TERRA PROMETIDA – walmor marcellino / curitiba

TERRA PROMETIDA

 

Walmor Marcellino

 

Sempre fui palestino.
Era palestino
antes de saber meu destino,
e que existiram
Nabucodonosor, Ciro
seu pai Cambises
ou seu neto Artaxerxes,
o que eles sentiram,
ou o que dizes do rito
agora dos reis a quem serves.

Sempre fui palestino,
e tempos depois abissínio,
pele negra, sangue tinto
derramado em 1935.
Fui judeu estrelado em 40
e a cada sequente ano;
depois, moreno cigano,
ditos indigitados estranhos
a qualquer núcleo humano.

Tornei-me vietnamita
numa povoação calcinada;
desde a porta de entrada
procurei defender nossa vida
com fraternidade ativa:
bombas e napalm rasantes
à morte, traçantes,
tentamos
a resistência massiva
ante o terror imperialista.

Hoje é o mesmo inimigo,
pouco distinguimos ao vê-lo,
impondo ao povo castigo
quer arrasar a Palestina.
É um amargo pesadelo.

Novas tábuas do Sinai, a sina
vem na luz starfight do céu, na
estrela de seis pontas no tanque,
vai retornando essa malsina
com todo o poderio ianque.

(Maio 2002)

 

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