Arquivos de Tag: bruxa gaudéria

E TU TCHÊ LOCO? por bruxa gaudéria / porto alegre

E tu, tchê loco, depois de tudo o que se sabe sobre a devastação da Floresta Amazônica por conta do teu sacrossanto “churrasquinho”, ainda não tomou vergonha na cara? Olha o exemplo que estás dando para os teus filhos…

Tenho visto que a definição de “gaúcho” por esses tempos que correm não é outra que… “comer churrasco!” Já houve tempo em que gaúcho era sinal de consciência política, e até ecológica: os bruxamovimentos ecológicos partiram daqui, as feiras de produtos orgânicos começaram aqui, a primeira associação nesse sentido, a AGAPAN, nasceu aqui. E isso fazia com que a gente estufasse o peito de orgulho por ser gaúcho.
As escolas do Brizola, então, aquela enorme quantidade de escolas espalhadas pelo Estado… isso sim era uma definição decente da nossa gente.

E não me venha com essa de que “isso é uma coisa cultural”. Até bem pouco tempo, o prato tradicional do brasileiro, em geral, era feijão com arroz, uma saladinha e – de vez em quando – uma carne. Nos domingos, uma galinha. Nunca essa cosa loca de x no almoço, x no jantar, e, no domingo, dê-lhe churrasco… Aqui pelas redondezas do meu rancho, o céu chega a ficar enevoado nesses dias, de tanta fumaça…
Eu sei que a maior devastação é para exportation, mas mesmo assim… olha o exemplo!

Sem contar a gordura, que agora tem um nome poético… obesidade! e as diabetes? Antes do advento da tal fast food, a gauchada era guapa! As gurias eram umas potrancas bem fornidas, mas sem exagero! Olha só a Yeda Maria Vargas!… Te espelha! E a Teresinha Morango… tudo umas esbeltezas.
E o mundo velho sem porteira parece que endoidou de vez! pôes que agora, além do povo se entupir de toda sorte de porcaria, ainda por cima querem que as china véia fiquem tudo uns fio. Pros bagual berrar na porteira do rancho: te cuida com o vento, vivente! Vai de lado… Ou… essa, se comer uma azeitona, vai parecer que tá grávida!
Os taura, ao contrário, em vez de cuidar da roça e ficarem macanudos ao natural, chegam a tomar uns trecos, uns tais de anabolizantes… e acabam parecendo uns abobados da enchente, como dizia a minha avó.
A deseducação é tanta, que canso de ver os PRÓPRIOS PAIS! (???) oferecendo uns tais salgadinhos – que tem o mesmo nome dessas coisas do computador, e devem ter o mesmo gosto misturado com papelão e regado com suquinho de inhãnha –, os chips.
Depois de tanta carne, tanto fast food, tanto salgadinho, e dê-lhe refrigerante pra fazer a gororoba descer, vem a parte dos remédios, das cirurgias, das culpas e dos consultórios de psicologia (e aí eu gosto porque o meu fica assim de loquinho). PURA NEURA! tudo isso.

Pra ter tanto churrasco, por exemplo, tanta carne e tanto lugar pro gado, já fizeram desaparecer um terço do Rio Grande. Os outros dois se foram com a soja e agora com os tais eucaliptos. E é por isso que o nosso frio ficou reduzido a 3 meses, com 36º em junho, o verão é aquele verdadeiro inferno, e não acaba, não acaba, não acaba nuuuunca, a gente torra, a gente vê tudo cor de laranja… eu já senti os meus óvulos fritando pelas próximas três gerações… e, pelo que sei, o buraco na tal camada de ozônio, aqui, é o maior de todos. Ah, disso podemos nos ufanar! Somos os maiores!…
Sem contar otras pragas… mas isso é pra depois.

Texto de ROSE PORTO ALEGRE.