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MARIA RITA entrevista com a gazeta do povo

 

Disposta a desfazer a imagem de diva criada em torno dela, Maria Rita não teme ser pessoal na entrevista que concedeu por e-mail à Gazeta do Povo esta semana. Diz-se “um ser inquieto”, mas, ao mesmo tempo, está mais calma e confiante para mostrar-se sobre o palco.

Gazeta do Povo – Você declarou, na ocasião do lançamento de Samba Meu, que não tinha a menor pretensão de virar sambista. O samba a fisgou ou ainda sustenta essa posição?

Maria Rita – O fato de eu ter gravado o disco não muda em nada essa minha posição – sou uma eterna apaixonada pelo samba, mas realmente não sou uma sambista. O que já até gerou bronca de alguns amigos, que dizem que sou, sim, sambista, que eu tenho que parar com essa bobagem de dizer que não sou. Acho isso bonito da parte deles! Existe toda uma subcultura do samba, de que eu participo, que eu consumo, que eu observo, mas não ouso me considerar sambista.

Como a mudança de São Paulo para o Rio de Janeiro alterou a sua vida?

Eu estou mais calma, acredite ou não. Consigo lidar melhor com os desafios, só de saber que pego meu carro e em dez minutos estou na praia, ouvindo o barulho do mar que me acalanta. O Rio é mais quente, e não lido bem com o frio… Me considero privilegiada, porque posso usufruir do melhor de ambas cidades.

O show Samba Meu está na estrada desde quando? Como tem sido a repercussão de público?

Estamos na estrada desde novembro de 2007, quando estreei na Fundição Progresso, aqui no Rio maria-rita-tn_280_651_maria_rita_entrevistamesmo. A repercussão tem sido melhor do que eu esperava. Estou muito realizada e com um orgulho tremendo da turma que reuni para montar esse show. A galera percebe minha alegria, comprou essa briga comigo, cresceu comigo. Adoro essa relação com o público.

Você sentiu alguma dificuldade em cantar samba e dançar ao vivo?

Dificuldade propriamente dita, não. Mas desafio, sim. Porque as canções que entraram no disco Samba Meu foram escritas por homens e, em sua maioria, para homens. Então a coisa de extensão vocal, de intervalo melódico, foi um desafio já em estúdio – para o palco então, em cima de um salto, mais ainda. Esse espetáculo era todo um grande desafio: é o show mais elaborado e interativo que já montei, com mais luz, mais cenário, troca de figurino, salto alto… Mas eu sou um ser inquieto, que sempre busca mais.

Quem assiste ao show se surpreende com a sua postura no palco, muito mais sensual do que costumava ser. O que mudou?

Nada! Só o meu conforto comigo mesma de me permitir mostrar um lado que antes eu nem sequer considerava mostrar. Sempre existiu uma pitada de sensualidade nos meus shows, mas de uma forma muito sutil e tímida, porque eu sou uma mulher tímida. O samba me libertou, por assim dizer. Não muito, claro, porque me recuso a abusar da liberdade que a música me dá em cima de um palco. Não sou uma mulher vulgar. Eu entendi, comigo mesma, que tudo bem ter um figurino mais ousado, que eu não estaria desrespeitando nem a minha história nem àqueles à minha volta. Mas é coisa de momento e eu celebro este momento.

A Maria Rita mais dramática, de músicas como “Muito Pouco”, ainda faz sentido para você? Deve reaparecer em discos futuros?

Absolutamente. Sou uma intérprete. Só consigo cantar o que me toca. Meus discos têm um tom autobiográfico. “Muito Pouco”, por exemplo, me remete a uma história que, sempre que a canto, os sentimentos voltam… É maravilhoso: exorcizo tudo todas as noites. Por isso saio tão cansada dos meus shows. Pode ter certeza que esse tom autobiográfico estará sempre presente nos meus trabalhos.

O setlist do show em Curitiba será o mesmo da apresentação fechada que aconteceu na cidade meses atrás? Ouvi dizer que “Santa Chuva” saiu… E, na ocasião, os insistentes pedidos por “Pagu” tiveram como resposta sua a possibilidade de a música entrar no show. Afinal, como está o repertório?

Está exatamente como você colocou!

Existe algum projeto de investir na carreira internacional? Caso sim, apostaria mais no jazz?

Na carreira internacional eu já invisto há seis anos, desde que começei a cantar profissionalmente. Mas, não, não apostaria mais no jazz. Eu sou cantora de música brasileira que gosta muito de cantar jazz. E tem uma grande diferença nisso. Descarto gravar em inglês? Não. Descarto gravar um disco em espanhol? Não. Descarto gravar jazz? De jeito nenhum.

Quando sai o DVD? E o que se pode esperar dele?

Primeira semana de setembro. Pode-se esperar o show como ele realmente é. Tudo o que está no DVD rolou no show daquele dia. Refizemos somente duas canções, mas ficamos com as primeiras versões de ambas – ou seja, o fã vai ver o show de cabo a rabo, como aconteceu, sem mentira nenhuma, o que, para mim, é uma vitória incrível. Colocamos o videoclipe de “Num Corpo Só”, dirigido pelo Hugo Prata, e ele também criou um videoclipe para a música do bis, “Não Deixe o Samba Morrer”, que ficou emocionante. Haverá um slide show com fotos do Marcos Hermes e um making of do dia do ensaio geral e do dia do show. Muito incrementado, porém muito direto ao ponto.

 

GP.