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O POETA Manoel de Andrade lança seu livro NOS RASTROS DA UTOPIA e convida:

A CONVITE

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ERIC HOBSBAWN, UM DOS MAIORES HISTORIADORES DO SÉCULO XX, MORRE AOS 95

Mente brilhante e autor do clássico “A era dos extremos”, ele foi um dos principais observadores do século XX; sua morte foi anunciada nesta manhã em Londres, pela filha Julia

1 DE OUTUBRO DE 2012 ÀS 07:40

247 – Acaba de ser anunciada a morte de Eric Hobsbawn, um dos maiores historidadores de todos os tempos, autor do clássico “A era dos extremos”.Marxista, Hobsbawn influenciou uma longa geração de historiadores e políticos e teve sua morte anunciada nesta manhã pela filha Julia, em Londres.

De acordo com o também historiador Nial Ferguson, os livros de Hobsbawn são o melhor ponto de partida para qualquer pessoa disposta a conhecer o que foi o século XX, marcado por guerras e revoluções.

Nascido em Alexandria, no Egito, e filho de uma família judia, ele foi criado em Viena e Berlim e se mudou para Londres em 1933, ano em que Hitler chegou ao poder. Desde 1978, ele era membro da British Academy.

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Veja os livros de Eric Hobsbawm publicados no Brasil

01 de outubro de 2012 

Eric Hobsbawn, um dos maiores historiadores do último século, em foto de 2008. Foto: EFE
Eric Hobsbawn, um dos maiores historiadores do último século, em foto de 2008
Foto: EFE

Falecido nesta segunda-feira em Londres aos 95 anos, o historiador britânicos Eric Hobsbawm é referência unânime para o estudo da história moderna e o marxismo. Confira abaixo algumas suas obras publicadas no Brasil:

A era das revoluções – 1789-1848 (2009, Paz e Terra)

A era do capital – 1848-1875 (2009, Paz e Terra)

A era dos impérios – 1875-1914 (2009, Paz e Terra)

A era dos extremos – O breve século XX (1995, Cia. das Letras)

História do marxismo – 12 volumes (1985-1989, Paz e Terra)

Estratégias para uma esquerda racional – Escritos políticos – 1977-1988 (1991, Paz e Terra)

A revolução francesa (1996, Paz e Terra)

História social do jazz (1990, Paz e Terra)

Ecos da Marselhesa – Dois séculos reveem a Revolução Francesa (1996, Cia. das Letras)

Pessoas extraordinárias – Resistência, rebelião e jazz (1998, Paz e Terra)

Sobre história (1998, Cia. das Letras)

Mundos do trabalho (2000, Paz e Terra)

O novo século – Entrevista a Antonio Polito (2000) – também em edição de bolso (2009, Cia. das Letras)

Tempos interessantes – Uma vida no século XX (2002, Cia. das Letras)

Revolucionários – Ensaios contemporâneos (2003, Paz e Terra)

A transição do feudalismo para o capitalismo – Um debate (com outros autores) (2004, Paz e Terra)

Depois da queda – O fracasso do comunismo e o futuro do socialismo (com outros autores) (2005, Paz e Terra)

Globalização, democracia e terrorismo (2007, Cia. das Letras)

A invenção das tradições (2008, Paz e Terra)

Nações e nacionalismo desde 1780 (2008, Paz e Terra)

Da revolução industrial inglesa ao imperialismo (2009, Forense Universitária)

Bandidos (2010, Paz e Terra)

Os trabalhadores – Estudos sobre a história do proletariado (2010, Paz e Terra)

Como mudar o mundo – Marx e o marxismo 1840-2011 (2011, Cia. das Letras)

PARA A GAUCHADA NA SEMANA FARROUPILHA – HOMENAGEM 1 – TRECHO DO ROMANCE “ENCAIXOTANDO BRASÍLIA” – por abelardo barbosa brandão / brasilia.df

…Boato do dia: “Pimenta fugiu”. “Vamos ver, se ele conseguir, quem sabe, nós fazemos o mesmo”, disse o Gaúcho esfregando as mãos. Pelo que vi no mapa, vai virar almoço de onça, isto se não morrer afogado, pegar malária ou outra doença pior, comentei pessimista como sempre. De boatos em boatos íamos levando a vida. Continuamos com nosso joguinho de vôlei de manhã, à tarde consertávamos as casas, o muro e limpávamos o Igarapé da Bosta. O Gaúcho, como “comandante dos presos”, dirigia as operações. Quando chegava no dístico “Aqui Defendemos a Fronteira do Brasil”, eu costumava fazer uma piadinha, quase sempre sobre a capacidade daquela meia dúzia de soldados que tomavam conta da prisão, serem capazes de defender alguma fronteira. O Gaúcho retrucava professoral: “É simbólico, igual quando a gente faz uma cerca na fazenda, avisando ao vizinho: daqui para dentro a terra é minha”. É preciso ver se o vizinho vai respeitar, pensei na Segunda Guerra, todos fizeram suas cerquinhas, os alemães vieram com tanques e aviões e passaram por cima de tudo. “Vizinhos sempre se respeitam”, disse o Gaúcho, pensando em fazendeiros.

Estava arrumando um telhado, do alto da escada avistei um grupo de índios trazendo um homem numa rede. Era o Pimenta. O indivíduo ficou magro, magérrimo, em menos de um mês a Terçã deixou-o irreconhecível, do rosto redondo sobrou uma cara esquelética assustadora, amarela. Tudo nele ficou amarelo, a pele, os lábios, o branco dos olhos, as unhas, tudo. Quando o vi de perto pensei que já estava morto, mas os índios faziam sinais dizendo que não. Os Juminás viviam numa aldeia ali perto e encontraram o Pimenta a uns oitenta quilômetros ao Norte, próximo de um lugar chamado Ponta dos Índios, perto do Cabo Orange. Ia na direção do mar, devia ter um plano, não sei se contaria, era calado, quieto. No momento não conseguia falar nada, mesmo que quisesse. O comandante mandou os cozinheiros arranjarem comida, montaram um prataço de quatro andares: o primeiro andar só com feijão enlatado, o segundo, inhame com linguiça de lata, o terceiro de farinha derramando pelas bordas, e lá no alto, como se fosse o atrativo principal, uma banana cozida, gentileza do cozinheiro. Imaginei que aquela comidaria ia acabar de matá-lo, mas não, quando viu a comida ficou mais animado, mas não conseguiu engolir três colheradas, só comeu a banana. “Dê-lhe água, muita água, está desidratado”, recomendou o enfermeiro, ao mesmo tempo enfiou-lhe dois comprimidos de Aralen na boca. Deixamos que tentasse comer em paz, depois iríamos ver se dizia algo de útil para uma fuga mais concatenada. O Periquito, como o Gaúcho chamava o comandante, botou-lhe uma semana atrás das grades e mandou aumentar a comida e o Aralen. Quando saiu, pouco falava, mesmo diante da insistência do Gaúcho. “Por que foste na direção Norte, rapaz?” Insistiu o Gaúcho. “Não sei, Queria chegar no mar, no Atlântico. É muito longe, só andava de dia, orientado pelo sol, não levei bússola. Ainda bem que os índios apareceram, senão morria de fome e da malária.”
O Gaúcho tentava conversar com os índios, saber mais sobre a região, difícil, não falava a língua deles e depois havia um problema sério, falavam sem parar, todos de uma vez, acho que gostavam do som de suas próprias vozes. Não eram como nós, que esperamos o outro acabar e respondemos. Não, eles falavam, falavam e falavam, às vezes todos juntos uma confusão danada. A chamada da manhã era a melhor parte do dia, repetindo o próprio nome, como se estivesse reconhecendo a veracidade da situação. “É. Sou eu mesmo e estou aqui, vivo”. Em três meses, tínhamos pintado as casas e consertado as instalações de água e luz. Começamos a construir uma fossa enorme, na tentativa de salvar o Igarapé da Bosta que agora era chamado Igarapé do Lacerda, homenagem ao governador do Rio. O comandante mandou, e a maioria de nós tratamos de cumprir, não tinha queixa dele, diferente do Gaúcho, que o considerava, no mínimo um reacionário e de vez em quando comentava entre brincalhão e irônico: “Bem que podíamos tomar este quartel vagabundo, botamos o Papagaio na gaiola e nos declaramos rebelados”. Não é Papagaio, é Periquito. E fazer o quê depois, embrenhar-se na mata por mais de quatrocentos quilômetros e pedir asilo ao Governo da Guiana? Do jeito que são as coisas por lá, mandariam nos fuzilar na hora, só para ficar com as armas e as botas. “Papagaio ou Periquito, que diferença faz”. Pra você nenhuma, só entende de cavalos. “Companheiro, podemos tentar sair por mar, teve um francês que fugiu de uma prisão na Guiana e ninguém sabe como, chegou na França, o nome me escapa agora, mas é chamado de borboleta em francês, li algo sobre ele, pena não ter trazido o livro, ia facilitar”. Você deve ter lido algum romance francês, isso sim, vai ver o cara saiu borboleteando mar adentro até chegar em Paris, depois deu uma volta em torno da Torre Eiffel, tipo Santos Dumont. “Tchê, tu és muito jovem, não sabe nada, é inculto como uma boceta, age por impulso. Já percebi que estás querendo dizer que nosso pai da aviação era viado. Quando sairmos daqui vou te levar na Livraria Civilização Brasileira do meu amigo Ênio da Silveira, o livro está na prateleira, aí tu vais ver”.
Com o tempo fiquei amigo do Gaúcho, sentávamos juntos no almoço, jantar e café da manhã e passei até a responder seu “buenos dias garoto” com outro “buenos dias, tchê”. Até hoje, passados mais de quarenta anos, ainda respondo cumprimentos matutinos com um “buenos dias” para espantar o mau humor, e não há como deixar de lembrar do Gaúcho. Dizia ter quarenta anos (quase o dobro da minha idade), baixinho, pernas curtas, cabelo avermelhado cortado rente, voz ranheta e a calça sempre abaixo da linha da cintura, querendo cair, mas suspensa de vez em quando em um movimento automático. Do que sente mais falta? “Primeiro, da mulher e da filharada, segundo, do frio que permitia lagartear de manhã, em terceiro lugar, do chimarrão. Do meu cavalo não vou sentir tanta falta, por aqui tem uns pangarés, mas vi também um Frontino e um Gateado muito bonito. Bem que tentava substituir sua bebida predileta, produzindo um chá forte de mate queimado, que conseguia às escondidas com o cozinheiro. O frio podia esquecer, estávamos em cima da linha do Equador, o calor era alarmante, só diminuía quando desabava o temporal. Nem sei como fiquei amigo do Gaúcho, éramos tão diferentes, além de que eu detestava o frio, gostava de café e não era chegado a cavalos, preferia gatos com sua costumeira independência. Ele poderia passar horas, como às vezes passava, falando de cavalos. “Você sabe tchê, que existem mais de cinqüenta cores de cavalos? Alazão, Argel, Arminado, Estrelado, Prateado, Quatralvo…
Ele tinha uma expressão favorita: “a concha é uma adaptação ao animal que vive nela”. Eu insistia que era o inverso e argumentava que a selva não era um mundo adaptado aos índios, eles é que se adaptaram a selva. Ele contra argumentava explicando que na selva viviam milhares de animais e “eles é que fizeram da selva, a selva. Sem pessoas ou animais não há selva. Assim como sem o ser humano não há terra”. Íamos nos infiltrando por discussões intermináveis, resultante da falta do que fazer. Algumas sobre prisão, é claro. Eu insistia que todos ali, incluído o comandante, estavam tão presos quanto nós, com a diferença que podiam comunicar-se com as famílias ou até trazê-las. Retrucava didaticamente, para que eu pudesse entender, que a liberdade não era um substantivo concreto, mas abstrato, que nossos guardas tinham a perspectiva e a sensação que estavam livres, nós não, isto é que fazia a diferença. Na dúvida, consultávamos os livros dele: Kant, Hegel e até Aristóteles, que nunca consegui compreender. “Marx não tem, os militares confiscaram”. Ainda bem, só serve para iludir os meninos. O Gaúcho discordava irritado e bramia todas aquelas frases prontas do Manifesto Comunista, do tipo “vós não tendes nada a perder além de teus grilhões”, referindo-se aos pobres. Eu sabia, por experiência própria, que era o contrário: os pobres têm tão pouco, que quando perdem, perdem tudo, acho que por isso, as revoluções sempre veem de cima, dos que tem a perder. Argumentar contra Marx era bobagem. Para o Gaúcho, ele se assemelhava a Deus, estava muito acima de qualquer mortal, e não sei como depois de passar por tantas revistas, conseguiu chegar ao Oiapoque com uma pequena foto de seu ídolo…. Era um sujeito culto e de posição ideológica inflexível, acreditava que a solução para o Brasil era uma revolução que implantasse aqui o Marxismo-Leninismo. Hoje isto pode parecer a muita gente uma heresia, mas aqueles eram tempos de mudanças, tudo parecia possível aos olhos de pessoas como o Gaúcho… “Conheces alguma coisa da história do Brasil, tchê?”
Bem, mais ou menos, Pedro Álvares Cabral, Tiradentes, Pedro I, Princesa Isabel, Floriano Peixoto. “Não! Estou falando da história recente, não dessas pessoas que a gente nem sabe direito se existiram mesmo, da história como um conjunto de fatos articulados com causas e efeitos”. Nunca pensei muito nisso, só sei que somos um país explorado, primeiro por Portugal, depois pelos ingleses e agora, os americanos. “É, mas não se esqueça que começamos nossa caminhada como um país que produzia o que se toma depois da sobremesa, uma semente que era posta ao sol para secar, depois torrada, depois esmigalhada, depois virava pó e levada a água fervente resultava num líquido feio e amargo que só descia garganta abaixo se botássemos açúcar. Então trocávamos essa semente seca e queimada por outros produtos, e assim íamos avançando, mas como queríamos tomar café, começamos a produzir o açúcar, como era muito amargo mesmo assim, começamos a produzir leite. A partir desse produtozinho vagabundo conseguimos criar uma nação. Para que isso fosse possível, tivemos uma política construída por algumas pessoas de visão. Anote aí na tua cabeça oca, o nome dessa política é o nacional-desenvolvimentismo”.
Tá, mas e os ciclos do açúcar, do ouro?
“Não interessa agora, já passou, já era, agora o que interessa é como sair do líquido preto e feio e produzir outras coisas, além de dar empregos, saúde e educação para o povo. O nacional-desenvolvimentismo vinha tentando manter alguma independência e promover o desenvolvimento com a grana do próprio governo, ou seja, dos impostos que arrancam de todos nós. Só que essa política está esgotada, entende tchê, esgotada. Temos que partir para uma atitude mais ousada, nos libertarmos por completo dos gringos, adotar outro regime político, fazer uma ruptura com o passado anacrônico, modernizar o Brasil”.

DALTON TREVISAN vence o PRÊMIO CAMÕES (português)

Escritor brasileiro vence Prêmio Camões

 

O escritor brasileiro Dalton Trevisan, 86, foi anunciado o vencedor da 24ª edição do Prêmio Camões nesta segunda-feira (21), em Lisboa. A premiação, criada em 1988 por Brasil e Portugal, é o principal reconhecimento da literatura em língua portuguesa.

O júri, formado por seis representantes de Portugal, Brasil, Moçambique e Angola, reuniu-se nesta manhã para eleger o ganhador. Dalton Trevisan foi premiado por sua “dedicação ao fazer literário”, segundo o escritor Silviano Santiago, um dos integrantes do júri.

“A escolha de Dalton Trevisan foi unânime. Houve uma discussão maravilhosa entre os membros do júri de cerca de duas horas e depois chegamos a essa decisão consensual”, afirmou Santiago em nota divulgada pela Fundação Biblioteca Nacional, responsável pelo prêmio no Brasil. “Primeiramente, pela contribuição extraordinária de Dalton Trevisan para a arte do conto, em particular para o enriquecimento de uma tradição que vem de Machado de Assis, no Brasil, de Edgar Allan Poe, nos EUA, e de Borges, na Argentina.”

Nascido em Curitiba em 14 de junho de 1925, Dalton Jérson Trevisan é autor de “O Vampiro de Curitiba” (1965), uma das suas obras mais conhecidas. Entre outros títulos notáveis do escritor estão “Vozes do Retrato – Quinze Histórias de Mentiras e Verdades” (1998), “O Maníaco do Olho Verde” (2008), “Violetas e Pavões” (2009), “Desgracida” (2010) e “O Anão e a Ninfeta” (2011).

Reprodução
O escritor Dalton Trevisan, vencedor do Prêmio Camões, que não se deixa fotografar, em uma de suas raras imagens
O escritor Dalton Trevisan, vencedor do Prêmio Camões, que não se deixa fotografar, em uma de suas raras imagens

O poeta MANOEL de ANDRADE escreve sobre sua resistente viagem pela América Latina no livro: “O BARDO ERRANTE” / curitiba.pr

Na década de 60 tudo estava no ar e bastava o compromisso de sonhar para que os caminhos se abrissem magicamente. Contudo nem todas as portas da realidade se abriram aos ideais e nem todos os visionários que lutaram por uma nova sociedade conseguiram sobreviver às suas trincheiras. O poeta Manoel de Andrade trilhou esse venturoso tempo pelos caminhos da América Latina, identificado com a história e as bandeiras revolucionárias desfraldadas pelo continente. Neste artigo ele faz uma reflexão sobre os sentimentos e as emoções que marcaram a agenda daqueles anos, dizendo da ventura de ter sido jovem nesse tempo e do desencanto de ver, atualmente,  as utopias desterradas. Fala-nos da trágica herança dos nossos dias, de um mundo sem norte, sem porto e de um tempo marcado pela perplexidade e os pressentimentos. Contudo, nesse impasse,  sua alma de poeta não abdica de sonhar, imaginando que a misteriosa dialética do  tempo nos reconduza a um amanhecer , aos territórios  da esperança e a um mundo possível e melhor.

 

 

 

NOS RASTROS DA UTOPIA (*)… (capitulo)

 

                                                              Manoel de Andrade

 

                                                                                                            Se as coisas são inatingíveis… ora!
Não é motivo para não querê-las…
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas!

                                                                                                                   Mário Quintana

 

Eram os últimos dias de 1969 e, nas conversas em Lima, discutíamos a herança que recebéramos dos “anos rebeldes”. A década de 60 se iniciara com um exército murando a liberdade de Berlím, mas terminara com três astronautas abrindo os caminhos do universo. Naqueles anos o mundo comovera-se com a mensagem de paz e de amor, na imagem sacrificada de Martin Luther King, e conhecera o real significado da resistência, na figura irretocável de Ho Chi Minh. A revolta de Nanterre mobilizara os estudantes do mundo inteiro e, ao longo do
continente, aportávamos em 1970 na crista de uma poderosa onda libertária, cujas espumas espraiavam o exemplo de Che Guevara. Vivíamos num tempo sem liberalismo e sem globalização e Cuba surgia como uma alternativa socialista e referência da luta revolucionária. O mundo era uma alquimia de ideias e a América Latina seu melhor laboratório. A nova história, no contexto continental, era a de uma só nação, de um só povo, latino e “indo-americano”  — na expressão de Mariátegui. A esperança era uma bandeira hasteada no coração de todos os que ousavam sonhar com uma sociedade justa e fraterna, fossem eles um guerrilheiro, um intelectual engajado ou integrasse uma vanguarda estudantil. Nossa ancestralidade cultural – manchada pela violência colonial e por tantos mártires na memória sangrenta de cinco séculos – era redescoberta como uma fonte trazendo novas águas para interpretar a história. Nossos sonhos navegavam no misterioso veleiro do tempo, enfunado pelos ventos da fé revolucionária, carregado de hinos e canções libertárias, levando a mãe-terra e as sementes para os deserdados, carregado com as emoções e o encanto da solidariedade e rumando à sociedade que sonhávamos.

Nós, os poetas, expressávamo-nos pelos líricos rastros dessa ansiada utopia, cantando as primícias de um novo mundo e pressentindo as luzes daquele imenso amanhecer. Transitávamos na rota das estrelas, em busca de um porto no horizonte, em busca de um homem novo, de uma terra prometida a ser entrevista nos primeiros clarões da madrugada. Havia uma perseverante certeza no amanhã e muitos caíram lutando com essa crença tatuada na alma, embora os sobreviventes nunca tenham chegado a contemplar essa alvorada.

Nos anos 60, ser jovem significava estar comprometido com uma fé, com uma causa social e, naqueles passos da história, era um desconforto, perante o grupo, não ter um engajamento político e, pior ainda, ser de “direita”. Na juventude daqueles anos, ser um “reacionário” era um estigma. Essa era a palavra com que nós, da “esquerda”, desfazíamos ideologicamente os adversários da “direita” e até os dogmáticos do Partidão, por quem éramos chamados de revisionistas. Por outro lado, falava-se de um “Poder Jovem”. Mas que “poder jovem” era aquele, maquiado com a credibilidade das filosofias orientais se esse poder não estivesse comprometido com o significado social da liberdade e da justiça? A ideologia marxista não nos permitia confundir os ideais inconsequentes da contracultura com o ideário daqueles que estavam dispostos a dar a vida pela construção de uma nova sociedade. Era como se houvesse, na América Latina, duas Mecas para a juventude: uma em Berkeley e outra em Cuba.

Se a palavra “esquerda”, perante as benesses do poder, foi perdendo sua transparência ideológica, é imprescindível não se perder o significado histórico dessa dicotomia, já que na sua origem, durante a Revolução Francesa, o clero e a nobreza ficavam à direita do rei e os representantes do povo a sua esquerda. Passados duzentos e vinte anos, todos sabemos qual o lado que continua defendendo as causas sociais. Os princípios são intocáveis mas não as ideias. É razoável, portanto, que possamos resignificá-las redefinindo as cores de nossa antiga bandeira, assim como reconhecer os equívocos e os defeitos congênitos da propria  “esquerda”.

          Os anos 60, ricos pela geração de novas teses sociais, por filosofias que apontavam para o progresso das relações humanas, não mostrariam, no gosto amargo dos frutos, o doce sabor semeado pela esperança. Os grandes sonhos políticos foram desmobilizados por interesses ideológicos equivocados, pelo oportunismo eleitoral e pela sedução do poder. Os sonhos alimentados pela contracultura, inicialmente legitimados pelas postulações contra os males do capitalismo, perderam-se nas perigosas síndromes da ilusão propiciada pelas drogas, pelos desencantos da sexualidade e pela posterior dependência de tecnologias alienantes. Sonhos e esperanças  acabaram desaguando neste inquietante “mar de sargaços” em que se transformou o mundo, onde navegam os corsários da ambição e da crueldade.

          Mas também havia jovens que não vivenciaram essa sublime  emoção de indignar-se com as injustiças. Naqueles anos, numa outra linha de reações,  uma elitizada coluna de jovens marchava contra  tudo pelo que lutávamos. Conheci essas sinistras figuras nas ruas de Curitiba. Porta-vozes da alta hierarquia da Igreja, desfilavam altaneiras, com seus paramentos medievais, nos primeiros anos da ditadura no Brasil, defendendo o regime militar e os interesses conservadores da oligarquia que representavam com os estandartes da “Tradição, Família e Propriedade”. Vi também seus parceiros, no Chile, liderados por Maximiano Griffin Ríos, em 1969, durante o governo de Eduardo Frei, portando, nos panos ao vento com o emblema da “Fiducia”, o ódio social, o ressentimento contra um cristianismo que abraçava as causas populares e, sobretudo, plantando as sementes da conspiração que derrubaria, com outros aliados sanguinários, o governo legítimo de Salvador Allende.

          A partir da década de70 aascensão do capitalismo financeiro, sob o disfarce de globalização, começou a estender as suas redes e a ganhar, com armas invencíveis, essa nova e imensa guerra mundial, avançando com sua voracidade, desterrando os valores humanos, gerando multidões de excluídos,  triturando nossas utopias, transformando o planeta num supermercado e descaracterizando a própria  cultura com atraentes modelos de um consumismo supérfluo e descartável.

Ainda que haja, no Brasil, muitos jovens “conectados”, preocupados com a ética, com as fronteiras alarmantes da corrupção, com a redenção ambiental e com belos projetos comunitários, toda aquela geração foi vítima da nova ordem social imposta ao longo dos vinte e um anos de ditadura militar, sendo induzida a “educar-se” pela cartilha da Educação Moral e Cívica, focada na obediência, passividade, no anti-comunismo e num patrioterismo doentio. Vítimas de todo um processo subliminar de moldagem comportamental, os jovens que abdicaram da consciência crítica foram transformados em meros consumidores.  Formam parte da juventude apressada dos nossos dias, descomprometida com os problemas sociais, imediatista, avessos à leitura,  ou derrotada pelo vício. Essa é a face trágica de um segmento da juventude contemporânea: jovens como meras marionetes de um mercado global de ilusões, aculturados pelas novas midias, homogeneizados desde os primeiros anos para consumir, abdicando quase sempre da análise dos fatos e do estágio promissor da cidadania.

          Os precursores involuntários da pós-modernidade – leia-se Nietzsche e Heidegger – e os seus mais ilustres ideólogos, na filosofia e na arte, aliaram-se ao trabalho posterior de demolição comandado pela globalização. Reagindo aos paradigmas orgulhosos e dogmáticos da ciência mecanicista do século XIX, os intelectuais niilistas apostaram na reação generalizada da descrença nos valores humanos, desconstruindo o significado da verdade, da beleza e da transcendência do humanismo na tradição ocidental; anunciando uma liberdade sem a noção do dever; desrespeitando os arquétipos da religiosidade; desqualificando a história; invertendo a estética da arte ao despojá-la da estesia e do encanto  – (e se há algum mérito nos exageros da arte moderna é o de retratar o perfil catastrófico do mundo contemporâneo); retirando a melodia da música,  proclamando a irreverência  e ironizando os ideais e o significado da utopia. Sobre esse termo, tão desfigurado em nossos dias, certa vez estudantes colombianos fizeram ao celebrado cineasta argentino Fernando Birri, a seguinte pergunta: Para que serve a utopia? Ele respondeu que a utopia é como a linha do horizonte, está sempre a nossa frente e por isso nunca podemos alcançá-la. Se andamos dez, vinte, cem passos, ela sempre estará adiante de nós. Se a buscamos, ela se afasta. Para que serve a utopia? perguntou ele, respondendo: Para fazer-nos caminhar…

 

Embora  quase tudo tenha sido desconstruído, nossos ideais desterrados e a globalização já não nos deixe sonhar e nos insinue a esquecer, é imprescindível acreditar que há uma Fênix entre as cinzas que restaram do mundo pelo qual lutamos. Não abdicamos da esperança, mas reconhecemos que nosso veleiro soçobrou e que seus restos foram bater nas praias melancólicas desses anos. Sobrevivemos quais náufragos num mar de ultrajes e decepções, junto com os destroços das grandes ideologias e com as cruéis aberrações que envergonharam os nossos sonhos ao vermos  o marxismo dogmatizado pelo stalinismo e ao compreendermos porque murchava a “Primavera de Praga”. Sobrevivemos nas lágrimas derramadas sobre as páginas d’O Arquipélago Gulag,  no desencanto de saber a beleza da utopia hegeliana invertida pelo totalitarismo nazista e o conhecimento científico manchado pela explosão atômica.

A contracultura, a pós-modernidade, a globalização e a destruição ambiental, são os novos cavaleiros do mundo apocalíptico que recebemos. Dessas quatro patéticas “figuras”, as três primeiras causaram efeitos desastrosos sobre a cultura – e lá na região andina, minha nova escola naqueles anos, a globalização insinuaria o esquecimento da história e da cultura deparando-se com a luta dos peruanos ante a herança quéchua e a resistência inquebrantável dos bolivianos pela manutenção da cultura aymara  –  e as duas últimas sobre os rumos futuros da humanidade.

Não herdamos somente a decepção, mas uma crônica indignação a despeito de qualquer otimismo. Hoje somos, tão somente, seres comprados nesse grande shopping de negócios e aparências em que se transformou o mundo, herdeiros impotentes de um sonho, vivendo num mundo alienante, distópico e devorado pelas fauces da globalização.

Anos 60 — que ventura ter sido jovem naquele tempo! Lá a realidade estava a poucos passos dos ideais.

Século XXI  — que estranha transição! Para onde vamos? Sem norte, sem porto, sem um amanhecer! Quanta perplexidade, quantos pressentimentos!  Haverá outro mundo, melhor e possível? Sem crueldade, estupidez e promessas mentirosas? São perguntas plurais que pedem respostas plurais. Essa é uma transição sombria balizada pela desventura e o desencanto. É um tempo de antíteses. Esperamos que o próprio Tempo, com sua misteriosa dialética, traga-nos uma regenerada síntese. Nesse impasse restam-nos, contudo, os territórios invioláveis da imaginação e da esperança e para mim um pouco mais: a transcendência, e a grata introspecção nessas memórias.

(*) Este texto é parte de livro que o autor está escrevendo sobre seus anos de auto-exílio, na América Latina.

revista Hispanista.

Morre o escritor Antonio Tabucchi / italia.it

O italiano era conhecido por obras como “Afirma Pereira” e “O Tempo Envelhece Depressa”

Morre o escritor Antonio Tabucchi Reprodução/Arquivo Pessoal

Tabucchi faleceu aos 68 anosFoto: Reprodução / Arquivo Pessoal

O escritor italiano Antonio Tabucchi faleceu em Lisboa aos 68 anos após uma longa doença, informou neste domingo o tradutor de sua obra para o francês, Bernard Comment.

Considerado um dos maiores autores italianos contemporâneos, Antonio Tabucchi escreveu obras como Afirma Pereira e O Tempo Envelhece Depressa.

Autor de mais de 20 livros traduzidos para quase 40 idiomas, este romancista, professor universitário e ensaísta era o principal tradutor e promotor da obra do escritor português Fernando Pessoa em italiano.

Vários romances de Tabucchi foram adaptados para o cinema, como Noturno Indiano(prêmio Médicis estrangeiro, 1987), por Alain Corneau, e Afirma Pereira, por Roberto Faenza, com Marcello Mastroianni como protagonista, o que contribuiu para o sucesso da obra.

Profesor de literatura portuguesa na Universidade de Siena (Italia) e romancista, Antonio Tabucchi foi articulista dos jornais Corriere della Sera e El País (Espanha). Foi um grande crítico do governo de Silvio Berlusconi.

Filho único de um vendedor de cavalos, Tabucchi, nascido em 24 de setembro de 1943 em Pisa, na Toscana, estudou Filologia Românica e, a partir de 1962, Literatura em Paris, onde descobriu o poeta Fernando Pessoa ao ler a tradução para o francês de um de seus poemas.

O entusiasmo com a descoberta o levou a estudar o idioma e a cultura de Portugal, que se tornou sua segunda pátria. Tabucchi estudou Literatura Portuguesa na Universidade de Siena e redigiu uma tese sobre o “Surrealismo em Portugal”. Apaixonado por Pessoa, traduziu toda sua obra para o italiano, ao lado da mulher, que conheceu em Portugal.

AFP.

VOCÊ É ALGUÉM? – por omar de la roca / são paulo.sp

Tem que começar por algum lugar. Foi o que consegui pensar. Não adianta querer iniciar com frases de efeito estufa, com algum comentário sobre o metro de SP ( cada dia pior, não sei se o metro ou as pessoas ) ou sobre a política que insiste em se fazer presente,mostrando a cada dia como somos vulneráveis a ela. Ainda não cheguei a uma conclusão sobre o que  nos falta . Talvez  seriedade. Ou vergonha na cara. Mas os exemplos estão por ai, todos os dias. Basta ter olhos para ver.   Acabei de ler um livro. Sinto que terei que rele-lo de novo , não é erro  não, refiro me a reler com novos olhos . Confesso que fui lendo e achando o livro meio chato enquanto virava as páginas. Ele conta a vivência de uma mulher que cresceu em Dublin no meio do século passado e suas experiências sombrias com a família, sexo, alcoolismo,maus tratos e relacionamentos. Mas acho que sobretudo, sobre a convivência dela com ela mesma. Quase no fim, ela me conquistou com as Afterwords, como uma conclusão, um balanço sobre a influência do livro publicado, no seu dia a dia,enquanto o livro esteve em destaque.  Ela publica trechos de cartas que recebeu    de leitores comentando sobre a importância do livro dela em suas vidas. Entre outras, gostaria de destacar :

“ … On the surface my visits serve little purpose and certainly do me no good. But she once said, ‘ You’re the only one I have’ , and so I keep going …”

“ Aparentemente minhas visitas serviam para pouco e não me faziam bem.Mas uma vez ela me disse : ‘ Você é a única pessoa que tenho,’ E então continuei indo…”

“ What can I do but take my chances ? And what else can I do ? Look after my teeth, listen to all the music I can, and keep going. Keep working on my escape tunnels out of the past. Keep hoping to break through to the here-and-now. To be just myself, like the cat, which is so perfectly and unself-conciously a cat and does not know it will perish. What can I do, when everything is so various and so beyond me, but cling on, and thank the God I don’t believe in for the miracles showered on me ? “

“ O que mas posso fazer senão aproveitar minhas chances ? O que mais posso fazer ? Cuidar de meus dentes ,  ouvir toda a musica que puder e ir seguindo. Seguir trabalhando em meus túneis de escape de meu passado . Esperando quebrar a rotina do aqui e agora. Ser eu mesma, como o gato, que , tão perfeita e inconscientemente é um gato e não sabe que ira perecer.  O que mais posso fazer sendo tudo tão variado e tão além de meu controle, senão continuar e agradecer ao Deus que eu não acredito pelos milagres que recebi ? “

Sei que fica meio vago, sem ler o livro.  As vezes uma coisa insignificante para nós, pode ser muito para outra pessoa. Ou pode não ser nada . Um gesto, um abraço, pode ser um conforto. Mas também o outro pode estar querendo mais,muito mais, além do que podemos dar. É Nuala , temos que seguir em frente. Não adianta se lembrar do passado e ficar com pena de si mesmo. É preciso se reinventar, derrubar muros, desbravar fronteiras. Tentar ao menos saber quem somos dentro de nós mesmos. Não temos como saber o que as pessoas esperam de nós. Mas podemos ao menos ser gentis. E atentos. Cada pessoa é em si um continente a ser explorado .  Como poderemos, com nossa própria experiência , saber o que se passa do outro lado ?

O livro é  –  Are you somebody ?  de Nuala O’Faolain , não sei se existe tradução.

Lançamento do livro “O Lugar do Olhar – a cianotopia no ensino em artes visuais” – de joaquim jesus / port.pt

U.Porto Editorial / Universidade do Porto

23 de fevereiro, às 18h00

Fnac de Santa Catarina (Porto)

 

 

 

“Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”. É com estas palavras de José Saramago em “Ensaio sobre a Cegueira” que Joaquim Jesus inicia a obra “O Lugar do Olhar. A cianotipia no ensino em artes visuais”, na qual propõe “uma reflexão crítica sobre os processos de aprender a ver” no âmbito do ensino das artes visuais. O livro, editado pela U.Porto editorial vai ser apresentado no próximo dia 23 de fevereiro, às 18h00, na Fnac de Santa Catarina, no Porto, por José Alberto Correia, diretor da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, e Catarina Martins, professora na Faculdade de Belas da U.Porto.

Considerando que os mecanismos de visão moldam a perceção daquilo que vemos e a nossa compreensão do presente, Joaquim Jesus convida-nos, neste livro, a pensar criticamente a maneira como olhamos para as coisas. O convite dirige-se particularmente aos alunos de artes visuais para os quais é essencial entender criticamente os fenómenos da visão e da perceção.

“O Lugar do Olhar” resulta de uma experiência em contexto de estágio numa escola secundária: a partir do diálogo entre uma fotografia com câmara e uma fotografia sem câmara (cianotipia) constrói-se uma alegoria que faz pensar criticamente a construção da visua­lidade do aluno e do professor no ensino em artes visuais, bem como os efeitos desta na produção de subjetividades. Para esse efeito, a Cianotipia (procedimento fotográfico monocromático que permite obter uma cópia em cor azul) enquanto instrumento concetual deste discurso, permite abordar, através de um olhar crítico sobre o ensino das artes visuais, algumas questões “permanentes” em educação.

Joaquim Jesus (1980) é licenciado em Artes Plásticas-Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e mestre em Ensino das Artes Visuais pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação e Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Expõe regularmente conta já com diversos prémios na área da pintura. Atualmente é professor de Artes Visuais no Ensino Básico e Secundário, e Investigador colaborador do I2ADS — Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.

 

 

U.Porto editorial

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“PRIVATARIA TUCANA” esgota-se em 4 dias, é o best seller de 2011/12. Veja a entrevista de AMAURY RIBEIRO JR

o jornalista AMAURY RIBEIRO JUNIOR concede entrevista ao jornalista PAULO HENRIQUE AMORIM, veja:

UM clique no centro do vídeo:

Campana vai bem de Isaías – por helio de freitas puglielli / curitiba

Que Fábio Campana escreve bem é uma realidade que só pode ser negada por inimigos explícitos (que ele mesmo diz não serem poucos) e pelos não-declarados (sabe-se lá quantos).

Qualquer crítico isento, que esteja concentrado no texto e não na pessoa, que procure a qualidade literária acima de tudo, não se deixando influenciar por antagonismos de opinião ou desavenças pessoais, terá de chegar necessariamente à conclusão: Fábio escreve bem.

Escrever bem já é mérito inconteste, considerando que muita gente pretenciosa anda por aí barbarizando a língua, não vamos dizer portuguesa, mas a língua de Machado, Lima Barreto e Mário de Andrade, a nossa língua literária, bem brasileira.

E bem brasileiro é o Fabio, não obstante o castelhano tenha ressoado junto ao seu berço e acompanhado seus primeiros passos.

E da língua pulamos para o que realmente interessa. Pois a verdade é que não basta escrever bem. Há quem escreva bem sem dizer nada. Há quem escreva bem sem qualquer forma de identificação, com sua época, com os outros e até sem qualquer identificação ou compromisso consigo próprio. Parte da literatura brasileira contemporânea anda padecendo desse mal, com que muitos não se importam e que, por isso mesmo, tende a se alastrar.

Compreende-se que, depois do surto geral de engajamento liberado pela redemocratização dos anos 80, a literatura brasileira deveria tratar menos de temas ligados ao dramático período de combate à ditadura e à repressão. Mas as letras também não são favorecidas por obras vazias de conteúdo, exercícios de escrita sem nenhuma motivação concreta vinda da sensibilidade de alguém perante o mundo.

O escritor não é obrigado a ser homem de seu tempo, a filtrar nos textos os problemas da vida real e as angústias do contexto histórico. Quando foi obrigado, como na época do “realismo socialista”, formulado por Jdanov e imposto por Stalin, os resultados não foram bons. Mas o escritor tem de insuflar vida ao que escreve, pois o texto pelo texto (ou a arte pela arte, dizia-se antigamente) não se sustenta. “Muitos escritores estão voltando à masturbação”, resumiria grosseiramente o  filósofo da Boca Maldita, se ainda existisse um filósofo na Boca.

Fabio não só escreve bem, mas sente com intensidade tudo o que vem de fora e de dentro de si próprio, ou seja, sua consciência entra em sintonia com os fatos externos e os interioriza para a seguir processá-los na forma de texto. A quem objetar que é sempre assim com qualquer escritor, replicaremos que tudo depende do grau da intensidade, do grau de consciência e do grau de sintonia, além da forma de processamento. Nosso autor, em matéria de todos esses graus, está no alto da escala, ao passo que muitos escritores contemporâneos estão lá embaixo.

E vem vindo em escala ascendente, desde os contos de Restos Mortais e No Campo do Inimigo, passando pela poesia de O Paraíso em Chamas, até chegar aos romances O Guardador de Fantasmas, Todo o Sangue, O Último Dia de Cabeza de Vaca e Ai.

Agora, reúne suas crônicas mais recentes no volume A Árvore de Isaías, colocando-se no nível dos grandes cronistas brasileiros. E, como o Brasil teve e tem bons cronistas, figurar em pé de igualdade com eles é, sem dúvida, uma façanha.

Nosso autor não conquista essa posição apenas com talento. Sua maturidade é fruto de um longo processo existencial, que ele descreve explicitamente na primeira crônica do livro e, aqui e ali, em várias outras.

Parece que só quem sofreu, só quem passou por traumáticas desilusões, quem sobreviveu ao desmoronar de certezas e esperanças, pode agora narrar fatos com lucidez, equilíbrio, firmeza e suave ironia (em alguns textos não tão suave, vale ressalvar).  Como bom jornalista (e o escritor se fortalece com isso), Fabio enfrenta, glosa e transfigura fatos, retalhos do mundo e do seu mundo, suas memórias, seus pensamentos.

Ótimo cronista. E, se na Boca está faltando um filósofo, tudo indica que Curitiba, o Paraná e além-fronteiras estão bem servidos, pois as ressonâncias da filosofia de vida podem (e devem) reverberar na plena autenticidade do texto literário.

O recém-falecido Steve Jobs, gênio da informática. afirmou que trocaria toda a sua tecnologia por uma tarde com Sócrates. Eu troco um monte de livros de intragáveis autores promovidos pela mídia editorial por apenas um volume de um escritor como Campana.

Helio de Freitas Puglielli é jornalista e professor.

A ARTE de BEIJAR – por lourivaldo baçan / são paulo

O dicionário diz que um beijo é “uma saudação feita tocando com os lábios apertados e separando-os, próximo do “alvo”, de repente.

Disto é bastante óbvio que, embora se possa saber algo sobre palavras, não se sabe nada sobre beijos.

Se nós formos descobrir o real significado da palavra beijo, ao invés de irmos pesquisar velhos alfarrábios e dicionários,deveríamos ir perguntar isso aos poetas que ainda têm o sangue quente da paixão da mocidade nas veias.

O grande segredo e a arte do beijo.

Coleridge chamava o beijo de respiração de néctar. Shakespeare dizia que um beijo é um “selo de amor.” Marcial, poeta romano, dizia que um beijo era “a fragrância de bálsamo de árvores aromáticas, o odor do açafrão abundando, o perfume saboroso de frutas maduras, os prados floridos pelo verão, o âmbar esquentado pela mão de uma menina, um buquê de flores que atraem as abelhas”.


Sim, um beijo é tudo isso… e mais.

Outros disseram que um beijo era: o bálsamo de amor; a primeira e última das alegrias; o idioma do amor; o selo de felicidade; o tributo do amor; o gole refrescante e o néctar de Vênus.

Sim, um beijo é tudo isso. . . e mais.

Um beijo não pode ser definido, simplesmente porque cada beijo é diferente do anterior e do que virá em seguida, da mesma maneira que nenhuma pessoa é semelhante à outra.
Assim, não há dois beijos semelhantes, porque são as pessoas que fazem os beijos. Pessoas reais, vivas, que pulsam com vida, amor e felicidade extremas.


TIPOS DIFERENTES DE BEIJOS

Claro que há tipos diferentes de beijos. Por exemplo, há o beijo que a pessoa devota deposita no anel do Papa. Há o beijo materno de uma mãe em sua criança. Há o beijo amigável entre duas pessoas que estão se encontrando ou estão se separando. Há o beijo que um rei exige de seus escravos.

Mas embora todos eles sejam chamados de beijos,eles não são os beijos a que vamos nos referir neste livro. Nossos beijos são o único tipo de beijos que vale a pena considerar: os beijos de amor. O beijo, talvez, que Robert-Bums tinha em mente quando escreveu:

Doces selos de afetos suaves, suaves preces de felicidade futura,querido laço de conexões jovens,o primeiro galanteio de amor, beijo de virgem.

A coisa surpreendente sobre o beijo é que, embora o gênero humano tenha beijado desde que Adão se virou e viu Eva próximo dele, não houve praticamente nada escrito no assunto.

Todos os anos são publicadas centenas de livros ensinando como fazer isso ou aquilo, como ganhar dinheiro, como conseguir um trabalho, como cozinhar, como escrever e até como viver.

Mas, da arte de beijar, escreveu-se muito pouco. Uma razão para essa falta de instrução formal é devida ao senso de moral vitoriano, que persistiu através dos tempos. Para os puritanos do passado, qualquer coisa que se referisse ao amor era sujo e pornográfico.

Os escritos de John Bunyan mostram o que esses puritanos pensavam do beijo. Ele escreveu, em ” The Pilgrim’s Progress”, que os beijos eram “as saudações comuns de mulheres que eu detesto. É odioso para mim sempre que vejo isso.

Quando eu vejo homens bons saudar essas mulheres que eles conhecem ou que visitaram, eu faço minhas objeções contra; e quando eles respondem que é apenas um pouco de civilidade, eu lhes falo que não é uma visão graciosa.

Realmente, algumas mulheres consideram o beijo santo; entretanto, eu lhes pergunto porque fazem diferenciações; por que saudam os homens belos e saudáveis e deixam passar os feios e doentes?”

Talvez o velho Bunyan pensasse desse modo porque era um dos feios e doentes que jamais foram beijados.

Mas, hoje em dia, as pessoas têm uma perspectiva mais ampla da vida. Nossos jogos estão se tornando mais civilizados e menos mortais. Nossas artes não são mais censuradas por leis. Livros estão sendo escritos sobre assuntos que nenhum autor antigo teria ousado pôr no papel.

Anticoncepcionais, divórcios e a ciência do matrimônio são assuntos comuns em livros. Até mesmo os vícios estranhos do gênero humano são expostos e discutidos e não mais mofam nas câmaras escuras da censura.

Sim, livros como o de Van de Velde, “Matrimônio Ideal” e o de Stope, “Amor Casado”, são abertamente vendido em livrarias.

Mas, em nenhuma parte nós encontramos um livro que instrua as pessoas na arte de beijar, uma arte que é absolutamente essencial para uma vida feliz, como discutiremos nos próximos capítulos deste livro.

Porque nós não estamos livres absolutamente das correntes do puritanismo? Em certas partes do país, foram presos homens por beijar as esposas na rua! Isto é civilização?

É por isso que este livro foi escrito. Para ser um manual do beijo.

Aqui nós vamos discutir a maioria dos métodos aprovados de beijar, as vantagens de certos tipos, as desvantagens de outros, as reações mentais e físicas de beijoqueiros, episódios históricos de beijos, junto com exemplos da literatura mundial na qual beijos foram o assunto. Assim, aprume-se, prepare seus lábios e vamos à arena dos beijos!

POR QUE AS PESSOAS BEIJAM?

O que acontece quando um homem e uma mulher se beijam?

Quer dizer, o que acontece em várias partes do corpo quando duas pessoas apaixonadas unem seus lábios em felicidade? Anos atrás, antes de nossos biólogos conhecerem a existência das glândulas em nossos corpos, um escritor citou um cientista que teria dito que “beijar é agradável porque os dentes, mandíbulas e lábios estão cheio de nervos e quando os lábios se encontram uma corrente elétrica é gerada “.


Que tolice! Que tolice absoluta!

Em primeiro lugar, duas pessoas se beijam porque estão satisfazendo uma necessidade dentro delas, uma necessidade que é tão natural quanto a de comida, de água e de conhecimento.

É a fome de sexo, que os dirige um para o outro. Depois dessa necessidade saciada, então vem a de uma casa, a de crianças e de felicidade matrimonial.Essa necessidade é instintiva, isto é, nós nascemos com ela, todos nós, e não podemosaprender ou podemos adquirir isso de alguma forma.

POR QUE BEIJAR É AGRADÁVEL?

Uma vez que essa necessidade de sexo oposto se comprova, acontece no corpo humano o que é conhecido como tumescência que, em idioma simples, é a contração rítmica dos vários músculos do corpo junto com o funcionamento de certas glândulas que a ciência esteve impossibilitada de definir quais eram.

Especialistas em glândula sabem,executando certas operações, que a suprarenal, a pituitária, a gônada e outras glândulas controlam o comportamento sexual de seres humanos.

São essas glândulas que reagem, que secretam os hormônios no sangue que, em troca, leva-os aos vários órgãos envolvidos na reação sexual.

Então, pode ser dito que é a satisfação parcial da necessidade de sexo que torna beijar tão aprazível. Eletricidade é usada para girar motores, acender luminárias e aquecer ferros-elétricos. Mas eletricidade não dá satisfação completa ao beijo. E chega de ciência estéril!

Nós temos pela frente uma leitura aprazível sobre a felicidade do beijo. Agora que aprendemos porque homens e mulheres se beijam, vamos entrar nos métodos usados para beijar, de onde vem realmente a satisfação desse prazer.

MÉTODOS APROVADOS DE BEIJAR

O único beijo que conta é aquele trocado por duas pessoas apaixonadas entre si. Essa é a primeira exigência do beijo que satisfaz. Um beijo é realmente a união de duas almas-gêmeas que estão juntas porque nasceram uma para a outra. A razão para isso é porque o beijo é a introdução para se amar o verdadeiro amor.

O beijo prepara os participantes para a vida de amor do futuro. É a fundação, o ponto de partida do amor sexual. E é por isso que a maneira como o beijo é dado se torna extremamente importante.

Ainda há jovens mulheres que acreditam que os bebês são o resultado de beijos! Este é um fato! E essa condição existe porque nossos pais ou ignoram os métodos de explicar sexo às crianças ou ficam embaraçados de fazê-lo.

O resultado é que as crianças obtêm a informação sexual nas ruas e ruelas ou então permanecem ignorante e acabam acreditando em mentiras e fantasias.

BEIJOS SÃO PRELÚDIO PARA O AMOR.

ESTRELA LEMINSKI lança o livro “POESIAÉNÃO” na livraria Realejo / santos.sp

Lançamento do livro “Fazer Falar a Pintura” – na UNIVERSIDADE DO PORTO / portugal

“Fazer Falar a Pintura”, o novo livro editado pela U.Porto editorial, organizado por António Quadros Ferreira, será lançado no próximo dia 7 de Julho, na Fundação de Serralves, no Porto. A apresentação da obra será feita por João Fernandes, Director do Museu de Serralves.

 

O livro apresenta testemunhos de 58 professores-pintores de Portugal, Espanha, França e Bélgica, nos quais a produção artística se alia ao discurso na primeira pessoa. Cada autor apresenta uma imagem e um texto que incide sobre a especificidade do objecto da pintura, descrevendo-o. Fazer Falar a Pintura é um projecto de discurso académico sobre a arte, sobre o ensino da arte, sobre a pintura, e o ensino da pintura em particular.

 

A sessão de apresentação realiza-se pelas 18h30, no foyer do auditório da Fundação de Serralves, sita na Rua Dom João de Castro, n.º 210, no Porto. A entrada é livre.

 

O livro está disponível para compra em: http://www.wook.pt/ficha/fazer-falar-a-pintura/a/id/10984463

 

 

U.Porto editorial

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Germano Rigotto lança livro na Capital – porto alegre


Convidados do ex-governador Germano Rigotto se enfileiraram por autógrafos no lançamento do livro Para Além do Berço Esplêndido, na Livraria Cultura do Bourbon Country.

Tarso Genro e Olívio Dutra estiveram na sessão de autógrafos da publicação na qual o autor faz uma reflexão sobre os rumos que o Brasil deve seguir para se tornar uma potência.

O ANJO VINGADOR DOS POETAS RECUSADOS (fragmentos) – de jairo pereira / quedas do iguaçu.pr

Sentidos pouco sentindo no
marasmo dos dias thorpes. Sentidos vãos quando tudo está certo equilibrado no
tempo do sem-tempo. Para um herói qualquer dia é dia e a vingança não pode
durar mais q. alguns segundos.

Os
mortos vivos vão saindo das tumbas e vindo pro lado do anjo vingador vindo
trançando figas e coroas de flores os mortos vivos alarmados com algo q. não os
deixa dormir em paz algo q. passa pelo vão das pedras e não é formiga algo como
posso dizer estranho por nascença energia branda q. atormenta até morto
redormido. As almas pusthulentas interagem com algo q. está no ar e vagam os
espaços noturnos: estradas, beira de matas, costeando rios e cercas, sob pontes
e viadutos. O anjo cansa de ver as presenças negras nos mapas q. transita e
chega cumprimentá-las nos encontros acidentais. Ver a morte sempre de perto a
morte transnascida naquelas almas noctívagas refresca o pensamento de quem está
vivo :vivo: vivíssimo cheio de energia boa pra queimar pensamento no pensamento
criação na criação poema no poema prosa na prosa melodia na melodia rosto na
argila Cego
um poeta conta estrelas cego um poeta se avizinha do precipício cego uma alma
geme transmundos na fala. Lingüista algum explica!

A
diferença hoje é escrever com signos bólidos tridimensionais no espaço e não
com frases sentenças empoladas onde os signos da composição ficam entremamente
dependentes uns dos outros. Os signos avançam em todas as direções como vespas
autônomas sem destinação e é só apreende-las no espaço e lhes impor contexto
ludoespacial. Poetas gostam de complicar o simples e simplificar o complexo.
Poetas sabem fazer sopa de signos só pra ver no q. vai dar. Poetas refazer o
benfeito desconstruir reprojetar o estabelecido no tempo como forma de animar a
vida e a arte. Poetas, adoram abrir caroços dos frutos pra ver o q. tem dentro.
Poetas, impor significados às coisas não nascidas. Poetas, criar problemas de
entendimento. Contradição na contradição: existe o mundo do incriado, onde as
coisas ainda não nominadas animam sem rigor ou finalidade a vida. Poetas
mergulham nesses pântanos pra pinçar o q. se pode aproveitar, nominar, e fazer
existir pra todos. Comigo é assim e com meus irmãos deve ser muito pior.

De
tanto andar corpo a corpo com o chão o ser impoverteu-se: melhor dizer q. virou
pó.

Subi
naquela velha caixa de maçãs (não sem antes cortar o pedaço duma pro meu
pássaro yogurt) e proferi palavras de baixo calão enquanto moças brancas de Curitiba papel de
celofane no olhar e sandálias plásticas sorriam sobranceiras minha patética
figura naquele estado digamos assim rifutembho de aprofundamento poético
ficto-ético-esthético-existencial. Sim pois pra dizer o q. diria não dava pra
pensar outra coisa um paraíso na terra com belas polakas e um inpherno no céu
com gente te mandando trabalhar te impondo salário subordinação horário pra
cumprir dependência até pra limpar o cu cheio de limalhas pratas com círculos
preciosos do torno mecânico q. as criou por acidente. Um acidente dos sentidos
mentir q. se é o maior de todos os heróis anti-heróis personas erigidas por mentes prodigiosas. Mentir q. se é o maior
pra si mesmo compor filmes apavorantes com muitos corpos destroçados nos campos
de batalha e beber um vinho tinto suave temperatura ambiente depois do almoço
sobremesa de pêssego com calda e creme de leite uma polaka nua no quarto do
andar de cima de cima da terceira nuvem do viajante cósmico (nua e lúbrica
raspando a língua no batom vermelho dos cantos da boca) o anjo vingador q.
chegou pra vingar as polakas recusadas e amar a todas todas todas mantendo um
polakário particular no sítio das estrelas onde se recolhe trezentos e sessenta
e três dias por ano claro q. pelo menos umas horas se deve descansar nesse
pérphido ofício e périplo desregrado inglório de anjo vingador dos poetas
recusados. Afinal de contas ninguém é de estanho e estranho q. as puthinhas da
quinze deram agora de grudar no celular suas orelhas calejadas de golpes de
pica. Não se fazem mais programas como antigamente trintão por pegada boquet’s
grátis e massagem de língua na glande inflada. Vá pra casa mano, cuidar o filho
teu com a empregada, antes q. descubram tudo. Não deixe o piá passar sede
fome… te vira malandro. O anjo vingador dos poetas recusados tem mais de mil
e quinhentos polakinhos por esse orbe infielíssimo e nunca tu ouvirá reclamação
de um dente por fazer nos pirralhos. O anjo toma conta de tudo, claro q. sob a
regência das centenas de polakas q. compõe seu sórdido (e convenhamos
maravilhoso!?) imaginário. É responsa mano. Responsa, sabe o q. é isso!? Sabe
porra nenhuma, nem lavou o cê-u hoje e tá cheirando a sulampra do mês passado.
Sulampra pra quem não sabe é aquela porrinha de mnerda q. fica grudada nos
pentelhos do cu fazendo o maior estrago sujando a cueca às vezes até a calça e
dando ao agente detonador da nathureza (o trouxão) aquele cheiro característico
de prustifructo singular. AH VÁ TE PHODER ESPECTRO REVERTIGO DE SUPREMA
CUTILEDÔNEA SPRIÊNCIA LÚBRICA NUS TREE LENÇÓIS! Vou dizer e digo blasfemo
ensandeço contra o infinito. É só me tirar uma polaka e veja como fico.

Muitas
almas me freqüentam esplendoríndeas muitas almas muitas vidas de contra-favor
onde estou não fico onde fico não estou transmudo-me entre as raízes retorcidas
da paisagem.

Escrever simples e
complexo escrever erudito e popular escrever pra professores e estudantes
escrever pra poetas e pintores escrever por escrever sem ter q. dizer porque
pra que e pra quem eis a vida do anjo no solitário ofício de lançar palavras ao
espaço seus  signos de artifício o anjo e
sua sanha de desvelar os mundos escondidos do saber as verdades q. estavam ali
na pedra sob as árvores e ninguém imaginava o anjo em prospecções inúteis procurando
dar significado e nominação às coisas não-nascidas q. faz nascer a força um
anjo investido de sóis estranhíssimos nessa terça-feira de tédio e tentações.
Os convites são mais q. sedutores: o diabinho da direita diz q. é pra nadar
desnudo no rio o da esquerda incita a mandar um poema pra gata de olhos
amendoados q. tá na garupa do grandão supertatuado da motocicleta. É sempre
assim correr os riscos das tentações a cada momento e nunca deixar a peteca
cair. Todas as vezes q. sentir prazer escondido renegue-o para o bem da vida.
Prazer tem q. sentir-se às claras de olhos bem abertos e com amor amor amor q.
é tudo q. mais interessa nessa porra de vida onde estamos condenados a sofrer e
ser enganados e nos roubarem a moto e nos despedirem do emprego e nos
atormentarem com propostas indecorosas e nos fazerem crer q. o paraíso é pra lá
do mundo dos vivos e nos torpediarem dia-a-dia com aquela história de camisinha
de evitar a aid’s de evitar as nocivas relações promíscuas. O agiota, fia da
putha, tá pouco interessado em algo fora dos juros sobre juros a receber dos
trouxas, o agiota bancado pela vida q. não quer trabalhar. Tudo q. não presta
no olhar do crúsphito encostado no muro do colégio vendendo drogas aos
pequeninos. Uma mnerda a vida em meio a essa corja sem escrúpulos. Pureza nas
relações pureza na vida longe dos pais difícil acreditar q. alguém entenda o
mundo dos q. estão por vir e já devem estar a caminho. Com teus pais uma vida
grampeada no amor amor sobre todas as coisas vivas e mortas desse mundo. Lá
fora, além do pátio só martírio sacrifício de mano só pra ver a vida gemer. Te
liga transfirmotente em meus delírios de vingador te liga q. uma nuvem de
signos obnubla o quarteirão e são de minha lavra os proliferados vociferinos
contra os pulhas a corja as eminências pardicenthas do mal q. não as vejo mas
sinto de próstata inchada e impotência irreversível sobre aquelas velhas
cadeiras de espaldar.

reflexos nos espelhos
espetacular jogo de luz espelhar na sobrevivência. Os mortos vivos impõem o
contraponto do viver na sua inútil condição de seres nacaráctios. Para um anjo
q. viaja todos os orbes nada surpreende. Fogos de artifício nathurais cobrem de
luz os espaços negros da criação. Entre os raios lanchispantes vivas-almas
conquistam espaços novos nas relações, campos onde progridem os pensamentos
bons. Se há campos de pensamentos bons, há também os dos ruins. E ali onde
maltratam poetas, um dia haverá um circo pra mostrar os pulhas ao público. Os
pulhas q. sempre ficam atrás das cortinas, nos gabinetes dos maus espírithos,
elocubrando perversas ações. Os pulhas e seus patrocinadores não menos pulhas,
sem mulheres e sem amor, sem poesia e sem emoção. Os pulhas, cus de peixes,
frios e resistentes, em suas campanhas de tudo aniquilar, quando se trata de
arte, cultura, criação, talento & ímpeto. A garotinha q. tá fazendo Letras,
não entende ou não quer entender minha sacrossanta indignação. Pobrezinha…
nas mãos de tolos acadêmicos, vai perder parte da visão, parte da vida, parte
do entendimento estético, parte da ideologia poética, parte de parte da parte
da partitura. Para um anjo menina de belas intenções uma ópera se compõe em
poucos dias uma ópera como apoteótica revelação da vida abaixo da razão a vida
do mnerda q. somos sobrevivendo como rato de bueiro barata de pia mosca de
potreiro sempre a entornar o podre o q. fede o q. esterquilina. Um gole de água
tônica q. tem quinino pra tirar esse gosto amargo de mágoa na boca esse gosto
de revolta contra o sistema e a vida dos pothenthori’s com suas mãos pegajosas
de betume derretido acrescido de ranhos sangue veneno de cobra cuspe de sapo e
fezes de lagarto.

Muitas
almas me freqüentam esplendoríndeas muitas almas muitas vidas de contra-favor
onde estou não fico onde fico não estou transmudo-me entre as raízes retorcidas
da paisagem.

Escrever simples e
complexo escrever erudito e popular escrever pra professores e estudantes
escrever pra poetas e pintores escrever por escrever sem ter q. dizer porque
pra que e pra quem eis a vida do anjo no solitário ofício de lançar palavras ao
espaço seus  signos de artifício o anjo e
sua sanha de desvelar os mundos escondidos do saber as verdades q. estavam ali
na pedra sob as árvores e ninguém imaginava o anjo em prospecções inúteis
procurando dar significado e nominação às coisas não-nascidas q. faz nascer a
força um anjo investido de sóis estranhíssimos nessa terça-feira de tédio e
tentações. Os convites são mais q. sedutores: o diabinho da direita diz q. é
pra nadar desnudo no rio o da esquerda incita a mandar um poema pra gata de
olhos amendoados q. tá na garupa do grandão supertatuado da motocicleta. É
sempre assim correr os riscos das tentações a cada momento e nunca deixar a
peteca cair. Todas as vezes q. sentir prazer escondido renegue-o para o bem da
vida. Prazer tem q. sentir-se às claras de olhos bem abertos e com amor amor
amor q. é tudo q. mais interessa nessa porra de vida onde estamos condenados a
sofrer e ser enganados e nos roubarem a moto e nos despedirem do emprego e nos
atormentarem com propostas indecorosas e nos fazerem crer q. o paraíso é pra lá
do mundo dos vivos e nos torpediarem dia-a-dia com aquela história de camisinha
de evitar a aid’s de evitar as nocivas relações promíscuas. O agiota, fia da
putha, tá pouco interessado em algo fora dos juros sobre juros a receber dos
trouxas, o agiota bancado pela vida q. não quer trabalhar. Tudo q. não presta
no olhar do crúsphito encostado no muro do colégio vendendo drogas aos
pequeninos. Uma mnerda a vida em meio a essa corja sem escrúpulos. Pureza nas
relações pureza na vida longe dos pais difícil acreditar q. alguém entenda o
mundo dos q. estão por vir e já devem estar a caminho. Com teus pais uma vida
grampeada no amor amor sobre todas as coisas vivas e mortas desse mundo. Lá
fora, além do pátio só martírio sacrifício de mano só pra ver a vida gemer. Te
liga transfirmotente em meus delírios de vingador te liga q. uma nuvem de
signos obnubla o quarteirão e são de minha lavra os proliferados vociferinos
contra os pulhas a corja as eminências pardicenthas do mal q. não as vejo mas
sinto de próstata inchada e impotência irreversível sobre aquelas velhas
cadeiras de espaldar.

não tem ninguém

nessas miragens

heras sobre as pedras

o sangue dos mártires secou

como secará o meu

em teu amanhã de mentiras

Um
anjo vingador vingar passado presente e futuro do q. ainda nem nasceu nascerá
como é de se nascer apto a consertos. Meu périplo de anjo salvador vingador dos
poetas recusados começa num dia de sol soliníssimo de segunda-feira e passa por
noites de pau d’arcos com Augusto dos Anjos Pedrinho da Mampusheira o rude
Orástino da Silva o lírico Meliandro do Ingá o neobarroco Neco Ripo o sexínio
Ertho Murthis o inventor de linguagens q. criou poemas cut-ups (cutapes em
tupiniquim celerado) transgressoras colagens alla literatura de William Burroughs
Carlo Ferri q. esculpe no gelo seco universos paralelos com imensas naves
torres e ovnis Artur Landis q. apavora na noite com seus poemas sinistros de
supra-realidades, sempre depois da meia-noite nos bares, estrepa-se na Ilha da
Magia daqueles tempos com Cruz e Souza transgride com os loucos letargidos, os
pictóricos desassistidos e atola seu cavalo monet na mnerda da mediocridade. Um
quê de anjo todo mundo tem vingador se revelar consertador das coisas
incompreendidas dos atos pensamentos retornados sem sentido da vida q. alumbrou
ser estenuou no não-viver. Em muitos campos desolados brandi minhas espadas de
lata. Aquela vez q. invadi o Projac da Rede Globo Televisions transvi
tressaltos de desencantos. Minha fúria hostil não encontrou escora no entre
câmeras. Madames atrizes diretores bichas produtores pan-livrertinos &
marqueteiros vendedores de mães evoluíram seus desajustes. Siga bem condoreiro
anjo vingador dos poetas recusados. Sigo tresando nos meus dias negros. Esphias
nas esphias séphias, um galo há de brigar sempre pela mesma franga. Falar nisso
mano, manja a farsa dos dias enuviados com absinto falsificado!? Não erijo
transmundos por brincadeira nomino coisas só pro gasto e tudo tem seu ofício de
permanecer em mim. Te
transfiro um pouco de minha ira santa. Desbancar os bancados q. nos oprimem.
Teu bus de papelão vaga essa cidade neferthímora. Quantas vidas entornadas no
lixo!? Minha poesia nossa vossa adentra as searas sujas da periferia. O anjo
vingador está aqui. Me anuncio implume pássaro no carnaval polako. Já deves
estar putho com essa história forjada de um anjo vingador q. vem da linguagem
para a vida do nojo do signo transfimortente para a morte. Vá te cagar pentelho
espectral de aziagas noites. Nada te devo de meus arroubos operísticos. Um
doido convicto inventar conflitos só por prazer confluir as forças anímicas pra
tomar uma gelada no Bife Sujo. Da última vez o cézinha me trocou um cheque
voador de duzentas pratas q. atravessou três vezes a nado o Iguaçu. Vate
transfivatente dou gorjetas aos meus garçons preferidos. Nas vinhas do amor a
polaka espessa de sexo beija minha boca suja. Beija, suga, embaba de língua,
enosa chiclet’s e drops de hortelã untados de saliva energética. Signos
espérios meu garoto lambem o dizer criptofilho do chão.

A
coisa vinha vindo trinha sido tranha signos símbolos na minha língua grossa de
veios thérvios. A cornucópia do poeta é cheia do líquido precioso dê sua língua
à minha língua seu verbo thurvo a minha thurva esphia. Jesus nega os insensatos
e com toda razão des-razão apruma my verbo novo. A nathura q. louca amamos não
é por acaso também insensata em seus cataústricos!? Um poeta esmerilar os
signos nas amplas pedras do deserto. Como uma bala de fuzil cada nominata
dirigida a um inimigo. Nomeio coisas troisas pfscoisais loisas froixsas nos
meus desígnios. Um doido tirando formigas do formigueiro abandonado o anjo
vingador espalhador de ditos tranfusiados nichos de só-pensar. Elos nos elos
desengonçados. Perdida a febre terçã inicial da palavra e dos atos. Não é assim
q. se fazem heróis. Não é assim q. se fazem anjos vingadores. Um anjo vingador
dos poetas e artistas recusados se faz com ação conflito e solução do enguiço.
Este q. te fala é charlatão malquisto não age nada resolve não interage com o povo
e molesta polakinhas desprevenidas. Me entrelaço nas clareaduras de tua fala e
masco ervas amargas pra dizer-se só excluído recusado pelos editores atropelado
pelos mercadores marcado na volta da paleta pelos trívios políticos. Sou-me
risolentho esthertorante reflexímoro no mar do sonhar o ser sonhado e não deixo
visgo no meu rastro imundo. Tortilhas sonethárias nos jantares sob as
santas-bárbaras do norte do Paraná. Desci dali dos cafezais abandonados rio
Tibagi até o Piquiri e depois angulei ao Iguaçu o rio meu por excelência
agrilhoado em usinas.
Teus grilhões meu rio o anjo vingador romperá com dentes de
aço da terceira dentadura q. lhe deram em vida. Thorpes, essas
ogivas nas balas de hortelã não acalmam ninguém. Meu empresário vendeu um poema
por um prato feito em frente ao Passeio Público poema com gosto de carpa
húngara cravejada de poucas escamas douradas q. me roubou no acerto de contas.
Já viram o anjo vingador acertar suas contas com o empresário de sua poesia
recusada!? Só por deus ainda se fazem homens desse naipe enlevados no ofício de
sobreviver. Tangiro vencer o desvencido. Intenciono renovar o embolorado.
Minhas catanas descida dos triminhões das canas. Minhas armas de verdes hastes
embebidas no líquido espesso da cornucópia do poeta. Bom pra ti meu caro, esse
passeio pela língua do poeta o anjo vingador q. mata o passarinho de seu ofício
pra achar a pedra na vesícula.

Uma cobra escorregar pelo
barranco esgueirar pelos porões dos signos como uma língua extensa transverbal
uma língua eu-lúrica & magistral.

Um
pássaro é um pássaro uma formiga uma formiga um phósphoro um phósphoro uma
chave uma chave uma pedra uma pedra um caminho um des-caminho.

Um
anjo, manja de tudo um pouco e quando nada manja, arrisca. Se é pra vingar o q.
há de ser vingado, todas as armas são válidas, inclusive as do pensamento
enlevado. Poeta não pode ser o mnerda alienadão, q. pega uma receita de bolo e
fica naquela. Poeta q. é poeta arrisca tudo no conhecer em sendo, a fim de
trazer do nada o tudo q. ilumina a vida do poema.

Noutra
vez traveis desveis desci as escadarias da ampla Biblioteca de Alexandria e
naquela época pequenas moedas de lata tinham muito valor. Lascas de minha
espada como dinheiro naquelas soledades do deserto, trocadas por especiarias,
tapetes persas, sândalo, damasco, etc e tal. Com meu cavalo e uma criança li
livros herméticos naqueles templos. Livros costurados à mão. Livros dos
impérios do poder e da emoção. Sabe como se lê um libro hermético mi cidadon?
Cheirando-o. Os signos tem cheiro sim. Aprendi isso com as abelhas em colméias
abandonadas. Meu pai sempre fazia isso também cheirar os livros. Um anjo
vingador tem pai meu amigo pai como cada um de vós tranceiros duma figa. Um pai
progride com seu filho em suas loucuras de criação. Quantas vezes meu pai
imaginou seu louquinho-bom ganhando o mundo fudendo-se como espectro ambulante
alla 4Claudinei Ramos no seu périplo de três dias. Dá nojo enganar
polakinhas a troco de sexo, quando se é gerente de loja de eletrodomésticos em plena Marechal Deodoro,
próximo aos Correios. Um pai um sogro tios tias primos primas e amigos q.
desconsolo nos conhecerem em nossos repentes de imaginação. Um louco-bom
repercute em Santa
Felicidade a noergologia: 5Jacob Bettoni. O anjo
vingador dos poetas recusados o encontra escovando a bela égua alazã quarto de
milha. Ele vem noeticamente e enuncia conceitos revolucionários no paradigma
novo da psicologia. Um louco-bom como um arauto dos novos tempos, peripatético
sempre revoluteando as coisas. Jacob Bettoni me acena com a possibilidade da
protonathural philosophia estética e a noergologia comporem um único bloco
monolítico sapienthi’s pra enfeitiçar almas letargidas nas manhãs de
segundas-feiras ante as chaminés do pólo petroquímico. Um louco-bom sou eu
também poeta coça-saco de a pé e a cavalo, como diz o ditado-deitado paradão
cheio de chatos no acrílico onde o bus sosfrega e não vem. Um anjo vingador não
conhecer limites em sua luta de tudo levantar expandir como ofício de viver e
ser vivido amar e ser amado matar e ser matado. Nas barrancas daquele rio (o
Iguaçu) erigi transmundos só pra ver no que ia dar e deu: uma nau de carbono
luminosa crispou de lux trilux overlux o denso da floresta naquela noite. Tenho
certeza q. tinha gente dentro do tribuliço. Gente com olhos grandes e braços
abertos. Focos concêntricos para um mesmo (alvo) ideal, invisível. Um sinal,
era o sinal. E, o sinal era de signo ingos nigos sonigs perdido no
signário-vida e tive q. sair dali conquistar outros espaços com minha arte
singular de tudo transverter. Vem de príscas eras essa ânsia de inventar o
desinventado e interferir nos espaços sagrados da criação como um mephisto
invasor o anjo autoproclamado de salvador dos artistas recusados. Minha ira
santa enlevar o raso o letargido o transvencido como forma de animar a vida.
Meu castigo a incompreensão dos árvios iletrados dos púrcios néscios soberbos
em seus atóis. Para uma polaka de meu amor consagro essa verve: de primeira
insensata de segunda interferente de terceira auto-flagelada. Não se fazem mais
Cândidos ou o optimismo como antigamente, Dom quixotes, Macunaímas, heróis e
anti-heróis integrais em seus ofícios. Rapsódia nóia. Rapsódia nóia, ver,
sentir… tudo com o espíritho da vingança. A farinha q. o anjo vingador come é
q. traz os espectros sígnicos de sua verve alucinada e o pão q. a mesma amassa
é o pão de sua verdade representação esplendorosa do seu ser escroncho.
Inverossímil a linha de uma vida assim como a vertida agora. Nem um anjo
vingador satisfaz público empresário mecenas mídia loquaz pelo contrário um
louco deambulante pelos signos criar problemas de entendimento perverter as
mentes juvenis alardear significação como farsa às coisas não-nascidas.
Nascimento vida morte de um herói super-convicto q. acredita em correção do tempo
dos atos enfins dos homens para com os homens na história. O SOL eleva-se sobre
todos e distribui na mesma proporção quântica seus favores. O anjo vingador
também delibera e vence contra todos os inimigos comuns. Com esse ofício de
fazer poemas muitas almas penaram nos céus inphernos e purgatórios do Sr.
Dante. Selva selvagem selvagínia não há ninguém a minha espera ninguém nem um
sol de contra-favor a enovelar meu grito. Meu cavalo monet galopa por uma
estrada branca como uma polaka estirada em lençóis verdes uma estrada uma
polaka um oásis de prazer muito prazer na pororoquinha da marthininha muito
prazer lubricidade comesura de olhar uma polaka como uma flor sensual em seus
ofícios de amar amar sobre todas as coisas frias dessa cidade esses pontos de bus
cercados de cadeados invisíveis onde as almas esperam esperam o caixote de
papelão chegar combinado com outros caixotes e a vida repetindo-se sempre no
mesmo ritmo. Ritmo de lesa-vida meu irmão, sentido de pouco sentido, persigos
sobre persigos. Meu cavalo uma cancha reta como um louco evadindo-se do
inpherno de Dante. Atrás de nós as silhuetas dos trúmphicos imperiais do baixo
império/espíritho, almas trivilinas, soltando fogos pelas bocas. Siga comigo
seu verme strúnhio nesse domingo aziago. Vamos ver a fonte de onde vertem as
profícuas almas lângues. O que é uma alma lângue? Não tá viva, não tá morta, é
cruiféiz estaca no descampado da vida. Acabas por saber q. é uma expressão de
linguagem recém-criada como posso te dizer nefhertímora (nojenta, escabrosa,
escorchante). Não sabes com quem falas, pobre parvo espiroguentho. Comigo
aprenderás da vida seus melhores momentos. Q. bela polaka estirada no hall daquele hotel de terceira!? Q.
belas ancas no desperdício dos dias!? Já sei, não me venha com esse blá-blá-blá
de q. futebol é o q. interessa. Futebol antes de tudo e depois. Tá por fora
pica de trapo. Olor de creolina exposta ao sereno. O carinha do tênis, nos
iludindo com sua polpuda conta-bancária, bancado pelos nikteiros. Ora vejamos
pronóbis saturno nublinheski monte nardines pega o curtis o cavalo outro cavalo
como reforço providencial ao meu monet o meu crunspício (aquele q. sofre junto)
e vamos enveredar pro Sul. Farroupilhas hastes naquelas clareaduras de campos,
coxilhas, sangas e restingas. Digo q. mato e limpo o jaracatiá borbhota
sorthinífero no topo da canjarana e limpo com farpa de angico. Rude minha lide
nesses vergéis antigos. Na linha desse dizer muitas palavras se perderam nos
cimos das árvores muitos cascos gastos em cavalgadas inúteis. Esse dizer q.
atravessa eras e repousa no ombro esquerdo do anjo vingador dos poetas
recusados, como uma coruja, pássaro de bom ou mau agouro. Não esqueço nunca
daquela dos trezentos viúvos de polakas, lembra? Ou trezentas polakas viúvas de
defuntos vivos até o embate. A procissão dos mortos vivos reage em meus sonhos
quando estou fraco e cansado. A cabeça em recosto nas barbas de pau sob aquelas
árvores. Fraco e cansado, isso pouco acontece, mas enfrento meio-dormindo a
reação escrota dos mortos-vivos. Comigo é assim e com meu irmão o Birão é muito
pior. No asteróide ASPHIZ 8800 só de passagem quando me viram muitos
esconderam-se nos escombros da velha nave muitos morreram de medo do anjo
vingador q. mata e seca só de olhar. Uma vez uma tribo de Panfluetha’s mistura
de panviados com punhethas adentrou um trigal imenso e com minhas espadas
revistentes desnudei-os de um por um. Nada contra e nada a favor o milho cresce
nos amplos espaços do verso livre. Viu como se sai pela tangente!? O anjo
vingador do futuro guturaaaaaa… seu
grito de guerra com papel celofane na boca e um pente carioca pra
convocar legionários ao bom combate. No bom combate há o imperativo odiar
reconhecer o tranho e o perigo não se pode simplesmente atacar o q. sequer se
conhece ofereça perigo e tal e tal isso da guerra da luta fratricida coisas de
peleja tudo mundo deve saber de cor e salteado. A mesa dos Deonísios e
Philosísifos sentam-se os mnerdas das construções sígnicas. Os mnerdas e seus
afiliados sempre pardos eminentes nos gabinetes dos maus espírithos tramando
despautérios sacrifícios. Flagelos de vozes no degelo. Nada se cria e tudo se
copia na mesmasséia dos profedídithes. Massa mano, essas hastes de boas-falas
q. reverbero no espaço como biscoito protonathural. Não tem meu Sr. não pode
não haverá nunca de acontecer um anjo vingador vingar o já vingado amar o já
amado matar o já matado.

Uma
língua aderida de ciscos signos símbolos sinais pós asteriscos uma língua como
uma esteira luminosa na noite grande uma língua antropomística &
polissimbela.

Anjo
vingador dos poetas recusados venho quente na haste núbila abrir clareiras na
floresta escura para um colóquio estranho. Nem só de colóquios vive o homem e
tranço termos de ficar em tua vida pro que der e vier. Nos amplos horizontes a
escatológica vertigem todos mortos: o padeiro, o açougueiro (q. não perturbará
a mulher de mais ninguém), o vidraceiro, a prostituta, o padre, o militar, o
professor, o dentista (q. virou gangster), a enfermeira, a psicóloga (confusa),
o camelô, o advogado, o servidor público municipal, o político… todos mortos
sobre as folhas da relva ainda úmida do sangue dos poetas recusados todos
mortos e a cornucópia do poeta passando de mão em mão com seu líquido espesso
q. não é sangue e não é mel e não é vinho e não é leite e não é refrigerante e
não é cerveja e não se sabe e nunca se saberá ao certo o q. é q. é. Morta a
vida q. nunca nasceu cresceu expandiu como espera o anjo vingador em
conhecimento artístico reconhecimento do artífice q. faz e projeta e delibera e
inventa reinventa a vida como pode e deve. A cornucópia do poeta é invisível e
vc aí esperando o busão já bebeu desse líquido precioso-néctar meu Sr. meu Sr.
de muitas fábulas invertidas, sem moral e sem história. Vais contar tudo amanhã
ou depois, q. ninguém em sã consistência de gente ficará sem verve pra dizer e
oportunizar a todos sua experiência. No líquido espesso derramado em tua língua
a vida a vida de força de investimento nos atos fatos pensamentos te revelará
meu Sr., a glória de dizer o indizível de vencer o invencível tomará conta de
tua anímica força. Somos mais q. muitos imaginam. Mais q. tantos sonharam,
sonhamos. Muitos anjos vingadores nascidos da cornucópia do poeta do beber o
seu líquido espesso e agir e sonhar e deliberar e construir e reconstruir sobre
o lux owerlux trilux da vida e as trevas da morte. Um pai não procura defeitos
nos seus filhos. Um pai toca com as mãos os seus pupilos rumo ao futuro. Eu o
anjo vingador dos poetas recusados, unjo-te menino de boas falas um caminho muitas
sendas desígnios profícuos em tua vida. Naquele bar de beira de estrada parei
com meu cavalo monet. A moça loira (polaka) como era de ser me enovelou em suas
histórias de ficar. Fiquei. Meu cavalo estercou nas pedras da estalagem antiga.
O curió curioso deu uma cagadinha no ombro da bela e ensaiou três coices pra
cada lado, depois em sanha de urutago urucubou as coisas pro meu lado.
Sacatrapo du carilho pequetito estribilho de grilo, te mato fia da putha com
palito de dente afiado! Pra Curitiba hei de ir, pensei, sonhei, despensei,
ergui acampamento e com polaka e tudo parti. Entre um beijo e outro, costuras
de olhar, pegação, zanzeira com barrotranquira e cipó nas coxas grossas e pólem
viajante nos olhos amendoados. Pinecpecki no profhuri. Vindecthine soporhu
ghudam.

um superpesadelo negro nesta noite fria

como um flagelo demoníaco

suspendi a lança & cortei em cruz

três vezes os strúnhios inimigos

os inimigos não se afastaram

(demônios superconvictos)

mas saí pra fora do lúgubre transe

James Joyce sofreu bullying e frequentava bordéis – por edna O’brien

James Joyce era “um homem de gostos indecentes e incoerências gritantes, que tinha medo de cachorros e trovões, mas impunha medo e submissão àqueles que conhecia”. Essa é a primeira imagem, curiosa imagem, que o leitor tem do escritor irlandês ao se deparar com as facetas de sua biografia apresentada por Edna O’ Brien.

Obra narra influência da infância e histórias sexuais nos livros do autor
Obra narra influência da infância e histórias sexuais nos livros do autor

“James Joyce” é responsável por revolucionar a maneira de se fazer e pensar a literatura, e por apresentar ao mundo as ruas, bares e pessoas de Dublin, cenário de seu romance mais famoso, “Ulysses”.

Quando criança, frequentou o sombrio colégio do Castelo de Clongowes Wood, onde sofria bullying dos meninos mais velhos e até, ao que consta, pelo menos uma vez do padre. Também cedo na vida começou a frequentar bordéis, e percebeu que passaria toda sua existência próximo a essas casas proibidas.

Levou sete anos para escrever sua obra-prima, e durante o processo passou por três cidades, primeiro Zurique, depois Trieste e depois Paris. Orgulhava-se de ter recriado com suas letras as paisagens e costumes de se tempo. Dizia que, se a Dublin de sua época fosse destruída, poderia ser reconstruída a partir de suas obras.

Morreu em 1941 e sua literatura influenciou muitas gerações, além de ter sua obra apontada como uma das mais importantes do século 20.

Em sua homenagem, no dia 16 de junho é comemorado o Bloomsday e bares e pubs do mundo inteiro comemoram os prazeres da vida. A escolha da data diz respeito à “Ulysses”, que retrata a vida de Leopold Blomm neste dia.

*

“James Joyce”
Autora: Edna O’ Brien
Editora: Objetiva
Páginas: 192
Quanto: R$ 12,90 (preço promocional por tempo limitado)
Onde comprar: Pelo telefone 0800-140090

Senado divulga vídeo no qual Sarney diz que Tião Viana vazou dossiê / brasilia

Episódio faz parte da biografia de Sarney, que será lançada nesta terça.
Assessoria informou que Viana ainda não decidiu se irá se manifestar.

O presidente do Senado, José Sarney, antecipou alguns episódios de sua biografia, escrita pela jornalista Regina Echeverria. O livro de 600 páginas será lançado, às 19h, desta terça feira, 22, em Brasília, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).

Em um trecho, Sarney relembra um momento marcante de sua vida: a convivência política com o então desafeto, o senador Vitorino Freire (1908-1977), que ameaçou arrancar-lhe o bigode à pinça. “No Senado havia um suspense, quanto a um encontro violento que nos dois poderíamos ter”, disse Sarney.

O presidente do Senado também comentou a crise dos atos secretos no Senado Federal, em 2009.

Regina Echeverria é jornalista, vencedora do Prêmio Esso de Jornalismo e especialista em biografias. É dela o sucesso “Só as Mães são Felizes”, que conta a história de Cazuza. Sarney, a Biografia já vendeu 15 mil exemplares, antes mesmo do lançamento

UM clique no centro do vídeo:

“OS PORÕES DA PRIVATARIA” o LIVRO-DENÚNCIA do jornalista AMAURY RIBEIRO JÚNIOR sobre as privatizações no país. É PRECISO LER e REAGIR.


Os porões da privataria

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Quem recebeu e quem pagou propina. Quem enriqueceu na função pública. Quem usou o poder para jogar dinheiro público na ciranda da privataria. Quem obteve perdões escandalosos de bancos públicos. Quem assistiu os parentes movimentarem milhões em paraísos fiscais. Um livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que trabalhou nas mais importantes redações do país, tornando-se um especialista na investigação de crimes de lavagem do dinheiro, vai descrever os porões da privatização da era FHC. Seus personagens pensaram ou pilotaram o processo de venda das empresas estatais. Ou se aproveitaram do processo. Ribeiro Jr. promete mostrar, além disso, como ter parentes ou amigos no alto tucanato ajudou a construir fortunas. Entre as figuras de destaque da narrativa estão o ex-tesoureiro de campanhas de José Serra e Fernando Henrique Cardoso, Ricardo Sérgio de Oliveira, o próprio Serra e três dos seus parentes: a filha Verônica Serra, o genro Alexandre Bourgeois e o primo Gregório Marin Preciado. Todos eles, afirma, tem o que explicar ao Brasil.


Ribeiro Jr. vai detalhar, por exemplo, as ligações perigosas de José Serra com seu clã. A começar por seu primo Gregório Marín Preciado, casado com a prima do ex-governador Vicência Talan Marín. Além de primos, os dois foram sócios. O “Espanhol”, como (Marin) é conhecido, precisa explicar onde obteve US$ 3,2 milhões para depositar em contas de uma empresa vinculada a Ricardo Sérgio de Oliveira, homem-forte do Banco do Brasil durante as privatizações dos anos 1990. E continuará relatando como funcionam as empresas offshores semeadas em paraísos fiscais do Caribe pela filha – e sócia — do ex-governador, Verônica Serra e por seu genro, Alexandre Bourgeois. Como os dois tiram vantagem das suas operações, como seu dinheiro ingressa no Brasil …


Atrás da máxima “Siga o dinheiro!”, Ribeiro Jr perseguiu o caminho de ida e volta dos valores movimentados por políticos e empresários entre o Brasil e os paraísos fiscais do Caribe, mais especificamente as Ilhas Virgens Britânicas, descoberta por Cristóvão Colombo em 1493 e por muitos brasileiros espertos depois disso. Nestas ilhas, uma empresa equivale a uma caixa postal, as contas bancárias ocultam o nome do titular e a população de pessoas jurídicas é maior do que a de pessoas de carne e osso. Não é por acaso que todo dinheiro de origem suspeita busca refúgio nos paraísos fiscais, onde também são purificados os recursos do narcotráfico, do contrabando, do tráfico de mulheres, do terrorismo e da corrupção.


A trajetória do empresário Gregório Marin Preciado, ex-sócio, doador de campanha e primo do candidato do PSDB à Presidência da República mescla uma atuação no Brasil e no exterior. Ex-integrante do conselho de administração do Banco do Estado de São Paulo (Banespa), então o banco público paulista – nomeado quando Serra era secretário de planejamento do governo estadual, Preciado obteve uma redução de sua dívida no Banco do Brasil de R$ 448 milhões (1) para irrisórios R$ 4,1 milhões. Na época, Ricardo Sérgio de Oliveira era diretor da área internacional do BB e o todo-poderoso articulador das privatizações sob FHC.


(Ricardo Sergio é aquele do “estamos no limite da irresponsabilidade. Se  der m… “, o momento Péricles de Atenas do Governo do Farol – PHA)

Ricardo Sérgio também ajudaria o primo de Serra, representante da Iberdrola, da Espanha, a montar o consórcio Guaraniana. Sob influência do ex-tesoureiro de Serra e de FHC, mesmo sendo Preciado devedor milionário e relapso do BB, o banco também se juntaria ao Guaraniana para disputar e ganhar o leilão de três estatais do setor elétrico (2).


O que é mais inexplicável, segundo o autor, é que o primo de Serra, imerso em dívidas, tenha depositado US$ 3,2 milhões no exterior através da chamada conta Beacon Hill, no banco JP Morgan Chase, em Nova York.  É o que revelam documentos inéditos obtidos dos registros da própria Beacon Hill em poder de Ribeiro Jr. E mais importante ainda é que a bolada tenha beneficiado a Franton Interprises. Coincidentemente, a mesma empresa que recebeu depósitos do ex-tesoureiro de Serra e de FHC, Ricardo Sérgio de Oliveira, de seu sócio Ronaldo de Souza e da empresa de ambos, a Consultatun. A Franton, segundo Ribeiro, pertence a Ricardo Sérgio.


A documentação da Beacon Hill levantada pelo repórter investigativo radiografa uma notável movimentação bancária nos Estados Unidos realizada pelo primo supostamente arruinado do ex-governador. Os comprovantes detalham que a dinheirama depositada pelo parente do candidato tucano à Presidência na Franton oscila de US$ 17 mil (3 de outubro de 2001) até US$ 375 mil (10 de outubro de 2002). Os lançamentos presentes na base de dados da Beacon Hill se referem a três anos. E indicam que Preciado lidou com enormes somas em dois anos eleitorais – 1998 e 2002 – e em outro pré-eleitoral – 2001. Seu período mais prolífico foi 2002, quando o primo disputou a presidência contra Lula. A soma depositada bateu em US$ 1,5 milhão.


O maior depósito do endividado primo de Serra na Beacon Hill, porém, ocorreu em 25 de setembro de 2001. Foi quando destinou à offshore Rigler o montante de US$ 404 mil. A Rigler, aberta no Uruguai, outro paraíso fiscal, pertenceria ao doleiro carioca Dario Messer, figurinha fácil desse universo de transações subterrâneas. Na operação Sexta-Feira 13, da Polícia Federal, desfechada no ano passado, o Ministério Público Federal apontou Messer como um dos autores do ilusionismo financeiro que movimentou, através de contas no exterior, US$ 20 milhões derivados de fraudes praticadas por três empresários em licitações do Ministério da Saúde.


O esquema Beacon Hill enredou vários famosos, entre eles o banqueiro Daniel Dantas. Investigada no Brasil e nos Estados Unidos, a Beacon Hill foi condenada pela justiça norte-americana, em 2004, por operar contra a lei.


Percorrendo os caminhos e descaminhos dos milhões extraídos do país para passear nos paraísos fiscais, Ribeiro Jr. constatou a prodigalidade com que o círculo mais íntimo dos cardeais tucanos abre empresas nestes édens financeiros sob as palmeiras e o sol do Caribe. Foi assim com Verônica Serra. Sócia do pai na ACP Análise da Conjuntura, firma que funcionava em São Paulo em imóvel de Gregório Preciado, Verônica começou instalando, na Flórida, a empresa Decidir.com.br,  em sociedade com Verônica Dantas, irmã e sócia  do banqueiro Daniel Dantas, que arrematou várias empresas nos leilões de privatização realizados na era FHC.


Financiada pelo banco Opportunity, de Dantas, a empresa possui capital de US$ 5 milhões. Logo se transfere com o nome Decidir International Limited para o escritório do Ctco Building, em Road Town, ilha de Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas. A Decidir do Caribe consegue trazer todo o ervanário para o Brasil ao comprar R$ 10 milhões em ações da Decidir do Brasil.com.br, que funciona no escritório da própria Verônica Serra, vice-presidente da empresa. Como se percebe, todas as empresas tem o mesmo nome. É o que Ribeiro Jr. apelida de “empresas-camaleão”. No jogo de gato e rato com quem estiver interessado em saber, de fato, o que as empresas representam e praticam é preciso apagar as pegadas. É uma das dissimulações mais corriqueiras detectada na investigação.


Não é outro o estratagema seguido pelo marido de Verônica, o empresário Alexandre Bourgeois. O genro de Serra abre a Iconexa Inc no mesmo escritório do Ctco Building, nas Ilhas Virgens Britânicas, que interna dinheiro no Brasil ao investir R$ 7,5 milhões em ações da Superbird. com.br que depois muda de nome para  Iconexa S.A…Cria também a Vex capital no Ctco Building, enquanto Verônica passa a movimentar a Oltec Management no mesmo paraíso fiscal. “São empresas-ônibus”, na expressão de Ribeiro Jr., ou seja, levam dinheiro de um lado para o outro.


De modo geral, as offshores cumprem o papel de justificar perante o Banco Central e à Receita Federal a entrada de capital estrangeiro por meio da aquisição de cotas de outras empresas, geralmente de capital fechado, abertas no país. Muitas vezes, as offshores compram ações de empresas brasileiras em operações casadas na Bolsa de Valores. São frequentemente operações simuladas tendo como finalidade única internar dinheiro nas quais os procuradores dessas offshores acabam comprando ações de suas próprias empresas… Em outras ocasiões, a entrada de capital acontecia através de sucessivos aumentos de capital da empresa brasileira pela sócia cotista no Caribe, maneira de obter do BC a autorização de aporte do capital no Brasil. Um emprego alternativo das offshores é usá-las para adquirir imóveis no país.


Depois de manusear centenas de documentos, Ribeiro Jr. observa que Ricardo Sérgio, o pivô das privatizações — que articulou os consórcios usando o dinheiro do BB e do fundo de previdência dos funcionários do banco, a Previ, “no limite da irresponsabilidade” conforme foi gravado no famoso “Grampo do BNDES” — foi o pioneiro nas aventuras caribenhas entre o alto tucanato. Abriu a trilha rumo às offshores e as contas sigilosas da América Central ainda nos anos 1980. Fundou a offshore Andover, que depositaria dinheiro na Westchester, em São Paulo, que também lhe pertenceria…


Ribeiro Jr. promete outras revelações. Uma delas diz respeito a um dos maiores empresários brasileiros, suspeito de pagar propina durante o leilão das estatais, o que sempre desmentiu. Agora, porém, existe evidência, também obtida na conta Beacon Hill, do pagamento da US$ 410 mil por parte da empresa offshore Infinity Trading, pertencente ao empresário, à Franton Interprises, ligada a Ricardo Sérgio.


(1)A dívida de Preciado com o Banco do Brasil foi estimada em US$ 140 milhões, segundo declarou o próprio devedor. Esta quantia foi convertida em reais tendo-se como base a cotação cambial do período de aproximadamente R$ 3,2 por um dólar.

(2)As empresas arrematadas foram a Coelba, da Bahia, a Cosern, do Rio Grande do Norte, e a Celpe, de Pernambuco.

(*) PiG: Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

BELMIRO FERNANDES PEREIRA e MARTA VÁRZEAS convidam / porto.pt

Lançamento do livro Retórica e Teatro

O livro “Retórica e Teatro – A Palavra em acção”, editado pela U.Porto editorial, vai ser lançado no próximo dia 19 de Outubro, pelas 18h00, na Fnac de Santa Catarina. A apresentação da obra será feita por Maria de Lurdes Correia Fernandes, Professora Catedrática do Departamento de Estudos Portugueses e Estudos Românicos da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

A obra foi organizada por Belmiro Fernandes Pereira e Marta Várzeas, professores da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, que reuniram neste volume um conjunto de colaborações de especialistas nacionais e estrangeiros que relacionam retórica e teatro, procurando evidenciar as afinidades que fizeram destas artes um poderoso instrumento de reflexão sobre a comunicação humana e a criação literária.

U.Porto editorial

Reitoria da Universidade do Porto

Praça Gomes Teixeira, 4099-002 PORTO

Tel.: 220 408 196  Fax: 220 408 359

URL: editorial.up.pt/

 

BIENAL do LIVRO é aberta em SÃO PAULO


Convidados visitaram o Pavilhão do Anhembi, nesta quinta (12/08/10).
Público poderá visitar o evento a partir de sexta (13/08/10).

A 21ª edição da Bienal do Livro de São Paulo foi aberta oficialmente nesta quinta-feira (12), no Pavilhão de Exposições do Anhembi, na Zona Norte da capital paulista. O acesso do público será permitido a partir desta sexta-feira (13), mas alguns convidados, como grupos de alunos de escolas da cidade, foram convidados para visitar a feira em primeira mão (Foto: Juliana Cardilli/G1)

O prefeito Gilberto Kassab e o governador Alberto Goldman participaram da cerimônia de abertura. A feira terá 350 expositores e 4,2 mil lançamentos. O evento vai até o dia 22 de agosto (Foto: Juliana Cardilli/G1)

G1.

Americanos cogitaram ‘tomar a Amazônia’ no século XIX, revela livro


Chefe do Observatório Naval queria expandir ‘plantations’ em área brasileira.
Revelação está em livro de Gerald Horne, que falou ao G1 sobre o caso.

Daniel Buarque Do G1, em São Paulo


Capa do livro ‘O sul mais distante’ de Gerald Horne,
que revela o interesse americano na Amazônia no
século XIX (Foto: Reprodução)

Pesquisadores norte-americanos costumam chamar de paranoia a preocupação que os brasileiros têm com a ideia de intervenção dos Estados Unidos na Amazônia. Por mais que atualmente não haja nenhum indício real deste tipo de interesse na região da floresta tropical no Brasil, a história revela pelo menos um momento, no século XIX, em que políticos dos EUA discutiram a ideia de ocupar o território no norte do Brasil.

Foi em 1850, quando o chefe do Observatório Naval dos Estados Unidos, Matthew Fontaine Maury, sugeriu que seu país evitasse a Guerra Civil e continuasse expandindo sua produção de algodão com mão de obra escrava levando toda a estrutura, incluindo os escravos africanos, para a região da Amazônia brasileira. A revelação é parte do livro “O sul mais distante” (Cia. Das Letras), escrito pelo pesquisador de escravidão nas Américas Gerald Horne, professor da Universidade de Houston, no Texas. Segundo ele, Maury era interessado em deportar escravos norte-americanos para desenvolver a região com um plano de “tomar a Amazônia do Brasil”.

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Em entrevista ao G1, Horne explicou que este plano de “invadir a Amazônia” surgiu no contexto da consolidação dos Estados Unidos como uma potência violenta, que fazia da conquista territorial seu destino manifesto, então “não é uma surpresa” que cobiçassem também a Amazônia. O projeto de incorporar a floresta, disse, ganhou força especialmente no Estado da Virgínia, que era o centro do poder político dos Estados Unidos na época e onde Maury continua a ser visto como um herói até hoje.

Ele comentou que, por mais que o país continue se envolvendo em guerras pelo mundo, a situação mudou e nenhuma ação do tipo é sequer cogitada pelos americanos. “Hoje, não é necessário nem dizer, não há possibilidade desse tipo de intervenção. Especialmente por conta da ascensão do Brasil, que está desafiando a liderança americana na América Latina. O Brasil é mais forte, o mundo mudou”, disse Horne ao G1.

Separação e anexação
Maury costuma ser citado como tendo sugerido que os políticos americanos deveriam forçar o Brasil a permitir a livre navegação de barcos americanos na Amazônia porque o Rio Amazonas era “uma extensão” do rio Mississippi.

Hoje, não é necessário nem dizer, não há possibilidade desse tipo de intervenção”

Gerald Horne, historiador

Em “O sul mais distante”, livro de 2007 que acaba de ser publicado no Brasil, Horne explica que as relações entre Brasil e Estados Unidos americana foram muito intensas por conta da escravidão nos dois países. A proximidade diminuiu com a Guerra Civil, iniciada uma década depois do plano de Maury de transferir as plantações para a Amazônia.

Segundo Horne, os escravistas mais radicais do sul norte-americano defendiam fortemente a separação do país e “colocavam o Brasil próximo ao centro do seu sonho de um império transcontinental de escravidão, particularmente nos anos 1850, quando parecia que a escravidão encontrava um bloqueio em sua expansão para o Oeste”. Para eles, o futuro estava em um império “unido com o Brasil”.

Maury via a Amazônia como “válvula de segurança da União” e planejava deportar os escravos africanos dos Estados Unidos junto com seus proprietários para a região ainda não desenvolvida. “É mais fácil e mais rápido’, argumentou Maury, ‘para navios da Amazônia fazerem a viagem a Nova York de que ao Rio’”.

Segundo Horne, a proposta de Maury foi vista como provocativa e discutida no Brasil, o que fez com que o então secretário de Estado dos Estados Unidos, William Marcy, respondesse de forma superficial garantindo ao Brasil que não precisava levar a sério os argumentos de Maury. O pesquisador da Universidade de Houston, entretanto, diz que Maury gerou um forte interesse norte-americano em dominar a região amazônica, fazendo com que milhares de norte-americanos viajassem o Brasil investigando o país e analisando a possibilidade de se apropriar do território da floresta.

Em outras ocasiões no final dos anos 1850 e mesmo durante a Guerra Civil, em 1862, um comitê da Câmara de Deputados dos Estados Unidos chegou a considerar a possibilidade de deportar os negros para a Amazônia, o que foi ponderado pelo governo brasileiro e negado por a lei brasileira “não admitir negros livres em seu território”. O Brasil, diz Horne, teve um papel importante na mente de líderes do sul escravista dos Estados Unidos, que foi apoiado pelo governo brasileiro, servindo até mesmo como refúgio quando a Guerra Civil terminou com vitória do Norte do país.

A OBRA POÉTICA DE MANOEL DE ANDRADE ANALISADA NO JALLA 2010 de 2 a 6 de agosto no Rio de Janeiro.


Na próxima semana o poeta catarinense Manoel de Andrade, colaborador deste site e atualmente radicado em Curitiba estará participando, em Niterói, do Congresso “Jornadas Andinas de Literatura Latino-Americana”.

Em vista do conteúdo histórico-político de seu livro “Poemas para a liberdade” nas quatro edições que teve na América, na década de 70, seu lançamento em edição bilingue o ano passado no Brasil e a repercussão de sua poesia na atualidade, a obra poética de Manoel de Andrade será apresentada ao Congresso JALLA 2010 por Suely Reis Pinheiro, Doutora em Literatura Espanhola e Hispano-americana, Professora da UFF, UERG e UNIGRANDERIO, e diretorra da Revista Hispanista. Seu tema será: A POESIA DE MANOEL DE ANDRADE: UM CANTO DE AMOR E LIBERDADE NA AMÉRICA LATINA. Na oportunidade o poeta participará com a leitura de seus poemas.

Considerado como um dos mais importantes encontros literários da América Latina, o JALLA 2010, se realizará de 02 a 06 de agosto, no Instituto de Letras da Universidade Federal Fluminense. O primeiro congresso do JALLA aconteceu em La Paz em 1997, e desde então vem se convertendo num disputado espaço de integração e interlocução entre prosadores, poetas e pesquisadores da literatura do Continente. O Congresso, com realização a cada dois anos, já foi sediado em cidades como: San Miguel de Tucuman (Argentina), Quito (Equador), Cuzco (Peru), Lima (Peru), Bogotá (Colômbia), Santiago (Chile) e o Congresso de 2010 será o primeiro a ser realizado no Brasil, fora da América Hispânica e do mundo andino que lhe empresta o nome.

O evento, ao longo dos anos, vem ampliando sua temática e transformando-se num espaço de amplo diálogo cultural latino-americano, expandindo a imagem da regionalidade que marcou sua origem, para estabeceler relações de cultura que integrem todo o Continente. Neste sentido está de parabéns o Instituto de Letras da Universidade Federal Fluminense, integrando-se ao JALLA com a intenção de abraçar culturalmente a nossa dupla latinidade, não só buscando a fraterna comunhão das línguas ibéricas, mas propondo temas de interação para o pensar latino-americano. Para isso propôs temas com objetivos bem mais inclusivos abrindo o diálogo entre a América Hispânica, o Caribe e o Brasil e buscando um discurso que incorpore estas diferentes áreas culturais numa geografia cultural que integre nossa historicidade, nossas diferenças antropológicas e nossos idiomas.

Com 1110 inscritos, entre escritores, professores de literatura, pesquisadores e assistentes de várias áreas culturais, as plenárias e os debates versarão sobre os seguintes temas:
1. América Hispânica e  Brasil: diálogos culturais e literários
2. O Caribe como área cultural  Latino-Americana
3. Afro-Indo-Latino América: interlocuções
4. Tradução como mediação cultural
5. Subalternidades, resistências e alternativas na cidade globalizada da América Latina
6. O entre-lugar do intelectual latino-americano
7. Os bicentenários das independências dos países latino-americanos

Sobre o livro: ” O brasiguaio Don Antonio” – por josé alexandre saraiva / curitiba

A leitura dos originais deste belo livro causou-me aprazimento e júbilo. Aprazimento de quem se vê a viajar por distintas e convidativas temáticas literárias, entrelaçadas de prosa histórica – incluindo revivências parlamentares do autor nos ásperos anos da década de 1960 – e incursões poéticas.

O júbilo consiste simplesmente na satisfação incontida de merecer a confiança do confrade Lyrio Bertoli para prefaciar estas perenes páginas.

Abro parêntese já no início para dizer que a tarefa é outorgada menos por minhas qualidades do que pela amizade. Uma amizade que remonta ao verão de 1998, quando fomos apresentados na Banca do Abel, a Boca Maldita de Foz do Iguaçu. Entre outros assuntos, falamos sobre a criação de um centro cultural para a cidade. Pouco tempo depois, no Hotel Rafain Centro, nascia a Academia de Cultura de Foz do Iguaçu (Aculfi), presidida por Lyrio nos primeiros quatro anos. Além da sua revista Cultura Basis Civilitatis, livros, eventos culturais e artísticos, palestras e ciclos de estudos foram chancelados pela Aculfi. Como já era esperado, não tardaria a chegar o valoroso aval da Academia Paranaense de Letras e do Centro de Letras do Paraná, então sob a liderança dos acadêmicos Túlio Vargas e Adélia Maria Woellner, respectivamente.

Ainda hoje está na boca do povo iguaçuense o sensacional encontro “Nordeste e Sul de Repentes”. Por várias horas, o repentista Oliveira de Panelas (pernambucano) e o pajador José  Estivalet (gaúcho) duelaram de improviso na melhor poesia popular, embalados por incessantes aplausos.

Sob a liderança e honorabilidade do ilustre presidente, e a valiosa colaboração de Nancy Rafagnin Andreola, então presidente da Fundação Cultural de Foz do Iguaçu, o governo municipal nos cedeu ampla sala mobiliada e criou rubrica orçamentária para a novel agremiação cultural. A cada dia, a Aculfi consolidava sua importância junto aos diversos segmentos da sociedade. Acolheu membros de notória expressão no mundo artístico e cultural da região, incluindo cidades fronteiriças do Paraguai e da Argentina, e serviu de modelo no exitoso processo de interiorização da Academia Paranaense de Letras, iniciado por Túlio Vargas, de sentida memória.

A partir daí, na convivência diária, passei a conhecer de perto o extraordinário ser humano Lyrio Bertoli. No início, fiquei surpreso com tão denso passado histórico, a começar por sua eleição para a Câmara dos Deputados em 1962, como primeiro deputado federal do Oeste do Paraná. Nessa época, a região, com forte presença de jagunços e posseiros, caminhava lentamente na formação dos primeiros municípios. Era nítida a incipiente infra-estrutura rodoviária e de serviços básicos, a evidenciar agudas carências.

Lyrio trabalhou com afinco e cumpriu as promessas de campanha. O povo reconheceu nas urnas a dedicação de seu primeiro deputado federal e conferiu-lhe o segundo mandato. Após assegurar indelével legado à consolidação socioeconômica do Oeste do Paraná, Lyrio Bertoli despediu-se de seus pares em 1971, não resistindo aos apelos do aconchego familiar. Antes, em antológico discurso registrado nos anais daquela casa de leis, prestou alentada homenagem ao poeta neo-romântico e simbolista Alphonsus Henrique de Guimaraens (1870-1921), pelo transcurso de seu aniversário de cem anos.

Nesse delicado período da História recente do Brasil, Lyrio Bertoli lançou, em seus mais de 370 pronunciamentos da tribuna da Câmara dos Deputados, ideias de grande repercussão, seja pelo conteúdo, seja pela originalidade. Tive acesso a vários desses documentos e constatei expressivo número de proposições que se tornaram realidade. É o caso do projeto embrionário da construção da usina hidrelétrica de Itaipu, conforme comprova a edição de 8 de agosto de 1963 do Diário do Congresso Nacional.

A propósito, em carta datada de 9 de julho de 2004, o atual Diretor Geral Brasileiro da Itaipu Binacional, Jorge Samek, reconheceu o importante e decisivo papel de Lyrio nesse monumental empreendimento da engenharia mundial. Destaca o iguaçuense Samek “o grande exemplo de sua visão e seu desempenho parlamentar voltado a esse aproveitamento hidrelétrico do rio Paraná, hoje fonte de energia e garantia de desenvolvimento para o Brasil e o Paraguai”.

Aqui também merece registro o seu empenho na instalação da primeira cooperativa do Oeste do Paraná, a Consolota, de Cafelândia, hoje Copacol. Fundada por colonos, sob orientação do padre Luiz Luíse, o momento decisivo de criação da tradicional entidade surgiu em uma audiência de Lyrio Bertoli com o presidente João Goulart. Lyrio sensibilizou e convenceu o mandatário supremo do país das insuportáveis espoliações econômicas padecidas pelos pequenos produtores da agroindústria, graças às ações açambarcadoras dos atravessadores – verdadeiros sanguessugas.

Posteriormente, mesmo sem o mandato de deputado, Lyrio evitou que essa cooperativa – principal responsável pelo desenvolvimento e emancipação de Cafelândia, antes uma vila de Cascavel – fosse absorvida pela Coopavel. Ele continuaria ardorosamente engajado na preservação institucional e financeira da Copacol, dando eco, com sua prestigiada presença junto às autoridades de Brasília, aos pleitos legítimos das lideranças locais. Prova cabal disso é a correspondência enviada a Lyrio Bertoli em dezembro de 1971 por Estevão Grudka e Cristiano T. Maltezo, dirigentes daquela cooperativa, rogando-lhe intervenção pessoal e política para salvar a entidade.

Em documento escrito pelo padre Luiz Luíse, transcrito em trabalho da lavra de Alceu A. Sperança, o famoso religioso dá esse importante testemunho para a História:

“Vendo, em Cafelândia, a situação dolorosa dos bons colonos, pensei em ajudá-los, fundando a Associação Agropecuária Cafelândia em julho de 1963, porém não consegui legalizá-la, visto que em Cafelândia existia uma filial da Associação Agropecuária de Cascavel. Não sabendo o que fazer para salvar os colonos, escrevi um relatório ao deputado Lyrio Bertoli. Ele levou ao conhecimento do presidente do Brasil, João Goulart, os problemas dos agricultores. Foi assim que o presidente encarregou o próprio Lyrio Bertoli de chefiar e acompanhar uma missão composta do próprio chefe da Casa Civil da Presidência, um coronel e mais dois técnicos em cooperativismo do Ministério da Agricultura, para vir a Cafelândia e verificar a situação crítica dos colonos. Isto deu-se no mês de agosto de 1963”.

No mesmo sentido, enaltecendo a paixão de Lyrio Bertoli pelo Oeste do Paraná, a Associação Comercial e Industrial de

Cascavel, em correspondência a ele enviada por seu presidente Pedro Luiz Boaretto, ressalta que sua passagem pelo Congresso Nacional revelou “preocupação incessante com relação às causas do oeste paranaense, destacando-se as rodovias, os aeroportos, a política agrícola, a situação agrária, as agências do Banco do Brasil e da então Coletoria Federal, preços mínimos, e até a visão da Usina de Itaipu”.

Fecho o parêntese. Falemos um pouco sobre o livro.

Entre as narrativas reunidas nesta obra, particularmente me prenderam a atenção as tocantes histórias centradas em fatos reais ocorridos em plena colonização do Oeste do Paraná, em que a conquista da terra é elemento nuclear. Em uma delas (“Por um pedaço de terra”), o autor – ao mesmo tempo protagonista em carne e osso, na qualidade de promotor de justiça ad hoc – , mergulha com acurada sutileza no interior de personagens. Valendo-se da lógica dedutiva, técnica investigativa que consagrou Sherlok Holms, expõe com agudeza os ardis da incrível trama arquitetada pelo jovem Ismael, dominado pela cobiça material. Valendo-se da fragilidade feminina, ele seduz a donzela Ana Maria para atingir diabólico plano. Pretendia garantir ao pai uns palmos de terra disputados também pelo pai da moça. Movida por irresistível paixão, Ana Maria sucumbe à tentação e denuncia o próprio pai de falso estupro, levando-o premeditadamente à prisão.

Ampliando o cenário das instigantes histórias, extremamente realistas, o olhar crítico e investigativo de Lyrio Bertoli cruza o rio Paraná e vai às promissoras terras paraguaias de Alto Paraná, para onde são atraídos brasileiros desbravadores em busca do Eldorado. Ali, desenvolve-se praticamente todo o magnífico conto “O brasiguaio don Antonio”, em que se sobressaem vários paralelos narrativos. Nele, o autor tece as aventuras e infortúnios do gaúcho Antonio, homem de sólidas raízes morais, chefe de família, trabalhador e ordeiro. No entanto, traído por ambição desmedida de riqueza, torna-se prisioneiro de suas próprias conquistas, cercadas de experiências idílicas. Mergulhado nas areias movediças da ambição e das paixões proibidas, tem trágico fim em solo guarani. No episódio, o autor ressalta o conflito de consciências entre Antonio, humilde trabalhador, pai e marido, e o agora “don Antonio”, senhorio, próspero, sedutor e amante. O embate sobre o certo e o errado, o bem e o mal, dá um toque de maestria, digno dos melhores contistas, ao drama vivido pelo personagem Antonio, isto é, don Antonio.

Não é demais salientar que o Oeste do Paraná, recentemente agraciado com a obra No tempo dos pioneiros, de Heitor Lothieu Angeli, ganha agora, com o eficiente escritor Lyrio Bertoli, substancioso capítulo na consagração de suas letras. Além da importância histórica, o livro permite-nos visualizar cenários narrativos em cores vivas, com descrição de época, de ambientes, de costumes e de personagens, compreendendo o oportuníssimo resgate de lenda que, inexplicavelmente, ficaram perdidas nas antigas matas e nos abundantes rios da região.

Enfim, com esta obra Lyrio Bertoli lega aos pósteros o exemplo de indeléveis passagens da sua vida pública e, a um só tempo, assegura lugar cativo na galeria da melhor literatura regional paranaense. Em definitivo, passa a figurar ao lado de vultos como o saudoso amigo Ruy Wachowisk, Alceu A. Sperança e o já citado Heitor Lothieu Angeli, entre outros, cuja produção literária tem projetado além-fronteiras a apaixonante região do Oeste do Paraná.

Curitiba, 5 de abril de 2010.


O SER POÉTICO EM RODRIGO DE HARO: “ANDANÇAS DE ANTÔNIO” por jairo pereira / quedas do iguaçu.pr

Nas cinqüenta e sete estampas/poemas, ou como diz o autor, sinopses memoráveis para o cinematógrafo, que compõe o livro Andanças de Antônio, Rodrigo de Haro, mostra a força plástico-imagética de sua poesia. Ser volátil (o livro, a criação) e como é próprio do poeta, nenhuma fronteira pode impedir as invasões da percepção livre. O livro é bem editado pela catarinense Editora Insular, no formato tradicional e em bom papel, com retrato pictórico do artista na pena de Martinho de Haro. Belo frontispício a um livro de poesia, em que a figura do poeta, regente da orquestra de signos concentra o foco das atenções. No caso de Rodrigo de Haro, tal fato se justifica, ainda mais, pois o mesmo é também pintor e desenhista, sendo autor do dibujo de capa do livro. Estranha figura de cabeça branco-negra, em movimento, e de onde por um cordão tênue, sobressai ao lado direito do corpo, uma máscara negra, com vazados de olhos e boca em branco. Uma peça afrobrazuka, de movimento e flexão corpórea, remetendo à carnavalização do eu.

Devo admitir que ainda existe vida inteligente na Academia. Rodrigo de Haro, neste livro, é mais que eficiente com a linguagem, atingindo o patamar do transcendente, do simbólico, do ambíguo, em algumas passagens, o que é próprio do poeta, cheio, desse psiquismo mundano que só faz bem pra arte. Perdoem minha sinceridade de poeta e crítico à margem, senhor de si e de seu destino. Estive no lançamento do livro (Livraria Livros & Livros, Florianópolis – centro-) e entro agora no seu mundo de imagens e construções verbais. Deparo-me com coisas como: Mas o granito lento se esboroa./Insistes. Com prego torto/riscas meu nome na parede. Alguns poemas trazem nomes que remetem ao mundo da pintura, como Sala com paisagem de Castagneto ou Estampa de cão sentado numa cadeira. Gostei particularmente, dos fechos aos poemas, como se pode ver de Encontro na sala da Ordem da Capela do Menino Deus quando o poeta conclui que o passado é feroz, destrói as pontes./Frio peixe dos sonos./Viola sem cordas. Em Li muitos livros esta noite gostei da sentença final ao poema: Nada permanece. Nada/quer morrer. Em tom e pose aristocrática, mais adiante o poeta, expõe em Os silêncios de Antônio que invenção e alumbramento/nossa monarquia voltará. Não resta dúvida, que há uma postura deliberada do poeta, em ver as coisas (objetário do livro) de um prisma bem particular seu, aliás, o que faz a diferença e dá personalidade poética ao autor. Há uma sanha boba na poesia brasileira de hoje, de o cara querer ser Drummond, Bandeira, João Cabral… como se a expressão pessoal, nada valesse, e melhor seria arriscar o que “parece” teria dado certo. Cúmulo da mediocridade, a fala que não é sua, e que trazes para ti como se fosses. A essa classe apta na conformação, e repetição/diluição do outro, consagro os versos a seguir do próprio Rodrigo de Haro, Em 1974, talvez: O bufão, os poetas são/meras cabeças expostas/nas sombras. Melhor seria te calares. Um dos mais belos poemas do livro é Escrito em Veneza, no qual o poeta surpreende em brasilidade com versos como estes: Gomezius/Pereira na sua “Pérola Antonina”:/ Ocelus de Lucania e/ainda Rodrigues de Castro. Todos /admitem esta cristalina/verdade:/“A terra é imóvel.” O poeta de Andanças de Antônio sabe dosar as imagens, sem excessos ou redundâncias, vícios comuns de linguagem, quando a matéria as vezes é mais de crônica até, do que de poesia, como se infere de alguns poemas. Tudo/é inacabado e aspira/ao vazio da rua em que nas-/cestes:sibilino, arbóreo,/transparente e lúcido/sopro na colina. A figura do poeta, realmente transita muitas fronteiras da percepção, espaços tomados com destreza, extraindo sínteses históricas, visões de sombras e fantasmas, memória e flagelação. Há também um quê de humor na fala quando perpassa o poeta algumas paisagens. A ilha (Desterro) comparece, nunca se vergando às voláteis pressões do tempo, vida coletiva e individual, que nasce progride e morre. Quebra-se por vezes a Ode, circula/aos pedaços pelas ruas. Em poucas linhas/a herética receita se ilumina. Estes versos de Escrita, configuram bem o mosaico que deve ser a construção do poeta no tempo, no espaço (intra-extra-memoriam). O objeto da poesia é liso como bagre, volátil, diáfano, ambíguo, hábil à estranhas prestidigitações, e nas mãos do poeta, expande estrelas no céu da lira entusiasmada. Numa imagem surrealista diz o poeta no final de Uma caçada: Obstinado fitas/o disco vagaroso entre os chifres da matrona/que urina prodigiosa, rodeada de cães. Outro final glorioso, para a poesia e o ofício de consagração das coisas, aparece claro em Mobinogion, Pan-Fei: A terra, repleta de/mortos, está cansada, e também pede/para morrer. É nisso que Rodrigo de Haro, mesmo trazendo o estigma (negativo para alguns, como é o meu caso e positivo para outros) da academia é bom, converter um nada em poesia, uma lembrança qualquer no ar, transformada em poema consistente, como no caso do mezzo-francês Marcel: No escrínio empoado da máscara/exibes encore os olhos levantinos et/une orchidée adorna tua lapela ofegante. No último poema do livro Mãe conduz seu filho para olhar um fantasma a aparente simplicidade do texto é enganatória, pois os núcleos de significação avançam verso sobre verso, culminando o poema com esta constatação: Imobiliza-se/o leite das fontes, leite/que pinga dos meus lábios/sobre tábuas mal-pregadas. No final, uma imagem belíssima expande o dom visionário do poeta: Afastas a tranca, des-/dobras a geometria do jardim/como toalha sobre a mesa/onde pássaros não tombam./Com gelo e lama amassas/o rígido alimento dos fantasmas. Dá pra se dizer que o Andanças de Antônio traz bem à mostra o talento de Rodrigo de Haro, numa poética de força (no conteúdo) e graça (no estético), na forma livre e adjetivada, que é espelho da alma vivant e criativa do autor.

NILTON DE OLIVEIRA CUNHA lança seu livro “PENSAMENTO e VERDADE – uma nova maneira de pensar a realidade” – CONVIDA:

DANTE MENDONÇA lança seu livro: “SERRA ABAIXO, SERRA ACIMA o Paraná de trás pra frente” / curitiba

MAURICE POLITI lança seu livro ” RESISTÊNCIA ATRÁS DAS GRADES” em CURITIBA dias 26 e 27/11