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CORPUS CRISTI – Homilia Laica

Hoje, muito simples:  Feriado de Corpus Christi.

“Este é o meu corpo… isto é o meu sangue… fazei isto em memória de mim”.

(Cristo, Ultima Ceia)

CEIA 21

Duvido que alguém saiba exatamente o que isto significa. Dizem que é um feriado religioso, da Igreja Católica. Vou conferir. Também não sei do que se trata. Mas antes de achar o significado da data descubro duas barbaridades cometidas pela mesma Igreja: A morte na fogueira de Jerônimo de Praga e Joana D ‘Arc.  Pura coincidência, pois a celebração do Corpus Christi é uma data móvel , enquanto os assassinatos são datados. Azar da Igreja, que melhor faria enfrentar a coincidência falando sobre o assunto, de resto já consertado ao reconhecer a falha dos processos contra os dois mártires. O silêncio, no caso, é mais um pecado… Ou seria outra? Afinal , não sou muito versado em assuntos religiosos, embora não me faça disso motivo de orgulho. Grandes intelectuais contemporâneos como Max Weber e Karl Yung, além de meu preferido, …, dedicaram longos anos à obras sobre o gênero. Conclusão: O homem não vive sem uma dimensão mística, religiosa, capaz de explicar o que ninguém explica. Daí a fé.

Eis, rapidamente,  os pecados  cristãos desta data há alguns séculos, antes da proclamação da virtude:

1416 – Jerônimo de Praga é condenado à morte na fogueira por heresia, pelo Concílio de Constança, realizado na cidade de Constança, na Alemanha.

Jerônimo de Praga (1379 — 30 de maio de 1416) foi o principal discípulo e o mais devotado amigo de Jan Huss, o célebre reformador religioso  tcheco.

Formação acadêmica

Nasceu em Praga, filho de família de posses. Após tornar-se bacharel na Universidade de Praga em 1398, no ano seguinte iniciou viagens por boa parte da Europa. Em 1402 visitou a Inglaterra e esteve na Universidade de Oxford, onde estudou e copiou as obras Dialogus e CEIA 2Trialogus de John Wycliffe e interessou-se pelo movimento lolardo, inspirado pelo mesmo Wyclif no século anterior. Em 1403 ele foi a Jerusalem e em 1405 estudou naUniversidade de Paris, onde obteve o grau de Mestre. Em 1406 Jerônimo de Praga obteve o mesmo grau na Universidade de Colônia e, um pouco depois, na Universidade de Heidelberg, ambas na atual Alemanha.

Defendendo a Reforma Religiosa

Em 1407 esteve por pouco tempo em Oxford novamente, para voltar novamente a Praga nos anos seguintes, onde suas posições nacionalistas começavam a provocar perseguições por parte da Igreja. Em janeiro de 1410, fez pronunciamentos em favor das filosofias de Wyclif, o que foi citado contra si no Concílio de Constança, quatro anos mais tarde. Em março de 1410, foi editada uma bula papal contra os escritos de Wyclif, o que causou a prisão de Jerônimo em Viena e sua excomunhão da Igreja pelo Bispo de Cracóvia. Conseguindo escapar, voltou a Praga, passando a defender publicamente as teses de reforma da Igreja pregadas por Jan Huss, que por sua vez reforçavam muitas das teses de John Wyclif. Em 1413 Jerônimo de Praga visitou as cortes da Polônia e da Lituânia, causando profunda impressão por seu diferenciado saber e eloqüência.

No Concílio de Constança

Martírio de Jerônimo de Praga, do Livro de Mártires de John Foxe (1563)

Quando Jan Huss viaja para o Concílio de Constança, em outubro de 1414, Jerônimo lhe assegura que o seguiria para ajudá-lo, caso fosse necessário, promessa que logo lhe faria chegar a Constança, em 4 de abril de 1415. Ao contrário de Huss, que obtivera um salvo-conduto para proteger-se, Jerônimo nada possuía para defender-se, razão pela qual os amigos insistiam para que voltasse a Praga. Em 20 de abril foi preso e enviado a Sulzbach, retornando a Constança em 23 de maio para ser imediatamente processado pelo Concílio.

Sua condenação, como a de Huss, já estava pré-determinada, tanto em conseqüência de seu apoio a muitas das idéias de Wyclif (embora discordasse de algumas) quanto por sua aberta admiração por Huss. Assim, não teve a oportunidade de defender-se em um julgamento justo. As condições de sua prisão eram tão severas que ele ficou seriamente doente, tendo sido induzido a retratar-se em duas reuniões públicas do Concílio (11 e 23 de setembro de 1415). As palavras colocadas em sua boca nessas ocasiões fizeram-no renunciar aos ensinos de Wyclif e Huss. A mesma saúde abalada o fez escrever cartas ao rei da Boêmia e à Universidade de Praga em que declarava estar convencido de que era justa a condenação de Huss à morte na fogueira por heresia, o que havia ocorrido em 6 de julho daquele ano. Nem mesmo essa conduta rendeu sua libertação, nem mesmo qualquer diminuição da sua pena. Em maio de 1416 Jerônimo de Praga foi posto novamente em julgamento pelo Concílio. Em 28 de maio, ele veementemente retratou-se de sua retratação, sendo finalmente condenado por heresia em 30 de maio e queimado na fogueira ainda no mesmo dia.

Legado ]

Suas extensas viagens, sua ampla erudição, sua eloquência, sua inteligência e sabedoria fizeram dele um formidável crítico da degenerada Igreja daqueles tempos, que chegou a possuir três papas ao mesmo tempo (ver Cisma Papal). Foram essas qualidades que fizeram repercutir suas profundas críticas à Igreja, contribuindo, mais que qualquer heresia, para sua condenação à morte. Sua morte ocorreu menos de um ano após a morte de Huss, contribuindo para inflamar o movimento nacionalista da Boêmia, que resultou em uma série de movimentos armados conhecidos como guerras hussitas. Jerônimo de Praga, assim como Jan Huss e John Wyclif, é considerado precursor da Reforma Protestante que ocorreria no século XVI. Jerônimo morreu cantando salmos na fogueira.

1431 – Em Ruão, na França, Joana d’Arc é queimada na fogueira aos 19 anos por bruxaria.

Joana foi presa em uma cela escura e vigiada por cinco homens. Em contraste ao bom tratamento que recebera em sua primeira prisão, Joana agora vivia seus piores tempos.

O processo contra Joana teve início no dia 9 de janeiro de 1431, sendo chefiado pelo bispo de Beauvais, Pierre Cauchon. Foi um processo que passaria à posteridade e que converteria Joana em heroína nacional, pelo modo como se desenvolveu e trouxe o final da jovem, e da lenda que ainda nos dias de hoje mescla realidade com fantasia.

Dez sessões foram feitas sem a presença da acusada, apenas com a apresentação de provas, que resultaram na acusação de heresia e assassinato.

No dia 21 de fevereiro Joana foi ouvida pela primeira vez. A princípio ela se negou a fazer o juramento da verdade, mas logo o fez. Joana foi interrogada sobre as vozes que ouvia, sobre a igreja militante, sobre seus trajes masculinos. No dia 27 e 28 de março, Thomas de Courcelles fez a leitura dos 70 artigos da acusação de Joana, e que depois foram resumidos a 12, mais precisamente no dia 5 de abril. Estes artigos sustentavam a acusação formal para a Donzela buscando sua condenação.

No mesmo dia 5, Joana começou a perder saúde por causa de ingestão de alimentos venenosos que a fez vomitar. Isto alertou Cauchon e os ingleses, que lhe trouxeram um médico. Queriam mantê-la viva, principalmente os ingleses, porque planejavam executá-la.

Durante a visita do médico, Jean d’Estivet acusou Joana de ter ingerido os alimentos envenenados conscientemente para cometersuicídio. No dia 18 de abril, quando finalmente ela se viu em perigo de morte, pediu para se confessar.

Os ingleses impacientaram-se com a demora do julgamento. O Conde de Warwick disse a Cauchon que o processo estava demorando muito. Até o primeiro proprietário de Joana, Jean de Luxemburgo, apresentou-se a Joana fazendo-lhe a proposta de pagar por sua liberdade se ela prometesse não atacar mais os ingleses. A partir do dia 23 de maio, as coisas se aceleraram, e no dia 29 de maio ela foi condenada por heresia.

A morte 

JOANNA NA FOGUEIRA

 

 

Joana d’Arc sendo queimada viva.

Joana foi queimada viva em 30 de maio de 1431, com apenas dezenove anos. A cerimónia de execução aconteceu na Praça do Velho Mercado (Place du Vieux Marché), às 9 horas, em Ruão.

Antes da execução ela se confessou com Jean Totmouille e Martin Ladvenu, que lhe administraram os sacramentos da Comunhão. Entrou, vestida de branco, na praça cheia de gente, e foi colocada na plataforma montada para sua execução. Após lerem o seu veredito, Joana foi queimada viva. Suas cinzas foram jogadas no rio Sena, para que não se tornassem objeto de veneração pública. Era o fim da heroína francesa.

 

A revisão do seu processo começou a partir de 1456, quando foi considerada inocente pelo Papa Calisto III, e o processo que a condenou foi considerado inválido, e em 1909 a Igreja Católica autoriza sua beatificação. Em 1920, Joana d’Arc é canonizada pelo Papa Bento XV.

Agora, o  “Corpus Christi”:

A data pretende celebrar o Corpo e Sangue de Cristo na Eucaristia, um momento importante da ligurgia cristã referido à última ceia de Jesus com os apóstolos, na quinta-feira anterior à Paixão,  quando lhes distribuiu o pão e o vinho.  Foi instituída pelo Papa Urbano IV com a bula Transiturus de hoc mundo, em 11 de agosto de 1264 – embora decretada cinco anos depois – ,  devendo cair na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade que ocorre no domingo depois de Pentecostes ou 60 dias após a Páscoa. Aos leigos, tudo isto soa  entre o desconhecido e o misterioso. Mas a verdade é que a tradição foi se consagrando em toda a Europa Cristã, especialmente na Diocese de Colônia, hoje Alemanha. Em Roma já se tem dela notícia desde 1350

“O papa Urbano IV, na época o cônego Tiago Pantaleão de Troyes, arcediago do Cabido Diocesano de Liège, na Bélgica, recebeu o segredo das visões da freira agostiniana Juliana de Mont Cornillon, que teve visões de Cristo demonstrando desejo de que o mistério da Eucaristia fosse celebrado com destaque.

Por solicitação do papa Urbano IV, que, na época, governava a Igreja, os objetos milagrosos foram para Orviedo em grande procissão, sendo recebidos solenemente por sua santidade e levados para a Catedral de Santa Prisca. Esta foi a primeira procissão do Corporal Eucarístico. A 11 de agosto de 1264, o papa lançou de Orviedo para o mundo católico através da bula Transiturus de hoc mundo o preceito de uma festa com extraordinária solenidade em honra do Corpo do Senhor.”

As procissões de Corpus Christi , no Brasil, iniciaram-se no Período Colonial em Ouro Preto. Hoje disseminam-se por várias cidades nas quais são feitos desenhos litúrgicos com flores, folhas e serragem. nas ruas por onde passam.

No Brasil, a tradição manda enfeitar as ruas com flores e serragem de cores vivas, que formam desenhos simbólicos. Isso acontece principamente nas cidades históricas e nas capitais, como Pirenópolis, em Goiás, São Paulo capital, Jacobina, na Bahia, e Castelo, no Espírito Santo. Mas o costume também se estende por todo o país.

http://dreamguides.edreams.pt/brasil/corpus-christi

A celebração religiosa do Corpo de Cristo merece, porém, uma homilia laica, vez que remete à comunhão de toda a humanidade em torno do pão e do vinho. A homilia é sempre a preleção de um religioso – homiliasta – no decorrer de uma celebração, normalmente após a leitura de alguma parte da Bíblia. Consta que era muito usado do período inicial do cristianismo, seguindo o exemplo do Mestre, tendo sempre um caráter  coloquial no tratamento das questões de fé, Deus e a religião, embora assumindo várias intenções: explicativa, exegética, quando isso é feito através das Escrituras e exortativo, caso em que procura exaltas as verdades aí contidas. Nada impede, porém, que se tome de empréstimo da liturgia esta boa prática que fez com a Igreja Católica tivesse o êxito que teve ao longo dos séculos.

Há na celebração três importantes considerações:

Primeiro, a idéia mesma da comunhão como um ato simbólico da confraternização, em que o sagrado se liga misticamente ao profano – o pão e o vinho – entregando-lhes um significado imaterial. Esta comunhão não se restringe ao Profeta ou seus clérigos mas pretende disseminar-se a todos os fiéis.

E aqui, a segunda observação: Estes fiéis não se restringem ao povo eleito de Deus, como na tradição judaica, de onde nasceu o Cristianismo, mas se estende urbi e orbi, a todos os lugares e a todos, tal como na bênção dominical até hoje feita pelo Papa no Vaticano.CEIA 3 - last supper rafaeli

Sendo destinada a toda a humanidade, a fé cristã, ao contrário da judaica, aqui também, devia ser divulgada através do proselitismo – pregação – , instituído, aliás, por Paulo e levado a cabo depois da Reforma Religiosa com grande afinco por diversas Ordens, principalmente jesuítas.

Muitas das considerações acima foram assumidas, também, por Luthero e os reformadores da Igreja de Roma e se converteram em verdadeiros ideias de reorganização da sociedade O caso mais clássico, curiosamente, foi o das 13  Colônias Americanas que mais tarde dariam origem aos Estados Unidos. Desde sua origem, a sociedade americana foi constituída com base em valores cristãos os quais lhe davam um sentido de conversão da humanidade inteira ao seu modelo de organização e vida. Daí à arrogância do “Consenso de Washington” que consagra pela força a Pax Americana  foi um pulo…

A celebração de Corpus Christi não se esgota, portanto, apenas na valorização da figura de Jesus no campo da doutrina e fé cristãs. Ele remete para a Comunhão da Humanidade como um corpo que deve ser reunido em torno de valores fundamentais, começando pela fraternidade em torno da mesa. Só os mamíferos superiores compartem o produto da caça, muitas vezes obtido pela cooperação coletiva, com sua espécie ou clã. E tivemos que chegar ao Império Romano para aprendermos a comer à mesa. Falta-nos, entretanto, alguns passos para que façamos sentar ao cardápio da civilização, hoje,  a humanidade inteira, com emprego para todos e alimento à mesa sem discriminações e exclusões. Este o verdadeiro sentido do cristianismo, cujo significado é exatamente universalização da condição humana.

Em boa hora, Sua Santidade o Papa, talvez interpretando desta forma a celebração de Corpus Christi, desferiu nos últimos dias 21 de maio, na cozinha ( ! ) do Vaticano e  22, na Casa Dom de Maria (!!), também no Vaticano,  explícita crítica ao capitalismo sem face, selvagem,  que mantém 26 milhões de desempregados na União Europeia enquanto trilhões de dólares, cada vez mais concentrados, não ultrapassando se controle a 0,35% da população mundial são entesourados em Paraísos Fiscais, à salvo de impostos, e de qualquer sentido social. Para não falar no bilhão de pessoas que passam fome no mundo, enquanto os celeiros das tradigns estão repletos de commodities na forma de  alimentos convertidos em fontes de lucro.

Cidade do Vaticano, 22 mai 2013 (Ecclesia) – O Papa deixou críticas ao “capitalismo selvagem” durante uma visita à casa ‘Dom de Maria’, dirigida pelas religiosas de Madre Teresa de Calcutá, que acolhe pessoas necessitadas, no Vaticano.

“O capitalismo selvagem ensinou a lógica do lucro a qualquer custo”, disse Francisco, numa intervenção divulgada hoje pelo portal de notícias ‘news.va’.

A visita, que decorreu na tarde de terça-feira, visou assinalar o 25.º aniversário da entrega da gestão desta casa de acolhimento a Madre Teresa por João Paulo II.

O Papa Francisco elogiou a hospitalidade “sem distinção de nacionalidade ou religião” que se vive na instituição, pedindo que se recupere o “sentido do dom”, da gratuidade e da solidariedade.

A intervenção sublinhou a importância de travar a “exploração que não olha às pessoas”.

“Vemos os resultados nesta crise que estamos a viver”, acrescentou.

                       (http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=95618)

A data, portanto, é um bom momento de reflexão sobre a fé mas, também, sobre a esperança de que o cristianismo, com sua força massiva e inequívoca capacidade de persuasão, ultrapasse os limites da liturgia para ajudar a encontrar uma saída para o difícil momento por que passa a Humanidade.

 

O poeta MANOEL de ANDRADE escreve sobre sua resistente viagem pela América Latina no livro: “O BARDO ERRANTE” / curitiba.pr

Na década de 60 tudo estava no ar e bastava o compromisso de sonhar para que os caminhos se abrissem magicamente. Contudo nem todas as portas da realidade se abriram aos ideais e nem todos os visionários que lutaram por uma nova sociedade conseguiram sobreviver às suas trincheiras. O poeta Manoel de Andrade trilhou esse venturoso tempo pelos caminhos da América Latina, identificado com a história e as bandeiras revolucionárias desfraldadas pelo continente. Neste artigo ele faz uma reflexão sobre os sentimentos e as emoções que marcaram a agenda daqueles anos, dizendo da ventura de ter sido jovem nesse tempo e do desencanto de ver, atualmente,  as utopias desterradas. Fala-nos da trágica herança dos nossos dias, de um mundo sem norte, sem porto e de um tempo marcado pela perplexidade e os pressentimentos. Contudo, nesse impasse,  sua alma de poeta não abdica de sonhar, imaginando que a misteriosa dialética do  tempo nos reconduza a um amanhecer , aos territórios  da esperança e a um mundo possível e melhor.

 

 

 

NOS RASTROS DA UTOPIA (*)… (capitulo)

 

                                                              Manoel de Andrade

 

                                                                                                            Se as coisas são inatingíveis… ora!
Não é motivo para não querê-las…
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas!

                                                                                                                   Mário Quintana

 

Eram os últimos dias de 1969 e, nas conversas em Lima, discutíamos a herança que recebéramos dos “anos rebeldes”. A década de 60 se iniciara com um exército murando a liberdade de Berlím, mas terminara com três astronautas abrindo os caminhos do universo. Naqueles anos o mundo comovera-se com a mensagem de paz e de amor, na imagem sacrificada de Martin Luther King, e conhecera o real significado da resistência, na figura irretocável de Ho Chi Minh. A revolta de Nanterre mobilizara os estudantes do mundo inteiro e, ao longo do
continente, aportávamos em 1970 na crista de uma poderosa onda libertária, cujas espumas espraiavam o exemplo de Che Guevara. Vivíamos num tempo sem liberalismo e sem globalização e Cuba surgia como uma alternativa socialista e referência da luta revolucionária. O mundo era uma alquimia de ideias e a América Latina seu melhor laboratório. A nova história, no contexto continental, era a de uma só nação, de um só povo, latino e “indo-americano”  — na expressão de Mariátegui. A esperança era uma bandeira hasteada no coração de todos os que ousavam sonhar com uma sociedade justa e fraterna, fossem eles um guerrilheiro, um intelectual engajado ou integrasse uma vanguarda estudantil. Nossa ancestralidade cultural – manchada pela violência colonial e por tantos mártires na memória sangrenta de cinco séculos – era redescoberta como uma fonte trazendo novas águas para interpretar a história. Nossos sonhos navegavam no misterioso veleiro do tempo, enfunado pelos ventos da fé revolucionária, carregado de hinos e canções libertárias, levando a mãe-terra e as sementes para os deserdados, carregado com as emoções e o encanto da solidariedade e rumando à sociedade que sonhávamos.

Nós, os poetas, expressávamo-nos pelos líricos rastros dessa ansiada utopia, cantando as primícias de um novo mundo e pressentindo as luzes daquele imenso amanhecer. Transitávamos na rota das estrelas, em busca de um porto no horizonte, em busca de um homem novo, de uma terra prometida a ser entrevista nos primeiros clarões da madrugada. Havia uma perseverante certeza no amanhã e muitos caíram lutando com essa crença tatuada na alma, embora os sobreviventes nunca tenham chegado a contemplar essa alvorada.

Nos anos 60, ser jovem significava estar comprometido com uma fé, com uma causa social e, naqueles passos da história, era um desconforto, perante o grupo, não ter um engajamento político e, pior ainda, ser de “direita”. Na juventude daqueles anos, ser um “reacionário” era um estigma. Essa era a palavra com que nós, da “esquerda”, desfazíamos ideologicamente os adversários da “direita” e até os dogmáticos do Partidão, por quem éramos chamados de revisionistas. Por outro lado, falava-se de um “Poder Jovem”. Mas que “poder jovem” era aquele, maquiado com a credibilidade das filosofias orientais se esse poder não estivesse comprometido com o significado social da liberdade e da justiça? A ideologia marxista não nos permitia confundir os ideais inconsequentes da contracultura com o ideário daqueles que estavam dispostos a dar a vida pela construção de uma nova sociedade. Era como se houvesse, na América Latina, duas Mecas para a juventude: uma em Berkeley e outra em Cuba.

Se a palavra “esquerda”, perante as benesses do poder, foi perdendo sua transparência ideológica, é imprescindível não se perder o significado histórico dessa dicotomia, já que na sua origem, durante a Revolução Francesa, o clero e a nobreza ficavam à direita do rei e os representantes do povo a sua esquerda. Passados duzentos e vinte anos, todos sabemos qual o lado que continua defendendo as causas sociais. Os princípios são intocáveis mas não as ideias. É razoável, portanto, que possamos resignificá-las redefinindo as cores de nossa antiga bandeira, assim como reconhecer os equívocos e os defeitos congênitos da propria  “esquerda”.

          Os anos 60, ricos pela geração de novas teses sociais, por filosofias que apontavam para o progresso das relações humanas, não mostrariam, no gosto amargo dos frutos, o doce sabor semeado pela esperança. Os grandes sonhos políticos foram desmobilizados por interesses ideológicos equivocados, pelo oportunismo eleitoral e pela sedução do poder. Os sonhos alimentados pela contracultura, inicialmente legitimados pelas postulações contra os males do capitalismo, perderam-se nas perigosas síndromes da ilusão propiciada pelas drogas, pelos desencantos da sexualidade e pela posterior dependência de tecnologias alienantes. Sonhos e esperanças  acabaram desaguando neste inquietante “mar de sargaços” em que se transformou o mundo, onde navegam os corsários da ambição e da crueldade.

          Mas também havia jovens que não vivenciaram essa sublime  emoção de indignar-se com as injustiças. Naqueles anos, numa outra linha de reações,  uma elitizada coluna de jovens marchava contra  tudo pelo que lutávamos. Conheci essas sinistras figuras nas ruas de Curitiba. Porta-vozes da alta hierarquia da Igreja, desfilavam altaneiras, com seus paramentos medievais, nos primeiros anos da ditadura no Brasil, defendendo o regime militar e os interesses conservadores da oligarquia que representavam com os estandartes da “Tradição, Família e Propriedade”. Vi também seus parceiros, no Chile, liderados por Maximiano Griffin Ríos, em 1969, durante o governo de Eduardo Frei, portando, nos panos ao vento com o emblema da “Fiducia”, o ódio social, o ressentimento contra um cristianismo que abraçava as causas populares e, sobretudo, plantando as sementes da conspiração que derrubaria, com outros aliados sanguinários, o governo legítimo de Salvador Allende.

          A partir da década de70 aascensão do capitalismo financeiro, sob o disfarce de globalização, começou a estender as suas redes e a ganhar, com armas invencíveis, essa nova e imensa guerra mundial, avançando com sua voracidade, desterrando os valores humanos, gerando multidões de excluídos,  triturando nossas utopias, transformando o planeta num supermercado e descaracterizando a própria  cultura com atraentes modelos de um consumismo supérfluo e descartável.

Ainda que haja, no Brasil, muitos jovens “conectados”, preocupados com a ética, com as fronteiras alarmantes da corrupção, com a redenção ambiental e com belos projetos comunitários, toda aquela geração foi vítima da nova ordem social imposta ao longo dos vinte e um anos de ditadura militar, sendo induzida a “educar-se” pela cartilha da Educação Moral e Cívica, focada na obediência, passividade, no anti-comunismo e num patrioterismo doentio. Vítimas de todo um processo subliminar de moldagem comportamental, os jovens que abdicaram da consciência crítica foram transformados em meros consumidores.  Formam parte da juventude apressada dos nossos dias, descomprometida com os problemas sociais, imediatista, avessos à leitura,  ou derrotada pelo vício. Essa é a face trágica de um segmento da juventude contemporânea: jovens como meras marionetes de um mercado global de ilusões, aculturados pelas novas midias, homogeneizados desde os primeiros anos para consumir, abdicando quase sempre da análise dos fatos e do estágio promissor da cidadania.

          Os precursores involuntários da pós-modernidade – leia-se Nietzsche e Heidegger – e os seus mais ilustres ideólogos, na filosofia e na arte, aliaram-se ao trabalho posterior de demolição comandado pela globalização. Reagindo aos paradigmas orgulhosos e dogmáticos da ciência mecanicista do século XIX, os intelectuais niilistas apostaram na reação generalizada da descrença nos valores humanos, desconstruindo o significado da verdade, da beleza e da transcendência do humanismo na tradição ocidental; anunciando uma liberdade sem a noção do dever; desrespeitando os arquétipos da religiosidade; desqualificando a história; invertendo a estética da arte ao despojá-la da estesia e do encanto  – (e se há algum mérito nos exageros da arte moderna é o de retratar o perfil catastrófico do mundo contemporâneo); retirando a melodia da música,  proclamando a irreverência  e ironizando os ideais e o significado da utopia. Sobre esse termo, tão desfigurado em nossos dias, certa vez estudantes colombianos fizeram ao celebrado cineasta argentino Fernando Birri, a seguinte pergunta: Para que serve a utopia? Ele respondeu que a utopia é como a linha do horizonte, está sempre a nossa frente e por isso nunca podemos alcançá-la. Se andamos dez, vinte, cem passos, ela sempre estará adiante de nós. Se a buscamos, ela se afasta. Para que serve a utopia? perguntou ele, respondendo: Para fazer-nos caminhar…

 

Embora  quase tudo tenha sido desconstruído, nossos ideais desterrados e a globalização já não nos deixe sonhar e nos insinue a esquecer, é imprescindível acreditar que há uma Fênix entre as cinzas que restaram do mundo pelo qual lutamos. Não abdicamos da esperança, mas reconhecemos que nosso veleiro soçobrou e que seus restos foram bater nas praias melancólicas desses anos. Sobrevivemos quais náufragos num mar de ultrajes e decepções, junto com os destroços das grandes ideologias e com as cruéis aberrações que envergonharam os nossos sonhos ao vermos  o marxismo dogmatizado pelo stalinismo e ao compreendermos porque murchava a “Primavera de Praga”. Sobrevivemos nas lágrimas derramadas sobre as páginas d’O Arquipélago Gulag,  no desencanto de saber a beleza da utopia hegeliana invertida pelo totalitarismo nazista e o conhecimento científico manchado pela explosão atômica.

A contracultura, a pós-modernidade, a globalização e a destruição ambiental, são os novos cavaleiros do mundo apocalíptico que recebemos. Dessas quatro patéticas “figuras”, as três primeiras causaram efeitos desastrosos sobre a cultura – e lá na região andina, minha nova escola naqueles anos, a globalização insinuaria o esquecimento da história e da cultura deparando-se com a luta dos peruanos ante a herança quéchua e a resistência inquebrantável dos bolivianos pela manutenção da cultura aymara  –  e as duas últimas sobre os rumos futuros da humanidade.

Não herdamos somente a decepção, mas uma crônica indignação a despeito de qualquer otimismo. Hoje somos, tão somente, seres comprados nesse grande shopping de negócios e aparências em que se transformou o mundo, herdeiros impotentes de um sonho, vivendo num mundo alienante, distópico e devorado pelas fauces da globalização.

Anos 60 — que ventura ter sido jovem naquele tempo! Lá a realidade estava a poucos passos dos ideais.

Século XXI  — que estranha transição! Para onde vamos? Sem norte, sem porto, sem um amanhecer! Quanta perplexidade, quantos pressentimentos!  Haverá outro mundo, melhor e possível? Sem crueldade, estupidez e promessas mentirosas? São perguntas plurais que pedem respostas plurais. Essa é uma transição sombria balizada pela desventura e o desencanto. É um tempo de antíteses. Esperamos que o próprio Tempo, com sua misteriosa dialética, traga-nos uma regenerada síntese. Nesse impasse restam-nos, contudo, os territórios invioláveis da imaginação e da esperança e para mim um pouco mais: a transcendência, e a grata introspecção nessas memórias.

(*) Este texto é parte de livro que o autor está escrevendo sobre seus anos de auto-exílio, na América Latina.

revista Hispanista.

O Pensamento de Parmênides – editoria

 

Seu pensamento está exposto num poema filosófico intitulado Sobre a Natureza e sua permanência, dividido em duas partes distintas: uma que trata do caminho da verdade (alétheia) e outra que trata do caminho da opinião (dóxa), ou seja, daquilo onde não há nenhuma certeza. De modo simplificado, a doutrina de Parmênides sustenta o seguinte:

  • Unidade e a imobilidade do Ser;
  • O mundo sensível é uma ilusão;
  • O Ser é Uno, Eterno, Não-Gerado e Imutável.
  • Não se confia no que vê.

Devido a essas , alguns veem no poema de Parmênides o próprio surgimento da ontologia. Ao mesmo tempo, o pensamento de Parmênides é tradicionalmente visto como o oposto ao de Heráclito de Éfeso.

Para alguns estudiosos, Parmênides fundou a metafísica ocidental com sua distinção entre o Ser e o Não-Ser. Enquanto Heráclito ensinava que tudo está em perpétua mutação, Parmênides desenvolvia um pensamento completamente antagônico: “Toda a mutação é ilusória”.

Parmênides vai então afirmar toda a unidade e imobilidade do Ser. Fixando sua investigação na pergunta: “o que é”, ele tenta vislumbrar aquilo que está por detrás das aparências e das transformações.

Assim, ele dizia: “Vamos e dir-te-ei – e tu escutas e levas as minhas palavras. Os únicos caminhos da investigação em que se pode pensar: um, o caminho que é e não pode não ser, é a via da Persuasão, pois acompanha a Verdade; o outro, que não é e é forçoso que não seja, esse digo-te, é um caminho totalmente impensável. Pois não poderás conhecer o que não é, nem declará-lo.”

Numa interpretação mais aprofundada dos fragmentos de Heráclito e Parmênides, podemos achar um mesmo todo para os dois e esta oposição entre suas visões do todo passa a ser cada vez menor.

Parmênides comparava as qualidades umas com as outras e as ordenava em duas classes distintas. Por exemplo, comparou a luz e a escuridão, e para ele essa segunda qualidade nada mais era do que a negação da primeira.

Diferenciava qualidades positivas e negativas e, esforçava-se em encontrar essa oposição fundamental em toda a Natureza. Tomava outros opostos: leve-pesado, ativo-passivo, quente-frio, masculino-feminino, fogo-terra, vida-morte, e aplicava a mesma comparação do modelo luz-escuridão; o que corresponde à luz era a qualidade positiva e o que corresponde à escuridão, a qualidade negativa. O pesado era apenas uma negação do leve. O frio era uma negação do quente. O passivo uma negação ao ativo, o feminino uma negação do masculino e, cada um apenas como negação do outro.

Por fim, nosso mundo dividia-se em duas esferas: aquela das qualidades positivas (luz, quente, ativo, masculino, fogo, vida) e aquela das qualidade negativas (escuridão, frio, passivo, feminino, terra, morte). A esfera negativa era apenas uma negação da esfera positiva, isto é, a esfera negativa não continha as propriedades que existiam na esfera positiva.

Ao invés das expressões “positiva” e “negativa”, Parmênides usa os termos metafísicos de “ser” e “não-ser”. O não-ser era apenas uma negação do ser. Mas ser e não-ser são imutáveis e imóveis. No seu livro: Metafísica, Aristóteles expõe esse pensamento de Parmênides: “Julgando que fora do ser o não-ser é nada, forçosamente admite que só uma coisa é, a saber, o ser, e nenhuma outra… Mas, constrangido a seguir o real, admitindo ao mesmo tempo a unidade formal e a pluralidade sensível, estabelece duas causas e dois princípios: quente e frio, vale dizer, Fogo e Terra. Destes (dois princípios) ele ordena um (o quente) ao ser, o outro ao não-ser.”

O Vir-a-Ser

Quanto às mudanças e transformações físicas, o Vir-a-Ser, que a todo instante vemos ocorrer no mundo, Parmênides as explicava como sendo apenas uma mistura participativa de ser e não-ser. “Ao vir-a-ser é necessário tanto o ser quanto o não-ser. Se eles agem conjuntamente, então resulta um vir-a-ser”.

Um desejo era o fator que impelia os elementos de qualidades opostas a se unirem, e o resultado disso é um vir-a-ser. Quando o desejo está satisfeito, o ódio e o conflito interno impulsionam novamente o ser e o não-ser à separação.

Parmênides chega então à conclusão de que toda mudança é ilusória. Só o que existe realmente é o ser e o não-ser. O vir-a-ser é apenas uma ilusão sensível. Isto quer dizer que todas as percepções de nossos sentidos apenas criam ilusões, nas quais temos a tendência de pensar que o não-ser é, e que o vir-a-ser tem um ser.

O Ser-Absoluto

Toda nossa realidade é imutável, estática, e sua essência está incorporada na individualidade divina do Ser-Absoluto, o qual permeia todo o Universo. Esse Ser é onipresente, já que qualquer descontinuidade em sua presença seria equivalente à existência de seu oposto – o Não-Ser.

Esse Ser não pode ter sido criado por algo pois isso implicaria em admitir a existência de um outro Ser. Do mesmo modo, esse Ser não pode ter sido criado do nada, pois isso implicaria a existência do “Não-Ser”. Portanto, o Ser simplesmente é.

Simplício da Cilícia, em seu livro Física, assim nos explica sobre a natureza desse Ser-Absoluto de Parmênides: “Como poderia ser gerado? E como poderia perecer depois disso? Assim a geração se extingue e a destruição é impensável. Também não é divisível, pois que é homogêneo, nem é mais aqui e menos além, o que lhe impediria a coesão, mas tudo está cheio do que é. Por isso, é todo contínuo; pois o que é adere intimamente ao que é. Mas, imobilizado nos limites de cadeias potentes, é sem princípio ou fim, uma vez que a geração e a destruição foram afastadas, repelidas pela convicção verdadeira. É o mesmo, que permanece no mesmo e em si repousa, ficando assim firme no seu lugar. Pois a forte Necessidade o retém nos liames dos limites que de cada lado o encerra, porque não é lícito ao que é ser ilimitado; pois de nada necessita – se assim não fosse, de tudo careceria. Mas uma vez que tem um limite extremo, está completo de todos os lados; à maneira da massa de uma esfera bem rotunda, em equilíbrio a partir do centro, em todas as direções; pois não pode ser algo mais aqui e algo menos ali.”

Ser-Absoluto não pode vir-a-ser. E não podem existir vários “Seres-Absolutos”, pois para separá-los precisaria haver algo que não fosse um Ser. Consequentemente, existe apenas a Unidade eterna.

texto original da wikipédia.

 

Os vídeos do kit anti-homofobia incentivariam a homossexualidade? PARTICIPE:

Assista às produções e deixe a sua opinião sobre a polêmica

Vazados na internet, vídeos do kit anti-homofobia do Ministério da Educação (MEC) causam polêmica entre grupos conservadores e os defensores dos direitos dos homossexuais.
Antes de qualquer divulgação oficial, anonimamente, uma pessoa postou na rede os três vídeos, que contêm mensagens sobre transexualidade, bissexualidade, e homossexualidade. Assista às produções e deixe a sua opinião:

UM clique no centro do vídeo:

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a postagem acima foi realizada ao mesmo tempo em que era noticiada a retirada desse material do programa educacional do MEC por ordem da Presidenta DILMA ROUSSEFF, que quer discutir sobre o assunto.

A DESTRUIÇÃO DA ESFERA PÚBLICA PELA METÁSTASE DA INTIMIDADE – por zygmunt bauman

‘na Coreia do Sul, por exemplo, onde a maior parte da vida social já é habitualmente mediada por aparelhos eletrônicos (ou, ao contrário, onde a vida social já se transformou em vida eletrônica ou em cibervida, e onde a “vida social”, em boa parte, transcorre principalmente na companhia de um computador, de um iPod ou de um celular e só secundariamente na companhia de outros seres de carne e osso), é totalmente evidente aos jovens que eles não têm nem uma migalha de escolha: lá onde vivem, viver a vida social pela via eletrônica não é mais uma escolha, mas sim uma necessidade, um “pegar ou largar”. A “morte social” espera aqueles poucos que ainda não se conectaram (…) os adolescentes equipados com confessionários eletrônicos portáteis nada mais são do que aprendizes em formação e formados na arte de viver em uma sociedade-confessionário, uma sociedade notória por ter apagado o limite que tempos atrás separava público e privado, por ter feito da exposição pública do privado uma virtude pública e um dever, e por ter retirado da comunicação pública qualquer coisa que resista a se deixar reduzir a confidências privadas, junto com aqueles que se recusam a fazer isso…” (Zygmunt Bauman, La República/IHU).

C.Maior.