Arquivos Mensais: outubro \29\UTC 2014

ONU aprova resolução que propõe fim ao bloqueio dos EUA contra Cuba

ONU aprova resolução que propõe fim ao bloqueio dos EUA contra Cuba

A suspensão do bloqueio a Cuba foi respaldada por 188 países na Assembleia Geral da ONU, que votou nesta terça-feira (28), em Nova York, a resolução “Necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro dos Estados Unidos contra Cuba”, apresentada pela 23ª vez pelo chanceler cubano Bruno Rodriguez.

Por Théa Rodrigues,

Não há nenhum indício do governo norte-americano a respeito do fim do bloqueio a Cuba.

Não há nenhum indício do governo norte-americano a respeito do fim do bloqueio a Cuba.

Apesar do apoio maciço dos países membros do organismo, novamente a resposta do governo norte-americano é negativa no sentido de acabar com a política de sanções ao país caribenho. A votação repete o resultado do ano anterior, ou seja, 188 países manifestaram-se a favor. Apenas os Estados Unidos e ISRAEL votaram pela manutenção das medidas hostis e três países se abstiveram.

Rodríguez denunciou que os danos humanos resultantes do bloqueio impostopelos Estados Unidos crescem a cada ano e é impossível calcular seu impacto. Ele reportou aos 193 representantes da ONU que “77% dos cubanos nasceram sob estas circunstâncias”.

“Nenhuma pessoa honesta, no mundo ou no Estados Unidos, poderia apoiar as devastadoras consequências de uma política proibida por muitas convenções internacionais, incluindo a de Genebra de 1948”, assinalou.

O bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto a Cuba pelos Estados Unidos se iniciou em 7 de Fevereiro de 1962. Foi convertido em lei em 1992 e em 1995. Em 1999, o presidente Bill Clinton ampliou este bloqueio comercial proibindo que as filiais estrangeiras de companhias estadunidenses de comercializar com Cuba.

“Cuba nunca renunciará a sua soberania, nem ao caminho livremente escolhido pelo seu povo para construir um socialismo mais justo e eficiente. Tampouco desistirá da busca por uma ordem internacional distinto, nem deixará de lutar pelo equilíbrio do mundo”, disse o chanceler cubano.

Isolamento de Cuba ou dos EUA?

Recentemente, um dos jornais de maior circulação no mundo, o New York Times, publicou um editorialpedindo que o presidente estadunidense, Barack Obama, “reflita seriamente” sobre “retomar asrelações diplomáticas” com Cuba.

“Seria sensato que o líder estadunidense reflita seriamente sobre Cuba, onde uma reviravolta política poderá representar um grande triunfo para seu governo”, diz um trecho do texto.

Não há nenhum indício do governo norte-americano neste sentido. Por sua vez, a movimentação de Cuba é antagônica a este posicionamento. “Convidamos o governo dos Estados Unidos a uma relação mutuamente respeitosa sobre bases recíprocas, fundamentada na igualdade soberana, nos princípios do direito internacional e na Carta das Nações Unidas”, disse o chanceler cubano perante a ONU, nesta terça-feira.

De acordo com o diplomata, a decisão de eliminar o cerco seria bem-vinda em escala mundial e resultaria em uma influência unitária a favor da paz e da solução pacífica dos conflitos e diferenças entre os dois países.

Cada vez mais, o governo norte-americano se isola em sua política imperialista, criticada até mesmo por aqueles que são contrários ao regime socialista cubano.

Celac, G77 e Países Não Alinhados apoiam o fim do bloqueio

O porta-voz da Costa Rica na ONU afirmou que as medidas unilaterais dos Estados Unidos no bloqueio imposto a Cuba afetam as negociações de empresas com o país caribenho. Nesta terça-feira (28), Juan Carlos Mendoza pediu, em nome da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que a soberania e a autodeterminação dos cubanos sejam respeitadas sem pretextos.

“A Celac deseja ratificar seu apoio à 23ª resolução sobre o fim do bloqueio”, afirmou o costarriquenho, que ressaltou a importância da suspensão desta política ao lembrar que a mesma gerou perdas inestimáveis ao povo cubano.

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Os enganados e o mentiroso – por jânio de freitas / são paulo-sp

JANIO DE FREITAS

Os enganados e o mentiroso

O que compõe a disputa eleitoral de hoje são as representações da continuada divisão do país

O Brasil não fica dividido em razão da disputa eleitoral equilibrada, ou que assim aparenta nas pesquisas. Por um simples e persistente motivo: o Brasil É dividido. Desde que se tornou país.

A ideia de que o Brasil se divide agora é uma visão enquadrada no PRESENTE. Para não irmos mais longe, no conveniente olhar retroativo, a Revolução de 1930 foi a reação dos alijados na divisão que contrapunha a riqueza dominada por São Paulo-Minas ao restante do país.

O getulismo, que ali se originou e perdurou até 1964, manifestou de duas maneiras a continuidade da divisão. Uma, por si mesmo, como ditadura, depois quando reposto no predomínio político por eleição do próprio Getúlio e, mais tarde, no governo João Goulart; a outra, na reação que precisou encarar. Nesse embate, a semelhança de forças, entre as duas partes da divisão, resultou na instabilidade institucional e política como longa norma brasileira.

O golpe de 64 foi efeito da divisão entre as forças do conservadorismo e as que clamavam por acesso a mais direitos e alguns bens, por meio das reformas chamadas de estruturais nos anos 50 e de base nas reivindicações mais intensas e extensas do governo Jango. Os militares da ditadura jogaram no lixo da estupidez, mental e física, a oportunidade de atenuar a divisão. Silenciaram-na, apenas, à força contra a parte carente e, quanto à segunda, prestando-lhe os serviços desejados.

Com outra fisionomia, como por efeito de uma plástica, e como se deu nas eleições pós-ditadura militar, o que compõe a disputa eleitoral de hoje são as representações da continuada divisão do país. Com as respectivas bandeiras de políticas convenientes ao capital e políticas de redução das desigualdades entre as classes que distinguem os brasileiros.

São partes inconciliáveis. Quem fala em unidade como tarefa do novo período presidencial ainda não percebeu nem a divisão pregressa do país. O máximo que as partes da divisão podem aproximar-se foi o que testemunhamos a partir do primeiro mandato de Lula. Período em que os possuidores da riqueza puderam multiplicá-la, graças ao governo, e as classes da parte de baixo da pirâmide social tiveram oportunidade de EMPREGO, aumento do valor salarial e outros ganhos, e algumas melhorias importantes nas condições de vida.

Enganam-se muito os que imaginam divisão surgida no PRESENTE e unidade a ser conseguida no futuro perceptível.

NA FRAUDE

A última investida originada na imprensa para interferir na disputa eleitoral –última, bem entendido, até a hora em que escrevo– é feita com o nome do doleiro Alberto Youssef, com abuso do condicional (“teria dito”, “teria feito”), com um hipotético delegado sem nome e com um tal depoimento de cujo teor nem o advogado do depoente ouviu falar.

Dado apenas como doleiro, Alberto Youssef é mentiroso profissional. E negócio são importações mentirosas para exportar dólares como pagamentos. Sua atual busca de delação premiada, em troca de liberdade apesar de criminoso confesso e comprovado, não é a primeira. Voltou a ser preso, há seis meses, porque, desfrutando de liberdade concedida pela Justiça como PRÊMIO por antigas delações, dedicou-se aos mesmos crimes que se comprometera a não repetir. A delação premiada e o acordo com um juiz foram ambos mentirosos.

A investida e seus instrumentos são componentes que se mostram, como em outras eleições, da velha divisão do país.