“NÚCLEO MEMÓRIA” convida para o “SÁBADO RESISTENTE”: são paulo capital / sp

Governo do Estado de São Paulo
e Secretaria da Cultura apresentam
no Memorial da Resistência de São Paulo
Largo General Osório, 66 – Luz
Auditório Vitae – 5º andarSÁBADO RESISTENTE 
Dia 11 de agosto 2012, das 14h às 17h30

Palestra de Almino Affonso marca os 50 anos da mobilização social em favor do Plebiscito

Um dos fatos da história brasileira que esteve na origem da deflagração e articulação do Golpe Civil-Militar de 1964 foi a intensa luta da sociedade pela antecipação do Plebiscito para decidir se o regime político brasileiro seria o Parlamentarismo ou o Presidencialismo. Este movimento tinha como objetivo a devolução do poder ao presidente João Goulart, que foi obrigado a aceitar o parlamentarismo como condição para sua posse após a renúncia de Jânio Quadros, em agosto 1961.

Conscientes da irregularidade constitucional que este tipo de regime significou para o País, as forças progressistas – os partidos de esquerda, sindicatos de trabalhadores urbanos e rurais, assim como estudantes organizados – constituíram a força motriz desta mobilização, inclusive com o apoio de alguns comandos militares. A palavra de ordem foi a antecipação das datas do Plebiscito que, inicialmente fixada na Emenda Constitucional para o ano de 1965, finalmente se deu em 6 de janeiro de 1963. Neste dia, num eleitorado de quase 18 milhões (quase 12 milhões compareceram às urnas) o presidencialismo obteve mais de 80% (9.457.448) dos votos contra menos de 20% (2.073.082) dos votos concedidos pelos adeptos do parlamentarismo.

O Sábado Resistente deste mês terá o privilégio de ouvir Almino Affonso, ex-Ministro do Trabalho e da Previdência Social de João Goulart, uma das pessoas que teve um papel de primordial importância neste processo. Sua palestra será um documento histórico, pela riqueza em detalhes e informações a respeito dessa luta pelo Presidencialismo, contra a direita golpista e os bastidores do Golpe que este fato originou.

PROGRAMAÇÃO

14h: Boas vindas – Caroline Menezes (Memorial da Resistência de São Paulo)
Coordenação – Alípio Freire (Núcleo de Preservação da Memória Política)

14h30: PALESTRAS

– Almino Affonso (Advogado, Ministro do Trabalho e Previdência Social em 1963, Secretário de Negócios Metropolitanos do Governo Franco Montoro em São Paulo, Vice-governador de São Paulo na gestão Orestes Quércia, ex-Deputado Federal e Conselheiro da República na gestão do Presidente Lula)
16h00: Debate

Os Sábados Resistentes, promovidos pelo Memorial da Resistência de São Paulo e pelo Núcleo de Preservação da Memória Política, são um espaço de discussão entre militantes das causas libertárias, de ontem e de hoje, pesquisadores, estudantes e todos os interessados no debate sobre as lutas contra a repressão, em especial à resistência ao regime civil-militar implantado com o golpe de Estado de 1964. Os Sábados Resistentes têm como objetivo maior o aprofundamento dos conceitos de Liberdade, Igualdade e Democracia, fundamentais ao Ser Humano.

Informações à imprensa
– Memorial da Resistência de São Paulo
coliveira@pinacoteca.org.br
– Secretaria de Estado da Cultura
Giulianna Correia – 2627-8243 gcorreia@sp.gov.br
Renata Beltrão – 2627-8166 rmbeltrao@sp.gov.br

O LUTADOR – de crispim quirino / salvador.ba

 

 O LUTADOR
Quantos anos serão precisos para descrever Jorge Amado?
Quantos amores, desejos,prédios, imagens, flores, praias e trem?
Quantos amigos, guerreiros, quantos?
“Rebeldes” em seus 1923 pensamentos.
Matuto branco-mulato-homem.
Raízes de todas as horas.
Homem de esquinas e becos e ruas e vielas tortas…
Esse é o nosso amado.
Bendito seja seu canto,
sua roupa de gala,
seu barco à vela,
sua humanização.
Ó Bahia de nosso São Jorge!
Ó irmãos vingados!
Adeus para o eterno.
Um forte e fraterno adeus.
Aquele das mulheres nuas e estrelas falantes,
das casas de barro e meninos traquinos,
dos ventos e cores carnavalescas,
da Bahia.
Ó irmãos da terra!
Ó alma de nossos desejos!
Adeus irmãos vingados.
Adeus eterno baiano.
Adeus (Amado).

Quantos anos serão precisos para descrever Jorge Amado?
Quantos amores, desejos,prédios, imagens, flores, praias e trem?
Quantos amigos, guerreiros, quantos?
“Rebeldes” em seus 1923 pensamentos.
Matuto branco-mulato-homem.
Raízes de todas as horas.
Homem de esquinas e becos e ruas e vielas tortas…
Esse é o nosso amado.
Bendito seja seu canto,
sua roupa de gala,
seu barco à vela,
sua humanização.
Ó Bahia de nosso São Jorge!
Ó irmãos vingados!
Adeus para o eterno.
Um forte e fraterno adeus.
Aquele das mulheres nuas e estrelas falantes,
das casas de barro e meninos traquinos,
dos ventos e cores carnavalescas,
da Bahia.
Ó irmãos da terra!
Ó alma de nossos desejos!
Adeus irmãos vingados.
Adeus eterno baiano.
Adeus (Amado).

E SE FALTAR ESPAÇO NA INTERNET?


De fato, isso já está acontecendo.


Vint Cerf, Chief Internet Evangelist no Google e o pai da Internet, discute a próxima versão da Internet e explica por que precisamos dela.

Por que está começando a faltar espaço na Internet?

Assim como os telefones usam um sistema de números de telefone para efetuar as chamadas, cada dispositivo conectado à Internet recebe um número exclusivo conhecido como “endereço IP” que o conecta coma rede global on-line.

O problema é que o sistema atual de endereçamento da Internet, Internet Protocol v4 (IPv4), só tem espaço para cerca de 4 bilhões de endereços – longe de ser suficiente para os habitantes do planeta, sem falar nos dispositivos que estão on-line hoje e os que estarão no futuro: computadores, telefones, TVs, relógios, geladeiras, carros e por aí vai. Mais de 4 bilhões de dispositivos já compartilham endereços; com o esgotamento dos endereços IPv4 disponíveis, dispositivos e usuários da Internet precisarão compartilhar.

Como estamos abrindo espaço para crescer?

Está claro que a Internet precisa de mais endereços IP.Mais quantos, exatamente? Bem, que tal uns 340 trilhões de trilhões de trilhões (ou 340.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000)? É isso que cabe na nova “tubulação” da Internet, o IPv6. É o suficiente para que todos os habitantes do planeta tenham seus próprios bilhões de endereços IP. Em outras palavras, é suficiente para oferecer espaço infinito para a Internet crescer, de agora até o futuro previsível.

Quando vai acontecer a transição?

Substituir os encanamentos da Internet vai levar um tempinho. O lançamento mundial do IPv6, dia 6 de junho de 2012, marcou apenas o início de uma implantação coordenada pelos principais websites e provedores de serviços e equipamentos de Internet. No Google, acreditamos que o IPv6 seja essencial para o bem-estar e o crescimento contínuos da Internet e que, permitindo que todos os dispositivos conversem entre si diretamente, o IPv6 possibilita novos serviços inovadores.

Você não precisa fazer nada para se preparar, mas se estiver interessado em aprender mais sobre o IPv6 e como apoiar sua implementação, consulte algumas perguntas frequentes.

 

 

 

Perguntas frequentes

IPv4 é a versão atual do Protocolo de Internet, o sistema de identificação que a Internet usa para enviar informações entre dispositivos. O sistema atribui uma série de quatro números (cada um variando entre 0 a 255) a cada dispositivo. O IPv4 permite apenas 4 bilhões de endereços, e a Internet precisa de um espaço maior que esse. O IPv6 é a nova versão do Protocolo de Internet, que aumenta o número de endereços disponíveis a um total praticamente sem limites: 340 trilhões de trilhões de endereços.

Estão faltando endereços IPv4 na Internet. A transição para o IPv6 permite que a Internet continue a crescer e que serviços novos e inovadores sejam desenvolvidos, uma vez que mais dispositivos podem se conectar à Internet.

Assim como um número de telefone ajuda você a se comunicar com outro telefone, um endereço IP (abreviação para endereço de Protocolo de Internet) é fornecido a seu computador para que ele possa se comunicar com websites, serviços de Internet e outros dispositivos. Endereços IP são números exibidos como strings de letras e números, como, por exemplo 192.0.2.1 (para IPv4) e 2001:db8::1234:ace:6006:1e (para IPv6).

O Lançamento Mundial do IPv6, em 6 junho de 2012, organizado pela Internet Society, é o dia em que os principais websites e Provedores de Serviços de Internet (ISPs) participantes ativarão o IPv6 e começarão a transição do IPv4.

Você não precisa preparar nada para o IPv6; seus aplicativos e dispositivos funcionarão exatamente como antes. Essa mudança é para garantir que você possa continuar a usar a Internet no futuro da mesma forma que faz hoje.

A transição completa do IPv4 para o IPv6 demorará algum tempo, uma vez que todos os websites e Provedores de Serviços de Internet precisarão fazer a troca. Por enquanto, ambos os sistemas funcionarão juntos, até que o IPv4 não seja mais necessário.

Não, os serviços de IPv4 continuarão a operar como de costume.

Talvez você já esteja usando o IPv6. Visite ipv6test.google.com para descobrir. Muitos dispositivos que você usa já suportam IPv6; no entanto, os websites que você visita e seu Provedor de Serviços de Internet devem, primeiro, ativar o IPv6 para que você possa usá-lo.

A maioria dos principais websites e Provedores de Serviços de Internet já oferece suporte ao IPv6, mas há outros que ainda precisam realizar a troca. Se você gostaria de usar o IPv6, entre em contato com seu Provedor de Serviços de Internet e peça para fornecerem a você o acesso à Internet com IPv6. Você também precisa ativar o IPv6 em seu roteador doméstico ou fazer upgrade para um que suporte o IPv6. Para obter uma lista de fabricantes de roteadores doméstico que suportam IPv6, comece aqui.

A versão 5 foi reservada para o Protocolo de Fluxo de Internet, desenvolvida antes do IPv6. Ela não foi amplamente implantada e não será usada publicamente.

 

NATUREZA FLUTUANTE – de Almandrade / salvador.ba

NATUREZA FLUTUANTE

 

I

 

A chuva dispensa

o agasalho

um vício

na pele molhada

a febre chega

e brinda a dor.

 

II

 

 

Estilhaços sobre a velocidade

a idade sai

da ingenuidade do século

o ar que passa

arrasa a privacidade

das palavras.

 

 

III

 

A tarde

com seus conflitos

renega a partitura

do imutável

a voz do instrumento

brilha e veste

o que resta

de notas e acordes.

 

IV

 

O título é um achado

semeador de dúvidas

a linguagem acende

as coisas

e dá nome ao repouso

tapete de sombras

e sobras.

 

 

V

 

Na solidariedade do sono

descansa o solitário

o lençol é um consolo

 

 

VI

 

 

Segredos da transparência

luva de gesso

o impulso do imediato

flagra

através do tecido

a anatomia

do que é íntimo.

 

 

Almandrade

(artista plástico, poeta e arquiteto)

POEMA EM DESUSO – gilda kluppel / curitiba.pr

Poema em desuso

Posso cometer um abuso

ao contrariar a realidade

tentando escrever um poema em desuso

destes quaisquer que ninguém mais se interessa

considerado um mero intruso

delírios de quase ou pseudo-artistas

às vezes chamado de melancólico e confuso

 por não se aliar à vontade imediata

procedente da vaidade do corpo

estipulada por um preço à vista

e oferecida numa loja ou mercado.

Um poema destes quaisquer em desuso

sequer tem um nome famoso na etiqueta grifado

não tem prazo de validade para o consumo

e nem enfeita as pessoas pela vestimenta ou calçado

apenas se importa com algo que pouco aparece

e talvez por isso menos atenção desperte

mesmo assim se não existissem tantos poemas

desses quaisquer em desuso

sobrariam somente coisas não essenciais e pequenas

 marcadas por um suposto valor no atacado e varejo

para ostentar e misturar o corpo aos objetos

desalojando as necessidades da alma

jamais esquecida enquanto resistirem os poéticos.

EM MANUTENÇÃO

CLARICE LISPECTOR, sua história é marcada por sofrimento e estupro da mãe

Família da escritora veio ao Brasil para fugir da miséria na Ucrânia

História de Clarice Lispector é marcada por sofrimento e estupro da mãe Ver Descrição/Ver Descrição

Autora morreu de câncer aos 57 anosFoto: Ver Descrição / Ver Descrição
.
Clarice, os pais e as duas irmãs, judeus, vieram ao Brasil escapando da miséria e de um pogrom na Ucrânia. Sua mãe havia sido estuprada pelos russos. Seu avô, assassinado. Os Lispector moraram primeiro em Maceió, a partir de 1922. Depois, Recife e Rio de Janeiro.

A escrita começou cedo: “Antes dos sete anos eu já fabulava, inventei uma história que não acabava nunca”, disse uma vez a autora, que depois cursou Direito e passou 15 anos no exterior como mulher de um diplomata. Quando separou do marido, trouxe os dois filhos para o Rio. Sobreviveu escrevendo para jornais. Assinou colunas femininas, recentemente compiladas nos livros Minhas Queridas e Clarice só para Mulheres. Inspirada por um dos filhos, começou a escrever livros infantis. Paralelamente, publicava coletâneas de contos como Laços de Família (1960) e romances como A Paixão Segundo G.H. (1964) e Água Viva (1973). Sempre escrevendo “com amor e atenção e ternura e dor e pesquisa”.

Dependente de soníferos e antidepressivos, Clarice tinha longo histórico psiquiátrico. Aos 45 anos, escapou de um incêndio no seu apartamento. Aos 57, morreu de câncer.

“Meus livros felizmente não são superlotados de fatos, e sim da repercussão dos fatos no indivíduo”, afirmou a escritora, que em muitas ocasiões mostrou seu desprezo por acontecimentos. “Sou uma pessoa que pretendeu pôr em palavras um mundo ininteligível e um mundo impalpável”. Sobretudo uma pessoa cujo coração bate de alegria levíssima quando consegue em uma frase dizer alguma coisa sobre a vida humana ou animal”.

Não à toa, Clarice Lispector ganhou fama de ser enigmática, o que ela mesmo reforçou. Relembrando uma passagem pelos desertos egípcios, a escritora disse ter olhado fixo para ninguém menos que a esfinge: “Eu não decifrei ela”, disse Clarice, mas com um acréscimo: “Tampouco ela me decifrou”.

g1.

Gilmar Mendes: o óbito da probidade?

Gilmar Mendes está cercado de fatos graves, como a lista em que aparece um valor de R$185 mil do Valerioduto, mas a imprensa, exceto Carta Capital, e a oposição não dão um pio sobre o desastrado e probo(?) ministro do STF

Gilmar Mendes, o mais controverso e combatido ministro do Supremo Tribunal Federal, a mais alta corte da justiça brasileira segue enrolado, mais uma vez, em sérias denúncias.
Desta vez surge em uma lista em que, como apontam os indícios, teria recebido R$ 185 mil do esquema do mensalão tucano, desembolsado pelo publicitário Marcos Valério, para o caixa dois da campanha ao governo de Minas Gerais de Eduardo Azeredo em 1998.

O ministro indicado pelo ex-presidente FHC perde, a cada novo fato que se apresenta contra sua pessoa, as condições morais exigidas para desempenhar tão delicada função na república.

Já bastaria toda a desastrosa narrativa em que denunciou Lula por pressioná-lo a não julgar o mensalão este ano, ato desmentido por Lula e por Nelson Jobim, também presente no encontro, para removê-lo do STF.
O ministro acusou mas não provou, jogou todas as suas fichas em sua imagem de homem público e probo, para convencer a opinião pública de que falava a verdade.  Fracassou.

Aliás o histórico de Mendes não é dos melhores, segundo juristas importantes, o douto ministro desmoraliza e descredencia o STF como lugar de justiça e guardiã dos pilares da democracia.
Como chegou a afirmar o jurista Dalmo Dallari, ao advertir que, se Mendes chegasse ao Supremo, estariam “correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional”. Dallari tem tido toda a razão.

Seu envolvimento suspeito com Demóstenes Torres, após viagem patrocinada por Carlinhos Cachoeira no jatinho do contraventor, trazendo-os de Berlim para o Brasil, já seria mais um episódio capaz de marcá-lo por grandes dúvidas advindas de tal passeio, cercado por tal companhia e patrocínio.

Os dois habeas corpus concedidos ao banqueiro Daniel Dantas em apenas 48 horas, enquanto Mendes era presidente do Supremo, já seriam suficientes para escandalizar o magistrado e toda a sociedade brasileira.

Mas tais arroubos passaram discretamente pelos holofotes da imprensa e não foram motivos de moções de desagravo da oposição, nem mesmo daquela se coloca mais a esquerda.

Mendes segue colecionando escândalos e sendo protegido dos feitos duvidosos que protagoniza.

O personagem deste mal acabado enredo, não custa nada lembrar, no caso do Mensalão tucano, votou convicto pela rejeição da denúncia contra o senador tucano de Minas Gerais, Eduardo Azeredo.
Na edição de Carta Capital desta semana, é publicada uma lista inédita de beneficiários do caixa 2 da campanha à reeleição do senador mineiro, então candidato a governador em 1998.
A suspeição se materializa pela aparição do nome de Mendes nesta lista e ao lado o registro do valor de 185 mil reais.
O esquema foi operado pelo publicitário Marcos Valério de Souza, que assina a lista registrada em cartório.
Coincidência?

[clique na imagem para ampliar]
Segundo a Carta Capital “a documentação foi entregue à Polícia Federal pelo advogado Dino Miraglia Filho, de Belo Horizonte. Ele defende a família da modelo Cristiana Aparecida Ferreira, assassinada em 2000. Segundo Miraglia, a morte foi “queima de arquivo”.
O que está exposto nas bancas de todo o Brasil sobre Mendes lançam sobre ele, novos indícios graves de mais uma trama de sua conduta pouco ortodoxa para o desempenho de cargo tão importante.
A lisura de processos de grande relevância pode ficar comprometida pela simples presença de Mendes no plenário como julgador.
Apesar de todo o socorro que recebe de parte considerável da imprensa e do silêncio constrangedor por parte de partidos da oposição, principalmente do PSDB e do DEM, o ministro parece enfrentar, no mínimo, questões éticas sobre conflitos de interesses em pelo menos dois importantes processos: o mensalão de 2005 e o mensalão tucano, em que surge como beneficiário deste esquema milionário.
Tão lastimáveis evidências de mal feito de um ministro do STF ferem com gravidade a sua pretensão de probidade, além de aleijar severamente sua capacidade de julgar com a imparcialidade obrigatória de um magistrado exemplar em matérias de grandes destaques para a nação.
O ataque preventivo
A intriga que montou, em conluio com a velha imprensa, para imputar uma suspeição a Lula, em uma suposta pressão do ex-presidente para não fosse julgado o caso do mensalão em 2012, parece se encaixar, perfeitamente, em um ataque preventivo para desqualificar as provas que ora eclodem contra si.
Desta maneira, Mendes poderia se queixar de ataque leviano contra a sua honestidade e decoro.
Poderia fazer uso de um discurso de personagem perseguido por denunciar fatos de tamanha gravidade, sofredor de uma obra vingativa por sua “atuação republicana”.
Acontece é que Gilmar Mendes, encontra-se em avançado processo de óbito de sua probidade.
Poderá a mais alta corte do país ter que arcar por tão caro prejuízo de suas aspirações de justiça plena e cidadã.
PD.

O MUNDO COMO ESTUPRO – por zuleika dos reis / são paulo.sp

O MUNDO COMO ESTUPRO 

 

 

Somos, eu e tu, seres de sonho. Pelo sonho nossos átomos se agruparam, em moléculas de sonho, em tecidos de sonho, em órgãos de sonho. O sonho nos compõe o sangue, os ossos, a pele. O sonho compõe nossa alma.

Na Índia, tradições antigas dizem que o mundo é Maya, isto é: Ilusão. Calderón De La Barca escreve “A Vida é Sonho”. Shakespeare o afirma, categórico. O Budismo assim o diz, como também do compromisso que nos cabe para com este sonho-vida. Os místicos do Oriente e do Ocidente viveram e vivem, desde o sangue, tal certeza.

A se crer nesta afirmação como verdade universal, por que afirmar, como o fiz na primeira linha do texto que ”somos, eu e tu, seres de sonho?” Se todos o somos, eu e tu, eles, nós e vós, todos compostos por átomos e moléculas de sonho, não há como particularizar tal condição, torná-la privilégio de poucos.

Entanto, reafirmo: “Somos, eu e tu, seres de sonho.” Pertencemos a uma estirpe que sente o viver dentro da realidade como uma violentação, uma espécie de estupro a sofrer todos os dias. Nós nos sentimos como eternos estranhos, estrangeiros, aportados nesta Terra por algum engano.

Ora, muitos dirão: “Do jeito em que está a realidade, que privilégio há nisso? Todos nós nos sentimos, tanto quanto vocês, violentados pelo real.”  Outros dirão: “Vocês se encontram em pleno processo dissociativo. Urge a procura de um ajuste, de um reajuste entre a psique e o real. “Ainda, terceiros: “Poetas são assim mesmo; não importa a realidade em que vivam, precisam a ela se contrapor.”  Outras tantas falas se multiplicam, pode-se ouvi-las na imaginação.

Sem discordar de ninguém que, como diz um amigo querido “Tudo é Vida.” e reiterando, novamente, o “somos, eu e tu, seres de sonho” quero acrescentar que nos sabemos assim não por filiação a algum Princípio religioso, ou não religioso, ou por alguma vivência mística no seu sentido específico, mas, porque vivemos isso, respiramos isso, nos alimentamos do pão de ser sonho desde a medula dos ossos, desde a raiz do sangue, desde a raiz da alma. Eu, no recesso deste lar ao avesso do mundo; tu a te digladiares no circo de horrores cotidianos. Para nós ambos, para os tantos e tantos da mesma estirpe, o mundo vivido como estupro.

Tu és como um médico-cirurgião que tenha horror à visão do sangue dos doentes e que, apesar desta condição, é capaz de domar o horror em seu âmago, no durante das cirurgias, o horror que, embora sofreado, em momento algum deixa de pulsar, de gritar no seu próprio sangue, no sangue dele, médico-cirurgião. És assim, exatamente assim. Por isso, incomensurável a tua dor de ser. Também eu, a meu modo, por outras vertentes, veredas, caminhos, sou assim, como também assim outros tantos e tantos, infinitos.

O mundo como estupro, o mundo ao avesso do sonho, ao avesso de todos os sonhos. Neste contexto, se mantivermos como verdadeiro que a vida é sonho, urge dizê-lo de outro modo: “A vida, sonho dantesco, o pior de todos os pesadelos.”

E, no entanto, no entanto, presentes desde sempre no mundo, de todos os modos e em múltiplos lugares (muitos ocultos ao mundo) permanecem e agem os seres que guardam a Esperança, os seus guardiães, aqueles entre os quais se alinham os que guardam, por enquanto no interior da Arca, outro “sonho do real”.

 

Fotógrafo acompanha expedição e capta imagens raras de vulcão ativo

Pesquisadores tiveram que usar trajes especiais para coletar amostras de lavas sob calor extremo.

Da BBC

 O fotógrafo Carsten Peter enfrentou temperaturas extremas para colher imagens raras de vulcões em atividade.

Peter acompanhou uma expedição ao vulcão Nyiragongo, no parque nacional de Virungo, na África central, onde pesquisadores coletaram amostras de lava.

A missão coletou amostras da lava do vulcão para entender as atividades geológicas do planeta (Foto: Carsten Peter/Nat Geo Stock/Caters)
A missão coletou amostras da lava do vulcão para entender as atividades geológicas do planeta (Foto: Carsten Peter/Nat Geo Stock/Caters)

As temperaturas dentro do vulcão chegam a 1.100 °C. Pesquisadores são obrigados a vestir trajes especiais para protegê-los do calor.

Os perigos não se resumiam às altas temperaturas. Em vulcões ativos, toda a superfície fica instável e não se pode confiar nem mesmo onde se pisa.

A equipe tinha que ficar atenta às direções do vento para evitar a nuvem de gases tóxicos, criada pela erupção (Foto: Carsten Peter/Nat Geo Stock/Caters)A equipe tinha que ficar atenta às direções do vento para evitar a nuvem de gases tóxicos, criada pela erupção (Foto: Carsten Peter/Nat Geo Stock/Caters)

Com planejamento, é possível minimizar os riscos, mas mesmo especialistas em vulcões já morreram em expedições.

Peter, que contribui para a revista National Geographic, se especializou em fotografar locais em situações naturais extremas. Ele mergulhou em geleiras no Mont Blanc, atravessou o deserto do Sahara de camelo e visitou várias cavernas profundas.

Vulcões são imprevisíveis. As erupções criam instabilidades em toda a região, que podem resultar em deslizamentos de rochas (Foto: Carsten Peter/Nat Geo Stock/Caters)Vulcões são imprevisíveis. As erupções criam instabilidades em toda a região, que podem resultar em deslizamentos de rochas (Foto: Carsten Peter/Nat Geo Stock/Caters)
O fotógrafo acompanhou uma missão de pesquisadores ao vulcão Nyiragongo, no parque nacional de Virungo, na África central (Foto: Carsten Peter/Nat Geo Stock/Caters)O fotógrafo acompanhou uma missão de pesquisadores ao vulcão Nyiragongo, no parque nacional de Virungo, na África central (Foto: Carsten Peter/Nat Geo Stock/Caters)
Carsten Peter está acostumado a situações extremas. Ele acompanhou vulcões ativos de perto (Foto: Carsten Peter/Nat Geo Stock/Caters)Carsten Peter está acostumado a situações extremas. Ele acompanhou vulcões ativos de perto (Foto: Carsten Peter/Nat Geo Stock/Caters)

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Euro: uma conversa entre a morte e a agonia

 

O presidente do Banco Central Europeu declarou nesta 5ª feira que fará o que for preciso para salvar a Espanha e a Itália da moratória iminente – e o fará de modo suficiente. Ato contínuo os juros tombaram; as bolsas dos dois países subiram. Eureka! Mas, então, por que não o fez antes, há menos de uma semana, por exemplo, quando o mesmo Mário Draghi, cobrado a agir, declarou que o BCE não estava a serviço de países? A resposta começa por aí.

O banco central de UE não foi concebido para servir à sociedade européia, mas aos mercados financeiros que definiram sua supremacia nos alicerces de uma união batizada nas águas neoliberais do tratado de Maastricht. O colapso da ordem neoliberal descarregou sobre esse tabuleiro o peso das contradições letais: aquelas que se confrontam com os seus próprios termos e reduzem as opções a uma conversa entre a morte e a agonia.

Isso explica a diversidade de sentenças peremptórias emitidas pelo normalmente pacato Draghi em tão curto espaço de tempo. Ele e todo aparato definido em Maastricht estão sendo cobrados a servir a uma demanda para a qual não foram concebidos. Enquanto a engrenagem das finanças desreguladas reinava inconteste , o crédito abundante emprestava ares de harmonia entre as instituições e a sociedade. O dinheiro jorrava dos ricos para a periferia. Bolhas se multiplicavam para satisfação de ambos os lado. O fastígio do laissez faire financeiro levaria capitais europeus a bancarem também festa equivalente do outro lado Atlântico, nos EUA, convalidando o novo way of life de consumo sem poupança, com desindustrialização à tiracolo.

Era funcional. O afluxo de recursos externos servia para financiar o rombo das importações chinesas, que revertiam em compra de títulos do Tesouro gringo pelos próprios chineses, mas também por europeus e até latino-americanos. Americanos animados trocaram o emprego pela corretagem da própria casa, incorporando-se a uma corrente que, como se sabe, rompeu-se em 2007 e fundiria em 2008.

Quando o lubrificante da roldana global foi chamado a retornar ao bolso dos seus donos, basicamente bancos e fundos, o cheiro de queimado impregnou o ar. O aparato ao qual o BCE pertence foi convocado então a cumprir seu dever: servir aos mercados. A julgar pelo pêndulo em que se transformou a língua de Mário Draghi cumprir o dever não é tão simples assim. Reconduzir trilhões em créditos de volta aos bolsos de origem implica obter juros em dia.

Quando o investimento feito propicia o lucro imaginado – não é o caso dos 700 mil imóveis encalhados no mercado espanhol -ou a venda do próprio trabalho equilibra as contas, tudo bem. De um modo geral, não é este o cenário na UE. A renda européia medida pelo PIB encontra-se em retração e tão cedo não se recupera; 30% da economia regional quebrou;o desemprego atinge mais de 18 milhões de pessoas e fulmina 25% da sociedade no caso espanhol.

A tentativa de transferir esse gigantesco mico das mãos privadas (salvar bancos locais, basicamente) para os Tesouros nacionais, associada a uma contenção de gastos para honrar os juros, revelou-se um desastre de proporções ferroviárias. De um lado, a recessão aborta a receita fiscal; de outro, a despesa financeira explode pressionada por juros crescentes cobrados por quem se dispõe a financiar Estados à beira da moratória.

Até dezembro, a Itália encara uma rolagem total de dívidas da ordem de 400 bi de euros, mais um déficit de 100 bi, que vai se acrescentar à divida velha.
Outros 400 bi de euros terão que socorrer a equação fiscal da Espanha no mesmo período. O peso do juro nesse conjunto é asfixiante. Até a crise de 2007, a Espanha pagava cerca de 17 bi de euros por ano aos rentistas; em 2012 pagará quase 35 bi de euros. Sua dívida cresceu 102% desde então; a conta dos juros saltou 104% . O contraste com a Alemanha, onde as percentagens são, respectivamente, de 33,5% e apenas 2,3%, é influenciado pela fuga de capitais.

Mais de 500 bilhões de euros saíram da economia espanhola e italiana no ano passado em busca de segurança e qualidade nos cofres soberanos alemães, americanos e suíços. A correnteza permite que os ricos se financiem a juros negativos, repassados a banqueiros, que esfolam Madrid e Roma impondo-lhes taxas acima até de 7,5%, como foi o caso dos últimos dias.

Para afrouxar esse torniquete de muitas voltas Draghi terá que adquirir toda a dívida soberana que não encontrar comprador no mercado – cerca de um trilhão de euros apenas nos casos de Espanha e Itália. A resistência da cúpula do euro a esse aspirador converge para uma palavra: inflação. Apesar da recessão apontar em sentido contrário, os detentores da riqueza temem que uma inundação de dinheiro na praça desvalorize seus direitos de saque sobre os endividados, fazendo na prática aquilo que a política já deveria ter feito: uma desvalorização brutal de ativos. A ver.

CM.

TRES MESAS – por jorge lescano / são paulo.sp

T R Ê S   M E S A S

 

Para J B  Vidal

Objeto de nosso cotidiano, corriqueiro, insignificante pode-se dizer, se ausente, perturba a nossa vida. Acreditamos que seja dos primeiros criados pelo homem e somos tentados a afirmar que é prévio à sua fabricação. O troglodita utilizou-o – ab ovo! – antes que lhe dessem forma e nome, pois a função faz o objeto. A pedra achada no caminho, um tronco atingido pelo raio, o próprio chão, cumpriram a função de mesa antes do artefato. Este móvel está presente nos mais diversos ambientes da civilização, tão presente que, como já dissemos, só o notamos quando falta. Mesa, a secas, sem atributos funcionais, espirituais, ou quaisquer outros que lhe foram agregados pela insuficiência de nossa língua: mesa de trabalho, mesa redonda, mesa branca, mesa de vivissecção, mesa de negociações, mesa de jogo…

Deste modesto produto da marcenaria se ocuparam um pintor, um poeta e um romancista. Presente como objeto em Jean Dubuffet (Le Havre, 1901-Paris, 1985), canteiro de obras em Francis Ponge (Montpellier, 1899 – Bar-sur-Loup, 1988), apoio do discurso narrativo em Ramón Bonavena (Escritor argentino, sem outros dados biográficos), evocado pelo seu compatriota e sempre bem informado em questões de estéticaBustos Domecq.

Curiosidade à margem: os três personagens têm prosápia francesa, o último apenas intermediário entre oconhecido ainda que não famoso escritor Bonavena, autor do suposto romance Nor-noroeste – a obra trataria deste setor limitado do tampo da mesa – e o leitor de sua entrevista. (Borges, Jorge Luís, Casares, Adolfo Bioy, Uma tarde com Ramón Bonavena in Crônicas de Bustos Domecq– (1967); São Paulo, Alfa Omega, s.d.)

Ensaios eruditos abordam os diversos aspectos da construção da mesa de Ponge(Ponge, Francis, A Mesa; (1981); São Paulo, Iluminuras, 2002 – edição bilingue). Árdua tarefa é desvendar os meandros lingüísticos e estéticos da obra; serve-nos aqui apenas como contraponto de referência de nosso assunto. Da fluída mesa de trabalho de Bonavena, mestre do descricionismo, ele e o cronista Bustos Domecq fornecem elementos suficientes para situar o leitor comum, o homem massa, em um plano de relativa compreensão.Sobra-me (abandono o plural do pronome ao mesmo tempo em que descarto as mesas narradas para assumir, só e desarmado – correlação coerente do ponto de vista óptico e narrativo – o objeto proposto por Dubuffet) a obra em questão: Móveis e objectos, 1952 (sic) reproduzida em livro editado em Portugal, como a grafia deixa evidente (Grandes pintores do século XX, Globus, 1996), mas impresso em Barcelona.

O quadro (óleo sobre Isorel, 92 x 122 cm. Fundação Jean Dubuffet, Périgni–sur-Yerres.) apresenta três figuras da mesma cor sobre fundo escuro As cores variam segundo estejam impressas em papel ou reproduzidas pela luz do computador. A figura maior ocupa o centro da obra e sobre ela – dentro dela – objetos menores – “copo” e “despertador” (o título nos obriga a vislumbrar objetos familiares) – denunciam sua função de mesa. À esquerda do espectador uma superfície mais estreita na mesma tonalidade sugere um cavalete de pintor e algo que poderia ser a tela “em branco”, embora onde se deveriam ver as hastes do tripé uma inesperada transformação do design sugira pernas humanas. Do lado direito outra forma – quadrúpede – indica que deve ser uma cadeira, o respaldo torto e a vizinhança com a mesa sugere esta identidade, caso contrário poderia ver-se outra mesa: criado mudo ou mesa de sala.

O objeto maior – a mesa – pela violação da perspectiva descricionista ganha características zoológicas. Intuo bovino decapitado, a cabeça decepada pela margem do suporte. Vista deste modo a cadeira é seu filhote e o copo e o relógio selo com que se marca o gado, a própria disposição deles – no “quarto traseiro” – reforça a idéia. Continuando a observação por este corte, a figura da esquerda – cavalete – adquire dimensão e densidade humanas – também decapitada, pois se tem pescoço e até gola (nesta espécie de grampo que segura a tela por cima aparece a enigmática inscrição ENCRA: tinta de escrever ou imprimir. – S. Burtin-Vinholes: Dicionário francês-português/portugês-francês, Globo, 1951), falta-lhe a cabeça que as justifique. Neste contexto o quadro tem novo significado: cena bucólica: recolhimento do gado em fim de tarde. Camponês e reses rumo ao curral da fazenda poderia ser o título, caso o autor fosse Corot (Jean Baptiste Camille; Paris, 1796 – Ville d’Avrey, 1875) ou Courbet (Gustave; Ornans, 1819 – La Tour-de-Peliz, 1877).

A presença viva do tampo da mesa – corpo de rês – é tão forte que não sinto a ausência das cabeças das três figuras/personagens. A forma menor – cadeira/ filhote – também partilha desta circunstância. Sendo francesa a obra, posso imaginar que se trate de uma cena de fins do século XVIII: Retrato de família?

 

Os três pintores mencionados neste artigo têm nacionalidade francesa, escolha que revela o desejo do autor de não invadir outras geografias, a menos que oculte (três?) intenções diversas.

A tríade é um Meio e Analogia porque todas as comparações consistem em três termos, pelo menos, e as analogias eram chamadas de meios pelos antigos.

             O cão de Plutão, Cérbero, tinha três cabeças.

            Três coisas melhoram o homem: uma boa casa, uma esposa bonita e uma boa mobília. (Sublinhados nossos.)

(Por se tratar de citação de obra esotérica, o autor declina, excepcionalmente, seu saudável hábito de fornecer a fonte. Nota do compilador.) (1)

Dubuffet disse a respeito da série Mesas-paisagens […] uma mesa não é só um pedaço de terreno, mas está povoado de factos: não são os que pertencem à vida da própria mesa como outros que, misturados com estes, ocupam o pensamento do homem e que este projecta sobre a sua mesa no momento em que a olha. (op.cit.)

O pintor reconhece que sua obra é ambígua, mas já foi dito que em arte a ambigüidade é uma riqueza. Acredito que o meu olhar não distorce nem deturpa a proposta do artista, antes a confirma. Se ele vê paisagem, o olhar-pensamento que projeto sobre a imagem sugere gado; em todo o caso ver Mesa e outros objectos neste quadro é tão subjetivo quanto ver gado/paisagem. A obra – que não depende do título – é um convite à imaginação, não reprodução do cotidiano (a observação cotidiana dos objetos). A rica, porém discreta textura de toda a superfície desta pintura prende o meu olhar com o mesmo poder hipnótico do fogo, da água e das nuvens, revelando sua raison d’étre.

A Mesa de Francis Ponge – sessenta e sete páginas. Nas páginas 33 e 48 v. do original, 243 e 275 respectivamente, da edição brasileira, há apenas uma linha, várias outras são quase tão ermas quanto elas – e os improváveis seis volumes sobre o ângulo Nor-noroeste da escrivaninha de Ramón Bonavena documentam estas viagens ao centro – essência – da imaginação intelectual. Quanta documentação seria necessária para comprimir, com o dom da síntese, um lápis Goldfaber 873 em vinte e nove páginas in octavo (sic)!

 

A mesa é dos objetos mais afáveis, maternal, poder-se-ia dizer, sobre o qual convêm não repisar muito.

É provável que esta obra de Jean Dubuffet não precise do meu comentário (redutor, como todo comentário de uma imagem), contudo, creio que nada impede a um observador o registro de suas ambíguas impressões dela.

 

 

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1 – Com o intuito de oferecermos aos leitores que prestigiam nossa casa editorial obras de envergadura duradoura in totum, não aquiescemos a publicar este ensaio antes de verificarmos todas as suas instâncias. Nossas pesquisas nos levaram ao título sonegado. Trata-se de Os poderes ocultos dos números; RJ, Ediouro, 1987, de autoria de W. Wynn Westcott (o três W), Supremo Mago da Ordem Rosa-Cruz da Inglaterra. Pelo que nos consta e apesar da analogia, este(s) três W nada tem a ver com a mesma tríade da internet cujo significado desconhecemos visto sermos profissionais à respeitável maneira de Gutenberg. (Nota do Editor à guisa de epílogo)(2)

2 – Alguém chamou o autor anônimo de Três Mesas de contador de piadas bibliográficas. Pela nota precedente parece que não é bem assim. PALAVRAS, TODAS PALAVRAS estampou a pequena jóia sem qualquer ressalva, e é bem conhecida a responsabilidade que norteia este site. Enfim, prefiro deixar nas mãos da posteridade e do ilustre leitor a solução final deste nó górdio, para não dizer a última palavra. (Comentário no site mencionado de Jorge Lescano, remetente da miniatura literária em questão.)

Paul Aussaresses, o general francês que veio ensinar a torturar no Brasil – por eduardo febbro / paris.fr

O general francês Paul Aussaresses, promotor do uso da tortura na guerra colonial da Argélia, foi adido militar no Brasil entre 1973-1975 e instrutor no Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), em Manaus, criado por oficiais brasileiros formados na não menos famosa Escola das Américas. Amigo do ditador João Figueiredo e do delegado Sérgio Fleury, Aussaresses já admitiu em livros e entrevistas a morte de um mulher sob tortura em Manaus, que teria vindo ao Brasil para espionar Figueiredo, e que a ditadura brasileira participou ativamente do golpe contra Allende.

Paris – “A tortura é eficaz, a maioria das pessoas não aguenta e fala. Depois, da maioria dos casos, nós os matávamos. Por acaso isso me colocou problemas de consciência? Não, a verdade é que não”. O autor dessa “confissão” é uma peça-chave da estratégia repressiva de prisões, torturas e desaparecimentos aplicada no sul da América Latina a partir dos anos 70. Trata-se do general francês Paul Aussaresses, ex-adido militar francês no Brasil (1973-1975), chefe do batalhão de paraquedistas, ex-combatente na Indochina, ex-membro da contra espionagem francesa, herói da Segunda Guerra Mundial, fundador do braço armado dos serviços especiais, promotor do uso da tortura durante a guerra colonial na Argélia e, sobretudo, instrutor das forças especiais norte-americanas em Fort Bragg, o famoso centro de treinamento da guerra contra insurgente, e no Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), em Manaus, criado por oficiais brasileiros formados na não menos famosa Escola das Américas, onde se formaram todos os militares latino-americanos que cobriram de sangue os anos 60, 70 e 80.

Paul Aussaresses é uma das espinhas dorsais da exportação da tortura edos desaparecimentos, dois modelos herdados da guerra da Indochina a da Argélia e difundidos depois em todo o continente americano por um compacto grupo de oficiais francesas do qual Aussaresses foi um dos mais ativos representantes. Paul Aussaresses abriu muitos de seus segredos em várias ocasiões: em 2000, em uma explosiva entrevista publicada pelo Le Monde, onde reconheceu o uso da tortura; em três livros, “Não disse tudo, últimas revelações a serviço da França” (2008), “Serviços especiais, Argélia 1955-1957, meu testemunho sobre a tortura” (2001), “Por França, serviços especiais 1942-1954” (2001); e ainda em um documentário filmado em 2003 por Marie-Monique Robin, “Esquadrões da Morte, a escola francesa” (ver vídeo acima).

O fio condutor desta internacional da tortura da qual Aussaresses é um dos braços começa na Indochina, segue na Argélia e termina com o Plano Condor, cuja gestação, através de uma longa série de reuniões entre os militares da América do Sul e os instrutores franceses, se gestou entre 1960 e 1974. Sua primeira estrutura se chamou Agremil. O general francês expandiu pelo mundo os ensinamentos de um dos papas da guerra moderna: o tenente coronel Roger Trinquier, o maior teórico da repressão em zonas urbanas: torturas, incursões noturnas, desaparecimentos, busca da informação por todos os meios, operações de vigilância, divisão das cidades em zonas operacionais.

Em seus anos de adido militar no Brasil, Paul Aussaresses foi, segundo suas próprias palavras, um “bom amigo” de João Baptista Figueiredo, ex-ditador e ex-chefe dos serviços secretos, o SNI, e também de Sérgio Fleury, chefe dos “esquadrões da morte”.

Em seu período como instrutor no CIGS, em Manaus, ensinou aos oficiais brasileiros e latino-americanos que faziam formação ali tudo o que havia feito na Argélia. Segundo o general francês o embaixador francês daquela época, Michel Legendre, estava perfeitamente a par do que ele fazia em Manaus.

Segundo precisou Aussaresses, no CIGS se formaram “oficiais brasileiros, chilenos, argentinos e venezuelanos porque era um centro único na América Latina”. Como prova disso, no documentário de Marie-Monique Robin “Esquadrões da Morte, a Escola Francesa”, o chileno Manuel Contreras, chefe da DINA, reconheceu ter enviado a cada dois meses contingentes inteiros de agentes da DINA para o centro de treinamento brasileiro em Manaus. Paul Aussaresses também trabalhou na Escola de Inteligência de Brasília, onde formou muitos oficiais.

Entrevistado pela Folha de São Paulo em 2008, o general se mostrou mais loquaz do que quando o juiz francês Roger Leloir o interrogou a propósito de seu conhecimento do Plano Condor e das atividades dos conselheiros militares franceses na Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil. Na entrevista à Folha de São Paulo, Aussaresses reconhece que o Brasil participou ativamente do golpe militar contra o presidente chileno Salvador Allende mediante o envio de armas e aviões. Também evoca o que já havia contado em seu último livro, “Não disse tudo, últimas revelações ao serviço da França”, a saber, a morte sob tortura, em Manaus, de uma mulher que, segundo João Figueiredo, havia vindo ao Brasil para espioná-lo. O general francês assegura que a morte daquela mulher foi “um ato de defesa”.

Para Aussaresses, “a tortura se justifica se pode evitar a morte de inocentes”. Aussaresses não foi o único militar de alta patente que confessou o recurso sistemático da tortura durante a guerra colonial da Argélia e, particularmente, no que ficou conhecido como “A Batalha de Argel”. Esses episódios de tortura foram amplamente narrados pelo jornalista e político franco-argelino Henri Alleg em vários livros, entre eles “Guerre d’Algérie: Mémoires parallèles”. O que Alleg conta ocorreu quando o general Jacques Massu foi enviado para a Argélia e começou a aplicar a estratégia do terror. Massu foi o segundo oficial a confessar o que mais tarde se expandiria pelo sul da América.

Tradução: Katarina Peixoto

Paca, tatu, cutia não! – por olsen jr. / rio negrinho.sc

Prometi que não ia falar sobre o assunto, mas não resisto. A notícia da separação daquela artista e modelo, depois de oito “longos” meses de casamento me faz lembrar a história de duas amigas que se encontraram num shopping após quase 15 anos sem se ver.

– Olá querida, quanto tempo?

“Muito tempo mesmo”, pensou a outra, fazendo um breve cálculo, mentalmente, enquanto procurava o que dizer.

– Como você está bem…

Surpreendida com aquele encontro, nem pôde dimensionar o elogio que recebia, mas estava atenta à indumentária da amiga. Não tinha muita noção de etiqueta; intuia, entretanto, que aquele vestido negro não era a roupa mais adequada para se usar em uma tarde de um dia de semana para simples compras.

– Qual é a fórmula para permanecer jovem assim?

As palavras saíam em golfejos, como se tivessem ensaiadas durante muito tempo apenas para preencherem aquelas ocasiões.

“Muito trabalho… muito trabalho”, pensou, sem no entanto dizer nada. A amiga parecia não lhe querer ouvir.

– Mas que blazer bonito este seu, onde você comprou?

“Pois agora”, pensou, fazia pelo menos dez anos que tinha aquela roupa, não percebia nada de mais, era comum. O que será que ela estava pretendendo?

– Você está bem mesmo, hein? Sempre invejei esta sua postura, tudo o que você veste fica muito bem.

Enquanto ela falava, não pôde deixar de observar aquele batom vermelho carregado, o que tornava a boca da amiga uma provocação desnecessária.

– Há! – exclamou – como tudo isso me cansa.

E aquela sombra no olho? O conjunto era por demais chamativo.

– Estou aqui há três horas e não gastei ainda os R$ 2 mil que ganhei ontem.

Como havia mudado, não parecia ser a mesma com quem convivera em outros tempos.

– Você casou? Tem filhos? Como está a vida?

Ela falava muito rápido, em pequenos arranques, olhando para os lados, como se estivesse fazendo um esforço por estar ali, tendo de bancar aquela “quase obrigação” de conversar e ser agradável. Fez menção de responder, mas a amiga insistia com outras referências.

– Eu consegui ficar casada por três meses, imagina, não sirvo para ficar fechada num apartamento, não dou para a coisa, entende? Quer dizer, dar eu dou, mas não… você sabe? Perguntou sorrindo e revelando os dentes (outrora brancos) com a cor amarelada da nicotina levemente pigmentada com o vermelho do batom.

A amiga tinha mudado muito, percebia sem esforço, punha um toque de vulgaridade em tudo o que fazia, falava ou gesticulava, parecia muito confiante na beleza do rosto ou do corpo, o quê, apesar da idade (faziam aniversário no mesmo mês, dezembro, e do mesmo ano, 53), sabia-o ainda era cobiçado.

– Gosto da vida que levo, sem horário para acordar, sem compromisso para fazer ou deixar de fazer isso ou aquilo, sem explicar nada para ninguém. Vou onde quero, à hora que quero, com quem eu quero. Ganho meu dinheiro, não devo nada para ninguém. Viajo, passeio, tenho minhas aventuras… tudo sem compromisso. Quem quiser, tem de me aceitar como sou, livre, desimpedida, sexy, gostosa, cheia de vida, romântica, sonhadora, com tudo para ser “curtido” ainda… Ah! Quer saber se sou feliz? E como, querida… A propósito, fale um pouco de você.

Dizer o quê? Não sabia por onde começar, principalmente porque todo aquele interesse parecia falso.

– Não vejo a hora, interrompe a amiga, de chegar em casa, ligar a banheira, encher de sais, e me deitar naquela espuma… sei que deve ter pelo menos dois buquês de flores, cartões apaixonados, de admiradores que não dou a mínima, mas faço com que pensem serem especiais, serem únicos, todos os homens gostam… como são tolos estes homens. Suspirou, e como se lembrasse de algo, repetiu:

– E você, querida? Fale de você, o que tem feito?

Compreendendo o cinismo de tudo aquilo e no que sua amiga se transformara, não teve dúvidas:

– Ah! Eu… Bem, eu também sou puta!

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NOTAS:

Vai a da semana com o carinho de sempre…

A música poderia ser esta…

http://www.youtube.com/watch?v=ifMuAvaPOd0&feature=related

O “Trio Galleta” foi uma banda argentina fundada em 1969…

Iniciaram fazendo covers (Creedence, Ray Charles) depois criaram o seu próprio som…

A música “I’m so Happy” gravada em 1972 foi uma das mais tocadas no Brasil, deixando o Rei Roberto Carlos em segundo lugar…

Teve uma versão “Sou Feliz” feia por “The Fevers” que também emplacou…

Só para “matar” a saudades…

FHC vai aos EUA falar mal do Brasil, receber US$ 1 milhão e defender um golpe – por altamiro borges / são paulo.sp

 

As declarações de FHC nos Estados Unidos agradaram os ‘paladinos da democracia estadunidense’ e os golpistas do Paraguai

FHC recebe prêmio Kluge

FHC recebe prêmio Kluge. Imagem: Reprodução

 

No covil do império, bem ao seu gosto, o ex-presidente FHC atacou ontem o ingresso da Venezuela no Mercosul, argumentou que não houve golpe no Paraguai e criticou a exclusão dos golpistas do bloco de integração sul-americana. Fernando Henrique Cardoso foi a Washington receber o Prêmio Kluge de US$ 1 milhão da Biblioteca do Congresso dos EUA em “reconhecimento à sua obra acadêmica”.

Em entrevista coletiva, FHC afirmou que “não houve arranhão à Constituição paraguaia” no impeachment sumário de Fernando Lugo e que a deposição seguiu as normas democráticas. “Você pode discutir se houve ampla liberdade de defesa. Quem discute isso? As cortes paraguaias. O limite entre você manter a regra do jogo e a ingerência é delicado”.

O ex-presidente tucano ainda afirmou que a política da Dilma de proteger a indústria nacional é um “protecionismo” absurdo, esquecendo que em seu governo a indústria foi praticamente destruída pelo câmbio falso.

Brasileiros têm quarta maior fortuna do mundo (fruto do roubo) em paraísos fiscais

Relatório destaca o impacto sobre as economias dos 139 países mais desenvolvidos da movimentação de dinheiro enviado a paraísos fiscais

Um estudo inédito, que, pela primeira vez, chegou a valores depositados nas chamadas contas offshore sobre as quais as autoridades tributárias dos países não têm como cobrar impostos, mostra que os super-ricos brasileiros somaram até 2010 cerca de US$ 520 bilhões (ou mais de R$ 1 trilhão) em paraísos fiscais. Trata-se da quarta maior quantia do mundo depositada nesta modalidade de conta bancária.

O documento The Price of Offshore Revisited, escrito por James Henry, ex-economista-chefe da consultoria McKinsey, e encomendado pela Tax Justice Network, cruzou dados do Banco de Compensações Internacionais, do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial e de governos nacionais para chegar a valores considerados pelo autor.

O relatório destaca o impacto sobre as economias dos 139 países mais desenvolvidos da movimentação de dinheiro enviado a paraísos fiscais. Henry estima que, desde os anos 1970 até 2010, os cidadãos mais ricos desses 139 países aumentaram de US$ $ 7,3 trilhões para US$ 9,3 trilhões a “riqueza offshore não registrada” para fins de tributação.

A riqueza privada offshore representa “um enorme buraco negro na economia mundial”, disse o autor do estudo. Na América Latina, chama a atenção o fato de, além do Brasil, países como o México, a Argentina e a Venezuela aparecerem entre os 20 que mais enviaram recusos a paraísos fiscais.

John Christensen, diretor da Tax Justice Network, organização que combate os paraísos fiscais e que encomendou o estudo, afirmou BBC Brasil que países exportadores de riquezas minerais seguem um padrão. Segundo ele, elites locais vêm sendo abordadas há décadas por bancos, principalmente norte-americanos, para enviarem seus recursos ao exterior.

— Instituições como Bank of America, Goldman Sachs, JP Morgan e Citibank vêm oferecendo este serviço. Como o governo americano não compartilha informações tributárias, fica muito difícil para estes países chegar aos donos destas contas e taxar os recuros— afirma.

Segundo o diretor da Tax Justice Network, além dos acionistas de empresas dos setores exportadores de minerais (mineração e petróleo), os segmentos farmacêutico, de comunicações e de transportes estão entre os que mais remetem recursos para paraísos fiscais.

— As elites fazem muito barulho sobre os impostos cobrados delas, mas não gostam de pagar impostos — observa Christensen.

— No caso do Brasil, quando vejo os ricos brasileiros reclamando de impostos, só posso crer que estejam blefando. Porque eles remetem dinheiro para paraísos fiscais há muito tempo — acrescentou.

Chistensen diz ainda que no caso do México, da Venezuela e da Argentina, tratados bilaterais como o Nafta (tratado de livre comércio EUA-México) e a ação dos bancos americanos fizeram os valores escondidos no exterior subirem vertiginosamente desde os anos 70, embora “este seja um fenômeno de mais de meio século”. O diretor da Tax Justice Network destaca que há enormes recursos de países africanos em contasoffshore.

AGÊNCIA BRASIL

188 anos da imigração alemã – dia 25 de julho de 1824 / por paulo timm – portugal.pt

 

Há 188 anos, dia 25 de julho de 1824, 39 colonos alemães chegavam  à Feitoria do Linho Cânhamo, oriundos do veleiro Anna Louise,  dando início à aventura da imigração teuta no Rio Grande do Sul. Este dia ficou consagrado, no Brasil, como o “DIA DO COLONO”, hoje pouco lembrado. Seus nomes ficaram registrados  e se encontram na obra de  Telmo Lauro Müller- UM MARCO NA HISTÓRIA GAÚCHA.

Eu tenho a honra de ser o sexto na descendência de um deles – o Patriarca Heinrich Timm. Meu pai  era Olacyr e meu avô Álvaro, com o qual convivi até sua morte, em 1954;  os “bisas” foram  Vô Andréa, de quem só ouvi falar, quem saiu da colônia para lutar na Guerra contra Rosas, no Uruguai, no início de 1850 acabou  em Santa Maria, onde fez família. Seu pai era  André, filho do Patriarca,  dele já nascido em terras brasileiras.  Digo-os como homenagem a todos aqueles bravos  homens contratados por um agente do Governo brasileiro, o major  Von Schafer,  que estava no Brasil desde 1814 e que veio cair nas boas graças da  Princesa austríaca D. Leopoldina, filha do Imperador Francisco I , da Áustria,  quando esta, casando-se com  Dom Pedro I, veio para o Brasil.

Fala-se em imigração alemã para o Rio Grande do Sul, mas, na verdade, àquela época não havia uma Alemanha unificada. Naquela região pululavam diversos reinos e ducados. A Áustria, porém, de origem também germânica, era o centro do mundo, depois de ter derrotado Napoleão e congelado seu internacionalismo militante de boca de canhão. Ela comandara no continente europeu, a realização do Congresso de Viena, em 1815 – http://pt.wikipedia.org/wiki/Congresso_de_Viena–  e, desde essa cidade comandava a reconstrução conservadora das áreas devastadas pelas guerras. Não permitia, sob hipótese alguma, o recrutamento de soldados, com medo de uma recidiva belicista, mal desconfiando que, a partir daquele momento, o perigo não seria mais externo, mas interno. Em 1848, várias cidades europeias seriam varridas por revoluções sangrentas. A proletarização das cidades inchadas  com o advento da era industrial e  a inflamação do discurso iluminista,transbordando para o socialismo,  estava num curso inarredável.

A difícil missão de angariar colonos e contratar soldados alemães para os Batalhões de Estrangeiros do Brasil, coube ao Major Johann Anton von Schaeffer, que havia chegado ao Brasil em 1814 e conseguido granjeara amizade de D. Leopoldina, pelo interesse de ambos nas ciências naturais.

De posse de uma procuração que o nomeava de “Agente de afazeres políticos do Brasil”, Schaeffer encontrou inicialmente grandes dificuldades em contratar soldados na Alemanha. A exportação de soldados era proibida, desde o Congresso de Viena em 1815, pois as grandes potências europeias ( Prússia, Inglaterra, Áustria e Rússia) não permitiriam o surgimento de um outro “Napoleão” no mundo, e , D. Pedro I, com a independência do Brasil foi considerado um usurpador do poder, um rebelde que traíra o pai.

(http://www.marquardt.com.br/hist_imigr6.htm)

 

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Formou-se na UFRGS – Economia,

Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA
Técnico de Planejamento · Brasília

O BLUES NASCENDO…

O BLUES NASCENDO!

O blues é filho africano em terras americanas – nasceu do grito vindo dos campos, nasceu da dor, do movimento sincronizado do trabalho pesado, nasceu, sobretudo, pela necessidade de se libertar, de se fazer ouvir… entre os anos 20 e 30, Charley Patton, Blind L. Blake e Robert Johnson ajudaram no parto, fizeram-lhe as honras da casa e saíram em digressão por todo o sul, para apresentarem a mais nova criação. E os bons ventos encarregaram-se de o transportar a Chicago e Detroit, onde foi muito bem recebido. Nos anos 40 e 50, identificado e registrado já tinha um nome, conhecido nacionalmente. Muddy Waters, J.Lee Hoocker, Howlin Wolf e Elmore James confraternizam a passagem do ilustre visitante no Mississipi Delta Blues, acrescentando-lhe um cadenciado que o tornam irresistível. A corrente blues continua, a viagem prossegue – em Houston, T-Bone, abraça a mais nova paixão. Já robusto, formoso e bem dotado, a chegada a Memphis foi triunfal – alguém, ansiosamente, o esperava. Emocionado, diante de BB King, o jovem Blues deposita-lhe uma guitarra nos braços e diz – esta é minha casa, agora tu és Rei!

 

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INCONFIDÊNCIAS, INCONVENIÊNCIAS – por amailcar nevesw / ilha de santa catarina.sc

 

– Não deviam permitir que envelhecesse! – Ela disparou, os olhos injetados.

– Fazer o que? – Ele contrapôs. – Se as pessoas não morrem, elas envelhecem.

– Nem tolerar que chegassem jamais perto de qualquer igreja! As religiões, todas, não fazem mais do que amolecer o caráter e curvar a espinha! Tarefa ainda mais fácil se o elemento se tornou um velho: por idade, por escassez de saúde ou por opção de vida – Ela ignora o comentário que Ele fez.

– Como se fosse fácil tratar todo mundo com o suprassumo da gerontologia. Como se fosse só lhes dar pílulas da eterna juventude – Ele resmunga.

– Não se trata disso, não te faças de desentendido – agora Ela o escutou. – Como é que sempre se fez? Como é que sempre se evitaram os conflitos potencialmente comprometedores?

– Aposentando compulsoriamente com vencimentos integrais? – Ele arrisca. – Dando férias perpétuas como adido cultural da Embaixada na Letônia? Internando num manicômio judicial?

– Eu é que ainda vou acabar um dia te internando num manicômio! – Ela explode. E suavizando em seguida o tom da voz e a rudeza do rosto: – Parece que hoje nasceste só pra me contrariar, só pra me irritar. Qual foi o bicho que te mordeu?

– Acho que andas meio nervosa – Ele apalpa cuidadosamente o caminho, as palavras, o sorriso desenxabido.

– E não hei de andar?! Não viste isso, por acaso? Então não precisavas nem perguntar – Ela mal se contém. – Não podiam permitir que gente assim envelhecesse!

– E fazer o que com elas? – Ele decide ser direto.

– O que sempre fizeram, o que sempre fizemos: matá-las antes de entrarem na imbecilidade, antes de saírem por aí dizendo asneiras, antes de apanharem um microfone para pregar a palavra de Deus. Neopastores neoevangélicos de almas arrependidas, bah! Fizeram o que fizeram de livre e espontânea vontade, porque acreditavam no que faziam e ganhavam muito dinheiro para fazer tudo direitinho e, depois de velhos, saem-se com essa de consciência, reconciliação e busca pela paz. – Furiosa, Ela: – Deveriam é ter buscado a paz eterna no momento em que ainda estavam lúcidos, isto é que sim!

– O General teu pai, com todo o respeito, deve estar agora se revirando no túmulo – Ele enfim concorda com Ela.

– O General – que Deus o tenha! – teria resolvido isso há muito. Assim que esse delegadinho de Guerra abrisse o caderno para escrever a primeira palavra, a primeira letra do título do livro, ele teria deixado de ser gente, de ser deste mundo – Ela continua exaltada. – Não fizeram o que Papai teria feito de imediato para preservar a pele e a memória de todos, e o que acontece? O que acontece, hem?

– O General é citado no livro com todas as letras do nome, na patente de Coronel, como torturador, assassino e incinerador de cadáveres numa usina de açúcar em Campos dos Goitacazes – Ele fala como se tivesse decorado o texto.

– Isso mesmo! – Ela aplaude, entusiasmada. – Isso mesmo! E, no entanto, ele apenas honrava seu juramento de defender a Pátria contra o inimigo, contra esses solertes lacaios pagos com o ouro de Moscou! Se o Alto Comando fraquejava, o General impunha sua linha, dura porém eficaz, e o Brasil tornou-se um oásis de paz e prosperidade num mundo mergulhado em sabotagens, greves, atentados, conflitos internos e guerras fratricidas.

– É verdade – Ele parece perplexo. – Como é que falharam assim, deixando vivo um delegado do DOPS que sabia de coisas para abrir o bico? Será que foi só porque ele vivia meio escondido lá no Espírito Santo?

 AMILCAR NEVES  é membro da ACADEMIA CATARINENSE DE LETRAS.

EL CONDOR PASA em quechua e espanhol

UM clique no centro do vídeo:

 

MELODÍA COMPUESTA POR EL GRAN COMPOSITOR Y ADEMAS FOLCLORISTA PERUANO DANIEL ALOMIAS ROBLES EN 1913.

Esta melodía en ritmo DE \”CASHUA\” aparece en la Zarzuela el CONDOR PASA. En 1970 el estadounidense Paul Simon con el grupo Los Incas realizó una versión de la canción con letra en inglés, escrita por Simon bajo el nombre de \”El Condor Pasa (If I Could)\”. la presente interpretacion es del grupo peruano WAYNAPICHU en Alemania, las letras y melodia son de la obra original pero modificado con el toque andino con los instrumentos andinos característicos y en quechua. Nota: La CASHUA es una danza similar al HUAYNO y es legado de los INCAS y es musica andina del Peru parte de su floclore. Notese 5:35 minutos

O artista visual JUAREZ MACHADO de Paris para a Ilha de Santa Catarina:

o poeta e webeditor J  B  VIDAL  e o artista visual, residente em Paris e consagrado internacionalmente, JUAREZ MACHADO em divertido momento durante a exposição de suas telas  no MASC  – Museu de Arte de Santa Catarina – em 19 de julho de 2012. foto de Rô Stavis.

COMO SE MANIPULA A INFORMAÇÃO – por mário augusto jakobskind / são paulo.sp

 

 

Não é de hoje que vários pensadores sérios estudam o mecanismo da manipulação da informação na mídia de mercado. Um deles, o linguista Noam Chomsky, relacionou dez estratégias sobre o tema.

Na verdade, Chomsky elaborou um verdadeiro tratado que deve ser analisado por todos (jornalistas ou não) os interessados no tema tão em voga nos dias de hoje em função da importância adquirida pelos meios de comunicação na batalha diária de “fazer cabeças”.

Vale a pena transcrever o quinto tópico elaborado e que remete tranquilamente a um telejornal brasileiro de grande audiência e em especial ao apresentador.

O tópico assinala que o apresentador deve “dirigir-se ao público como criaturas de pouca idade ou deficientes mentais. A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discursos, argumentos, personagens e entonação particularmente infantil, muitas vezes próxima da debilidade, como se o espectador fosse uma pessoa de pouca idade ou um deficiente mental. Quanto mais se tenta enganar o espectador, mais se tende a adotar um tom infantil”.

E prossegue Chomsky indagando o motivo da estratégia. Ele mesmo responde: “se alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos ou menos, então, por razão da sugestão, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos”.

Alguém pode estar imaginando que Chomsky se inspirou em William Bonner, o apresentador do Jornal Nacional que utiliza exatamente a mesma estratégia assinalada pelo linguista.

Mas não necessariamente, até porque em outros países existem figuras como Bonner, que são colocados na função para fazerem exatamente o que fazem, ajudando a aprofundar o esquema do pensamento único e da infantilização do telespectador.

De qualquer forma, o que diz Chomsky remete a artigo escrito há tempos pelo professor Laurindo Leal Filho depois de ter participado de uma visita, juntamente com outros professores universitários, a uma reunião de pauta do Jornal Nacional comandada por Bonner.

Laurindo informava então que na ocasião Bonner dissera que em pesquisa realizada pela TV Globo foi identificado o perfil do telespectador médio do Jornal Nacional. Constatou-se, segundo Bonner, que “ele tem muita dificuldade para entender notícias complexas e pouca familiaridade com siglas como o BNDES, por exemplo. Na redação o personagem foi apelidado de Homer Simpson, um simpático mas obtuso personagem dos Simpsons, uma das séries estadunidenses de maior sucesso na televisão do mundo” 

E prossegue o artigo observando que Homer Simpson “é pai de família, adora ficar no sofá, comendo rosquinhas e bebendo cerveja, é preguiçoso e tem o raciocínio lento

Para perplexidade dos professores que visitavam a redação de jornalismo da TV Globo, Bonner passou então a se referir da seguinte forma ao vetar esta ou aquela reportagem: “essa o Hommer não vai entender” e assim sucessivamente.

A tal reunião de pauta do Jornal Nacional aconteceu no final do ano de 2005. O comentário de Noam Chomsky é talvez mais recente. É possível que o linguista estadunidense não conheça o informe elaborado por Laurindo Leal Filho, até porque depois de sete anos caiu no esquecimento. Mas como se trata de um artigo histórico, que marcou época, é pertinente relembrá-lo.

De lá para cá o Jornal Nacional praticamente não mudou de estratégia e nem de editor-chefe. Continua manipulando a informação, como aconteceu recentemente em matéria sobre o desmatamento na Amazônia, elaborada exatamente para indispor a opinião pública contra os assentados.

Dizia a matéria que os assentamentos são responsáveis pelo desmatamento na região Amazônica, mas simplesmente omitiu o fato segundo o qual o desmatamento não é produzido pelos assentados e sim por grupos de madeireiros com atuação ilegal.

Bonner certamente orientou a matéria com o visível objetivo de levar o telespectador a se colocar contra a reforma agrária, já que, na concepção manipulada da TV Globo, os assentados violentam o meio ambiente.

Em suma: assim caminha o jornalismo da TV Globo. Quando questionado,  a resposta dos editores é acusar os críticos de defenderem a censura. Um argumento que não se sustenta.

A propósito, o jornal O Globo está de marcação cerrada contra o governo de Rafael Correa, do Equador, acusando-o de restringir a liberdade de imprensa. A matéria mais recente, em tom crítico, citava como exemplo a não renovação da concessão de algumas emissoras de rádio que não teriam cumprido determinações do contrato.

As Organizações Globo e demais mídias filiadas à Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) raciocinam como se os canais de rádio e de televisão fossem propriedade particular e não concessões públicas com normas e procedimentos a serem respeitados.

Em outros termos: para o patronato associado à SIP quem manda são os proprietários, que podem fazer o que quiserem e bem entenderem sem obrigações contratuais.

No momento em que o Estado fiscaliza e cobra procedimentos, os proprietários de veículos eletrônicos de comunicação saem em campo para denunciar o que consideram restrição à liberdade de imprensa.

Os governos do Equador, Venezuela, Bolívia e Argentina estão no índex do baronato midiático exatamente porque cobram obrigações contratuais. Quando emissoras irregulares não têm as concessões renovadas, a chiadeira do patronato é ampla, geral e irrestrita.

Da mesma forma que O Globo no Rio de Janeiro, Clarin na Argentina, El Mercurio no Chile e outros editam matérias com o mesmo teor, como se fossem extraídas de uma mesma matriz midiática.

 

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MÁRIO AUGUSTO JACOBSKIND

É correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, Dossiê Tim Lopes – Fantástico/IBOPE

JUAREZ MACHADO na Ilha de Santa Catarina dia 19 de julho de 2012.

LOTA MONCADA convida: curitiba.pr

BAGÉ convida:

Cesar Maia ronda os quartéis – por mauricio dias. são paulo.sp

15.07.2012 09:52

Festa nordestina. Até aqui a vã tentativa de imitar Carlos Lacerda. Foto: Reprodução

Nas últimas semanas, o ex-prefeito carioca Cesar Maia assumiu de vez o papel de carpideira de quartéis, para citar expressão usada, nos anos 1960, para identificar políticos envolvidos em golpes militares. Maia tem agido assim. Sistematicamente, vem fazendo denúncias contra ações do governo da presidenta Dilma Rousseff. Para isso ressuscita fantasmas usados contra o presidente Goulart, derrubado no golpe de 1964.

Maia adapta frases adequadas, a uma “guerra fria” inexistente. Os argumentos dele baseiam-se em decisões do governo interna e externamente. Neste último caso, preferencialmente, sobre as relações institucionais amigáveis do Brasil com a Cuba de Fidel, fantasma de outros tempos, e a Venezuela de Chávez, fantasma recente. Dois exemplos publicados no blog dele: “Terceirização Vermelha: em 2013 chegam ao Brasil 1.500 médicos cubanos contratados.”

A denúncia trata de um acordo entre o Brasil e Cuba. Na Ilha foram desenvolvidas experiências de atendimento médico com bons resultados. Elas serão aplicadas aqui por profissionais cubanos. Um trabalho remunerado. Maia dá um colorido de “ameaça vermelha” revivendo os tempos em que dependuravam adversários políticos em “pau de arara”.

Aspas para ele: “Fatos sucessivos indicam que a formação de Dilma na esquerda revolucionária dos anos 1970 estaria incorporando-se a suas ações e decisões”.

Na busca constante e frenética do denuncismo terrorista, Maia atacou o discurso da presidenta do “1º de Maio” quando ela criticou a resistência do sistema financeiro a baixar as taxas de juro. Ele interpretou isso como “polarização política fácil e… oportunista: Dilma x Banqueiros”.

Para entender o jogo calculado de Cesar Maia, basta lembrar que esse tipo de denúncia tem um público cativo, os militares, muito inquieto neste momento em que são recontadas ou reveladas práticas tenebrosas da ditadura.

Não é uma decisão tresloucada de Maia. É loucura calculada. Em livro publicado nos anos 1990, explicou que fazia política com régua e compasso. Foi naquela época que iniciou caminhada-solo após renegar Leonel Brizola.

Passou, então, a se apresentar como “líder da direita”. Para evitar um choque brusco nos eleitores, fez calculadamente uso de um jogo de vogais, com a mesma preposição e a mesma finalidade, de tornar-se “líder de direita”. Ele mudou de lado. Havia uma vaga desde a morte de Carlos Lacerda (1914-1977). Contingente expressivo de eleitores, homens e mulheres, além de setores militares, era identificado como sendo “viúvas de Lacerda”. Por aí ele abriu caminho e, por duas vezes, conquistou a prefeitura do Rio.

Faltou consistência política, carisma e, inclusive, a qualidade intelectual de Lacerda, um dos maiores panfletários brasileiros para se apresentar como líder de direitas. Maia não teve fôlego para voos mais altos. Quando tentou, em 2010, sofreu uma derrota arrasadora como candidato ao Senado apesar de ter abusado dos gestos populistas em busca de votos. O mais representativo deles foi tentar cantar Asa Branca na feira popular nordestina, no Rio.
Agora, apresenta-se em busca de vaga na Câmara de Vereadores.

A disputa é um esforço de Maia para tentar salvar o que resta do DEM no estado do Rio. Nesse sentido, lançou o filho Rodrigo, deputado federal, a prefeito da cidade. Sem chances. É provável, no entanto, que Maia ganhe sobrevida política como vereador.

Morna, 10ª Flip esquenta no último dia com humor e poesia / paraty.rj

FlipFoi como uma virada no finalzinho do segundo tempo de uma partida de futebol.
Mesas emocionadas do dia final conquistam o público

Aberta na última quarta-feira à noite em Paraty, até ontem a Flip vinha perdendo para a apatia e a mornidão.

Mas o último dia da festa literária, que costuma ser o mais monótono, reuniu dois dos debates mais divertidos e espirituosos da décima edição: o de Fabrício Carpinejar e Jackie Kay e o de Gary Shteyngart e Hanif Kureishi.

Houve também um momento de comoção da plateia, após o poeta Carlito Azevedo ler um poema inédito que fez para Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), o homenageado da festa.

Na verdade, a virada havia começado a se desenhar na noite do sábado, quando os cartunistas Angeli e Laerte divertiram o público presente à Tenda dos Autores com sua sintonia escrachada.

Não que até ali não tivesse havido graça.

Zanone Fraissat/Folhapress
Da esq. p/ dir., o libanês Amin Maalouf, o haitiano Dany Laferrière, a portuguesa Dulce Maria Cardoso, o catalão Enrique Vila-Matas, a cubana Zoé Valdés, o inglês Ian McEwan, o espanhol Javier Cercas, o colombiano Juan Gabriel Vásquez, o brasileiro Luis Fernando Verissimo e a fundadora da Flio, a editora britânica Liz Calder, na mesa "Livro de Cabeceira"
O libanês Amin Maalouf (esq.), o haitiano Dany Laferrière, a portuguesa Dulce Maria Cardoso, o catalão Enrique Vila-Matas, a cubana Zoé Valdés, o inglês Ian McEwan, o espanhol Javier Cercas, o colombiano Juan Gabriel Vásquez, o brasileiro Luis Fernando Verissimo e a fundadora da Flip, a britânica Liz Calder, na mesa “Livro de Cabeceira”

A conferência de Antonio Cicero sobre Drummond na abertura, o debate sobre a morte por Altair Martins, André de Leones e Carlos de Brito e Mello, a mesa sobre Shakespeare com Stephen Greenblatt e James Shapiro e a troca intelectual entre Adonis e Amin Maalouf foram alguns bons momentos.

Mas não houve um nome consagrado pelo público (como Valter Hugo Mãe em 2011 ou Ferreira Gullar e Isabel Allende em 2010) nem confrontos acirrados de ideias, outra marca da festa –no ano passado, o curador criticou um convidado (Claude Lanzmann), que atacara um mediador; em 2010, convidados criticaram o homenageado Gilberto Freyre, e outros, o então presidente Lula.

Ao contrário, a ideia de juntar em várias mesas convidados com afinidade eletivas revelou-se infeliz, com poucos atritos e debates que pareciam papo de comadres.

Mais que isso, as atrações mais esperadas protagonizaram encontros chochos.

Foi assim com o americano Jonathan Franzen, numa mesa em que alternou momentos de leseira e simpatia.

Ou no debate entre Ian McEwan e Jennifer Egan, que se salvou graças a tiradas espirituosas dele, mas ainda assim não passou de mediano.

Para ajudar a transformar o último dia num domingo gordo, a mesa “Livro de Cabeceira”, evento de encerramento em que os convidados leem trechos de seus títulos prediletos (e que normalmente é esvaziado), reuniu neste ano algumas das principais atrações da Flip, como Enrique Vila-Matas, Ian McEwan, Luis Fernando Verissimo e Javier Cercas.

GRACILIANO

Embora a organização da Flip não tenha confirmado, é provável que o autor homenageado da edição de 2013 seja o romancista alagoano Graciliano Ramos (1892-1953).

A informação oficial deve ser anunciada em 45 dias.

O jornalista Miguel Conde será mantido na função de curador para o ano que vem.

De acordo com os organizadores do evento, a edição encerrada ontem levou 25 mil pessoas às ruas da cidade de Paraty durante os cinco dias de festa e teve recorde de participação de público, com 45 mil acessos aos 135 eventos disponíveis.

FABIO VICTOR
MARCO AURÉLIO CANÔNICO
MARCO RODRIGO ALMEIDA
RAQUEL COZER
RODRIGO LEVINO
ENVIADOS ESPECIAIS A PARATY (RJ)

Editoria de Arte/Folhapress

LIVROS – por omar de la roca / são paulo.sp

Livros

Sim.Foi no dia que não acordei encostado.Mas fui revirado e sacudido e conto tudo tim tim por tim tim.Depois que saí do Consulado,passei de raspão de Cultura.E o peso de todos aqueles livros caiu como uma avalanche por cima de mim.Quantos e quantos,incontáveis.E fui colhendo os títulos.Cada um mais estranho que o outro.Destaco apenas um “ A sociedade literária e a torta de casca de batatas.”E me pergunto,como alguém pode dar um nome destes? Bom,ao menos me fez curioso.Mas não o peguei,já que estava na entrada e eu queria ver mais.E aos poucos fui tomado pela imensidão de livros,pela musica de Vivaldi que tentava suavizar a presença atordoante dos livros.Nem que tivesse dez vidas e vivesse cem anos cada, não conseguiria le-los todos.E pensar que um dia eu acreditei que poderia encontrar tudo que eu quisesse nos livros.Os livros,para quem se escreve?Comercialmente ? Sim,é o que desconfio quando vejo aqueles títulos esdrúxulos.Para exorcizar antigos demônios?Sim,aprendi isso com meus contos.Contos ou seja qual for o nome.Que me mostram suas caras de repente e logo se escondem me instigando a descobri-los inteiros dentro de mim e expo-los ao sol.Pobres contos.Quem os lerá?Que eu saiba apenas o espelho,que mantenho suspenso por um fio num quarto espaçoso e arejado e o visito todos os dias.Para aprender alguma coisa aqui,outra ali quando observo meus cabelos que insistem em branquear.Voltando a livraria,percorro meio assustado a galeria repleta.Estranho,não é a primeiras vez que venho aqui e não me senti assim da outra vez.Acho que começo a ver tudo com novos olhos.Acho os livros que queria ler.Ulisses de James Joyce e A Montanha Mágica de Thomas Mann.Mas são tão grossos que compra-los é uma impossibilidade absoluta.Pelo menos agora.E muitos outros desfilam suas capas coloridas,e eu que tenho um fraco por cores,me aproximo para aprecia-las.Vi Jane Austeen e pensei em falar com ela.Mas não quis interromper,que ela estava escrevendo com uma longa pena de pavão.Quase pedi um autografo,mas resolvi não pagar o mico.E a capa do livro dela,um livro chique,bilíngüe me mostrou um lírio que ela trazia escondido. Andei mais um pouco na direção da saída e um livro de lombada azul perdido entre outros me chamou a atenção.Era uma compilação de contos de amor de Gibran.E eu o folheei saboreando os poemas com avidez e me envergonhei com o que escrevera e tentei  guardar alguns de memória para anota-los aqui,mas falhei.O que ficou foi,” se o inverno dissesse que tinha a primavera no coração,alguém acreditaria nele?” De outro só me lembro da essência,falava de falcões presos em gaiolas enquanto viam os passarinhos voando livres pelos céus da campina. Me lembrei então dos meus ventos que  percorriam céleres os campos descampados,as clareiras mágicas onde um beija flor pousou num céu de maio ,ventos que iam colhendo folhas e se desculpando com as arvores,quando em sua pressa quebravam alguns pequenos galhos secos e elas não gostavam.Ventos que circulavam as pedras e as pessoas que se abrigavam em suas roupas,mas não eu que os acolhia com prazer e abria meus braços alegre para que eles me possuíssem por inteiro.E tudo isso abrindo um pequeno livro.Coloquei-o no lugar.Não sei mais se era o lugar que ele estava acostumado.Senão espero que tenha encontrado boa companhia,que ele merece.Fui caminhando devagar pela geleira que eu temia desabasse sobre mim como uma avalanche de papel picado e folhas soltas,perdidas, reviradas e esquecidas.E depois do que li, entre revirado e sacudido me encontrei encantado e encontado e apesar de tudo,cantos e desencontos  achei que valia a pena continuar escrevendo.

Nem que fosse apenas para o espelho que pendurei por um fio,numa parede nua de um quarto amplo arejado.Meus contos serão condenados a serem como uma fonte de água limpa porém escondida entre as pedras,que a poucos,muito poucos mata a sede e mesmo assim tem medo de falhar,de secar e busca incessantemente no seio da terra a água com a qual ira ao menos mitigar a sede de alguns viajores que se arriscarem pelo caminhos pedregosos que levam a ela. E que vê a água secar logo depois que cai,sem ninguém para aproveita-la.Ou devo  aprender a manter a água presa,sem desperdício,nem que faça barreiras com areia,folhas secas, ventos e livros?Que agora,longe da livraria, posso falar deles sem medo de temporais e ventanias.

” C A S L A ” convida para III CEPIAL – curitiba.pr

PARA A FIFA, SOMOS TODOS CORRUPTOS – jamil chade / bélgica

Eu, você, minha avó e mesmo um recem formado cheio de sonhos ainda. Para a Fifa, não há diferença. Somos todos corruptos e equivalentes a “Teixeiras” e “Havelanges”.

Hoje, o Tribunal da cidade suíça de Zug publicou seu processo contra os cartolas brasileiros. R$ 45 milhões em subornos passaram por suas contas em oito anos. Mas o que mais surpreende no documento não são os valores ou a constatação da obviedade da corrupção que envolvia Havelange em seu reinado.

Em um dos trechos, o tribunal relata como os advogados da Fifa tentavam convencer os juizes em uma audiência de que não viam problemas com a atitude de Teixeira e Havelange e alegavam que a proposta da Justiça de que os cartolas devolvessem US$ 2,5 milhões para os cofres da organização seria impossível de ser implementada. Entre os vários motivos para não pedir o dinheiro de volta, os advogados da Fifa apresentaram um argumento surpreendente: o de que a “maioria da população” de países da América do Sul e África tem nos subornos e propinas parte de sua renda “normal”

Cito o trecho completo do argumento dos advogados da Fifa para não ficar dúvida: “Os representantes legais da Fifa são da opinião ainda de que implementar a devolução do dinheiro seria quase impossivel. Eles justificam isso, inter alia, com o argumento de que uma queixa da Fifa na América do Sul ou África dificilmente seria aplicada, já que pagamentos de subornos pertencem ao salário recorrente da maioria da população”.

Ou seja, Teixeira não devolveria o dinheiro porque, em nossa suposta “cultura”, todos temos parte da renda completada por subornos.

Não vamos confundir as coisas. A corrupção existe e é endêmica em nossa região e no Brasil, assim como na África. Mas também existe na civilizada Suíça, na gigante Siemens da Alemanha ou nos EUA.

O que une a muitos hoje em nossa região não é o fato de que recebemos um pedaço de nosso salário em forma de subornos, como insinua a Fifa. O que nos une é hoje a indignação diante dessa realidade e o fato de estarmos exaustos de ver dinheiro público enriquecendo certas pessoas.

Querer agora justificar a dificuldade em receber o dinheiro de volta alegando que somos todos assim não é apenas surpreendente como argumento legal, mas uma ousadia que o tribunal simplesmente não aceitou e chegou a ironizar. A entidade sempre soube da corrupção e mesmo Joseph Blatter era o braço direito de Havelange. E a única atitude que tomou foi a de abafar os casos cada vez que surgiam.

Quando Jerome Valcke sugeriu que o Brasil recebesse um “chute no traseiro” pelos atrasos na Copa, ele tinha razão no conteúdo, mas não nas palavras usadas. Um vice-presidente do COI chegou a me dizer que a Fifa havia sido “racista” ao fazer o comentário do “chute no traseiro”, adotando um ar de superioridade. Na época, achei que ele exagerava e que não havia lugar para racismo escancarado assim. Mas lendo agora o comentário dos advogados diante de um tribunal, começo a pensar que ele poderia ter razão.

A imbecilização do mundo – mino carta / são paulo.sp

Sugestão. Jante formigas vivas enquanto assiste ao nosso gladiador. Foto: David Becker/AP/AE

Os mais celebrados mestres da culinária vanguardista, ou seja, aqueles que empregam produtos da Nestlé e figuram em uma classificação anual divulgada pela revista Restaurants (20 mil exemplares de tiragem, destinada aos refinados do mundo), acabam de encerrar em Copenhague um simpósio exaltante. Festa entre amigos, corrente da felicidade, rea­lizada à sombra do Noma, primeiro da lista da Restaurants, do chef René Redzepi. Entre as novidades apresentadas, formigas vivas nutridas com citronela e coentro, de sorte a assumir um gosto suavemente acidulado, para o agrado de todos os paladares, segundo os participantes do evento. Cuja contribuição à imbecilização global é de evidência solar.

Há atenuantes.

 A quem interessa ler a Restaurantsqual fosse o Novíssimo Testamento ou comer formigas vivas, ou até espuminhas de camarão, a preços estratosféricos, está claro? A minoria de imbecilizados, é a conclusão inescapável, em um mundo onde a pobreza fermenta e muitos morrem de fome. Mundo capaz de grandes progressos científicos, presa, ao mesmo tempo, de uma crise econômica monstruosa, provocada pela sanha de poucos em detrimento dos demais semelhantes. Bilhões.

As atenuantes, como se vê, são medíocres, embora não exija esforços mentais brutais perceber que imbecil é quem come formigas vivas em lugar de um mero trivial. Somos o que comemos, dizem os sábios, donde a inevitabilidade das ilações quando se multiplicam as provas da cretinização global. Neste mar a vanguarda da gastronomia ao alcance dos bolsos recheados é um lambari.

O Brasil não escapa, e nem poderia. Somos uma nação vincada pela ignorância e pela prepotência da minoria reacionária, a preferir que as coisas fiquem como estão para ver como ficam e a reputar sagrada a classificação da Restaurants. Aqui manda a moda, mas, neste mar, a dita cultura de massa é o próprio vento a enfunar as velas. Sem contar a desorientação diante do mistério da vida e o medo da morte. Deixarei de falar de esperanças impossíveis. Vou para miudezas, de certa forma, para falar de situações recentes. E então, digamos, Anderson Silva.

É brasileiro o número 1 do MMA, o vale-tudo do octógono, a luta que assinala o retorno aos gladiadores. Li, pasmem, na primeira página do Estadão. Só falta o Coliseu. Também faltam os leões, mas não nos surpreenderemos se, de uma hora para outra, irromperem na arena. Os índices de audiência são altíssimos, obviamente, e haverá quem se ufane de ser brasileiro ao se deparar com a ferocidade de Anderson, nosso Hércules. E fique feliz porque a transmissão do MMA iguala o Brasil aos Estados Unidos e ao Japão. No resto dos países tidos como civilizados, a luta é proibida.

Vale recordar que a tevê nativa ostenta tradições valiosas. Por exemplo: o nosso Big Brother, ao repetir experiências globais, bate recordes de grosseria. Acrescentem-se os programas populares do fim de semana, os seguidores do Homem do Sapato Branco e os tempos da celebração da dança da garrafinha em horário nobre. Aproveito para sublinhar que a pensata “nobre” me deslumbra.

A aposta na parvoíce da plateia é constante. Inesgotável. Praticada pela mídia nativa com singular esmero, produziu o efeito de comprometer a saúde intelectual dos seus autores. Não fogem do destino inúmeros políticos, vitimados por sua própria incompetência. Permito-me escalar nestas linhas o presidente do PT, Rui Falcão, e o novo presidente da CUT, Vagner Freitas. Em perfeita sintonia, ambos anunciam sua inconformidade em relação ao possível “julgamento político do mensalão”. Peculiar visão, a dos cavalheiros acima. O processo tem e terá inevitáveis implicações políticas, e não cabe a eles exercer qualquer gênero de pressão sobre o Supremo.

Enquanto evita-se discutir com toda legitimidade uma questão premente, isto é, a inegável suspeição quanto à participação do julgamento do ministro Gilmar Mendes, Falcão e Freitas oferecem munição de graça à mídia nativa, ela mesma tão interessada em politizar o processo. Os meus melancólicos botões garantem que os políticos de antanho, vários bem mais à esquerda dos senhores citados, eram também mais espertos.

Mostra exibe cinema latino-americano em São Paulo

 O novo cinema autoral da América Latina estará em cartaz a partir de quinta-feira 12 em São Paulo durante o sétimo Festival de Cinema Latinoamericano. Os filmes serão apresentados (com entrada franca) no Memorial da América Latina, no Cinesesc, no Cinusp e na Cinemateca Brasileira.

Até 19 de julho serão exibidos mais de 70 filmes produzidos em 12 países. Parte é inédita, mas muitos já chegam premiados após a exibição em festivais como os de Berlim, Cannes e Havana.

Cena de Um Mundo Secreto, longa-metragem do mexicano Gabriel Mariño Foto: Divulgação

O destaque fica para Um Mundo Secreto, longa-metragem de Gabriel Mariño que teve sua estreia mundial na Berlinale, em fevereiro, na mostraGeneration Special. O filme narra de forma lírica a viagem de iniciação de uma garota. No último dia de escola, antes da graduação, ela deixa seu mundo para trás e parte numa viagem de autodescoberta.

Mas o longa de Mariño não é o único representante dos road movies na mostra. O festival também terá O Garoto que Mente, da venezuelana Marité Ugas. O filme conta a jornada de um garoto que procura pela mãe desaparecida nos deslizamentos de terras que atingiram o departamento de Vargas após a grande chuva de 1999.

Da produção brasileira, o festival traz Hoje, de Tata Amaral, vencedor do Festival de Brasília no ano passado, e Histórias Que Só Existem Quando Lembradas, de Júlia Murat. A mostra também vai exibir o filme Augustas, que se passa todo na Rua Augusta, em São Paulo, e é dirigido por Francisco Cesar Filho, curador do festival.

Na sexta-feira 13, o festival programou uma sessão especial, à meia-noite, do filme Juan de los Muertos, do diretor Alejandro Brugués. No filme, Brugués apresenta a cidade de Havana destruída e dominada por zumbis, em uma sátira política à situação cubana. O longa conquistou o prêmio do público no Festival de Leeds.

A edição deste ano do festival vai premiar com 99,4 mil reais o melhor filme sul-americano feito em coprodução. A importância da coprodução no cinema latino-americano também será discutida em uma mesa de debates que ocorre no último dia do evento, na Cinemateca Brasileira.

MOMENTO II – por olsen jr / rio negrinho.sc

NEM SEMPRE FOI ASSIM

 

Coincidências à parte, aliás, como já disse em outro lugar, coincidência é o acaso premeditado. Foi em novembro de 2004, quando ocupava o cargo de gerente de projetos da Fundação Catarinense de Cultura, em conversa com o escritor e editor, Francisco José Pereira, justamente no ano em que se lembravam os 40 anos do golpe militar no Brasil, ato que baniu o regime democrático que havia e se instalou o obscurantismo que vivenciamos durante 21 anos, que sugeri para ele a idéia de que deveríamos publicar uma antologia de contos “temática” tendo como leitmotiv os anos de chumbo. Não apenas para marcar a data, mas também e principalmente, para não descuidarmos de nossa própria participação nesta história.

O Francisco Pereira ouviu atentamente afirmando “(…) Foi uma pena que não tenhamos lembrado em tempo para fazer ainda este ano (…)”… Como o bate-papo continuou, comecei dizendo que o importante naquela situação era marcar a presença, contar a história, que mais não sirva, disse: para que esta juventude que está aí submetida à internet, vai e volta para qualquer lugar quando bem entende, diz o que quer a hora que quer, enfim, que tudo está pára ser feito, não há restrições nenhuma e pouco se está fazendo, mas principalmente, para que saibam que tudo isso nem sempre foi assim…

Quando ouviu a última expressão, Francisco teve um brilho no olhar, repetiu “nem sempre foi assim”, está aí um bom título e já pegou uma folha de papel com uma caneta e começamos a fazer uma lista de escritores. Antes de responder a pergunta “quem vamos convidar?”, deveríamos definir os critérios para estas escolhas. Na verdade tudo foi muito claro, deveriam ser escritores que tivessem “uma questão com a ditadura”, seja de prisão arbitrária, de constrangimento, de cerceamento de liberdade, de perseguição política, de algo que houvesse estigmatizado o “protagonista/autor” dentro do regime estratocratico imposto pelo arbítrio. Começamos pelos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

A primeira lista pareceu alentadora, pelos nomes e pelas qualidades dos escritores mencionados. O tempo passou e realizamos mais duas reuniões com os mesmos propósitos, uma no Café Matisse e mais outra na FCC… Novamente o tempo correndo célere, e tudo aquilo me pareceu mais o sonho romântico de dois idealistas que primeiro precisam se encharcar de idéias, reviverem casos, amargar desilusões novamente, repassar o que poderia ter sido e não foi, e finalmente, cair na realidade dos novos tempos e tratar tudo com o mesmo desvê-lo, mas com a razão possibilitada pelo distanciamento histórico dos fatos e claro, ter a consciência de que se trata do testemunho de (sobre)viventes de um tempo mal.

Mantivemos mais dois contatos, desta vez por telefone, já tratando dos prazos das entregas dos contos. Agora, três anos (e daí a coincidência referida na primeira linha deste texto) depois daquela conversa inicial, será dada ao público a antologia “Nem Sempre Foi Assim” – contos dos anos de chumbo, com lançamento no dia 04 de dezembro, a partir das 19h30min, na Saraiva Mega Store do Shopping Iguatemiem Florianópolis. Osautores convidados (por ordem alfabética): Amilcar Neves, Cristovam Buarque, Emanuel Medeiros Vieira, Francisco José Pereira, Mario Prata, Olsen Jr., Sérgio da Costa Ramos, Sérgio Faraco, Silveira de Souza e Urda Alice Klueger.

A propósito, lembrei agora, quando perguntaram ao Abade de Siéyès o que tinha feito durante a Revolução Francesa, simplesmente respondeu: “Eu sobrevivi!”.

Bem, camaradas, este livro trata de alguns “sobreviventes” e de suas histórias.

 

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NOTAS:

 

Segue o Momento II da homenagem ao camarada Francisco José Pereira…

Morto no dia 02 de julho…

Um  pouco da história…

A música pode ser esta…

Pouca gente sabe, mas o Hino do Estudante Brasileiro foi composta por Vi nícius de Moraes…

Porém (e sempre tem um “porém”, diria o amigo dramaturgo Plínio Marcos) o que ficou consagrado como Hino foi “Caminhando” (ou para não dizer que não falei das flores) de Geraldo Vandré…

Vai…

http://www.youtube.com/watch?v=gVmmgvgB8Ms

 

CALE-SE, XUXA! – por heloisa lima / rio de janeiro.rj

   XUXA encenando sexo com menino de 12 anos no filme AMOR, ESTRANHO AMOR.                          

 

      Não vi a comentada entrevista da tal xuxa no Fantástico no domingo, dia 20/05. Mas não pude ignorá-la por muito tempo, pois a primeira notícia que recebi nesta manhã, logo cedo, foi: “- Cê viu que a xuxa foi abusada na infância?”
    Fora o surrealismo da revelação, ocorreu-me que aquela, certamente, não era a notícia que desejava ouvir logo no início da semana. Afinal, como uma mulher de 50 anos, aparentemente esclarecida, só agora, passado todo esse tempo, resolve falar sobre algo tão grave? E por que me irritou tanto esta informação? Parei para refletir sobre o motivo deste sentimento e, confesso, não foi difícil descobrir.
    Esta senhora, lá pelos seus primórdios, vivia no mesmo condomínio do meu irmão, no Grajaú, Rio de Janeiro. Lembro-me das minhas sobrinhas, ensandecidas, indo buscar as grotescas sandalinhas cheias de brilhos no apartamento dela, na esperança de encontrar o Pelé que, vira e mexe, dava as caras por lá.
    Desde os seus 20 e poucos anos de idade, ela comanda programas infantis cuja tônica é erotizar precocemente as crianças, transformando meninas em arremedos de mulheres sem se preocupar com sua vulgarização.
    Os programas que comandou sempre tiveram como mote atropelar o desenvolvimento infantil em sua exuberância repleta de etapas simbólicas. Pasteurizou os encantos desta fase empenhando-se em exaltar a diferença entre possuir e não possuir os produtos que anunciava ou que levavam sua grife tais como sandálias, roupas, maiôs, lingeries, xampus, bonecas, chicletes, cosméticos, álbum de figurinhas, cadernos, agendas, computadores, sopas, iogurtes, etc., num universo insano onde ela, eternamente fantasiada de insinuante ninfeta, faz biquinho e comanda a miúda plebe ignara.
    Cientes estamos todos de que esta senhora, durante muitos e muitos anos, defendeu zelosamente seu polpudo patrimônio utilizando-se da fachada de menina meio abobada que sequer sabia quantos milhões possuía. Costumava dizer que era a sua empresária que administrava suas posses cujo montante alegava, candidamente, desconhecer. Pobre menina rica. E burra, com certeza. Como se fosse possível alguém tão tapada tornar-se tão rica.
    Talvez para esconder a consciência que tinha acerca do quanto ajudou a devastar a inocência de tantas gerações de meninas que lhe devotavam a mais pura idolatria, posou de inocente útil usando a mesma máscara que agora reedita para falar, emocionada, do seu mais novo pretenso drama/marketing.
    Esqueceu-se que sua audiência, formada, na sua massacrante maioria, por meninas, passou a ser considerada como alvo da desumana propaganda colocando-as como mero veículo de consumo.
    Esqueceu-se, convenientemente, de comentar que milhares de garotas pelo Brasil afora foram abusadas sexualmente ao mesmo tempo em que eram, por ela, adestradas a vestirem-se e comportarem-se como verdadeiras lolitas.
    Esqueceu-se de que ensinou atitudes claramente ambivalentes para crianças que não faziam a mais pálida ideia do que podiam mobilizar em mentes doentias.
    Esqueceu-se de que a erotização tem sido ligada a três dos maiores problemas de saúde mental de adolescentes e mulheres adultas: desordens alimentares, baixa autoestima e depressão.
    Esqueceu-se também que as crianças, diariamente bombardeadas com imagens de paquitas como modelos de uma beleza simplesmente inalcançável enquanto corpos reais, torturavam-se perseguindo um modo de serem belas, perfeitas, saudáveis e eternas.
    Estimulando a sexualidade de forma tão precoce, essas meninas perderam grande e preciosa fase do seu desenvolvimento natural. E reduzir o período da inocência, certamente, acarretou-lhes desdobramentos nefastos.
    Daí para ideia, cada vez mais presente, da infância como objeto a ser apreciado, desejado, exaltado, numa espécie de pedofilização generalizada na sociedade foi, apenas, um pequeno passo.
    Num país onde as mães deixam suas crias, por absoluta falta de opção, frente à tevê sem qualquer tipo de controle e sem condições para discutir o conteúdo apresentado, encontrou esta senhora terreno mais que propício para disseminar sua perversa e desmedida ganância por audiência e dinheiro.
    Fosse ela uma pessoa minimamente preocupada com a direção que a sexualidade exacerbada e fora de contexto toma, neste país onde mulheres são cotidianamente massacradas, teria falado sobre este suposto drama muito tempo atrás. Teria tido muito mais cuidado com os exemplos de exposição que passava. Teria norteado seu trabalho dentro de parâmetros muito mais educativos e, desta forma, contribuído para que milhares de meninas fossem verdadeiramente cuidadas e respeitadas.
    Ou teria simplesmente virado as costas e ido embora.
    Logo, frente ao seu histórico, não tem mesmo nenhuma autoridade para sustentar qualquer atitude fundamentada em belos e necessários méritos.
    Porque são de grandes valores, bons princípios e atitude exemplares que nossa sociedade necessita de maneira URGENTE.
    Portanto, CALE-SE, XUXA!
    Heloisa Lima
    Psicóloga Clínica – Maio de 2012.

Presidente da CBF JOSÉ MARIA MARIN foi responsável pela prisão e morte de Vladimir Herzog – por juca kfouri / são paulo.sp

 A presidenta Dilma Rousseff fez questão de não receber o ex-presidente da CBF e do COL, Ricardo Teixeira que, diante do clima pesado acabou por fugir para Boca Raton.

E ela também não está nada disposta a receber o novo presidente das duas entidades, José Maria Marin.

E não é porque ele foi servil serviçal da ditadura, porque outros também foram, como José Sarney e Paulo Maluf, todos até homenageados.

Mas Marin fez mais.

Com seus discursos na Assembléia Legislativa de São Paulo, em 1975,  Marin foi fartamente responsável pela prisão que acabou no assassinato do jornalista Vladimir Herzog.

O então deputado Marin se desfazia em elogios ao torturador Sérgio Paranhos Fleury e ao seu bando, assim como engrossava “denúncias” sobre a existência de comunistas na TV Cultura, cujo jornalismo era dirigido por Vlado.

Um desses discursos, no dia 9 de outubro de 1975, aconteceu 16 dias antes de Herzog ser torturado e morto nas dependências da Operação Bandeirantes (OBAN), na rua Tutóia, em São Paulo, por agentes do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI)

E Dilma, com razão, disso, não esquece.

Porque servir a ditadura é uma coisa, mancha indelével, sem dúvida.

Mas a dedo-duragem desperta asco invencível.

Ex-ditador argentino, Jorge Videla, é condenado a 50 anos de prisão por sequestro de bebês / buenos aires.ar

Atualizado em 05/07/2012 20h02

Jorge Videla era acusado de plano executado durante governo militar.
Julgamento começou com denúncia de Avós da Praça de Maio.

Do G1, com agências internacionais

Jorge Rafael Videla ouve seu veredicto em corte de Buenos Aires nesta quinta-feira (5) (Foto: Natacha Pisarenko/AP)
Jorge Rafael Videla ouve seu veredicto em corte de
Buenos Aires nesta quinta-feira (5) (Foto: Natacha
Pisarenko/AP)

A justiça argentina condenou nesta quinta-feira (5) o ex-ditador Jorge Rafael Videla a 50 anos de prisão pelo rapto de bebês como parte de um plano sistemático executado durante o último governo militar na Argentina(1976-1983).

No mesmo julgamento, o ex-ditador Reynaldo Bignone foi sentenciado a 15 anos, anunciou o tribunal. “Condenado o ex-general Jorge Videla a 50 anos de reclusão (…) e o ex-general Reynaldo Bignone a 15 anos”, leu a presidente do tribunal, María Roqueta.

Considerado um processo “emblemático”, o julgamento começou por uma denúncia das Avós de Praça de Maio por “subtração, retenção, ocultação e substituição de identidade de menores de dez anos” e abrange cerca de 30 casos.

Centenas de familiares das vítimas, netos recuperados pelas Avós e ativistas dos direitos humanos comemoraram o veredicto com gritos e cantos diante de um telão instalado na entrada dos tribunais.

Pela aplicação do sistema de apropriação e mudança de identidade de menores foram lançadas outras sentenças a diferentes penas de prisão, entre 40 e 15 anos, contra outras autoridades da ditadura (1976-1983), entre elas um médico militar que atuava com obstetra nas maternidades clandestinas do regime.

Videla, de 86 anos, acaba de confessar em um livro que “de 7 a 8 mil pessoas devem ter morrido” na repressão a opositores e está cumprindo duas penas de prisão perpétua em cela comum por crimes contra a humanidade, que fizeram o Tribunal decidir nesta quinta-feira pela unificação das penas para manter a prisão perpétua.

Contra Bignone, de 84 anos, também pesa uma condenação à prisão perpétua e outra pena de 25 anos de detenção em outros dois julgamentos, por graves violações dos direitos humanos.

Os ex-ditadores Jorge Rafael Videla (esq) e Reynaldo Bignone ouvem sentença em tribunal argentino, nesta quinta (5) (Foto: Natacha Pisarenko / AP)
Os ex-ditadores Jorge Rafael Videla (esq) e Reynaldo Bignone ouvem sentença em tribunal argentino, nesta quinta (5) (Foto: Natacha Pisarenko / AP)

Apropriação de crianças
Neste julgamento, foram analisados 35 casos de apropriação de crianças, das quais 26 recuperaram sua identidade, “como um exemplo do plano sistemático que ocorreu em diferentes centros clandestinos de detenção”, segundo as Avós da Praça de Maio, entidade humanitária criada em 1977 e candidata ao prêmio Nobel da Paz 2012.

“É impossível que se tenha estabelecido lugares especiais para grávidas dentro dos centros de detenção e toda uma logística sem uma decisão das cúpulas”, argumentou o advogado do grupo.

As ‘Avós’ estimam em 500 o número de crianças roubadas ao nascer durante o cativeiro de suas mães, em sua maioria desaparecidas, das quais 105 recuperaram sua identidade.

Até o momento, vários julgamentos para casos pontuais de roubo de bebês foram realizados, com condenações de até 16 anos para os acusados.

Durante o atual processo foram analisados, entre outros, o caso de Aníbal Simón Méndez Gatti, filho dos uruguaios Sara Méndez e Mauricio Gatti, recuperado em 2002, e o de Macarena Gelman, filha de Marcelo Gelman e María Claudia Iruretagoyena e neta do poeta argentino Juan Gelman, roubada no Uruguai e que conheceu sua verdadeira identidade em 1999.

Enquanto isso, foi detida na terça-feira na Argentina Ana María Grimaldos, esposa do ex-chefe da Esma Jorge Vildoza e foragida desde 1988, acusada de se apropriar de Javier Penino Viñas, filho de desaparecidos, que recuperou sua identidade em 1999. O caso é parte deste julgamento.

Argentinos comemoram e se emocionam ao ouvir condenação em telão, diante de tribunal (Foto: Natacha Pisarenko / AP)
Familiares de vítimas que acompanharam julgamento comemoram ao ouvir condenação em telão, diante de tribunal (Foto: Natacha Pisarenko / AP)

Prisão perpétua
Em sua alegação final, Videla, que recebeu em 2010 sua segunda condenação à prisão perpétua por crimes contra a Humanidade, classificou como “terroristas” essas mulheres que deram à luz nas prisões da ditadura e que depois, em grande parte dos casos, eram jogadas vivas no mar de aviões militares em pleno voo.

“Todas as gestantes, a quem respeito como mães, eram militantes ativas da máquina do terrorismo. Usaram seus filhos como escudos humanos”, disse o ex-ditador no tribunal.

De acordo com Videla, a existência de um plano sistemático para roubar crianças “é uma falácia (…), havia ordens estritas e escritas para devolver menores desamparados a seus familiares”.

Em troca, Elliott Abrams, ex-subsecretário de Direitos Humanos do Departamento de Estado americano (1982-1985), revelou durante o julgamento que os Estados Unidos sabiam do que ocorria na Argentina.

“Acreditávamos que era um plano porque prendiam ou assassinavam muitas pessoas, e nos parecia que o governo militar tinha decidido que algumas crianças seriam entregues a outras famílias”, declarou no consulado argentino em Washington.

“Fomos um espólio de guerra do regime”, afirmou Leonardo Fossati, 35 anos, uma dos netos recuperados.

Durante a ditadura, cerca de 30.000 pessoas desapareceram, segundo organizações humanitárias.

EU VOS SAÚDO, AMIGOS MEUS – de zuleika dos reis / são paulo.sp

 

 

 

Eu vos saúdo, amigos meus,

pelas partilhas desta seara

que nos coube e que nos cabe

 

de sonhos perdidos

de sonhos semi-salvos

de dilúvios, de largos incêndios

 

neste banquete para mendigos

para ávidos e para parcos

para os que não se sabem

 

para os intoxicados de si mesmos

para os que se preenchem de espera

para os nostálgicos

 

para os que têm certezas

para os que abdicaram de tudo

para os que acompanham

 

todas as fases da Lua

e se consolam

para os que se calam

 

cântaros cheios de séculos

e de atropelos

nos vãos escorregadios das coisas

 

eu venho para saudar-vos

amigos meus, varões e senhoras

com seus pressentimentos

 

e calmarias repentinas.

Venho para saudar-vos.

Repartamos o gesto possível

 

a vida possível

a aurora que consigamos tecer

toalha para a refeição da manhã

 

e o pôr-de-sol mais belo

o mais belo pôr-de-sol

para a devida tessitura das estrelas.

 

A LIBERDADE ENFIM (a morte de Francisco José Pereira) – por olsen jr / rio negrinho.sc

Morreu no dia 02 de julho o camarada Francisco José Pereira. Dois dias antes da celebração de independência dos EUA. Só uma alusão uma vez que não podemos escolher a hora, nem local e muitíssimo menos o dia para partir. O “Chico” como era conhecido entre os amigos, foi militante do Partido Comunista Brasileiro, advogado de profissão, defensor dos trabalhadores em causas inerentes durante a década de 1960, empenhado dentro dos sindicatos e fora deles. Em algum tempo dos “anos de chumbo” esteve exilado e trabalhou como adido cultural na Unesco.

Um Homem (assim mesmo com “H” maiúsculo) de fibra, para dizer pouco, com um código de ética irrepreensível… Quando foi assessor do prefeito Sérgio Grando em Florianópolis, por conta de sua eficiência, ganhou certo dia um presente de algum contribuinte… Francisco, antes mesmo que o gesto pudesse ser tomado como um “agradecimento” ou mesmo uma “preparação para futura demanda”, na condição de quem conhece a “psique” envolvente de tal ação, não teve dúvidas e mandou devolver a oferenda sob a alegação básica de que “já era remunerado pelo trabalho que fazia” dispensando outros emolientes capazes de questionar o seu fulcro.

O Francisco não tergiversava. Como era um Ser íntegro cobrava esta integridade de todo o mundo que compartilhasse de sua amizade. Não estou autorizado e sequer tenho procuração para “ressuscitar” fatos e pessoas que participaram (ou deixaram de) de circunstâncias de cujo comportamento poderia redundar em benefícios sociais para outras pessoas dentro da legalidade… O que não impede de citar o fato omitindo o “santo”…  Houve um momento na história que o Francisco precisava de um depoimento/declaração de certo escritor catarinense para que um conhecido militante do Partido pudesse ser beneficiado com a Lei da Anistia… O “tal” escritor (ele próprio um beneficiado com a Lei) se recusou em fazê-lo… Mostrando toda a sua contrariedade, Francisco Pereira – a partir daquele momento – jamais voltou a dirigir a palavra ao dito escriba… E quando indagado sobre tal comportamento, sempre explicava as razões para manter tal comportamento… A verdade com ele jamais era escamoteada.

Fomos apresentados pelo poeta C. Ronald em uma cerimônia de entrega de prêmios na Casa do Jornalista no antigo endereço (na Deodoro…) o lugar havia sido escolhido para a cerimônia, o Senador Jayson Barreto havia doado o seu “hipotético jetom” (calma que já explico) para que se organizasse um Concurso Literário (alô Remy Fontana) dando uma destinação social a uma excrescência (porque aquele seria um pagamento para os Senadores irem pela última vez ao Colégio Eleitoral, a forma que a estratocracia tinha arranjado para se escolher o futuro presidente do País)… Por pressões populares o tal jetom acabou não saindo, mas o Senador Jayson Barreto manteve a palavra e bancou o Concurso do seu próprio bolso… A cerimônia foi  prestigiada, naquele tempo o (P)MDB era muito respeitado e lembro da manchete do jornal “O Estado” (o mais antigo) “Na falta de eventos culturais se prestigia até entrega de prêmios’… Matéria assinada pelo jornalista Paulo Clóvis… O vencedor do Concurso foi o escritor Olsen Jr. com o conto “Marcas da Solidão”…   Lembro que o poeta C. Ronald me pegou pelo  braço e disse, venha cá que vou te apresentar um “verdadeiro comunista”… Um homem honesto, íntegro…

Desde então, formamos uma amizade que nunca se dissipou nos maus “entendimentos da vida”… Isso decorre também porque nunca permiti que os fatos e as coisas da história em que faço parte não sejam todos bem esclarecidos… Sou alguém que sempre toma posição, faço a escolha (à maneira sartriana, porque a vida é sempre o resultado de “escolha” e “consequência”) e assumo a ação daí decorrente… Em minha casa nem o detergente da cozinha é neutro…  “Almas gêmeas”, penso, foi isso… Uma convivência íntegra muitas vezes com opiniões divergentes, sim, mas com respeito às convicções de cada um…

Na Academia Catarinense de Letras, Francisco ocupava a Cadeira 05, cujo Patrono foi o jornalista Crispim Mira (que morreu assassinado por suas convicções)… Nasceu na rua que leva o nome do Patrono da sua cadeira e também publicou um livro biográfico sobre ele… Na Instituição não existe outra combinação astral que reúna tantas coincidências…

Agora preciso confessar: quando pretendi a Cadeira 05, fui o primeiro a fazer a inscrição e nunca me detive em analisar as tais “coincidências” que por si só, tornariam o Francisco imbatível na disputa… Quando alguém sugeriu que eu deveria “retirar a candidatura”, me pareceu um convite para um ato de covardia… Tudo menos isso… Tomada a decisão, feita a escolha vou até o fim… Cinco candidatos inscritos disputando os 20 votos necessários para o ingresso na Academia… Os dois mais votados foram para o segundo turno e o Francisco foi eleito com alguns votos (dos oito que fiz) naquele escrutínio…  O Francisco ficou reconhecido com isso e, à exceção desta tive o seu apoio sempre até ser eleito por minha vez à Cadeira 11… Hoje, à luz da maturidade que a convivência possibilitou, o gesto de “renúncia” naquela época poderia ser considerado como um ato de elegância e reverência…

Mas, considero “quando alguém está se afogando não diz “gostaria que um gentil cavalheiro me observando nesta situação delicada e acreditando ser justo o seu envolvimento me auxiliasse a sair desta”… O cara grita apenas por “socorro”… A necessidade imediata da ação prescinde das boas maneiras que em outras circunstâncias o ato talvez requeresse… Meu caro Francisco José Pereira já conversamos sobre isso, homens de ação, você entendeu o gesto, e elegantemente me perdoou… A  reverência lhe presto agora!

NOTAS:

Segue o Momento III da homenagem ao colega Francisco José Pereira…

Foi escrito agora a pouco…

Outra lacuna aberta…

A música poderia ser esta, do “America”, outro grupo que admiro…

A solidão não tem monopólio…

Vai…

http://www.youtube.com/watch?v=IRDnEqW1vAc&feature=related

PALAVRAS, TODAS PALAVRAS é pré selecionado e indicado pelo segundo ano consecutivo !

Intelectuais e artistas defendem asilo político para Assange – por david brooks / eua

Noam Chomsky, Michael Moore, Tariq Ali, Oliver Stone e Danny Glover, entre outros, entregaram segunda-feira (26) carta à embaixada do Equador em Londres, pedindo que seja concedido asilo político a Julian Assange, fundador do Wikileaks. Os signatários da carta defendem que se trata de um caso claro de ataque contra a liberdade de imprensa e contra o direito do público de conhecer verdades importantes sobre a política externa, além de uma séria ameaça à saúde e ao bem-estar de Assange (no caso de uma extradição para os Estados Unidos).

 

Nova York – Um amplo leque de intelectuais, artistas, cineastas e escritores de várias partes do mundo solicitaram ao governo do Equador que conceda asilo a Julian Assange, Fundador do Wikileaks, que se encontra refugiado na embaixada desse país em Londres.

Noam Chomsky, Michael Moore, Tariq Ali, Oliver Stone, o ator Danny Glover, o comediante Bill Maher, Daniel Ellsberg, ex-analista militar famoso por divulgar os Papeis do Pentágono durante a guerra do Vietnã, e Denis J. Halliday, ex-secretário geral assistente da Organização das Nações Unidas, entre dezenas de outras personalides, assinaram a carta de apoio ao pedido de Assange de asilo político, a qual foi entregue segunda-feira (26) à embaixada do Equador em Londres.

Afirmaram que por se tratar de um caso claro de ataque contra a liberdade de imprensa e contra o direito do público de conhecer verdades importantes sobre a política externa, e porque a ameaça à saúde e ao bem-estar é séria, pedimos que seja concedido asilo político ao senhor Assange.

O fundador do Wikileaks ingressou na sede diplomática equatoriana a semana passada para evitar sua extradição para a Suécia. Os signatários da carta entregue ontem concordam com o agora fugitivo (rompeu as condições de sua detenção domiciliar ao entrar na sede diplomática) que há razões para temer sua extradição, pois há uma alta probabilidade de que, uma vez na Suécia, seja encarcerado e provavelmente extraditado para os Estados Unidos.

O governo de Barack Obama realizou um processo conhecido como grande júri para preparar uma possível acusação legal criminal contra Assange, ainda que o procedimento seja secreto até emitir sua conclusão. Além disso, meios de comunicação relataram que os departamentos de Defesa e de Justiça investigaram se Assange violou leis penas com a divulgação de documentos oficiais.

Os signatários sustentam que esta e outras evidências mostram a hostilidade contra Wikileaks e seu criador por parte do governo estadunidense, e que se ele fosse processado conforme a Lei de Espionagem nos Estados Unidos poderia enfrentar a pena de morte. Além disso, acusam o tratamento desumano ao qual foi submetido Bradley Manning, o solado acusado de ser a fonte dos documentos vazados para Wikileaks.

“Reivindicamos que seja outorgado asilo político ao senhor Assange, porque o ‘delito’ que ele cometeu foi o de praticar o jornalismo”, afirmam na carta. Assange revelou importantes crimes contra a humanidade cometidos pelo governo dos Estados Unidos. Os telegramas diplomáticos revelaram as atividades de oficiais estadunidenses atuando para minar a democracia e os direitos humanos ao redor do mundo, acrescentam.

A carta, entregue por Robert Naiman, diretor da organização estadunidense Just Foreign Policy, autora da iniciativa, foi acompanhada de outra petição assinada por mais de 4 mil estadunidenses que solicitam que o governo do Equador conceda asilo a Assange.

A íntegra da carta pode ser vista em justforeignpolicy.org/node/1257.

 

– La Jornada

Chico Pereira, escritor catarinense, morre aos 79 anos / ilha de santa catarina

Ele será supultado no cemitério do Itacorubi, em Florianópolis

O escritor Francisco José Pereira, ocupante da cadeira número 5 da Academia Catarinense de Letras, morreu nesta segunda-feira, aos 79 anos, após uma vida dedicada à literatura de Santa Catarina. Ele será sepultado às 10h de terça no Cemitério Municipal do Itacorubi, em Florianópolis.

Chico Pereira, como era chamado pelos amigos, nasceu em Florianópolis. Começou a escrever em 1957, quando cursava Direito. Formado, advogou na área trabalhista. Foi preso durante a ditadura militar, quando teve de se exilar na América Latina e na África. Dois de seus três filhos ( Rodrigo, Francisco e e André) com a companheira da vida inteira, Natália, nasceram no exílio.

Um dos momentos mais importantes da vida do escritor  foi dia 30 de junho de 2005, quando entrou para a Academia Catarinense de Letras (ACL), na vaga deixada por Teobaldo da Costa Jamundá. Coincidentemente, a cadeira tinha como patrono o jornalista Crispim Mira, que dá nome à rua, no centro de Florianópolis, na qual Pereira passou a infância e que foi tema de seu livro As Duas Mortes de Crispim Mira. Ele também era um dos editores da Editora Garapuvu.

Ditadura militar brasileira destruiu mais de 19 mil documentos secretos, descobertos até agora.

RUBENS VALENTE

 

Guardado em sigilo por mais de três décadas, um conjunto de 40 relatórios encadernados detalha a destruição de aproximadamente 19,4 mil documentos secretos produzidos ao longo da ditadura militar (1964-1985) pelo extinto SNI (Serviço Nacional de Informações).

As ordens de destruição, agora liberadas à consulta pelo Arquivo Nacional de Brasília, partiram do comando do SNI e foram cumpridas no segundo semestre de 1981, no governo de João Baptista Figueiredo (1979-1985).

‘Foi tudo de acordo com a lei’, diz general que chefiava extinto SNI

Do material destruído, o SNI guardou apenas um resumo, de uma ou duas linhas, que ajuda a entender o que foi eliminado.

Dentre os documentos, estavam relatórios sobre personalidades famosas, como o ex-governador do Rio Leonel Brizola (1922-2004), o arcebispo católico dom Helder Câmara (1909-1999), o poeta e compositor Vinicius de Moraes (1913-1980) e o poeta João Cabral de Melo Neto (1920-1999).

Alguns papéis podiam causar incômodo aos militares, como um relatório intitulado “Tráfico de Influência de Parente do Presidente da República”. O material era relacionado ao ex-presidente Emílio Garrastazu Médici, que governou de 1969 a 1974.

Outros documentos destruídos descreviam supostas “contas bancárias no exterior” do ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros ou a “infiltração de subversivos no Banco do Brasil”.

Boa parte dos documentos eliminados trata de pessoas mortas até 1981. A análise dos registros sugere que o SNI procurava se livrar de todos os dados de pessoas mortas, talvez por considerar que elas não eram mais de importância para as atividades de vigilância da ditadura.

LEGISLAÇÃO

Algumas das ordens de destruição foram assinadas pelo general Newton Cruz, que foi chefe da agência central do SNI entre 1978 e 1983.

Em entrevista por telefone realizada na semana passada, Cruz, que está com 87 anos, disse que não se recorda de detalhes das destruições. Mas afirmou ter “cumprido a lei da época”.

A legislação em vigor nos anos 80 abria amplo espaço para eliminações indiscriminadas de documentos. Baixado durante a ditadura, o Regulamento para Salvaguarda de Assuntos Sigilosos, de 1967, estabelecia que materiais sigilosos poderiam ser destruídos, mas não exigia motivos objetivos. Bastava que uma equipe de três militares decidisse que os papéis “eram inúteis” como dado de inteligência militar.

A prática da destruição de papéis sigilosos foi adotada por outros órgãos estatais.

Como a Folha revelou em 2008, pelo menos 39 relatórios secretos do Exército e do extinto Emfa (Estado-Maior das Forças Armadas) foram incinerados pela ditadura entre o final dos anos 60 e o início dos 70.

Segundo quatro “termos de destruição” arquivados pelo CSN (Conselho de Segurança Nacional), órgão de assessoria direta do presidente da República, foram queimados documentos nos anos de 1969 e 1972.

Editoria de arte/Folhapress

“A indústria cultural nunca será inteligente” entrevista com o intelectual SILVIANO SANTIAGO – por joão pombo barile /belo horizonte.mg


Nascido em 1936, o mineiro Silviano Santiago é um dos mais refinados intelectuais brasileiros. Autor de diversos livros nos mais variados gêneros – poesia, romance, conto –, é na forma do ensaio que ele se tornou uma importante referência na vida cultural e acadêmica do país, ganhando ressonância até mesmo no exterior. Recebeu em 2010, pelo conjunto da obra, o Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura. Sua capacidade crítica, presente em livros como Nas malhas da letra (1989) e O Cosmopolitismo do Pobre: Crítica Literária e Crítica Cultural(2004), também pode serconferida nesta entrevista.

Quais as causas da desimportância atual dos rodapés literários no Brasil? A ideia da cultura como entretenimento tem ganhado mais e mais adeptos nas redações de jornal? O que resulta do embate do escritor com o computador? Qual a relação entre narrador pós-moderno e jornalista celebridade? Qual a importância de Jacques Derrida? A cada pergunta, Silviano responde com uma reflexão iluminada e iluminadora, mostrando ao leitor faces por vezes ocultas dessas questões.

Quando é que os rodapés literários pararam de ter importância no Brasil? É possível precisar uma data? E por que isto aconteceu?

Silviano Santiago –Tudo indica que podemos datar a perda de prestígio do rodapé. A partir da década de 1950, uma geração de críticos poderosos, formada pelas ideias modernistas, e os textos produzidos por eles e publicados em suplemento literário ou em revista, perdem gradativamente a importância nacional. Álvaro Lins serve de exemplo. Seu Jornal de crítica tem a primeira série de rodapés publicada em livro pela José Olympio no ano de 1941 e a sexta no ano de 1951. Saltam-se dez anos. A última e sétima coleção de rodapés escritos por ele e reunidos também em livro, volume ainda intitulado Jornal de crítica, sai então pelas Edições O Cruzeiro, no ano de 1963. O primeiro conjunto de textos, 1941, é dedicado a Paulo Bettencourt e ao jornal que ele dirige, Correio da Manhã. Lins agradece ao diretor e ao jornal por o volume de crônicas ter-se formado, “com a categoria de sua crítica literária oficial, numa colaboração de todas as semanas”. Havia, portanto, relação estreita entre coluna e jornal, entre coluna e linha editorial, entre colaboração e periodicidade. O sistema do rodapé era prestigioso, influente e orgânico. A relação está óbvia no próprio título das coleções de rodapés: jornal de crítica.

Outro exemplo, Brito Broca. Em prefácio a reunião de rodapés (ou de crônicas) de Brito Broca, datada de 1981, Antonio Candido esclarece: “Talvez os escritos de Brito Broca não satisfaçam aos que limitam a crítica à análise sistemática e altamente técnica dos textos”. Em leitura dos diários críticos de Sérgio Milliet, o mesmo Candido recomenda a vasta obra porque ela “pode ajudar muito a restaurar o que se poderia chamar o ato crítico, meio sufocado pelo aparato teórico contemporâneo. O ato crítico é a disposição de empenhar a personalidade, por meio da inteligência e da sensibilidade, através da interpretação das obras, vistas sobretudo como mensagem de homem a homem”.

Não é, pois, difícil detectar a causa para a perda de prestígio do rodapé. A apreciação de Candido, formado por professores brasileiros e franceses na USP, aponta, de um lado, para a ausência na produção jornalística de fundamento propiciado por conhecimento técnico (teórico?) da arte literária e, do outro lado, para a limitação no ato de julgamento pelos que rechaçam o jornal e são geradores de valores teóricos no processo de análise da arte. A atitude de Candido pode ser reforçada pelos escritos raivosos dos anos 1960 de Afrânio Coutinho, logo depois de um período de estudos nos Estados Unidos, em que se entregou à leitura do new criticism. Os escritos de Afrânio, contundentes pelo tom de desprezo pelos jornalistas culturais, foram reunidos no volume No hospital das letras (1963), onde é espezinhada a figura de Álvaro Lins e o gênero de trabalho crítico a que se dedica. Não passava de um mero crítico impressionista.

No bate-boca entre os colunistas de jornal, formados pelo saber modernista sobre as artes, e seus dois (então jovens) leitores, formados pela pós-graduação universitária, está o conflito que marca a passagem de uma postura impressionista à outra, dita técnica. Uma se sobrepõe à outra no correr da década de 1960 e a leva de vencida na década de 1970. O centro da apreciação crítica é deslocado do papel-jornal semanário para o ensaio ou a tese universitária, de circulação restrita e bem modesta. As famosaspanelinhas literárias perdem o espaço buliçoso e alvissareiro dos bares e restaurantes do centro da cidade para ganhar a austeridade e a linguagem especializada do campus. Talvez haja ganho em qualidade crítica na tarefa; talvez o grande público perca o acesso às ideias abstratas expostas pelos rodapés. O crítico amador, cuja formação tinha sido feita no contato com os tratados sobre filosofia e estética e com os livros dos grandes autores de literatura, perde o prestígio e é substituído pelo especialista em literatura, que aprecia o romance e a poesia nos detalhes (close reading), a partir de rigorosos pressupostos metodológicos, tomados a uma das correntes críticas colocadas à disposição do estudioso nos bancos acadêmicos. O colunista “oficial” (a palavra é de Lins na dedicatória do livro ao Correio da Manhã e seu diretor) do suplemento literário é substituído pelo professor titular no Departamento de Letras, emérito autor de história da literatura brasileira e responsável pelos cursos de pós-graduação, onde os alunos, por sua vez, produzem trabalhos de estágio e teses de mestrado e de doutorado.

Da perspectiva da implantação do Modernismo no Brasil, outra maneira de ver o tema do rodapé seria o da análise do movimento por gêneros literários. Década de 20: dominância da poesia. Década de 30: dominância da prosa. Década de 40: dominância da crítica. O final do rodapé coincidiria com o final da forte e definitiva influência das ideias modernistas na formação do jovem escritor.

Nesse tipo de discussão, há uma terceira via que é sempre esquecida. Desde os anos 1920, na época da vanguarda modernista, os próprios artistas buscavam espaço no jornal e se faziam de críticos literários e de arautos da própria obra. É o caso de Mário de Andrade e de Manuel Bandeira, principalmente. Nos anos 1950, época em que o crítico de rodapé perde influência nacional e o crítico universitário não a alcança, é a nova vanguarda, hoje tida como “experimental”, que passa a ocupar os jornais e os suplementos. O caso mais notável é o do suplemento do Jornal do Brasil (SJDB, lançado em junho de 1956), tomado de assalto pelos neoconcretos, liderados por Mário Faustino. Os irmãos Campos e Décio Pignatari atuam de maneira semelhante em São Paulo (suplemento de O Estado de S. Paulo) e nos suplementos cariocas, tendo recebido destaque na famosa Revista do Livro, do INL, no momento em que Alexandre Eulálio era redator-chefe. Em Minas Gerais, há que citar o caso do pessoal da revista Tendência (Affonso Ávila, poeta, e Rui Mourão, romancista) e da revista Complemento. Lembre-se, ainda, que uma nova geração de escritores surgirá neste suplemento literário.

Três detalhes a serem explorados.

1.Há uma importante fusão das artes a partir da época do experimentalismo. Cinema, artes plásticas, teatro e balé cortejam a literatura. O livro Alguns, de Júlio Bressane, é revelador nessa matéria. Diz ele lá que as palavras do poema “Cidadezinha qualquer”, de Carlos Drummond, pintam um quadro de Tarsila: “Casas entre bananeiras / mulheres entre laranjeiras / pomar amor cantar”. Ao filmar Vertigo, Alfred Hitchcock escreve um poema de Mallarmé. Já Mário Reis, o Braguinha, desenha Betty Boop, criada por Max Fleischer, ao compor a marchinha “Moreninha da praia”. O filme Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, escreve o romance de igual nome assinado por Graciliano Ramos.

2.Há também um jornalismo cultural que pode ser lido de maneira enviesada e que, por isso, beira o gosto pela anedota. Refiro-me à correspondência trocada entre grandes escritores. De maneira retrospectiva, ali se pode ler a história subterrânea e amistosa dos vários caminhos por que passa, por exemplo, o modernismo no processo de afirmação. De certa forma, ler as cartas trocadas por Mário com seus amigos equivale à leitura atual do jornal de crítica, de Álvaro Lins, ou do diário crítico, de Sérgio Milliet.

3.No novo milênio, o jornalismo cultural é feito por profissionais formados nas Escolas de Comunicação (e não mais nas Faculdades de Letras). Está para ser analisado o estilo que os comunicólogos devem imprimir aos textos e à crítica. Já é certo que a ideia de cultura como entretenimento ganha mais e mais adeptos nas redações de jornal.

A indústria cultural brasileira, pelo menos aparentemente, foi mais inteligente do que a atual (fiquemos apenas em dois nomes: Chico Buarque e Caetano Veloso). Passados 27 anos do fim da ditadura, como você vê a produção cultural do país? É possível comparar os dois períodos? [Aqui penso, sobretudo, no seu texto “Democratização no Brasil: 1979-1981 (Cultura versus Artes)” e, se possível, gostaria que você fizesse uma pequena reavaliação do texto. O que ainda vale? O que não?]

S.S. –A indústria cultural brasileira, ou a estrangeira, nunca foi e nunca será inteligente. Ela pode ser favorecida pelos fados da radicalidade dos governos, contrários à inteligência e à cultura, e ganhar, por interposto agente – por exemplo, regimes totalitários ou regimes ditatoriais −, importância e respeito, perdendo o caráter óbvio de mero entretenimento. É claro que, depois desse empurrão inicial e no caso de os artistas conseguirem se renovar, a indústria cultural, modificada nos seus alicerces, lhes proporcionará anos de bonança e de riqueza. O artista que lá põe o pé e consegue permanecer firme, de lá nunca se arredará. Tentará encontrar palavras e argumentos que justifiquem a sua permanência.

Esse é um paradoxo difícil de ser esboçado em poucas linhas. Ele surge no Brasil e na América Latina nos anos 1960 e nos anos seguintes. Valho-me dos nomes que você cita. Chico Buarque resumiu a ambivalência na canção “Apesar de você”. Apesar dos militares no poder, a MPB funciona às mil maravilhas e tem uma plateia privilegiada e imensa. A canção anuncia a felicidade geral do povo brasileiro no dia de amanhã: “Apesar de você / Amanhã há de ser outro dia / Eu pergunto a você onde vai se esconder / Da enorme euforia? / Como vai proibir / Quando o galo insistir em cantar”. Caetano, por sua vez, resumiu-a no hit “Soy loco por ti América”: “El nombre del hombre muerto / Ya no se puede decirlo quien sabe / Antes que o dia arrebente… / El nombre del hombre es pueblo”.

Dadas as circunstâncias da ditadura militar no país, o artista alimenta e é alimentado por vasto público. A ele se dirige em termos menos artísticos e mais conteudísticos. Trata-se da estética do “bom conselho”, como a apelidei em Uma literatura nos trópicos. Quando se avulta a insatisfação popular, o artista vai canalizá-la e emprestar-lhe sentido em mensagem de tom otimista, que acaba por ser apreciada por um número maior do que o dos happy few que amam a arte. Simplificadamente enuncio o paradoxo: quando o Estado nacional passa por crise aguda e insustentável, olhos e ouvidos do povo abrem-se para a mensagem artística, seja ela pessimista (crítica) seja ela otimista (utópica). A obra torna o artista figura carismática. É ele que, enquanto intelectual (e não como artista, capaz de refletir sobre as insuficiências e os limites do próprio trabalho artístico), sustenta o próprio nome e a obra. Aliás, a mensagem do intelectual (muitas vezes engajado) nega a reflexão do artista sobre o trabalho de arte. Ela minimiza a este para ser mais direta e convincente, mais sedutora. No caso dos anos de chumbo no Brasil, as chamadas artes da imagem e da oralidade (cinema, música popular, teatro, etc.) foram as privilegiadas. O analfabetismo, ou o pouco interesse do brasileiro pela letra impressa, sempre passa a perna na expressão propriamente literária. Passa a perna no livro.

No novo milênio e no contexto do saber e da cultura, a discussão sobre o fim da ditadura torna-se menos importante que a avaliação da importância crescente da fibra ótica. Os anos de chumbo já se tornaram objeto institucional, haja vista a importância de se criar uma comissão da verdade. No novo milênio, os vários avanços tecnológicos propiciados pelo uso inteligente da fibra ótica tomam de assalto o lugar privilegiado ocupado por Gutenberg para lançar o livro impresso. A forma de estocagem do saber objetivo e da produção de arte muda, assim como mudam os meios científicos e artísticos de sua transmissão. Fiquemos com a cultura. Ela nasce hoje para ser rotulada ou como reflexões minimalistas sobre o umbigo, independente do meio que a veicula (veja o caso da poesia), ou já se apresenta a priori como mercadoria no mercado industrial (o caso do entretenimento puro e simples). Por industrial entenda-se – com a ajuda de Walter Benjamin – a exigência de um grande público que sustente financeiramente a obra e abra para o artista a possibilidade de novas criações. Os happy few não pagam o custo de uma mercadoria cultural.

Passo por cima do óbvio em indústria cultural (o cinema, a televisão, o vídeo, o CD etc.) e entro no campo literário. O embate do escritor hoje é com o computador, seja para torná-lo meio de comunicação entre pares (as várias linguagens do umbigo, expressas nas redes sociais), seja para domá-lo – com o respaldo do editor de livros – como lugar popular e barato de recepção do seu texto (os vários sistemas de leitura do e-book). Mesmo o texto jornalístico de caráter artístico sai simultaneamente no papel e na internet, veja o caso do jornalismo cultural. A folha de papel impressa não dispensa a sua reprodução na telinha. O embate do escritor de literatura pode ser também com o cinema, a televisão e o vídeo (ele será autor de scripts), ou com o CD (será autor de canções). Neste caso, sua produção textual perde o caráter de expressão artística de uma subjetividade (voltamos ao tema do umbigo) para se adequar ao esforço de uma coletividade de artistas (ou seja, ele tem de buscar uma trama que seja compatível com o desejo da maioria da equipe a ser montada e devidamente remunerada). A indústria cultural exige o entrosamento. Bem que os franceses tentaram criar o cinema de autor.

A passagem do umbigo para a mercadoria pode ser atestada pela crescente importância da figura do agente literário no diálogo da obra (indiretamente do autor) com as editoras. O autor não recebe mais o tapinha nas costas do editor, que lhe era dispensado quando entrava na José Olympio. Tampouco o editor lhe sussurra: passe no caixa para receber um vale com o adiantamento dos direitos. As relações se estabelecem por contrato assinado pelas partes.

O legítimo criador literário pode dispensar tudo, menos a folha de papel, mas isso se dá e continua a se dar por decisão individual e íntima. Há artistas que apostam, não no dia seguinte ao da ditadura (Chico Buarque e Caetano, citados por você), não no último meio artístico em pauta (os poetas experimentais e seus suportes técnicos), mas no dia seguinte ao da realização de toda uma obra. Costumo chamá-los hoje de escritores póstumos, e o melhor exemplo de vitória póstuma na atualidade brasileira é Clarice Lispector, como no dia de ontem foi Machado de Assis e, de certa forma, Oswald de Andrade. Ela confiou sem desconfiança nos textos que escreveu, confiou na arte literária em que acreditava. Foi profissional, sendo amadora. Em vida, teve um público minguado e morreu à míngua. Apenas dois dos seus inúmeros títulos ganharam edição que não fosse a primeira. Trata-se de uma aposta e, como tal, pode levar o jogador ao buraco do silêncio eterno ou ao céu do sucesso póstumo. A obra literária se assemelha ao cavalo no jogo de xadrez, que se move pelas diagonais. No tabuleiro da arte, a graça do seu movimento nada tem a ver com a linearidade do peão. Além do mais, se estiver na casa preta pode mover-se para a branca, e vice-versa.

Gostaria que você comentasse, a partir do seu conceito de narrador pós-moderno que está presente em “Nas malhas da letra”, o estranho fenômeno que acabou acontecendo nos últimos anos no jornalismo: o jornalista celebridade. A lista seria infindável (e só da Globo preencheria várias laudas). Mas voltando a fraca fria: a partir deste tipo de jornalista e pensando no seu texto do narrador pós-moderno. Hoje o jornalista é, muitas vezes, apresentado como mais importante que a notícia. Concorda?

S.S. –Política e indústria cultural têm uma exigência prioritária. Têm menos a ver com o produto pelo qual são responsáveis e mais a ver com o nome próprio que o assina. O próprio do produto e o próprio do nome são raramente discutidos e debatidos. Nome próprio é nome próprio, e vende. Políticos e atores (no sentido amplo das categorias) são figuras carismáticas. A etimologia latina da palavra carisma diz tudo. São pessoas que recebem um dom da natureza, que são favorecidos pela graça divina, e se contentam em dar asas ao dom e à graça recebidos. Não se questiona quem são eles e o que fazem, a não ser pelo viés da maledicência, que, aliás, infesta a imprensa marrom. Os paparazzi fotografam os nomes próprios.

Se não me engano foi Edgar Morin quem, na segunda metade do século 20, pôs primeiro o dedo numa nova categoria de seres humanos que estava sendo criada pelos meios de comunicação de massa – a estrela (Les stars, 1957). Seu livro foi traduzido ao português com o título de As estrelas: mito e sedução no cinema. (Glosando sua constatação sobre o jornalista, sabemos de há muito que a estrela é mais importante que o filme.) Tomado ainda pela linguagem psicanalítica, Morin percebia na base do mito um processo de projeção/identificação do espectador/leitor, que se expressava pelo desejo não satisfeito, reprimido (as calcinhas que as moçoilas ainda recentemente jogavam no palco em que Wando se apresentava é uma espécie de link libidinoso. Por cima da diferença entre palco e plateia, entre ator e espectador, no meio da multidão, estabelece-se um diálogo íntimo e intransferível do sujeito com o objeto do desejo). Em romance, De cócoras, tentei cena semelhante, valendo-me de Rita Hayworth no filme Gilda.

No entanto, por ser grande conhecedor do cinema, haja vista o clássico Le cinéma, ou l’homme imaginaire, Morin saiu pela porta da psicanálise e entrou pela janela da teoria sobre as artes do espetáculo. O processo de projeção/identificação do espectador com a estrela é usado pela indústria cultural – ele constatou − que passa a transformá-la em mercadoria cada vez mais rentável. A estrela vende tudo o que leva o nome que lhe é o próprio, seja o produto propriamente artístico, seja ainda o produto industrialtout court (refrigerante, perfume, automóvel etc.). Tudo é mercadoria, tudo é consumo no universo da estrela. Haja Rodrigo Santoro e Ivete Sangalo! De vez em quando, surge uma voz indignada, que apenas acentua o peso da lei geral. Caetano não quis que o nome Tropicália fosse dado a um edifício em construção.

No entanto, há que se fazer um esclarecimento. Se a criação da estrela pela indústria cultural é passível de discussão e de crítica, não há dúvida de que os novos meios tecnológicos de comunicação são responsáveis por novas formas de linguagem, por novos tipos de narrativa que afetam a tradicional “retórica da ficção”, para retomar a expressão de Wayne Booth. A linguagem cinematográfica veio para se espraiar para as outras linguagens artísticas.

O pós-moderno, no texto a que você se refere, publicado em Nas malhas da letra, era definido pelo fato de que o jornalista, enquanto narrador, tinha sido desprezado por Walter Benjamin como superficial, mas estava sendo valorizado por alguns escritores na época em que a linguagem geral (a língua franca, por assim dizer) do drama era tomada de empréstimo a ele e ao meio. Quem atua (no real) é sempre observado por um espectador que, por sua vez, passa a atuar como narrador (no campo da arte).

Minha hipótese de trabalho era ampla: o autor pós-moderno narra a ação enquanto espetáculo a que assiste (literalmente ou não) da plateia, da arquibancada ou de uma poltrona na sala de estar ou na biblioteca; ele não narra enquanto atuante, embora acabe por o ser. Tentava, então, deslocar o fulcro da narrativa da figura da estrela (o ator, o atuante) para a figura do espectador (o leitor, caso ele fosse crítico do ator e da ação por ele praticada – no caso de Wando, interessava-me mais quem jogava a calcinha do que o artista que levava o espectador a jogá-la). Anunciava o fim da narrativa narcisista, feita pela estrela na primeira pessoa do singular, apanágio da grande literatura europeia, e mal sabia que estava dando trela a outro tipo de narcisismo, o do espectador/leitor enquanto narrador. Devo ter caído nas malhas do meu ídolo Jorge Luis Borges. Ou nas malhas da minha prosa libertária intitulada Em liberdade. A prisão vivenciada pelo meu personagem, Graciliano Ramos, era expressa através da forma-prisão, o pastiche, de que se valia o narrador para relatar a experiência real do outro. A estética recobria a ação para dar nascimento a uma escrita ética.

Em termos mais gerais, a linguagem – seja ela a artística, ou não – é uma ferramenta. Uma ferramenta semelhante ao fogo, que nos foi doado por Prometeu. A técnica é que encaminha, de uma maneira ou de outra, o funcionamento das mãos em contato com as possibilidades do fogo e da linguagem.

Caso o leitor (no caso o espectador da cena a ser a narrada, ou seja, o narrador não-atuante, a moça que joga a calcinha para Wando, o jornalista) deixe de ser crítico (de ser ético) na própria narrativa, o problema é menos dele do que da própria crítica atuante no nosso momento histórico. Se o jornalista é mais importante que a notícia, para te glosar, há algo de podre no reino das comunicações e algo de mais podre na crítica dos espetáculos.

O aumento do número de vagas no ensino superior, com critérios populistas e não técnicos, tem causado grave problema para muitas universidades espalhadas pelo país. À boca pequena (nos bastidores) já se fala até na possibilidade do curso de Letras “caminhar” de mãos dadas com o jornalismo (espécie assim de “fusão camuflada”). O que pensa disto? E do futuro dos nossos cursos de Letras?

S.S. –O aumento de vagas em qualquer dos níveis de ensino é sempre algo de positivo. Portanto, não há que se queixar do avião como meio de transporte se ele, por decisão do governo norte-americano, despejou bombas atômicas no Japão. Há sempre que se questionar o modo como as coisas são feitas, principalmente as que na verdade deveriam ser bem feitas. A importância das medidas tomadas por Jules Ferry, ministro da educação na França ao final do século 19, atestam até hoje a favor da escola pública, leiga e republicana para todos os cidadãos, indiscriminadamente.

Nos países do Novo Mundo, em virtude de o processo de colonização ter sido feito de fora para dentro, em virtude de o processo ter sido de responsabilidade de europeus e ter comportado o extermínio da raça indígena e a escravidão africana, há injustiças históricas em relação aos descendentes dessas duas etnias. Não há dúvida de que, no tocante à educação e a outras obrigações públicas, há no Brasil grupos de cidadãos privilegiados e grupos de cidadãos não privilegiados. Como estabelecer a justiça? Como trabalhar com vistas à igualdade? Como neutralizar os preconceitos inerentes ao status quo? Essas e muitas outras questões deveriam ter sido feitas pelos homens públicos que – corretamente – procuram um sistema de compensação para beneficiar na área da educação todos os que, no correr dos séculos, foram destituídos dos seus direitos.

Guardadas as diferenças, a decisão desses homens públicos é semelhante à decisão tomada pelo presidente Truman no fatídico dia 3 de agosto. O fim da guerra com as forças do Eixo e a educação pública para todos e em todos os níveis são uma necessidade. Se essa necessidade leva o governante a mandar jogar uma bomba atômica (metafórica ou não) no já pobre e desmantelado ensino público brasileiro, é um gasto horroroso de energia, uma tragédia calamitosa e uma perda irreparável de tempo. Já vê que o que seja “técnico” e o que seja “populista” nessas matérias em que o problema fundamental é o da justiça ou da ética, e não o da mera política, é discussão por demais delicada para poucas linhas.

Problema bem distinto é o segundo proposto pela pergunta. Os já tradicionais cursos de Letras se aproximam dos novos e expansíveis cursos de Comunicação – e provavelmente se fundirão. É inegável que o avanço da tecnologia em fibra ótica na área de produção, estocagem e transmissão do saber retira o livro do pedestal onde foi colocado por séculos (a biblioteca) e é, ao mesmo tempo, algo que veio para ficar. Acima disse algumas palavras sobre isso. A questão da aproximação e fusão dos cursos tem duas pontas que deveriam ser analisadas.

Numa ponta, está uma questão propriamente orçamentária e na outra uma questão relativa à melhor e mais completa formação do aluno. Não é interessante que os cursos se dupliquem (ou seja, tenham gastos inutilmente duplicados), oferecendo conteúdos praticamente similares, nem é interessante que o aluno interessado pela questão da linguagem (artística ou não) no século 21 tenha uma formação limitada por ter optado por Letras (linguagem fonética, livro) ou, caso paralelo, por Comunicação (linguagem dos meios de comunicação de massa, mídia eletrônica).

É inegável que os cursos de Letras terão o futuro que o livro tiver. Qualquer cálculo no dia de hoje é precipitado, como o foi nos anos 1960, após a publicação do livro A galáxia de Gutenberg. A partir das ideias desenvolvidas por McLuhan os poetas concretos chegaram a “dar por encerrado o ciclo do verso” (v. Plano piloto da poesia concreta). O verso continuou firme e forte na produção dos poetas marginais e até nas (notáveis) traduções feitas pelos próprios irmãos Campos. De novo, estamos diante de matéria delicada para algumas linhas.

Nos cadernos de cultura de hoje cultura é sinônimo de entretenimento. O que pensa disto?

S.S. –Sinal dos tempos seria boa resposta, comprometida com o atual estágio mercadológico por que passa a cultura nas nações do Primeiro Mundo, que influenciam, por sua vez, todo o planeta. Veja-se uma única figura, Michael Jackson, e perceba-se a quantidade enorme de coisas que giram em torno dele internacionalmente. Da reprodução ao pastiche e à paródia. Vivemos mundialmente num regime único de arte, impossível de ser recuperado ou de ser transformado, a não ser pelo trabalho de jovens que são logo assimilados pelo regime único.

Às vezes me assusto com o fato de que há obras de arte, muitas vezes secundárias, que têm o dom de horóscopo. Prognosticam o futuro com a graça e a desenvoltura de quem entendeu para que veio, para que viemos e para onde vamos. Refiro-me, por exemplo, ao filme musical Em busca de um sonho (“Gipsy”), de 1962. (As músicas para a peça em que o filme se baseia foram escritas pelo mago Sondheim, em 1959.) O personagem da filha (Nathalie Wood) em confronto com a mãe (Rosalind Russell), uma estrela decadente e controladora, diz o que se deve dizer (metaforicamente) sobre as figuras que dominam a arte do entretenimento: “Me with no education. Me with no talent. Maman, look at me now. I am a star. Look how I live. Look at my friends…” e assim por diante. A canção, que se tornou famosa na voz de Nina Hagen ou Chita Rivera, complementa: “Let me entertain you / Let me make you smile / Let me do a few tricks / Some old and some new tricks / I’m very versatile”.

Depois dessa lição de palco, de strip-tease, de sorriso, de truques e de versatilidade não há como duvidar que a cultura passe a segundo plano. Entretenimento na cabeça.

Gostaria de uma pequena palavra sua sobre a importância que teve o trabalho que você é o principal responsável de ter tornado a obra de Derrida conhecida no Brasil. Gosta da recepção que ela tem hoje entre nós?

S.S. –Sem dúvida, Jacques Derrida é um dos grandes filósofos do século 20, e não um mero professor de filosofia. Sua obra escapa, pois, aos parâmetros de uma entrevista. Sua presença, no entanto, pode ser delineada através de uma questão capital, a meu ver, para o bom entendimento da importância da literatura a que chamei de póstuma. Não há dúvida de que, nos dias de hoje e em relação à produção literária classificada como moderna, a filosofia é a melhor articuladora de problemas e propicia melhores leituras que as ciências sociais. Nessa matéria, e há que se tirar o chapéu para o filósofo, ele trabalhou todos os grandes pensadores que o antecederam. Pense em Heidegger leitor de Hölderlin, pense em Benjamin leitor da reprodutibilidade técnica da arte, pense em Nietzsche e os helenos, pense em Bataille, Blanchot e Foucault, eles lá estão bem estudados. E tantos outros. A desconstrução é uma chave que abre todas as portas do saber humano pelo viés da história (da história da filosofia) e pelo viés da atualidade (da leitura a contrapelo). O leitor de Derrida está e estará diante de um arquivo infindável.

Daí a dificuldade em tomar assento na plateia de Derrida e em abrir a boca. Aliás, o próprio ato de proferir palavras oralmente tem pouco valor para ele (quem o conheceu pessoalmente sabe que ele nunca falava “de improviso”; suas aulas, palestras e conferências eram sempre “lidas”). De uma perspectiva populista e/ou demagógica, esse é o primeiro grande obstáculo que o leitor de Derrida tem de enfrentar. Enfrentar a linguagem como letra morta, ou seja, como letra que para poder existir enquanto tal teve de assassinar o pai (o locutor). O texto é como um filho assassino e bastardo, que caminha pelo mundo, de um lado para o outro, de uma época para a outra, à procura de quem possa lhe dar significado − o leitor.

Platão nos fez acreditar que a verdade seria expressa pelo locutor presente, junto à sua fala. Responsável por ela, ele seria sensível aos comentários do outro, ou seja, seria capaz de corrigir, ou de rasurar a própria fala no próprio momento em que se expressava. No entanto, é a verdade das ideias de Platão que está hoje impressa sob a forma de diálogo. O diálogo é apenas uma forma, uma forma fonocêntrica (defende a expressão oral) e etnocêntrica (defende a tradição ocidental) de saber, e não traduz a complexidade do processo de busca da verdade. Há que desconstruir o fonocentrismo que está na base do pensamento socrático, há que desconstruir o etnocentrismo que é fundamento do pensamento europeu. Descontruídos, chegamos à conclusão de que a verdade está sendo dada pela leitura de ocidentais e não-ocidentais, pela leitura do diálogo socrático, pela leitura do texto. Um lado do mar Mediterrâneo é europeu, mas o outro é africano.

É o próprio texto platônico, mostrou-nos Derrida em A farmácia de Platão, que se articula pelas ambivalências de sentido. Estas são apreendidas numa leitura cuidadosa dos rigorosos e frágeis esquemas linguísticos de que se serve o filósofo – e qualquer escritor para montar o texto que deverá nos levar ao conhecimento da verdade. Estamos sempre diante de diferenças. A diferença organiza o pensar, daí que Derrida desclassifique o tradicional conceito, para nos propor o pensamento a partir de palavras escritas, cujo sentido é indecidível (indécidable). O leitor, como figura, é um decisor, mas no seu texto de decisor, haverá também indecidíveis, que só serão apreendidos por outro e futuro decisor.

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[João Pombo Barile é jornalista e diretor do SLMG]

Suplemento Literário de Minas Gerais, edição especial “Reflexões sobre o jornalismo cultural”, Belo Horizonte, 2012

Preocupações com o livro e a Literatura amanhã – por amilcar neves / ilha de santa catarina.sc


Este ano a Biblioteca Nacional da Espanha celebra o seu terceiro centenário.


Aqui, tivemos um governador que decidiu ser sua missão acabar com a Biblioteca Pública do Estado de Santa Catarina, que contava apenas a metade da idade da sua congênere madrilenha – completou 158 anos no dia 31 de maio. Ele desfraldava um argumento que considerava arrasador e definitivo: “Por que a biblioteca de Joinville é municipal e a de Florianópolis tem que ser estadual?” Como não conseguiu extingui-la, mudou o nome para Biblioteca Pública de Santa Catarina (ou seja: ela está pronta para deixar de ser do Estado desde que o novo proprietário se comprometa a mantê-la pública…) e sustou a liberação de verbas até para a manutenção do acervo. Hoje o homem é senador da República e relata o projeto do novo Código Florestal Brasileiro, ancorado em opiniões pouco próprias sobre essa mania nacional de se querer preservar meio ambiente às custas da produção de alimentos.


Claro que bibliotecas têm tudo a ver com a preservação do livro, da Literatura e do salutar hábito da leitura. Ainda outro dia, o peruano Mario Vargas Llosa, Prêmio Nobel de Literatura de 2010, declarando seu amor incondicional pelas bibliotecas, revelou que o fato mais importante da sua vida foi ter aprendido a ler. A paixão pela leitura desde criança, conforme afirmou, permitiu-lhe, a partir de então, viver “grandes experiências” graças aos livros.


O mesmo Vargas Llosa participou neste 9 de maio de um ciclo organizado por aquela biblioteca espanhola em comemoração aos seus 300 anos. Durante o debate com um jornalista, ele desabafou: “É um temor, tomara que não aconteça”. Referia-se ao advento dos mais diversos aparelhos eletrônicos que têm surgido nos últimos anos e se propõem a operar como suporte ao livro e à leitura. O mais recente deles constitui a família dos tablets, palavra que, em inglês, significa precisamente tabuleta, tabuinha, bloco de papel (assim como um notebook nada mais é, no vernáculo anglo-saxão, do que um mero caderno de notas, uma simples agenda, o velho e tradicional caderno escolar).


A preocupação do escritor latino-americano é que, segundo ele acredita, o suporte eletrônico acabará por influir decisivamente no conteúdo da escrita; neste caso, afetando comprometedoramente a qualidade do texto. Ele dá um exemplo: “a literatura criada diretamente para os tablets” pagará o mesmo preço que o texto escrito para a televisão, “pois se banalizará e cairá na frivolidade”. Seu argumento é claro: “A televisão banalizou tanto os conteúdos […] porque aponta ao mais baixo para chegar ao maior número de pessoas.”


Na verdade, não se pode considerar Literatura uma telenovela, tanto quanto nunca se deu essa condição à velha radionovela. Mesmo um texto teatral será ou não obra literária dependendo da perícia, do engenho e da autocrítica que o seu autor colocar no trabalho. De forma idêntica, um escritor jamais escreverá sua literatura de maneira apressada (e irresponsável) para “postar” o texto no segundo seguinte querendo que se trate de uma peça efetivamente literária. A obra literária exige tempo, maturação, revisões infindas e um enorme grau de exigência até chegar-se mais ou menos perto do resultado ideal.


Assim, jamais se escreverá um conto teclando-o diretamente num dispositivo eletrônico e publicando-o no ato. Literatura é outra coisa, e até poderá ser lida num tablet, mas nunca produzida nele para consumo imediato.

AMILCAR NEVES  é membro da ACADEMIA DE LETRAS DE SANTA CATARINA.

O poeta MANOEL DE ANDRADE comenta a condenação do coronel, torturador, ustra / curitiba.pr

Autor: Manoel de Andrade (IP: 177.132.23.197 , 177.132.23.197.dynamic.adsl.gvt.net.br)

Comentário:

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Diz o advogado do “Brilhante” Coronel Ustra que  “os atos que levaram à condenação foram “apagados” pela Lei da Anistia”.
Creio que é preciso lembrar que a Lei da Anistia, aprovada pelo Congresso Nacional em 1979 foi uma fraude jurídica imposta pela Ditadura para impossibilitar a punição de policiais e militares comprometidos com a tortura e a morte de militantes de esquerda. O Congresso de então era composto por um terço de senadores biônicos (parlamentares investidos pela Ditadura sem o sufrágio do voto) e por uma oposição consentida. O outro projeto de anistia, proposto pela sociedade civil e encampado pelo MDB, propunha uma anistia ampla, geral e irrestrita, mas, por isso mesmo não foi aceito pelo Congresso, monitorado pelos generais. O que se lutava, na época, era por uma Anistia de devolvesse os direitos a cidadania, pela liberdade de organização política e sindical, enfim uma anistia com liberdade e o que se aprovou foi um conceito de anistia para o esquecimento dos crimes cometidos e a impunidade para os torturadores. Não se considerou o direito a resistência e os presos políticos, conceituados pela Lei de Anistia como terroristas, não foram anistiados e continuaram cumprindo penas. A verdadeira caminhada para a anistia começou quando da descoberta das 1.049 ossadas de presos políticos encontrados numa vala clandestina do cemitério de Perus, em São Paulo, no dia 4 de setembro de 1990. Foi esse fato que deu origem a Comissão dos Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos e as leis posteriores que reconheceram a responsabilidades do Estado pelos mortos e desaparecidos durante o Regime Militar.
A ditadura terminou em 1985, mas somente agora, quase trinta anos depois, é que se começa, finalmente, a apurar seus crimes. Somente em novembro do ano passado o Brasil começou a redimir-se de sua vergonha nacional com a criação da Lei de Acesso à Informação e da criação da Comissão Nacional da Verdade as quais vieram mudar uma cultura de silêncio vigente até então no país.
A Comissão da Verdade e a Lei de Acesso à informação ampliaram os direitos civis da Constituição de 88, dando ao cidadão o poder de acessar informações que sempre lhe estiveram vedadas pela imposição do esquecimento e o claro propósito de impor o silêncio às vítimas da ditadura.

A Comissão da Verdade é uma conquista diante da impotência da Lei da Anistia, que veio para absolver os algozes e sepultar suas vítimas no passado. Foi somente com a valorização da Memória e a evidência pública da violência no Regime Militar, promovida por abnegados grupos de Direitos Humanos, em audiências públicas, livros e artigos publicados e palestras pelo país inteiro, que se começou a superar a cultura do esquecimento e se compreender o que significa o direito à resistência. Estas duas conquistas democráticas modificaram os paradigmas dessa transição. Nossos aplausos para Paulo Abrão, Presidente da Comissão de Anistia, que tem sido incansável na sua peregrinação pelo Brasil à frente da Caravana da Anistia. Diante dos países vizinhos, que se anteciparam na revelação das atrocidades cometidas por militares, o Brasil chegou atrasado, mas finalmente está chegando ao palco da justiça e da verdade,  para reparar e dignificar a memória daqueles que deram a vida por um sonho.

Quando ao julgamento dessa sinistra figura, que foi mestre da crueldade no DOI-CODI de São Paulo, e que certamente foi aluno de Dan Mitrione, sua condenação civil não é uma “pena”, mas um “prêmio” se comparada com a perpetuidade penal dos seus comparsas argentinos.  É consolador pensar que essa primeira condenação, ainda que civil, seja também o primeiro passo para criminalizar os verdugos da nossa Ditadura, já que os crimes de lesa-humanidade são imprescritíveis, seja pelo caráter de crime permanente (no caso dos desaparecidos), seja pela jurisprudência dos tribunais internacionais assim como da Corte Interamericana de Direitos Humanos.

O Coronel Ustra abre o tribunal da nossa consciência histórica. Esperamos que outros réus sejam também trazidos ante o poder da Justiça. Vamos acreditar nessa agenda. Creio que isso é uma questão de tempo. Vamos começar a contá-lo porque “Nada há de oculto que não se torne manifesto, e nada em segredo que não seja conhecido e venha à luz do dia.” Evangelho de Lucas 8,17

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leia AQUI a matéria comentada.

Mapa astral e outras adivinhações – por luis fernando pereira / curitiba.pr

Era criança lá em Cascavel quando um primo um pouco mais velho me explicou que o futuro já estava definido. Todo o futuro. Falava meu primo das profecias de Nostradamus. Fiquei meio desconfiado, mas acreditei. Aquela imagem de um velho sisudo e com longa barba branca ajudava a impressionar uma criança. Como há um bom tempo deixei de ser criança (mais tempo do que eu gostaria), parei de acreditar em Nostradamus ou qualquer outra forma de futurologia. Impressiona-me como até hoje muitos amigos (já bem crescidos) insistem em acreditar na possibilidade de se predizer o futuro. Resolvi escrever sobre tema.

Há várias modalidades de adivinhação. Dizem que os caldeus (aquela turma do sul da Mesopotâmia) prediziam o futuro analisando as entranhas dos animais. Hoje isso já não seria mais possível, imagino. A Brigitte Bardot e outros protetores dos animais não permitiriam o sacrifício dos bichinhos apenas para revelar o futuro a humanos ansiosos. Em tempos atuais a adivinhação se dá por intermédio das cartas de tarô, búzios, astrologia, quiromancia (leitura das mãos, explico aos não iniciados) entre outros “métodos” menos votados. Em um conto de Rubem Fonseca (reunido no ótimo “Secreções, Excreções e Desatinos”), li a possibilidade de se adivinhar o futuro por meio da análise das fezes. Não pesquisei, mas acho que a adivinhação escatológica era pura ficção do nosso grande Rubem (melhor contista brasileiro vivo, aproveito para anotar).

Ainda sobre os “métodos”, tem um amigo meu que acredita que tudo pode ser revelado pela borra do café (cafeomancia, outro método moderno de adivinhação). É só eu terminar de tomar o meu café que ele fixa o olhar no fundo da minha xícara para fazer a leitura da borra. – Mês bom para fechar acordos, disse ele uma vez. Eu acho que no futuro ele vai confessar que está me gozando com este papo de borra de café, mas como eu não me arrisco em adivinhações, simulo certa atenção. Como há vários métodos, pesquisei para ver se havia alguma hierarquia. Por exemplo: os búzios prevaleceriam em relação ao tarô que, por sua vez, estaria acima da cafeomancia? Não achei nada neste sentido. Isso só aumenta minhas dúvidas. Fico pensando: se por acaso os búzios revelarem período bom para acordos e a cafeomancia (o negócio da borra de café) disser que devo apostar em conflitos, como devo proceder? Cheguei à conclusão que o ideal é que cada adepto da adivinhação se concentre em apenas um método, evitando que o maldito do tarô possa eventualmente desmentir a leitura das mãos, gerando certa desorientação.

Bem, como meu espaço aqui na Revista Ideias é pequeno, permitam-me agora um corte metodológico. Vou me concentrar um pouco na análise da astrologia. É o método mais popular entre meus amigos. Fazer um mapa astral é quase uma obrigação hoje em dia. Se entendi bem a explicação sobre o funcionamento deste método de adivinhação, na essência a pessoa é definida (personalidade, caráter etc.) a partir das posições do sol, da lua e dos planetas no instante do nascimento. Ao ouvir a explicação, me perguntei por que não levam em conta o momento da concepção; ou quem sabe da primeira mamada? Não compreendi bem o porquê, mas o fato é que vale mesmo a hora do nascimento. Dia desses, ao tentarem me convencer a fazer meu mapa astral, disseram-me que bastaria eu informar o horário e a data do nascimento que o astrólogo (não confundir com astrônomo) me entregaria o tal mapa pronto. Falaram na influência das constelações zodiacais, se me recordo. O mapa astral, com suas casas astrais e trânsitos astrológicos (nomes pomposos, devo reconhecer), seria um guia a revelar períodos futuros propícios para determinadas atividades. Para resumir, é um horóscopo mais sofisticado. Com todo o respeito que devo aos meus amigos adeptos da astrologia, não vejo nenhum sentido nisso.

Certa vez, fiz uma conta interessante para uma amiga que não saía de casa sem ler o horóscopo diário (parece que mais recentemente ela migrou para o i-ching). Como somos mais de sete bilhões de humanos andando pela terra e apenas doze signos, mais ou menos seiscentos milhões de pessoas acabam tendo o mesmo tipo de dia (bom para os negócios; ruim para o amor, por exemplo). Não por acaso as “previsões” do horóscopo são genéricas o suficiente para não frustrar a expectativa da turma. Mesmo genéricas, há casos de inevitáveis equívocos. Quando pergunto sobre os erros, meus amigos do mapa astral chamam a atenção para a influência do signo ascendente. Eu mesmo nem sabia que existia o tal do ascendente. Existe e tem gente que chega a cancelar viagem se o mapa astral, levando ou não em consideração o ascendente, indicar um período impróprio. Gente importante acredita nisso. Os mais velhos lembram bem da estranha relação do casal Reagan com a astrologia. O ex-presidente americano chegou a ficar um tempo sem sair da Casa Branca com medo de ser assassinado. Era um sinal do mapa astral.

Eu simplesmente não consigo acreditar em rigorosamente nada disso. Acho sinceramente que não se trata propriamente de métodos de adivinhação, mas métodos de ganhar dinheiro. Para cada método há um “sensitivo”. São os intérpretes dos métodos. São pessoas que se vestem diferente para compor o tipo esotérico. Não duvido que haja gente séria metida com isso. Muitos realmente acreditam, mas a grande maioria tem a adivinhação como ganha-pão e pronto. O número de adeptos é tal que se trata de um ofício que dá um futuro certo aos “intérpretes”.

Apesar de tudo, antes de enviar este texto, resolvi consultar meu horóscopo. Entre outros conselhos, dizia que era para eu aproveitar o ensejo do ingresso de Júpiter em Áries para ampliar horizontes. O astral favorece a flexibilidade e a abertura mental, dizia outro trecho. Foi confiando nestes conselhos que eu enviei o texto. Não gostou? A culpa não é minha; é do mapa astral ou, noutras palavras, da bendita posição das constelações zodiacais na hora exata do meu nascimento.

Artista de rua ‘levita’ durante apresentação na Espanha

Cena foi registrada em praça na capital Madri.
Imagem foi feito pelo fotógrafo Dominique Faget.

 

Um artista de rua parecia levitar durante um apresentação na terça-feira (26) em uma praça em Madri, na Espanha. (Foto: Dominique Faget/AFP)
Um artista de rua parecia levitar durante um apresentação na terça-feira (26) em uma praça em Madri, na Espanha. (Foto: Dominique Faget/AFP)
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Do G1, em São Paulo

Coronel Brilhante Ustra é condenado por morte de jornalista nos anos 70 – diógenes campanha / são paulo.sp

O coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra foi condenado em primeira instância a indenizar a família do jornalista Luiz Eduardo da Rocha Merlino, morto em 1971 em decorrência de torturas do regime militar (1964-1985).

Ele terá que pagar R$ 50 mil, por danos morais, para a ex-companheira de Merlino, Angela Mendes de Almeida, e o mesmo valor para a irmã dele, Regina Merlino Dias de Almeida. Cabe recurso.

É a primeira vez que a Justiça manda um agente da ditadura pagar reparação financeira a familiares de uma vítima de tortura. Em casos semelhantes, a responsabilidade recaiu sobre o Estado.

A decisão condenando o militar foi proferida anteontem pela juíza Claudia de Lima Menge, da 20ª Vara Cível de São Paulo.

Ustra comandava o DOI-Codi (centro de repressão do Exército) em julho de 1971, quando Merlino, integrante do Partido Operário Comunista, foi levado para o órgão. Ele morreu quatro dias depois de ser preso.

Na época, a versão apresentada pelo Dops (Departamento de Ordem Política e Social) foi a de que Merlino havia se jogado diante de um carro na BR-116, após fugir de uma escolta que o levava para o Rio Grande do Sul.

A versão foi contestada nos depoimentos de outros presos, que contaram que Merlino foi torturado no pau de arara e colocado desacordado em um veículo.

Em sua sentença, a juíza afirma serem “evidentes os excessos” cometidos por Ustra, que “participava das sessões de tortura e, inclusive, dirigia e calibrava intensidade e duração dos golpes”.

Testemunhas ouvidas no processo afirmaram que os maus-tratos a Merlino foram comandados por Ustra.

Um dos advogados do militar, Paulo Alves Esteves, informou que recorrerá da decisão. Ele afirmou que os atos que levaram à condenação foram “apagados” pela Lei da Anistia.

“A fonte do direito à indenização passa por um ilícito que já foi anistiado”, disse.

Durante o processo, a defesa protocolou reclamação no Supremo Tribunal Federal alegando que a ação da família de Merlino violava a decisão da corte que, em 2010, manteve a validade da Lei da Anistia.

O ministro Carlos Ayres Britto negou o pedido de Ustra em outubro de 2011.

O entendimento foi de que a anistia extinguiu a possibilidade de uma condenação penal, mas não a responsabilidade civil e o eventual pagamento de indenização.

A reportagem ligou para a casa de Ustra em Brasília, mas a mulher dele afirmou que ele não estava.

PARAGUAY: EUA já “previam” golpe em 2009

Edição/247

DOCUMENTO DA EMBAIXADA DOS EUA EM ASSUNÇÃO, VAZADO PELO WIKILEAKS, TRATAVA DE UM POSSÍVEL GOLPE PARLAMENTAR CONTRA FERNANDO LUGO; ATÉ AGORA, O GOVERNO DE OBAMA NÃO SE PRONUNCIOU SOBRE A MUDANÇA DE GOVERNO NO PAÍS VIZINHO.

247.

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ÚLTIMA INFORMAÇÃO:

EUA reconhecem golpistas do Paraguai

 

Por Altamiro Borges

Não causa nenhuma surpresa. Ocorreu o mesmo na tentativa frustrada de golpe na Venezuela, em abril de 2002, e no golpe direitista exitoso de Honduras, em junho de 2009. O Departamento de Estado dos EUA divulgou uma nota oficial na noite desta sexta-feira (22/06) reconhecendo “o voto do senado paraguaio pelo impeachment do presidente Lugo”, desejando êxitos ao “novo presidente” e rogando que “os paraguaios ajam pacificamente, com calma e responsabilidade, dentro do espírito dos princípios democráticos”.
Pouco antes da condenação sumária de Fernando Lugo, o porta-voz para a América Latina do governo dos EUA, William Ostick, já havia desejado um julgamento “escrupuloso” do presidente Lugo pelo Senado do Paraguai – composto na sua ampla maioria pela direita, por parlamentares ligados aos latifundiários e aos saudosos dos tempos da sanguinária ditadura de Alfredo Stroessner.
Segundo a mídia estadunidense, Washington acompanhava de perto a crise no Paraguai e sua embaixada em Assunção observava a situação muito atentamente. Barack Obama, o presidente que iludiu tanta gente na América Latina, deve estar satisfeito com o desfecho da crise. Agora ele imagina contar com mais um importante aliado no continente, juntamente com os servis mandatários do Chile e da Colômbia. O esforço do império para implodir a integração regional soberana ganhou mais um tento!

Golpe, dos corruptos, no Paraguai: O que os Estados Unidos podem ganhar – por luiz carlos azenha / brasilia.df

A reação de Washington ao golpe “democrático”  no Paraguai será, como sempre, ambígua. Descartada a hipótese de que os estadunidenses agiram para fomentar o golpe — o que, em se tratando de América Latina, nunca pode ser descartado –, o Departamento de Estado vai nadar com a corrente, esperando com isso obter favores do atual governo de fato.

Não é pouco o que Washington pode obter: um parceiro dentro do Mercosul, o bloco econômico que se fortaleceu com o enterro da ALCA — a Área de Livre Comércio das Américas, de inspiração neoliberal. O Paraguai é o responsável pelo congelamento do ingresso da Venezuela no Mercosul, ingresso que não interessa a Washington e que interessa ao Brasil, especialmente aos estados brasileiros que têm aprofundado o comércio com os venezuelanos, no Norte e no Nordeste.

Hugo Chávez controla as maiores reservas mundiais de petróleo, maiores inclusive que as da Arábia Saudita. O petróleo pesado da faixa do Orinoco, cuja exploração antes era economicamente inviável, passa a valer a pena com o desenvolvimento de novas tecnologias e a crescente escassez de outras fontes. É uma das maiores reservas remanescentes, capaz de dar sobrevida ao mundo tocado a combustíveis fósseis.

Washington também pode obter condições mais favoráveis para a expansão do agronegócio no Chaco, o grande vazio do Paraguai. Uma das preocupações das empresas que atuam no agronegócio — da Monsanto à Cargill, da Bunge à Basf — é a famosa “segurança jurídica”. Ou seja, elas querem a garantia de que seus investimentos não correm risco. É óbvio que Fernando Lugo, a esquerda e os sem terra do Paraguai oferecem risco a essa associação entre o agronegócio e o capital internacional, num momento em que ela se aprofunda.

Não é por acaso que os ruralistas brasileiros, atuando no Congresso, pretendem facilitar a compra de terra por estrangeiros no Brasil. Numa recente visita ao Pará, testemunhei a estreita relação entre uma ONG estadunidense e os latifundiários locais, com o objetivo de eliminar o passivo ambiental dos proprietários de terras e, presumo,  facilitar futura associação com o capital externo.

Finalmente — e não menos importante –, o Paraguai tem uma base militar “dormente”  em Mariscal Estigarribia, no Chaco. Estive lá fazendo uma reportagem para a CartaCapital, em 2008.  É um imenso aeroporto, construído pelo ditador Alfredo Stroessner, que à moda dos militares brasileiros queria ocupar o vazio geográfico do país. O Chaco paraguaio, para quem não sabe, foi conquistado em guerra contra a Bolívia. Há imensas porções de terra no Chaco prontas para serem incorporadas à produção de commodities.

O aeroporto tem uma gigantesca pista de pouso de concreto, bem no coração da América Latina. Com a desmobilização da base estadunidense em Manta, no Equador, o aeroporto cairia como uma luva como base dos Estados Unidos. Não mais no sentido tradicional de base, com a custosa — política e economicamente custosa — presença de soldados e aviões. Mas como ponto de apoio e reabastecimento para o deslocamento das forças especiais, o que faz parte da nova estratégia do Pentágono. O renascimento da Quarta Frota, responsável pelo Atlântico Sul, veio no mesmo pacote estratégico.

É o neocolonialismo, agora faminto pelo controle direto ou indireto das riquezas do século 21: petróleo, terras, água doce, biodiversidade.

Um Paraguai alinhado a Washington, portanto, traz grandes vantagens potenciais a interesses políticos, econômicos, diplomáticos e militares estadunidenses.

Mercosul suspende Paraguai da próxima cúpula do bloco / buenos aires.ar

BUENOS AIRES, 24 Jun (Reuters) – O bloco comercial Mercosul suspendeu neste domingo a participação do Paraguai na próxima cúpula regional que o grupo realizará na semana que vem, informou neste domingo a chancelaria argentina.

Em comunicado, a chancelaria argentina informou que os países-membros do Mercosul e os Estados associados expressaram “sua mais enérgica condenação à ruptura da ordem democrática na República do Paraguai, por não ter sido respeitado o devido processo”.

Por isso, decidiram “suspender o Paraguai de forma imediata e, por este ato, do direito de participar da Reunião do Conselho do Mercado Comum e da cúpula de presidentes do Mercosul”.

Os encontros serão realizados na cidade argentina de Mendoza, entre os dias 25 e 29 de junho.

Na sexta-feira o Congresso paraguaio aprovou o impeachment do então presidente do país, Fernando Lugo, e deu posse a seu vice, o liberal Federico Franco.

O processo foi aberto na quinta-feira e concluído no dia seguinte.

domingo, 24 de junho de 2012 18:05 BRT

(Reportagem de Magdalena Morales)

MERCOSUL SERÁ PRESIDIDO POR UM GOLPISTA? / editorial da carta maior / são apulo.sp


Começa na próxima quarta-feira, em Mendoza, Argentina, a Cúpula do Mercosul. No encontro dos chefes de Estado, no fim da semana, estava prevista a passagem da Presidência pro tempore do bloco à República do Paraguai, leia-se, ao presidente democraticamente eleito, Fernando Lugo. Que atitude tomarão agora Dilma Rousseff , Pepe Mujica e Cristina Kirchner diante do golpe da última sexta-feira? Recorde-se que o mesmo Congresso que derrubou Lugo bloqueia há mais de um ano o ingresso da Venezuela no Mercosul,  já aprovado pelos demais parceiros.O argumento soa agora irônico: ‘o governo Chavez não é democrático’, alegam os senadores paraguaios que apearam Lugo em menos de 30 hs. Em entrevista à TV Pública de seu país, sábado, Cristina Kirchner foi enfática quanto a posição de seu governo –‘Argentina no va a convalidar el golpe de Estado en Paraguay’.Veja aqui: http://www.telam.com.ar/nota/29325/  Com exemplar coerência, a Casa Rosada decidiu na tarde de sábado retirar seu embaixador em Assunção, assumindo a liderança no rechaço regional à derrubada de Lugo. Horas depois, já na noite de sábado, o Brasil adotaria atitude parecida, seguido pelo Uruguai: ambos convocaram seus representantes ‘para consultas’. Brasília está sendo cortejada pelo novos ocupantes do Palácio de los Lopez, que prometem resolver a cidadania de 400 mil brasiguaios. A destituição de Lugo representa um ponto fora da curva, ou o golpismo ainda lateja na América Latina ?

 

 

A nova classe média – do consumo à cidadania – por marcello vernet de beltrand* / são paulo.sp

A mídia anunciou aos quatro ventos. O Brasil tem nova conformação social. A esclerosada pirâmide deu lugar ao jovial losango. Trocando em miúdos, somos algo como 47 milhões de brasileiros nas classes D e E, 101 milhões no segmento C e outros 42 milhões nas faixas A e B.

A primeira constatação é de júbilo, pois o país resgata para a prosperidade emergente milhões de famílias que conquistaram a alforria econômica e caíram de mala e cuia no consumo de bens e serviços que antes não eram acessíveis.

Cumpre-se aqui uma dívida histórica — gerar emprego e renda. Débito que o país precisava saldar para tornar esse pedaço do planeta um lugar decente e seguro para afundar raízes e deitar tijolos. Existem ainda outras mazelas, como escolas e professores de qualidade, presídios limpos e regeneradores, hospitais, repressão ao crime, política decente e… bem, a lista avança. Mas há que reconhecer que a fila andou.

A situação de pleno emprego, assim, permitiu ao governo dar início à liquidação de uma de suas mais caras duplicatas: colocar no bom caminho milhões de brasileiros que tangenciavam a perigosa zona onde o Estado é mais ausente e o cidadão, mais carente. Mais riqueza, mais trabalhadores. Mais empregos, menos delinquentes.

Mas, voltemos à nova classe C, para onde acorreram milhões ávidos por consumo e novidades. Lambuzados no crédito fácil eles fazem girar a cadeia produtiva por trás do comércio. Porém, em meio ao festejo cívico – indicadores positivos tomam conta do país, sensibilizam jornalistas e provocam o otimismo nos economistas – existem algumas complexidades. Um delas refere-se ao processo educacional. Estas pessoas que tomaram o mercado chegam de um lugar onde há histórica escassez – de estudo, conhecimento e senso crítico. E menos estudo, é sabido, nos faz preza fácil do que é vulgar, brega, irracional, banal e comum.

A sociedade precisa acordar para a urgente tarefa de educar os brasileiros ingressantes no universo do consumo. E isso não será feito apenas pelo Poder Público, a quem falta pernas. Trata-se de missão para toda a sociedade — empresas, ONGs e, em especial, meios de comunicação.

A carteira profissional, que confere identidade ao dono, é o primeiro documento de ingresso no mercado. Outros comprovantes culturais e éticos serão exigíveis no médio prazo. Ou a nação educa seu povo – na arte, cultura e literatura – ou as pessoas vão continuar acreditando que a mulher melancia é a expressão de uma estética apurada, que ouvir música em som alto em público é um jeito moderno de ser e que o reality show é a evolução do teatro.

A economia que celebra o ingresso legítimo desses consumidores no ambiente de consumo deve cuidar para que eles se desenvolvam como cidadãos, sob pena de criar um mundo vil, mentalmente pobre, chulo no gosto e medíocre nas ambições. Este é um aprendizado que todas as classes devem observar: antes de ser consumidor, cada sujeito é cidadão. O processo civilizatório tem de avançar. Relegar o cidadão apenas ao papel de consumidor é barbárie econômica. Significa abrir mão da noção de urbanidade, afabilidade, sofisticação e erudição. É demasiado? Não, claro que não.

*Jornalista, consultor e mestre em Administração

Medicina em rota de colisão – por stephen doral stefani / new york.eua

Eu costumo visualizar os avanços em Medicina como um grande transatlântico, em velocidade de cruzeiro, em alto mar. Impressiona pela tecnologia. Já os custos em medicina são facilmente representados como um iceberg. Dá para ver a ponta, mas a maioria dos gastos são uma incógnita. Seja porque são custos indiretos (como, por exemplo, do absenteísmo) ou porque são resultados de desvios e desperdícios. Não precisa ser muito criativo para ver onde isso vai dar. Transatlântico e iceberg: inevitável lembrar do Titanic.

Em 1995, foi publicado interessante ensaio sobre os dados estatísticos do desastre marítimo no Journal of Statistics Education. A taxa de mortalidade em passageiros de classes econômicas menores foi quase o dobro comparados as classes mais abastadas. Outro paralelo fácil de traçar com saúde. Há alguns dias a Organização Mundial de Saúde publicou dados que mostram que, apesar de ter aumentado em uma década, o Brasil gasta pouco com o setor em comparação com a média mundial. Enquanto o mundo gasta em média 14,5% do produto interno bruto (PIB) em saúde, o Brasil não chega a 6%. Países ricos chegam a 17% e países africanos 9,6%.

Cabe mencionar que aproximadamente 50% gastos em saúde no país são concentrados nos 20% de brasileiros que tem planos de saúde. Os outros 80% que só tem acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS) utilizam a outra metade. A iniquidade impressiona. O número de leitos merece um capítulo. Enquanto os europeus tem 68 leitos para cada 10 mil habitantes, o Brasil tem 26. É certo que a população européia é mais velha e pode demandar mais utilização, mas a saúde no velho continente é praticamente socializada. No Brasil, a dificuldade de leitos é sistêmica mas muito mais grave no sistema público. Bom, feito o diagnóstico, o que pode ser feito? Definitivamente, não podemos nos dar ao luxo de usar energia e tempo arrumando as cadeiras no convés. A meta deve ser modificar curvas de aumento de custo e as diferenças entre o sistema público e privado, para que não tomem proporções oceânicas.

Análises de custo-efetividade e políticas de saúde devem refutar tecnologias que não agregam valor relevante. Reengenharia tributária a fim de desonerar a área médica deve ser considerada. Sofisticação e criatividade — feita por profissionais e não apadrinhados políticos — no controle de fluxos gerenciais são importante. E, principalmente — não só pelos recursos que se perdem, mas também pela indignação que gera — crimes e desvios devem ser punidos rigorosamente. Lutamos para evitar catástrofes e perdas de vidas mas, sem mudanças de rumo, a colisão é uma questão de tempo.

*Médico oncologista

VINHOS: “Deixa o ar entrar nos velhos châteaux” – por luiz horta / são paulo.sp

Um dia eles se perguntaram: se eram jovens, produziam e bebiam Bordeaux, por que a região tinha imagem de vinhos caros e difíceis, feitos para magnatas britânicos? Aí resolveram inovar, fazendo vinhos bons, mas pagáveis

É falar em Bordeaux e já consulto meu saldo bancário. Também olho no espelho para ver se estou vestido direito, endireito o nó da gravata e mando engraxar os sapatos, porque a região é imediatamente relacionada, na nossa cabeça, a preços altos e solenidade. Foi essa imagem negativa, de coisa inacessível, para banquetes e comemorações esporádicas e garrafas muito caras, que fez surgir o grupo Bordeaux Oxygène (BO2).

O vinho, como parte do mundo da cultura, é afetado pela moda. E a moda atual é gastar menos e beber mais largadamente, sem muito salamaleque. No caso do BO2, grupo surgido cerca de dez anos atrás, composto de jovens produtores, a moda é ser informal. Eles têm mansões, mas preferem morar despojadamente. O château ficou para turismo e visitas.

Fazem vinhos com notas altas da crítica, mas os preços são pagáveis e os vinhos são para serem bebidos e não só comprados e guardados. Não usam ternos ingleses nem parecem banqueiros – estão mais ligados ao street wear e podem aparecer em qualquer evento parisiense sem ares de camponês rústico, nem de financista esnobe.

Estão muito longe da imagem do aristocrático dono de château bordelês. São “oxygenados”, engraçados, animados e bebem vinho porque é bom. Fui visitá-los e voltei aliviado: Bordeaux pode ser para todo mundo e a qualquer hora.

A ideia de modernizar a cara de Bordeaux tem autoria. Todos os produtores do BO2 com quem conversei apontaram Alice Cathiard (agora Tourbier, depois de casada), do Smith Haut-Lafitte, e Benoit Trocard, do Clos Dubreuil, como criadores do conceito. Os pioneiros foram colegas no curso de enologia da Universidade de Bordeaux, alunos de Dennis Dubordieu. Foi ali que nasceu o movimento. Se todos os membros eram jovens, produziam e bebiam Bordeaux, por que a região tinha uma imagem de vinhos caros, difíceis e para magnatas britânicos? Trocard voltava de um estágio na Austrália; Alice chegava com a família vinda de outros negócios.

Fui visitá-los e provei seus vinhos. Estive com 14 dos 18 atuais membros do grupo. A constatação primeira é visível no mapa: eles não são vizinhos nem pertencem à mesma região. No seu meio há Grands Crus de Saint Estephe, de Graves, negotiants e amantes dos vinhos que aprenderam na unha a fazê-los. São, de certa maneira, ou, melhor dizendo, eram outsiders. Nenhum tinha três séculos de produção na região. Os mais enturmados com Bordeaux vendiam vinhos havia gerações, caso das famílias Audy e Mau. Mas a maioria chegou depois, apaixonada pelo vinho e sem tradição na sua produção. Como viam o vinho como prazer e não como obrigação ancestral, foi mais fácil dar uma chacoalhada na imagem da região.

Seus vinhos mantêm o estilo de cada região. Não há um estilo Oxygène de vinho, nem a turma trabalha em conjunto na produção de um vinho identificável como Oxygène. Se há um resumo para sua atividade, eles levaram para os châteaux austeros um estilo de vida, uma maneira de abordar a bebida mais próxima do mundo real.

O grupo original cresceu – Bordeaux atrai novos investidores, várias propriedades vão mudando de mãos e Oxygène só cresce. Ninguém tem a perder se Bordeaux sair dos preços estratosféricos, abandonar o aspecto superior e distante e pousar em todas as mesas.

Olhe bem para essa turma, suas roupas, seus modos e sua simpatia. Eis a nova Bordeaux. O estilo Oxygène vai dar o tom no futuro da bebida.

Lembranças de Loup de Mer – conto – de daisy carvalho / rio de janeiro.rj


Aproxime-se, mon ami. Estou muito velho.

Aqui é um porão – como vês -, onde vivi feliz com minha família por um bom tempo. Nunca foi muito arejado e nem farto de comida, contudo, o que mais importava era que nada pagávamos.

Possuo muitos livros. Revistas antigas, jornais velhos e amarelados. Não sou um colecionador. Adquiri tal hábito para ajudar nas noites de frio. Todavia, meus livros não! Estes eu guardei como pude, embora, ao longo do tempo, as crianças tenham danificado alguns. Assim, é com tristeza que observo a uns sem capa; e outros, até faltando preciosas páginas.

Este aqui eu guardo com carinho e dor. É um clássico da literatura mundial. Chama-se Fome. O dono é um americano chamado Knut Hamsun. Este eu li várias vezes – Oh! Pardonnez-moi! –  Perdoe-me!… Eu jamais soube ler, confesso. Minha sabedoria consistiu em observar e ouvir as pessoas falarem sobre literatura. Minha senhoria é a professora Cécile Legrand. E, graças à sua intelectualidade, muito aprendi.

Sempre gostei de Fome porque eu me comparava ao homem da estória. Sentia sua agonia; sua fome era maior do que a carne. Aliás, a verdadeira necessidade dele era de ser reconhecido como escritor. A parte em que ele come cascas de laranjas do lixo era onde eu sempre chorava.

Sei o que a fome pode causar. Antes de trazer minha família para cá, eu mendigava pelos portos desta América. Gosto deste lugar em que vivi até hoje. É um país pequeno, mas justo. Eu nunca mais voltei à minha Europe.

Eis meu livro preferido: a Bible Sacré. Dela, tirei inspiração para orientar meus filhos, minha esposa, e muitos membros da família. Eles me respeitavam como a um sábio. Não obstante, minha “sabedoria” não salvou suas vidas.

Apesar de nos acolher, a senhoria não era nossa amiga. Não obstante, em sua infinita generosidade, ela convivia bem com a nossa presença, ainda que nos ignorasse. Esta senhora possui a frieza de uma inglesa, apesar de ser francesa.

Todas às quartas-feiras, ao entardecer, e nos domingos pela manhã, algumas pessoas se reuniam lá em cima para estudar a Bible.  Armand, meu primogênito, dizia sempre que tal livro era racista, pois nem lá nosso povo fora mencionado. Eu tentava explicar que as lições que tirávamos dela eram espirituais, mas meu Armand tornou-se ateu, o que muito me entristecia. Touxsanglante! Maldita tosse…

Criei meus filhos dando-lhes liberdade, porém o primogênito era diferente de todos. Provavelmente – embora eu abominasse acusações – meus quatro filhos estariam vivos hoje, não fosse aquela infeliz ideia de meu rebento.

Éramos seis. Pardom, eu sou Loup de Mer, ou Lobo do Mar – epíteto adquirido por tantas viagens náuticas ao redor do mundo, antes de conhecer minha Celine. A doce e dedicada esposa era como poucas mulheres. Esbelta e feliz transitava pelos aposentos com graça e leveza, compensando nossa miséria com fartura de amor.

Armand era um rapaz de opinião forte e mordaz. Já Andrew, o segundo a nascer, sempre fora calado, e prestava atenção em tudo que se dizia. Provavelmente seria o próximo contador de estórias (era aficionado no Holocausto). E, finalmente, as gêmeas Nicole e Noelle, meninas meigas e educadas, contudo, eu sempre soube, pelo brilho de seus olhos, que queriam, assim como eu, viajar pelo mundo.

De tudo que perdi, sinto mais falta das conversas sobre as guerras. Há gerações, nossos patriarcas são contadores de estórias sobre grandes batalhas; desde os combates navais, milênios a.C., até aos dias atuais. As lutas que acabaram com a Idade Antiga, fazendo Roma cair, no ano de 476 d.C., era a que meu pai gostava de contar. Meu avô, mais informado, narrava a guerra liderada por um monarca chamado Suppiluliuma II, que era o rei do Império Hitita, povo indo-europeu, que hoje é a Turquie.

Meu tio e eu discutíamos sobre as cavalarias de Alexandre, o Grande; e de como ele abocanhara o Império Persa. Empolgávamo-nos com as armas. O arco e flecha, e as poliarmas como as lanças, foices e pilos – uma lança composta de uma parte de ferro mais pontiaguda, e outra ponta de madeira, maior e mais pesada. Porém eu preferia as armas de corpo a corpo, como espadas, lanças, porretes, machados e facas. Ah, as catapultas!… (Dieu! Tirai-me esta tosse!). Enfim, esta era a tradição da família.

Entretanto, eu resolvera falar de uma guerra que ainda não havia acontecido. Por um lado, eles ficavam encantados; não obstante, eu sabia ser um risco, podendo quebrar a tradição da família. Todavia, eu e a Senhorita Legrand acreditávamos que ela aconteceria.

Eu, Loup de Mer, só falava do Armagedom!

Lembro-me bem da última vez em que os reuni, a minha adorada famille, para, mais uma vez, contar-lhes a estória desta verdadeira Conspiração que eu chamava de Dieu de la Guerre! – A Guerra de Deus.

Os meninos ouviam fascinados. Ante a cética expressão de Armand, Celine argumentava que eu poderia ser um profeta. Ele, que ouvia de má vontade, relutava em seu íntimo. No entanto, esforçava-se em respeitar o antigo hábito de nossos antepassados. Guerra era guerra, ele dava de ombros.

O Armagedom, eu falava animado, seria a mais magnífica de todas as guerras. E tudo começara há muito, muito tempo atrás…

Lúcifer fora uma poderosa criatura do Grande Céu, um planeta de excelência onde Dieu, anciãos, maravilhosos animais falantes e seus anjos fiéis, viviam em perfeita harmonia.

Após discordar do Soberano Ser, e invejá-lo, achando mesmo que poderia ser tão poderoso quanto ele, Lúcifer foi expulso daquele habitat divinal. Dieu, onisciente, sabendo da conspiração contra seu Reino, criou um Arcanjo (anjo de guerra) chamado Miguel, especialmente para expulsar os anjos da conjuração.

Um terço de tais criaturas aliara-se ao terrível Démon. Um terço era um número incalculável, dizia a Senhorita Legrand. Chamava de miríade de anjos. Eles reuniam-se em um planeta um tanto afastado daquele de Dieu, lá pelas bandas no Norte, dizia a Bible.

Lúcifer era maestro. Fora criado com todo amor de Dieu para fazer música no Grande Céu. Quando andava, tilintavam notas e mais notas em seu ser. Afirmava a senhoria, que ele era capaz de humilhar qualquer Beethoven ou Charles Gounod; este último um artista que compunha óperas e músicas religiosas.

Então, o arcanjo Miguel chegou a tal planeta conspiratório, provocando grande alarido com suas asas. (Aqui eu parava para explicar que asas poderiam ser alegoria, pois eu penso que eles se locomovem em naves espaciais que são os chamados ovnis; até porque o velho profeta Ezequiel vira discos reluzentes no céu, há milhares de anos, referindo-se a anjos).

O traidor Lúcifer, alarmado e surpreso, perguntou a Miguel quem era ele, pois jamais o vira antes. Este novo arcanjo respondeu com a tradução de seu nome, numa intimidadora voz de trovão: “Meu nome é: “Quem Quer Ser Semelhante a Dieu?!

Armand apenas sorria, enquanto seus irmãos estremeciam. Eu continuava, escolhendo bem as palavras, reproduzindo-as com deferência e fidelidade.

Esta miríade de anjos caídos é assim denominada porque, de fato, fora habitar em um planeta inóspito e escuro, muito abaixo do Grande Céu. Ficaram submersos em águas amargas, e um grande Espírito pairava sobre eles como um divino carcereiro; enquanto o próprio Dieu realizava o seu sonho – a criação do ser humano! (eau potable, preciso de água).

Minha mulher se agitava porque, conhecendo o final da estória, sabia que corríamos risco de vida, afinal, esta não era nossa crença e jamais poderíamos ser aceitos como devotos deste Ser.

Pois bem – eu continuava – o Armagedom é uma grand conspiration politiqueenvolvendo todas as Nações. Este anjo rebelde passou a ser alcunhadoSatanás, que significa “Adversário”. A partir deste novo cognome, dado pessoalmente por Dieu, a guerra fora declarada intergalacticamente. Satanás vive aprisionado em um planeta tenebroso. Perdeu toda formosura depois de tamanha traição. Diz a Bible que sua aparência hoje é medonha, e que um dia os chefes das Nações o humilharão por sua desgraça, perguntando entre si: “Era este o anjo com timbales, formoso e belo de Dieu?”  – Habitando em uma espécie de caverna, ele comanda os ex-anjos, agora conhecidos por demônios, e estes são os tais que ainda conspiram contra a paz universal. Contra o poderoso Dieu! E enganam o mundo, convencendo-o de que Este não existe.

Neste ponto, Armand sempre perguntava por que tale Dieu simplesmente não destruiu este merd tão sórdido e nocivo à raça humana e à natureza. Eu, mais do que depressa, rebuscava as respostas da Senhorita Legrand:

‘’Porque este Ser Criador e Gerador de todas as energias não se contrapõe a nenhuma criatura Sua, pois Ele é único. E, sabedor de todas as coisas, declarou que Satanás poderia pintar e bordar, mas que no fim, a vitória seria d’Ele! Porquanto um de seus nomes era O Senhor dos Exércitos! E jamais perdeu uma batalha sequer! Graver Satan! Queime!’’

Pairando o Anjo Maligno na Terra nestes últimos tempos, uma nova era se avizinha. Dentre tantos sinais da vinda de seu Governo, o que mais me apavora é que os homens terão que usar um chip na testa ou na mão. Este acessório altamente tecnológico será a Marque de la Bête, ou, a Marca da Besta. Sem tal chip, não se comprará e nem se venderá coisa alguma. É um chip de identificação. E os que forem contra a nova ordem estabelecida, estarão perdidos e condenados à morte por este que será o Grande Chefe das Nações. Deves saber que tais chips já estão sendo experimentados no Japão e na América, pois não, mon cher?

Este maligno homem, de espantoso poder, fará pactos políticos e econômicos com o Estado de Israel por sete anos. Entretanto, na metade deste tempo, ele se mostrará um traidor e assentar-se-á no trono de Salomon.

Israel, obviamente, declarará guerra ao Anticristo. Todavia, ele estará com a maioria das Nações sob seu controle, fazendo com que o mundo se declare inimigo daquele Estado. E as Nações o obedecerão porque, de fato, falaz e patranheiro, o enganador trará prosperidade e riqueza a todos! (Aguarde… preciso respirar…).

Nicole e Noelle gostavam muito desta parte derradeira, pois, assim como sua mãe, ansiavam pelos finais das guerras. E todas, sempre, tinham que ter fim.

A Senhorita Legrand parecia entrar em êxtase nesta hora – e até pronunciava línguas desconhecidas por mim – quando afirmava que o povo judeu clamaria! Finalmente chamaria por seu Dieu, um Ser tão desprezado e desacreditado por tanto tempo!

Eu ficava a imaginar esta guerra que reunirá tantas Nações… contra um único Estado. Só um poder sobrenatural para livrá-los.

Armagedom, que significa Montanha de Megido, é o nome de um campo de batalha, onde as Nações do Anticristo serão confrontadas por este Ser Guerreiro que virá em socorro de inexequível guerra. Jamais se terá notícia de confronto tão espetacular! Segundo a Bible, o próprio Dieu derrotará e julgará todas as Nações. As condenadas não serão dizimadas, mas lançadas fora, em lugar de desterro. (F-frio…)

Não cheguei a terminar a estória, pois ainda teríamos mais umas quartas-feiras para os estudos do Apocalypse; mas creio que entendera o suficiente.

E este foi o último dia em que vi meus filhos, já que Armand, verdadeiramente iracundo, entrou em um navio com seus irmãos, em busca das terras de Israel. Ele precisava conhecer esta estória de perto, disse à mãe, na minha ausência.  Entretanto, desconfio que meu filho queria mesmo era sair pelo mundo. E que sempre seria athée, meu adorável ateu.

Duas semanas depois, soubemos que foram massacrados por marinheiros como eu, dos quais me envergonho. Eu, Loup de Mer, traído por navais! Foi uma punhalada cruel nas minhas costas. Todos os meus filhos mortos de uma só vez era difícil de suportar. Minha esposa morreu de desgosto dias após a funesta notícia.

E eu me pergunto por que o racismo do homem alcançava proporções tão monstruosas. Por que, tendo um Dieu tão grandioso, eles ainda guerreavam entre si? Estaria Armand tão errado em não acreditar em nada?!… (pardom, a tosse).

Hoje, percebo que sempre falamos das guerras para buscar entender este explícito ódio do homem para com seus semelhantes.

Pensei em me despedir da Senhorita Legrand. Mas, decerto, ela nem perceberá a minha ausência. Eu estou de partida. Não para o mar, uma nova viagem. Pas, não!

Apenas encontro-me velho demais. Cansado ao extremo. Cego, já não enxergo meus livros. Eu morrerei, talvez, ainda esta noite. Como vês, tremo de frio sobre os jornais amarelados. Nada tenho para comer. Ainda assim, agradeço vossa atenção, mon ami.

Minha raça está em extinção. Hoje em dia, quase não se tem notícias de nós, Ratos, viajando em navios, ou vivendo decentemente, sem termos que passar fome e humilhação.

Só lamento não ter tido tempo para entender um pouco mais o vosso Dieu

Tráfico proíbe a venda de crack em favelas do Rio

Boca de fumo na favela Mandela põe aviso de que vai proibir a venda de crack: é como uma farmácia anunciando que não vai vender mais remédios de tarja preta

O tráfico de drogas vai proibir a venda de crack nas favelas do Jacarezinho, Mandela e de Manguinhos. A informação foi publicada na coluna de Ancelmo Gois de hoje com a foto acima. A medida, decidida pela maior facção do tráfico no Rio, ocorre dois meses depois de lançado no Rio o programa “Crack, é possível vencer” — do governo federal.

A ordem de proibir a venda de crack partiu de chefes do tráfico, que estão presos. A informação vinha circulando pelas comunidades, mas ontem pela primeira vez apareceu o cartaz anunciando a proibição, “em breve”, ao lado da cracolândia da favela Mandela, na Rua Leopoldo Bulhões, na chamada Faixa de Gaza. Os traficantes ainda têm ali cerca de dez quilos de crack. Cada pedra custa R$ 10,00. Há informações de que os criminosos temem que a Força Nacional de Segurança ocupe aquelas favelas, como ocorreu na comunidade Santo Amaro, no Catete, onde está há um mês e já apreendeu 1.513 pedras.

— Gostaria que essa decisão se espalhasse por todas as favelas do Rio porque o crack é uma droga devastadora e tem produzido só dor e sofrimento —  diz o líder do Rio de Paz, Antônio Carlos Costa, que desde 2009 faz trabalhos sociais na Mandela.

Durante muito tempo o crack era vendido apenas em São Paulo. Dizia a lenda que os traficantes do Rio não queriam produzir “zumbis”. Dependentes de crack vivem nas imediações das bocas de fumo, atraindo a atenção da mídia e de operações do poder público. O tráfico no Rio alegava que a clientela de crack — miserável — traria problemas à venda de maconha e cocaína, mas capitulou após supostas alianças com a facção paulista, e começaram a oferecer o entorpecente vendido junto com a cocaína.

O combate ao crack virou uma questão de honra para o governo Dilma, que anunciou investimentos da ordem de R$ 4 bilhões no programa lançado em dezembro do ano passado. A grande dificuldade, segundo o ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, é a falta de pessoal capacitado para lidar com os dependentes de crack em todo o país. No Rio o programa foi implantado em abril, com a participação do governo do estado e da prefeitura. Só no Estado do Rio, a previsão de verbas da União é de R$ 240 milhões.

De alguma forma a prioridade dada pelo governo ao combate ao crack chegou ao conhecimento dos chefes da maior facção criminosa, que vende a droga nas favelas. Um sinal de que o governo federal vai combater com firmeza o problema pode estar no envio da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) ao Rio, apesar do desinteresse inicial manifestado pelo governo do estado. No domingo fez um mês que integrantes da Força Nacional de Segurança — a tropa de elite subordinada ao Ministério da Justiça — ocuparam a comunidade de Santo Amaro, que ainda não foi pacificada, na Zona Sul do Rio. Em um mês de ocupação, a Força Nacional realizou na favela 6.929 abordagens e apreendeu 650 papelotes de cocaína, 1513 pedras de crack, 840 gramas de maconha. Além disso, foram recolhidas munições, explosivos e armas.

Durante 180 dias, serão realizadas ações de polícia ostensiva, judiciária, bombeiros e perícia, em apoio às Secretarias de Saúde, Assistência Social e de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, nas áreas onde serão desenvolvidas as ações de implantação do Programa Crack, é Possível Vencer.

Nas favelas de Manguinhos, traficantes foram informados que a área poderia ser ocupada pela Força Nacional se o crack não fosse retirado de lá. Isso pode ter motivado a decisão dos traficantes. A decisão agradou muitos moradores da favela Mandela. Eles são testemunhas diárias do estrago causado pelo crack na comunidade. No Jacarezinho é possível ver usuários de crack na entrada da favela, mesmo por quem passa no asfalto. As operações policiais têm sido recorrentes, mas o problema está longe de ser resolvido.

Há três anos fazendo trabalhos sociais na favela Mandela, o líder do Rio de Paz, Antônio Carlos Costa, afirma que tem visto a tragédia causada pelo crack na comunidade. Ele lembra que já teve que solicitar ajuda da Justiça para levar a um abrigo três crianças que eram abandonadas pelos pais, usuários de crack. A ONG Rio de Paz — que nasceu envolvida cm a redução de homicídios — tem um projeto social, que prevê a construção de uma padaria-escola e o apadrinhamento de crianças por famílias de classe média — até a universidade.

Assista ao vídeo em que Antônio Carlos entrevista dona Veruska, uma usuária de crack. Ela confessa que é “uma droga maldita”:

— Eu fumo para deitar e acordo para fumar — diz a moradora da favela Mandela.

Telescópio europeu flagra berçário de estrelas na ‘Nebulosa Guerra e Paz’ / NASA / eua

Aglomerado de astros fica na constelação de Escorpião, na Via Láctea.
Região foi avistada pela primeira vez em 1837, a partir da África do Sul.

Do G1, em São Paulo

Estrelas  (Foto: ESO/Divulgação)O Telescópio Extremamente Grande do Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês) divulgou nesta quarta-feira (20) a imagem mais detalhada obtida até hoje do berçário estelar NGC 6357, conhecido como Nebulosa Guerra e Paz, que fica na constelação de Escorpião, nas profundezas da Via Láctea. A foto mostra inúmeras estrelas quentes e jovens (com “apenas” milhões de anos), nuvens brilhantes de gás e formações de poeira circulando em meio a ventos estelares e radiação ultravioleta (Foto: ESO/Divulgação)
Estrelas 2 (Foto: ESO/Divulgação)Os traços escuros que recobrem esta imagem e a de cima são poeira cósmica, formada por pequeníssimas partículas de silicatos, grafite e gelo, produzidas e expelidas para o espaço por gerações anteriores de estrelas. Essa poeira é muito mais fina que a doméstica e se parece com fumaça. O nome da nebulosa, Guerra e Paz, foi dado pelos astrônomos porque esta foto pareceria uma pomba e a de cima, uma caveira. As duas compõem uma imagem única, sendo esta a da esquerda e a de cima, da direita (Foto: ESO/Divulgação)
Estrelas 3 (Foto: ESO/Divulgação)A região mais central e brilhante da nebulosa NGC 6357 contém um aglomerado de estrelas de grande massa, que estão entre os astros mais brilhantes da Via Láctea. O interior dele, que não pode ser visto na imagem, já foi intensamente estudado pelo Telescópio Hubble, da agência espacial americana (Nasa). Esta foto foi produzida pelo programa Joias Cósmicas, do ESO, que é financiado por 15 países europeus, além do Brasil. A NGC 6357 foi vista pela primeira vez em 1837, a partir da África do Sul (Foto: ESO/Divulgação)

BRASIL PASSANDO A LIMPO:

“Em 2009, nós fomos a Copenhagen e a gente dizia que o Brasil, em 2016, seria a 6ª economia do mundo. Não precisou esperar 2016, hoje, em 2012, o Brasil já é a 6ª economia do mundo. A única coisa que está faltando é a gente comunicar ao Obama e aos países ricos que participavam do G8, que o Brasil já passou alguns países da Europa e que, portanto, o último G8 foi feito nos Estados Unidos sem a presença da 6a economia do mundo” (Lula, Rio de Janeiro, 06 de junho de 2012)

REP. FED. DO BRASIL: a impressão que se tem é que a intelectualidade brasileira minou o ESTADO. O sentimento é de que o ESTADO está PODRE! É corrupção, que é crime, em todas as esferas a serviço do CRIME, organizado ou não! O que fazer?

CIDADANIA PLENA.

Economista brasileiro será homenageado pela rainha Elizabeth II / londres

15/06/2012 08h17 – Atualizado em 15/06/2012 08h17

Eduardo Moreira é sócio-fundador da gestora de recursos Plural Capital.
Motivo é pelo seu esforço para eliminar violência no treinamento de cavalos.

No próximo dia 24, o economista brasileiro Eduardo Moreira, de 36 anos, sócio-fundador da gestora de recursos Plural Capital e ex-sócio do Banco Pactual (hoje BTG Pactual) será homenageado com um certificado entregue diretamente das mãos da rainha Elizabeth II, no Castelo de Windsor, na Inglaterra. A homenagem, contudo, de nada tem a ver com seus mais de 13 anos de experiência no mercado financeiro, mas sim com seu esforço, nos últimos anos, para eliminar o uso da violência no treinamento de cavalos no Brasil.

Após fazer o curso com o domador Monty Roberts, Eduardo Moreira ficou amigo do americano e passou a difundir a técnica da doma gentil no Brasil (Foto: Arquivo pessoal)Após fazer o curso com o domador Monty Roberts (esq.), Eduardo Moreira (dir.) ficou amigo do americano e passou a difundir a técnica da doma gentil no Brasil (Foto: Arquivo pessoal)

A premiação acontecerá na final de um campeonato de polo, no Guards Polo Club (clube de polo que fica em Windsor). Além de Moreira, outras nove pessoas receberão a homenagem da rainha Elizabeth II (entre eles outros dois brasileiros, peões que trabalham com Moreira, e jogadores de polo), todas indicadas pelo domador norte-americano Monty Roberts, de 77 anos, responsável pela difusão, ao redor do mundo, do método da doma gentil de cavalos.

Moreira, inclusive, afirma que será o primeiro brasileiro a receber o tipo de homenagem da rainha. “Essa condecoração, com certeza serei o primeiro, até porque ela não existia”, relata.

O pontapé inicial que fez Moreira acrescentar à sua vida uma nova preocupação além do já “preocupante” mercado financeiro e ser indicado por Roberts foi, literalmente, uma queda do cavalo.

Em 2009, o carioca, que já vive há mais de dez anos na capital paulista, adquiriu uma fazenda no interior de São Paulo e resolveu comprar uma égua pela internet. “Fui montar, o cavalo era super bravo e levei um tombo”. Ele quebrou o tornozelo, além de ter sofrido rupturas musculares nas costas pelo trauma da queda. Os meses que sucederam o acidente, além de preenchidos com o tratamento para a recuperação (foram duas semanas de cama e seis meses de fisioterapia), acabaram sendo responsáveis por apresentá-lo a Roberts, autor do livro “O homem que ouve cavalos” – que inspirou, inclusive, o filme “O encantador de cavalos”, de Robert Redford.

Se não quisermos ser livres da violência, então podemos prosseguir usando a violência, mas com essa decisão temos que admitir que não somos um povo civilizado”
Monty Roberts

Como havia sofrido o acidente, Moreira foi presenteado por um amigo com o livro, que fala da vida do autor e da técnica chamada por ele de “Join Up”, um treinamento sem o uso da violência, basicamente por meio da troca de gestos e olhares com o animal. “Li e fiquei super interessado em conhecer Monty Roberts”.

Moreira viajou para a Califórnia, onde vive o domador, e fez um curso de cinco dias no qual Roberts faz apresentações de seu método. “Nesse período fiquei muito amigo dele (…). Voltei para o Brasil e tentei fazer o mesmo. Foi quando comecei a notar que eu tenho esse dom”, revela.

O economista afirma que apenas observou como o americano agia com os cavalos e já aprendeu a técnica. Antes, ele conta que sequer tinha contato com cavalos – a égua da qual levou o tombo foi a primeira que comprou (hoje, contudo, há 15 cavalos em seu sítio).

Impressionado com os resultados do modelo de Roberts, Moreira relata que sentiu a necessidade de difundir a prática pelo Brasil. Desde que adotou a causa, calcula que já fez apresentações pelo país com mais de 400 cavalos. Em todas as vezes, são levados animais selvagens para ele domar. “Nunca deu errado”, garante. Ele diz não cobrar nada pelas demonstrações. “Mosto para todo mundo que o método violento não é o mais eficiente”, afirma.

O economista diz acreditar ser importante difundir a técnica porque o método tradicional de doma é muito duro. “Amarra, priva o cavalo de alimentação para deixá-lo mais fraco. Demora umas seis semanas e vários não aguentam e morrem”, diz. Pelo treinamento de Roberts, Moreira se comunica com o cavalo de forma a conseguir domá-lo em 25 minutos, diz, sem praticamente tocar no animal.

“É muito importante não julgar aquele que bate. Enquanto as pessoas não têm uma forma nova apresentada, elas não podem ser julgadas por fazerem aquilo que sempre aprenderam”, diz. “Depois que a pessoa vê a apresentação, ela chega em casa e não consegue bater no cavalo”, salienta.

No método de doma 'Join-up', praticamente não se toca no cavalo (Foto: Arquivo pessoal)No método de doma ‘Join-up’, praticamente não se toca no cavalo (Foto: Arquivo pessoal)

A habilidade do economista é inclusive reconhecida por Roberts, que falou ao G1 sobre a homenagem. “Moreira foi meu aluno por um período muito curto. Ele é um homem talentoso, física e mentalmente. Aprendeu em cinco dias tanto quanto muitos de meus alunos aprendem em dois, três anos”, afirma. “Eduardo não só aprendeu os meus conceitos e os executou como tem sido uma influência na causa para se fazer o mesmo”, disse.

Na opinião do escritor, a rainha Elizabeth II é a líder que tem o maior poder de influência nos tempos atuais, levando em conta o alto número de pessoas que atinge, daí a importância da homenagem. “Ela [a rainha] ficará para a história como o líder mundial que mais influenciou, de forma positiva, a relação do homem com os animais na terra”, opina.

Esta não será a primeira vez, aliás, que Roberts estará envolvido em homenagens da rainha da Inglaterra. Em 2011, o domador americano foi condecorado por ela como Membro da Ordem Vitoriana (Member of the Royal Victorian Order, M.V.O, em inglês), com uma medalha citando seus trabalhos em prol dos estábulos reais.

Desta vez, além de Moreira, os outros oito homenageados pela rainha indicados por Roberts por incentivar a doma sem violência na América Latina são os dois peões brasileiros que trabalham com o economista, Carlos Leite e Mateus Ribeiro, além dos jogadores de polo Adolfo Cambiaso (Argentina), Carlos Gracida e Memo Gracida (Mexico), Joel Baker (USA) e Satish Seemar (Dubai). Também será homenageada Catherine Cunningham, da Guatemala, que trabalha com Roberts. Segundo Moreira, Leite e Ribeiro não poderão comparecer à entrega do prêmio pela rainha. O economista receberá os certificados e os trará ao Brasil, onde serão entregues aos dois em um evento em julho em Belo Horizonte, com a presença de Roberts.

O domador americano afirma que a disseminação da técnica gentil nas Américas do Sul e Central, além do México, é importante, pois o treino violento ainda é muito comum nesses lugares. “O domador atual tende a deixar de lado o antigo método a partir do momento que ele fica sabendo que a doma sem violência é mais efetiva”, disse.

Após ler o livro de Roberts, 'O encantador de cavalos', Moreira acabou escrevendo seu próprio livro, 'Encantadores de vidas' (Foto: Arquivo pessoal/Divulgação)Após ler o livro de Roberts, ‘O encantador de
cavalos’, Moreira acabou escrevendo seu próprio
livro, ‘Encantadores de vidas’
(Foto: Arquivo pessoal/Divulgação)

Livro
O acidente com o cavalo, porém, não foi o único episódio que marcou a vida de Moreira. Em dezembro de 2010, o economista sofreu um segundo tombo: foi correr para pegar um táxi num dia de chuva e escorregou. “Foram sete ossos completamente quebrados no pé e perna esquerdos”. Para a recuperação, conheceu uma segunda pessoa que considera como um ‘inspirador’, o preparador físico Nuno Coba (que trabalhou com Ayrton Senna). Moreira diz ter aprendido muito com Cobra, tendo em vista a reabilitação que teve – em dois meses tirou o gesso e já andava sem o auxílio de muletas. “Eu tinha, segundo os medicos, 80% de chance de perder o pé”, conta.

O contato com Roberts e Cobra levaram Moreira a escrever um livro, “Encantadores de vidas”, da editora Record. Os ganhos com as vendas são usados para doações. Entre os destinos está um instituto de Roberts que promove a equoterapia e a mensagem de não violencia pelo mundo, diz.

‘Perdeu o juízo’

Quando fala sobre a premiação da rainha, o economista se diz orgulhoso. “Quando eu vim para o Brasil, há três anos, e comecei a fazer isso [o trabalho com os cavalos], todo mundo falou ‘um cara do mercado financeiro, sócio de banco, ele enlouqueceu, não está com nada na cabeça, perdeu o juízo’”, revela. Moreira acrescenta que ouviu de muita gente que ele “estava querendo aparecer” ou “jogando fora a oportunidade de ganhar dinheiro”. “Foram três anos brigando com o mundo e do e do nada receber um negócio desse, para mim é uma vitória que não consigo nem expressar”, diz.

Moreira frisa que, ao contrário do que muitos disseram, não perdeu dinheiro com a dedicação à causa. “Eu disponho uma grande parte do meu tempo livre [para as apresentações com os cavalos], eu não tirei uma hora do meu trabalho no mercado financeiro por causa disso (…). Se você acredita numa coisa que gosta, que acha que é possível, ir lá e fazer, é um risco, é um negócio que tem que encarar opiniões contrárias, mas é gratificante”, sugere.

Para Roberts, os esforços para a eliminação da violência no trato com os animais apenas são válidos, contudo, se como seres civilizados não usarmos a violência em todos os tipos de educação, seja com animais ou com seres humanos. Ele cita tempos em que homens podiam bater em suas mulheres com uma forma de submissão, e o mesmo ocorriam com as crianças. Ele também lembra que, por séculos, foi usada a violência para os subordinados no trabalho. “Se não quisermos ser livres da violência, então nós podemos prosseguir usando a violência, mas com essa decisão temos que admitir que não somos um povo civilizado”, afirma.

Gabriela GasparinDo G1, em São Paulo

GINGA do MANÉ convida: lagoa da conceição / ilha de santa catarina.sc

 

Cantor, ritmista e reconhecido pesquisador de música brasileira, Barão do Pandeiro nasceu e foi criado no meio do Choro e do Samba. Desde então passou a tocar o instrumento que incorporou seu nome aos cinco anos de idade, tendo por inspiração o grande João da Baiana. Conviveu e acompanhou grandes nomes da música popular brasileira, com destaque para Nelson Cavaquinho, Cartola, Clementina de Jesus, Zé Kéti,  e Cristina Buarque de Holanda – sua atual parceira de musicais.

 Pesquisa e arte condicionam a trajetória desse músico, cujo repertório, extremamente cultivado, ressalta o universo do Samba e do Choro. E considerado exímio pandeirista, foi e continua sendo componente de representativos grupos de Choro e Samba, acompanhando velhas e novas gerações.

O CICLO QUE SE FECHA – por olsen jr / rio negrinho.sc



Entrei na ruazinha de terra batida com o pensamento fixo. Relutei no princípio, o lugar me trazia boas lembranças. Talvez por isso hesitasse, o temor da decepção rondava o desavisado. Quando desci do carro, um solzinho medroso esgueirava-se por entre as pedras do barranco onde uma vegetação ainda espreguiçava-se estendendo seus braços ao acaso.

As pessoas que estavam comigo se espalharam buscando as novidades que o lugar prometia. Permaneci por momentos observando a casa de madeira bem construída no alto da elevação do terreno e que era a mesma da última vez que ali estive com os meus pais. Eles buscavam um mel diferenciado, puro, que só era encontrado ali. O encarregado era amigo da família, meu pai e ele tinham boa convivência e o encontro entre ambos era sempre uma celebração. Naquele dia não fora diferente. Depois dos cumprimentos, efusivos pela própria natureza, subiram a pequena encosta caminhando vagarosamente e tentando por a prosa em dia. As notícias caindo como novidades semelhantes a um conta gotas aspergindo alívio a um par de vistas cansadas. Distanciando-se dos curiosos e compartilhando de uma conversa de homens vividos com muitas coisas em comum. Para nós, crianças na época, a parada era mais um contratempo que uma alternativa de entretenimento. Permanecíamos inquietos até servirem os favos ainda dentro do  caxilho onde eram produzidos, vinham cheios de mel, levemente refrescados por um acondicionamento em geladeira pouco antes de serem levados ao consumo. Mastigar aquelas favas em pequenos nacos, sentir o líquido doce escorrendo pela boca e sorvê-lo em bocados era uma sensação divina. Porque os adultos costumavam afirmar que aquele alimento líquido era o néctar dos deuses e, portanto, aquele “divino” acrescido ao prazer sentido em absorvê-lo era um reconhecimento mundano ao olimpo onde era usualmente apreciado.

Enquanto estávamos assim entretidos, os adultos aproveitavam para beber uma aguardente misturada com porções daquele mel e servido à temperatura ambiente. Naquele tempo as pessoas se adaptavam facilmente ao que possuíam tirando partido das circunstâncias e eram compreensíveis os rumos que a conversa tomava escorrendo como as águas de uma fonte ocupando todos os desvãos do terreno sem um destino específico, apenas fluindo.

Depois havia uma despedida… A próxima visita poderia demorar, talvez nem acontecer, o importante era os vínculos afetivos reavivados sempre como as chamas brandas de um acampamento cigano sem tempo para extinguir.

A pequena venda aberta ali no pé do morro era uma novidade. O garoto que atendia o balcão estava ocupado em montar pequenos dispositivos elétricos enquanto esperava os clientes.  Responde as minhas perguntas como se já estivesse habituado a elas… Fico sabendo que o amigo do meu pai era seu avô… Também que eles não vendiam mais mel ali…

Estava diante da terceira geração…

Observo as prateleiras do mercadinho, busco com os olhos alguma coisa para amarrar a minha memória ao presente, mas não encontro nada… Talvez aquele garoto fosse o último liame com o passado… Sufocando a própria infância…

Digo que o meu pai foi grande amigo do avô dele… Ele sorri, talvez não consiga ver a ligação daquelas reminiscências com o que estava fazendo ali atrás do balcão… Despeço-me dele e do local…

Ali fora ainda observo a casa na colina… Esforço-me para ver os meus pais e o avô do garoto conversando enquanto subiam a pequena encosta… Foi muito rápido, por momentos senti naquela quietude um laivo de saudades e logo uma voz me tirou daquele devaneio… “Vamos!”… Ouvi…

… Um homem é ele e sua memória… Penso enquanto me afasto do lugar aderindo ao convite para ir embora e repetindo a expressão: “vamos!” Para ter certeza!

 

NOTAS:

Olá, camaradas, salve!

Com este texto começo algo diferente…

Na condição de cidadão rionegrinhense… A palavra é feia, mas as pessoas são acolhedoras…

Well, vamos regularizar o envio semanal… Espero…

A música poderia ser esta…

 

http://www.youtube.com/watch?v=r4wiF1qnPlY&feature=related

 

O Grupo “The Walkers” (Os Andarilhos) é holandês, do início da década de 1960…

A composição “There’s no More Corn on the Brasos” foi um dos seus maiores sucessos…

Folk, country, rock… O de sempre para a época…

Com o carinho do poeta!

 

CUBA: Bar e museu da Revolução fazem as vezes de ‘catedrais’ / havana.cu

Caminhando em direção a Habana Vieja, chega-se ao centro de Havana. Guarde uma tarde para passear sem pressa pelo Paseo del Prado, bulevar cheio de árvores no qual artistas locais mostram suas obras de arte.

Bem próximo ao passeio fica o museu da Revolução -num palácio que já foi residência presidencial, palácio da Justiça e Tribunal Supremo- e que conserva buracos de tiro na parede, herança de um atentado nos anos 1950.

Dispensável dizer que o local é apropriado para entender a Revolução Cubana, que culminou com a tomada do poder, no dia 1º de janeiro de 1959, por um grupo liderado por Fidel Castro.
Deposto, o até então presidente Fulgêncio Batista, integrantes do seu governo e opositores da revolução fugiram da ilha, muitos deles rumo à Flórida, nos EUA.

Os textos, fotos, armas e uniformes dos revolucionários são expostos sem muita pompa e mostram, didaticamente, a luta para derrubar Batista e instituir, alguns anos depois, uma república socialista inicialmente alinhada com a ex-União Soviética. O ingresso dá direito a visitar o memorial Granma.

Ao lado do museu da Revolução ficam expostos os aviões, barcos e veículos que tomaram parte da empreitada militar-revolucionária de Fidel e de seus companheiros rumo ao poder em Cuba.

Guilherme Tosetto/Folhapress
Turistas passeiam na Plaza de la Revolucion, em Havana; cidade tem 'acervo revolucionário
Turistas passeiam na Plaza de la Revolucion, em Havana; cidade tem ‘acervo revolucionário’

No fim do Paseo del Prado fica o Grande Teatro de La Habana. Se puder, passe na bilheteria e compre ingresso para algum dos espetáculos apresentados quase diariamente. O preço é alto para turistas, 25 CUCs, mas, se você der sorte, pode até ver o Ballet Nacional de Cuba.

Uma quadra adiante fica o Capitólio, que antes da revolução abrigou o Congresso e foi biblioteca. Lamentavelmente entrou num período de reformas que se estendem até hoje e está fechado.

A qualquer hora do dia, o turista pode ir atrás de outra entidade cubana, o daiquiri, drinque preferido do escritor norte-americano Ernest Hemingway (1899-1961), que foi habitué de Cuba. Ele é magistralmente preparado no El Floridita, um restaurante caro, mas com turistas entrando e saindo sem parar.

A estátua de Hemingway continua lá, no canto do balcão, embalada por hits cubanos para estrangeiro ouvir: “Hasta Siempre, Comandante” e “Guantanamera”.

Editoria de Arte/Editoria de Arte/Folhapress

 

GUILHERME TOSETTO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM CUBA

 

China veta cheiro e mau hálito em astronauta / pequim.ch

Se as condições meteorológicas permitirem, a China enviará no sábado sua primeira astronauta ao espaço, dentro do ambicioso programa espacial que prevê a construção de uma estação independente até 2020 e a conquista da Lua em 2025. O nome da chinesa que estará a bordo da nave Shenzhou IX ainda não foi divulgado, mas os critérios para sua seleção incluíram exigências que vão além do preparo físico e psicológico: as candidatas não podiam ter cheiro nem mau hálito. Também deveriam ser casadas, ter um filho e ter dado à luz em parto natural, já que possuir cicatrizes levaria à sua eliminação. Por fim, elas deveriam exibir uma pele impecável e não ter machucados ou dentes estragados.

As finalistas da seleção são duas pilotos do Exército de Libertação Popular: a major Liu Yang e a capitã Wang Yaping, ambas de 34 anos, casadas e mães de filhos únicos. Uma delas deverá estar no sábado na Shenzhou IX ao lado de dois astronautas homens. Segundo o governo chinês, a exigência da maternidade está relacionada a eventuais danos à fertilidade provocados por potencial exposição à radiação. “Nós temos que ser cauteloso em proteger os astronautas, apesar de não haver evidência de danos”, disse ao jornal oficial China Daily Xu Xianrong, diretor do Centro Médico Aeroespacial do Exército de Libertação Popular.

O veto às cicatrizes decorre do temor de que elas possam se abrir e sangrar no espaço, de acordo com a imprensa oficial. Em entrevista ao China Daily, o editor da revista Espaço Internacional, da Academia Chinesa de Tecnologia Espacial, Pang Zhihan, justificou outra das exigências: “[as astronautas] não podem ter dentes estragados porque a mínima falha pode causar grandes problemas ou um desastre no espaço”.

A China é o terceiro país do mundo a ter um programa espacial próprio, depois de Rússia e Estados Unidos, e será o oitavo a enviar uma mulher ao espaço. A primeira missão tripulada do país foi lançada em 2003 e, até agora, seis astronautas chineses viajaram ao espaço.

Os três tripulantes da Shenzhou IX farão exercícios de acoplamento a um módulo não-tripulado, em preparação para a construção do laboratório espacial independente que Pequim espera concluir até 2020. Por divergências com os norte-americanos, a China não integra a Estação Espacial Internacional, que tem participação de Estados Unidos, Rússia, Europa, Japão e Canadá. A estação espacial chinesa terá 60 toneladas e será bem menor que a internacional, de 400 toneladas.

O programa espacial é um dos principais símbolos do processo de transformação da China em uma potência global. O país já é a segunda maior economia do mundo, conquistou o maior número de medalhas de ouro na Olimpíada de 2008 e faz parte do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.

agência international.

UNIVERSIDADE do PORTO lança livro do “Movimento da Educação Nova” / portugal

Lançamento do livro “O Movimento da Educação Nova”

A Universidade do Porto apresenta hoje 13 de junho, pelas 18h30, na Feira do Livro do Porto o livro O Movimento da Educação Nova e a reinvenção da Escola. Da afirmação de uma necessidade aos equívocos de um desejo, da autoria de Rui Trindade, obra editada pela U.Porto editorial. A apresentação será feita por Carlinda Leite, professora da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto.

A obra pretende refletir sobre os discursos originais de alguns dos pedagogos mais emblemáticos que se relacionam com o “Movimento da Educação Nova”, considerados como discursos matriciais do campo das pedagogias da aprendizagem. Um campo que enfatiza a necessidade de se reconhecer, quer a centralidade pedagógica dos alunos no âmbito dos projetos de intervenção educativa que têm lugar no seio das escolas, quer a valorização do ato de aprender, em detrimento do ato de ensinar, como condições necessárias à afirmação das escolas enquanto contextos educacionais mais humanos e cultos.

Rui Trindade é professor na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto e investigador do Centro de Investigação e Intervenção Educativas da mesma faculdade, lecionando, pesquisando e intervindo em domínios como os da gestão e organização do trabalho pedagógico, dos estudos sobre aprendizagem e da pedagogia no ensino superior.

A sessão realiza-se no auditório da Feira do Livro do Porto, a decorrer na Avenida dos Aliados. A entrada é livre.

CAPA DO LIVRO.

GABRIEL GARCIA MARQUES afirma:

“O problema do casamento é que se acaba todas as

noites depois de se fazer o amor, e é preciso tornar a

reconstruí-lo todas as manhãs, antes do café”.

Qual mulher? – de Day / rio de janeiro.rj

Qual mulher, não se importando se feia ou bela
Não quer, toda manhã, nua, abrir sua janela
E, como Quintana, ver a mesma paisagem
Mas numa nova tela, nova página, um novo homem…

A beleza não está no rosto zoom, nas pernas cruzadas
Mas no momento dos ‘ais’ sem fingimento, sem pudor.
O amor nasceu para mim e para você
Eros, éramos tão bem felizes, mas e agora?
Sentada na cadeira, a tarde inteira vira noite de terror,
Ama a madrugada e eu sozinha porque não vens.

Não vem um homem, não vem um corvo!
Desde quando é pecado falar de carne, de querências?
Sem rosto não posso ficar, sem corpo tu não me amas
Close, close em meu coração
Se tiro o roupão, para que banho a sós?

Se viesses, com bebida e Hilda de presente
Jantaríamos lagosta ou ovos fritos, afinal quem comeria?
Oh, meu querido, não vê que já cai a noite e estrelas hoje não!
Chove e berra o trovão – Não! Tu não virás.

Habite meu rosto, close das tristes, beleza não há
Se nada há que beijar, rosto para quê?
A não ser o espelho que envelhece comigo
Ninguém mais tem me querido.

E mesmo se houvesse, é a ti que amo,
E, ainda assim, anoitece e tu não vens
Matar meu desejo e desejar não é pecado
E se for, afasto-me de Deus por alguns momentos
E oro sobre teu dorso…
Mas tu não virás – Tu não virás!…

O ocaso do maior escritor do século 20: GABRIEL GARCIA MARQUES – por marco lacerda*

Demência senil impede Gabriel García Márquez de reconhecer familiares e amigos íntimos
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García Márquez: demência impede o Nobel de Literatura de escrever (Foto: )



O escritor Gabriel García Márquez perdeu definitivamente a memória. Pelo menos esta é a conclusão a que chegaram os meios de comunicação colombianos depois de uma entrevista do autor, terça-feira passada, ao jornalista Plinio Apuleyo, seu amigo íntimo. Depois de duas horas com Gabo, o jornalista revelou que a demência senil já não permite ao escritor escrever e sequer reconhecer familiares e amigos próximos.

“Nas últimas vezes que conversamos pessoalmente, na Cidade do México, ele repetiu várias vezes: ‘Como anda você? O que tem feito? Quando volta de Paris’? Muitos amigos comuns com quem falei sobre o assunto disseram que com eles aconteceu a mesma coisa. Gabo fez as mesmas perguntas. Existe a suspeita de ele tenha algumas fórmulas. Se não reconhece alguém, não pergunta ‘quem é você’?. Prefere fazer perguntas genéricas. Dói muito vê-lo assim. Gabo sempre foi um grande amigo”, disse Plinio Apuleyo.

Há pelo menos cinco anos a deterioração da saúde de García Márquez tornou-se pública. Os primeiros sinais foram dados quando ele renunciou a continuar escrevendo suas memórias (“Viver para contá-la”, primeiro volume de uma trilogia frustrada) e enfrentou a morte de um irmão. Pouco antes o escritor tinha sido vítima de um linfoma do qual saiu intacto.

Em 2007, quando o Congresso do Idioma celebrou em Cartagena de Índias, na Colômbia, os 40 anos da publicação de “Cem anos de solidão”, García Márquez, pai do cineasta Rodrigo García, se deixou ver sorridente e feliz, vestindo um terno de linho branco. Em nenhum momento, porém, falou em público nem concedeu entrevistas. Nesta época surgiram os primeiros rumores sobre os lapsos de memória do Prêmio Nobel de Literatura de 1982.

No mesmo ano, o escritor britânico Gerald Martin escreveu a biografia oficial de Gabo, “Uma vida”, na qual se pode ler, nas entrelinhas, a notícia velada da enfermidade do autor: “Ele era capaz de recordar a maioria das coisas do passado distante, embora tivesse dificuldade em recordar os títulos de seus livros. Mas mantivemos uma conversa normal, até divertida”, diz Martin.

Há um ano, alguns meios de comunicação chegaram a anunciar que Márquez estaria em vias de morrer em Paris. Sua mulher, Mercedes, e sua agente literária, Carmen Balcells, desmentiram a notícia. Gabo não estava em apuros nem estava em Paris. Permanecia em sua casa no México. Há poucos meses a família divulgou uma foto tirada na festa dos 85 anos do autor.

Nos tempos de sua pródiga produção literária Gabriel García Márquez brindou o mundo com uma coleção de obras primas, que o tornaram, na opinião de muitos o maior escritor do século 20. Entre elas se incluem “Ninguém escreve ao coronel”, “Crônica de uma morte anunciada”, “O outono do patriarca”, “O amor nos tempos do cólera”, “Cheiro de goiaba”, “O general em seu labirinto”, “Do amor e outros demônios”, além de uma vasta obra como jornalista e cronista.

Dez frases

“Um único minuto de reconciliação vale mais do que toda uma vida de amizade”.

“O segredo de uma velhice agradável consiste apenas na assinatura de um honroso pacto com a solidão”.

“A sabedoria é algo que, quando nos bate à porta, já não serve para nada”.

“O sexo é o consolo que a gente tem quando o amor não nos alcança”.

“Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se”.

“Não passes o tempo com alguém que não esteja disposto a passá-lo contigo”.

“Te amo não por quem tu és, mas por quem sou quando estou contigo”.

“Nunca deixes de sorrir, nem mesmo quando estiver triste, porque nunca se sabe quem pode se apaixonar por teu sorriso”.

“Dou valor as coisas, não por aquilo que valem, mas por aquilo que significam”.

“O problema do casamento é que se acaba todas as noites depois de se fazer o amor, e é preciso tornar a reconstruí-lo todas as manhãs, antes do café”.

*Marco Lacerda é jornalista, escritor e Editor Especial do Dom Total. Artigo escrito com base em informações do jornal espanhol El Mundo e de agências de notícias

NOVO POEMA! – de gilda E. kluppel / cuiritiba.pr

Novo Poema

 

No encalço de um novo poema

para expressar a felicidade de um encontro

como o retorno de uma breve viagem

num tempo perdido, jamais recolhido

entre sofridas lembranças e ligeiras alegrias

duma miragem que me deixei conduzir.

 

Que através de um novo poema

possa fortalecer ao me envolver em seus versos

encontrar novos horizontes

uma profícua jornada em estradas floridas

distantes da superficialidade e da hostilidade

de um mundo sem renúncia e sem complacência

que por descuido, em alguns momentos, me envolvi.

 

Peço perdão se me deixei levar

por um canto vazio de sentido

cheio de enganos e danos

receba-me com toda a minha fragilidade

para caminharmos juntos

e se por algum motivo me afastar

acolha-me novamente

depositando brilho em meus olhos

com a escrita de um novo poema.

 

Florence Nightingale: a lâmpada da caridade (*) – por manoel de andrade / curitiba.pr

 

A ENFERMEIRA NO ACAMPAMENTO COM AS DEMAIS COLEGAS E ALUNAS.

                                                                              “A Enfermagem é uma arte; e para realizá-la como arte,  requer uma devoção tão exclusiva, um preparo tão rigoroso, como a obra de qualquer pintor ou escultor; pois o que é tratar da tela morta ou do frio mármore comparado ao tratar do corpo vivo, o templo do espírito de Deus? É uma das artes, poder-se-ia dizer, a mais bela das artes”…

                                                                                                                         Florence Nightingale

          Realmente é uma arte das mais belas devotar-se ao alívio do sofrimento humano e Florence Nightingale, filha de aristocratas londrinos, teve que romper com a própria família quando optou por esse caminho. Contrariada com o vazio da vida na alta sociedade de Londres, aos 24 anos sente um forte apelo íntimo para cuidar dos enfermos, mas viu os primeiros passos de sua vocação paralisados pela frontal oposição da mãe.

Nascida na Itália, numa longa viagem dos pais, seu nome foi uma referência à cidade de Florença onde veio à luz em 12 de maio de 1820. Aos vinte anos, entediada com a rotina dos bordados e da dança de salão, insiste com os pais que a deixem estudar matemática, mas a mãe não permite. Contudo, como o pai gostava da matemática, ambos acabaram concordando, desde que a filha estudasse tutorada por bons  matemáticos, entre eles Arthur Cayley —  posteriormente conhecido pelos seus estudos da matemática pura e sobretudo pelo seu  trabalho sobre matrizes algébricas, desenvolvido na mecânica quântica por Werner Heisenberg em 1925 — e por James Joseph Sylvester — celebrizado pelas suas teorias dos invariantes, matricial e análise combinatória  — de quem foi considerada a melhor aluna. Seus conhecimentos de Aritmética, Geometria e Álgebra foram utilizados para dar aulas para crianças antes que abraçasse a carreira de enfermagem. Além das aulas com os matemáticos ingleses, Florence estudou os métodos estatísticos do cientista belga  Jacques Quetelet  — célebre pelos estudos sobre o Índice da Massa Corporal (IMC)  — que ela aplicou pela primeira vez, como enfermeira de guerra, utilizando métodos de representação visual com informações em forma de diagrama para mostrar as taxas de mortalidade dos soldados na Guerra da Criméia.

Seu caminho irreversível para a enfermagem começa em 1846 ao sensibilizar-se diante de um fato que escandalizou a opinião pública pelo péssimo tratamento que levou à morte um indigente numa enfermaria de Londres. Florence levantou a bandeira do Comitê de Lei para os Pobres (Poor Law Board) propondo sua reforma e visando ampliar os deveres do Estado no atendimento dos pobres e desamparados. Seu interesse pelas causas sociais e suas iniciativas de buscar experiência para socorrer doentes em hospitais, contudo, não eram aceitas pela família. Seus poucos procedimentos de enfermagem reduziam-se ao atendimento de parentes e amigos doentes. Os fortes preconceitos sociais da época não abriam à profissão uma graduação acadêmica e as enfermeiras eram vistas como pessoas sem preparo, ignorantes, sem reputação, ladras, sexualmente promíscuas e voltadas para o alcoolismo.[1]

Aos 30 anos Florence decide romper com a oposição da família e finalmente iniciar uma missão que, segundo ela, nascera de um chamamento espiritual ouvido aos 17 anos. A partir de então começa a fazer estágios em importantes hospitais da Alemanha e da França, iniciando seu treinamento como enfermeira. Em março de 1854 teve início a Guerra da Criméia, com a Inglaterra, França e Turquia declarando guerra à Rússia. As críticas da imprensa contra a precariedade hospitalar na retaguarda militar britânica levou o governo da Inglaterra a solicitar a supervisão oficial de Florence aos hospitais ingleses na Turquia, onde chegou em novembro de 1854, com 38 enfermeiras.

O início de seu trabalho em Scutari, um subúrbio asiático de Constantinopla (hoje Istambul), não foi fácil, pelo fato de ser mulher e ter que enfrentar os preconceitos, a burocracia, a alta hierarquia militar, a hostilidade dos médicos e a falta de recursos a fim de mudar toda a estrutura do sistema hospitalar. Encontrou os soldados deitados em chão de terra, partilhando o mesmo ambiente com baratas, insetos e ratos e onde os processos cirúrgicos eram feitos em condições anti-higiênicas. Alarmada com o altíssimo índice de mortalidade causado pelo tifo e pela cólera, concluiu que as doenças hospitalares estavam matando sete vezes mais do que os campos de batalha. Com uma coleta constante de dados e aplicando os métodos de Quetelet, organizou registros e estatísticas montando diagramas de área polar onde visualizou, mês a mês, que o rigor na assepsia fazia decrescer as mortes por infecção. Durante o mês de janeiro de 1855, enquanto 2.761 soldados morreram por doenças contagiosas, apenas 324 foram por causas diversas e 83 por ferimentos em campo de batalha. Seus relatórios foram de importância vital para a sobrevivênvia do exército britânico na guerra, mostrando que com tal índice de mortalidade e a não reposição constante das tropas, em pouco tempo todo o contingente da Crimeia seria aniquilado pela infecção. Três meses depois de sua chegada, as taxas de mortalidade de fevereiro de 1855 caíram de 60% para 42,7%. Prosseguindo com as melhorias sanitárias, o uso da água fresca, frutas, vegetais e novos equipamentos hospitalares, os óbitos caíram em abril para 2,2%.

Com o correr das semanas e dos meses, a imagem de Florence emergia triunfante pelo reconhecimento e admiração dos próprios médicos e pelos resultados da disciplina e da liderança com que comandava as demais enfermeiras. Contudo foi entre os soldados que sua imagem foi surgindo como a de um anjo da guarda, sempre buscando  consolar os moribundos. Sua generosidade e doçura com os pacientes e seus cuidados percorrendo as enfermarias dos batalhões e acampamentos durante a noite com uma lanterna na mão, visitando a todos e dirigindo-se a cada um, fizeram-na conhecida como  “A dama da lâmpada”.

Com o fim da guerra, Florence retorna a Londres e verifica que os soldados, entre 20 e 35 anos, mesmo desmobilizados pelo fim da guerra, dobravam o índice de mortalidade em relação aos civis. Seu pedido de investigação e de reforma nas condições sanitárias dos hospitais militares chamou a atenção da Rainha Vitória e uma Comissão Real Sobre a Saúde nas Formas Armadas foi instalada em 1857. As mesmas providências Florence pediu para os hospitais militares da Índia. Em 1858, suas contribuições para a saúde dos soldados ingleses levaram-na a ser eleita membro da Sociedade Estatística Real.

Quando de seu retorno à Inglaterra, em 1856, acamada e limitada pela doença que contraiu na guerra, recebe um prêmio em dinheiro do governo britânico, pelo extraordinário trabalho e a dedicação incondicional aos feridos na guerra. Todo o dinheiro foi usado por Florence para fundar, em1859, aPrimeira Escola de Enfermagem, no Hospital Saint Thomas, tornando-se modelo para as demais escolas que surgiram no mundo ao estabelecer as bases da moderna enfermagem. Era o seu sonho transformando-se em realidade: ensinar a outras mulheres a grandeza e a dignidade da enfermagem, concebida como uma verdadeira profissão e exercida com ciência e como uma arte.

A biografia de Florence Nightingale é a história de uma vida inteiramente dedicada ao amor pelos semelhantes e seus detalhes não cabem nos limites deste artigo. Na Guerra da Crimeia, quando um médico a pediu em casamento ela respondeu que “Com 17 anos ouvi a voz de Deus convocando meus serviços”. Sua missão de lenir o sofrimento humano nunca lhe permitiu que se casasse. O espírito Emmanuel, numa sugestiva passagem, referindo-se à “Dama da Lâmpada” afirmou: “Pensas em Florence Nigthtingale, a mulher admirável que esteve quase um século entre os homens, dedicando-se aos feridos e aos doentes, sem quaisquer intenções subalternas.” (Justiça Divina, F.C. Xavier, FEB, 3ª ed., p. 109.)

“Escolhi servir ao próximo porque sei que todos nós um dia precisamos de ajuda.
Escolhi ser enfermeira porque amo e respeito a vida!!!”

                                                                                   Florence Nigthtingale (1820-1910)

(*) Este artigo foi escrito para o jornalMUNDO ESPÍRITA” publicação da Federação Espírita do Paraná.  Publicado aqui com licença do autor.

[1] Charles Dickens (1812-1870), o mais famoso escritor da era vitoriana e um crítico profundo da miséria social do seu tempo, retratou de uma forma nua e crua o perfil da enfermagem na Inglaterra em seus romances Oliver Twist, Martin Chuzzlewitt.  Neste último, a célebre personagem da enfermeira Mrs. Sairey Gamp é o retrato chocante do despreparo profissional, da frieza e do descaso para com os doentes.


O DEDO do LULA – por emir sader /são paulo.sp

A sociedade brasileira teve sempre a discriminação como um dos seus pilares. O ódio a Lula é um ódio de classe, vem do profundo da burguesia paulista e de setores de classe média que assumem os valores dessa burguesia. O anti-petismo é expressão disso. Os tucanos são sua representação política.

– por Emir Sader

A sociedade brasileira teve sempre a discriminação como um dos seus pilares. A escravidão, que desqualificava, ao mesmo tempo, os negros e o trabalho – atividade de uma raça considerada inferior – foi constitutiva do Brasil, como economia, como estratificação social e como ideologia.

Uma sociedade que nunca foi majoritariamente branca, teve sempre como ideologia dominante a da elite branca, Sempre presidiram o país, ocuparam os cargos mais importantes nas FFAA, nos bancos, nos ministérios, na direção das grandes empresas, na mídia, na direção dos clubes – em todos os lugares em que se concentra o poder na sociedade, estiveram sempre os brancos.

A elite paulista representa melhor do que qualquer outro setor, esse ranço racista. Nunca assimilaram a Revoluçao de 30, menos ainda o governo do Getúlio. Foram derrotados sistematicamente pelo Getulio e pelos candidatos que ele apoiou. Atribuíam essa derrota aos “marmiteiros”- expressão depreciativa que a direita tinha para os trabalhadores, uma forma explicita de preconceito de classe.

A ideologia separatista de 1932 – que considerava São Paulo “a locomotiva da nação”, o setor dinâmico e trabalhador, que arrastava os vagões preguiçosos e atrasados dos outros estados – nunca deixou de ser o sentimento dominante da elite paulista em relação ao resto do Brasil. Os trabalhadores imigrantes, que construíram a riqueza de Sao Paulo, eram todos “baianos” ou “cabeças chatas”, trabalhadores que sobreviviam morando nas construções – como o personagem que comia gilete, da música do Vinicius e do Carlos Lira, cantada pelo Ari Toledo, com o sugestivo nome de pau-de-arara, outra denominação para os imigrantes nordestinos em Sao Paulo.

A elite paulista foi protagonista essencial nas marchas das senhoras com a igreja e a mídia, que prepararam o clima para o golpe militar e o apoiaram, incluindo o mesmo tipo de campanha de 1932, com doações de joias e outros bens para a “salvação do Brasil”- de que os militares da ditadura eram os agentes salvadores.

Terminada a ditadura, tiveram que conviver com o Lula como líder popular e o Partido dos Trabalhadores, para o qual canalizaram seu ódio de classe e seu racismo. Lula é o personagem preferencial desses sentimentos, porque sintetiza os aspectos que a elite paulista mais detesta: nordestino, não branco, operário, esquerdista, líder popular.

Não bastasse sua imagem de nordestino, de trabalhador, sua linguagem, seu caráter, está sua mão: Lula perdeu um dedo não em um jet-sky, mas na máquina, como operário metalúrgico, em um dos tantos acidentes de trabalho cotidianos, produto da super exploração dos trabalhadores. O dedo de uma mão de operário, acostumado a produzir, a trabalhar na máquina, a viver do seu próprio trabalho, a lutar, a resistir, a organizar os trabalhadores, a batalhar por seus interesses. Está inscrito no corpo do Lula, nos seus gestos, nas suas mãos, sua origem de classe. É insuportável para o racismo da elite paulista.

Essa elite racista teve que conviver com o sucesso dos governos Lula, depois do fracasso do seu queridinho – FHC, que saiu enxotado da presidência – e da sua sucessora, a Dilma. Tem que conviver com a ascensão social dos trabalhadores, dos nordestinos, dos não brancos, da vitória da esquerda, do PT, do Lula, do povo.

O ódio a Lula é um ódio de classe, vem do profundo da burguesia paulista e de setores de classe média que assumem os valores dessa burguesia. O anti-petismo é expressão disso. Os tucanos são sua representação política.

Da discriminação, do racismo, do pânico diante das ascensão das classes populares, do seu desalojo da direção do Estado, que sempre tinham exercido sem contrapontos. Os Cansei, a mídia paulista, os moradores dos Jardins, os adeptos do FHC, do Serra, do Gilmar, dos otavinhos – derrotados, desesperados, racistas, decadentes.

PAULO EGYDIO MARTINS, ex governador de São Paulo, e a morte do jorn. WLADIMIR HERZOG . Entrevistado por Geneton Moraes Neto / são paulo.sp

Ex-governador de São Paulo dá veredito: “Suicídio foi maquiado. Herzog foi assassinado no II Exército”. E descreve chantagem praticada por militares do DOI-CODI contra um general

por Geneton Moraes Neto |

A Globonews reapresenta nesta terça-feira (amanhã 5/6/12)  em dois horários:  uma e cinco (madrugada) e onze e cinco da manhã)  o DOSSIÊ GLOBONEWS em que o ex-governador Paulo Egydio Martins se torna a primeira autoridade a se oferecer publicamente a depor na Comissão da Verdade. Egydio – que governou São Paulo de março de 1975 a março de 1979 –  descreve com detalhes, na entrevista, cenas de bastidores ocorridas em momentos críticos do regime militar, como a crise provocada pelas mortes do jornalista Vladimir Herzog e do operário Manoel Fiel Filho nas dependências do II Exército. Pela primeira vez, uma autoridade da época faz uma declaração tão direta sobre as circunstâncias da morte do jornalista: “O suicídio foi maquiado. Herzog foi assassinado dentro das dependências do II Exército, na rua Tutóia, em São Paulo”.

O ex-governador também se refere, na entrevista, a um caso que jamais foi esclarecido: uma chantagem praticada por subordinados contra um general do II  Exército. O fato de não se saber do desfecho da chantagem parece ser uma prova de que ainda há capítulos inteiros a serem contados sobre a história do regime militar.

Trechos da entrevista:

GMN: O senhor revela que o chefe do Estado Maior do II Exército foi vítima de uma chantagem, praticada por dois militares que ameaçavam denunciar publicamente a prática de torturas no II Exército. Que providências o senhor tomou ?

Paulo Egydio: “Quando o coronel Erasmo Dias ( secretário de segurança ) me procurou, me disse o seguinte: “Governador, o general Marques me procurou,nervosíssimo, extremamente tenso, porque um sargento e um cabo, integrantes da equipe do DOI-CODI, foram a ele pedindo um volume de dinheiro. Senão, iriam delatar para a imprensa o que se passava dentro do DOI-CODI. E ele ficou sem saber o que fazer. Veio me pedir se eu podia arranjar esse dinheiro da verba secretra da Secretaria de Segurança”.

Quando eu assumi o governo, extingui a verba secreta do gabinete do governador. E disse a Erasmo que a verba secreta da Secretaria de Segurança era de responsabilidade dele. Jamais eu iria intervir. Virei para ele e disse: “Erasmo, a decisão é sua, sobre se vai atender ao Marques ou se não vai atender. Chantagem só tem duas respostas: “Ou você mata ou você morre”. Porque qualquer tentativa de aceitar chantagem é horrível, é péssima. É minha reação pessoal. Você faz o que você quiser fazer” .

Nunca mais tive retorno dessa conversa. Nada aflorou dessa chantagem. Mas ela mostra o que significa, como quebra de hierarquia militar: a gravidade deste episódio. Porque, quando um cabo e um sargento procuram um general comandante do Estado Maior de um Exército e chantageiam pedindo dinheiro para não contar o que estava se passando dentro do recinto pertencente a esse mesmo Exército, acabou qualquer hierarquia militar, qualquer espírito militar. Isso é absoluta e totalmente incompreensível e inaceitável”.

GMN: O fato de esses militares não terem feito a denúncia pública não significa que eles podem ter recebido o dinheiro ?

Paulo Egydio: “Eu não saberia lhe responder. A dúvida paira. Não voltei a conversar com Erasmo. Não foi pedida prestação de contas. A verba era secreta. Não estava sujeita à aprovação de ninguém. Não saberia lhe responder. Posso dizer que sim e posso dizer que não”.

O Caso Herzog: Egydio pediu a órgãos de segurança a ficha do jornalista. Conclusão: Nada consta.

GMN : O senhor fez uma reunião com o então secretário de  Cultura, José Mindlin; com o coronel Erasmo Dias, secretário de segurança; com o diretor do DOPS, Romeu Tuma e com o representante do SNI, coronel Paiva, para discutir a nomeação do jornalista Vladimir Herzog para a TV Cultura. Qual foi o resultado da reunião ?

Paulo Egydio: “Quem me trouxe o problema foi o secretário de Cultura, meu amigo José Mindlin, que disse:”Estou recebendo acusações de ter escolhido, com muitas dificuldades, um responsável pelo Jornal da Cultura. E esse indivíduo que escolhi agora está sendo acusado – por uma imprensa marrom – de ser comunista” . Eu não tinha a menor idéia, cá entre nós. Se a Globo tinha cinqüenta por cento de audiência, o Jornal da Cultura deveria ter zero vírgula zero um de audiência. Quem era o diretor de jornal da TV Cultura era algo que não estava na minha cabeça –  de jeito nenhum. Se era comunista, se não era comunista….Virei para Mindlin: “O problema não é meu. É seu. Você resolve como quiser”. E Mindlin: “Isso tem me causado incômodo. Preciso que você verifique se procede alguma coisa ou não”.   Numa reunião, deixei instruções específicas : eu queria ter  informações do Serviço Secreto do Exército , Marinha e Aeronáutica e do SNI sobre se alguma coisa constava sobre aquele diretor de jornal da TV Cultura – de quem eu nunca ouvido o nome antes – , chamado Vladimir Herzog. Passaram-se dez, quinze dias. Houve outra reunião, em que as mesmas pessoas se reportaram a mim: “Nós levantamos tudo. Nada consta, senhor governador”. Eu disse: “Mindlin, veja a resposta: se nada consta, você fica livre para decidir o que quiser. Já cumprimos nossa obrigação de verificar se procedia uma acusação ou não. Ficou provado que não procede. Você, agora, aja como quiser agir. Quer manter, mantenha. Não quer manter, não mantém. Após esse incidente, houve a determinação se ele comparecer ao DOI-CODI, onde acabou assassinado”.

GMN :Se nada constava contra Vladimir Herzog nos órgãos de informação, se a ficha era limpa, como o senhor diz, a prisão foi inteiramente
injustificada. Depois da morte de Vladimir Herzog, o senhor fez esta comunicação ao presidente Geisel ?

Paulo Egydio: “Fiz. Não só fiz esta comunicação, como eu tinha liberdade com ele de pensar alto. Eu estranhava o que estava se passando, aquele luta intestina, aquela luta em quarto escuro. Você não tem meios de comprovar essas coisas com clareza. Como é que você comprova uma tortura ? Só assiste a tortura o torturador. E um torturador não vai dedurar outro torturador. Num caso desse aqui, eu dizia para Geisel: “Presidente, estou estranhando : existe alguma coisa a mais”. E Geisel: “Paulo, tire isso da cabeça! Enquanto eu for Presidente desse país, nada vai acontecer”. Geisel não aceitava que a autoridade dele pudesse ser questionada. Não é mais um fato de você averiguar: é um fato histórico. Havia um plano de derrubar o general Ernesto Geisel da presidência da República. Tentaram me usar como governador do 
Estado mais forte da federação naquela ocasião pela minha ligação pessoal com ele – que era pública e notória (….). Havia uma briga interna do Exército  que nós, civis, não avaliamos. Não tenho a menor dúvida quanto a um embate dentro de duas facções do Exército nacional que disputavam o Poder”.

GMN: Quando o senhor tratou com o presidente Geisel pela primeira vez sobre a morte de Vladimir Herzog, o senhor disse a ele que nada
constava contra o jornalista Vladimir Herzog nos órgãos de segurança?

Paulo Egydio:”Disse. E disse claramente, como acabo de  repetir para você. Ele sabia disso ( silêncio). Se maquiou um suicídio ! O suicídio foi maquiado ! Não houve suicídio! Herzog foi assassinado dentro das dependências do II Exército na rua Tutóia, em São Paulo”.

GMN: O senhor testemunhou uma cena importantíssima dos bastidores do regime militar: o dia em que o presidente Geisel chamou o então
comandante do II Exército, general Ednardo D`Ávila, logo depois da morte do jornalista Vladimir Herzog nas dependências do quartel. O que foi exatamente que o general Geisel disse ao gen0eral Ednardo ?

Paulo Egydio :”Eu já tinha me recolhido com o presidente Geisel para a ala residencial do Palácio dos Bandeirantes. Estávamos sentados na biblioteca. Ednardo subiu para a ala residencial. Quando apareceu na porta, fiz um gesto de me levantar .Não ia ficar presente a uma reunião do Presidente da República com o comandante do II Exército, os dois generais. Geisel virou para mim e disse:  “Não,não, Paulo. Quero que você fique aí e escute”. E o general Ednardo D`Ávila Melo, perfilado, em posição de sentido, na frente de Geisel e na minha, ficou ouvindo Geisel se dirigir a ele assim:  “Ednardo, você me conhece muito bem. Você sabe do meu passado. Você sabe da minha história. Não vou admitir que fatos como esses que ocorreram aqui no II Exército se repitam. Quero que você saiba que vou tomar medidas. Você vai tomar conhecimento pelo seu ministro do Exército e pelo Diário Oficial. Vou tornar isso um decreto: proibir que alguém seja preso antes de uma comunicação ao meu gabinete – ao gabinete militar, ao SNI ou a mim, pessoalmente. Só depois dessa comunicação é que posso admitir que um preso político seja levado ao recinto de um quartel do Exército. O senhor está me ouvindo? Está entendendo? “. E o general: “Sim, senhor  Presidente; sim,senhor Presidente”. Geisel: “Pode se retirar”. Escutei tudo aquilo quieto e calado. Meses depois, houve o caso de Manoel Fiel Filho – que contrariou juridicamente, formalmente e hierarquicamente todas as determinações do Presidente da República, comandante-em-chefe das Forças Armadas do Brasil. Consequência: o general, fiel às palavras que tinha proferido na minha frente, exonerou um general de quatro estrelas do comando do II Exército, fato inédito na história do Exército brasileiro”.

GMN: Se o senhor for convocado a depor na Comissão ds Verdade  para relatar as cenas de bastidores que aconteceram nos episódios das mortes de Vladimir Herzog e de Manoel Fiel Filho, o senhor vai comparecer ?

Paulo Egydio: “Claro. Se eu não comparecer, faça um favor: mande uma cópia deste depoimento. Irei a qualquer hora, a qualquer instante. Não temos de temer nada. É hora de botar para fora tudo o que for para botar para fora. Vivemos numa democracia para ser verdadeira”.

DIÁRIO DA PROVYNCIA III – por olsen junior / rio negrinho.sc


 

CÍNICO, CÉTICO E EFICIENTE!

Foi somente depois que o carro passou sobre a água empoçada num desvão (de um trabalho mal feito anteriormente) nas lajotas oitavadas da Avenida das Rendeiras, salpicando com água barrenta uma família inteira que caminhava no passeio em frente é que me dei conta: tínhamos de ser muito otimistas para acreditar que havia alguma esperança para o ser humano.

O veículo trafegava com o dobro da velocidade permitida naquele trajeto no bairro boêmio da Lagoa da Conceição. Compreende-se que as pessoas de férias possam distrair-se com o ambiente enquanto passeiam, mas é injustificável que um motorista não tenha a dimensão de uma atitude imprudente. Seja pelo excesso de velocidade ou pela visão embotada do percurso. O que é pior, que encare ambas com naturalidade como se estivessem incorporadas ao “seu fazer” e até, a danação, que sequer tenha consciência da imperícia e da infração cometida.

Sei! Alguém pode lembrar que uma ação isolada não serve de parâmetro para avalizar um comportamento humano. De tanto observar atitudes desrespeitosas como essa, me tornei um cético. Então, resta o quê?

Lembrei de um texto do Paulo Francis na Folha, década de 1970 “Resta o consolo do trabalho. São Paulo estava errado e São João certo. A salvação é pelas obras e não pela fé. Esta matamos há muito tempo”.

Parte do meu aprendizado foi aperfeiçoada num texto do mesmo Paulo Francis (já que mencionei o trabalho) comentando o filme “Mississippi em Chamas”, de Alan Parker e a atuação de Gene Hackman.

O filme é baseado no assassinato em 1964, de três ativistas dos direitos civis no sul segregacionista dos EUA. O foco está na investigação de dois agentes do FBI, o sulista Rupert Anderson (Gene Hackman) e o nortista Alan Ward (William Dafoe) e os métodos de cada um para chegar a verdade: o primeiro com suavidade e o segundo agressivo. No fim triunfa a astúcia do primeiro e a perseverança do segundo. Em 2005, um ex-integrante da Ku-Kux-Klan, Edgar Ray Killen, então com 80 anos, foi condenado a 60 anos de prisão pela morte dos ativistas no qual o filme se baseou, corroborando a tese de seu diretor, que acreditava que um filme pode ter funções políticas.

Francis ressaltava que a atuação de Gene Hackman era a expressão pura do que o crítico Edmund Wilson chama de Jobbism num ensaio em que afirmava  “só nos resta neste mundo corrupto fazer nosso trabalho bem feito, sem tomar conhecimento de causas e pretensões iluministas”.

No filme, as pessoas se recusam a falar. Quem diz alguma coisa é espancada. Lá como aqui, uma realidade que se repete no mundo e no submundo da impunidade. Mas o Francis afirma que “Hackman olha e ri nos falando uma enciclopédia britânica sobre a natureza humana. Não se vangloria e nem tem ilusões. São pessoas assim que avançam as causas, poucas ainda em que acreditamos, e não ideólogos e idealistas. São céticas, cínicas e eficientes. Nossa única esperança, e Gene Hackman é emblemático de nossa condição”.

Esse “jobbism” que pode ser traduzido como “mãos-à-obra” descoberto pelo Francis no ensaio de Edmund “Bunny” Wilson que ele tomou conhecimento no início da década de 1960 e só foi assimilado na de 1980 pode ter raízes no médico e poeta transcendentalista americano Oliver Wendell Holmes… A uni-los, a descoberta da dignidade profissional enquanto último e inoxidável instrumento de participação social.  Não será a pólvora, como lembrou a jornalista Ana Claudia Vicente, mas para mim o jobbism foi um achado. Que funcionará, quando muita gente o achar também.

É isso, desde então, na cabeceira da minha cama, além de um champanhe e do livro que estiver lendo, está o trípdico: cínico, cético e eficiente…

Justifica-se: a bebida, como lembrou Zózimo Barroso do Amaral “enquanto houver champanhe, há esperança”; um livro, porque como afirma o poeta que habita em mim “é a melhor companhia quando você não quer ver ninguém” e as palavras, para manter uma atitude enquanto não se põe mãos-à-obra!

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NOTAS:

Olá, camaradas, salve!

Tempo curto, dinheiro escasso…

Segue o texto da semana…

Com o abraço fraterno!

http://www.youtube.com/watch?v=zC4poOpZG9w&feature=related

GILMAR MENDES! este o Brasil conhece e espera que o Supremo se livre dele!

LUIS ANTONIO PAGOT: Serra, Kassab, Alckmin, PSDB, PT e DEM pressionavam DNIT a doar recursos para as campanhas – vergonha nacional / são paulo.sp

Em entrevista, ex-diretor do DNIT acusa PSDB, PT e DEM de buscar recursos de campanha no órgão dos Transportes


O ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT) Luiz Antonio Pagot acusou políticos de PSDB, PT e DEM de buscar dinheiro no órgão ligado ao Ministério dos Transportes para pagar dívidas de campanha e fazer caixa 2.

Segundo a revista Istoé, Pagot se sentiu pressionado a aprovar aditivos ilegais no valor de R$ 260 milhões ao trecho sul do Rodoanel. Serra qualificou as declarações do ex-diretor do DNIT como “calúnia pré-eleitoral aloprada”.

Pagot afirmou ainda que o governo do então governador tucano teria usado a obra para  abastecer um suposto caixa 2 da campanha à Presidência da República em 2010. “Veio procurador de empreiteira me avisar: ‘Você tem que se prevenir, tem 8% entrando lá.’ Era 60% para o Serra, 20% para o Kassab e 20% para o Alckmin”, disse.

“Todos os empreiteiros do Brasil sabiam que o Rodoanel financiava a campanha do Serra”, revelou. “Teve uma reunião no DNIT. O Paulo Preto (diretor da Dersa) apresentou a fatura de R$ 260 milhões. Não aceitei e começaram as pressões.”

O diretório estadual do PSDB divulgou uma nota em que defende o governador Geraldo Alckmin das acusações de receber um porcentagem do caixa 2 das obras do Rodoanel Sul.”A matéria da Istoé é caluniosa. As campanhas eleitorais do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do pré-candidato à Prefeitura, José Serra, sempre contaram com doações declaradas à Justiça Eleitoral.”.

O ex-diretor do DNIT disse à Istoé que passou a receber telefonemas constantes, não só de Paulo Preto, mas do deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), do ministro Alfredo Nascimento e de seu secretário-executivo, hoje ministro Paulo Sérgio Passos. Mais tarde, o TCU autorizou a Dersa a assinar um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), condicionando novos aditivos à autorização prévia do tribunal e do Ministério Público. Pagot recorreu à Advocacia-Geral da União, que em parecer, ao qual a Istoé teve acesso, o liberou de assinar o documento.

“Aquele convênio tinha um porcentual ali que era para a campanha. Todos os empreiteiros do Brasil sabiam que essa obra financiava a campanha do Serra”, disse. De acordo com o TSE, o comitê de Serra e do PSDB receberam das empreiteiras que atuaram no trecho sul do Rodoanel quase R$ 40 milhões.

Caso Cachoeira. Ainda segundo a revista, Pagot também disse que o senador Demóstenes Torres (sem partido, ex-DEM) foi buscar no órgão fundos para quitar dívidas de campanha com a Delta Construções, através de acordos com a construtora.

Demóstenes teria chamado Pagot para uma conversa privada, durante a qual disse que estava com dívidas com a Delta e que precisava “carimbar alguma obra para poder retribuir o favor” que a construtora fez para ele na campanha.

Pagot disse que não cedeu à pressão de Serra e Demóstenes. No entanto, ele confessou ter aceito a solicitação do tesoureiro da campanha do PT, deputado José De Filippi (SP), que durante as eleições de 2010, pediu para ele arrecadar recursos junto às empreiteiras ligadas ao DNIT. “Cada um doou o que quis. Algumas enviavam cópia do boleto para mim e eu remetia para o Filippi. Outras diziam ‘depositamos’”, afirmou. As doações teriam sido feitas pelas vias legais, segundo o ex-diretor.

Na entrevista, Pagot identificou na prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral ao menos 15 empresas que abasteceram a campanha do PT a pedido seu: Carioca Engenharia, Concremat, Construcap, Barbosa Mello, Ferreira Guedes, Triunfo, CR Almeida, Egesa, Fidens, Trier, Via Engenharia, Central do Brasil, Lorentz, Sath Construções e STE Engenharia.

Pagot também acusou a ministra da Relações Institucionais, Ideli Salvatti, de ter pedido ajuda na arrecadação de recursos de campanha em 2010, quando foi candidata a governadora de Santa Catarina. “Ela queria que eu chamasse as empreiteiras e pedisse para pôr dinheiro na campanha dela”, afirma. Como se negou a ajudá-la, Pagot acha que Ideli ficou ressentida e passou a miná-lo quando chegou ao Planalto.

Outro lado. Em nota divulgada à tarde, a assessoria de Serra apresentou a resposta do ex-governador à reportagem da Istoé, na qual ele rechaça as acusações de Pagot. “Trata-se de uma calúnia pré-eleitoral aloprada. A acusação é absolutamente inconsistente e a credibilidade dos envolvidos é zero. Tomaremos as medidas judiciais cabíveis”, disse o tucano.

A declaração oficial do PSDB critica, ainda, o fato dos tucanos não terem sido procurados, ao contrário de petistas citados na matéria. “A revista sequer respeitou os princípios éticos do bom jornalismo uma vez que nem Alckmin nem Serra foram procurados pela reportagem, ao contrário de um grupo seleto de personagens nela citados. Com esse procedimento abominável, a Istoé deixou que prosperassem mentiras ditas pelo Sr. Luiz Antônio Pagot baseadas em algo que ele teria ouvido de um “procurador de empreiteira” cujo nome ele nem menciona.”

Segundo a assessoria do prefeito Gilberto Kassab (PSD), a “acusação é improcedente e mentirosa. Portanto serão adotadas as medidas jurídicas cabíveis diante dessa irresponsável calunia”.

Filippi foi ouvido pela Istoé e admitiu ter se reunido com Pagot durante a eleição, mas negou ter recebido boletos dos depósitos de campanha do ex-diretor do DNIT. “A conversa tratou da proposta de Pagot de a campanha receber três aviões do Blairo Maggi”, disse Filippi. “Num segundo encontro, depois da eleição de Dilma, ficou acertado que Pagot buscaria recursos para saldar dívidas da campanha eleitoral.” Por meio de nota, Ideli negou que tenha recorrido a Pagot para solicitar recursos.

O ex-diretor do DNIT também conversou com a revista Época. Nessa entrevista, Pagot deu mais detalhes sobre a ajuda ao PT. Ele disse que, após a conversa com Filippi, reuniu-se com sindicatos de empresas da construção civil e representantes da Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias (Aneor). “Fui um colaborador espontâneo”, afirmou. Ele disse que Fillipi recebia boletos de depósitos de empreiteiras que se dispuseram a fazer doações para a campanha.

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Estadão.com.br – Atualizada às 21h16

Gilmar não é o Supremo – por mauro santayana /são paulo.sp

Engana-se o Sr. Gilmar Mendes, quando denuncia uma articulação conspiratória contra o Supremo Tribunal Federal, nas suspeitas correntes de que ele, Gilmar, se encontra envolvido nas penumbrosas relações do Senador Demóstenes Torres com o crime organizado em Goiás.
A articulação conspiratória contra o Supremo partiu de Fernando Henrique Cardoso, quando indicou o seu nome para o mais alto tribunal da República ao Senado Federal, e usou de todo o rolo compressor do Poder Executivo, a fim de obter a aprovação. Registre-se que houve 15 manifestações contrárias, a mais elevada rejeição em votações para o STF nos anais do Senado.
Com todo o respeito pelos títulos acadêmicos que o candidato ostentava – e não eram tão numerosos, nem tão importantes assim – o Sr. Gilmar Mendes não trazia, de sua experiência de vida, recomendações maiores. Servira ao Sr. Fernando Collor, na Secretaria da Presidência, e talvez não tenha tido tempo, ou interesse, de advertir o Presidente das previsíveis dificuldades que viriam do comportamento de auxiliares como P.C. Farias. Afastado do Planalto durante o mandato de Itamar, o Sr. Gilmar Mendes a ele retornou, como Advogado Geral da União de Fernando Henrique Cardoso. Com a aposentadoria do ministro Néri da Silveira, Fernando Henrique o levou ao Supremo. No mesmo dia em que foi sabatinado, o jurista Dalmo Dallari advertiu que, se Gilmar chegasse ao Supremo, estariam “correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional”. Pelo que estamos vendo, Dallari tinha toda a razão.
Gilmar, como advogado geral da União – e o fato é conhecido –, recomendara aos agentes do Poder Executivo não cumprirem determinadas ordens judiciais. Como alguém que não respeita as decisões da justiça pode integrar o mais alto tribunal do país? Basta isso para concluir que Fernando Henrique, ao nomear o Sr. Gilmar Mendes, demonstrou o seu desprezo pelo STF. O Supremo, pela maioria de seus membros, deveria ter o poder de veto em casos semelhantes.
Esse comportamento de desrespeito – vale lembrar – ocorreu também quando o Sr. Francisco Rezek renunciou ao cargo de Ministro do Supremo, a fim de se tornar Ministro de Relações Exteriores, e voltou ao alto tribunal, re-indicado pelo próprio Collor. O episódio, tal como a posterior indicação de Gilmar, trouxe constrangimento à República. Ressalve-se que os conhecimentos jurídicos de Rezek, na opinião dos especialistas, são muito maiores do que os de Gilmar. Mas se Rezek não servia como chanceler, por que deveria voltar ao cargo de juiz a que renunciara? São atos como esses, praticados pelo Poder Executivo, que atentam contra a soberania da Justiça, encarnada pelo alto tribunal.
A nação deve ignorar o esperneio do Sr. Gilmar Mendes. Ele busca a confusão, talvez com o propósito de desviar a atenção do país das revelações da CPI. O Congresso não se deve intimidar pela arrogância do Ministro, e levar a CPMI às últimas conseqüências; o STF deve julgar, como se espera, o processo conhecido como mensalão, como está previsto. Acima dos três personagens envolvidos na conversa estranha que só o Sr. Mendes confirma, lembremos o aviso latino, de que testis unus, testis nullus, está a Nação, em sua perenidade. Está o povo, em seus direitos. Está a República, em suas instituições.
O Sr. Gilmar Mendes não é o Supremo, ainda que dele faça parte. E se sua presença naquele tribunal for danosa à estabilidade republicana – sempre lembrando a forte advertência de Dallari – cabe ao Tribunal, em sua soberania, agir na defesa clara da Constituição, tomando todas as medidas exigidas. Para lembrar um autor alemão, Carl Schmitt, que Gilmar deve conhecer bem, soberano é aquele que pratica o ato necessário.

Via Láctea está em rota de colisão com Andrômeda, diz Nasa / eua

Choque deve ocorrer daqui 4 bilhões de anos a 1,9 km/h; Terra e o Sol sobreviverão

31 de maio de 2012 | 20h 38
Associated Press


Projeção da colisão das galáxias vista da Terra feita pela Nasa

A Via Láctea, galáxia onde está localizado o nosso Sistema Solar, está em franca rota de colisão com Andrômeda, uma galáxia vizinha, disseram nesta quinta-feira, 31, os astrônomos da Agência Espacial dos Estados Unidos, a Nasa.

Os astrônomos anunciaram as descobertas depois de analisar uma série de dados obtidos pela observação do telescópio Hubble. Eles identificaram o movimento de Andrômeda em direção à Via Láctea e acharam que haveria chances de que as galáxias apenas resvalassem uma na outra, mas após analisar a rota com o telescópio, descobriram que, de fato, haverá uma colisão frontal.

De acordo com os cientistas o Sol e a Terra conseguiriam sobreviver à colisão – que deve ocorrer com as galáxias se movimentando a 1,9 milhão de quilômetros por hora -, mas tanto o planeta quanto a estrela devem estar em um local diferente no espaço quando o choque acontecer.

GILMAR MENDES CONDENA WAGNER MOURA / brasilia.df

The piauí Herald

  • Gilmar Mendes condena Wagner Moura

    30/05/2012 19:02 | Categoria: Brasil


    Gilmar Mendes condena Wagner Moura

    Gilmar Mendes exigiu também que Wagner Moura fizesse trabalhos vocais forçados com Susana Vieira

    NAS FAVELAS, NO SENADO – Indignado com um falsete emitido por  Wagner Moura na interpretação de A Via Láctea, o ministro Gilmar Mendes, do STF, condenou o ator a fazer uma ponta em Malhação por 6 anos. “Os gângsters da MTV organizaram essa homenagem aos bandidos da Legião  Urbana com o claro intuito de desviar o foco do julgamento do mensalão”, vociferou, em si bemol.

    Ao se deparar com outro maneirismo vocal na canção Teorema, Gilmar Mendes perdeu o controle: “Maneirismo ignorante! Coisa de gente de gente burra, de uma nota só! Vamos parar com isso! Quem precisa disso!? Eu e a música popular brasileira não precisamos desses recursos para sobreviver”. A seguir, ainda exaltado, completou: “Esse show é uma orquestração do Lula com o setores radicais da MPB para desmoralizar o Supremo”.

    Ainda fora de si, o ministro balbuciou palavras desconexas em alemão, tais como “mensalonen”, “marmeladen”, “Demostenen und Ich”. “Era uma menção ao pacto com o Demo, no Fausto, de Goethe”, explicou depois o assessor para assuntos germânicos do STF.

    Socorrido com um copo de água benta, o ministro recobrou a consciência e perguntou “Que país é esse?”. Depois, bateu palmas e, ainda pálido, comentou: “Puxa, não tocaram Faroeste Cabloco‘. É a minha predileta!”

A “vacina” do doutor Gilmar – por eduardo guimarães / são paulo.sp

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estes você já sabe quem são! sempre juntos!

Fiquei sabendo da última da dupla Veja/Gilmar Mendes na tarde de sábado, durante o 3º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, que ocorreu no fim de Semana em Salvador. O assunto foi muito discutido pelos blogueiros. E caso alguém esteja chegando agora de Marte e não saiba do que se trata, aí vai um breve relato.

Veja publicou mais uma daquelas “denúncias” baseadas em grampos sem áudio e declarações sem provas. Parece até surpreendente pela ousadia, mas não é. Para falar a verdade, é tudo até bem banal.

Segundo a revista, Gilmar Mendes teria encontrado Lula “casualmente” no escritório de Nelson Jobim e, então, o ex-presidente teria tentado chantagear o ministro do STF para que “aliviasse” para os envolvidos no inquérito do mensalão, que será julgado proximamente. Teria ameaçado o magistrado com os indícios de envolvimento seu com Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira.

O colunista de O Globo Jorge Moreno, no mesmo sábado da chegada de Veja às bancas, fez contato com Jobim, que negou tudo. E, claro, esse colunista que vive pedindo desculpas públicas aos chefes por matérias que os desagradam conclui o relato do desmentido de Jobim bem ao estilo de O Globo, insinuando que “sentiu”, pela voz do entrevistado, que ele mentiu para encobrir Lula.

Em conversas com outros blogueiros em Salvador, especulamos muito sobre o que pode ter levado  Veja a publicar matéria tão fraca, apesar do suposto endosso de Mendes à acusação da revista. Particularmente, fiquei com a pulga atrás da orelha. Seria Veja tão idiota? Estaria tão “desesperada”, como muitos acham que está? Desespero algum. Veja faz essas coisas como se estivesse escovando os dentes.

Primeiro, não nos esqueçamos de uma coisa: a história do grampo sem áudio, protagonizada por Mendes e Demóstenes Torres, derrubou Paulo Lacerda, um dos policiais mais respeitados do país. Ou seja: uma história sem pé nem cabeça, que jamais foi provada, produziu uma das maiores injustiças da era Lula e uma longa investigação (inútil, porque não encontrou nada) da Polícia Federal.

Diante de fatos assim, percebemos que uma empresa de comunicação conseguiu manipular a República sem maior esforço. E por que? Simplesmente porque tinha uma autoridade do porte de um ministro do Supremo a respaldá-la. Assim, a investigação mostrou que jamais existiu grampo algum e tudo ficou por isso mesmo.

Ou seja: não chega a ser surpreendente o que acaba de acontecer.

Diante do desabamento iminente da história de Mendes/Veja, decorrente do desmentido de Jobim, as forças que a produziram saíram logo com um boato que estão fazendo circular na internet, de que o ministro do STF teria gravado a suposta tentativa de Lula de chantageá-lo.

Se existisse isso, teríamos que concluir que Lula enlouqueceu com o tratamento contra o câncer. Com tantos ministros do STF que nomeou, por que iria se preocupar em cometer um crime chantageando um adversário? Estamos falando de Lula, do homem que nomeou procuradores-gerais da República que atacaram seu grupo político sem dó nem piedade.

Então vamos lá: o que direi agora não é uma opinião, mas um fato que logo irá se comprovar. As gravações da Polícia Federal que geraram a CPI do Cachoeira envolvem Mendes até o pescoço. E não só a ele. Envolvem Veja, envolvem Globo (como mostra reportagem de Leandro Fortes na Carta Capital deste fim de semana) e outros grandes veículos. E junho será o mês dessas revelações.

Para que se tenha uma idéia, há dezenas de gigabites de gravações, vídeos e áudios da PF que ainda não foram transcritos, que estão em estado bruto, e que agora chegam à CPI. Fontes fidedignas garantem que o que existe ali é dinamite pura. Tanto que a Globo, segundo a Carta Capital, teria procurado Michel Temer para mandar um recado a Dilma: a mídia não pode ser investigada. Senão…

Senão o quê? O que a mídia poderia fazer além do que fez em 2005 e 2006, durante o escândalo do mensalão? Forjaria uma gravação que, após periciada e considerada falsa pelos peritos, a mídia diria não poder endossar ou negar como fez com a ficha policial falsa de Dilma que a Folha de São Paulo publicou na primeira página? Faria, sim.

O que vem agora, pois, é que é apenas opinião do blogueiro: a iniciativa da mídia e de Gilmar Mendes foi tentativa de criar uma vacina contra o que virá à tona, para que possam dizer que tudo decorre de “vingança” de Lula pela denúncia do ministro do STF e da revista contra si.

Veja a manipulação, leitor: o site Consultor Jurídico pediu ao ministro Celso de Melo, do STF, que analisasse a hipótese de Lula ter realmente feito o que Veja e Mendes dizem que fez. O que se esperaria que ele dissesse, que não haveria nada demais? Claro que não. Diria que, sendo verdade, seria um crime. E o que faz a mídia? Divulga a entrevista como se Melo estivesse condenando Lula, apesar de só estar falando sobre mera hipótese.

Manipulação pura e simples dos fatos pela mídia não é novidade para ninguém. E essa de agora é só mais uma, que servirá como estratégia diversionista, ou seja, para tirar o foco da CPI e intimidar seus membros.

Todavia, podem escrever aí: essa jogada só tornará inevitável a convocação de Policarpo Júnior ou até de Roberto Civita pela CPI. E mais: irá quebrar resistências da base governista, notadamente no PMDB, que, agora, foi diretamente atacado com a tentativa de colocarem Jobim e Lula no mesmo balaio.

A matéria da Veja enterrou de vez uma possibilidade que jamais existiu, de ser produzido um arreglo entre governo e oposição para a CPI terminar em pizza. E essa matéria é a prova definitiva de que a mídia e Mendes concluíram que o PT e aliados estavam dispostos a levar o processo até o fim. Por isso fizeram ataque desse porte.

‘Smartphone é acordo com o diabo’, diz super-hacker – por marco aurélio canônico / rio de janeiro.rj

Ele foi chamado de “a peste que envergonha as empresas para que corrijam falhas de segurança”, em perfil da revista “Wired”, e foi listado como um dos “dez manipuladores da internet” pela “PC World”, graças à influência de suas ações na rede.

O americano Christopher Soghoian, 30, construiu essa reputação –e uma carreira– denunciando brechas em sistemas de companhias, como Google, Facebook e AT&T, que levavam à exposição dos dados de seus usuários.

Ele virá pela primeira vez ao Brasil nesta semana para participar da conferência de direitos humanos e tecnologia RightsCon, que acontece nas próximas quinta e sexta, no Rio.

“MODELO TÓXICO”

Ele participará do painel “O Futuro do Modelo de Negócios On-line”, na sexta, às 11h45. Sua visão sobre o tema: o atual modelo de negócios na rede não combina com privacidade e, portanto, não deveria ter futuro.

Graeme Mitchell
Christopher Soghoian, 30, hacker que vem ao Brasil
Christopher Soghoian, 30, hacker que vem ao Brasil

“Esse modelo apoiado em publicidade, no qual recebemos serviços de graça em troca de nossos dados, é tóxico e fundamentalmente incompatível com a proteção da nossa privacidade”, diz Soghoian à Folha por telefone, de Washington, onde mora.

“Apesar de estarmos todos usando serviços gratuitos, é um mau negócio, e deveríamos considerar pagar por e-mails da mesma forma que pagamos por ligações.”

Com os usuários pagando, crê o americano, as empresas poderiam (se quisessem) deixar de armazenar dados privados, pois não precisariam mais deles para lucrar.

Com isso, deixariam de ser as fontes às quais os governos recorrem regularmente para vigiar seus cidadãos.

“Nossos dados pessoais estão cada vez mais nas mãos de empresas, e elas ajudam governos na vigilância. Seus papéis como facilitadoras não são bem conhecidos. Meu foco tem sido explorar e expor esse relacionamento.”

LEVE PARANOIA

Autor do blog Slight Paranoia (“leve paranoia”, em inglês; paranoia.dubfire.net), Soghoian se descreve como “basicamente um hippie”.

“É o que a maioria das pessoas pensa quando me vê. Sou vegetariano, tenho cabelo comprido, barba, me desloco de bicicleta e sou o único de camiseta e bermuda em todas as minhas reuniões.”

O interesse por aspectos legais da privacidade on-line emergiu em 2006, após ter a casa invadida pelo FBI -ele ensinara, num site, a driblar o controle de segurança nos aeroportos, com cartões de embarque falsos; queria expor a fragilidade do sistema. “Sempre tive problemas com autoridades. Não gosto que me digam o que fazer.”

Editoria de Arte/Folhapress

ESPIONAR É BARATO

Soghoian diz que a vigilância governamental ficou mais barata e eficiente com o avanço tecnológico e graças ao apoio das empresas privadas.

Até poucos anos atrás, ter um aparato de vigilância era complexo e caro, o que forçava o governo a limitar os alvos. Hoje, todo mundo pode ser alvo, porque é barato vigiar todos -afinal, boa parte de nós leva um “agente secreto” no próprio bolso: o smartphone.

“Eles são um acordo com o diabo. Ganhamos esses aparelhos extremamente convenientes, mas eles não trabalham em nosso benefício. Aplicativos podem vasculhar dados e enviá-los sem nos consultar. As empresas podem pedir para nossos telefones indicarem onde estamos. O smartphone é como um agente secreto do governo, pelo qual pagamos.”

Editoria de Arte/Folhapress

‘Documenta de Kassel’ tem quatro brasileiras; veja lista de artistas – por fabio cypriano / são apulo.sp

Vazou nesta quinta-feira (17) a lista de artistas mais esperada do ano: os 154 nomes selecionados para a 13ª Documenta de Kassel, programada para ser aberta no próximo dia 9 de junho.

A lista foi publicada no jornal alemão “Süddeutsche Zeitung”, quando a previsão era que a curadora da mostra, Carolyn Christov-Bakargiev, anunciasse os nomes selecionados apenas no dia 6.

Quatro artistas brasileiras foram escolhidas pela curadora: além de Anna Maria Maiolinno e Renata Lucas, nomes que a Folha já havia antecipado, as novidades são a paulista radicada em Berlim Maria Thereza Alves e a surrealista Maria Martins (1894-1973).

A presença de brasileira é representativa do restante da lista, com número significativo do que já foi chamado um dia de “sexo frágil”.

Alves participou, há dois anos, da 29ª Bienal de São Paulo com uma obra sobre a cultura do povo indígena Krenak, tema recorrente em suas obras. São muitos, aliás, os artistas da Documenta vistos na mais recente Bienal de São Paulo, entre eles o cineasta tailandês Apichatpong, o belga radicado no México Francis Alys, a dupla cubano norte-americana Jeniffer Allora & Guillermo Calzadilla, o norte-americano Jimmie Durhan, a espanhola Dora Garcia, o mexicano Mario Garcia Torres, e o albanês Anri Sala.

Com o longo título “The dance was very frenetic, lively, rattling, clanging, rolling, contorted and lasted for a long time” (em tradução livre a dança era muito frenética, viva, de chocalhar, tinir, rolar, contorcer e durou muito tempo), a exposição em Kassel irá apresentar ainda outros artistas com caráter histórico, caso da brasileira Maria Martins e dos também surrealistas Salvador Dali (1904-1989) e Man Ray (1890-1976).

Como o título já indica, alguns nomes da dança e da performance também foram elencados, como o coreógrafo francês Jerome Bel e o anglo-germânico Tino Sehgal, que chama suas performances de “situações construídas”.

Poucos são os nomes que podem ser considerados estelares, com exceção do próprio Dali e Man Ray. Entre eles, encontram-se o sul-africano Willian Kentridge e a alemã Rosemarie Trockel.

Uma das curiosidades da lista é atribuída a um artista anônimo: objetos destruídos pela guerra no Líbano.

A Documenta é considerada a mostra mais importante de arte contemporânea, com periodicidade de cinco anos. Em três semanas, a concretização desses nomes em diversos espaços de Kassel continuará a dar o que falar.

Mastrangelo Reino – 18.mar/Folhapress
A artista plástica Anna Maria Maiolino em exposição em Barcelona

LISTA DOS ARTISTAS (POR SOBRENOME)

A
Bani Abidi
Etel Adnan
Korbinian Aigner
Barmak Akram
Khadim Ali
Jeniffer Allora & Guillermo Calzadilla
Kai Althoff
Maria Thereza Alves
Francis Alys
Kanwar Amar
Ida Applebroog
Julietta Aranda & Anton Vidokle
Doug Ashford
Tarek Atoui
Kader Attia

B
Princess Bactrian
Nanni Balestrini
Amy Balkin
Massimo Bartolini
Thomas Bayrle
Jerome Bel
Gordon Bennett
Rosella Biscotti
Alighiero Boetti
Anna Boghiguian
Carol Bove
Andrea Bruno
Andrea Büttner
Gerard Byrne

C
Emily Carr
Mariana Castillo Deball
Paul Chan
Critical Art Ensemble
Abraham Cruzvillegas
Istvan Csakany
Attila Csörgö

D
Salvador Dali
Tacita Dean
Mark Dion
Thea Djordjadze
Willie Doherty
Song Dong
Trisha Donnelly
Sam Durant
Jimmie Durham

F
Guillermo Faivovich & Nicolas Goldberg
Geoffrey Farmer
Omer Fast
Lara Favaretto
Ceal Floyer
Liyn Foulkes
Chiara Fumai

G
Ryan Gander
Dora Garcia
Mario Garcia Torres
Theaster Gates
Mariam Ghani
Symrin Gill
Julio Gonzales

H
Fiona Hall
Donna Haraway
Susan Hiller
Horst Hoheisel
Pierre Huyghe
Sanja Ivekovic

J
Emily Jacir
Toril Johannessen
Joan Jonas
Brian Jungen

K
Robin Kahn
Hassan Khan
William Kentridge
Erkki Kurenniemi

L
Adriana Lara
Dinh Quang Le
Yan Lei
Gabriel Lester
David Link
Maria Loboda
Mark Lombardi
Renata Lucas
Marcos Lutyens

M
Goshka Macuga
Anna Maria Maiolino
Nalini Malani
Man Ray
Maria Martins
Fabio Mauri
Julie Mehretu
John Menick
Gustav Metzger
Lee Miller
Amanullah Mojadidi
Kyungwon Moon & Joonho Jeon
Gareth Moore
Rabih Mroue
Christian Phillipp Müller
Zanele Muholi

N
Vann Nath

O
Shinro Ohtake
Roman Ondak
Otolith Group

P
Christodoulos Panayiotou
Giuseppe Penone
Claire Pentecost
Susan Philipsz
Sopheap Pich
Lea Porsager
Michael Portnoy
Margret Preston
Seth Price
Ana Prvacki

R
Walid Raad
Michael Rakowitz
Araya Rasdjarmrearnsook
Doreen Reid Nakamarra
Pedro Reyes
Gunnar Richter
Stuart Ringholt
Ruth Robbins & Dixie Evans
Paul Ryan
Hannah Ryggen

S
Natascha Sadr Haghighian
Anri Sala
Seed Constellation Project
Albert Serra Juanda
Wael Shawky
Charlotte Salomon
Ines Schaber
Tino Sehgal
Albert Serra Juanola
Tejal Shah
Nedko Solakov
Alexandra Sukhareva

T
Mika Taanila
Javier Tellez
Aase Texmon Rygh
Alexander Tarakhovsky
Warwick Thornton
Rosemarie Trockel

V
Rojas Adrian Villar
Jeronimo Voss

W
Tjapaltjarri Warlimpirringa
Jessica Warboys
Lori Waxman
Clemens Wedemeyer
Apichatpong Weerasethakul
Lawrence Weiner

Y
Haegue Yang

Z
Akram Zaatari
Anton Zeilinger
Konrad Zuse

Anônimo
Destroyed objects damaged during Lebanese

.

FABIO CYPRIANO
CRÍTICO DA FOLHA

VEJA e GILMAR MENDES criam “outro” encontro com o EX – PRESIDENTE LULA e NELSON JOBIM desmascara a farsa. O desespero das “forças OCULTAS” com ascensão de DILMA e a permanente liderança de LULA provocam situações, antes, inimagináveis.

Um Ministro do STF não pode permanecer no cargo depois de ser “flagrado” em conluio com a revista “veja”. É inadmissível para a sociedade brasileira um ministro que chegue ao ponto de CRIAR mentiras escabrosas contra um ex presidente da república.  A  revista “veja” trata o marginal “cachoeira” de EMPRESÁRIO, o ex presidente de “molusco” e a presidente da república de “assaltante”, você imagina  por que?

leia o FATO divulgado pela  revista “veja”:

“Jobim nega pressão de Lula sobre STF para adiar julgamento do mensalão

Ex-presidente teria se encontrado com Gilmar Mendes no escritório do ex-ministro da Defesa, segundo ‘Veja’

AEstado

O ex-ministro da Defesa Nelson Jobim negou hoje que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenha pressionado o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a adiar o julgamento do mensalão, usando como moeda de troca a CPI do Cachoeira.

Reportagem da revista Veja publicada neste sábado relata um encontro de Lula com Gilmar no escritório de advocacia de Jobim, em Brasília, no qual o ex-presidente teria dito que o julgamento em 2012 é “inconveniente” e oferecido ao ministro proteção na CPI, de maioria governista. Gilmar tem relações estreitas com o senador Demóstenes Torres (sem partido, GO), acusado de envolvimento com a quadrilha do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

“O quê? De forma nenhuma, não se falou nada disso”, reagiu Jobim, questionado peloEstado. “O Lula fez uma visita para mim, o Gilmar estava lá. Não houve conversa sobre o mensalão”, reiterou.

Segundo a revista, Gilmar confirmou o teor dos diálogos e se disse “perplexo” com as “insinuações” do ex-presidente. Lula teria perguntado a ele sobre uma viagem a Berlim, aludindo a boatos sobre um encontro do ministro do STF com Demóstenes da capital alemã, supostamente pago por Cachoeira.

Ele teria manifestado preocupação com o ministro Ricardo Lewandowski, que deve encerrar o voto revisor do mensalão em junho; e adiantado que acionaria o presidente da Comissão de Ética Pública da Presidência, Sepúlveda Pertence, ligado à ministra do STF Carmen Lúcia, para que ala apoiasse a estratégia de adiar o julgamento para 2013.

Jobim disse, sem entrar em detalhes, que na conversa foram tratadas apenas questões “genéricas”, “institucionais”. E que em nenhum momento Gilmar e o ex-presidente estiveram sozinhos ou falaram na cozinha do escritório, como relatou Veja. “Tomamos um café na minha sala. O tempo todo foi dentro da minha sala, o Lula saiu antes, durante todo o tempo nós ficamos juntos”, assegurou.

Questionado se o ministro do STF mentiu sobre a conversa, Jobim respondeu: “Não poderia emitir juízo sobre o que o Gilmar fez ou deixou de fazer”.

Procurado pelo Estado, Pertence negou ter sido acionado para que intercedesse junto a Carmen Lúcia: “Não fui procurado e não creio que o ex-presidente Lula pretendesse falar alguma coisa comigo a esse respeito”.”

Quem tem medo de Dalton Trevisan? – por joão cezar de castro rocha / rio de janeiro.rj

Anunciado esta semana como vencedor do Prêmio Camões, o autor paranaense consagrou uma galeria de personagens exemplarmente medíocres, sob o coerente signo da concisão

 


Caricatura do escritor Dalton Trevisan - Loredano
Loredano
Caricatura do escritor Dalton Trevisan

Dalton Trevisan (1925) é autor de uma das obras mais originais da literatura brasileira. Com sabor de paradoxo, es,sa originalidade foi conquistada através da recorrência obsessiva de temas, de personagens, de situações e de uma fidelidade quase perfeita à forma do conto – em sua extensa obra, a exceção é o romance A Polaquinha (1985).

Acrescente-se uma habilidade incomum para ampliar os efeitos linguísticos de seus textos a partir da redução aparentemente contraditória do universo das palavras, além do emprego deliberado de chavões. O resultado é uma estética da contenção; aliás, no duplo sentido da palavra: conciso e agônico.

O vampiro de Curitiba é um jogador de xadrez que sempre lança mão de idêntica abertura de jogo e adota um único sistema defensivo, porém nunca repete o xeque-mate! Detalhe relevante, porque ele costuma vencer suas partidas.

Recordemos a trajetória fundamental do autor de Cemitério dos Elefantes (1964).

Com sabor de paródia, Quem Tem Medo de Vampiro?, reunido em Dinorá (1994), talvez seja um ponto de partida conveniente. Pelo avesso, o conto oferece um retrato da literatura (e mesmo de aspectos da biografia) de Dalton Trevisan. O texto incorpora satiricamente as ressalvas mais comuns feitas a seu estilo, transformando em matéria ficcional a incompreensão de certos críticos. Leia-se a abertura:

“Há que de anos escreve ele o mesmo conto? Com pequenas variações, sempre o único João e a sua bendita Maria. Peru bêbado que, no círculo de giz, repete sem arte nem graça os passinhos iguais. Falta-lhe imaginação até para mudar o nome dos personagens. Aqui o eterno João: ‘Conhece que está morta’. Ali a famosa Maria: ‘Você me paga, bandido.’”

O retorno de personagens em narrativas do mesmo autor não é exatamente novidade e nem precisamos mencionar a Honoré de Balzac. Por exemplo, Quincas Borba surge como personagem em Memórias Póstumas de Brás Cubas e posteriormente volta no romance homônimo.

Contudo, Dalton Trevisan vira o recurso de ponta-cabeça. Nos casos de Balzac e Machado, os personagens que retornam são tipos excepcionais. Na literatura de Trevisan, “João” e “Maria” retornam precisamente por não possuírem traços singulares.

Ora, se a galeria de personagens é escolhida por ser exemplarmente medíocre, mesmo banal, a linguagem que os define não pode ser exuberante, muito menos barroca. A repetição, tornada método de escrita, exige uma linguagem sistematicamente esvaziada, quase anônima.

Retorne-se ao conto. De novo, pelo avesso, o autor explicita seu projeto linguístico e temático:

“Quem leu um conto já viu todos. Se leu o primeiro pode antecipar o último – bem antes que o autor. (…) Mais de oitenta palavras não tem o seu pobre vocabulário. O ritmo da frase, tão monótona quanto o único tema, não é binário nem ternário, simplesmente primário. Reduzida ao sujeito sem objeto, carece até de predicado – todos os predicados. Presume de erótico e repete situações da mais grosseira pornografia. No eterno sofá vermelho (de sangue?) a última virgem louca aos loucos beijos com o maior tarado de Curitiba. (…)”

Naturalmente, o leitor deve inverter o sentido das afirmações, a fim de avaliar a superioridade dessa concepção de literatura, compreendendo na repetição metódica a diferença almejada por Trevisan.

Escassez não é obrigatoriamente sinônimo de precariedade. Afinal, se literatura é a arte combinatória do propriamente humano, 80 palavras permitem a reinvenção infinita de um núcleo restrito de histórias. Isso para não mencionar os jogos literários que Trevisan inclui com sutileza no “único” conto que reescreve sem parar.

Entre 1946 e 1948, ele foi editor de importante revista, que assim definiu: “O movimento de renovação inventado por Joaquim não tem ambições modernistas: tem ambições modernas.” Por isso, no seu conto, menos é sempre mais. Esteta da concisão, Trevisan vislumbra no conto a possibilidade de um haicai narrativo.

Leia-se, então, O Vampiro de Curitiba, publicado no livro homônimo, saído em 1965. O texto apresenta um personagem-síntese das obsessões do autor: “Nelsinho, o Delicado”, definido com poucas, mas definitivas pinceladas: “Pobre rapaz na danação dos vinte anos.” O nome do personagem não deixa de trazer à baila o universo de Nelson Rodrigues. Ademais, o conto alude à linguagem bíblica, à obra de Machado de Assis, à poesia de Carlos Drummond de Andrade:

“Olhe as filhas da cidade, como elas crescem: não trabalham nem fiam, bem que estão gordinhas. Essa é uma das lascivas que gostam de se coçar. Ouça o risco da unha na meia de seda (…).”

A breve menção à passagem bíblica, acerca da beleza espontânea dos lírios do campo, amplifica o efeito de dessacralização provocado pela sequência imediata: “bem que estão gordinhas”!

De igual modo, na sua peregrinação, o vampiro Nelsinho, na urgência típica dos 20 anos, flerta não apenas com mulheres as mais diversas, mas também com a literatura.

Recorde-se outra passagem do conto:

“Cedo a casadinha vai às compras. (…) Ó bracinho nu e rechonchudo – se não quer por que mostra em vez de esconder? -, com uma agulha desenho tatuagem obscena. Tem piedade, Senhor, são tantas, eu tão sozinho.”

Malicioso, o narrador pisca um olho para Machado de Assis, na alusão a Uns Braços. Nesse conto, Inácio, um rapaz de 15 anos, não resiste à visão dos braços nus de D. Severina, “belos e cheios, em harmonia com a dona, que era antes grossa que fina”.

Ao mesmo tempo, o narrador enfrenta dilema semelhante ao impasse do poeta drummondiano. Leiam-se os versos iniciais de O Lutador: “Lutar com palavras / é a luta mais vã. / Entanto lutamos / mal rompe a manhã. São muitas, eu pouco (…).” Basta substituir “palavras” por “mulheres”, e Nelsinho, o Delicado, não hesitaria em se engajar na porfia.

O trânsito entre repetição, esvaziamento da linguagem e jogos literários se encontra no título do primeiro livro de Dalton Trevisan – isto é, o primeiro reconhecido, pois ele renegou suas publicações anteriores. Refiro-me a Novelas Nada Exemplares (1959), cuja menção a Miguel de Cervantes não passou incólume.

Otto Maria Carpeaux reagiu com ambiguidade ao livro, que obteve o Prêmio Jabuti. No calor da hora, ele se viu compelido a ressalvar: “A pretensão inédita desse título parece desafio à crítica.” A resenha não é exatamente favorável, mas tem o mérito de assinalar os eixos da literatura do autor de A Guerra Conjugal (1969) – aliás, adaptado para o cinema por Joaquim Pedro de Andrade.

No juízo de Carpeaux: “Os acontecimentos nas novelas de Cervantes criam nos personagens um estado de alma próprio ‘para el hombre salvarse’. Nas novelas nada exemplares do Sr. Dalton Trevisan, os acontecimentos criam nos personagens um estado de alma para o homem perder-se.”

Sem dúvida.

A não ser que esse homem seja leitor de Dalton Trevisan.

Nesse caso, ele intui que a esperança de salvação ou o temor da condenação pouco importam ao vampiro (que todos nós somos).

E não apenas em Curitiba.

JOÃO CEZAR DE CASTRO ROCHA É PROFESSOR DE LITERATURA COMENTADA DA UERJ

POEMA I – de joanna andrade / miami.usa

Vou deixar de lado todos os afagos e me converter

Aos  valores  de  uma bolsa de couro de crocodilo

calças de marcas salientes

chemisie de seda pura Channel

calçadas com minhas marcas em unhas compridas pintadas de vermelho carmim

e para arrematar um cadillac rabo- de- peixe cor de rosa claro para eu me arrefecer

com meus óculos retro  Gucci

e lenços coloridos  deixando ao vento  um rastro de charme misturado com bobagem

Sim, vou  sair  em busca do real que me convem

As maçanetas de minhas portas serão de ouro amarelo 24k

Minhas cadeiras ,de pele de algum animal em extinção

As mesas de Madeira de lei

E as ordens todas serão  dadas por mim

Com argolas no pescoço manterei  ereta a distinção do rei

Toda vez que o vento passar  eu me estirarei mais em minha cor esbraquiçada

Minha existência  será prolongada pelo poder

Mais sentimentos  ordinários, os quais medíocres e me matam de prazer

E a verve a qual me serve será convertida em oração

o  corpo em atração

a  alma em negação

Assim ,em um momento …………

cabo anselmo: por unanimidade, comissão nega indenização ao TRAIDOR DUPLO

Atuação do ex-militar em casos de tortura inviabiliza reparação, na avaliação dos conselheiros; julgamento foi o primeiro caso de pedido feito por agente duplo

22 de maio de 2012 | 20h 10
Leonêncio Nossa, da Agência Estado

BRASÍLIA – A Comissão de Anistia negou nesta terça-feira, 22, por unanimidade pedido de indenização de José Anselmo dos Santos, 70 anos, que entrou para a história do Brasil como Cabo Anselmo, protagonista de uma revolta de marinheiros dias antes do golpe contra o presidente João Goulart e, depois, participante de reuniões de militantes de esquerda e agente duplo da repressão contra ex-colegas de farda e perseguidos políticos.


Cabo Anselmo durante gravação do programa Roda Viva, exibido no ano passado - JF Diório/AE
JF Diório/AE
Cabo Anselmo durante gravação do programa Roda Viva, exibido no ano passado

 

Em reunião que começou à tarde e se estendeu até o início da noite, Nilmário Miranda, relator do processo do ex-militar, afirmou em seu voto que Cabo Anselmo tornou-se parte “explícita” do regime militar, atuando em ações que resultaram na tortura e na morte de adversários da ditadura, em especial a própria companheira, Soledad Barret Viedma. Nilmário Miranda sustentou a versão de que Cabo Anselmo já era agente duplo nas agitações na Marinha nos primeiros meses de 1964. Uma das versões mais difundidas é a de que ele teria se tornado aliado do regime a partir de 1971, quando foi preso.

O presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, ressaltou que o fato de Cabo Anselmo passar a atuar como um agente repressor inviabilizava, constitucionalmente, a reparação. A concessão da anistia, na avaliação de Abrão, não se deveria aplicar ao caso do agente duplo. “Abrir um precedente de uma anistia para um agente repressor é distorcer o instituto da reparação e os preceitos dos Estado democrático de direito”, afirmou.

Durante o encontro, Genivalda Melo da Silva fez um relato sobre a morte do marido, o ex-marinheiro José Manoel da Silva, uma das vítimas do massacre do sítio São Bento, em Abreu e Lima, Pernambuco, nos anos 1970. Num depoimento emocionado, ela acusou Anselmo de entregar José Manoel à repressão. “Eu perdoo de todo coração a ditadura, mas conceder anistia a Cabo Anselmo será uma vergonha para o País”, disse.

Genivalda emocionou os 12 integrantes da comissão e a plateia ao relatar que torturada e violentada sexualmente por agentes da repressão logo após a morte do marido. Ela lamentou que Cabo Anselmo não estava presente. O advogado dele, Juliano Brandi, tentou convencer a comissão de que o seu cliente foi obrigado a virar agente duplo.

Na reunião desta terça, os integrantes da Comissão de Anistia aprovaram a condição de anistiado e o pedido de pagamento de indenização de Ana Lúcia Valença de Santana Oliveira, que receberá um valor único de R$ 100 mil, e Anivaldo Pereira Padilha, que receberá uma parcela de R$ 229 mil e um benefício mensal de R$ 2.484. Anivaldo é pai do atual ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Robin Gibb (Bee Gees) Words (1968) Death 20.05.2012 – relembrando

UM clique no centro do vídeo:

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DIÁRIO DA PROVYNCIA II – por olsen jr /rio negrinho.sc


  

A INFÂNCIA QUE NOS PERSEGUE

 

Já está virando moda por aqui. Lugares públicos tocando discos de vinil. Pode ser bizarro num primeiro momento, mas é um diferencial. Sei disso porque não abri mão dos meus discos, tenho dois aparelhos para tocá-los e estou namorando um terceiro que vi em um antiquário.

O “Canto do Noel” é um boteco situado na Rua Tiradentes, no centro de
Florianópolis, onde funcionava o “Pettit” e que volta a ser um ponto de intelectuais que resolveram dar um tempo no disque-me-disque do Mercado Público com o seu cheiro de peixe característico e os pedintes e bordejadores de sempre. Pois é, o “Canto do Noel” tem produzido alguns diferenciais, um deles é este, precisamente, você ouve grandes intérpretes nacionais, começando logicamente pelo que empresta o nome ao local, em discos de vinil, claro tem outros compositores brasileiros de qualidade, mas também a história ou parte dela é mantida com as imagens, fotografias, recortes de jornal emoldurados e dispostos nas paredes criando verdadeiros nichos de saudades onde se vê como essa cidade era bonita. Desde o casario antigo até uma população que parecia mais romântica e pacata. O fotógrafo Édio Melo certamente tem muito a ver com todo aquele acervo.

Parte da memória da cidade está ali naquelas paredes zelosamente guardada pelo carinho dos novos proprietários Edson e Sônia. O Rio de Janeiro e Florianópolis irmanadas por reminiscências, composições musicais, talentos e o que cada um dos clientes acrescenta com a própria experiência.

No Empório Mineiro no Boulevard da Lagoa da Conceição, outro lugar aconchegante, vejo o disco de vinil rodando no toca-disco de cor alaranjada onde o poeta Vinicius de Moraes e o violonista Toquinho acabam de cantar “Meu Pai Oxalá” que tinha sido uma das músicas da trilha sonora da novela “O Bem Amado”…

O disco terminou e continuou girando, a agulha acompanhava as voltas do vinil naquela faixa neutra que não tinha nada gravado nela e somente se ouvia o rodar do acetato. Ao invés de ir até lá e erguer a agulha, trocar o disco ou quem sabe por o mesmo para tocar novamente, fiquei observando o brilho da luz refletido no vinil rodando ali na minha frente e logo aquele aparelho é substituído pela eletrola lá de casa, em Chapecó quando os discos caiam um a um após tocarem naquele pino automático onde estavam empilhados (até cinco recomendavam os especialistas, para não arranharem uns com os outros)… E já não era mais o Vinicius de Moraes e sim o Billy Vaughn tocando “Look for a Star”.    Composta por Buzz Cason, nascido em Nashville (Tennessee) e que passou a assinar com o psudônimo de Garry Miles e, em 1960 compôs a música que o consagraria.

“Look For a Star” que, aliás, está completando em 2010, 50 anos, era uma das preferidas da minha mãe. Também andei assobiando uma versão interpretada pelo Roberto Carlos “… Duas noites são teus lindos olhos, onde estrelas estão a brilhar, que ternura olhar mil estrelas, em teu olhar”…

Outro dia assisti ao filme “Circus of Horrors” e a trilha sonora era Look for a Star na composição original de Garry Miles, e viajei novamente ouvindo aquilo associado a minha infância enquanto lia um dos 30 volumes da obra do Karl May, naquela edição encadernada da Ed. Globo de Porto Alegre e que vinha em caixas retratando em maravilhosos bicos de pena os personagens e o mundo criado pela mente prodigiosa do escritor alemão que marcou a minha juventude (minha, do Fernando Sabino, do Rubem Braga e Paulo Mendes Campos, entre outros)…

Num dos filmes do Harry Potter, a música Look for a Star também aparece de fundo, está muito impregnada na minha infância e parece que de muito mais gente…

Em fração de segundos lembro de tudo isso enquanto observo ainda o disco de vinil ali sem que ninguém tome uma providência, acredito que foram aquelas faixas girando que me transportaram, como uma máquina do tempo…

Alguém passou em frente e cortou o meu fluxo de pensamentos, mas ainda tive a sensação de ver por ali, a minha mãe com um pano tirando o pó de cima do móvel e afirmando que gostava muito daquela música!

 

 

NOTAS:

 

 

Não faço ideia o que seria a música brasileira sem o Noel Rosa (1910-1937)…

Nascido em Vila Isabel, aprendeu a tocar bandolim de ouvido, mas logo passou para o violão…

Abandonou a Faculdade de Medicina porque acreditou que a música era a “sua” vocação…

Conseguiu legitimar o samba de morro fazendo uma ligação entre a classe média e o rádio…

O primeiro sucesso veio com a composição “Com que roupa” em 1930, produto de uma situação inusitada, sua mãe havia escondido suas roupas para tentar impedi-lo de sair para outra noite de boemia…  E ele exclamou “com que roupa que eu vou?” criando a partir daí um samba que está mais vivo do que nunca…

“Conversa de Botequim” é outro de seus muitos sucessos…

http://www.youtube.com/watch?v=in9W6vHyI5k&feature=related

 

Noel Rosa morreu aos 26 anos com tuberculose…

 

OLSEN JR  é membro da ACADEMIA CATARINENSE DE LETRAS.

 

Eternamente Yolanda – por otaciel de oliveira melo / fortaleza.ce


Os dois se encontraram num desses lugares barulhentos, uma mistura de bar, restaurante e lanchonete com comidas e bebidas para todos os gostos e bolsos. Num desses lugares com vários televisores ligados em canais diferentes e música ao vivo ao mesmo tempo. Não era possível ouvir o que o outro dizia, ainda que os dois estivessem sentados numa pequena mesa encostada a uma parede e seus rostos se encontrassem a menos de 30 cm de distância. O barulho era ensurdecedor, mas eles não precisavam falar absolutamente nada para descreverem o que estavam sentindo um pelo outro naquele pedaçinho de inferno: seus olhares os traiam.

Num ”palco” mal iluminado, dois jovens imitavam uma dessas duplas sertanejas que tanto irritam nossos ouvidos com letras de músicas que rimam amor com dor, tristeza com frieza, transar com amar, saudade com felicidade e paixão com solidão. Era preciso apurar bastante os sentidos para perceber que naquele momento eles estavam tentando cantar algo que no burburinho de tantas vozes podia ser percebido como “é o horror, que mexe com minha cabeça e me deixa doidinho, que faz eu pensar que você é um grande monstrinho, que faz eu esquecer
que a vida é feita pra morrer”.  Em suma, aquele era um ótimo lugar para alguém pensar em suicídio pela primeira vez na vida.

Mas foi amor à primeira vista e logo Carlos e Do Carmo estavam apaixonadíssimos um pelo outro e continuaram a curtir intensamente as noites recifenses. Mas depois de algumas semanas de namoro, Do Carmo observou que o Carlos tinha sempre preferência por barzinhos vagabundos, semelhantes ao primeiro onde se encontraram, embora tivesse um poder aquisitivo de um funcionário concursado de um grande banco estatal, o que lhe permitia frequentar ambientes mais sofisticados e tomar de vez em quando um bom uísque ou uma cerveja importada. Do Carmo era dentista e, como colaborava com as despesas, inclusive com as dos encontros eventuais em motéis, passou a conduzir o namorado a barzinhos mais limpos e saudáveis. O Carlos gostou da orientação da namorada, mas impôs uma condição: “nós nunca iremos a barzinhos e restaurantes com música ao vivo; eles são muito barulhentos, cobram couverts artísticos muito caros e as músicas são quase sempre as mesmas.

Do Carmo, que também se chamava Yolanda, estranhou a exigência do namorado, mas logo esqueceu o local barulhento e com música ao vivo do primeiro encontro. E o namoro prosseguiu às mil maravilhas.

No contato com os amigos, o casal era pródigo em frases e lugares comuns para descrever o que sentia um pelo outro, tais como “eu e a Do Carmo somos a corda e a caneca; sem ela eu não sei como estaria minha vida; estou arriado os quatro pneus.” Já Do Carmo se inspirava nas novelas da Globo para expressar seus sentimentos:   “Carlos é minha alma gêmea; o amor é lindo; nascemos um para o outro; nosso amor é para sempre”.

O relacionamento foi se intensificando até que um dia Carlos aceitou o convite para conhecer os pais da Do Carmo. E no domingo escolhido, sogro, sogra, irmã caçula e amigos da família  da Yolanda estavam  reunidos e receberam o casal com um churrasco à beira de uma piscina de um condomínio de luxo situado em Boa Viagem, zona sul do Recife. Durante o churrasco, a sogra do Carlos, a Ivone, que era psicóloga, estranhou o fato do namorado da filha nunca tratá-la por Yolanda Maria do Carmo Rebouças (seu nome completo), ou pelo menos por Yolanda, mas sempre por Do Carmo.  Observou também o desespero do Carlos ao tentar, mas sem sucesso, lembrar o primeiro nome da filha. E concluiu como uma profissional experiente: “tem alguma coisa errada com a cabeça desse meu futuro genro”.

Durante a semana Ivone ligou para a filha e comentou o fato. Perguntou a Yolanda sobre o comportamento do namorado e ela disse que o Carlos era bacana, sempre muito educado, nunca tinha brochado (se era isso que a mãe queria saber), e que os dois estavam pensando em casamento. Mas reconheceu que ele nunca a havia tratada pelo seu primeiro nome.

Então Ivone sugeriu à filha que levasse Carlos a um psicólogo para descobrir o porquê desse lapso recorrente de memória.

Ato contínuo, Yolanda ligou para Carlos e perguntou:

– Alô, Carlos?

– Sim, é ele.

– Meu amor, você já decorou o meu nome por inteiro?

Do outro lado da linha, silêncio absoluto.

– Carlos, você está me ouvindo?

-Sim, estou Do Carmo.

– Então diga como é o meu primeiro nome.

– Do Carmo, por quê?

– Não, meu querido. Meu primeiro nome não é Do Carmo, mas sim Yolanda. Repita: Yolanda.

Silêncio absoluto. E a dentista complementou:

– Precisamos conversar urgentemente.

À noite daquela quarta-feira os dois se encontraram num barzinho em Piedade onde uma dose de uísque Red Lable custava R$ 20,00 (este era o preço a pagar pelo som do silêncio) e a Yolanda, ou melhor, Do Carmo, abriu o jogo: “meu tesão, você tem um parafuso frouxo na cabeça e precisamos arrochá-lo antes de nos  casarmos. Que diabo acontece com você que não consegue pronunciar o meu primeiro nome? Eu já marquei com uma amiga da minha mãe, que é também psicóloga, uma consulta para a próxima segunda-feira. Vamos juntos e não me decepcione: responda tudo que a Doutora Irene lhe perguntar”.

O consultório da Dra. Irene era um luxo. O ar condicionado propiciava uma temperatura tão agradável que fazia lembrar os motéis que o casal frequentava na capital pernambucana, e os dois tiveram vontade de fazer amor ali mesmo, no sofá divã da Psicóloga, e na frente da mesma. Foi com muito sacrifício que se contiveram.

Deitado sozinho naquele sofá cama, longo, estreito e reclinável, Carlos começou a falar de sua vida pregressa. Não tinha sido fácil a sua caminhada rumo ao banco estatal. Já havia trabalhado de garçom, de vendedor de rosas em casas noturnas, de leão de chácara, de gerente de inferninhos e foi com muito sacrifício que havia terminado um Curso de Direito da FGV Online e milagrosamente tinha passado no teste da OAB. Mas agora a vida era outra e ele procurava esquecer as coisas ruins do passado.

A Doutora Irene notou que faltava alguma referência a algum tipo de atividade que o Carlos havia detestado.

– Pense em mais alguma coisa – solicitou gentilmente ao paciente.

Mas a primeira consulta acabou sem muito progresso.

Conversando com a namorada durante a semana, Carlos Antônio Figueira de Mello começou a ficar mais leve, mais receptivo a ideia de uma segunda visita a Dra. Irene, porque, como dizia Yolanda, “nos tempos em que nós vivemos todas as pessoas são loucas e de vez em quando elas precisam de um profissional da alma humana para se reequilibrar”. Na realidade o que a Yolanda estava querendo dizer é que ninguém quer ser louco sozinho. Já o Carlos pensava de maneira diferente: para ele loucos eram sempre os outros.

E foi na segunda consulta que Carlos tocou num assunto que, segundo a psicóloga, seu inconsciente reprimia e o fazia esquecer o primeiro nome de sua querida namorada: Carlos já havia tocado violão e cantado em barzinhos.

Então a Dra. Irene perguntou:

– Qual foi a música que você, Carlos, mais tocou e cantou em toda sua vida na qualidade de músico de barzinhos?

Diante desta pergunta o Carlos começou a transpirar como um urso polar em clima tropical e começou a passar mal. Suas mãos tremiam como as de um diabético numa crise de hipoglicemia, sua voz ficou embargada, seus olhos arregalados e sua boca seca. Seu corpo por inteiro tremia como que arrebatado por um espírito maligno. E a Dra. Irene percebeu que estava no caminho certo e insistiu na pergunta.

– Qual foi a música que você, Carlos, mais tocou e cantou em toda sua vida na qualidade de músico de barzinhos?

E Carlos, num esforço sobre-humano e tropeçando nas sílabas, respondeu:  “gigo-lân-dia”.

– Carlos, ninguém conhece essa tal de “gigo-lân-dia”. Vou reformular a pergunta: por que você deixou de se apresentar em barzinhos?

– Porque as pessoas pediam para eu tocar 10 a 15 vezes uma determinada música numa mesma noite. Quando foi um dia eu estava no palco e quando alguém me pediu para cantá-la eu comecei a me tremer feito uma vara verde. Meus dedos não obedeciam ao meu comando e eu não conseguia tirar mais nenhum acorde do violão. Comecei a gritar bem alto e fui levado às pressas para um hospital psiquiátrico onde me aplicaram uma injeção cavalar de gardenal. Para completar, eu perdi o meu emprego e a partir daquele momento eu passei a sofrer um bloqueio sistemático de memória todas às vezes que tento me lembrar do nome da referida música. Como a senhora explica esta situação?

–  Bem, não é difícil compreender o ocorrido. Você adquiriu uma profunda ojeriza a esta música por que a executou centenas, talvez milhares de vezes. O nome da música é Yolanda, por acaso o nome da sua namorada. A música é bonita, é de Chico Buarque de Holanda, mas quando executada ou ouvida por muitas vezes pode levar o executor ou o ouvinte à loucura.  Como músico de barzinho, talvez você tenha tocado mais ‘Yolanda’ do que ‘parabéns pra você’. Portanto, está explicado o seu trauma e esta sua profunda rejeição a esta música. Agora, você precisa voltar a pronunciá-la corretamente de maneira a tratar sua futura mulher pelo seu primeiro nome. Vamos tentar mais uma vez. Diga Yolanda.

– Irgovânia.

– Está melhorando. Mas talvez você precise de mais umas vinte consultas para voltar a pronunciar de alto e bom som YOLANDA.

NELSON CAVAQUINHO já dizia…

 

Sei que amanhã
Quando eu morrer
Os meus amigos vão dizer
Que eu tinha um bom coração
Alguns até hão de chorar
E querer me homenagear
Fazendo de ouro um violão
Mas depois que o tempo passar
Sei que ninguém vai se lembrar
Que eu fui embora
Por isso é que eu penso assim
Se alguém quiser fazer por mim
Que faça agora.
Me dê as flores em vida
O carinho, a mão amiga,
Para aliviar meus ais.
Depois que eu me chamar saudade
Não preciso de vaidade
Quero preces e nada mais

 

E se os DEMOSTUCANOS estivessem no comando da nação? o terror estaria implantado na economia!

E SE ELES AINDA ESTIVESSEM NO COMANDO?

Em 31 de agosto do ano passado, o governo Dilma, ancorado numa percepção correta de agravamento do quadro mundial, cortou a taxa de juro pela primeira vez em seu mandato. O dispositivo midiático-tucano reagiu entre ‘indignado e estupefato’, como disse então o economista Luiz Gonzaga Belluzzo em debate promovido por Carta Maior. Um mês depois, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ecoava as avaliações dos think tanks demotucanos, a exemplo da Casa das Garças, e dizia ao jornal Valor Econômico que considerava a decisão do BC ‘precipitada’. Expoentes menores mas igualmente aplicados na defesa dos mercados autorreguláveis, como o economista de banco Alexandre Schwartzman, já haviam se manifestado na mesma linha da abalizada percepção tucana das coisas. Em sua douta análise dos fatos, veiculada em 4-09-2011, Alexandre Schwartzman, também conhecido como ‘o professor de Deus’ pontificava em pedra e cal:” não há indícios de que a crise econômica global de 2011 seja tão grave quanto a de 2008″. Outros sábios de bico longo e o mesmo olhar de lince, como Luis Carlos Mendonça de Barros, o Mendonção, ex-presidente do BNDES e expoente das privatizações no sistema de comunicações, advertiam então que o BC brasileiro ficara refém de um agravamento da crise mundial que justificasse a sua decisão.” “O BC passou a torcer pela crise”, diziam, argüindo a estratégia brasileira de priorizar o enfrentamento da crise ao combate à inflação. As linhas acima recuperam uma nota publicada em Carta Maior em 11-11-2011. Seis meses depois, alguns milhares de desempregados à mais e quase uma Grécia a menos no euro, o governo brasileiro –corretamente– anuncia nesta 2ª feira novas medidas contracíclicas para afrontar a  caleidoscópica reprodução da crise financeira mundial  –que a sapiência demotucana avaliava como miragem heterodoxa. É forçoso arguir: e se eles ainda estivessem no comando da Nação?

(Carta Maior; 2ª feira/21/05/2012)

DALTON TREVISAN vence o PRÊMIO CAMÕES (português)

Escritor brasileiro vence Prêmio Camões

 

O escritor brasileiro Dalton Trevisan, 86, foi anunciado o vencedor da 24ª edição do Prêmio Camões nesta segunda-feira (21), em Lisboa. A premiação, criada em 1988 por Brasil e Portugal, é o principal reconhecimento da literatura em língua portuguesa.

O júri, formado por seis representantes de Portugal, Brasil, Moçambique e Angola, reuniu-se nesta manhã para eleger o ganhador. Dalton Trevisan foi premiado por sua “dedicação ao fazer literário”, segundo o escritor Silviano Santiago, um dos integrantes do júri.

“A escolha de Dalton Trevisan foi unânime. Houve uma discussão maravilhosa entre os membros do júri de cerca de duas horas e depois chegamos a essa decisão consensual”, afirmou Santiago em nota divulgada pela Fundação Biblioteca Nacional, responsável pelo prêmio no Brasil. “Primeiramente, pela contribuição extraordinária de Dalton Trevisan para a arte do conto, em particular para o enriquecimento de uma tradição que vem de Machado de Assis, no Brasil, de Edgar Allan Poe, nos EUA, e de Borges, na Argentina.”

Nascido em Curitiba em 14 de junho de 1925, Dalton Jérson Trevisan é autor de “O Vampiro de Curitiba” (1965), uma das suas obras mais conhecidas. Entre outros títulos notáveis do escritor estão “Vozes do Retrato – Quinze Histórias de Mentiras e Verdades” (1998), “O Maníaco do Olho Verde” (2008), “Violetas e Pavões” (2009), “Desgracida” (2010) e “O Anão e a Ninfeta” (2011).

Reprodução
O escritor Dalton Trevisan, vencedor do Prêmio Camões, que não se deixa fotografar, em uma de suas raras imagens
O escritor Dalton Trevisan, vencedor do Prêmio Camões, que não se deixa fotografar, em uma de suas raras imagens

CABO ANSELMO: COMISSÃO DE ANISTIA JULGA ANSELMO NA PRÓXIMA TERÇA / brasilia.df

O ex-marinheiro, que atuou dos dois lados durante a ditadura, reivindica indenização e a condição de anistiado político

20/05/2012 | 16:46 | AGÊNCIA O GLOBO

Comissão de Anistia julga na manhã da próxima terça-feira (22), menos de uma semana após a instalação da Comissão da Verdade, o caso de José Anselmo dos Santos, o Cabo Anselmo. O ex-marinheiro, que atuou dos dois lados durante a ditadura, reivindica indenização e a condição de anistiado político. Ele entrou com o processo na comissão em 2004.

O relator do processo na comissão será o petista Nilmário Miranda, ex-preso político e ministro dos Direitos Humanos no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A tendência é que os conselheiros neguem o pedido de Anselmo.

O processo dele, de número 2004.01.42.025, aguardava na fila para entrar na pauta. Cabo Anselmo liderou a revolta na Marinha, chegou a fugir e viver no exílio, inclusive em Cuba, onde recebeu treinamento de guerrilha. De volta ao Brasil, foi preso no início dos anos 70. Em troca da liberdade delatou perseguidos políticos ao delegado Sérgio Paranhos Fleury, do Dops, incluindo sua namorada, Soledad Viedma, que acabou morta pela tortura. Cooptado pelos órgãos de segurança, tornou-se agente duplo e sua atuação foi decisiva para desmontar grupos de resistência armada urbana à ditadura.

Em entrevista ao programa “Roda Viva”, em outubro do ano passado, disse que não se arrepende de nada do que fez, nem de ter entregado militantes à morte, assassinados em emboscadas armadas pelas forças de repressão. O ex-militar estima ter contribuído para a morte de até 200 pessoas durante o período do regime militar.

O DOCE SABOR DE UMA MULHER – de auber fioravante junior / porto alegre.rs

Face Orvalhada
Tem certos dias,
Que não sinto a caricia do vento
Murmurando pelos laredos d’ alma,
Comungando em segredo com silêncio
Amigo divagador do verso oriundo da brisa!

A bom bordo da nave,
Diante da praia ouço da areia a canção
Pairando dentre as estações,
Relíquias do tempo e do espaço
Dando aconchego ao olhar de solidão!

Mesmo incerto da próxima onda,
Deixo a este bordo, reversos perdidos,
Sem a imagem que inebria meus avessos
Mais insanos brotos já desabrochados,
E ainda altivos percebendo o orvalho das manhãs!

Em pequenos detalhes,
A poesia se formou, se fez flor,
Ensinou-me que o verbo
É tão grande quanto o universo!

Com as lágrimas que habitaram
E ainda habitam minha face,
Componho minha partitura em amor,
Clarividente na luz devaneando pelo luar!

Auber Fioravante Júnior_13/04/2012_Porto Alegre – RS

REGINA, a mulher-loba do Brasil – por amilcar neves / ilha de santa catarina.sc

Regina, mulher-loba do Brasil

 

Lobas são extremamente ciosas dos seus filhotes. Ou então: lobas são selvagemente ciosas. São mansas e pacíficas enquanto o mundo se lhes apresenta manso e pacífico. O problema é que elas se dão ao hábito de pensar e, ao pensar, tomam partido e definem-se criticamente frente a esse mesmo mundo. E ele que se comporte! Nem sonhe em sair da linha!

 

Os filhotes da Regina são os seus alunos, a Literatura (mais necessária e carinhosamente aquela próxima, feita em Santa Catarina) e, por consequência dos cuidados anteriores, os escritores catarinenses. Estes filhotes é que lhe importam.

 

Regina, loba, preocupa-se. Tem consciência política (não se trata aqui de partido político, é importante deixar bem claro), posiciona-se filosoficamente no meio em que vive, em que trabalha com uma dignidade que muita gente não tem para mostrar, no meio em que paga seus impostos como penitência para viver e participar da sua rua, do seu bairro, da sua cidade.

 

Com esse dinheiro, com seu imposto, paga o salário de vereadores e servidores públicos que têm a obrigação de considerar suas opiniões, ao invés de, numa forma simplista, demagógica e autoritária, ameaçá-la de processo judicial por “entravar a máquina pública” ao impedir, com sua força de mulher e sua coragem de ser humano, a “limpeza de um terreno público” no Estreito.

 

O terreno público em questão é uma área com árvores que abriga um sítio arqueológico protegido pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

 

Acontece que a gerente da loja vizinha ao sítio, loja que vende a mais famosa marca de motos do mundo, decidiu limpar o terreno público ao lado. “Vive cheio de usuários de droga”, foi a bandeira que ela levantou. Como o local estaria “desocupado”, dita senhora dá a qualquer um o direito de supor que ela imaginava abrir ali um espaço informal e gratuito para servir de estacionamento exclusivo aos seus abastados clientes. Já que a loja naturalmente será contribuinte dos cofres públicos, a gerente achou-se no direito de acionar seus “contatos”, de maneira informal (por que tanta burocracia, não é mesmo?), a fim de conseguir autorização para a limpeza – limpeza arrasadora com patrola, como um corte de cabelo com máquina zero.

 

Um vereador, que já deixara a secretaria municipal ligada ao caso para candidatar-se à reeleição, autorizou verbalmente o desmate, o desmonte, a “limpeza” de tolerância zero com o terreno – atribuição e autoridade de que ele já não mais dispunha, da mesma forma que não disporia ainda que estivesse no exercício do cargo, simplesmente por tratar-se de um sítio arqueológico: um patrimônio público (não do poder público) de interesse histórico.

 

Regina Brasil, mulher-loba, escolada, que dá um monte de aulas, educa pessoas e ensina-lhes cidadania, desconfiou quando retiraram a tela que protegia o terreno. No dia seguinte, bem cedo, a patrola iniciou a devastação. A professora correu, pôs-se à frente da máquina e impediu que o crime se consumasse em sua totalidade. Ela foi fotografada (as fotos saíram na imprensa e circulam pelos caminhos da internet), aplaudida e consagrada como heroína.

 

Mas as pressões sobre ela aumentam, e serão maiores assim que baixar a poeira da publicidade que envolve o seu ato. Como a ameaçou o pessoal da loja de motos, o que a forçou a registrar Boletim de Ocorrência na delegacia do bairro, “Você não sabe do que somos capazes! Você tem certeza que quer essa incomodação para o resto dos seus dias?”

 

 

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AMILCAR NEVES é membro da ACADEMIA  CATARINENSE DE  LETRAS

‘Nova Lei Rouanet’ terá edital para pequeno produtor e pontuação – por julianna granjeia / são paulo.sp

O projeto de lei que deve substituir a Rouanet pretende fortalecer o FNC (Fundo Nacional de Cultura) para descentralizar o fomento e o incentivo à cultura.

O fundo patrocinará editais para produções culturais que não costumam ser atendidas pela renúncia fiscal, em especial aquelas de fora do eixo Rio-São Paulo.

Para isso, o projeto de lei -chamado ProCultura- fixa mecanismos de capitalização do FNC (que contou com cerca de R$ 300 milhões em 2011). Um deles prevê que parte da renúncia fiscal vá direto para o fundo. Outro seria a destinação a ele de 5% da renda de loterias.

O ProCultura também estabelece um sistema de pontuação -quanto mais contrapartidas sociais (como gratuidade do produto/serviço cultural, acessibilidade, difusão no exterior e ações educativas) houver, maior será o abatimento do IR, que pode ser de 30%, 50% ou 100% do montante investido.

Os empresários que investirem em projetos que alcançarem pontuação equivalente a 30% e 50% de dedução poderão abater o valor total do investimento como despesa operacional, o que acarretará em mais descontos no final do processo.

Já o percentual do imposto destinado pelas empresas para investimentos em shows, teatro e literatura, por exemplo, pode chegar a 6% do total do IR devido -atualmente, o teto é de 4%. O patrocinador que deduzir mais de 4% doará parte do excedente desse percentual ao FNC (veja ao lado).

Outra novidade é o estímulo ao Ficart (Fundo de Investimento Cultural e Artístico), destinado a aplicações em projetos culturais e artísticos. Esse investimento garante dedução no IR de até 50% do valor das cotas adquiridas.

O deputado Pedro Eugênio (PT-PE), relator do projeto, deve entregar o texto para a Comissão de Finanças da Câmara nas próximas semanas.

Ele aguarda um estudo da Fazenda que calculará o impacto da eventual mudança na arrecadação de impostos.

Paulo Pélico, vice-presidente da APTI (Associação dos Produtores Teatrais Independentes), afirma que, se o esquema de renúncia previsto for aprovado, haverá uma mudança positiva no financiamento cultural.

“Nunca tivemos separação entre projetos independentes, públicos e corporativos. Depende, agora, de o governo aprovar. Se tirar uma peça desse quebra-cabeça, não vai funcionar”, diz ele.

TAINHA: No alto de morro na Barra da Lagoa, olheiros têm papel importante na captura da tainha / ilha de santa catarina.sc

Na Barra da Lagoa, Leste da Ilha, a dupla observa o mar no alto do morro

Olheiros têm papel importante na captura da tainha  Caio Marcelo/Agencia RBS

Seo Diquinho (E) conta causos enquanto observaFoto: Caio Marcelo / Agencia RBS
Sâmia Frantz

Seo Diquinho é pescador, mas há 25 anos não entra no mar. Não empurra o barco, nem cerca o cardume. Também não ajuda a puxar a rede e a contar os peixes. No ritual da pesca da tainha, Seo Diquinho, 67 anos, usa os olhos. São eles que, atentos e experientes, observam o mar e são capazes de identificar as inconfundíveis manchas na imensidão das águas. E quando as vê, a busca se transforma em gritos: “vem vindo tainha aí, minha gente!”.

Adir João Lemos, esse é o nome dele, é olheiro. E todo o ritual da pesca da tainha começa com um olheiro. Seu Diquinho se posiciona no alto do Morro da Barra da Lagoa, lá onde a cruz abençoa a comunidade.

Barcos vão pra água após o sinal

E é ao sinal dele que, na praia, os pescadores sabem que chegou a hora de jogar os barcos na água. Seo Diquinho olha tudo lá do alto. Nem sequer participa da “bagunça”:

— A gente só fica olhando daqui. Não dá para ir lá. Pode vir mais atrás, né?

Ele só sai de lá para almoçar. Segue a trilha e caminha até o rancho, onde é preparada a comida. Mas não deixa o posto sozinho, nunca. Reveza o tempo de almoço com José Vieira, 63 anos. José também é pescador, mas pela primeira vez está lá, como olheiro. Trabalhou 30 anos em barcos de caça de malha, mas cansou. Agora quer uma vida mais calma, em terra.

Trabalho puxado de todos

O trabalho do olheiro começa cedo. Às 6h, quando ainda é escuro, Seo Diquinho e José já estão lá, a postos. Debaixo do braço trazem casacos, guarda-chuva, lanterna e comida – geralmente pão, bolo e café com leite. Ficam lá o dia inteiro e só vão embora quando voltar a escurecer.

São horas e horas de observação do mar. Seo Diquinho olhando para o Norte, José para o Sul. Peixe não tem destino, por isso. Ficam de olho na mancha que, algumas vezes, é mais avermelhada e, outras, de um amarelão forte.

— A gente vem todos os dias, faça chuva, faça sol, esteja frio, esteja quente. Venho até quando estou com gripão. É a vida de pescador, né? Peixe não avisa quando passa.

Histórias para passar o tempo

Seo Diquinho é daqueles que gostam de contar histórias. Suas preferidas são as de fantasmas e de causos que ele viu ou ouviu há muitos anos. A sorte de Seo Diquinho é de ter um bom ouvinte. Tudo o que ele tem de conversador, seu José tem de quieto.

— Sabe feiticeira? Ela existe. E sabe lobisomen? Também.

Ele é olheiro há 25 anos e já passou pelo Gravatá e pela Galheta. Gosta tanto do que faz que, agora, só trabalha em época de tainha:

— Às vezes elas vêm pulando. É lindo de ver!

Mais de 4,5 toneladas até agora

A safra deste ano começou com o pé direito, mas as 4,5 toneladas de tainhas retiradas do mar até agora, só na Grande Florianópolis, ainda não são suficientes para fazer a alegria do pescador. A estimativa, nos primeiros três dias, é do Sindicato dos Pescadores.

— Ainda estamos na estaca zero. O forte da tainha começa, mesmo, na semana que vem. Os bons lanços sempre aparecem entre o fim de maio e o início de junho. Isso é histórico – alerta o presidente do órgão, Osvani Gonçalves.

MAR – de omar de la roca / são paulo.sp

 

Que palavra é essa que se agita em mim?

Que mar é esse ?

Como uma onda que me cobre a cabeça,

E eu tenho que bater os pés com força para respirar

Ou como uma tábua de salvação

A que me agarro

E me desgarro quando o pé encontra o chão.

Como a onda que me leva boiando no espaço liquido.

Onde faço lentos movimentos circulares.

Onde sufoco um pouco, um pouco ofego

Sôfrego de luz e de palavras.

Como o barco, que só alcanço a borda

Sem força para nele me chegar

Fraco,tímido, sôfrego  de medo

Tremendo,querendo mergulhar

Mais fundo e mais e mais

Deixando que  a corrente me transporte.

Trazendo a tona a água dividida.

E quebro a onda, com meu corpo

Cujo destino é pedra. E alga.

Com a mão aliso a vaga

Que me levanta e a mim salga.

E sigo resistindo a sereia que se enrosca

Em meus tornozelo, e a mim puxa,

Para o fundo,para o fundo.

Mas me sacudo e me livro

 

Como faço com palavras que me incomodam

Pondo no papel, pondo ao vento

Como roupas a secar e a chuva molha,

Apelando ao perdido pensamento,

Sentimento que não volta.

Que mar é esse ?

Que palavra é essa?

Aceno a mão para o navio inexistente,

Querendo voltar ao porto que ainda não existe,

A água sobe e perco o pé, mais esforço feito,

para ficar a tona, cabeça de fora,nariz de fora.

Ar , que te quero puro.

Ar que é preciso, e eu preciso .

Que palavra que se agita

Em mim e logo grita,

Que mar, no qual me agito,

Muito alem de meu próprio grito?

O sol chia ao encostar na água lá no horizonte.

Logo será noite. Encontrarei areia. Bato os pés

Em desalinho,respiro,afundo.

Me agarro a um tronco. Devo estar perto de terra firme.

Bato os pés e vou seguindo.Vou seguindo.

Que palavra, que mar ?

Bato os braços,os  pés.

Chego lá ? Não sei,engulo água,

E ,me agito mais forte para respirar,

para alem de minha mágoa.

Que cor é essa com a qual escrevo?

Cor de água do mar.

E o papel ? Transparente ,de vidro.

Que mar ?…afundo.

Que palavra ? Surdo, de água.

Areia,concha,alga e pedra. Mar.

E no ar seguro de novo.

PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF dá posse a COMISSÃO da VERDADE (vídeos, foto, texto) / brasilia.df

UM clique no centro do video:

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Integrantes falam na posse da COMISSÃO:

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O Brasil e as novas gerações merecem a verdade, afirma presidenta Dilma

Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia de instalação da Comissão Nacional da Verdade, no Palácio do Planalto. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

A presidenta Dilma Rousseff afirmou hoje (16), no Palácio do Planalto, ao dar posse aos integrantes da Comissão da Verdade, que o Brasil e as novas gerações merecem a verdade. Segundo Dilma, a comissão, que terá prazo de dois anos para apurar violações aos direitos humanos ocorridas no período entre 1946 e 1988, que inclui a ditadura militar (1964-1985), não será pautada pelo revanchismo e pelo ódio.

“O Brasil merece a verdade, as novas gerações merecem a verdade e, sobretudo, merecem a verdade factual aqueles que perderam amigos e parentes e que continuam sofrendo como se eles morressem de novo e sempre a cada dia. É como se disséssemos que, se existem filhos sem pais, se existem pais sem túmulo, se existem túmulos sem corpos, nunca, nunca mesmo, pode existir uma história sem voz. E quem dá voz à história são os homens e as mulheres livres que não têm medo de escrevê-la.”.

Segundo a presidenta, a criação da Comissão da Verdade não foi movida pelo desejo de reescrever a história. Para Dilma, a instalação da comissão é a celebração da transparência da verdade de uma nação que vem trilhando seu caminho na democracia.

“Ao instalar a Comissão da Verdade não nos move o revanchismo, o ódio ou o desejo de reescrever a história de uma forma diferente do que aconteceu, mas nos move a necessidade imperiosa de conhecê-la em sua plenitude, sem ocultamentos, sem camuflagens, sem vetos e sem proibições”.

Dilma afirmou que os sete integrantes da Comissão da Verdade – Cláudio Fonteles, Gilson Dipp, José Carlos Dias, João Paulo Cavalcanti Filho, Maria Rita Kehl, Paulo Sérgio Pinheiro e Rosa Maria Cardoso da Cunha – foram escolhidos pela competência e pela capacidade de entender a dimensão do trabalho que vão executar.

“Ao convidar os sete brasileiros que aqui estão e que integrarão a Comissão da Verdade, não fui movida por critérios pessoais nem por avaliações subjetivas. Escolhi um grupo plural de cidadãos, de cidadãs, de reconhecida sabedoria e competência. Sensatos, ponderados, preocupados com a justiça e o equilíbrio e, acima de tudo, capazes de entender a dimensão do trabalho que vão executar. Trabalho que vão executar – faço questão de dizer – com toda a liberdade, sem qualquer interferência do governo, mas com todo apoio que de necessitarem”, disse a presidenta.

Na cerimônia, a presidenta também falou sobre a Lei de Acesso à Informação, que passa a vigorar a partir de hoje, junto com a Comissão da Verdade.

“A nova lei representa um grande aprimoramento institucional para o Brasil, expressão da transparência do Estado, garantia básica de segurança e proteção para o cidadão. Por essa lei, nunca mais os dados relativos à violações de direitos humanos poderão ser reservados, secretos ou ultrassecretos”.

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