.

Outras vezes, elas fazem acordos com governos que recorrem a fundos dos contribuintes para sustentar perdas decorrentes de decisões incompententes ou imprudentes. Essas formas de capitalismo de compadrio exclui os benefícios e as conquistas reais do capitalismo.

O capitalismo deve se libertar-se da urgência do lucro e beneficiar um número maior de pessoas.

Para isso, o capitalismo deve condenar fortemente o uso de práticas anti-competitivas e dar a pessoas o poder da livre escolha entre bens e serviços concorrentes. Mais pessoas também devem ter o direito sobre a propriedade do capital e de investimento ora por meio de contas poupança individuais ora pensões, por exemplo.

O capitalismo também deve reduzir as barreiras à entrada de novos competidores no mercado, de forma que todos possam aspirar a montar um negócio. E, por fim, deve adotar um sistema tributário que premie o sucesso, em vez de puni-lo.

Basicamente, estamos falando de inclusão, de tal modo que o maior número de pessoas possa deixar de consumir irrefreadamente para investir seus recursos e seu tempo no fornecimento de bens e serviços a outras pessoas. Esse é o verdadeiro capitalismo.

– Clive Menzies (economista político e fundador do projeto de pesquisa Critical Thinking na Free University):

Um estudo de 2011 da revista New Scientist revelou que 147 “super entidades” controlam 40% das 43.060 empresas transnacionais e 60% de suas receitas. A pesquisa foi baseada em acionistas e diretores, mas não revela a propriedade nem o controle por trás de empresas “laranja”, fundos ou fundações. Dados sugerem que o poder estaria muito mais concentrado do que realmente o levantamento sugere.

Esse poder, que não é controlado pelo Estado, domina a política, a mídia e a educação. O capitalismo financeiro procura monetizar e controlar tudo, influenciar a legislação e a regulamentação a seu favor.

Tal sistema é, no meu ver, elaborado a partir de três falhas fundamentais no sistema econômico e evoluiu para beneficiar a classe dominante ao longo dos séculos. Essas falhas, entretanto, foram expurgadas do discurso econômico.

Falha 1. A propriedade privada sobre terra, recursos e outros bens comuns (como a água, o espectro de rádio, genes, natureza e conhecimento), recursos naturais (ou Deus), cujo valor é comunitariamente criado. Esse valor deveria ser compartilhado para o bem de todos.

Falha 2. A cobrança de juros não gera riqueza, mas sistemicamente impulsiona a desigualdade, a destruição do meio ambiente, conflito e um crescimento exponencial e insustentável da dívida. A dívida deveria ser inaplicável pela lei e a usura (empréstimo de dinheiro a juros) ilegal. A dívida deveria ser destinada mais à construção da teia social do que facilitar a extração de riqueza, a exploração e a opressão.

Falha 3. O aumento da mecanização e da tecnologia tornou o pleno emprego inatingível, desnecessário e indesejável. Os meios para a vida não podem ser condicionado ao emprego remunerado, mas é um direito de todos e deve ser prestado sob a forma de um dividendo suficiente para uma vida digna aos cidadãos incondicionalmente

A COPA DAS COPAS – por dilma rousseff – Presidente do Brasil / Brasilia.df

Artigo de opinião de Dilma Rousseff: “A Copa das Copas”

08 JUN 2014 – 09:20 

 

"É o momento da grande festa internacional do esporte.  É também o momento de celebrarmos, graças ao futebol, os valores da competição leal e da convivência pacífica entre os povos", diz a presidente Dilma Rousseff, em artigo publicado neste domingo na imprensa internacional; no texto, a presidente caracteriza as manifestações como reflexo de uma democracia pujante; "Somos também um país que, embora tenha passado há poucas décadas por uma ditadura, tem hoje uma democracia vibrante. Desfrutamos da mais absoluta liberdade e convivemos harmonicamente com manifestações populares e reivindicações, as quais nos ajudam a aperfeiçoar cada vez mais nossas instituições democráticas"; leia a íntegra do texto que pede uma "Copa pela paz e contra o racismo".

A Copa das Copas

Dilma Rousseff*

A partir desta quinta-feira, os olhos e os corações do mundo estarão voltados para o Brasil. Trinta e duas seleções, representando o melhor do futebol mundial, estarão disputando a Copa do Mundo, a competição que de quatro em quatro anos transforma a todos nós em torcedores.

É o momento da grande festa internacional do esporte. É também o momento de celebrarmos, graças ao futebol, os valores da competição leal e da convivência pacífica entre os povos. É a oportunidade de revigoramos os valores humanistas de Pierre de Coubertin. Os valores da paz, da concórdia e da tolerância.

A “Copa das Copas”, como carinhosamente a batizamos, será também a Copa pela paz e contra o racismo, a Copa pela inclusão e contra todas as formas de preconceito, a Copa da tolerância, da diversidade, do diálogo, do entendimento e da sustentabilidade.

Organizar a Copa das Copas é motivo de orgulho para os brasileiros. Fora e dentro de campo, estaremos unidos e dedicados a oferecer um grande espetáculo. Durante um mês, os visitantes que estiverem em nosso país poderão constatar que o Brasil vive hoje uma democracia madura e pujante.

O país promoveu, nos últimos doze anos, um dos mais exitosos processos de distribuição de renda, aumento do nível de emprego e inclusão social do mundo. Reduzimos a desigualdade em níveis impressionantes, elevando, em uma década, à classe média 42 milhões de pessoas e retirando da miséria 36 milhões de brasileiros.

Somos também um país que, embora tenha passado há poucas décadas por uma ditadura, tem hoje uma democracia vibrante. Desfrutamos da mais absoluta liberdade e convivemos harmonicamente com manifestações populares e reivindicações, as quais nos ajudam a aperfeiçoar cada vez mais nossas instituições democráticas.

Em todas as 12 cidades-sedes da Copa, os visitantes poderão conviver com um povo alegre, generoso e hospitaleiro. Somos o país da música, das belezas naturais, da diversidade cultural, da harmonia étnica e religiosa, do respeito ao meio ambiente.

De fato, o futebol nasceu na Inglaterra. Nós gostamos de pensar que foi no Brasil que fez sua moradia. Foi aqui que nasceu Pelé, Garrincha, Didi e tantos craques que encantaram milhões de pessoas pelo mundo. Quando a Copa volta ao Brasil depois de 64 anos é como se o futebol estivesse de volta para a sua casa.

Somos o País do Futebol pelo glorioso histórico de cinco campeonatos e pela paixão que cada brasileiro dedica ao seu clube, aos seus ídolos e a sua seleção. O amor do nosso povo por esse esporte já se tornou uma das características de nossa identidade nacional. Para nós o futebol é uma celebração da vida.

Em nome de 201 milhões de brasileiras e brasileiros, estendo as boas-vindas aos torcedores da França e a todos os visitantes que vierem ao Brasil compartilhar conosco a “Copa das Copas”.

*Dilma Rousseff é presidenta da República Federativa do Brasil.

25 de maio, 2014 – por jorge lescano / são paulo.sp

25 de maio, 2014

Do outro lado do vidro, batia de leve o chuvisco de inverno. Ele fazia algumas pausas na leitura para apreciar melhor aquele som miúdo, música de câmara se comparado com as tempestades de verão, ribombantes, texturadas por fachos de luz iridescente, raios e trovões numa sinfonia romântica.

Desfrutava a leitura de modo diverso. Não procurava o final do relato, ao contrário, saboreava cada frase como um fruto isolado numa árvore carregada de frutas suculentas, douradas, aromáticas.

O resfriado obrigava-o a permanecer quase imóvel e bem agasalhado. Cobria as pernas com uma manta felpuda e bebia seu chá com prazer ostensivo, como se alguém estivesse presenciando a cena; melhor, como se ele estivesse representando para alguém invisível.

Contra seu hábito, lia um relato atrás de outro, como se todos eles formassem uma história única. Até a monotonia da tarde de domingo contribuía para saturar o clima de paz. Uma paz que raramente sentia.

Sentia-se na sua mítica Noruega, terra de trolls, criaturas dos bosques sombrios, de Ibsen, de Munch, de Grieg…, e de Peer Gynt!

Contemplou a capa do livro onde uma borboleta temporã adejava sutilmente, lembrando uma paixão do autor. Nabokov, apesar de redondamente russonário, era um grande escritor. Reconhecia que as sensações daquele momento eram em grande parte produto dos seus relatos.

Lembrou-se de uma tarde de cinquenta anos antes. Tinha ido visitar de improviso um amigo croata que morava na estação terminal de uma linha férrea. Depois daquela paragem era o deserto. Chovia molemente, Dentro da casa havia um aconchego de cobre salpicado pela luz de uma lamparina. Ele olhou pela pequena janela da sala enfeitada com uma modesta cortina estampada com pequenas flores e viu a chuva caindo no quintal de terra onde algum matinho balançava quando as gotas pousavam nele. Sentiu o calor do ambiente matizado pelo sotaque da mãe do seu amigo, que se afanava para servir chá e bolinhos e vodka.

Estou numa aldeia russa, pensou, numa isbá da estepe.

Um sentimento de gratidão o invadiu.

Bebeu mais um gole de chá, não queria estragar a sua sensação com qualquer comentário.

AS ELEIÇÕES E AS CARTOMANTES – poe wanderley guilherme dos santos / são paulo.sp

AS ELEIÇÕES E AS CARTOMANTES

Há quem morra acreditando que o fim do mundo está próximo. E há quem viva crente de que será o beneficiário de riquezas inesperadas, conquistas inauditas.

Cartomantes, videntes, intérpretes de pesquisas eleitorais e, muito especialmente, editorialistas e colunistas muito mais especialmente ainda, não são interpelados sobre a inexatidão dos prognósticos e profecias com que assustam ou embriagam seus clientes. Certo, vez por outra recebem leves críticas pelo fiasco das previsões, sem serem acionados por charlatanice ou falsidade ideológica. E a maioria dos viciados volta a procurar todos, e todas, sempre que temem o futuro.

Convenhamos, é coisa de enorme fragilidade emocional acreditar que o que lhe está desde já reservado, caso existisse de fato, se revela na manipulação matreira de valetes de copas, azes de espada e as cobiçadas damas de alcova, quero dizer, damas de outros, ou melhor, damas de ouros. Há modos de entender o fenômeno sem a necessidade de convocar entidades sub metafísicas ou supra psicanalíticas.

Há pouco, boatos de nobre origem alimentaram a expectativa de que os computadores iriam desarranjar-se sem conserto com a passagem do século. De 1999 para 2000 ou deste para 2001, contudo, nada aconteceu. E nessa dúvida cronológica já se encontra metade dos subterfúgios com que fracassados profetas justificam o escandaloso vexame, a saber: a volubilidade do tempo e a pobreza dos calendários. Esse negócio de contar o tempo não é fácil, como se comprova por consulta ao Google ou à Wikipédia. Papas e imperadores sempre desejaram aprisionar em métricas comedidas aquelas anomalias da natureza disfarçadas de micro milionésimos de segundos ou minutos e que, quando menos se espera, viraram algumas horas, dia até, ocasionando “bolos” históricos e rupturas matrimoniais. Calendários ditos Julianos, Gregorianos, lunares, sub-lunares, solares, maias e astecas, é vasta a oferta do modo de contar o tempo. Steven J. Gould, em Questioning the Millenium, faz erudita e bem humorada recensão de todas as tentativas.

Pois é ao caráter fugidio do tempo que os profetas apelam para justificar a decepção de suas apostas. Tratar-se-ia de erro de contagem nas mensagens cifradas das cartas, nuvens, borras de café, vísceras de aves e teclados de computador. Quem sabe o 1 era 2 e o 2, 3, e o dia do Juízo Final dos computadores se dará na passagem do ano de 2 999 para 3 000? Isso, claro, se o mundo não for destruído, antes, por herético conciliábulo entre reis, rainhas, damas e valetes de heterogêneo e pecaminoso conjunto de naipes.

Ao explicar o normal andar dos dias oposto aos reboliços prometidos por mais cuidadosa leitura do tempo, preservam a suposta dádiva da antevisão e a reputação do visionário, culpando os cosmólogos por não traduzirem corretamente os indícios emitidos pelo movimento e duração dos astros (Ponho aqui “indício” de caso pensado, termo tornado célebre por juízes e repórteres ao tomá-lo, tal como as cartomantes, por equivalente a “evidência”. Nos tempos que correm, conforme o calendário Juliano ou Gregoriano, não importa, indício quer dizer evidência, ou não, só quando convém, é evidente). No caso, defendem-se os catastrofistas com a desculpa de que os indícios não apontavam para evidências e, portanto, a data anunciada ficou comprometida. Pena só se ter tomado ciência disso depois de queda nas bolsas, suicídios antecipados e uísques tomados por conta. No próximo fim de mundo, ou de governo, asseguram, não falharão.

A outra muleta de profetas do não acontecer chama-se, petulantemente, dissonância cognitiva. Trocada em miúdos, a dissonância do mal arrumado profeta refere-se ao óbvio descompasso entre o que ele vê e o mundo real dos paralelepípedos e procissões religiosas. Se cismar de perceber nestas últimas a obscenidade de ritos pagãos não há santo que os persuada do contrário.

Cantochões tomados por convites à devassidão, paramentos anunciando a variedade de strip-tease que será apresentada, e por aí vai. Em suma, reinterpreta-se o mundo para fazê-lo conferir com a pretensa cognição. Nas seitas milenaristas, que anunciam o fim dos tempos, quando a desculpa não é o calendário que teria sido mal composto, é a dissonância cognitiva, isto é, os sinais ainda não teriam atingido sua forma derradeira e estaríamos ainda às vésperas dos grandes acontecimentos.

Há quem morra acreditando que o fim do mundo está próximo. E há quem viva crente de que será o beneficiário de riquezas inesperadas, conquistas inauditas e glórias, e poder, prestígio e pesquisas. Andaço muito comum em períodos eleitorais, levando os fiéis a permanente romaria entre a dissonância e o calendário. Nada a fazer além de deixar o tempo passar e só tocar no assunto no ano seguinte. A ressaca é longa.