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PARA ” EL COMANDANTE CHE” – de jb vidal / florianópolis

quando o fuzil

fizer amor

com a paz,

.

a revolução,

.

estará grávida

da liberdade !

Porto Alegre, inverno de 1970.

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EL COMANDANTE “CHE” GUEVARA em 1960. foto feita durante as comemorações da revolução cubana.


SAUDAÇÃO A CHE GUEVARA – de manoel de andrade / curitiba

Este poema, Saudação a Che Guevara, escrito em outubro de 1968, para comemorar o primeiro ano da morte do CHE, na Bolívia, teve suas 3.000 cópias panfletadas em ambientes estudantis e sindicais, no fim daquele ano, de Curitiba. O poema,colocando liricamente a sua imagem de Comandante no centro de todos os movimentos revolucionários do continente, convocava a luta armada e saudava a sua imortalidade como uma consigna triunfante na conquista de um mundo novo. Alguns panfletos foram aprendidos pelo DOPS (Delegacia de Ordem Política e Social) e seu autor, passou a ser procurado. Em razão disso deixou o Brasil em março de 1969 iniciando sua trajetória poética ao longo de 15 países da América Latina. Em outubro de 1969 a Federación Universitária de Cochabamba, na Bolívia, publica o poema em centenas de exemplares de um cartaz anônimo, ilustrado com a arte de Atílio Carrasco. Só agora, 40 anos depois, é que este poema, que correu o Continente, nas várias edições, em espanhol, do seu livro POEMAS PARA A LIBERDADE, aparece no Brasil editado este ano pela Escrituras. Este site, registrando os 42 anos da morte do grande guerrilheiro, publica em primeira edição virtual o poema do palavreiro Manoel de Andrade.

O EDITOR.

SAUDAÇÃO A CHE GUEVARA


No sonho da liberdade

onde cada mártir renasce,

onde não há homem sem terra

onde não há povo sem face,

num tempo, gesto de sangue

no sangue, gesto de amor,

no amor de quem se deu

como um perfume de flor

e nessa flor de montanha

aberta pro continente

nesta beleza tamanha

na minha fé deslumbrante

tu estás meu Comandante

numa saudade bem clara

dos que morrem e que renascem

contigo, Ernesto Guevara.

.

No nosso ódio indigesto

na voz da conspiração

na passeata de protesto

em cada homem sem pão

em cada cidadão livre

que é metralhado na rua

no seio de cada greve

no salário de quem sua

na opressão e na fome

nesse mal que nos consome

como farol claro e forte

surge tua imagem, teu nome

teu braço de guerrilheiro

como um fuzil justiceiro

nos apontando o roteiro

em busca da liberdade.

.

Nas pátrias negociadas

desta América sofrida

na ditadura instalada

na terra não repartida

em toda prisão injusta

em todo estudante morto

em cada homem sem rosto

de quem outro vive à custa

no estômago agonizante

nos punhos que desabrocham

pra rubra flor do combate,

tu estás, meu Comandante.

.

Enquanto a noite se escorre

na garganta da ampulheta

as gerações se preparam

para a estação da colheita.

A semente está brotando

na flor da revolução

e a consciência do povo

vai tomando posição.

Tu semeaste a bom tempo

os grãos dos frutos por vir

que levados pelo vento

no estampido dos metais

brotam nos campos ao sul

das terras continentais.

.

Adios, adios, hasta siempre

meu imortal Comandante,

na terra há flores se abrindo

no peito a fé triunfante

no tempo um caminho aberto

e nele os homens sorrindo

num largo gesto de hermano

na busca de um mundo novo

da pátria purificada

para a alegria do povo.

Curitiba, Outubro de 1968

saludo a Che Guevara

o poema, em espanhol,  publicado em cartaz  da Federacion Universitaria Local (Cochabamba) na Bolívia, em outubro de 1969, ilustrado por Atílio Carrasco.

PARA ERNESTO “CHE” GUEVARA – de eduardo galeano / montevideo.ur

Por que será que o Che
tem esse perigoso costume
de seguir sempre renascendo?
Quanto mais o insultam,
o manipulam o traicionam,
mais renasce.
Ele é o mais renascedor de todos!
Não será porque o Che
dizia o que pensava,
e fazia o que dizia?
Não será por isso,
que segue sendo
tão extraordinário,
num mundo
em que as palavras
e os fatos
raramente se encontram?
E quando se encontram,
raramente se saúdam,
porque não se reconhecem?

– 1967, La Higuera, assassinaram Che, que ainda nasce,
a cada dia nasce.

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