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DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS / O N U

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS

Adotada e proclamada pela resolução 217 A (III)
da  Assembleia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948

Preâmbulo

        Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo,
Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração do homem comum,
        Considerando essencial que os direitos humanos sejam protegidos pelo Estado de Direito, para que o homem não seja compelido, como último recurso, à rebelião contra tirania e a opressão,
Considerando essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações,
Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta, sua fé nos direitos humanos fundamentais, na dignidade e no valor da pessoa humana e na igualdade de direitos dos homens e das mulheres, e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla,
Considerando que os Estados-Membros se comprometeram a desenvolver, em cooperação com as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos humanos e liberdades fundamentais e a observância desses direitos e liberdades,
Considerando que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mais alta importância para o pleno cumprimento desse compromisso,

A Assembleia  Geral proclama

        A presente Declaração Universal dos Diretos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.

Artigo I

        Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão  e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.

Artigo II

        Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua,  religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.

Artigo III

        Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

Artigo IV

        Ninguém será mantido em escravidão ou servidão, a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas.

Artigo V

        Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.

Artigo VI

        Toda pessoa tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecida como pessoa perante a lei.

Artigo  VII

        Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.

Artigo VIII

        Toda pessoa tem direito a receber dos tributos nacionais competentes remédio efetivo para os atos que violem  os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei.

Artigo IX

        Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.

Artigo X

        Toda pessoa tem direito, em plena igualdade, a uma audiência justa e pública por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir de seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele.

Artigo XI

        1. Toda pessoa acusada de um ato delituoso tem o direito de ser presumida inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa.
2. Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não constituíam delito perante o direito nacional ou internacional. Tampouco será imposta pena mais forte do que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso.

Artigo XII

        Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques à sua honra e reputação. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.

Artigo XIII

        1. Toda pessoa tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado.
2. Toda pessoa tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a este regressar.

Artigo XIV

        1.Toda pessoa, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países.
2. Este direito não pode ser invocado em caso de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos propósitos e princípios das Nações Unidas.

Artigo XV

        1. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade.
2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade.

Artigo XVI

        1. Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer retrição de raça, nacionalidade ou religião, têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento, sua duração e sua dissolução.
2. O casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento dos nubentes.

Artigo XVII

        1. Toda pessoa tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros.
2.Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.

Artigo XVIII

        Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.

Artigo XIX

        Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.

Artigo XX

        1. Toda pessoa tem direito à  liberdade de reunião e associação pacíficas.
2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.

Artigo XXI

        1. Toda pessoa tem o direito de tomar parte no governo de seu país, diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos.
2. Toda pessoa tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país.
3. A vontade do povo será a base  da autoridade do governo; esta vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo  equivalente que assegure a liberdade de voto.

Artigo XXII

        Toda pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social e à realização, pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade.

Artigo XXIII

        1.Toda pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego.
2. Toda pessoa, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho.
3. Toda pessoa que trabalhe tem direito a uma remuneração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim como à sua família, uma existência compatível com a dignidade humana, e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social.
4. Toda pessoa tem direito a organizar sindicatos e neles ingressar para proteção de seus interesses.

Artigo XXIV

        Toda pessoa tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e férias periódicas remuneradas.

Artigo XXV

        1. Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle.
2. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção social.

Artigo XXVI

        1. Toda pessoa tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito.
2. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz.
3. Os pais têm prioridade de direito n escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos.

Artigo XXVII

        1. Toda pessoa tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do processo científico e de seus benefícios.
2. Toda pessoa tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja autor.

Artigo XVIII

        Toda pessoa tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e  liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados.

Artigo XXIV

        1. Toda pessoa tem deveres para com a comunidade, em que o livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade é possível.
2. No exercício de seus direitos e liberdades, toda pessoa estará sujeita apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer às justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.
3. Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos contrariamente aos propósitos e princípios das Nações Unidas.

Artigo XXX

        Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição  de quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos.

MERCOSUL SERÁ PRESIDIDO POR UM GOLPISTA? / editorial da carta maior / são apulo.sp


Começa na próxima quarta-feira, em Mendoza, Argentina, a Cúpula do Mercosul. No encontro dos chefes de Estado, no fim da semana, estava prevista a passagem da Presidência pro tempore do bloco à República do Paraguai, leia-se, ao presidente democraticamente eleito, Fernando Lugo. Que atitude tomarão agora Dilma Rousseff , Pepe Mujica e Cristina Kirchner diante do golpe da última sexta-feira? Recorde-se que o mesmo Congresso que derrubou Lugo bloqueia há mais de um ano o ingresso da Venezuela no Mercosul,  já aprovado pelos demais parceiros.O argumento soa agora irônico: ‘o governo Chavez não é democrático’, alegam os senadores paraguaios que apearam Lugo em menos de 30 hs. Em entrevista à TV Pública de seu país, sábado, Cristina Kirchner foi enfática quanto a posição de seu governo –‘Argentina no va a convalidar el golpe de Estado en Paraguay’.Veja aqui: http://www.telam.com.ar/nota/29325/  Com exemplar coerência, a Casa Rosada decidiu na tarde de sábado retirar seu embaixador em Assunção, assumindo a liderança no rechaço regional à derrubada de Lugo. Horas depois, já na noite de sábado, o Brasil adotaria atitude parecida, seguido pelo Uruguai: ambos convocaram seus representantes ‘para consultas’. Brasília está sendo cortejada pelo novos ocupantes do Palácio de los Lopez, que prometem resolver a cidadania de 400 mil brasiguaios. A destituição de Lugo representa um ponto fora da curva, ou o golpismo ainda lateja na América Latina ?

 

 

PARA AS MULHERES: muita força, coragem e espírito solidário em direção as conquistas honrosas, que apesar de difíceis serão muitas e libertadoras / editoria

O ABDUZIDO: DESABAFO DE UM RECUSADO CLÁSSICO / por jairo pereira / ilha de santa catarina


E a literatura brasileira?! Muitos autores (inventores) detonados. Conheço uns quantos que viraram músicos, outros abandonaram o ofício e tão fazendo qualquer outra coisa. As megaeditoras estrangeiras estabelecidas no país, (e as autóctones) estão enquadrando, qualidade de obras, gosto de leitores e destino de autor… Uma piada é claro, verdadeiro crime de lesa-cultura. Não acredito que editoras e suas “meninas” diretoras de Conselhos Editoriais, tenham capacidade pra dizer o que é boa literatura ou não. É sempre o tal de: “embora sua obra apresente qualidades literárias, não se enquadra na nossa linha editorial” ou “devido a já estar comprometida a agenda de publicações para este ano, não podemos acolher o seu livro”. Um país (no plano cultural) se faz com obras. Obras no sentido de compostos elevados/enlevados do espíritho, linguagem sobre linguagem, sem concessões ao fácil entendimento, ao que agrada, ajuda ou tenha qualquer utilidade imediata, prática… Dá pra se dizer (só pra citar alguns escritores) que James Joyce, João Guimarães Rosa, Osman Lins, e tantos outros criadores/inventores, seriam recusados hoje, tal o nível de discernimento dos “avaliadores” de editoras. O que é publicado, (em literatura impressa, meios convencionais, livro-livro) não representa absolutamente, e nem chega perto do melhor da literatura nacional. É de se ver, que só aparece a ponta do iceberg. A criação enfim acadêmica, e de autores que fazem peripécias políticas pra chegar numa editora (dessas grandes) não passa de mediana, insossa, que favorece o mercado e mente pra eles mesmos (os tais escritores bem sucedidos) e pra nós, que é alta cultura. Na web transita em drops, grande parte da boa poesia nacional, do conto e excertos de romances. Nas gavetas de autores, obras e obras, a espera de editor. Pelos critérios de avaliação de editoras, é perigoso se presumir sejam tais livros amortecidos, ruins. Livros. Livros. Os natimortos, livros de autores recusados. Uma mentira, o fomento literário, os concursos cartas marcadas. Concursos que já nascem com fim mercadológico: promover editoras e autores (publicados) de qualidade duvidosa. E o pior de tudo: grande leva de autores recusados por editoras, aceita tacitamente a empulhação. Bons cabritos que não berram. Tá na hora do levante. Tirar a máscara dos detentores dos meios de produção do livro. Desvelar a grande mentira da cultura livresca nacional. É de se perguntar: e o avanço do estético como fica? O conteúdo inovador? A arte verdadeira, revoluciona na forma ou no conteúdo, ou em ambos ao mesmo tempo, (e isso tem pouco a ver, com o discurso fácil, dirigido ao público x ou y ), e é a que mais representa a cultura nacional, sendo a estampa cult da nação. Uma nação tem que ter a sua bandeira literária, que a identifique, em obras complexas, acima do entendimento de massas, muitas vezes. As portas devem estar abertas no setor produtivo do livro, para de tempos em tempos surgir o inesperado, em qualidade. E, não simplesmente se fechar o acesso de autores ao mundo editorial (de mercado e leitores). Aliás, é o desejo de todo país, ter suas grandes obras literárias, creio eu. Como um Fausto de Goethe na Alemanha, Ulisses de James Joyce na Irlanda, A divina comédia, de Dante na Itália, Os miseráveis de Vitor Hugo na França, Os irmãos Karamazov de Dostoiévski, na Rússia, e por aí afora. Sem contar, um sem fim de obras que fogem do cânone clássico, e que foram urdidas na experimentação. A coisa é séria sim. Quando o sistema é brutal, alija criadores do processo cultural, evita seu contato com as novas gerações, tranca portas às novas linguagens, comete o crime de lesa-cultura. A cultura ilustra a educação, a faz avançar, abre os canais da percepção do educando. Observa-se que em encontros literários, o que se apresenta ao público é cultura oficial, editorial por excelência (e até escabrosa), de nomes mezzoconsagrados na sua secular medianidade. Alguns chamam isso de valor da tradição. Tradição, essa palavra-conceito remete a coisas boas e também à coisas perigosas, atraso no processo do conhecimento. Pra mim, sinceramente tá longe de representar o melhor da nossa cultura literária, o que está sendo vendido aí. Não se dá acesso e voz aos autores recusados (entenda-se por recusados independentes em geral), aqueles que fazem parte também da cultura nacional, a literatura suja, a literatura de estorvo, a literatura “persona non grata” no sistema. Evitado esse autor ao público, agride-se o todo da cultura nacional, conspurca-se o intelecto e achata-se a literatura, como produto estético, inventivo, construtivo, expansivo do conhecimento. Ora, vão se catar, Senhores opressores do talento. A nossa parte a gente tá fazendo, escrevendo… A realidade dos nossos sonhos transformada em vida nova, o phuturo. O phuturo das linguagens, o phuturo do estético, o phuturo do conteúdo bom, forte, revolucionário. Tem que pegar pesado com essa gente. Onde eles botar dez autores (tradicionalistas de linguagem) nós temos que botar mais dez doidos, de caótica linguagem. Quando eles enfrenar a vida das linguagens com bridão de aço, devemos atropelar o corcel, veloz, triloz dos novos tempos, na arte e na literatura, com ousadas variações do fazer. Parem de se iludir garotos com grupelhos poéticos, afetações de ser escritor ou poeta, seus blogs, sites, seus posts, nessa árida terra da especulação, do embuste, do retorno fácil a qualquer investimento, e que em arte verdadeira, não existe nenhum. Infelizmente, como anjo vingador de poeta recusado que sou, cumpre me acorda-los pra dura realidade: estamos em guerra, plena guerra contra a tirania editorial. Só se chega a uma dessas grandes editoras, dando pra alguém… sabe-se lá o que? Ou vendendo a alma ao diabo. Tô de saco cheio, já deu pra sentir né, com essa palhaçada!? Nunca vou ter coragem de dizer pra um menino que quer ser escritor que se deve ser um idiota: escrever certinho, com regras (razão) esquemas de fácil entendimento, a um público, composto de outros tantos idiotas como ele o escritor. (Segredo do sucesso). E o “desregramento dos sentidos” de que dizia Rimbaud? E os fantasmas interiores? E o mergulho no mundo do profano, do caótico, do que é pura verthigem? O artista no fio da navalha, entre os duplos, céus x infernos, limpo x imundo, cândido x cruel…  O artista garimpando nos espaços do indizível, abrindo canais de comunicação com o desconhecido. Em primeiro lugar devo começar assim: como abduzido & recusado clássico que sou devo dizer lhe que… patati patatá patatá… Toda ilusão de reconhecimento nesse estúpido mundo da literatura, manipulado por interesses e gente sem o menor critério de avaliação, é vã. Esse status broxanthi’s, mesmo assim, não será capaz de nos fazer desistir do sonho-bom: nossa indignação pelas linguagens atirada aos bons e maus espírithos. Nossa busca de razão, desrazão, no caos. Posso dizer no prosseguinte de mim, que primeiro temos que mostrar a nossa face, produtora de cultura. A nossa face, verdadeira na pegada… desbancar a má tradição que não condiz com os endereçamentos bons ao phuturo. A teleológica da pruzirithílica é essa: acrescer no processo, romper paradigmas, inventar e não diluir, como já bem colocou Erza Pound. Apontar os responsáveis pelo mau uso dos meios de produção do livro, coisa que nos envergonha e ao país, pois que muitos nem brasileiros são, e os brasílicos já estão meio-vendidos nessa coisa de transformar literatura em mercadoria “barata”… Esses obtusos Senhores da escuridão, estão ditando as regras do jogo cultural. Do que deve ser lido, vendido e o pior de tudo: escrito. É pra acabar… e a nossa pátria varonil, nada faz pra rebater o império do baixo espíritho. De parte do Governo, o MINC tá por fora. Ninguém vê, ou se vê, faz que não vê… o que está acontecendo. Não é pouca coisa, quando gerações e gerações de autores, estão sendo massacradas por um sistema produtivo do livro, que as anula no plano da criação & chegada ao público leitor. Tive uma ideia: nós também vamos começar a recusa nos livros editados por vocês. Tem umas meninas aqui, amigas nossas que são campeãs pra isso nos seus ótimos critérios avaliatórios. Vamos carimbar na capa R E C U S A D O e espalhar por aí. O meu grupo de excluídos é grande pra mais de metro. É muita gente mesmo… pega o Brasil inteiro. Um perigo! Tá na hora de denunciarmos a nhacaziiiraaaa que estão fazendo com a literatura brasileira. Um país deve estar atento à produção de seus autores, o que realmente é vigoroso em termos de linguagem, construção do espíritho, e não a essa literatura insossa que grassa por aí, com todo o empenho midiático de supervalorização. A estampa cultural de uma nação é o que ela tem de verdadeiro na arte, na literatura, na poesia, NUNCA O QUE É FEITO MERAMENTE PARA SER ABSORVIDO POR ESTE OU AQUELE PÚBLICO. Absorvido, levemente encantador (de trouxas), o que não faz consequência, não causa, não transforma… O universal, o absoluto, em arte, se impõe por seus próprios meios, forma, conteúdo bom, e não depende de jogadas de marketing, mentiras, engambelações. Não posso mentir às crianças, não posso iludir os meninos escribas que estão vindo, com “maravilhas” nas letras do país. Isso aí, já tem muito professor, acadêmico em geral e marqueteiro editorial fazendo. É um des-serviço à cultura e a sociedade. Comigo é na veia… se criamos galinha de três pernas, ei-las… não vamos enfeitar o pavão da mediocridade. A coisa tá de mal a pior nessa área do livro impresso. As armas devem ser as mesmas, os meios, os mesmos, os recursos os mesmos, para uma cultura dita oficial, estabelecida ou tradicional e aquela que jaz nas gavetas, no limbo da recusa. Literatura independente, a custo e suor dos autores. Afinal de contas, não é e nunca poderá ser o homem o que deve cercear o homem como artífice, obscurecer a obra, a criação. Deixa o louco falar, por favor, deixa o louco escrever, edite o louco-bom, deixa o inventor trançar cateto com hipotenusa, na enteléquia da proselitílica. Porra! E, vamos promover isso. Senão vai rolar só titica de galinha nas nossas cabeças de cabritos super-resignados. É outro o descortínio de signos que pretendemos, outro chão, outro céu e outro inpherno.

P S. A sacanagem é bem maior do que a gente possa imaginar. Me chamem de despeitado se quiserem. Tô nem aí! EHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH.

 

     jAiRo pEreIra

Autor de O abduzido –prosa longa- 584 pgs., Arijo – romance rapsódico, 1.097    pgs., O antilugar da poesia –manifesto-, e outros. Todos recusados      por editores comerciais.

Dilma tem 55% dos votos válidos, mostra Vox Populi. EXCLUSIVO: LULA RESUME O BRASIL QUE VAI ÀS URNAS “Acabou o tempo em que a casa grande dizia o que a senzala tinha que fazer, acabou”

SUFICIENTE.

LULA no Editorial do LE MONDE (25.05.10) – no Brasil, demos e tucanos vão ao desespero / paris

Editorial do Mundo.

O BRASIL DE LULA EM TODAS AS FRENTES

Tradução Sergio Faria

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Lula aqui, o Brasil  lá! O mundo está repleto de declarações do Presidente brasileiro e das ações não só futebolísticas de seus cidadãos.

Ouvimos Luiz Inácio Lula da Silva repreender a Alemanha pela sua relutância em salvar a Grécia, e, também, oferecer sua mediação no conflito  entre Israelitas e palestinos.

Nós o vimos tentando resolver a questão nuclear iraniana junto com os turcos, e apoiar os argentinos em seu conflito contra os Ingleses na questão da Ilhas Malvinas e do petróleo que tem lá.

Mas “o homem mais popular do mundo”,  como disse Barack Obama não se apóia somente no seu carisma para falar em voz alta. Ele encarna um  Brasil em plena forma que,  depois da crise, acompanha a China e a Índia em termos de crescimento.

A Petrobras, empresa de petróleo que é a mais lucrativa da América Latina, a Vale, líder mundial em ferro, a Embraer poderia superar a Boeing e a Airbus antes do tempo, são as jóias de uma economia industrial de primeira ordem.

Na agricultura o crescimento é semelhante, e deu ao Brasil  o título de “celeiro do mundo. Soja, açúcar, etanol, café, frutas, algodão, galinhas,etc.. tornaram-no um competidor formidável para os agricultores europeus.

Em 2008 o Brasil tornou-se consciente das suas capacidades económicas. Até então, ele negociou na Organização Mundial do Comércio, mas um pouco frio. A crise dos Estados Unidos e o colapso da produção industrial dos chamados países avançados, o persuadiu que era o tempo para a ofensiva.

Agora o Brasil é brilhantemente representado pelo seu ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que pressiona para uma forte conclusão das negociações da Rodada Doha. Em comparação, os Estados Unidos parecem ter parado em outra era: a do protecionismo.

Menos temida que a da China e da Índia, bilionárias em população, mais considerada que uma Rússia rentista de suas matérias primas, o Brasil é o verdadeiro porta-voz das economias emergentes que contribuem para o crescimento mundial. O eixo econômico do mundo que se desloca em direção ao sul, permite afirmar, com razão, que se substituem assim os países do Norte em avaria de vitalidade por melhores representantes em organismos internacionais, começando pelo Banco Mundial e pelo  FMI. Sem mencionar o Conselho de Segurança das Nações Unidas, em que o Brasil quer manter um assento permanente.

Porque “o século XXI pertence aos países que não tiveram sua chance”, e porque ele se considera pessoalmente ” em meio de carreira política”, Lula (65) poderá apresentar sua candidatura à Secretaria Geral da ONU em 2012.  Ele deverá também lutar para melhorar o G20, que ele considera com uma influência “muito fraca”.

Nós não acabamos ainda de ouvir o ex-metalúrgico, um amigo das favelas e dos investidores. Nós não acabamos ainda de falar  do Brasil no alvorecer de seus “trinta anos gloriosos”.

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Edito du Monde

Le Brésil de Lula sur tous les fronts

LE MONDE | 24.05.10

Lula par-ci, Brésil par-là ! Le monde bruisse des déclarations du président brésilien et des hauts faits pas seulement footballistisques de ses concitoyens.

On a entendu Luiz Inacio Lula da Silva tancer l’Allemagne pour ses réticences à sauver la Grèce, et proposer sa médiation dans le conflit israélo-palestinien.

On l’a vu essayer de désamorcer avec les Turcs le dossier nucléaire iranien, et soutenir les Argentins dans leur conflit contre les Britanniques à propos des Malouines et de leur pétrole.

Mais “l’homme le plus populaire du monde”, selon Barack Obama, ne s’appuie pas seulement sur son charisme pour parler haut et fort. Il incarne un Brésil en pleine forme qui, après un passage à vide dû à la crise, talonne la Chine et l’Inde en termes de croissance.

Petrobras, le groupe pétrolier qui est l’entreprise la plus lucrative d’Amérique latine, Vale, leader mondial du fer, l’avionneur Embraer qui pourrait bien damer le pion à Boeing et Airbus avant longtemps, ne sont que les fleurons d’une économie industrielle de premier ordre.

Côté agricole, la montée en puissance est comparable, et a valu au Brésil le titre de “grenier du monde”. Soja, sucre, éthanol, café, fruits, coton, poulets, etc. en font un concurrent redoutable pour les éleveurs européens.

C’est en 2008 que le Brésil a pris conscience de ses capacités économiques. Jusque-là, il négociait à l’Organisation mondiale du commerce, mais de façon un peu frileuse. La crise partie des Etats-Unis et l’effondrement de la production industrielle des pays dits avancés l’ont persuadé que l’heure était à l’offensive.

Désormais, c’est le Brésil, brillamment représenté par son ministre des affaires étrangères, Celso Amorim, qui pousse le plus fort pour une conclusion des négociations du cycle de Doha. En comparaison, les Etats-Unis semblent englués dans un protectionnisme d’un autre temps.

Moins redouté que la Chine ou l’Inde, milliardaires en population, mieux considéré qu’une Russie rentière de ses matières premières, le Brésil est le véritable porte-parole de ces économies émergentes qui tirent la croissance mondiale. L’axe économique du monde se déplaçant vers le Sud, il peut réclamer à bon droit que ceux qui se substituent ainsi aux pays du Nord en panne de vitalité soient mieux représentés dans les instances internationales, à commencer par la Banque mondiale et le Fonds monétaire international (FMI). Sans oublier le Conseil de sécurité de l’ONU, au sein duquel le Brésil souhaite détenir un siège de membre permanent.

Parce que “le XXIe siècle sera le siècle des pays qui n’ont pas eu leur chance”, et parce qu’il s’estime personnellement “à la moitié de [son] parcours politique”, Lula (65 ans) pourrait présenter sa candidature au secrétariat général de l’ONU en 2012. Il devrait aussi militer pour améliorer le G20, dont il juge l’influence “très faible”.

On n’a pas fini d’entendre l’ancien métallo, ami des favelas et des investisseurs. On n’a pas fini d’entendre parler d’un Brésil à l’aube de ses “trente glorieuses”.

Article paru dans l’édition du 25.05.10

http://www.lemonde.fr/

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