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Gal. Amauri Kruel TRAIU JANGO POR 6 MALAS DE DÓLARES em 1964- quem afirma é o Major MOREIRA que presenciou a entrega

 

Major Moreira conta a João Vicente que Kruel aderiu ao Golpe uma hora e meia depois

 

 

João Vicente Goulart, filho de Jango, e Veronica Fialho gravaram em vídeo o depoimento do Major do Exército Erimá Pinheiro Moreira, que testemunhou como o Comandante do II Exército, em São Paulo, Amaury Kruel traiu Jango no Golpe de 1964, por seis malas cheias de dólares, em nota novinhas, sacadas de um banco americano.

Será o Citibank ?

O Boston ?

O Chase, que, no Brasil, operava de mano com a CIA – e a Editora Abril ?

Será o Banco da América, do udenista e Golpista de 64, Herbert Levy, que, depois, deu origem ao Itau-América ?

E o Itau, que, até hoje está onde sempre esteve …

Sempre se suspeitou que a traição de Kruel, amigo e compadre de Jango, tinha cheiro de suborno.

Kruel foi o Pinochet do Jango – por um punhado de dólares.

É o que demonstra esse depoimento histórico do Major Moreira.

Como se sabe, o Historialismo – não é História nem Jornalismo – brasileiro assegura que Jango caiu porque gostava de pernas – de moças e de cavalos.

E que o Golpe foi preventivo, já que Jango ia dar um Golpe.

O “Golpe” do Jango é o Grampo-sem-Áudio – I.

Como se sabe, o Historialismo assegura que Geisel e Golbery deram o Golpe para salvar a Democracia e, depois, resolveram recriá-la.

O depoimento do Major Moreira comprava o que, cada vez fica mais claro.

(Clique aqui para ler sobre o documentário “O Dossiê Jango” e aqui para ler sobre o documentário de Camilo Tavares.)

O papel dos dólares na queda de Jango.

A FIESP – a mesma do PIB da Tortura – foi o trem pagador.

Um desses notáveis historialistas, colonista (*) da Folha (**) e do Globo Overseas, cita neste domingo editorial do New York Times – como se fosse a Bíblia – de 3 de abril de 1964, onde Jango é tratado de “incompetente”e “irresponsável”.

Uma dos indícios da “incompetência” do New York Times, por exemplo, é a cobertura que faz do Brasil.

Parcial, partidária, superficial e pigal (***).

Foi o jornal que disse que o Lula não podia governar porque era um alcoólatra.

O mesmo que assegurou que havia “armas de destruição em massa” no Iraque.

Eis o video com a entrevista, que também será postada no site do Instituto João Goulart:

 

O Conversa Afiada reproduz artigo de Mário Augusto Jakobskind sobre o depoimento:

 

QUANDO DÓLARES FALAM MAIS ALTO

Engana-se quem pensa que já se conhecem todos os fatos relacionados com o golpe civil militar de 1964 que derrubou o Presidente constitucional João Goulart. Nos últimos meses, graças ao trabalho das Comissões da Verdade, sejam estaduais ou a Nacional, muito fato novo vem sendo divulgado.

Mas um fato desta semana, protagonizado por João Vicente Goulart, ao ouvir uma denúncia do então Major do Exército Erimá Pinheiro Moreira, poderá mudar o entendimento de muita gente sobre a ocorrência  mais negativa da história recente brasileira. O alerta tem endereço certo, ou seja, aqueles que ainda imaginam terem os golpistas civis e militares agido por idealismo ou algo do gênero.

O Major farmacêutico em questão, hoje anistiado como Coronel, servia em São Paulo em 31 de março de 1964 sob as ordens do então comandante II Exército, General Amaury Kruel (foto).  Na manhã daquele dia, Kruel dizia em alto e bom som que resistiria aos golpistas, mas em pouco tempo mudou de posição. E qual foi o motivo de o general, que era amigo do Presidente Jango Goulart, ter mudado de posição assim tão de repente, não mais que de repente?

Mineiro de Alvinópolis, Erimá Moreira, hoje com 94 anos, e há muito com o fato ocorrido naquele dia trágico atravessado na garganta, decidiu contar em detalhes o que aconteceu. O militar, que era também proprietário de um laboratório farmacêutico e posteriormente convidado a assumir a direção de um hospital, foi procurado por Kruel no hospital. Naquele encontro, o general garantiu ao major que Jango não seria derrubado e que o II Exército garantiria a vida do Presidente da República.

Pois bem, as 2 da tarde Erimá foi procurado por um emissário de Kruel de nome Ascoli de Oliveira dizendo que o general queria se reunir com um pessoal fora das dependências do II Exército. Erimá indicou então o espaço do laboratório localizado na esquina da Avenida Aclimação, local que hoje é a sede de uma escola particular de São Paulo. Pouco tempo depois apareceu o próprio comandante do II Exército, que antes de se dirigir a uma sala onde receberia os visitantes pediu ao então major que aguardasse a chegada do grupo.

Erimá Moreira ficou aguardando até que apareceram quatro pessoas, um deles o presidente interino da Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP), de nome Raphael de Souza Noschese, este já conhecido do major. Três dos visitantes carregavam duas maletas grandes cada um. Erimá, por questão de segurança, porque temia que pudessem estar carregando explosivos ou armas, mandou abrir as maletas e viu uma grande quantidade de notas de dólares. Terminada a reunião foi pedida que a equipe do major levasse as maletas até o porta-malas do carro de Amaury Kruel, o que foi feito.

De manhã cedo, por volta das 6,30 da manhã, Erimá Moreira conta que mais ou menos uma hora e meia depois da chegada no laboratório ligou o rádio de pilha para ouvir o discurso do comandante do II Exército. Moreira disse que levou um susto quando ouviu Kruel dizer que se “o Presidente da República não demitisse os comunistas do governo ficaria ao lado da “revolução”.

Erimá Moreira então associou o que tinha acontecido no dia anterior com a mudança de postura do Kruel e falou para si mesmo: “pelo amor de Deus será que ajudei o Kruel a derrubar o Presidente da República?”

Ainda ouvindo o discurso de Kruel, conta Erimá, chegaram uns praças para avisar que tinha uma reunião marcada com o general no QG do II Exército.

Na reunião, vários militares, alguns comandantes de unidades, eram perguntados se apoiavam Kruel. “Eu não aceitei e pedi para ser transferido”.

Indignado, Erimá Moreira dirigiu-se a um coronel do staff do comandante do II Exército para perguntar se o general Kruel não tinha recebido todo aquele dinheiro para garantir a vida do Presidente. “Me transfiram daqui, que com o Kruel no comando eu não fico”.

“Aí então – prossegue Erimá Moreira – me colocaram de férias para eu esfriar a cabeça. Na volta das férias, depois de um mês, fiquei sabendo pelo jornal que o Kruel havia me cassado”.

A partir de então o Major e a família passaram maus momentos com os vizinhos dizendo à minha mulher que era casada com um comunista. “Naquela época, quem fosse preso ou cassado era considerado comunista”.

“Algum tempo depois contei esta história que estou contando agora ao General Carlos Luis Guedes, meu amigo desde quando servimos em unidades militares em São João del Rey. Fiz um relatório por escrito e com firma reconhecida. O General Guedes tirou xerox e levou o relato para a mesa do Kruel. Em menos de 24 horas o Kruel pediu para ira para a Reserva. Fiquei sabendo que com o milhão de dólares que recebeu do governo dos Estados Unidos comprou duas fazendas na Bahia”.

Ao finalizar o relato, o hoje Coronel Erimá Moreira mostrou-se aliviado e ao ser perguntado se autorizava a divulgação desse depoimento, ele respondeu que “não tinha problema nenhum”.

Nesse sentido, sugerimos aos editores de todas as mídias que procurem o Coronel Erimá Pinheiro Moreira para ouvir dele próprio o que foi contado neste espaço. Sugerimos em especial aos editores de O Globo, periódico que recentemente fez uma autocrítica por ter apoiado o golpe de 64, que elaborem matéria com o militar que reside em São Paulo.

CHICO CARUSO: As reações contra a sua charge sobre a tragédia de Santa Maria/RS

 

publicado em 28 de janeiro de 2013 às 14:32

Gilson Caroni Filho, no Facebook

Esta é a charge da primeira página de hoje de O Globo. Uma total afronta aos mortos e ao sentimento de seus parentes e amigos. Para travar a luta política, o jornal da família Marinho não faz humor; produz escárnio, ódio, desrespeito. Quem é pior? O jornal que publica ou o chargista que se dispõe a fazer o serviço sujo? Se você tem assinatura desse pasquim de direita, cancele. Se o compra nas bancas, deixe de fazê-lo. Amigos, não houve falhas ou gafes. A ” gracinha” do Caruso é a ilustração da linha editorial do jornalismo de esgoto.

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Rudá Ricci, em seu blog

Será que qualquer discussão política em nosso país tem que vir acompanhada deste infantilismo bestial? Não dá para elevar um pouco o nível, até atingir o nível da humanidade?

Cancelei minha assinatura do jornal O Globo porque, nas eleições presidenciais, os editores transformaram o jornal num panfleto eleitoral. Liguei informando (sei que foi ingênuo, mas meu fígado pedia) o motivo: se for para contribuir com alguma campanha, faço doação direta, sem intermediários. Vejo que a opinião de um assinante conta pouco, hoje, na trilha da difamação a qualquer custo, com ares de crítica. Não dá. É o abandono de tudo o que parece mais caro à quem tem alma. Mesmo para aqueles que desprezam ou nem sabem que têm alma.

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Renato Rovai, em seu blog

Esse jornalismo urubu perdeu completamente a capacidade de enxergar limites e de buscar alguma razoabilidade para a sua ação. Vale tudo para agradar aos que lhes pagam o soldo. Vale tudo para construir um discurso de ódio contra as posições políticas das quais não compartilham. Sinceramente, achei que só no limbo dos comentários anônimos fosse possível encontrar algo do nível desta charge do Chico Caruso publicada por Noblat. Sou um ingênuo. Esse pessoal que já havia transformado o acidente da TAM em um evento político, quer fazer o mesmo com Santa Maria. São carniceiros que evocam o que chamam de liberdade de imprensa para esse tipo de coisa.

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Gerson Carneiro, em comentário aqui

Charge de mau gosto sobre a tragédia em Santa Maria, de autoria de Chico Caruso, publicada na seção “Humor” no blogue do Ricardo Noblat. São esses aí os que “são sempre do contra” que a Dilma falou.

REVOLUÇÃO FARROUPILHA -HOMENAGEM NÚMERO 2 – à GAUCHADA e ALAGOANOS, PERNAMBUCANOS, BAIANOS E PARAENSES – por arnaldo barbosa brandão / brasilia.df

 

Uma “nova” interpretação para a Revolução Farroupilha, menos Marx e mais Weber e Freire.

Quando penso no Rio Grande do Sul, por incrível que pareça, penso em Alagoas. Destes dois lugares, aparentemente tão díspares, saíram os homens que moldaram o Brasil moderno. Para os menos informados, basta lembrar Floriano, Hermes da Fonseca, Getúlio e Prestes, mas, se preferirem podem ficar com Corisco (que Glauber imortalizou no seu “Deus e o Diabo…”) e um certo Capitão Rodrigo Cambará(que Érico Veríssimo tornou real). Há alguma dúvida sobre os homens citados, ou preciso explicar? Podem não gostar deles, mas isso é outra história. Há dúvidas sobre a importância de Prestes? Sem a chamada “Intentona” o Brasil seria outro, porque a partir dali o exército mudou, e o exército talvez seja a mais importante das nossas instituições, qualquer tre-le-lé: chama o exército. Quando digo aparentemente dispares, me referindo a Alagoas e Rio Grande, é porque há algo em comum de grande importância: são lugares de gente áspera, basta ler os dois grandes escritores representativos destes lugares. Se vissem um gaúcho cavalgando em alta velocidade tentando capturar uma rês, como eu vi certa vez em Dom Pedrito, ou um boiadeiro alagoano rasgando a caatinga, na tentativa de garantir sua “carne de sol” cotidiana, como vi em Palmeiras dos Índios, iriam entender bem o que estou dizendo. Parece que estou ouvindo alguém dizer: “não é mais assim”. Entendo.
Dizem que a Revolução Farroupilha tem a ver com Carne de Sol, ou de Charque. Eu, como baiano não aceito uma explicação simplista desta, isso é reduzir a heroica Guerra do Farrapos a “pó de traque”. Não aceito. Seria reduzir o Rio Grande a um digamos, Goiás, que alguém divide ao meio e ninguém fala nada. Primeiro porque nunca acho que as coisas são simples e se forem, trato de torná-las complicadas. Quem me explicou há muito tempo, em 1985, como funcionava a produção e exportação de charque, foi o Roberto Cavalcanti, até então imaginava que a carne de sol era coisa nascida e criada no Nordeste e sequer supunha que um nordestino transferiu a tecnologia para os gaúchos que passaram a dominar a produção. Nunca soube que exportavam charque há tanto tempo e pra tão longe, e que o produto representava tanto para a economia do Rio Grande. Pois bem, é comum que os historiadores afirmem, com certa convicção, que a causa da revolução farroupilha foi a entrada do charque argentino e Uruguaio no Brasil, tirando o mercado dos estancieiros gaúchos, e que a revolução interessava apenas aos estancieiros. É uma explicação excessivamente materialista, coisa do pessoal que reza pela bíblia marxista, e não condiz com as tradições gaúchas, nem baianas, nem pernambucanas, vou explicar por quê.
Quem dera que as coisas fossem assim tão simples. Se assim fosse, a Revolução dos Farrapos não teria levado 10 anos, não teria mobilizado tanta gente e tampouco alcançaria a extensão territorial que alcançou. Ocorre que a Região Sul do Brasil sempre foi instável sob o ponto de vista político e militar, devido a muitos fatores, entre os quais, a formação política do Rio Grande (que só recentemente, com Júlio de Castilhos e Borges de Medeiros, tornou-se um estado da Federação, de fato), a questão do Uruguai (criação da Província Cisplatina que mexeu com o Rio Grande), a Guerra do Paraguai, que contou com 1/4 de soldados do Rio Grande e portanto mobilizou militarmente o Estado, isto sem mencionar os problemas do Brasil com a Argentina, que é um país instável e beligerante desde sua criação. Vou contar um segredinho pra vocês: quando estive na ESG em 85, soube que a ordem de Guerra nº 1 do Brasil era contra a Argentina. Sabem o que isso significava? Nosso principal inimigo não eram os ingleses ou americanos como os intelectuais marxistas achavam, eram os argentinos e isso implicava que nossa “máquina de guerra” estava virada para o Sul o tempo todo, pra invadir a Argentina. Daí veio o Mercosul que matou vários coelhos(melhorou a economia do Sul, integrou a Argentina, etc.) e antes, veio Itaipu que nos vinculou ao Paraguai para o bem ou para o mal, mais para o bem. E, devido às circunstâncias, nós deveríamos pagar muito bem ao Paraguai pela energia, porque como todos sabemos desde o Beira-Rio até o Maracanã, não dá pra confiar nos portenhos.
Daí quando o Grêmio ou Internacional joga contra o Penarol ou o Boca, o pau quebra. Por que? São povos belicosos. Coloque no caldeirão: cavalos (a verdadeira felicidade está no coração das mulheres e no lombo dos cavalos, sei que a maioria dos meus leitores jamais montou, a não ser nos parquinhos, portanto, não têm a menor ideia), sangue espanhol, distância de centros civilizados, desleixo do governo central, clima hostil (frio infernal e calor infernal), deixe cozinhar ao sol e veja o resultado. Mas ainda não chegamos na questão central das causas da Guerra dos Farrapos, e ela pode ser resumida numa palavra, e que palavra, vão saber daqui a pouco.
Em 1985, fui assistir uma palestra do Gilberto Freire na casa dele em Apipucos, no Recife, onde tomei um licor de pitanga do quintal. Estava arrastando os pés, mas lúcido como sempre. Anotei várias coisas, uma delas nunca tinha cogitado. Ele disse textualmente: “Nordeste faz fronteira com a África”. Fronteira? Pois é, recente, lendo os livros do Costa e Silva é que fui entender bem, mas já desconfiava (“eu quase não sei de nada, mas desconfio de muita coisa”). Pois é, meus amigos, FRONTEIRA é uma palavra muito complexa. Na Fronteira (como vocês devem ter notado no texto anterior que publiquei aqui), você tem que estar preparado pra o que der e vier. E lá no Sul são três. Por isso, os gaúchos, assim como os nordestinos, assim como os paraenses, são tão briguentos, ou melhor, beligerantes. Se não tem ninguém pra brigar, brigam contra eles mesmos. Lembrem-se da Revolução Federalista, foram mais de 10 mil mortos, isso no final do século XIX.
Todos sabemos que o Rio Grande sempre teve uma tradição separatista, que diferentemente dos pernambucanos, baianos, maranhenses e paraenses, era mais fácil de ser insuflada, seja pela geografia, pela cultura, e até pela língua (lembrei do Dicionário Farroupilha do Vidal) e sobretudo pela beligerância e também, porque não, pelo caráter fanfarrão, que depois, a migração europeia tratou de acalmar. Lembro sempre da história do gaúcho que se afogava no Guaíba e berrou: “sai da frente Guaíba, senão te engulo todo”.
Voltando à Guerra dos Farrapos, seria mais pertinente dizer que houve um conjunto de causas, não saberia dizer qual a mais importante (ou estrutural, concedendo alguma coisa à Marx), contudo é bom considerar que o Brasil viveu o “período regencial”, quando o poder central estava enfraquecido e o exército fraturado por facções, dai a ocorrência, não somente da Revolução Farroupilha, mas também da Sabinada, Balaiada, Cabanagem, Revolta dos Malês, etc. Vejam que, quando o país se reorganizou, Caxias foi lá e acabou com o bafafá. É, meus amigos, quando até baiano faz revolução é porque a coisa estava esculhambada, mas isso não é novidade.

LUIS ANTONIO PAGOT: Serra, Kassab, Alckmin, PSDB, PT e DEM pressionavam DNIT a doar recursos para as campanhas – vergonha nacional / são paulo.sp

Em entrevista, ex-diretor do DNIT acusa PSDB, PT e DEM de buscar recursos de campanha no órgão dos Transportes


O ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT) Luiz Antonio Pagot acusou políticos de PSDB, PT e DEM de buscar dinheiro no órgão ligado ao Ministério dos Transportes para pagar dívidas de campanha e fazer caixa 2.

Segundo a revista Istoé, Pagot se sentiu pressionado a aprovar aditivos ilegais no valor de R$ 260 milhões ao trecho sul do Rodoanel. Serra qualificou as declarações do ex-diretor do DNIT como “calúnia pré-eleitoral aloprada”.

Pagot afirmou ainda que o governo do então governador tucano teria usado a obra para  abastecer um suposto caixa 2 da campanha à Presidência da República em 2010. “Veio procurador de empreiteira me avisar: ‘Você tem que se prevenir, tem 8% entrando lá.’ Era 60% para o Serra, 20% para o Kassab e 20% para o Alckmin”, disse.

“Todos os empreiteiros do Brasil sabiam que o Rodoanel financiava a campanha do Serra”, revelou. “Teve uma reunião no DNIT. O Paulo Preto (diretor da Dersa) apresentou a fatura de R$ 260 milhões. Não aceitei e começaram as pressões.”

O diretório estadual do PSDB divulgou uma nota em que defende o governador Geraldo Alckmin das acusações de receber um porcentagem do caixa 2 das obras do Rodoanel Sul.”A matéria da Istoé é caluniosa. As campanhas eleitorais do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do pré-candidato à Prefeitura, José Serra, sempre contaram com doações declaradas à Justiça Eleitoral.”.

O ex-diretor do DNIT disse à Istoé que passou a receber telefonemas constantes, não só de Paulo Preto, mas do deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), do ministro Alfredo Nascimento e de seu secretário-executivo, hoje ministro Paulo Sérgio Passos. Mais tarde, o TCU autorizou a Dersa a assinar um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), condicionando novos aditivos à autorização prévia do tribunal e do Ministério Público. Pagot recorreu à Advocacia-Geral da União, que em parecer, ao qual a Istoé teve acesso, o liberou de assinar o documento.

“Aquele convênio tinha um porcentual ali que era para a campanha. Todos os empreiteiros do Brasil sabiam que essa obra financiava a campanha do Serra”, disse. De acordo com o TSE, o comitê de Serra e do PSDB receberam das empreiteiras que atuaram no trecho sul do Rodoanel quase R$ 40 milhões.

Caso Cachoeira. Ainda segundo a revista, Pagot também disse que o senador Demóstenes Torres (sem partido, ex-DEM) foi buscar no órgão fundos para quitar dívidas de campanha com a Delta Construções, através de acordos com a construtora.

Demóstenes teria chamado Pagot para uma conversa privada, durante a qual disse que estava com dívidas com a Delta e que precisava “carimbar alguma obra para poder retribuir o favor” que a construtora fez para ele na campanha.

Pagot disse que não cedeu à pressão de Serra e Demóstenes. No entanto, ele confessou ter aceito a solicitação do tesoureiro da campanha do PT, deputado José De Filippi (SP), que durante as eleições de 2010, pediu para ele arrecadar recursos junto às empreiteiras ligadas ao DNIT. “Cada um doou o que quis. Algumas enviavam cópia do boleto para mim e eu remetia para o Filippi. Outras diziam ‘depositamos’”, afirmou. As doações teriam sido feitas pelas vias legais, segundo o ex-diretor.

Na entrevista, Pagot identificou na prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral ao menos 15 empresas que abasteceram a campanha do PT a pedido seu: Carioca Engenharia, Concremat, Construcap, Barbosa Mello, Ferreira Guedes, Triunfo, CR Almeida, Egesa, Fidens, Trier, Via Engenharia, Central do Brasil, Lorentz, Sath Construções e STE Engenharia.

Pagot também acusou a ministra da Relações Institucionais, Ideli Salvatti, de ter pedido ajuda na arrecadação de recursos de campanha em 2010, quando foi candidata a governadora de Santa Catarina. “Ela queria que eu chamasse as empreiteiras e pedisse para pôr dinheiro na campanha dela”, afirma. Como se negou a ajudá-la, Pagot acha que Ideli ficou ressentida e passou a miná-lo quando chegou ao Planalto.

Outro lado. Em nota divulgada à tarde, a assessoria de Serra apresentou a resposta do ex-governador à reportagem da Istoé, na qual ele rechaça as acusações de Pagot. “Trata-se de uma calúnia pré-eleitoral aloprada. A acusação é absolutamente inconsistente e a credibilidade dos envolvidos é zero. Tomaremos as medidas judiciais cabíveis”, disse o tucano.

A declaração oficial do PSDB critica, ainda, o fato dos tucanos não terem sido procurados, ao contrário de petistas citados na matéria. “A revista sequer respeitou os princípios éticos do bom jornalismo uma vez que nem Alckmin nem Serra foram procurados pela reportagem, ao contrário de um grupo seleto de personagens nela citados. Com esse procedimento abominável, a Istoé deixou que prosperassem mentiras ditas pelo Sr. Luiz Antônio Pagot baseadas em algo que ele teria ouvido de um “procurador de empreiteira” cujo nome ele nem menciona.”

Segundo a assessoria do prefeito Gilberto Kassab (PSD), a “acusação é improcedente e mentirosa. Portanto serão adotadas as medidas jurídicas cabíveis diante dessa irresponsável calunia”.

Filippi foi ouvido pela Istoé e admitiu ter se reunido com Pagot durante a eleição, mas negou ter recebido boletos dos depósitos de campanha do ex-diretor do DNIT. “A conversa tratou da proposta de Pagot de a campanha receber três aviões do Blairo Maggi”, disse Filippi. “Num segundo encontro, depois da eleição de Dilma, ficou acertado que Pagot buscaria recursos para saldar dívidas da campanha eleitoral.” Por meio de nota, Ideli negou que tenha recorrido a Pagot para solicitar recursos.

O ex-diretor do DNIT também conversou com a revista Época. Nessa entrevista, Pagot deu mais detalhes sobre a ajuda ao PT. Ele disse que, após a conversa com Filippi, reuniu-se com sindicatos de empresas da construção civil e representantes da Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias (Aneor). “Fui um colaborador espontâneo”, afirmou. Ele disse que Fillipi recebia boletos de depósitos de empreiteiras que se dispuseram a fazer doações para a campanha.

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Estadão.com.br – Atualizada às 21h16

Gilmar não é o Supremo – por mauro santayana /são paulo.sp

Engana-se o Sr. Gilmar Mendes, quando denuncia uma articulação conspiratória contra o Supremo Tribunal Federal, nas suspeitas correntes de que ele, Gilmar, se encontra envolvido nas penumbrosas relações do Senador Demóstenes Torres com o crime organizado em Goiás.
A articulação conspiratória contra o Supremo partiu de Fernando Henrique Cardoso, quando indicou o seu nome para o mais alto tribunal da República ao Senado Federal, e usou de todo o rolo compressor do Poder Executivo, a fim de obter a aprovação. Registre-se que houve 15 manifestações contrárias, a mais elevada rejeição em votações para o STF nos anais do Senado.
Com todo o respeito pelos títulos acadêmicos que o candidato ostentava – e não eram tão numerosos, nem tão importantes assim – o Sr. Gilmar Mendes não trazia, de sua experiência de vida, recomendações maiores. Servira ao Sr. Fernando Collor, na Secretaria da Presidência, e talvez não tenha tido tempo, ou interesse, de advertir o Presidente das previsíveis dificuldades que viriam do comportamento de auxiliares como P.C. Farias. Afastado do Planalto durante o mandato de Itamar, o Sr. Gilmar Mendes a ele retornou, como Advogado Geral da União de Fernando Henrique Cardoso. Com a aposentadoria do ministro Néri da Silveira, Fernando Henrique o levou ao Supremo. No mesmo dia em que foi sabatinado, o jurista Dalmo Dallari advertiu que, se Gilmar chegasse ao Supremo, estariam “correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional”. Pelo que estamos vendo, Dallari tinha toda a razão.
Gilmar, como advogado geral da União – e o fato é conhecido –, recomendara aos agentes do Poder Executivo não cumprirem determinadas ordens judiciais. Como alguém que não respeita as decisões da justiça pode integrar o mais alto tribunal do país? Basta isso para concluir que Fernando Henrique, ao nomear o Sr. Gilmar Mendes, demonstrou o seu desprezo pelo STF. O Supremo, pela maioria de seus membros, deveria ter o poder de veto em casos semelhantes.
Esse comportamento de desrespeito – vale lembrar – ocorreu também quando o Sr. Francisco Rezek renunciou ao cargo de Ministro do Supremo, a fim de se tornar Ministro de Relações Exteriores, e voltou ao alto tribunal, re-indicado pelo próprio Collor. O episódio, tal como a posterior indicação de Gilmar, trouxe constrangimento à República. Ressalve-se que os conhecimentos jurídicos de Rezek, na opinião dos especialistas, são muito maiores do que os de Gilmar. Mas se Rezek não servia como chanceler, por que deveria voltar ao cargo de juiz a que renunciara? São atos como esses, praticados pelo Poder Executivo, que atentam contra a soberania da Justiça, encarnada pelo alto tribunal.
A nação deve ignorar o esperneio do Sr. Gilmar Mendes. Ele busca a confusão, talvez com o propósito de desviar a atenção do país das revelações da CPI. O Congresso não se deve intimidar pela arrogância do Ministro, e levar a CPMI às últimas conseqüências; o STF deve julgar, como se espera, o processo conhecido como mensalão, como está previsto. Acima dos três personagens envolvidos na conversa estranha que só o Sr. Mendes confirma, lembremos o aviso latino, de que testis unus, testis nullus, está a Nação, em sua perenidade. Está o povo, em seus direitos. Está a República, em suas instituições.
O Sr. Gilmar Mendes não é o Supremo, ainda que dele faça parte. E se sua presença naquele tribunal for danosa à estabilidade republicana – sempre lembrando a forte advertência de Dallari – cabe ao Tribunal, em sua soberania, agir na defesa clara da Constituição, tomando todas as medidas exigidas. Para lembrar um autor alemão, Carl Schmitt, que Gilmar deve conhecer bem, soberano é aquele que pratica o ato necessário.

GILMAR MENDES CONDENA WAGNER MOURA / brasilia.df

The piauí Herald

  • Gilmar Mendes condena Wagner Moura

    30/05/2012 19:02 | Categoria: Brasil


    Gilmar Mendes condena Wagner Moura

    Gilmar Mendes exigiu também que Wagner Moura fizesse trabalhos vocais forçados com Susana Vieira

    NAS FAVELAS, NO SENADO – Indignado com um falsete emitido por  Wagner Moura na interpretação de A Via Láctea, o ministro Gilmar Mendes, do STF, condenou o ator a fazer uma ponta em Malhação por 6 anos. “Os gângsters da MTV organizaram essa homenagem aos bandidos da Legião  Urbana com o claro intuito de desviar o foco do julgamento do mensalão”, vociferou, em si bemol.

    Ao se deparar com outro maneirismo vocal na canção Teorema, Gilmar Mendes perdeu o controle: “Maneirismo ignorante! Coisa de gente de gente burra, de uma nota só! Vamos parar com isso! Quem precisa disso!? Eu e a música popular brasileira não precisamos desses recursos para sobreviver”. A seguir, ainda exaltado, completou: “Esse show é uma orquestração do Lula com o setores radicais da MPB para desmoralizar o Supremo”.

    Ainda fora de si, o ministro balbuciou palavras desconexas em alemão, tais como “mensalonen”, “marmeladen”, “Demostenen und Ich”. “Era uma menção ao pacto com o Demo, no Fausto, de Goethe”, explicou depois o assessor para assuntos germânicos do STF.

    Socorrido com um copo de água benta, o ministro recobrou a consciência e perguntou “Que país é esse?”. Depois, bateu palmas e, ainda pálido, comentou: “Puxa, não tocaram Faroeste Cabloco‘. É a minha predileta!”

MARIANNE MOORE, NOTA SOBRE “POETRY” – por régis bonvicino / são paulo.sp

A tradução mais recente de Augusto de Campos é a de um conhecido poema de Marianne Moore, “Poetry”. Qual a necessidade de se traduzir este poema hoje? A pergunta é pertinente, pois a tradução pode ser um caprichoso jogo intelectual ou uma importante intervenção cultural, injetando nas veias da língua de chegada a vitalidade da poesia de saída, para gerar ideias.

Marianne Moore é considerada nos EUA uma autora modernista importante. Ainda assim, não desperta o mesmo interesse de outros pares de sua geração. Sua presença histórica existe, digamos, a despeito de não ter a força de Eliot, Williams ou Stevens. Destaque-se que “Poetry” já obteve versões para o português, anteriores a esta feita por Campos, mas uma razão segura para ele traduzi-lo seria a própria qualidade da tradução. Pois, apesar de tudo, assim o repertório da língua de chegada resultaria enriquecido.

“Poetry” tem várias versões, de distintas dimensões, mas a mais conhecida é a sua redução a um terceto:

In Poetry, 1919, Marianne Moore engages directly in a debate with Tolstoy and William Butler Yeats, quoting Tolstoy’s dislike of business documents and / school-books and Yeats’s condemnation of literalists of / the imagination, before defending the roots of poetry in the literal, businesslike raw material of everyday life, her equivalent of Eliot’svariety and complexity. In its original version (1919), the poem offers a defense of poetry along the lines of Stevens’s later quest for a poem of pure reality. As she revised the poem over the years, however, Moore cut out the lists of possible subjects for poetry and condensed the poem to just its three original opening lines. The condensation represented in a sense a return to the miniature forms of imagism, but now seeming to contain the whole relation of poetry to the social world in just three lines:

I, too, dislike it: there are things that are important beyond all this fiddle.
Reading it, however, with a perfect contempt for it, one discovers in
it after all, a place for the genuine. 
[1]
Esse possível enunciado da relação da poesia com o mundo social ganha, através da redução, uma notória ironia, que marca o primeiro verso: “Eu também não gosto dela…”. Trata-se de um gesto cult afoot da explícita evocação de Baudelaire: “Hypocrite lecteur, – mon semblable, – mon frère!”. Mas o que no gigante francês era desmascaramento em Marianne Moore é um dizer sutil: “Sim, eu também não gosto dela, mas…”. Não há essemasbut, no poema – ao menos, não de modo imediato. Ele aparece um pouco adiante, na forma de howevercontudono entanto… O que confirma a ironia envolvente e fina, que faz seu giro nesse however: “I, too, dislike it. / Reading it, however…”. A concordância inicial não passava de uma forma sedutora de preparar a discordância com o frontal “hypocrite lecteur, mon semblable, mon frère”:

In her well-known poem, Poetry, Miss Moore begins, I too, dislike it. This line has been interpreted as ironic, as an attempt to disarm, or as evidence that she practices her art only half-seriously. Quite obviously, however, her reasoning is serious. [2]

Além de sutil e irônica no tom, a linguagem de Moore é natural e coloquial na sintaxe, o que combina com a ideia de envolver, de pactuar com o leitor.

Nada há disso, ao que parece, na versão de Augusto de Campos. Nem a ironia e o coloquialismo, que tentam capturar a atenção do leitor para uma arte que “contain the whole relation of poetry to the social world”. Tudo é perdido pela hipérbole semântica: “Eu também a abomino”. Abominar é “ter horror, detestar, execrar, odiar”. O que isso tem a ver com o simples desgosto contido nesse dislikeDislike pode também significar detestar, odiar, execrar, mas esses significados não estão autorizados pelo contexto do poema de Moore. O que explica essa escolha, ainda que não a justifique, é a opção imprópria por uma rima perfeita com “genuíno” no terceiro verso:

Eu também a abomino.
Lendo-a, porém, com total desdém, a gente des-
cobre ali, afinal, um lugar para o genuíno.
A dicção e a sonoridade de Marianne Moore são elegantes (talvez, elegantes demais): “I, too, dislike it./ Reading it, however, with a perfect contempt for it…”. Augusto de Campos, no entanto, impõe-lhe um ritmo entrecortado, além de comprometido por encontros e destaques vocálicos abertos, em eco, que absolutamente não existem no original:

Eu também a abomino [ah ah]
Lendo-a [ah], porém, com total [au] desdém, a [ah] gente des-
cobre ali [ah], afinal [ah au], um lugar para [ah ah] o genuíno.

Notar que o corte em descobrir, “des-/cobrir”, além de inexistente em “Poetry”, pretende realçar a duplicidade de descobrir e ocultar, um duplo sentido cansado e óbvio, verdadeira malversação do original.  “One” significa “alguém”. Pode igualmente significar “a gente”, mas, Moore diz, com simplicidade,  o seguinte: “o leitor, mesmo fazendo pouco-caso da poesia, poderá encontrar nela um “sítio” para o genuíno”, que, no poema, quer dizer o desafetado, o real, a realidade, condenando, deste modo, os poemas decorativos da época. Ela foi uma poeta modernista. “Contempt” significa desprezo orgulhoso, menosprezo, descaso. “Desdém” não está muito autorizado pelo original, embora possível, mas revela a atração do tradutor por rimas e por uma poética velha: “porém” (uma adversativa bacharelesca) e “desdém”, forçado, como interpretação. Tão forçado quanto  “a gente” (“one”), que, aqui, Moore usa, de fato, na acepção de  “descobre-se”:  “contudo, lendo poesia,  mesmo com menosprezo, descobre-se nela, enfim, um lugar para o genuíno”. A tradução de Augusto de Campos mina o sentido original, porque interpõe o verbo “cobrir” na cadeia semântica, quando só existe o verbo descobrir. Vejamos então o que o tradutor pretende encobrir.

Wallace Stevens define o poema de Marianne Moore como investigação da realidade, que, por isso, em sua versão de 1919, enumera, segundo ele, possíveis temas para outros poemas de gume duro. Pode-se então concluir que, ao que tudo indica, Augusto de Campos investiga aqui a investigação alheia. Mas, ao final, oculta a investigação da investigação, que é a tradução do poema, pela ilegibilidade kitsch do travestivemento gráfico de um então poema próprio, pilhado do trabalho alheio (cf.http://www.musarara.com.br/marianne-moore-em-tres-dimensoes). E o que era uma proposta de investigação de gume duro da realidade, a ser investigada pela tradução, torna-se show room tipológico. Um show room paradoxal, que se exibe, que se dá a ver, para ocultar tanto a realidade investigada pelo original como sua própria tradução. (Em 12 de março de 2012)

VOCÊ É ALGUÉM? – por omar de la roca / são paulo.sp

Tem que começar por algum lugar. Foi o que consegui pensar. Não adianta querer iniciar com frases de efeito estufa, com algum comentário sobre o metro de SP ( cada dia pior, não sei se o metro ou as pessoas ) ou sobre a política que insiste em se fazer presente,mostrando a cada dia como somos vulneráveis a ela. Ainda não cheguei a uma conclusão sobre o que  nos falta . Talvez  seriedade. Ou vergonha na cara. Mas os exemplos estão por ai, todos os dias. Basta ter olhos para ver.   Acabei de ler um livro. Sinto que terei que rele-lo de novo , não é erro  não, refiro me a reler com novos olhos . Confesso que fui lendo e achando o livro meio chato enquanto virava as páginas. Ele conta a vivência de uma mulher que cresceu em Dublin no meio do século passado e suas experiências sombrias com a família, sexo, alcoolismo,maus tratos e relacionamentos. Mas acho que sobretudo, sobre a convivência dela com ela mesma. Quase no fim, ela me conquistou com as Afterwords, como uma conclusão, um balanço sobre a influência do livro publicado, no seu dia a dia,enquanto o livro esteve em destaque.  Ela publica trechos de cartas que recebeu    de leitores comentando sobre a importância do livro dela em suas vidas. Entre outras, gostaria de destacar :

“ … On the surface my visits serve little purpose and certainly do me no good. But she once said, ‘ You’re the only one I have’ , and so I keep going …”

“ Aparentemente minhas visitas serviam para pouco e não me faziam bem.Mas uma vez ela me disse : ‘ Você é a única pessoa que tenho,’ E então continuei indo…”

“ What can I do but take my chances ? And what else can I do ? Look after my teeth, listen to all the music I can, and keep going. Keep working on my escape tunnels out of the past. Keep hoping to break through to the here-and-now. To be just myself, like the cat, which is so perfectly and unself-conciously a cat and does not know it will perish. What can I do, when everything is so various and so beyond me, but cling on, and thank the God I don’t believe in for the miracles showered on me ? “

“ O que mas posso fazer senão aproveitar minhas chances ? O que mais posso fazer ? Cuidar de meus dentes ,  ouvir toda a musica que puder e ir seguindo. Seguir trabalhando em meus túneis de escape de meu passado . Esperando quebrar a rotina do aqui e agora. Ser eu mesma, como o gato, que , tão perfeita e inconscientemente é um gato e não sabe que ira perecer.  O que mais posso fazer sendo tudo tão variado e tão além de meu controle, senão continuar e agradecer ao Deus que eu não acredito pelos milagres que recebi ? “

Sei que fica meio vago, sem ler o livro.  As vezes uma coisa insignificante para nós, pode ser muito para outra pessoa. Ou pode não ser nada . Um gesto, um abraço, pode ser um conforto. Mas também o outro pode estar querendo mais,muito mais, além do que podemos dar. É Nuala , temos que seguir em frente. Não adianta se lembrar do passado e ficar com pena de si mesmo. É preciso se reinventar, derrubar muros, desbravar fronteiras. Tentar ao menos saber quem somos dentro de nós mesmos. Não temos como saber o que as pessoas esperam de nós. Mas podemos ao menos ser gentis. E atentos. Cada pessoa é em si um continente a ser explorado .  Como poderemos, com nossa própria experiência , saber o que se passa do outro lado ?

O livro é  –  Are you somebody ?  de Nuala O’Faolain , não sei se existe tradução.

tv globo: UM DIA SEM ELA, pelo menos. podemos mostrar a eles que podem comandar o futebol, a putaria, mas NÃO as nossas mentes, a educação de nossos filhos e netos. diga NÃO a LAMA que invade o seu lar.

BENETTON: Campanha causa polêmica ao mostrar líderes mundiais se beijando / italia.it

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Uma campanha publicitária lançada pela marca Benetton está causando polêmica ao exibir outdoors com fotomontagens de líderes mundiais se beijando. O objetivo da campanha –batizada da “Unhate”– seria protestar contra a “cultura do ódio”.

Entre os líderes retratados estão o presidente americano, Barack Obama, que aparece beijando o líder chinês, Hu Jintao. Em outra fotomontagem, Obama é visto dando um beijo no presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

O presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina) também aparece beijando o premiê israelense, Binyamin Netanyahu. A chanceler alemã, Angela Merkel, é retratada beijando o presidente francês, Nicolas Sarkozy, em outra imagem.

Já o papa Bento 16 dá um beijo em Ahmed Mohamed el Tayeb, imã da mesquita de Al Azhar no Cairo.

Veja algumas das fotomontagens:

Divulgação/Benetton
Papa Bento 16 dá um beijo em Ahmed Mohamed el Tayeb, imã da mesquita de Al Azhar no Cairo
Papa Bento 16 dá um beijo em Ahmed Mohamed el Tayeb, imã da mesquita de Al Azhar no Cairo
Divulgação/Benetton
Mahmoud Abbas, líder palestino, à esquerda, e Benjamin Netanyahu, premiê israelense
Mahmoud Abbas, líder palestino, à esquerda, e Benjamin Netanyahu, premiê israelense
Divulgação/Benetton
Chanceler alemã, Angela Merkel, e presidente francês, Nicolas Sarkozy
Chanceler alemã, Angela Merkel, e presidente francês, Nicolas Sarkozy
Divulgação/Benetton
Barack Obama, presidente americano, e Hugo Chávez, presidente da Venezuela
Barack Obama, presidente americano, e Hugo Chávez, presidente da Venezuela

SALVE A SELEÇÃO! SALVEM-NOS!

 

…o SUFICIENTE!

PRESIDENTA DILMA dá um PITO na atrevida jornalista da TV GLOBO (Fantástico de 11/09/2011)

UM clique no centro do vídeo.

A MELHOR CAMPANHA PUBLICITÁRIA DO ANO / jaraguá do sul.sc

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AERONÁUTICA DESMENTE O GLOBO:


 

Base militar

 

Em relação à reportagem “Em base militar com praia deserta, Dilma passará carnaval em família” (4/3), o Centro de Comunicação Social da Aeronáutica esclarece que há equívocos nos dados que podem levar o leitor a uma interpretação errônea dos fatos.

A reportagem erra ao afirmar que ocorreram despesas no valor de R$ 8 milhões tendo em vista a visita da presidente da República. O valor que a reportagem alude possivelmente refere-se aos R$ 7.830.599,10 correspondentes a todo o volume de empenhos emitidos pelo Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI) em 2010, de acordo com dados disponíveis no Siafi.

Este valor refere-se às despesas de custeio administrativo de todas as atividades do CLBI em 2010, dentre os quais R$ 2,36 milhões de investimentos realizados para atender às demandas do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), como o lançamento do foguete Improved Orion, previsto para ocorrer em abril deste ano.

As melhorias envolvem reforma do lançador principal, ampliação da casamata, além de construções, como o prédio de montagem de motores e um laboratório para experimentos científicos.

CORONEL AVIADOR MARCELO KANITZ DAMASCENO Centro de Comunicação Social da Aeronáutica.


SERRA e a direção do CONVENTO nomeada pelo reacionaríssimo bispo de Guarulhos Dom Luiz Gonzaga Bergonzini (dizem que ele…) outros dizem que é a reencarnação de TORQUEMADA. tudo indica. / são paulo

alvaro dias, sérgio guerra e zé serra, convertidos durante a campanha eleitoral. dizem que não convenceram as esposas, os que tem…

ELES QUEREM O NOSSO PETRÓLEO – por brizola neto / rio de janeiro

Há dias estou alertando aqui – e o noticiário dos jornais o confirma – que o alvo e o centro do desejo tucano de voltar ao poder está a milhares de metros de profundidade, ao largo do litoral brasileiro.

Eles, que não tiveram força moral ou política para derrotar a retomada do controle brasileiro sobre as jazidas do pré-sal, vão pretender mostrar um “mar de lama” na grande empresa brasileira, embora esta se submeta às mais severas regras de governança corporativa e auditoria.

Como empresa com capital negociado em bolsa, aqui e no Exterior, a Petrobras está sujeita às regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da Bolsa de Valores de São Paulo, no Brasil; da Securities and Exchange Commission e da New York Stock Exchange, nos Estados Unidos; do Latibex da Bolsa de Madri.

Este ano, pela 2ª vez, foi apontada como a empresa mais bem gerenciada da América Latina pela revista Euromoney, de Londres.

Captou US$ 45 bilhões no mercado privado, num aumento de capital de US$ 120 bilhões, para capacitar-se a explorar atenção – a maior jazida de petróleo em propecção hoje no mundo, que é o pré-sal e é, legalmente, a operadora exclusiva da sua extração.

Sobreviveu a Fernando Henrique, embora um retalho de sua propriedade tenha sido entregue e, só a muito custo – político e econômico – foi possível recuperá-lo, parcialmente.

A Petrobras é um sucesso econômico, tecnológico e gerencial. Pergunte a um fornecedor da Petrobras os níveis de exigência da empresa em seus contratos.
Hoje, o EstadãoO Globo iniciaram a ofensiva contra a Petrobras.

Jogam, criminosamente, contra o valor de mercado da mais valiosa empresa brasileira e usam a desvalorização deste patrimônio do povo brasileiro para seus objetivos políticos eleitorais.

Desde o início da semana, em vários blogs, circulam rumores de que a Veja seria a artilharia pesada desta campanha, como o foi na CPI da Petrobras, há mais de um ano, sem que tivessem arranjado mais que alguns grãos de poeira para usar como argumentos.

Eu tenho dito há três dias: aí está o furo da bala.

O que interessa a eles é ter o poder e as condições políticas para entregar o pré-sal, que nos torna uma das maiores reservas de petróleo do mundo, a quinta ou sexta mais importante do mundo, por enquanto. E há possibilidade de novas descobertas, que já surgem, inclusive, como indícios mais palpáveis nas sondagens.

Todo o resto é cortina de fumaça. E nós não podemos dispersar nossas forças golpeando fumaça.

O discurso e a polêmica têm que se tornar claros para o povo brasileiro: é o petróleo que eles querem.

 

tijolaço.com

GIL CLEBER, sua crítica ao “OS DEMÔNIOS” de DOSTOIEVSKI

A recente releitura de Os Demônios, de Dostoievski, foi menos uma releitura do que uma redescoberta do romance.

Apesar da existência de uma versão para o cinema, penso que este seja o menos conhecido de seus quatro romances principais: Crime e Castigo, O Idiota, Os Demônios e Os Irmãos Karamazov.[1]

A redescoberta do romance se deve não só ao fato de já terem transcorridos vários anos desde a primeira leitura, mas também à natural dificuldade que a maioria dos leitores encontram ao se defrontarem com a obra do grande escritor russo, não sendo tarefa simples acompanhá-lo em suas viagens ao “submundo” da consciência humana — mesmo para quem já havia lido Crime e Castigo, O Idiota, Humilhados e Ofendidos, a novela O Jogador, Os Irmãos Karamazov (nessa ordem), além de diversos contos e outras narrativas, pois Os Demônios é, dentre todos esses, o de ação mais lenta, aparentemente aquele no qual o autor parece “demorar mais para entrar de fato na história” — juízo não apenas apressado mas de todo incorreto, pois é certo que o autor “entra na história” de imediato.

De que trata o livro? Quem são, afinal, os “demônios” de que fala o título?

Responderei a esta última pergunta no fim, ou melhor, estarei comentando a questão durante todo o texto que se segue, deixando para o fim que um dos personagens maiores do romance a responda.

Os Demônios (que chegou a ser traduzido, segundo Roberto Alvim Corrêa, em diversos países com o título “Os Possessos”, tradução inadequada resultante talvez do fato de a própria língua ter como sinônimos palavras como “criminoso” e “infeliz”, e por associação ao pensamento de Dostoievski, que considerava o criminoso uma vítima do diabo), romance publicado em 1871, conta a história de um pequeno grupo de revoltosos socialistas (conhecidos como “os nossos”) numa certa província da Rússia (província não referida, restando a impressão de que se trata de uma região interiorana), os quais têm em mente levar adiante o movimento até que ele alcance todo o vasto território russo — aliás, os membros desse pequeno grupo crêem na existência de ramificações do seu movimento por toda parte — e com isso ponha por terra o estado constituído a fim de substituí-lo por uma sociedade justa e ideal.

Está visto que o sonho acalentado pelos “nossos”, utópico e, por que não dizer, singelo, veio com efeito a realizar-se com a revolução de 1918 e as desastrosas conseqüências que a História relata.

Os integrantes desse grupo destacam-se por seu niilismo generalizado (tanto a religião quanto as demais instituições — como a família, p. ex. — são, a seu ver, decadentes e já não faz mais sentido mantê-las), e isso fica patente até mesmo na discussão entre dois personagens insignificantes do livro no sétimo capítulo da segunda parte, “A reunião dos ‘nossos’”, uma estudante atéia e seu tio — a quem não vê havia muito tempo e não obstante despreza —, discussão na qual a estudante nega com veemência a existência de Deus: após baterem boca algum tempo o tio, por fim, protesta “andei com ela ao colo; quando tinha dez anos, dançava mazurca com ela. Hoje chega e, naturalmente, acorro para lhe dar um beijo; pois imediatamente ela me diz que Deus não existe”.

Integravam “os nossos”, entre outros: Chatov, que, insatisfeito, pretende abandonar os companheiros, e por isso pagará caro; Virgüinski, em cuja casa ocorrem as reuniões; Liputin, homem tido publicamente como ateu; Liamchin, um judeu brincalhão e debochado; Erkel, um jovem tenentecapaz de levar adiante um crime perpetrado embora não tenha, em absoluto, qualquer ressentimento contra a vítima, fazendo-o unicamente para preservar a “causa”; Tolkatchenko, homem que afirmava conhecer muito bem o povo, principalmente criminosos, “freqüentador assíduo dos botequins (…) e [que] se orgulhava do traje grosseiro que vestia (…), do seu ar astuto e da linguagem rústica”; Chigaliov, autor de um sistema político-social que, partindo da liberdade ilimitada, chegava ao despotismo ilimitado, conferindo a um décimo da humanidade total liberdade, sendo os nove décimos restantes seus escravos, sistema que ele afirma ser o único possível.

Serão esses, portanto, os “demônios”? Até certo ponto a resposta seria sim, porém Chigaliov à última hora declara que o crime perpetrado pelo grupo é desnecessário e vai embora antes da chegada da vítima. Quanto aos outros, será a fraqueza de Virgüinski (que numa demonstração de arrependimento após cometerem o crime exclama “não era isso, não era isso, absolutamente”) e de Liamchin (que tem um acesso de nervosismo e desata numa gritaria desvairada até ser contido pelos demais) que fará com que o crime seja descoberto e quase todos os envolvidos presos.

Contudo, afirmar que o romance conta apenas a história das ações desse pequeno grupo de conspiradores não permite uma visão do plano do romance em sua real dimensão.

Tomemos como exemplo o romance A Mãe, de Máximo Gorki (mau romance, por sinal). Este também trata das ações de um grupo de socialistas que lutam pela “causa”, com uma descrição minuciosa dos riscos e dificuldades enfrentadas por seus membros em seu dia-a-dia, além de “panfletar” sobre a “grandiosidade de seus ideais”, abordando ainda de forma melodramática a própria ação da mãe de um dos integrantes do grupo, mostrada com uma heroína da causa e que por ela se sacrifica. O romance de Gorki não passa de um “panfleto” sobre o comunismo, interessa-lhe apenas o aspecto político do assunto, conta uma história que talvez tivesse importância diante do contexto histórico da época em que foi escrita, mas não vai além.

No romance de Dostoievski o aspecto político é apenas secundário, pode-se mesmo dizer casual, pois o que lhe interessa são as conseqüências das idéias esposadas pelos “nossos”, e não apenas as idéias políticas: nesse sentido, Os Demônios nos apresenta uma antevisão profética da monstruosidade que foi a revolução de 1918 e suas decorrências (que Dostoievski não veria, pois morre em 1881 aos cinqüenta e nove anos).

A construção dos personagens é minuciosa e de grande riqueza: começa apresentando “alguns traços biográficos do ilustríssimo Stephan Trophimovitch”, homem de cinqüenta e três anos, estudioso das ciências, ex-professor superior que se orgulhava de ter sido perseguido na juventude e viver sob suspeição do governo (coisa que existia apenas em sua cabeça); que se casara no exterior e enviuvara pouco depois, ficando com um filho que prefere não criar mas entregar a umas parentas distantes e a quem não vê mais; e que por fim, aposentado, vivia em uma casa na propriedade da generala Várvara Petrovna Stavroguina, e às suas expensas, de cujo filho Nicolai Stavroguin fora preceptor na infância. Como veremos, Stephan Trophimovitch será a contrapartida das idéias niilistas daquele grupo de insurretos, ao qual não se ligou diretamente.

Destacam-se no romance outros personagens emblemáticos.

Kirílov é um deles: completamente ateu, decidiu sucidar-se e afirma que assim que o faça, torna-se Deus. Kirílov, na altura em que é apresentado ao leitor, está escrevendo um artigo sobre o número de suicídios na Rússia, assunto que lhe interessa de perto, como se percebe, e é também um partidário da revolução, uma revolução que faria “rolar a cabeça de milhões”, mas a princípio nega-o perante seus interlocutores. Em outra passagem do livro afirma que “tudo está bem”, e quando alguém lhe pergunta: “E se se morre de fome, se a gente magoa uma menina, se a gente a desonra, também está bem?”, afirma que ainda assim tudo está bem. Vemos em Kirílov a imagem do homem dividido entre a necessidade de crer em Deus (o seu lado místico) e a de negá-lo (a racionalidade) — e é essa divisão que fará com que ele chegue ao gesto definitivo.

Referido apenas en passant, o filho que Stephan Trophimovitch não mais viu desde a infância, e que a princípio parece ser uma referência apenas circunstancial, súbito aparece na cidade já adulto e é ele — Peter Stephanovitch — o líder dos “nossos”. É dele é a mente ardilosa que tudo planeja: arquiteta e executa o crime praticado pelo grupo e se vale do assassino foragido Fedka para cometer outros assassinatos, mas não é alcançado pela Lei pois foge a tempo, indo refugiar-se no estrangeiro.

É hora, porém, de introduzir nestes breves comentários aquele que vem a ser o mais sombrio dos personagens de Dostoievski: Nicolai Stavroguin. Nenhum outro nos trás uma visão tão assombrosa da psiquê humana: Raskholnikov (Crime e Castigo) mata a velha usurária por amor a uma idéia de grandeza, mas é um jovem apenas e é redimido pelo arrependimento; Ivan Karamazov (Os Irmãos Karamazov) afirma que se Deus não existe, então tudo é permitido, levando seu meio irmão epilético Smerdiakov a assassinar o pai, mas Ivan é apenas um livre-pensador, assim como Kirílov; Peter Sepanovitch é um burocrata do crime, que não passa em suas mãos de um instrumento para atender ao seus interesses; Fedka mais não é que um criminoso foragido cujas ações são dirigidas por este, e com isso será um dos demônios; perverso, sim, inescrupuloso, mas — assim como “os nossos” — apenas um demônio menor; porém Stavroguin vai além de todos eles.

Stavroguin, instruído na infância por Stephan Trophimovitch, parte da casa da mãe aos dezesseis anos para estudar na Capital e retorna homem feito aos vinte e cinco. Nesse meio tempo, entre as diversas notícias inquietantes que chegam a seu respeito, havia a de dois duelos em que participara, matando um dos adversários, além do que dizia-se dele um sujeito arrogante e violento. Mas Stavroguin permanece pouco tempo, provoca um escândalo ao ofender um membro honorável da sociedade, e logo parte para uma viagem ao estrangeiro, retornando quatro anos depois como um dos líderes dos “nossos”, porém de atuação menor que a de Peter Stephanovitch. Stavroguin não demonstra ser o que os comentários a seu respeito faziam crer: é um homem de inteligência superior, tranqüilo, e que chega com o firme propósito de tornar público seu casamento com Maria Timopheievna, uma mulher coxa e meio louca, a quem trata com cortesia e mesmo carinho. Esse casamento, contudo, não passara — como vamos saber no decorrer da narrativa — de uma aposta após uma noite de bebedeira, sem que Stavroguin tenha se importado com o fato de Maria Timopheievna amá-lo de verdade, casamento aliás que não chegou a ser consumado.

São Maria Timopheievna e seu irmão bêbado, o capitão Lebiadkin, a vítimas de Fedka, crime com o qual Peter Stephanovitch pretende cair nas graças de Stavroguin, livrando-o de uma esposa indesejável para que ele possa casar-se com uma jovem e rica aristocrata. Stavroguin sabe que o crime será cometido mas nada faz para evitá-lo, e moralmente julga-se responsável por ele. A esse respeito é memorável a cena de um encontro entre ele e Fedka numa certa noite, em que o assassino faz insinuações que, mais tarde, Stavroguin referirá abertamente como uma proposta para que se assassinassem sua esposa e o cunhado.

Uma das páginas, contudo, mais impressionantes da obra de Dostoievski é a “Confissão de Stavroguin”, que figura na segunda parte do livro, capítulo inicialmente censurado quando da primeira publicação do romance no ano de 1871.

Essa “confissão”, Dostoievski leu-a então para alguns amigos, que concordaram com a censura por a considerarem muito forte: ali Stavroguin desnuda sua alma, falando de sua tendência para o crime como algo não apenas necessário como também prazeroso, e relata como deixou que uma menina de onze anos fosse espancada pela mãe, mesmo inocente do furto de que é acusada, e como abusa da criança dias depois, deixando friamente que ela, aterrorizada pelo ato praticado — inicialmente com seu próprio consentimento — e roída de remorsos, se enforque. Felizmente Dostoievski não se desfez do texto, pois tinha a intenção de inseri-lo num outro romance, A Vida de Um Grande Pecador, que não chegou a ser escrito. Mais tarde essa “confissão de Stavroguin” passou a figurar como o capítulo VIII-a da segunda parte do romance.[2]

Por fim, após todas essas tragédias e crimes, temos a contrapartida do ateísmo destruidor que perpassa toda a história nas últimas palavras de Stephan Trophimovitch, que, já doente e em seu leito de morte, comenta a passagem do Evangelho de São Lucas que refere a expulsão dos demônios que atormentavam um homem, os quais pedem a Jesus que lhes permita entrar nuns porcos que passavam por ali:

“Minha amiga, disse Stephan Trophimovitch comovidíssimo, savez-vous, essa passagem admirável e… e extraordinária sempre foi para mim uma pedra no meio do caminho… dans ce livre… e por isso a guardei de memória desde a infância. Mas uma idéia me ocorreu, une comparaison. Ocorrem-me muitas idéias agora. Veja, é exatamente como nossa Rússia. Esses demônios que saem do doente para entarem nos porcos são todas as chagas, todos os miasmas, todas as imundícies, todos os demônios pequenos e grandes que no decorrer dos séculos se acumularam na nossa querida e imensa doente, na nossa Rússia! Oui, cette Russie que j’amais toujours. Mas um pensamento sublime, uma sublime vontade lá de cima descerão sobre ela, como desceram sobre esse endemoniado. E ela se desembaraçará de todas as impurezas, de todas as podridões — que espontaneamente hão de pedir moradas no porcos. Talvez já neles hajam entrado. Somos nós — nós e eles —, e Petruchka [Peter Stephanovitch]… et les autres avec lui, — e eu talvez em primeiro lugar, eu talvez à frente. Como loucos furiosos atirar-nos-emos do alto do rochedo até o mar, e pereceremos todos. Melhor, porque só servimos para isso. O doente, porém, será curado, e ‘assentar-se-á aos pés de Jesus…’ e todos o encararão com espanto… Minha cara, vous comprendez aprés… Nous comprendrons ensemble.”

A História que, contudo, parece ter desmentido as previsões de Stephan Trophimovitch, parece ter copiado as do genial escritor russo em Os Demônios, reproduzindo-as no que foi a revolução de 1918 com todas as suas terríveis conseqüências.



[1] Apenas como adendo, outros romances de Dostoievski — além das numerosas narrativas menores e contos — são: Humilhados e Ofendidos, O Eterno Marido, Nietotchka, A Aldeia Stepantchikovo e seus Moradores, e O Adolescente.

[2] Em algumas edições, é inserido como apêndice, mas na edição que li foi incluído após o cap. VIII da segunda parte.