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Tensão entre poderes é crise fabricada, garantem líderes do Legislativo

Tensão entre poderes é crise fabricada, garantem líderes do Legislativo

26/4/2013 12:35
Por Redação – de Brasília

 

Décio Lima (PT/SC) disse que todos os ritos necessários foram cumpridos

Décio Lima (PT/SC) disse que todos os ritos necessários foram cumpridos

Presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ), o deputado Décio Lima (PT-SC) confirmou, nesta sexta-feira, o que já vem dizendo desde que foi instalada a polêmica em torno da aprovação da admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 33, que submete as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) ao Congresso. A crise seria fabricada e “não passa de tempestade em copo d’água”. Em nota, ele ponderou que a admissibilidade não significa concordância com o mérito.

“Admissibilidade não é concordância com o mérito, é preciso que fique claro. Essa incompreensão tornou-se o busílis da polêmica e orienta o debate pelo lado que interessa mais à política. A polêmica que se estabeleceu não passa de tempestade em um copo d’água. O debate entre os Três Poderes é normal. Nenhum assunto é proibido de se discutir na democracia e o Legislativo é o Poder da República legitimamente constituído para o debate e a formulação da legislação brasileira”, afirmou.

O presidente da CCJ também lembra que o tema foi amplamente debatido no colegiado, desde dezembro do ano passado, e que a votação ocorrida na quarta-feira se deu de acordo com as regras regimentais e constitucionais.

“Não houve absolutamente nenhum erro no que tange às prerrogativas da zelosa Comissão de Constituição e Justiça. Não há, portanto, nenhuma possibilidade de se ter arranhado sequer uma vírgula da nossa Carta Magna. O entendimento da comissão foi de que a matéria não feriu as cláusulas pétreas da Constituição, sobretudo aquelas que formularam os poderes da República brasileira”, diz um trecho da nota que o parlamentar veiculou, nesta manhã.

Também em nota à imprensa, divulgada no início da noite passada, as associações dos Magistrados Brasileiros (AMB), dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) e dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) disseram que a PEC 33 representa um estímulo à impunidade.

“As associações e entidades de classe de âmbito nacional da magistratura, considerando a aprovação da PEC 33/2011, vêm a público expressar preocupação quanto ao encaminhamento de propostas que tenham o intuito de enfraquecer o Poder Judiciário, resultando, no fundo, em impunidade e negação de Justiça”, diz trecho da nota.

No documento, as entidades frisam que a proposta, ao condicionar efeitos de decisões do Poder Judiciário a um juízo do Poder Legislativo, de natureza eminentemente política, “significa um retrocesso institucional extremamente perigoso, o que não é bom para o Brasil”.

Presidente da Câmara, o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) também adiantou que não pretende instalar a comissão especial para analisar o mérito da PEC enquanto não ficar claro se a proposta fere o princípio constitucional da separação dos poderes. Cabe ao presidente da Câmara a instalação de comissões especiais para análise do mérito de PECs. Aprovada pela CCJ, a PEC 33 condiciona o efeito vinculante de súmulas aprovadas pelo STF ao aval do Poder Legislativo e submete ao Congresso Nacional a decisão sobre a inconstitucionalidade de leis.

Para o ministro Marco Aurélio Mello, a decisão de analisar a proposta com mais cautela foi acertada.

– A postura de Vossa Excelência confirma as minhas palavras de ontem, a confiança absoluta na Câmara dos Deputados e no Senado da República como dois grandes colegiados – disse ele, ao deixar o STF, na noite passada.

Para o ministro Gilmar Mendes, no entanto, a situação não é bem assim. Ele voltou a criticar a proposta de emenda à Constituição que vincula decisões da Corte ao Congresso Nacional. Em conversa com jornalistas, nesta sexta-feira, o ministro destacou o fato de o texto ser aprovado na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara sem uma análise mais detalhada e disse que é “melhor que se feche o Supremo Tribunal Federal” se a proposta for aprovada pelo Legislativo.

– Não há nenhuma dúvida, (a proposta) é inconstitucional do começo ao fim, de Deus ao último constituinte que assinou a Constituição. É evidente que é isso. Eles (Legislativo) rasgaram a Constituição. Se um dia essa emenda vier a ser aprovada, é melhor que se feche o Supremo Tribunal Federal – disse Mendes.

Já o ministro Ricardo Lewandowski minimizou o arremedo de crise entre Legislativo e Judiciário.

– Os poderes estão funcionando. Cada qual toma as atitudes que entendem dentro de sua esfera de competência e assim é que funciona a democracia. Quando os poderes agem dentro de sua esfera de competência, a meu ver, não há o que se falar em retaliação. E muito menos crise. Pelo contrário, os poderes estão ativos, funcionando e não há crise nenhuma – garantiu.

De autoria do deputado Nazareno Fonteles (PT-PI), a proposta estabelece que o STF só poderá propor súmulas vinculantes “após reiteradas decisões sobre matéria constitucional”, resultante de decisão de quatro quintos dos ministros. De acordo com a proposta, as súmulas, no entanto, só passarão a ter efeito vinculante após aprovação do Congresso Nacional. A PEC estabelece também que somente pelo voto de quatro quintos dos ministros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou do ato normativo do Poder Público.

Novo desgaste

Outro ponto de atrito entre o Legislativo e o Judicário ganhou, nesta manhã, um novo episódio. Protocolado na véspera pelo Senado, desembarcou nesta sexta-feira, na Suprema Corte, o recurso que visa liberar a tramitação do Projeto de Lei da Câmara (PLC) 14/2013. O agravo regimental sustenta que a liminar concedida pelo ministro Gilmar Mendes representa ingerência nas competências do Poder Legislativo.

– O papel do Legislativo é zelar pela suas competências. Da mesma forma que nós nunca influenciamos decisões do Judiciário, nós não aceitamos que o Judiciário influa nas decisões legislativas, consideramos isso uma invasão – afirmou o presidente do Senado, Renan Calheiros, a jornalistas, logo após reunião com o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves.

A decisão de Gilmar Mendes suspendeu a tramitação do projeto, que restringe o acesso de novos partidos ao Fundo Partidário e ao tempo de TV. De acordo com o ministro, houve “extrema velocidade” no exame da matéria, aparente casuísmo em prejuízo das minorias políticas e contradições entre o projeto e normas constitucionais. A decisão foi provocada por mandado de segurança impetrado pelo senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF).

O agravo regimental é um recurso judicial que pede o reexame de uma decisão monocrática (de um único juiz) pela composição completa da Corte. Renan acrescentou que o agravo será uma oportunidade de o STF fazer uma “revisão” sobre a decisão tomada. O presidente do Senado também negou que haja uma crise entre Legislativo e Judiciário, mas disse ser inconcebível uma tentativa de influência externa no andamento do processo legislativo.

Para Henrique Alves, a provocação ao STF foi equivocada. Ele reforçou o discurso de Renan, ao dizer que não aceita intromissão de outro poder no Congresso. Alves disse que o Congresso não interfere na forma de votar dos ministros do STF e também não pode aceitar qualquer interferência na forma constitucional e regimental de decisão do Legislativo.

– Esperamos que o Supremo possa rever essa posição, fazendo justiça ao papel constitucional do Congresso – disse o presidente da Câmara.

Prefeitura de Florianópolis recusa alvará para hotel na Ponta do Coral – por joão meassi / ilha de santa catarina.sc

Empreendimento de nível internacional seria construído na Beira-mar Norte

 

Divulgação

Projeto prevê marina e aterro de 35 mil m2

 

A prefeitura de Florianópolis deu parecer contrário ao empreendimento da Hantei Engenharia na Beira-mar Norte, o Hotel Marina Ponta do Coral, principalmente no tocante ao aterro. O parecer assinado pelo procurador-geral do município, Julio Cesar Marcellino Junior, concluiu que o aterro de 35 mil metros quadrados é desprovido de interesse público e de legalidade.

A posição do município encontra respaldo em igual entendimento da Delegacia do Patrimônio da União. O assunto voltou à tona quando a administração passada entrou no Patrimônio da União pedindo licença para fazer o aterro, só que com o mesmo projeto já apresentado pela Hantei. “Não vamos aceitar um projeto de aterro em área da União de empresa privada. Na época, a prefeitura misturou o público e o privado”, disse a superintendente da SPU, Isolde Espíndola. Segundo ela, se o município quiser fazer o aterro tem que fazer um projeto justificando o interesse público.

A prefeitura não confirmou a decisão, mas também não negou a informação. A secretaria municipal de Comunicação, no entanto, fez questão de dizer que o prefeito Cesar Souza Junior (PSD) não é contra o empreendimento.

JUDAÍSMO REJEITA O SIONISMO E O ESTADO DE ISRAEL – este texto está em ingles. escrita original.

JUDAÍSMO FOTO
‘NYT’ landmark: Jewish philosophy prof says we ‘really ought to question’ Israel’s right to existOur site keeps urging a mainstream conversation about Zionism. That’s the endpoint of our work, questioning that almost-religiously-held belief. Well, last night, the New York Times’s opinionator blog published a bold piece by Joseph Levine, a professor of philosophy at the University of Massachusetts, saying that we have to question the right of Israel to exist as a Jewish state–and pretty much concluding that it doesn’t have such a right.Mind you the piece appears in the Opinionator’s philosophical section, which I see is called The Stone, and though it begins by asserting that Levine was raised in a Zionist home, it is a calm and logical disquisition, explaining why Jews do not deserve self-determination inside a state created in the Middle East, up until the end, when Levine arrives at the actual conditions of Palestinians, including the Nakba, and says that these abuses were “unavoidable” in the constitution of a Jewish state.”I conclude, then, that the very idea of a Jewish state is undemocratic, a violation of the self-determination rights of its non-Jewish citizens, and therefore morally problematic.”Writes Donna Nevel, who sent this to me:I think it’s important that these positions are becoming more visible and it’s becoming much harder (though we know too well they still try!) for the Jewish establishment (and AIPAC, etc.) to silence and marginalize these discussions or pretend that views like this don’t reflect similar perspectives of an increasingly large segment of the Jewish community.

Here are excerpts. Go to the Times for the entire thing:

Over the years I came to question this consensus and to see that the general fealty to it has seriously constrained open debate on the issue, one of vital importance not just to the people directly involved — Israelis and Palestinians — but to the conduct of our own foreign policy and, more important, to the safety of the world at large. My view is that one really ought to question Israel’s right to exist and that doing so does not manifest anti-Semitism. The first step in questioning the principle, however, is to figure out what it means….

My view is that one really ought to question Israel’s right to exist…

But the charge that denying Jews a right to a Jewish state [is anti-Semitic because it] amounts to treating the Jewish people differently from other peoples cannot be sustained…

But if the people who “own” the state in question are an ethnic sub-group of the citizenry, even if the vast majority, it constitutes a serious problem indeed, and this is precisely the situation of Israel as the Jewish state. Far from being a natural expression of the Jewish people’s right to self-determination, it is in fact a violation of the right to self-determination of its non-Jewish (mainly Palestinian) citizens..

Any state that “belongs” to one ethnic group within it violates the core democratic principle of equality, and the self-determination rights of the non-members of that group…

I conclude, then, that the very idea of a Jewish state is undemocratic, a violation of the self-determination rights of its non-Jewish citizens, and therefore morally problematic…

There is an unavoidable conflict between being a Jewish state and a democratic state.

JUDAÍSMO PASSEATA

The piece is reminiscent of other Jewish landmarks/awakenings: Tony Judt writing 10 years ago in the New York Review of Books, territory the journal has never sought to lay claim to, that the Jewish state is an anachronism, Brian Klug’s great essay, “On saying that Israel has a right to exist,” which we republished two years ago. Once the media begin stating this argument more regularly, calmly and honestly, you’re going to be stunned by how many young Americans sign on.

Via: Mondoweiss

The Wall Will Fall

Jack Andraka: Aos 15 anos, ele criou um sensor para câncer

Por Anna Carolina Papp

Norte-americano inventa sensor que detecta câncer no pâncreas e que é muito mais rápido, barato e sensível que o método atual. Agora, aos 16 anos ele quer criar um aparelho para reconhecer 15 tipos de doenças

SÃO PAULO – No ano passado, um cientista apresentou uma descoberta brilhante em uma premiação: criou um sensor que detecta câncer no pâncreas com um teste muito mais eficaz do que o utilizado atualmente: 168 vezes mais rápido, 26 mil vezes mais barato, 400 vezes mais sensível e quase 100% preciso. Detalhe: o cientista tinha 15 anos de idade.

Jack Andraka, hoje com 16 anos, é um aluno de ensino médio da cidade de Crownsville, próxima a Washington, nos Estados Unidos. O gosto por ciência, no entanto, não é de hoje.

Quando tinha apenas três anos de idade, o garoto se lembra de ter ganhado uma maquete de plástico com um pequeno rio. Ele e seu irmão faziam testes com a água, vendo qual objeto boiava e qual afundava, qual era levado pela corrente. “Conforme fui ficando mais velho, percebi que a ciência era algo que podia usar para entender o mundo ao meu redor; daí me tornei fascinado por ela!”, disse Jack ao Link por telefone.

Atento. Numa aula de Biologia sobre anticorpos, Jack estava lendo sobre nanotubos de carbono, e logo teve a ideia: ‘Vou combinar os dois’. FOTO: Paul Morigi/Getty Images – 16/6/2012

Mas a inspiração para criar o sensor que diagnostica câncer de pâncreas – a doença que tirou a vida do cofundador da Apple, Steve Jobs – veio de uma experiência pessoal: um amigo próximo da família, que Jack considerava como um tio, faleceu da doença. As muitas dúvidas sobre o assunto rapidamente levaram o garoto à internet.

“Fui ao Google e descobri que 85% dos casos de câncer de pâncreas são diagnosticados de forma tardia – quando a pessoa só tem 2% de chance de sobreviver”, diz o garoto. “Além disso, o teste de diagnóstico atual é uma técnica de 60 anos que custa 800 dólares.” Chocado com os números, Jack se convenceu de que devia haver um método mais simples, rápido e barato.

Eureca. O garoto começou a pesquisar sobre biomarcadores de proteínas. “Aí conheci a mesotelina, uma proteína que, em casos de câncer de pâncreas, ovário e pulmão, aparece em alta concentração na corrente sanguínea, mesmo em estágio inicial da doença”, explica.

A grande sacada, no entanto, veio numa aula de Biologia. Em vez de prestar atenção, Jack lia um trabalho sobre nanotubos de carbono. “Eles têm o diâmetro 150 mil vezes menor do que o de um fio do seu cabelo, mas têm propriedades incríveis; são os super heróis da ciência material”, diz. O aluno então se deu conta de que a professora falava sobre anticorpos, moléculas do sistema imunológico. De repente, ele teve uma ideia: combinar uma rede de nanotubos de carbono e anticorpos, produzindo uma estrutura que pudesse identificar a presença da mesotelina e, portanto, do câncer.

Jack pesquisou sobre o assunto e procurou ajuda de mentores que pudessem lhe orientar para realizar os testes e concretizar o projeto. “Mandei e-mail a 200 professores, e só recebia rejeições: foram 199 rejeições e um ‘talvez’”, conta. Três meses depois, ele encontrou-se com a pessoa que lhe dera o “talvez”: Dr. Anirban Maitra, professor da escola de medicina da Johns Hopkins, que lhe convidou para uma reunião.

O garoto, apreensivo, compareceu à entrevista munido de seus relatórios, materiais e estimativas de custo, e foi aceito. “Logo que comecei a trabalhar no laboratório, desenvolvi uma estratégia e… não estava funcionando de jeito nenhum!”, diz ele. “Demorou cerca de sete meses para garantir que o projeto fosse testado e funcionasse.”

O resultado do trabalho certamente impressiona: um sensor em forma de pequenas tiras de papel que, com uma amostra de sangue de alguém, consegue detectar se há câncer de pâncreas, ovário ou pulmão. O teste custa US$ 0,03 e leva cinco minutos.

Com a invenção, Jack foi premiado na Feira Internacional de Ciência e Engenharia da Intel. Ele estuda viabilizar o projeto com apoio de empresas como Quest Diagnostics e LapCorp, da área de diagnósticos. O sensor deve chegar ao mercado entre dois e cinco anos.

Tricorder. Além de ver seu sensor espalhado por aí, Andraka também quer ir além do câncer e o próximo desafio é vencer a competição Tricorder X, lançada durante a feira Consumer Eletronics Show em janeiro. A disputa é uma premiação de US$ 10 milhões em que os participantes devem criar um aparelho portátil para diagnosticar 15 tipos de doenças em 30 pacientes em três dias.

Ao ouvir sobre a competição, Jack entrou em contato com dois de seus amigos finalistas da feira da Intel. Aí nasceu o grupo, a “Geração Z”.

O objetivo dos meninos é construir um aparelho do tamanho de um smartphone que detecte qualquer doença pela pele. Jack afirma que está trabalhando num componente do tamanho de um grão de açúcar que possa passar pela pele humana, chegar à corrente sanguínea e detectar doenças por meio da análise de proteínas.

Cada colega seu mora em um lugar diferente e, por isso, trabalha em uma parte específica do projeto. A maioria das discussões é pela internet, principalmente por Skype. A Geração Z ainda está recrutando interessados, e o prazo final para entregar o projeto é 2015.

‘Ele é muito novo’. No fim de fevereiro, Jack Andraka foi um dos palestrantes da conferência de inovação TED. Sua descoberta o tem levado a fazer diversas apresentações. Ele diz que sua idade ainda provoca desconfiança: “Dizem: ‘ele é muito novo, não sabe do que está falando!’”, conta o jovem pesquisador. “Mas ao sentar comigo, ler e ouvir sobre o meu trabalho, se convencem.” Ele prevê que a idade será cada vez mais irrelevante como critério. “Conheci um monte de adolescentes que fazem pesquisas completamente inovadoras”, diz.

Jack fala que, apesar de muitos jovens considerarem a ciência uma área fria e distante, o que o fascina é justamente vê-la aplicada no seu dia a dia. “A questão não é decorar códigos ou fórmulas; há um grande aspecto criativo em fazer ciência; é detectar um problema e pensar em soluções criativas.”

Ao longo de seu processo criativo, Jack destaca um componente fundamental: a internet. “Quando comecei esse projeto, eu nem sabia o que era um pâncreas!”, afirma. O garoto conta que usou muito o Google e a Wikipedia para pesquisar, pois muitas vezes a biblioteca estava fechada ou desatualizada. “Hoje, é possível fazer pesquisa contemporânea sobre todos esses campos diferentes pelo celular!”, diz. “A tecnologia realmente acelerou o modo como fazemos ciência.”

Hoje, Jack frequenta pouco a escola; prefere os laboratórios. Perguntado sobre o que faz para se divertir, ele conta que adora andar de caiaque com sua família e fazer origami. Mas não consegue esconder o lado gênio: “Ah, além das competições internacionais de matemática.”

Lula traça estratégia para governo de SP

Sucessão no Estado em 2014 já é debatida por petistas; ministros do PT querem disputar, mas ex-presidente sugere chapa com PMDB

lula-Homenageado

O PT começou a montar a estratégia, considerada prioritária pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para tentar tirar o PSDB do Palácio dos Bandeirantes na eleição de 2014. A direção do partido debate internamente dois caminhos: fazer uma aliança com uma sigla aliada e tirar a cabeça de chapa do PT ou lançar um ministro da presidente Dilma Rousseff como candidato a governador de São Paulo.

As duas estratégias foram debatidas há dez dias em reunião com Lula, em São Paulo. Voltaram à pauta na segunda-feira em almoço em Brasília do qual participaram integrantes do partido.

O PT discute a possibilidade de apoiar o PMDB em São Paulo, num movimento em que lançaria o vice-presidente Michel Temer como candidato a governador. Essa solução daria à chapa o maior tempo de TV na disputa e abriria a vaga de vice de Dilma, facilitando a composição com o PSB, do governador Eduardo Campos (PE). O desenho com Temer na cabeça de chapa é visto pelos petistas como a única possibilidade de o PMDB abrir mão da vice-presidência – o pré-candidato peemedebista ao governo do Estado é o deputado Gabriel Chalita, que tem bom trânsito com o PT e deverá ser o novo ministro de Ciência e Tecnologia.

A operação de rifar a candidatura própria e apoiar um aliado reedita articulação de 2009 para tentar emplacar Ciro Gomes (PSB-CE), ex-ministro de Lula, candidato a governador de São Paulo. Na ocasião, o ex-ministro chegou a trazer o título eleitoral do Ceará para São Paulo, mas o plano naufragou diante da resistência do PT paulista – e da falta de entusiasmo do próprio Ciro.

Mas, como em 2009, o apoio a aliados encontra a resistência de setores do PT. O PMDB também não é grande entusiasta da articulação. Integrantes do partido ponderam que as chances de Temer se eleger governador numa disputa contra o tucano Geraldo Alckmin, pré-candidato à reeleição, são bem menores que as de se reeleger vice numa chapa de Dilma – isso se a economia melhorar, e a popularidade da petista não naufragar.

“Todas as soluções são possíveis. Lula já me disse que o fundamental é ganhar o governo do Estado. Vamos fazer um esforço muito grande para isso acontecer”, declarou o ex-prefeito de Osasco Emídio de Souza, cotado para presidir o PT paulista. “A nossa prioridade é derrotar os tucanos em São Paulo. Para isso se configurar, não vamos medir esforços”, completou.

Para o líder da bancada petista na Assembleia, Alencar Santana, o partido tem de lançar um quadro próprio. “O PMDB com certeza é um aliado forte, mas hoje defendemos a candidatura de alguém do PT”, afirmou. “Por enquanto, não está no nosso horizonte não ter essa candidatura.”

A operação tem outro agravante. O PT pretende se aliar em 2014 com o PSD, de Gilberto Kassab, que pode ficar com a vaga para o Senado. Haveria, portanto, outro desgaste interno, dessa vez ao rifar a candidatura de Eduardo Suplicy à reeleição no Senado para dá-la ao PSD. O PT indicaria um nome para vice-governador na chapa do PMDB.

Ministros. Diante da dificuldade de viabilizar a operação, a saída pode ser lançar candidato um ministro petista de Dilma. Aí entram o veterano em disputas Aloizio Mercadante (Educação) e o novato em eleições Guido Mantega (Fazenda), além de Alexandre Padilha (Saúde), que perdeu gás nos últimos meses por, segundo petistas, faltar uma marca em sua gestão ministerial.

Um dos ministros mais fortes de Dilma hoje, Mercadante quer a indicação. Contra ele pesam as duas últimas derrotas, em 2006 e 2010, para o PSDB. Além disso, depois da vitória de Fernando Haddad na eleição municipal paulistana, Lula está convicto de que, se o candidato for mesmo petista, o nome deve ser novo do ponto de vista eleitoral.

Assim, sobram Padilha e Mantega. Embora não tenha criado sua marca, o ministro da Saúde não está fora do páreo. A atuação na tragédia de Santa Maria foi elogiada pelos petistas.

Sem respaldo partidário, Mantega seria uma experiência à la Dilma e Haddad, ou seja, dependeria do esforço e articulação pessoal de Lula. A favor dele está o perfil de professor universitário, palatável à classe média paulista, e o apoio de setores do empresariado. A direção do PT está ciente de que a operação só funcionaria se a economia estiver bem – o PIB de 2012, ainda a ser calculado, não deve ir além de 1%, e a tendência é que os anos Dilma tenham crescimento inferior ao da era Lula. O lançamento de Mantega teria outra vantagem: abriria a vaga no ministério, potencial alvo de mudanças na gestão Dilma.

Correndo por fora há ainda outros dois ministros: José Eduardo Martins Cardozo (Justiça), próximo de Dilma, mas sem apoio de Lula, e Marta Suplicy (Cultura), preterida pelo ex-presidente na eleição para a Prefeitura em 2012, e que ainda enfrenta isolamento partidário.

Comando. Desde que Lula se elegeu presidente, a escolha dos candidatos do PT nas eleições mais estratégicas passou a ser feita por ele, o que levou ao abandono de práticas tradicionais, como as prévias. Na campanha de Haddad, Lula chegou a perguntar ao candidato se poderia ser o seu vice. A pergunta não foi em tom de brincadeira. Na ocasião, havia um impasse: Luiza Erundina (PSB) havia desistido da indicação em razão da aliança com Paulo Maluf (PP). Quando o assunto é eleição, o petista coloca todas as cartas na mesa.

 

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JULIA DUAILIBI, FERNANDO GALLO – O Estado de S.Paulo

Cientistas criam revestimento que repele líquido e não molha

Do café ao ácido sulfúrico, material é resistente a quase cem líquidos.
Descoberta pode levar a desenvolvimento de tecido que nunca mancha.

 

Pesquisadores da Universidade de Michigan desenvolveram um revestimento que repele uma ampla variedade de líquidos, que vão do café ao ácido sulfúrico, fazendo-os saltar para fora da superfície tratada. A descoberta foi publicada na última edição do “Journal of the American Chemical Society”.

Composta por pelo menos 95% de ar, a cobertura foi desenvolvida em nanoescala (um nanômetro é um bilionésimo de metro).

De acordo com os cientistas, gotículas de soluções que normalmente danificariam uma camisa e até mesmo machucariam a pele são repelidas quando tocam a superfície. “Praticamente qualquer líquido que você jogue no revestimento salta direito para fora sem molhar”, explicou o professor Anish Tuteja, coautor do artigo.

Cientistas descobrem revestimento que repele líquidos (Foto: Reprodução/ University of Michigan )Cientistas descobrem revestimento que repele líquidos (Foto: Reprodução/ University of Michigan )

Além de ser super-resistente a manchas, o revestimento pode ter diversas aplicações como., por exemplo, tornando roupas impermeáveis para proteger soldados ou cientistas que lidam com produtos químicos. A descoberta também traz implicações para a fabricação de avançadas tintas à prova d’água, visando reduzir os danos que a umidade provoca em nas estruturas de navios, por exemplo.

Anish Tuteja e seus colegas testaram mais de cem líquidos e só encontraram dois capazes de penetrar o revestimento: os clorofluorcarbonetos químicos, utilizados em refrigeradores e condicionadores de ar.

Em laboratório, os cientistas observaram a superfície revestida repelir café, molho e óleo vegetal, além de ácido clorídrico e ácido sulfúrico tóxico que podem queimar a pele. De acordo com Tuteja, o revestimento também é resistente à gasolina e a vários álcoois.

Cientistas testeram mais de 100 líquidos e somente dois deles conseguriram perfurar revestimento (Foto: Divulgação/University of Michigan)Revestimento é resistente a café e ácido sulfúrico
(Foto: Divulgação/University of Michigan)

Composição
Para aplicar o revestimento às superfícies, os cientistas utilizaram uma técnica chamada de “electrospinning” (deposição eletrostática). Até agora, eles revestiram pequenos pedaços de tela e faixas de tecido do tamanho de um selo postal.

O revestimento é uma mistura de partículas plásticas de um tipo específico de borracha e cubos resistentes a líquido, desenvolvidos em nanoescala pela Força Aérea, contendo carbono, flúor, silício e oxigênio.

De acordo com o estudo, o revestimento “abraça” os poros da superfície em que é aplicado e cria uma teia mais fina com esses poros. “Isso significa que entre 95% e 99% do revestimento é, na verdade, formado por bolsas de ar, de modo que qualquer líquido que entre em contato com o revestimento praticamente nem está tocando uma superfície sólida”, diz o estudo.

Cientistas testeram mais de 100 líquidos e somente dois deles molharam as telas e tecido (Foto: Divulgação/University of Michigan )Cientistas testeram mais de 100 líquidos e somente
dois deles molharam as telas e tecidos
(Foto: Divulgação/University of Michigan )

“Normalmente, quando os dois materiais se aproximam, eles transferem uma pequena carga positiva ou negativa sobre o outro, e logo que o líquido entra em contato com a superfície sólida, ele começar a espalhar-se,” explica Tuteja. “O que nós fizemos foi reduzir drasticamente a interação entre a superfície e a gota”.

Com quase nenhum incentivo para propagação, as gotículas permanecem intactas, interagindo apenas com as suas próprias moléculas, mantendo uma forma esférica, e literalmente quicando no revestimento.

 

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Do G1, em São Paulo

Casa Branca: ” Legado de Niemeyer inspirará gerações “

enquanto isso a REVISTA VEJA chama-o de  ” …..meio gênio e meio IMBECIL…”. pois é…

 

08/12/2012 | 16:51 | AGÊNCIA ESTADO

O legado de Oscar Niemeyer vai ficar vivo na beleza de suas obras e inspirar gerações, afirmou a Casa Branca em um comunicado em que lamenta a morte do arquiteto brasileiro, na noite da última quarta-feira (5). “Os Estados Unidos estendem suas profundas condolências ao povo do Brasil pelo falecimento do lendário arquiteto Oscar Niemeyer”, destaca a nota à imprensa divulgada neste Sábado.

A nota ressalta que Niemeyer foi inovador e mestre em criatividade, deixando sua marca em várias obras pelo mundo e ajudando a moldar a identidade única da nação brasileira. “Ele transpôs as curvas naturais da antiga capital, Rio, para os prédios e monumentos de Brasília.”

O comunicado ressalta a contribuição do arquiteto para desenhar a sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, e o fato de Niemeyer ser considerado membro honorário do Instituto Americano de Arquitetos desde 1963.

Ex-general argentino é condenado a prisão perpétua pela oitava vez por crimes na ditadura

Em sua defesa, Luciano Benjamín Menéndez repetiu o discurso de combate à subversão da esquerda

Wikicommons

O ex-general Luciano Benjamín Menéndez (direita) justificou seus atos pelo combate à “subversão marxista internacional”

O ex-general Luciano Benjamín Menéndez foi condenado, nesta sexta-feira (07/12), pela oitava vez, a prisão perpétua por crimes cometidos durante a ditadura argentina (1976-1983), quando cerca de 30 mil pessoas foram assassinadas ou desapareceram, segundo organizações de direitos humanos.

Condenado na província de La Rioja como coautor na prisão ilegal e homicídio triplamente qualificado de dois sacerdotes – ações classificadas pelo tribunal como “crime contra a humanidade”-, o ex-comandante do Terceiro Corpo do Exército, hoje com 85 anos, cumprirá suas sentenças na penitenciária de Ezeiza, na região metropolitana de Buenos Aires.

Menéndez foi o comandante máximo das atividades do Exército em dez províncias argentinas durante o período de repressão, fato pelo qual acumula, além das sete sentenças perpétuas atuais, numerosas acusações por violações aos direitos humanos.

O ex-vice-comodoro, Luis Fernando Estrella, e o ex-delegado de polícia Domingo Benito Vera também foram condenados a prisão perpétua pelos mesmos crimes. Ambos cumprirão a sentença no serviço penitenciário de La Rioja. Ao fim do julgamento, ativistas, membros de organizações de direitos humanos e de comunidades cristãs celebraram a decisão do tribunal.

Durante a leitura da sentença, o juiz responsável pelo caso teve que gritar repetidas vezes, de forma brusca, a ordem de “silêncio na sala”, frente à manifestação dos presentes, que comemoravam as sentenças perpétuas “por unanimidade” e a revogação do pedido de prisão domiciliar a Menéndez e aos demais condenados. Antes mesmo do fim da leitura, alguns dos presentes invocaram o nome dos sacerdotes, ao que respondiam “presente!”.

Segundo a imprensa local, Menéndez fez seu último pronunciamento por vídeoconferência, na qual afirmou que o julgamento de “supostos culpados de supostos crimes” é “inconstitucional”. O ex-general voltou a repetir o discurso sustentado pela cúpula da ditadura, da existência de uma “guerra contra a subversão marxista internacional”, que justificaria seus atos.

Ao serem sequestrados em julho de 1976, na província de La Rioja, os sacerdotes Carlos de Dios Murias e Gabriel Longueville foram interrogados e torturados em uma base da Força Aérea Argentina. Seus corpos foram encontrados com vendas nos olhos e marcas de torturas um mês depois.

Segundo parentes dos sacerdotes, uma das características da repressão na região foi a perseguição de religiosos comprometidos com o movimento rural, que reivindicavam o direito dos camponeses à terra. De acordo com a secretaria de Direitos Humanos, dependente do Ministério de Justiça, há numerosas provas que atestam a perseguição a sacerdotes pelos repressores.

ENTREVISTA ABRE JANELA PARA IMPEACHMENT DE FUX.

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                                                                                                                     LUIZ FUX.Depoimento desastroso à jornalista Mônica Bergamo aponta sinais de quebra de decoro por parte do ministro Luiz

Fux, do Supremo Tribunal Federal. Ele revela que como fez lobby explícito para chegar à suprema corte e confessa que usou decisões judiciais que tomou para se promover. No Brasil, nunca houve um impeachment de ministro do STF e a decisão compete ao Senado Federal. Qualquer cidadão pode propor a ação.
A ENTREVISTA:
02/12/2012 – 04h30

Em campanha para o STF, Luiz Fux procurou José Dirceu

MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA

O ministro Luiz Fux, 59, diz que desde 1983, quando, aprovado em concurso, foi juiz de Niterói (RJ), passou a sonhar com o dia em que se sentaria em uma das onze cadeiras do Supremo Tribunal Federal (STF).

Quase trinta anos depois, em 2010, ele saía em campanha pelo Brasil para convencer o então presidente Lula a indicá-lo à corte.

Fux era ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça), o penúltimo degrau na carreira da magistratura. “Estava nessa luta” para o STF desde 2004 –sempre que surgia uma vaga, ele se colocava. E acabava preterido. “Bati na trave três vezes”, diz.

‘Pensei que não tinha provas; li o processo do mensalão e fiquei estarrecido’, diz Fux

Sérgio Lima/Folhapress
Ministro Luiz Fux no prédio do Supremo Tribunal Federal, em Brasília
Ministro Luiz Fux no prédio do Supremo Tribunal Federal, em Brasília

AVAL

Naquele último ano de governo Lula, era tudo ou nada.

Fux “grudou” em Delfim Netto. Pediu carta de apoio a João Pedro Stedile, do MST. Contou com a ajuda de Antônio Palocci. Pediu uma força ao governador do Rio, Sergio Cabral. Buscou empresários.

E se reuniu com José Dirceu, o mais célebre réu do mensalão. “Eu fui a várias pessoas de SP, à Fiesp. Numa dessas idas, alguém me levou ao Zé Dirceu porque ele era influente no governo Lula.”

O ministro diz não se lembrar quem era o “alguém” que o apresentou ao petista.

Fux diz que, na época, não achou incompatível levar currículo ao réu de processo que ele poderia no futuro julgar. Apesar da superexposição de Dirceu na mídia, afirma que nem se lembrou de sua condição de “mensaleiro”.

“Eu confesso a você que naquele momento eu não me lembrei”, diz o magistrado. “Porque a pessoa, até ser julgada, ela é inocente.”

Conversaram uma só vez, e por 15 minutos, segundo Fux. Conversaram mais de uma vez, segundo Dirceu.

A equipe do petista, em resposta a questionamento da Folha, afirmou por e-mail: “A assessoria de José Dirceu confirma que o ex-ministro participou de encontros com Luiz Fux, sempre a pedido do então ministro do STJ”.

Foram reuniões discretas e reservadas.

CURRÍCULO

Para Dirceu, também era a hora do tudo ou nada.

Ele aguardava o julgamento do mensalão. O ministro a ser indicado para o STF, nos estertores do governo Lula, poderia ser o voto chave da tão sonhada absolvição.

A escolha era crucial.

Fux diz que, no encontro com Dirceu, nada disso foi tratado. Ele fez o seguinte relato àFolha:

Luiz Fux – Eu levei o meu currículo e pedi que ele [Dirceu] levasse ao Lula. Só isso.

Folha – Ele não falou nada [do mensalão]?

Ele falou da vida dele, que tava se sentindo… em outros processos a que respondia…

Tipo perseguido?

É, um perseguido e tal. E eu disse: “Não, se isso o que você está dizendo [que é inocente] tem procedência, você vai um dia se erguer”. Uma palavra, assim, de conforto, que você fala para uma pessoa que está se lamentando.

MATO NO PEITO

Dirceu e outros réus tiveram entendimento diferente. Passaram a acreditar que Fux votaria com eles.

Uma expressão usual do ministro, “mato no peito”, foi interpretada como promessa de que ele os absolveria.

Fux nega ter dado qualquer garantia aos mensaleiros.

Ele diz que, já no governo Dilma Rousseff, no começo de 2011, ainda em campanha para o STF (Lula acabou deixando a escolha para a sucessora), levou seu currículo ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Na conversa, pode ter dito “mato no peito”.

Folha – Cardozo não perguntou sobre o mensalão?

Não. Ele perguntou como era o meu perfil. Havia causas importantes no Supremo para desempatar: a Ficha Limpa, [a extradição de Cesare] Battisti. Aí eu disse: “Bom, eu sou juiz de carreira, eu mato no peito”. Em casos difíceis, juiz de carreira mata no peito porque tem experiência.

Em 2010, ainda no governo Lula, quando a disputa para o STF atingia temperatura máxima, Fux também teve encontros com Evanise Santos, mulher de Dirceu.

Em alguns deles estava o advogado Jackson Uchôa Vianna, do Rio, um dos melhores amigos do magistrado.

Evanise é diretora do jornal “Brasil Econômico”. Os dois combinaram entrevista “de cinco páginas” do ministro à publicação.

Evanise passou a torcer pela indicação de Fux.

Em Brasília, outro réu do mensalão, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), articulava apoio para Fux na bancada do PT.

A movimentação é até hoje um tabu no partido. O deputado Cândido Vacarezza (PT-SP) é um dos poucos que falam do assunto.

Vacarezza – Quem primeiro me procurou foi o deputado Paulo Maluf. Eu era líder do governo Lula. O Maluf estava defendendo a indicação e me chamou no gabinete dele para apresentar o Luiz Fux. Tivemos uma conversa bastante positiva. Eu tinha inclinação por outro candidato [ao STF]. Mas eu ouvi com atenção e achei as teses dele interessantes.

Folha – E o senhor esteve também na casa do ministro Fux com João Paulo Cunha?

Eu confirmo. João Paulo me ligou dizendo que era um café da manhã muito importante e queria que eu fosse. Eu não te procurei para contar. Mas você tem a informação, não vou te tirar da notícia.

O mensalão foi abordado?

Não vou confirmar nem vou negar as informações que você tem. Mas eu participei de uma reunião que me parecia fechada. Tinha um empresário, tinha o João Paulo. Sobre os assuntos discutidos, eu preferia não falar.

Fux confirma a reunião. Mas diz que ela ocorreu depois que ele já tinha sido escolhido para o STF. Os petistas teriam ido cumprimentá-lo.

Na época, Cunha presidia comissão na Câmara por onde tramitaria o novo Código de Processo Civil, que Fux ajudou a elaborar.

Sobre Maluf, diz o magistrado: “Eu nunca nem vi esse homem”. Maluf, avisado do tema, disse que estava ocupado e não atendeu mais às chamadas da Folha. Ele é réu em três processos no STF.

CHORO

No dia em que sites começaram a noticiar que ele tinha sido indicado por Dilma para o STF, “vencendo” candidatos fortes como os ministros César Asfor Rocha e Teori Zavascki, também do STJ, Fux sofreu, rezou, chorou.

Luiz Fux – A notícia saiu tipo 11h. Mas eu não tinha sido comunicado de nada. E comecei a entrar numa sensação de que estavam me fritando. Até falei para o meu motorista: “Meu Deus do céu, eu acho que essa eu perdi. Não é possível”. De repente, toca o telefone. Era o José Eduardo Cardoso. Aí eu, com aquela ansiedade, falei: “Bendita ligação!”. Ele pediu que eu fosse ao seu gabinete.

No Ministério da Justiça, ficou na sala de espera.

Luiz Fux – Aí eu passei meia hora rezando tudo o que eu sei de reza possível e imaginável. Quando ele [Cardozo] abriu a porta, falou: “Você não vai me dar um abraço? Você é o próximo ministro do Supremo Tribunal Federal”. Foi aí que eu chorei. Extravasei.

De fevereiro de 2011, quando foi indicado, a agosto de 2012, quando começou o julgamento do mensalão, Fux passou um período tranquilo. Assim que o processo começou a ser votado, no entanto, o clima mudou.

Para surpresa dos réus, em especial de Dirceu e João Paulo Cunha, ele foi implacável. Seguiu Joaquim Barbosa, relator do caso e considerado o mais rigoroso ministro do STF, em cada condenação.

Foi o único magistrado a fazer de seus votos um espelho dos votos de Barbosa. Divergiu dele só uma vez.

Quanto mais Fux seguia Barbosa, mais o fato de ter se reunido com réus antes do julgamento se espalhava no PT e na comunidade jurídica.

Advogados de SP, Rio e Brasília passaram a comentar o fato com jornalistas.

A raiva dos condenados, e até de Dilma, em relação a Fux chegou às páginas dos jornais, em forma de notas cifradas em colunas –inclusive da Folha.

Pelo menos seis ministros do STF já ouviram falar do assunto. E comentaram com terceiros.

Fux passou a ficar incomodado. Conversou com José Sarney, presidente do Senado. “Sei que a Dilma está chateada comigo, mas eu não prometi nada.” Ele confirma.

Na posse de Joaquim Barbosa, pouco antes de tocar guitarra, abordou o ex-deputado Sigmaringa Seixas, amigo pessoal de Lula. Cobrou dele o fato de estarem “espalhando” que prometera absolver os mensaleiros.

Ao perceber que a Folha presenciava a cena, puxou a repórter para um canto. “Querem me sacanear. O pau vai cantar!”, disse. Questionado se daria declarações oficiais, não respondeu.

Dias depois, um emissário de Fux procurou a Folha para agendar uma entrevista.

RAIO X – LUIZ FUX, 59

Origem
Rio de Janeiro (RJ)

Família
Casado com Eliane Fux, tem dois filhos: Rodrigo e Marianna, ambos advogados

Formação
Bacharel em direito pela Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). Concluiu doutorado em processo civil, também pela Uerj

Carreira
Atuou por 18 anos no Ministério Público do Rio. Foi juiz em para Niterói (RJ). Passou a desembargador do TJ-RJ em 1997 e, em 2001, foi nomeado pelo então presidente FHC para o STJ. Está no Supremo desde 2011, indicado por Dilma

DITADURA ARGENTINA: Pela primeira vez, pilotos e tripulantes dos “voos da morte” serão julgados.

A prática era utilizada por militares para o desaparecimento de pessoas, que eram sedadas e jogadas do alto de aviões

O maior julgamento por violações aos direitos humanos perpetradas durante a ditadura argentina (1976-1983) terá início nesta quarta-feira (28/11), em Buenos Aires. Ao todo, 68 acusados de assassinatos, torturas e desaparecimentos na ESMA (Escola de Mecânica da Armada), onde funcionou o maior centro clandestino de prisão do país na época da repressão, sentarão no banco dos réus.

Divulgação

Presos políticos desaparecidos durante a ditadura militar na Argentina. Responsáveis por “voos da morte” serão julgados

Entre os acusados, estão pela primeira vez oito pilotos e tripulantes acusados de 50 homicídios nos emblemáticos “voos da morte”, prática utilizada por militares para o desaparecimento de pessoas, que eram sedadas e jogadas do alto de aviões no mar ou no Rio da Prata. No julgamento, que deve durar aproximadamente dois anos, cerca de 900 testemunhas devem ser escutadas sobre casos de 789 vítimas, das quais cerca de um terço é sobrevivente.

O maior julgamento por crimes na ditadura até então foi realizado em Tucumán, com 41 acusados no banco dos réus. O que começa nesta quarta-feira inclui acusados da Marinha, Exército, Polícia Federal, Prefeitura naval e do Serviço Penitenciário, e dois civis: um advogado acusado de participar de torturas e de pelo menos um voo da morte e um ex secretário de Fazenda de José Alfredo Martínez de Hoz, ministro de Economia entre 1976 e 1981.

Dos 68 réus, 16 já foram condenados, no ano passado, por crimes cometidos na ditadura. Jorge “Tigre” Acosta, por exemplo, soma penas de 30 anos e perpétua, por atrocidades como o roubo sistemático de bebês nascidos em prisões clandestinas; Antonio Pernías, também condenado a perpétua, encarregado do “aquário”, um setor da ESMA onde os presos faziam trabalho escravo; e Alfredo Astiz, condenado na França e na Argentina pelo assassinato das freiras francesas Alice Domon e Léonie Duquet.

ESMA

Administrada pela Marinha na época da ditadura, a ex-ESMA, localizada no bairro de Núñez, em Buenos Aires é um dos maiores símbolos do terror vivido no país durante o regime imposto após o golpe de Estado contra María Estela Martínez de Perón, em março de 1976. Segundo estimativas, cinco mil pessoas passaram por suas celas e salas de tortura, e cerca de 100 sobreviveram.

Maior prisão clandestina do país durante os anos de chumbo, o local teve dupla função durante a ditadura militar: prisão de oposicionistas e formação de novos militares. A investigação sobre os crimes cometidos na ESMA foi aberta nos anos 1980, após a redemocratização do país. O inquérito foi depois arquivado com as leis do Ponto Final (1986) e da Obediência Devida (1987).

Em outubro do ano passado, 12 repressores foram condenados à prisão perpétua pelo sequestro, tortura e assassinato de 86 pessoas no local. Outros quatro condenados receberam penas de 18 a 25 anos e dois dos réus foram absolvidos, mas continuaram presos à espera de mais julgamentos.

A ESMA ficou nas mãos das Forças Armadas até 2007, três anos depois de o ex-presidente Néstor Kirchner ordenar o desalojamento dos militares. Hoje, o local funciona como um “centro cultural e de memória”. Algumas dependências da ex-prisão clandestina podem ser visitadas, como o Cassino dos Oficiais (área onde mantinham e torturavam os presos) e a maternidade clandestina, onde se realizavam partos de presas grávidas. Muitos bebês nascidos no edifício foram sequestrados e ilegalmente adotados por outras famílias.

Governo é derrotado na Câmara e dinheiro do petróleo não vai para educação

Câmara aprova royalties sem dinheiro para educação. União dos estados que não produzem petróleo imprime derrota ao governo da presidente Dilma Rousseff, que queria exclusividade das verbas do petróleo destinadas para a educação

Os deputados dos estados não produtores conseguiram fazer valer sua força na Câmara e derrubaram a proposta avalizada pelo governo para um novo modelo de partilha do petróleo no país. Os parlamentares aprovaram o texto que veio do Senado, que beneficia as unidades da federação que não produzem o combustível, em detrimento dos estados produtores, como Rio de Janeiro e Espírito Santo. Com a decisão, a educação não vai mais receber 100% dos lucros dos futuros contratos. O projeto agora segue para sanção presidencial.

VEJA AQUI COMO VOTOU CADA DEPUTADO

petróleo educação congresso

Marco Maia preside a sessão. União dos não produtores de petróleo leva o governo Dilma a sofrer derrota e dinheiro não irá para a educação. Presidente poderá vetar o projeto.

A previsão de destinar os lucros para a educação ficou definida na semana passada. O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, ficou responsável pela articulação com parlamentares da base. Em reuniões com as bancadas do PT e aliadas, ele transmitiu a sugestão da presidenta Dilma Rousseff. O deputado Carlos Zarattini (PT-SP), relator do texto na Câmara, acolheu a sugestão.

Se o texto de Zarattini fosse aprovado, o dinheiro dos futuros contratos estariam carimbados, podendo ser usados por municípios, estados e União unicamente para educação. No entanto, para parlamentares contrários à proposta, acabou valendo mais o peso das alianças municipais dos deputados com prefeitos. “Pesa mais o corporativismo do que a vinculação para a educação. A discussão tem que começar do zero”, lamentou o líder em exercício do Psol, Ivan Valente (SP).

Em outubro, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou o Plano Nacional de Educação (PNE). Entre outras previsões, está a destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação. O governo, então, viu nos lucros vindos da extração do petróleo a forma de aumentar o financiamento para a área.

Reviravolta

Porém, a sessão desta terça-feira (6) foi palco de uma reviravolta contra o governo. O DEM apresentou um requerimento de preferência de votação do projeto aprovado pelo Senado em outubro. Com apoio de deputados dos estados não produtores – que passariam a ter liberdade para usar como bem quisessem o dinheiro que vão receber, sem ficarem obrigados a fazer vinculações -, houve uma vitória apertada. Depois, ao ser colocado em votação, o projeto teve mais apoio. Somente PT e Psol se posicionaram contra.

“Até hoje, às 13h, não havia um consenso. Me parece que não foi maturado suficientemente na consciência dos deputados. Por isso estamos votando o texto do Senado”, analisou o líder do PSB na Câmara, Givaldo Carimbão (AL). Para deputados da base, houve falta de articulação, assumida na última semana pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante. Até então, era a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, a responsável pela articulação política.

“Esse projeto do Senado foi mais estudado do que esse daqui da Câmara. É o melhor para os municípios, para os estados, para o meio ambiente, é o projeto do Senado”, afirmou o líder do PV, Sarney Filho (MA). Em fevereiro, o presidente da Câmara instalou uma comissão formada por 12 deputados para elaborar um novo texto. A comissão era coordenada por Zarattini e tinha ainda a presença de cinco parlamentares dos estados produtores e cinco dos não produtores.

O líder do PPS, Rubens Bueno (PR), elogiou o trabalho feito pelo grupo de trabalho comandado por Zarattini para tratar dos royalties. Porém, ele ressaltou que o substitutivo não passou por nenhuma comissão temática da Casa. Por isso, não foi discutido de forma ampla, “mais bem discutida”. “Tratar da forma que tratamos colocou em pânico vários deputados. Muitos não sabiam o que estavam votando. Decidimos pelo menos pior”, analisou.

Golpe contra o governo Dilma

Parlamentares dos estados produtores lamentaram a decisão da Câmara. O deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) lembrou que o governo tinha fechado um acordo com a base, e os parlamentares desrespeitaram. “Na política, o combinado não custa caro. O que houve aqui foi um golpe. Depois de oito meses, o resultado foi jogado no lixo”, disse Garotinho, pedindo que Dilma Rousseff vete o projeto. “Estou há 34 anos nesta casa, nunca vi isso. Parecia o programa do Silvio Santos: quem quer dinheiro?”, disparou Simão Sessim (PP-RJ).

O projeto aprovado no Senado tem poucas diferenças nos percentuais previstos no substitutivo de Zarattini. Como os dois destaques foram rejeitados pelo plenário, a proposta do senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) prevaleceu na íntegra. A maior diferença é sobre o fundo criado para receber parte dos lucros. No texto do petista, os royalties seriam divididos entre todos os estados. Já no do peemedebista, a divisão de 54,25% é só para os não produtores.

Dois destaques foram rejeitados. O primeiro foi apresentado pelo PSC. A emenda pedia que os royalties da exploração mineral tivessem os mesmos critérios de distribuição dos royalties do petróleo. O outro, apresentado pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), queria excluir do texto o artigo que faz as mudanças na distribuição dos royalties nos contratos de concessão. A intenção era garantir que os valores repassados no ano passado não mudassem até 2023.

CÂNCER: “As farmacêuticas bloqueiam medicamentos que curam, porque não são rentáveis”

“As farmacêuticas bloqueiam medicamentos que curam, porque não são rentáveis”

O Premio Nobel da Medicina Richard J. Roberts denuncia a forma como funcionam as grandes farmacêuticas dentro do sistema capitalista, preferindo os benefícios economicos à saúde, e detendo o progresso científico na cura de doenças, porque a cura não é tão rentável quanto a cronicidade.

Richard J. Roberts: “É habitual que as farmacêuticas estejam interessadas em investigação não para curar, mas sim para tornar cronicas as doenças com medicamentos cronificadores”. Foto de Wally Hartshorn

Há poucos dias, foi revelado que as grandes empresas farmacêuticas dos EUA gastam centenas de milhões de dólares por ano em pagamentos a médicos que promovam os seus medicamentos. Para complementar, reproduzimos esta entrevista com o Prémio Nobel Richard J. Roberts, que diz que os medicamentos que curam não são rentáveis e, portanto, não são desenvolvidos por empresas farmacêuticas que, em troca, desenvolvem medicamentos cronificadores que sejam consumidos de forma serializada. Isto, diz Roberts, faz também com que alguns medicamentos que poderiam curar uma doença não sejam investigados. E pergunta-se até que ponto é válido e ético que a indústria da saúde se reja pelos mesmos valores e princípios que o mercado capitalista, que chega a assemelhar-se ao da máfia.

CELULARES: “Os Riscos da Radiação Eletromagnética para a saúde humana”

« Celulares: Paris e Porto Alegre, cidades com legislações mais restritivas

Seminário

“Os Riscos da Radiação Eletromagnética para a saúde humana”

 

Palestrantes de seminário alertam para os riscos que uso do telefone celular traz à saúde

 

Médica associou o uso de celulares a diversas doenças

Os riscos da radiação utilizada para o funcionamento dos telefones celulares à saúde humana foi o tema do painel que abriu o Seminário Estadual sobre o assunto que ocorre ao longo dessa segunda-feira (12), na Assembleia Legislativa. A primeira palestrante foi a médica Geila Vieira, uma das colaboradoras da chamada “Lei das Antenas” de Porto Alegre, que restringe a instalação de estações de rádio base na capital. Comparada à legislação da Suíça, ela restringe a colocação de antenas junto a escolas e hospitais.

Geila lembra que, antigamente, a radiação não ionizante, utilizada pela telefonia móvel, era restrita a locais fechados. Ela chamou atenção ainda, para o fato dessa exposição ser considerada de insalubridade grau médio para efeitos trabalhistas. A médica associou o uso de celulares a diversas doenças, desde cefaleia e exaustão, até leucemia.

A médica cobrou da Assembleia uma legislação mais efetiva em relação ao tema dos celulares, considerando que o assunto é um caso de saúde pública e ambiental.

Casos de câncer aumentam para quem vive perto de antenas

A engenheira Adilza Dode realizou um estudo em Belo Horizonte, Minas Gerais, na qual constatou que pessoas moradoras ou que trabalham próximo a antenas de telefonia têm mais chance de desenvolverem câncer. “E quanto mais perto pior.” O problema só diminui a partir de 500 metros. “E no caso de sobreposição, o risco é ainda maior”, explica, no caso da pessoa estar exposta a mais de uma antena. Sua pesquisa comprova que nos locais onde há mais estações de rádio base, é maior o número de pessoas que morreram de câncer.

Ela criticou a legislação brasileira por defender o mercado da telefonia e não a saúde das pessoas. Adilza chamou a atenção para o fato da Suprema Corte italiana ter dado ganho de causa a um trabalhador que alegou ter desenvolvido um tumor em função do uso do celular por cerca de 5 a 6 horas por dia, durante 12 anos. “Foi o primeiro caso no mundo”, destacou.

A engenheira listou medidas para evitar os riscos causados pelo uso de celulares:

– Usar só em casos extremos;

– Dar preferência ao uso de mensagens de texto;

– Coibir o uso para crianças e adolescentes (como o cérebro está em desenvolvimento, a penetração da radiação é maior);

– Manter o aparelho afastado do corpo;

– Atender o telefone longe de grupos e pessoas;

– Não utilizar em hospitais (onde as pessoas já estão com a saúde debilitada);

– Não usar perto de doentes;

– Grávidas devem evitar o uso, principalmente próximo à barriga;

– Não usar em veículos fechados (ônibus, trem, etc);

– Desligar à noite e não deixar perto da cama;

– Manter o aparelho afastado de próteses metálicas

Abertura

A abertura do evento foi realizada pela presidente da Comissão de Saúde e Meio Ambiente, deputada Marisa Formolo. A parlamentar salientou o apoio da Comissão, mas frisou que esse debate “deve ter continuidade pela luta social”. As telefônicas querem alterar a legislação na capital gaúcha para que possam colocar mais antenas para a instalação da tecnologia 4G durante a Copa do Mundo de 2014.

Também participaram da abertura a promotora de Justiça Ana Maria Marchezan, os representantes da Agapan, Francisco Milanez, da OAB/RS, Alexandre Burmann, e da UFRGS, professora Anelise Dalmolin.

 

Cristiane Vianna Amaral – MTB 8685 | Agência de Notícias ALRS

EGITO HOJE 23/11/2012

 

Opositores do presidente do Egito, Mohamed Morsi, começaram nesta sexta-feira (23) uma vigília na Praça Tahrir, no Cairo, contra as medidas anunciadas pelo islamita na véspera, e que concentram poderes políticos na figura do presidente.

“Todas as forças políticas revolucionárias concordaram em começar uma vigília nesta sexta”, disse em comunicado a Corrente Popular, de Hamdin Sabahi, terceiro colocado nas eleições presidenciais de junho.

Durante o dia, a polícia usou gás lacrimogêneo contra manifestantes. O confronto ocorreu em uma rua que liga a praça ao gabinete presidencial e ao Parlamento.

Pouco antes, Morsi, em discurso, garantiu que o Egito está no caminho “da liberdade e da democracia”, apesar das acusações lançadas por opositores e das cobranças da União Europeia e dos Estados Unidos.

“A estabilidade política, a estabilidade social e a estabilidade econômica, é o que desejo e é o motivo pelo o qual trabalho”, declarou em um longo discurso proferido para seus partidários reunidos perto do Palácio Presidencial, no dia seguinte ao anúncio de medidas que reforçam seus poderes.

ESCREVER À MÃO é um hábito em declínio – por marcelo gonzatto – porto alegre.rs

Escrever à mão é um hábito em declínio PDF Imprimir E-mail
12-NOV-2012

Pesquisador diz que escrever a punho continuará a ter um papel decrescente na escola se cada criança tiver um computador

O declínio do hábito de escrever à mão, provocado pelo avanço da tecnologia digital, despertou um debate sobre que tipo de tecnologia deve prevalecer nas escolas: a velha caneta ou os novos teclados.

Apesar da ofensiva crescente dos computadores, tablets e smartphones sobre o cotidiano, estudos científicos vêm apontando que escrever à mão produz efeitos no cérebro e no aprendizado diferentes daqueles provocados pela digitação.

— Escrever à mão continuará a ter um papel decrescente na escola se cada criança tiver um computador. Nas casas onde há computador, isso já aconteceu — sustenta um dos principais especialistas mundiais no assunto, o pesquisador americano e professor da Universidade do Estado do Arizona Steve Graham.

Nos Estados Unidos, o ensino do estilo cursivo deixou de ser obrigatório na maioria dos Estados — o que desperta temores de que futuras gerações não consigam ler documentos históricos. Para Graham, o desafio atual é que “seja escrevendo à mão ou teclando, os estudantes precisam ser fluentes com ambos”. No Rio Grande do Sul, conforme o presidente do Sindicato do Ensino Privado (Sinepe/RS), Osvino Toillier, as escolas começam a revalorizar as redações manuscritas:

— Antigamente, não se aceitava trabalho feito com garrancho. Acho que a escola descuidou um pouco disso. Em certo momento, entrou em um fascínio tecnológico em que o importante era ter computador. O pêndulo foi de um lado para o outro, e acho que agora devemos nos situar em uma posição intermediária.

Razões para fazer isso vem sendo sugeridas por estudos recentes, segundo os quais o ato de desenhar uma letra à mão cria uma espécie de “memória muscular” que facilita o posterior reconhecimento do alfabeto, e desencadeia no cérebro reações diferentes de teclar (leia entrevista na página ao lado). Um estudo feito na Universidade Internacional da Flórida demonstrou que escrever bem à mão está relacionado com um melhor desempenho em leitura e matemática.

Mas o uso da tecnologia também traz vantagens. Conforme a pedagoga Patrícia Camini, mestre em Educação e professora da rede municipal de Porto Alegre, suportes digitais ajudam as crianças em áreas como pontuação e acentuação. A solução é encontrar tempo e espaço para as duas formas de escrita.

— O que tem ocorrido nas escolas é ou um descaso com o investimento na legibilidade da escrita dos alunos ou um apego ferrenho às práticas antigas de caligrafia como única opção a isso. Ainda precisamos alcançar um equilíbrio — avalia.

A necessidade de redigir à mão em provas como a do Enem também ajuda a resgatar a importância de lápis e canetas. A estudante do 3º ano do Ensino Médio Daniela Casaril, 17 anos, exercita a caligrafia regularmente. Mesmo sem o rigor das aulas da época do pai, Sérgio Casaril, considera fundamental saber se expressar de próprio punho:

— Tenho colegas que não dá para entender o que escrevem. É importante saber escrever à mão.

Projeto escolar estimula crianças a trocar cartas


Em colégio da Capital (POA), alunos da 6ª série trocam correspondências
Foto: Fernando Gomes, Agência RBS

Em plena era digital, as cartas manuscritas voltaram a ser utilizadas por crianças da Capital. Não para manter contato com amigos ou parentes distantes, mas com fins pedagógicos. Um projeto do Colégio Marista Assunção, na Capital, estimula os alunos de três turmas de 6ª série do Ensino Fundamental a trocarem correspondências entre si ao longo do ano. As folhas preenchidas à mão, com direito a envelope, são recolhidas pela professora, reunidas em uma caixa, e periodicamente entregues aos seus destinatários.

Graças ao correio escolar coordenado pela professora Ana Lúcia Furtado, estudantes como Mariana Remião, 11 anos, e Eduardo Severini, 12, experimentam a antiga prática de enviar um texto sem resposta imediata — diferentemente de ferramentas eletrônicas como e-mail ou mensagens de celular. Além disso, procuram caprichar na caligrafia para serem compreendidos e evitam as abreviações comuns na internet.

— A minha letra até melhorou depois que começamos a fazer as cartas. Hoje prefiro escrever à mão do que usar o teclado — conta Mariana.

Eduardo, que costuma utilizar Facebook e MSN, também gostou da experiência:

— A gente treina a escrita e procura se expressar melhor.

A professora explica que os estudantes são orientados a escrever sobre determinados temas, como sugestões de livros, e por vezes escolhem quem vai receber o texto. Outras vezes, o destinatário é determinado arbitrariamente.

— Assim, garantimos que ninguém fique sem receber uma carta — explica.

Para aumentar a familiaridade dos alunos do século 21 com as cartas, leram livros escritos no formato de troca de correspondência.

Ministros do Supremo Tribunal planejaram o “julgamento” do chamado mensalão para coincindir com as eleições de 2012 para verem LULA e a esquerda derrotados! FRUSTRADOS, VÃO RELAXAR NA EUROPA COM O NOSSO DINHEIRO!

Ministros do STJ vão à Europa de primeira classe

FREDERICO VASCONCELOS

DE SÃO PAULO

Ministros do Superior Tribunal de Justiça e presidentes de Tribunais Regionais Federais embarcam neste fim de semana para uma visita a tribunais da Alemanha. Viajarão em primeira classe e terão todas as despesas pagas pelo erário, com diárias antecipadas em dólar.

Sorteados para participar da mesma comitiva, dez juízes federais pagarão do próprio bolso os gastos com transporte aéreo, hospedagem e alimentação.

A viagem, de 27 a 31 de outubro, integra programa de intercâmbio criado pela Corregedoria da Justiça Federal em 2010 –na gestão de Francisco Falcão, atual corregedor nacional de Justiça.

Seu sucessor, ministro João Otávio de Noronha, disponibilizou dez vagas para a Ajufe (Associação de Juízes Federais do Brasil), que custeará só as despesas de transporte terrestre –ônibus em Berlim, Leipzig e Munique.

Alguns magistrados veem a extensão do convite aos juízes como uma forma de diluir a imagem de um “tour” internacional patrocinado com recursos públicos.

Além de Noronha, viajarão como convidados os ministros do STJ Isabel Gallotti e Sidnei Beneti, os membros efetivos do Conselho da Justiça Federal, os presidentes dos tribunais regionais federais das 2ª, 3ª, 4ª e 5ª Regiões e o da Ajufe, Nino Toldo.

“Trata-se de evento oficial nas universidades e tribunais alemães, conforme termo de cooperação, e não se concebe como, em visita oficial, os ministros tenham que ir do próprio bolso”, afirma Márcio Mafra, juiz auxiliar do CJF, coordenador da missão.

Um bilhete ida e volta para a Alemanha, em primeira classe, saía ontem por US$ 10.939 (R$ 22.173) no site da Decolar.com.

No programa do intercâmbio, não há reciprocidade em termos de custos. Professores e magistrados alemães que participaram de seminários em Recife, Florianópolis e São Paulo tiveram as despesas pagas pela Justiça Federal. Em São Paulo, o seminário foi organizado pela Fundação Álvares Penteado, com patrocínio do Banco do Brasil e do governo federal.

A “2ª Visita a Tribunais Superiores da Alemanha” é promovida pelo Instituto de Direito Processual Civil Alemão e Comparado da Universidade Albert-Ludwig, de Friburgo. Será assinada a prorrogação de acordo de cooperação entre o Conselho da Justiça Federal e as Universidades de Berlim e de Friburgo.

O presidente da Ajufe, Nino Toldo, diz que um dos objetivos da entidade é “incentivar o estudo do direito, por meio de cursos, convênios e viagens, com entidades afins, no país e no exterior”.

Por dispositivo estatutário, as despesas de passagens aéreas e hospedagem do presidente da Ajufe são pagas pela entidade. Sua assessoria relata que Toldo viajará à Alemanha na classe econômica.

O TRF da 3ª Região informa que as despesas se enquadram no Plano Nacional de Aperfeiçoamento de Pesquisa para Juízes Federais.

foto da internet.

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COMENTÁRIOS NO JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO:

  1. antonio andrade (24)
    em 28/10/2012 às 07h41

    Pode parecer piada, mas, no Brasil, a Monarquia foi substituída pelo Judiciário. Alguém se arriscaria a desafiar Vossas Excelências, os magistrados?

    O comentário não representa a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem

  2. Leopoldo de Dorinha (609)
    em 28/10/2012 às 08h38

    Quanto mais subdesenvolvido o país, maior a necessidade de delegações pomposas, viagens de 1ª classe etc.

    Faz parte da mentalidade nacional. Pois onde já se viu uma autoridade dessas se misturar com a ralé na classe econômica?

    Ah! Mas a viagem é longa! Não interessa, é longa para todos.

    Não existe princípio da igualdade no Brasil.

    Outro exemplo, embaixadores europeus viajam de classe econômica; embaixadores brasileiros (e de outros países subdesenvolvidos e pobres) viajam de 1ª classe…

    O comentário não representa a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem

  3. VICENTE DE PAULA VILELA (1)
    em 28/10/2012 às 11h08

    Eu acho que não pode! Fere os princípios básicos da ética no trato do dinheiro público! Tem alguém mais necessitado desses recursos, ainda que considerem poucos!

    Recuem, Excelências!

    “….O sonho de Joaquim Barbosa e a obsessão em demonstrar que incorporou, na íntegra, as bases ideológicas conservadoras daquele tribunal e dos setores da sociedade que ainda detém o “poder por trás do poder” está levando-o a atropelar regras básicas do direito, em consonância com os demais ministros, comprometidos com a manutenção de uma sociedade excludente, onde a Justiça é aplicada de maneira discricionária.”  Prof. RAMATIS JACINO  (USP)

Cidades privadas em Honduras: e se essa moda pega? – por raquel rolnik

Na prática, o governo está entregando estas áreas para empresas transnacionais estrangeiras que nelas deverão construir “cidades modelo”

Na semana passada, o governo de Honduras assinou um acordo com uma empresa dos EUA para iniciar a construção das chamadas Regiões Especiais de Desenvolvimento. Na prática, o governo está entregando estas áreas para empresas transnacionais estrangeiras que nelas deverão construir “cidades modelo”, ou “charter cities”.

Trata-se de áreas “recortadas” do espaço institucional e político do país, convertidas em uma espécie de território autônomo — com economia, leis e governo próprios — totalmente implementado e gerido por corporações privadas. Idealizado por um pesquisador norte-americano, este modelo de cidade foi recusado por muitos países, inclusive pelo Brasil — Ufa! — antes de ser aceito em Honduras, através de uma mudança da Constituição aprovada em janeiro deste ano.

Organizações da sociedade civil, incluindo grupos indígenas cujos territórios podem estar inseridos nas zonas “liberadas”, vêm criticando o projeto, que consideram catastrófico, e já acionaram a Suprema Corte de Honduras, alegando inconstitucionalidade.

Versão extrema de um liberalismo anti-Estado e pró-mercado, o fato é que este modelo, na verdade, exacerba uma lógica privatista de organização da cidade, já presente em várias partes do Brasil e do mundo, como é o caso dos condomínios fechados, das leis de exceção vigentes sobre áreas onde se realizam megaeventos esportivos, dos modelos de concessões urbanísticas, entre outros exemplos possíveis.

A ilusão de uma sociedade sem Estado, teoricamente livre da burocracia, da corrupção e do abuso de poder, é na verdade a ditadura do consumo e do poder absoluto do lucro sobre a vida dos cidadãos. Imagina se essa moda pega…

Raquel é urbanista, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo e relatora especial da Organização das Nações Unidas para o direito à moradia adequada.

Vocês estão vendo isso com preocupação? Eu acho que esse será um interessantíssimo estudo de caso. Existem certas coisas que só se comprova testando e francamente não é sempre que se pode testar uma teoria de forma tão completa quanto esta.

Acho que vale a pena ver o que vai acontecer. E se for um sucesso? E se for um fracasso? Estou curioso pra daqui a 10 anos ver se essas cidades prosperaram e tiveram melhorias da vida de sua população ou se o mercado causou o inverso..mais miséria em troca do lucro das empresas.

Acho que devem considerar essa experiência pelo que ela é…uma experiência. E guardar esse tubo de ensaio para que no futuro tenhamos ainda mais argumentos contra ou a favor da teoria por trás desta experiência.

O FUTURO NAS CIDADES – são paulo.br – paris.fr

Marc Giget antecipa as mudanças previstas para as cidades

Casas tecnológicas, alimentos saudáveis e meios de transporte mais limpos e velozes devem fazer parte do cenário da vida urbana a partir de 2030

Casas altamente tecnológicas, mais verticalizadas, com amplo espaço em ambientes comuns como salas e cozinhas e ao mesmo tempo espaço destinado ao uso pessoal como um casulo; meios de transporte mais velozes, mais limpos e específicos para cada tipo de translado (curta ou longa distância); alimentação mais saudável e voltada para frutas, verduras e legumes. Estas devem ser algumas características da vida nas cidades daqui a 20 anos, de acordo com pesquisas de universidades de várias países. O tema foi detalhado pelo diretor do Instituto Europeu de Estratégias Criativas, da França, Marc Giget, na palestra “A Vida nas Cidades a partir de 2030”, realizada por iniciativa da Fiep, na noite da última segunda-feira (22), em Curitiba.

Formado pela Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais e doutor em Economia Internacional pela Universidade de Paris, desde que criou o Instituto Europeu de Estratégias Criativas, Giget se dedica a pesquisas ligadas à inovação e durante a palestra trouxe à discussão vários prognósticos do futuro.

“Não há nenhuma grande revolução à primeira vista, mas são mudanças significativas, muitas já em curso, que farão total diferença na nossa forma de enxergar o mundo e dialogar com ele”, enfatiza Giget. Por isso, a necessidade de se fazer uma reflexão diante de um futuro não tão distante. Citando Leonardo da Vinci ‘não antecipar é gemer’, o cientista social reitera a importância de antecipar o futuro como forma de prever futuros problemas e já buscar as soluções para eles.

A grande mudança em relação às casas e domicílios é o desenvolvimento sustentável, já em prática em muitas cidades do mundo. Não se pensa em mudanças radicais já que as pessoas são apegadas as suas casas. Vemos uma volta às casas com átrio como na Antiga Mesopotâmia ou Grécia Antiga, em que a natureza entra em casa, trazendo luz e calor. Com inverno e chuva seria um problema, aí é que entra a tecnologia para isolamento térmico entre outras modernidades. “O futuro não é a negação do passado é a retomada dos objetivos técnicos, de conforto e segurança alinhados às novas possibilidades”, enfatiza.

Giget também mostrou como deverá ser o desenho das cidades no futuro. Já existe pesquisa do Instituto Europeu de Estratégias Criativas que mostram que os novos edifícios serão energeticamente autônomos e neutros em emissões de gás carbônico. “Chamadas de Cidades – Colina, as novas cidades serão menos horizontalizadas e mais verticalizadas, ocupando menos perímetro urbano. Essa economia de espaço vai trazer a aproximação das pessoas, não só fisicamente, mas no modo de organização social, com um fortalecimento das redes e da vida em comunidade”.

 

Alimentação – Dentro os tantos assuntos abordados, comida é um tema que chama muito atenção. Atualmente vive-se um medo eminente da falta dela para todos. Para Giget, em nível global não há grandes riscos de faltar alimento, pois além de novos tipos de alimentos, haverá uma grande revolução verde, voltada para frutas, verduras e legumes mais saudáveis, com menor quantidade de sal e açúcar. “No futuro vamos comer as mesmas coisas que hoje, só que os nutrientes dos alimentos estarão potencializados pelas pesquisas que a biologia molecular tem nos trazido. E podemos ter alimentos mais atrativos para crianças, por exemplo, um vegetal em formato de pirulito ou algo do gênero”, ressalta.

O pesquisador mostrou vários protótipos de novos veículos, demonstrou como serão as aulas no futuro com processo educativo mais atrativo e interativo, a mudança da ideia de televisão trazendo obras de museus para dentro de casa, maior exploração do universo ao alcance de todos e não apenas de cientistas. Também apresentou a futura forma de comunicação inter-culturalmente com um equipamento de tradução simultânea quebrando a distância cultural da língua em tempo real; a medicina que terá as funções de salvamento, controle e monitoramento com as novas técnicas preventivas, entre outras possibilidades.

Planejamento – “As tecnologias estão avançando a passos cada vez mais velozes e qualitativos e as relações que se faz entre essas novas tecnologias e a novas potencialidades é o encontrar o que as pessoas realmente desejam para o futuro”, daí a necessidade de se fazer um retroplanejamento. “Se no futuro queremos que haja pouco consumo de energia, com base nas novas tecnologias já podemos estudar e definir como alcançar esse baixo consumo nos próximos anos”, afirma.

Para fazer esse retroplanejamento, Giget explica que é imprescindível a reflexão coletiva de todos os setores da sociedade. Segundo ele, os pesquisadores podem apontar como já foi no passado e como está sendo feito no presente; empresas e empresários que lidam diretamente com os produtos reais, podem dizer o que funciona e o que não funciona; os adolescentes podem apontar em que tipo de mundo querem viver; os idosos que não serão impactados diretamente mas pensam em seus descendentes e, por isso, possuem visão filosófica e otimista; e também as crianças que ainda não têm nenhuma preocupação quanto ao futuro e, por isso mesmo, pensam em soluções criativas e animadas. “A oportunidade de um diálogo com todos os tipos de pessoas é o que nos trará respostas para o mundo daqui a 20 e 30 anos”, acredita Giget.

O cientista social também abordou a necessidade do ‘reencantamento do mundo’ preconizado por Max Weber para que questões psicológicas, sociológicas e tecnológicas tenham valor agregado e estejam disponíveis para todas as pessoas. “Quando olhamos para o passado, vimos que o essencial não muda. Mozart nasceu em 1756 e ainda continua sendo o número 1 da música clássica; a Torre Eiffel foi construída em 1889 e continua sendo um dos pontos turísticos mais visitados em todo o mundo; as sandálias Havaianas foram lançadas em 1962 e continuam líder de mercado e devem acompanhar até 2030 ou 2040”.

A palestra foi uma iniciativa do Sistema Fiep, como parte do programa Cidades Inovadoras que engloba um conjunto de ações de curto, médio e longo prazos voltadas ao desenvolvimento local em Curitiba, região metropolitana e interior do Paraná.

Notas zero de jurado definem categoria romance no Jabuti – maria fernanda rodrigues / são paulo.sp

Um dos 3 jurados deu 0 a escritores consagrados e permitiu a vitória de Oscar Nakasato, por ‘Nihonjin’

18 de outubro de 2012 | 21h 16
Maria Fernanda Rodrigues – O Estado de S. Paulo

Em 2010, Oscar Nakasato, então professor de literatura do ensino médio em Apucarana, no Paraná, tirou o romance Nihonjin da gaveta e o inscreveu no 1.º Prêmio Benvirá. Era seu primeiro original. O júri, composto por José Luiz Goldfarb, Nelson de Oliveira e Ana Maria Martins, escolheu a obra por unanimidade e, como prêmio, o professor ganhou R$ 30 mil. O livro, sobre a imigração japonesa, foi editado pela Benvirá, da Saraiva, em 2011. Nesta quinta-feira, 18, Nihonjin foi considerado pelo Prêmio Jabuti como o melhor romance de 2011, desbancando obras como Infâmia, de Ana Maria Machado.

Nakasato desbancou obras como 'Infâmia', de Ana Maria Machado - Reprodução
Reprodução
Nakasato desbancou obras como ‘Infâmia’, de Ana Maria Machado

A nota de um dos três jurados – seu nome só será divulgado na cerimônia em 28 de novembro – foi responsável pela definição do vencedor. Autora de mais de uma centena de livros e presidente da Academia Brasileira de Letras, Ana Maria Machado, por exemplo, recebeu zero em dois critérios: construção de personagem e enredo. Outros concorrentes também tiveram notas baixíssimas, como Julián Fuks, que foi finalista do São Paulo de Literatura e está no páreo pelo Portugal Telecom. E Wilson Bueno, prêmio APCA de romance em 2011 por Mano, a Noite Está Velha, que também concorria ao Jabuti.

“Dar um zero a uma autora já consagrada é pesado e exagerado, mas é um direito do jurado. As regras deste ano abriram margam para que uma nota tivesse peso decisivo e o jurado percebeu a influência da matemática”, disse José Luiz Goldfarb, curador do tradicional prêmio.

Este ano, os membros do júri puderam dar de 0 a 10 às obras concorrentes. Antes, a pontuação ia de 8 a 10 e era possível usar notas decimais, o que tornava a disputa mais equilibrada. Para a próxima edição, Goldfarb já pensa em mudanças – deve eliminar a nota mais baixa e incluir uma quarta pessoa na comissão formada, no caso da categoria romance, por jornalistas e críticos literários. “Agora, não há o que fazer porque o regulamento é claro e seu voto deve ser respeitado.” Segundo o curador, o tal jurado já participou de outras edições do prêmio.

Na conturbada apuração, Naqueles Morros, Depois da Chuva, de Edival Lourenço, ficou em segundo lugar e O Estranho No Corredor, de Chico Lopes, em terceiro. Nakasato e os vencedores das outras 28 categorias ganham a estatueta do Jabuti, R$ 3.500 e chance de concorrer ao prêmio melhor livro do ano, no valor de R$ 30 mil, a ser anunciado na cerimônia. Os segundos e terceiros colocados levam apenas a estatueta.

Esta, porém, não foi a única surpresa da lista, divulgada pela organização. Na categoria conto, Sidney Costa, com seu O Destino das Metáforas, venceu Dalton Trevisan, considerado um dos melhores contistas do País e que concorria com O Anão e A Ninfeta. Na terceira posição ficou Sérgio Sant’Anna, com O Livro de Praga.

Maria Lúcia Dal Farra venceu em poesia com Alumbramentos. Depois vieram Vesúvio, de Zulmira Ribeiro Tavares, e Roça Barroca, de Josely Vianna Baptista.

O Jabuti premia cada uma das etapas da produção de um livro – seja ele de ficção ou técnico. Capa e tradução são algumas das categorias. O Estado e o Direito Depois da crise, de José Eduardo Faria, editorialista do Estado, ficou em 2.º lugar entre os livros de direito.

Morre poeta peruano Antonio Cisneros

Cisneros era considerado um dos mais importantes poetas da América Latina

06/10/2012 | 14:10 | AFP

O poeta peruano Antonio Cisneros, vencedor do Prêmio Iberoamericano de Poesia Pablo Neruda 2010 e uma das mais importantes vozes de língua espanhola dos últimos anos, faleceu neste sábado em Lima aos 69 anos em consequência de um câncer pulmonar, informaram seus familiares.

Cisneros era considerado um dos mais importantes poetas da América Latina e sua obra também foi reconhecida com o prêmio Poeta do Mundo Latino Víctor Sandoval no México, com o prêmio Gabriela Mistral da OEA e com o prêmio Rubén Darío na Nicarágua, entre outros.

O poema “Canto ceremonial contra un oso hormiguero”, com o qual obteve em 1968 o prêmio Casa de Las Américas, o catapultou ao pódio latino-americano das letras, a partir do qual conquistou um reconhecimento internacional.

Uma de suas filhas informou à AFP que Cisneros morreu ao amanhecer na casa onde vivia em Lima, rodeado por seus três filhos e por sua esposa.

Catarinense de 19 anos se destaca com texto montado pelo Club Noir – curitiba.pr

“A obra de Martina Sohn Fischer avança em direções até agora não trilhadas pela dramaturgia, ampliando a experiência estética do nosso tempo, através da invenção de outras linguagens, isto é: de outras formas de vida.”

Crítica: “Aqui” é um acontecimento extraordinário na dramaturgia

Receber um elogio desses de um dos mais importantes diretores teatrais do Brasil atualmente, Roberto Alvim, não é pouca coisa. Ainda mais para quem tem apenas 19 anos e, até um ano e meio atrás, levava uma vida tranquila em uma cidade do interior de Santa Catarina.

Nascida em Porto União, descendente de família alemã, Fischer viu muita coisa mudar em sua vida após se transferir para Curitiba em 2011 e, principalmente, ter sua peça “Aqui” montada neste ano pelo Club Noir (grupo de Alvim e Juliana Galdino) –como parte da Mostra Brasileira de Dramaturgia Contemporânea.

“Bah, foi lindo demais. Tudo isso aconteceu muito rápido e, quando o Roberto me deu a notícia de que tinham selecionado o meu texto, foi realmente uma surpresa!”, escreve ela em entrevista feita através do Facebook, ao qual está sempre conectada.

Guilherme Pupo/Folhapress
A dramaturga Martina Sohn Fischer em sua casa em Curitiba
A dramaturga Martina Sohn Fischer em sua casa em Curitiba

INFÂNCIA

Revezando seu tempo entre a vida em casa, a escola, as brincadeiras nas ruas e as leituras por todos os cantos, Fischer conta que cresceu tomando gosto por manipular as palavras, o que relaciona com o próprio modo de vida que levava no interior.

“Sempre fui uma criança muito livre. Lembro que, desde que comecei a escrever, o que eu mais gostava era de ter essa liberdade. Essa mesma liberdade infantil, de inventar coisas e viver nelas.”

A escrita, naquele momento, surgiu ainda sem relação direta com a dramaturgia, já que a maior escola era a literatura, não o teatro. “Eu até frequentei algumas aulas de atuação, mas nunca levei jeito para a coisa”, conta.

Na leitura, por outro lado, Fischer partiu logo cedo dos livros de Júlio Verne e dos romances policiais para seguir pelos mundos de Bukowski, Jack Kerouac, John Fante, Faulkner e Kafka.

Foi em 2010, através de um projeto oferecido por sua escola, que acabou caindo “por total acaso” em um núcleo de dramaturgia desenvolvido na cidade vizinha (União da Vitória), onde assistiu a uma palestra de Roberto Alvim.

Quando se mudou para Curitiba, em 2011, Fischer passou a frequentar o curso quinzenal que o diretor ministra na cidade. Em contato cada vez maior com o mundo teatral –e com as obras de Heiner Müller, Strindberg, Sarah Kane, Beckett etc.–, a nova dramaturga começou a “parir” suas primeiras peças, entre elas “Aqui”.

PERDER O CONTROLE

“Eu sentava para escrever e eu era mil coisas, menos a Martina”, conta. “Começo a escrever por pulsões desconhecidas e, quando vejo, sinto que sou parasita da obra. Eu peço mais a ela e ela me dá. Esse tipo de relação é uma loucura, perder o controle da própria obra é uma experiência que também está ligada com a liberdade.”

Questionada sobre o temor de perder algo dessa liberdade após o reconhecimento precoce e com a expectativa que pode se criar em torno de seu nome, Fischer responde:

“A responsabilidade é da obra, então, depois de terminada, eu só tenho que continuar escrevendo. E as obras se criam sozinhas, só preciso parir. Não que seja fácil! Mas esse ‘fazimento’ acontece em um lugar desconhecido, onde não é nem possível pensar na recepção que a obra vai ter, ela simplesmente se dá, é imprevisível e instável.”

Preocupação maior, por enquanto, é se preparar para prestar o vestibular no fim do ano, para entrar no curso de filosofia na Universidade Federal do Paraná.

 

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MARCOS GRINSPUM FERRAZ
COLABORAÇÃO DE

ERIC HOBSBAWN, UM DOS MAIORES HISTORIADORES DO SÉCULO XX, MORRE AOS 95

Mente brilhante e autor do clássico “A era dos extremos”, ele foi um dos principais observadores do século XX; sua morte foi anunciada nesta manhã em Londres, pela filha Julia

1 DE OUTUBRO DE 2012 ÀS 07:40

247 – Acaba de ser anunciada a morte de Eric Hobsbawn, um dos maiores historidadores de todos os tempos, autor do clássico “A era dos extremos”.Marxista, Hobsbawn influenciou uma longa geração de historiadores e políticos e teve sua morte anunciada nesta manhã pela filha Julia, em Londres.

De acordo com o também historiador Nial Ferguson, os livros de Hobsbawn são o melhor ponto de partida para qualquer pessoa disposta a conhecer o que foi o século XX, marcado por guerras e revoluções.

Nascido em Alexandria, no Egito, e filho de uma família judia, ele foi criado em Viena e Berlim e se mudou para Londres em 1933, ano em que Hitler chegou ao poder. Desde 1978, ele era membro da British Academy.

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Veja os livros de Eric Hobsbawm publicados no Brasil

01 de outubro de 2012 

Eric Hobsbawn, um dos maiores historiadores do último século, em foto de 2008. Foto: EFE
Eric Hobsbawn, um dos maiores historiadores do último século, em foto de 2008
Foto: EFE

Falecido nesta segunda-feira em Londres aos 95 anos, o historiador britânicos Eric Hobsbawm é referência unânime para o estudo da história moderna e o marxismo. Confira abaixo algumas suas obras publicadas no Brasil:

A era das revoluções – 1789-1848 (2009, Paz e Terra)

A era do capital – 1848-1875 (2009, Paz e Terra)

A era dos impérios – 1875-1914 (2009, Paz e Terra)

A era dos extremos – O breve século XX (1995, Cia. das Letras)

História do marxismo – 12 volumes (1985-1989, Paz e Terra)

Estratégias para uma esquerda racional – Escritos políticos – 1977-1988 (1991, Paz e Terra)

A revolução francesa (1996, Paz e Terra)

História social do jazz (1990, Paz e Terra)

Ecos da Marselhesa – Dois séculos reveem a Revolução Francesa (1996, Cia. das Letras)

Pessoas extraordinárias – Resistência, rebelião e jazz (1998, Paz e Terra)

Sobre história (1998, Cia. das Letras)

Mundos do trabalho (2000, Paz e Terra)

O novo século – Entrevista a Antonio Polito (2000) – também em edição de bolso (2009, Cia. das Letras)

Tempos interessantes – Uma vida no século XX (2002, Cia. das Letras)

Revolucionários – Ensaios contemporâneos (2003, Paz e Terra)

A transição do feudalismo para o capitalismo – Um debate (com outros autores) (2004, Paz e Terra)

Depois da queda – O fracasso do comunismo e o futuro do socialismo (com outros autores) (2005, Paz e Terra)

Globalização, democracia e terrorismo (2007, Cia. das Letras)

A invenção das tradições (2008, Paz e Terra)

Nações e nacionalismo desde 1780 (2008, Paz e Terra)

Da revolução industrial inglesa ao imperialismo (2009, Forense Universitária)

Bandidos (2010, Paz e Terra)

Os trabalhadores – Estudos sobre a história do proletariado (2010, Paz e Terra)

Como mudar o mundo – Marx e o marxismo 1840-2011 (2011, Cia. das Letras)

O Maestro Waltel Branco receberá título de Doutor “Honoris Causa” na Universidade Federal do Paraná – 19 de setembro de 2012

Waltel Branco receberá o título de “doutor honoris causa” pela UFPR. Uma justa homenagem ao músico e compositor.

Waltel Branco: maestro, compositor, arranjador e professor – Foto: Rodrigo Juste Duarte

O renomado maestro Waltel Branco vai receber da UFPR o título de Doutor Honoris Causa em reconhecimento a sua vida dedicada ao estudo da música. O maestro, que está com 82 anos, começou seu aprendizado quando criança e desde então nunca parou. Receberá o título durante um dos eventos mensais que a universidade celebra em comemoração ao seu centenário, marcado para 19 de setembro.

Nascido em Paranaguá, Waltel Branco começou a estudar em Curitiba. Entre os muitos instrumentos que aprendeu a tocar, o violão sempre foi seu favorito. De Curitiba, viajou para diversos países como Estados Unidos, Cuba, Espanha, Itália, fosse pelo aprendizado, ou pela oportunidade de tocar e trabalhar com grandes nomes da música, como Nat King Cole, Dizzy Gillespie, Perez Prado, Mongo Santamaria, Quincy Jones e Henry Manciny (com este, trabalhou como arranjador da música tema do filme “A Pantera Cor de Rosa”). No Brasil, compôs e arranjou diversas trilhas sonoras para novelas entre as décadas de 60 a 90. Foi arranjador de álbuns de artistas dos mais diversos, como Elis Regina, Gal Costa, Tim Maia, Cazuza, Astor Piazzola, Tom Jobim, Roberto Carlos, Zé Ramalho, entre tantos outros.

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atualizado em 19/09/2012 às 22:06

Waltel Branco recebe homenagem da UFPR por vida dedicada à música

Músico e compositor paranaense é considerado um dos precursores do jazz-fusion nos Estados Unidos e da bossa nova no Brasil

19/09/2012 | 18:39 | GAZETA DO POVO 

O maestro paranaense Waltel Branco recebeu nesta quarta-feira (19) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) o título de Doutor Honoris Causa em reconhecimento à vida dedicada à música. Filho de um maestro, ele começou na área do pai ainda criança e nunca mais parou, tornando-se uma referência em todo o país e até no exterior. A premiação fez parte das comemorações do centenário da UFPR, que será comemorado em 19 de dezembro.

Walter Alves/ Gazeta do Povo

Walter Alves/ Gazeta do Povo / Maestro recebeu o título da UFPR em cerimônia nesta quarta-feiraAmpliar imagem

Maestro recebeu o título da UFPR em cerimônia nesta quarta-feira

Com 82 anos de idade, Waltel nasceu em Paranaguá, em 22 de novembro de 1929, Dia da Música. Atuou no Brasil, em Cuba, nos Estados Unidos, na Espanha e na Itália. Tem uma obra extensa, com mais de 20 discos autorais e participação em cerca de mil discos importantes da música brasileira como instrumentista, regente ou arranjador.

Nesta quarta, com um sorriso no rosto o tempo todo, mesmo com a saúde frágil e amparado por uma bengala, Waltel agradeceu o reconhecimento do povo do Paraná pelos seus acordes. O músico se disse satisfeitíssimo com o título da UFPR. “É ótimo receber um prêmio como esse em vida, já que é algo concedido geralmente depois da morte”, declarou, pedindo desculpas pela voz rouca. Por fim, dedicou o título à mulher e às duas filhas.

Entre os artistas com os quais Waltel estabeleceu parcerias estão Elizeth Cardoso, Altamiro Carrilho, João Bosco, Tim Maia e João Gilberto — todos os arranjos de Chega de Saudade são do maestro paranaense. É considerado um dos precursores do jazz-fusion nos Estados Unidos e da bossa nova no Brasil.

O que está por trás dos protestos no mundo islâmico?

Filme que satiriza o Islã e seu profeta Maomé parece ter sido somente estopim para manifestações
Agência Efe (17/09/12)


Manifestante atira bomba de gás lacrimogêneo de volta contra polícia no Paquistão

De turbantes e véus, milhares de muçulmanos e muçulmanas tomaram as ruas de suas cidades, queimaram bandeiras dos Estados Unidos e invadiram sedes diplomáticas norte-americanas. O motivo parecia comum: o filme A Inocência dos Muçulmanos, que satiriza o Islã e seu profeta, Maomé.

Foi assim, como fundamentalistas fanáticos e irracionais, que aqueles que protestaram contra o vídeo norte-americano, no qual Maomé aparece fazendo sexo oral e seus fieis são comparados a um burro, foram classificados. “A raiva muçulmana” diz a capa da revista semanal norte-americana NewsWeek, enquanto a CNN questiona se “a Primavera Árabe valeu a pena?”.

A grande mídia ocidental – e boa parte de seus articulistas – voltou a ecoar o raciocínio de “choque entre civilizações” como se a questão por trás dos protestos dos últimos dias pudesse ser explicada pela religião islâmica. O argumento central é que os muçulmanos não conseguem conviver com a liberdade de expressão norte-americana e respondem violentamente.

Agência Efe (17/09/12)

Manifestação contra o filme reuniu centenas de pessoas em Beirute, no Líbano, depois de convocação do Hezbollah

Longe de respostas simples e rápidas, essas manifestações, na verdade, oferecem muitas interrogações. Quem saiu às ruas para manifestar? Por que muitos protestos foram marcados em frente a sedes diplomáticas dos EUA? Quais as consequências destas manifestações? Quem será favorecido e quem pode perder com isso?

Os protestos estão envolvidos em uma miscelânea de atores, interesses e motivações, que incluem indivíduos, organizações políticas e Estados, e exigem um olhar crítico, distante de estereótipos ou preconceitos.

“A Inocência dos Muçulmanos” pode ter funcionado como uma faísca em um campo de trigo seco, onde grande parte da população está descontente com a política norte-americana para a região e organizações disputam o poder.

Anti-americanismo

Uma pesquisa do Instituto Zogby, de 2007, mostra que 88% dos moradores do Egito, Jordânia, Líbano, Marrocos, Arábia Saudita e Emirados Árabes se opõem às medidas dos EUA.

Entre os fatos apontados estão a invasão do Afeganistão, em 2001, e do Iraque, em 2003; as políticas em apoio a Israel; a instalação de bases militares em diversos países da Ásia, África e Oriente Médio; a ocorrência de abusos e tortura em Abu Graib, Guantánamo e nas prisões afegãs; e a presença de forças de segurança privada.

Agência Efe (14/09/12)Bandeira dos Estados Unidos foi queimada durante manifestação contra o filme no Paquistão

Além disso, soldados norte-americanos no Afeganistão queimaram centenas de cópias do Alcorão e não foram sequer penalizados; muitas vezes nos discursos de autoridades, o Islã foi mencionado como uma parte importante da guerra contra o terror; em Nova Iorque, a população proibiu a construção de um centro cultural muçulmano perto das torres gêmeas; civis muçulmanos não recebem visto de entrada para os EUA.

Estes fatos apenas alimentaram a percepção dos muçulmanos de que a sociedade, o governo e as forças armadas dos EUA desrespeitam sua religião e querem interferir em seus países. “Nós nunca insultamos nenhum profeta – nem Moisés nem Jesus – então por que não podemos pedir que Maomé seja respeitado?”, questiona o egípcio Ali ao jornal New York Times.

Quebra-cabeças

Outros analistas explicam também que organizações isoladas durante os processos de transformação da Primavera Árabe podem ter se aproveitado do vídeo para incitar a população a ir para as ruas e desestabilizar a situação política. Este é o caso, por exemplo, dos salafistas na Líbia, na Tunísia e no Egito que inflamaram os manifestantes.

Muitos também apontam que as manifestações podem atender aos interesses dos EUA. Sob o argumento de que estes países estão “instáveis”, o governo norte-americano consegue justificar – e possivelmente, aumentar – a sua presença na região.

Além disso, os protestos podem afetar a percepção da sociedade norte-americana e de outros países sobre a Primavera Árabe: será que o processo revolucionário, que tirou do poder ditadores laicos, deu espaço para islâmicos radicais?

Ainda é cedo para qualquer resposta, mas as peças deste quebra-cabeça já estão postas na mesa.

Mais de Eyjafjallajokull – Islândia

Mais de Eyjafjallajokull

Como cinzas do vulcão da Islândia Eyjafjallajokull continuava a manter o espaço aéreo europeu fechado no fim de semana, afetando milhões de viajantes de todo o mundo, algumas agências governamentais e companhias aéreas discordaram sobre as proibições de voo. Alguns espaço aéreo restrito agora está começando a se abrir e alguns voos limitados estão sendo autorizados agora como as companhias aéreas estão pressionando para que a capacidade de julgar as condições de segurança para si. O vulcão continua a Rumble e lançar cinzas para o céu, se a uma taxa ligeiramente diminuída agora, como a nuvem de cinzas dispersar caiu mais perto da terra, e da Organização Mundial de Saúde emitiu um alerta de saúde para os europeus com problemas respiratórios. Reunido aqui estão algumas imagens da Islândia ao longo dos últimos dias. ( 35 total de fotos)

Estrias relâmpagos no céu como fluxos de lava de um vulcão Eyjafjallajokul em 17 de abril, 2010. (REUTERS / Lucas Jackson)

O vulcão Eyjafjallajokull no sul da Islândia geleira envia cinzas para o ar pouco antes do pôr do sol ON sexta-feira, 16 de abril, 2010. Trações grossas de cinzas vulcânicas cobriu partes da Islândia rural na sexta-feira como uma pluma, vasto e invisível do grão pairava sobre a Europa, esvaziando os céus de aviões e enviando centenas de milhares de pessoas em busca de quartos de hotel, bilhetes de trem ou aluguel de carros. (AP Photo / Brynjar Gauti) #

Vista lente longa de fazenda perto do vulcão Eyjafjallajokull, uma vez que continua a billow fumaça e cinzas durante uma erupção final em 17 de abril de 2010.(Halldor KOLBEINS / AFP / Getty Images) #

Um carro é visto dirigindo perto Kirkjubaejarklaustur, Islândia, através das cinzas da erupção do vulcão sob a geleira Eyjafjallajokull na quinta-feira 15 de abril de 2010. (AP Photo / Omar Oskarsson) #

Pedaços de gelo de uma inundação glacial desencadeada por uma mentira erupção vulcânica na frente do vulcão em erupção perto ainda Eyjafjallajokul em 17 de abril de 2010. (REUTERS / Lucas Jackson) #

Ash cobre vegetação em Eyjafjallasveit, no sul da Islândia abril 17, 2010. (REUTERS / Ingolfur Juliusson) #

Esta foto aérea mostra o vulcão Eyjafjallajokull billowing fumaça e cinzas em 17 de abril de 2010. (Halldor KOLBEINS / AFP / Getty Images) #

Uma mulher está perto de uma cachoeira que foi sujo pelas cinzas que tem acumulado a partir da pluma de um vulcão em erupção perto de Eyjafjallajokull, na Islândia em 18 de abril de 2010. (REUTERS / Lucas Jackson) #

Cavalos luta perto da cidade de Sulfoss, a Islândia como um vulcão em Eyjafjallajokull entra em erupção em 17 de abril de 2010. (REUTERS / Lucas Jackson) #

Agricultor Thorarinn Olafsson tenta atrair seu cavalo de volta para o estábulo como uma nuvem de cinza negra paira em cima Drangshlid em Eyjafjöll em 17 de abril de 2010. (REUTERS / Ingolfur Juliusson) #

Um avião de pequeno porte (superior esquerdo) voa fumaça e cinzas passado ondulando de um vulcão em Eyjafjallajokul, na Islândia em 17 de abril de 2010.(REUTERS / Lucas Jackson) #

Fumaça ondas de um vulcão em Eyjafjallajokull em 16 de abril de 2010. (Halldor KOLBEINS / AFP / Getty Images) #

O sol se põe em um céu salpicado com cinzas, sobre o Lago Genebra, como visto a partir dos vinhedos de Lavaux, pela UNESCO, na Suíça, em 17 de abril de 2010. (FABRICE COFFRINI / AFP / Getty Images) #

O vulcão Eyjafjallajokull no sul da Islândia geleira envia cinzas para o ar sábado, 17 de abril de 2010. (AP Photo / Brynjar Gauti) #

Agricultores se unem para salvar o gado da exposição ao cinza tóxica vulcânica em uma fazenda em Nupur, Islândia, como o vulcão Eyjafjallajokull no sul da Islândia geleira envia cinzas para o ar sábado, 17 de abril de 2010. (AP Photo / Brynjar Gauti) #

Uma equipe de resgate ajuda a proprietários de terras para limpar cinzas vulcânicas de um telhado em Seljavellir, Islândia em 18 de abril de 2010. (Halldor KOLBEINS / AFP / Getty Images) #

Sheep agricultor Thorkell Eiriksson (R) e seu irmão-de-lei Petur trabalho Runottsson para selar um celeiro de ovelhas, em turno caso ventos e cinzas de um vulcão em erupção através das terras do vale em sua fazenda, em Eyjafjallajokull 17 de abril de 2010. A atual temporada é quando os cordeiros primavera nascem e tais animais jovens são especialmente suscetíveis a cinza vulcânica em seus pulmões para que eles devem ser guardados no interior. (REUTERS / Lucas Jackson) #

A nuvem de cinzas escura paira sobre o sul da Islândia costa 17 abr, 2010. (REUTERS / Ingolfur Juliusson) #

Fumaça relâmpago, e lava acima vulcão Eyjafjallajokul Islândia em 17 de abril de 2010. (REUTERS / Lucas Jackson) #

Ver visto de uma estrada que leva ao vulcão Eyjafjallajokull, uma vez que continua a billow fumaça e cinzas durante uma erupção em 17 de abril de 2010.(Halldor KOLBEINS / AFP / Getty Images) #

Um homem corre ao longo da estrada, tirando fotos do vulcão Eyjafjallajokull, uma vez que continua a billow fumaça e cinzas durante uma erupção em 17 de abril de 2010. (Halldor KOLBEINS / AFP / Getty Images) #

Uma enorme nuvem de cinzas se arrasta sobre o sul da Islândia costa 16 de abril de 2010. (REUTERS / Ingolfur Juliusson) #

Usando uma máscara e óculos de proteção contra a fumaça, fazendeiro Berglind Hilmarsdottir de Nupur, Islândia, olha para o gado perdidas em cinzas nuvens, sábado 17 de abril, 2010. (AP Photo / Brynjar Gauti) #

Um agricultor verifica cinzas vulcânicas lamacenta em sua terra na Islândia em 18 de abril de 2010. (Halldor KOLBEINS / AFP / Getty Images) #

Esta imagem aérea mostra a cratera expelindo cinzas e nuvens de areia no cume do vulcão Eyjafjallajokull na Islândia sul geleira Sábado Abril 17, 2010. (AP Photo / Arnar Thorisson / Helicopter.is) #

Um piloto tira fotos do vulcão Eyjafjallajokull fumaça ondulante e cinzas durante uma erupção em 17 de abril de 2010. (Halldor KOLBEINS / AFP / Getty Images) #

As equipes de construção reparar uma estrada danificada pelas cheias do derretimento glacial causada por um vulcão em Eyjafjallajokull, na Islândia 17 de abril, 2010. (REUTERS / Lucas Jackson) #

Cavalos pastam em um campo perto do vulcão Eyjafjallajokull, uma vez que continua a billow fumaça escura e cinzas durante uma erupção na noite de 17 de abril de 2010. (Halldor KOLBEINS / AFP / Getty Images) #

Ingi Sveinbjoernsso leva seus cavalos em uma estrada coberta de cinzas vulcânicas volta a seu celeiro em Yzta-baeli, Islândia em 18 de abril de 2010. Eles vêm a galope para fora da tempestade vulcânica, cascos abafados nas cinzas, crinas voando. 24 horas antes, ele havia perdido os cavalos islandeses shaggy em uma nuvem de cinzas que se transformou o dia em noite, cobrindo a paisagem de lama cinza pegajoso. (Halldor KOLBEINS / AFP / Getty Images) #

A nuvem de cinzas do Eyjafjallajokull córregos sudoeste da Islândia vulcão ao sul do Oceano Atlântico Norte em uma fotografia de satélite feitas 17 de abril de 2010. O vulcão em erupção na Islândia enviou tremores novos em 19 de abril, mas a nuvem de cinzas que provocou caos aéreo na Europa baixou a uma altura de cerca de 2 km (1,2 milhas), o Instituto de Meteorologia disse. (REUTERS / NERC Estação de Satélites Receber, Universidade de Dundee, Escócia) #

Uma mulher faz uma chamada de telefone no hall de entrada vazia do Aeroporto de Praga, Ruzyne, após todos os vôos foram cancelados devido a cinzas vulcânicas nos céus provenientes da Islândia 18 abr 2010. As viagens aéreas na maior parte da Europa estava paralisada pelo quarto dia no domingo por uma enorme nuvem de cinzas vulcânicas, mas voos de teste holandeses e alemães realizado sem danos aparentes parecia oferecer esperança de trégua.(REUTERS / David W Cerny) #

Lava e luz relâmpago a cratera do vulcão Eyjafjallajokul em 17 de abril de 2010. (REUTERS / Lucas Jackson) #

O primeiro de três fotos por Olivier Vandeginste, tomada 10 km a leste de Hvolsvollur em uma distância de 25 km a partir das crateras Eyjafjallajokull em 18 de abril de 2010. Relâmpago e movimento turva cinzas aparecem nesta exposição de 15 segundos. (© Olivier Vandeginste ) #

O segundo de três fotos por Olivier Vandeginste, tomada a 25 km das crateras Eyjafjallajokull em 18 de abril de 2010. A pluma de cinzas está iluminado por dentro por flashes de raios em várias esta exposição 168 segundo. (© Olivier Vandeginste ) #

O terceiro dos três fotos por Olivier Vandeginste, tomada 10 km a leste de Hvolsvollur Islândia em 18 de abril de 2010. Relâmpagos e lava incandescente iluminar partes da pluma de cinzas Eyjafjallajokull maciço neste exposição de 30 segundos. (© Olivier Vandeginste ) #

REVOLUÇÃO FARROUPILHA : Zero Hora visitou lugares mitológicos da Revolução Farroupilha, palcos da guerra contra o Império. Assista ao documentário e saiba o que eles guardam na memória.

veja os dez principais palcos da REVOLUÇÃO FARROUPILHA (1835 – 1845)

CLIQUE AQUIREVOLUÇÃO FARROUPILHA

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A Revolução Farroupilha, também é chamada de Guerra dos Farrapos ou Decênio Heróico ( 1835 – 1845), eclodiu no RS e configurou-se, na mais longa revolta brasileira.

Foram diversas as causas que levaram os farroupilhas a atacarem Porto Alegre, no dia 20 de setembro de 1835, dando início a Revolução Farroupilha, que estendeu-se, até o dia 11 de setembro de 1836, quando Antônio de Souza Neto, proclamou a República Riograndense. Após esta data, iniciou-se então, uma guerra que durou até 28 de fevereiro de 1845.

Muitos fatos aconteceram, várias pessoas morreram, e quase dez anos depois de muitas lutas e combates, houve a pacificação.

Os problemas econômicos que atingiam as classes dominantes, figuram entre as principais causas da revolução. Os poderosos estancieiros gaúchos, queriam que o governo imperial, protegesse a pecuária do RS e dificultasse a entrada do charque argentino e uruguaio no Brasil, que devido o baixo imposto de importação, fazia concorrência desleal, arruinando a economia gaúcha. Essa mesma elite dos grandes fazendeiros, também lutava junto ao governo imperial, por uma maior liberdade administrativa para o RS.

A revolução farroupilha não foi portanto, uma revolta do povo pobre, e sim, uma rebelião dos ricos estancieiros que lutavam pelos seus interesses econômicos e políticos. O povo só participou do movimento, sob o controle dos fazendeiros. Não existia entre os líderes, o desejo de libertar o povo da exploração social, da escravidão ou da vida miserável.

Entre os principais líderes, destacam-se: Bento Gonçalves, Davi Canabarro, José Garibaldi, Antônio de Souza Neto, Gomes Jardim e Lucas de Oliveira.

O momento máximo da expansão do movimento, deu-se em 1839, com a fundação da República Juliana, na cidade de Laguna em Santa Catarina, sob comando de Canabarro e Garibaldi.

As capitais da República Riograndense, foram Piratini, Caçapava e Alegrete.

Os oficiais farroupilhas, reuniram-se nos Campos de Ponche Verde, e discutiram as questões do tratado de paz. Ocorreu então, um tratado entre duas nações: Rio Grande do Sul e Brasil. Assinou o tratado representando os farroupilhas, Davi Camabarro e pelos imperiais, Duque de Caxias, no qual não houve vencedores ou vencidos.

REVOLUÇÃO FARROUPILHA

ANTECEDENTES

              No Brasil, estávamos no período das Regências, duas correntes políticas existiam: Corrente Liberal Moderada – Chimangos que desejavam modificação do regime através de leis, e a Corrente Liberal Escoltada – Farroupilhas, que apontava como a solução a resolução.

Em 1833, quando Bento Gonçalves foi chamado ã Corte, (RJ), entrou em contato com Evaristo da Veiga e com o Padre Diogo Antonio Feijó, (futuro regente), e indica Antônio Rodrigues Braga, um moderado republicano, para o cargo de presidente da província, que por influência de seu irmão, passou para o partido conservador, rompendo com Bento Gonçalves.

Foram geradas as divergências entre o poder executivo (Fernandes Braga) e o poder legislativo; que era em sua maioria formado por deputados liberais, que acusaram Fernandes Braga de déspota por que havia mudado de partido.

CAUSAS

– Idéias de liberdade política
– Desejo de implantação do sistema republicano no Brasil com a federação das províncias;
– O descontentamento reinante aqui, pelos desastrosos e não contentáveis governos da província que eram orientados pelo império. Era o caso de Fernandes Braga.
– Um regime iníquo com excessivos impostos e taxas, cobradas pelo poder central, o Império, sobre nossa principal economia o Charque.
– Faltam de estradas, pontes e escolas;
– Dificuldades para o registro das pessoas físicas
– O desgosto do soldado gaúcho, pelo revés sofrido nos campos da Cisplatina, cuja culpa era atribuída aos comandos escolhidos, cuja culpa era atribuída aos comandos escolhidos pelo império;
– Os gaúchos já haviam participado a lança e a espada em mais de uma campanha não queriam se deixar dominar e oprimir pela corrupção imperial brasileira.

ÉPOCA 1835/1845

TEATRO DE OPERAÇÕES Província do Rio Grande do Sul e parte de Santa Catarina

INÍCIO 20/09/1835 com a entrada em Porto Alegre de Gomes Jardim e Onofre Pires.

A primeira fase do Movimento Farroupilha contou com o apoio de todas as correntes liberais. Esta fase caracterizou-se pela deposição do presidente Fernandes Braga.

PRINCIPAIS EVENTOS

Ano de 1835

19/setembro , um grupo de 400 revolucionários reuniu-se nos arredores de Porto Alegre, e nas 1ªas da madrugada de 20/09 – junto à ponte da Azenha, ocorria a 1ª escaramuça com os Imperiais, visando a ocupação da capital. Bento Gonçalves Chega a 21.os farroupilhas eram comandados por Onofre Pires e Vasconcelos Gomes Jardim, enquanto a defesa da capital estava confinada a Gaspar Mena Barreto.

DR, Fernandes Braga, foge para a cidade do Rio Grande, de barco pela Laguna dos Patos. Bento Gonçalves segue para Rio Grande, ã frente de um pequeno destacamento, para enfrentar o Presidente deposto, porém, Fernandes Braga já havia fugido para a corte do Rio de Janeiro.

Entre as cidades que não aderem a causa estão : Rio Grande, Pelotas, e São José do Norte.

08.setembro – Entrada dos Farrapos em Piratini.
09.setembro – Os Farroupilhas apoderam-se de Rio Pardo.
13.setembro – Os revolucionários são derrotados em Arroio Grande.

Ano de 1836

07 de abril – Entrada dos Farroupilhas em Pelotas.

15 de junho – Restauração de Porto Alegre pelos imperiais.

10 de setembro – , no Campo dos Menezes a Batalha do Seival, onde ocorre a maior vitória das forças Farroupilhas, as tropas do Cel. Antonio de Souza Netto derrotaram as do Cel. João da Silva Tavares.

Na noite de 10 para 11 de setembro de 1836 chimarreando ao redor do fogo e ainda comemorando a brilhante vitória, Lucas de Oliveira e Joaquim Pedro Soares deram a idéia da Proclamação da República Rio Grandense. Na manhã seguinte as tropas foram perfiladas em ordem e o General Netto faz um pronunciamento.

12 de setembro – Proclamação da República Rio-Grandense por Souza Netto, nos Campos dos Menzes, pontas do Jaguará Chico, afluente do rio Jaquarão.

04 de outubro – Bento Gonçalves é derrotado e preso na Ilha do Fanfa (Rio Jacuí- proximidades de Rio Pardo). É enviado para a Corte e daí para o Forte do Mar na Bahia.

10 de novembro – Piratini torna-se a primeira Capital da novel Republica.

Ano de 1837

09 de março – Tomada de Lages (Santa Catarina) pelos farroupilhas.

07 de abril – Os republicanos tomam Caçapava.

10 de setembro – Fuga de Bento Gonçalves do Forte do Mar, na Bahia.

Ano de 1838

17 de março – Os imperiais retomam Rio Pardo

06 de maio – Rio Pardo volta ao poder dos revolucionários.

12 de setembro – Lages (santa Catarina) pela 2ª vez, é tomada pelos farroupilhas.

Ano de 1839

14 de fevereiro – A Capital da República é transferida para Caçapava, instalando-se o governo no dia 24.

06 de junho – Garibaldi inicia sua memorável travessia por terra com seus lanchões Seival e Rio Pardo, conduzindo os do Capivari até o Tramandaí.

22 de julho – Combate e tomada de Laguna (Santa Catarina)

25 de julho – Proclamação da República Juliana.

15 de novembro – Restauração de Laguna pelos imperiais após o combate naval desse dia.

Ano de 1840

03 de maio – Combate de Taquari, de resultados indecisos.

16 de julho Ataque a São José do Norte, de conseqüências desastrosas para os Farrapos. São José do norte recebe o Título de “Mui heróica Vila”. E Ajuda os feridos das tropas farrapas.

Cerco de Porto Alegre.

Ano de 1841

Continua Porto Alegre cercada
19 de outubro – Porto Alegre recebe o título de “Mui Leal e valorosa” pela resistência à revolução.

Ano de 1842

Inicia o declínio da revolução. Divergências entre os revolucionários. É assassinado o vice-presidente Antonio Paulino da Fontoura. Bento Gonçalves é acusado de autor intelectual. Duelo entre Bento Gonçalves e Onofre Pires, resultando a morte deste.
09 de novembro – Caxias assume a presidência e o comando das armas legais.

01 de dezembro – Alegrete torna-se a sede do governo republicano.

Ano de 1843

26 de maio – Combate de Ponche Verde, de resultados indecisos.

Vantagens dos legalistas em todo o território. A revolução começa e perder terreno.

Ano de 1844

Início das conversações de paz.

14 de novembro – Surpresa de Porongos. Canabarro é derrotado pro Chico Pedro.

29 de dezembro – Combate de Quero (afluente do quarai) último da Revolução.

Ano de 1845 – Final da Guerra – Inicio da Paz.

28 de fevereiro – Assinatura da paz no acampamento de Ponche Verde, município de D.Pedrito.

01 de março – Caxias, nos campos de Alexandre Simões, proclama a anistia do Rio Grande do Sul, declarando pacificada a província.

CAPITAIS FARROUPILHAS

Piratini 10.11.1836 a 14.02.1839

Caçapava – 14.02.1839 ã 22.03.1840

Alegrete – 22.03.1840 ao término da Revolução

VULTOS EMINENTES

Imensa é a galeria do relevo nos fatos da memorável EPOPÉIA

Destacam-se, de parte dos farrapos:

Bento Gonçalves da Silva; Antonio de Souza Neto; David Canabarro; Domingos José de Almeida; Onofre Pires; Silva Jardim.

Junto aos imperiais:

Caxias; J.J.de Andrades Neves; João de Deus Mena Barreto; Silva Tavares; Francisco Pedro de Abreu.

Bento Manuel Ribeiro teve destacada atuação quer ao lado dos farrapos, quer dos imperiais

Condições da Paz
Os rio-grandense indicariam o nome para assumir a presidência da província
A dívida revolucionária seria paga pelo governo imperial.

O PÓS-GUERRA

Tempo de Construir – com a economia e a administração pública desorganizada por quase dez anos de guerra., a província tenta recuperar o tempo perdido;
Reinício da Imigração;
Dois partidos 1848 –Partido Conservador – Partido Liberal
18 de julho de 1847 – Morre Bento Gonçalves
1852 – rearticulação partidária , liga partidária, e contra liga.
Antonio de Souza Neto – vai para o Uruguai- se reconcilia com o Governo brasileiro 1864
David Canabarro – Morre em 1867
Da contra liga – origina-se o Partido Liberal Progressista.
1868 – Partenon Literário

Bibliografia : Lessa, Barbosa-Projeto Pró-memória farroupilha. 1985 Filho, Artur Ferreira – Rio Grande Heróico e Pitoresco- 1985 História Ilustrada do Rio Grande do Sul – 1998 Quevedo, Julio – José C.Tamanquevis. Rio Grande do Sul Aspectos da História Freitas, Sebastião Rodrigues de, Estudos Rio-Grandenses.

Kevin Richardson en el Parque de León de Gauteng, Sudáfrica

Kevin Richardson
(nacido en 1974) es un conductista animal, y ha realizado una amplia investigación sobre losanimales nativos de África . Ha sido reconocido en una manada de hienas manchadas y el orgullo de los leones . Él trabaja con las hienas y grandes felinos, como guepardos y leopardos . Se ha especializado con los leones y se ejecuta el Reino de la instalación de White Lion en el Parque de León en provincia de Gauteng, Sudáfrica . Conocido en todo el mundo como el “hombre que susurraba a León,” Richardson es también un autor y productor de cine.



 

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Rastro do Curiosity em Marte pode ser visto do espaço

Nasa divulgou novas fotos da missão de exploração ao planeta vermelho.

Pouso do robô completa um mês nesta quinta (6).

Do G1, em São Paulo

Ponto no centro da foto é onde o Curiosity pousou. A partir dali, ele partiu até a posição atual, à direita da foto, deixando seu rastro (Foto: Nasa/JPL-Caltech/Universidade do Arizona)
Rastros do Curiosity são vistos do espaço
(Foto: Nasa/ JPL-Caltech/Universidade do Arizona)

Os rastros deixados pelo robô Curiosity no solo marciano já podem ser vistos do espaço. A Nasa divulgou nesta quinta-feira (6) novas fotos relativas à missão, que foram tiradas tanto por satélites posicionados na órbita de Marte quanto pelo próprio robô.

Nesta semana, o robô percorreu uma distância de 30,5 metros – exatamente 100 pés, medida usada nos Estados Unidos – em sua rota mais longa até o momento. Nos próximos dias, o robô fica parado, enquanto a Nasa faz testes no braço robótico e nos instrumentos científicos.

Nesta quinta, o robô completa um mês exato desde o seu pouso no planeta vermelho. A distância total que ele já percorreu até o momento é de 109 metros.

Na foto feita pelo Mars Reconnaissance Orbiter, um satélite da Nasa que monitora a superfície marciana, o rastro do Curiosity é claramente visível. Os pontos mais escuros no centro da imagem são o ponto de pouso do robô. A partir dali, ele partiu até a posição atual, à direita da foto, deixando seu rastro pelo caminho.

As fotos abaixo também foram divulgadas nesta quinta. A primeira mostra o rastro do Curiosity registrado pelo próprio robô. Na segunda, uma câmera posicionada no mastro central tirou uma fotografia de alta resolução do braço robótico, onde fica outra câmera.

Rastro do Curiosity em Marte, registrado pelo próprio robô (Foto: Nasa/JPL-Caltech)
Rastro do Curiosity em Marte, registrado pelo próprio robô (Foto: Nasa/JPL-Caltech)
Foto em alta resolução do braço do Curiosity (Foto: Nasa/JPL-Caltech)
Foto em alta resolução do braço do Curiosity (Foto: Nasa/JPL-Caltech)

Governo recupera R$ 2,2 mi dos R$ 124 bi desviados via Banestado

Esta será a terceira parcela repatriada dos recursos remetidos ilegalmente para o exterior, entre 1996 e 2002, no auge das privatizações tucanas. Mas as investigações sobre o caso continuam cercadas por uma cortina de fumaça. O Ministério da Justiça não divulga informações sobre os processos no exterior. No Judiciário brasileiro, as ações estão pulverizadas em diferentes varas e a maioria corre em segredo de justiça. No Legislativo, a CPI do Banestado (2003) terminou em pizza e a CPI da Privataria (2011) segue engavetada.

Najla Passos

Brasília – O governo brasileiro conseguiu recuperar R$2,2 milhões dos recursos públicos remetidos ilegalmente ao exterior via Banco do Estado do Paraná (Banestado), no esquema de corrupção que abalou o país entre 1996 e 2002, no auge das privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso. De acordo com o diretor do Departamento Internacional da Advocacia Geral da União (AGU), Boni de Moraes Soares, a parcela que será repatriada já é a terceira relativa ao caso. As duas anteriores representavam valores equivalentes. Mas o percentual desviado é bem mais robusto: algo em torno de R$ 124 bilhões, conforme o deputado Protógenes Queirós (PCdoB), que é delegado da Polícia Federal (PF) e atuou no caso.

Soares conta que os R$ 2,2 milhões estavam bloqueados, desde 2005, em uma conta aberta nos Estados Unidos, por três brasileiros já condenados em primeira instância por envolvimento no caso Banestado. Para reaver o montante, não bastaram os pedidos de devolução feitos pelo Ministério da Justiça (MJ), com base em tratados de cooperação internacional. Foi necessário comprovar, na Corte Distrital de Nova York, que o dinheiro depositado no banco norte-americano era fruto de corrupção. Causa que a AGU assumiu em 2010, segundo ele.

O MJ, que é responsável pela repatriação, não divulga a identidade dos brasileiros e mesmo o nome da instituição financeira. Dez anos após o fim do governo que conduziu as grandes privatizações brasileiras, o escândalo do Banestado permanece cercado por uma cortina de fumaça. As ações contra executivos do banco, doleiros e usuários do sistema fraudulento do banco estão esparsas em diferentes varas da justiça brasileira, a maioria sob segredo de justiça, o que dificulta seu acompanhamento.

A reportagem de Carta Maior perguntou ao secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão, quanto, exatamente, o Brasil já recuperou dos recursos desviados via Banestado, quanto resta bloqueado no exterior aguardando o curso dos processos legais e qual o andamento das ações penais relativas ao caso. “A maior parte dos processos corre em segredo de justiça. Como o MJ só atua quando acionado pelo Ministério Público ou pelos juízes responsáveis pelas ações, não nos cabe informar detalhes”, respondeu Abrão.

Uma CPI abortada e outra engavetada
No Legislativo, as investigações sobre o caso não tiveram êxito. A CPI do Banestado, aberta em 2003, terminou em pizza: um acordão indigesto entre PSDB e PT poupou das investigações uma farta carteira de clientes vips da “lavanderia”. Entre eles, alguns já comprovadamente culpados, como o deputado Paulo Maluf (PP-SP), o juiz Nicolau dos Santos Neto, e a fraudadora da Previdência, Jorgina de Freitas. E outros sob os quais pesavam graves indícios, como o publicitário Marcos Valério (que, à época, atendia o governo tucano de Minas Gerais), o ex-senador Jorge Bornhausen (do antigo PFL) e o candidato pelo PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra.

O deputado Protógenes Queirós não desiste de esclarecer os fatos. No final do ano passado, apresentou à mesa diretora da Câmara o pedido de abertura de uma nova comissão parlamentar de inquérito para investigar o caso, batizada de CPI da Privataria. Segundo ele, o lançamento do livro Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr, em 2011, trouxe novas evidências da corrupção praticada no país pelo esquema ilícito do Banestado. E reascendeu o anseio por investigações.

Mesmo cumprindo todas as formalidades exigidas pela casa, a comissão, hoje, continua engavetada, enquanto a CPI do Cachoeira, proposta vários meses depois, já está caminhando para a conclusão. “O que os partidos alegaram, na época, é que era melhor esperar as eleições deste ano, para não parece que a CPI era uma armação política para minar a candidatura de Serra”, explicou. Esta semana, porém, ele vai voltar a cobrar a instalação da CPI da Privataria. Como o Serra despenca nas pesquisas eleitorais e pessoas ligadas ao PT estão sendo julgadas por crimes semelhantes no processo do “mensalão”, o deputado avalia que a conjuntura está mais favorável.

Se há participação de tucanos nos desvios do Banestado? Protógenes aposta que sim. Segundo ele, empresários interessados em proteger suas reservas da instabilidade fiscal dos anos 1990 também usaram a lavanderia, mas o grosso do dinheiro era proveniente dos recursos públicos desviados das privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso. “Os personagens que encontrei na investigação coincidem com os retrados no livro Privataria Tucana, o que nos leva a crer que o esquema foi, sim, usado para lavar dinheiro do PSDB”, afirma.

Na obra, o jornalista comprova o envolvimento com o esquema de remessa ilegal de dinheiro para o exterior de dois parentes próximos de Serra: o primo Gregório Martin Preciado e a filha Verônica Serra. O relatório da PF sobre o caso Banestado indica também um possível envolvimento direto do próprio candidato à prefeitura paulistana: extratos fornecidos pelo banco norte-americano JP Morgan Chas apontam que Serra era uma das pessoas autorizadas a movimentar a conta denominada “tucano”, que teria recebido US$ 176,8 milhões, entre 1996 e 2000.

Avanços nas investigações de lavagem
A sofisticação do esquema fraudulento do Banestado prejudicou em muito as investigações iniciadas há uma década. Conforme o diretor do Departamento Internacional da AGU, o dinheiro desviado dos cofres públicos era remetido para uma agência do próprio Banestado nos Estados Unidos. Em Privataria Tucana, Amaury relata que, de lá, o dinheiro circulava em várias outras contas, de forma a despistar sua origem, para só depois ser depositado em paraísos fiscais ou retornar, já lavado, às mãos de seus verdadeiros donos.

Até 2003, o Brasil também não contava com dispositivos eficientes para combater a prática. Foi só após a posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que os mecanismos destinados ao combate de crimes que resultam em evasão de divisas foram desenvolvidos. Segundo o secretário nacional de Justiça, a criação da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (Enccla) mudou a forma do país processar a investigação desses crimes. O fórum, que congrega 60 órgãos e entidades dos três poderes da República envolvidos com ao combate à lavagem, permitiu a troca de informações, dinamizando prevenção e investigação.

Abrão destaca também a implantação dos Laboratórios de Lavagem de Dinheiro (LABs) , classificados por ele de “escritórios de produção de informação estratégica”. Tratam-se de software e hardware que fazem processamento de dados em massa, indicando as relações que se estabelecessem entre as diversas contas em que os recursos ilícitos circulam. Permitem, portanto, estabelecer a origem e a destinação do dinheiro lavado que, por estratégia de ocultamento, costumam transitar em diferentes contas, de diferentes instituições, antes de chegarem às mãos dos seus verdadeiros destinatários.

O secretário afirma que, hoje, o Brasil possui R$ 3 bilhões de ativos ilícitos bloqueados em outros países, remetidos para o exterior tanto pelo Banestado quando por outros esquemas ilegais de evasão de divisas e lavagem. O montante processado pelos LABs, só de 2009 para cá, chega a R$ 11 bilhões, referentes a 600 casos. “Nossa capacidade de bloqueio de recursos é maior do que a de repatriação porque, no último caso, dependemos da tramitação dos processos aqui no país e nos países estrangeiros”, esclareceu.

O diretor da AGU também avalia que o país tem avançado muito na recuperação do dinheiro público desviado por corrupção. Ele lembra que, na semana passada, o órgão fechou um acordo que resultou na maior operação do gênero, que possibilitará o retorno aos cofres da União dos R$ 468 milhões destinados à construção do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT-SP), que haviam sido desviados pelo Grupo OK, do ex-senador Luís Estevão (PP-DF). Do total, R$ 80 milhões foram pagos à vista.

O restante foi parcelado em 96 prestações de R$ 4 milhões. E para garantir a recuperação do total do valor, o órgão mantém penhorados 1.255 imóveis de Estevão, com valor correspondente à 150% do que ele deve ao erário.

Mulher de Cachoeira: ‘chefe da revista VEJA é empregado do meu marido’

 

Postado em: 31 ago 2012 às 11:36

 

Afirmação foi feita por Andressa, mulher de Cachoeira, ao juiz federal Alderico Rocha Santos. Se deu durante tentativa de chantagem sobre ele, para que tirasse o marido da penitenciária da Papuda. Santos registrou ameaça à justiça federal

andressa cachoeira veja

Andressa Mendonça, mulher de Cachoeira, finalmente admite relação de chefe da Veja com seu marido: ‘empregado e patrão’. Foto: divulgação

É muito mais surpreendente, perigosa e antiética a relação que une o contraventor Carlinhos Cachoeira e o jornalista Policarpo Júnior, editor-chefe e diretor da sucursal de Brasília da revista Veja, a julgar pela ameaça feita pela mulher de Cachoeira, Andressa Mendonça, ao juiz federal Alderico Rocha Santos.

Documento obtido com exclusividade por 247 contém o ofício à Justiça Federal de Goiás, datado de 26 de julho, assinado pelo juiz Rocha Santos, no qual ele relata como foi e quais foram os termos da ameaça recebida de Andressa. A iniciativa é tratada como “tentativa de intimidação“. Ele lembrou, oficialmente, que só recebeu Andressa em seu gabinete, na 5ª Vara Federal, em Goiânia, após muita insitência da parte dela.

Com receio do que poderia ser a conversa, Rocha Santos pediu a presença, durante a audiência, da funcionária Kleine. “Após meia hora em que a referida senhora insistia para que este juiz revogasse a prisão preventiva do seu marido Carlos Augusto de Almeida Ramos, a mesma começou a fazer gestos para que fosse retirada do recinto da referida servidora”.

P.P.

DR. ZEQUINHA – resistiu a ditadura com um estilingue – 40 anos depois. – curitiba.pr

Dr. Zequinha, líder estudantil em 68, se emociona ao falar da tortura na prisão e do apoio familiar durante os ‘anos de chumbo’
A famosa foto: Dr. Zequinha enfrenta a cavalaria da polícia com um estilingue - e só

A famosa foto: Dr. Zequinha enfrenta a cavalaria da polícia com um estilingue – e só
LUCIANA GALASTRI

Dr. Zequinha em evento realizado no dia 14 de maio para relembrar os 40 anos de ocupação da Reitoria da UFPR

Dr. Zequinha em evento realizado no dia 14 de maio para relembrar os 40 anos de ocupação da Reitoria da UFPR

No ano de 1968, o então reitor da UFPR, Flávio Suplicy de Lacerda, tomou uma decisão: a Universidade Federal do Paraná, uma instituição pública, passaria a cobrar por seu ensino. Cursos noturnos, em teoria voltados para estudantes que trabalhavam durante o dia para se sustentar, passariam a ser pagos. Esse novo sistema começaria a vigorar quando os calouros daquele ano fossem aprovados.

No dia do vestibular de 68, os estudantes da Universidade, sob liderança do DCE (Diretório Central dos Estudantes), da UPE (União Paranaense de Estudantes) e da UPES (União Paranaense de Estudantes Secundaristas) impediram a realização da prova no Centro Politécnico com sucesso, adiando o concurso. Suplicy insistiu em manter sua decisão e realizar uma segunda prova. Novamente, os movimentos estudantis se mobilizaram para impedir o vestibular, mas a presença da polícia montada fez com que a operação falhasse.

Então, no dia 14 de maio daquele ano, há quarenta anos, os estudantes tomaram a Reitoria da UFPR, derrubaram o busto do reitor Suplicy e arrastaram a imagem pelas ruas em uma marcha contra a Universidade paga. A polícia recebeu ordens de não interferir e os estudantes foram poupados de mais violência. Esta última manifestação foi marcada pelo sucesso absoluto. “Dizíamos que a polícia também era gente! E os policiais choravam, comovidos pelo nosso movimento” declara Stênio Jacob, presidente da UPE na época.

A tomada da Reitoria tem uma enorme significância, pois foi realizada em um período de ditadura e opressão militar no Brasil. Em termos mundiais, o ano de 68 é emblemático: vários países testemunharam movimentos estudantis que pediam a reforma do ensino, a liberdade de expressão e davam visibilidade a uma nova espécie de jovem – questionador e rebelde.

Um dos líderes desses jovens que em 1968 tomaram a Reitoria da universidade mais antiga do país era o jovem José Ferreira Lopes, mais conhecido por Zequinha – pelos amigos e pelos algozes. Membro do DCE e da UPE naqueles anos, foi testemunha de sentimentos e atitudes antagônicas, a coragem dos estudantes e a covardia das autoridades, chegou a ser preso e torturado, viu colegas sucumbirem à violência do Estado e, anos depois, voltou a cursar a profissão que fora forçado a abandonar, a Medicina, tornando-se o Dr. Zequinha.

Dr. Zequinha, protagonista de uma fotografia que rendeu ao seu autor, Edson Jansen, o Prêmio Esso de Fotojornalismo – em que enfrenta a cavalaria da polícia com um estilingue –, voltou ao cenário de sua militância, o pátio da Reitoria da UFPR, 40 anos depois, para revisitar a memória e a mentalidade daqueles dias.

Pouco antes do evento, quando se sentou ao lado do reitor da instituição, Carlos Moreira Junior, e de amigos ‘de luta’ como Stênio Jacob, Luís Felipe Haji Mussi e Vitório Seratiuk, ele falou ao Comunicação sobre os tempos de militante, a clandestinidade, a tortura e as experiências de um jovem idealista em plena ditadura militar.

Comunicação – Como se deu o seu contato com o movimento estudantil?

Dr.Zequinha – Eu sou nascido em Marília, uma cidade de São Paulo, e lá, como estudante secundarista, tive meu primeiro contato com o movimento estudantil. Isso foi na década de 60, lembro muito bem da eleição de Jânio Quadros e da história da vassoura, que varria a corrupção. De lá, vim para Curitiba cursar medicina na UFPR. Iniciei o curso e, ao mesmo tempo, tive contato com a política universitária, em 65. A partir daí, entrei para o Diretório Acadêmico Nilo Cairo, para o DCE e para a UPE. O contato com todos esses órgãos me influenciou a ter uma militância mais ativa.

Comunicação – Houve alguma outra influência que o levou para a militância? Um professor, um livro?

Dr.Zequinha? – Tive influência de duas pessoas, no curso de medicina, e tenho um respeito muito grande por eles. Eles possuíam opiniões muito boas a respeito do próprio curso, da universidade, da reforma do ensino e também foram pessoas muito queridas para mim. O Dante Romanó Júnior, que acabou sendo reitor da UFPR, e o professor Paulo Barbosa, que tinha uma cadeira em medicina, na época. Ambos foram pessoas muito queridas e que tiveram muita influência em meus tempos de universitário.

Comunicação – Antes de entrar nos movimentos estudantis, você era um jovem muito politizado?

Dr.Zequinha – Acredito que havia uma vivência política já bem anterior na cidade de Marília. Meu pai não era militante, mas era um ser muito amplo no ponto de vista da aceitação das coisas. Eu lembro de ter um vizinho que pertencia ao Partido Comunista do Brasil. Também havia uma família, os Silva, que militavam pelo partido. Eram pessoas ‘de casa’, pessoas com quem convivi na minha juventude, era amigo de seus filhos. Existia também um alfaiate nordestino, uma pessoa muito legal, que possuía, no fundo de sua alfaiataria, uma biblioteca. Tive esse contato, meu pai sempre ajudou muito esse pessoal que era perseguido e acabei me envolvendo.

Comunicação – Como sua família e seus amigos viam essa atuação política militante? Eles o apoiavam?

Dr.Zequinha – Meu pai era semi-analfabeto, mas tinha uma preocupação básica: seus filhos deveriam estudar, portanto, deviam ter uma biblioteca em casa. Então ele comprava livros do Jorge Amado, Graciliano Ramos, entre outros. Acabamos tendo contato com essa literatura. Minha própria turma de adolescentes tinha esse hábito da leitura, ouvia muita música, além das estripulias que fazíamos como todo jovem (risos). Ao final do ano de 68 houve o Ato Constitucional nº5. Eu estava na iminência de ser preso – já havia sido preso algumas outras vezes em Curitiba, e também pertencia ao Ação Popular, o AP. E eu decidi que continuaria minha militância política, mas em caráter clandestino. Conversei com amigos da república em que morava, alguns me desencorajaram, outros disseram “você que decide, você sabe da sua vida”. Então saí de Curitiba e fui à cidade de meu pai, conversar com ele e com minha mãe. Lembro até hoje. Estávamos na varanda da casa deles e comentei o que eu iria fazer. A reposta deles foi assim: “é isso que você quer? Então seja feliz.” Quando fui preso, minha mãe percorreu céus e infernos à minha procura. Devo muito a ela o fato de não ter sido… não diria assassinado, mas eu estava em uma situação muito complicada na repressão da ditadura. E ela moveu céus e mares até me achar. Essa era a relação que eu tinha com minha família, e me deixa muito emocionado.

Comunicação – Você pode descrever o tempo em que ficou preso? Comentar alguma experiência que tenha passado?

Dr.Zequinha – Posso sim. Acho até importante comentar isso, para que não caiam no esquecimento as barbaridades feitas pela ditadura militar.

Fui preso pela primeira vez em 68, quando eu fazia a pichação de um muro no Batel, e eu pichava ‘abaixo a ditadura’. Fiquei detido na Carlos de Carvalho, que era a sede da Polícia Federal na época, e lá sofri uma amostra do que seria uma tortura. Deixaram-me nu, em cima de uma lata de cera, sem a tampa, e eu pisando com os dois pés na lata e me apoiando com as minhas mãos em uma parede. Às vezes me batiam no rim, que não deixa marca certo? Queriam que eu fizesse uma confissão, queriam que eu dissesse por que estava pichando ‘abaixo a ditadura’.

As outras duas vezes em que fui preso em Curitiba, foi nas passeatas. A polícia batia, prendia e soltava. Quando fui pra clandestinidade, foi, com certeza, o momento mais difícil. Saber o que era uma ditadura militar e sua repressão… Estava em Minas Gerais, trabalhava como operário metalúrgico e fui preso dentro da fábrica. No primeiro momento, não falei nada. Levaram-me para o DOPS, o Departamento de Ordem e Política Social. Aí sim, choque elétrico em todas as partes do corpo, afogamento, sempre querendo informações. Houve um período de sete ou dez dias, não posso dizer com clareza, em que eles não sabiam quem eu era, não sabiam que eu era o Zequinha do Paraná. Eles acharam que eu era um operário mesmo, Isaías José de Souza. Acharam que eu poderia estar envolvido com uma ‘subversão’ e com questões do partido. Mas eu sempre negava, até que um dia, depois de sessões de tortura me levaram aonde estava um coronel do exército brasileiro, um torturador, e ele me mostrou uma foto, minha foto. Disse que estavam procurando por mim, que eu era o Zequinha. Eu neguei. Precisava de tempo para organizar meus pensamentos, saber o que estava acontecendo, se alguém sob tortura falou que era eu na foto. Eu precisava de um momento. Até que, depois de muita insistência e muita tortura, eu decidi me identificar. Disse que era José Ferreira Lopes, o Zequinha, líder da UPE, estou preso por vocês e pronto! Não tinha mais nada o que falar, era isso. Fui transportado para o Rio de Janeiro, submetido a mais torturas. Até que apareceu uma especial, chamada ‘cabine de som’. Eles torturavam, torturavam… Deixavam você bem mal por uma noite, e de manhã cedo te jogavam em uma cabine pequena. Lá tinha um som muito alto, ondas supersônicas e temperatura altíssima. Depois variavam a temperatura até abaixo de zero e tudo ficava em absoluto silêncio. Abriam a porta e diziam “fala, fala, fala”! Fiquei muito tempo assim. Eles viram, depois, que eu não queria falar nada, que eu estava tranqüilo, ou melhor, consciente de que não ia entregar ninguém, não ia comprometer a vida de mais pessoas.

Depois fui levado novamente a Belo Horizonte. Continuaram as torturas e começaram a simular fuzilamentos. Levavam-nos para uma área, pegavam a metralhadora e diziam “apontar… fogo”! Não saía a bala, mas você já ficava assustado. E continuava a passar por afogamentos… Todas essas barbaridades. Algum tempo depois me entregaram um papel e uma caneta. Era uma declaração política em que eu assumia que eu era contra a ditadura militar, que eu era a favor da democracia e da liberdade. Mas nunca assumi que era de um partido político – que era o exatamente o que queriam saber, para me comprometer. Nessa trajetória vi assassinatos de companheiros meus, como José Carlos da Mata Machado, que foi vice-presidente da UNE, assassinado no Recife além de outros estudantes, barbaramente assassinados e torturados.

Comunicação – Você mantinha contato com outros grandes líderes estudantis, como o Vladimir Palmeira, o José Dirceu, o José Arantes entre outros?

Dr.Zequinha – Tínhamos contato, mas não éramos tão próximos. Participávamos de alas diferentes. O contato mais estreito que eu possuía, no caso, era com o Luís Travassos, presidente da UNE em 67 ou 68. O José Carlos da Mata Machado, que eu já citei. Principalmente porque vivemos juntos em uma república durante oito meses, morando clandestinamente.

Comunicação – Qual era o cenário político do Paraná no início da ditadura?

Dr.Zequinha – Depois do golpe, em 65, já havia uma repressão muito grande aos movimentos mais organizados, como os camponeses, os operários. Muitos foram submetidos a torturas e exilados na Argentina, no Paraguai, sofreram muitas dificuldades. Quando cheguei ao Paraná, existia a ditadura militar, mas não havia chegado ao extremo. Tínhamos aqui o Ney Braga que era governador, mas era indicado. Em 68 havia o Paulo Pimentel, que também foi indicado, não havia eleições. Ainda que não houvesse democracia, liberdade maior e que a censura estivesse presente, era possível se manifestar. Havia os diretórios, as reuniões, que foram extintos com o Ato Institucional nº5. Foi então que a coisa complicou, não havia liberdade nenhuma. As organizações políticas foram todas extintas, mesmo assim, eu fiz parte da AP, a Ação Popular, no início de minha carreira política mas ninguém sabia.

Comunicação – Sobre a famosa ‘foto do estilingue’, você sabia que estava sendo fotografado? Era uma combinação?

Dr.Zequinha – Não sabia. O fotógrafo, o Edson Jansen, acabou ganhando o Prêmio Esso de Fotojornalismo com ela. Ele estava estrategicamente posicionado acima da estradinha em que ocorreu o fato e registrou toda a cena.

Comunicação – Você já conhecia o Edson?

Dr.Zequinha – Não. Fui conhecer o Edson depois que eu saí da clandestinidade, quando voltei para Curitiba em 1980 e reiniciei o curso de medicina.

Comunicação – A foto o tornou mais visado pela polícia?

Dr.Zequinha – Com certeza. Eles passaram a me considerar perigosíssimo’. Tudo isso foi registrado nos arquivos. No arquivo do DOPS estavam coisas que nem eu me lembrava que havia feito. Que eu fui em uma reunião em tal hora,que eu estive em Apucarana em tal lugar. Eu era acompanhado.

Comunicação – Qual era sua posição em relação à luta armada?

Dr.Zequinha – Na época eu não concordava. Mas você tem que estar junto ao povo para organizar as reações. Mas as reações são construídas pela vida. Não podíamos prever. Por exemplo, no momento mais crítico da ditadura, o governo Médici, com as torturas. Não podemos nem comparar com a Argentina, dizendo que a ditadura lá foi pior. Acho que as ditaduras brasileira e argentina têm suas pequenas diferenças, mas são muito semelhantes. Não tínhamos como fazer política, quando começávamos algum movimento íamos presos. Foi então, quando o PCdoB, que havia se unido à AP, começou a organizar uma luta do campo – a guerrilha do Araguaia. Mas era um momento extremo, não havia mais o que fazer. Não tivemos tempo de preparar o povo, conversar, ganhar a sua confiança. Foram fatores externos. É o próprio momento que define se uma luta vai ser armada ou não.

Comunicação – E qual era a relação entre a mídia e o movimento dos estudantes? A imprensa realmente apresentava sua posição contra a ditadura, como é divulgado?

Dr.Zequinha – A imprensa nunca apoiou o movimento dos estudantes de modo aberto, objetivo. Havia casos isolados de jornalistas, mas nada a ver com a imprensa de modo geral.

Comunicação – Você estava em Curitiba na redemocratização do país? Como foi a experiência de ver essa ‘revolução’?

Dr.Zequinha – Sim, estava em Curitiba. Foi um complemento, embora não total, de toda aquela luta que nós fizemos. O movimento estudantil de 68, apoiado pelas primeiras greves operárias, teve a repercussão. Desde o AI-5 estava se concretizando um pensamento que culminou nas Diretas Já. Então, para mim, foi muito legal. Estive falando em palanques no movimento… Valeu a pena tudo o que fizemos. Temos que ter orgulho. Não ser prepotentes, nada disso, mas saber que tudo culminou para exterminar a ditadura que se abateu sobre o país.

Comunicação – Recentemente a Superinteressante publicou um artigo dizendo que a visão que temos de 68 é muito romântica. Que na verdade, os movimentos eram feitos por ‘filhinhos de papai’, burgueses, que haviam enriquecido com a Segunda Guerra Mundial. Qual é sua opinião sobre isso?

Dr.Zequinha – É difícil negar os fatos da história. Naquela época, os cursos universitários tinham uma característica mais elitista. É difícil negar isso. Mas mesmo que fôssemos de classe média, havia toda uma questão nacional e internacional que exerceu influência sobre os estudantes. As ditaduras da América Latina, Allende, a Revolução Cubana. Havia mitos, como Che Guevara, Ho Chi Mihn. Tínhamos acesso a livros de Marx, Engels, Mao Tse-Tung. Foi essa juventude que fez a Passeata dos Cem Mil, que foi pra cima da ditadura quando assassinaram o Edson Luís, no Rio de Janeiro. A classe cultural, poetas, músicos, atores, intelectuais de forma geral foram às ruas protestar. Não eram todos ‘filhinhos de papai’. Um ou outro podia ter sido, mas e daí? É uma posição política. E o idealismo próprio de ser jovem? Uma afirmação como essa renega até esse idealismo, a forma de questionar sistemas, inerente à juventude. Vejo os jovens de hoje lutando pelo acesso mais democrático à universidade. Isso é ser ‘filhinho de papai’?

Comunicação – Qual a sua opinião a respeito da atuação política de pessoas que sofreram nas mãos do regime ditatorial? Presos, perseguidos, exilados, torturados, como a Dilma Rousseff, o José Dirceu e mesmo o presidente Lula?

Dr.Zequinha – Eu vejo de forma muito positiva a participação deles. Tentam manter a política progressista. Obviamente, alguns cometem erros. Podem cometer erros, mas que não reneguem o passado. Vejo isso em alguns políticos, como o senador pelo Amazonas, Arthur Virgílio Neto. Alguns tomaram um posicionamento claramente conservador.

Comunicação – E sobre o Daniel Cohn-Benedit? Ele era um grande líder estudantil e símbolo dos movimentos de 68. Hoje, trabalha no Parlamento Alemão.

Dr.Zequinha – Não sei qual é a função dele no Parlamento. Mas, com certeza, é importante lembrar o grande papel dele naquela época, no meio daquela revolução cultural toda, na reforma de ensino, nas várias discussões, inclusive sobre liberdade sexual. Tudo se concentrou naqueles anos.

Comunicação – Qual é sua relação com o governo atual do país, com a política do Lula?

Dr.Zequinha – Participei da frente Brasil Popular, fui coordenador da campanha do Lula no Paraná, em 1989. Percorremos o estado todo, fizemos três comícios grandes. Apóio o governo do Lula, acho que ele tem tomado decisões muito importantes para a mudança da situação do povo brasileiro. Mas, ao mesmo tempo, sou crítico. Faço crítica à política econômica, que julgo, ainda, conservadora. O próprio presidente não toma uma posição mais altiva. No entanto, é um governo eleito, democrático, progressista e popular, então apóio, com certeza.

Comunicação – E quais as suas impressões sobre o governo do Requião no Paraná?

Dr.Zequinha – Apóio o governo avançado e democrático do Requião. Ele é taxado de louco, de chato, mas o que a mídia faz com ele é algo muito violento, a mídia o provoca. Ele é, também, sangue-quente, todos sabem disso, mas tem feito políticas sociais muito boas no Paraná. É um estado que se tornou referência. Há avanços na área de educação, de saneamento básico que eu, como médico, julgo imprescindível, assim como a distribuição de energia elétrica. Assim como no governo Lula, há o apoio à pequena e média empresa. Eu, particularmente, tenho esse senso crítico em relação a tudo. Observo e, se julgo errado, critico. Mas tanto o governo do Lula quanto o do Requião, são, em geral, bons governos, necessários para esse país.

Comunicação – Há boatos de que a UNE, atualmente, é muito ligada ao governo federal, defendendo mais seus interesses do que os dos estudantes. Como você encara a atuação, tanto da UNE quanto da UPE, atualmente?

Dr.Zequinha – Eu acho que a UNE não segue o governo do Lula, ela sempre manteve sua independência e tem como característica pensar na luta geral do povo. Questões como ‘o petróleo é nosso’ e a luta das Diretas Já. Evidentemente, a UNE tem uma visão positiva do governo federal, mas continua fazendo críticas ao presidente. Há grupos que se dizem esquerdistas ao extremo, mas quando são comparados os discursos desses grupos, com os grupos de direita, conservadores, eles são muito parecidos. A própria Heloísa Helena, na segunda eleição do Lula, acabou tendo uma postura mais conservadora. O fio entre esquerda e direita é muito tênue. Mas a postura independente, que nos permite fazer críticas nas horas certas é essencial para que haja a organização e a mudança.

Comunicação – E como o PC do B se situa hoje na política?

Dr.Zequinha – O meu partido está no governo. Mas apresentamos propostas para mudanças. Criamos um bloco unindo PC do B, PRB, PSB e PDT, que se situa à esquerda e apresentamos várias propostas para o governo Lula. Cinco reformas estruturais fundamentais, entre elas a Reforma Agrária, Reforma Urbana e a Reforma da Educação. Visamos envolver a participação popular para mudar a estrutura do país e permitir essas melhoras.

Comunicação – Como é seu trabalho na Comissão Especial de Indenização a Ex-Presos Políticos, sendo representante dos ex-presos políticos?

Dr.Zequinha – É a segunda vez que atuo na Comissão. Somos muito criteriosos na hora de conceder as indenizações. Existe um decreto que estabelece normas e regras que devemos seguir. Só tem direito à indenização quem esteve preso no estado do Paraná, e tiver provas concretas dos eventuais maus-tratos. Quem esteve preso um pequeno número de dias deve receber indenização proporcional ao período. Há muitos parentes de camponeses que foram presos, já falecidos, que não apresentam provas necessárias. Então as pessoas saem chateadas, mas são as normas estipuladas pelo governo estadual. O governo tem a ação louvável de reconhecer o seu erro, oferecendo uma quantia justa às pessoas. Obviamente, é impossível pagar ou repor doze anos de clandestinidade. É preciso retomar a vida. Eu, casado, com dois filhos, voltei da clandestinidade e me tornei novamente estudante, para concluir o curso de medicina. Eu podia ter me formado médico e exercido a profissão há anos, nenhuma quantia paga tudo isso. O que importa é ser reconhecido. Fui perseguido. Fui torturado. Fui preso político.

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Reportagem LUCIANA GALASTRI
Edição VANESSA PRATEANO
EDISON JANSEN

Conheça o garoto que pode mudar a história do câncer

Antes de tornar realidade um teste mais sensível, rápido e barato para detectar o câncer de pâncreas, Jack Andraka foi rejeitado por 199 pesquisadores

São Paulo –  Jack Andraka – guarde esse nome – tem 15 anos. Em maio deste ano ele venceu a Feira Internacional de Ciência e Engenharia da Intel com um projeto que pode mudar a história do câncer de pâncreas : um teste para detectar a doença 68 vezes mais rápido, 400 vezes mais sensível e 26 mil vezes mais barato que o padrão usado hoje para detectar a doença, inventado nos anos 50.

Jack com o sensor de nanotubos: potencial revolução no diagnóstico do câncer de pâncreas | Foto: Reprodução Internet

Jack com o sensor de nanotubos: potencial revolução no diagnóstico do câncer de pâncreas | Foto: Reprodução Internet

A doença que vitimou um familiar de Jack e inspirou o jovem a pesquisar uma forma de detectá-la antes que ela se espalhe para o resto do corpo, tem um prognóstico sombrio: menos de 2% dos diagnosticados em estágio avançado sobrevivem.

“Eu pensei: se fosse possível diagnosticar essa doença em estágios bem iniciais, as chances de sobrevivência aumentariam muito”, conta ele.

Munido de vontade, curiosidade e uma bagagem científica incomum para garotos da idade dele, Jack se embrenhou no tema e bolou o teste unindo conceitos estudados nas aulas de Biologia com o que havia lido em um artigo sobre nanotubos – estruturas milhares de vezes menores do que a espessura de um fio de cabelo.

“Eles têm propriedades incríveis, são como super-heróis da Ciência.”

Como ele conseguiu fazer isso? Filho mais novo de uma médica e um engenheiro civil, ele foi estimulado desde cedo a encontrar por si as respostas para as dúvidas que tinha sobre as coisas. Além de inteligente e esforçado, claro, Jack foi perseverante. Decidido a concretizar a ideia do teste, ele escreveu para nada menos que 200 pesquisadores norte-americanos apresentando o projeto de pesquisa e pedindo espaço em laboratório para trabalhar nele. Apenas um respondeu que sim. Ainda bem.

Jack conversou por telefone, do laboratório que aceitou abrigá-lo e incentivá-lo. Hoje, ele estuda meios de viabilizar comercialmente o teste. Jack Andraka – guarde esse nome – tem 15 anos. Veja a seguir a entrevista.

Quando você começou a se interessar por ciências?
Eu tinha uns três anos quando meu pai comprou para mim e para o meu irmão [ dois anos mais velho ] uma maquete de plástico de um rio, com água e tudo. Nós ficamos brincando com aquilo o dia inteiro, observando a corrente e colocando os mais diferentes objetos nela, para ver o que afundava, o que seguia o curso da água e o que mudava a corrente. A gente queria respostas. Queria entender como aquilo acontecia. Acho que o interesse despertou a partir daí.

Quanto tempo depois disso você começou a participar de competições de ciências?
A primeira competição foi na 6ª série, com 12 anos. Eu adaptei um dispositivo de segurança para evitar que o fluxo de água nas quedas d’água de pequenas represas cause afogamentos.

Você venceu?
Eu tinha 10 anos e como estava na 6ª série, não podia participar do prêmio da Intel, porque aqui nos EUA ele é apenas para estudantes de ensino médio. Mas tirei segundo lugar na versão internacional do mesmo prêmio com esse projeto.

Como você teve a ideia do projeto vencedor do prêmio internacional deste ano?
Eu escolhi um tema que me interessava na época. O câncer de pâncreas teve um impacto importante na minha família, nós perdemos um parente com a doença. Aí fui pesquisar sobre ela e descobri que 85% dos casos são diagnosticados em estágios avançados, quando o câncer já está espalhado pelo corpo e os pacientes em geral têm menos de 2% de chances de sobrevivência. Eu pensei: se fosse possível diagnosticar essa doença em estágios bem iniciais, as chances de sobrevivência aumentariam muito.

E você simplesmente decidiu fazer isso?
Bem, eu fui atrás de todas as formas conhecidas de diagnóstico desse tipo de câncer e descobri uma proteína chamada mesotelina, que está presente no câncer de pâncreas, assim como nos de ovário e pulmão. A ideia veio mesmo numa aula de biologia. Estávamos aprendendo sobre anticorpos, essas estruturas produzidas pelo sistema imunológico. No câncer que eu estava estudando, os anticorpos se ligavam apenas à mesotelina. Na mesma época, li um artigo muito legal sobre nanotubos de carbono. Você sabia que essas estruturas têm o diâmetro 150 mil vezes menor do que o de um fio do seu cabelo?

Nossa, não tinha ideia de que eram tão pequenas…
Sim, os nanotubos têm propriedades incríveis, são como super-heróis da Ciência. Ok, o que fiz foi meio que conectar essas duas ideias. Eu inventei um sensor de nanotubos de carbono e anticorpos capaz de identificar a presença da mesotelina e dizer, baseado no quanto dessa proteína se liga aos anticorpos, se a pessoa tem câncer de pâncreas.

Quanto tempo você levou para concretizar a ideia?
Foram ao todo 7 meses de muito trabalho.

Onde você trabalhou? Em casa? No laboratório da escola?
Não, eu contatei 200 pesquisadores na Universidade Johns Hopkins e nos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos pedindo espaço em laboratório e apoio para desenvolver a minha pesquisa. Apenas um me disse sim [ Anirban Maitra, professor de Patologia, Oncologia e Engenharia Química e Biomolecular da Escola de Medicina da Johns Hopkins ]. Uns me responderam que não tinham espaço, outros que não tinham o equipamento, outros simplesmente não responderam. Quando finalmente fui aceito, cumpri um rigoroso processo para me transformar em um pesquisador e iniciei o trabalho.

Durante a pesquisa, como ficou a escola? Você conseguia dar conta de tudo?
Normalmente eu consigo fazer todas as coisas da escola durante o período das aulas. Enquanto desenvolvia o projeto, eu ficava até tarde da noite no laboratório fazendo e refazendo os testes, então aproveitava o tempo entre eles para completar o dever de casa.

Os seus pais não reclamavam de você ficar até tarde da noite trabalhando?
Meus pais não reclamavam, pelo contrário. Eles sempre valorizaram o trabalho e o esforço. Acho que só consegui chegar até aqui porque como pais eles me ajudaram e me incentivaram.

Com todas essas atividades, você consegue passar algum tempo com os amigos e a família? Aliás, você tem namorada?
Não tenho namorada. Mas eu gosto de socializar sim. Este ano, com todo o trabalho no projeto, a minha vida social ficou um pouco comprometida, mas os meus amigos me apoiam e entendem isso. E continuam meus amigos.

Depois da vitória no prêmio da Intel você foi contatado por algum interessado em produzir e vender o seu teste?
Sim, já fui contatado por sete empresas de biotecnologia interessadas em produzir o teste. Estou aguardando a conclusão do processo de patente, ainda não decidi que direção quero tomar.

Além do câncer, quais outras áreas você ainda gostaria de pesquisar?
Eu definitivamente gosto de Biologia, mas também tenho interesses em Física e Química. Então venho tentando combinar essas três coisas nos meus próximos projetos.

Já pensou sobre a faculdade? O que pretende cursar e onde deseja estudar?
Hum…não tenho a mínima ideia de onde ou o que vou estudar. Há tantas opções hoje em dia e tanta gente com diploma. Não sei se quero seguir esse caminho.

O seu histórico e a sua mais recente invenção geraram uma grande expectativa em torno da sua performance no concurso do próximo ano. Como você lida com isso?
Acho que será um novo desafio. Quero participar do concurso do ano que vem e pretendo me divertir com isso. Só quero seguir pesquisando.

 Leoleli Camargo do iG

Dilma é a 3ª mais poderosa em ranking da revista Forbes / reuters.eua

Presidente é capa da edição de publicação e é mencionada em lista pela segunda vez consecutiva; chanceler alemã, Angela Merkel ficou em primeiro

22 de agosto de 2012 | 12h 03
Reuters

A revista Forbes colocou a presidente Dilma Rousseff em 3º lugar, pelo segundo ano consecutivo, em seu ranking anual das mulheres mais poderosa do mundo, que tem novamente a chanceler alemã, Angela Merkel, na liderança da lista dominada por políticas, empresárias e personalidades da mídia. A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, ficou em 2º lugar, numa repetição das três primeiras colocadas do ano passado. A presidente ainda estampou a capa da publicação.

Veja também:
link O ranking completo da Forbes

 

A lista elencou mulheres envolvidas na política, entretenimento, tecnologia e organizações sem fins lucrativos, entre outros campos. Elas foram classificadas de acordo com influência, quantidade de dinheiro que controla ou ganha, e presença na mídia.

“Essas mulheres de poder exercem influência de formas muito diferentes e para fins muito diferentes, e todas com impactos muito diferentes sobre a comunidade global”, disse a presidente e editora da ForbesWoman, Moira Forbes.

A revista mencionou Dilma por sua liderança à frente do governo brasileiro e pelos índices de aprovação dentro do País.

A chanceler alemã (primeira-ministra) Merkel foi citada pela Forbes por sua firmeza em preservar a União Europeia e sua influência sobre a crise da dívida da zona do euro.

Hillary foi aplaudida pela forma como lidou com crises, como a divulgação de uma série de telegramas diplomáticos secretos dos Estados Unido pelo site WikiLeaks.

A média de idade das 100 mulheres mais poderosas do mundo segundo a revista, que são de 28 países, foi de 55 anos. Somadas, elas tinham 90 milhões de seguidores no Twitter, disse a Forbes.

Também estão entre os cinco primeiros lugares Melinda Gates, co-presidente da Fundação Bill & Melinda Gates e esposa de Bill Gates, cofundador da Microsoft, e Jill Abramson, editora-executiva do New York Times.

Sonia Gandhi, presidente do Congresso Nacional Indiano, ficou em 6o lugar. A primeira-dama dos EUA, Michelle Obama, que liderou a lista em 2010, ficou em 7º.

A lista contou com recém-chegadas como a atriz e cantora Jennifer Lopez e Laurene Powell Jobs, viúva do fundador da Apple, Steve Jobs.

Christine Lagarde, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, ficou em 8º. A ex-ministra francesa está na lista desde sua primeira edição, em 2004.

A DITADURA CONDENADA: Condenação de USTRA abre portas para novas ações – por pedro estevam serrano / são paulo.sp

A ditadura condenada

A 1ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo acaba de decidir por unanimidade negar provimento ao recurso interposto pelo Coronel Carlos Brilhante Ustra contra decisão de primeiro grau que o condenou em ação declaratória como responsável por crimes de tortura durante o regime militar, no período em que foi um dos comandantes do DOI-CODI.

O coronel reformado Carlos Alberto Ustra, ex-comandante do Doi-Codi de SP. Foto: Sergio Dutti/AE

A ação foi promovida pela família Teles, que teve cinco de seus integrantes torturados nas dependências do Doi-Codi sob o comando de Ustra

A decisão é relevantíssima: pela primeira vez o Tribunal paulista reconhece que um agente público específico praticou crimes de tortura no exercício de função publica contra presos políticos na época da ditadura militar.

O caso oferece ao processo judicial e à inquirição judicial seu papel essencial de forma civilizada de acesso a verdade.

A repercussão da decisão no plano histórico e sociopolítico vai muito além da justa pretensão de reconhecimento judicial da ofensa pela família autora.

Leia também:
TJ-SP reconhece Ustra como torturador

Nosso STF teve o pior momento de sua historia recente, após muitas decisões acertadas , quando julgou intangíveis os torturadores e homicidas do regime militar por conta da incidência da Lei de Anistia, contrariando o sentido da própria lei e o disposto em nossa Constituição e em Tratados Internacionais subscritos pelo Brasil.

Das ditaduras sul-americanas das décadas 60 e 70, a brasileira é a única que permanece incólume à ação da Justiça.

As consequência desta impunidade e deste forçado esquecimento, sem identificação das pessoas, dos algozes e dos corpos das vítimas, poderá ser o retorno, no futuro, de um regime político com práticas semelhantes.

Em verdade, tortura e vilipendio ainda é a regra real de conduta do Estado face à maioria pobre de nossa população. O STF tem feito esforços no sentido de ampliar o reconhecimento dos direitos fundamentais de nossa Carta Magna, mas quase nada os Poderes estatais têm feito para efetivamente universalizar estes direitos reconhecidos.

Enquanto criminosos do colarinho branco são presos sem algemas e discretamente (da forma correta e civilizada), suspeitos pobres são seviciados e expostos a público em programas televisivos estimuladores do ódio étnico e de classe.

Neste quadro, a vitória da família Teles – mais do que declarar judicialmente a violência que sofreram – abre portas para que medidas cíveis individuais e de defesa do interesse coletivo possam ser propostas, e com isso, obter ao menos a identificação dos que torturaram e mataram e, quem sabe, auxiliar na localização dos corpos de suas vítimas.

A verdade quanto a nosso passado pode auxiliar para que a ditadura não volte no futuro, e para que os direitos humanos fundamentais, no presente, passem a ser uma realidade para todo o nosso povo.

Dossiê revela participação civil no golpe militar de 64

12/8/2012 10:04,   – de São Paulo

A edição deste mês da revista de História da Biblioteca Nacional traz um especial discutindo a participação civil no golpe contra o presidente eleito João Goulart, em abril de 1964. A publicação reconstrói a memória do período demonstrando como setores da classe média, religiosos, políticos, setores da imprensa, empresariado e militares se uniram em uma ampla campanha para derrubar o governo de Jango, sobretudo em reação contra as reformas de base e à participação das classes populares na política.

Ditadura militar

Ex-presidente de fato, Castelo Branco, sendo recebido no RJ por oficiais após assinar o AI 2, em 1965

O dossiê trata de temas voltados à compreensão da articulação do golpe e de seus momentos iniciais. Não são objeto de discussão as questões relativas a cassações de direitos políticos ou violações de direitos humanos durante o regime. Uma das questões discutidas é a definição de “ditadura militar” para o período, ocultando o registro histórico da participação de empresários, religiosos e imprensa, entre outros setores civis, que atuaram como financiadores, apoiadores ou que foram beneficiários do regime.

A publicação defende o uso da definição “ditadura civil-militar” como forma mais apropriada de denominar o regime. Embora não traga fatos novos, o dossiê tem importância no momento em que se discute a memória recente do país, através da atuação da Comissão Nacional da Verdade.

De acordo com Vivi Fernandes de Lima, editora da revista, o momento é oportuno para a publicação, que contribuirá para o acesso a essa história por diversas pessoas. “Este tema é pedido pelos leitores há anos e acredito que a revista deve contribuir bastante não apenas para a formação de historiadores, mas principalmente para a de estudantes da educação básica”, disse.

A revista trata dos temas de forma pouco comum à cobertura da imprensa tradicional e mostra como essa mesma imprensa atuou ativamente na articulação do golpe e na desestabilização do governo Goulart. E demonstra a participação dos dois principais jornais paulistanos, Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo, na campanha para derrubada do presidente João Goulart e de legitimação do regime autoritário que se instalou depois, através de sua manchetes e editoriais.

Dentre os temas tratados estão o início do levante militar em Minas Gerais, a negativa de Goulart em atacar os golpistas, a atuação de políticos e ministros na organização do golpe, o apoio de setores da sociedade — como o de parte da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil através das Marchas da Família com Deus pela Liberdade — e a importância de tratar do tema de forma clara nas escolas de educação básica, por meio dos livros didáticos e outras publicações.

Entre os especialistas que contribuíram na produção estão o professor de história contemporânea da Universidade Federal Fluminense Daniel Aarão Reis, o pesquisador Luiz Antonio Dias, o professor Mateus Henrique de Faria Pereira e o professor Jorge Ferreira, biógrafo de João Goulart.

 

Por Redação, com Rede BA

CLARICE LISPECTOR, sua história é marcada por sofrimento e estupro da mãe

Família da escritora veio ao Brasil para fugir da miséria na Ucrânia

História de Clarice Lispector é marcada por sofrimento e estupro da mãe Ver Descrição/Ver Descrição

Autora morreu de câncer aos 57 anosFoto: Ver Descrição / Ver Descrição
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Clarice, os pais e as duas irmãs, judeus, vieram ao Brasil escapando da miséria e de um pogrom na Ucrânia. Sua mãe havia sido estuprada pelos russos. Seu avô, assassinado. Os Lispector moraram primeiro em Maceió, a partir de 1922. Depois, Recife e Rio de Janeiro.

A escrita começou cedo: “Antes dos sete anos eu já fabulava, inventei uma história que não acabava nunca”, disse uma vez a autora, que depois cursou Direito e passou 15 anos no exterior como mulher de um diplomata. Quando separou do marido, trouxe os dois filhos para o Rio. Sobreviveu escrevendo para jornais. Assinou colunas femininas, recentemente compiladas nos livros Minhas Queridas e Clarice só para Mulheres. Inspirada por um dos filhos, começou a escrever livros infantis. Paralelamente, publicava coletâneas de contos como Laços de Família (1960) e romances como A Paixão Segundo G.H. (1964) e Água Viva (1973). Sempre escrevendo “com amor e atenção e ternura e dor e pesquisa”.

Dependente de soníferos e antidepressivos, Clarice tinha longo histórico psiquiátrico. Aos 45 anos, escapou de um incêndio no seu apartamento. Aos 57, morreu de câncer.

“Meus livros felizmente não são superlotados de fatos, e sim da repercussão dos fatos no indivíduo”, afirmou a escritora, que em muitas ocasiões mostrou seu desprezo por acontecimentos. “Sou uma pessoa que pretendeu pôr em palavras um mundo ininteligível e um mundo impalpável”. Sobretudo uma pessoa cujo coração bate de alegria levíssima quando consegue em uma frase dizer alguma coisa sobre a vida humana ou animal”.

Não à toa, Clarice Lispector ganhou fama de ser enigmática, o que ela mesmo reforçou. Relembrando uma passagem pelos desertos egípcios, a escritora disse ter olhado fixo para ninguém menos que a esfinge: “Eu não decifrei ela”, disse Clarice, mas com um acréscimo: “Tampouco ela me decifrou”.

g1.

Gilmar Mendes: o óbito da probidade?

Gilmar Mendes está cercado de fatos graves, como a lista em que aparece um valor de R$185 mil do Valerioduto, mas a imprensa, exceto Carta Capital, e a oposição não dão um pio sobre o desastrado e probo(?) ministro do STF

Gilmar Mendes, o mais controverso e combatido ministro do Supremo Tribunal Federal, a mais alta corte da justiça brasileira segue enrolado, mais uma vez, em sérias denúncias.
Desta vez surge em uma lista em que, como apontam os indícios, teria recebido R$ 185 mil do esquema do mensalão tucano, desembolsado pelo publicitário Marcos Valério, para o caixa dois da campanha ao governo de Minas Gerais de Eduardo Azeredo em 1998.

O ministro indicado pelo ex-presidente FHC perde, a cada novo fato que se apresenta contra sua pessoa, as condições morais exigidas para desempenhar tão delicada função na república.

Já bastaria toda a desastrosa narrativa em que denunciou Lula por pressioná-lo a não julgar o mensalão este ano, ato desmentido por Lula e por Nelson Jobim, também presente no encontro, para removê-lo do STF.
O ministro acusou mas não provou, jogou todas as suas fichas em sua imagem de homem público e probo, para convencer a opinião pública de que falava a verdade.  Fracassou.

Aliás o histórico de Mendes não é dos melhores, segundo juristas importantes, o douto ministro desmoraliza e descredencia o STF como lugar de justiça e guardiã dos pilares da democracia.
Como chegou a afirmar o jurista Dalmo Dallari, ao advertir que, se Mendes chegasse ao Supremo, estariam “correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional”. Dallari tem tido toda a razão.

Seu envolvimento suspeito com Demóstenes Torres, após viagem patrocinada por Carlinhos Cachoeira no jatinho do contraventor, trazendo-os de Berlim para o Brasil, já seria mais um episódio capaz de marcá-lo por grandes dúvidas advindas de tal passeio, cercado por tal companhia e patrocínio.

Os dois habeas corpus concedidos ao banqueiro Daniel Dantas em apenas 48 horas, enquanto Mendes era presidente do Supremo, já seriam suficientes para escandalizar o magistrado e toda a sociedade brasileira.

Mas tais arroubos passaram discretamente pelos holofotes da imprensa e não foram motivos de moções de desagravo da oposição, nem mesmo daquela se coloca mais a esquerda.

Mendes segue colecionando escândalos e sendo protegido dos feitos duvidosos que protagoniza.

O personagem deste mal acabado enredo, não custa nada lembrar, no caso do Mensalão tucano, votou convicto pela rejeição da denúncia contra o senador tucano de Minas Gerais, Eduardo Azeredo.
Na edição de Carta Capital desta semana, é publicada uma lista inédita de beneficiários do caixa 2 da campanha à reeleição do senador mineiro, então candidato a governador em 1998.
A suspeição se materializa pela aparição do nome de Mendes nesta lista e ao lado o registro do valor de 185 mil reais.
O esquema foi operado pelo publicitário Marcos Valério de Souza, que assina a lista registrada em cartório.
Coincidência?

[clique na imagem para ampliar]
Segundo a Carta Capital “a documentação foi entregue à Polícia Federal pelo advogado Dino Miraglia Filho, de Belo Horizonte. Ele defende a família da modelo Cristiana Aparecida Ferreira, assassinada em 2000. Segundo Miraglia, a morte foi “queima de arquivo”.
O que está exposto nas bancas de todo o Brasil sobre Mendes lançam sobre ele, novos indícios graves de mais uma trama de sua conduta pouco ortodoxa para o desempenho de cargo tão importante.
A lisura de processos de grande relevância pode ficar comprometida pela simples presença de Mendes no plenário como julgador.
Apesar de todo o socorro que recebe de parte considerável da imprensa e do silêncio constrangedor por parte de partidos da oposição, principalmente do PSDB e do DEM, o ministro parece enfrentar, no mínimo, questões éticas sobre conflitos de interesses em pelo menos dois importantes processos: o mensalão de 2005 e o mensalão tucano, em que surge como beneficiário deste esquema milionário.
Tão lastimáveis evidências de mal feito de um ministro do STF ferem com gravidade a sua pretensão de probidade, além de aleijar severamente sua capacidade de julgar com a imparcialidade obrigatória de um magistrado exemplar em matérias de grandes destaques para a nação.
O ataque preventivo
A intriga que montou, em conluio com a velha imprensa, para imputar uma suspeição a Lula, em uma suposta pressão do ex-presidente para não fosse julgado o caso do mensalão em 2012, parece se encaixar, perfeitamente, em um ataque preventivo para desqualificar as provas que ora eclodem contra si.
Desta maneira, Mendes poderia se queixar de ataque leviano contra a sua honestidade e decoro.
Poderia fazer uso de um discurso de personagem perseguido por denunciar fatos de tamanha gravidade, sofredor de uma obra vingativa por sua “atuação republicana”.
Acontece é que Gilmar Mendes, encontra-se em avançado processo de óbito de sua probidade.
Poderá a mais alta corte do país ter que arcar por tão caro prejuízo de suas aspirações de justiça plena e cidadã.
PD.

Fotógrafo acompanha expedição e capta imagens raras de vulcão ativo

Pesquisadores tiveram que usar trajes especiais para coletar amostras de lavas sob calor extremo.

Da BBC

 O fotógrafo Carsten Peter enfrentou temperaturas extremas para colher imagens raras de vulcões em atividade.

Peter acompanhou uma expedição ao vulcão Nyiragongo, no parque nacional de Virungo, na África central, onde pesquisadores coletaram amostras de lava.

A missão coletou amostras da lava do vulcão para entender as atividades geológicas do planeta (Foto: Carsten Peter/Nat Geo Stock/Caters)
A missão coletou amostras da lava do vulcão para entender as atividades geológicas do planeta (Foto: Carsten Peter/Nat Geo Stock/Caters)

As temperaturas dentro do vulcão chegam a 1.100 °C. Pesquisadores são obrigados a vestir trajes especiais para protegê-los do calor.

Os perigos não se resumiam às altas temperaturas. Em vulcões ativos, toda a superfície fica instável e não se pode confiar nem mesmo onde se pisa.

A equipe tinha que ficar atenta às direções do vento para evitar a nuvem de gases tóxicos, criada pela erupção (Foto: Carsten Peter/Nat Geo Stock/Caters)A equipe tinha que ficar atenta às direções do vento para evitar a nuvem de gases tóxicos, criada pela erupção (Foto: Carsten Peter/Nat Geo Stock/Caters)

Com planejamento, é possível minimizar os riscos, mas mesmo especialistas em vulcões já morreram em expedições.

Peter, que contribui para a revista National Geographic, se especializou em fotografar locais em situações naturais extremas. Ele mergulhou em geleiras no Mont Blanc, atravessou o deserto do Sahara de camelo e visitou várias cavernas profundas.

Vulcões são imprevisíveis. As erupções criam instabilidades em toda a região, que podem resultar em deslizamentos de rochas (Foto: Carsten Peter/Nat Geo Stock/Caters)Vulcões são imprevisíveis. As erupções criam instabilidades em toda a região, que podem resultar em deslizamentos de rochas (Foto: Carsten Peter/Nat Geo Stock/Caters)
O fotógrafo acompanhou uma missão de pesquisadores ao vulcão Nyiragongo, no parque nacional de Virungo, na África central (Foto: Carsten Peter/Nat Geo Stock/Caters)O fotógrafo acompanhou uma missão de pesquisadores ao vulcão Nyiragongo, no parque nacional de Virungo, na África central (Foto: Carsten Peter/Nat Geo Stock/Caters)
Carsten Peter está acostumado a situações extremas. Ele acompanhou vulcões ativos de perto (Foto: Carsten Peter/Nat Geo Stock/Caters)Carsten Peter está acostumado a situações extremas. Ele acompanhou vulcões ativos de perto (Foto: Carsten Peter/Nat Geo Stock/Caters)

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FHC vai aos EUA falar mal do Brasil, receber US$ 1 milhão e defender um golpe – por altamiro borges / são paulo.sp

 

As declarações de FHC nos Estados Unidos agradaram os ‘paladinos da democracia estadunidense’ e os golpistas do Paraguai

FHC recebe prêmio Kluge

FHC recebe prêmio Kluge. Imagem: Reprodução

 

No covil do império, bem ao seu gosto, o ex-presidente FHC atacou ontem o ingresso da Venezuela no Mercosul, argumentou que não houve golpe no Paraguai e criticou a exclusão dos golpistas do bloco de integração sul-americana. Fernando Henrique Cardoso foi a Washington receber o Prêmio Kluge de US$ 1 milhão da Biblioteca do Congresso dos EUA em “reconhecimento à sua obra acadêmica”.

Em entrevista coletiva, FHC afirmou que “não houve arranhão à Constituição paraguaia” no impeachment sumário de Fernando Lugo e que a deposição seguiu as normas democráticas. “Você pode discutir se houve ampla liberdade de defesa. Quem discute isso? As cortes paraguaias. O limite entre você manter a regra do jogo e a ingerência é delicado”.

O ex-presidente tucano ainda afirmou que a política da Dilma de proteger a indústria nacional é um “protecionismo” absurdo, esquecendo que em seu governo a indústria foi praticamente destruída pelo câmbio falso.

Brasileiros têm quarta maior fortuna do mundo (fruto do roubo) em paraísos fiscais

Relatório destaca o impacto sobre as economias dos 139 países mais desenvolvidos da movimentação de dinheiro enviado a paraísos fiscais

Um estudo inédito, que, pela primeira vez, chegou a valores depositados nas chamadas contas offshore sobre as quais as autoridades tributárias dos países não têm como cobrar impostos, mostra que os super-ricos brasileiros somaram até 2010 cerca de US$ 520 bilhões (ou mais de R$ 1 trilhão) em paraísos fiscais. Trata-se da quarta maior quantia do mundo depositada nesta modalidade de conta bancária.

O documento The Price of Offshore Revisited, escrito por James Henry, ex-economista-chefe da consultoria McKinsey, e encomendado pela Tax Justice Network, cruzou dados do Banco de Compensações Internacionais, do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial e de governos nacionais para chegar a valores considerados pelo autor.

O relatório destaca o impacto sobre as economias dos 139 países mais desenvolvidos da movimentação de dinheiro enviado a paraísos fiscais. Henry estima que, desde os anos 1970 até 2010, os cidadãos mais ricos desses 139 países aumentaram de US$ $ 7,3 trilhões para US$ 9,3 trilhões a “riqueza offshore não registrada” para fins de tributação.

A riqueza privada offshore representa “um enorme buraco negro na economia mundial”, disse o autor do estudo. Na América Latina, chama a atenção o fato de, além do Brasil, países como o México, a Argentina e a Venezuela aparecerem entre os 20 que mais enviaram recusos a paraísos fiscais.

John Christensen, diretor da Tax Justice Network, organização que combate os paraísos fiscais e que encomendou o estudo, afirmou BBC Brasil que países exportadores de riquezas minerais seguem um padrão. Segundo ele, elites locais vêm sendo abordadas há décadas por bancos, principalmente norte-americanos, para enviarem seus recursos ao exterior.

— Instituições como Bank of America, Goldman Sachs, JP Morgan e Citibank vêm oferecendo este serviço. Como o governo americano não compartilha informações tributárias, fica muito difícil para estes países chegar aos donos destas contas e taxar os recuros— afirma.

Segundo o diretor da Tax Justice Network, além dos acionistas de empresas dos setores exportadores de minerais (mineração e petróleo), os segmentos farmacêutico, de comunicações e de transportes estão entre os que mais remetem recursos para paraísos fiscais.

— As elites fazem muito barulho sobre os impostos cobrados delas, mas não gostam de pagar impostos — observa Christensen.

— No caso do Brasil, quando vejo os ricos brasileiros reclamando de impostos, só posso crer que estejam blefando. Porque eles remetem dinheiro para paraísos fiscais há muito tempo — acrescentou.

Chistensen diz ainda que no caso do México, da Venezuela e da Argentina, tratados bilaterais como o Nafta (tratado de livre comércio EUA-México) e a ação dos bancos americanos fizeram os valores escondidos no exterior subirem vertiginosamente desde os anos 70, embora “este seja um fenômeno de mais de meio século”. O diretor da Tax Justice Network destaca que há enormes recursos de países africanos em contasoffshore.

AGÊNCIA BRASIL

Morna, 10ª Flip esquenta no último dia com humor e poesia / paraty.rj

FlipFoi como uma virada no finalzinho do segundo tempo de uma partida de futebol.
Mesas emocionadas do dia final conquistam o público

Aberta na última quarta-feira à noite em Paraty, até ontem a Flip vinha perdendo para a apatia e a mornidão.

Mas o último dia da festa literária, que costuma ser o mais monótono, reuniu dois dos debates mais divertidos e espirituosos da décima edição: o de Fabrício Carpinejar e Jackie Kay e o de Gary Shteyngart e Hanif Kureishi.

Houve também um momento de comoção da plateia, após o poeta Carlito Azevedo ler um poema inédito que fez para Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), o homenageado da festa.

Na verdade, a virada havia começado a se desenhar na noite do sábado, quando os cartunistas Angeli e Laerte divertiram o público presente à Tenda dos Autores com sua sintonia escrachada.

Não que até ali não tivesse havido graça.

Zanone Fraissat/Folhapress
Da esq. p/ dir., o libanês Amin Maalouf, o haitiano Dany Laferrière, a portuguesa Dulce Maria Cardoso, o catalão Enrique Vila-Matas, a cubana Zoé Valdés, o inglês Ian McEwan, o espanhol Javier Cercas, o colombiano Juan Gabriel Vásquez, o brasileiro Luis Fernando Verissimo e a fundadora da Flio, a editora britânica Liz Calder, na mesa "Livro de Cabeceira"
O libanês Amin Maalouf (esq.), o haitiano Dany Laferrière, a portuguesa Dulce Maria Cardoso, o catalão Enrique Vila-Matas, a cubana Zoé Valdés, o inglês Ian McEwan, o espanhol Javier Cercas, o colombiano Juan Gabriel Vásquez, o brasileiro Luis Fernando Verissimo e a fundadora da Flip, a britânica Liz Calder, na mesa “Livro de Cabeceira”

A conferência de Antonio Cicero sobre Drummond na abertura, o debate sobre a morte por Altair Martins, André de Leones e Carlos de Brito e Mello, a mesa sobre Shakespeare com Stephen Greenblatt e James Shapiro e a troca intelectual entre Adonis e Amin Maalouf foram alguns bons momentos.

Mas não houve um nome consagrado pelo público (como Valter Hugo Mãe em 2011 ou Ferreira Gullar e Isabel Allende em 2010) nem confrontos acirrados de ideias, outra marca da festa –no ano passado, o curador criticou um convidado (Claude Lanzmann), que atacara um mediador; em 2010, convidados criticaram o homenageado Gilberto Freyre, e outros, o então presidente Lula.

Ao contrário, a ideia de juntar em várias mesas convidados com afinidade eletivas revelou-se infeliz, com poucos atritos e debates que pareciam papo de comadres.

Mais que isso, as atrações mais esperadas protagonizaram encontros chochos.

Foi assim com o americano Jonathan Franzen, numa mesa em que alternou momentos de leseira e simpatia.

Ou no debate entre Ian McEwan e Jennifer Egan, que se salvou graças a tiradas espirituosas dele, mas ainda assim não passou de mediano.

Para ajudar a transformar o último dia num domingo gordo, a mesa “Livro de Cabeceira”, evento de encerramento em que os convidados leem trechos de seus títulos prediletos (e que normalmente é esvaziado), reuniu neste ano algumas das principais atrações da Flip, como Enrique Vila-Matas, Ian McEwan, Luis Fernando Verissimo e Javier Cercas.

GRACILIANO

Embora a organização da Flip não tenha confirmado, é provável que o autor homenageado da edição de 2013 seja o romancista alagoano Graciliano Ramos (1892-1953).

A informação oficial deve ser anunciada em 45 dias.

O jornalista Miguel Conde será mantido na função de curador para o ano que vem.

De acordo com os organizadores do evento, a edição encerrada ontem levou 25 mil pessoas às ruas da cidade de Paraty durante os cinco dias de festa e teve recorde de participação de público, com 45 mil acessos aos 135 eventos disponíveis.

FABIO VICTOR
MARCO AURÉLIO CANÔNICO
MARCO RODRIGO ALMEIDA
RAQUEL COZER
RODRIGO LEVINO
ENVIADOS ESPECIAIS A PARATY (RJ)

Editoria de Arte/Folhapress

Ex-ditador argentino, Jorge Videla, é condenado a 50 anos de prisão por sequestro de bebês / buenos aires.ar

Atualizado em 05/07/2012 20h02

Jorge Videla era acusado de plano executado durante governo militar.
Julgamento começou com denúncia de Avós da Praça de Maio.

Do G1, com agências internacionais

Jorge Rafael Videla ouve seu veredicto em corte de Buenos Aires nesta quinta-feira (5) (Foto: Natacha Pisarenko/AP)
Jorge Rafael Videla ouve seu veredicto em corte de
Buenos Aires nesta quinta-feira (5) (Foto: Natacha
Pisarenko/AP)

A justiça argentina condenou nesta quinta-feira (5) o ex-ditador Jorge Rafael Videla a 50 anos de prisão pelo rapto de bebês como parte de um plano sistemático executado durante o último governo militar na Argentina(1976-1983).

No mesmo julgamento, o ex-ditador Reynaldo Bignone foi sentenciado a 15 anos, anunciou o tribunal. “Condenado o ex-general Jorge Videla a 50 anos de reclusão (…) e o ex-general Reynaldo Bignone a 15 anos”, leu a presidente do tribunal, María Roqueta.

Considerado um processo “emblemático”, o julgamento começou por uma denúncia das Avós de Praça de Maio por “subtração, retenção, ocultação e substituição de identidade de menores de dez anos” e abrange cerca de 30 casos.

Centenas de familiares das vítimas, netos recuperados pelas Avós e ativistas dos direitos humanos comemoraram o veredicto com gritos e cantos diante de um telão instalado na entrada dos tribunais.

Pela aplicação do sistema de apropriação e mudança de identidade de menores foram lançadas outras sentenças a diferentes penas de prisão, entre 40 e 15 anos, contra outras autoridades da ditadura (1976-1983), entre elas um médico militar que atuava com obstetra nas maternidades clandestinas do regime.

Videla, de 86 anos, acaba de confessar em um livro que “de 7 a 8 mil pessoas devem ter morrido” na repressão a opositores e está cumprindo duas penas de prisão perpétua em cela comum por crimes contra a humanidade, que fizeram o Tribunal decidir nesta quinta-feira pela unificação das penas para manter a prisão perpétua.

Contra Bignone, de 84 anos, também pesa uma condenação à prisão perpétua e outra pena de 25 anos de detenção em outros dois julgamentos, por graves violações dos direitos humanos.

Os ex-ditadores Jorge Rafael Videla (esq) e Reynaldo Bignone ouvem sentença em tribunal argentino, nesta quinta (5) (Foto: Natacha Pisarenko / AP)
Os ex-ditadores Jorge Rafael Videla (esq) e Reynaldo Bignone ouvem sentença em tribunal argentino, nesta quinta (5) (Foto: Natacha Pisarenko / AP)

Apropriação de crianças
Neste julgamento, foram analisados 35 casos de apropriação de crianças, das quais 26 recuperaram sua identidade, “como um exemplo do plano sistemático que ocorreu em diferentes centros clandestinos de detenção”, segundo as Avós da Praça de Maio, entidade humanitária criada em 1977 e candidata ao prêmio Nobel da Paz 2012.

“É impossível que se tenha estabelecido lugares especiais para grávidas dentro dos centros de detenção e toda uma logística sem uma decisão das cúpulas”, argumentou o advogado do grupo.

As ‘Avós’ estimam em 500 o número de crianças roubadas ao nascer durante o cativeiro de suas mães, em sua maioria desaparecidas, das quais 105 recuperaram sua identidade.

Até o momento, vários julgamentos para casos pontuais de roubo de bebês foram realizados, com condenações de até 16 anos para os acusados.

Durante o atual processo foram analisados, entre outros, o caso de Aníbal Simón Méndez Gatti, filho dos uruguaios Sara Méndez e Mauricio Gatti, recuperado em 2002, e o de Macarena Gelman, filha de Marcelo Gelman e María Claudia Iruretagoyena e neta do poeta argentino Juan Gelman, roubada no Uruguai e que conheceu sua verdadeira identidade em 1999.

Enquanto isso, foi detida na terça-feira na Argentina Ana María Grimaldos, esposa do ex-chefe da Esma Jorge Vildoza e foragida desde 1988, acusada de se apropriar de Javier Penino Viñas, filho de desaparecidos, que recuperou sua identidade em 1999. O caso é parte deste julgamento.

Argentinos comemoram e se emocionam ao ouvir condenação em telão, diante de tribunal (Foto: Natacha Pisarenko / AP)
Familiares de vítimas que acompanharam julgamento comemoram ao ouvir condenação em telão, diante de tribunal (Foto: Natacha Pisarenko / AP)

Prisão perpétua
Em sua alegação final, Videla, que recebeu em 2010 sua segunda condenação à prisão perpétua por crimes contra a Humanidade, classificou como “terroristas” essas mulheres que deram à luz nas prisões da ditadura e que depois, em grande parte dos casos, eram jogadas vivas no mar de aviões militares em pleno voo.

“Todas as gestantes, a quem respeito como mães, eram militantes ativas da máquina do terrorismo. Usaram seus filhos como escudos humanos”, disse o ex-ditador no tribunal.

De acordo com Videla, a existência de um plano sistemático para roubar crianças “é uma falácia (…), havia ordens estritas e escritas para devolver menores desamparados a seus familiares”.

Em troca, Elliott Abrams, ex-subsecretário de Direitos Humanos do Departamento de Estado americano (1982-1985), revelou durante o julgamento que os Estados Unidos sabiam do que ocorria na Argentina.

“Acreditávamos que era um plano porque prendiam ou assassinavam muitas pessoas, e nos parecia que o governo militar tinha decidido que algumas crianças seriam entregues a outras famílias”, declarou no consulado argentino em Washington.

“Fomos um espólio de guerra do regime”, afirmou Leonardo Fossati, 35 anos, uma dos netos recuperados.

Durante a ditadura, cerca de 30.000 pessoas desapareceram, segundo organizações humanitárias.

Ditadura militar brasileira destruiu mais de 19 mil documentos secretos, descobertos até agora.

RUBENS VALENTE

 

Guardado em sigilo por mais de três décadas, um conjunto de 40 relatórios encadernados detalha a destruição de aproximadamente 19,4 mil documentos secretos produzidos ao longo da ditadura militar (1964-1985) pelo extinto SNI (Serviço Nacional de Informações).

As ordens de destruição, agora liberadas à consulta pelo Arquivo Nacional de Brasília, partiram do comando do SNI e foram cumpridas no segundo semestre de 1981, no governo de João Baptista Figueiredo (1979-1985).

‘Foi tudo de acordo com a lei’, diz general que chefiava extinto SNI

Do material destruído, o SNI guardou apenas um resumo, de uma ou duas linhas, que ajuda a entender o que foi eliminado.

Dentre os documentos, estavam relatórios sobre personalidades famosas, como o ex-governador do Rio Leonel Brizola (1922-2004), o arcebispo católico dom Helder Câmara (1909-1999), o poeta e compositor Vinicius de Moraes (1913-1980) e o poeta João Cabral de Melo Neto (1920-1999).

Alguns papéis podiam causar incômodo aos militares, como um relatório intitulado “Tráfico de Influência de Parente do Presidente da República”. O material era relacionado ao ex-presidente Emílio Garrastazu Médici, que governou de 1969 a 1974.

Outros documentos destruídos descreviam supostas “contas bancárias no exterior” do ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros ou a “infiltração de subversivos no Banco do Brasil”.

Boa parte dos documentos eliminados trata de pessoas mortas até 1981. A análise dos registros sugere que o SNI procurava se livrar de todos os dados de pessoas mortas, talvez por considerar que elas não eram mais de importância para as atividades de vigilância da ditadura.

LEGISLAÇÃO

Algumas das ordens de destruição foram assinadas pelo general Newton Cruz, que foi chefe da agência central do SNI entre 1978 e 1983.

Em entrevista por telefone realizada na semana passada, Cruz, que está com 87 anos, disse que não se recorda de detalhes das destruições. Mas afirmou ter “cumprido a lei da época”.

A legislação em vigor nos anos 80 abria amplo espaço para eliminações indiscriminadas de documentos. Baixado durante a ditadura, o Regulamento para Salvaguarda de Assuntos Sigilosos, de 1967, estabelecia que materiais sigilosos poderiam ser destruídos, mas não exigia motivos objetivos. Bastava que uma equipe de três militares decidisse que os papéis “eram inúteis” como dado de inteligência militar.

A prática da destruição de papéis sigilosos foi adotada por outros órgãos estatais.

Como a Folha revelou em 2008, pelo menos 39 relatórios secretos do Exército e do extinto Emfa (Estado-Maior das Forças Armadas) foram incinerados pela ditadura entre o final dos anos 60 e o início dos 70.

Segundo quatro “termos de destruição” arquivados pelo CSN (Conselho de Segurança Nacional), órgão de assessoria direta do presidente da República, foram queimados documentos nos anos de 1969 e 1972.

Editoria de arte/Folhapress

Coronel Brilhante Ustra é condenado por morte de jornalista nos anos 70 – diógenes campanha / são paulo.sp

O coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra foi condenado em primeira instância a indenizar a família do jornalista Luiz Eduardo da Rocha Merlino, morto em 1971 em decorrência de torturas do regime militar (1964-1985).

Ele terá que pagar R$ 50 mil, por danos morais, para a ex-companheira de Merlino, Angela Mendes de Almeida, e o mesmo valor para a irmã dele, Regina Merlino Dias de Almeida. Cabe recurso.

É a primeira vez que a Justiça manda um agente da ditadura pagar reparação financeira a familiares de uma vítima de tortura. Em casos semelhantes, a responsabilidade recaiu sobre o Estado.

A decisão condenando o militar foi proferida anteontem pela juíza Claudia de Lima Menge, da 20ª Vara Cível de São Paulo.

Ustra comandava o DOI-Codi (centro de repressão do Exército) em julho de 1971, quando Merlino, integrante do Partido Operário Comunista, foi levado para o órgão. Ele morreu quatro dias depois de ser preso.

Na época, a versão apresentada pelo Dops (Departamento de Ordem Política e Social) foi a de que Merlino havia se jogado diante de um carro na BR-116, após fugir de uma escolta que o levava para o Rio Grande do Sul.

A versão foi contestada nos depoimentos de outros presos, que contaram que Merlino foi torturado no pau de arara e colocado desacordado em um veículo.

Em sua sentença, a juíza afirma serem “evidentes os excessos” cometidos por Ustra, que “participava das sessões de tortura e, inclusive, dirigia e calibrava intensidade e duração dos golpes”.

Testemunhas ouvidas no processo afirmaram que os maus-tratos a Merlino foram comandados por Ustra.

Um dos advogados do militar, Paulo Alves Esteves, informou que recorrerá da decisão. Ele afirmou que os atos que levaram à condenação foram “apagados” pela Lei da Anistia.

“A fonte do direito à indenização passa por um ilícito que já foi anistiado”, disse.

Durante o processo, a defesa protocolou reclamação no Supremo Tribunal Federal alegando que a ação da família de Merlino violava a decisão da corte que, em 2010, manteve a validade da Lei da Anistia.

O ministro Carlos Ayres Britto negou o pedido de Ustra em outubro de 2011.

O entendimento foi de que a anistia extinguiu a possibilidade de uma condenação penal, mas não a responsabilidade civil e o eventual pagamento de indenização.

A reportagem ligou para a casa de Ustra em Brasília, mas a mulher dele afirmou que ele não estava.

PARAGUAY: EUA já “previam” golpe em 2009

Edição/247

DOCUMENTO DA EMBAIXADA DOS EUA EM ASSUNÇÃO, VAZADO PELO WIKILEAKS, TRATAVA DE UM POSSÍVEL GOLPE PARLAMENTAR CONTRA FERNANDO LUGO; ATÉ AGORA, O GOVERNO DE OBAMA NÃO SE PRONUNCIOU SOBRE A MUDANÇA DE GOVERNO NO PAÍS VIZINHO.

247.

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ÚLTIMA INFORMAÇÃO:

EUA reconhecem golpistas do Paraguai

 

Por Altamiro Borges

Não causa nenhuma surpresa. Ocorreu o mesmo na tentativa frustrada de golpe na Venezuela, em abril de 2002, e no golpe direitista exitoso de Honduras, em junho de 2009. O Departamento de Estado dos EUA divulgou uma nota oficial na noite desta sexta-feira (22/06) reconhecendo “o voto do senado paraguaio pelo impeachment do presidente Lugo”, desejando êxitos ao “novo presidente” e rogando que “os paraguaios ajam pacificamente, com calma e responsabilidade, dentro do espírito dos princípios democráticos”.
Pouco antes da condenação sumária de Fernando Lugo, o porta-voz para a América Latina do governo dos EUA, William Ostick, já havia desejado um julgamento “escrupuloso” do presidente Lugo pelo Senado do Paraguai – composto na sua ampla maioria pela direita, por parlamentares ligados aos latifundiários e aos saudosos dos tempos da sanguinária ditadura de Alfredo Stroessner.
Segundo a mídia estadunidense, Washington acompanhava de perto a crise no Paraguai e sua embaixada em Assunção observava a situação muito atentamente. Barack Obama, o presidente que iludiu tanta gente na América Latina, deve estar satisfeito com o desfecho da crise. Agora ele imagina contar com mais um importante aliado no continente, juntamente com os servis mandatários do Chile e da Colômbia. O esforço do império para implodir a integração regional soberana ganhou mais um tento!

Tráfico proíbe a venda de crack em favelas do Rio

Boca de fumo na favela Mandela põe aviso de que vai proibir a venda de crack: é como uma farmácia anunciando que não vai vender mais remédios de tarja preta

O tráfico de drogas vai proibir a venda de crack nas favelas do Jacarezinho, Mandela e de Manguinhos. A informação foi publicada na coluna de Ancelmo Gois de hoje com a foto acima. A medida, decidida pela maior facção do tráfico no Rio, ocorre dois meses depois de lançado no Rio o programa “Crack, é possível vencer” — do governo federal.

A ordem de proibir a venda de crack partiu de chefes do tráfico, que estão presos. A informação vinha circulando pelas comunidades, mas ontem pela primeira vez apareceu o cartaz anunciando a proibição, “em breve”, ao lado da cracolândia da favela Mandela, na Rua Leopoldo Bulhões, na chamada Faixa de Gaza. Os traficantes ainda têm ali cerca de dez quilos de crack. Cada pedra custa R$ 10,00. Há informações de que os criminosos temem que a Força Nacional de Segurança ocupe aquelas favelas, como ocorreu na comunidade Santo Amaro, no Catete, onde está há um mês e já apreendeu 1.513 pedras.

— Gostaria que essa decisão se espalhasse por todas as favelas do Rio porque o crack é uma droga devastadora e tem produzido só dor e sofrimento —  diz o líder do Rio de Paz, Antônio Carlos Costa, que desde 2009 faz trabalhos sociais na Mandela.

Durante muito tempo o crack era vendido apenas em São Paulo. Dizia a lenda que os traficantes do Rio não queriam produzir “zumbis”. Dependentes de crack vivem nas imediações das bocas de fumo, atraindo a atenção da mídia e de operações do poder público. O tráfico no Rio alegava que a clientela de crack — miserável — traria problemas à venda de maconha e cocaína, mas capitulou após supostas alianças com a facção paulista, e começaram a oferecer o entorpecente vendido junto com a cocaína.

O combate ao crack virou uma questão de honra para o governo Dilma, que anunciou investimentos da ordem de R$ 4 bilhões no programa lançado em dezembro do ano passado. A grande dificuldade, segundo o ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, é a falta de pessoal capacitado para lidar com os dependentes de crack em todo o país. No Rio o programa foi implantado em abril, com a participação do governo do estado e da prefeitura. Só no Estado do Rio, a previsão de verbas da União é de R$ 240 milhões.

De alguma forma a prioridade dada pelo governo ao combate ao crack chegou ao conhecimento dos chefes da maior facção criminosa, que vende a droga nas favelas. Um sinal de que o governo federal vai combater com firmeza o problema pode estar no envio da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) ao Rio, apesar do desinteresse inicial manifestado pelo governo do estado. No domingo fez um mês que integrantes da Força Nacional de Segurança — a tropa de elite subordinada ao Ministério da Justiça — ocuparam a comunidade de Santo Amaro, que ainda não foi pacificada, na Zona Sul do Rio. Em um mês de ocupação, a Força Nacional realizou na favela 6.929 abordagens e apreendeu 650 papelotes de cocaína, 1513 pedras de crack, 840 gramas de maconha. Além disso, foram recolhidas munições, explosivos e armas.

Durante 180 dias, serão realizadas ações de polícia ostensiva, judiciária, bombeiros e perícia, em apoio às Secretarias de Saúde, Assistência Social e de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, nas áreas onde serão desenvolvidas as ações de implantação do Programa Crack, é Possível Vencer.

Nas favelas de Manguinhos, traficantes foram informados que a área poderia ser ocupada pela Força Nacional se o crack não fosse retirado de lá. Isso pode ter motivado a decisão dos traficantes. A decisão agradou muitos moradores da favela Mandela. Eles são testemunhas diárias do estrago causado pelo crack na comunidade. No Jacarezinho é possível ver usuários de crack na entrada da favela, mesmo por quem passa no asfalto. As operações policiais têm sido recorrentes, mas o problema está longe de ser resolvido.

Há três anos fazendo trabalhos sociais na favela Mandela, o líder do Rio de Paz, Antônio Carlos Costa, afirma que tem visto a tragédia causada pelo crack na comunidade. Ele lembra que já teve que solicitar ajuda da Justiça para levar a um abrigo três crianças que eram abandonadas pelos pais, usuários de crack. A ONG Rio de Paz — que nasceu envolvida cm a redução de homicídios — tem um projeto social, que prevê a construção de uma padaria-escola e o apadrinhamento de crianças por famílias de classe média — até a universidade.

Assista ao vídeo em que Antônio Carlos entrevista dona Veruska, uma usuária de crack. Ela confessa que é “uma droga maldita”:

— Eu fumo para deitar e acordo para fumar — diz a moradora da favela Mandela.

LUIS ANTONIO PAGOT: Serra, Kassab, Alckmin, PSDB, PT e DEM pressionavam DNIT a doar recursos para as campanhas – vergonha nacional / são paulo.sp

Em entrevista, ex-diretor do DNIT acusa PSDB, PT e DEM de buscar recursos de campanha no órgão dos Transportes


O ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT) Luiz Antonio Pagot acusou políticos de PSDB, PT e DEM de buscar dinheiro no órgão ligado ao Ministério dos Transportes para pagar dívidas de campanha e fazer caixa 2.

Segundo a revista Istoé, Pagot se sentiu pressionado a aprovar aditivos ilegais no valor de R$ 260 milhões ao trecho sul do Rodoanel. Serra qualificou as declarações do ex-diretor do DNIT como “calúnia pré-eleitoral aloprada”.

Pagot afirmou ainda que o governo do então governador tucano teria usado a obra para  abastecer um suposto caixa 2 da campanha à Presidência da República em 2010. “Veio procurador de empreiteira me avisar: ‘Você tem que se prevenir, tem 8% entrando lá.’ Era 60% para o Serra, 20% para o Kassab e 20% para o Alckmin”, disse.

“Todos os empreiteiros do Brasil sabiam que o Rodoanel financiava a campanha do Serra”, revelou. “Teve uma reunião no DNIT. O Paulo Preto (diretor da Dersa) apresentou a fatura de R$ 260 milhões. Não aceitei e começaram as pressões.”

O diretório estadual do PSDB divulgou uma nota em que defende o governador Geraldo Alckmin das acusações de receber um porcentagem do caixa 2 das obras do Rodoanel Sul.”A matéria da Istoé é caluniosa. As campanhas eleitorais do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do pré-candidato à Prefeitura, José Serra, sempre contaram com doações declaradas à Justiça Eleitoral.”.

O ex-diretor do DNIT disse à Istoé que passou a receber telefonemas constantes, não só de Paulo Preto, mas do deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), do ministro Alfredo Nascimento e de seu secretário-executivo, hoje ministro Paulo Sérgio Passos. Mais tarde, o TCU autorizou a Dersa a assinar um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), condicionando novos aditivos à autorização prévia do tribunal e do Ministério Público. Pagot recorreu à Advocacia-Geral da União, que em parecer, ao qual a Istoé teve acesso, o liberou de assinar o documento.

“Aquele convênio tinha um porcentual ali que era para a campanha. Todos os empreiteiros do Brasil sabiam que essa obra financiava a campanha do Serra”, disse. De acordo com o TSE, o comitê de Serra e do PSDB receberam das empreiteiras que atuaram no trecho sul do Rodoanel quase R$ 40 milhões.

Caso Cachoeira. Ainda segundo a revista, Pagot também disse que o senador Demóstenes Torres (sem partido, ex-DEM) foi buscar no órgão fundos para quitar dívidas de campanha com a Delta Construções, através de acordos com a construtora.

Demóstenes teria chamado Pagot para uma conversa privada, durante a qual disse que estava com dívidas com a Delta e que precisava “carimbar alguma obra para poder retribuir o favor” que a construtora fez para ele na campanha.

Pagot disse que não cedeu à pressão de Serra e Demóstenes. No entanto, ele confessou ter aceito a solicitação do tesoureiro da campanha do PT, deputado José De Filippi (SP), que durante as eleições de 2010, pediu para ele arrecadar recursos junto às empreiteiras ligadas ao DNIT. “Cada um doou o que quis. Algumas enviavam cópia do boleto para mim e eu remetia para o Filippi. Outras diziam ‘depositamos’”, afirmou. As doações teriam sido feitas pelas vias legais, segundo o ex-diretor.

Na entrevista, Pagot identificou na prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral ao menos 15 empresas que abasteceram a campanha do PT a pedido seu: Carioca Engenharia, Concremat, Construcap, Barbosa Mello, Ferreira Guedes, Triunfo, CR Almeida, Egesa, Fidens, Trier, Via Engenharia, Central do Brasil, Lorentz, Sath Construções e STE Engenharia.

Pagot também acusou a ministra da Relações Institucionais, Ideli Salvatti, de ter pedido ajuda na arrecadação de recursos de campanha em 2010, quando foi candidata a governadora de Santa Catarina. “Ela queria que eu chamasse as empreiteiras e pedisse para pôr dinheiro na campanha dela”, afirma. Como se negou a ajudá-la, Pagot acha que Ideli ficou ressentida e passou a miná-lo quando chegou ao Planalto.

Outro lado. Em nota divulgada à tarde, a assessoria de Serra apresentou a resposta do ex-governador à reportagem da Istoé, na qual ele rechaça as acusações de Pagot. “Trata-se de uma calúnia pré-eleitoral aloprada. A acusação é absolutamente inconsistente e a credibilidade dos envolvidos é zero. Tomaremos as medidas judiciais cabíveis”, disse o tucano.

A declaração oficial do PSDB critica, ainda, o fato dos tucanos não terem sido procurados, ao contrário de petistas citados na matéria. “A revista sequer respeitou os princípios éticos do bom jornalismo uma vez que nem Alckmin nem Serra foram procurados pela reportagem, ao contrário de um grupo seleto de personagens nela citados. Com esse procedimento abominável, a Istoé deixou que prosperassem mentiras ditas pelo Sr. Luiz Antônio Pagot baseadas em algo que ele teria ouvido de um “procurador de empreiteira” cujo nome ele nem menciona.”

Segundo a assessoria do prefeito Gilberto Kassab (PSD), a “acusação é improcedente e mentirosa. Portanto serão adotadas as medidas jurídicas cabíveis diante dessa irresponsável calunia”.

Filippi foi ouvido pela Istoé e admitiu ter se reunido com Pagot durante a eleição, mas negou ter recebido boletos dos depósitos de campanha do ex-diretor do DNIT. “A conversa tratou da proposta de Pagot de a campanha receber três aviões do Blairo Maggi”, disse Filippi. “Num segundo encontro, depois da eleição de Dilma, ficou acertado que Pagot buscaria recursos para saldar dívidas da campanha eleitoral.” Por meio de nota, Ideli negou que tenha recorrido a Pagot para solicitar recursos.

O ex-diretor do DNIT também conversou com a revista Época. Nessa entrevista, Pagot deu mais detalhes sobre a ajuda ao PT. Ele disse que, após a conversa com Filippi, reuniu-se com sindicatos de empresas da construção civil e representantes da Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias (Aneor). “Fui um colaborador espontâneo”, afirmou. Ele disse que Fillipi recebia boletos de depósitos de empreiteiras que se dispuseram a fazer doações para a campanha.

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Estadão.com.br – Atualizada às 21h16

‘Nova Lei Rouanet’ terá edital para pequeno produtor e pontuação – por julianna granjeia / são paulo.sp

O projeto de lei que deve substituir a Rouanet pretende fortalecer o FNC (Fundo Nacional de Cultura) para descentralizar o fomento e o incentivo à cultura.

O fundo patrocinará editais para produções culturais que não costumam ser atendidas pela renúncia fiscal, em especial aquelas de fora do eixo Rio-São Paulo.

Para isso, o projeto de lei -chamado ProCultura- fixa mecanismos de capitalização do FNC (que contou com cerca de R$ 300 milhões em 2011). Um deles prevê que parte da renúncia fiscal vá direto para o fundo. Outro seria a destinação a ele de 5% da renda de loterias.

O ProCultura também estabelece um sistema de pontuação -quanto mais contrapartidas sociais (como gratuidade do produto/serviço cultural, acessibilidade, difusão no exterior e ações educativas) houver, maior será o abatimento do IR, que pode ser de 30%, 50% ou 100% do montante investido.

Os empresários que investirem em projetos que alcançarem pontuação equivalente a 30% e 50% de dedução poderão abater o valor total do investimento como despesa operacional, o que acarretará em mais descontos no final do processo.

Já o percentual do imposto destinado pelas empresas para investimentos em shows, teatro e literatura, por exemplo, pode chegar a 6% do total do IR devido -atualmente, o teto é de 4%. O patrocinador que deduzir mais de 4% doará parte do excedente desse percentual ao FNC (veja ao lado).

Outra novidade é o estímulo ao Ficart (Fundo de Investimento Cultural e Artístico), destinado a aplicações em projetos culturais e artísticos. Esse investimento garante dedução no IR de até 50% do valor das cotas adquiridas.

O deputado Pedro Eugênio (PT-PE), relator do projeto, deve entregar o texto para a Comissão de Finanças da Câmara nas próximas semanas.

Ele aguarda um estudo da Fazenda que calculará o impacto da eventual mudança na arrecadação de impostos.

Paulo Pélico, vice-presidente da APTI (Associação dos Produtores Teatrais Independentes), afirma que, se o esquema de renúncia previsto for aprovado, haverá uma mudança positiva no financiamento cultural.

“Nunca tivemos separação entre projetos independentes, públicos e corporativos. Depende, agora, de o governo aprovar. Se tirar uma peça desse quebra-cabeça, não vai funcionar”, diz ele.

TAINHA: No alto de morro na Barra da Lagoa, olheiros têm papel importante na captura da tainha / ilha de santa catarina.sc

Na Barra da Lagoa, Leste da Ilha, a dupla observa o mar no alto do morro

Olheiros têm papel importante na captura da tainha  Caio Marcelo/Agencia RBS

Seo Diquinho (E) conta causos enquanto observaFoto: Caio Marcelo / Agencia RBS
Sâmia Frantz

Seo Diquinho é pescador, mas há 25 anos não entra no mar. Não empurra o barco, nem cerca o cardume. Também não ajuda a puxar a rede e a contar os peixes. No ritual da pesca da tainha, Seo Diquinho, 67 anos, usa os olhos. São eles que, atentos e experientes, observam o mar e são capazes de identificar as inconfundíveis manchas na imensidão das águas. E quando as vê, a busca se transforma em gritos: “vem vindo tainha aí, minha gente!”.

Adir João Lemos, esse é o nome dele, é olheiro. E todo o ritual da pesca da tainha começa com um olheiro. Seu Diquinho se posiciona no alto do Morro da Barra da Lagoa, lá onde a cruz abençoa a comunidade.

Barcos vão pra água após o sinal

E é ao sinal dele que, na praia, os pescadores sabem que chegou a hora de jogar os barcos na água. Seo Diquinho olha tudo lá do alto. Nem sequer participa da “bagunça”:

— A gente só fica olhando daqui. Não dá para ir lá. Pode vir mais atrás, né?

Ele só sai de lá para almoçar. Segue a trilha e caminha até o rancho, onde é preparada a comida. Mas não deixa o posto sozinho, nunca. Reveza o tempo de almoço com José Vieira, 63 anos. José também é pescador, mas pela primeira vez está lá, como olheiro. Trabalhou 30 anos em barcos de caça de malha, mas cansou. Agora quer uma vida mais calma, em terra.

Trabalho puxado de todos

O trabalho do olheiro começa cedo. Às 6h, quando ainda é escuro, Seo Diquinho e José já estão lá, a postos. Debaixo do braço trazem casacos, guarda-chuva, lanterna e comida – geralmente pão, bolo e café com leite. Ficam lá o dia inteiro e só vão embora quando voltar a escurecer.

São horas e horas de observação do mar. Seo Diquinho olhando para o Norte, José para o Sul. Peixe não tem destino, por isso. Ficam de olho na mancha que, algumas vezes, é mais avermelhada e, outras, de um amarelão forte.

— A gente vem todos os dias, faça chuva, faça sol, esteja frio, esteja quente. Venho até quando estou com gripão. É a vida de pescador, né? Peixe não avisa quando passa.

Histórias para passar o tempo

Seo Diquinho é daqueles que gostam de contar histórias. Suas preferidas são as de fantasmas e de causos que ele viu ou ouviu há muitos anos. A sorte de Seo Diquinho é de ter um bom ouvinte. Tudo o que ele tem de conversador, seu José tem de quieto.

— Sabe feiticeira? Ela existe. E sabe lobisomen? Também.

Ele é olheiro há 25 anos e já passou pelo Gravatá e pela Galheta. Gosta tanto do que faz que, agora, só trabalha em época de tainha:

— Às vezes elas vêm pulando. É lindo de ver!

Mais de 4,5 toneladas até agora

A safra deste ano começou com o pé direito, mas as 4,5 toneladas de tainhas retiradas do mar até agora, só na Grande Florianópolis, ainda não são suficientes para fazer a alegria do pescador. A estimativa, nos primeiros três dias, é do Sindicato dos Pescadores.

— Ainda estamos na estaca zero. O forte da tainha começa, mesmo, na semana que vem. Os bons lanços sempre aparecem entre o fim de maio e o início de junho. Isso é histórico – alerta o presidente do órgão, Osvani Gonçalves.

Executivo da Marcopolo é um dos conselheiros da presidente Dilma Rousseff – por silvana toazza / ZH / porto alegre.rs

José Antônio Fernandes Martins ajudou a moldar o pacote de estímulo à indústria

Executivo da Marcopolo é um dos conselheiros da presidente Dilma Rousseff Maicon Damasceno/Agencia RBS

Martins tem longa amizade com a presidente do paísFoto: Maicon Damasceno / Agencia RBS

Um articulador, um interlocutor e um conciliador. Mais do que palavras parecidas, elas definem José Antonio Fernandes Martins, executivo da Marcopolo escalado pela presidente Dilma Rousseff para ajudar a moldar o pacote de estímulo à indústria lançado na última terça-feira.

Não foi, portanto, uma coincidência que setores importantes da Serra, como o de fabricantes de ônibus, tenham sido contemplados com as medidas de desoneração da folha de pagamento e de redução de juros para aporte em inovação.

Grande mérito de Martins, a quem Caxias vê como seu porta-voz junto ao Planalto, num momento em que a palavra desindustrialização assombra a economia. O prestígio e a responsabilidade estão à altura dos cargos que Martins ocupa.

É presidente de três entidades: da Associação do Aço do Estado, da Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus (Fabus) e do Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (Simefre).

Também é vice-presidente de Relações Institucionais da Marcopolo, da Federação das Indústrias do RS (Fiergs) e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Isso só para citar os cargos mais representativos, sendo que a última função demonstra um grande reconhecimento nacional, uma vez que a Marcopolo não possui planta fabril em São Paulo.

Martins, junto com Jorge Gerdau e Paulo Tigre, é um dos três industriais gaúchos a ter credencial para sentar na mesa da presidente e expor suas reivindicações. Esteve em Brasília na terça-feira passada durante o anúncio do pacote. Tem um canal aberto com Dilma. E não é de hoje: conhece-a há cerca de 20 anos e começou a estreitar os laços desde quando ela era secretária de Minas e Energia do Rio Grande do Sul.

Como ministra-chefe da Casa Civil, Dilma ligou diretamente para o celular de Martins em pelo menos duas oportunidades: para consultá-lo sobre o programa de ônibus escolar e para convidá-lo a integrar o conselho curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

— É um patrimônio essa relação de amizade. Mas eu nunca me aproveitei dessa situação, muito menos agora que ela é presidente. Só quando era candidata a presidente é que a pressionei, no bom sentido, a vir a Caxias e visitar a Marcopolo, conhecer nossa empresa — recorda, acrescentando que é convocado para os encontros em Brasília por meio de e-mails assinados pela presidente.

Com perfil afável, sorriso fácil e um discurso sereno, o vice-presidente para assuntos institucionais da Marcopolo conseguiu convencer a presidente, mostrando por “a mais b” que o ramo de ônibus tem uma importância estratégica brutal para o país. Engatou, com isso, avanços significativos para o setor, refletidos na redução de juros e na ampliação do prazo de pagamento do crédito, a  ponto de Dilma perguntar na terça:

— Está satisfeito, Martins?
— Muito! — apressou-se.

O Pioneiro fez a mesma pergunta, e ouviu de resposta:
— Esse pacote busca a continuidade de um crescimento sustentável das empresas nacionais contra os ataques que sofremos da economia mundial. Mas, claro, não vai resolver tudo. É o início. É uma demonstração que o governo federal está dando no sentido de recompor e melhorar a competitividade das nossas empresas.

Com seu jeito conciliador, Martins transita com desenvoltura tanto no ambiente de sindicalistas quanto por gabinetes de ministros, deputados, senadores, secretários, governador e presidente (muitos, amigos pessoais dele), carregando os pedidos de melhoria ao setor de transporte. Resultado: foi escolhido para o time de “conselheiros” de Dilma como um dos 28 jogadores que mais entendem do campo econômico e empresarial do país.

— Eu era até certo ponto um grão de areia perto da montanha rochosa do PIB brasileiro — sintetiza, modestamente, lembrando que nos encontros no Palácio do Planalto ficou lado a lado de grandes nomes do setor de empreiteiras, de bancos, da aviação.

Na última semana, sentou ao lado de Eike Batista, empresáriomais rico da América do Sul. Para Caxias, no entanto, Martins representa o oceano de oportunidadese perspectivas de uma região que soube se projetar no mundo e hoje é o segundo maior polo metalmecânico do país.

Com 79 anos a serem completados no dia 21 de abril, José Antonio Fernandes Martins não aparenta nem de longe a idade que tem. Exibe com orgulho as medalhas como corredor de longa distância. Participou de maratonas em São Paulo, Porto Alegre e Blumenau, fato que lhe trouxe no passado problemas na coluna e a necessidade de uma cirurgia.

De 1982 até 1995, chegava a correr 16 quilômetros por dia. Em uma única prova, atingiu 43 quilômetros, em quatro horas e vinte minutos. Afastado da maratona de corridas (embora continue maratonista de aeroporto e na defesa de setores econômicos), o engenheiro montou uma academia em casa. Sempre que pode, exercita-se duas horas por dia para não perder o pique.

Também é adepto da medicina ortomolecular. Conheceu praticamente o mundo quando trabalhava com afinco no processo de internacionalização da Marcopolo.

Hoje, em compensação, faz questão de não viajar ao Exterior para compromissos de trabalho. Os xodós da casa são o trio de cadelas: a Âmbar (poodle), a Chanel (poodle gigante que parece uma ovelha) e a Lica (boxer). Tem dois filhos, Bebeto (empresário) e Zeca (jornalista, com atuação junto ao governo), três netas e um neto.
Seu Martins tenta reunir a família em almoços e jantares, mas admite que a agenda às vezes não ajuda.

Mas, como conciliador, consegue administrar as múltiplas tarefas, sempre com tranquilidade, fala pausada e bom humor. Assim, com seu  jeito cortês, ganhou a simpatia da presidente, a ponto de lhe perguntar na visita que fez ao estande da Marcopolo, durante a abertura da Festa da Uva 2012, em fevereiro:

— Seu Martins, se recuperou da cirurgia do coração? — numa preocupação que vai além de números.

Ele diz que passou um mês em ritmo lento, mas agora já retomou sua antiga boa forma. Engana-se quem pensa que José Antonio Fernandes Martins tem um bom trânsito apenas com alas oficiais.

Assim como é amigo de grandes nomes ocupantes de cargos dos governos federal e estadual e tem boa relação com entidades de classe e órgãos institucionais, também demonstra habilidade para se comunicar com sindicalistas. Consegue dialogar com lideranças da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da União Geral dos Trabalhadores (UGT), resolvendo impasses e buscando formas de empresas e funcionários crescerem juntos. Como se dá esse trânsito por alas com interesses conflituosos?

— Eu aprendi uma coisa muito cedo na minha vida: eu não brigo com ninguém, porque você nunca sabe de quem vai precisar e quem estará sentado na cadeira amanhã.
Eu me dou bem com o PT, o (José) Serra de São Paulo é meu amigo, assim como o Geraldo Alckmin (governador de São Paulo). Já fui a Dubai com os dois. A vida não tem partido político bom ou ruim. Você tem de buscar as melhores condições para o seu setor — aconselha, dando uma pista do temperamento amistoso.

Porto-alegrense de nascimento, Seu Martins tem como hobby colecionar obras de arte. Sabe contemplar o que é belo. E não apenas por intuição ou por vaidade. Dedica-se com desenvoltura a ler (ou melhor, estudar, como define) livros sobre arte, vinhos e economia, áreas com as quais trava bastante afinidade.

Seu escritório em casa é recheado de publicações sobre os três temas. Mandou catalogar, em formato de livro, todos os quadros que, junto com a mulher Hieldis Severo Martins, garimpa em antiquários, galerias e por meio de contatos com colecionadores.
Orgulha-se das peças raras que possui e prestigia pintores brasileiros (inclusive de Caxias e região), como Iberê Camargo, Sergio Lopes, Heitor dos Prazeres, Victor Hugo
Porto, Beatriz Balen Susin, Di Cavalcanti, Celestino Machado e Britto Velho.
Em sua casa, para onde quer que se olhe, há um detalhe a espreitar a curiosidade e enlevar o espírito.

O bom gosto é expresso em obras de arte como quadros, esculturas, móveis, prataria e pequenos objetos raros de decoração garimpados em antiquários, galerias e pelas viagens ao redor do mundo. A impressão é de se estar circulando por uma galeria. Uma casa inteira ornamentada com uma primorosa coleção de arte, inclusive o elevador.

— Eu prefiro investir em arte do que em imóveis e terrenos. Arte é uma coisa que você aproveita, curte, embeleza, alegra. Mas para curtir, você tem de conhecer, ler, estudar — ensina, admitindo que poucos empresários investem nessa área.

Martins e Hieldis também gostam de frequentar amigos e serem frequentados. Nesses momentos, “aos que apreciam e conhecem”, o casal não hesita em brindá-los com vinhos distintos, de lotes raros. Já recebeu em sua casa, para “jantares de cortesia”, o governador Tarso Genro, secretários, políticos e empresários.
Homem de confiança de Dilma, já houve especulação de que Martins teria sido convidado pela presidente para assumir algum cargo no governo, como o de ministro. O empresário, no entanto, nega. Garante que isso não ocorreu, até por ele sempre ter demonstrado que não assumiria um desafio assim:

—Eu nunca tive intenção, vontade e nem disposição para assumir um cargo político. Eu sou homem Marcopolo e acabou. Eu sou mais útil para a empresa (Marcopolo), para a comunidade e para o setor de transporte na posição em que estou, pois tenho liberdade para falar e criticar — argumenta Martins.

O executivo diz que está confiante na sinalização de Dilma de que pretende dar continuidade a esses encontros com o empresariado e que mais medidas de impulso à economia devem estar a caminho, abrangendo outros setores. E já aponta, com conhecimento de causa, lacunas que o setor industrial apresenta:

— Carga tributária próxima aos 40%, uma logística altamente inadequada e cara, um câmbio desfavorável, talvez os maiores juros do mundo, uma energia cara, uma carga de leis sociais absurdamente alta. Isso faz com que o custo Brasil torne-se elevado, deteriorando nosso poder de competição. Tudo isso fez com que o país sofresse um ataque forte das economias internacionais, sobretudo da China, provocando o que chamamos de desindustrialização.

Demóstenes aposta no STF para esfriar caso e evitar cassação / leandro colon e gabriela guerreiro – brasilia.df

O senador Demóstenes Torres (sem partido) planeja esperar que o STF (Supremo Tribunal Federal) analise o pedido de anulação dos indícios contra ele nas investigações da Polícia Federal para só então discutir uma eventual renúncia, informa  Leandro Colon e Gabriela Guerreiro.

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A defesa de Demóstenes afirma que vai entrar hoje com um pedido para que seja anulado o poder de prova das gravações telefônicas que o ligam ao empresário Carlinhos Cachoeira, acusado de explorar jogo ilegal. O senador alega que, por ter foro privilegiado no STF, não poderia ter sido monitorado sem o aval da corte.

Carlos Cecconello – 6.dez.10/Folhapress
Por ter foro privilegiado, o senador (à dir.) só pode ser julgado por ministros do STF, entre eles, Mendes
Por ter foro privilegiado, o senador (à dir.) só pode ser julgado por ministros do STF, entre eles, Gilmar Mendes….

Juridicamente, avalia o senador, uma renúncia a esta altura levaria o seu caso para o Tribunal de Justiça de Goiás, onde tem foro como procurador de Justiça. Lá, corre o risco de ter sua prisão pedida, o que hoje ele descarta no âmbito da Procuradoria-Geral da República.

A.FOLHA.

As Estátuas da Ilha da Páscoa tem corpos – flavia guimarães – rio de janeiro.rj



Um dia ainda irei voar até Rapa Nui  – o umbigo do mundo. São muitos os mistérios que lá existem. Esta ultima descoberta nos deixa ainda mais assombrados. Sempre conheci o Moais como sendo apenas enormes cabeças de pedras plantadas numa ilha no fim do mundo, mas jamais poderia imaginar que existiam corpos destas estátuas.

Rapa Nui esta localizada no Oceano Pacífico, essa ilha vulcânica foi descoberta pelo navegador holandês Jakob Roggeveen, no domingo de Páscoa no ano de 1722, e mais tarde tornou-se posse do Chile, em 1888. Muitos segredos cercam a Ilha de Páscoa que é famosa por suas incríveis estátuas chamadas Moais e que estão ao redor de toda a ilha.

A descoberta, não tão nova, mas que aumenta o mistério sobre quem as esculpiu, quem vivia na ilha, como elas foram parar lá é o fato de que as estátuas da Ilha de Páscoa têm corpos! Isso mesmo, as cabeçonas gigantes são estatuas completas cuja maior parte está enterrada e correspondem a corpos e mãos.

Um grupo de pesquisa privado tem escavado recentemente as estátuas da Ilha da Páscoa e está estudando as escrituras nos corpos das mesmas.

A dúvida agora é por que estes gigantes de pedra tiveram seus corpos enterrados? As estatuas sempre foram assim ou com o tempo ficaram desta maneira?

Uma das teorias sobre o desaparecimento dos habitantes originais de Rapa Nui foi a superpopulação que levou a conflitos internos e falta de alimentos. Agora surge outra hipótese: um enorme deslizamento pode ter varrido a ilha e sua civilização. Isso aniquilou a população e fez com que as estatuas ficassem com boa parte do seu corpo sob a terra.

MINISTRA ELIANA CALMON, corregedora acusa ‘vagabundos’ de intimidar trabalho no CNJ / são paulo.sp

A corregedora do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), Eliana Calmon, voltou a criticar nesta sexta-feira “meia dúzia de vagabundos” que prejudicam o Judiciário nacional.

Em palestra para juízes federais em São Paulo na manhã de hoje, Calmon disse ficar refém de intimidações e diz que isso acontece porque “não se acredita no sistema”.

 

Sergio Lima – 28.fev.2012/Folhapress
Corregedora do CNJ, ministra Eliana Calmon
Corregedora do CNJ, ministra Eliana Calmon

“Muitas vezes, meia dúzia de vagabundos terminam por nos intimidar e nós ficamos reféns deles. Por que isso acaba acontecendo? Porque não se acredita no sistema. Ficamos pensando: ‘Vou me expor, colocar minha carreira em risco para não dar em nada?'”, perguntou.

Calmon, que foi alvo de críticas de associações de juízes como a AMB (Associação dos Magistrados do Brasil) e a Ajufe (Associação de juízes federais) por supostos abusos nas investigações do conselho, pediu a ajuda aos “bons juízes” para continuar seu trabalho.

“A corregedoria quer apurar, não aceita que isso possa ser escondido, queremos trazer à luz aqueles que não merecem a nossa consideração”, disse. “Um corregedor não faz isso sozinho. Preciso do meu exército, preciso dos bons juízes.”

As declarações de Calmon acontecem após o ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), liberar na última quarta-feira (29), investigações do CNJ em folhas de pagamento e declarações de renda de juízes e servidores de 22 tribunais do país.

No fim do ano passado, as apurações foram suspensas por uma liminar do ministro do STF Ricardo Lewandowski.

O embate entre o CNJ e as entidades de juízes abriu uma crise no Judiciário que colocou em lados opostos ministros do STF. Em fevereiro, o Supremo reconheceu poderes de investigação do conselho.

Corregedora Eliana Calmon festeja decisão a favor do CNJ
Juízes não podem ser confundidos com ‘meia dúzia de vagabundos’, diz Calmon
Procurador defende rejeição de queixa-crime contra Eliana Calmon
Eliana Calmon promete solução para os precatórios em SP
Penas contra juízes têm de pegar o bolso, diz Eliana Calmon

folha.com – SILVIO NAVARRO

ROBERTO BELLOCCHI ex presidente do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO liberou R$ 1,5 milhão para si próprio. São esses “purinhos” que não querem a fiscalização externa do CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. / são paulo.

DE SÃO PAULO

 

O desembargador Roberto Bellocchi, ex-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, aprovou para si próprio um pagamento milionário, aponta investigação conduzida pela corte paulista, informa reportagem de Uirá Machado, publicada na Folha desta quarta-feira.

Segundo a Folha apurou, Bellocchi recebeu cerca de R$ 1,5 milhão no biênio 2008-2009, quando presidiu o TJ.

De acordo com a investigação, o valor é o maior benefício pago pelo tribunal a um único desembargador.

Bellocchi afirmou ontem que a questão está superada e que não tem nada a falar sobre ela. Segundo ele, houve apenas “créditos legítimos, públicos e parcelados”.

O desembargador afirmou que o fato de ter sido presidente não altera em nada a legitimidade dos pagamentos. E lembrou que não foi o único a receber créditos do tipo. “Isso tem em outros tribunais também.”

 

Editoria de Arte/Folhapress

WALL STREET: 700 PRESOS nos protestos contra o desemprego e a corrupção. VEJA OS VÍDEOS / eua

Mais de 700 manifestantes foram detidos neste sábado nos Estados Unidos, durante um protesto que bloqueou a ponte do Brooklyn, em Nova York, na 15ª jornada promovida pelo movimento Ocupar Wall Street, que mantém um acampamento no Zucotti Park, no centro de Manhattan.

UM clique no centro do vídeo:

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Vítimas em 2001, EUA foram os algozes do 11 de setembro no Chile / santiago-eua

Antes de serem vítimas do 11 de Setembro de Osama bin Laden, os Estados Unidos foram algozes num outro 11 de setembro, no Chile, 38 anos atrás. O golpe que derrubou o presidente socialista Salvador Allende, com apoio norte-americano, instaurou uma ditadura brutal, responsável pela morte de três mil pessoas e pelas torturas cometidas contra 28 mil, na estimativa conservadora dos registros oficiais.

Clique na imagem acima para acessar o especial completo do Opera Mundi

Mas se lições ligam estes dois episódios, elas não foram aprendidas. É o que disse ao Opera Mundium dos protagonistas desta data negra para o Chile, o cientista político Heraldo Muñoz, de 63 anos, membro do breve governo Allende. Hoje, Muñoz é subsecretário geral do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), em Nova York. Mas o cargo diplomático não o impediu de fazer uma leitura crítica da política norte-americana.

Wikicommons

Trabalhadores chilenos marcham em apoio a Salvador Allende, em 1964

“Estas duas histórias se comunicam pela porta dos fundos, já que os EUA  foram atores em ambos os casos”, disse Muñoz, em entrevista concedida por email. “Primeiro, Washington ajudou a perpetrar a violência no Chile contra um povo indefeso. Mais tarde, os norte-americanos foram objeto da violência fanática no 11 de Setembro de 2001, que também cobrou vitimas inocentes. Mas não sei se a lição histórica – da necessidade de respeitar irrestritamente os direitos humanos – foi aprendida por eles”, afirmou.

Chile: epitáfio do outro 11 de setembro 

Em 1973, Muñoz dirigia um ambicioso projeto idealizado por Allende, chamado Almacenes del Pueblo (Armazéns do Povo), uma rede que pretendia fazer chegar comida à população, sem depender da intermediação dos empresários privados do ramo. Na época, donos de supermercados e armazéns faziam lockouts para esconder produtos alimentícios, como forma de jogar o povo contra o governo da Unidade Popular (UP) e forçar a derrubada de Allende, que, em resposta, começou a confiscar e estatizar redes privadas de supermercados.

A radicalização do governo da UP – que também nacionalizou o cobre, principal produto de exportação do Chile, e deu início a uma profunda reforma agrária – encontrou resistência imediata da direita. Em tempos de Guerra Fria, a ameaça representada por um modelo socialista e democrático no que os EUA viam como seu quintal, era algo inadmissível.

Divulgação

Muñoz: EUA não aprenderam a lição entre o 11 de setembro de 1973 e o de 2001

No dia 11 de setembro de 1973, o general chileno Augusto Pinochet liderou o golpe de Estado contra Allende. O Palacio de la Moneda, sede do governo, foi bombardeado por caças da Força Aérea do Chile (Fach), enquanto atiradores posicionados nos edifícios do centro de Santiago disparavam contra os poucos membros da guarda presidencial, leais a Allende. Cercado, o presidente fez seu último discurso, transmitido pela rádio, antes de suicidar-se com o disparo no queixo de um fuzil AK-47, presente do amigo cubano Fidel Castro.

“O 11 de setembro do Chile significou a perda da democracia e a interrupção da aspiração de construir o socialismo por uma na via pacifica, pela força dos votos”, analisou Muñoz. “O golpe marcou as vidas de toda uma geração, em todo o mundo. Uma vez, nos anos 1990, eu estive com a ex-primeira ministra do Paquistão Benazir Bhutto, assassinada em 2007, e ela me falou do impacto que o nosso 11 de setembro teve nas forças progressistas paquistanesas neste momento, não apenas no Paquistão, mas também em toda a Ásia e no mundo inteiro.”

Os EUA como algozes

O governo norte-americano – que travava, então, uma guerra sem fronteiras contra o comunismo – viu no Chile o embrião de uma experiência com potencial para levantar uma verdadeira onda esquerdista na América Latina. A resposta de Washington veio por meio do então chefe do Departamento de Estado no governo de Richard Nixon, Henry Kissinger. “Não vejo porque temos de esperar e permitir que um país se torne comunista por causa da irresponsabilidade de seu próprio povo”, afirmou Kissinger.

Um dia depois do golpe no Chile, Kissinger conversou com Nixon sobre o ocorrido. “Há algo novo, que seja de importância?”, perguntou o presidente. “Nada grave. A coisa do Chile é questão de consolidação e, é claro, os jornais são sangue por todos os lados porque um governo pró-comunista foi derrubado”, respondeu Kissinger, antes de agregar: “no período de Eisenhower (presidente norte-americano que forjou a doutrina segundo a qual os EUA deveriam intervir em qualquer país do mundo que sofresse influência soviética) teríamos sido heróis.” Nixon, receoso, perguntou: “Bom, como você sabe, nossa mão não pode ser detectada neste caso”. E ouviu de seu braço direito: “Claro. Não há nenhuma dúvida disso. Eu me refiro ao fato de que nós os ajudamos (trecho ilegível) a criar as condições mais favoráveis possíveis”. Nixon encerra a conversa dizendo: “Muito bom. É o que deveria ter sido feito.”

Mas Muñoz reconhece que o dramático golpe de 1973 também provocou inevitavelmente respostas positivas da sociedade. “O movimento global dos direitos humanos nasceu, em grande medida, em resposta ao 11 de setembro chileno. Hoje, acredito que a data lembra, além da dor da perda de vidas humanas e violações dos direitos humanos, a necessidade de conjugar mudanças sociais e consolidação da democracia”, disse.

A herança do 11/9

O Chile de hoje está construído sobre uma Constituição elaborada durante a ditadura, nos anos 1980. O país é democrático. A Carta, nem tanto. Ela “fossilizou” um sistema político binominal, como disse o jornal britânico Financial Times há uma semana. Só chegam a presidente os candidatos ligados aos dois grandes blocos políticos existentes hoje. De um lado, a Concertação – que governou o Chile por 20 anos, do fim da ditadura, em 1990, até o ano passado – de outro lado, a Coalizión por El Cambio, que em março de 2010 venceu as eleições, dando início ao primeiro governo de direita no Chile desde o fim do governo militar. E o primeiro de direita eleito democraticamente no país em 50 anos.

Para o chileno Claudio Fuentes Saavedra, PhD em Ciência Política pela Universidade da Carolina do Norte, a Constituição foi “um exercício de engenharia institucional elaborada em 1980, que transferiu a soberania popular a um corpo de representantes que, embora sejam eleitos, na prática, podem alterar as normas básicas de convivência nacional à margem de qualquer escrutínio cidadão”.

Prova disso é que o país amarga há quase quatro meses sua maior crise política desde a redemocratização. Milhares de estudantes pedem o fim do lucro na Educação e a melhoria da qualidade do ensino. Apesar de ter o respaldo de 80% da população, estas propostas não avançam. A Constituição proíbe a realização de referendos, plebiscitos e outras consultas populares diretas, salvo sob condições bastante estritas, como um impasse entre o Executivo e o Legislativo. Assim, o país segue imobilizado. Mesmo com o governo tendo a aprovação de apenas 26% dos chilenos.

Além da Constituição, os reflexos concretos do 11 de Setembro chileno também são perceptíveis no sistema hiper privatizado. Não existe nenhuma possibilidade de que um trabalhador chileno possa aderir hoje a um sistema público de aposentadoria. A saúde também é esmagadoramente explorada por planos privados. E nenhum estudante tem direito a estudar em uma universidade pública gratuita, salvo se conseguir acesso a uma bolsa de estudo.

O país levou a extremos inimagináveis o liberalismo econômico, encarnado pela geração dos Chicago Boys, discípulos do Consenso de Washington que fizeram do Chile um tubo de ensaio para uma abertura econômica sem limites, ainda durante a ditadura.

O país tem crescido a uma taxa de 6% ao ano, mas é um dos mais desiguais da América Latina. De acordo com Julio Berdegué, doutor em Ciências Sociais e pesquisador do Centro Latino-Americano para o Desenvolvimento Rural, quatro famílias do país detém o equivalente ao salário de 80% da população. A principal delas é a do presidente Sebastián Piñera, dona de uma fortuna avaliada em US$ 2,4 bilhões.

Nova tempestade de areia ‘engole’ cidades no Arizona / eua

É a terceira tempestade parecida registrada no estado dos EUA em um mês.

Tempestade começou no final da tarde de quinta (18) e adentrou a noite.

Uma nova tempestade de areia 'engoliu' cidades do Arizona nesta quinta-feira (18). É a terceira tempestade do tipo em um mês no estado americano. Acima, a montanha Camelback é vista ao fundo sento tomada pela enorme nuvem na cidade de Phoenix (Foto: AP)

Uma nova tempestade de areia ‘engoliu’ cidades do Arizona nesta quinta-feira (18). É a terceira grande tempestade do tipo em um mês no estado americano. Acima, a montanha Camelback é vista ao fundo sento tomada pela enorme nuvem na cidade de Phoenix (Foto: AP)

Da rua era possível ver a nuvem de areia se aproximando em Phoenix (Foto: AP)

Da rua era possível ver a nuvem de areia se aproximando em Phoenix. Com pouca visibilidade, ficou perigoso dirigir em meio à tempestade. Alguns voos sofreram atrasos no estado devido à nuvem de poeira (Foto: AP

Em sequência da primeira imagem, a Camelback Mountain já não é mais vista ao fundo em Phoenix (Foto: AP)

Em sequência da primeira imagem, a Camelback Mountain já não é mais vista ao fundo em Phoenix (Foto: AP

g1.

General afirma que Jobim é prepotente e ‘já foi tarde’

A queda de Nelson Jobim do Ministério da Defesa, no último dia 4, trouxe à tona o ressentimento de oficiais das Forças Armadas com supostas humilhações impostas a militares pelo ex-chefe.

Um artigo do general reformado Luiz Gonzaga Schroeder Lessa, ex-presidente do Clube Militar, expõe mágoas da caserna e afirma que o ex-ministro tinha “psicótica necessidade de se fantasiar de militar” e “já vai tarde”.

O texto foi publicado no site da Academia Brasileira de Defesa e circula desde o fim de semana em blogs de militares. Escrito como desabafo dirigido a Jobim, sugere que parte da classe se sentiu vingada com sua demissão.

Caio Guatelli-13.jan.2010/Folha Imagem
O ex-ministro da Defesa Nelson Jobim durante visita a instalação brasileira no Haiti; ele deixou o cargo no início do mês
O ex-ministro da Defesa Nelson Jobim durante visita a instalação brasileira no Haiti; ele deixou o cargo no início do mês

“Como um dia é da caça e outro do caçador, o senhor foi expelido do cargo de forma vergonhosa, ácida, quase sem consideração a sua pessoa, repetindo os atos que tantas vezes praticou com exemplares militares que tiveram […] a desventura de servir no seu ministério”, diz.

“Por tudo de mal que fez à nação, enganando-a sobre o real estado das Forças Armadas, já vai tarde. Vamos ficar livres das suas baboseiras, das suas palavras ao vento, das suas falácias.”

O general afirma que o perfil do ex-ministro publicado pela revista “Piauí” “retrata com fidelidade” o “seu ego avassalador, que julgava estar acima de tudo e de todos, a prepotência, a arrogância e a afetada intimidade com os seus colaboradores”.

Na reportagem, que precipitou a demissão do ex-ministro, Jobim chama a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) de “fraquinha” e diz que Gleisi Hoffmann (Casa Civil) “nem sequer conhece Brasília”.

Em outro trecho, que irritou os militares, a repórter narra uma cena em que ele usa tom ríspido para dar ordens ao almirante José Alberto Accioly Fragelli, diante de outros oficiais e de civis.

O artigo critica o ex-ministro por posar de farda, “envergando uniformes que não lhe cabiam não apenas por seu tamanho desproporcional, mas, também, pela carência de virtudes básicas”.

 

BERNARDO MELLO FRANCO
DE SÃO PAULO

DENÚNCIA: CINCO GENERAIS envolvidos em corrupção: “PROCURADORIA-GERAL DA JUSTIÇA MILITAR PEDE AO COMANDANTE DO EXÉRCITO ABERTURA DE DOIS NOVOS INQUÉRITOS CONTRA CINCO GENERAIS”

Carolina Brígido, Carla Rocha e Vera Araújo 

BRASÍLIA e RIO – A procuradora-geral da Justiça Militar, Cláudia Ramalho, pediu na quinta-feira a abertura de dois inquéritos contra cinco generais para apurar a participação deles no esquema de fraudes em licitações e compras do Instituto Militar de Engenharia (IME). O pedido foi enviado ao comandante do Exército, general Enzo Peri, a quem caberá instaurar a investigação. Os militares na berlinda assinaram a liberação de compras e de dispensas de licitações sob suspeita. Um dos inquéritos examinará o período de 2001 a 2007 e o outro, de 2008 a 2010. Os nomes dos oficiais estão sob sigilo.

As irregularidades vieram à tona em reportagens publicadas pelo GLOBO no ano passado . Já existe inquérito aberto contra outros militares envolvidos nas mesmas fraudes na Justiça Militar no Rio . O novo inquérito foi aberto em Brasília devido à patente dos suspeitos.

RELEMBREE-mail envolvendo generais faz MP Militar pedir a prisão de oficial acusado de fraudes no IME

Empresas de fachada foram usadas no esquema

A reportagem, de maio do ano passado, revelou que parentes ou laranjas de militares e ex-militares do IME – uma das mais conceituadas instituições de ensino do país – teriam montado um esquema de fraude em licitações na unidade, envolvendo pelo menos 12 empresas e cerca de R$ 15,3 milhões. A maior parte dos contratos diz respeito a serviços de consultoria em convênios firmados entre o IME e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), órgão do Ministério dos Transportes que está agora no centro de uma série de escândalos.

 

O levantamento mostrou que algumas empresas contratadas não funcionavam nos endereços fornecidos à Receita Federal e que havia sócios em negócios milionários morando em favelas no Rio. Outros indícios davam conta de que os valores dos contratos eram liberados de forma ágil, o que levantou a suspeita de que algumas empresas pudessem ter sido constituídas apenas com a finalidade de vencer as concorrências.

A maior parte do montante investigado foi pago por meio de ordens bancárias, entre 2004 e 2006. O fato chamou a atenção de alguns militares do IME que denunciaram o caso a seus superiores. Depois disso, empresas foram desativadas, outras mudaram de nome. Os militares que estariam ligados a elas deixaram o IME, tendo sido transferidos até para outros estados.

Uma das empresas que mais receberam recursos públicos foi a GNBR, que, entre 2004 e 2008, teve R$ 3,3 milhões liberados, de acordo com o Portal da Transparência do governo federal, por meio de notas bancárias pagas pelo IME por serviços prestados ao próprio instituto e ao Colégio Militar do Rio. Seus sócios também figuram em outras sete empresas que já tiveram contratos com o IME. Metade delas tinha, entre seus donos, parentes de um militar que, na época, trabalhava no instituto.

O inquérito do Rio está sendo conduzido pela procuradora Maria de Lourdes Souza Gouveia Sanson. Procuradoria de Justiça Militar do Rio já apresentou denúncia contra seis militares do Exército e nove civis. Entre os denunciados estão o major Washington Luiz de Paula (que era lotado no IME e tem cinco pessoas da família nas empresas investigadas); o capitão Márcio Vancler Augusto Geraldo (que na época era da comissão de licitação do instituto); o coronel Paulo Roberto Dias Morales; e o empresário Marcelo Cavalheiro.

Relatório do TCU confirma denúncias e cita generais

Um relatório recente do Tribunal de Contas da União (TCU) confirma todas as denúncias do jornal. E avança em outras direções, inclusive citando o nome de generais suspeitos de terem participado de irregularidades no IME e no Departamento de Engenharia e Construção (DEC) do Exército.

Já a investigação da Procuradoria da Justiça Militar de Brasília conta com uma equipe formada por cinco analistas contábeis e cinco analistas de informática que detectaram “fortes indícios de licitações viciadas e de fraudes em dispensas de licitação” no DEC. Há 96 casos sendo analisados. Neles, os ordenadores de despesa assinavam o documento e, em seguida, o general responsável dava seu aval. O TCU, em seu relatório, cita o nome de sete generais que avalizavam os contratos, entre eles, o próprio comandante do Exército, general Enzo Peri.

– Houve dispensas de licitações altamente suspeitas, e isso é confirmado pelo TCU – disse Cláudia Ramalho.

A história dos círculos nas colheitas (“Crop Circles”)

Os “círculos” nas colheitas, ou “crop circles”, como ficaram conhecidas as manifestações pictóricas ocorridas nos campos de cultivo da Europa e agora também em outros países são um dos mais fascinantes e profundos mistérios da atualidade. Embora sejam relacionados à atividade humana, nenhuma evidência comprovada foi encontrada nos círculos “autênticos”.

Nestes casos, nos círculos, ou em sua proximidade, nunca foram encontrados quaisquer traços ou pistas que indicassem como foram feitos ou por quem. Não há pegadas de pessoas, ou marcas de pneus de veículos, nem sinal de que as plantas em seu interior tenham sido manipuladas por humanos. Simplesmente, os círculos surgem do nada, portando uma mensagem inexplicável e desafiando nossa inteligência e tecnologia.

Duas organizações vêm fazendo estudo do solo dos círculos. Elas são o Center for Crop Circles Studies in England e uma organização conhecida como ADAS Ltd., trabalhando com o Ministério da Agricultura Inglês. Uma das coisas que eles descobriram é que os solos adquirem uma quantidade anormal de hidrogênio após cada formação. O único modo desta quantidade de hidrogênio aparecer assim seria se o solo recebesse uma carga elétrica extremamente forte.

A origem do fenômeno é bem mais complexa. Alguns estudiosos ingleses encontraram na capa de um tablóide londrino, datado de 22 de agosto de 1678, uma narrativa que faz menção à lenda do “Demônio Ceifador”, relatando a existência de misteriosos círculos nas plantações inglesas já naquela época.

Em outros casos, pessoas foram condenadas pela igreja por utilizar grãos provenientes dos círculos pra celebração de rituais de fertilidade. Também foram relatados casos nas décadas de 1930 e 40, alertando sobre o fenômeno.

Com o passar dos anos as figuras foram se tornando cada vez mais complexas, primeiro eram circunferências simples, depois surgiram circunferências duplas, triplas, quádruplas, quíntuplas, círculos com anéis, figuras triangulares, ovais, espirais, etc. e assim o mistério continua, os círculos viraram símbolos e depois figuras complexas e extraordinárias.

Com o aumento na quantidade e complexidade das figuras a cada ano, ficava evidente que aqueles misteriosos desenhos jamais poderiam ser feitos por mãos humanas, pois mesmo que tivesse uma multidão de pessoas desocupadas e interessadas em produzir tal fenômeno não iriam dar conta das centenas de círculos que já viam sendo catalogados em todo o interior da Inglaterra.

Com tal aumento na complexidade dos chamados Círculos Ingleses, ficou descartada a teoria inicial de que os círculos seriam simples marcas de trens de pouso de naves alienígenas. Ufólogos, geólogos, biólogos, matemáticos, físicos, astrônomos e céticos se revezam no mundo inteiro para tentar explicar este fenômeno, alguns com bons argumentos, outros chegam a ser ate ridículos, como a história divulgada pela TV Inglesa no final de 1991, de que dois velhinhos Doug e Dave, teriam feito tais desenhos durante a noite usando a simples técnica de puxar uma tábua amarrada a uma corda por sobre os trigais. Logo os céticos do mundo inteiro deram como encerrado o problema e desvendado o mistério.

Mas o que ocorreu nos anos seguintes foi uma explosão do fenômeno (mais de 3000) por regiões tão distantes e de forma tão acelerada que a dupla de velhinhos já não era capaz de realizá-los, exceto pela imaginação. Quando perguntados sobre as técnicas empregadas, muitas vezes titubeavam e não conseguiam dar explicações consistentes sobre as construções das imagens e muito menos sobre sua execução.

Descartando completamente a hipótese dos céticos sobre a autoria humana das imagens e voltando-se ao fenômeno original, observamos que as formações seguem padrões de geometria euclidiana, com complexas formas e motivos, atualmente com várias manifestações baseadas em geometria fractal e simbologia matemática, rica em mensagens codificadas sobre lavouras de grãos ao redor do mundo.

Mas o que temos de concreto até o momento?

1. Sabemos da pesquisa científica que eles são formados (as genuínas formações) por uma energia capaz de alterar a estrutura molecular da planta sem danificá-la. Além disso, também é capaz de alterar a taxa de crescimento e o seu padrão.

2. A energia envolvida parece ser benigna, mas sua natureza ainda é desconhecida.

3. Algumas formações irradiam uma onda de aproximadamente 5.7 Hz no espectro eletromagnético.

4. Ocorrem às vezes paralelamente ao avistamento de Ovnis.

5. Mesmo após a colheita, a forma dos círculos tem permanecido na terra durante pelo menos seis meses em alguns casos. Isto não pode ser conseguido por “formações na colheita” feitas por humanos.

6. Em algumas das formações, bússolas giram denotando uma anomalia magnética presente.

7. A plantação fora da formação não exibe as mesmas características encontradas dentro do círculo.

8. Não há nenhum nível de consistência. Em algumas formações temos o fator som, as anomalias magnéticas e impressões no solo, mas isto não quer dizer que iremos encontrar as mesmas características na próxima formação. Ainda assim, pode-se mostrar que os novos círculos fazem parte de uma formação genuína.

9. Se nenhum ser humano entrar na formação, a colheita (plantação) continuará crescendo e o fazendeiro não vai perder qualquer grão.

Assim, o que nós temos? Lindos padrões geométricos nos campos que desafiam nossas leis de lógica, da física e argumentos. Mas eles continuam aparecendo pelo mundo afora! Eles parecem ter um profundo efeito espiritual em todos os visitantes ou pesquisadores. Talvez, se nada mais houver, esta seja a razão da sua existência.

Olhando de perto

“Para cada coisa que acredito saber, dou-me conta de nove que ignoro.” (Provérbio Árabe)

Mas o que os cientistas dizem a respeito? Existe algum trabalho sério sendo conduzido neste campo? O que se tem realizado são pesquisas ainda incipientes e nenhuma com respaldo de grandes instituições. Entretanto com a multiplicação do fenômeno acredita-se que mais cientistas voltem os olhos para o fenômeno e tenham iniciativa para realizar estudos aprofundados.

Nos últimos meses, alguns pesquisadores tem se voltado para decifrar os códigos matemáticos impressos nas imagens. O resultado tem sido fascinante. Muitas das imagens produzidas este ano foram relacionadas a eventos astronômicos, como o eclipse de 1º de agosto, onde vemos várias alusões ao alinhamento planetário.

Outra fascinante descoberta foi realizada pelo astrofísico Michael Reed em decifrar uma imagem aparecida em julho deste ano próxima ao castelo Barbury, em Wilts, que continha claramente os dez dígitos do número Pi, a mais ubiqua de todas as constantes matemáticas. Segundo ele, “O pequeno ponto próximo ao centro representa o algarismo decimal, o décimo dígito foi corretamente aproximado, os segmentos angulares representam os dígitos com o salto do raio, de acordo com o valor de cada um, e começando por contar desde o centro, obtém-se exatamente o valor dos dez primeiros dígitos de pi: 3.141592654″

Outro aspecto fascinante das manifestações é a marca deixada nas plantas. As alterações biofísicas são de um grau desconhecido na sua origem, mas algumas simulações demonstraram que a aplicação de alta carga energética pode produzir efeitos semelhantes na estrutura das plantas.

Outros estudos tem sido conduzidos por biofísicos e biólogos moleculares no tocante à estas alterações, bastante peculiares e também impossíveis de serem produzidas por mãos (ou pés) humanos. Alguns estudos comprovaram alterações na parede celular das plantas, bem como alterações cromossômicas e embrionárias nas sementes. Entretanto até o momento nenhum estudo amplo foi publicado.

 

Conforme estas imagens produzidas na Polônia, onde um círculo foi observado em agosto deste ano, as características são semelhantes as demais manifestações, onde as plantas são “dobradas” a mais ou menos 20% da altura, produzindo nódulos no caule com detalhes interessantes, formando um “cotovelo”, que pode ser desenvolvido pela própria planta por pressão de crescimento, porém de forma muito mais lenta do que o ocorrido nas aparições, e nunca na mesma altura da haste e na direção paralela ao solo.

Indo além nas explicações

Testemunhas oculares que presenciaram formações alegam que os desenhos são frutos da manifestação de bolas luminosas, que podem estar agrupadas ou só, onde flutuam sobre as plantações geralmente durante a madrugada. Um vídeo controverso produzido por uma testemunha mostra uma formação em tempo real do círculo pelos ditos ovnis. Numa velocidade surpreendente, o desenho formado pelas plantas dobradas apresenta as mesmas características dos círculos autênticos. Este vídeo esta disponível [ aqui ]. Todavia parece que este é o único material produzido em vídeo até hoje sobre o fenômeno, embora multidões de pesquisadorese curiosos tenham tentado registrar estes eventos. Sempre ocorrem fatos inexplicáveis, como alterações no equipamento, descarga das baterias e até esquecimento de por a fita na câmera (sic).

Partindo do pressuposto de que as formas geométricas são originárias de manifestações energéticas desconhecidas, as bolas de luz ou quaisquer outro objeto voador não identificado traduz nossa total ignorância sobre física, principalmente após um século de descobertas quânticas. Descobiu-se que nosso universo é permeado por uma energia infinitamente maior e desconhecida: a chamada energia negra. De fato, esta energia não é escura, e foi apenas um nome escolhido para representá-la, talvez por ser escura para nosso entendimento.

Segundo a renomada bióloga evolutiva Elisabeth Sahtouris, o universo é permeado por formas de energia criativa, presente em todo o cosmos, que diz ainda: “We must collectively recognize what western science is only now discovering: that humanity and the rest of our living world are embedded within a far greater and fundamentally different reality than is encompassed by our current scientific worldview or paradigm. We are replacing the view of a non-living material/ electromagnetic universe with a greater non-physical reality of conscious intelligence as the never-ending source of scientifically known energy and matter a cosmic source that has been known in many human cultures from ancient times. It is fundamentally conscious and creative, transforming or transmuting into material universes and other creative ventures.”

Talvez estes fenômenos representem uma ótima oportunidade para a humanidade dar um salto significativo em seu desenvolvimento, não apenas pensando em que algo “extraterrestre” seja responsável pela salvação de nosso destino, mas que isto apenas está em nossas mãos, como nunca antes…

Igreja Cristã dos EUA garante: HOJE é o fim do mundo / eua

Para os que acreditam, o sábado será o Dia do Julgamento; para os outros, será momento de festa

Agência Estado


Camping, de 89 anos, fundou igreja protestante e divulgou a ‘segunda vinda de Cristo’

RALEIGH – Um movimento cristão espalhou, a partir dos Estados Unidos, a mensagem de que o mundo acabará neste sábado, 21. Para alguns, será o Dia do Julgamento. Para outros, é momento de festa.

Segundo o grupo, Jesus Cristo retornará à Terra para reunir os fiéis e levá-los ao paraíso. Enquanto as principais correntes do cristianismo não compram a história, muitos céticos debocham dela.

Festas

Diversas celebrações foram convocadas no Facebook ao redor dos Estados Unidos, com os “descrentes” programando festas para o sábado e garantindo que o mundo não acabará. A profecia também foi debochada pela tira de quadrinhos “Doonesbury”.

Na cidade de Fayetteville, na Carolina do Norte, a seção local da Associação Humanista Americana convocou uma festa de dois dias, com início na noite do sábado e continuação no domingo, quando ocorrerá um show de música. “Não queremos que ninguém se sinta insultado, todos podem vir, até os cristãos”, disse o organizador, Geri Weaver.


Família do Estado de Maryland acredita no apocalipse neste sábado.

Igreja independente

A profecia começou com Harold Camping, um engenheiro civil aposentado de 89 anos de Oakland (Califórnia), que fundou a Family Radio Worldwide, uma igreja protestante independente que propagou sua profecia ao redor dos EUA e em muitos lugares do mundo.

A “segunda vinda de Cristo”, uma crença de que Jesus voltará e levará os fiéis ao paraíso, após um período de tribulações na Terra que precederá o fim dos tempos, é uma noção relativamente nova no cristianismo e muitos ramos cristãos não acreditam nela. Mesmo os fiéis raramente tentam marcar uma data para o evento.

As profecias de Camping foram feitas a partir de cálculos numerológicos baseados na leitura que ele fez da Bíblia. Ele afirma que eventos mundiais, como a criação do Estado de Israel em 1948, confirmam suas previsões.


Nova-iorquino leva cartaz prevendo o fim do mundo. ‘A Bíblia garante’, diz

‘Idade da Igreja’

Camping já foi ridicularizado por uma profecia de que o mundo iria acabar em 1994, mas seus seguidores afirmam que ele se referia apenas ao final de uma “idade da Igreja”, uma época onde seres humanos poderiam ser salvos por igrejas organizadas. Agora, eles dizem, apenas os que estão fora das igrejas que eles consideram profundamente corruptas podem esperar ser levados aos céus.

“Sem sombra de dúvidas, 21 de maio será a data da segunda vinda e do Dia do Julgamento”, disse Camping em janeiro deste ano. Essas profecias não são novas, mas a teoria mais recente de Camping foi propagada com entusiástico vigor – não apenas a Family Radio, mas vários outros grupos aderiram a ela.

Eles usaram o rádio, a TV via satélite, websites, propagandas em metrôs e sermões religiosos não só nos EUA, como em dezenas de cidades da América Latina à Ásia. “A profecia foi propagada em quase todos os países”, afirma Chris McCann, que trabalha para o website eBible Fellowship, um dos grupos que propagam que o mundo acabará amanhã.

“Os únicos países onde não houve uma certa divulgação foram os da Ásia Central, os ‘tãos’: Afeganistão, Usbequistão”, disse.


Dia do Juízo contou até com carro para divulgação

Propagandas intensivas

“Eu decidi passar os últimos dias com minha família e colegas de fé”, disse Mary Exley, que deixou sua família no Colorado, no ano passado, para se juntar à Family Radio e passou a divulgar a mensagem do fim do mundo, inclusive em viagens ao Oriente Médio. Segundo ela, o grupo fez propagandas intensivas em Israel, Jordânia, Líbano e Iraque.

No Vietnã, a profecia levou a um tumulto que envolve milhares de membros da etnia Hmong, que se reuniram perto da fronteira com o Laos no começo deste mês, para esperar os eventos de 21 de maio. O governo, que possui uma longa história de desconfiança com minorias étnicas tribais, deteve um líder “extremista” dos Hmong e dispersou outros 5 mil que estavam reunidos.

Nos EUA vários grupos cristãos criticam a profecia. “É irresponsável entrar nesse tipo de especulações” disse o reverendo Daniel Akin, presidente do Seminário Batista em Wake Forest, Carolina do Norte. “Essa profecia pode prejudicar fiéis ingênuos e eles podem ser facilmente iludidos”, afirmou.

As informações são da Associated Press

‘Menino ímã’ é capaz de transportar até 25 kg de metais presos ao corpo / croacia

Segundo pais, Ivan Stoilikovic também teria poderes de cura.
Garoto passou por exames, mas resultados ainda são inconclusivos.

O croata Ivan Stoilikovic, de seis anos, que ganhou fama internacional por causa de seu talento extraordinário e capacidade de atrair objetos metálicos, é capaz de transportar até 25 quilos de metais presos ao seu corpo. Segundo os pais do “menino ímã”, que mora em Heresin, perto de Koprivnica, cerca de 100 quilômetros da capital Zagreb, na Croácia, Ivan também teria poderes de cura. Ele passou por exames médicos, mas, até agora, os resultados são inconclusivos.

Ivan Stoilikovic é capaz de transportar até 25 quilos de metais presos ao seu corpo. (Foto: Nikola Solic/Reuters)Ivan Stoilikovic é capaz de transportar até 25 quilos de metais presos ao seu corpo. (Foto: Nikola Solic/Reuters)
Ivan Stoilikovic ganhou fama na Croácia por causa de seu talento para atrair objetos metálicos. (Foto: Nikola Solic/Reuters)Ivan Stoilikovic ganhou fama na Croácia por causa de seu talento para atrair objetos metálicos. (Foto: Nikola Solic/Reuters)
Segundo pais, menino também teria poderes de cura. (Foto: Nikola Solic/Reuters)Segundo pais, menino também teria poderes de cura. (Foto: Nikola Solic/Reuters)
G1.

O britânico Alexander Mustard documentou um mergulho entre as placas tectônicas da América do Norte e da Eurásia, que se afastam a cada ano. / londres

Mergulhador fotografa divisão entre placas tectônicas na Islândia

Da BBC

O fotógrafo britânico Alexander Mustard registrou o mergulho que ele e outros colegas fizeram na fenda entre as placas tectônicas da América do Norte e da Eurásia.

A aventura para conhecer a “fronteira” entre as duas placas ocorreu no Parque Nacional Thingvellir, na Islândia. A paisagem submersa do parque é cheia de vales, falhas e fontes de lava, formados pelo afastamento gradual entre as duas placas, que se distanciam cerca de 2,5 centímetros uma da outra a cada ano.

Foto tectônica 2 (Foto: Alexander Mustard / Solent )Fotos foram tiradas nas imediações do Parque Nacional Thingvellir. (Foto: Alexander Mustard / Solent )

Os mergulhadores que participaram da expedição desceram cerca de 24 metros na fenda entre as placas, mas chegaram a até 60 metros de profundidade em cânions como o Silfra e o Nikulasargia.

Mustard, de 36 anos, diz que as imagens mostram ‘o mundo submarino único da Islândia, que, assim como a ilha, é formado por paisagens vulcânicas’.

A lava e o vapor quente na interseção entre as placas criou também a chaminé hidrotermal Arnarnes Strytur, visitada pelos mergulhadores. A água é expulsa da chaminé 80°C e forma uma coluna turva ao entrar em contato com a água do mar, que está a 4°C.

Alexander Mustard é especializado em imagens submarinas. Um de seus trabalhos mais conhecidos é o registro fotográfico de destroços de navio no fundo do mar ao redor do mundo.

Foto tectônica 1 (Foto: Alexander Mustard / Solent)Mergulhadores chegaram a atingir até 60 metros de profundidade. (Foto: Alexander Mustard / Solent)

Placas tectônicas
A noção de placas tectônicas foi desenvolvida nos anos 1960 para explicar as localizações dos vulcões e outros eventos geológicos de grande escala.

De acordo com a teoria, a superfície da Terra é feita de uma “colcha de retalhos” de enormes placas rígidas, com espessura de 80 km, que flutuam devagar por cima do manto, uma região com magma nas profundezas da terra.

Foto tectônica 3 (Foto: Alexander Mustard / Solent)Fenda entre duas placas tectônicas foi estudada. (Foto: Alexander Mustard / Solent)

As placas mudam de tamanho e posição ao longo do tempo, movendo entre um e dez centímetros por ano – velocidade equivalente ao crescimento das unhas humanas.

O fundo do oceano está sendo constantemente modificado, com a criação de novas crostas feitas da lava expelida das profundezas da Terra e que se solidifica no contato com a água fria. Assim, as placas tectônicas se movem, gerando intensa atividade geológica em suas extremidades.

As atividades nestas zonas de divisa entre placas tectônicas são as mesmas que dão origem aos terremotos de grande magnitude.

Foto tectônica 4 (Foto: Alexander Mustard / Solent)Alexander Mustard é especializado em fotografia no fundo do mar. (Foto: Alexander Mustard / Solent)

Mãe portadora de síndrome de down revela detalhes de seu dia a dia

Três anos após dar à luz, mãe portadora de síndrome de down revela detalhes de seu dia a dia

Tatiane Moreno

Fábio e Gabriela oficializaram a união em 2009 e a filha do casal foi a dama de honra

Foto: Arquivo PessoalAmpliar +

“Calma gente, não está doendo, está tudo bem”. Era dessa forma que Maria Gabriela Andrade Demate, portadora de síndrome de down, tentava acalmar os pais e os dois irmãos ao seguir para uma maternidade em Campinas, no interior de São Paulo, onde daria à luz sua primeira filha.

Com 27 anos, ela engravidou do marido, o estudante Fábio Marchete de Moraes, com quem já mantinha um relacionamento há 3 anos e meio.

Os dois se conheceram na APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), por volta dos 7 anos de idade, mas logo Fábio, que tem retardo intelectual devido a um acidente vascular pós-parto, saiu da escola. Anos depois, quando retornou, Gabriela já namorava outro rapaz que também tinha síndrome de down, porém ela se lembrou dos presentinhos que ganhava do colega de infância e ficou balançada. “Ele me dava caixa de bombom, correntinha, dava tudo”, relembra Gabriela.

Durante algum tempo, a estudante se viu em um triângulo amoroso, mas logo que se deu conta da situação a comerciante Laurinda Ferreira de Andrade, de 55 anos, disse que a filha precisava se decidir com quem realmente queria manter um relacionamento. ”Ela ficou levando o Erick e o Fábio no banho-maria, mas chegou uma hora que falei: você pode até namorar, mas só um, porque desse jeito você já está exagerando. Foi aí que ela optou pelo Fábio, com quem está até hoje”, revela a mãe da moça.

A decisão não foi muito difícil, já que a aluna cobiçada usou um critério muito simples que não deixou qualquer dúvida na hora da escolha. “O Fábio saía à noite para comer lanche, ia na praça, fazia tudo, e o outro não”, conta Gabriela.

Com o apoio dos pais, o casal reatou o romance e, passado algum tempo, não conseguia mais se desgrudar.

“Quando começaram a namorar os dois não queriam mais se separar, ficavam juntos o tempo todo. Com seis meses de namoro ninguém segurava mais. Foi ai que resolvemos colocar uma cama na minha casa e uma cama na casa da sogra dela e os dois passavam um tempo em cada lugar até que não se desgrudaram mesmo. Como o Fábio tem mais dificuldade de largar a mãe dele, os dois mudaram para lá”, diz Laurinda.

Como qualquer outro casal, Fábio e Gabriela mantinham relações sexuais frequentes, porém não imaginavam que poderiam gerar um filho. Na época em que descobriu a gravidez, a jovem já tinha passado por pelo menos três médicos que garantiram que ela não tinha chances de ter um bebê. Porém, um geneticista alertou que isso poderia ocorrer, sim, sem esperar que ela já estivesse grávida.

“Lembro que fiquei encantada com a ideia, mas a Gabriela foi categórica ao dizer que não queria ser mãe porque filho dava muito trabalho. Como ela tomava anticoncepcional e começou a sentir umas dores de estômago, a levei ao médico para colocar um método contraceptivo intra-pele e nesse ir e voltar ela já estava grávida”, afirma a comerciante.

A surpresa da gravidez

Laurinda, mãe de Gabriela, percebeu que a filha estava mais “cheinha”, mas nunca imaginou que ela pudesse estar esperando um filho. “Eu sempre chamava a atenção dela por estar comendo muito e achei estranho o tamanho da barriga, porém não liguei muito. Foi quando o Fábio contou para um amigo que a barriga dela estava dando socos. Ao levá-la ao médico descobrimos que a Gabriela estava de seis meses. A Valentina nasceu com oito meses e alguns dias, o que quer dizer que eu soube da gravidez e exatamente dois meses depois minha neta já tinha nascido”, recorda.

A maior preocupação dos familiares foi em relação ao fato da estudante não ter feito o pré-natal e não ter acompanhado a gestação. “Durante a gravidez ela fez natação, equitação, musculação e estava fazendo balé, então era um ritmo de exercício físico imenso”, afirma Laurinda.

Porém, enquanto a mãe se descabelava, Gabriela mantinha a calma e o otimismo. “Ela nunca teve medo de nada porque sempre foi muito conversado esse tipo de coisa em casa. Só ficou um pouco com receio da cesárea porque queria tentar o parto normal, mas expliquei que era muito mais difícil e ela aceitou numa boa”.

Laurinda acabou dando todo o apoio que ela mesma não teve quando a filha nasceu. Há 30 anos, não se tinha nenhuma informação sobre o que era a síndrome de down. “O meu sonho era ter uma menina, porque eu já tinha um menino de quatro anos, e você espera sair de um parto com um filho lindo, maravilhoso e perfeito, de preferência o mais lindo da maternidade. Foi um choque quando um dos médicos disse que ela iria andar, falar, teria problemas cardíacos e iria morrer”, relata.

A notícia caiu como uma bomba. Desorientada, a comerciante procurou um geneticista para saber detalhes da enfermidade e chegou a passar dias trancada dentro de casa, chorando, sem querer mostrar a filha para ninguém. “Um dia uma amiga minha chegou e falou: não tem o que fazer, é para sempre. Não é uma coisa que tenha cura, mas se você estiver mal e quiser ficar trancada dentro de casa será uma opção de vida sua. Agora, se você quiser sair com ela e enfrentar o povo, que com certeza vai ‘cair matando’, é outra opção sua. Nisso me deu um estalo, me questionei por quanto tempo ia ficar ali chorando e decidi encarar o mundo. Vesti minha filha com a melhor roupa, a embonequei mesmo, e fui para a rua”, lembra.

A chegada de Valentina

Laurinda lembra que durante a gravidez de Gabriela ficou bastante perdida por conta da rapidez em que os fatos aconteceram. ”Costumo dizer que fiquei cega, surda e muda neste período. No dia em que a bolsa estourou, eu estava na maior correria, com pedreiros em casa construindo o quarto que seria da Valentina, e não percebi que ela estava prestes a ter a criança. Por volta das 7h da manhã, a Gabriela me disse que tinha feito xixi na cama, mas só na hora do almoço é que eu fui descobrir que na verdade a bolsa tinha rompido, mesmo porque ainda não estava no tempo do parto. Foi uma loucura, fomos voando para Campinas e ela tranquilizando a gente. Eu quase morri”, diverte-se.

Valentina chegou ao mundo um mês antes do previsto sem herdar a síndrome de down da mãe e a deficiência intelectual do pai. “Minha neta é uma verdadeira benção, linda, maravilhosa, inteligente e meiga. É a consequência da vida que a Gabriela sempre levou. Eu fiz questão de que ela tivesse uma vida normal, que conseguisse o máximo que quisesse na vida e sempre procurei realizar todos os seus sonhos na medida do possível. As pessoas acham que os deficientes não têm sonhos, só precisam de cuidados, mas isso não é verdade. Eles têm muitos sonhos”, alerta.

Papeis invertidos

Embora não more com a filha, que hoje tem 3 anos, Gabriela orgulha-se ao falar de Valentina e lamenta quando sua mãe, que é quem cria a menina, precisa dar algumas broncas. “Ela passa mal sempre que vê a gente chamando a atenção da Valentina e diz que não gosta porque sente um aperto no peito. É o instinto materno mesmo”, afirma Laurinda.

Valentina foi registrada pelos pais biológicos após a avó enfrentar algumas dificuldades no Cartório de Registro Civil da cidade de Socorro, onde moram. “Eu não tinha dúvidas de que isso seria possível, só gostaria que tivesse sido com mais respeito”, conta ela que passou cerca de dois meses lutando para que o local aceitasse o pedido depois de alegarem que Fábio não conseguia declarar a paternidade, nem dizer seu endereço residencial.

Clique aqui e veja mais fotos da família!

No dia a dia, Gabriela costuma levar a filha à escola com a mãe e adora brincar com a menina. “Ela me chama de mãe, a gente pula na cama elástica, assiste televisão. Ela é bem boazinha comigo”, diz a jovem que também não poupa elogios à mãe. “Ela [Laurinda] me leva até café na cama e eu ajudo a arrumar a cozinha”, ressalta.

Segundo a avó, Valentina é bastante apegada à mãe. “Ela é completamente apaixonada pela Gabriela e a chama de minha mamãe gorducha (risos). Quando ela chega, a Valentina já fica cheia de manha, faz birra. Acabei meio que assumindo o papel de mãe e ela o de avó, que deixa fazer tudo”, confessa.

Ao ser questionada pelo eBand se gostaria de ter outro filho, Gabriela é categórica. “Não, eu operei, um já está bom”.

Enfim, casados

Um ano após o nascimento de Valentina, Gabriela e Fábio oficializaram a união com direito a uma festança que movimentou a pacata cidade de Socorro. “Fizemos uma cerimônia religiosa no melhor clube no dia 19 de março de 2009, quando minha neta completou 1 ano. A Gabriela casou de branco e a Valentina entrou de daminha”, conta a avó.

Gabriela também lembra a data com carinho. “Foi muita gente, estava tudo lotado, minhas tias, meus tios, meu pai”.

Durante a entrevista, ela estava passando alguns dias na casa da mãe, perto da filha e longe do marido. “Eu estou doentinha e a Valentina também. O Fábio está lá na nossa casa, cuidando, mas ele liga todo dia porque está com saudade”, diz envaidecida.

eband.

O Gruyère suíço: Como é feito o melhor queijo do mundo / por haroldo de castro / são paulo

A panela de esmalte vermelho apareceu sob ovações. Dentro, uma massa de queijo derretido exalava um aroma embriagante. Como a receita da fondue inclui vinho branco e como eu era um pirralho de sete anos, só tive autorização para comer dois pedacinhos de pão banhados nessa mistura mágica. Foi durante esse jantar nos Alpes que escutei a palavra Gruyère pela primeira vez. A partir daquele noite, para mim, passaram a existir muitos queijos, mas apenas um seria o soberano: o meu Gruyère.

O ancestral do Gruyère tem provavelmente 900 anos. A primeira menção de sua preparação na região data de 1115, quando Guilherme, o primeiro Conde de Gruyères (o nome do vilarejo leva um “s” no final), fundou um monastério em Rougemont para apoiar os camponeses na fabricação do produto local.

Vaca leiteira no pasto natural, ao pé do castelo de Gruyères e da torre da igreja.

Mas por que preparar queijo? Em uma época sem geladeiras, conservantes e Tetra Paks, como faziam os antigos europeus para que um alimento tão nutritivo como o leite pudesse ter uma vida mais longa? As frutas estão para a compota, assim como o leite está para o queijo. O queijo foi criado como uma “conserva” do leite, para evitar o desperdício de seus sais minerais e proteínas.

Com suas tradicionais bochechas rosadas, Joseph Doutaz parece ter bem menos de 80 anos de idade.Forte e bem disposto, ele aprendeu a fabricar esse manjar aos 16 anos, quando passou o verão em um chalé nas montanhas, ajudando o pai com seu rebanho. Isolados nas alturas e sem comercializar o leite diariamente, produziram dezenas de peças do Gruyère chamado Alpage.

Ele revelou alguns de seus segredos. “Para fazer um bom queijo, preciso de um leite de excelente qualidade, sem impurezas. As vacas devem comer bem – 120 quilos de pasto por dia – e beber 100 litros de água”, explicou Joseph. “Bem alimentado, cada animal pode produzir 25 litros de leite”.

Depois de fermentado, coalhado, cortado e elevado a uma temperatura de 56 graus C, cada 11,5 litros de leite se transforma em um quilo de Gruyère. “É o próprio queijo que decide quando ele está no ponto. O queijeiro precisa saber ouvir”, confessou Joseph, que nunca se distrai durante a preparação. “Podemos perder centenas de litros de leite por um instante de desatenção”.

O processo de fabricação do queijo na Casa do Gruyère é moderno e impecável. Quatro caldeirões de cobre, de 4.800 litros cada, geram diariamente centenas de peças redondas que poderão ser batizadas como Gruyère. Cada uma pesa 35 quilos. Os queijos passam seus primeiros três meses em um quarto a 14 graus C de temperatura. A cava de maturação da Casa do Gruyère pode albergar mais de 7.000 itens, cuidados por um robô. A máquina retira a peça, passa água salgada na crosta e a devolve à prateleira.

Em um dos quatro caldeirões de cobre da “Casa do Gruyère”, 4.800 litros de leite são transformados em centenas de queijos de 35 quilos. Apesar da alta tecnologia, os queijeiros sempre estão atentos ao ponto da massa.

Joseph Doutaz fez questão que eu entrasse com ele na câmara de maturação. Quando abriu a porta, um odor ácido – parecido com uma mistura de amoníaco e coalhada – penetrou pelas narinas. Ele riu da minha reação e foi direto às prateleiras onde os queijos atravessam o período de maturação. “Um Gruyère só é digno do nome quando passa por um mínimo de cinco meses de cura”, esclareceu o queijeiro. “Mas com mais de um ano de idade, seu sabor é ainda mais pronunciado”.

Encontramos nas prateleiras dezenas de Gruyère Alpage. “Eles são produzidos nas montanhas. No verão, quando o rebanho está nas pastagens de altura, ordenhamos as vacas e fazemos o queijo lá mesmo”, revelou Joseph. “O leite tem outro sabor, pois o gado consome grande quantidade de flores e ervas. Os perfumes de violetas, margaridas, trevos, castanhas ou nozes passam para o produto”. Como as peças devem ser transportadas a pé, elas são menores. “Pesam 20 quilos. Utilizamos um pássaro para transportá-los até o vilarejo mais próximo”, explicou Joseph.

Um pássaro? Imediatamente imaginei uma águia amestrada levando em suas garras as peças cilíndricas através dos céus alpinos. Joseph notou minha perplexidade e ignorância. “O pássaro é uma armação de madeira colocada nos ombros. Ela inclui uma plataforma redonda, apoiada sobre a cabeça, onde se empilha os queijos. Quando eu era jovem, conseguia descer das montanhas com quatro”.

O mestre queijeiro Joseph Doutaz, vestido com seu tradicional Bredzon, mostra a utilização do “pássaro”, utensílio de madeira para facilitar o transporte das peças de queijo desde as montanhas até o vilarejo abaixo.

Ao sair da cava de maturação, fomos direto à loja da Casa do Gruyère. Encantado, fui convidado a provar pedacinhos de queijos de diferentes idades. Todos deliciosos, mas quando degustei o Alpage, subi aos céus. Fechei os olhos e pude sentir as flores silvestres e o gostinho de fumaça dentro do chalé. Se eu comesse um pouco mais desta delícia, começaria a ouvir o barulho dos sinos que as vacas suíças levam ao pescoço. 

Na Suíça, para usar uma etiqueta com o nome Gruyère, existe um incorruptível processo de pontuação. 
A organização responsável é a Interprofession du Gruyère e Jean-Louis Andrey é seu mestre queijeiro. Ele avalia uma mostra representativa de toda a produção suíça de queijos Gruyère. “Já provei meio milhão de peças durante os últimos anos. É um trabalho de responsabilidade, pois decidimos quais serão os queijos vendidos ao consumidor e os que serão vetados”, esclareceu Jean-Louis.

E, afinal, o Gruyère possui buracos ou não? Jean-Louis Andrey foi categórico. “Os queijos com orifícios, mesmo se pequenos, são desqualificados. Para ser autêntico, ele não pode apresentar nenhuma abertura”. Traduzindo, o Gruyère suíço não tem buracos! O resto é pura imitação.

Uma das cavas de maturação da “Casa do Gruyère”, onde os queijos passam seus primeiros três meses. Um robô retira a peça, passa água salgada na crosta e devolve o queijo à prateleira.

RUI BIRIVA compositor nativista gaúcho, entregou as “moedas para o barqueiro” / porto alegre

Corpo do músico Rui Biriva é velado na Câmara de Vereadores de Porto Alegre

Compositor nativista morreu na noite de ontem devido a um tumor no intestino grosso

O corpo do cantor e compositor nativista Rui Biriva, que morreu na noite de segunda-feira, é velado na Câmara de Vereadores de Porto Alegre desde as 8h de hoje. O músico morreu às 22h45min de ontem no Hospital de Clínicas, onde estava internado desde 14 de abril para o tratamento de um tumor no intestino grosso.

Após o velório na Capital, que se encerra às 13h, o corpo segue para Horizontina, terra natal do músico, onde será sepultado na quarta-feira em uma cerimônia aberta ao público.

A morto de músico comoveu a comoção em todo o Rio Grande do Sul. Na internet, adoradores da música gauchesca deixaram palavras de conforto e prestaram homenagens ao artista. Biriva lutava há um ano contra um tumor no intestino grosso.

A mulher do cantor, Priscila Dutra, agradeceu o apoio de colegas e amigos. Segundo ela, Rui Biriva foi um lutador:

— O Rui lutou um ano contra o câncer e sempre estimulou as pessoas a prevenirem a doença, realizar exames. Infelizmente, não deu. Mas ele deixa o exemplo de fé coragem, alegria. Espero que o povo gaúcho guarde essa mensagem deixada por ele — afirmou.

ZH

“VEJA” como a mídia “séria” trataria o episódio se no lugar do AÉCINHO fosse o ex-presidente LULA:

DILMA é eleita pela revista ‘Time’ uma das 100 pessoas mais influentes

Perfil de Dilma foi escrito por Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile.

No texto, ela diz que presidente brasileira tem ‘sabedoria’ e ‘convicção’.

Dilma Rousseff é listada entre as 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista "Time" (Foto: Reprodução/Divulgação)
Dilma Rousseff é listada entre as 100 pessoas
mais influentes do mundo pela revista “Time”
(Foto: Reprodução/Divulgação)

A presidente Dilma Rousseff foi escolhida pela revista norte-americana “Time” como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2011. A lista inclui artistas, políticos, ativistas, cientistas e empresários.

A próxima edição da revista vai às bancas nesta sexta-feira (22), com um perfil das 100 personalidades. A descrição de Dilma foi feita pela ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, atual diretora da agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para mulheres.

No texto, Bachelet destaca as dificuldades de ser a primeira mulher a governar um país. “Apesar da honra que isso representa, ainda há preconceitos e estereótipos para enfrentar. Não é fácil governar uma nação emergente”, diz a ex-presidente chilena.

Ela explica que um governante de um país desenvolvimento vivencia otimismo e entusiasmo por parte da sociedade, mas também enfrenta “desafios mais complexos e cidadãos mais exigentes”.
Segundo Bachelet, o Brasil vive um “momento único”, de grandes oportunidades e que exige um líder com “sólida experiência e ideais firmes”.


“Dilma oferece essa virtuosa combinação de sabedoria e convicção que o país dela precisa”, diz a chilena. De acordo com Bachelet, a presidente brasileira é uma “lutadora corajosa, que enfrentou a ditadura militar e dedicou a vida a construir uma alternativa democrática para o desenvolvimento, a igualdade social e o direito das mulheres.

A lista
A lista dos 100 mais influentes é publicada pela revista “Time” desde 2004. A deste ano inclui, além de Dilma, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a mulher dele, Michelle, a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, o príncipe William e a noiva, Kate Middleton, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, entre outras autoridades.

A lista conta ainda com empresários de sucesso, como o fundador da rede social Facebook, Mark Zukerberg. Entre os artistas escolhidos, está o ator britânico Colin Firth, ganhador do Oscar deste ano. O cantor de 17 anos Justin Bierber também foi eleito um dos mais influentes.
Do G1, em Brasília

‘O DIA QUE DUROU 21 ANOS’ na TV BRASIL

Série de 3 episódios revela imagens e depoimentos históricos sobre o Golpe de 64

Robert Bentley, assistente de embaixador Lincoln Gordon, dá depoimento exclusivo
Robert Bentley, assistente de embaixador Lincoln Gordon, dá depoimento exclusivo

Os que viveram a ditadura militar brasileira, os que passaram por ela em brancas nuvens e os que nasceram depois que ela acabou. Todos podem conhecer melhor e refletir sobre esse período, a partir da nova série “O Dia que durou 21 anos”, que a TV Brasil exibiu nos dias 4, 5 e 6 de abril, às 22 h.

Em clima de suspense e ação, o documentário apresenta, em três episódios de 26 minutos cada, os bastidores da participação do governo dos Estados Unidos no golpe militar de 1964 que durou até 1985 e instaurou a ditadura no Brasil. Pela primeira vez na televisão, documentos do arquivo norte-americano, classificados durante 46 anos como Top Secret, serão expostos ao público. Textos de telegramas, áudio de conversas telefônicas, depoimentos contundentes e imagens inéditas fazem parte dessa série iconográfica, narrada pelo jornalista Flávio Tavares.

O mundo vivia a Guerra Fria quando os Estados Unidos começaram a arquitetar o golpe  para derrubar o governo de João Goulart. As primeiras ações surgem em 1962, pelo então presidente John Kennedy. Os fatos vão se descortinando, através de relatos de políticos, militares, historiadores, diplomatas e estudiosos dos dois países. Depois do assassinato de Kennedy, em novembro de 1963, o texano Lyndon Johnson assume o governo e mantém a estratégia de remover Jango, apelido de Goulart. O temor de que o país se alinharia ao comunismo e influenciaria outros países da América Latina, contrariando assim os interesses dos Estados Unidos, reforçaram os movimentos pró-golpe.

Peter Korneluh - O Dia que durou 21 anos
Peter Korneluh

A série mostra como os Estados Unidos agiram para planejar e criar as condições para o golpe da madrugada de 31 de março. E, depois, para sustentar e reconhecer o regime militar do governo do marechal Humberto Castelo Branco. Envergando uma roupa civil, ele assume o poder em 15 de abril. Castelo era chefe do Estado Maior do Exército de Jango.

O governo norte-americano estava preparado para intervir militarmente, mas não foi necessário, como ressaltam historiadores e militares. O general Ivan Cavalcanti Proença, oficial da guarda presidencial, resume: “Lamento que foi um golpe fácil demais. Ninguém assumiu o comando revolucionário”.

Do Brasil, duas autoridades americanas foram peças-chaves para bloquear as ações de Goulart e apoiar Castelo Branco: o embaixador dos Estados Unidos, Lincoln Gordon; e  o general Vernon Walters, adido militar e que já conhecia Castelo Branco. As cartas e o áudio dos diálogos de Gordon com o primeiro escalão do governo americano são expostas. Entre os interlocutores, o presidente Lyndon Johnson, Dean Rusk (secretário de Estado), Robert McNamara (Defesa). Além de conversas telefônicas de Johnson com George Reedy Dean Rusk; Thomas Mann (Subsecretário de Estado para Assuntos Interamericanos) e George Bundy, assessor de segurança nacional da Casa Branca, entre outros.

Foi uma das mais longas ditaduras da América Latina. O general Newton Cruz, que foi chefe da Agência Central do Serviço Nacional de Informações (SNI) e ex-comandante militar do Planalto, conclui: “A revolução era para arrumar a casa. Ninguém passa 20 anos para arrumar uma Casa”.

Em 1967, quem assume o Planalto é o general Costa e Silva, então ministro da Guerra de Castelo. Da linha dura, seu governo consolida a repressão. As conseqüências deste período da ditadura, seus meandros políticos e ideológicos estarão na tela. Mortes, torturas, assassinatos,  violação de direitos democráticos e prisões arbitrárias fazem parte desse período dramático da história.

O jornalista Flávio Tavares, participou da luta armada, foi preso, torturado e exilado político. Através da série, dirigida por seu filho Camilo Tavares, ele explora suas vivências e lembranças. E mais: abre uma nova oportunidade de reflexão sobre o passado.

O Dia que durou 21 anos é uma coprodução da TV Brasil com a Pequi Filmes, com direção de Camilo Tavares. Roteiro e entrevistas de Flávio e Camilo.

Plínio de Arruda Sampaio
Plínio de Arruda Sampaio

Primeiro Episódio:

As ações do embaixador dos Estados Unidos, Lincoln Gordon, ainda no governo Kennedy, são expostas neste primeiro capítulo. O discurso do presidente João Goulart pregando reformas sociais torna-se uma ameaça e é interpretado pelos militares como uma provocação. Nos quartéis temia-se uma movimentação de esquerda e a adoção do comunismo, que poderia se espalhar por outros países latinos. Entrevistas e reportagens da CBS são reproduzidas, bem como diálogos entre Gordon e Kennedy.

O documentário expõe a efervescência da sociedade brasileira naquele período. Para evitar que Goulart chegasse forte às eleições de 1965, foi criado o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática), que teria dado cobertura às ações dos Estudos Unidos para derrubar João Goulart.

Segundo Episódio:

Cenas da morte de John Kennedy e a posse de Lyndon Johnson abrem este capítulo, dando sequência à estratégia dos Estados Unidos de impedir ao que o ex-presidente americano chamou de “um outro regime comunista no hemisfério ocidental”. “Vamos ficar em cima de Goulart e nos expor se for preciso”, diria Jonhson.

Imagens focam no discurso de Jango na Central do Brasil, em 13 de março de 1964,  que foi considerado uma provocação pelos arquitetos do golpe. Os americanos já preparavam o esquema, enviando suas forças militares para o “controle das massas”, como se refere um dos entrevistados. Paralelamente, articulações para levar Castelo Branco ao poder estavam sendo engendradas.

As forças americanas não precisaram entrar em campo. João Goulart pegou o avião, foi para Brasília e depois para o sul do país. Por que Jango não reagiu”? É uma questão posta na tela. O general Cavalcanti, oficial da guarda presidencial, resume: “Lamento que foi um golpe fácil demais. Ninguém assumiu o comando revolucionário”.

Os Estados Unidos estavam mobilizados para, em caso de resistência, fazer a intervenção militar pela costa e assim ajudar os militares.  As correspondências de Lincoln Gordon com o primeiro escalão da Casa Branca são mostradas ao público, explorando as ações secretas junto às Forças Armadas, a reação da imprensa e dos grupos católicos no Brasil. Os Estados Unidos reconhecem o novo governo e imagens da vitória e manifestações de rua entram em cenas.

James Green
James Green

Terceiro Episódio:

O cargo de presidente é declarado vago pelo presidente do Senado, Auro Moura de Andrade. O presidente da Câmara, Ranieri Mazzilli, é empossado.

No dia 15 de abril, o chefe das Forças Armadas, marechal Castelo Branco, toma posse.

Castelo tinha relações amistosas com Vernon Walters, adido da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Depois de suas conversas com Castelo, ele se ocupava em enviar telegramas para os Estados Unidos, relatando o teor da conversa.  Os textos dos telegramas são revelados no episódio.

O governo Castelo Branco recrudesce e dá início aos atos institucionais. O de número 2 extingue os partidos políticos e torna as eleições indiretas. E mais: prorroga o seu mandato. Em 1967, ele é substituído pelo general Costa e Silva, da chamada linha dura do Exército. O AI 5 é decretado no ano seguinte, e o Brasil entra no caos, “O AI5 foi uma revolução dentro da revolução”, declara o general Newton Cruz.

A repressão e a tortura dominavam o país. Militares e estudiosos falam desse período. O brigadeiro Rui Moreira Lima, da Força Aérea Brasileira, declara: “Eu conheci um coronel, filho de um general, que veio de um curso de tortura no Panamá. Ele chegou e disse: agora estou tinindo na tortura, pega aí um cara pra eu torturar”.

Os Estados Unidos continuam em campo e Lincoln Gordon pede para o governo fortalecer ao máximo o regime militar brasileiro. O orçamento da embaixada cresce, como registra o historiador Carlos Fico, da UFRJ, um dos entrevistados de Flávio Tavares.

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O DIA QUE DUROU 21 ANOS – EPISÓDIOS 1, 2 e 3

O DIA QUE DUROU 21 ANOS – EPISÓDIO 1

Três episódios revelam os bastidores da participação dos Estados Unidos no golpe militar de 64

O dia que durou 21 anos
O dia que durou 21 anos

Os que viveram a ditadura militar brasileira, os que passaram por ela em brancas nuvens e os que nasceram depois que ela acabou. Todos podem conhecer melhor e refletir sobre esse período.

Em clima de suspense e ação, o documentário apresenta, em três episódios de 26 minutos cada, os bastidores da participação do governo dos Estados Unidos no golpe militar de 1964 que durou até 1985 e instaurou a ditadura no Brasil. Pela primeira vez na televisão, documentos do arquivo norte-americano, classificados durante 46 anos como Top Secret, serão expostos ao público. Textos de telegramas, áudio de conversas telefônicas, depoimentos contundentes e imagens inéditas fazem parte dessa série iconográfica, narrada pelo jornalista Flávio Tavares.

A série mostra como os Estados Unidos agiram para planejar e criar as condições para o golpe da madrugada de 31 de março. E, depois, para sustentar e reconhecer o regime militar do governo do marechal Humberto Castelo Branco. As cartas e o áudio dos diálogos de Gordon com o primeiro escalão do governo americano são expostas. Entre os interlocutores, o presidente Lyndon Johnson, Dean Rusk (secretário de Estado), Robert McNamara (Defesa). Além de conversas telefônicas de Johnson com George Reedy,  Dean Rusk; Thomas Mann (Subsecretário de Estado para Assuntos Interamericanos) e George Bundy, assessor de segurança nacional da Casa Branca, entre outros.

O Dia que durou 21 anos é uma coprodução da TV Brasil com a Pequi Filmes, com direção de Camilo Tavares. Roteiro e entrevistas de Flávio e Camilo.

No primeiro episódio, as ações do embaixador dos Estados Unidos, Lincoln Gordon, ainda no governo Kennedy, são expostas. O discurso do presidente João Goulart, pregando reformas sociais, é interpretado como uma ameaça e provocação pelos militares. Nos quartéis temia-se uma movimentação de esquerda e a adoção do comunismo, que poderia se espalhar por outros países latinos. Entrevistas e reportagens da CBS são reproduzidas, bem como diálogos entre Gordon e Kennedy.

O documentário expõe a efervescência da sociedade brasileira naquele período. Para evitar que Goulart chegasse forte às eleições de 1965, foi criado o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática), que teria dado cobertura às ações dos Estudos Unidos para derrubar João Goulart.

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O dia que durou 21 anos – Epísódio 2

Cenas da morte de John Kennedy e a posse de Lyndon Johnson abrem este capítulo, dando sequência à estratégia dos Estados Unidos de impedir ao que o sucessor de Kennedy chamou de “um outro regime comunista no hemisfério ocidental”. “Vamos ficar em cima de Goulart e nos expor se for preciso”, diria Jonhson, numa referência ao ex-presidente João Goulart.

Imagens focam no discurso de Jango, apelido de Goulart, na estação Central do Brasil ( Rio de Janeiro) , em 13 de março de 1964,  que foi considerado uma provocação pelos arquitetos do golpe. Os americanos já preparavam o esquema, enviando suas forças militares para o “controle das massas”, como se refere um dos entrevistados. Paralelamente, articulações para levar o marechal Humberto Castelo Branco ao poder estavam sendo engendradas.

As forças americanas não precisaram entrar em campo. João Goulart pegou o avião, foi para Brasília e depois para o sul do país. Por que Jango não reagiu”? É uma questão posta na tela. O general Cavalcanti, oficial da guarda presidencial, resume: “Lamento que foi um golpe fácil demais. Ninguém assumiu o comando revolucionário”

Os Estados Unidos estavam mobilizados para, em caso de resistência, fazer a intervenção militar pela costa e assim ajudar os militares.  As correspondências de Lincoln Gordon com o primeiro escalão da Casa Branca são mostradas ao público, explorando as ações secretas junto às Forças Armadas, a reação da imprensa e dos grupos católicos no Brasil. Os Estados Unidos reconhecem o novo governo e imagens da vitória e manifestações de rua entram em cenas.

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O dia que durou 21 anos – Episódio 3

O cargo de presidente do Brasil é declarado vago pelo senador Auro Moura de Andrade. O presidente da Câmara, Ranieri Mazzilli, é empossado.

No dia 15 de abril, o chefe das Forças Armadas, marechal Castelo Branco, toma posse.

Castelo tinha relações amistosas com o general Vernon Walters, adido da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Depois de suas conversas com Castelo, ele se ocupava em enviar telegramas para os Estados Unidos, relatando o teor da conversa.  Os textos dos telegramas são revelados no episódio.

O governo Castelo Branco recrudesce e dá início aos atos institucionais. O de número 2 extingue os partidos políticos e torna as eleições indiretas. E mais: prorroga o seu mandato. Em 1967, ele é substituído pelo general Costa e Silva, da chamada linha dura do Exército. O AI 5 é decretado no ano seguinte, e o Brasil entra no caos, “O AI5 foi uma revolução dentro da revolução”, declara o general Newton Cruz.

A repressão e a tortura dominavam o país. Militares e estudiosos falam desse período. O brigadeiro Rui Moreira Lima, da Força Aérea Brasileira, declara: “Eu conheci um coronel, filho de um general, que veio de um curso de tortura no Panamá. Ele chegou e disse: agora estou tinindo na tortura, pega aí um cara pra eu torturar”.

Os Estados Unidos continuam em campo e Lincoln Gordon pede para o governo fortalecer ao máximo o regime militar brasileiro. O orçamento da embaixada cresce, como registra o historiador Carlos Fico, da UFRJ, um dos entrevistados de Flávio Tavares.

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Senado uruguaio invalida lei que perdoava crimes da ditadura / montevidéo

Após uma que sessão de intensos debates, que durou aproximadamente 12 horas, o Senado uruguaio aprovou na noite desta terça-feira (12/04) três artigos que tornam inválida a Lei de Caducidade da Pretensão Punitiva do Estado, como é chamada a medida de anistia no país. A medida abre o caminho para que militares e policiais acusados de crimes cometidos durante a ditadura militar (1973-1985) possam ser julgados sem exceção.

O texto aprovado “deixa sem efeito os artigos 1, 3 e 4” da lei, que determinam que crimes cometidos por funcionários do governo militar não poderão ser julgados por conta de um acordo feito entre as forças armadas e o poder civil durante o período de transição.

Foram 16 votos a favor, todos do partido governista Frente Ampla, e 15 contra, sendo um deles do senador Jorge Saravia, da bancada governista. Agora, o texto deve ser votado na Câmara de Deputados. Ele foi primeiramente aprovado pelos deputados em outubro de 2010, agora, precisa voltar à Casa para que sejam aprovadas ou rejeitadas as alterações feitas pelos senadores.

O deputado Felipe Michelini, coordenador da bancada da Frente Ampla na Câmara, disse ao jornal localEl País que a ideia é que o projeto tenha um “rápido tratamento”e que seja votado no plenário na sessão de 4 de maio. “Já comunicamos a todas as bancadas qual é nossa intenção. Ninguém não que não”, afirmou Michelini. A Casa possui 99 deputados, 50 deles do partido governista. De acordo com reportagem do El País, eles já sinalizaram voto favorável.

Se for aprovado na Câmara, o texto será encaminhado ao presidente José “Pepe” Muijica, ex-preso político, que passou 14 anos na prisão quando integrava o movimento de esquerda Tupamaros. Como a proposta de anulação foi formulada pelo próprio governo, em agosto de 2010, a expectativa é a de que ele ratifique o texto.

Polêmica

A lei de anistia foi promulgada em 1986, durante o governo de Julio María Sanguinetti, o primeiro do período de redemocratização. O argumento usado pelo governo para derrubá-la é o de que o Uruguai é signatário de acordos com órgãos internacionais, como a OEA (Organização dos Estados Americanos), que preveem a punição de crimes de violação de direitos humanos e, portanto, precisaria dar uma resposta à comunidade internacional.

O Uruguai está sendo processado na CIDH (Corte Interamericana de Direitos Humanos), ligada à OEA, por um crime cometido durante a ditadura. Trata-se da denúncia feita por Macarena Gelman, cujos pais foram sequestrados em Buenos Aires, em agosto de 1976, e depois enviados a Montevidéu, onde foram assassinados.

Além disso, o país já foi condenado duas vezes pelo Comitê de Direitos Humanos do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos pelos casos de impunidade.

Por outro lado, os críticos — entre eles militares e parlamentares dos partidos Colorado e Nacional — argumentam que seria uma atitude anti-democrática anular a anistia, já que ela foi ratificada em dois plebiscitos, em 1989 e 2009, nos quais a população rejeitou a revogação da lei.

Em alguns casos específicos, a Suprema Corte do Uruguai considerou a aplicação da lei inconstitucional, fazendo com que ela não fosse um impedimento para a realização de julgamentos.

Desde 2005, quando o ex-presidente Tabaré Vazquez, da Frente Ampla, assumiu a presidência, 16 casos foram levados à Justiça, entre eles os ex-ditadores Gregorio Álvarez e Juan María Bordaberry, condenados à prisão por violação de direitos humanos.

De acordo com dados de entidades de defesa de direitos humanos do Uruguai, pelo menos 200 pessoas desapareceram durante a ditadura militar.

por Daniella Cambaúva

BONO disse para a Presidenta DILMA que “todo presidente deveria priorizar o combate à pobreza” / brasilia

Dilma almoça com banda irlandesa U2 em Brasília

banda irlandesa U2 chegou no final da manhã ao Palácio da Alvorada, em Brasília, onde deve almoçar com a presidenta Dilma Rousseff. Em parte do encontro com a presidenta, aberto para registro de imagens, o vocalista e ativista social Bono Vox lamentou a tragédia na escola em Realengo, no Rio de Janeiro, comentou sobre programas de combate à aids, que apoia, e falou até da lei brasileira da Ficha Limpa.

Bono disse para Dilma que todo presidente deveria priorizar o combate à pobreza. Ele afirmou que pretende conhecer as ações do governo do Brasil na área. Do lado de fora, na portaria do Palácio da Alvorada, um pequeno grupo de fãs gritava o nome do vocalista e da banda, quando o grupo chegou para o encontro com a presidenta.

GP.

Lojas PERNAMBUCANAS: é encontrado trabalho escravo com imigrantes

Trabalho escravo é encontrado na cadeia da Pernambucanas

Por Bianca Pyl

A casa branca, localizada em uma rua tranquila da Zona Norte da capital paulista, não levantava suspeita. Dentro dela, no entanto, 16 pessoas vindas da Bolívia viviam e eram explorados em condições de escravidão contemporânea na fabricação de roupas.

O grupo costurava blusas da coleção Outono-Inverno da Argonaut, marca jovem da tradicional Pernambucanas, no momento em que auditores fiscais da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE/SP) chegaram ao local.

Entre as vítimas, dois irmãos com 16 e 17 anos de idade e uma mulher com deficiência cognitiva. No local, a fiscalização constatou a degradação do ambiente, jornada exaustiva de trabalho e servidão por dívida, três traços que caracterizam o trabalho análogo ao de escravo -crime previsto no Art. 149 do Código Penal. As vítimas trabalham mais de 60 horas semanais para receber, em média, salário de R$ 400 mensais.

Descobriu-se que a encomenda das peças havia sido feita pela intermediária Dorbyn Fashion Ltda. – um entre os mais de 500 fornecedores da centenária rede de lojas. O flagrante, registrado em 14 de março, motivou o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) a cobrar cerca de R$ 2,3 milhões da Pernambucanas, soma dos valores referentes a autuações com a notificação para recolhimento do Fundo de Garantia pelo Tempo de Serviço (FGTS).

A Repórter Brasil acompanhou a operação comandada pela SRTE/SP. O cenário encontrado de condições degradantes apresentava diversos riscos à saúde e segurança das vítimas. Não há janelas ou qualquer tipo de ventilação no espaço apertado e quente. A insalubridade, a precariedade e o improviso marcavam tanto os ambientes de trabalho quanto os de descanso.

Alimentos eram armazenados de forma irregular: além da bandeja de iogurte dentro da gaveta, a inspeção se deparou com carnes estragadas. A sofrível estrutura não permitia nem banhos com água quente.

As jornadas de trabalho eram exaustivas, sem pagamento de horas extras. Os “salários” não alcançavam o salário mínimo e muito menos o piso da categoria. Também foram recolhidas anotações referentes a descontos irregulares, artifício comum dentro do esquema de servidão por dívida. As passagens de ônibus para o Brasil eram “pagas” com trabalho intenso de costura.

Na chegada da equipe de fiscalização, os trabalhadores deixaram transparecer a apreensão. “Medo de ter que ir embora sem nada”, disse um deles. Um costureiro interrompe o depoimento do outro e poucos falam abertamente sobre as condições em que vivem. Mesmo assim, Joana** relatou que “quanto mais rápido se trabalha, mais se pode ganhar”. Ela e seus companheiros de trabalho não tinham, contudo, acesso ao controle de sua produção e nem quanto receberia por peça. As jovens nunca viram as roupas que produzem na loja e nunca compraram nada nas lojas Pernambucanas.

A primeira pergunta que Joana** fez às autoridades presentes veio de chofre: “Eu posso estudar?”. A jovem sempre alimentou o sonho de cursar – em sentido inverso percorrido por muitos brasileiros que estudam na Bolívia para se tornar médicos – uma faculdade de Medicina no Brasil.

Ela contou já ter feito o curso preparatório em seu país. A jovem chegara em São Paulo (SP) apenas um mês antes do flagrante. Um táxi teria sido encarregado de trazê-la da rodoviária diretamente até a discreta oficina. Na cidade de El Alto, vizinha à capital La Paz, Joana** consertava telefones celulares.

A investigação que chegou até o local começou em agosto do ano passado, quando outra oficina que empregava imigrantes sem documentos e em condições degradantes foi flagrada costurando vestidos Vanguard, marca feminina adulta da Pernambucanas – a Repórter Brasil também acompanhou esta ação e publicará, em breve, outra reportagem com mais detalhes da operação passada.

A partir de então, auditores e auditoras da SRTE/SP decidiram aprofundar as investigações para verificar a eventual repetição das ocorrências constatadas na confecção das peças da Vanguard em outras oficinas irregulares e para coletar subsídios adicionais para embasar as conclusões oficiais.

A fiscalização teve acesso ao pedido de compra do lote (2.748 peças) do “casaco longo moletom – tema Romance Gótico”, da Argonaut, que os libertados costuravam no momento da ação. As Pernambucanas pagariam R$ 33,50 por cada peça à Dorbyn e venderia a mesma por R$ 79,90. O valor pago pela Dorbyn por cada blusa à oficina de costura era de R$ 4,30.

Riscos
Em dois cômodos pequenos, pelo menos oito máquinas estavam sendo utilizadas. Uma das paredes apresentava rachaduras. No teto, a cobertura de plástico estava cedendo. A única janela dava acesso a um dos quartos e estava fechada, com uma costureira trabalhando de costas. Esse ambiente era frequentado por três crianças.

Os auditores da área de Saúde e Segurança do Trabalho interditaram a oficina porque havia grave e iminente risco à vida dos trabalhadores. A lista de problemas começava com as instalações elétricas irregulares, com toda a fiação exposta.

“Nós verificamos o uso excessivo de benjamins – prática que não é permitida porque causa uma sobretensão muito grande. E o risco de curto e, consequentemente, de incêndios era alto”, explicou Rodrigo Vieira Vaz.

Não havia extintor de incêncio ou rota de fugas no local. Os tecidos, que são materiais inflamáveis, ficam espalhados pelo chão da oficina, dificultando até a circulação das pessoas.

A iluminação do ambiente era imprópria e, segundo avaliação dos técnicos, poderia acarretar em problemas na visão dos costureiros e costureiras. A Norma Regulamentadora 17 (NR-17) prevê iluminação especifica para este tipo de trabalho.

As cadeiras utilizadas não tinham nenhuma regulagem: eram bancos sem encostos. Até mesmo uma caixa de papelão servia para assento de um dos trabalhadores. O uso de cadeiras inadequadas pode acarretar problemas na coluna ou músculo-esquelético.

A exposição a lesões e acidentes era latente. As correias das máquinas não tinham proteção alguma. “A correia pega velocidade com o acionamento das máquinas e pode até decepar um dedo”, exemplifica Teresinha Aparecida Dias Ramos, médica e auditora fiscal que fez parte da equipe de operação. Para ela, a probabilidade de proliferação de doenças era muito grande por conta da falta de higiene e de ventilação.

A fiscalização encontrou alimentos vencidos na geladeira da oficina. A cozinha era suja e minúscula. Não havia mesas ou cadeiras para que os empregados pudessem fazer as refeições com um mínimo de conforto.

As instalações sanitárias também eram sujas e insuficientes para a quantidade de costureiros e costureiras. Os banheiros exalavam odor forte e asqueroso. O único chuveiro elétrico estava desligado por causa da sobrecarga de energia elétrica da oficina, com fiações cortadas, o que forçava os imigrantes a encarar o temido banho de água fria. O empregador não fornecia roupas de cama e toalhas de banho.

A limpeza dos dormitórios, das instalações sanitárias e demais dependências era feita pelos próprios trabalhadores, conforme escala fixada na porta de um dos banheiros. Os alojamentos eram dois dormitórios divididos por guarda-roupas de modo a criar quatro espaços diferentes, que eram divididos entre todos os trabalhadores, inclusive os casais com filhos. Eram três casais, sendo um com dois filhos e os outros com uma filha cada.

Intermediária
Durante a fiscalização, dois funcionários da Dorbyn – Rogério Luís Rodrigues de Freitas, gerente administrativo, e Maria Xavier dos Santos, encarregada de acabamento das peças produzidas – foram até a oficina para verificar como estava a produção dos bolivianos.

De acordo com levantamento da fiscalização, outras 16 oficinas informais produziram peças para a Dorbyn entre janeiro de 2010 e fevereiro de 2011. Apenas a oficina da Zona Norte flagrada com trabalho escravo produziu 49,8 mil peças ao longo do período. Na prática, portanto, foi o ponto de costura que mais forneceu para a Dorbyn durante o intervalo pesquisado.

O boliviano que se apresentou como dono da oficina vistoriada disse ter conhecido a Dorbyn, no mercado desde 1979, por meio de folhetos distribuídos na Praça Kantuta – ponto de encontro de imigrantes bolivianos no centro da metrópole. Ele foi até o bairro do Brás, onde fica a sede da intermediária, e se acertou com o gerente Rogério. Passou, então, a abastecer a empresa em 2009. Segundo depoimentos, a pequena oficina costura com exclusividade para a Dorbyn pelo menos desde outubro de 2010.

À Repórter Brasil, Fábio Khouri, um dos sócios da Dorbyn, declarou que o número de oficinas subcontratadas varia de acordo com a época. O empresário não quis informar quantos funcionários a Dorbyn mantém registrados nem quantas encomendas que recebem se referem diretamente a Pernambucanas. Disse ainda que o fornecimento da oficina fiscalizada não era contínuo e que o mesmo dependia da disponibilidade do oficinista.

“Assim que ele [dono da oficina] regularizar a situação, abrir firma e registrar os funcionários, a Dorbyn continuará a ´mandar´ serviço, dependendo da necessidade”, completou. Segundo Fábio, a Dorbyn “de forma alguma” conhecia a situação dos trabalhadores. “Havia alguma semanas que não íamos lá”, colocou, sem antes reiterar que costuma auditar os parceiros que contrata para verificar em que condições as peças estão sendo produzidas.

Responsabilização
Na avaliação dos integrantes da SRTE/SP, a responsabilidade trabalhista é da Pernambucanas. Foram lavrados 41 autos contra a empresa – cada auto se refere a uma irregularidade constatada.

Segundo Luís Alexandre Faria, que coordenou a operação, a Pernambucanas não pode alegar que apenas vende – e não produz – peças de vestuário.”Os atos diretivos e empresariais são da Pernambucanas. É a empresa que determina a tendência, faz o controle de qualidade de cada peça, estipula o preço e o prazo que as peças devem ser entregues”, acrescentou. Por causa desse papel determinante na produção, foi possível identificar a subordinação reticular dos outros envolvidos frente a Pernambucanas.

A produção pulverizada das peças dos grandes magazines propicia agilidade na entrega e transfere os custos empresariais e trabalhistas para a ponta da cadeia produtiva. “Há uma demanda de consumo muito grande que deu espaço ao chamado fast fashion”, complementou Luís. O que ocorre é uma espécie de concorrência ao revés – se uma determinada oficina não aceita produzir peças a um determinado valor, outra certamente aceitará.

Após a inspeção na referida oficina de costura, a equipe da SRTE/SP também realizou auditoria contábil e in loco na sede da empresa Arthur Lundgren Tecidos S.A – Casas Pernambucanas. A partir desse trabalho, foi mapeada a cadeia produtiva das peças comercializadas pela rede – desde fornecedoras diretas , passando por confecções e chegando até as oficinas de costura quarteirizadas, inclusive com a discriminação de onde se localizam.

O resultado da primeira etapa de investigações demonstra, segundo a auditoria, que o processo de produção (costura) das roupas das Pernambucanas ocorre com total precarização das condições contratuais dos trabalhadores e dos ambientes de trabalho, resultando no desrespeito aos mais básicos e elementares direitos dos trabalhadores.

O flagrante na oficina da vez não deve ser entendido como caso isolado, como advertem os membros da SRTE/SP. Na visão apresentada por eles, as empresas interpostas, chamadas pela Pernambucanas de fornecedoras, funcionam, na realidade, como verdadeiras células de produção da empresa, todas interligadas em rede por contratos simulando prestação de serviço, mas que, na realidade, encobertam “nítida relação de emprego entre todos os obreiros das empresas interpostas e a empresa autuada”.

Em reunião com os auditores, Eduardo Tosta de Sá Humberg, gerente da Pernambucanas, afirmou não reconhecer a responsabilidade da empresa pelos trabalhadores encontrados em situação degradante, “tendo em vista que a empresa tão-somente faria a compra de peças de vestuário de seus fornecedores”. Antes de selecionar um fornecedor, a empresa alega que faz uma criteriosa análise da capacidade produtiva.

Entretanto, nenhum costureiro aparece admitido no livro de registros da Dorbyn, apreendido para averiguação. Há apenas um encarregado, um ajudante geral, um assistente financeiro, um auxiliar de limpeza, um auxiliar de manutenção, dois balconistas e um encarregado de expedição.

“A Dorbyn nada agrega ao processo produtivo das peças comercializadas e encomendadas pela Pernambucanas”, conforme o relatório da fiscalização. A empresa não possui nem trabalhadores da área de criação, nem costureiros, já que toda a produção é “quarteirizada” para oficinas de costura. Na avaliação da SRTE/SP, a Dorbyn não possui capacidade produtiva para a produção das peças encomendadas pela Pernambucanas.

Entre abril e junho de 2010, a Dorbyn vendeu 4,9 mil peças para diversos compradores, enquanto que para a Pernambucanas as vendas foram de quase 50 mil peças no total (gráfico acima). “Isso mostra a dependência da Dorbyn em relação a Pernambucanas”, explicou Luís Alexandre.

De acordo com a auditoria, a intermediária confeccionou 141,5 mil peças de vestuário, de janeiro de 2010 a fevereiro deste ano, que foram vendidas para as lojas Pernambucanas. O “fornecimento” não exigiu a contratação formal de nenhuma costureira ou costureiro em uma atividade econômica que, aliás, é conhecida pela intensiva utilização de mão de obra.

O relatório final problematiza a questão. “Esta forma de superexploração da força de trabalho, negando aos trabalhadores direitos laborais e previdenciários mínimos, dá-se com intuito de maximizar os lucros, atingindo uma redução do preço dos produtos, caracterizando uma vantagem indevida no mercado e levando à concorrência desleal”.

Após a fiscalização, os libertados receberam a guia para sacar três parcelas do Seguro Desemprego para o Trabalhador Resgatado e a Carteira de Trabalho e da Previdência Social (CTPS) provisória, válida por 90 dias.

As vítimas receberam entre R$ 1,5 mil e R$ 6 mil de verbas rescisórias. Os valores foram pagos pela Dorbyn, totalizando R$ 44,8 mil. O total calculado pelos contadores da Pernambucanas e auditores da SRTE/SP, porém, era de R$ 173 mil. “A Dorbyn se recusou a pagar saldos de salários e outras remunerações anteriores”, explica a auditora Giuliana Cassiano.

O relatório será encaminhado à Secretária de Inspeção do Trabalho (SIT) do MTE para que seja aberto procedimento administrativo que poderá culminar com a inclusão da Pernambucanas na “lista suja” do trabalho escravo.

O magazine, que completou 100 anos em 2008, recebeu todos os autos de infração e uma notificação do MTE na última quinta-feira (31) para adotar imediatamente providências como: sanar todas as irregularidades relatadas nos autos; promover a imediata anotação dos contratos de Trabalho nas CTPS dos trabalhadores – para isso, o MTE deve tornar sem efeito as anotações já realizadas pela Dorbyn; realizar o pagamento de todas as verbas de natureza trabalhista não quitadas com os trabalhadores até o momento – inclusive salários, horas extras, entre outros; garantir alojamento decente em imóveis apropriados, com um trabalhador por quarto e uma família por imóvel; e garantir o retorno daqueles que desejarem voltar à Bolívia.

A Pernambucanas não respondeu às questões enviadas pela reportagem sobre o caso. A empresa se limitou a dizer que enviou nota em que se vale de ata da audiência realizada no último dia 15 de março, acompanhada pela Repórter Brasil, na qual afirmou – por meio de seu advogado – não estar “reconhecendo qualquer responsabilidade pelas ocorrências relatadas e que não mantém relação alguma com a oficina implicada”.

O magazine – que possui 16 mil funcionários próprios, alocados em 610 filiais espalhadas pelo país – ressaltou que segue “política de responsabilidade social que inclui o compromisso de todos os fornecedores com o respeito à legislação trabalhista e aos direitos do trabalhador”. Informou ainda que uma cláusula no contrato de compra de mercadorias em que determina que o fornecedor “não poderá se envolver com, ou apoiar, a utilização de trabalho infantil, trabalho forçado ou quaisquer outras formas de exploração ilícita de mão de obra ou, ainda, outras atividades que, de maneira direta ou indireta, atinjam os princípios básicos da dignidade humana”.

Tráfico
Foram apreendidos ainda sete cadernos com anotações de dívidas dos empregados com o dono da oficina. Há desde marcações referentes à compra de shampoo até o desconto do custo da passagem da Bolívia ao Brasil. Uma das vítimas chegou a receber R$ 238 por um mês inteiro de trabalho. Um dos cadernos também mostra outro tipo de redução no salário em virtude de peças com defeitos devolvidas pela empresa.

Muitos elementos indicam que os trabalhadores foram vítimas de tráfico de pessoas. Para Juliano Lobão, Núcleo de Prevenção e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas de São Paulo – vinculado a Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania – diversos fatores permitem tal apontamento. Entre eles, a recepção e a hospedagem dos trabalhadores pelo dono da oficina. “Isso por si só já caracteriza o crime de tráfico de pessoas, conforme definição do Protocolo de Palermo, ratificada pelo Decreto Nacional nº 5.948, de 26 de Outubro de 2006, que institui a Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas”.

Além disso, foram encontrados documentos pessoais com descontos de valores ligados à hospedagem, à alimentação e a outros gastos. “Isso reforça ainda mais a exploração a qual os trabalhadores estavam submetidos. Não podemos ainda ignorar as péssimas condições encontradas no local de trabalho,e as condições de higiene igualmente ruins do local como um todo”, detalha Juliano, que acompanhou a ação. A SRTE/SP encaminhará os cadernos à Polícia Federal (PF) para apuração dos indícios.

Paralelamente, a Defensoria Pública da União (DPU) está encaminhando pedido de regularização migratória das vítimas com base na Resolução Normativa nº 93, de 21/12/2010, do Conselho Nacional de Imigração (CNIg). A resolução prevê permanência provisória no país, pelo prazo de um ano, de estrangeiros submetidos ao tráfico de pessoas.

“Quem decide sobre o pedido é o Ministério da Justiça. O Comitê Interinstitucional de Prevenção e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas do Estado de São Paulo, que reúne várias instituições públicas com atuação no caso, também será acionado para os devidos encaminhamentos, a depender das demandas individuais de cada uma das vítimas”, relata a defensora Fabiana Galera Severo, que está cuidando do caso.

A equipe de fiscalização foi composta pelo Comitê Interestadual de Prevenção e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (ligado à Secretaria Estadual de Justiça de São Paulo), pela Comissão Municipal de Direitos Humanos, MTE, PF e Ministério Público do Trabalho (MPT). Contudo, os dois últimos órgãos abandonaram a ação quando ela ainda estava em curso.

De acordo com a assessoria de imprensa da Superintendência Regional da PF em São Paulo, os três agentes que participaram da ação tinham a função “única e exclusiva” de dar apoio e fazer a proteção policial. Diante do questionamento da reportagem sobre a motivação para o abandono da ação em andamento, o assessor de imprensa do órgão se limitou a dizer que as investigações sobre o caso ainda estão internamente em andamento e a posição será apresentada assim que houver algo mais conclusivo.

O MPT também informou, por meio da assessoria de imprensa, que a investigação e procedimentos administrativos ainda estão em curso e somente após a conclusão é que o órgão se pronunciaria.

Repórter Brasil*5 de abril de 2011 às 16:49h

do Repórter Brasil

 

*A jornalista da Repórter Brasil acompanhou a fiscalização da SRTE/SP como parte dos compromissos assumidos no Pacto Contra a Precarização e pelo Emprego e Trabalho Decentes em São Paulo – Cadeia Produtiva das Confecções

**Nomes fictícios para que a identidade dos trabalhadores seja protegida

Repórter Brasil*

 

Trinta e cinco anos após golpe, Argentina condenou 196 repressores da ditadura

“Muitos são os santos que estão entre as grades de Deus e tantos assassinos gozando deste sol”, dizia trecho da canção “Las Madres del Amor” de León Gieco, músico perseguido pela ditadura militar argentina (1976-1983), que deixou um saldo estimado de 30 mil desaparecidos.

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A música, composta em 2001, lamentava que muitos dos envolvidos em crimes atrozes cometidos no período ainda estivessem impunes, desfrutando de sua liberdade sob o sol. Dez anos depois, no entanto, a Argentina avançou significativamente em matéria de Direitos Humanos.

Efe

Acerto de contas: Videla (d) e Menendez (e) no banco dos réus em tribunal de Córdoba

No dia em que a nação lembra o aniversário de 35 anos do golpe de estado que deu início aos anos de chumbo, as organizações de Direitos Humanos, como as Mães e Avós da Praça de Maio, os H.I.J.O.S. (Filhos pela Identidade e Justiça, contra o esquecimento e o silêncio, na sigla em português), programam passeatas e atividades culturais para recordar a data e reivindicar a luta pela Memória, pela Verdade e pela Justiça, como fazem anualmente.

Apesar da efeméride dolorosa, no entanto, tais manifestações podem estar permeadas de otimismo e esperança: somente no transcurso de 2010, a justiça argentina concluiu 19 julgamentos e condenou 109 repressores. Destes, 11 já cumpriam pena por atuação como agentes de repressão e 98 foram condenados pela primeira vez.

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Os dados, publicados pela Unidade Fiscal de Coordenação e Acompanhamento dos casos de violações aos Direitos Humanos cometidos durante o terrorismo de Estado, revelam que o número de condenações é maior do que o dobro das ditadas em 2009, que chegaram a somente 36.

Segundo o informe, até dezembro de 2009, 634 pessoas estavam sendo processadas, número que passou para 820 em 2010. O número total de julgados e de condenados desde 1983, de acordo com o informe, é de 217 e 196, respectivamente. Os dados incluem, no entanto, sentenças que não foram cumpridas, devido aos decretos de anistia a militares acusados de violações dos Direitos Humanos, sancionados pelo ex-presidente argentino, Carlos Menem, em 1989 e 1990.

Wikicommons

Estela de Carlotto, presidente das Avós, e o ex-presidente Néstor Kirchner na Casa Rosada, em 2006

Fim da impunidade

A anistia foi uma entre outras travas à devida investigação dos crimes do período e punição dos acusados. Em dezembro de 1986, durante o governo de transição para a democracia de Raúl Alfonsín, foi criada a Lei de Ponto Final, que estabelecia a paralisação dos processos judiciários contra os autores das prisões arbitrárias, torturas e assassinatos durante a ditadura militar, que não tivessem sido processados até determinado prazo.

No ano seguinte, o mesmo governo decretou a Lei de Obediência Devida, com a qual, militares de patentes inferiores a Brigadeiro não poderiam ser julgados, porque estavam somente cumprindo ordens. Ambas as leis excetuavam somente os responsáveis por “substituição de estado civil e subtração e ocultação de menores”. Estima-se que, com as determinações, ao menos 1,8 mil militares tenham sido anistiados.

Finalmente, em 2005, durante a presidência de Néstor Kirchner, as leis de anistia, que já haviam sido anuladas em 2003, foram consideradas inconstitucionais pela Corte Suprema e derrogadas, o que permitiu a retomada dos julgamentos.

Luciana Taddeo

Apoiadores da ONG H.I.J.O.S. se manifestam em Córdoba, onde mais de 30 repressores enfrentaram a justiça

Queixas das organizações

Outro passo que sinalizou a aproximação desta gestão com as políticas de Direitos Humanos foi em 2004, quando após sua ordem, o então chefe do Exército, o tenente-general Roberto Bendini, tirou os quadros dos ex-ditadores Jorge Rafael Videla e de Roberto Bignone – ambos acusados e com processos em andamento –, das paredes do Colégio Militar.

O gesto determinou o caminho que seria tomado por sua gestão. A partir do fim das leis de impunidade, o Estado argentino efetivou 42 julgamentos orais com sentenças em todo o país. Entretanto, para a organização H.I.J.O.S. da cidade de La Plata, capital da província de Buenos Aires, a justiça é lenta e o número de condenados ínfimo quando comparado com a quantidade de repressores impunes.

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“Com estes julgamentos, só 10% dos repressores processados foram condenados”, afirmaram, em um comunicado. “Houve 16 absolvições de integrantes das patotas do Terrorismo de Estado e, por mais que haja uma cifra similar de presos a espera de julgamento, a maioria dos acusados se encontra em liberdade, há dezenas de foragidos e muitos morreram impunes antes de receber uma sentença”, reclamam.

Outra queixa das organizações de Direitos Humanos é a possibilidade de prisão domiciliar, da qual se beneficiam 42,2% dos condenados. Segundo o relatório da Unidade Fiscal, 51,8% deles está em unidades penitenciárias, 3,7% em dependências das forças de segurança, 1,7% em hospitais e 0,4% no exterior.

Apesar das demandas dos ativistas, o avanço dos julgamentos na Argentina é surpreendente quando comparado com a situação brasileira, onde a Lei de Anistia vigora desde 1979. Em abril de 2010, o Supremo Tribunal Federal se negou a revisar a mesma, impedindo o julgamento dos militares envolvidos em crimes durante a ditadura (1964-1985).

As expectativas atuais recaem sobre o projeto de lei para a criação da Comissão Nacional da Verdade, que pretende esclarecer violações de Direitos Humanos na ditadura brasileira.

operamundi.

ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE! editoria

é isso…

Leptis Magna, a cidade do primeiro africano a ser imperador romano – por haroldo castro / são paulo

Durante os últimos dez dias, a situação política na Líbia tornou-se ainda mais complicada. Qhadafi resolveu revidar e atacou as cidades e vilas tomadas pelos insurgentes. O ditador usou caças e helicópteros para matar sua própria gente. Esta atrocidade impeliu a Liga de Estados Árabes a solicitar ao Conselho de Segurança das Nações Unidas a imposição de uma zona no-fly, de exclusão aérea no país. O tema ainda divide os países árabes e africanos e até mesmo as potências ocidentais.O perigo de que o tiro possa sair pela culatra é grande. O custo de tal operação é alto e obrigaria as forças internacionais a desmantelar o parque aéreo líbio, o que transformaria o conflito local em internacional. Os Estados Unidos não precisam de mais um abacaxi com países muçulmanos.

Enquanto os insurgentes conseguem ganhar espaço, eles também perderam outros. Al Zawiya, cidade a 50 km a oeste da capital Trípoli – que menciono na crônica anterior – foi retomada pelas forças de Qhadafi, infligindo um “banho de sangue” ao povo. A cidade de Al-Khums que também estava nas mãos dos revolucuonários, teria sido retomada na última sexta-feira pelas tropas leais ao ditador. E porque menciono Al-Khums?

Al-Khums, situada a 120 km a leste de Tripoli, é a cidade que abriga Leptis Magna, considerada a mais bela ruína romana no mar Mediterrâneo. Construída com pedras calcáreas, Leptis Magna resistiu aos séculos e mostra, ainda hoje, com suas avenidas planejadas, o modelo urbano da civilização romana. Os edifícios monumentais são os melhores exemplos de sua opulência. A cidade floresceu quando um de seus filhos, Septímio Severo, ascendeu ao trono de Roma.

O Arco de Septímio Severo foi construído no ano 203 para comemorar a visita do imperador a sua cidade natal.

Septímio Severo foi o primeiro imperador a não descender de uma família romana. Seu sangue berbere –povo original da África do Norte – pode ter trazido alguma ordem ao Império que se esfacelava, mas foi considerado como um militar cruel, característica que compartilhava com praticamente todos os imperadores que o antecederam ou sucederam naqueles séculos.

Mas o Imperador Severo foi extremamente generoso com a cidade onde ele nasceu e passou sua infância. Foi em Leptis que ele entrou na carreira militar e sua astúcia fez com que ele galgasse os degraus rapidamente. Uma vez imperador, ele embelezou sua cidade, reconstruindo o mercado, o fórum, a basílica e o porto.

O mercado de Leptis Magna tem duas alas octogonais e uma sala central circular. Foi erigido no ano 8 a.C. e reconstruído no reino de Septímio Severo.

Depois de um café-da-manhã com deliciosas tâmaras no hotel em Trípoli, sigo em direção a Al-Khums com Ali Mahfud, meu guia tradutor, em seu carro próprio. Tanto ele como todos os motoristas que me rodeiam parecem loucos, com ultrapassagens insensatas de qualquer lado da estrada. Não é acaso que exista um grande número de atropelamentos na Líbia.

Depois de hora e meia de adrenalina no sangue, chego a Leptis Magna. A regra é que preciso de um guia local – uma medida justa, para dar emprego aos habitantes da região. Khalifa, 66 anos, fala bem francês e inglês, é pai de oito filhos e avô de cinco. Todos nasceram em Al-Khums, a 2 km de Leptis Magna. Ele conheceu as ruínas ainda criança, quando era pastor. “Eu não dava nenhuma atenção às pedras. Para nós, o mais importante era a vegetação ao redor, que minhas ovelhas precisavam comer”, afirma Khalifa. Hoje, sua família depende dessas pedras.

Uma vasta esplanada de 100 metros abriga o Fórum de Septímio Severo, o qual continha dezenas de pórticos e colunas. Alguns medalhões mostram rostos de Medusa, o monstro feminino que transformava humanos em pedra.

O teatro da cidade é quase tão belo como o de Sabratha – mencionado na crônica anterior. Entretanto, o anfiteatro ovalado, onde ocorriam competições e atividades esportivas, é espetacular.  Situado a 3 km de distância, eu estava pronto para uma boa caminhada, quando Ali fez questão de ir de carro. O anfiteatro foi construído no século I, antes mesmo do nascimento de Septímio Severo, que ocorreu no ano 145 d.C.,  e os engenheiros romanos aproveitaram uma elevação do terreno para cavar o espaço.

O anfiteatro de Leptis Magna comportava 16 mil espectadores, um dos maiores de todo o Império Romano.

Leptis Magna foi declarada Patrimônio Mundial pela Unesco em 1982. Esse título faz com que a organização internacional responsável pela cultura e educação no planeta esteja ainda mais atenta aos acontecimentos na Líbia.

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Suecos criam notebook controlado pelo olhar / hannover

Diógenes Muniz Enviado especial a Hannover

Movimentar objetos com o poder dos olhos. É esse o diferencial dos produtos da companhia sueca Tobii Technology, cujo protótipo mais popular foi revelado na feira de tecnologia Cebit, em Hannover (norte da Alemanha).

Em parceria com a fabricante de computadores pessoais Lenovo, a empresa produziu um notebook que não precisa teclado ou trackpad (retângulo usado em laptops para fazer as vezes do mouse). É o primeiro laptop do mundo a funcionar a partir de rastreamento do olhar.

Folhapress
Visitante da Cebit testa notebook Tobii
Visitante testa notebook Tobii

Basta calibrar a velocidade do seu olho (o processo leva menos de 10 segundos) e começar a acessar pastas e movimentar janelas sem usar as mãos.

A reportagem testou duas aplicações do laptop: um game parecido com o clássico “Space Invaders”, em que é preciso atirar em meteoritos que ameaçam a Terra, e o controle de um mapa virtual. Em ambos os casos, a resposta da máquina foi imediata e o uso, intuitivo.

No caso do jogo, após algum tempo de partida fica cansativo não poder mirar outro lugar que não a tela (e ao fazer isso, você invariavelmente estará perdendo a partida e condenando a raça humana ao Juízo Final).

RUMO AO MERCADO

A empresa não descarta o uso deste tipo de aplicação com periféricos já existentes, como o teclado.

“Agora, precisamos fazer modelos mais baratos e menores. Acredito que isso pode ser atingido em dois anos”, diz Henrik Eskilsson, diretora-executiva da Tobii. Cerca de US$ 2 milhões foram gastos no desenvolvimento da tecnologia desde 2006. Por enquanto, só existem 20 exemplares deste notebook no mundo.

“Este protótipo é a prova de que a tecnologia de rastreamento de olhar é madura o bastante para ser usada em computadores com interface padrão”, diz Eskilsson.

Seth Wenig/AP
Barbara Barclay, gerente geral da empresa Tobii nos EUA, testa jogo na plataforma controlada pelo olhar
Barbara Barclay, gerente geral da empresa Tobii nos EUA, testa jogo na plataforma controlada pelo olhar

O jornalista viajou a convite da Hannover Fairs do Brasil

LÍBIA e sua beleza natural – por haroldo castro / são paulo

Areias e montanhas pontiagudas do deserto de Akakus, Líbia


Começo 2011 com uma série de crônicas sobre a Líbia, um país tão enigmático como fotogênico. Escolho como ponto de partida o deserto, uma das mais paisagens mais belas do planeta.

Ali Mahfud é meu guia e tradutor durante essa jornada. Logo no primeiro dia, descubro que ele adora uma discussão filosófica, usando um francês que ele domina bem. “Aqui no deserto, a areia é a mãe e as rochas são suas filhas, pois as pedras foram feitas de areia”, afirma ele. Para manter a tensão do diálogo, rebato com uma visão mais geológica, dizendo que “as areias também são filhas das pedras, pois representam o resultado da erosão dos arenitos.”

As paisagens inspiram discussões filosóficas. A areia é a mãe das rochas? Ou, pelo resultado da erosão, a areia é filha das pedras?

Nossa conversa é uma viagem que se confunde com o próprio cenário. Rodeados por dunas gigantescas e formações rochosas pontiagudas, que nos transportam a outro mundo, estamos no deserto de Akakus, parte do infinito Saara.

O Akakus é a continuação do Parque Nacional Tassili N’ajjer, situado na Argélia. É bem diferente dos outros desertos que conheci até então. Hospeda dunas altas – algumas com mais de 100 metros de altura – e suas areias variam do branco ao ocre, passando pelo amarelo ouro e pelo quase-vermelho. Mas é o jogo entre as dunas dinâmicas e as formações rochosas que fazem de Akakus um lugar excepcional. Para os tuaregues, nômades da região e guardiões do deserto, é um “lugar” (aka)“tórrido” (kus), mas para a viajante parisiense Françoise Dubeau é simplesmente “o deserto de meus sonhos de criança.”

No deserto de Akakus, existe um jogo contínuo e dinâmico entre as dunas de areias coloridas e as formações rochosas.

Não é fácil chegar a esse recanto perdido do globo. Demanda muita logística para adentrar o deserto: duas Toyotas Land Cruiser 4×4, com tanques extra de 200 litros de combustível; equipamento de cozinha e comida de sobra; barracas, sacos de dormir, colchões e cobertores. E muita, muita água.

Sebha é a porta de ingresso ao Saara. É a principal cidade do Fezzan, nome da região situada ao sudoeste do país. Qualquer visitante estrangeiro que queira conhecer o deserto na Líbia deve passar obrigatoriamente por Sebha. Para os imigrantes ilegais vindos do Sudão, do Chade e do Niger, essa cidade de 130 mil habitantes é também um marco importante antes que eles possam viajar, como clandestinos, de Trípoli para a Europa. Sheba, com suas largas avenidas asfaltadas, seu aeroporto moderno e seus ricos mercados, é uma encruzilhada de cores e culturas.

Mais de 400 km separam Sebha das montanhas do Akakus. Durante o trajeto observo uma prova do poder da água e da vontade política. Poços artesianos que chegam a 450 metros de profundidade trazem água à superfície. O sagrado líquido transforma o solo árido em um tapete verde de trigo, milho e outras plantações.

O asfalto acaba em Sardalas. Agora é rumar para o leste e enfrentar a poeira, o calor e as pistas de areia e pedras. As montanhas negras que definem o Akakus, que se confundiam com a linha do horizonte, ganham mais presença. Quarenta quilômetros e duas horas depois alcançamos as primeiras pedras que brincam com nossa imaginação. Moldados pela erosão do vento (e, algumas raras vezes, da água) e pelas diferenças de temperaturas extremas entre as noites de inverno e os dias de verão, os arenitos de Akakus tomam as formas mais bizarras.

O monolito Ad’ad (significa, em idioma berbere, “dedo”) é o marco de entrada nesse mundo de objetos e pessoas que viraram pedra. “Parece que estamos na Lua”, diz Ali Mahfud. Para alimentar nossa peleja semântica, respondo que “a comparação com Marte seria melhor, pois a areia daqui é toda vermelha.” Ambos somos do mesmo signo de Áries e a viagem está apenas começando…

O monólito Ad’ad marca o ingresso no mundo insólito e imaginativo das pedras. Em idioma berbere, Ad’ad significa dedo.

RE.

“NÃO CHORES POR MIM ARGENTINA” nós também temos um “SUPREMO”

Ex-ditador argentino Jorge Videla é condenado à prisão perpétua

Um dia antes do veredicto, ex-ditador havia assumido culpa por seus atos.
Ex-general foi julgado com colegas pela execução de 31 presos políticos.

Da France Presse

O ex-ditador argentino Jorge Videla (1976-81) foi condenado nesta quarta-feira (22) à prisão perpétua, considerado culpado pelo homicídio de opositores e outros crimes contra a humanidade, em um julgamento contra 30 líderes do regime civil-militar.

O ex-general, de 85 anos, já havia sido condenado à prisão perpétua em 1985 durante um processo histórico da junta militar por crimes cometidos durante a ditadura (1976-1983), que fez 30.000 desaparecidos, segundo as organizações de defesa dos direitos do homem.

O ex-ditador argentino Jorge Rafael Videla, durante julgamento pela morte de 31 prisioneiros políticos em Córdoba, na Argentina, nesta terça (21) Argentina
O ex-ditador argentino Jorge Rafael Videla, durante julgamento pela morte de 31 prisioneiros políticos em Córdoba, na Argentina, na terça (21) Argentina (Foto: Diego Lima / AFP)

Mas a pena foi anulada em 1990 por decreto do ex-presidente Carlos Menem, que, por sua vez foi declarada inconstitucional em 2007 – decisão esta confirmada pela Corte Suprema em abril. O tribunal também suprimiu, em 2005, a lei de anistia para os crimes da ditadura.

A partir daí, vários processos foram abertos contra Jorge Videla, católico fervoroso que fazia-se de moderado, até liderar o golpe de 24 de março de 1976 e de dirigir o país até 1981. Estes anos foram os mais duros do regime militar.

Em Córdoba (centro), o ex-general estava sendo julgado desde o início de julho junto com outros 29 repressores pela execução de 31 presos políticos.

Entre os julgados está o ex-general Luciano Menendez, já condenado à prisão perpétua por três vezes, em processos por violação aos direitos do homem.

Segundo o magistrado Maximiliano Hairabedian, há provas suficientes reunidas “para afirmar que (Jorge Videla) era o mais alto responsável pela elaboração de um plano de eliminação dos oponentes, aplicado pela ditadura militar”.

Roubo de bebês
Processado por roubos de bebês de presos políticos, um crime não acobertado pelo perdão de 1990, Videla foi colocado em prisão domiciliar de 1998 a 2008, até ser transferido para uma unidade prisional em detenção preventiva, enquanto aguardava os múltimos julgamentos.

A partir de 2001, foi também processado por sua participação no Plano Condor, coordenado pelas ditaduras de Argentina, Chile, Paraguai, Brasil, Bolívia e Uruguai para eliminar opositores.

“Assumo plenamente minhas responsabilidades. Meus subordinados limitaram-se a cumprir ordens”, destacou Videla no tribunal de Córdoba, um dia antes da divulgação do veredicto.

No depoimento final de 49 minutos que leu pausadamente, o ex-ditador, de 85 anos, disse que assumirá “sob protesto a injusta condenação que possam me dar”.

“Reclamo a honra da vitória e lamento as sequelas. Valorizo os que, com dor autêntica, choram seus seres queridos, lamento que os direitos humanos sejam utilizados com fins políticos”, disse Videla.

Depois apontou para o governo da presidente Cristina Kirchner, assinalando que as organizações armadas dissolvidas “não mais precisam da violência para chegar ao poder, porque já estão no poder e, daí, tentam a instauração de um regime marxista à maneira de (Antonio) Gramsci” (téorico marxista italiano).

Videla, como comandante da ditadura (1976-81), e Luciano Menéndez, 83 anos, como ex-chefe militar com jurisdição em 11 províncias, são os dois militares de mais alta patente acusados pelo assassinato de 31 presos políticos numa prisão de Córdoba.

Até o momento, 131 repressores foram sentenciados por crimes de lesa-Humanidade durante a ditadura argentina (1976/83).

 

Paul McCartney, em noite de lua cheia, mostra o segredo da felicidade em SP

Bem humorado, ex-Beatle esbanjou carisma e saúde durante show de 3h.
Capital paulista recebe novo show nesta segunda-feira (22), no Morumbi.

 

Neste ano, o estádio do Morumbi recebeu shows de artistas internacionais dos mais variados estilos, como Black Eyed Peas, Metallica, Rush, Bon Jovi e Coldplay. Coube a Paul McCartney realizar o último de 2010 no local. E a impressão que se teve na madrugada deste domingo (21), após quase três horas de hits do ex-Beatle, é que cada fã desses grupos resolveu ir à casa do São Paulo Futebol Clube para privilegiar o bom e velho Macca.

Em sua volta ao Brasil duas semanas depois da apresentação em Porto Alegre, Paul esbanjou bom humor, talento e saúde, emocionando e divertindo diversas gerações de seguidores dos Beatles. Era aquela que acompanhou a beatlemania in loco (os senhores), a que conheceu os discos dos meninos de Liverpool via coleção do pai (os adultos), a que baixou a discografia da banda no Napster (os jovens) e a que aprendeu a tocar os sucessos da banda em guitarras e baterias de plástico dos videogames (as crianças).

Nesta segunda-feira (22) tem mais, com um outro show esgotado de McCartney no mesmo Morumbi – que terá um presente se tiver novamente a bela lua cheia que se manteve atrás do palco na noite da primeira apresentação paulistana.

O show
O inglês consegue fazer com que as três horas de apresentação passem depressa. Antes que as pernas comecem a doer, o primeiro bis já começou. Do início, com a dobradinha “Venus & Mars / Rock show”, até o encerramento ao som de “Sgt. Pepper’s lonely hearts club band”, todos parecem hipnotizados pelo carisma e bom humor de McCartney.

A primeira vez que sentou ao piano foi para tocar “Long and winding Road”, oitava música do repertório. Antes de se levantar, ainda embalou “1985”, “Let em in” e “My Love” – essa última dedicada aos casais de namorados (ele ainda explicou que a compôs para sua “gatinha” Linda)

Quem foi ao show de Porto Alegre teve a sensação de déjà vu neste momento. É assim mesmo, pois apesar de um improviso ou de outro, McCartney realiza praticamente sempre a mesma apresentação.

Sim, ele vai ler o teleprompter, disparar expressões locais (“galera” e “paulistas” dessa vez) e dizer que vai tentar aprender português. E, sim, o ex-beatle irá fingir que o volume de “Live and let die” é muito alto para a sua idade ao final da canção que abusa da pirotecnia. Mas isso não é nada ruim: com um repertório que inclui 20 canções daquela que é a maior banda de todos os tempos e com um charme irresistível, Paul pode se dar ao direito de se repetir.

'Venus and mars/Rock show', 'Jet' e 'All my loving' abriram apresentação.
Venus and mars/Rock show’, ‘Jet’ e ‘All my loving’ abriram apresentação. (Foto: Daigo Oliva/G1)

E pode ter certeza existe quem pagaria para ver um (mesmo) show diariamente dele, se isso fosse possível. E pode ter certeza que essa pessoa choraria toda vez que Paul dedicasse “Something” ao seu amigo George Harrison e lembrasse de John Lennon antes de “Here today”.

Como surpresas do show paulistano, uma chuva de balões brancos tomou conta do Morumbi durante “Give peace a chance” e McCartney também brincou de regente diversas vezes com o coro de 64 mil vozes, chegando a improvisar uma música que poderia se chamar “Ô, São Paulo”.

O show teve dois bis. O primeiro emendou “Day tripper”, “Lady Madonna” e “Get back”, enquanto o segundo veio com “Yesterday” e “Helter skelter” – com Paul esbanjando uma voz de dar inveja.

A saúde do ex-beatle, aliás, é um capítulo à parte. Se um dia imaginou que chegaria aos 64 anos sem cabelos e frágil, aos 68 Paul é menino, que arrisca uns piques pelo palco e até uns pulos durante “Mrs Vandebilt”.

A disposição é tanta que, ao sair do palco, ele escorregou e caiu feio, ao vivo para os dois impressionantes telões de alta definição que acompanham a turnê. O tombo não foi suficiente para tirar o bom humor do ex-beatle, que deu um pulo e saiu todo sorridente, despedindo-se com um ursinho de pelúcia debaixo do braço.

Veja o setlist completo da primeira apresentação de Paul McCartney em São Paulo:

– “Venus And Mars” / “Rock show”
– “Jet”
– “All my loving”
– “Letting go”
– “Drive my car”
– “Highway”
– “Let me roll it / Foxy lady”
– “The long and winding road”
– “1985”
– “Let ‘em in”
– “My love”
– “I’ve just seen a face”
– “And I love her”
– “Blackbird
– “Here today”
– “Dance tonight”
– “Mrs. Vandebilt”
– “Eleanor Rigby”
– “Something”
– “Sing the changes”
– “Band on the run”
– “Ob-la-di, ob-la-da”
– “Back in the U.S.S.R.”
– “I’ve got a feeling”
– “Paperback writer”
– “A day in the life” / “Give peace a chance”
– “Let it be”
– “Live and let die”
– “Hey Jude”

Bis 1:
– “Day tripper”
– “Lady Madonna”
– “Get back”

Bis 2:
– “Yesterday”
– “Helter skelter”
– “Sgt. Pepper’s lonely hearts club band”

 

do G1 – Gustavo Miller e Marcus Vinícius Brasil

A JUSTIÇA BRASILEIRA CONDENA AS VITIMAS, HÁ 50 ANOS ATRÁS ERA ASSIM. NENHUMA DIFERENÇA COM O PRESENTE. POR QUE SERÁ? VEJAM A REVISTA ” O CRUZEIRO ” DE 4 DE JUNHO DE 1960.

Autores de revoltantes crimes saem do Tribunal do Júri sob aplausos populares, enquanto as vítimas são esquecidas, se não castigadas e perseguidas.


Reportagem de ARLINDO SILVA

HÁ poucos dias, a imprensa carioca, publicou uma notícia procedente de Nova York, informando que “dois adolescentes, de 16 e 18 anos, foram condenados à cadeira elétrica por terem matado, em agôsto passado, um jovem de côr, durante uma refrega entre bandos de um bairro popular de Manhattan”. Por caprichosa coincidência, no mesmo dia lia-se nos jornais que Cácio Murilo, co-autor da morte de Aída Cúri, pretendia matricular-se numa escola aeronáutica. Como na sua ficha de antecedentes constava sua participação no monstruoso crime do Edifício Rio Nobre, a matrícula não foi aceita. O advogado de Cácio protestou, alegando que êle agora era maior de idade e o que praticara quando menor não devia ser computado… Que chocante contraste: enquanto nos Estados Unidos garotos da idade de Cácio – que, no ano passado, quando praticaram o crime tinham 15 e 17 anos respectivamente – são condenados à cadeira elétrica, aqui no Brasil, Cácio Murilo, que tem hoje 18 anos, completados a 17 de abril último, não sofre uma pena sequer. Aliás, essa isenção de penas para Cácio Murilo – culpa de um Código de Menores antiquado, desatualizado e superado – foi a grande saída que os advogados de Ronaldo e o porteiro Antônio João encontraram para que o caso da morte de Aída Cúri terminasse como terminou: sem autor. Com a recente absolvição do porteiro, chega-se a esta dolorosa conclusão: ninguém matou a pobre estudante. Ronaldo foi absolvido por um júri arranjado já se sabe como: o porteiro jurou que foi Cácio quem matou a jovem. E Cácio, por ser menor à época do crime, é penalmente irresponsável. Portanto, nenhum dos três matou Aída Cúri. E ainda por cima, os advogados de Ronaldo salpicaram de lama a memória da pobre môça, lançando sôbre ela infâmias e injúrias, procurando macular sua honra com palavras, já que os tarados curradores não o conseguiram pela fôrça. Como se não bastasse, pegaram o porteiro Antônio João, liberto, e o levaram a dar entrevistas radiofônicas por êste País afora, como se êle fôsse uma vedete. Ninguém está levando em conta que o anel de Antônio João ficou marcado no rosto de Aída em conseqüência de uma bofetada que êle lhe aplicou, conforme consta do laudo de exame cadavérico. Mas em Curitiba o brio da mocidade estudantil respondeu à altura ao vedetismo do porteiro: não se conformando com sua presença afrontosa numa estação de rádio local, os universitários curitibanos invadiram a emissora, depredaram-na, e o co-autor do assassinato de Aída teve de sair escoltado pela porta dos fundos. Continua, porém, no ar a pergunta: quem matou a pobre estudante? É possível que no final desta história ela seja acusada de ter tentado violentar Ronaldo, Cácio e o porteiro…

EM Recife, o Padre Hosaná de Siqueira e Silva, assassino confesso do bispo de Garanhuns, Dom Expedito Lopes, foi absolvido pelo Júri 48 horas antes de Caryl Chessman morrer na câmara de gás de San Quentin. Saiu do tribunal sob palmas da assistência. Entretanto, dois dias após, os estudantes da Faculdade Católica de Recife promoveram uma passeata de protesto contra a execução do “bandido da luz vermelha”. Entre o Padre Hosaná e Chessman é difícil dizer-se qual o pior. O embaixador dos EE.UU. no Brasil, Sr. Moors Cabot, em documento amplamente divulgado pela imprensa, definiu bem a questão do sentimentalismo brasileiro no caso Chessman. Disse êle: “Parece-me que a sempre generosa solidariedade e caloroso humanismo que tão bem caracterizam os brasileiros, poderiam ser igualmente dirigidos às vítimas dos crimes revoltantes de Chessman, mais do que a êle. Uma jovem mulher passará a vida mergulhada na loucura, como resultado das revoltantes perversões sexuais de que foi forçada a participar. A vida de uma outra ficará para sempre marcada pela lembrança de uma experiência semelhante. As vítimas dos seus roubos à mão armada saberão que êle, pelo menos, não mais estará sôlto para atacá-las após renovadas promessas de regeneração, feitas sempre para reincidir naquela série final de crimes mais graves”. Existe, não há dúvida, um contra-senso nas manifestações de parte da opinião pública brasileira: glorificam-se os criminosos e esquecem-se, quando não se acusam, as vítimas. Senão, vejamos o caso do Padre Hosaná, que saiu do júri aplaudido pela platéia, conforme relatório que nos enviaram os repórteres Afonso Ligório e Ivancil Constantino, do velho “Diário de Pernambuco”. Por que o Padre Hosaná matou Dom Expedito Lopes, bispo de Garanhuns? É uma história estonteante. O município inteiro de Quipapá, onde Hosaná era vigário, comentava que êle abrigava sob seu teto uma mulher, Maria José, que depois substituiu por outra, Quitéria, esta mais bonita que a primeira, segundo os comentários da população da cidade. Além disso, o Padre tornara-se um relapso nos seus deveres eclesiásticos, preocupando-se mais com uma fazenda que possuía em município vizinho do que com as missas que devia rezar na igreja de sua paróquia e em capelas vizinhas. O bispo de Garanhuns, sede da diocese, chamou Hosaná e expôs-lhe a gravidade da sua conduta perante o povo católico da região. Êle estava comprometendo o bom nome da Igreja. Dom Expedito deu-lhe 15 dias de prazo para que afastasse de sua casa a mulher que lá vivia. O padre não obedeceu. E no dia em que seria publicado o ato episcopal suspendento as ordens sacerdotais de Hosaná, que fêz o padre-assassino? Dirigiu-se ao Palácio Episcopal de Garanhuns e apertou a campainha da porta O próprio bispo atendeu, e quando dizia “faça o favor de entrar”, Hosaná fulminou-o com 3 tiros de um “Taurus” 32, que tomara emprestado a um conhecido na véspera. Levado para a Casa de Detenção de Recife, Hosaná não se mostrou em absoluto arrependido. Disse a uma irmã de D. Expedito, que o visitara incógnita: “Se o bispo vivesse cem vêzes, cem vêzes eu o mataria”. Agora, absolvido, êsse demônio de batina ameaça “acertar”contas com jornalistas que já fizeram reportagens sôbre a hediondez do seu crime e sua personalidade de delinqüente. O fotógrafo Jorge Audi e êste repórter estão na “lista negra” de Hosaná.

ENQUANTO nós lamentamos a execução de Caryl Chessman, cujo processo não conhecemos, um Carivaldo Salles, ex-inspetor da Alfândega de Corumbá, que metralhou à queima-roupa o Vereador Edu Rocha, do PSD daquela cidade, por ter denunciado pùblicamente o contrabando de automóveis na fronteira Brasil – Bolívia, continua à sôlta. Por quê? Porque em Corumbá não houve juiz, entre 5 ou 6, que se animasse a dar andamento ao processo, “por covardia ou por interêsses menos confessáveis”, segundo as corajosas palavras do Desembargador Barros do Valle, do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso. Em compensação, um dos juízes, que deixara o processo encalhar, iniciou ação contra a viúva de Edu Rocha, porque ela teria distribuído folhetos com as desassombradas palavras do Desembargador Barros do Valle. Mais uma vez, a vítima é castigada e o criminoso recebe o prêmio da impunidade.

DILMA: ” CHEGA DE AGUENTAR CALADA” / são paulo

DILMA em Aparecida: chega de aguentar calada

 

Dilma diz que Serra subestima as pessoas e afirma que manterá tom contundente do debate


 

APARECIDA (SP) – A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, afirmou nesta segunda-feira que seu adversário, José Serra (PSDB), tem a mania de subestimar as pessoas e de se achar superior aos outros. (Ênfase minha – PHA)

Após assistir a uma missa na Basílica de Aparecida, a petista comentou o debate da TV Bandeirantes , em que partiu para o ataque direto ao tucano, e deu a entender que o tom deve ser mantido nos próximos confrontos

– Esperavam o quê? Que eu não defendesse as minhas posições? Que eu não apresentasse as minhas propostas? Que eu não criticasse a visão estratégica dele? Mas o debate é para isso – declarou.

Domingo, a candidata do PT surpreendeu ao partir para o ataque contra Serra no primeiro debate da campanha presidencial do segundo turno, insistindo na discussão das privatizações e no que chamou de campanha caluniosa patrocinada pelo tucano.

– Eu sempre me recusei a baixar o nível do debate… eu passei quase três meses sendo acusada da quebra de sigilo fiscal e hoje está claro que quem quebrou o sigilo fiscal foi um esquema mercantilista e corrupto dentro da Fazenda por razões não eleitorais e não políticas – disse.

– Eu passei muito tempo calada sobre essas acusações, o tamanho que tinha tomado essa central organizada de boatos… eu resolvi tornar isso algo público e compartilhar. Eu não fui na internet e não disse na forma de boato. Estou dizendo de forma aberta – completou a petista, lembrando que a Justiça aceitou abrir processo de crime de difamação contra Serra pelos ataques supostamente feitos a ela.

Dilma negou, no entanto, que tenha sido agressiva no debate e disse que quando há apenas dois debatedores, “as opiniões ficam mais claras”.

– Não sei por que se supõe, quando dizem para mim, que o governo Lula cometeu ‘esse, esse e esse erro’, que se eu retrucar vira ofensa. São dois pesos e duas medidas e isso não é possível. O debate foi de alto nível. Ninguém elevou o tom de voz. Então que qualificação é essa de (que houve) agressividade? Quando a gente é assertivo a respeito das próprias posições, o debate fica mais claro.

Marcelle Ribeiro – og

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ZÉ SERRA e  seus aliados : ARRUDA o chefe do mensalão do DEMO.

na foto troca de idéias ($$$) Daniel fala com a mão na boca para os jornalistas presentes não fazerem leitura labial.

ZÉ SERRA e o ALI BABÁ dos banqueiros, DANIEL DANTAS irmão da  VERÔNICA DANTAS sócia da VERÔNICA SERRA ( filha do zé) que durante o governo de FHC e SERRA ministro do planejamento  “ABRIRAM” 60.000.000 de contas bancárias de brasileiros para negociatas. HÁ UM PROCESSO DESDE ENTÃO, mas o  PIG -PARTIDO DA IMPRENSA GOLPISTA não “sabe disso”, abrir as contas do povo “não tem importância” o que não pode é abrir as contas dos LADRÕES do país, eles fazem parte da elite nacional ! DANIEL DANTAS é aquele que foi solto da prisão pelo ministro (ugh) GILMAR MENDES a quem SERRA telefonou às vésperas do primeiro turno para pedir vistas do processo e, assim, atrasar a decisão sobre os documentos para votar. LEMBRAM? o GILMAR MENDES foi colocado no STF pelo FHC! é de cansar!

fotos e textos do site.

JORNAL “FOLHA DE SÃO PAULO” torna-se novamente aparelho do crime no Brasil – por mauro carrara /são paulo


A empresa que edita a Folha de S. Paulo foi braço físico da Ditadura Militar e da repressão.

Seu jornal Folha da Tarde era um QG dos grupos que sequestravam, torturavam e matavam.

A Folha de S. Paulo apoiou convenientemente os assassinos militares até o governo Geisel.

Depois, por motivos comerciais, vestiu a pele de cordeiro.

Recentemente, passou a delinquir novamente.

Passou a chamar a Ditadura de “Ditabranda”.

Forjou com o grupo Ternuma uma falsa ficha de Dilma Rousseff.

E agora comete o mais grave crime de campanha, ao construir uma fábula de calúnia acerca da gestão da candidata do PT na Secretaria de Minas e Energia do Rio Grande do Sul e na Fundação de Economia e Estatística (FEE), entre 1991 e 1992.

dê UM clique no centro do vídeo

As expressões utilizadas na matéria comprovam o CRIME de calúnia: “apontam favorecimento” e “mostram aparelhamento”.

A matéria foi produzida a partir de uma investida de “jagunços” autoritários da Folha que passaram dias no Rio Grande do Sul exigindo, ofendendo e ameçando pessoas, especialmente aquelas que cuidam dos arquivos públicos.

Mas em que parte da reportagem os agentes do PSDB travestidos de jornalistas mostram que todas as contas de Dilma foram aprovadas pelo TCE gaúcho?

A pergunta é: como podem promotores e juízes eleitorais autorizar esse tipo de crime de natureza eleitoral?

E os outros promotores e juízes: como podem permitir que a imprensa se transforme num instrumento de calúnia e destruição de reputações?

A ordem democrática vem sendo gravemente ameaçada mais uma vez.

Globo-Abril-Folha-Estadão seguem à frente nesta escalada neofascista, destinada a destruir a ordem institucional.

Que o partido de Dilma Rousseff leve sua justa reclamação ao horário da TV.

Os brasileiros de bem já não admitem a impunidade para os criminosos midiáticos.


Lula foi o presidente que modernizou o Brasil, diz jornal francês Le Figaro

DA BBC BRASIL

Uma reportagem na edição desta terça-feira do jornal francês “Le Figaro” afirma que Luiz Inácio Lula da Silva foi o presidente responsável por “modernizar o Brasil”.

O texto, que recebeu uma chamada na capa do “Le Figaro”, é assinado pela correspondente do jornal no Rio de Janeiro, Lamia Oualalou.

A reportagem conta a história de Ricardo Mendonça, paraibano de Itatuba que se mudou para o Rio de Janeiro à busca de emprego em 2003 e conseguiu entrar na universidade graças a uma bolsa do programa ProUni, do governo federal.

O jornal atribui o sucesso de Mendonça às políticas do governo Lula.

“Histórias como esta de Ricardo, o Brasil registra aos milhões. A três meses do fim do seu segundo mandato, este é um país mudado que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixará ao seu sucessor”, escreve o Le Figaro.

BARBUDO ONIPRESENTE

O jornal diz que quando Lula chegou ao poder, em 2003, o Brasil era um país sem “grandes esperanças” que havia finalmente dado uma chance a um “turbulento barbudo onipresente na cena eleitoral deste o restabelecimento da democracia”.

O “Le Figaro” destaca que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso conseguiu combater a hiperinflação com o Plano Real, mas que se tornou “muito impopular” antes de deixar o poder em 2002.

Citando analistas políticos brasileiros, o jornal diz que Lula foi responsável por ampliar políticas sociais do governo anterior.

“O chefe de Estado reagrupou algumas medidas sociais do seu antecessor e às deu uma dimensão inimaginável”, diz a reportagem.

“Pela primeira vez na história, o Brasil assiste a uma redução continua e inédita das desigualdades. Em dois mandatos, 24 milhões de brasileiros saíram da miséria e 31 milhões entraram para a classe média.”

O jornal diz que o governo quer agora usar a riqueza dos novos campos de petróleo descobertos no litoral brasileiro para criar um fundo que beneficie os mais pobres.

O “Le Figaro” destaca que apesar dos avanços, o Brasil ainda é um dos mais desiguais da América Latina e do mundo, com altos índices de analfabetismo e problemas crônicos de saúde pública.

O jornal alerta também que as autoridades e parte dos analistas no Brasil não estão imunes a “complacência”.

AÉCIO NEVES deixa o PSDB após as eleições.

o ex governador de Minas Gerais, Aécio Neves, concorre ao senado e pelas pesquisas encontra-se praticamente eleito para 8 (oito) anos de mandato. Segundo informações correntes Aécio tem se aborrecido com o rumo da campanha eleitoral do colega José Serra. Por formação, da politica mineira, afirma que não concorda com as ações desencadeadas após as tres últimas pesquisas. Pessoas próximas ao ex governador afirmam ter ouvido dele mesmo que “tantos anos de convivência levaram o PSDB a absorver e praticar os métodos tradicionais da direita histórica, e eu não concordo com isso”.

FILHA de SERRA EXPÔS SIGILO DE MILHÕES DE PESSOAS, VEJA COMO: – por luiz nassif / são paulo

Aventuras das duas Verônicas

A revista CartaCapital que está nas bancas nesta semana traz reportagem de Leandro Fortes que vai colocar em apuros o tucano José Serra. Segundo a reportagem, baseada em documentos oficiais, por 15 dias no ano de 2001, no governo FHC/Serra a empresa Decidir.com abriu o sigilo bancário de 60 milhões de brasileiros. A Decidir.com é o resultado da sociedade, em Miami, da filha de Serra, Verônica Serra,  com a irmã de Daniel Dantas.

Veja abaixo a reportagem de CartaCapital.

Extinta empresa de Verônica Serra expôs os dados bancários de 60 milhões de brasileiros obtidos em acordo questionável com o governo FHC

30 de janeiro de 2001, o peemedebista Michel Temer, então presidente da Câmara dos Deputados, enviou um ofício ao Banco Central, comandado à época pelo economista Armínio Fraga. Queria explicações sobre um caso escabroso. Naquele mesmo mês, por cerca de 20 dias, os dados de quase 60 milhões de correntistas brasileiros haviam ficado expostos à visitação pública na internet, no que é, provavelmente uma das maiores quebras de sigilo bancário da história do País. O site responsável pelo crime, filial brasileira de uma empresa argentina, se chamava Decidir.com e, curiosamente, tinha registro em Miami, nos Estados Unidos, em nome de seis sócios. Dois deles eram empresárias brasileiras: Verônica Allende Serra e Verônica Dantas Rodenburg.

Ironia do destino, a advogada Verônica Serra, 41 anos, é hoje a principal estrela da campanha política do pai, José Serra, justamente por ser vítima de uma ainda mal explicada quebra de sigilo fiscal cometida por funcionários da Receita Federal. A violação dos dados de Verônica tem sido extensamente explorada na campanha eleitoral. Serra acusou diretamente Dilma Rousseff de responsabilidade pelo crime, embora tenha abrandado o discurso nos últimos dias.

Naquele começo de 2001, ainda durante o segundo mandato do presidente FHC, Temer não haveria de receber uma reposta de Fraga. Esta, se enviada algum dia, nunca foi registrada no protocolo da presidência da Casa. O deputado deixou o cargo menos de um mês depois de enviar o ofício ao Banco Central e foi sucedido pelo tucano Aécio Neves, ex-governador de Minas Gerais, hoje candidato ao Senado. Passados nove anos, o hoje candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff garante que nunca mais teve qualquer informação sobre o assunto, nem do Banco Central nem de autoridade federal alguma. Nem ele nem ninguém.

Graças à leniência do governo FHC e à então boa vontade da mídia, que não enxergou, como agora, nenhum indício de um grave atentado contra os direitos dos cidadãos, a história ficou reduzida a um escândalo de emissão de cheques sem fundos por parte de deputados federais.

Temer decidiu chamar o Banco Central às falas no mesmo dia em que uma matéria da Folha de São Paulo informava que, graças ao passe livre do Decidir.com, era possível a qualquer um acessar não só os dados bancários de todos os brasileiros com conta corrente ativa, mas também o Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos (CCF), a chamada “lista negra”do BC. Com base nessa facilidade, o jornal paulistano acessou os dados bancários de 692 autoridades brasileiras e se concentrou na existência de 18 deputados enrolados com cheques sem fundos, posteriormente constrangidos pela exposição pública de suas mazelas financeiras.

Entre esses parlamentares despontava o deputado Severino Cavalcanti, então do PPB (atual PP) de Pernambuco, que acabaria por se tornar presidente da Câmara dos Deputados, em 2005, com o apoio da oposição comandada pelo PSDB e pelo ex-PFL (atual DEM). Os congressistas expostos pela reportagem pertenciam a partidos diversos: um do PL, um do PPB, dois do PT, três do PFL, cinco do PSDB e seis do PMDB. Desses, apenas três permanecem com mandato na Câmara, Paulo Rocha (PT-PA), Gervásio Silva (DEM-SC) e Aníbal Gomes (PMDB-CE). Por conta da campanha eleitoral, CartaCapital conseguiu contato com apenas um deles, Paulo Rocha. Via assessoria de imprensa, ele informou apenas não se lembrar de ter entrado ou não com alguma ação judicial contra a Decidir.com por causa da quebra de sigilo bancário.

Na época do ocorrido, a reportagem da Folha ignorou a presença societária na Decidir.com tanto de Verônica Serra, filha do candidato tucano, como de Verônica Dantas, irmã do banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity. Verônica D. e o irmão Dantas foram indiciados, em 2008, pela Operação Satiagraha, da Polícia Federal, por crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal, formação de quadrilha, gestão fraudulenta de instituição financeira e empréstimo vedado. Verônica também é investigada por participação no suborno a um delegado federal que resultou na condenação do irmão a dez anos de cadeia. E também por irregularidades cometidas pelo Opportunity Fund: nos anos 90, à revelia das leis brasileiras, o fundo operava dinheiro de nacionais no exterior por meio de uma facilidade criada pelo BC chamada Anexo IV e dirigida apenas a estrangeiros.

A forma como a empresa das duas Verônicas conseguiu acesso aos dados de milhões de correntistas brasileiros, feita a partir de um convênio com o Banco do Brasil, sob a presidência do tucano Paolo Zaghen, é fruto de uma negociação nebulosa. A Decidir.com não existe mais no Brasil desde março de 2002, quando foi tornada inativa em Miami, e a dupla tem se recusado, sistematicamente, a sequer admitir que fossem sócias, apesar das evidências documentais a respeito. À época, uma funcionária do site, Cíntia Yamamoto, disse ao jornal que a Decidir.com dedicava-se a orientar o comércio sobre a inadimplência de pessoas físicas e jurídicas, nos moldes da Serasa, empresa criada por bancos em 1968. Uma “falha”no sistema teria deixado os dados abertos ao público. Para acessá-los, bastava digitar o nome completo dos correntistas.

A informação dada por Yamamoto não era, porém, verdadeira. O site da Decidir.com, da forma como foi criado em Miami, tinha o seguinte aviso para potenciais clientes interessados em participar de negócios no Brasil: “encontre em nossa base de licitações a oportunidade certa para se tornar um fornecedor do Estado”. Era, por assim dizer, um balcão facilitador montado nos Estados Unidos que tinha como sócias a filha do então ministro da Saúde, titular de uma pasta recheada de pesadas licitações, e a irmã de um banqueiro que havia participado ativamente das privatizações do governo FHC.

A ação do Decidir.com é crime de quebra de sigilo fiscal. O uso do CCF do Banco Central é disciplinado pela Resolução 1.682 do Conselho Monetário Nacional, de 31 de janeiro de 1990, que proíbe divulgação de dados a terceiros. A divulgação das informações também é caracterizada como quebra de sigilo bancário pela Lei n˚ 4.595, de 1964. O Banco Central deveria ter instaurado um processo administrativo para averiguar os termos do convênio feito entre a Decidir.com e o Banco do Brasil, pois a empresa não era uma entidade de defesa do crédito, mas de promoção de concorrência. As duas também deveriam ter sido alvo de uma investigação da polícia federal, mas nada disso ocorreu. O ministro da Justiça de então era José Gregori, atual tesoureiro da campanha de Serra.

A inércia do Ministério da Justiça, no caso, pode ser explicada pelas circunstâncias políticas do período. A Polícia Federal era comandada por um tucano de carteirinha, o delgado Agílio Monteiro Filho, que chegou a se candidatar, sem sucesso, à Câmara dos Deputados em 2002, pelo PSDB. A vida de Serra e de outros integrantes do partido, entre os quais o presidente Fernando Henrique, estava razoavelmente bagunçada por conta de outra investigação, relativa ao caso do chamado Dossiê Cayman, uma papelada falsa, forjada por uma quadrilha de brasileiros em Miami, que insinuava a existência de uma conta tucana clandestina no Caribe para guardar dinheiro supostamente desviado das privatizações. Portanto, uma nova investigação a envolver Serra, ainda mais com a família de Dantas a reboque, seria politicamente um desastre para quem pretendia, no ano seguinte, se candidatar à Presidência. A morte súbita do caso, sem que nenhuma autoridade federal tivesse se animado a investigar a monumental quebra de sigilo bancário não chega a ser, por isso, um mistério insondável.

Além de Temer, apenas outro parlamentar, o ex-deputado bispo Wanderval, que pertencia ao PL de São Paulo, se interessou pelo assunto. Em fevereiro de 2001, ele encaminhou um requerimento de informações ao então ministro da Fazenda, Pedro Malan, no qual solicitava providências a respeito do vazamento de informações bancárias promovido pela Decidir.com. Fora da política desde 2006, o bispo não foi encontrado por CartaCapital para informar se houve resposta. Também procurada, a assessoria do Banco Central não deu qualquer informação oficial sobre as razões de o órgão não ter tomado medidas administrativas e judiciais quando soube da quebra de sigilo bancário.

Fundada em 5 de março de 2000, a Decidir.com foi registrada na Divisão de Corporações do estado da Flórida, com endereço em um prédio comercial da elegante Brickell Avenue, em Miami. Tratava-se da subsidiária americana de uma empresa de mesmo nome criada na Argentina, mas também com filiais no Chile (onde Verônica Serra nasceu, em 1969, quando o pai estava exilado), México, Venezuela e Brasil. A diretoria-executiva registrada em Miami era composta, além de Verônica Serra, por Verônica Dantas, do Oportunity, Brian Kim, do Citibank, e por mais três sócios da Decidir.com da Argentina, Guy Nevo, Esteban Nofal e Esteban Brenman. À época, o Citi era o grande fiador dos negócios de Dantas mundo afora. Segundo informação das autoridades dos Estados Unidos, a empresa fechou dois anos depois, em 5 de março de 2002. Manteve-se apenas em Buenos Aires , mas com um novo slogan: “com os nossos serviços você poderá concretizar negócios seguros, evitando riscos desnecessários”.

Quando se associou a Verônica D. Na Decidir.com, em 2000, Verônica S. era diretora para a América Latina da companhia de investimentos International Real Returns (IRR), de Nova York, que administrava uma carteira de negócios de 660 bilhões de dólares. Advogada formada pela Universidade de São Paulo, com pós-graduação em Harvard, nos EUA, Verônica S. Também se tornou conselheira de uma série de companhias dedicadas ao comércio digital na América Latina, entre elas a Patagon.com, Chinook.com, TokenZone.com, Gemelo.com, Edgix, BB2W, Latinarte.com, Movilogic e Endeavor Brasil. Entre 1997 e 1998, havia sido vice-presidente da Leucadia National Corporation, uma companhia de investimentos de 3 bilhões de dólares especializada nos mercados da América Latina, Ásia e Europa. Também foi funcionária do Goldman Sachs, em Nova York.

Verônica S. ainda era sócia do pai na ACP – Análise da Conjuntura Econômica e Perspectivas Ltda, fundada em 1993. A empresa funcionava em um escritório no bairro da Vila Madalena, em São Paulo , cujo proprietário era o cunhado do candidato tucano, Gregório Marin Preciado, ex-integrante do conselho de administração do Banco do Estado de São Paulo (Banespa), nomeado quando Serra era secretário de Planejamento do governo de São Paulo, em 1993. Preciado obteve uma redução de dívida no Banco do Brasil de 448 milhões de reais para irrisórios 4,1 milhões de reais no governo FHC, quando Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-arrecadador de campanha de Serra, era diretor da área internacional do BB e articulava as privatizações.

Por coincidência, as relações de Verônica S. com a Decidir.com e a ACP fazem parte do livro Os Porões da Privataria, a ser lançado pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr. Em 2011.

De acordo com o texto de Ribeiro Jr., a Decidir.com foi basicamente financiada, no Brasil, pelo Banco Opportunity com um capital de 5 milhões de dólares. Em seguida, transferiu-se, com o nome de Decidir International Limited, para o escritório do Ctco Building, em Road Town , Ilha de Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas, famoso paraíso fiscal no Caribe. De lá, afirma o jornalista, a Decidir.com internalizou 10 milhões de reais em ações da empresa no Brasil, que funcionava no escritório da própria Verônica S. A essas empresas deslocadas para vários lugares, mas sempre com o mesmo nome, o repórter apelida, no livro, de “empresas-camaleão”.

Oficialmente, Verônica S. e Verônica D. abandonaram a Decidir.com em março de 2001 por conta do chamado “estouro da bolha” da internet – iniciado um ano antes, em 2000, quando elas se associaram em Miami. A saída de ambas da sociedade coincide, porém, com a operação abafa que se seguiu à notícia sobre a quebra de sigilo bancário dos brasileiros pela companhia. Em julho de 2008, logo depois da Operação Satiagraha, a filha de Serra chegou a divulgar uma nota oficial para tentar descolar o seu nome da irmã de Dantas. “Não conheço Verônica Dantas, nem pessoalmente, nem de vista, nem por telefone, nem por e-mail”, anunciou.

Segundo ela, a irmã do banqueiro nunca participou de nenhuma reunião de conselho da Decidir.com. Os encontros mensais ocorriam, em geral, em Buenos Aires. Verônica Serra garantiu que a xará foi apenas “indicada”pelo Consórcio Citibank Venture Capital (CVC)/Opportunity como representante no conselho de administração da empresa fundada em Miami. Ela também negou ter sido sócia da Decidir.com, mas apenas “representante”da IRR na empresa. Mas os documentos oficiais a desmentem.

Fonte: CartaCapital

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/aventuras-das-duas-veronicas

‘Modelo cubano não funciona mais nem mesmo para nós’, diz Fidel / havana. cuba (entrevista histórica)

Ex-presidente admitiu que o modelo não tem apelo para ser exportado.
Especialista diz que declaração deve abrir espaço para reformas em Cuba.

O ex-presidente cubano Fidel Castro admitiu que o “modelo cubano” não tem mais apelo para ser exportado para outros países. A declaração faz parte de uma longa entrevista que concedeu à revista americana “The Atlantic Monthly”, cuja segunda parte foi publicada nesta quarta-feira (8). Questionado pelo o jornalista Jeffrey Goldberg se a

chava que o modelo cubano ainda poderia ser exportado para algum lugar, Fidel respondeu: “O modelo cubano não funciona mais nem mesmo para nós”.

Segundo Julia Sweig, diretora de pesquisas sobre a América Latina no Council of Foreign Relations, que acompanhou o jornalista em sua viagem a Cuba, “ele não rejeitou as ideias da revolução”, mas apenas admitiu que sob o “modelo cubano” o Estado tem um papel grande demais na vida econômica do país. Segundo ela, trata-se de uma forma de abrir espaço para que Raúl Castro, irmão de Fidel que está no poder desde que ele saiu da Presidência, faça as reformas necessárias para abrir a economia do país.

Reportagem da revista “Atlantic” com a entrevista de

Fidel Castro publicada na internet nesta quarta-feira (8).

(Foto: Reprodução)

Fidel Castro, durante visita ao Aquário Nacional em Havana, junto ao jornalista americano Jeffrey Goldberg, da revista ‘Atlantic Montlhy’ (Foto: AFP)

Na mesma entrevista, o ex-ditador cubano criticou a retórica antissemita usada pelo presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. “Não acredito que alguém tenha sido mais difamado que os judeus. Diria que muito mais do que os muçulmanos. Foram mais difamados que os muçulmanos porque são acusados e caluniados por tudo. Ninguém culpa os muçulmanos de nada”, estimou Fidel.

“Digo isso para que você possa dizer a ele”, respondeu Fidel, indagado pelo correspondente Jeffrey Goldberg se tem a intenção de compartilhar com Ahmadinejad seu ponto de vista.

Goldberg foi convidado pelo próprio Fidel, que se interessou por um artigo seu sobre as tensões entre Irã e Israel. “Os judeus tiveram uma vida muito mais dura do que a nossa. Não há nada que se compare ao Holocausto”, afirmou Fidel Castro, que foi entrevistado pelo jornalista em Havana durante três dias.

Fidel Castro, que voltou a aparecer em público e escrever com frequência nas últimas semanas, criticou Ahmadinejad por negar o Holocausto, e afirmou que o governo iraniano contribuiria para a paz se tentasse entender porque os israelenses temem por sua existência, escreveu Goldberg.

DILMA tem 51% e serra 27%, aponta IBOPE


Marina registra 7%. Margem de erro é de 2 pontos percentuais.
No cenário com segundo turno, Dilma tem 56%, e Serra, 32%.

Do G1, em São Paulo


INTENÇÃO DE VOTO PARA A PRESIDÊNCIA
Resposta estimulada e única, em %
Dilma (PT) 51%
José Serra (PSDB) 27%
Marina Silva (PV) 7%
Eymael (PSDC) * 0%
Ivan Pinheiro (PCB) * 0%
Levy Fidelix (PRTB) * 0%
Plínio (PSOL) * 0%
Zé Maria (PSTU) * 0%
Brancos e nulos 5%
Indecisos 9%
* não atingiram 1%
** O candidato Rui Costa Pimenta (PCO) não foi citado por nenhum entrevistado

DILMA e trabalhadoras de SP

A candidata Dilma Rousseff (PT) aparece na frente na corrida pela Presidência da República, segundo pesquisa Ibope de intenção de voto divulgada neste sábado (28). A petista tem 51% das intenções de voto contra 27% do adversário José Serra (PSDB).

De acordo com o Ibope, em terceiro lugar está Marina Silva (PV), com 7%. No  levantamento anterior do Ibope, realizado dos dias 12 a 15 de agosto, Dilma tinha 43%, Serra, 32%, e Marina, 8%.

A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos para mais ou menos. Isso indica que Dilma pode ter entre 49% e 53% e Serra, entre 25% e 29%. A pesquisa foi encomendada pela TV Globo e pelo jornal “O Estado de S. Paulo”.

Os eleitores que responderam que votarão em branco ou nulo somaram 5% e os que se disseram indecisos, 9%.

Dos demais candidatos, Eymael (PSDC), Ivan Pinheiro (PCB), Levy Fidelix (PRTB), Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) e Zé Maria (PSTU), nenhum alcançou 1% das intenções de voto. O candidato Rui Costa Pimenta (PCO) não foi citado por nenhum dos entrevistados.

O Ibope ouviu 2.506 eleitores com mais de 16 anos em 171 municípios de terça-feira (24) a quinta-feira (26). A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 26139/2010.

Votos válidos

De acordo com o Ibope, considerando-se apenas os votos válidos, excluindo brancos, nulos e indecisos, Dilma tem hoje 59% das intenções de voto, Serra, 32%, e Marina, 8%. Outros candidatos não atingiram 1%. O candidato do PCO, Rui Costa Pimenta, não foi citado pelos entrevistados. Nesse cenário, se as eleições fossem hoje, Dilma poderia ser eleita no primeiro turno.

Segundo turno
Em um eventual segundo turno entre Dilma e Serra, o Ibope apurou que a petista teria 56% e Serra, 32%. Brancos e nulos seriam 6%, e indecisos, 7% (a primeira versão deste texto apontava, erradamente, que Dilma teria 55% no segundo turno). Na pesquisa anterior, as taxas de Dilma e Serra eram de 48% e 37%, respectivamente.

Avaliação do governo
O levantamento também mostrou como os eleitores avaliam o governo Lula. Para 78%, o governo é ótimo ou bom; para 17%, regular; para 4%, ruim ou péssimo.

foto livre. publicação do site.

DILMA tem 49%, e Serra, 29%, aponta Datafolha


Marina Silva (PV) alcançou 9% das intenções de voto, segundo o instituto.
Margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Do G1, em Brasília

INTENÇÃO DE VOTO PARA A PRESIDÊNCIA
(resposta estimulada)
%
Dilma (PT) 49
Serra (PSDB) 29
Marina (PV) 9
Plínio (PSOL) 0
Zé Maria (PSTU) 0
Eymael (PSDC) 0
Rui Costa Pimenta (PCO) 0
Ivan Pinheiro (PCB) 0
Levy Fidelix (PRTB) 0
Branco/nulo/nenhum 4
Não sabe 8
Fonte: Datafolha
0 – Não atingiu 1%

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (26) mostra a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, com 49% das intenções de voto, contra 29% do candidato do PSDB, José Serra. A candidata do PV, Marina Silva, obtém 9% no levantamento.

Dos demais candidatos (Plínio, PSOL, Zé Maria, PSTU, Eymael, PSDC, Rui Costa Pimenta, PCO, Ivan Pinheiro, PSB, e Levy Fidelix, PRTB), nenhum atingiu 1% das intenções de voto. De acordo com a pesquisa, brancos e nulos totalizam 4% e os que não sabem, 8%. Veja os números ao lado.

A pesquisa tem margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Levando em consideração a margem de erro, Dilma pode ter entre 47% e 51%, Serra, entre 27% e 31%, e Marina, entre 7% e 11%.

O levantamento foi encomendado pela TV Globo e pelo jornal “Folha de S.Paulo”. Foram realizadas 10.948 entrevistas em 385 municípios entre segunda-feira (23) e terça-feira (24). A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número 25.473/2010.

Na pesquisa anterior do Datafolha, feita no dia 20 deste mês, Dilma teve 47%, Serra, 30%, e Marina, 9%.


Votos válidos
Considerando apenas os votos válidos, ou seja, descontando brancos e nulos, a pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta (26) afirma que Dilma alcança 55%, o que seria suficiente para elegê-la já no primeiro turno. Serra fica com 33%, e Marina, com 10%.

Na pesquisa anterior, a taxas de Dilma, Serra e Marina eram de 54%, 34% e 10%, respectivamente.

Segundo turno
De acordo com o Datafolha, num eventual segundo turno entre Dilma e Serra, a petista teria 55% e o tucano, 36%. Na pesquisa anterior, Dilma tinha 53% das intenções de voto, e Serra, 39%.

Avaliação do governo
O levantamento também mostrou como os eleitores avaliam o governo Lula. Para 79%, o governo é ótimo ou bom; para 17%, regular; para 4%, ruim ou péssimo.

Na pesquisa anterior, esses percentuais eram de 77%, 18% e 4%, respectivamente.

Segundo o instituto, com a taxa de 79%, Lula bate novo recorde, tornando-se o primeiro presidente da República a alcançar esse percentual de popularidade nas pesquisas do
Datafolha. O recorde anterior, também de Lula, 78% de aprovação, foi no início de julho.

Fotógrafo cego, esloveno, tem exposição em São Paulo – por luis felipe orlando / são paulo

Evgen Bavcar é considerado um dos mais importantes artistas contemporâneos vivos

Filósofo, cineasta e fotógrafo, o esloveno Evgen Bavcar é considerado um dos mais importantes artistas contemporâneos. Cego desde os 12 anos, ele foi um dos protagonistas do documentário Janela da Alma, de João Jardim e Walter Carvalho, em 2002, e tem agora uma exposição com 15 de suas fotos em São Paulo.

A mostra Estética do (in)visível tem 10 imagens em preto e branco e cinco coloridas do esloveno, além de trabalhos dos alunos do curso de fotografia para deficientes visuais oferecido pelo Senac.A exposição tem miniaturas das imagens feitas em relevo, o que permite ao público deficiente visual “enxergar” as obras.  “A luz do espírito nos permite fotografar o invisível”, diz Bavcar, que também é doutor em estética pela Universidade de Sorbonne, em Paris.

Bavcar nasceu em 1948 e perdeu a visão em dois acidentes diferentes: o primeiro em uma queda e o segundo envolvendo uma mina terrestre. Naturalizado francês, está sempre com um chapéu preto de abas largas e um pequeno espelho na lapela – “para matar a curiosidade das mulheres que perguntam se estão bonitas”. A técnica utilizada depende da foto. Ele faz os retratos sozinho, medindo com o braço a distância até o fotografado e posicionando a máquina na altura dos olhos. Para fotos mais complexas, precisa de um ajudante, que lhe descreve e monta o que será fotografado. “Descrição é algo vital, tem toda uma metodologia”, conta. Não se trata, no entanto, de uma descrição convencional. “A arte de exprimir com palavras uma realidade visual é como um caminho pelo invisível”, discorre. Sobre o resultado final, Bavcar diz que a descrição do objeto fotografado é diferente do que aparece na foto, “não coincide nunca, é como o amor”. Perguntas especificas, o fotógrafo não responde, “tecnicamente não digo tudo, é um segredo”.

Estética do (in)visível
De 26/8 a 17/9. De segunda a sexta, das 9h às 21 h; sábados, das 9h às 16 h. Senac: R. Scipião, 67, Lapa, tel.: 3475-2200. Grátis.

UM clique no centro do vídeo:

by E.

NEVA em SÃO JOAQUIM e outros municípios de SANTA CATARINA, ontem, hoje e …

DANTE MENDONÇA é escolhido para ocupar a cadeira número 1 da ACADEMIA PARANAENSE DE LETRAS.

o chargista e cronista  DANTE MENDONÇA em manhã de autógrafos no PASSEIO PÚBLICO em Curitiba.


O jornalista e chargista Dante Mendonça, cronista de O Estado e daTribuna do Paraná, foi eleito ontem (15/7/10)  por unanimidade para ocupar a cadeira de número 1 da Academia Paranaense de Letras. A mesma foi fundada pelo professor e historiador José Francisco da Rocha Pombo (1857-1933) e está vaga desde 2006, quando faleceu seu antigo ocupante, o poeta e advogado Valfrido Pilotto, que tinha 103 anos de idade.

Dante deve assumir a cadeira no final deste ano. “Vai ser uma grande honra, principalmente porque a Academia tem apenas quarenta cadeiras”, diz. “A eleição representa uma consideração muito grande para qualquer escritor. A Academia tem um papel de muita importância na preservação do nome dos escritores e da literatura paranaense”.

Além das crônicas diárias que escreve para O Estado e Tribuna, Dante é autor de seis livros. O primeiro deles é Álbum de figurinhas e figurões, lançado em 1986, como uma coletânea de charges publicadas no jornal. O mais recente é Serra acima, serra abaixo: o Paraná de trás pra frente, que foi colocado à disposição do público no último mês de março.

Bastante ativo, o jornalista conta que deve começar a se dedicar a uma nova obra no final do ano, mas ainda não revela o assunto da mesma. Na Academia, ele conta que vai trabalhar para melhor divulgar e valorizar a literatura paranaense. “Soube da indicação à cadeira de número 1 há quinze dias. Ainda não sei ao certo quais vão ser minhas funções, mas quero trabalhar bastante para fazer crescer e incentivar a literatura do Paraná”, comenta.

Dante Mendonça começou a assinar a charge editorial de O Estado em 1974. Cidadão Honorário de Curitiba e do Paraná, nasceu emNova Trento (SC), estando radicado em Curitiba desde 1970. Além de chargista e jornalista, trabalhou por muitos anos em teatro, como ator, diretor e cenógrafo. Também passou pela televisão, fazendo um quadro diário de humor em telejornal. Foi o fundador da Banda Polaca, o maior bloco carnavalesco de Curitiba, e, em 1981, presidente da Comissão de Carnaval de Curitiba.

Entre outras exposições, participou do Salão de Humor de Piracicaba (SP) e da mostra especial de cartunistas brasileiros e estrangeiros no Salão Carioca de Humor, no Rio de Janeiro. Ganhou página no livroO Paraná e a caricatura, de Newton Carneiro, e consta da Antologia Brasileira de Humor.

Cintia Végas/Daniel Caron.

OEP.

‘Vovós do tricô’ arrancam a roupa para calendário / washington

Quarteto quer arrecadar dinheiro para tratamento de netos autistas.
Turma posou coberta apenas por peças tricotadas.

Marsha Cunningham, 63, Debby Sims, 57, Barbara Weber, 76, e Lavonne Northcutt, 48, posam para calendário (Foto: AP)

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As agulhas e novelos de lã de um grupo de vovós americanas foram deixados de lado nos últimos tempos. Quatro senhoras de Tacoma, no estado de Washington (EUA), tiraram a roupa para arrecadar fundos para uma boa causa.

Dinheiro da venda dos calendários ajudará no cuidado de crianças autistas (Foto: AP)

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Marsha Cunningham, 63, Debby Sims, 57, Barbara Weber, 76, e Lavonne Northcutt, 48, fazem parte de um grupo de tricô, mas se sensibilizaram com a história dos netos de Marsha, que são autistas e precisam de constante tratamento.

Amigas, elas posaram nuas para um calendário que será vendido na região em benefício dos netos gêmeos de Marsha e outras crianças que sofrem com o mesmo problema. Para não esquecerem de sua atividade preferida, as distintas senhoras ainda exibem no ensaio algumas peças tricotadas pelo grupo.

G1.

NOSSA CASA: PLANETA TERRA, SOCORRA E CUIDE

UM clique no centro do vídeo:

Parte I:

Parte II:

Parte III:

Parte IV:

Parte V:

Parte VI:

Parte VII:

Parte VIII:

Parte IX:

Parte X:

Parte XI:

PESQUISA IBOPE: DILMA e SERRA EMPATADOS EM 37% / “DEMOS e TUCANADA agonizam nas reuniões de emergência e sujeira.”

“entre o final da semana passada e a última sexta-feira os DEMOS já davam sinais de fadiga com a campanha de zé serra. alguns deputados federais do DEMO já acenam em marchar com o PT nos seus estados. o organismo da campanha se mostra fraco, facilmente contaminável ao ponto de o termo “vice” ( de serra) chega a ser uma ofensa para quem é lembrado. vide aécio.” PTP.

Pesquisa foi encomendada pela TV Globo e pelo jornal “O Estado de S.Paulo”. De acordo com levantamento, 8% dos entrevistados se dizem indecisos

Pesquisa Ibope de intenção de voto para presidente da República divulgada neste sábado (5) aponta Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) empatados. Os dois têm 37% das preferências e Marina Silva (PV), 9%.

O Ibope ouviu 2.002 eleitores em 141 cidades do país entre os últimos dias 31 de maio e 3 de junho. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Isso quer dizer que Dilma e Serra podem ter entre 35% e 39% das preferências e Marina, entre 7% e 11%. Nove por cento dos entrevistados disseram que votarão em branco, nulo ou em nenhum candidato. Os indecisos somam 8%.

No último levantamento feito pelo Ibope, em abril, José Serra tinha 40% das intenções de voto, Dilma Rousseff, 32%, e Marina Silva, 9%. Dilma foi a única candidata que apresentou crescimento.

Em fevereiro deste ano, a diferença entre os dois primeiros colocados na disputa era de 13 pontos percentuais (Serra tinha 41% e Dilma, 28%). Em março, caiu para cinco pontos (38% e 33%, respectivamente). E, em abril, voltou a subir e chegou a oito pontos (40% e 32%). Nesse mesmo período, Marina teve 10%, 8% e 9% das intenções de voto nos estudos feitos pelo Ibope.

A série histórica citada não considera na disputa o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), que oficializou, no fim de abril, a desistência de concorrer à Presidência.

A pesquisa é a primeira encomendada neste ano ao instituto pela TV Globo e pelo jornal “O Estado de S. Paulo”. Esse levantamento aferiu somente as intenções de voto nos três principais presidenciáveis. Nos cartões apresentados aos eleitores, não constavam os nomes de eventuais pré-candidatos cujas taxas são inferiores a 1% em outras pesquisas já divulgadas neste ano.

O prazo legal para que os partidos oficializem os candidatos em convenção começa no próximo dia 10 e termina no dia 30. Após essa data, serão conhecidos os nomes de todos os candidatos que disputarão a Presidência na eleição de outubro.

Segundo turno

O Ibope também considerou a possibilidade de segundo turno entre Serra e Dilma. O resultado é um novo empate, em 42%. Nessa situação, brancos e nulos somam 9%. Sete por cento não responderam.

Segundo os pesquisadores, a candidata do PT recebe mais votos dos eleitores de Marina Silva(40%, contra 32% que optariam pelo candidato tucano).

Entre os entrevistados que declararam que votariam branco ou nulo no primeiro turno, o percentual de quem escolheria Serra na segunda etapa é maior (17%, contra 6% para Dilma).

Rejeição

O Ibope também aferiu o grau de rejeição dos eleitores aos três principais pré-candidatos. Vinte e quatro por cento dos entrevistados disseram que não votarão em Serra; 19% em Dilma e 15% em Marina.

Os entrevistados responderam ainda questionários sobre o interesse na eleição que vai ocorrer em outubro. De acordo com o Ibope, 21% disseram que têm muito interesse, 32% têm interesse médio, 27% têm pouco interesse e 19% não têm interesse nenhum.

Avaliação do governo

De acordo com o levantamento, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é considerado ótimo ou bom por 75% dos entrevistados, regular por 20% e ruim ou péssimo por 5%. A nota média atribuída ao governo pelos eleitores ouvidos pelo Ibope é 7,8.

A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob protocolo número 13642/2010.

05/06/2010 | 15:40 | G1/GLOBO.COM

segunda manchete, entre aspas, e ilustrações são do site PTP.

Reforma política: aposentar Caciques dos Partidos – Revista “O Cruzeiro” de 3 de outubro de 1964 / rio de janeiro

O PRESIDENTE Castello Branco parece interessado em examinar as sugestões que lhe vêm sendo feitas no sentido de dar maior profundidade à revisão das estruturas políticas, que inicialmente pensou fazer em escala bastante modesta. Os projetos iniciais do Govêrno referiam-se a uma reforma eleitoral e a uma lei orgânica dos partidos, ambas consideradas essenciais a uma melhoria dos instrumentos de apuração da manifestação da vontade popular, mas ambas tidas pelos peritos nos estudos constitucionais do Brasil como insuficientes.

O de que se necessitaria, no momento, seria de alguma coisa semelhante ao que fêz na França, em 1958, o General Charles De Gaulle, embora sem que se pense em adotar necessàriamente a mesma linha de fortalecimento do poder presidencial seguida na Constituição francesa daquele ano.

Abandonada a idéia da mudança do sistema presidencialista para uma nova experiência parlamentarista – idéia condenada pelo malôgro da experiência anterior e recente, muito embora já haja novamente na Câmara uma emenda constitucional parlamentarista com 205 assinaturas, o que demonstra, pelo menos, a persistência das inclinações doutrinárias da maioria dos deputados -, cogita-se de modificar a estrutura do regime presidencialista. Essas modificações poderiam ir até admitir a existência de um conselho de ministros ou de ministros prèviamente aprovados pelo Congresso ou, ao menos, pelo Senado – prática norte-americana – como tentativa de contenção dos excessos presidencialistas e de uma boa distribuição de tarefas. Entende-se que a missão de chefe de Estado cresceu tanto quanto a missão de chefe de govêrno, a tal ponto que se tornaria rigorosamente impossível a um só homem exercer eficientemente as duas.

Ao chefe de Estado, no entanto, seriam asseguradas prerrogativas que manteriam em suas mãos o poder de decisão em tôdas as questões de importância política e administrativa.

Tentar-se-ia, por outro lado, assegurar senão a prevalência pelo menos a liderança legal – no reconhecimento da liderança de fato – do Poder Executivo sôbre o Poder Legislativo, na formulação da política de govêrno. Pensa-se, portanto, em introduzir, em caráter permanente, a tramitação especial dos projetos da iniciativa do Presidente da República, bem como a de consagrar, no texto da Constituição, as restrições à iniciativa legislativa dos deputados, notadamente no que se refere a projetos de lei aumentando a despesa pública.

A proibição de iniciativas de parlamentares com reflexos na despesa pública não só asseguraria a incolumidade da política econômico-financeira do Govêrno, como favoreceria o prestígio do Congresso, afetado exatamente pela liberalidade com que deputados e senadores usam, sob pressão dos seus eleitores, da faculdade de propor projetos de lei ou emendas aos projetos em andamento.

No que se refere ao problema dos partidos políticos, as tendências vêm variando, mas de um modo geral consideram-se carentes de objetividade as tentativas de eliminar os atuais partidos para substituí-los por organizações que estruturassem de modo mais coerente as tendências ideológicas e compusessem de maneira melhor, os interêsses em jôgo. Os partidos que aí estão, sobretudo os grandes partidos, como o PSD, o PTB e a UDN, encontram bases de opinião bastante estáveis e têm seu fundamento de realidade nas rivalidades políticas municipais que seriam ainda a substância do grande jôgo político nacional.

O problema seria o de democratizar êsses partidos, interferindo no seu processo, condicionando-os ao cumprimento de exigências legais que os poriam a salvo do domínio de oligarquias ou de interêsses de grupos que em cada Estado monopolizam a legenda sem qualquer possibilidade de apêlo ou recurso. Os partidos brasileiros não têm existência efetiva a não ser nos períodos eleitorais, e assim mesmo as convenções que ratificam candidaturas são manipuladas pelos donos da legenda, que negam acesso a qualquer influência estranha ao seu exclusivo interêsse político ou mesmo pessoal. Seria necessário permitir o arejamento das reuniões partidárias com o acesso às mesmas das correntes de opinião, desde o município até o âmbito nacional. Isso jamais aconteceria por vontade própria dos caciques partidários e teria de ser uma resultante de imposições legais, que o atual Govêrno poderia promover com rapidez e eficiência.

Os Srs. Gustavo Capanema e Afonso Arinos, juntamente com o falecido San Thiago Dantas, estudavam êsses temas em profundidade e vinham mantendo a respeito exaustivos encontros com o Ministro da Justiça, sensível à necessidade de partir o País para novas experiências em matéria de estrutura política.

Pensaram aquêles próceres em interessar no assunto o Presidente dos grandes partidos para a formação de uma frente ou bloco parlamentar que, na base do estímulo ao Govêrno, apoiasse firmamente a votação das reformas. A idéia está em marcha, e é possível que o Presidente autorize o Ministro Milton Campos a ampliar o terreno em que se estudam, no momento, as reformas políticas que pretende fazer possìvelmente nos primeiros meses de 1965.

As resistências da rotina política e parlamentar serão muito grandes e só mesmo o impulso de uma dinâmica revolucionária poderá permitir a reestruturação de que se cogita no momento.

Caso, no entanto, as dificuldades de ordem doutrinária sejam inconciliáveis, o Govêrno poderá se ver na contingência de restringir seu propósito reformista, na área política, a simples ajustamentos da legislação vigente.

Nesse caso, teríamos apenas algumas providências destinadas a coibir a fraude eleitoral ou a fixar exigências maiores para registro de partidos políticos, a fim de evitar que continuem a proliferar as legendas partidárias destituídas de qualquer significação.

MV.

Dupla celebra 82 anos de ‘bebedeira’ no mesmo pub /inglaterra

Britânicos se conheceram aos 13 anos em bar de Somerset.
Les Perkins e Chris Parfitt já viram muitas mudanças em pub.

Os britânicos Les Perkins, de 98 anos, e Chris Parfitt, 95, bebem juntos no mesmo bar de Somerset, na Inglaterra, há 82 anos. A dupla é o exemplo vivo do conceito “cliente fiel” para o pub Waggon and Horses.

Eles se conheceram naquele bar quando ainda tinham 13 anos e estavam com seus pais. À época, eles estudavam em escolas diferentes e não tinham nada em comum.

Com o passar dos anos, Perkins e Parfitt tomaram gosto pela bebida e fizeram do pub seu ponto de encontro semanal. E lá se vão mais de oito décadas.

Recentemente, a dupla foi fotografada no balcão do bar, onde brindou a amizade ea bebedeira.

“Os novos donos são muito bons e a comida daqui é excelente”, contou Parfitt ao tabloide “The Sun”. Ele e o amigo já acompanharam muitas mudanças no pub, como a passagem de quatro diferentes administrações.

“Já vimos muitas pessoas passarem por aqui. Gostamos de algumas e nem ligamos para outras. Mas todas passam e nós ficamos”, brincou Perkins.

g1.

ELEIÇÕES 2010: TUCANOS FAZEM A SUJEIRA

Guerra suja na internet

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Deputado federal Brizola Neto (PDT-RJ) denuncia em seu blog que Eduardo Graeff, ex-secretário geral do governo FHC, tesoureiro do PSDB e homem forte da campanha de Serra, é o proprietário de domínios de páginas na internet criadas para promover uma guerra suja durante a campanha eleitoral. “Vou hoje à tribuna da Câmara, desafiar o discurso de bom-moço de José Serra. Toda esta sujeira é feita por seus homens de confiança”, afirmou o parlamentar.

CMAIOR.

Fifa divulga vídeo de apresentação da Copa 2010

O clipe traz imagens das 32 seleções que irão disputar o Mundial deste ano em diversos momentos marcantes, como gols, defesas e festas proporcionadas pela torcida. Além disso, traz a cantora colombiana Shakira interpretando a canção “Waka Waka (This times for África)”. G1.

O vídeo apresenta uma carga de emoções bem grande para quem gosta de futebol. Mescla imagens de peladas disputadas em campos de terra, com a de grandes astros do milionário mundo do futebol em ação. Mostra apresentações folclóricas tradicionais do país, tendo a letra motivadora da canção ao fundo e também em legendas.

A seleção brasileira, única pentacampeã do mundo, recebe destaque especial na gravação. Aparecem, entre outras estrelas, Cristiano Ronaldo, Messi, Kaká, Nistelrooy, Peter Chech e Ribery. Também são “homenageados” no vídeo grandes jogadores que não vão para a Copa, como Ronaldo (fininho) e David Beckham.

UM clique no centro do vídeo:

Revista Time escolhe Lula como um dos líderes mais influentes do mundo

DEMOS  e TUCANALHAS, se desesperam diante do reconhecimento  da liderança mundial do Presidente LULA. Para lembrar, FHC, O CULTO, jamais recebeu uma frase elogiosa, sequer de uma ditadura africana. Essa gente, vendilhões da pátria,  já passou! O povo brasileiro não quer voltar atrás!

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Presidente é destaque na categoria “leaders”, junto com Barack Obama; brasileiro Jaime Lerner é citado entre “pensadores”

29/04/2010 | 11:50 | AGÊNCIA ESTADO E G1/GLOBO.COMatualizado em 29/04/2010 às 19:57

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito pela revista americana “Time” um dos líderes mais influentes do mundo em 2010, ao lado de figuras como o colega americano, Barack Obama. Embora o nome de Lula seja o primeiro da lista, a publicação afirma que isto não o qualifica como o líder mais influente, pois não se trata de um ranking. Em 2004, o presidente brasileiro já figurara na relação – ocasião em que foi descrito como “a voz dos países em desenvolvimento”.

A lista das 100 pessoas mais influentes do mundo deste ano, divulgada nesta quinta-feira (29), é dividida em quatro categorias: líderes, heróis, artistas e pensadores. Lula divide o título com outros 25 líderes, de empresários a políticos.

O perfil do brasileiro é assinado pelo documentarista Michael Moore. No texto – altamente elogioso -, ele descreve Lula como “um autêntico filho da classe trabalhadora latino-americana”. “O que Lula quer para o Brasil é o que costumávamos chamar de o sonho americano”, compara.

O perfil menciona a história de Lula, desde sua infância no Nordeste, “forçado a deixar a escola na quinta série para ajudar a família”, até sua eleição em 2002, “quando, depois de três candidaturas fracassadas, já era uma figura conhecida na política brasileira”. O texto questiona: “mas o que o levou à política?”. E responde: “foi quando, aos 25 anos, assistiu sua mulher Maria morrer no oitavo mês de gravidez, junto com o bebê, porque não podiam pagar um atendimento médico decente”.

Moore aproveita o perfil de Lula para criticar seu próprio país. “A grande ironia do governo Lula é que, enquanto tenta conduzir o Brasil ao primeiro mundo com programas sociais estatais, como o Fome Zero, os Estados Unidos se parecem cada vez mais com o antigo terceiro mundo.”

Esta é a sétima lista do gênero divulgada pela “Time”. A publicação de 2010 chega quando a aprovação do presidente brasileiro alcança os 84%, de acordo com a última pesquisa Ibope A lista de líderes influentes inclui o presidente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, a presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, Nancy Pelosi, e a ex-governadora do Alasca e candidata a vice-presidente na chapa de John McCain, Sarah Palin , além dos primeiros-ministros japonês e palestino, Yukio Hatoyama e Salam Fayyad.

Jaime Lerner

O ex-prefeito de Curitiba Jaime Lerner também figura na lista, só que na categoria dos pensadores mais influentes do mundo. “Nos últimos 40 anos, Lerner deixou um magnífico legado de sustentabilidade urbana”, escreveu o prefeito de Vancouver, Gregor Robertson, que traçou o perfil do brasileiro. Ele descreve o colega como um “pioneiro” do sistema de transporte público nas cidades – um modelo, segundo o texto, “agora usado em todo o mundo”.

Outros nomes na mesma categoria incluem o presidente da Apple, Steve Jobs, os economistas Paul Volcker e Amartya Sen, e a integrante da Suprema Corte americana Sonia Sotomayor.

Outras homenagens

Lula já havia recebido outras homenagens de jornais e revistas importantes no cenário internacional. Em 2009, foi escolhido pelo jornal britânico “Financial Times” como uma das 50 personalidades que moldaram a última década.

Também foi eleito o “homem do ano 2009” pelo jornal francês ‘Le Monde’, na primeira vez que o veículo decide conferir a honraria a uma personalidade. No mesmo ano, o jornal espanhol ‘El País’ escolheu Lula o personagem do ano. Na ocasião, Zapatero refigiu o artigo de apresentação do brasileiro e disse que Lula ‘surpreende’ o mundo.

Veja abaixo a lista dos 10 líderes mais influentes da Time

1 – Luiz Inácio Lula da Silva
2 – J.T. Wang
3 – Admiral Mike Mullen
4 – Barack Obama
5 – Ron Bloom
6 – Yukio Hatoyama
7 – Dominique Strauss-Kahn
8 – Nancy Pelosi
9 – Sarah Palin
10 – Salam Fayyad

(Confira a lista completa no site da revista)