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O POETA ALTAIR DE OLIVEIRA convida para o lançamento de seu livro O LENTO ALENTO

 

 

O EVENTO:

 

No dia 30 de outubro de 2008 (quinta-feira), a partir da 20hs, o poeta curitibano Altair de Oliveira estará lançando o seu quarto livro de poemas “O Lento Alento” no espaço cultural Alberto Massuda (também restaurante – http://www.albertomassuda.com.br), à rua Trajano Reis, 433 – Centro histórico de Curitiba (Próximo ao Shopping Miller). Na oportunidade em que se poderá obter o livro autografado, haverá um pequeno coquetel e alguns poemas serão declamados. Os livros do poeta “O Lento Alento” e “O Embebedário Diverso” podem também ser adquiridos nas Livrarias Curitiba e em livrarias de algumas principais capitais do país (São Paulo, Rio de Janeiro, BH, etc ). O Lento Alento, que foi editado em maio deste ano, já foi lançado em Belo Horizonte e Campo Grande e que também está sendo vendido pelo correio já tem mais de 300 exemplares vendidos.

O livro, que reúne a produção poética do autor dos últimos 12 anos, tem capa da artista plástica Alzira Cardoso Marques de Brasília e celebra também 30 anos da publicação do primeiro poema do autor.

 

 

O autor:

 

Altair de Oliveira nasceu em Panorama-SP em 1961. Foi criado no noroeste paranaense (Xambrê) onde estudou, escreveu seus primeiros versos e trabalhou na lavoura até os 17 anos. Em seguida, mudou-se para o centro-oeste onde permaneceu por 10 anos (Dourados e Campo Grande, Cuiabá, Goiânia e Brasília). Fez suas primeiras publicações, (Fases, 1982 e Curtaversagem ou Vice-Versos, 1988) e freqüentou o curso de direito até o sétimo semestre. Em 1988 mudou-se para Curitiba-PR, onde trabalha como técnico em telecomunicações. Morou em várias cidades do Brasil e também no exterior (Alemanha, Venezuela, EUA, Nicarágua, Bolívia). Publicou seu terceiro livro de poemas “O Embebedário Diverso em 1996”, com uma segunda tiragem em 2003. Escreveu alguns contos esparsos e resenhas literárias, publicados em antologias e diversos jornais do país. O lento alento é o quarto livro de poemas do autor e reúne seus escritos de 1996 a 2008.

 

 

 

DOIS POEMAS:

 

 

EX-CRAVO, ESCREVO…

 

A musa quando me usa

Me ativa como cativo,

Um serviçal obtuso,

Um apaixonado de ofício.

Eu me dôo todo por ela,

A bela que me escraviza.

Eu me dôo todo à ela,

Tentando mostrar serviço.

Mas sei que sempre me esnoba

E me rouba a alma e o viço.

Me deixa pedindo esmolas,

Me imola num sacrifício…

 

Altair de Oliveira – In: O Lento Alento

 

 

 

HERÓIS & DIAS AMENOS

Temos que a vida não dói.
– Viver é tudo que temos!
Ao menos somos os heróis
Da história que nos fazemos.
E, enquanto o tempo nos rói,
Tecemos planos de engenhos…
Vamos em busca de sonhos
Usando de asas e de remos.

Galgamos sobre o passado
Buscando os dias amenos
Tememos sobre o futuro
Que nem sabemos se temos
Jogamos os nossos melhores
Tentando ganhos pequenos
Treinamos poses de heróis
Da história que nós queremos!

 

Enfim, nós somos assim:
Restos de tudo que fomos
Mas sempre somos heróis
Da história que nos contamos
Nos cremos por maiorais
Que, ao certo, um dia seremos
Morremos sempre no fim…
– Fingimos que não sabemos!

 

O QUE JÁ DISSERAM DELE:

 

 

Poeta de fundo de quintal é uma “pinóia”… Altair é um baita de um poeta mesmo!! Adorei os seus escritos !! Maravilha!!  Rosália, poeta de Teresina – PI.

 

Este “O Lento Alento” é cativante. Instiga e convida a um passeio pelo mundo do poeta Altair, que consegue fazer das palavras um novelo e brinquedo, com que vai tecendo as suas tramas.  E enquanto brinca de construir palavras e desconstruir idéias, vai-nos envolvendo, com toda sutileza, em uma cumplicidade com os anseios, medos, tropeços e amores do homem sensível e perspicaz, que são os medos, tropeços, anseios e necessidades de amores de todos nós. Márcia Píramo, psicóloga e escultora mineira.

 

Parabéns ao poeta que com sensibilidade e humanidade ímpares consegue trazer ao espaço da poesia um assunto tão árido do cotidiano. Altair, seu poema rompe com o silêncio e a desesperança e denuncia lindamente o pó sobre o sonho…um sonho coletivo! – Maria Lúcia Camargo, professora universitária, Santos-SP.

 

Fiquei fã do Altair  no primeiro momento e,  na primeira linha do primeiro poema dele que li!  Luzia Aparecida, professora de Literatura Cuiabá – MT.

 

A pessoa que lê sem responsabilidade será mais ainda equivocada se não mudar a sua atitude frente aos versos do Altair. Verá  à sua frente estalar o chicote da verdade vibrante em síntese e originalidade e, molhando os dedos distraidamente feito bobo, virará as páginas. – Gutemberg Honorato de Moura,  poeta de Campo Grande-MS – sobre o livro “Curtaversagem ou Vice-Versos”.

 

Mas os caminhos poéticos que trilha o Altair são de uma beleza rara. No meio de tanta bobagem, de tanta incompetência, de tantos lugares comuns, de tantas rimas pobres, a sua poesia se destaca por ser tecnicamente bem feita (ele burila as palavras até encontrar lugar e colocações certos) e sua temática também alcança uma serenidade muito interessante. O poeta brinca muito com estas bem ou malditas palavras, mas é uma brincadeira que se transforma em obra de arte que, infelizmente, no Brasil e no mundo é valorizada por poucos: seus leitores são apenas “uns gatos-pingados-de-ouro”, como diria José J. Veiga, escritor brasileiro realista fantástico. – Antônio de Pádua e Silva, jornalista e escritor, sobre o livro “O Embebedário Diverso”.

 

O poeta usa como sua maior aliada a sensibilidade. Ser sensível a ponto de transformar angústias, medos, amores, festas, luas, vinhos, heróis, e outros assuntos, em poesias que nos levam à introspecção, ao riso, à alegria, à dor e a outros sentimentos, é dádiva de poucos. Altair, brincando muitas vezes com as palavras, sobrepondo umas às outras, consegue nos passar mensagens num conjunto de belas e tocantes poesias. –  Austregésilo Carrano Bueno, escritor, autor de “Canto dos Malditos”.

 

Inebriado li o “Embebedário”, que é de água-da-vida, como um poema único, cujos títulos funcionam como pausa para os nossos suspiros. Respirei “Estela”, aquela que borda sonhos enquanto dorme, para acordar poema dentro da gente. É um abusado esse Altair, porque tem nome de estrela, pensa que pode fazer jogos-de-palavras e deles tirar o som que todo poema devia ter: musicalidade. E quando “setêmbrias” vier, e a primavera se fizer nos amanheceres, o poeta será encontrado fazendo o longo poema que nunca acaba. – José Marins, poeta curitibano, autor de “Fazendo o Dia” e “Poezen”.

 

Quando meu pai escreve às vezes ele parece até uma criança brincando com palavras… Mas quando a gente lê o que ele escreve, aí  são as palavras que parecem querer virar crianças para brincar com a gente. – Shaula de Oliveira, curitibana,  filha do autor.

¡LOS POETAS AL PAREDÓN! por cleto de assis (introdução)

 

Em um blog do mundo virtual onde se cultivam as virtudes da Poesia, parecerá um paradoxo falar mal dos poetas ou publicar matérias retiradas desse veio. Mas não deixa de ser interessante polemizar um pouco sobre o tema, principalmente depois de ouvirmos várias queixas, na elogiável I Semana da Poesia Paranaense, sobre a marginalização da poesia na sociedade atual e a estreita faixa que ela ocupa nas linhas editoriais.

Descobri o artigo que vai abaixo em um blog da Colômbia – Con-fabulación. O blog se subtitula como jornal virtual, publica uma variedade de temas e também acolhe a poesia entre seus preferidos. Em seu editorial, o jornal se baseia no fato de que “a divergência, o pensamento plural, a imaginação crítica, o encontro lúcido que instaura o entendimento, e todos os recursos inventados pela cultura para enfrentar-se com as múltiplas faces da pobreza e os disfarces infinitos da morte, hoje se encontram exilados, arrojados às margens”. E por aí define sua linha editorial, encabeçada por uma inquebrantável liberdade de imprensa. Confesso que discordo de muitos dos temas abordados, mas ali se respira inteligência e é bom beber em tais fontes.

No último número, encontrei o surpreendente artigo de um escritor polonês e imaginei o efeito que teria se publicado no “Palavras…”, que tem revelado tantos poetas e publicado outros tantos já consagrados. Então a poesia dos poemas é falsa e despropositada? Pelo menos é o que achava (os apressados não lhe atirem pedras, ele já é morto) o polonês Witold Marian Gombrowicz , nascido em 4 de agosto de 1904, em Małoszyce, Polônia, e falecido em Vence, próximo a Nice, França. Ainda não li nada mais extenso dele ou sobre ele, mas já estou saindo em direção a alguns livros seus tardiamente (como quase sempre) publicados no Brasil. São dois ou três títulos que aparecem nas buscas da Internet.

Segundo pequena pesquisa que fiz na rede, ele formou-se em direito pela Universidade de Varsóvia e completou os estudos em Paris, graduando-se em filosofia e economia. Iniciou a carreira literária em 1933, com a publicação da coletânea de contos surrealistas Memórias dos tempos da imaturidade. Em 1937, publicou sua primeira novela, Ferdydurke (editado, em sua primeira edição em língua portuguesa, pela Companhia das Letras, em 2006, tradução de Tomasz Barcinski e prefácio de Susan Sontag), na qual apresentou muitos de seus temas usuais: os problemas da imaturidade e da juventude, a criação de identidade na interação com os outros e um exame irônico e crítico dos papéis classistas na cultura e na sociedade da Polônia. Em 1939, partiu para Buenos Aires, mas não conseguiu voltar a sua terra natal, invadida durante a Segunda Guerra. Passou 24 anos na Argentina e, em 1963, recebeu uma bolsa da Fundação Ford para viver um ano em Berlim. Após o término da bolsa, mudou-se para o sul da França, e permaneceu lá até a morte, em 1969.

O texto publicado por Con-fabulación é lançado no Brasil por Palavras, Todas Palavras não só como uma curiosidade, mas para incentivar a polêmica. Como diz o autor, os poetas não têm que fugir de seus inimigos e detratores, mas descobrir as vantagens da detração e da inimizade. Notem que o blog colombiano fez questão de publicar, como apêndice, um texto do poeta francês René Char, que também reconhece a existência dos chamados poetastros e coloca Rimbaud como antípoda dos maus versejadores.

Cleto de Assis.

 

 

CONTRA OS POETAS (Con-fabulación)

Apaixonante o rival, deslumbrante o outro e sua sábia adversidade, formoso que o adversário seja o que tem a razão, paradisíaca a diversão de assumir a posição daqueles que habitam os opostos de nossas mais arraigadas crenças, saudável por à prova os ícones de nossa mitologia e descobrir com Walt Whitman: “claro que me contradigo / contenho em mim multidões”. Uma ou outra vez se discutiu a validez ou inconveniência de andar por aí se proclamando poeta, ou elevando o exercício da palavra essencial ao discutível nível de profissão. Declara-se poeta é como afirmar que se é profissional em Budismo; decretar-se poeta tem algo de ribombante e indigente, e em não poucas ocasiões se converte em outras das máscaras hórridas da aparência.

Não deixará de parecer incrível que Con-fabulação publique um número quase inteiro no qual, pelo menos em aparência, se fala mal dos poetas, sendo estes o nutriente essencial da publicação, e consagrados todos os que a escrevemos a defender a poesia como a sobrevivência da verdadeira existência em um mundo onde reinam espectros risíveis e estúpidos.

O que sucede é que a poesia, âmbito sagrado, também é um receptáculo de farsas: de suicidas apócrifos, falsos mártires, ambiciosos demiurgos imbricados no edifício do poder, ridículos arremedos dos deuses caídos ou fantoches quase sensualistas – tão desprovidos de sensualidade que transformam uma enfermidade terminal em erotismo – e, sobretudo, inócuos e vaidosos escrevedores sitibundos de ganhar prêmios, de que se lhes leia a cada minuto um poema escrito especialmente para figurar na Internet, de que se lhes conceda espaço na memória, ainda que seja mínimo, e de que se lhes venere a qualquer preço. Trata-se de uma desagradável estirpe, os lirico-maníacos, que busca a todo custo o reconhecimento e infesta a rede como os espectros em pesadelos: são a mais pura caricatura do poético e, com freqüência suspeitamos, como algum personagem da literatura latino-americana, que “atrás de suas palavras já não restam recordações”.

Por esse motivo publicamos a seguinte deleitosa jóia do mestre polonês Witold Gombrowicz, o mesmo que certa vez gritou aos jovens escritores argentinos: “rapazes, matem Borges”, seguida de uma peça magistral do grande poeta francês René Char (“Fizeste bem em partir”) onde fica demonstrado que a pupila de um gênio detecta, de maneira fulminante, os poetastros. São duas páginas prodigiosas e põem à prova nossa capacidade de resistir, de compreender e de apreciar ao outro, ao diferente, ao detrator. E, ademais, nos recorda que, parafraseando ao adusto Lenin: “a poesia não deve cuidar tanto de seus inimigos como de seus maus amigos”.

 

CONTRA OS POETAS – Witold Gombrowicz

Seria mais razoável de minha parte não meter-me em temas drásticos porque me encontro em desvantagem. Sou um forasteiro totalmente desconhecido, careço de autoridade e meu castelhano é uma criança de poucos anos que apenas sabe falar. Não posso fazer frases potentes, nem ágeis, nem distintas, nem finas, mas quem sabe se esta dieta obrigatória não será boa para a saúde? Por vezes eu gostaria mandar a todos os escritores do mundo ao estrangeiro, fora de seu próprio idioma e fora de todo ornamento e filigranas verbais, para comprovar, então, o que restará deles. Quando carecemos de meios para realizar um estudo sutil, bem enlaçado verbalmente, sobre, por exemplo, as rotas da poesia moderna, começamos a meditar acerca dessas coisas de modo mais simples, quase elementar, ou melhor, demasiado elementar.

Não resta dúvida de que a tese desta nota – que os versos não gostam de quase ninguém e que o mundo da poesia versificada é um mundo fictício e falso – parecerá desesperadamente infantil; e, entretanto, confesso que não gosto de versos e eles até me aborrecem um pouco. O interessante é que não sou um ignorante absoluto em questões artísticas, nem tampouco me falta sensibilidade poética; e quando a poesia aparece mesclada a outros elementos, mais crus e prosaicos, como, por exemplo, nos dramas de Shakespeare, nas obras de Dostoievski, de Pascal, ou, simplesmente, no crepúsculo cotidiano, tremo como qualquer mortal. O que dificilmente agüenta minha natureza é o extrato farmacêutico e depurado da poesia chamada “poesia pura” e, sobretudo, quando aparece versificada. Cansa-me o canto monótono desses versos, sempre elevado, me adormecem o ritmo e a rima. Estranha-me, dentro do vocabulário poético, certa “pobreza dentro da nobreza” (rosas, amor, noite, lírios), e, às vezes, suspeito que todo esse modo de expressão e todo o grupo social que a ele se dedica padecem de algum defeito básico.

Eu mesmo acreditava, no princípio, que isto se devia a uma particular deficiência de minha “sensibilidade poética”, mas cada vez mais tomo menos a sério os slogans que abusam de nossa credulidade. Não há coisa mais instrutiva que a experiência e, por isso, comecei a realizar algumas muito curiosas: lia qualquer poema alterando intencionalmente sua ordem, de tal sorte que se convertia em um absurdo e nenhum de meus ouvintes (finos e cultos, por certo, e ferventes admiradores daquele poeta) percebia a treta; ou, analisando em forma detalhada o texto de um poema mais extenso, comprovava com assombro que os “admiradores” nem sequer o haviam lido por completo. Então, como pode ser isto? Admirá-lo tanto e não o ler? Gozar tanto da “precisão matemática” das palavras e não perceber uma fundamental alteração na ordem da expressão? Mas o que passa é que todo este acúmulo de fictícios gozos, admirações e deleites está baseado sobre um convênio de mútua discrição: quando alguém se declara encantado pela poesia de Valéry é melhor não acossá-lo em demasia com indiscretas investigações, porque então se poria em evidência uma realidade tão distinta de tudo o que nos imaginamos, e tão sarcástica, que nos sentiríamos sumamente molestados. O que deixa por um momento as conversações do jogo artístico, em seguida tropeça com um enorme monte de ficções e falsificações, qual um escolástico escapado dos princípios aristotélicos.

Encontrei-me, pois, cara a cara com o seguinte dilema: milhares de pessoas fazem versos; outros milhares lhes demonstram grande admiração; grandes gênios se expressam por meio do verso; desde tempos imemoriais o poeta e os versos são venerados; e frente a essa montanha de glória – eu, com minha convicção de que a missa poética se efetua no vazio quase completo.

Coragem, senhores! Em vez de fugir expressamente desse fato, tratemos de buscar suas causas como se fosse um fato como qualquer outro.

Poesia pura e puro açúcar

Por que não gosto da poesia pura? Pelas mesmas razões pelas quais não gosto de açúcar “puro”. O açúcar é saboroso quando o tomamos junto com o café, mas ninguém comeria um prato de açúcar: já seria demasiado. É o excesso o que cansa na poesia: excesso da poesia, excesso de palavras poéticas, excesso de metáforas, excesso de nobreza, excesso de depuração e de condensação que assemelham os versos a um produto químico.

Como chegamos a este grau de excesso? Quando um homem se expressa em forma natural, ou seja, em prosa, sua fala abarca uma gama infinita de elementos que refletem sua natureza inteira; mas eis que vêm os poetas e começam a eliminar gradualmente da fala humana todo o elemento apoético; em vez de falar começam a cantar e de homens se convertem em bardos e vates, consagrando-se única e exclusivamente ao canto. Quando um trabalho semelhante de depuração e eliminação se mantém durante séculos, chega-se a uma síntese tão perfeita que não ficam mais que umas poucas notas e a monotonia tem que invadir forçosamente o campo do melhor poeta. O estilo se desumaniza; o poeta não toma como ponto de partida a sensibilidade do homem comum, mas a de outro poeta, uma sensibilidade “profissional” e, entre os profissionais, se cria uma linguagem tão inacessível como os outros dialetos técnicos; e, subindo uns sobre os ombros de outros, formam uma pirâmide cuja ponta já se perde no céu, enquanto nós ficamos embaixo, um pouco confundidos. Porém, o mais importante é que todos eles se tornam escravos de seu instrumento, porque essa forma é já tão rígida e precisa, sagrada e consagrada que deixa de ser um meio de expressão. E podemos definir o poeta profissional como um ser que não pode se expressar a si mesmo, porque tem que expressar os versos.

Por mais que se diga que a arte é uma espécie de chave, que a arte da poesia consiste precisamente em alcançar uma infinidade de matizes com poucos elementos, tais e semelhantes argumentos não ocultarão o primordial fenômeno: com a máquina do verbo poético ocorreu o mesmo que com todas as demais máquinas, pois em vez de servir a seu dono, converteu-se em um fim em si mesma. Francamente, uma reação contra esse estado de coisas parece ainda mais justificada aqui que em outros campos, porque aqui estamos no terreno do humanismo par excellence. Existem duas formas de humanismo básicas e diametralmente opostas: uma que poderíamos chamar “religiosa”, que coloca o homem de joelhos ante a obra cultural da humanidade, e outra, laica, que trata de recuperar a soberania do homem frente a seus deuses e suas musas. O abuso de qualquer destas formas tem que provocar uma reação e é certo que uma tal reação contra a poesia seria hoje totalmente justificada porque, de vez em quando, há que parar por um momento a produção cultural para ver se o que produzimos tem ainda alguma vinculação conosco. Possivelmente os que tiveram a oportunidade de ler algum texto artístico meu serão tomados por estranheza ao que digo, já que sou em aparência um autor tipicamente moderno, difícil, complicado e ainda às vezes – quem sabe – aborrecedor. Porém, tenha-se em conta que eu não aconselho a ninguém prescindir da perfeição já alcançada, senão que considero que esta perfeição, este aristocrático hermetismo da arte devem ser compensados de algum modo e que, por exemplo, quanto mais o artista é refinado, tanto mais deve levar em conta os homens menos refinados, e quanto mais é idealista, tanto mais deve ser realista. Este equilíbrio a base de compensações e antinomias é o fundamento de todo bom estilo; e mais, nos poemas não o encontraremos, e tampouco se pode notá-lo na prosa moderna influenciada pelo espírito da poesia. Livros como “A morte de Virgilio”, de Herman Broch, ou ainda o celebrado “Ulisses”, de Joyce, resultam em impossível leitura por serem demasiado “artísticos”. Tudo ali é perfeito, profundo, grandioso, elevado e, ao mesmo tempo, nada nos interessa porque seus autores não escreveram para nós, mas para o Deus da Arte.

Mas a poesia pura, além de constituir um estilo hermético e unilateral, constitui também um mundo hermético. E suas debilidades aparecem com mais crueza ainda, quando se contempla o mundo dos poetas em seu aspecto social. Os poetas escrevem para os poetas. Os poetas são os que rendem homenagem a seu próprio trabalho e todo este mundo se parece muito a qualquer outro dos tantos e tantos mundos especializados e herméticos que dividem a sociedade contemporânea. Os enxadristas consideram o xadrez como o auge da criação humana, têm suas hierarquias, falam de Capablanca como os poetas falam de Mallarmé e, mutuamente, se rendem todas as honras. Mas o xadrez é um jogo, enquanto que a poesia é algo mais sério e o que se torna simpático nos enxadristas, nos poetas é signo de uma mesquinhez imperdoável. A primeira conseqüência do isolamento social dos poetas é que no mundo poético tudo é empolado, e mesmo os criadores medíocres chegam a adquirir dimensões apocalípticas e, pelo mesmo motivo, os problemas de pouca monta assumem uma transcendência assustadora. Há pouco tempo houve entre os poetas uma grande polêmica sobre a famosa questão das assonâncias e parecia que a sorte do universo dependia do fato de ser ou não possível rimar “espessura” e “sussurram”. É o que sucede quando o espírito gremial domina o universal.

A segunda conseqüência é ainda mais desagradável: o poeta não sabe defender-se de seus inimigos. E assim vemos como no terreno pessoal e social se põe em evidência a mesma estreiteza de estilo que mencionamos acima. O estilo não é outra coisa senão uma atitude espiritual frente ao mundo, mas existem vários e o mundo de um sapateiro ou de um militar tem pouco a ver com o mundo dos versos: como os poetas vivem entre eles e entre eles formam seu estilo, eludindo todo contato com ambientes distintos, ficam dolorosamente indefesos frente aos que não compartilham seus credos. O único que são capazes de fazer, quando se vêem atacados, é afirmar que a poesia é um dom dos deuses, indignar-se contra o profano ou lamentar-se pela barbárie de nossos tempos, o que, por certo, se torna bastante gratuito. O poeta se dirige somente àquele que já está comprometido com a poesia, ou seja, a um que já é poeta, mas isto é como se um padre impingisse seu sermão a outro padre. Quanto mais importância tem, entretanto, para nossa formação, o inimigo que o amigo! Só frente ao inimigo podemos verificar plenamente nossa razão de ser e somente ele procura em nós a chave de nossos pontos débeis e nos coloca o selo da universalidade. Porque, então, os poetas fogem ante o choque salvador? Ah, porque carecem de meios, de atitude, de estilo para enfrentá-lo. E porque lhes faltam estes meios? Ah, porque eludem o choque.

O vate e o ridículo

A mais séria dificuldade de ordem pessoal e social que o poeta deve enfrentar provém de que ele, considerando-se superior como sacerdote da poesia, se dirige a seus ouvintes desde mais acima; mas os ouvintes nem sempre reconhecem seu direito à superioridade e não querem ouvi-lo de baixo. Quanto mais aumenta o número de pessoas que põem em dúvida o valor dos poemas e faltam com o respeito ao culto, tanto mais delicada e próxima ao ridículo se torna a atitude do vate. Mas, por outro lado, cresce também o número dos poetas e a todos os excessos da poesia já enumerados há que juntar o excesso de bardos e o excesso de versos.

Estas ultrademocráticas cifras minam em seu interior a aristocrática e orgulhosa atitude do mundo dos poetas e nada mais comprometedor, nesse sentido, que quando se os vê a todos reunidos, por exemplo, em um congresso: uma multidão de seres excepcionais. Um artista que, em verdade, se preocupe pela forma, buscaria alguma saída para esse beco, porque sem dúvida estes problemas, somente pessoais na aparência, estão estreitamente vinculados à arte, e a voz do poeta não soa bem, nem pode ser séria e convincente enquanto ele mesmo fique ridicularizado por tais contrastes.

Um artista criador e vital não vacilaria em mudar totalmente de atitude e, por exemplo, ele se dirigiria, desde baixo, às pessoas: como o que pede o favor de ser reconhecido e aceitado ou como o que canta, mas, ao mesmo tempo, sabe que aborrece. Poderia também proclamar publicamente essas antinomias e escrever seus versos sem estar satisfeito com eles e anelando ser mudado e renovado pelo choque regenerador com os demais homens. Mas não é possível exigir tanto aos que dedicam toda sua energia à “depuração” de sua rima. Os poetas seguem agarrando-se febrilmente a uma autoridade que não têm e embriagando-se a si mesmos com a ilusão do poder. Que iludidos! De cada dez poemas, um pelo menos cantará o poder do Verbo e a elevada missão do Poeta, o que, exatamente, demonstra que o Verbo e a Missão estão em perigo… e os estudos ou resenhas sobre poesia nos deixam uma rara impressão: porque sua inteligência, sutileza e finura estão em contraste com o tom ao mesmo tempo ingênuo e pretensioso. Todavia não compreenderam os poetas que da poesia não se pode falar em tom poético e por isso suas publicações estão cheias de poetizações sobre a poesia, muito a miúdo horripilantes por seu estéril malabarismo verbal. Esses pecados mortais contra o estilo os levam ao temor que sentem ante a realidade e a necessidade de encontrar, a todo custo, uma afirmação de seu quebrantado prestígio.

Formas da salvação

A cegueira voluntaria se nota também nesse simplismo tremendo em que caem homens, por outro lado muito inteligentes, quando se trata de sua sorte. Muitos poetas pretendem salvar-se das dificuldades acima expostas declarando que eles escrevem somente para si mesmos, para seu próprio gozo estético, ainda que, ao mesmo tempo, fazem o máximo possível para publicar suas obras. Outros buscam a salvação no marxismo e afirmam, com toda a seriedade, que o povo é capaz de assimilar seus refinadíssimos e difíceis poemas, produtos de séculos de cultura. Mas a maioria dos poetas crê firmemente na repercussão social dos versos e nos dirão, com espanto: “Mas como você pode duvidar… Veja as multidões que assistem a cada recital poético. Quantas edições se publicam! Quanto se escreve sobre a poesia e quão admirados são os que conduzem os povos pelo caminho da Beleza.”

Não se lhes ocorre pensar que em um recital poético é quase impossível assimilar um verso (porque não basta escutar um verso moderno uma só vez para entendê-lo), que se compram milhares de livros para não ser lidos nunca, que os que escrevem nos jornais sobre poesia são poetas e que os povos admiram seus poetas porque necessitam mitos. Não se dão conta que se as escolas não ensinassem às crianças o culto aos poetas em suas tristes e tão formais aulas de idioma nacional, e se este culto não se mantivesse, contudo, por inércia entre os adultos, ninguém, fora de uns poucos aficionados, se interessaria por eles. Não querem ver que essa suposta admiração pelo canto versificado é, em realidade, o resultado de muitos fatores, como a tradição, a imitação e ainda outros, como o sentimento religioso ou a torcida esportiva (porque assistimos a um recital poético do mesmo modo que a uma missa – sem compreendê-lo – e somente cumprindo um ato de presença frente a um rito; e porque nos interessa a corrida dos poetas rumo à glória assim como nos interessam as corridas de cavalos). Não, esse complicado processo de a reação das multidões se reduz, para eles, à fórmula: “o verso encanta porque é belo…”

Que me desculpem os poetas. Eu não os ataco para molestá-los e com muito gosto tributarei homenagem aos altos valores pessoais de muitos deles; entretanto, já transbordou o cálice de seus pecados. Há que abrir as janelas desta hermética casa e expor seus habitantes ao ar fresco. Há que sacudir a pesada, majestosa e rígida forma que os abruma. Pouco me importa que rogueis pragas a mim e a minha nota – acaso posso esperar que aceiteis um juízo que vos suprime a razão de ser? E, ademais, minhas palavras estão destinadas à nova geração. O mundo ver-se-ia em situação desesperada se a cada ano não entrasse um novo contingente de seres humanos, tranqüilos, livres do passado, não comprometidos com ninguém nem com nada, não paralisados por postos, glórias, obrigações e responsabilidades; seres, enfim, não definidos pelo que já fizeram e, portanto, livres para escolher.

(Texto extraído de “Contra os poetas”, Editorial Seguitur)

 

 

FIZESTE BEM EM PARTIR, ARTHUR RIMBAUD!

Por René Char 

 

Fizeste bem em partir, Arthur Rimbaud! Teus dezoito anos refratários à amizade, à malevolência e à

nescidade dos poetas de Paris, assim como ao ronronear de abelha estéril de tua família das Ardenas, umpouco louca, fizeste bem em espalhá-los ao vento do alto mar, em arrojá-los sob a faca de sua precoceguilhotina. Tiveste razão em abandonar o bulevar dos preguiçosos e os cafés dos poetastros, em troca doinferno das bestas, do comércio com os ladinos e da saudação da gente simples.

Este absurdo impulso do corpo e da alma, essa bala de canhão que atinge o alvo, fazendo-o detonar, sim, é uma vida de homem! Não se pode estrangular indefinidamente o próximo ao sair da infância. Ainda que os vulcões quase não mudem de lugar, sua lava percorre o grande vazio do mundo e lhe aporta virtudes que cantam em suas chagas.

Fizeste bem em partir, Arthur Rimbaud! Somos uns poucos, os que sem ter provas, ainda cremos que a felicidade é possível contigo.

 

Con-fabulacion.com

Os artistas visuais MAZÉ MENDES e JOSÉ ANTONIO DE LIMA, ambos com página exclusiva neste site, com exposição no JAPÃO.

 

 

No outro lado do mundo

 

No Japão, Francisco Faria, José Antonio e Mazé Mendes expõem suas obras em um dos mais importantes museus do mundo. 

 

Cooperação bilateral, trajetórias consagradas ou pelo menos assimiladas e reconhecidas e, por que não?, gotas de acaso. Tudo isso – e bem mais – são alguns dos ingredientes que constróem a ponte que leva três artistas plásticos do (ou pelo menos ligados ao) Paraná rumo ao país do sol nascente.

Francisco Faria, José Antonio e Mazé Mendes participam da exposição O Caminho Unido pela Arte, que entra em cartaz dia 1º de novembro e segue até 7 de dezembro no Museu de Arte da Prefeitura de Hyogo, no Japão.

Cada um dos três paranaenses terá a sua produção exposta em uma sala individual do museu – e isso é relevante. Faria, José Antonio e Mazé farão individuais em um dos mais importantes museus do mundo (leia mais em quadro nesta página).

Essa inserção de alguns dos mais destacados nomes das artes pláticas made in Paraná no outro lado do mundo é fruto de uma espécie de intercâmbio.

Em junho deste 2008 (centenário da imigração japonesa no Brasil), artistas nipônicos exibiram trabalhos no Museu Oscar Niemeyer (MON). E, como desde 1970 há uma parceria entre o Paraná e a província de Hyogo, agora se fez a hora e a vez da troca.

O curador do museu japonês, Koichi Kawasaki, analisou portfólios de inúmeros artistas locais e o trio Faria, José Antonio e Mazé foi eleito para expor no extremo oriente.

Panorama

Mazé Mendes, artista que vive em Curitiba, teve oito pinturas a óleo e 12 fotos selecionadas para a temporada japonesa. Ela analisa que, de certa maneira, o público oriental terá uma oportunidade ímpar de vislumbrar variadas linguagens nesta exposição de paranaenses.

“Tem o meu trabalho, que dialoga com a abstração, seja na pintura ou mesmo na foto. O Faria e a sua maravilhosa técnica de grafite. E o José Antonio com as suas deslumbrantes instalações e esculturas”, explica.

Mazé, que se deslocou para o Japão sexta-feira (24), se considera “premiada” pelo fato de levar a sua produção para o contato com outros olhares e, para ela, também inéditos.

Francisco Faria, curitibano radicado em Florianópolis (SC), que exibirá 34 desenhos, todos em lápis sobre papel (a exemplo da imagem maior que ilustra esta página), traduz em uma única palavra o que representa participar dessa exposição: extraordinário.

“E isso exige uma circunspeção e profissionalismo. Tenho me esforçado para fazer um bom trabalho e, com isso, espero que esse percurso possa ser retomado no futuro próximo, abrindo perspectivas para outros artistas do Paraná”, diz.

Ele salienta que o intercâmbio é excelente, “pois em artes plásticas, falando do ponto de vista do artista, oportunidade é tudo”.

O mineiro radicado em Curitiba José Antonio endossa o ponto de vista de Faria a respeito da oportunidade de expor em território nipônico.

“Além de ser um reconhecimento, é uma oportunidade imperdível de mostrar o meu trabalho para um público diferente e exigente como o japonês. O intercâmbio é fundamental”, afirma.

Ele terá em evidência 13 pinturas, uma imensa instalação com 18 módulos batizada “Tramas”, um objeto tridimensional em tecido e ferro, um objeto de tecido e espuma e mais 15 peças construídas em tecido de algodão e ferro – que serão penduradas, algumas delas sobre recipientes de óleo queimado.

Vitrine

Os parananaeses ocupam, no Museu de Hyogo, espaço disponibilizado anteriormente para uma restrospectiva de Chagall. Faria, que prepara as malas para a viagem, observa que a escolha (dele, de José Antonio e Mazé) foi generosa, mas realista – isto é, pragmática.

“Eles privilegiaram mostrar obras que possam ter um seguimento profissional no exuberante mercado asiático.” De fato, esse lance de dados, que jamais abole o acaso, poderia “peneirar” tanto debutantes como – aleatoriamente – gente com imensa quilometragem, por exemplo.

“Mas preferiram se concentrar em artistas que já têm uma carreira artística definida, e que ainda têm pela frente um grande espaço para a consolidação de sua presença no mundo das artes visuais”, diz.

José Antonio, que chega hoje em Hyogo, chama a atenção para o título da exposição. “O Caminho Unido pela Arte revela a ênfase da união cultural entre dois povos tão diferentes em suas manifestaçoes artísticas.”

E Mazé Mendes frisa que, unidos pela arte, ela, Faria e José Antonio não vêem o momento da mostra ser inaugurada. De repente, até para dizer um arigatô (muito obrigado) ao público de uma cultura tão distante e, por que não?, tão próxima – afinal, humanos que somos, nos irmanamos, também, pela arte.

 

 

 

rpc. por MARCIO RENATO DOS SANTOS.

 

 

                                         o artista visual josé antonio de lima.

 


 

 

                                a artista visual mazé mendes em seu atelier.

 

Rumorejando (Afora mutuamente se atacando, os candidatos pro segundo turno nenhum projeto estão apresentando. / por josé zokner (juca)

 

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I

Deu na mídia: “A fazenda Neverland, na Califórnia, que pertence a Michael Jackson, poderá ser embargada e levada a leilão em 19 de março caso o pop star não pague uma dívida de 25 milhões de dólares”. Taí uma notícia de transcendental importância para o futuro da Humanidade, exceto para quem tem interesse em comprá-la, o que, absolutamente, não é o caso deste assim chamado escriba que vive em Curitiba. Só por isso…

Constatação II

Especula

O obcecado,

Pra que não a perca

Se ela

Ficaria fula,

Se desconfiasse

Quando a cerca,

Ele pulasse

Naquela

De apaixonado

De quem só pensasse

Naquilo,

Na base do “fi-lo

Porque qui-lo”.

Que destemperado!

Constatação III (De uma dúvida crucial).

Foram os candidatos a cargos eletivos que, depois de eleitos, deram ensejo à expressão “fica o dito pelo não dito”? Quem souber, por favor, cartas, etc.

Constatação IV

Conseguiu

Um financiamento

Pra fazer um investimento

Num motel,

Em uma cidade

Onde só se via

Mais de um convento

E muita moradia

De piedosa irmandade,

Além de claustro, abadia,

Cenóbio, clausura, freiria

Onde se aprendia

Obter o paraíso no céu*.

Faliu…

*Não ficou claro se o prometido paraíso no céu era através do que normalmente acontece num motel ou do que era apregoado na região. Quem souber, por favor, etc.

Constatação V (De dramas conjugais).

Ela tinha que admoestar o maridão

Mais de mil vezes até a exaustão*.

*Também não ficou claro se a exaustão era dele, ou dela, ou dos dois. Quem souber, por favor, etc.

Constatação VI

Ela muito educada,

Assaz refinada,

Quando, por um lapso,

Numa festa chique de salão

Proferiu um palavrão,

Envergonhada,

Ruborizada, falou:

-“Não foi um relapso.

Foi um acesso obsoleto

Da minha impiedosa tosse

Que sempre me acosse

E que a gente expectora

Pondo pra fora

Um baita quatrocentão”.

A emenda soou,

Naquele ambiente

De fina gente,

Pior do que o soneto.

Coitada!

Constatação VII (Teoria da Relatividade para principiantes).

Pra quem não é boêmio e sofre de insônia, a noite é eterna; pra quem é noctívago, a noite é uma criança que cresce e se esvai rapidamente.

Constatação VIII

Dissimula

O fantasma,

Contratado

Por um órgão

Governamental.

Aí, resolve aparecer

Na sessão

E pasma

Sem saber

O que fazer

Parece uma mula,

Um marsupial,

Um atoleimado,

O safado.

Coitado!

Coitado?

Constatação IX

O Museu de Cera é um clone sem o sopro da vida?

Constatação X

Não sei o que deu nela.

Se foi teimosia,

Birra,

Aleivosia

Casmurrice,

Renitência.

Caturrice

Obstinação

Ou implicância.

O fato

Que ela

Disse um peremptório não.

“Nem hoje, nem nunca,

Me trazer nessa espelunca”.

Fez-me sentir um gaiato

Quando gentilmente

A convidei

Pra irmos a um motel

Tão-somente.

Aliás, conforme alusão

Insistente dela.

Será que o estopim

Foi porque eu não comandei

Um veuve clicquot

Da safra trinta-e-dois

No jantar

A vela

Aí, depois,

Ela armou um complô

Contra o coitado de mim?

Constatação XI

Os engenheiros civis, além de se dedicarem às obras, quando escrevem prosa e/ou poesia passam a recorrer, também, a outra engenharia. À das palavras…

Constatação XII (“Poeminha”para ser declamado pelo cara – não necessariamente de pau – que pretenda pedir a sua amada em casamento, preferencialmente não na frente dos pais dela).

Meu coração

É como titânio,

Como tório

E urânio

Altamente

Radioativo

Tão-somente.

Vamos evitar

Uma explosão

Acalmar

Esse vulcão

E preparar

Nosso casório

Que eu, muito ativo,

Já adquiri o colchão.

Constatação XIII

O sósia, quando as partes não são vizinhas, é um clone por instâncias ou caprichos da mãe natureza?

Constatação XIV

Os cães ladram e as caravanas de ladrões nunca terminam de passar…

Constatação XV (De uma conversa meditabunda e gemebunda).

– “No Karaokê, quando ele esqueceu a letra, ele ficou com cara de quê?”

-“Ficou com cara de bun, digo, do sentador”.

-“Ah bom, quer dizer, ah ruim, quer dizer…”

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br

 

 galaxia M51. foto do telescópio HUBBEL. NASA. ilustração do site. veja mais AQUI.

 

SENTIR-SE AMADO por marta medeiros

 

 

O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama. 

Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado. 

Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se. 

A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também? 

Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois. 

Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. “Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho”. 

Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. “Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato.” 

Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta. 

Agora sente-se e escute: eu te amo não diz nada. 

                                                 foto livre. ilustração do site.

RUMOREJANDO (Violência. Até quando!)

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I

“A corrupção não é uma invenção brasileira, mas a impunidade é uma coisa muito nossa”. (Jô Soares). É que rico tem mérito; pobre, tem culpa (Juca). Elementar, caro leitor, digo Watson (Sir Arthur Conan Doyle).

Constatação II

Não se pode confundir perrengue, que quer dizer pusilanimidade, teimoso, birrento com merengue, muito embora quem come este, o estômago pode ficar aquele, mormente teimando em se sentir enfadado, glicêmico, enjoado e coisas desse jaez.

Constatação III

Não se pode confundir aludindo com iludindo, principalmente com a explicação de políticos, governantes e outros menos votados e/ou nomeados.

Constatação IV (De uma dúvida não necessariamente crucial).

Deu na mídia: “Segundo pesquisa realizada na Grã Bretanha, “um em cada quatro ingleses não lavam a mão depois que vão aos pés”. É a isso que se chama meter as mãos pelos pés?

Constatação V (Dúvida não crucial via pseudo-haicai).

Bach, em ritmo de rock pauleira

Só pode descambar

Em grossa asneira ?

ConstataçãoVI (Dúvida crucial, monárquica, via pseudo-haicai).

Entrou um plebeu

Na corte. Claro?

O rei nem bola deu.

Constatação VII (De um aproveitamento melhor do tempo).

Refiz um trato desfeito com ela:

Eu não assisto até meia-noite o futebol

Ela não fica até as 10 na novela.

Sem dúvida um trato de escol!

Constatação VIII (Quadrinha para ser recitada na Bolsa de Valores e/ou num motel).

A crise me pegou em cheio

Meu desempenho esmoreceu

Nas iniciativas eu titubeio

Lá se foi meu apogeu.

Constatação IX

A violência chegou a tal forma

Que é de se perguntar:

Será que virou norma

Ou nunca isso vai parar?

Constatação X

Valha-me seja lá quem for:

O Paraná na terceirona

Seria muito sofrimento e dor

Minha mente ficaria doidona

Só de pensar me dá frio e calor.

Constatação XI

Deu na mídia: “Uso excessivo de celular pode causar urticária dizem especialistas”. Data vênia, como dizem nossos juristas, mas Rumorejando acha que escutar o horário político pode dar também.

Constatação XII (Opinião não necessariamente abalizada. Porém, já que todo o mundo é técnico…)

A gente não está nada contente com o desempenho da seleção brasileira. E não dá para ser diferente. Mas os hermanos, nossos eternos rivais, também não estão. Os uruguaios, idem. Por outro lado (qual lado?), os paraguaios estão contentes com o desempenho do seu time que tá bem na frente com o primeiro lugar nessa fase eliminatória. Pediu demissão o técnico dos hermanos e pedem a cabeça do Dunga. Data vênia, como diriam nossos juristas, mas Rumorejando acha que não é uma questão de técnicos. É que o time paraguaio não está jogando com salto alto… Elementar.

Constatação XIII

Mesmo que alguns eleitores não votaram no atual prefeito de Curitiba, ainda assim ficaram contentes com o índice percentual de sua vitória que não ensejou um segundo turno…

Constatação XIV (Problemas da Terceira Idade).

Ela faltou comigo com o devido respeito:

Disse que eu estou ficando um velho caduco

Que eu não dou mais no coro no nosso leito

E que eu não sei mais descartar num truco.

Constatação XV (Dúvida crucial via pseudo-haicai).

A moça siliconada

Tá com tudo

Ou tava com nada?

Constatação XVI (Quadrinha apelativa com os sufixos de verbos ar e ir).

Se o meu Corinthians voltar

E o meu Paraná não cair

O futebol só terá a ganhar

E minha alegria irá advir.

Constatação XVII

Vendi minhas ações

Comprei euro

Aí minhas decepções

Fiquei esquizoneuro.

Constatação XVIII

Rico reaparece; pobre, assoma.

Constatação XIX

Rico é impetuoso; pobre, impiedoso.

Constatação XX

Rico é audacioso; pobre tem topete.

Constatação XXI (De uma dúvida crucial).

Fiquei assaz preocupado e aflito

Quando o juiz não apitou o pênalti

Será que ele engoliu o apito?

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br

                                                  arte livre. ilustração do site.

Conversa jogada fora. Ou de como consultas a dicionários podem levar a coisa nenhuma. De palavreiro da hora. – por cleto de assis

 

Divagações suleiras (que podem ser entendidas como desnorteadas) 

 

Palavra: eu não gosto de palavrões. E palavrinhas, então? Aquelas de convite de comadre, que prometem apenas umas poucas e breves, mas que, no caminhar das horas, pode se transformar em palanfrório inconseqüente. Ou de conseqüências desembreadas, algumas vezes irremediáveis: de um simples disse-me-disse surge a fofoca, o mexerico, a bisbilhotice, o enredo, o fuxico, o babado, o tititi, o veneno, a neqüícia, as milongas, a cabala. Enfim, encrencas e tramóias. Que pena, donas Candinhas! Não vale a pena pegar na pena para apenar a vida alheia.  Pode até resultar em penas voando para todos os lados, se as palavras soltas forem mal interpretadas. Porque a eles(as), os(as) boateiros (as) da hora, não se pode infligir pena de talião, que não era um rei antigo, mas a aplicação de castigo correspondente ao crime cometido: talionem, tal a pena, qual a ofensa. Ou mais biblicamente – olho por olho, dente por dente. E atenção, lexicólogos: por sua desinência, talião é um palavrão?

Poematium, em latim, quer dizer poema curto, breve. E poemaço? Um poemão lavrado em papel almaço? Mas não adianta procurar no Aurélio. Ele não registra nem um nem outro. E quando se procura por almaço, a angústia é maior. O Aurélio diz que se trata de uma “Contr. de a lo maço, expr. que alude à maneira de fabricar este papel”  (by the way, Contr. é contração de contração. E by the way é a propósito, na língua-mãe; e Expr. é a contração de expressão, mas bem poderia ser expressão espremida ). Então, imaginamos papel fabricado a porrada, no maço. Este – segundo também o Aurélio que tenho aqui na ponta do mouse, quando não encontro o significado na ponta da língua – uma espécie de martelo de madeira. Pois bem: se se trata da maneira de fabricar aquele papel, utilizando um martelo, só pode ser papel amassado a maço. (Apesar do parentesco fonético, essas palavras não têm a mesma etimologia: amassar é derivado de massa, que vem do latim massa, por sua vez tomado do grego máza; o segundo é o marido da maça, aquele porrete com que os guerreiros antigos amassavam a cabeça de seus inimigos. Não confundir com os antropônimos Massa, do corredor de F1, e Mazza, do nosso Luiz Geraldo). Para aumentar a confusão, corri para os braços de outro etimólogo, que mandou-me esta: papel almaço (que continua contr. de a lo maço) é apenas um maço de papéis, isto é, um conjunto de folhas de papel, assim como um conjunto de coisas do mesmo gênero, como maço de cartas, maço de cigarros, maço de dinheiro (jamais dinheiro amassado!), que nasce no emprego figurado de maço, com sentido de coisas (ou cousas, como quer o purista Francisco da Silveira Bueno) “reunidas num só todo, premidas”. Vai daí, penso: a multidão é um maço de pessoas?

Para os mais jovens, esclareço. Papel almaço, no meu tempo de grupo escolar (que deveria ser um maço de escolas, onde se amassava a cabeça das crianças com réguas de madeira, não exatamente para medir-lhes a inteligência), era uma porção de folhas de papel, com ou sem pautas, aquelas linhas finas que serviam, antes do computador, para guiar o lápis ou as penas das canetas e evitar o desenho de linhas tortas, privilégio só concedido a Deus, que por elas continua escrevendo certo. Em formato um pouco diferente do A4, de folhas duplas. E não se vende folha por folha, mas ao maço. Com 16 folhas, se não estou equivocado.  Era utilizado para documentos, requerimentos e, em especial, em provas e trabalhos escolares. Havia-os também quadriculados, para trabalhos de matemática ou para modelo de ponto-em-cruz, reservado para as meninas, nas aulas de trabalhos manuais.

Mas minha curiosidade foi atrás do papel almaço e descobriu que ele ainda existe! Vendido em papelarias, até pela Internet. E tem professor que ainda exige que os trabalhos escolares sejam feitos no dito cujo. Para provar, ouso aqui transcrever um estupendo (não na acepção de admirável, maravilhoso, mas de espantoso, monstruoso) diálogo eletrônico recolhido na rede, provocado por um estudante (certamente não o que estuda, mas o que freqüenta a escola), aterrado diante da hercúlea tarefa encomendada por seu professor: entregá-la em papel almaço!

Veja com seus próprios olhos os esforços mentais de seus colegas para ajudá-lo diante de tamanho desafio existencial. Sem correções ortográficas, retirados somente alguns palavrões e a identidade dos proferintes. É uma conversinha danada de extensa e sem nexo, mas não é disto que estamos tratando? Atrás de cada marcador existe um esforçado colega à procura de uma solução genial. Vai lá:

·        “Digo, queria imprimir no papel almaço, como ajustar para imprimir nas linhas certinho e talz??? Sim, o professor é um dinossauro e só aceita em papel almaço. Ele falou que pode ser em qualquer lingua, com qualquer letra, com qualquer cor, mas tem que ser em papel almaço. Papel almaço é esse ó: http://img163.imageshack.us/img163/2896/dsc00972xv5.th.jpg (http://img163.imageshack.us/my.php?image=dsc00972xv5.jpg)
Não precisa ser feito a mão segundo ele, precisa que seja em papel almaço. É um trabalho da disciplina de Formação Econômica do Capitalismo, vai umas 9 paginas. Na mão = sem chance, escrevi metade disso em um ano!

·        tentativa e erro?

·        Desenha linha por linha e as margens no Paint, digita tudo o que precisar também no Paint e imprime

·        Saudades de maquina de escrever, era facinho ajustar pra sair certinho na linha…
No Word tem umas paradas de espaço entre as linhas, dá uma olhada lá.

·        vai dar um trabalho fdp, mas o lance é medir o papel, fazer um tipo de papel custom e ir alinhando. durante o processo você pode ir aproveitando para lembrar da mão do seu querido professor

·        se tem como imprimir em papel almacado? kra… se imperra no meio tu vai ter q ih rasgando ateh tirar todo da impressora…. nada pior do que imprimir trabalhos em papel almacado…

·        Não queria falar nada, mas acho que se ele pediu em papel almaço, é pq ele quer que vc faça À MÃO.

·        tbm acho…

·        Ajusta a margem do cabeçalho e seja feliz.

·        mede o espaço entre as linhas do almaço e dá o mesmo espaço no word..
deve funcionar, ou não..

·        se tem como imprimir em papel almacado? kra… se imperra no meio tu vai ter q ih rasgando ateh tirar todo da impressora…. nada pior do que imprimir trabalhos em papel almacado…

·        uhauhahu fala que faltou o rolazoio fala uaehaeuaehuae :( alias, o papel almaço cabe na impressora? acho que na minha só carta, ela nao é maior? a ultima vez que vi papel almaço tem uns 8 anos huauheuhaeuh

·         se ele pediu pra entregar em papel almaço, nao foi precisamente dentro das linhas do tal, imprime seu trabalho no a4 normal, vai na copiadora e pede pra “xerocar” no papel almaço, RÁ

·        PQP, mó gambiarra do c…….. aí é mais facil escrever na mão msm

·        se tem como imprimir em papel almacado? kra… se imperra no meio tu vai ter q ih rasgando ateh tirar todo da impressora…. nada pior do que imprimir trabalhos em papel almacado…

·        nossa ele pediu pra escrever com giz de cera tb?

·        Não queria falar nada, mas acho que se ele pediu em papel almaço, é pq ele quer que vc faça À MÃO.

·        Concordo

·        Acho que você vai tomar um belo de um ZERO se fizer isso.

·        E eu já tava achando q vc tava querendo burlar alguma comanda de restaurante… :(

·        Scaneia O Papel Amasso. Imprime A Figura Que Vc Scaneou Mais O Seu Texto Na Folha A4. Pronto

·        Almaço = A MAO!

·        Almaço = A MAO! prove!

·        uhUHAuhauhAUHauhauhaUH QUE DOEEEEEENTEEEEE vai imprimir em almaço! as chances dele querer q o trabalhos seja à mao são de 90%! obviamente ele já passou experiencia com textos copiados da net…então…

·        Era só o que faltava nego querendo imprimir em papel almaço, que é um papel feito pra se escrever a mão.

·        é só medir o tamanho do papel, as margens e o tamanho dos parágrafos diabos é qndo a impressora emperra ele. enfim kra, senta na cadeira e escreve…ou paga uma menina da sétima série pra escrever pra vc! :D 5 reais vale o serviço!!!

·        pega um papel desse tamanho em branco e imprime as linhas e margens junto.

·        nuss….. imprimir em almaço, olha o “servisso” eu acho q quando professores pedem um trabalho realizado em almaço eles querem dizer que é escrito à mão!!! Ele não eh capaz de pedir pra vc imprimir numa folha dessas…

·        Não precisa ser feito a mão segundo ele, precisa que seja em papel almaço.

·        duvido que o professor tenha dito isso…

·        Aposto como teu professor é velho, careca e rabugento

·        Aposto como teu professor é velho, careca e rabugento. E usa … (resto da frase impublicável, já que este blog é freqüentado por pessoas de todas as idades)

·        K….. larga de se burro pega e faz todo o desenho do papel almaco no computador…depois poe os texto por cima e imprimi.. vai da na mesma de tu imprimi direto no almaco…

·        Algo me diz que o burro é vc

·        enfim kra, senta na cadeira e escreve…ou paga uma menina da sétima série pra escrever pra vc! 5 reais vale o serviço!!! Trabalho escravo infantil DETECTED!

·        imprime td sublinhado e no final faz contorno nos 4 cantos e finish

·        Vc já viu papel almaço alguma vez na sua vida?

·        P…. larga de ser preguiçoso! vai dar mto mais trabalho alinhar essa m…. do q escrever 9 pag.

·        Só o tempo que você perdeu lendo esse post já tinha metade do trabalho pronto. Faz a mão logo.

·        Uma vez acabou meu a4 e precisava imprimir uma parada, efiei o almaço no impressora, a p…. enroscou tudo,”almaçou” e rasgou tudo :(huhaahuahauahuahua) Veio eu ri d+ com o “trocadilho” HAUAhAUhAUHAUAa

·        Não precisa ser feito a mão segundo ele, precisa que seja em papel almaço.

·        tem certeza que ele não fez cara de :rolleyes: quando tava dizendo isso?

·        pelo que eu vi ele apenas exigiu que fosse neste maldito papel mas não citou nada a respeito de ser bem encima da linha do papel, então taca pra imprimir e se sair desalinhado a culpa não foi sua e sim dele que não explicou direito.

·        não li nada mas… Compra papel almaço sem pauta e coloca “linha” no texto… Assim vai imprimir as linhas e o texto e o trabalho será entregue em papel almaço…

·        Pode procurar na papelaria que existe o papel almaço sem pauta!

·        imprime em papel normal e paga pra alguma menina escrever pra ti, menina tem letra melhor se depender fica melhor do que impresso , que no final sempre fica meio torto.”

Fim da citação, mas não do drama educacional brasileiro.

Tento esclarecer, diante de tanta barulheira eletrônica. Acredito que o papel almaço foi bolado para facilitar o trabalho dos encadernadores. Após acabados os manuscritos, era mais fácil reunir os vários cadernos e atá-los, dando-lhes formato de livro. Atados sem prévio preenchimento, tínhamos um livro de atas. Mas não se apressem no entendimento, meninas e meninos! Uma coisa é uma coisa e outra coisa é somente… outra coisa. Atar e ata provêm de raízes distintas e têm diferentes acepções. Ata é o registro de coisa feita, relato do que aconteceu em uma reunião, em um congresso; já atar é unir, cingir, reunir, acomodar coisas. Deu para entender que se trata de cousas diferentes? E paremos por aqui, porque me veio à cabeça a tal de colsa, uma pequena planta oleaginosa que está ocupando as cabeças dos doutores em biocombustíveis, como o nosso atual supremo mandatário. E uma colsa é outra cousa… Bem, deixemos pra lá. Mas só mais uma coisa: ainda se usa a expressão – coisa é cocô de cachorro?

E antes que você me diga, para aproveitar a piada e perder o amigo, que isto que aqui se escreve é uma coisa, ou seja, um verdadeiro cocô (para usar o eufemismo daquilo que muitos têm no côco e não é, propriamente, a “massa encefálica do cérebro”, conforme o grande etanólogo Lula), em verdade, em verdade lhe digo: de cocô em cocô se chega a reflexões privativas, muitas vezes produtoras de grandes descobertas filosóficas e até mesmo tecnológicas, se estivermos preocupados em melhorar o desempenho do vaso sanitário, onde não se cultivam flores.

É possível até que um monge medieval, meditando na latrina infecta de seu mosteiro, tenha criado a escatologia, doutrina sobre a consumação do tempo e da história e, ao mesmo tempo, por ter inspirado o ar daquele aposento, foi inspirado a escrever um tratado acerca dos excrementos, dando nova ocupação à ciência inventada. By the way (não é bonitinha esta expr. ing.?), você sabia que em alguns países hispânicos o nosso moderno penico é batizado de inodoro? Será que naquelas terras não existem banheiros de postos de gasolina? Mas podem chamá-los também de retrete (por estas paragens ficamos quase que somente com a sua acepção de concerto de banda em praça pública) ou de taza, que não é utilizada para se tomar líquidos, mas para devolvê-los.

E a retreta, hein? Além dos sons públicos e maviosos, abriga também ruídos privados, desafinados e impublicáveis. Mas tem sentido: afinal, origina-se no francês retraite, que vem do latim retractus, retirado, apartado, privado, afastado, metido para dentro. (Ops!, não seria para fora?)

Agora chega de palavreado. Se você chegou até aqui, não reclame: eu avisei lá no comecinho que era só conversa jogada fora. Té mais.

arte livre. ilustração do site.

KAMBÉ inaugura sua exposição em grande estilo: MEA CULPA

o artista visual CLAUDIO KAMBÉ abriu ontem, 15/10/08, com grande público a sua exposição MEA CULPA no Espaço Cultural BRDE em Curitiba. 

 

Kambé é reconhecido pela força reflexiva das suas obras focadas na condição humana. Desta vez, o questionamento é sobre o peso e o custo da inutilidade da tecnologia. Pura provocação que Kambé fez questão de firmar de próprio punho aos organizadores da exposição:

Mea Culpa. A mensagem pintada de minha reflexão me tornou um maldito pintor solitário. Com uma nova visão sobre a cegueira humana, a qual me obriga a registrar uma fase em que coloco em discussão o peso e o custo da inutilidade: a técnica avançada do concreto, do metal, do mineral etc. para a praga ou epidemia do consumismo desvairado com a linguagem ainda primitiva, porém científica que tem a realidade do absurdo. Quero, na minha obra, desvendar a política tecnológica das máquinas e o não desenvolvimento humano. No entanto, não vou tornar meu trabalho um sacrifício inútil, mas fazer do meu objetivo uma manifestação e uma preocupação estética ao registrar o absurdo da inutilidade, porém que tenha utilidade como arte.

Cláudio Kambé”

TRITURADOR DE CORAÇÕES

foto de joão urban.

 

da esq. para a dir. um amigo, o poeta manoel de andrade, o artista visual multimidia retta, o anfitrião KAMBÉ e sentado o também artista visual, pintor e escultor, áttila wenserski. foto de ro stavis.

 

RELAÇÕES PERIGOSAS

foto de ro stavis.

 

 

KAMBÉ e o poeta jb vidal. mais ao lado, atrás, marco macedo editor da “Folha de Santa Felicidade”. foto de ro stavis.

 

INCUBADORA HUMANA

foto de ro stavis.

mais fotos do evento na página SALA DE VISITAS/fotos

 

Exposição

16 de outubro a 14 de novembro

De segunda à sexta, das 12h30 às 18h30.

 

Espaço Cultural BRDE – Palacete dos Leões

Av. João Gualberto, 530   – Alto da Glória

Informações: 3219-8134

 

A GRANDE FESTA DA POESIA PARANAENSE !

 

A Iª SEMANA DA POESIA PARANAENSE promovida pelo Espaço Cultural ALBERTO MASSUDA durante os dias 23, 24 e 25 de setembro (2008) sem sombra de dúvida transformou-se em um marco histórico desta primeira década do século em Curitiba.

Com o objetivo de aproximar leitores e poetas o Espaço deu ênfase para a declamação e leitura dos poemas. O público atendeu o convite e prestigiou o acontecimento em todos os dias. Desde há muito não se via algo semelhante na cidade considerando-se o tema que é, das artes, o mais complexo, o mais exigente.

O ambiente agradável e preparado para o encontro colaborou sobremaneira para a descontração do público e  dos poetas  que se revezavam no palco. A qualidade técnica e de conteúdo dos trabalhos apresentados foram simplesmente grandiosos.

O conjunto de poetas apresentados por Laís Mann constituiu-se em um verdadeiro show de diversidade poética.

Sob a batuta dos poetas Manoel de Andrade e Hélio de Freitas encerrou-se o evento com o lançamento de oito livros de poesia, dos poetas participantes, na noite de 25/09, sendo os autores os poetas Jairo Pereira e Solivan Brugnara, do interior do Estado, e os poetas Adélia Maria Woellner, Lucrecia Welter, Bárbara Lia e Sergio Pitaki da capital, quando houve um clima de grande camaradagem entre os poetas e o público embalados por um excelente coquetel de encerramento da SEMANA.

Esperamos que se transforme em evento anual.

 

veja mais fotos na página SALA DE VISTAS/ fotos

alguns poetas que participaram da primeira noite: bárbara lia, marilda confortin, helio de freitas, lucrécia welter, nei garcez,  a apresentadora laís mann, daniel farias, maria da graça stinglin, josé carlos correia leite e manoel de andrade.

 

alguns poetas que participaram da segunda noite: marilda confortin, jb vidal, a estreante ana carolina cons bacilla, solivan brugnara, a apresentadora laís mann, manoel de andrade, sérgio pitaki, helio de freitas e jairo pereira.

HARRY WIESE e URDA ALICE KLUEGER lançam seus livros A SÉTIMA CAVERNA e SAMBAQUI respectivamente.

Rumorejando (Com o desemprego motivado pela crise financeira se preocupando.) por josé zokner (juca)

 

Constatação I

Rico é jovial; pobre é insosso.

Constatação II (Dúvida crucial).

Os homens que se negam a parar pra perguntar, na estrada, a direção exata do seu destino – conforme sugestão, pedido, imploração insistência da cara-metade –, naturalmente, que se perdem. Neste trágico caso, eles estão na contramão da história ou da geografia? Quem souber a resposta, por favor, cartas através do blog (http://rimasprimas.com). Obrigado.

Constatação III

Rico é resoluto; pobre, hesitante.

Constatação IV

Deu na mídia:Cientistas descobrem 700 novas espécies da fauna na Antártida”. Sem data vênia, já dá pra ter certeza o que vai acontecer com elas…

Constatação V

Não se pode confundir borocoxô com broxo (u), muito embora, em condições normais de pressão e temperatura o cara que broxo (u) fica borocoxô. A recíproca não é necessariamente verdadeira. Afinal, existem “n” motivos outros para o cara ficar borocoxô, como por exemplo, quando leva um fora da gata, o seu time do coração perde ou é rebaixado para a segunda divisão, se dá conta que no país só ocorre pizzarias sem fim e outras “cositas” desses jaezes.

Constatação VI

Rico se atormenta por não ser mais rico; pobre, atormenta.

Constatação VII

E não se pode confundir restituído com destituído, até porque, até hoje, não se ouviu dizer que um governante foi destituído por não ter restituído os execráveis “empréstimos compulsórios” que acabam se transformando em imposto compulsório. A recíproca para esses casos não é necessariamente verdadeira. Basta ver o que ocorre com os técnicos de futebol que são destituídos sem que possam restituir a vitória dos times que vinham atuando. Dos presidentes dos clubes de futebol que não entendem nada do riscado, nem falar.

Constatação VIII

Antonio Carlos Gomes, César Guerra-Peixe, Alberto Nepomuceno, Heitor Villa-Lobos, Bento Mossurunga, os irmãos Norton e Henrique Morozowicz. Taí um time de musicistas brasileiros da pesada. Tenho humildemente dito!

Constatação IX (A base de chavões),

Rico não tem limite para gastar; pobre dá o passo maior do que a perna.

Constatação X (Teoria da Relatividade para principiantes).

É muito melhor entrar em férias do que entrar pelo cano, muito embora ocorram casos em que, nas férias, se possa entrar pelo cano como, por exemplo, pegar tempo ruim, muita gente no lugar escolhido, ter que levar a sogra e assim por diante. A recíproca é verdadeira. Você pode entrar pelo cano sem estar em férias, na malfadada eventualidade de não receber uma merecida promoção do teu chefe que optou em dá-la ao sobrinho, aquele vagabundo que nada faz a não ser perturbar o ambiente de trabalho.

Constatação XI

Rico mora em mansão; pobre, em covil*.

*Covil = “habitação rude, miserável; choça, casebre”. (Houaiss).

Constatação XII

Rico se reúne em turma; pobre, em bando.

Constatação XIII (Quadrinha inequivocamente didática).

Só jogar canastra,

Acolá no motel

O fogo não alastra

E que feio papel.

Constatação XIV (Quadrinha da curtição total).

Passar um blefe, um facão,

No científico jogo de truco,

Dá montanhas de satisfação

E deixa o outro meio maluco.

Constatação XV (Quadrinha reivindicatória).

Se no próximo carnaval

Eu não desfilar como destaque

Ficarei irremediavelmente tão mal

Que terei um baita ataque.

Constatação XVI (De uma dúvida crucial)

E já que estamos falando no assunto, o haicai, que os japoneses inventaram, é uma quadrinha de pé quebrado?

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br

                        foto livre. ilustração do site.

 

PEQUENO CONTO ENCONTRADO NA NOITE DA MEMÓRIA por cleto de assis

 

                                        para Ângela, a garimpeirinha de luz

 

 

A menina brincava, distraída, em meio a três pessoas adultas. Duas visitas e sua mãe, triste, enxaquecosa. Braços cruzados, pernas encolhidas sobre a poltrona. Quase a pedir silêncio aos circunstantes, apesar dos assuntos interessantes que se alternavam nas conversas.

A menina continuava brincando, já não tão distraída. Não obstante seus quatro ou cinco anos, parecia ouvir o que os mais velhos diziam, de quando em quando delicadas referências ao estado de saúde da dona da casa. A senhora permanecia escondida da luz, como ocorre com os assaltados por tais cefaléias, quase sempre acompanhadas por fotofobia.

A menina parou de brincar e olhou sua mãe. De repente, ergueu-se do chão onde se distraía com seus brinquedos, foi até a pequena mesa e pegou um dos copos vazios, com suas mãozinhas frágeis. Dirigiu-se à janela entreaberta e estendeu o copo para fora. Em um átimo, os adultos imaginaram que ela iria jogar o objeto de vidro pela janela.  Mas a mãozinha permaneceu parada, segurando firmemente o copo.

Alguém partiu em socorro:

– O que você está fazendo?

A resposta veio imediata, simples como seu gesto inofensivo:

– Estou pegando um pouco de sol para jogar em minha mãe…

CARLA TEODOROVICZ expõe no MAC a partir de 08/10/08

Alternam, mas a corrupção é a regra – por alceu sperança

 


“A burguesia fede”, cantava Cazuza.

De fato: a corrupção é inerente ao sistema capitalista. Onde há capitalismo (e só há capitalismo), ela prevalece. Uma força tão respeitável e vitoriosa como o lucro ou o sistema financeiro. O implacável filósofo Olavo de Carvalho, por mais que ele próprio pareça detestável a muitos, foi mais além e acertou na veia: “O Estado, no Brasil, é um instrumento da corrupção. Não só da corrupção, mas também da violência”. Quem o contestará? Sobre esse capitalismo gerador de corrupção, já dizia o também filósofo e psicanalista Félix Guattari: “O que há de monstruoso no sistema capitalista é que ele parece não poder criar motivações à atividade do trabalho dos indivíduos a não ser que ele crie um pólo de miséria absoluta, de fome, e um pólo de riqueza inacessível”.

Portanto, é ilusão acreditar que se irá “limpar” o Brasil trocando o governo social-democrata de Lula pelos fracassados que o antecederam, pois os governos anteriores no mínimo acobertaram a corrupção, sem combatê-la como deveriam. As privatizações foram um dos maiores espetáculos de corrupção − e de ditadura na prática − de toda a história do Brasil.

Um dos sinais claros desse acobertamento foi aumentar fortemente a dívida externa/interna, como fizeram os governos anteriores (ditaduras, Sarney, Collor, FHC) sem a promoção de uma necessária auditoria para verificar o que é realmente dívida contraída para promover o desenvolvimento e o que foi fruto da corrupção e enriqueceu indevidamente malandros locais e estrangeiros.

O pecado do governo Lula, nesse particular, não é aumentar tanto a dívida externa, mas pagá-la sem essa auditoria, à custa de um superávite primário imposto à nação sem nenhuma discussão. Pior, internalizou a dívida externa, pagando juros ainda mais cavalares que os externos, em baixa. É, portanto, mais um governo social-democrata, arauto do neoliberalismo. Fingindo ainda mais que o governo anterior, mas seguindo o mesmo caminho ao qual o povo brasileiro já está cansado de dizer “não”, voltando a dizê-lo, aliás, ao eleger Lula.

Mas Lula não manda no Brasil. Quem manda são as formas de representação política da burguesia brasileira, que passam por entidades representativas de classe – Fiesp, Febraban, Firjan, CNI etc – e pelos partidos políticos, esses mesmos que fizeram tanta publicidade com a grana “arranjada” por Marcos Valério e agora o cospem fora. Alguns setores da burguesia nem precisam de entidades associativas, influindo na política pelos seus próprios instrumentos, como é o caso das grandes empresas de mídia, “federações” de prisioneiros, traficantes, contrabandistas etc.

As diversas frações da burguesia constituem partidos políticos, com cortes regionais e classistas muito nítidos. Os casos do PFL/DEM e do PSDB são os mais representativos deste segmento. O primeiro tem origem oligárquica, representando ainda hoje os herdeiros do coronelismo, ou seja, os setores tradicionais modernizados, como os grupos econômicos que sobrevivem de rendas do Estado: empreiteiras etc.

O PSDB é o grande partido do capital financeiro e da burguesia industrial ascendente, concentrada em São Paulo e seus associados nos estados periféricos. Cabe ao PMDB as representações regionais mais fortes, não contempladas pelo PFL/DEM e pelo PSDB. As demais siglas – PPB, PTB, PL etc −, servem para acomodação de grupos setoriais e regionais e cooptações para o bloco de poder, como se observa hoje na composição da base de apoio ao governo Lula (ou a qualquer outro que venha em seguida).

A burguesia tem procurado constituir reservas para a representação política dominante. Algumas legendas partidárias fazem este papel: é para alternar o poder entre ela e ela mesma. A preocupação primordial da burguesia brasileira é a sua sobrevivência enquanto classe na inserção da economia brasileira no mercado mundial, sem dar a mínima para os trabalhadores. Por isso, não se engane: grande parte de toda essa grita indignada contra a corrupção visa apenas a fazer com que ela troque de mãos. É a “democrática” alternância no poder.

 

arte livre. ilust. do site.

RUMOREJANDO (As promessas dos candidatos se repetindo novamente, constatando). – por josé zokner (juca)

Constatação I

Quando o obcecado convencido leu na mídia, no dia de Natal de 2007: “Nem só quem recebe ajuda se beneficia. A solidariedade também torna a vida de quem doa melhor e mais saudável”, agregou, de imediato, a frase ao seu repertório de eventuais cantadas, ainda que sempre apregoasse, a quem quisesse ouvir, que quem recebia as cantadas era sempre ele.

Constatação II

Rico tem expectativa; pobre, ansiedade.

Constatação III

Rico ordena; pobre, convida.

Constatação IV

Rico é adepto do erotismo; pobre, da pornografia.

Constatação V

Rico é convidado; pobre, coagido.

Constatação VI (De uma dúvida crucial).

Língua de trapo fica puída?

Constatação VII (De outra dúvida, mas não necessariamente crucial).

É a fada que, quando se sente enfadada, vai escutar um fado?

Constatação VIII

A acromegalia é, segundo o dicionário Houaiss, é “doença crônica provocada por uma disfunção da glândula pituitária e que se caracteriza pelo crescimento anormal das extremidades do corpo (mãos, pés, rosto)”. Será que certos governantes, deputados e senadores têm esse problema nos pés e nas mãos, já que costumam meter os pés pelas mãos, mormente quando metem as mãos crescidas no jarro?

Constatação IX

Beto da Querência (de Querência do Norte, Noroeste do Paraná) cantor e compositor. Guardem este nome porque, sem dúvida vai estourar, com sucesso, o lançamento do seu primeiro CD. Não esqueçam: Beto da Querência.

Constatação X

Rico borrifa as flores; pobre espirra em cima dos outros.

Constatação XI (De venais, nem falar).

Quem é esquisito acha que outros é que são; quem é imbecil acha que os outros é que são; quem é político faz o que faz porque sim e tá acabado. O que não impede que sejam esquisitos e imbecis.

Constatação XII

Em certos países, o roubo, em função do tipo, quantidade, número de eventos e valores, já virou profissão em vários níveis…

Constatação XIII

Quando o ouriço chegou tarde em casa a ouriça ficou toda ouriçada e gritou: “Você é um espinho no meu pobre e desvalido coração.

Constatação XIV

Rico, nas suas convicções, é dogmático; pobre tem que ser pragmático.

Constatação XV

Não se pode confundir draga, que em algumas regiões do Brasil quer dizer arma de fogo, revólver comdroga, muito embora exista uma relação biunívoca entre as duas palavras, tendo em vista o uso, cada vez mais arraigado em nosso país, da primeira para obter a segunda… A recíproca é como é e tá acabado. Tenho democrática e simpaticamente dito.

Constatação XVI (E como poetava outro obcecado eternamente no seproc (nada a ver com o obcecado da “Constatação I”):

“Cada vez que eu vejo ou antevejo

Uma mulher gostosamente tremenda,

Pela atenção do marido esquecida

Fico imaginando dar-lhe um beijo,

Como se fosse uma dívida vencida

E, inclusive, como uma vincenda”.

Constatação XVII (Patriotismo ufanista utópico).

Naquele mastro acolá

A bandeira

Do meu time,

O Paraná,

Tremula com languidez,

Mostrando sua altivez,

Sempre faceira,

Sempre altaneira,

Numa liderança

Assaz sublime.

Pendão da esperança

Como a brasileira

Constatação XVIII

Não se pode confundir alusão com alazão, que o Houaiss define como “que ou o que tem o pêlo cor de canela, com uma tonalidade simultaneamente castanha e avermelhada (diz-se de cavalo)”, até porque se um jogador de futebol entra no adversário com violência e a torcida grita que ele é um cavalo, não se trata de uma alusão a cor do jogador, do uniforme, mas sim da maneira como o tal jogador deu a entrada. No entanto, cavalo, cachorro e outros mamíferos são mais gente do que muita gente. O xingamento, portanto, não se justifica com tal epíteto. Basta escutar os noticiários…

Constatação XIX (Eufemística).

Quando ela se sentiu

Escorçada,

Espoliada,

Despojada

Enxovalhada

Na mesma hora partiu,

Deixando então o companheiro

De tantos anos grande parceiro

Com cara de quem, fatalmente,

Iria ficar

Com vontade de sentar

E totalmente

Atoleimado,

Tão-somente.

Coitado!

Constatação XX

Quem nunca escutou a milonga dos nossos hermanos argentinos – rivalidades futebolísticas a parte –, chamada Taquito Militar, não sabe o que está perdendo. Tenho mercosulamente dito.

Constatação XXI

Rico engole caviar; pobre, sapo.

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br

 

foto livre. ilust. do site. jesus cristo super-star.

 

 

 

RECADO PARA A ANA CAROLINA poema e arte de cleto de assis

 

Antes do tempo em que completei quinze anos

bem antes de ter sentido o peso das contradições lastimadas por Ana Carolina

e de descobrir que essas contradições não tinham peso nem sentido,

recebi a carga das imprecações de Maniqueus.

Ensinaram-me a escolher a vida entre dois destinos – o céu e o inferno.

A dirigir meu olhar à luz e renegar a treva,

a apegar-me à inocência e resguardar-me da culpa,

a eleger o amor e renunciar ao pecado,

a preferir o bem e lutar contra o mal.

 

Apresentaram-me a dois eternos senhores,

um dominando o bem e a vida, outro dono do mal e da morte.

Havia, então, apenas duas direções: para cima e para baixo.

Todos os demais caminhos eram confusos, incôngruos, estreitos

e de suas escolhas dependiam a ascensão e a queda.

 

Muitos quinze anos se sucederam, jogados entre verdades antagônicas,

entre o claro e o escuro, entre o objetivo e o subjetivo,

entre a direita e a esquerda, entre o individualismo e o coletivismo,

entre o reacionário e o progressista, entre o capitalista e o comunista,

entre o efêmero e o eterno, entre deus e o diabo nesta terra do sol.

 

Entre o amor e o pecado cedo vertidos por Ana Carolina

que (in)ferem seu coração com a ponta metafórica de uma faca.

 

Ah, poetisa nascente! Todos esses justos que também encheram seu espírito jovem

com tantas velhas e revelhas crendices sobre um mundo de duas únicas escolhas

esqueceram de dizer que, no meio do caminho entre o incerto céu lá de cima

e o duvidoso inferno lá de baixo,

rola Gaia, deslumbrante e plena de vida,

a rechear o espaço aberto entre o claro e o escuro com miríades de cores,

com águas mais brilhantes que diamantes, com mares infindos

a guardar maravilhas em suas profundezas tenebrosas.

Não lhe mostraram que o paraíso a nosso alcance é a própria Terra,

a receber continuamente na paleta multicolorida das flores

– que nascem e morrem, que renascem e remorrem –

outras tintas irriquietas das asas das borboletas.

E que além de Gaia, para o norte e para o sul, para o leste e para o oeste,

em todas as direções, existem incontáveis galáxias com tantos assombros

que jamais alcançaremos enxergar,

mesmo juntando todos os telescópios até agora fabricados neste mundo

e os ainda por construir.

 

Não contaram a você que já havia pássaros canoros

antes de Euterpe nascer

e que juntas surgiram luz e vida, não em consecutivos dias.

Não sei por que razão ou se por medo do mistério

deixaram de lhe apontar caminhos

só encontrados por corações livres do pecado e da culpa

que jamais serão réus de julgamentos inexistentes.

 

Sei que minhas palavras soarão como heresias aos imaculados ouvidos dos justos e puros.

Mas você, Hannah, que carrega em seu nome a compaixão, a clemência e a graça,

saberá compreendê-los e perdoá-los.

 

Que assim seja.

__________________

 

Cleto de Assis

Curitiba

05.09.2008

“ALBERTO MASSUDA”: primeira noite justificou a Iª SEMANA DA POESIA PARANAENSE!!

apesar da noite fria uma centena formou o ambiente aconchegante do CENTRO CULTURAL E GASTRONÔMICO ALBERTO MASSUDA na sua primeira apresentação dos poetas inscritos para o evento. o publico concentradíssimo para ouvir os poetas que iam desfilando pelo palco foi uma atração a parte. a alta qualidade dos trabalhos apresentados garantem ao evento o status de a mais marcante iniciativa da produção cultural do Paraná dos ultimos anos. estiveram ontem no palco apresentados por laís mann: marilda confortin, josé carlos correa leite, lucrécia welter, daniel faria, bárbara lia, maria da graça stinglin, nei garcez e manoel de andrade.

o público degustando poesia.

 

os poetas que brilharam e marcaram a primeira noite de um grande acontecimento cultural na cidade de Curitiba. 

veja mais fotos na página SALA DE VISITAS/FOTOS.

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HOJE (24/09) TEM A PRESENTAÇÃO DA SEGUNDA NOITE DE POESIA. ENTRADA FRANCA.

É HOJE E AMANHÃ: Iª SEMANA DA POESIA PARANAENSE. DIA 25/09 LANÇAMENTO DE LIVROS!

GAROTOS e GAROTAS de PROGRAMA por marilda confortin

 


Apesar de ser a profissão mais antiga do mundo, há quem diga que esta prática é fruto da modernidade, conseqüência da revolução tecnológica.  Acontece que até a década de 70 essa profissão, como a maioria das profissões no Brasil, era exercida somente por homens e claro,  não era reconhecida.  

A verdade é que desde sempre ela começa do mesmo jeito: um joguinho aqui, um programinha ali, outro acolá.  Só por curiosidade. Brincadeira de criança. Só para fazer graça. De graça. Quando muito, troca por bolinha de gude, chocolate, canivete suíço ou sorvete. Os pais nem percebem. Ingenuamente, ainda incentivam presenteando as criancinhas com games maliciosos. Os amigos acham o máximo e sugerem que o gênio precoce ganhe uma graninha. Que faça um bico, um estágio.

A primeira vítima dos garotos e garotas de programa, normalmente é um parente bem próximo de um desses amigos ou dos próprios pais do adolescente. A vítima quase sempre ocupa um cargo numa empresa pública. Governo, ONGs e pessoas mais velhas são complacentes com estagiários. Mas não se enganem senhores pais e empresários: todo o garoto ou garota de programa, sonha um dia, abrir seu negócio.

Após um rápido telefonema, eles são contratados e recebidos pelos anciãos que nas primeiras semanas contam histórias impressionantes aos garotinhos. Histórias assustadoras dos tempos dos dinossauros modelo IBM360 que falavam uma linguagem hexadecimal complicadíssima. Os programas tinham início numa confortável, farta e regulável cadeira giratória, forrada de couro preto e depois prosseguiam em cima de sóbrias escrivaninhas de imbuia maciça recobertas por uma placa de vidro temperado que protegia fotos de cachorros, filhos e pescaria.

Tudo era feito no braço, contam eles. No muque. Passavam noites em claro fazendo exaustivos testes de mesa. Um programa demorava meses para ser concebido e só entrava em estado produtivo quando estava absolutamente seguro e não havia a menor possibilidade de um laço fora de controle. Quando o programa estava no ápice, a vítima verde, em estado terminal, suplicava: “more… more… please press any key… any key. Oh! Please!” Então o programador vitorioso, aplicava o golpe final: // exec. O programa tonto de excitação, ficava rodando a noite inteira.

Hoje, não há mais ritual nem sedução. Não se pensa mais na essência do programa. Tudo é muito superficial. Garotos e garotas têm mãos hábeis e cérebro nos dedos. São rápidos, elegantes e muito bem educados. Não se permitem linguagens de baixo nível. Usam e abusam de componentes visuais e dão ao cliente sempre uma boa impressão. Não se admite mais aquela velha impressão cheia de falhas produzidas por agulhas de impressoras matriciais que causavam sérios acidentes de percurso, batendo o carro nas madrugadas, nem mesmo aquelas mais modernas que estouravam o cabeçote nas mãos. Tudo tem que ser muito limpo, hoje. Abominam-se os formulários contínuos em caixas que duravam meses. Nada pode levar mais que alguns minutos para acabar. Agora as impressoras são coloridas, qualidade  laser, o papel é super higiênico e já vem cortado folha por folha, pronto para o uso. Dar a melhor impressão ao cliente é fundamental nesse negócio.

Mas o mercado de trabalho ficou bem complicadinho para os garotos e garotas de programa. A carreira deles é tão curta quanto a de qualquer outro modelo fabricado em série pelas universidades.  Aos vinte e poucos anos, a maioria já recebe um diploma de Analista de Sistemas. De um dia para o outro, trocam seus bonés, roupas de skatista, mochilas, tênis e Barbies por ternos, sutiãs, meias, telefones, malas de executivos e executivos malas também. Trocam as noitadas de jogo de RPG, vídeo game e ensaios de bandas de rock nas garagens, por minúsculas baias, reuniões em horários extraordinários e forçados happy hours desanimados por música de aparelhos celulares e emocionantes disputas de siglas técnicas.

Os sapatos e as gravatas apertam tanto quanto os cronogramas. A competição é cruel e desumana. Os relacionamentos são complexos e recursivos. Os objetos são tão distribuídos que deixam os ingênuos gênios completamente desorientados.  As ferramentas de trabalho são tantas e tão complicadas não dá tempo para conhecer e escolher a que melhor se adapta ao cliente. Volta e meia vê-se uma garota usando bolinhas tailandesas no pescoço e enfiando colares de pérolas falsas na camada do negócio. Garotos usando modems super absorventes com bandas largas na cabeça, comendo memória ram e modelando dados com espátulas de cutículas.

Essa é a fase mais perigosa dos garotos e garotas de programa. Inconseqüentes e irresponsáveis, espalham vírus mutantes e drogas virtuais pela internet. Poderosos e viris, não há firewall que os segure. Quanto mais protegido é o ambiente, mais emocionante é a façanha da penetração. Como nos velhos tempos da pirataria, usam brincos e pirsen exóticos nos lugares mais improváveis do corpo e atiram flechas para todos os lados. Depois desenham um alvo ao redor delas, digitalizam, distribuem cópias ilegais aos ávidos usuários que ficam deslumbrados com a pontaria dos jovens programadores.

Essa ousadia impressiona e excita os compulsivos consumidores de tecnologia que pagam qualquer preço para tê-los em sua companhia, nem que seja por uma noite apenas.  Lá pelos vinte e seis, vinte e oito anos, esses pobres garotos e garotas já experimentaram todos os tipos de drogas. Do DOS ao Windows. E não há Linux que os satisfaça.    

Completamente dependentes e desesperados, começam a perceber que aqueles programinhas fáceis e rápidos que fizeram por aí, trazem conseqüências desastrosas. Não conseguem se livrar das manutenções. Os vorazes clientes exigem cada vez mais e mais. Querem novidades, emoção, êxtase, cor, som, rapidez, exclusividade. Querem show, mágica, adivinhação de pensamento, tradução instantânea em todas as línguas, conexões internacionais, milagres. Querem  ver seus desejos satisfeitos num simples clique de mouse. Querem ser parceiros sem pagar um centavo a mais pelo prazer.

É hora de virar chefe de empresa, de família, fazer pós-graduação, mestrado, doutorado ou abrir seu negócio próprio. Qualquer coisa para se livrar das manutenções.
E lá vão eles. Procuram uma entidade cheia de belos atributos, elegem a chave primária, prometem um relacionamento de um-para-um, íntegro, sem duplicidade e incorruptível. Escolhem uma plataforma portável e segura numa zona nobre da cidade. Assinam um contrato e juram amor eterno. Consideram-se inventores da roda, phdeuses, descobridores da América e da profissão mais velha do mundo.

Na era jurássica, a vida útil de um sistema construído pelos pastores de dinossauros, homens de programa das cavernas, era de uns dez, vinte anos. Na era www,  também conhecida como era da informação, a durabilidade de qualquer produto não passa de dois anos. Isso quando não nasce morto.

Antes mesmo de chegar aos quarenta, a plataforma que parecia estável, mostra sinais de desgaste. Corta o café e o cigarro sob o pretexto de causar impotência. Diz que precisa enxugar o órgão e cortar cabeças. Elimina paredes e salas deixando-os expostos para mostrar a transparência do negócio. É humilhante. Ameaça-os com terceirização, downsize e mais uma penca de doenças altamente transmissíveis. Questiona seus rendimentos e chama suas experiência de vício. Diz que seus velhos programas são legados malignos e força-os a fazer uma reengenharia explícita. Ou coloca-os em projetos que não tem a mínima possibilidade de dar certo e manda que apertem o prazo, puxando o gatilho três vezes em menos de uma semana. Se não aceitarem, são rotulados de resistentes a mudanças por não aceitarem desafios. Se fracassarem, fica provada sua incompetência. Mas se por milagre sobrevierem, o mérito é todo da política moderna e dinâmica da empresa que contratou a consultoria de um famoso PHD.

Exaustos e vencidos pela própria tecnologia, os velhos garotos perdem o emprego, o carro, o apartamento, a mulher, os filhos e voltam para casa dos pais que lhes aconselha a fazer bico de professor de processamento de dados em colégios da periferia ou casar de novo, com uma viúva rica.

Algumas garotas conseguem sobreviver demitidas. Outras fazem artesanato, artes cênicas, plástica, lipo, botox, engolem espadas, sapos, lagartixas e chifres.

Alguns poucos conseguem resistir e se aposentam com síndrome de pânico ou  LERC – Lesão por Esforço Repetitivo no Cérebro. Tornam-se gurus, engraçadinhos, assexuados, consultores ou políticos. Outros ainda passam a escrever histórias compridas e sem graça para bloggers de amigos.

Informática é a arte de (l)imitar a vida.  

                                                arte livre. ilustração do site.

 

Iª SEMANA DA POESIA PARANAENSE em Curitiba dias 23/24 e 25/09

O CENTRO CULTURAL E GASTRONÔMICO “ALBERTO MASSUDA” realiza a partir de amanhã (23/09) a Iª SEMANA DA POESIA PARANAENSE sob a coordenação do advogado e poeta Manoel de Andrade e do jornalista, professor, escritor e poeta Hélio de Freitas Puglielli que reunirá 20 poetas da capital e interior com início as 20:00hs e entrada franca. Veja a programação:

 

ORACIÓN POR MARILYN MONROE poema de ernesto cardenal/Nicarágua

 

Ilustração do tradutor baseada em um quadro de Andy Warhol

 

 

 

Señor,
recibe a esta muchacha conocida en toda la tierra con el nombre de
Marilyn Monroe
aunque ése no era su verdadero nombre
(pero Tú conoces su verdadero nombre, el de la huerfanita violada a
los 9 años
y la empleadita de tienda que a los 16 se había querido matar)
y ahora se presenta ante Ti sin ningún maquillaje
sin su Agente de Prensa
sin fotógrafos y sin firmar autógrafos
sola como un astronauta frente a la noche espacial.

Ella soñó cuando niña que estaba desnuda en una iglesia (según cuenta el Time)
ante una multitud postrada, con las cabezas en el suelo
y tenía que caminar en puntillas para no pisar las cabezas.
Tú conoces nuestros sueños mejor que los psiquiatras.
Iglesia, casa, cueva, son la seguridad del seno materno
pero también más que eso…
Las cabezas son los admiradores, es claro
(la masa de cabezas en la oscuridad bajo el chorro de luz)
Pero el templo no son los estudios de la 20th Century-Fox.
El templo – de mármol y oro – es el templo de su cuerpo
en el que está el Hijo del Hombre con un látigo en la mano
expulsando a los mercaderes de la 20th Century-Fox
que hicieron de Tu casa de oración una cueva de ladrones.


Señor,
en este mundo contaminado de pecados y radioactividad
Tú no culparás tan sólo a una empleadita de tienda.
Que como toda empleadita de tienda soñó ser estrella de cine.
Y su sueño fue realidad (pero como la realidad del tecnicolor).
Ella no hizo sino actuar según el script que le dimos
– el de nuestras propias vidas – y era un script absurdo.
Perdónala Señor y perdónanos a nosotros
por nuestra20 th Century
por esta Colosal Super-Producción en que todos hemos trabajado.
Ella tenía hambre de amor y le ofrecimos tranquilizantes
para la tristeza de no ser santos
se le recomendó el Psicoanálisis.

Recuerda, Señor, su creciente pavor a la cámara
y el odio al maquillaje – insistiendo en maquillarse en cada escena –
y cómo se fue haciendo mayor el horror
y mayor la impuntualidad a los estudios.

Como toda empleada de tienda
soñó ser estrella de cine.
Y su vida fue irreal como un sueño que un psiquiatra interpreta y archiva.

Sus romances fueron un beso con los ojos cerrados
que cuando se abren los ojos
se descubre que fue bajo reflectores

¡y apagan los reflectores!
y desmontan las dos paredes del aposento (era un set cinematográfico)
mientras el Director se aleja con su libreta
porque la escena ya fue tomada.
O como un viaje en yate, un beso en Singapur, un baile en Río
la recepción en la mansión del Duque y la Duquesa de Windsor
vistos en la salita del apartamento miserable.

La película terminó sin el beso final.
La hallaron muerta en su cama con la mano en el teléfono.
Y los detectives no supieron a quién iba a llamar.
Fue como alguien que ha marcado el número de la única voz amiga
y oye tan sólo la voz de un disco que le dice: WRONG NUMBER.
O como alguien que herido por los gangsters
alarga la mano a un teléfono desconectado.

Señor,
quienquiera que haya sido el que ella iba a llamar
y no llamó (y tal vez no era nadie
o era Alguien cuyo número no está en el Directorio de Los Angeles
¡contesta Tú el teléfono!

De: Oración por Marilyn Monroe y otros poemas

Ouça o poema na voz do autor em http://palabravirtual.com/bio.php?ir=ver_voz.php&wid=379

 

 

Oração por Marilyn Monroe

Ernesto Cardenal

Tradução Cleto de Assis

 

 

Senhor,

recebe esta moça conhecida em toda a terra com o nome de
Marilyn Monroe
ainda que esse não era seu verdadeiro nome
(mas Tu conheces seu verdadeiro nome, o da pequena órfã

violada aos nove anos
e a empregadinha de loja que aos 16 quis se matar)
e agora se apresenta ante Ti sem nenhuma maquiagem
sem seu Assessor de Imprensa
sem fotógrafos e sem dar autógrafos
sozinha como um astronauta frente à noite espacial.

Ela sonhou, quando criança, que estava desnuda em uma igreja

(segundo conta o Time)
diante de uma multidão prostrada, com as cabeças no solo
e tinha que caminhar na ponta dos pés para não pisar as cabeças.
Tu conheces nossos sonhos melhor que os psiquiatras.
Igreja, casa, gruta, são a segurança do seio materno,
mas também mais que isso…
As cabeças são os admiradores, é claro
(a massa de cabeças na obscuridade sob o jorro de luz).
Mas o templo não são os estúdios da 20th Century-Fox.
O templo – de mármore e ouro – é o templo de seu corpo
em que está o Filho do Homem com um látego na mão
expulsando os mercadores da 20th Century-Fox
que fizeram de Tua casa de oração um covil de ladrões.


Senhor,
neste mundo contaminado de pecados e radioatividade
Tu não culparás tão somente uma empregadinha de loja.
Que como toda empregadinha de loja sonhou ser estrela de cinema.
E seu sonho foi realidade (mas como a realidade do tecnicolor).
Ela não fez senão atuar segundo o roteiro que lhe demos
– o de nossas próprias vidas – e era um script absurdo.


Perdoa-a, Senhor, e perdoe-nos a nós
por nossa 20th Century
por esta Colossal Super-Produção em que todos trabalhamos.
Ela tinha fome de amor e lhe oferecemos tranqüilizantes
para a tristeza de não ser santos
foi-lhe recomendada a Psicanálise.

Recorda, Senhor, seu crescente pavor à câmera
e o ódio à maquilagem – insistindo em maquilar-se em cada cena –
e como se foi fazendo maior o horror
e maior a impontualidade aos estúdios.

Como toda empregadinha de loja
sonhou ser estrela de cinema.
E sua vida foi irreal como um sonho que um psiquiatra interpreta e arquiva.

Seus romances foram um beijo com os olhos fechados.
Quando se abrem os olhos,
se descobre que foi sob refletores

e apagam os refletores!
e desmontam as duas paredes do aposento (era um set cinematográfico)
enquanto o Diretor se distancia com sua caderneta de anotações

porque a cena já foi tomada.
Ou como uma viagem em iate, um beijo em Singapura, um baile no Rio
a recepção na mansão do Duque e da Duquesa de Windsor
vistos na salinha do apartamento miserável.

O filme terminou sem o beijo final.
Encontraram-na morta em sua cama com a mão no telefone.
E os detetives não souberam a quem ia chamar.
Foi como alguém que discou o número da única voz amiga
e ouve somente a voz de uma gravação que lhe diz: WRONG NUMBER.
Ou como alguém que, ferido por gangsters,
estica a mão a um telefone desconectado.

Senhor,
quem quer que tenha sido quem ela ia chamar
e não chamou (e talvez era ninguém
ou era Alguém cujo número não está no guia telefônico de Los Angeles),
atende Tu o telefone!

Rumorejando (O Dia da árvore comemorando, preocupado com o que estão, na Amazonia, desmatando). – por josé zokner (juca)

 

Constatação I (O inverso da vice-versa).

[Para a Gigi, Foquinha, Juju, João Raymundo, Preta Joana (in memoriam) e Caxixó. Todas também com o sobrenome Zokner].

Os cães daquela casa eram tão dóceis, faziam tanta festa para quem nela entrasse que os donos é que tinham que fazer o papel de cães de guarda.

Constatação II

Conversa entabulada entre dois políticos, ouvida em qualquer cidade do Brasil:

-“Na tua opinião, por que as mulheres se candidatam menos do que os homens para os diversos cargos, já que elas têm, inclusive, cotas garantidas para isso? Será por medo de perder?

 –“Não. Em minha opinião – modesta, aliás – é porque elas são mais honestas do que nós homens”.

-“Há bom, quer dizer, ah ruim, quer dizer…”

Constatação III

Rico que dirige um Volvo do ano jamais é multado; pobre, num, digamos, Corcel 80, é um infrator contumaz.

Constatação IV

E como explicava, didaticamente, por carta, para o sobrinho o obcecado de origem portuguesa: -“É preciso reflectir para o facto de que você tem que, ao estar com uma rapariga, otimizar as atividades de contacto, as possíveis e correctas chumbregadas, dando-lhe prazeres mil”. Pois, pois?

Constatação V

Disse, no telefone, a namorada do facínora pra ele. “Venha aqui em casa que eu estarei te esperando com o meu novo baby-doll preto que eu comprei hoje. Você vai ver o que eu vou fazer com você”. Respondeu o facínora pensativo: “Puxa! Foi a ameaça mais doce que eu já ouvi. As que eu escuto ou são da polícia ou dos meus comparsas”.

Constatação VI

Não se pode confundir liminar com eliminar, muito embora quando o governo – que nem sempre se preocupa com tanto desrespeito à vida, em nosso país – pretende, por exemplo, diminuir ou mesmo tentar eliminar os acidentes, proibindo a venda de bebidas alcoólicas nas estradas aparece uma ou outra liminar, ou projeto de lei na Câmara, derrubando a proibição. Livre comércio? Democracia? Ou falta de respeito pela vida, como sempre? Quem souber as verdadeiras razões, por favor, cartas à redação. Obrigado.

Constatação VII

O genro foi se queixar pra sogra que a filha dela o estava tratando mal. “Ela só briga comigo”. E a sogra: “O que você faz pra ela?” Sem responder, repetiu a mesma ladainha para o sogro que perguntou: “O que você não faz pra ela?”

Constatação VIII

Rico é sinérgico*; pobre é individualista.

*Sinergia = Sociologia: “Coesão dos membros de um grupo ou coletividade em prol de um objetivo comum (Houaiss).

Constatação IX

Rico não condiz com certas atitudes; pobre, com nenhuma.

Constatação X (Dúvida crucial via pseudo-haicai).

Todo fedelho

É um inequívoco

Pentelho?

Constatação XI (Teoria da Relatividade para principiantes).

É muito melhor ter aspas, escrito no nome do que na testa.

Constatação XII (Dúvida crucial).

Por que será que, em certos países, não se respeita a Lei do Silêncio e por que será que ninguém a controla para que seja respeitada? Quem souber a resposta, por favor, explicar as razões para este assim chamado escriba, através do blog http://rimasprimas.blogspot.com/ . Obrigado.

Constatação XIII (Quadrinha para ser recitada em certas confeitarias para os donos das ditas).

Era um sonho

Tão sem recheio

No seu permeio,

Que até parecia bisonho.

Constatação XIV (Quadrinha para ser recitada por um(a) nutricionista para seus pacientes).

A obesa quer emagrecer,

Mas, por dia, teima

Em se abastecer

Com dois quilos de guloseima.

Constatação XV

Na ópera, no texto

O cara ao levar

Uma facada

E se põe a cantar

Até uma toada.

Tal está fora do contexto,

Pois quem é agredido

Não canta,

Só se espanta,

E fica assaz desvalido.

Constatação XVI

Não se pode confundir faiança (louça de barro esmaltado ou vidrado) com fiança, muito embora os dois estejam sujeitos a uma quebradeira. A recíproca pode ser verdadeira desde que se compre uma faiança, tão sofisticada, tão rara, tão incrementada, a crédito, que o vendedor exija uma fiança.

Constatação XVII

Deu na mídia: “Itaú vê crédito forte também em 2009, apesar de juro”. Data vênia, como diriam nossos juristas, mas um dos maiores bancos do país, a semelhança dos demais, não fez alguma referência às filas em frente aos caixas e o chá de cadeira de quem quer falar com um dos gerentes. Pena.

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br

foto livre. ilustração do site.  

MINHA BUSCA VÃ foto poema de vera lúcia kalaari/Portugal

ERNESTO CARDENAL, O PADRE/POETA, DEIXA A NICARÁGUA A TRABALHO – pela editoria

 

O PADRE E POETA ERNESTO CARDENAL HOJE PERSEGUIDO PELO REVELADO TIRANETE DANIEL ORTEGA, VIAJA AO EXTERIOR PARA CUMPRIR AGENDA PROFISSIONAL.

 

El Universal
Managua Jueves 18 de septiembre de 2008
18:10 El sacerdote y poeta trapense Ernesto Cardenal, condenado por injuriar a un empresario alemán, por lo que además se han congelado sus cuentas bancarias, viajó al exterior a cumplir “compromisos profesionales”, informaron sus colaboradores y amigos.

El poeta Cardenal “viajó legalmente fuera de Nicaragua” el 7 de septiembre pasado, informó hoy en un comunicado el movimiento “Poetas contra la dictadura”, integrado por vates nicaragüenses y extranjeros.

La fuente agregó que el conocido poeta, dos veces nominado al Premio Nobel de Literatura (2005, 2007), viajó al exterior “con el objetivo de cumplir algunos compromisos profesionales (recitales y conferencias) en una serie de universidades del medio oeste de Estados Unidos, entre ellas la Universidad de Chicago”.

Cardenal viajará posteriormente desde Estados Unidos a Suecia, Noruega, Alemania, Austria y Suiza, precisó la nota.

Los “Poetas contra la dictadura”, que no precisan cuándo regresará Cardenal a Nicaragua, afirman que la gira del poeta corresponden a “invitaciones oficiales y de las más altas instituciones culturales de los países mencionados”.

En el comunicado, advierten que “hoy más que nunca el poeta (Cardenal) está siendo amenazado en su libertad de movimiento, por lo que ha decidido cumplir con todos los compromisos internacionales que había adquirido desde hace unos dos años, antes de regresar a Nicaragua”.

“Poetas contra la dictadura” fue creado por bardos “nicaragüenses para denunciar “el abuso de poder, la inoperancia y el autoritarismo” del Gobierno de Daniel Ortega y (su esposa) Rosario Murillo.

Entre los poetas que integran ese movimiento están Gioconda Belli, Sergio Ramírez, Claribel Alegría, Michéle Najlis, Daisy Zamora, de Nicaragua; y Daniel Rodríguez Moya y Fernando Valverde, de España.

También Javier Campos y Viviana Benz Elgueta, de Chile; Osvaldo Sauma, Leda García y Norberto Salinas, de Costa Rica; y Margaret Randall y Lawrence Ferlinghetti, de Estados Unidos.

El poeta Cardenal fue condenado por un juez de Managua a pagar una multa de 1.025 dólares por injuriar al empresario alemán Inmanuel Zerger, con quien enfrenta al parecer una antigua disputa de tierras.

Cardenal, de 83 años, no acató la sentencia por “injusta e ilegal” y por considerarla una “venganza” del presidente Ortega, de quien se separó políticamente en los años noventa.

Por no pagar la multa, la justicia nicaragüense congeló tres cuentas bancarias de quien fue ministro de Cultura del primer Gobierno sandinista, que también encabezó Daniel Ortega.

Por su edad y condición, se le consideró reo valetudinario, pero a discreción del juez, no se le decretó casa por cárcel ni restricción de movimientos.

Tras este incidente, Cardenal ha recibido el respaldo de un nutrido grupo de intelectuales de todo el mundo, entre ellos el escritor portugués y Premio Nobel de Literatura, José Saramago, el uruguayo Eduardo Galeano, el argentino Juan Gelman, y el poeta y cantante español Joaquín Sabina.

1968 – Mudou sua vida? – por julio moraes

 

Janeiro

* 5 de Janeiro – Início da Primavera de Praga, marcada pela vitória nas eleições do ministro Alexander Dubček, que questiona a Cortina de Ferro. 
* 15 de Janeiro – Um terremoto mata 231 pessoas na Sicília, Itália. 
* 21 de Janeiro – Acidente: Cai na Groelândia um bombardeiro americano B-52 com 4 bombas atômicas. 
* 30 de janeiro – Vietcongues lançam a “Ofensiva Tet” contra os americanos durante o ano-novo vietnamita (o ano lunar chinês). 
* 31 de Janeiro – Vietcongs atacam a embaixada americana em Saigon.

Fevereiro

* 5 de fevereiro – Universidades são ocupadas por estudantes na Espanha e na Itália, e na Alemanha, um consulado americano. 
* 18 de fevereiro – Em Berlim, grande manifestação estudantil contra a guerra do Vietnã, liderada por Rudi Dutschke. 
* 12 de Fevereiro – A vila de Mocuba, Moçambique é elevada à categoria de cidade. 
* 17 de Fevereiro – Uma reforma admnistrativa divide a Romênia em 39 distritos.

Março

* 4 de março – Muhammad Ali perde o título de campeão dos pesos pesados por se recusar a lutar no Vietnã. 
* 7 de Março – Guerra do Vietnã: Primeira batalha em Saigon começa. 
* 12 de Março – Declarada a independência das Ilhas Maurício. 
* 16 de Março 
o Robert F. Kennedy entra na disputa da presidência dos Estados Unidos pelo Partido Democrata. 
o Guerra do Vietnã: Tropas americanas matam vários civis (Matança de My Lai). 
* 27 de Março – Morre o astronauta russo Yuri Gagarin. 
* 28 de Março – Em Portugal, criação da freguesia de Ponte de Vagos. 
* 28 de Março – O estudante paraense Edson Luís de Lima Souto, de 16 anos, é morto pela polícia no restaurante Calabouço, no Rio de Janeiro, Brasil. Secundarista e pobre, Edson estava almoçando no restaurante quando foi mortalmente baleado. Ao contrário do que o governo publicou na época, Edson não era líder estudantil nem participava de confrontos armados.

Abril

* 4 de Abril – Martin Luther King é assassinado em Memphis, Tennessee. 
* 4 de Abril – Falece o jornalista e empresário Assis Chateaubriand, dono da TV Tupi e do império dos Diários Associados. 
* 6 de abril – Lançamento do filme 2001, Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick. 
* 7 de Abril – Morre o piloto escocês Jim Clark. 
* 7 de Abril – Morre o ator Amílton Fernandes, o Albertinho Limonta da primeira versão da novela O Direito de Nascer de 1964. 
* 11 de Abril – O presidente americano, Lyndon Johnson, assina a lei sobre os direitos civis. 
* 20 de Abril – Pierre Elliott Trudeau torna-se primeiro-ministro do Canadá. 
* 23 de Abril – Em Paris, França, é feito o primeiro transplante do coração na Europa. 
* 23 a 30 de Abril – Guerra do Vietnã: Estudantes americanos fazem prostestos contra a guerra, na Universidade de Columbia, em Nova York.

Maio

* 2 de Maio – Inicio do “Maio de 1968″. Estudantes se manifestam contra o “status quo”. Barricadas são levantadas nas ruas e ocorrem confrontos com a polícia. 
* 3 de Maio A Universidade de Paris (Sorbonne) é fechada pelas autoridades. A UNEF (Union nationale des étudiants de France) organiza passeatas que são dissolvidas com violência cada vez maior pela polícia. 
* 10 de Maio A “noite das barricadas”. Os estudantes ganham as simpatias de bancários, comerciantes, funcionários públicos, jornaleiros, professores e sindicalistas que aderem à causa estudantil. O protesto estudantil contra o autoritarismo e anacronismo das academias, com a adesão dos operários, transforma-se numa contestação política ao regime de Charles de Gaulle, então presidente francês. 
* 22 de Maio – O submarino americano Scorpion afunda com 99 homens a bordo a 400 milhas e Açores. 
* 26 de Maio – O médico Euryclides de Jesus Zerbini realiza em João Boiadeiro o primeiro transplante cardíaco do Brasil.

Junho

* 5 de Junho – Robert Kennedy é atingido por tiros no Hotel Ambassador em Los Angeles, na Califórnia. Kennedy morre. 
* 25 de Julho – O Papa Paulo VI publica a encíclica Humanae Vitae, que condena o uso de anticoncepcionais. 
* 26 de Junho – É realizada, na Av. Rio Branco, centro do Rio de Janeiro, a Passeata dos Cem Mil. Maior manifestação civil contra a ditadura militar, antes da decretação do AI-5, com participação de intelectuais, artistas e ativistas políticos. A “Marcha dos 100 Mil” representou o auge da resistência popular à ditadura e desfilou pelo centro do Rio praticamente sem nenhum incidente: o assassinato do estudante Edson Luís causou grande comoção social e, pela primeira vez – desde o golpe, os militares foram colocados na defensiva e aceitaram negociar uma pauta de reivindicações com os manifestantes. A marcha foi dedicada à memória do estudante Edson Luís, morto três meses antes.

Julho

* 1 de Julho – 137 países assinam acordo de não proliferação nuclear. 
* 13 de Julho – A brasileira Martha Vasconcellos é eleita Miss Universo. 
* 17 de julho – Lançamento do filme de animação Yellow Submarine, dos Beatles.

Agosto

* 5 a 8 de Agosto – Convenção Republicana elege Richard Nixon como candidato a presidência dos Estados Unidos. 
* 20 e 21 de Agosto – Fim da Primavera de Praga: Tropas soviéticas e outros países do Pacto de Varsóvia (excepto a Romênia) invadem a cidade de Praga, na Tchecoslováquia, reprimindo a população local que apoiava as reformas levadas a cabo pelo governo local. 
* 24 de Agosto – Grécia torna-se no primeiro Estado Associado da CEE.

Setembro

* 3 de Setembro – O jornalista e deputado federal Márcio Moreira Alves, do MDB carioca, faz discurso no congresso criticando a ditadura militar. Em dado momento, Márcio ironiza os militares, pedindo para as jovens moças evitarem dançar com cadetes. O discurso irrita os generais e Márcio é processado. 
* 6 de Setembro – Suazilândia torna-se um país independente. 
* 16 de Setembro – Estréia a primeira versão televisiva do humorístico Balança Mas Não Cai na Rede Globo. 
* 16 de Setembro – Morre no Rio de Janeiro num acidente automobilístico o ator de teatro e tevê Celso Marques 
* 27 de Setembro – Marcello Caetano torna-se primeiro ministro de Portugal.

Outubro

* 2 de Outubro – Massacre de Tlateloco: massacre de estudantes na praça das Três Culturas: o exército mata 48 pessoas durante manifestação estudantil no México. 
* 2 e 3 de Outubro 
* A rua Maria Antônia, em São Paulo, onde se situavam a Universidade Mackenzie e a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo é palco do conflito que ficou conhecido como a “Batalha da Maria Antônia”. 
* O general peruano Juan Velasco Alvarado dirige um golpe de estado, iniciando o regime militar que durou até 1980 no Peru. 
* 11 de Outubro – Lançada a Apollo 7, cuja missão foi a primeira televisionada. 
* 12 a 27 de Outubro – Pela primeira vez na América Latina realizam-se Jogos Olímpicos, na Cidade do México. 
* 12 de Outubro – Declarada a independência da Guiné Equatorial. 
* 14 de Outubro – O Departamento de Defesa dos Estados Unidos anuncia que enviará 24.000 soldados para a Guerra do Vietnã. 
* 15 de outubro- Prisão de líderes estudantis no 30º Congresso da UNE, realizado em Ibiúna (São Paulo – Brasil): mais de 700 delegados eleitos nas universidades foram presos pelas forças policiais. 
* 20 de Outubro – Aristóteles Onassis e Jacqueline Kennedy casam-se na Grécia.

Novembro

* 5 de Novembro – Richard Nixon torna-se presidente dos Estados Unidos ao vencer as eleições. 
* 7 de Novembro – Inaugurada a nova sede do Museu de Arte de São Paulo, na Avenida Paulista. 
* 14 de Novembro – A australiana Penelope Plummer é eleita Miss Mundo. 
* 19 de Novembro – É lançado o Chevrolet Opala no Brasil. 
* 26 de Novembro – Intervindo pela primeira vez na Assembléia Nacional, Marcello Caetano pronuncia-se a favor da manutenção da presença portuguesa em África.

Dezembro

* 13 de Dezembro – O Presidente Costa e Silva decreta o AI-5 – Ato Institucional número 5, dando início ao período mais fechado e violento da ditadura militar no Brasil iniciada em 31 de Março de 1964. O ato, que durou dez anos, foi motivado pela recusa do Congresso Nacional em condenar o deputado Márcio Moreira Alves pelo discurso de setembro, que afrontou a ditadura. 
* 29 de Dezembro – O Club Atlético Vélez Sársfield torna-se pela primeira vez campeão argentino de futebol.

* Graham Hill sagra-se bicampeão mundial de Fórmula 1

 

 

foto livre. ilustração do site maio/1968. Paris.

DESCULPAS AO ESPORTE E AOS ATLETAS BRASILEIROS por ronaldo pacheco

 

Vendo os atletas brasileiros pedindo desculpas pela não obtenção de medalhas e sobre o que se faz pelo esporte no Brasil, resolvi escrever este texto que na minha opinião reflete sobre quem deve desculpas a quem.                                

 

 Desculpem pela falta de espaços esportivos nas escolas;

Pela falta de professores de educação física nas séries iniciais;

Pelas escolinhas mercantilizadas que buscam quantidade de clientes e não qualidade de aprendizagem;

Desculpem pela falta de incentivo na base;

Desculpem pela falta de praças esportivas;

Desculpem pelo discurso de que ‘o esporte serve para tirar a criança da rua’ (é muito pouco se for só isso!);

Desculpem pela violência nas ruas que impede jovens de brincar livremente, tirando deles a oportunidade de vivenciar experiências motoras;

Desculpem se muito cedo lhe tiraram o ‘esporte-brincadeira’ e lhe impuseram o ‘esporte-profissão';

Desculpem pelo investimento apenas na fase adulta quando já conseguiram provar que valia a pena;

Desculpem pelas centenas de talentos desperdiçados por não terem condições mínimas de pagar um transporte para ir ao treino, de se alimentar adequadamente, ou de pagar um ‘exame de faixa';

Desculpem por não permitirmos que estudem para poder se dedicar integralmente aos treinos.

Desculpem pelo sacrifício imposto aos seus pais que dedicaram seus poucos recursos para investir em algo que deveria ser oferecido gratuitamente;

Desculpem levá-los a acreditar que o esporte é uma das poucas maneiras de ascensão social para a classe menos favorecida no nosso país;

Desculpem pela incompetência dos nossos dirigentes esportivos;

Desculpem pelos dirigentes que se eternizam no poder sem apresentar novas propostas; Desculpem pelos dirigentes que desviam verbas em benefício próprio;

Desculpem pela falta de uma política nacional voltada para o esporte;

Desculpem por só nos preocuparmos com leis voltadas para o futebol (Lei Zico, Lei Pelé, etc.);

Desculpem se a única lei que conhecem ligada ao esporte é a ‘Lei do Gérson’ (coitado do Gérson);

Desculpem pelos secretários de esporte de ‘ocasião’, cujas escolhas visam atender apenas, promessas de ocupação de espaços político-partidários (e com pouca verba no orçamento);

Desculpem pelos políticos que os recebem antes ou após grandes feitos (apenas os vencedores) para usá-los como instrumento de marketing político;

Desculpem por pensar em organizar ‘Olimpíadas’ se ainda não conseguimos organizar nossos ministérios; nossas secretarias, nossas federações, nossa legislação esportiva;

Desculpem por forçá-los, contra a vontade, a se ‘exilarem’ no exterior caso pretendem se aprimorar no esporte;

Desculpem pela cobrança indevida de parte da imprensa que pouco conhece e opina pelo senso comum.

 

Desculpem o povo brasileiro carente de ídolos e líderes por depositar em vocês toda a sua esperança;

Desculpem pela nossa paixão pelo esporte, que como toda paixão, nem sempre é baseada na razão;

Desculpem por levá-los do céu ao inferno em cada competição, pela expectativa criada;

Desculpem pelo rápido esquecimento quando partimos em busca de novos ídolos;

Desculpem pelas lágrimas na derrota, ou na vitória, pois é a forma que temos para extravasar o inexplicável orgulho de ser brasileiro e de, apesar de tudo, acreditar que um dia ainda estaremos entre os grandes.

Prof. MSc. Ronaldo Pacheco de Oliveira Filho. Prof. da Secretaria de Educação do DF (cedido à UnB). Prof. da Universidade Católica de Brasília.

foto livre. ilustração do site. atleta húngaro desloca o cotovelo.

 

O VELHO CHICO e os OITENTA MILHÕES de árvores do PARANÁ – por beto almeida

 

A grande mídia comercial dedica seu tempo a divulgar agendas sociais de políticos, e deixa de dar importância a ações em favor do meio ambiente

A grande midia comercial dedica seu tempo a divulgar agendas sociais de politicos, e deixa de dar importância a ações em favor do meio ambiente

“Eu tenho esses peixes e vou de coração

eu tenho estas matas e vou de coração
à natureza”

Milagre dos Peixes – Milton Nascimento e Fernando Brant

A grande mídia comercial pré-paga revela, com freqüência instigante, as agendas sociais do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, a cada final de semana, na insuperável vida noturna do Rio de Janeiro. Não é o caso de fazer comparações sobre o volume de espaço midiático dedicado a tão edificante informação para a cidadania brasileira, que nada, isto é coisa de comunicólogo azedo, dirão alguns.

A mesma mídia ignora sistematicamente a decisão do governo do Paraná de plantar 80 milhões de árvores em seu território que, como no país inteiro, viu-se devastado em razão de um modelo de desenvolvimento petro-dependente capitaneado pelo agronegócio transnacional e pelo incremento de uma pauta de exportação dominada por produtos primários, tal como prevê o novo mapa mundial do neocolonialismo. Para os países ricos, a “concepção” da produção, as funções especializadas, bem remuneradas, com o uso intensivo de tecnologias de ponta; aos países da periferia, a “execução” da produção, o desemprego crônico, a desespecialização da mão-de-obra, a desindustrialização da produção e da exportação, cujos produtos cada vez mais matéria-prima, com selinho coloniais e tudo, têm preço definido lá fora, por quem comanda o comércio internacional. E não somos nós.

Assim como temos o direito de indagar sobre a relevância informativa da agenda, digamos, cultural do jovem governador mineiro – pré-candidato à presidência do país – , também nos é dado o direito de tentar entender porque o plantio de 80 milhões de árvores não contém, para a mídia comercial, qualquer relevância noticiosa, quando o mundo discute com perplexidade e aflição o aquecimento global, o desmatamento, as novas leis de crimes ambientais etc. Será que o inédito gesto do governador do Paraná de cortar o cordão umbilical da dependência e da cooptação entre mídia e Estado, zerando as verbas publicitárias, também chamadas de “o mensalão do coronelismo eletrônico”, tem influência na transformação dos 80 milhões de árvores numa não-notícia? É vasto o nosso deserto informativo…

Nasce ali na Serra da Canastra, não muito longe da Serra da Boa Esperança que inspirou inapagável canção de Lamartine Babo, com o mesmo título, o nosso rio São Francisco. Ele corta o Grande Sertão de Guimarães, ele desagua na sanfona de Gonzagão em acordes e versos filosofando sobre “o rádio e terras civilizadas”; ele torna ainda mais misterioso o mistério do Ciúme de Caetano, flutuando entre duas cidades que se amam com infinita dor, sem descifrar a alma do Velho Chico que vem de Minas, “onde o oculto do mistério se escondeu”. ´

Para além da dor e da alegria da música que inspira, dos personagens brasileirões que nutre na imaginação de Guimarães para fazer nascer os Manuelzões, a dura realidade é que o Velho Chico está sangrando devagar. Tão devagar quanto mais duradoura e interminável é esta dor de ver aquele orgulho dos brasileiros – aquele rio da Unidade Nacional amado por todos – rebaixado em vergonha, pela nossa incapacidade de realizar um projeto sócio-econômico-ambiental que o impeça transformar-se na cloca contaminada da República, vendo os predadores dos cofres públicos atirar naquelas águas já embaçadas e sufocadas, o veneno químico resultante dos “podres poderes” também registrados em outra canção do Caetano. E tome lixo, tome desprezo, tome negligência, e tome hipocrisia ambiental, vai tudo naquele leito. É alumínio, é agrotóxico, é mercúrio, é esgoto, é incentivo fiscal do BNDES, é dívida rural quase que eternamente perdoada.. tudo se joga, com raiva e indiferença, no Velho Chico. Ele que agüente!!! Eis aí o nosso padrão ambiental bárbaro, imposto pelo capitalismo pra lá de bárbaro, já que os selvagens eram mais puros, mais responsáveis até.

Oitenta milhões de árvores lá embaixo, no Paraná. O Velho Chico não deve ter mais de 4 mil quilômetros de extensão. Quantas mãos desocupadas temos no Brasil ainda desempregadas? Quantas árvores precisamos para replantar menos de 4 mil quilômetros de margens da nossa brasilidade devastada pela incúria? Quem deve fazer as contas de quantas árvores e quantas mãos necessitamos para sentirmos, novamente, orgulho legítimo do nosso rio, são os técnicos, o Batalhão de Engenharia do Exército, que, aliás, foi convocado para construir, bravamente, a Ferroeste, lá no Paraná, a única ferrovia edificada nesta quadra de paralisia ferroviária que sucedeu a privataria devastadora do setor.

O geólogo Marcello Guimarães, um dos pioneiros da energia renovável da biomassa, ex-diretor do Departamento Nacional dos Combustíveis, desafia-nos a provar se é mesmo verdadeiro nosso amor e nosso orgulho pelo Velho Chico. A recuperação de suas matas ciliares é tarefa perfeitamente realizável se nossos tecnocratas não tremessem de tanto desejo e furor pelo endividamento externo, mesmo que seja para a simples colocação de meio-fio na periferia de uma cidadezinha do interior, “uma cidadezinha qualquer”, poetisa o mineiro Drummond. Não importa que haja paralelepípedos em abundância nas redondezas, é mais chique fazer um empréstimo junto ao FMI para….. calçar ruas com pedras que temos aqui mesmo.

Para recuperar o Velho Chico não precisamos de nenhum empréstimo externo. Ao contrário, temos de sobra os ingredientes, a força social e a biodiversidade. Uma grande mobilização em Minas, com a força de seu ferro, com a dignidade de suas montanhas e com a audácia de seu histórico amor rebelde pela liberdade, permitiria juntar desempregados, talvez também com a participação do exército, e mesmo militantes do MST não se negariam, para replantar milhões de árvores ao longo das margens da nossa própria alma brasileira encravada ali naquele rio! E também no sertão da Bahia, com um pouquinho da energia rebelde degolada em Canudos, poderíamos sim mobilizar batalhões de desempregados para o replantio, para salvar o Rio, para irrigar com mais força nossas consciências, inclusive acerca da gritante urgência de uma reforma agrária que encontre, a longo do rio querido, “um jeitinho prá viver” , como diz a canção do baiano Gil, não apenas para fazer canções, literatura e lamentos sobre a seca definhante em curso.

Será que a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), órgão vinculado ao Ministério da Integração Nacional, não pode meditar um pouquinho sobre o quanto se pode fazer com mobilização da consciência nacional, dos desempregados, de alguns batalhões do exército, da militância do MST, dos ribeirinhos, índios, quilombolas, dos nossos artistas, cientistas para pensar, um bocadinho que seja, no exemplo não noticiado das 80 milhões de árvores do Paraná? Se a grande mídia comercial, com sua volumosa capacidade de penetração permitisse uma parte do espaço que reserva para divulgar a interessantíssima vida social do governador mineiro no Rio de Janeiro, quem sabe poderíamos construir um grande debate nacional em torno de idéias e de um plano concreto para salvar o Velho Chico? Será que a TV Brasil acende novamente nossa necessária indignação para o debate inadiável?
“Eu tenho essas matas e dou de coração”

Beto Almeida é jornalista, membro do Conselho editorial do Brasil de Fato e diretor da Telesur.

 

foto de joão zinclar. o velho chico (rio são francisco). ilustração do site.

 

WONKA apresenta TERÇAS DE SETEMBRO

 

Flores de Aço com Neuza Pinheiro e Rogéria Holtz

Neuza Pinheiro

integrou a vanguarda paulista dos anos 90 com Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção ao vencer o Festival da Tupi de 79 como melhor intérprete por Sabor de Veneno, e Diversões Eletrônicas vencedora do I Festival da TV Cultura. Compositora e intérprete, gravou e foi gravada por grandes nomes nacionais, como autora venceu o 1º Prêmio de Literatura Lúcio Lins em poesia. Seu trabalho sobre a obra de Leminski vem desde parcerias até musicalização de seus poemas. Será acompanhada por Tonho Penhasco(vilão/guitarra) compositor, participante da banda Sabor de Veneno de Arrigo Barnabé e Ronaldo Gama (baixo) da banda paulistana Nhocuné Soul.

Rogéria Holtz

para fazer par à poesia de Leminski apenas o trabalho de Alice Ruiz na voz da cantora paulista Rogéria Holtz. Seu último CD “No País de Alice” é fruto de uma longa admiração e colaboração com a poetisa curitibana. Rogéria participou do Vocal Brasileirão e mantém uma sólida e elogiada carreira conquistando espaço no cenário independente brasileiro calcada em sua potente voz e domínio de palco. 

Entrada R$10 e R$5 para estudantes

RUMOREJANDO (decepções com o meu time PARANÁ, catalogando)

 


Constatação I (Reminiscências de maus tempos I…).

Em 1975, em plena ditadura militar, a Fundação Cultural de Curitiba expôs mostra de cerâmicas e de fotografias da arquitetura russa. A inauguração contou com a presença do Adido Cultural da Embaixada da Rússia. Todos os presentes, ao cumprimentá-lo, eram fotografados por um cidadão com cara de poucos amigos… Um dos presentes, ao ver espocar um flash atrás do outro, comentou: -“Será que não vai dar complicação a gente ser fotografado em companhia de um russo, de um comunista?” -“Não se preocupe, alguém respondeu, o risco é de apenas 50%. A gente não sabe para quem o fotógrafo trabalha”…

Constatação II (Reminiscências de maus tempos II…)

No coquetel que se seguiu à exposição russa, relatada na constatação anterior, foi servida aos presentes uma vodca “da legítima”, daquelas que davam calor até no dedão do pé. Enquanto aproveitando a rara oportunidade, se degustava aquela escassa bebida (a globalização ainda não estava em vigência…), passou um garçom com uma bandeja de refrigerantes, contendo, inclusive, pasmem: a acqua nera del imperialismo ianque, Coca Cola!!!. O fato suscitou o comentário do mesmo cidadão que havia dito que a gente não sabia para quem o fotógrafo trabalhava e, com ar de condena, meneando a cabeça: “Bah! Já não se fazem mais russos como antigamente…”  

Constatação III (Reminiscências de maus tempos III…)

Um radioamador, tão logo obteve autorização do Ministério das Comunicações para começar a operar, não saía da frente do seu equipamento de transrecepção. Passava todo o tempo, inclusive nos intervalos do almoço e a noite em longos papos. A maioria, furados. A comida era engolida rapidamente para não perder algum eventual contato. Um dia, entusiasmado, mostrou à sua mulher uma fotografia , que um colega de um país distante havia mandado, onde o sujeito aparecia diante do seu – dele – sofisticado equipamento de rádio. A mulher, que andava aborrecida com a indiferença do marido, não se conteve: -“Agora, você, em retribuição, vai mandar uma tua em que você aparece só de calção?…

Constatação IV (Reminiscências de não tão maus tempos).

Um professor de Cálculo Integral e Diferencial da Universidade Federal do Paraná, já falecido, anteriormente havia lecionado matemática no Colégio Estadual do Paraná. Tanto nesta época, como posteriormente, foi professor do seu filho. Certa vez, numa aula do 2° grau, pai e filho se tramaram numa discussão a respeito de uma questão matemática. O professor, diante do impasse, se propôs a dirimir a dúvida na próxima aula. No dia aprazado, a turma do aluno aguarda no corredor a vinda do professor. Outras turmas também haviam se aproximado, face a repercussão, curiosas pelo desfecho. Eis que o professor desponta no corredor com o livro de chamada debaixo do braço. À medida que se aproxima o rumorejo da turma diminui até o silêncio total. O professor acerca-se do filho e, diante de todos, aplica em cada bochecha dois sonoros beijos. Os que estavam mais próximos juram ter escutado: -“Não é que o filho da mãe tinha razão…”

Constatação V

Senador

Deputado

Governador

Prefeito

Vereador

Não têm mérito

Eles têm pretérito

Imperfeito

E, em princípio,

Particípio

Passado,

Ultrapassado.

Já, o presidente,

De pouca atividade

E pouco ativo,

Tem subjuntividade*

É presente

Do subjuntivo.

Coitado!

*Subjuntividade = “característica do que é subjuntivo; dependência, subordinação”. (Houaiss).

Constatação VI

Rico é fogoso; pobre, é tarado.

Constatação VII (Passível de mal-entendido).

A magnitude, dentre outras, numa performance é diretamente proporcional a amplitude da abertura das pernas. Me refiro, ou melhor, refiro-me a uma bailarina. E, claro, é inversamente proporcional à falta de talento.

Constatação VIII (Dúvida crucial).

Será que não existe alguém do staff do governo, familiar ou amigo com coragem suficiente para dizer, respeitosamente, é claro, ou assoprar no ouvido do presidente da República que esse cartão corporativo – respaldado com o tal do sigilo bancário – é uma excrescência? Quem souber que existe alguém, além da imprensa e da oposição, por favor, cartas à redação. Obrigado.

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br

 

          foto sem crédito algum. ilustração do site. HOJE, TAMBÉM, NA IGREJA!

 

O SITE “PALAVRAS, TODAS PALAVRAS” ESTÁ EM FESTA COM A CHEGADA DE ZULEIKA DOS REIS E TONICATO MIRANDA.

zuleika dos reis e tonicato miranda, são de há muito tempo colaboradores desta página e contribuiram substancialmente para o seu sucesso ao completar UM ANO de vida na rede mundial no dia de ontem. OS PALAVREIROS DA HORA dão suas boas vindas aos dois poetas esperando, agora, contar com as suas brilhantes contribuições mais amiúde. com a presença agora de zuleika e tonicato a editoria cumprimenta à todos os PALAVREIROS e COLABORADORES por terem chegado até aqui e contribuído para esse grandioso sucesso.

 

 

PENÉLOPE

                                                        Zuleika dos Reis

 

 

Dia após dia ergues

um edifício precário

ao rés do cotidiano.

Essa inglória odisséia

de rejuvenescer lençóis

na arquitetura das camas.

Esse brilho de objetos

 – panelas talheres copos…

desfeito

no implacável trajeto

da pia ao armário às bocas.

Esse modo preciso

de educar gavetas

avessas

à hierarquia das roupas.

Essas roupas quietas

na geometria das dobras.

As dobras…

 

Ainda que mal compreendam

as mãos não perguntam nada

apenas refazem

no ciclo interminável

o gesto de Penélope.

 

 

“Não me preveniram

que ir ao oceano

seria acumular cargos.”

 

 

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Quando um mendigo mendiga…

                                                                                para Sophia Loren e Catherine Deneuve

 

 

Se eu

lambesse com a língua curva

o parafuso mais recurvo de uma nave estelar

seria muito mais do que um boi estrelado

seria um quadrúpede intergaláctico e alado

Mas não,

sou touro do campo mesmo

lambendo chão, remoendo gramíneas

trespassando o corpo de porteira em porteiras

chifrando os horizontes e as segundas-feiras

Se eu

babasse a baba do ódio com o olho turvo

seria um demo de carranca na cara

meu frontispício assustando o espelho

a cara fugindo da imagem, qual coelho

Mas não,

tenho a cara santa e limpa

sorriso suave, noves fora da maldade

e até dizem tenho um rosto suave

que até confiança produz à pequena ave

Se eu

fosse um jacaré com dentes pontiagudos

ansiando o estômago por carne dilacerada

de frango, de galinhas e suas ninhadas

penas apenadas seriam na boca trituradas

Qual o quê…

sou quase vegetariano e verde

meus dentes e as bocas do meu olhar

miram mais os peixes e os frutos do mar

uma dúzia de camarões já me serve um manjar

Se eu

fosse um rude de queixo duro

gestos imprecisos, mãos e pés calejados

monossílabos frios e curtos no canto da boca

teria a voz sem cantares e arte, totalmente rouca

Qual o quê…

meu canto também é rouco

a voz, do princípio ao fim de um louco

apenas ressoa o muito brilho de um cântico

porque sou irremediavelmente romântico

Se eu

fosse o pergaminho de uma era

teria apenas poucos versos impressos

um poema de pedra e tons de verdes

na umidade da gaveta criando musgos mais verdes

Mas pra quê?

ninguém se interessa por poemas e poesias

nem por bois voadores e jacarés comedores de galinhas

muito menos por musgos e liquens

o mundo continua atrás dos verdes e seus níqueis

Se eu

fosse um mago da palavra

que um gesto da vara e no abracadabra

pudesse mudar o olhar da atriz

fa-la-ía mirar-me na platéia, deixando-me por um triz

Mas pra quê?

se a personagem e os atores da peça

somente à atriz seu olhar interessa

não vê que este pobre ser pedalador de bicicleta

não é homem, boi ou musgo, apenas um mendigo poeta

 

Blumenau, 28/08/2008


TONINHO VAZ encerra a IV FEIRA do LIVRO de TUBARÃO/SC dia 12/09/08

 

Como parte das atividades de encerramento o escritor e biógrafo Toninho Vaz se apresenta na IV Feira do Livro de Tubarão/SC, nesta sexta-feira (12/09), quando irá discorrer sobre a poética de Paulo Leminski. Toninho é autor da biografia do poeta curitibano com o título O BANDIDO QUE SABIA LATIM.  Ele irá se apresentar ao lado do escritor e membro da ABL Moacir Scliar  e Gabriel O Pensador músico e escritor.

 

o autor autografando na SEMANA DO CACHORRO-LOUCO, homenagem à Leminski, em Curitiba. foto do site.

O ENIGMA VAZIO livro de affonso romano de sant’anna que será lançado neste mês (release)

 

 

 

O ENIGMA VAZIO

Impasses da arte e da crítica


Refletir sobre a arte – particularmente a moderna e contemporânea dos séculos XX e XXI – pode se tornar um exercício tão complexo quanto os próprios objetos de análise – os artistas e suas obras.  Um desafio ao qual até mesmo os críticos podem sucumbir, diante do verdadeiro mosaico de conceitos e opiniões que podem mais confundir que localizar os parâmetros do que é ou não arte e ser artista. Em O enigma vazio – Impasses da arte e da crítica o poeta, ensaísta, cronista e professor Affonso Romano de Sant´Anna coloca essa crítica no divã, analisando e, em alguns momentos, desconstruindo seus discursos e argumentos ao apontar suas contradições e exageros.

Desta vez, o poeta e ensaísta aprofunda ainda mais questões abordadas em Desconstruir Duchamp e A cegueira e o saber e passa a pente fino famosas análises de quadros e pintores feitas por Octávio Paz, Jacques Derridá, Michel Foucault, Roland Barthes, Jean Clair, Heidegger, Mayer Shapiro e Frederic Jameson. Através da lingüística e da teoria do discurso, Affonso Romano de Sant’Anna analisa os principais sofismas em que se baseia a arte conceitual e propõe uma nova episteme para reavaliação da arte do século XX.

Ao fazer isso, o autor questiona também os limites da arte contemporânea, uma arte conceitual, que, dando primazia ao pensamento, à idéia e à linguagem, deslocou o enfoque da obra para a proposta da obra.  Daí a importância de se analisar o discurso dos pensadores desta arte, de se fazer a crítica da crítica. 

O autor destaca que, se, na arte conceitual, o discurso e a palavra tomaram a tela o lugar da tinta, a crítica de arte fez algo semelhante e inverso: transformou seu texto em um quase-gênero artístico, numa espécie de reflexo distorcido da obra analisada, no que foi batizado de action writing, uma forma de pintar com palavras seus devaneios conceituais. Nele, a obra de arte que iniciou a escrita é logo abandonada, num olhar narcisista e deslumbrado com as próprias idéias e construções.  O texto criou uma deformação, uma alucinação, uma especulação, fascinante em si, mas muito distante da obra original. 

Grandes nomes como Octavio Paz e Jean Clair deixaram a isenção e a objetividade serem afetadas pela possibilidade de, por exemplo, alçar as obras do francês Marcel Duchamp (1887-1968) a um patamar que talvez o próprio artista jamais tivesse tido intenção.  Um dos precursores da arte conceitual, criador – se é que assim pode ser chamado – dos ready mades – objetos do cotidiano transportados para o campo das artes sem interferência do autor -, Duchamp legou ao espectador a responsabilidade de pensar o que é arte e sua linguagem.  Mesmo assim, sua obra “Grande vidro” ganhou uma interpretação místico-fantasiosa de Paz e ele foi comparado a Leonardo Da Vinci por Jean Clair.  Ao invés de propor uma reflexão, tais críticas tornaram-se o que Sant´Anna chama de “crítica reflexa”, de “endosso” e de “celebração”.

Sant´Anna também contrapõe as diferentes falas de Jacques Derrida, Heidegger e Mayer Schapiro sobre uma mesma obra: Os sapatos, de Van Gogh.  Também dá destaque às alucinações visuais e verbais de Roland Barthes a respeito do expressionista americano Cy Twombly.  E, a partir destes discursos, Affonso Romano de Sant´Anna levanta uma questão: até onde a obra é uma criação do artista e a partir de quando passa a ser criação daqueles que pensam o criador e a criatura? E, se for assim, se grandes pensadores cometem equívocos, “o que dizer dos repetidores disseminados no sistema artístico desde que se oficializou que tudo é arte e todos são artistas e críticos?”, pergunta o autor. 

O enigma vazio (Impasses da arte e da crítica) aprofunda a análise do discurso produzido pela arte e pela crítica de nosso tempo recorrendo à lingüística, à filosofia, a retórica e à análise literária.  Aos poucos, o autor procura desmontar os silogismos e sofismas repetidos durante anos por artistas e críticos.  Também defende a leitura interdisciplinar – antropologia, sociologia, política, marketing, filosofia, lingüística – como a única capaz de enfrentar este enigma vazio que provocou tantas obras insignificantes e tantas alucinações críticas. 

ROCCO.

TONINHO VAZ lança biografia de LUIZ SEVERIANO RIBEIRO no II FESTIVAL CineMúsica

 

Em Conservatória

 

foto de oscar maron.

Passei quatro dias da última semana na cidade da serenata, participando do II Festival CineMúsica, uma das principais atrações culturais do lugar. Na sexta-feira, 5, aconteceu a noite de autógrafos do meu livro O Rei do Cinema, a extraordinária história de Luiz Severiano Ribeiro, o homem que multiplicava e dividia (Record). Como tudo no festival, a minha noite também foi um sucesso: assinei mais de 150 livros para figuras como Hugo Carvana, Roberto Faria (o cineasta, irmão do Reginaldo), Kate Lira, Martha Alencar (única jornalista na redação do Pasquim), etc…

Da mostra oficial, gostei muito do documentário sobre a vida de Wilson Simonal, dirigido pelo Claudio Manoel, do Casseta e Planeta. Um primor.

Desta vez, como aconteceu em Curitiba, durante a semana do cachorro-louco (homenagens a Leminski) a Naná foi comigo. Fiz a foto dela ao lado da réplica de Gilda de Abreu,  no Museu Vicente Celestino. A minha foto, ao lado da antiga estação ferroviária, foi feita pelo videomaker Oscar Maron.

 

Veja um trecho do meu livro:

 

“Foi nessa época que aconteceu a grande virada, a atração obstinada de Severiano Ribeiro pela maior novidade no mundo ocidental: o cinema. Uma luz apareceu e ela preconizava uma aventura desconhecida que misturava emoções com negócios. Mas não se pode dizer que, ao dar o primeiro passo para a nova atividade e abrir sua primeira sala de exibição, Ribeiro tenha desistido de vender cerveja, fabricar gelo, administrar café e hoteís. Não foi bem assim.

O que aconteceu foi uma paixão arrabatadora por uma atividade mais dinâmica e moderna: o entretenimento.”

 

(Para agendar palestras e bate-papo literário: tvaz@uol.com.br

São Paulo ganha nova galeria e RETTA inaugura

 

 

Sob curadoria de Sheila Farah, será inaugurada na próxima semana a Experimenta, galeria de arte experimental que terá o artista curitibano, e ex-publicitário, Retta Rettamozo assinando a exposição Jardim do Sorriso Interior. Ocupando uma área de cerca de 350 m2, o novo espaço cultural está instalado no Jardim Europa, Rua Gumercindo Saraiva 54. A exposição de Retta ficará em cartaz de 03 a 13 de setembro.

Retta é ex publicitário, profissional de criação de agências bacanas, que largou tudo e agora é só artista. Pinta, borda, compõe, é músico, cenógrafo, escritor, poeta…. .

Obras suas entraram na exposição Arte Com Questão – Anos 70, que aconteceu no ano passado no Instituto Tomie Otahke, já participou da Bienal de São Paulo e outras mais.

Esta exposição é o resultado do projeto Sociedade dos Pintores do Ângulo Insólito criada por ele, que pretende mostrar o mundo por outro ângulo que não o nosso normal, horizontal, explorando as sombras. As cenas são vistas sempre de cima, um sobrevôo sobre o mundo. Usa sobre a tela uma mistura de terra de vários lugares do Paraná, misturada ao óleo de cravo, massa plástica, bicarbonato de sódio, barro e detergente biodegradável, entre outras substâncias.

A Galeria Experimenta é um espaço dedicado à arte experimental e aos trabalhos mais ousados de artistas já consagrados.

A fusão de mídias, técnicas, temas e a liberdade na utilização do espaço, pautarão a agenda que apresentará mostras de fotografia, pintura, desenho, escultura, cinema, vídeo, música, poesia…todas as expressões artísticas reunidas.

EXPOSIÇÃO: Jardim do Sorriso Interior, projeto de Retta Rettamozo
PERÍODO: de 02 a 13 de setembro                  
Vernissage dia 02 de setembro às 19h

LOCAL: Galeria Experimenta – Rua Gumercindo Saraiva, 54- Jd. Europa – fone 3086-0141
HORÁRIO: segunda a sexta das 10h às 19h; sábados das 10h às 13h
ESTACIONAMENTO: terceirizado 

NOTA DO EDITOR: retta é um artista visual, gaúcho, residente em Curitiba. o site PALAVRAS, TODAS PALAVRAS dos PALAVREIROSA DA HORA cumprimenta o multi artista que tem uma página exclusiva neste espaço. veja: AQUI

CARTA ABERTA à JB VIDAL – por helio freitas

 

Carta aberta ao Vidal

 

Se as diferenças unem, como há quem afirme, esta carta aberta dialeticamente contribuirá para solidificar uma amizade recente mas autêntica. Meu caro Vidal: você tem todo o direito de reivindicar fumo e bebida para os poetas nos eventos no espaço do mecenas Cadri (o “Alberto Massuda”, na Trajano Reis, para que ninguém fique por fora). A maioria gosta e também não sou um abstêmio radical, embora anti-tabagista intransigente, pois fiquei órfâo de pai “graças” aos quatro maços que ele fumava por dia. Como idealista, poeta impetuoso e dionisíaco, além de devotado webmaster deste blog, meu respeito é grande por você e não seria eu a atirar a primeira pedra. Pelo contrário, até quero lembrar que vinho e poesia estão ligados há milênios. Seis séculos antes de Cristo, bradava o Vidal grego da época, chamado Alceu:

 

“Bebamos! Por que aguardarmos as lanternas? Já só há

um palmo de dia. Retira, célere, dos pregos as grandes taças.

O vinho que dissipa aflições, doou-o aos homens o filho

de Zeus e de Sêmele (* Dionisos*). Deita-o nas taças, uma parte para duas

cheias até a borda, e que um cálice

empurre o outro”

 

Esta outra tradução parece melhor:

 

“Bebamos; porque a lâmpada esperar? Um átimo o dia.

Empunha as taças, bem-amado, as grandes, multilavradas,

pois vinho o filho de Sêmele e Zeus a esquecer males

aos homens deu; mistura uma de vinho e duas de água

e enche até o gargalo; e que uma outra taça esta outra

empurre…”

 

A particularidade é que na Grécia antiga, como em Roma, ninguém bebia vinho sem misturar com água. Com um pouco de açúcar, foi esse “ refresco”  que várias vezes saboreei na infância. Hoje, não sendo padre, pastor, médico, nem bom samaritano, não vou falar dos males do álcool e do fumo para um amigo já bem crescidinho e ainda por cima gaúcho bravo e brabo. Mas é aí, no gauchismo, que a porca torce o rabo,  já que pretendo rememorar o paralelo entre paranaenses e gaúchos, feito por Arthur Tramujas Neto, promotor de justiça prematuramente falecido, e que não deve ficar soterrado no pó do esquecimento. E, se me for permitido, daqui p’ra frente passo a palavra ao jornalista Aramis Millarch, grande amigo também morto no vigor da idade e que dizia na célebre coluna “Tablóide”, hoje inteiramente digitalizada e disponível na Internet graças ao filho Francisco e viúva Marilena:

“Tramujas diz que o gauchismo é nosso

…Paranaense de União da Vitória, curtindo e valorizando as coisas do Interior, Tramujas Neto não acha que o Paraná esteja se “gauchizando” apenas agora, e faz uma observação interessante… Assim diz Tramujas, que “existem no Paraná duas culturas bastante distintas, e que, na realidade, dividem o país justamente onde o clima muda; no meio, praticamente, do Paraná, onde desaparece o país tropical” e começa um Brasil temperado ou quase isso, um Brasil menos português. A cultura “caipira”, assim chamada e objeto de interessantíssimos estudos, impera no Norte do Paraná, como em São Paulo, maior parte de Minhas Gerais, metade do Espírito Santo e até mesmo boa parte do Estado do Rio de Janeiro. É a cultura do “Jeca Tatu”, do Tonico e Tinoco, do Leo Canhoto e Robertinho, da viola com aquela afinação que tão bem se conhece”.

“Na região Sul do Estado existe uma única cultura, tipicamente sulina, típica dos planaltos frios do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Pode-se chamá-la até de cultura “gaúcha”, desde que não se ligue a palavra “gaúcho” ao Rio Grande do Sul exclusivamente, que é o que normalmente se faz. E desde que se saiba que o termo é castelhano, trazido por espanhóis das ilhas Canárias que por volta do século XVIII foram habitar a região de Montevidéu e que chamavam de “guanches” aos errantes mestiços de índios espanhóis que vagavam pelo pampa”. Tramujas lembra que “gaúcho” é o símbolo nacional da Argentina (como do Uruguai), onde a palavra tem, hoje, ao contrário de ontem, o sentido de lisura, de honradez e até de meiguice (“Juan es un tipo bueno, es un tipo gaucho, macanudo te dás cuenta?…”). “gaúcho” está imortalizado no épico poema “Martin Fierro”.

… Tramujas volta ao nosso Estado para observar:

– “Esqueçamos a região Oeste do Paraná, colonizada por gaúchos do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, ainda muito ligados a seus municípios de origem, por tudo muito parecidos com nós do lado de cá. Encaremos o Paraná tradicional, aquele que vai até Clevelândia, até Guarapuava, até Pitanga, até Telêmaco Borba, até Jaguariaíva. Ou seja, o Paraná que existia antes da maravilhosa explosão do Norte, do Oeste, do Sudoeste.

– Que Paraná é esse, o tradicional? Bem, este é o Paraná da erva-mate, do chimarrão, da geada, do poncho, do vanerão, do xote, da vanera, da gaita, do pinhão, do quentão de vinho e gemada, da araucária, do cedrinho, da bracatinga, e, às vezes, da neve. É o Paraná do leite-quente, do polaco, do italiano, do alemão”.

Homem do Interior, orgulhoso de suas origens, diz:

– “Quem cresceu no Interior, como eu, conhece xote e vanerão desde “piá” (a palavra “piá”, guarani, vem de tchê-piá, meu coração, a significar, como “china , vem de tche-ina, para as meninas), tomou chimarrão desde sempre (o Paraná é o maior produtor de erva-mate até hoje no país e a árvore é natural daqui), sem que isso tivesse qualquer ligação com o Rio Grande do Sul, no sentido de que esses costumes tenham vindo de lá. Muito pelo contrário. O chimarrão, por exemplo, seu uso como o fazemos hoje, erva e água quente (e nunca fervendo), os curitibanos aprenderam com os índios que aqui viviam e levaram, quando tropeiros, o hábito para o Rio Grande e o Uruguai; de onde se conhecia o hábito através dos índios guaranis que habitavam as margens dos Rios Paraná (já em território argentino) e Uruguai, porém com a forma de tererê, isto é, tomavam-no com água fria, como usam até hoje no Paraguai. Tão somente os guaranis do planalto frio o tomavam com água quente (quando não o mastigavam), o que, aliás, torna-o bastante diferente do tererê quente quanto a sabor e propriedades”.

Nostálgico, Tramujas Neto recorda que “os ritmos do xote, do vanerão, da rancheira, etc., estão entre nós desde sempre. Curitiba, ao cosmopolitizar-se (infelizmente) perdeu muito. Perdeu suas casas de lambrequins, perdeu o fogão de lenha e com ele a sapecada de pinhão e a chaleira de água quente sempre pronta para um bom mate (O mate está em nossa bandeira estadual, é bom lembrar!). No entanto, em muitos bairros ainda vive o hábito e na minha casa está mais vivo que nunca (meus dois guris tomam). No interior, apesar das redes Globo da vida, impondo sotaques, truques e modismos que nada tem a ver conosco, o nosso som de cada dia jamais morreu, sempre esteve por aqui. O que acontece é que, no Rio Grande, o pessoal já se assumiu há muito tempo e passou a gostar de ser o que é”.

… Tramujas protesta:

– “Já ouvi, desgraçadamente, várias vezes, e de gente que se julga culta, que Curitiba e o Paraná não possuem identidade cultural. Isso só significa que essas pessoas fecham os olhos (talvez porque não gostem do que vejam) para o “povão” (o termo é vulgar e enfadonho, concordo), buscando identificar-se com coisas outras que, talvez na sua infeliz ignorância e falta de amor ao próximo, admirem. Mais, mostra o quanto o salutar hábito da leitura está pouco difundido na cidade. Basta ler textos antigos, basta ler Saint-Hillaire, Roberto Avé-Allemand, etc., em suas visitas ao Paraná, enfim, basta um pouco de atenção a leitura histórica local, para que se compreenda que chimarrão, vanerão, ponchos e até mesmo as bombachas, jamais foram exclusividade do Rio Grande do Sul, que estão presentes entre nós há séculos, arraigados na cultura campeira paranaense, no Paraná tradicional.

É em razão desta identidade cultural, que sem dúvida, une nós paranaenses do Paraná tradicional ao Oeste e Sudoeste do Estado, como ao planalto catarinense e rio grandense, e ainda ao Uruguai e a Argentina – (principalmente à “mesopotâmia”, ou províncias do Litoral – Entre Rios, Corrientes e Misiones, como dizem eles), que o nativismo do Rio Grande está encontrando tanto espaço aqui. Tudo bem. Bem-vindos aqueles gaúchos. Mas o que trazem não é novidade. É só roupa nova. E de ótima qualidade, diga-se”.

E assim transcrevendo, julgando atualíssimas as colocações do Tramujas, coloco ponto final nesta carta aberta, sem nenhum intuito de provocação que não seja o da saudável troca de idéias com os inteligentes amigos palavreiros, aglutinados neste blog do qual você, Vidal, mais do que webmaster, é o enérgico demiurgo.

 

HELIO FREITAS

7/9/2008

                      foto livre. ilustração do site. clique na foto.

“OS CAFUNDÓ” encerra temporada neste domingo/São Paulo, cap.

 

O clima do interior mineiro é o ponto forte da peça “Os Cafundó”, que encerra temporada neste domingo no teatro Imprensa, em São Paulo. A comédia musical da Cia. Dedo de Prosa abusa da simplicidade de uma gente que não tem nada de boba.

O charme da montagem fica por conta da sonoplastia, que é feita pelos próprios atores no pequeno palco do Espaço Vitrine, criando um clima de cumplicidade com a platéia tão próxima. O cenário, em tons pastéis, reproduz uma casa de pau-a-pique, com quintal de chão coberto de folhas secas.

A encenação gira em torno do namoro entre dois jovens e o famigerado pedido de casamento feito pelo noivo ao pai protetor. Tudo é de uma pureza difícil de acreditar que ainda exista em nossos tempos.

A comédia musical é inspirada na obra “A Roça”, de Belmiro Braga, e tem direção de Francisco Bretãs. A direção musical é de Paulo Bordhin, que também integra o elenco, ao lado de Gabriel Godoy, Fernanda Viacava, Helder Mariani, Paulo Bordhin, Renata Fontes e Vânia Borges.

Os Cafundó
Quando: sábado, 21h; domingo, 19h (até 7/9)
Onde: Espaço Vitrine do teatro Imprensa (r. Jaceguai, 400, Bela Vista, São Paulo; tel. 0/xx/11/3241-4203; classificação 12 anos)
Quanto: R$ 20

Rumorejando (Felicidades para a Juliana Paes augurando) por josé zokner (juca)

 

Constatação I

Quando a gatona recusou o convite do obcecado para irem para um motel, sob a alegação que ela só iria depois das bênçãos dos sagrados laços do matrimônio, ele retrucou incontinente: “Mas você ainda tem idéias medievais obscurantistas, retrógradas, anacrônicas, reacionárias, tradicionalistas, conservadoras em plena época da liberação feminina?” E completou com dicção, voz empolada, com afetação de candidato no palanque: “Liberação não é libertinagem!”

Constatação II (Via pseudo-haicai).

Fecho a porta, lá, no motel

E, a sós com ela, até rememoro

Que existe o bom Papai Noel.

Constatação III

Rico tem saliva; pobre, cuspe (Perdão, leitores).

Constatação IV

Rico dialoga; pobre, discute.

Constatação V

E como elucubrava o septuagenário, ex-sexagenário, qüinquagenário, etc.: “Depois de certa idade a gente tem o direito de adquirir determinadas manias, inclusive e até o de ser um pouco, não mais que um pouco, gagá”.

Constatação VI

Tem gente que nasce para f. com a paciência alheia; tem gente que vive se f; tem gente que nunca se f. na vida e tem gente que nunca amou em toda a sua vida. Coitados(as).

Constatação VII

Em certos países, os deputados e senadores, também, são politicamente incorretos.

Constatação VIII

Rico refocila*; pobre é preguiçoso.

*Refocilar = Descansar; repousar.

Constatação IX

Não se pode confundir climático com cinemático, muito embora o aquecimento climático esteja nos levando de modo cinemático ligeiro para o caos total. A recíproca pode ser verdadeira, como por exemplo, o caso de um relacionamento amoroso com, pelo menos, beijos e abraços que pode conduzir a um esquema climático que de caos não tem absolutamente nada…

Constatação X

Não se pode confundir tradição “confuncional” com traição confusional, até porque o primeiro ocorre, normalmente, na China e o segundo, comumente, em qualquer país do mundo, muito provavelmente, também na China. A recíproca é como é e tá acabado. Tenho – explícita e esclarecedoramente – dito.

Constatação XI

E não se pode confundir decente com docente, até porque o que se paga a quem é docente, seja a fonte pagadora governo ou particular, está longe, muito longe, de ser decente. A recíproca não é necessariamente verdadeira. Afinal, nem todo decente ou indecente está ligado à docência. Basta ver o que tem acontecido no Executivo, Legislativo e Judiciário de certos países…

Constatação XII

Rico é apaixonado; pobre, galinha.

Constatação XII (Dúvida crucial).

Será que os passageiros de disco voador, lá na terra deles, têm atrasos nos aeroportos iguais aos aeroportos dos terráqueos? Quem já foi abduzido ou convidado gentilmente e deu uma volta num, assim chamado, objeto voador não identificado, por favor, cartas a este assim chamado escriba, através do blog http://rimasprimas.blogspot.com/  para esclarecer aos nossos prezados leitores que se interessam pelo assunto. Obrigado.

Constatação XIV (Para os amigos Ernani Buchmann, Gerson Barão e Nireu Teixeira).

Um sujeito lá do nordeste,

Nascido em Pernambuco

Não um cabra da peste,

Tampouco um cafajeste

Muito bem-educado,

Contudo algo ousado,

Me provocou,

Me desafiou

Para jogar um truco,

Aprendido não em Cabul,

Porém aqui no sul

Onde se tem sempre jogado.

Por modéstia,

Não vou comentar o resultado

Porém o cara anda com moléstia

Totalmente desorientado,

Perdeu até o rebolado

E aquele ar empafiado.

Coitado!

Constatação XV

Rico é discreto; pobre, afetado.

Constatação XVI (De mais uma dúvida crucial).

Será que somente em nosso país é que existe brasileiros que gostam de jarro onde podem pôr a pata, digo, a mão? Quem souber a resposta, por favor  comunicar este assim chamado escriba (nunca é demais repetir), através do blog (www.rimasprimas.blogspot.com).

Constatação XVII

Não se pode confundir embate com empate, até porque nem todo embate acaba em empate. No caso do meu time, o Paraná, se a partida acabar em empate já representará uma grande vitória…

Constatação XVIII

Deu na mídia, no dia 5 de agosto próximo passado: SÃO PAULO – Em dois anos, políticos que concorrem às eleições de 2008 enriqueceram 46%, segundo levantamento da Transparência Brasil, Organização Não-Governamental (ONG) voltada para o combate à corrupção”. Alguma surpresa, prezados leitores?

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br

 

foto livre. ilustração do site. SEM PALAVRAS!

Inauguração da Galeria Experimenta com exposição de Retta Rettamozo

 

Inauguração da Galeria Experimenta com exposição de Retta Rettamozo

 

Aconteceu no dia 02 de setembro o coquetel de inauguração da Galeria Experimenta, reduto das artes experimentais e novos nomes, em São Paulo.

                       Recebidos pela curadora da galeria Sheila Farah, pelo artista curitibano Retta Rettamozo e por Catherine Duvignau, responsável pela apresentação de sua obra a São Paulo, empresários, artistas plásticos, fotógrafos, publicitários, circularam entre a coleção de telas batizadas de Jardim do So rriso Interior. Em clima descontraído, os convidados puderam apreciar o trabalho do multiartista por um ângulo tridimensional, usando os divertidos óculos que foram distribuídos.

                       Entre os convidados, o artista multimídia Guto Lacaz; Michel Farah, presidente da Farah Service, empresa especializada em marketing de responsabilidadesócio-cultural e patrocinadora da galeria; o empresário  Zeca Beraldin; o leiloeiro Roberto Magalhães Gouveia; Johnny Saad, TV Bandeirantes.

                       Retta foi convidado para inaugurar a galeria pelo resultado de seu projeto, em conjunto com a Sociedade dos Pintores do Ângulo Insólito, do Vale do Itajaí, cujas telas são pintadas com terra de diferentes localidades paranaenses.            

                       A coleção de 22 telas, nasceu da oficina Arte, Terra e Retta, obras coletivas dos cinco membros da Sociedade dos Pintores do Ângulo Insólito, criada por ele, e que é composta por : Retta Rettamozo, Patrick Albuquerque, Rafaelo Góes, Odécio Adriano e Carlo Rettamozo. 

 

 

EXPOSIÇÃO: Jardim do Sorriso Interior, projeto de  Retta Rettamozo

PERÍODO: até 13 de setembro

LOCAL: Galeria Experimenta – Rua Gumercindo Saraiva, 54- Jd. Europa- São Paulo

Fone (11) 3086-0141

HORÁRIO: segunda a sexta das 10h às 19h; sábados das 10h às 13h

 

 

o artista visual retta com seus parceiros da SOCIEDADE DOS PINTORES DO ÂNGULO INSÓLITO odécio adriano (de boné), rafaelo góes (à dir.) e amigos na inaugração.

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retta e amigos.

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retta.

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não foi enviado crédito das fotos.

O BRASIL NÃO É ISSO por rui barbosa

 

O BRASIL NÃO É ISSO

 

Mas, senhores, se é isso o que eles vêem, será isto, realmente, o que nós somos? Não seria o povo brasileiro mais do que esse espécimen do caboclo mal desasnado, que não se sabe ter de pé, nem mesmo se senta, conjunto de todos os estigmas de calaçaria e da estupidez, cujo voto se compre com um rolete de fumo, uma andaina de sarjão e uma vez d’aguardente? Não valerá realmente mais o povo brasileiro do que os conventilhos de advogados administrativos, as quadrilhas de corretores políticos e vendilhões parlamentares, por cujas mãos corre, barateada, a representação da sua soberania? Deverão, com efeito, as outras nações, a cujo grande conselho comparecemos, medir o nosso valor pelo dessa troça de escaladores do poder, que o julgam ter conquistado, com a submissão de todos, porque, em um lance de roleta viciada, empalmaram a sorte e varreram a mesa?

Não. Não se engane o estrangeiro. Não nos enganemos nós mesmos. Não! O Brasil não é isso. Não! O Brasil não é o sócio de clube, de jogo e de pândega dos vivedores, que se apoderaram da sua fortuna, e o querem tratar como a libertinagem trata as companheiras momentâneas da sua luxúria. Não! O Brasil não é esse ajuntamento coletício de criaturas taradas, sobre que possa correr, sem a menor impressão, o sopro das aspirações, que nesta hora agitam a humanidade toda. Não! O Brasil não é essa nacionalidade fria, deliqüescente, cadaverizada, que receba na testa, sem estremecer, o carimbo de uma camarilha, como a messalina recebe no braço a tatuagem do amante, ou o calceta, no dorso, a flor-de-lis do verdugo. Não! O Brasil não aceita a cova, que lhe estão cavando os cavadores do Tesouro, a cova onde o acabariam de roer até aos ossos os tatus – canastras da politicalha. Nada, nada disso é o Brasil.

O QUE É O BRASIL

 

O Brasil não é isso. É isto. O Brasil, senhores, sois vós. O Brasil é esta assembléia. O Brasil é este comício imenso de almas livres. Não são os comensais do erário. Não são as ratazanas do Tesoiro. Não são os mercadores do Parlamento. Não são as sanguessugas da riqueza pública. Não são os falsificadores de eleições. Não são os compradores de jornais. 
Não são os corruptores do sistema republicano.
Não são os oligarcas estaduais. Não são os ministros de tarraxa.
Não são os presidentes de palha. Não são os publicistas de aluguer.
Não são os estadistas de impostura. 
Não são os diplomatas de marca estrangeira. 
São as células ativas da vida nacional. É a multidão que não adula, não teme, não corre, não recua, não deserta, não se vende. Não é a massa inconsciente, que oscila da servidão à desordem, mas a coesão orgânica das unidades pensantes, o oceano das consciências, a mole das vagas humanas, onde a Providência acumula reservas inesgotáveis de calor, de força e de luz para a renovação das nossas energias. É o povo, em um desses movimentos seus, em que se descobre toda a sua majestade.

 

Rui Barbosa

 O trecho reproduzido de Rui Barbosa (1849–1923), é de março de 1919.

internet livre.

ELVIS PRESLEY e MARILYN MONROE serão leiloados em LONDRES

            Formulário com as digitais de Elvis Presley é leiloado pela Galeria Idea Generation

 

A Galeria Idea Generation realiza nesta quinta-feira em Londres, Inglaterra, o leilão de um formulário com as digitais de Elvis Presley preenchido pelo Rei do Rock em 1970 na Califórnia, Estados Unidos, para a posse de arma de fogo.

Trata-se de um documento raro, já que nos Estados Unidos ele é comumente destruído após a morte do solicitante. Estima-se que a peça pode ser arrematada por 75 mil libras (cerca de R$ 222 mil).

Outras raridades do leilão são um corpete usado por Marilyn Monroe no filme “Quanto Mais QuenteMelhor”, letras de música deJohn Lennon escritas em um pedaço de madeira, a FenderStratocaster queimada por Jimi Hendrix em 1965 e uma guitarra Yamaha pintada pelo músico dos Stones, Ronnie Wood.

Segundo o jornal El País, as peças mais caras do leilão da Galeria Idea Generation serão um caderno de Jim Morrison e o primeiro contrato de trabalho dos Beatles, com a Brian Epstein. A previsão de arrecadação é de 250 mil libras (cerca de R$ 742 mil).

 


 

SUZANNE PLUNKETT/REUTERS

Brasil importa agrotóxicos proibidos na União Européia

 

O agronegócio brasileiro pode ser responsável por alguns casos de câncer adquiridos pela população. Até julho deste ano, o país importou mais de seis mil toneladas de substâncias que foram proibidas nos países onde são produzidas. Tratam-se de componentes utilizados para fabricar agrotóxicos utilizados em culturas de 24 tipos de alimentosbrasileiros, como frutas, verduras e grãos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta que além de câncer, esses produtos podem causar problemas no sistema nervoso e reprodutivo.

As substâncias foram importadas da União Européia (UE). A assessoria de imprensa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que, o processo de avaliação de periculosidade destas substâncias começou em 2006, época em que várias delas já haviam sido importadas da UE. No entanto, o trabalho de avaliação foi interrompido por ordem de um liminar expedida pela Justiça Federal de Brasília, em favor do Sindicato das Indústrias de Defensivos Agrícolas (Sindag). A Anvisa afirma que a decisão foi adotada sob pressão de interesses econômicos.

A Anvisa informou que essa venda de substâncias da UE é uma tática dos europeus de desovar em outros países como o Brasil, os estoques de produtos que foram proibidos dentro do bloco.

Diante da atual pressão do governo e dos alertas dados pela OMS, a Anvisa afirma que adotará atitudes para reavaliar o registro de nove substâncias. Elas fazem parte da composição de 99 agrotóxicos.

 Radioagência NP, Juliano Domingues.

 

ATIRADOR MATA CÃES DE COMPANHIA E ATINGE VEÍCULOS QUE PASSAM NA RUA (a pedido de leitores do site)

Moradores da rua Marechal Hermes (Centro Cívico), distante três quadras do Palácio Iguaçu (governo), estão alarmados e preocupados com o “matador de cachorros, com donos, e atirador com espingarda de chumbo nas residências vizinhas” como definem o que vem ocorrendo naquela quadra em frente ao nº 1299. Dois vizinhos tiveram seus cães de companhia mortos por veneno e outro morador está com seu cão ferido gravemente em razão dos tiros. As paredes e as grades da residência atestam a ação do livre atirador urbano que eles qualificam como “psicopata” como se vê na faixa-SOS. A polícia já foi acionada e está investigando. Algumas ONGs protetoras dos animais estão mobilizadas. Moradores afirmam que o atirador passou a atingir os veículos que passam pela rua, provocando quebra de vidros e furos na lataria. Então pessoal evitem a rua Marechal Hermes no trecho que compreende as quadras entre as ruas João Bonn e Celeste Santi em Curitiba e caso tenha alguma informação DENUNCIE.

 

 

aqui morreu um cão de companhia envenenado.

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as marcas dos tiros de chumbo estão por toda parte da residência.

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este é o prédio no qual os vizinhos desconfiam que more o matador e atirador. os moradores do edifício estão muito preocupados com a sua segurança.

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evite este trecho, entre João Bonn e Celeste Santi, na Marechal Hermes.

Rumorejando (03 medalhas de ouro para o Brasil, constatando). por josé zokner (juca)

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I (De uma quadrinha aparentemente matemática).

A resolução

Daquela equação

Das brigas do casal

Acabou no hospital.*

*Foi uma briga administrativa. Eles eram irmãos e os donos e gestores do hospital. Também Rumorejando pensou que era um casal, constituído por marido e mulher que teriam se desentendido onde haveria rolado agressões mutuas. Ainda bem!

Constatação II

Surrupiaram o dinheiro da Ong

Com a maior naturalidade

Como numa disputa de pingue-pongue

Como se fosse o jogo da amizade.

Constatação III (Altos e baixos da nobreza).

Por logaritmo,

Tanto decimal,

Como neperiano,

Também por algoritmo

O conde, grande matemático,

Chegou ao resultado

Que nunca mais

Seria amado

Como fora no primeiro ano

Do seu relacionamento matrimonial,

Quando depois de um dia tumultuado,

Estressante e problemático

Ele chegou em casa cansado

Mas ansiado por um antológico,

Nada escatológico,

Evento sexual,

E sem esquecer o dialógico

Cheio de ais

Como jamais.

Ele não havia atinado

Por uma dor de cabeça,

Não necessariamente eventual,

E, sim uma constante opcional

Da senhora condessa.

Coitado!

Constatação IV (Meio repetitiva).

E como finalizava suas elucubrações aquele técnico, precisamente antes da preleção final, no final do alongamento: “Eu preciso dizer para os meus atacantes que é preciso ser preciso nas finalizações”.

Constatação V

Era um cara comedido. Depois de comer 2 pizzas, das grandes, acompanhadas de cervejas, pedia, pra contrabalançar, adoçante no cafezinho.

Constatação VI

E como apregoava filosófica e didaticamente o obcecado: “A gente tem que ser favorável à mudança de posição. Afinal, não adianta querer repetir as inesquecíveis emoções anteriores porque elas nunca se repetem”.

Constatação VII

Preencher uma lacuna é, nas eleições, votar em branco, ou estragar o voto, a fim de que fique bem delineado o repúdio aos candidatos, de modo que a soma dos votos em branco e nulo ultrapassem os demais?

Constatação VIII

E já que falamos no assunto, a vantagem de ser septuagenário é que não se é mais obrigado a votar. Claro que o fato se refere às eleições, jamais à opinião em casa que, essa, já tem dono, quer dizer dona…

Constatação IX

E já que falamos nesse outro assunto, uma das vantagens de ser septuagenário é que a gente, igualmente às grávidas, por exemplo, recebe determinadas atenções. Isso não quer dizer que elas, as atenções, sejam necessariamente àquelas que se almeja…

Constatação X

E como vivia se justificando o pinguço, citando a frase de um autor anônimo, querendo, inclusive, mostrar erudição: “A abstinência é uma boa coisa, desde que praticada com moderação”.

Constatação XI

Rico faz cruzeiros pelo mundo; pobre, tá perdido no mundo.

Constatação XII

Rico emigra para investir numa filial no exterior; pobre, em busca de oportunidade de trabalho.

Constatação XIII

O STJ vetou a aposentadoria

Dos deputados no Paraná

Era o que o povo queria

Salário? Ora, um caraminguá.

Constatação XIV

Defenestrado

Das suas relações,

O renitente obcecado,

Um poço de bravata

E convencimento,

Sentiu-se totalmente

Desiludido

Um falido

Aristocrata

Ao ficar sem as suas funções

E se sentiu completamente

Fu, digo, perdido,

Tão-somente.

Coitado!

Constatação XV

Rico come finas iguarias; pobre, gororoba.

Constatação XVI (Ah, esse nosso vernáculo).

Eu sabia que eu sabia quem é esse tal de Marcos que escrevi o seu telefone nesse papel. Eu só não sabia que não sabia que ia me esquecer tão facilmente.

Constatação XVII

Tirou a prova dos nove

Do seu parco salário:

O patrão não demove

De ficar milionário.

Constatação XVIII

E como dizia aquele deputado adepto da Teoria da Relatividade: “É muito melhor ter desvio de conduta do que desvio de status”.

Constatação XIX

Rico apara a barba e o bigode; pobre, junta apara de papel.

Constatação XX

Rico é perseverante; pobre, hesitante.

Constatação XXI

E como poetava a popozuda”

“Numa casca de banana

Escorreguei

Foi a terceira na semana

E não me machuquei.

A poupança que alguém abana

É de boa madeira-de-lei”.

Constatação XXII

Depois de tomar um daiquiri

Andei fabulando por aí

Que o Paraná será o campeão

Voltando pra primeira divisão.

Constatação XXIII (Epitáfio).

Aqui jaz um destemido

Que nunca dobrou a coluna

Nem num jogo onde havia perdido

Toda sua imensa fortuna.

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br

                             foto livre. ilustração do site.

 

 

 

A HERANÇA DOS JOGOS DE PEQUIM por marcelo barros

Os jogos olímpicos desviaram a atenção dos bilhões de telespectadores da vida real e dos grandes desafios sociais e políticos que a humanidade enfrenta

Os Jogos Olímpicos em Pequim chegaram ao fim. Grande parte da humanidade se pergunta que herança para o futuro da humanidade deixa esta Olimpíada. Durante dias e dias, os jogos ocuparam nossas televisões e jornais. Órgãos da imprensa que, no começo pareciam apoiar um boicote à China, por causa do desrespeito aos direitos humanos, se renderam ao lucro que lhes era proposto. Os apoteóticos espetáculos oferecidos na inauguração e no encerramento dos jogos mostravam um mundo aparentemente unido. Parecia que as guerras deram lugar às competições esportivas. A humanidade inteira se tornava criança ou adolescente que vibra e torce por seus atletas.

 Por trás dos palcos e das arenas, a realidade é mais complexa. A China mostrou uma força que vai muito além dos estádios. Governos e empresas se puseram de acordo em proporcionar pão e circo às massas e, assim, dissimular a realidade cruel que, nos mais diversos países, infesta a vida cotidiana das pessoas, no campo e na cidade.

 Jogo do faz de conta

Os jogos olímpicos desviaram a atenção dos bilhões de telespectadores, da vida real e dos grandes desafios sociais e políticos que a humanidade enfrenta nestes dias. Mesmo durante os jogos, no dia 8 de agosto, as forças armadas da Geórgia, apoiadas e financiadas pelos Estados Unidos, atacaram a província da Ossétia do Sul, que ficou sob o protetorado russo. Imediatamente, a Rússia atacou por terra, ar e mar, o território da Geórgia, que não contou como o apoio esperado de Bush e, hoje, chora pelo menos dois mil mortos e vinte mil desabrigados. Os analistas internacionais estão convencidos de que é iminente um ataque de Israel contra o Irã e o revide dos países árabes contra Israel e contra os Estados Unidos que o patrocinam. Na Europa, o Parlamento aprova uma lei racista e cruel contra os migrantes. E durante os jogos olímpicos, todo mundo faz de conta que nada disso existe.

 Exemplo de paz

De fato, desde o começo de sua história, a vocação dos jogos olímpicos é servir à relação entre os povos e contribuir para a convivência amiga entre a juventude dos mais diversos países. A chama olímpica que percorre a terra inteira apela para a paz e para o diálogo entre as diferentes culturas e raças. No colorido das bandeiras, na pluralidade dos hinos nacionais e no brilhantismo dos homens e mulheres que se consagram aos mais variados esportes, transparece um olhar positivo e amigo para toda a humanidade. A herança mais profunda destes jogos deveria ser a de que os conflitos internacionais e regionais podem sempre ser resolvidos como se acertam as regras e se dão as partidas amigáveis entre as diversas equipes de atletas.

 Grande negócio

Infelizmente, a mistura entre esporte e comércio, assim como entre esporte e políticas governamentais é cada vez mais tenebrosa. As equipes precisam de patrocínio e as empresas as apóiam. Os governos querem se identificar com os seus países e seus atletas. O problema é que, além de fazerem dos jogos vitrines dos seus produtos, incentivam nos esportes um aspecto que este já continha, mas não tão exacerbado como agora: o espírito de competição e de concorrência. É quase inevitável que os jogos tenham incentivado mais ainda o culto ao corpo sarado, ao ser humano máquina. Nos mais diversos esportes, acabaram, de alguma forma sugerindo ou inculcando o ideal do mais forte, mais ágil, mais capaz e mais bem sucedido.

 Em seu famoso livro Educação após Auschwitz, o filósofo alemão Theodor Adorno destaca a necessidade de se evitar na formação cultural dos jovens a promoção à virilidade, ao “ser duro” e à indiferença à dor do outro, elementos comuns em vários esportes de competição. “Quem é rigoroso consigo mesmo não tem dificuldade de sê-lo com os outros, dando continuidade ao ciclo da violência”. Ele recorda como na Alemanha nazista o ideal do homem ariano, belo e forte, culminou no extermínio de milhares de deficientes físicos, deficientes mentais e idosos.

 Por seu caráter internacional e sua história tão rica, os jogos olímpicos não mereceriam esta crítica. Se, no passado, eles foram usados por regimes ditatoriais, (em 1936 na Alemanha nazista, em 1980 em Moscou, como em 1968 na Argentina da ditadura militar), compete a todos nós que eles sejam resgatados. Sua herança deve ser a da convivência plural e do internacionalismo e não a competição e o elitismo corporal. É preciso que eles nos apontem para a vida e não para a ilusão.

Na carta aos coríntios, Paulo alude aos jogos, ao lembrar que todos correm, mas um só ganha a taça. Nós, espirituais, devemos correr de forma que todos ganhemos, não uma taça corruptível, mas a coroa imperecível da vitória divina (1 Cor 10).

 

Marcelo Barros é monge beneditino e autor de 30 livros, dos quais: Dom Helder Câmara, Profeta para o nosso Tempo. Ed. Rede da Paz, 2006  – Brasil de Fato.

                              foto livre. ilustração do site.

MUSEU DESAFIA PAPA E MANTÉM ESCULTURA de SAPO CRUCIFICADO

Sapo verde crucificado “fere os sentimentos religiosos de muitas pessoas”, diz Vaticano

Um museu italiano desafiou o papa Bento 16 e se recusou a remover uma escultura de arte contemporânea que mostra um sapo verde crucificado, segurando nas mãos uma caneca de cerveja e um ovo. O Vaticano considerou a peça uma blasfêmia.

A maioria dos membros do conselho do museu Museion, na cidade de Bolzano, decidiu que o sapo é uma obra de arte e continuará na exposição.

Chamada de “Zuerst die Fuesse” (primeiro os pés), o sapo usa um pano verde na área da cintura e está pregado pelas mãos e pelos pés como Jesus Cristo. Uma língua verde pende para fora de sua boca.

O trabalho do artista alemão Martin Kippenberger, morto em 1997, foi exposto na Tate Modern e na Galeria Saatchi, em Londres, e na Bienal de Veneza. Retrospectivas da obra do artista estão programadas para Los Angeles e Nova York.

Autoridades do museu localizado na região ao norte de Alto Ádige disseram que o artista considerava a peça uma ilustração do medo sentido pelos seres humanos.

O papa, que nasceu na Alemanha e recentemente passou suas férias em um lugar perto de Bolzano, obviamente não concorda.

Em nome do papa, o Vaticano escreveu uma carta de apoio a Franz Pahl, líder do governo daquela região e uma das vozes contrárias à escultura.

“Claramente, não se trata de uma obra de arte, mas de uma blasfêmia e de um degradante pedaço de lixo que deixou muitas pessoas indignadas”, afirmou Pahl à Reuters, por telefone, enquanto a diretoria do museu realizava sua reunião.

Na carta, o Vaticano disse que a obra “fere os sentimentos religiosos de muitas pessoas que vêem na cruz o símbolo do amor divino”.

Reuters. 

 

O FREI VOADOR ou o noviço rebelde – por jb vidal

 

 

 

certamente ele queria estar mais próximo da aventura do que de Deus. servir ao Senhor seria aqui, em baixo, na terra, em solo, na igreja.

 

ver o mundo “de cima” como os governos, os poderosos (sic) e quem sabe ver como Deus vê. certamente tudo que lhe vinha aos pensamentos era eletrizante, fascinante, algo que nunca sentira mas imaginara. fantástico. recorde. guines!

 

por que não? e ainda, por algumas horas, perder contato com a realidade dos pobres, dos sofredores que lhe acudiam desde as primeiras horas da manhã, exalando álcool, éter e loucura, outros, desesperança, fome e suicídio.

 

por que não? afastar-se das carpideiras, rezadeiras, puxadoras, não de samba nem de baseado, pior, de ladainhas intermináveis que até os santos se fazem de surdos.

ausentar-se da hipocrisia das senhoras first class xeirando à xanel nº5 das três fronteiras e de seus xás beneficientes onde oferecem mais desfiles e fuxicos do que esmola. de lambuja, se distanciaria, dos candidatos a prefeito e vereador, todos em fila indiana a pedir-lhe os votos de quem comunga, não comunga e excomunga, a benção sagrada sobre aquela urna desgraçada que irá receber os votos, e assim conter um X divino no seu nome.

 

por que não? sentir e ouvir o silêncio total das alturas, usá-lo, respirá-lo, absorve-lo e refletir sobre o que foi vivido até então; distante de tudo o que poderia influenciá-lo, tv, rádio, jornais, senhoras pecadoras, crianças mijadas, mendigos sujos, pecadores que não pecaram, virgens putas, putas santas, homens cínicos, hipócritas, falsos, corruptos que se consideram espertos, pessoas enfim que formam o mar de lama em que convive.

 

por que não? quem sabe essas poucas horas nas alturas fossem o mais importante momento a ser vivido? ser uma ave de arribação, voar a rota completa, ver abismos e penhascos como pontos de descanso, falar e não ser ouvido; quem sabe, de lá, pudesse compreender a humanidade? e, aí, não desejar mais retornar?

 

quem sabe?… por que não?…

 

– soltem os balões!!

 

 

 

 

             arte livre. ilustração do site.

OLIMPÍADAS COMEÇAM EM CASA por cleto de assis

 

 

Nos jogos olímpicos que hoje se encerram, uma pequena ilha do Caribe nos deu uma grande lição. Entre os países americanos, a Jamaica ficou em segundo lugar no ranking olímpico, atrás apenas dos Estados Unidos da América do Norte e à frente do Canadá, do Brasil e de Cuba.  A Jamaica chegou ao final dos jogos em 13º lugar, enquanto os três outros países alcançaram, respectivamente, os 19º, 23º e 28º lugares.

A Jamaica, senhoras e senhores, literalmente isolada no mar caribe, ocupa uma área de apenas 10.991 km2, exatamente a metade de Sergipe, o menor estado brasileiro. Com uma população de 2 milhões e 700 mil habitantes, cem mil a menos do que a nossa Bahia, equivale, portanto, a pouco menos de 1,5% da população brasileira total.

Até o ano de 1940, quando foram descobertas reservas de bauxita naquela ilha, a economia jamaicana era inferior à nossa da época colonial. Lá se vivia apenas da agricultura, que tinha na banana e na cana-de-açúcar seus principais sustentáculos. Além do famoso rum, é claro. Segundo o Banco Mundial, hoje a Jamaica tem um PIB anual de cerca de 20.183 milhões de dólares americanos, enquanto o Brasil alcança um bilhão e 695 milhões. Seu PIB per capita, portanto, ascende a de cerca de US$ 7,500, contra US$ 9,700 do Brasil.

O que nos diferencia, culturalmente, da Jamaica? Nosso inter-relacionamento cultural tem se dado principalmente por meio da música. E muita gente vê na Jamaica uma irmandade com a Bahia, hospedeira do reggae jamaicano como se baiano fosse. Também há identidade entre o sincretismo religioso, igualmente herdado das raízes africanas. As bandeiras de ambos os países têm as cores verde e amarela. E quase nada mais. Ao contrário do Brasil, eternamente administrado ao vai da valsa, isto é, de acordo com os acontecimentos do dia, a Jamaica tem um plano de desenvolvimento que visa o ano de 2030. Isso significa que eles decidiram atingir toda a próxima geração de jamaicanos para que a pequena ilha tropical possa alcançar a coesão social e o desenvolvimento pretendido. Plano de estado e não um simples plano de governo.

A Jamaica ainda pertence à comunidade britânica, mas goza de relativa independência. Deve ter recebido dos ingleses o respeito à educação, o mesmo sentimento que fez prosperar outro filho da Grã-Bretanha, os Estados Unidos da América do Norte.

Os jamaicanos, conforme declarou há alguns dias o seu herói esportivo Usain Bolt, desenvolveram um grande diferencial para poder galgar pódios: determinação e muito trabalho. Aliás, essa determinação foi provada em 1988, quando o pequeno país antilhano, com temperaturas anuais variando entre 25 e 38 graus centígrados, foi representado por quatro teimosos atletas nos Jogos Olímpicos de Inverno de 1988, em Calgary, no Canadá. Eles pilotaram um desengonçado bobsled, trenó de corrida habilmente dirigido por atletas de países que têm neve na porta de casa.

Acredito que muita gente lembra esse fato. Ele foi documentado em um filme dos Estudios Disney, em 1993, dirigido por Jon Turtletaub, Cool Runnings, que no Brasil recebeu o título de Jamaica Abaixo de Zero. Embora o roteiro tenha optado por um clima quase caricato e um pouco fantasioso, o que valeu, na verdade, naquela aventura esportiva, foi a tenacidade dos quatro atletas, que enfrentaram todas as dificuldades para realizar um sonho. Não ganharam prêmios na début olímpico, mas a equipe voltou aos Jogos Olímpicos de Inverno de 1992, na França, terminando em 14º lugar, à frente dos Estados Unidos, da Rússia, da França e da Itália. A equipe de trenó de dois lugares terminou em 10º, batendo a equipe sueca. E a pertinácia valeu: no ano de 2000 eles ganharam sua primeira medalha de ouro nessa modalidade no World Push Bobsled Championships, nos Estados Unidos.

Usain Bolt não comentou, mas o contínuo trabalho para criar atletas, na Jamaica, começa nas escolas, com meninos e meninas. Não foi à toa que o país conquistou seis medalhas de ouro em Pequim, o dobro das medalhas do Brasil, com uma delegação de apenas 57 atletas.

Enquanto isso, nos preparamos, com Pelé de embaixador, para lutar pelas Olimpíadas de 2016. O presidente Lula foi à China, na abertura dos jogos de Pequim, com a missão explícita de defender a nossa candidatura perante o Comitê Olímpico Internacional. E acredita-se que o Brasil tem todas as condições políticas para reclamar a sede de 2016, já que poucas vezes os jogos olímpicos se realizaram no hemisfério sul.

Creio, em princípio, que é muito boa essa candidatura, pois os jogos olímpicos trazem vários benefícios para os países que os sediam. O difícil é acreditar que estaremos preparados, nos próximos oito anos, para levar a cabo tamanha responsabilidade. À exceção dos jogos de 1928, o Brasil participou de todas as demais Olimpíadas realizadas a partir de 1920. Parece que aprendemos pouco sobre o que é a preparação de delegações esportivas para representar o país em eventos que reúnem a nata do atletismo e dos esportes em geral. Não sei do que vive o Comitê Olímpico Brasileiro, mas suas dificuldades financeiras são visíveis e declaradas por seu próprio presidente, apesar de seu ufanismo, quando diz que, de quatro em quatro anos, o Brasil dá saltos para se transformar em uma potência olímpica.

Foi no site do COB que conheci algumas historinhas interessantes sobre essa escalada histórica.  Por exemplo, a melhor performance da equipe brasileira nos jogos olímpicos foi registrada em sua primeira participação, nas Olimpíadas de Antuérpia, na Bélgica, que levavam o número VII. Ficamos em 15º lugar, no ranking final, apesar da exígua representação de 21 atletas. De lá para cá, descemos e pouco subimos. Até mesmo a última, que hoje se encerra com a vitória monumental da China, registra um decréscimo em relação à de Atenas, de 2004,  quando 125 homens e 122 mulheres  fizeram mais dos que os 145 homens e as 132 mulheres de agora. Para quem quiser fazer um estudo comparativo mais apurado, ofereço um quadro resumido da história do Brasil olímpico, que vai ao final dessas considerações não muito breves.

E por falar em história, vejam só o que nos conta o mesmo site do COB (http://www.cob.org.br/) , ao relatar o que se passou com a sofrida delegação brasileira presente nas Olimpíadas de Los Angeles, em 1932:

 Dos 82 atletas (81 homens e uma mulher) que integravam a delegação brasileira enviada a Los Angeles, somente 67 participaram dos Jogos. Para cada passageiro que deixasse o navio Itaquicê, onde viajaram durante um mês, as autoridades locais cobravam um dólar. Como os recursos eram escassos, os organizadores decidiram que só desceriam os que tinham chances de medalha. Em seguida, os integrantes das equipes de pólo aquático, do remo e do atletismo também receberam autorização para desembarcar.

Uma exceção foi aberta por cavalheirismo e a nadadora Maria Lenk, aos 17 anos, foi a primeira sul-americana a participar de uma competição Olímpica. Ela nadou em três provas: 100m livre, 100m costas e 200m peito.

Outra história, em especial, teve um desfecho inusitado. Adalberto Cardoso era um dos que estava impedido de desembarcar, mas escapou do navio rumo ao Estádio Olímpico, a cerca de 19 quilômetros. O atleta chegou a dez minutos do início dos 10.000m e participou da prova com os pés descalços.

A missão enviada a Los Angeles ainda guardou outros detalhes curiosos. Um deles é que o navio em questão estava camuflado de barco de guerra para não pagar pedágio no Canal do Panamá. Não adiantou: ao aportar, inspetores subiram a bordo, verificaram que os canhões eram mera decoração e a delegação teve que arcar com o tributo. Além disso, os porões do Itaquicê transportavam 55.000 sacas de café e os atletas tinham o compromisso de vendê-las nos portos durante as paradas do percurso. Quem não desembarcou em São Pedro para os Jogos, seguiu viagem até São Francisco para encontrar compradores.

Naqueles jogos não conquistamos qualquer medalha, mas poderíamos nos ter auto-premiados com as medalhas do descaso governamental, da pobreza cultural e, para não ficar de fora, do tradicional jeitinho e da corrupção.

Para entender melhor meu aparente pessimismo (que não quer dizer derrotismo), façamos algumas perguntas muitos simples. A primeira é: de onde surgem nossos atletas? Já respondendo, verificamos que a grande maioria dos que se destacam no atletismo nasce de sonhos de superação econômica, nas corridas de pés descalços pelas estradas poeirentas do sertão nordestino ou das periferias das cidades. Outra parte de ocasional incentivo de clubes esportivos ou sociais das grandes urbes. Uma minoria, aquela que participa dos chamados esportes de elite, como o hipismo, a esgrima, a vela e o tiro, de seu autopatrocínio. Muitas vezes, um hobby que se transforma em esporte olímpico.

Outra perguntinha inconveniente: onde estão os antigos jogos colegiais e universitários, que também revelavam craques em várias modalidades? E o esporte nas escolas, ainda existe? Apesar da proliferação dos cursos universitários de Educação Física? Não sei responder em detalhes a essas duas últimas questões, pelo menos no momento e não quero perder muito tempo procurando respostas na Internet. O que me espanta é que, a exemplo de alguns candidatos às próximas eleições de Curitiba, muita gente está reinventando a roda na área esportiva e esparramando pérolas, como aquele que se diz jovem e “criador dos jogos colegiais” (deve ter nascido há muito mais tempo do que ele próprio imagina) e do prefeiturável que quer construir centros de lazer para os jovens das periferias, quando a solução mais simples (que defendo há muito tempo) é fazer de cada escola um centro de convivência social, melhorando e aproveitado as suas estruturas esportivas e culturais para que toda a comunidade circunvizinha aproveite e respeite mais o templo escolar. Ele mesmo não se dá a entender quando afirma que “a prática desportiva deve começar na escola” mas “não há participação das escolas nos jogos escolares” (sic).

E é para ele a outra questiúncula: e as universidades, Magnífico Reitor, onde é que estão? Pois todos sabemos que, nos EUA, as instituições de ensino superior catam atletas até em outros países, concedendo-lhes polpudas bolsas de estudos para enriquecer suas equipes esportivas. Aposto que cada universidade brasileira, pelo menos as federais – as chamadas universidades públicas para as quais as chamadas elites econômicas são mais chamadas – mantêm estruturas esportivas de alto nível e cursos de formação para a área. Mas quantos atletas têm formado? Quais seus legítimos representantes nos jogos olímpicos? Elas valorizam os talentos que surgem nas camadas mais pobres e os atraem para seus bancos escolares? O que vemos é um caminho inverso: o atleta profissional bem realizado é que procura, quase ao final de sua carreira, uma matrícula em um curso de Educação Física para consolidar o status social que conseguiu.

O que eu queria, como brasileiro e não como atleta que não sou (os únicos músculos que utilizo, em matéria de esportes, são os faciais, para mostrar satisfação ou decepção com alguns eventos que assisto pela televisão, além dos glúteos que às vezes se mexem na poltrona), era ver uma revolução educacional e cultural em nosso país nos próximos oito anos, que nos tornasse merecedores de recepcionar os demais países nos ainda virtuais XIX Jogos Olímpicos de Verão (?) do Rio de Janeiro. Com todas as reformas necessárias. Reforma da Educação, da Segurança Pública, da Saúde, dos programas de geração e manutenção de empregos, das condições de moradia, entre as principais. É muito? É o mínimo que podemos querer. Vejam que até a velha Londres está pensando em um programa de múltiplas reformas para 2012.

Embora não seja seu eleitor, me orgulharia muito se pudesse ver o presidente Lula receber, na próxima semana, todos os nossos bravos atletas de Pequim em uma solenidade no Palácio do Planalto (ou no Maracanãzinho, por que não?) e entregar-lhes um diploma de agradecimento pelo muito que fizeram pela representação do Brasil. Com vitórias ou derrotas, com medalhas ou com muito choro.

Gostaria de ouvir, em seu discurso de agradecimento, a notícia de que ele estaria criando a Universidade dos Esportes do Brasil (a Jamaica tem uma), que coordenaria os demais centros de excelência que todas as IES brasileiras, oficiais ou particulares, passariam a montar, já nas próximas semanas, com reformulação dos seus cursos afins e um grande direcionamento para as escolas fundamentais e de segundo grau. Adoraria ouvir dele um convite para que todo atleta que agora volta da China se transformasse em um agente dessa revolução cultural que necessitamos para receber os jogos de 2016. E assumisse, em nome de seus sucessores, companheiros ou não, o compromisso simples e exeqüível de arrumar a casa para poder receber as visitas.

Porque as Olimpíadas devem começar em casa.

 

Curitiba

24.agosto.2004

 

 

ilustração de cleto de assis.

 

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RESUMO HISTÓRICO DA PARTICIPAÇÃO DO BRASIL NOS JOGOS OLÍMPICOS

 

 

Ano: 1920

VII Jogos Olímpicos de Verão

Local: Antuérpia, Bélgica

Posição: 15º

Número de Atletas: 21 homens

Modalidades: Natação, pólo aquático, saltos ornamentais, remo e tiro esportivo

Medalhas:               01 Ouro      Tiro rápido (25m) masculino Guilherme Paraense

                                                                                                                                                            01 Prata           Tiro Pistola livre (50m) masculino Afrânio Costa

01 Bronze Pistola livre (por equipe) masculino – Afrânio Costa, Dario Barbosa, Fernando Soledade, Guilherme Paraense, Sebastião Wolf

 

 

Ano: 1924

VIII Jogos Olímpicos de Verão

Local: Paris, França

Número de Atletas: 12 homens

Modalidades: Atletismo, remo e tiro esportivo

Medalhas:               nenhuma

 

 

Ano: 1928

IX Jogos Olímpicos de Verão Olimpíada

Local: Amsterdã, Holanda

O Brasil não participou, em razão da crise financeira

 

Ano: 1932

X Jogos Olímpicos de Verão

Local: Los Angeles, EUA

Número de Atletas: 66 homens e uma mulher

Modalidades: Atletismo, natação, pólo aquático, saltos ornamentais, remo e tiro esportivo

Medalhas:               Nenhuma

 

Ano: 1936

XI Jogos Olímpicos de Verão

Local: Berlim, Alemanha

Número de Atletas: 88 homens e seis mulheres

Modalidades: Atletismo, basquete, boxe, ciclismo, esgrima, natação, pentatlo moderno, remo, tiro esportivo e vela

Medalhas:               Nenhuma

 

Ano: 1940

XII Jogos Olímpicos de Verão

Não realizada

 

Ano: 1944

XIII Jogos Olímpicos de Verão

Não realizada

 

Ano: 1948

XIV Jogos Olímpicos de Verão

Local: Londres, Grã Bretanha

Posição: 34º

Número de Atletas: 70 homens e 11 mulheres

Modalidades: Atletismo, basquete, boxe, esgrima, natação, saltos ornamentais, hipismo, pentatlo moderno, remo, tiro esportivo e vela

Medalhas:               01 Bronze    Basquete masculino

 

Ano: 1952

XV Jogos Olímpicos de Verão

Local: Helsinque, Finlândia

Posição: 25º

Número de Atletas: 193 homens e oito mulheres

Modalidades: Atletismo, basquete, boxe, esgrima, natação, pólo aquático, saltos ornamentais, futebol, hipismo, levantamento de peso, pentatlo moderno, remo, tiro esportivo e vela

Medalhas:               01 Ouro      Salto triplo masculino – Adhemar Ferreira da Silva

               02 Bronze  Salto em altura masculino – José Telles da Conceição

                                                                  Natação – 1.500m livre masculino – Tetsuo Okamoto

 

Ano: 1956

XVI Jogos Olímpicos de Verão

Local: Melbourne, Austrália

Posição: 25º

Número de Atletas: 47 homens e uma mulher

Modalidades: Atletismo, basquete, boxe, ciclismo, natação, saltos ornamentais, hipismo, levantamento de peso, pentatlo moderno, remo, tiro esportivo e vela

Medalhas:               01 Ouro      Salto triplo masculino – Adhemar Ferreira da Silva

 

Ano: 1960

XVII Jogos Olímpicos de Verão

Local: Roma, Itália

Posição: 40º

Número de Atletas: 80 homens e uma mulher

Modalidades: Atletismo, basquete, boxe, ciclismo, natação, pólo aquático, saltos ornamentais, futebol, hipismo, levantamento de peso, pentatlo moderno, remo, tiro esportivo e vela

Medalhas:               02 Bronze    Basquete masculino

                              Natação – 100m livre masculino – Manuel dos Santos Junior

 

Ano: 1964

XVIII Jogos Olímpicos de Verão

Local: Tóquio, Japão

Posição: 39º

Número de Atletas: 21 homens

Modalidades: Atletismo, basquete, boxe, futebol, hipismo, judô, natação, pólo aquático, pentatlo moderno, vela e vôlei

Medalhas:               01 Bronze    Basquete masculino

 

Ano: 1968

XIX  Jogos Olímpicos de Verão

Local: Cidade do México, México

Posição: 35º

Número de Atletas: 81 homens e três mulheres

Modalidades: Atletismo, basquete, boxe, esgrima, natação, pólo aquático, futebol, hipismo, levantamento de peso, remo, tiro esportivo, vela e vôlei

Medalhas:               01 Prata      Salto triplo masculino – Nelson Prudêncio

               02 Bronze         Boxe – Classe Mosca – Servílio de Oliveira

                                               Vela – Classe Flying Dutchman – Burkhard Cordes e Reinaldo Conrad

 

Ano: 1972

XX Jogos Olímpicos de Verão

Local: Munique, Alemanha

Posição: 41º

Número de Atletas: 84 homens e cinco mulheres

Modalidades: Atletismo, basquete, boxe, ciclismo, natação, futebol, hipismo, judô, levantamento de peso, remo, tiro esportivo, vela e vôlei

Medalhas:               02 Bronze    Salto triplo masculino –  Nelson Prudêncio

                                               Judô – Meio-pesado masculino – Chiaki Ishii

 

 

Ano: 1976

XXI Jogos Olímpicos de Verão

Local: Montreal, Canadá

Posição: 41º

Número de Atletas: 86 homens e sete mulheres

Modalidades: Atletismo, boxe, esgrima, natação, saltos ornamentais, futebol, judô, levantamento de peso, remo, tiro esportivo, vela e vôlei

Medalhas:               02 Bronze    Salto triplo masculino – João do Pulo

                                     Vela – Classe Flying Dutchman – Peter Ficker, Reinaldo Conrad

 

Ano: 1980

XXII Jogos Olímpicos de Verão

Local: Moscou, União Soviética

Posição: 18º

Número de Atletas: 94homens e 15 mulheres

Modalidades: Atletismo, basquete, boxe, ciclismo, natação, saltos ornamentais, ginástica artística, judô, levantamento de peso, remo, tiro com arco, tiro esportivo, vela e vôlei

Medalhas:               02 Ouro      Vela – Classe 470 masculino – Eduardo Penido e Marcos Soares

                                     Vela – Classe Tornado – Alex Welter e Lars Björkström

                              02 Bronze    Salto triplo masculino – João do Pulo

Natação – Revezamento 4x200m livre masculino – Cyro Delgado, Djan Madruga, Jorge Fernandese e Marcus Mattioli

 

Ano: 1984

XXIII Jogos Olímpicos de Verão

Local: Los Angeles, EUA

Posição: 19º

Número de Atletas: 129 homens e 22 mulheres

Modalidades: Atletismo, basquete, boxe, ciclismo, natação, natação sincronizada, pólo aquático, saltos ornamentais, futebol, ginástica – artística e rítmica -, hipismo, judô, remo, tiro com arco, tiro esportivo, vela e vôlei

Medalhas:               01 Ouro      Atletismo – 800m masculino Joaquim Cruz 

05 Prata    Futebol masculino

                              Judô Meio-pesado masculino – Douglas Vieira

                              Natação – 400m medley masculino – Ricardo Prado

                              Vela – Classe Soling – Daniel Adler, Ronaldo Senfft e Torben Grael

                              Voleibol masculino

               02 Bronze         Judô – Leve masculino  – Luís Onmura

                              Judô – Médio masculino – Walter Carmona

 

Ano: 1988

XXIV Jogos Olímpicos de Verão

Local: Seul, Coréia do Sul

Posição: 19º

Número de Atletas: 135 homens e 35 mulheres

Modalidades: Atletismo, basquete, boxe, ciclismo, esgrima, natação, natação sincronizada, saltos ornamentais, futebol, ginástica artística, hipismo, judô, levantamento de peso, lutas, remo, tênis, tênis de mesa, tiro com arco, tiro esportivo, vela e vôlei

Medalhas:               01 Ouro      JudôMeio-pesado masculino – Aurélio Miguel                

02 Prata    800m masculino – Joaquim Cruz

                      Futebol masculino

03 Bronze  200m masculino – Robson Caetano

                      Vela – Classe Star – Nelson Falcão e Torben Grael

                      Vela – Classe Tornado – Clínio de Freitas e Lars Grael

 

Ano: 1992

XXV Jogos Olímpicos de Verão

Local: Barcelona, Espanha

Posição: 25º

Número de Atletas: 146 homens e 51 mulheres

Modalidades: Atletismo, basquete, boxe, canoagem, ciclismo, esgrima, natação, natação sincronizada, saltos ornamentais, ginástica – artística e rítmica -, handebol, hipismo, judô, levantamento de peso, lutas, remo, tênis, tênis de mesa, tiro com arco, tiro esportivo, vela e vôlei

Medalhas:               02 Ouro      Judô – Meio-leve masculino – Rogério Sampaio

                                               Voleibol masculino

               01 Prata    Natação – 100m livre masculino  – Gustavo Borges

 

Ano: 1996

XXVI Jogos Olímpicos de Verão

Local: Atlanta, EUA

Posição: 25º

Número de Atletas: 159 homens e 66 mulheres

Modalidades: Atletismo, basquete, boxe, canoagem, ciclismo, natação, futebol, ginástica artística, handebol, hipismo, judô, levantamento de peso, remo, tênis, tênis de mesa, tiro esportivo, vela e vôlei – de quadra e de praia

Medalhas:               03 Ouro      Vela – Classe Laser masculino – Robert Scheidt

                                               Vela – Classe Star – Marcelo Ferreira e Torben Grael

                                               Volei de Praia feminino – Jacqueline Silva e Sandra Pires

               02 Prata    Basquetebol feminino

                              Natação – 200m livre masculino – Gustavo Borges

                                               Volei de Praia feminino – Adriana Samuel e Mônica Rodrigues

09 Bronze  Revezamento 4x100m masculino – André Domingos, Arnaldo Oliveira, Edson Luciano Ribeiro e Robson Caetano

               Futebol masculino

                      Hipismo – Saltos por equipe  – Álvaro Affonso de Miranda Neto (Doda), André Johannpeter, Luiz Felipe Azevedo e Rodrigo Pessoa

               Judô – Meio-leve masculino – Henrique Guimarães

               Judô – Meio-pesado masculino – Aurélio Miguel

               Natação – 100m livre masculino – Gustavo Borges

               Natação – 50m livre masculino – Fernando Scherer (Xuxa)

               Vela – Classe Tornado – Kiko Pelicano e Lars Grael

               Voleibol feminino

 

Ano: 2000

XXV Jogos Olímpicos de Verão

Local: Sidney, Austrália

Posição: 52º

Número de Atletas: 111 homens e 94 mulheres

Modalidades: Atletismo, basquete, boxe, canoagem, ciclismo, esgrima, natação, natação sincronizada, saltos ornamentais, futebol, ginástica – artística e rítmica -, handebol, hipismo, judô, levantamento de peso, remo, taekwondo, tênis, tênis de mesa, triatlo, vela e vôlei – de quadra e de praia

Medalhas: 06 Prata   Revezamento 4x100m masculino André Domingos, Claudinei Quirino,                    Edson Luciano Ribeiro, Vicente Lenilson  

                                      Judô Leve masculino – Tiago Camilo 

                              Judô – Médio masculino – Carlos Honorato

                              Vela – Classe Laser masculino  – Robert Scheidt

                              Volei de Praia feminino – Adriana Behar e Shelda

                              Volei de Praia masculino – Ricardo e Zé Marco

         06 Bronze Basquete feminino

Hipismo – Saltos por equipe Alvaro Affonso de Miranda Neto (Doda), André Johannpeter, Luiz Felipe Azevedo, Rodrigo Pessoa

Natação – Revezamento 4x100m livre masculino Carlos Jayme, Edvaldo Valério, Fernando Scherer (Xuxa) e Gustavo Borges

       Vela – Classe Star – Marcelo Ferreira e Torben Grael

Volei de Praia feminino – Adriana Samuel e Sandra Pires

Voleibol feminino

 

Ano: 2004

XXVI Jogos Olímpicos de Verão

Local: Atenas, Grécia

Posição: 16º

Número de Atletas: 125 homens e 122 mulheres

Modalidades: Atletismo, basquete, boxe, canoagem, ciclismo, esgrima, futebol, ginástica – artística e rítmica, handebol, hipismo, judô, lutas, natação, natação sincronizada, pentatlo moderno, remo, saltos ornamentais, taekwondo, tênis, tênis de mesa, tiro esportivo, triatlo, vela, vôlei – de quadra e de praia

Medalhas:               05 Ouro      Hipismo – Saltos  – RodrigoPessoa

Vela – Classe Laser masculino – Robert Scheidt

Vela – Classe Star – Marcelo Ferreira e Torben Grael

Volei de Praia masculino – Emanuel e Ricardo

Voleibol masculino

               02 Prata    Futebol feminino

                                               Volei de Praia feminino – Adriana Behar e Shelda

03 Bronze  Maratona masculino – Vanderlei Cordeiro

                      Judô – Leve masculino – Leandro Guilheiro

                      Judô – Meio-médio masculino – Flavio Canto

 

Ano: 2008

XXVII Jogos Olímpicos de Verão

Local: Pequim, China

Posição: 23º

Número de Atletas:   145 homens e 132 mulheres

Modalidades: Atletismo, basquete, boxe, canoagem, ciclismo, esgrima, futebol, futebol feminino, ginástica artística, ginástica rítmica, halterofilismo, handebol, hipismo, judô, luta livre, nado sincronizado, natação, pentatlo moderno, remo, taekwondo, tênis, tênis de mesa, tiro, tiro com arco, triatlo, vela, vôlei de quadra e de praia

Medalhas:               03 Ouro      Salto em distância feminino – Maurren Higa Maggi

                                               Natação – 50m livre masculino – César Cielo

                                               Voleibol feminino

               04 Prata    Futebol feminino

Vela – Classe Star – Bruno Prada e Robert Scheidt

       Voleibol masculino

08 Bronze  Futebol masculino

                      Judô – Leve feminino – Ketleyn Quadros

                      Judô – Leve masculino – Leandro Guilheiro

                      Judô – Meio-médio masculino – Tiago Camilo

                      Natação – 100m livre masculino – César Cielo

                      Tekwondo – > 67kg feminino – Natalia Falavigna

                      Vela – 470 feminino – Fernanda Oliveira e Isabel Swan

                      Volei de Praia masculino – Emanuel, Ricardo

 

Quadro das Medalhas do Brasil em todas as Olimpíadas

 

20 medalhas de ouro

25 medalhas de prata
46 medalhas de bronze


Colocação geral do Brasil no quadro de medalhas dos Jogos Olímpicos: 37º

 

Fontes: http://www.cob.org.br/    http://www.quadrodemedalhas.com/

 

 

 

 

 

 

 

 

AROLDO MURÁ G. HAYGERT lança seu livro “VOZES do PARANÁ – RETRATOS DE PARANAENSES” no PALACETE DOS LEÕES – ESPAÇO BRDE

LEMINSKI:HOMENAGEM DO SITE AO SEU ANIVERSÁRIO COM POEMA DO CARTUNISTA SOLDA

o escritor e poeta paulo leminski, o artista visual rogério dias e o cartunista y otras cositas luiz solda. foto de francisco kava que também já entregou as moedas para o barqueiro.

         vai

        meu amigo

        desta vez

        eu não vou contigo

 

        a morte

        é um vício

        muito antigo

        só que nunca

        aconteceu comigo

 

        pode ir

        que eu não ligo

        eu fico por aqui

        separando

        o tijolo do trigo

 

        (7/6/89)

 

SOLDA

 

GETÚLIO VARGAS: HÁ 54 ANOS A MESMA REAÇÃO DE HOJE “SUICIDARAM” O GRANDE PRESIDENTE

CARTA TESTAMENTO DO PRESIDENTE GETÚLIO VARGAS

24 de agosto de 1954

     Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se novamente e se desencadeiam sobre mim.

     Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes. Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao Governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculizada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente.

     Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores de trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançaram até 500% ao ano. Na declaração de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia a ponto de sermos obrigados a ceder.

     Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo a mim mesmo, para defender o povo que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida. Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no meu pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão. E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate.

     Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história

Getúlio Vargas

 

 

o estadista gaúcho GETULIO VARGAS em sua estância em São Borja no Rio Grande do Sul. (1950).

 

você ouve a Carta Testamento com música de Villani-Cortes (parte I):

 

você ouve a parte II da Carta:

Rumorejando, (Assustado com uma inflação avançando).

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I (“Poesia”, dedicada aos jovens da atualidade).

Era um sujeito empírico

Metido a satírico.

Livro, nunca havia lido

Sem, da vista, ter sofrido.

O máximo era ler gibi

Que fazia desde guri.

E nisso estacionou.

Um dia se enamorou.

Por uma jovem formosa

Que lembrava um botão de rosa.

Ela era exatamente o inverso:

Tanto em prosa como em verso,

Lia com sofreguidão de tudo

Mesmo aquele livro maçudo

Que no cara daria arrepio.

Afinal, ele era vazio!

E ela se deu conta na hora

E mandou ele embora.

“Vá pastar”, ela exclamou

Ele de dor quase gritou,

Quase soltou um urro.

“Quando fala parece um zurro.

Seu burro!”

Ele ficou casmurro.

“Você só dá na gente enfado!

Seu abobado.”

Coitado!

Constatação II (Quadrinha didática de mau exemplo).

Cada um se serviu regiamente

Três baitas pratos de feijoada.

Aí, foram pro motel ali em frente.

Quase acaba mal a patuscada*.

*Patuscada = 1. reunião festiva para comer e beber

2. folia animada, divertida e barulhenta; pândega, farra (Houaiss).

Constatação III

Rico sempre é bem-vindo; pobre, é malvisto.

Constatação IV (Reminiscências).

Quando os cursinhos, a fim de preparar candidatos para enfrentar essa excrescência que se chama vestibular, eram específicos para os cursos de engenharia e medicina, por exemplo, no do Dom Bosco havia uma turma de 70 rapazes e uma única moça para o de engenharia. Evidentemente que os tiques e o vocabulário dos rapazes, mesmo que a vestibulanda assim não o desejasse, acabaram se incorporando ao seu. O palavreado nos dias de hoje, então, nem falar: cheio de gírias, ainda que mais, digamos, espontâneo, nem por isso, para a velha geração, muito mais passível de enrubescimento. Um dia a moça entra na sala e, já da porta, grita para os mais íntimos: “Gente! ‘Sentei’ em física”…

Constatação V

Rico é sempre imune a…; pobre é sempre suscetível a…

Constatação VI (De uma dúvida crucial).

Será que as sogras, quando assistem as novelas elas torcem em favor dos vilões?

Constatação VII

Foi o jovem padreco

Que no sermão,

Por um momento,

Usou baixo calão

Ao se referir ao paramento

Como aquele treco?

Constatação VIII

E foi a macaca

Que fez fuxico

Com a comadre,

Soltando a matraca

Que o compadre,

O seo Mico,

Com cara de panaca,

Andava de banzé

Com uma jovem chipanzé?

Constatação IX

E foi o polvo,

Num baita revolvo

Deu um amasso,

Ao agarrar a polva,

Que transcendia perfume,

Com seus tentáculos,

Que pareciam aço

Dando espetáculos,

A tardinha,

A um cardume

De sardinha

Que por ali passeava,

E alguém gritava:

“Que ninguém se envolva.

Essa coisa indecente,

Com tanto pé e mão

Enroscado,

Embaralhado

Algum beliscão

Pode sobrar pra gente”.

Constatação X (Pseudo-haicai).

Em lugar onda há futrica

Muita gente curiosa

Não arreda o pé. Fica…

Constatação XI

Ficou a má lembrança:

O truco aquela vez:

Foi uma lambança,

Uma sordidez

Na última carteada

Apareceu naquela jogada

O mesmo três,

Um ilustre conhecido,

Que, na primeira, já havia saído.

Constatação XII

Rico faz charminho; pobre c. doce

Constatação XIII (Quadrinha para ser recitada aonde mais convém).

Perdi minha lapiseira,

Mas não me importei.

Eu só escrevia asneira

Como certo decreto-lei.

Constatação XIV

Deu na mídia: “Maradona é comunista da boca para fora, afirma Chilavert, o ex-goleiro da seleção paraguaia”. Data vênia, como diriam nossos juristas, mas será que alguém poderia ser comunista da boca pra fora, pra dentro, pro lado, pra cima ou pra baixo, mormente, no tempo das ditaduras da Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile, Brasil, Nicarágua, República Dominicana para citar as mais, digamos, recentes?

Constatação XV

Rico faz sacrifício; pobre, esforço.

Constatação XVI (Passível de mal-entendido).

Ela vivia mergulhada tanto nos seus pensamentos de casar com seu namorado, um oficial da marinha, que até passou a sofrer de enjôo.

Constatação XVII (Matemática meio confusa).

O candidato que semeia discórdia na cúpula do seu partido político é capaz de colher a simpatia do partido rival e a antipatia no seu próprio partido. Portanto, diretamente proporcional num caso e inversamente proporcional noutro.

Constatação XVIII

E como ponderava o obcecado: “Eu gosto muito de tirar a minha roupa. Mormente depois de ter tirado a dela”.

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br

 

 

foto livre. ilustração do site. FRUTOS DO MAR DE POBRE.

DEBATE: TENTANDO RECONSTRUIR A HISTÓRIA DO BRASIL

Parte da história do Brasil está em debate.

 

O Ministério Público Federal, por meio de uma ação pública conduzida pelos procuradores Marlon Alberto Weichert e Eugênio Fávero, pede a reinterpretação da lei de Anistia. A idéia é que o coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, responsável pelo comando do DOI-Codi, em São Paulo, nos anos 70, seja responsabilizado pela tortura, morte e desaparecimento de mais de 60 pessoas.

A lei de Anistia de 1979 diz que estão isentos de responsabilidades as pessoas que cometeram crimes políticos ou conexos. Ustra não reconhece os crimes que cometeu. No entanto, o coronel usa do argumento que a tortura e os desaparecimentos ocorridos poderiam ser interpretados como crimes políticos ou conexos.

Em entrevista à Radioagência NP, o procurador Marlon Alberto Weichert explica que o argumento utilizado pelo coronel não é válido, e afirma que a responsabilização dos torturadores da ditadura militar e a abertura dos arquivos sobre o período, são fatores essenciais para que o Brasil conheça seu passado e se consolide como uma República democrática.

Radioagência NP: Porque não se pode enquadrar a tortura, assassinato e outros crimes como “conexos”?

Marlon Alberto Weichert: Essa figura de conexão entre crime praticado entre aqueles que se voltam contra o Estado e aqueles que defendem o Estado não existe. Não existe essa possibilidade, se considerar uma conexão, pela essência do crime, entre aquele que atenta contra o Estado e aquele que depois pratica um crime para justamente punir ou reprimir os crimes que pelos primeiros foram praticados. Tão pouco pode se dizer que crimes praticados pelos agentes do Estado são crimes políticos ou por motivação política. Porque os crimes políticos ou por motivação política precisam ter um elemento que se caracteriza pela intenção de você querer ir contra o poder público e, no caso, os agentes da repressão não queriam ir contra o poder público e sim, defender a ideologia e o governo vigente. Então tecnicamente não é possível de forma alguma caracterizar os crimes dos agentes da repressão como crimes conexos aos políticos.

RNP: Você diz que sem a abertura dos arquivos da ditadura “a sociedade não poderá reger sua vida civil e política de forma adequada”. Explique melhor isso.

M.A.W: Se você suprime da sociedade civil o acesso da memória do país, você está suprimindo do povo a possibilidade de conhecer os erros e os acertos que foram praticados no passado, e a partir dessa análise, adotar decisões pro futuro. Não podemos não pode esquecer que o poder é do povo e para você exercer um poder, você precisa conhecer a matéria pertinente ao exercício dessa faculdade de participar do poder. Como é que eu posso trabalhar para o futuro se eu não conheço o passado. Assim nós acabamos todos sendo meros fantoches e coadjuvantes em um processo onde deveríamos ser os protagonistas.

RNP: As ações civis que são encabeçadas pelas famílias das vítimas de tortura no DOI-Codi, pedem que o coronel Ustra apenas reconheça que participou dos crimes. Isso seria o primeiro passo para depois poder punir essas pessoas criminalmente. Mas como fornecer provas para responsabilizar pessoas por crimes que aconteceram há cerca de 30 anos?

M.A.W: Isso tem que ser analisado caso a caso. Mas existem muitas provas de que Carlos Alberto Brilhante Ustra era o comandante de um centro de tortura em São Paulo e que sob o seu comando e com base na sua omissão, se praticavam torturas e homicídios naquele lugar. Então ele [ao se omitir], assume a responsabilidade criminal sobre aqueles atos. Então uma condenação criminal de Ustra não é uma matéria de prova difícil. Há dezenas de depoimentos de pessoas que foram torturadas no DOI-Codi e que tiveram a presença dele, durante a sessão de tortura. Disso não há a menor dúvida, pois está reconhecido no próprio relatório da presidência da república sobre o direito à memória e à verdade.

RNP: Mas os casos de homicídio no Brasil têm que ser julgados em um prazo de até 20 anos. Como fica isso? Já que esses atos foram cometidos há cerca de 30 anos.

M.A.W: Isso é a questão da prescrição. Mas ocorre que quando agente do Estado, por orientação do governo praticam, de forma ampla e repetitiva, a perseguição de algum segmento da população civil, isso é se caracteriza como crimes contra a humanidade. E crimes contra a humanidade, por definição, eles não estão sujeitos a esse tipo de delimitação temporal, que é da prescrição. Então pode passar quanto tempo for que essas pessoas ainda poderão ser punidas.

RNP: Figuras como o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, se manifestaram contra a retomada sobre o debate da revisão da lei de Anistia. Em sua opinião, a que se deve isso?

M.A.W: No Brasil há certo apego à cultura do esquecimento. Só que esquecimento não constrói futuro e esquecimento não permite reconciliação, pois perdoar pressupõe conhecer e então poder perdoar. A ONU aponta que é necessário um conjunto de medidas para que um país que viveu um regime autoritário consolidar um regime democrático, que é responsabilizar aqueles que gravemente violaram os direitos humanos e reparar as vítimas. O Brasil só reparou as vítimas até hoje, mas não tomou as demais medidas. Nós temos a certeza de que quando um ministro do STF manifesta um entendimento, trata-se de um entendimento precário e provisório. Porque ele precisa ter a isenção de quando chegar o processo em suas mãos, ele não pode ter pré-julgado a causa, sob pena inclusive de ficar impedido de participar do julgamento.

 

 Radioagência NP, Juliano Domingues.

“FINAL DO MES” peça de alexandre frança no TEATRO GUAÍRA (auditório)

Sinopse

 

Uma mãe + uma filha que depende desta mãe + uma dívida de R$ 6.000,00, esta é a fórmula utilizada na nova produção da Dezoito Zero Um – Cia de teatro, que vem apresentar um novo olhar sobre a relação de pais e filhos.

 

Depois do sucesso de crítica e público de sua produção anterior (“Um Idiota de Presente”, texto escrito em homenagem a Dostoievski), a Cia quer agora apresentar ao público um olhar sobre a questão financeira no seio da classe média brasileira, utilizando como mote a relação de dependência entre uma mãe e uma filha.

 

No elenco, a consagrada e premiada atriz paranaense Claudete Pereira Jorge contracena com sua filha na vida real Helena Portela. Aqui, mais do que nunca, a interpretação alça vôos de uma realidade marcante.

 

Numa montagem que reúne elementos tanto do teatro do absurdo, quanto do naturalismo típico em comédias de costume, “Final do Mês” quer, de uma forma bem humorada, dialogar o valor do dinheiro nas relações afetivas do mundo contemporâneo.

 

Ficha técnica

 

Elenco: Claudete Pereira Jorge e Helena Portela

Texto e Direção: Alexandre França

Cenário e Figurino: Paulo Vinícius

Luz: Karol Gubert

Trilha: Carlito Birolli, Cauê Menandro e Mazzarolo

Produção: VM Produções

Dezoito Zero Um – Cia de Teatro

Duração: 60 min

Classificação: 14 anos

 

 

De 14 a 31 de agosto de 2008

Mini-Auditório do Teatro Guaíra

Quinta, sexta e sábado às 21h00

domingo às 19h00

Ingressos: R$20,00 inteira e R$10,00 meia

MARCO POLO E A CIDADE DAS MUITAS LINGUAS de frederico fullgraf

“Em seus cálculos o mestre-contador de Kublai Khan estimara sessenta luas-novas sem notícias do mercador de Veneza. Mas agora ele estava de volta, certamente abastecido de estórias. Mal disfarçando sua impudica curiosidade, o imperador parecia sentado sobre espinhos; tanto que se movia sobre a almofada de seda de Sezuan, ornada com delicados apliques de bambu. Estava impaciente, tinha confiado sua filha Cocacin à escolta de Marco Polo por mares do Índico e queria saber se Ilkhan Arghun se revelara marido digno dela.

 

“Contudo, naquele primeiro final de tarde após sua jornada ao Levante, o loquaz Marco parecia estranhamente amofinado; atitude na qual o Khan percebeu-lhe alguma dissimulação, pois o italiano irradiava uma esquisita, mas luminosa expressão. Luzimento potenciado pelo céu, que ardia em cores alaranjadas e púrpuras, e pelo perfume de romãs maduros, do jardim onde aves do paraíso alvoroçadas com o poente, gorjeavam o anúncio da noite”.

 

“Fingindo-se absorto, o viajor ensaiava a elipse que lhe permitiria circunavegar com cautela o motivo de sua excitação; que não resultava de sua viagem, mas era segredo que estava escondido naquele palácio. Observando-o de soslaio, o Grande Khan não se conteve: partiste com a promessa de falar-me das cidades da Pérsia, que horror te aflige, firengi? Hábil, com uma nesga de ironia, o veneziano engatou uma charada: ó Grande Kublai, dizei-me onde fica a “gruta do Tigre Branco” e contar-vos-ei minha aventura.

 

“Gabola, o soberano divagou sobre fantasiosa geografia, mas o mercador atalhou a pimponice, alcançando-lhe o prato de fina porcelana chim com as fragrantes tâmaras de Hormuz. E reincorporado, pareceu içar velas, pondo em movimento a barca da narrativa. Partindo de Quanzhou, fundeara em terras com nomes tão melodiosos como aromáticos seus tabacos, balsâmicas suas essências e perfumosas as suas mulheres – Sumatra, Sri Lanka, Mylapore, Madurai e Alleppey… Depois os litorais do Indh, por Gujarat, e finalmente  a Pérsia.

 

“Aqui o impaciente Khan interrompeu-o, chasqueando que estava farto de relatos sobre ´cidades invisíveis´ como Antioquina, Teodósia, Cleopatrópolis e italianices quetais (e a propósito: desde quando se interessava por mulheres?). Mas o veneziano prosseguiu imperturbável: na volta navegara por mares bizarros e escaldantes, feitos de areia. Rumando para a Costa do Ouro, transportara-se sobre a corcova de camelos, entre a Somália e o Magreb. Kublai considerou perfunctória a cartografia, então o veneziano o desafiou com novo entrecho, de enviesada concupiscência: e o que é “mergulhar às pérolas”, ó onisciente Khan?

 

Isto não pode ser!, interrompeu, insolente, Italino Calvo, afastando-se bruscamente da fogueira noturna, em torno da qual se reunia com copistas da milenar Biblioteca. Ao silente dervixe da madrassa de  Sankore, que media .o relato, não escapou na reação do italiano, a defesa contra alguma insondável estocada.  Mas antes que o irritado Calvo, há décadas aferrado às andanças de seu conterrâneo, que agora o faziam aportar nas areias abrasadas do Mali, cobrasse aclarações, o mais velho dos escribas brandiu na mão direita um pergaminho aos frangalhos: o Urbi Multilinguae. Como isto era possível, se este texto jamais fora citado em Il Milione? Calvo amuou-se desconfiado.

 

Preguiceiro, um dos copistas reacendeu seu cachimbo com um graveto em brasas e bafejou: segundo os tuaregs o pergaminho fora roubado de um galeão italiano em Darfur, alcançando Timbuktu, este porto faiscante do imenso Saara, no lombo de dromedários. E aqui escondido, como tantos outros manuscritos – este, no entanto, por ser considerado ultrajante, blasfemo, advertiu; e os mocelemanos se entreolharam, não sem ironia, estendendo-lhe o escrito.

 

Calvo lê, mas desconfia de seus próprios olhos. “Distraído pela súbita presença da cortesã que lhes serve o chá (cujas curvas intui sob as dobras do sári e cujo perfume almiscarado, gotejando dos seios fartos, lhe inebria os sentidos), Marco Polo fixa o horizonte, como se buscasse no céu as coordenadas para seu piloto. Respira fundo e diz com entonação de indiferença protocolar: não perdi tempo com o comércio do sal, do marfim e do ouro. Me desviei do curso e fui obrigado a “lamber a macaca”… A fazer o quê?, insiste o Khan, com olhos esbugalhados. Isso mesmo, responde Marco: abocanhar a “crista da concha púrpura” na Terra Santa, se é que me entende. Meca!, redargüiu Kublai. Não, Jerusalém, devolveu Marco, o cristão.

 

“Aborrecido com o relato cacete de Marco, o Khan gritou a um eunuco usbeque que lhe devolvesse a almofada atirada escada abaixo. O veneziano desviou seu olhar impaciente, e puxando da algibeira um pergaminho empoeirado, estendeu-o, desafiador: שררך אגן הסהר אל יחסר המזג ! Que língua era aquela, rosnou o desconsolado Khan. Surpreender-vos-eis com a  l í n g u a, troçou Marco, e Kublai pareceu ouvir uma vaga menção ao Cântico dos Cânticos.

 

Mas isto é um texto apócrifo, protesta Calvo, e escrito em francês arcaico, língua que Polo não falava – correto, infere o capcioso Sidi Ahmad, mas  ditou-o a Rustichello da Pisa, na prisão, durante a batalha de Curzola. Aliás, seu herói não será croata?,  alfineta o muçulmano. Dizem que veio ao mundo naquela ilha de Korčula – ou Curzola, como queira. Absurdo, brada Calvo, se ele nasceu em Veneza! O mouro se diverte, mas Calvo cala-se e lê.

 

“O autor do poema descreve uma coisa movendo-se das sandálias acima, pelo ventre, até os seios da amada, notou Marco. Quê coisa?! insiste o Khan. Espere, desconversa Marco: há nesta geografia um ponto que o faz perder a cabeça: Seu umbigo é uma cratera arredondada, jamais vaza o vinho amalgamado´. Pois o original nos fala de shor, Grande Khan, termo hebreu que deriva do Aramaico, significando ´lugar secreto´ – muito sugestivo, não lhe parece? Então a expressão do Khan fechou-se: quereis dizer-me que viajastes por meio mundo para contar-me que vos submetestes ao miserável ritual de nossa velha imperatriz Wu Hu, mulher satânica!

 

Sem dúvida o texto estava impregnado da tagarelice de Polo, vaticinou Calvo, mas neste ponto a narrativa se interrompia bruscamente, remetendo para algo de versão não autorizada, como se tivesse sido narrada em of, depois anotada de memória, alternando o narrador – uma cilada de Rustichello?

“Contou-me Polo cousas que parecem inventadas, números assombrosos, até mesmo o mundo do pecado: dentro das muralhas de Khanabalik ele contou 20 mil prostitutas, tratadas com respeito pela corte e o povo… Como que adivinhando por onde se movia a narrativa, Sidi Ahmad fixou Calvo, fez um beiço lúbrico e bombardeou-o com uma saraivada da ponta da língua –  indecência que não escapou ao dervixe e respondida obliquamente: Mansa é a palavra do Profeta, Allá esteja com ele!, ferina é apenas a língua dos homens!

 

“Embora Chabi fosse a prima-dona que trouxera os mestres budistas do Tibet à corte, Kublai tinha quatro esposas e numerosas concubinas dentro do palácio. Sendo que trinta delas eram escolhidas todos os anos entre as mais belas moças de Kungurat; segundo Polo a província famosa bela beleza de suas mulheres. Já os pais dessas moças consideravam a escolha de suas filhas como concubinas do Khan, motivo da maior felicidade.

 

Entediado com as alcoviteirices Calvo olhou o céu estrelado do Saara, colocando de lado o pergaminho pegajoso. Lascivo, o mal-educado Sidi Ahmad perguntou-lhe se tinha entendido todas aquelas “línguas”. Trazido de volta à realidade pela cusparada de um camelo, o distraído escritor latino entendeu a ironia e então sobreveio a apoteose:

 

“Segredou-me Polo que por ele se enrabichara Khutulun, sobrinha do Khan, que descreve tão brava e forte, que em todo o exército de seu pai não havia homem que lhe fosse páreo. Seus pais estavam preocupados porque até a idade dos 23 anos não se casara. Mas ela advertiu que só consentiria num casamento, se fosse vencida em combate por algum jovem que lhe desse 100 cavalos em garantia. Era tão imbatível guerreira que em pouco tempo amealhou 10 mil cavalos. Seu último pretendente lhe deixara 1 mil cavalos e retirara-se humilhado. Até seu caminho cruzar-se com o do veneziano, que guerreiro não era, mas bem dotado de outras virtudes”.

 

Apertando a ponta de seu punhal contra minha jugular, exigindo-me juramento de silêncio, disse-me o mercador que cometera traição à confiança do imperador, desonra que lhe teria custado a degola. Fingindo constrangimento, desenhou no ar as curvas do corpo adestrado da mongol e disse, extasiado: Kothulum ergueu suas faldas imperiais, debaixo das quais não vestia quaisquer calçolas, abriu suas coxas flavescentes e fez-me ajoelhar, pressionando minha boca contra seu fruto, já encharcado. Forçou-me a cabeça com as duas mãos, arquejou sobre meus lábios, murmurou coisas que não eram Mandarim nem Mongol, mais se assemelhavam a onomatopéias das cavernas, asseguro-lhe. E então, a apoteose: seu pajem ordenou-me que escrevesse com minha língua as letras do alfabeto sobre o “pico da concha púrpura”; como chamam aquela protuberância. Já sentindo cãibras, no meio da letra “o”, que é o próprio infinito, ela revirou os olhos e inundou minha boca com furiosa arrebentação de mar salgado…

 

Não acredito! praguejou Calvo e Sidi Ahmad disse apenas: pode crer! E então o italiano leu em voz alta o último parágrafo do pergaminho: “Elas (as línguas, suponho) parecem querer nos dizer que paremos de comparar medidas tolas, que o tamanho de uma língua não passa de meio palmo e seu peso não excede duas onças”, conclui Marco, com olhar debochado para Rustichello: “a língua de que falo, não é como o falo, é músculo, muito manobrável, que nunca chega cedo demais (aqui Rustichello confessa ter enrubescido). “Em outras palavras: o importante não é a carne, mas o movimento”. Dito isto, Calvo e Sidi calaram, cingidos pelo primeiro clarão da lua, que emergia por trás das dunas.

 

                             selo comemorativo. ilustração do site.

 

A RELIGIÃO DA ARTE DE WILLIAM BLAKE por flávio calazans

 

 William Blake é um artista que hoje nós chamaríamos de multimídia. Versátil e eclético, tal qual Leonardo Da Vinci, Göethe e outros, Blake não se deixava restringir por preconceitos estéticos.
Blake nasceu em 28 de novembro de 1757 em Londres, expressou suas idéias por desenhos, pinturas, gravuras, poesias, prosa, etc; mesclando a produção simbólica do cérebro esquerdo com as imagens do cérebro direito.
Seu profundo conhecimento esotérico ajudou-o a compreender e expressar sua intuição mística com uma obra híbrida de imagens, palavras e cores que transmitem bem suas visões.
Aos 12 anos escreveu o livro “Esboços Poéticos”.Lia clássicos ocultistas como Paracelso, Jakob Boheme, Swedenborg, Gnósticos, Filosofia, Literatura, etc…
Blake revolucionou as técnicas de gravura com um método à base de cera e ácido em placas de bronze, coloridas à mão com aquarela.
Em 1782 casou-se com Catherine Boucher, filha de um jardineiro e analfabeta. Ele a ensinou a ler, escrever e pintar, e ela passa a ajuda-lo a colorir manualmente as gravuras, tornando-se sua admiradora apaixonada por toda a vida.
Um visitante intelectual encontrou Blake e Catherine nus no quintal da casa, lendo trechos de “Paraíso Perdido” de Milton, um para o outro, representando Adão e Eva.
Suas imagens mágicas refletem sua rica vida interior, inspiração visionária que o leva a auto-editar dois livros: “Cantos da Inocência” (1789) e “Cantos da Experiência” (1794), cada exemplar colorido à mão e diferente dos outros.
Quem teve a oportunidade de manusear estes originais afirma ter experimentado uma experiência estética e mística indescritível!
O texto e o desenho juntos lembram a arte taoísta chinesa, o E-Makimono japonês, as filacteras sacras medievais das catedrais e as nossas histórias em quadrinhos, uma linguagem de mistura de códigos, intermídia, intersemiose, meio poesia concreta, só que tudo, duzentos anos antes!
Os aforismos lembram haikais e arte calígrafa chinesa, e cabalisticamente, Blake explicou:      “Arte é a árvore da vida”.
Seus livros proféticos são de um misticismo altruísta, social, defende a Revolução Francesa e critica a miséria e exploração até de crianças, pela revolução Industrial inglesa, sendo várias vezes processado.
Blake cria um universo próprio, uma complexa mitologia pessoal que antecede Lovecraft e Clive Barker.
Para Blake, o cordeiro não é bom para representar o Cristo, o certo seria o tigre da revolta que expulsa os mercadores do templo.
Deus (Urizen) comete um pecado ao criar o universo, a separação (solve), Los (imaginação criativa) e Enitharmon (o espírito feminino), visão cósmica da ilusão humana (Maya para os yogues) até a “Filosofia dos Cinco Sentidos” (Materialismo).
O livro “Jerusalém” descreve o despertar do gigante Albion (A Humanidade) do sono de Ulro (materialismo) quando Los constrói Golgonooza, a Cidade da Arte.
Em 1809 realiza uma exposição que é sucesso de público e duramente atacada pela crítica acadêmica incomodada por suas inovações criativas, incompreendido, passa por dificuldades financeiras e ilustra catálogos de fábrica de porcelanas.
Somente depois de surgir o movimento simbolista, sua obra começou a ser compreendida em sua força criativa e coerência, chegando a influenciar até os surrealistas.
No livro ‘Casamento do Céu e Inferno”, Blake concilia bem e mal, razão e emoção, e de forma que lembra a tantra yoga, ele prega o amor sexual como via de condução para um estado de transe místico.
Sua sinceridade e amor à humanidade transparecem em toda sua obra, inclusive na figura cruel, castradora e tirânica do seu DEUS URIZEN que convida à rebelião criativa.
Blake faleceu amado por todos que conhecia a 12 de agosto de 1827.

                                                                        “Ver o mundo num grão de areia
                                                                         e o céu numa flor silvestre.
                                                                         Detém o infinito na palma da tua mão
                                                                         E a eternidade numa hora”.
                                                                                          W.Blake


 

 

           foto da nasa. feita pelo telescópio hubble. ilustração do site

 

 

A SOLIDARIEDADE É ! por rubem alves

“Se te perguntarem quem era essa que às areias e aos gelos quis ensinar a primavera…”: é assim que Cecília Meireles inicia um de seus poemas. Ensinar primavera às areias e aos gelos é coisa difícil. Gelos e areias nada sabem sobre primaveras… Pois eu desejaria saber ensinar a solidariedade a quem nada sabe sobre ela. O mundo seria melhor. Mas como ensiná-la?

Será possível ensinar a beleza de uma sonata de Mozart a um surdo? E poderei ensinar a beleza das telas de Monet a um cego? De que pedagogia irei me valer? Há coisas que não podem ser ensinadas, coisas que estão além das palavras. Cientistas, filósofos e professores são aqueles que se dedicam a ensinar as coisas que podem ser ensinadas por meio das palavras. Sobre a solidariedade muitas coisas podem ser ditas. É possível desenvolver uma psicologia da solidariedade, ou uma sociologia da solidariedade, ou uma ética da solidariedade… Mas os saberes científicos e filosóficos sobre a solidariedade não ensinam a solidariedade, da mesma forma como as críticas da música e da pintura não ensinam a beleza da música e da pintura. A solidariedade, como a beleza, é inefável – está além das palavras.

Palavras que se ensinam são gaiolas para pássaros engaioláveis. Mas a solidariedade é um pássaro que não pode ser engaiolado. Não pode ser dita. A solidariedade pertence à classe de pássaros que só existem em vôo. Engaiolados, eles morrem.

Walt Whitman tinha consciência disso quando disse: “Sermões e lógicas jamais convencem. O peso da noite cala bem mais fundo em minha alma…” E Fernando Pessoa sabia que aquilo que o poeta quer comunicar não se encontra nas palavras que ele diz: ela aparece nos espaços vazios que se abrem entre elas, as palavras. Nesse espaço vazio se ouve uma música. Mas essa música – de onde vem ela se não foi o poeta que a tocou?

O que pode ser ensinado são as coisas que moram no mundo de fora: astronomia, física, química, gramática, anatomia, números, letras, palavras. Mas há coisas que não estão do lado de fora, coisas que moram dentro do corpo. Estão enterradas na carne, como se fossem sementes à espera…

Sim, sim! Imagine isto: o corpo como um grande canteiro! Nele se encontram, adormecidas, em estado de latência, as mais variadas sementes. Elas poderão acordar, como a Bela Adormecida acordou com um beijo. Mas poderão também não brotar. Tudo depende…

As sementes não brotarão se sobre elas houver uma pedra. E também pode acontecer que, depois de brotar, elas sejam arrancadas… De fato, muitas plantas precisam ser arrancadas, antes que cresçam: as pragas, tiriricas, picões… Uma dessas sementes é a “solidariedade”. A solidariedade não é uma entidade do mundo de fora, ao lado de estrelas, pedras, mercadorias, dinheiro, contratos. Se ela fosse uma entidade do mundo de fora poderia ser ensinada e produzida. A solidariedade é uma entidade do mundo interior. Solidariedade nem se ensina, nem se ordena, nem se produz. A solidariedade tem de brotar e crescer como uma semente…

Veja o ipê florido! Nasceu de uma semente. Depois de crescer não será necessária nenhuma técnica, nenhum estímulo, nenhum truque para que ele floresça. Angelus Silesius, místico antigo, tem um verso que diz: “A rosa não tem porquês. Ela floresce porque floresce”. O ipê floresce porque floresce. Seu florescer é um simples transbordar natural da sua verdade.

A solidariedade é como o ipê: nasce e floresce. Mas não em decorrência de mandamentos éticos ou religiosos. Não se pode ordenar: “Seja solidário!” A solidariedade acontece como um simples transbordamento: as fontes transbordam…

Já disse que solidariedade é um sentimento. É esse o sentimento que nos torna humanos. A solidariedade me faz sentir sentimentos que não são meus, que são de um outro. Acontece assim: eu vejo uma criança vendendo balas num semáforo. Ela me pede que eu compre um pacotinho das suas balas. Eu e a criança – dois corpos separados e distintos. Mas, ao olhar para ela, estremeço: algo em mim me faz imaginar aquilo que ela está sentindo. E então, por uma magia inexplicável, esse sentimento imaginado se aloja junto dos meus próprios sentimentos. Na verdade, desaloja meus sentimentos, pois eu vinha, no meu carro, com sentimentos leves e alegres, e agora esse novo sentimento se coloca no lugar deles. O que sinto não são meus sentimentos. Foram-se a leveza e a alegria que me faziam cantar. Agora, são os sentimentos daquele menino que estão dentro de mim. Meu corpo sofre uma transformação: ele não é mais limitado pela pele que o cobre. Expande-se. Ele está agora ligado a um outro corpo que passa a ser parte dele mesmo.

Isso não acontece nem por decisão racional, nem por convicção religiosa, nem por um mandamento ético. É o jeito natural de ser do meu próprio corpo, movido pela solidariedade. Pela magia do sentimento de solidariedade meu corpo passa a ser morada do outro. É assim que acontece a bondade.

O menino me olhou com olhos suplicantes.

E, de repente, eu era um menino que olhava com olhos suplicantes…

 

            ilustração do site.

MARILDA CONFORTIN no espaço cultural ALBERTO MASSUDA

REVISTA “HISPANISTA” publica MANOEL DE ANDRADE em CANÇÃO de AMOR à AMÉRICA

 

editada pela mestra suely reis pinheiro desde abril de 2000 a revista HISPANISTA publicou em sua edição nº 33, o nosso amigo, poeta e PALAVREIRO manoel de andrade com o seu poema CANÇÃO DE AMOR À AMÉRICA nas duas versões português e espanhol. acompanha a publicação do poema a tela O BARDO ERRANTE feita para o poeta pelo artista visual claudio kambé, que também deverá ser a capa do próximo livro. o poema foi publicado, originalmente, na Colombia em seu livro POEMAS PARA LA LIBERTAD  que o poeta colocou no prelo, agora, para impressão bilíngue e que deverá ser lançado nos próximos meses pela Editora Escrituras, a mesma que editou o seu CANTARES.

clique na foto para ver. 

CANÇÃO DE AMOR À AMÉRICA

 

Ai América,
que longo caminhar!

Eu venho com o trigo do meu canto
minha ternura aberta 
e o meu espanto;
e do fundo de mim e do meu assombro
e pelos meus lábios de vinho e gaivotas,
te trago o meu cantar de caminhante.

Para ti, amada minha,
para teu corpo de cansaço
e por tua fome
eu trago esse meu verso frutecido.

Eu venho com o rocio do amanhecer
sou o cantor da aurora
o que desperta
o que anuncia a vida e a esperança.
Eu sou o mensageiro destes anos
o cantor deste tempo e destas terras
eu sou daqui,
desde a Patagônia até o Rio Bravo
e daqui alço meu canto para o mundo.

Ai América,
que longo caminhar!

Eu sou como uma ave que passa
apenas um cantor errante,
mas se na minha voz há uma sinfonia delirante,
é para golpear-te, América,
para  entoar teu grito emudecido.

Agora venho cantar-te
e meu canto é como o dia e como a água
para que me entenda sobretudo o homem humilde.
Agora venho cantar-te 
mas em teu nome, América,
eu só posso cantar com a voz que denuncia.

Eu não venho cantar o esplendor de Machu  Picchu,
a Grande Cordilheira e a neve eterna;
não venho cantar esta América de vulcões e arquipélagos
esta América altiplânica da lhama esbelta e da vicunha;
venho em nome de uma América parda, branca e negra,
e desde Arauco a Yucatán,
venho em nome desta América indígena agonizante.
Eu venho sobretudo em nome de uma América proletária,
em nome do cobre e do estanho ensangüentado.

Eu hoje não venho cantar um continente de paisagens,
não venho cantar o mar que amo,
os lagos escondidos na montanha,
nem dos rios que correm ao fundo dos vales florescidos.
Não, eu não venho cantar este trigo que se nega a quem semeia;
eu venho por uma história mais sincera,
venho falar do homem que vi e ouvi pelos caminhos.

Ai América, 
que longo caminhar!

Eu venho falar do camponês
de seu poncho roto e o seu colchão de  terra,
de sua resignação e o seu misterioso silêncio,
de seu gesto incontido que em alguma parte se levanta,
de sua fome saciada com o sangue dos massacres.

Eu venho falar do mineiro e sua morte prematura,
de uma vida vivida na penumbra tumular dos socavões,
da silicose escavando dia a dia os pulmões dos operários jovens.
Venho contar das mulheres de Yanuni, Catavi e Siglo Veinte
das palhiris bolivianas com quem falei um dia,
dessas desamparadas viúvas do mineiro massacrado ou soterrado,
que buscam no lixo do estanho,
o pão diário dos seus filhos.
                                                            
Eu não venho cantar o encanto colonial destas cidades,
os altares espanhóis recobertos com o ouro dos Incas,
as grandes praças onde se erguem as estátuas dos libertadores.
Venho cantar as favelas, barriadas e tugúrios,
as povoações calhampas e as vilas-misérias,
Venho denunciar a tuberculose e o frio,
venho em nome dos meninos sem pão e chocolates,
em nome das mães e de suas lágrimas.
Eu venho falar por toda voz que se levanta,
por uma geração reprimida com fuzis,
venho falar das universidades fechadas
e com a marca das tiranias encravada nas paredes.

Eu venho denunciar falsas revoluções
e o oportuno pacifismo,
venho denunciar um tempo de desterros e de torturas,
eu venho alertar sobre um terror que cresce uniformizado
e sobre estes anos em que cada promessa de paz é uma mentira.

Ai América,
eu venho em nome do homem e sua agonia,
em nome de uma infância sem doçura.
E por isso eu venho falar de outra colheita
e de um vale semeado na montanha.
Eu venho anunciar o mel e a espiga
e a terra fértil e doce e repartida.

Ai América,
em nome de uma América americana,
eu venho convocar-te para a luta.
Eu canto para isso, amada minha,
para pronunciar um tempo já chegado entre nós todos,
para dizer-te destes punhos que amadurecem em cada gesto,
e destes rifles que disparam em cada peito.

Ai América,
que longo caminhar!

Rumo ao norte 
ao sul
a leste ou a oeste,
eu avanço atravessando essas nações.

Oh caminhar, caminhar…
e saber sentir-se um caminhante!
Pois é tão triste morrer a cada dia,
morrer com os punhos abertos e o coração vazio.
Morrer distante do homem e sua esperança
morrer indiferente ao mundo que morre
morrer sempre,
morrer pequenamente
quando a vida é um gesto de amor desesperado.

Oh caminhar, caminhar…
mas caminhar como caminha o rio e a semente,
conhecendo a completa plenitude em seu destino.
Oh caminhar!
Caminhar
e saber-se um dia fruto.
Caminhar 
e sentir-se um dia mar.

Ai América,
que não exista a dúvida em meu caminho,
que somente esta paixão de justo me enamore.

Fui prisioneiro,
mas outra vez sou pássaro,
outra vez um caminhante,
e volto a abrir a alma com meu canto.

Hoje me detenho aqui…
levanto minha voz, minha acusação, meu juízo.
Declamo minha bandeira de sonhos,
proclamo minha fé,
recolho meu testemunho e me vou.

Eu sou o jogral maldito
e bem amado.
Meu canto é um grito de combate
e eu não canto por cantar.
Eu parto deixando sempre uma inquietude,
deixando numa senha a certeza de uma aurora.

Eu sou o cantor clandestino e fugitivo,
aquele que ama a solidão imensa dos caminhos.
Passo despercebido de cidade em cidade,
em algum lugar público eu vou dizer meus versos
e ali conheço amigos e inimigos.
Mas sempre pude encontrar o grande companheiro,
o homem novo,
aquele que traz a face da esperança,
aquele que se aproxima em silêncio
e com um gesto inconfundível me saúda.

Ai América, 
que longo caminhar!

Eu venho amada América,
para iluminar com meu canto este caminho.
Trago-te meu sonho imenso, latino e americano
e meu coração descalço e peregrino.
Mas quando sinto meu sangue escorrendo-se nos anos
e a vida se me acabe antes de ver-te amanhecida;
Quando penso que é tão pouco, amada minha,
o que eu posso dar-te em um poema;
Ai, quando penso nessas flores de sangue que murcharam,
nestes iluminados corpos que tombaram,
e que ainda não pude fazer por ti quanto quisera;
Ai, se com o tempo eu descobrir
que este lírico fuzil que empunho não dispara,
ai América…
quem dirá que a intenção que tive foi sincera.

                                       
                                                                             Quito, Agosto de 1970

LEONARDO MEIMES comenta em ESCÂNDALO: MONSANTO NA USP!

Comentário:

LEONARDO MEIMES

 

Esta parceria entre as universidades e interesses privados já se provou controversa nos Estados Unidos. Lá, enquanto ninguém pode confiar na autoridade nacional de regulação dos transgênicos (FDA), uma outra saída para testar esses alimentos seriam os laboratórios das universidades. O que acontece é que essas universidades em sua maioria têm parecerias com as indústrias de biotecnologia e incluem clausulas de sigilo (algo como uma ordem por parte das indústrias dizendo: “estão proibidos de contar qualquer coisa sobre nosso trabalho”.). Neste caso a universidade é obrigada a fazer estudos parciais, sem comprometer o que as industrias de biotecnologia classificam como segredos. Não sei se você percebeu, mas nós estamos na mesma posição agora. Não podemos confiar na CTNbio, que de acordo com Lia Giraldo (membro titular da CTNBio) em carta à Ministra do Meio Ambiente, “está constituída por pessoas com título de doutorado, a maioria especialistas em

biotecnologia e interessados diretamente no seu desenvolvimento”. Além disso, ela diz que “Há poucos especialistas em biossegurança, capazes de avaliar riscos para a saúde e para o meio ambiente” na CTNBio. Não podemos mais confiar em nossas universidades, pois elas estão se envolvendo com “interesses” que são mundialmente conhecidos como danosos. Estamos sem defesa. O que fazer?! O assunto dos transgênicos continua sendo um dos menos conhecidos pela nossa população, que sem saber, come muitos desses alimentos nocivos todos os dias.

 

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