Arquivos de Tag: contos

O PANDEIRO e SEM EIRA – de raymundo rolim / curitiba

O pandeiro

O sol já vinha de revirar a noite de boca pra cima quando “o samba descansou, porque um samba, jamais se acaba”! Foi esta a última frase que proferiu o Zé do Morro antes de fechar o paletó. Ele que sabia gingar e entendia da bocada de além fumo e aquém morro. Muitos mares e muitos portos seguros de terras estrangeiras conheceu o Zé. Até sabia falar palavras e frases inteiras em esquisitos idiomas. Largou mão de tudo! Agarrou-se com o samba. E compôs. E ficou alegre. Alegre de morrer.

Sem eira

Estava convicto de que seria alguma coisa na vida; como dizem! Desde que tivesse qualquer importância. Qualquer bobagem lhe soava como sendo uma boa coisa, desde que fosse imediatamente reconhecida como uma bobagem. Já era um reconhecimento e logo tinha importância! Aí, pensou bem e de novo e não achou mesmo lucro algum em se tornar o maior criador de pernilongos. Além do processo da cadeia alimentar, para que é que servia exatamente, na ordem do dia urbano, um pernilongo? Achou tão boba essa historia que não a quis, deixou-a pela metade. E mesmo porque os sapos andavam tão escassos na cidade! E sapos na cidade não tinham lá tanta importância.

DOMINGO É UM NOME E UM DIA PODE SER DOMINGO por joão henrique / teresina


Assustado levantou-se pensando ser manhã quando já passara à tarde. Onde ela estará?, pensou em ligar, mas havia perdido o aparelho celular com todos os números. Passou os dedos pelo novo aparelho com a impotente certeza de não haver ali os números que lhe importam.
– porra, merda, telefone idiota.


Seu cinismo não impede uma ida aos caminhos virtuais. Não há encontro, ela não se encontra. É como se uma mulher gorda, dessas balofas mal vestidas, de bobes na cabeça, óculos de lentes grossas, e cara feia, dissesse a um pobre garotinho de treze anos, que lhe bate à porta a procura da garotinha neta dessa velha, que diz, a quase meio riso, “ela não está”. Não tem nada disso, nem mulher gorda ou netinha. Que viagem, pensa. Mas ela não está, deveras aqui ela não se encontra.
não lhe resta mais nada.
toca Chico aos fones de ouvido. Lá fora o sol das quatro horas começa a emprestar um brilho cansando que ensolara os domingos. Os carros passam indo ou vindo de algum programa dominical. Ele com esse semblante de ontem.
– cara de sábado em domingo, e esse dia que não começa, merda!


Almoça. Fuma o cigarro pós-almoço. Mais um pedaço da tarde, já às cinco horas, esse laranja, essas pessoas, esse riso de ida à sorveteria.
– eu deveria ir à sorveteria lembrar dela comendo um sorvete. Que idiota, lugar de lembranças é mesa de bar e não sorveteria. Eu poderia pegar um ônibus e dá umas voltas pela cidade, eu poderia fazer tanta coisa e não faço nada, diz-se a si.
Ouve Chico e anda pela casa. A mãe lhe pergunta o que tem. A avó lhe oferece algo pra comer,
– não, obrigado, responde.
– também, não para de beber, de fumar… perdeu até a fome, lhe diz a mãe.
– obrigado. Apenas responde como se ainda fosse parte da primeira resposta.


A tarde de domingo se vai.
olha os vizinhos às portas.
– quem será a manchete da vez, fala baixinho a si mesmo.
Fuma outro cigarro. Ao fundo ainda se pode ouvir, mesmo baixinho, vindo do quarto, os versos de Chico, “a dor da gente não sai no jornal”.
– porra, o Chico é foda.
Entrou a casa. Banhou-se. Vestiu-se, tendo o cuidado de pôr uma roupa que lhe desse sorte.
– vai com essa camisa branca, fica tão bonito, diz-lhe a mãe.
– essa não me dá sorte.
A mãe compreende porque sofre da mesma sandice.
– não dá sorte como?
– não é que não dê sorte, é que não acontece do jeito que era pra acontecer, mas isso com assuntos sérios, mas pra fuá dá certo. Não sei como é, mas não dá certo o que eu iria fazer, porém acontecem outras coisas boas. Dá errado, mas dá certo.
– tem coisa que é assim, dá certo, mas dá errado também.
– e isso é foda, né mamãe?
– é… é foda, responde a mãe.
Veste a camisa branca, se olha no espelho, “certo, mas errado”, pensa.
Frente ao espelho, assanha o cabelo do modo que lhe apraz. Sorrir Abre a boca. Manda um beijo a si mesmo. Sorri um riso mais evidente. Olha os dentes e as rugas. Entra no quarto e despede-se.
– não beba muito, hoje é domingo, lembra-lhe a mãe.
– pode deixar, eu sei que hoje é domingo. E quem não poderia saber que hoje é domingo minha mãe.
– vai sair com essa camisa mesmo?
Olha pra si, como se já houvesse esquecido com que roupa estava.
– é, vai que não dá certo de eu chegar na hora marcada, mas que eu chegue na hora certa.
– hora de quê?
– nada mamãe, até mais tarde
– não beba, não fume, não…

Dobra a esquina. Pára e olha.
Hoje é domingo. Eu não sei onde ela está. Não tenho pra onde ir, a não ser para minha noite de ontem, mas hoje é domingo, pensa. Logo surge uma caravana balançando bandeiras e apitando. Mais um candidato passa e fica a rua suja como prova do apreço que tem com a cidade que ele promete melhorar.

A rua. A réstia de sol.
Ela, certo e errado. Blusa branca, corpo sem rumo.


– bonita camisa, Pedro, diz uma velha vizinha de sua infância.
– obrigado

A rua não leva ninguém que não ande. Pedro fica a contemplar os últimos raios de luz do domingo.
Fuma outro cigarro. Volta pra casa.
– já chegou meu filho. Deu certo o que você ia fazer?
– deu. Quer dizer, ainda não. Deu certo porque deu errado
– como assim?
– deu certo porque deu errado. Deu errado porque eu não fui.
– e que deu certo?
– deu certo em dá errado, eu não sei, mas agora eu vou a outro lugar. Vou tomar uma cerveja como meu amigo Charles. Sabe mãe, deu certo porque eu não tinha pra onde ir. E ela não está nesses lugares que eu alcanço.
– quem é ela, eu conheço?
– não. Ainda não
– mas todo mês tu te apaixona…
– mãe, isso é bom ou ruim?
– não sei
– mas agora é serio, mãe
– mas toda vez é … acho que isso é como a camisa branca
– como assim?
– certo e errado, é bom e é ruim
– é… mas até eu gastar isso, é muito bom
– sabe Pedro…

A mãe ainda falava, mas Pedro já trocava de roupa. Assanhava os cabelos. Despedia-se da mãe e dá avó
– já vai sair de novo
– até mais tarde mamãe, vou ali que hoje ainda é domingo
– não demore
– tá.
Respondeu e saiu pra curar-se do domingo. Já estava na correria de segunda-feira ao fim daquele domingo.
Atravessou a rua em direção ao bar de sempre. Sentou-se. Pediu uma cerveja e cumprimentou o dono do bar.
– amanhã é segunda
– o quê?, perguntou o dono do bar, pensando ter ouvido o cliente falar-lhe algo.
– Amanhã é segunda-feira, Vicente. Segunda é um dia mais fácil de encontrar quem queremos.
Vicente se afastou. Entrou ao bar e pôs Chico pra tocar. Pedro recostou-se na cadeira. Acendeu outro cigarro. Deitou a saudade num verso de Chico.

Ao passar dos goles, Ela foi chegando às lembranças até a madrugada de segunda-feira, ainda na mesma noite de domingo.

Já à madruga de segunda-feira Pedro atravessa a praça rumo a sua casa, vestindo uma camisa típica de domingo.

ETERNOS de jb vidal / praia dos ingleses.sc

jb vidal

03/80

meu corpo no teu

acende a dúvida

.

ser ou estar

.

eu!? nós!?

.

gozo cósmico!?

.

prazer em deixar-me ir

onde estás ou sejas

.

sou inteiro em ti

.

estou metade

O VAGO de otto nul / palma sola.sc

Tenho que me entender

Com o vago, o vazio, o nada,

.

Caso contrário não chego

Ao âmago das coisas;

.

Me incapacito para o diálogo

De supinos saberes;

.

Só a linguagem muda,

Hermética, meio louca,

.

Pode ir ao fundo das questões

Ou trazer à luz o indizível;

.

Sem esse aprofundamento

É impossível colher o sumo

.

Supremo de que se compõem

Os mistérios da vida;

.

O vago é meu caminho,

Meu mestre de sutilezas.

SABICAS, O MAESTRO ESPANHOL toca: “FANTASIA”

para atender ao pedido do amigo e poeta MANOEL DE ANDRADE feito no post do PACO DE LUCÍA.

UM clique no centro do vídeo:

.

11 DE SETEMBRO DE 2001 – 8 ANOS HOJE / PARA REFLETIR / editoria

torres

torres_11set


11 de setembro

INRI CRISTO concede entrevista ao TOCANDO.ORG / são paulo

Gostaria de agradecer o Senhor Inri Cristo por essa polêmica entrevista concedida ao Tocando.Org e as suas Discípulas pela prestatividade.

inri-cristo-entrevista

Tocando.Org: Sei que essa pergunta todo mundo faz: Se Jesus morreu na cruz, ressuscitou, foi pro céu, porque ele voltaria pra esse mundo? Ele é você e você é ele?

INRI CRISTO: “Eu voltei porque eu prometi que voltaria, ninguém é obrigado a crer. Vim para dar continuidade à minha missão aqui na Terra. Voltei com um nome novo, INRI, o nome que paguei com meu sangue na cruz (Apocalipse c.3 v.12). Eu fui em espírito para o PAI, e não de carne e osso. Por isso voltei em espírito e recolhi meu corpo das entranhas de uma mulher. A ressurreição física é um delírio, uma loucura que inculcaram na cabeça do povo cristão. Quando me perguntaram quais seriam os sinais de minha vinda e do fim do mundo, respondi aos discípulos: “Porque ouvireis falar de guerras e de rumores de guerras, e se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, pestilências e terremotos em diversos lugares. Todas essas coisas são apenas o princípio das dores” (Mateus c.24 v.6 a 8). Agora o mundo está nas condições que meu PAI me mostrou já há dois mil anos. Basta ligar a televisão e ver que o mundo está um caos. E como nenhum Jesus voltou lá do céu voando igual a uma ave, mais cedo ou mais tarde terão que assimilar a realidade de que sou o mesmo de ontem, hoje e sempre”.

Tocando.Org: Sua mãe na sua primeira encarnação foi Maria? Se ela era virgem como deu a luz a uma criança? Seria José o maior corno da história?

INRI CRISTO: “A árvore genealógica registrada no Evangelho mostra bem claramente que foi José quem fecundou Maria, pois José era oriundo da linhagem de David (Mateus c.1 v.16). E para cumprir-se o que profetizara Isaías (“Uma virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel. Ele comerá manteiga e mel até que aprenda a separar o mal do bem” – Isaías c.7 v.14), Maria foi fecundada virgem por José, por obra do Espírito Santo, que juntou os dois em estado de sonambulismo antes de coabitarem. A virgindade de Maria não era himenal, pela presença de uma membrana a mais ou a menos; era a virgindade da pureza, uma vez que após o ato sexual praticado com José, ela continuava inconsciente da relação carnal. Diz-se que ela era virgem antes, durante e depois do parto. E conforme tu bem observaste, como ela poderia permanecer virgem depois do parto se a virgindade fosse himenal? É mister separar o mito dos fatos. Essa história de fecundação com espermatozóide vindo do céu é invencionice, fica por conta do imaginário dos idólatras que se comprazem em adorar os mitos e lendas impostos pelos pseudo-religiosos como verdades absolutas”.
(ver Maria Mulher no link http://www.inricristo.net/index.php/pt/enigmas-teologicos/maria-mulher-o-mito-sem-mascara ).

Tocando.Org: O que você acha das igrejas que exploram as pessoas, através dos dízimos e outras formas de extorsão? Sua seita faz isso? Como você sobrevive?

INRI CRISTO: “São os lobos com pele de ovelha que conseguem enganar os incautos, eles estão cumprindo o que eu já previ há dois mil anos: “Orai e vigiai, que ninguém vos engane. Porque falsos cristos e falsos profetas virão em meu nome, farão prodígios e enganarão a muitos, até os eleitos se possível fosse” (Mateus c.24 v.5 e 24). E o maior prodígio está justamente em chantagear o dízimo usando meu nome antigo (Jesus). Eles alegam que o dízimo é bíblico, e deveras é bíblico, mas é o dízimo do lucro, e não do miserável salário do obreiro, e o dízimo é para a Casa do SENHOR, e não para a toca do lobo com pele de ovelha. E justamente para diferenciar-me de todos eles, eu voltei com um nome novo, INRI (Suprema Ordem Universal da Santíssima Trindade), o nome que paguei com meu sangue na cruz (Apocalipse c.3 v.12) e em nome de meu PAI, SENHOR e DEUS. E a SOUST, por ser a formalização do Reino de DEUS sobre a Terra, na formação de um só rebanho e um só pastor (João c.10 v.16), sobrevive sob os auspícios da graça divina. Na SOUST não se pratica a chantagem do dízimo, a exploração da fé, e todos os sacramentos são realizados graciosamente, coerente com o que eu disse há dois mil anos: “Dai de graça o que de graça recebestes” (Mateus c.10 v.8). O SENHOR é o provedor, Ele inspira os filhos dEle a participar da provedoria da SOUST; cada um dá com a mão direita sem que a esquerda saiba quanto (Mateus c.6 v.3). Os filhos de DEUS participam da causa divina por ideal, por consciência, e para sentirem o sagrado vínculo com o SENHOR e seu santo reino de luz”.
(vide Provedoria do Reino de DEUS no link http://www.inricristo.org.br/pdf/provedoria_da_soust.pdf ).

edirmacedo

Tocando.Org: O que você acha do Pastor Edir Macedo?

INRI CRISTO: “Edir Macedo é o inspirado comandante da legião de roedores que têm a missão de roer o casco podre do meu antigo barco (a proscrita igreja romana, meretriz do Apocalipse c.17). Quanto mais eles roem, mais o meu antigo barco naufraga, para que o meu novo barco, a SOUST, possa flutuar suavemente”.
(vide Parábola do Barco Náufrago no link http://www.inricristo.net/index.php/pt/parabolas-de-inri-cristo/182-parabola-barco-naufrago ).

Tocando.Org: Se eu for um verdadeiro “filho-da-puta” (ladrão, safado, corrupto etc.) à vida toda e no final pedir perdão pra Deus, eu irei pro céu?

INRI CRISTO: “A ascensão espiritual ao plano superior dependerá do peso de teus pecados. Se tu cometeres todo esse rosário de crimes e pedires perdão, serás perdoado, mas como no céu, no infinito, não se alberga fugitivos da justiça terrenal, terás que ficar nas redondezas da Terra purgando como uma alma penada, até chegar a hora de conseguires um novo corpo para reencarnar. Mas se antes de desencarnar fizeres boas obras que anulem e sobrepujem os efeitos nefastos de teus pecados, terás a chance de subir e repousar no seio do PAI Celeste no infinito. Por isso não adianta se “converter pra Jesus” na ilusão de que “Jesus salva”, isso é alienação, esquizofrenia, fuga da realidade. Cada ser humano tem que acertar pessoalmente suas contas com a lei divina, que sintetizada em duas palavras é ação e reação, causa e efeito. Há dois mil anos, na condição de redentor, tive que resgatar os pecados que a humanidade cometera até então, porque havia sido eu, Adão, o Primogênito de DEUS, quem iniciara a humanidade no caminho do pecado. Mas inexiste anistia preventiva. Quem pecou depois terá que saudar o débito com a lei”.

Tocando.Org: Suas discípulas estão fazendo muito sucesso na internet com as versões místicas de musicas populares, de onde vem tanta inspiração?

INRI CRISTO: “A inspiração vem do ALTÍSSIMO, meu PAI, SENHOR e DEUS. Ele é quem inspira os seres humanos. Todas as artes que existem a serviço do bem são inspiradas por DEUS.”

assage-discipula-inri-cristodiscípula de inri cristo. foto sem autoria.

Tocando.Org: Elas não praticam sexo? São proibidas?

INRI CRISTO: “Elas não são proibidas, e sim optaram viver em pureza, perceberam o benefício de viver em pureza, porque o Reino de DEUS não é um reino de proibição, e sim um Reino de conscientização. No Reino de DEUS eu ensino os filhos de DEUS a viver em harmonia com a lei divina em estado de pureza, e a paz da Casa do SENHOR está entesourada na observância das leis do SENHOR. Mas do lado de fora dos muros da Casa do SENHOR, nós assimilamos o direito de todos fazerem o que quiserem de seus corpos, afinal a opção sexual de cada ser humano é uma questão de foro íntimo e ninguém tem o direito de interferir”.

Tocando.Org: Você sabe o dia de sua morte? Será enterrado onde?

INRI CRISTO: “Eu não posso saber o dia de minha morte porque a morte não existe, a morte é a renovação, é uma etapa para o recomeço de uma nova vida. Então eu jamais morrerei, meu espírito permanecerá vivo para sempre e um dia meu corpo será novamente recolhido pela mãe terra, que espera pacientemente seus filhos queridos para o reencontro místico da renovação”.

Tocando.Org: Pesquisas demonstram que 86% da internet é pornografia, o que você acha disso? Você costuma visitar esse tipo de site?

INRI CRISTO: “Considero isso um sinal dos tempos, mas não tenho ânimo, não tenho motivo para visitar essas páginas. Tenho consciência de que elas existem, e se eu sentisse atração iria ver, mas não sinto atração. Todas essas misérias da carne eu já conheço, já passei por tudo isso antes do jejum em Santiago do Chile, em 1979. Até então fui levado pelo meu PAI sem livre arbítrio a experimentar os pecados do mundo a fim de que eu pudesse compreender a natureza dos seres humanos. Meu PAI disse que o ápice da evolução humana passa necessariamente pelos estertores da carne. Tenho consciência de que tudo isso existe, faz parte do laboratório de experiências que o ser humano passa até sobrepujar as inquietudes da carne”.

inri-cristo-sinuca

Tocando.Org: Além de jogar sinuca, você curte uma cervejinha com aperitivo, talvez um churrasquinho?

INRI CRISTO: “Eu não aprecio churrasquinho, posto que não tenho hábito de me alimentar de cadáver, seja cadáver de boi, de galinha, de porco ou qualquer outro. Prefiro os alimentos naturais. Todavia, tomo sim uma cervejinha vez por outra, nada contra”.

Tocando.Org: Em outra entrevista você afirmou já ter experimentado os prazeres da carne, isso aconteceu mesmo? Quando? Lembra quantas mulheres transou? Você transou com homens?

INRI CRISTO: “Há dois mil anos, antes de começar a vida pública como Jesus, com o nome de Emanuel, dos treze aos trinta anos experimentei os pecados do mundo inerentes àquela época (“Eis que o SENHOR vos dará este sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel. Ele comerá manteiga e mel até que aprenda a separar o mal do bem” – Isaías c.7 v.14). “Comer manteiga e mel” significa experimentar o doce e o azedo, as coisas boas e ruins, até obter o discernimento (nas traduções mais antigas da Bíblia se traduz, em lugar de manteiga, leite coalhado, que é azedo). Só passei a me chamar Jesus depois do jejum. Justo por haver me enlameado no pecados do mundo é que exigi ser batizado por João Batista (Mateus c.3 v.14 e 15), e só depois disso pousou sobre mim o Espírito Santo. E assim agora também, dos treze aos trinta anos, vivi os pecados do mundo, até que o SENHOR me levou ao jejum em Santiago do Chile e me deu poder sobre a carne. Desde então já não tenho as inquietudes carnais que são inerentes aos seres humanos. Mas quanto ao número de mulheres que estiveram comigo na alcova, nunca carreguei comigo uma calculadora nem agenda para registrar. Até o jejum eu vivia como profeta de um DEUS desconhecido, peregrinava de cidade em cidade e estava sempre de passagem, cumprindo o que está previsto em Apocalipse c.3 v.3: “Virei a ti como um ladrão e não saberás a que hora virei a ti”. Depois do jejum foi que tudo mudou”.

Tocando.Org: A igreja é contra métodos anticoncepcionais tal qual camisinha, qual sua postura em relação a isso?

INRI CRISTO: “Melhor seria que todos pudessem viver em pureza, como ensino meus discípulos, mas já que o ato sexual faz parte da vida dos habitantes da terra não só para fins procriativos e a explosão demográfica salta aos olhos, então eu recomendo aos meus filhos, principalmente aos jovens, que usem sim a camisinha não só para evitar a gravidez indesejada, mas também como prevenção, já que existem tantas pestilências, como AIDS, sífilis, etc. E eu posso lhes garantir, meus filhos, que usar camisinha não condenará ninguém ao inferno. Melhor saudável encamisado do que doente descamisado”.

Tocando.Org: Rumores apontam um possível fim do mundo em 2012, o que você tem a dizer sobre isso?

INRI CRISTO: “Há dois mil anos já me perguntaram quando seria o fim do mundo, aos que lhes respondi: “Mas quanto àquele dia e àquela hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas só o PAI” (Mateus c.24 v.36). Portanto agora não vou mudar minha postura, continuo coerente com o que eu disse. O que posso vos dizer é que os homens, fazendo mal uso do livre arbítrio, construíram armas destrutivas, violaram as sagradas leis de DEUS e esqueceram-se também dos santos mandamentos. Semearam desta forma, através de atos e pensamentos, catástrofes e terremotos que, acompanhados da hecatombe nuclear, culminará com o fim deste mundo caótico. Menos de um milhão de pessoas restarão vivas na terra, e a maioria será constituída de mutilados que suplicarão a morte, que em princípio não lhes ouvirá. Então, como você bem disse, são rumores, assim como no ano 2000 pensaram que eu voltaria voando lá do céu de carne e osso e se decepcionaram. Tão somente o ano 2000, mais precisamente no dia 24/10/2000, foi quando o Poder Judiciário brasileiro reconheceu oficialmente meu nome como INRI CRISTO”.

inri_foto

Tocando.Org: Você aceitaria ser penetrado no ato sexual conhecido como sexo anal, se para isso te pagassem 1 milhão de reais?

INRI CRISTO: “Em primeiro lugar, eu não pratico sexo, e em segundo lugar, não tenho ambição pessoal, não possuo nem jamais possuirei bens materiais. Logo, essa tua proposta não combina com minha condição, não condiz com minha realidade, pois vivo uma vida espiritual”.

Tocando.Org: Pra finalizar, poderia deixar sua mensagem para nosso nossos leitores e para todos os internautas brasileiros?

INRI CRISTO: “Rogo ao meu PAI, SENHOR e DEUS que vos inspire e ilumine para que, ao acessar o site www.inricristo.org.br , assimileis os ensinamentos que ministrei da parte d’Ele, facultando-vos viver em harmonia na Terra e sobrepujar as turbulências que estão por vir. Que tenhais todos a minha paz”.

BRDE abre inscrições para EXPOSIÇÕES / curitiba

BANCO REGIONAL DE DESENVOLVIMENTO DO EXTREMO SUL

Abertas as inscrições de propostas para exposições no Espaço Cultural BRDE

Artistas interessados em mostrar o seu trabalho no Espaço Cultural BRDE – Palacete dos Leões – em Curitiba, já podem apresentar projeto para o calendário de 2010-2011.  A coordenação do Espaço vai receber projetos para exposições individuais ou coletivas de artes visuais – pintura, desenho, gravura, fotografia, obras tridimensionais, instalações e outras técnicas. O prazo encerra-se no dia 30 de outubro. As propostas serão analisadas e aprovadas conforme os critérios constantes do regulamento de uso do espaço e de acordo com as vagas disponíveis no calendário de eventos.

Já passaram pelo Espaço Cultural BRDE este ano gravuras de Loizel Guimarães, pinturas de Edilson Viriato, esculturas de Espedito Rocha, pinturas e peças em cerâmica de Rossana Guimarães, desenhos e pinturas de André Mendes, além de outras duas exposições coletivas. Artistas com longa carreira, novos artistas, técnicas variadas e linguagens diversas fazem parte das opções oferecidas no Espaço Cultural BRDE. O pintor Jair Mendes e o fotógrafo alemão Stefan Moses também já tiveram suas obras expostas no prédio histórico.

O já consagrado escultor Alfi Vivern, diretor do Museu de Arte Contemporânea (MAC) em Curitiba, expôs no BRDE em 2008. “Foi ma-ra-vi-lho-so pelo fato de ter obras que faziam referência ao século passado, época em que o palacete foi construído. Uma delas foi uma instalação sem título, que dialogava com o ambiente do palacete antigo. Trata-se de um quarto de hotel ‘com estrelas negativas’ – alusão feita pelo autor às hospedarias que pecam pela qualidade. A instalação remete a um hotel de rodoviária, por onde circulam migrantes. A outra peça foi a escultura ‘Freud no Divã’. Eu tive muita sorte na ambientação. O diálogo entre as obras e a casa transcorreu em perfeita harmonia. Acho importante o artista ter consciência da importância desse diálogo entre o espaço e obra” comenta.

André Mendes, jovem artista plástico, recentemente teve seu trabalho exposto na antiga casa da família Leão. “O espaço é muito interessante, carrega uma longa história e tem uma energia muito boa. A localização também é boa, praticamente central e na rota de outros espaços culturais. Existem várias formas de incentivar o uso de um espaço cultural, assim como assessoria de imprensa, convites e divulgação porque uma exposição exige um investimento inicial com o qual muitas vezes o artista tem que arcar. É muito interessante e atraente para novos artistas a ajuda para material de divulgação, montagem, etc”.

O Palacete dos Leões também abre as portas para outras atividades culturais como oficinas, pequenos concertos, lançamento de livros ou CDs e palestras. Nestes casos, será observada a disponibilidade de data, bem como a capacidade máxima de pessoas no local. As propostas deverão ser apresentadas com no mínimo 30 (trinta) dias de antecedência em relação à data pretendida.

Espaço Cultural BRDE – Mantido e coordenado pelo BRDE – Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul, o Espaço Cultural iniciou suas atividades em junho de 2005, no Palacete dos Leões, construção histórica de Curitiba, e desde então já recebeu mostras das mais variadas técnicas e linguagens. Além das exposições de artes visuais, também possibilitou apresentações de grupos musicais e lançamentos de livros. Considerado pelos artistas como um espaço nobre, o casarão da Rua João Gualberto, no Bairro Alto da Glória, por si só é uma obra de arte. Concluída em 1902, para ser residência da família de Ermelino de Leão Júnior, a construção é tombada pelo patrimônio histórico e é testemunho do ciclo da erva mate, um dos períodos mais prósperos da economia paranaense.

O regulamento para apresentação de propostas encontra-se disponível no site www.brde.com.br, e maiores informações podem ser obtidas no local.

Espaço Cultural BRDE – Palacete dos Leões
(41) 3219-8056

Poliana Dal Bosco
Estagiária / ASCOM
Fone: 41 3219.8035
Fax: 41 3219.8153

www.brde.com.br

CHARLES BUKOWSKI entrevistado pelo ator SEAN PENN / los angeles.ca

quinze anos passados desde a morte do escritor (09/03/1994), reproduzimos uma célebre entrevista feita pelo ator Sean Penn. O encontro ocorreu em 1987, quando o ator estava em Los Angeles para protagonizar Barfly, um filme-biografia sobre a vida de Bukowski, que ultrapassou em muito o território da literatura. Na última hora, porém, Sean perdeu o papel que foi entregue a Mickey Rourke. A entrevista se manteve e tornou-se memorável. Por razões de edição, a intervenção de Sean Penn concentra-se em escolher assuntos, pontos, questões que Charles Bukowski enfrenta como sempre: debochadamente, desbocadamente, cinicamente e… apaixonadamente, como era do feito daquele último beatnik, primeiro punk, amante das mulheres, das corridas e proprietário de frases e pensamentos sem freios.

BARES:
“Eu não vou muito a bares. Tirei isso do meu sistema. Hoje, quando entro num bar, sinto náuseas. Freqüentei muito, enche o saco. Os bares servem para quando somos jovens e queremos brigar, dar uma de macho, arrumar umas mulheres. Na minha idade, eu não preciso mais dessas coisas. Agora só entro nos bares para urinar. Às vezes, entro e já começo a vomitar”.

ÁLCOOL:
“O álcool é provavelmente uma das melhores coisas que chegaram à Terra, além de mim. Nos entendemos bem. É destrutivo para a maioria das pessoas, mas eu sou um caso à parte. Faço todo o meu trabalho criativo quando estoubukowski025intoxicado. O álcool, inclusive, me ajudou muito com as mulheres. Sempre fui reticente durante o sexo, e ele me permitiu ser mais livre na cama. É uma liberação porque basicamente eu sou uma pessoa tímida e introvertida, e ele me permite ser este herói que atravessa o espaço e o tempo, fazendo uma porção de coisas atrevidas… O álcool gosta de mim.”

FUMAR:
“O cigarro e o álcool se equilibram. Certa vez, ao despertar de uma embriaguês, notei que havia fumado tanto que minhas mãos estavam amarelas, quase marrons, como se eu tivesse colocado luvas. E passei a reclamar: ‘Droga! Como estarão os meus pulmões?’”

BRIGAR:
“A melhor sensação é quando você acerta um sujeito que todo mundo acha impossível. Certa ocasião enfrentei um cara que estava me xingando. Falei pra ele: ‘Tudo bem, venha’. Não tive problema – ganhei a briga facilmente. Caído no chão, com o nariz ensangüentado, ele falou: ‘Jesus, você se move tão lentamente que pensei que seria fácil. Mas quando começou a briga, eu não conseguia nem ver as tuas mãos. O que aconteceu?’. Respondi: ‘Não sei, cara. As coisas são assim. Um homem se prepara para o dia que precisa’.”

GATOS:
“É bom ter um monte de gatos em volta. Se você está mal, basta olhar pra eles e fica melhor, porque eles sabem que as coisas são como são. Não tem porque se entusiasmar com a vida, e eles sabem. Por isso, são salvadores. Quantos mais gatos um sujeito tiver, mais tempo viverá. Se você tem cem gatos, viverá dez vezes mais que se tivesse dez. Um dia, isso será descoberto: as pessoas terão mil gatos e viverão para sempre.”

MULHERES, SEXO:
“Eu as chamo de máquinas de queixas. As coisas entre elas e os homens nunca estão bem para elas. E quando vêm com essa histeria… Ah, eu tenho que sair, pegar o carro, ir embora para qualquer lugar. Tomar café em algum canto, fazer qualquer coisa, menos encontrar outra mulher. Acho que elas são feitas de maneira diferente, não? Quando a histeria começa, o cara tem de ir embora e elas não entendem porque. ‘Onde vai?’, gritam. ‘Vou à m…, querida!’. Pensam que sou um misógino, mas não é verdade. É fofoca. Ouvem por aí que Bukowski é ‘um porco chauvinista’, mas não vêm de onde partiu o comentário. Verdade! Às vezes, eu pinto uma má imagem das mulheres nos meus contos, e faço a mesma coisa com os homens. Até eu me ferro nesses escritos. Se realmente não gostar de uma coisa, digo que é ruim, seja homem, mulher, criança ou cachorro. As mulheres são tão encanadas que pensam que são meu alvo especial. Esse é o problema delas.”

PRIMEIRA VEZ:
“Minha primeira vez foi insólita. Não sabia como fazer, e ela me ensinou todas essas coisas de sacanagem. Lembro que ela dizia: ‘Hank, você é um bom escritor, mas não sabe nada sobre as mulheres.’ ‘O que você está dizendo? Eu já estive com uma porção de mulheres.’ ‘Não, não sabe nada. Vou te ensinar algumas coisas.’ Concordei. Depois, e ela disse: ‘Você é bom aluno, entende rápido’. [Bukowski faz cara de envergonhado. Não pelos detalhes, mas pelo sentimento da lembrança.] Mas esse assunto de … Eu gosto de servir a mulher, mas isso tudo tá tão exagerado! O sexo só é bom quando você não o faz.”

ESCREVER:
“Escrevi um conto a partir do ponto de vista de um violentador de uma menininha. E as pessoas passaram a me acusar. Diziam: ‘Você gosta de violentar criancinhas?’. Eu disse: ‘Claro que não. Estou fotografando a vida’. De repente, estava envolvido com uma porrada de problemas. Por outro lado, os problemas vendem livros. Em última instância, eu escrevo para mim. [Bukowski dá uma longa tragada em seu cigarro.] É assim. A tragada é para mim, a cinza é para o cinzeiro. Isto é publicar. Nunca escrevo de dia porque é como ir pelado a um supermercado – todos te podem ver. À noite é quando saem os truques da manga… E vem a magia.”

POESIA:
“Faz séculos que a poesia é quase um lixo total, uma farsa. Tivemos grandes poetas, entenda bem. Existiu um poeta chinês chamado Li Po que tinha a capacidade de colocar mais sentimento, realismo e paixão em quatro ou cinco simples linhas que a maioria dos poetas em suas doce ou treze páginas de m… Li Po bebia vinho também e costumava queimar seus poemas, navegar pelo rio e beber vinho. Os imperadores o amavam porque entendiam o que ele dizia. Lógico que ele só queimou os maus poemas. O que eu quis fazer, desculpem, é incorporar o ponto de vista dos operários sobre a vida… Os gritos de suas esposas que os esperam quando voltam do trabalho. As realidades básicas da existência do homem comum… Algo que poucas vezes se menciona na poesia há muito tempo.”

SHAKESPEARE:
“É ilegível e está demasiadamente valorizado. Só que as pessoas não querem ouvir isso. Ninguém pode atacar templos. Shakespeare foi fixado à mente das pessoas ao longo dos séculos. Você pode dizer que fulano é um péssimo ator, mas não pode dizer que Shakespeare é uma m… Quando alguma coisa dura muito tempo, os esnobes começam a se agarrar a ela como pás de um ventilador. Quando os esnobes sentem que algo é seguro, se apegam. E se você lhes disser a verdade, eles se transformam em bichos. Não suportam a negação. É como atacar o seu próprio processo de pensamento. Esses caras me enchem o saco.”

HUMOR E MORTE:
“Para mim, o último grande humorista foi um cara chamado James Thurber. Seu humor era tão real que as pessoas gritavam de rir, como numa liberação frenética. Eu tenho um ‘fio cômico’ e estou ligado a ele. Quase tudo o queCHARLES BUKOWISKI - FOTOsem títuloacontece é ridículo. Defecamos todos os dias – isso é ridículo, não? Temos que continuar urinando, pondo comida em nossas bocas, sai cera de nossos ouvidos… As tetas, por exemplo, não servem para nada, exceto…”.

NÓS:
“A verdade é que somos umas monstruosidades. Se pudéssemos nos ver de verdade, saberíamos como somos ridículos com nossos intestinos retorcidos pelos quais deslizam lentamente as fezes… enquanto nos olhamos nos olhos e dizemos: ‘Te amo’. Fazemos e produzimos uma porção de porcarias, mas não peidamos perto de uma pessoa. Tudo tem um fio cômico.”

GANHAR:
“E depois de tudo, morremos. Mas a morte não nos ganhou. Ela não mostrou nenhuma credencial; nós é que nos apresentamos com tudo. Com o nascimento, ganhamos a vida? Não, verdadeiramente, mas a f.da p. da morte nos sufoca… A morte me provoca ressentimento, a vida também, e muito mais estar pressionado entre as duas. Você sabe quantas vezes eu tentei o suicídio? Me dá um tempo, tenho só 66 anos. Quando alguém tem tendências suicidas, nada o incomoda, exceto perder nas corridas de cavalos.”

AS CORRIDAS:

“Durante um tempo quis ganhar a vida com as corridas de cavalos. É doloroso, vigoroso. Tudo está no limite, o dinheiro do aluguel, tudo. É preciso ter cuidado. Uma vez, eu estava sentado numa curva, haviam doze cavalos na disputa, todos amontoados. Parecia um grande ataque. Tudo o que eu via era essas grandes traseiras de cavalos subindo e descendo… Pareciam selvagens. Pensei: ‘Isso é uma loucura total’. Mas tem outros dias em que você ganha 400 ou 500 dólares, ganha oito ou nove corridas, e se sente Deus, como se soubesse tudo.”

AS PESSOAS:
“Não olho muito as pessoas. É perturbador. Dizem que se você olha muito para uma outra pessoa acaba ficando parecido com ela. Pobre Linda! Na maioria das vezes eu posso passar sem as pessoas. Elas me esvaziam e eu não respeito ninguém. Tenho problemas nesse sentido. Estou mentindo, mas, creia-me: é verdade.”

A FAMA:
”É uma cadela, é a maior destruidora de todos os tempos. A fama é terrível, é uma medida numa escala do denominador comum que sempre trabalha num nível baixo. Não tem valor nenhum. Uma audiência seleta é muito melhor.”

SOLIDÃO:
”Nunca me senti só. Durante um tempo fiquei numa casa, deprimido, com vontade de me suicidar, mas nunca pensei que uma pessoa podia entrar na casa e curar-me. Nem várias pessoas. A solidão não é coisa que me incomoda porque sempre tive esse terrível desejo de estar só. Sinto solidão quando estou numa festa ou num estádio cheio de gente. Cito uma frase de Ibsen: ‘Os homens mais fortes são os mais solitários’. Viu como pensa a maioria: ‘Pessoal, é noite de sexta, o que vamos fazer? Ficar aqui sentados?’. Eu respondo sim porque não tem nada lá fora. É estupidez. Gente estúpida misturada com gente estúpida. Que se estupidifiquem eles, entre eles. Nunca tive a ansiedade de cair na noite. Me escondia nos bares porque não queria me ocultar em fábricas. Nunca me senti só. Gosto de estar comigo mesmo. Sou a melhor forma de entretenimento que posso encontrar.”

TEMPO LIVRE:
“É muito importante e temos que parar por completo, não fazer nada por longos períodos para não perdê-los inteiramente. Ficar na cama olhando o teto. Quem faz isso nesta sociedade moderna? Pouquíssimas pessoas. Por isso é que a maioria está louca, frustrada, enojada e com ódio. Antes de me casar, ou de conhecer muitas mulheres, eu baixava as cortinas e me punha na cama por três ou quatro dias. Levantava só para ir ao banheiro e comer uma lata de feijão. Depôs me vestia e saía à rua. O sol brilhava e os sons eram maravilhosos. Me sentia poderoso como uma bateria recarregada.”

BELEZA: “A beleza não existe, especialmente num rosto humano – ali está apenas o que chamamos fisionomia. Tudo é um imaginado, matemático, um conjunto de traços. Por exemplo, se o nariz não sobressai muito, se as costas estão bem, se as orelhas não são demasiadamente grandes, se o cabelo não é muito comprido. Esse é um olhar generalizante. A verdadeira beleza vem da personalidade e nada tem a ver com a forma das sobrancelhas. Me falam de mulheres que são lindas… Quando as vejo, é como olhar um prato de sopa.”

FIDELIDADE:
“Não existe. Há algo chamado deformidade, mas a simples fidelidade não existe.”

IMPRENSA:
“Aproveito as coisas más que dizem sobre mim para aumentar a venda de livros e me sentir malvado. Não gosto de me sentir bem porque sou bom. Mas, mau? Sim, me dá outra dimensão. Gosto de ser atacado. ‘Bukowski é desagradável!’ Isso me faz rir, gosto. ‘É um escritor desastroso!’ Rio mais ainda. Mas quando um cara me diz que estão dando um texto meu como material de leitura numa universidade, fico espantado. Não sei, me assusta ser muito aceito. Parece que fiz alguma coisa errada.”

O DEDO:
[Ergue o dedo mínimo de sua mão esquerda] “Você viu alguma vez este dedo? [O dedo parece paralisado em forma de “L”]. Quebrei uma noite, bêbado. Não sei porque, ele nunca voltou ao normal. Mas funciona bem para a letra ‘a’ da máquina de escrever, e – que mistério! – acrescenta coisas aos meus personagens.”

VALENTIA:
“Falta imaginação à maioria das pessoas supostamente valentes. É como se não pudessem conceber o que aconteceria se alguma coisa saísse mal. Os verdadeiros valentes vencem a sua imaginação e fazem o que devem fazer.”

MEDO:
“Não sei nada sobre isso.” [Ri]

VIOLÊNCIA:
“Acho que, na maioria das vezes, a violência é mal interpretada. Faz falta uma certa violência. Existe em nós uma energia que precisa ser liberada. Se ela for contida, ficamos loucos. Às vezes, chamam de violência à expulsão da energia com honra. Existe loucura interessante e loucura desagradável; há boas e más formas de violência. Sei que é um termo vago, mas ela fica bem se não acontecer às custas dos outros.”

DOR FÍSICA:
“Com o tempo, o cara se endurece e agüenta. Quando eu estava no Hospital Geral, um cara entrou e disse: ‘Nunca vi ninguém agüentar a agulha com tanta frieza’. Ora, isso não é valentia. Se o sujeito agüenta, alguém cede. É um processo, um ajuste. Mas não existe maneira de se acostumar com a dor mental. Fico longe dela.”

PSIQUIATRIA:
“O que conseguem os pacientes psiquiátricos? Uma conta. Creio que o problema entre um psiquiatra e seu paciente é que o psiquiatra atua de acordo com o livro, ainda que o paciente chegue pelo que a vida lhe fez. E mesmo que o livro possa ter certa astúcia, as páginas sempre são as mesmas e cada paciente é diferente. Existem muito mais problemas charles-bukowskiindividuais que páginas. Tem muita gente louca para resolvê-los, dizendo: ‘São tantos dólares por hora e quando a campainha tocar a sessão estará terminada’. Isso só pode levar um cara um pouco louco à loucura total. Quando as pessoas começam a se abrir e sentir bem, o psiquiatra diz: ‘Enfermeira, marque a próxima consulta’. O cara tá aí para sugar, não para curar. Quer o teu dinheiro. Quando toca a campainha, que entre o louco seguinte. Aí o louco sensível vai perceber que quando toca a campainha, é sinal que o f… Não existem limites de tempo para curar a loucura. Muitos psiquiatras que vi parecem estar no limite deles mesmos, mas estão bem acomodados. Ah, os psiquiatras são totalmente inúteis. Próxima pergunta…”

FÉ:
“Tudo bem que as pessoas a tenham, mas não me venham enfiar isso na cabeça. Tenho mais fé no encanador que no Ser Eterno.”

CINISMO:
“Me chamaram sempre de cínico. Creio que o cinismo é uma uva amarga, uma debilidade. É dizer: ‘Tudo está uma m… Isso não tá bom, aquilo tá ruim’. O cinismo é a debilidade que evita que nos ajustemos ao que acontece no momento. O otimismo também é uma debilidade: ‘O sol brilha, os pássaros cantam, sorria.’ Isso é uma m… igual. A verdade está em algum ponto entre os dois. O que é, é. Se você não está disposto a suportar a verdade, dane-se!”

MORALIDADE CONVENCIONAL:
“Pode ser que não exista o inferno, mas os que julgam podem perfeitamente criá-lo. As pessoas estão muito domesticadas. O cara tem que ver o que acontece e como vai reagir. Vou usar um termo estranho aqui: o bem. Não sei de onde vem, mas sinto que existe um componente de bondade em cada um de nós. Não acredito em Deus, mas creio nessa ‘bondade’ como um tubo que está dentro de nossos corpos e que pode ser alimentada. Ela é sempre mágica quando, por exemplo, numa estrada sobrecarregada de automóveis, um estranho te oferece lugar para mudar de mão.”

SOBRE SER ENTREVISTADO:
“É vergonhoso e, por isso, nem sempre digo toda a verdade. Gosto de brincar e mentir um pouco. Daí que dou informações falsas só pelo gosto de distrair. Se quiserem saber alguma coisa de mim, não leiam uma entrevista. Ignorem esta, também”.

O MERCADO EDITORIAL BRASILEIRO APRESENTA O SEU RECENTE “BEST SELLER”

REVISTA "VIP" para "MODELOS".

REVISTA "VIP" para "MODELOS".

o mercado editorial brasileiro produz e distribui, de forma massiva, em livrarias e bancas de jornais, esta formidável revista de entretenimento e cultura para as nossas jovens que sonham em ser modelos de grandes grifes ou “relações públicas” de casas de espetáculo. a manchete da revista mostra como ela tem a intenção e pode “ajudar” as meninas brasileiras a se encaminharem na vida “profissional”. indico tal revista, como uma das representantes do mercado editorial, para receber TODOS os prêmios de literatura nacionais. enquanto isso, o judiciário brasileiro censura a nossa imprensa por publicar crimes de natureza pública.

jb vidal

COMO SE POLUI UM RIO (PARTE I) por gil portugal / rio de janeiro

Em realidade, despoluir ou não poluir um rio é uma tarefa de múltiplas facetas e exige atuações postas tais quais um feixe de retas paralelas em uma mesma direção.

Em primeiro lugar, para coordenar idéias, compete definir aquilo que é, para um rio, o seu elemento ou elementos vitais, a partir de que ele será um rio “com saúde”.

Desculpem-me se, daqui para frente, passarei a escrever sobre o óbvio mas, se o farei, nada mais é que para ordenar a linha de pensamento.

Na massa d’água corrente de um rio existem um sem número de organismos vivos dos reinos vegetal e animal e em todos os graus de entrosamento. É um ecossistema. E a Natureza nos ensina que todo ecossistema tem que viver harmoniosamente.

Vejamos, para começar, o reino animal que está presente no rio. A grande maioria de seus membros, devido ao rio, sobrevive, porque ali se alimenta e respira (oxigênio) ar e por isso, eles são animais aeróbios. Se não existissem no rio alimento ou ar eles morreriam. Com isso, tira-se a primeira conclusão: o ar, isto é, o oxigênio é peça indispensável para a sobrevivência do ecossistema, da mesma forma que o alimento, como para qualquer animal, e que, neste caso é a matéria orgânica. Acontece que a respiração é a função primordial, visto que, à sua falta o animal perece de imediato, donde se conclui que o oxigênio é a matéria prima fundamental para a sobrevivência do ecossistema rio.

Basicamente, o oxigênio estará presente na massa líquida por dois processos: a diluição em contato com o ar atmosférico e a fotossíntese devida aos vegetais. E aí, podemos chegar à primeira grande conclusão: se não houver diluição de contato e fotossíntese somadas em quantidade suficiente, fornecendo oxigênio para atender a fauna, ela perecerá gradativamente, até a posição de equilíbrio com a demanda.

O animal respira oxigênio e expira CO2 (dióxido de carbono), se alimenta de matéria orgânica e a transforma em minerais; a planta absorve o CO2 e através da fotossíntese, regenera o oxigênio.

Essa teoria é límpida e certa e com ela, podemos analisar um a um os fatos que fazem “adoecer” um rio e, com isso, nominar cada reta do nosso feixe de paralelas citado. Vejamos:

Desmatamentos – A retirada de um vegetal do solo ou mesmo sua morte, enfraquecerá a resistência mecânica desse solo graças a fixação que havia pelas raízes. Ao perder essa resistência, as águas de chuva iniciam um processo de erosão que, invariavelmente, mesmo que longe do curso d’água, irá carregar para os leitos desse curso, quantidades anormais de sólidos, levando ao processo de assoreamento.

O assoreamento conduz a dois acontecimentos, um deles de caráter não ambiental propriamente dito, que é a diminuição da seção fluída e com isso, provocará alagamento extra-caixa do rio e o outro ambiental, que se dá pelo soterramento dos vegetais de fundo e inibição da penetração para eles do oxigênio, passando, aí, a ocorrer outro processo de decomposição do material orgânico soterrado – sem a presença de oxigênio – através de organismos ditos anaeróbios (que não necessitam do oxigênio dissolvido para respirarem) mas que, ao invés de darem como produto o dióxido de carbono e minerais (insumos para a fotossíntese), produzirão gases derivados de carbono e do enxofre como o metano, as mercaptanas e os gases sulfurosos, venenos para a fauna aeróbia.

Agrotóxicos – São substâncias utilizadas em plantações com a finalidade de matar organismos nocivos à saúde dessas plantações; evidentemente que, essas substâncias, mais cedo ou mais tarde, pelas chuvas, serão carreadas para um curso d’água, continuando ali seu efeito tóxico sobre outros organismos que não aqueles a que se destinavam eliminar. Tais organismos, principalmente os microorganismos, são exatamente aqueles que se encarregam de fazer a decomposição das substâncias orgânicas no seio da massa líquida e se eles estão mortos ou doentes, funcionarão como mais alimentos a serem consumidos, ao invés de transformadores de alimentos.

Adubos – São substâncias colocadas em plantações com a finalidade de abastecê-las de seus elementos vitais como o nitrogênio, o potássio e o fósforo, são as “vitaminas” da flora e estimulam seu crescimento. De uma forma ou de outra, parte desses adubos serão carregados para os rios e ali incentivarão o crescimento dos vegetais aquáticos, principalmente os minúsculos como as algas e esse crescimento exagerado fará acontecer o fenômeno de eutrofização (proliferação exagerada de vegetais) que turvará de verde as águas, dificultando a penetração de luz solar, imprescindível à fotossíntese (que é geradora de oxigênio).

Barragens – O turbilhonamento das águas é fator que facilita a dissolução de oxigênio do ar na água. Se as águas ficam tranqüilas, caso das águas barradas, a tendência à oxigenação diminui à montante (antes) da barragem e também, fica facilitada a deposição de poluentes pesados que comprometem o ecossistema; de positivo, nesse caso, há um favorecimento na depuração das águas à jusante (depois).(continua…)

angela – de jorge barbosa filho / curitiba

angela

essa moça

quando canta blues

lembra a leveza

de um zagueiro

do Bangu.

e quando canta

leva a certeza

de um drible de língua

e um beijo

por de baixo das pernas.

essa moça canta

uma partida

de um amor perdido

mas no último minuto

ganha-o no grito.

horas ácidas – de charles silva / florianópolis

seis horas
ela já vem vaidosa
de corpete liga e lingerie
a noite é uma fêmea impecável
sombra e rímel realçam a malícia
as unhas compridas aguardam o descuido das presas
são fantasmas que como eu percorrem os becos em busca de gozo fácil

sete e meia
o amendoim salgado alegra o gosto adocicado da cerveja
mulheres passam tingindo pêlos passos pensamentos
o que há em mim de fantasma não se apressa
o blefe da noite é comprido
os jogos noturnos implicam baralhos sutis
são lances de olhares coringas febris e damas que trocam seus pares

oito e quarenta e sete
um fantasma perambula pelas ruas da cidade
o mistério dessas margens é fazer dos habitantes uma ilha
por não saber nadar fico preso seco e viro pó

dez gramas e meio
agora o copo é de uísque
novos fantasmas sorriem pra mim
desenvolvo argumentos fantásticos que nunca usei
pensá-los assim tão vivos alegres arregalados assusta
da janela uma mulher astuta me deseja
ou deseja apenas o que a língua acusa

um ácido e meio
a ilha inteira flutua
surfistas abotoam o vestido das ondas
por que meus pais não me contaram essa história?
bungee jumpo-me do mundo!

duas torradas com pasta de cogumelo
as cadeiras jantam os garçons
corro e caio e exponho os ossos
ergo-me lobato cobra norato aladim
os ladrões de ali babá já somam dezesseis bentos
alice mata um coelho
bovary papa um convento

cinco ecstasys e meio da madrugada
pouca ilha… muita água
a língua trava

INTI PEREDO – 40 ANOS DA MORTE DE UM BRAVO – por manoel de andrade / curitiba

Após quatro meses no Chile, cheguei em La Paz em 02 de setembro de 1969. Trazia uma referência de Santiago para contato com um membro de Exército de Liberação Nacional da Bolívia (ELNB), onde pretendia ingressar.

Ambientava-me ainda na cidade, quando ao fim daquela primeira semana o país foi sacudido por uma trágica notícia: o guerrilheiro Inti Peredo, comandante do ELNB fora morto por forças combinadas da Polícia e do Exército num bairro central  de La Paz.

Lugar-tenente de Che Guevara na guerrilha boliviana, sobrevivente do trágico combate na Quebrada do Yuro em outubro de 1967, estrategista da audaciosa retirada pela fronteira com o Chile, onde o esperava o senador Salvador Allende e reorganizador da luta armada na Bolívia depois da morte do Che, o guerrilheiro Inti Peredo, morreu assassinado aos 32 anos, no dia 09 de setembro de 1969.

Nascido em 30 de abril de 1937, em Cochabamba, Alvaro Inti Peredo Leigue era  filho do escritor boliviano Rômulo Peredo. Aos 13 anos já militava no Partido Comunista Boliviano, seguindo muito jovem para estudar na escola do Partido no Chile e dali para Moscou em 1962 para um curso político. No ano seguinte, já de volta, desloca-se para o norte da Argentina, dando apoio ao Exército Guerrilheiro do Povo, dirigido pelo jornalista Jorge Ricardo Masetti, na região de Salta. Posteriormente colabora com a guerrilha peruana e em 1966 faz treinamento militar em Cuba. Volta a Bolívia em 1967, rompe com Mario Monje, secretário geral do Partido Comunista Boliviano e adere à guerrilha comandada por Che Guevara.

Sobrevivente de Ñacahuazu, escapa pela fronteira do Chile, volta a Cuba e em maio de 1969 retorna clandestinamente à Bolívia para reorganizar a guerrilha. Dois meses depois, lança sua mensagem “Voltaremos às Montanhas”, que comoveu o opinião pública do país e deu início a sua brutal perseguição por parte do governo. Delatado seu esconderijo em La Paz, a casa  foi cercada  e sozinho resistiu por uma hora ao ataque de 150 policiais e militares, até que uma granada lançada por uma janela o feriu gravemente.  Arrombada a porta, finalmente foi preso, sem jamais ter se rendido.

Inti Peredo foi selvagemente torturado pelo seu heroico silêncio e barbaramente assassinado a cuteladas de fuzil pelo sanguinário coronel Roberto Toto Quintanilla, o mesmo que mandou cortar as mãos do cadáver do Che, em La Higuera.

Diante de sua morte, meus planos foram totalmente frustrados. Convidado, naqueles dias para participar do Segundo Congresso Nacional de Poetas,  a realizar-se em Cochabamba,  entre 22 e 27 de setembro, transformei minha frustração e minha revolta em versos escrevendo  um poema em homenagem a Inti Peredo,  para dizê-lo, correndo todos os riscos, em pleno Congresso.  Foi meu primeiro poema escrito em espanhol e no dia 25, ao encerrar minha apresentação ante o grande auditório do Palácio da Cultura, declamei o poema: “El guerrilleiro”, explicitando meu tributo poético ao grande combatente assassinado há duas semanas em La Paz.

A Bolívia, naqueles dias, respirava uma pesada atmosfera de golpe e em 26 de setembro cai o presidente democrata Luis Adolfo Siles Salinas e toma o poder e general Alfredo Ovando Candia, responsável pelo grande massacre de mineiros, em junho de 1967, conhecido como “La noche de San Juan”. No dia seguinte fui detido, interrogado e posteriormente liberado por intervenção dos organizadores do Congresso, com a condição que deixasse o país em 48 horas.

Neste 09 de setembro de 2009, solidário com a memória das lutas da América Latina e comemorando o aniversário de morte de Inti Peredo, publico aqui  o poema “ O guerrilheiro”,  em espanhol, escrito exatamente há quarenta anos, em Cochabamba, como meu lírico tributo a um dos maiores revolucionários do Continente.

coco_peredo_nato_loyola_guzman_Inti_402x256na foto: coco peredo, nato, loyola guzmán e inti peredo na selva boliviana.

El guerrillero

En memoria de Inti Peredo

El guerrillero, señores

es un sueño armado que marcha

en el suelo injusto de la patria.

Sabe que quien tiene la tierra

no la reparte sin guerra…

y en ese áspero camino

es um pájaro sin nido

migrando para el porvenir.

.

el guerrillero, señores

es una flor clandestina

que se abre en la mata inmensa

cuando los ecos de la montaña

rompen el silencio del tiempo

y revelan el puño escondido

en las manos agrarias de un pueblo.

.

Su cuerpo… es su trinchera,

su vida por una bandera…

por su honor, por su fe

y su destino trazado.

Si cae… sigue erguido en la verdad

cuando la voz de la libertad

sorviendo la taza de hiel

es un grito asesinado.

.

Ay qué dureza en tus puños

hijo querido del pueblo.

Con qué ternura forjaste

tu corazón de granada

Pues abatieron este hombre

es la esperanza sangrada

y vivo está con su fuego

renaciendo en cada niño

ay, niño sin hogar, sin pan

tu heroico padre de estaño

fue minero masacrado

en una noche de San Juan

.

En la memoria del pueblo

en la sangre continental

fue tu estatua de espanto

que yo esculpí con mi canto

con mi dolor de extranjero

ay, hermano boliviano

ay, un sol asesinado

en tu cuerpo de sendero.

.

pero el alba rompe el día

en la patria y en el corazón

y vivo estás compañero

en el rastro azul de tus pasos.

Ay qué destino tan lindo

América como bandera…

Señores, no tengo patria

soy latino y americano

y e1 guerrillero más bravo

no conoció las fronteras.

.

Compañeros, camaradas

ya es la hora de partir…

Camilo Torres, Guevara

Inti Peredo y Sandino

enseñaron que el sueño

es la palanca del destino.

Pues canten siempre en mi canto

los mártires de la libertad

pocos pueden presentir

que detrás del velo del tiempo

los coágulos de su sangre

son el pan del porvenir.

.

Cochabamba, septiembre de 1969

Este poema, en versión bilingüe, consta del libro

POEMAS  PARA A LIBERDADE, editado por Escrituras

BORRA ASSINADA de lilian reinhardt


(líricas de um evangelho insano)

No fundo da xícara
a borra do meu olhar.
Dos olhos borrados de pó,
de orvalho salgado,
no (dó)i do teclado que ouço
e não entendo…
meu olhar geométrico
se perde na mancha abstrata,
onde assino?!

CONSIDERAÇÕES PESSOAIS EM TORNO DE FERNANDO PESSOA, OFÉLIA E ÁLVARO DE CAMPOS – por zuleika dos reis / são paulo


Álvaro de Campos se intrometeu e destruiu o romance entre Fernando Pessoa e Ofélia Queirós.

Amar um homem sabendo que ele nos ama e que também é outro que nos odeia. Perceber, aos poucos, que este outro vai ganhando mais e mais força, vai nos exilando daquele que, nele mesmo, nos ama; saber também que somos uma e apenas uma. Conviver com essa inalienável unidade e, tendo somente dezenove anos, nos sentirmos obrigada a compreender a dualidade essencial do ser amado e a aceitá-la, a esta dualidade que é, de certo modo, a nossa sentença de morte.

Álvaro de Campos venceu. Paladino da literatura, guerreiro da palavra, ganhou definitivamente Pessoa para si e para Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Bernardo Soares e outros mais. Para isso, Ofélia teve que ser sacrificada. Hamlet português, Ofélia portuguesa, que não enlouqueceu, que guardou durante muitos anos, no anonimato e na clausura de um cofre, as cartas de amor de seu poeta. Durante quinze anos, esperou por ele de algum modo, esperou por uma rendição de Álvaro de Campos e dos outros a Fernando Pessoa, na verdade rendição de todos a um outro do Fernando Pessoa ele – mesmo, como o poeta se auto intitulava, e que era apenas mais um heterônimo.

Esperou em vão, a literatura venceu. Ganhamos todos. Algo se perdeu? Quem o perdeu? O que teria sido se, em determinado dia de um distante outubro do começo do século XX, Fernando Pessoa não tivesse dado à luz Álvaro de Campos? E se este, nos dezenove anos de Ofélia, não tivesse manifestado a força e a vontade implacáveis que afastaram Fernando de Ofélia? Existiria a Obra que houve, que há? Afinal, o que teria existido se o grande poeta houvera optado por viver, ao invés de navegar… e navegar… e… navegar?

Só temos o que temos, só existe o que existe e em mim esta repentina dor quando penso naquela musa quase adolescente a tomar parte, meio sem consciência, de tal batalha entre o amor e a palavra poética; de tal luta, no interior do ser, entre o poeta com sua dor existencial feita de indagações, de respostas sempre provisórias, de certezas nenhumas e o homem desejoso do simples amor humano e destinado à perpetuação da espécie: homem abdicado, anestesiado, por vontade própria, da consciência trágica inerente à condição de se existir e de se ser.

Venceu a Poesia. Vencemos nós. Perdeu Ofélia? Perdeu Fernando? Toda e qualquer resposta se esvai sem deixar rastro. Venceu a literatura para a qual os nomes e os destinos pessoais acabam por não ter, no decorrer da História, a menor importância.

ESPERA de otto nul / palma sola.sc

Espero-o

Não vem

Já andei em círculo

Contei carneirinhos no céu

Li um artigo num jornal

Conversei sobre o tempo

Com um desconhecido

Dei uma volta na praça

Tomei cafezinho

Fui até uma esquina e voltei

Vi duas vezes o mesmo ônibus passar

O relógio marcava uma hora a mais

Espero-o

Não virá nunca

MENINA E PAI por jorge lescano / são paulo

In memoriam Luanda Lescano

A menina estica o braço, abre a mão, os delicados dedos improvisam uma coreografia. A mão do pai rasga o pão. A crosta dourada crepita em surdina, libera o morno aroma do miolo tenro. O homem deposita o pedaço de pão na mão da filha. A menina recebe a dádiva com gesto natural. Seus dentes repetem o som ao entrar em atrito com a casca, ela sorri, os olhos fixos no rosto do homem. Ele a observa. Seus olhos parecem procurar algo muito distante no espaço, ou talvez alguma imagem antiga. Sem o saber, ambos vivem um ritual.

Os gestos de dar e receber o pão são dos mais antigos da vida familiar, pois o pão é o primeiro alimento fabricado pelo homem. Até aquele momento fundador, a espécie se alimentava com o que conseguisse colher da natureza. A cozinha limitava-se a cozer verduras, raízes, assar a carne da caça e da pesca.

Houve um momento em que a mulher plantou a semente e a família deu início à cerimônia da espera da maturação. A família colheu a espiga, moeu o grão. A mãe fez massa da farinha e a levou ao forno de onde saiu transformada em pão. Não é improvável que naquele dia este fosse o único alimento consumido, para melhor apreciá-lo. É possível que aquele dia prefigurasse muitos outros em que o pão, tornado símbolo, se multiplicasse nas mãos do pai, do chefe da tribo, do messias. Desde então sua presença, ou ausência, revela a condição dos que se reúnem em torno da mesa.

Talvez o homem pense nisto, sequer de modo obscuro, ao entregar o pão e ver a filha apanhá-lo com seu sorriso de criança e sem hesitar levá-lo à boca. Talvez o pai tente imaginar se aquele instante virá a fazer parte das lembranças da menina quando ele não mais estiver no mundo. Talvez ela guarde para sempre o olhar do pai no momento da oferta. O silêncio e a lentidão com que se deu o ato permitem estas especulações.

O IMBECIL RETÓRICO por walmor marcellino /curitiba

WALMOR MARCELLINO FOTO 1

Estranhos e perigosos

Cultura essencialmente ágrafa ou insinuantemente letrada para os efeitos de exibir-se em público ‑ na verdade, só por ter ouvido falar de questões profundas e participado de aulas e comícios, e de fraternizar num clube ideológico-político de auto-apreciação-e-estima ‑ ele é o controverso perfeito idiota que não perdoa o Lula por ser inteligente demais sem diploma e lamenta que Fernando-Henrique Color Cardoso seja cultura das ciências sociais com verniz internacional de falar cinco idiomas. porém não passando de um gangasterzinho barato nas lides capitalistas. Onde você esteja, qualquer que seja o tema, a besta não se avexa de lhe ocupar a paciência com o que leu no noticiário de O Estado de S. Paulo, na Folha de S. Paulo, em “O Globo” e nas revistas Veja e Isto É,  ou ouviu algum jornalista comentando questão em entrevista momentosa. O imbecil “prêt-a-porter” da política, à direita ou à esquerda, quer ser notado e nomeado, porque se julga “um seu igual” em preocupação, compromisso e estudo.

1 – Ele é um produtor primário que filosofa: “não cresce uma planta ou um ‘pé-de-pau’ sem que Deus queira” (ou alguém que mande mais); “não se muda metal sem competência e ambiência”, e com apoio na sorte vamos buscando resultados”. O que pensa sempre lhe serviu aos usos e assim leva seu farnel de fatuidades. 2 – Ele tem uma profissão conceituada; é “técnico” e reputado sapiente no fazer produtivo para seu circuito de relações sociais interativas; e assim por que o ele ajuíza sobre sociedade e política pode ser tão constrangedor, exceto nele? 3 – Ele tem alguma herança na prática transformadora, da matéria prima em úteis ao mercado; mas desde nunca se sujeitou a aprendiz-técnico nem se entregou à manufatura; para poder manter livre a criatividade, a idéia de produtividade em seu sentido artesanal. Suas opiniões culturais e políticas constituem uma estultice independente e alegre com que se incha de preceitos. 4 – Ele tem uma atividade liberal sacramentada no convencionado “círculo superior” da sociedade civil e na política, porém um universo de interesses inextricados atou-lhe uma presilha ao umbigo com o qual dialoga sua estupidez e vitupera seus dissentimentos. À vista de todos que o invejam de sua prosódia fluente. 5 – Ele é da organização experimentada desse sistema e da produção capitalistas. E não são importantes os fatos que vão sendo vistos e julgados e sim como ele desempenha sua interveniência magistral: como pensa e procede na avaliação do que ocorre para convencer interlocutores, produtores e alvores e propor-lhes práticas produtivas, economicidades alterativas e políticas públicas subsidiárias. Sua palavra impositiva é a articulação dos lugares-comuns com as novas tecnologias virtuais. 6 – Ele é um processador intelectual, um demiúrgo dos acontecimentos que só poderão ir aparecendo necessariamente ressaltados pela significação que lhes empresta sua inteligência. Entrementes, ele reflete sobre a singularidade de sua função social, com o privilégio do seu entendimento e na esplendência de sua iluminação sobre o que lhe toca (sua radiante weltanschaaung!) Sua compreensão é inexcedível e sua valorização soberba.

Qualquer desses filhos das classes em conflito pode ser o cretino que lhe cospe ideologia da “classe privilegiada”, que tem um pensamento “científico-filosófico” peculiar porque “politicamente adequado senão “correto”, na justificação de todos os crimes e iniqüidades. E ele será um dos merdas com que tropeçamos todos os dias nas ruas, casas e repartições; e que lhe dirá algumas “palavras definitivas” sobre qualquer assunto do momento.

A ARTE com CANETA ESFEROGRÁFICA de JUAN FRANCISCO CASAS RUIZ / espanha

A ARTE COM CANETA ESFEROGRÁFICA - JUAN FRANCISCO CASAS fot7gr

-.-

juan03

-.-

juan04

-.-

juan-francisco-casas-5

-.-

juan-francisco-casas-bic-boli-dibujo

-.-

juan06

Prêmios – de marilda confortin / curitiba


Tenho na minha sala, uma lareira velha toda enfeitada de troféus e diplomas que ganhei pela vida afora. Modéstia a parte, sou foda.

Aquele troféu bonito ali na frente é de TIRO ao ALVO. A mosca morta no centro, sou eu.

E aquela taça dourada é de quando fui campeã mundial de BOLA FORA. Não dei uma dentro.

O crânio rachado, em gesso, revestido de bronze, ganhei num torneio de CABEÇADAS.

A miniatura de vaso sanitário em cerâmica branca é um troféu de CAGADAS HOMÉRICAS.

Aqueles barcos em latão são vários primeiros lugares que tirei nos campeonatos de CANOA FURADA e por sempre ter entrado de GAIATO NO NAVIO.

O diploma azul, que parece uma passagem aérea para lugar nenhum é de TEMPO DE VÔO. Tenho acumulado milhares de milhagens de horas com a cabeça nas nuvens.

Ao lado do Atestado de Burrice, você pode ver a Certidão de Casamento e a Declaração de Divórcio. Fazem parte do mesmo Festival de Besteiras que participei.

Aquela bola branca, maciça,  no canto esquerdo da lareira, é de torneios de SINUCA. Vivo numa sinuca de bico constante.

Aquelas cédulas emolduradas, são dos MICOS que paguei e os galos de bronze, são das BRIGAS  que comprei.

Aquela dama no porta-retrato sou eu: UMA CARTA FORA DO BARALHO.

Tenho também um punhado de medalhas de desonra, luta inglória, maratonas de trabalho, levantamento de peso inútil,  prêmio iBesta, nadação, danação  e por aí vai.

No momento estou disputando o primeiro lugar no FENAESBO – Festival Nacional de Escrita de Bobagens.  Apesar do imensurável número de concorrentes, minhas chances são enormes.

¿Cuál será el futuro de nuestros nietos? – por leonardo boff / são paulo

Los pronósticos de los especialistas más serios son amenazantes. Hay una fecha fatídica o mágica de la que hablan siempre: el año 2025. Casi todos afirman que si ahora no hacemos nada o no hacemos lo suficiente, la catástrofe ecológico-humanitaria será inevitable.
La lenta recuperación de la actual crisis económico-financiera que se nota en muchos países, todavía no significa una salida de ella. Solamente que terminó la caída libre. Vuelve el desarrollo/crecimiento, pero con otra crisis: la del desempleo. Millones de personas están condenadas a ser desempleados estructurales, es decir, que no volverán a ingresar en el mercado de trabajo, ni siquiera quedarán como ejército de reserva del proceso productivo. Simplemente son prescindibles. ¿Qué significa quedar desempleado permanentemente sino una muerte lenta y una desintegración profunda del sentido de la vida?

Leonardo Boff

Leonardo Boff

Añádase además que hasta esa fecha fatídica están pronosticados de 150 a 200 millones de refugiados climáticos.
El informe hecho por 2.700 científicos «State of the Future 2009» (O Globo de 14.07/09) dice enfáticamente que debido principalmente al calentamiento global, hacia 2025, cerca de tres mil millones de personas no tendrán acceso a agua potable. ¿Qué quiere decir eso? Sencillamente, que esos miles de millones, si no son socorridos, podrán morir de sed, deshidratación y otras enfermedades. El informe dice más: la mitad de la población mundial estará envuelta en convulsiones sociales a causa de la crisis socio-ecológica mundial.
Paul Krugman, premio Nóbel de economía de 2008, siempre ponderado y crítico en cuanto a la insuficiencia de las medidas para enfrentar la crisis socioambiental, escribió recientemente: «Si el consenso de los especialistas económicos es pésimo, el consenso de los especialistas del cambio climático es terrible» (JB 14/07/09). Y comenta: «si actuamos como hemos venido haciéndolo, no el peor escenario, sino el más probable será la elevación de las temperaturas que van a destruir la vida tal como la conocemos».

Si probablemente va a ser así, mi preocupación por los nietos se transforma en angustia: ¿qué mundo heredarán de nosotros? ¿Qué decisiones se verán obligados a tomar que podrán significar para ellos la vida o la muerte?
Nos comportamos como si la Tierra fuese nuestra y de nuestra generación. Olvidamos que ella pertenece principalmente a los que van a venir, nuestros hijos y nietos. Ellos tienen derecho a poder entrar en este mundo mínimamente habitable y con las condiciones necesarias para una vida decente que no sólo les permita sobrevivir sino florecer e irradiar.

Leonardo Boff

2009-08-28

O AMOR ACABA por hamilton alves / florianópolis

Paulo Mendes Campos, que é um cronista que muito admiro, que foi fiel a esse gênero (também fez poesia) até o fim; nunca escreveu, que eu saiba, um conto, uma novela ou coisa semelhante, tem uma crônica, que li estampada no caderno “Mais”, da Folha de S. Paulo, faz uns anos, que refere várias situações em que o amor acaba.

Deu-me vontade de seguir referindo outros casos ou momentos em que o amor acaba, se isso não fosse redundante e até, por que não dizer?, fastidioso.

Sim, o amor acaba, quando menos se espera.

Nada é eterno.

Tudo começa e tudo termina. Tudo tem um início e um fim irremediáveis, nem que seja pelo mais doloroso dos fins.

– Tudo acaba. – disse-me uma vez uma namorada

Estávamos no auge do namoro e ela me disse isso de supetão, me pegando desprevenido para a idéia de um dia, sem mais nem menos, ter fim nosso relacionamento.

E teve.

Não sei o que discutimos certo dia que, sem pensar muito, lhe disse:

– É melhor acabar isso de uma vez; não dá mais certo.

Cobrara uma providência que não tomara referente a um interesse dela.

Laconicamente, respondeu:

– Sim, estou de acordo. Já vai longe essa relação.

Tinha alguma coisa para lhe devolver ou entregar no dia seguinte. Ela mesma, resolutamente, propôs a solução da entrega do objeto:

– Você pode deixar em tal lugar (citou o local  onde deixá-lo); não há necessidade de nos encontrar.

Quer dizer, amor mesmo nunca houve entre nós. Dois seres que se amam verdadeiramente não põem termo a uma relação tão friamente assim.

Paulo, na sua crônica, citou uma infinidade de situações em que o amor acaba. Diz ele: “o amor acaba numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois do teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar”, etc.

O fato é que, quando o amor acaba, cada qual sai com sua dor para seu lado, sem às vezes medir consequências, sem mesmo avaliar o que isso poderá custar. O amor acaba, sim, mas como dói tantas vezes.

(set/09)

JORNAL “A TARDE” (BA) entrevista o poeta MANOEL DE ANDRADE / cássia candra

Autor de uma obra engajada nos ideais revolucionários que incendiaram a América Latina a partir da Revolução Cubana, Manoel de Andrade se tornou alvo do Dops (Departamento de Ordem Política e Social) e teve de deixar o Brasil em 1969. Seu acervo poético dos anos que se seguiram, ainda inédito no País, vem a público 40 anos depois com a publicação de Poemas para a liberdade (Escrituras).

A poesia política, carregada de emoção, remete a uma saga literária original, que cruzou as fronteiras latino-americanas com jovens mochileiros. Editado em espanhol, Poemas para la libertad chegou à Bolívia, levado por contrabandistas equatorianos, ao Peru, Colômbia, e em 1971, na Califórnia, EUA. Seus poemas são algumas das pérolas da literatura brasileira condenadas ao ostracismo pelo AI-5.

Para o poeta, “Não houve na história um ano com tantas barricadas como em 1968”.


A Tarde – O senhor viveu os anos dourados de sua trajetória revolucionária fora do Brasil. É lamentável que tenha sido assim?
Manoel de Andrade | Pelo saldo sangrento que a Ditadura deixou na nossa história, minha saída foi o passaporte para a minha sobrevivência. Caso contrário, quem sabe não estivesse a responder esta entrevista, já que quando deixei o Brasil estava sendo procurado pelos agentes do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social). Por outro lado, o importante era estar engajado na luta revolucionária, não importa em que país sua trincheira fosse aberta. O que tenho a lamentar foi o vazio em que caiu minha poesia naquela longa ausência e, posteriormente, pelo meu  próprio manecodesinteresse  ante as dificuldades de expressão ideológica nos anos que antecederam a abertura democrática.  Em 1968 meus versos começavam a ter notoriedade nacional, sobretudo pela sua publicação pela Revista Civilização Brasileira e o amplo destaque que vinha tendo na imprensa do Paraná. A partir da minha saída, em março de 1969,  meus versos vieram à luz em outros berços fraternos, contudo não tiveram a insubstituível carícia da pátria, nem o leite materno da língua portuguesa.

AT – Esta experiência foi capaz de gerar, consciente e gradativamente, um cidadão latino- americano?
MA | Sempre me senti um cidadão do mundo. Sentir-se latino-americano é uma postura  natural quer pelas nossas origens latinas e ibéricas, quer pelo respeito à herança cultural pré-colombiana e a própria da história libertária do Continente. Esta consciência nos coloca, antes de tudo, diante de uma memória colonial de crimes e injustiças inomináveis. Diante de sua memória o ofício do escritor é sempre um compromisso de resgate, de testemunho, de acusação e de esperança e neste sentido minha experiência de caminhante  ampliou minha consciência e, consequentemente, as dimensões dessa cidadania.

AT – No prefácio de seu livro Poemas para a liberdade o senhor diz que em 2008 sua geração “foi colocada no divã da história para fazer a psicanálise de suas ações e omissões”. Como o senhor se sente neste processo?
MA | Sinto-me muito solitário, a exemplo de outros tantos que ousaram preservar seus sonhos. A recente história política do país é um farto repositório de omissões e concessões. Mas depois de tantos escândalos é irrelevante explicitar exemplos. Os encantos do poder reuniram na pátria romanos e cartagineses e,  diante das tantas benesses,  as grandes bandeiras foram arriadas e os ideais emudeceram de vergonha. Foram tantas as sementes lançadas pelos nossos sonhos ao longo do país e do Continente. Muitas delas foram sacrificadas. Outras morreram quando mataram nossa utopia. Algumas, contudo, se preservaram no meio de tanto desencanto, resistiram às ilusões do poder e  sobreviveram com suas cicatrizes, incorruptíveis na dor e ao silêncio. Algumas dessas sementes são hoje flores solitárias num mundo político com cartas marcadas. Sobrevivem porque ainda sonham. Sabem que no mundo não há mais lugar para heróis e muito menos para o homem novo. Estamos mesmificados pela globalização e, nesta ribalta, somente os mitos são iluminados. Penso que todos aqueles que empunharam suas bandeiras naquela década de lutas deveriam honrar ainda essa memória. Nunca tivemos na história do mundo um ano com tantas barricadas como o ano de 1968. Nesse contexto, meus poemas foram apenas uma solitária expressão daquela luta, porque, nos anais dessa memória, todos  sabem que  os verdadeiros poemas da bravura não foram escritos em versos. Contudo esse foi o principal motivo porque resolvi, quarenta anos depois, publicar no Brasil os meus Poemas para a liberdade.

AT – Que Manoel de Andrade nasceu daquele processo revolucionário?
MA | Nasceu um cidadão comprometido com todos os homens.  Que já não acredita na violência revolucionária para mudar o mundo e que para isso todos devem dar as mãos para empunhar as  bandeiras da educação e da paz. Que ainda acredita no sonho de um mundo socialista.
Um homem iluminado pelo sol da liberdade e  cujo coração é uma aldeia da solidariedade. Um homem despojado de interesses pessoais.  Preocupado com a justiça, com o amor ao semelhante e a caridade para os excluídos. Um homem escravo da sua consciência e que busca nunca fazer a ninguém o que não gostaria para si mesmo. Que aprendeu a combater o bom combate, disposto a dar a outra face e perdoar as ofensas. Um homem que respeita o Criador e todas as criaturas, que vê o mundo como poeta e que acredita que a poesia e a música são as mais belas expressões da alma humana.  Um homem preocupado com sua  transformação moral e que luta para transformar seu egoísmo em amor e seu orgulho em humildade.

AT – O senhor transformou política em poesia. Que consciência tinha, naquela época, do poder dos seus versos?
MA | Meus poemas políticos  nasceram pela consciência histórica que tive do meu tempo. Em 1965, um ano depois de golpe militar, participei da Noite da Poesia Paranaense, no Teatro Guaira e ali, entre os quatorze poetas convidados, fui o único a encarar a ditadura  com o poema “A Náusea” que consta deste livro. A partir de então  minha poesia foi se engajando nos ideais revolucionários da época. A revolução Cubana era o nosso farol aceso no Caribe e ao longo da América Latina os movimentos de liberação nacional abriam suas trincheiras. Eu era estudante de Direito e depois de História e declamava meus poemas entre os estudantes e em  passeatas de protesto, panfletava suas cópias mimeografadas nos ambientes da Universidade e os publicava nos boletins acadêmicos. Não sei se naquela época eu tinha consciência do poder dos meus versos, mas embora soubesse que com a poesia não se podia mudar o mundo eu acreditava que no contexto político em que vivíamos no Brasil, o papel do intelectual, e sobretudo do poeta, era comprometer-se politicamente com a época em que vivia, como fizera Castro Alves ante da escravidão,  Maiakovski na Revolução Russa e tantos outros como Byron, Garcia Lorca, Marti, Vallejo, Miguel Hernandez, Nazim Hikmet, Guillén, Neruda, Evtuchenko e depois aqui mesmo no Brasil com Thiago de Mello, Moacyr Felix, Ferreira Gullar, etc. Se meus versos tinham ou não poder que o digam os arquivos da ditadura no Paraná  onde constam cópias mimeografadas de meu poema “Saudação a Che Guevara” — panfletado nos meios estudantis e sindicais de Curitiba em novembro de 1968 –, bem como o registro de minhas atividades e das quatro edições dos meus “Poemas para La Libertad”, na América Latina. Que o digam também os registros da ABIN, em Brasília, relatando minhas atividades como intelectual, e “difamando o nome do Brasil no exterior”. Por certo o poder da minha poesia estava em seus versos libertários, seu poder de denúncia, em sua ânsia de convocação para um sonho que contagiava um continente inteiro e por eram também um lírico manifesto de esperança em um mundo novo.

AT – Como avalia o movimento que vivenciou? Que cidadãos e que sociedade foram gerados naquele processo revolucionário?
MA | Foram muitas sementes lançadas pelas vanguardas revolucionárias em todo o mundo, mas, à semelhança da “Parábola do Semeador”, a maioria delas se perdeu pelos caminhos, ou caiu entre as pedras e no meio dos espinhos. A exemplo da simbologia cristã, muitas daquelas sementes não brotaram porque caíram no terreno árido dos longos anos de ditaduras que reprimiram várias gerações  latino-americanas, deixando a juventude órfão de valores políticos e culturais. Outras brotaram, mas suas raízes não mais encontraram, no tempo, o terreno histórico para fecundar suas flores e seus frutos e outras ainda foram sufocadas pelos espinhos do capitalismo perverso e suas ilusões consumistas. As poucas sementes que caíram na boa terra brotaram e se preservaram imaculadas na seiva do ideal. Contudo os tempos já eram outros, marcados pelos cacos das grandes ideologias e seus sonhos foram marginalizadas pelo oportunismo dos seus próprios pares e pelos interesses e equívocos de uma sociedade dominada pela esperteza, pela corrupção e pelo hedonismo. Escrevi, no ano passado, pela memória dos quarenta anos de 1968, quatro artigos enfocando o problema estudantil no Brasil e no Mundo e sua opção pela luta armada na América Latina. Toda a essência desta pergunta e sua resposta estão avaliadas nas considerações finais do 4º artigo: As barricadas que abalaram o mundo”, à disposição na Internet.

AT – Qual o seu olhar sobre a América Latina hoje?
MA | É historicamente gratificante ver a América Latina representada politicamente por uma grande mobilidade social.  Na Venezuela, na Bolívia e no Equador o apoio popular tem permitido avanços mais profundos nas estruturas sociais, visando abolir seculares desigualdades de classes. É um período de transição, em que os governos mais corajosos começam a desterrar as teses  neoliberais que dominaram a política do Continente no século passado. Creio que finalmente a América Latina começa a despertar para o mundo, política e economicamente. É desejável que a integração do Brasil com a América Latina se torne ainda muito mais fraterna.

NOSSA VINGANÇA por alceu sperança / cascavel.pr

Quando perdemos amigos involuntariamente, por motivos externos, parece que um mecanismo igualmente involuntário é acionado. Pensamos que se estivéssemos mais presentes, solidários ou parceiros poderíamos ter evitado essa perda. E vem aquela ideia, que por vezes acode apenas por alguns poucos e fugazes momentos, de que pelo menos agora deveríamos ser mais presentes, solidários e parceiros dos amigos que ficam.

Agora mesmo sentimos a perda do artista plástico Wanderley Damasceno, como sentimos antes as perdas do Andrezinho Costi e do advogado Aírton Reis, sobre os quais a colega Lara Sfair e o eterno camarada Mário de OliveiraAlceu sperança  - AJC (1) já teceram memoráveis referências.

Sobre o André, tenho a declarar que um dia chegamos a tramar o esboço de um festival de música, um Woodstock cascavelense, a partir de uma idéia fixa do companheiro Chicão Lustosa.

Sobre o dr. Aírton, vale a recordação agradecida de Mário Ferreira de Oliveira. Quando Mário foi preso, na ditadura, acusado de montar um arsenal de armas para uma inexistente “subversão comunista” do PCB, o dr. Aírton Reis foi defendê-lo.

Reis não só foi impedido de verificar as dramáticas condições carcerárias em que Mário estava, sofrendo ofensas e torturas, como também ele próprio foi maltratado. São episódios que não podem ficar esquecidos nem ocultos.

Curiosamente, nosso Wanderley Damasceno, o último a pular daqui pra lá, ao ser recrutado pelo PCB tomou a iniciativa de reunir armas para uma tomada de assalto ao prédio da Prefeitura de Cascavel. Fui o encarregado de dizer a ele que a ação era descabida: a revolução percorre os caminhos da consciência política, não os da aventura irresponsável.

Coisa difícil de dizer a um entusiasmado camarada, pois eu próprio achei a coisa de um romantismo fenomenal e até senti vontade de participar!

Se não pudemos ser mais solidários, presentes ou parceiros de Damasceno, Andrezinho, Aírton, da menininha Emanuele, assassinada no acampamento de sem-terras, da garota executada no Bobódromo, dos idosos e das crianças que sucumbem à violência do trânsito, dos que sofrem as epidemias de gripe suína, dengue e hepatite resultantes da falsa “prioridade” à saúde, dos jovens trucidados na periferia, temos ao menos que estar e ser presentes, solidários e parceiros dos familiares e amigos que sobrevivem e procuram, com amor e emoção, transformar este chamado “vale de lágrimas” num planalto de humanidade, carinho e construção.

Sem deixar de derramar as lágrimas cabíveis, pois continuam chorando em nossa Pátria mãe gentil as Marias e Clarices, devemos ter claro que nenhuma homenagem seria mais necessária, suficiente e eficaz aos nossos mortos que zelar fraternalmente pelos que ficam.

Para que não se desesperem, para que se reanimem, para que reforcem o ímpeto progressista de sua missão nesta vida e neste solo. Para que combatam a chaga triste da exploração do trabalho humano, do enriquecimento com o sofrimento dos homens, do neoliberalismo e seu aquecimento global, do espírito belicoso e ofensivo da indústria de armas, da sanha homicida dos senhores da droga e das finanças, do culto à filosofia hobbesiana de que “o homem é o lobo do homem”.

Que uma dor assim pungente não seja inutilmente a derrota, o entregar dos pontos, a desistência de tornar este mundo melhor para os familiares dos nossos mortos, para seus amigos que ficam e querem extrair dessas dores e lágrimas todas a melhor vingança possível.

E qual seria ela? A transformação do Brasil num país melhor, mesmo sendo hoje oprimido pela conversa mole de Lula e seus parceiros, liquidando direitos, trapaceando com a poupança dos pobres e o dinheiro dos trabalhadores, em seu papel odioso de agentes internos, a quinta-coluna do neoliberalismo.

E a vingança maior de transformar este mundo num lugar melhor para viver, pois isso, apesar das dores pungentes, das lágrimas e das armas quentes, é não só possível como absoluta e inevitavelmente necessário/obrigatório se não queremos abdicar de nossa humanidade e de manter a vida soberana sobre este planeta.

Haverá luz e alegria no fim do túnel. Mas ainda temos que cavá-lo.

PROFECIA de solivan brugnara / quedas do iguaçu.pr

Na minha morte

milhões de pássaros vão cantar

por que milhões de pássaros cantam sempre.

Crianças nascerão,

por que  crianças nascem todos os dias.

e como combinado também

muitos homens morreram na mesma hora

que homens morrem a todo minuto.

Flores se abrirão

por mais que aqui seja inverno,

mas em algum lugar do mundo será primavera

e lá as flores se abrirão

E rosas secarão em jardins e floriculturas

Porque a muito tempo que rosas secam nos jardins

e causam prejuízo nas floriculturas

Neste dia uma pomba fará seu primeiro vôo

e nos cantos escuros e camas de toda a terra

haverá êxtases e fecundações

e terá em algum lugar  chuva, em outro sol

em metade do planeta será claro em outra, escuro

como no ing-iang

E posso profetizar

Que na exata hora da minha morte

alguns copos e pratos  se quebrarão

para sempre

por que é corriqueiro que pratos quebrem

VOAR, SEM GLAMOUR por sérgio da costa ramos / floranópolis

Viajar, ser outro em outros países, como poetou Fernando Pessoa, já não desperta os mesmos prazeres dos tempos dourados.

Os acordes de Fly Me to the Moon, ou Come Fly with Me, como festejava Frank Sinatra, resumindo a alegria de voar, transformaram-se em Missa de Réquiem depois do 11 de setembro de 2001. Os terminais se tornaram sucursais do SÉRGIO DA COSTA RAMOS 1hospício, com passageiros tresnoitados, overbookings e hordas de viajantes indignados, entregues à má sorte. As companhias aéreas e os aeroportos simplesmente não conseguiram crescer com a mesma velocidade do “mercado” e naufragam ao peso da incompatibilidade de custos: terminais malconservados ou inadequados, companhias aéreas falidas.

Voar, a partir de qualquer aeroporto rotulado como busy ou “muito ocupado” transformou-se num pequeno calvário. Se o aeroporto se hospeda nos Estados Unidos, onde voaram os “pilotos” de Bin Laden, então, a experiência é ainda mais desagradável. E acaba revogando todos os direitos individuais já conquistados pelos homens nos dois séculos e meio que se seguiram à Constituição de Filadélfia. Até ministro brasileiro já ficou descalço para as autoridades da alfândega, em Nova York…

Voar perdeu o glamour, depois da grande tragédia das torres gêmeas, na mesma Manhattan antes festiva, durante aqueles anos dourados de muito jazz, paz, fleuma e vida mansa.

Os aeroportos estão travestidos num grande formigueiro de moscas assustadas – os passageiros – submetidas aos “zangões” da imigração ou da segurança. Só no segundo trimestre de 2009, cerca de 900 brasileiros tiveram seu acesso negado pelas autoridades do Aeroporto Internacional Roissy-Charles de Gaulle, em Paris.

Foi de brasileiros a nacionalidade mais barrada na França, depois dos chineses – e isto, em pleno Ano da França no Brasil! Por conta desse minueto cultural, as autoridades francesas concordaram em refrear o seu controle draconiano. Mas os aeroportos estão transbordando de mau humor e de intolerância.

As estatísticas comprovam que ainda é muito seguro voar. Mas nunca tantos estiveram tão à mercê de acidentes fatais, como os passageiros da geração “digitalizada”, seus destinos cruzados com os dados de um supercomputador que voa a 10 mil metros de altitude. Quando um desastre aéreo acontece, a tragédia desaba sobre homens e mulheres emboscados no meio da noite – o breu gélido e assustador invadindo os charutos metálicos e os desintegrando ares abaixo, rumo ao cume das montanhas ou ao inóspito assoalho dos oceanos.

Nem por isso o verbo “viajar” deixará de ser conjugado pela humanidade – pois, a despeito dos terroristas ou do mau funcionamento de algum computador, o homem só foge do tédio se o passar dos dias lhe trouxer novos horizontes.

Pena que o preço seja cada vez mais alto. Se não em dinheiro, em dignidade e cidadania. Glamour, nos aeroportos de hoje, só se o passageiro brincar de ser um astro hollywoodiano e desempenhar o papel do “hóspede forçado”, como o Tom Hanks de O Terminal.

PRIMAVERA de philomena gebran / curitiba

TULIPAS ROJAStulipas.  foto livre.

urgente preparar-me

acordar, ficar atenta

prestar muita atenção

.

para quando a primavera vier

.

quero lavar-me no fraescor

do orvalho da manhã

mesmo antes de o sol chegar

.

para quando a primavera vier

.

quero despir-me da noite

do frio, da bruma da névoa

das nuvens, do chumbo

.

para quando a primavera vier

.

quero lavar meu rosto pálido

minhas mãos vazias e frias

meus olhos cinza e triste

.

para quando a primavera vier

.

quero soltar meu coração

quero correr livre e nua

beber o ar da manhã,

.

para quando a primavera vier

.

quero deitar-me na grama,

cobrir-me de flores

vestir-me de todas as cores

.

para quando a primavera vier

.

quero abrir meu corpo, minha alma

libertar-me de tudo, de todos

entregar-me nua e pura

.

quando a primavera chegar

FLORIANÓPOLIS, ilha dos nomes flutuantes – por charles silva / florianópolis

Quando o poeta Zininho escreveu o verso “um pedacinho de terra perdido no mar”, não fazia referência a nenhuma ilha flutuante. Ele cantava uma ilha de cinquenta e quatro quilômetros de comprimento, cujas cristas montanhosas permanecem petrificadas até hoje. Ele cantava a figueira centenária e profundamente enraizada, a lagoa de águas azuis e sonolentas, a natureza exuberante de uma paisagem que se renova constantemente sem sair do lugar. E foi assim, reunidas e paradas, que as belezas deslumbrantes e eternizadas pelo tempo encheram os olhos e o coração do poeta: “Jamais a natureza reuniu tanta beleza! Jamais algum poeta teve tanto pra cantar!”

O mesmo não se deu com o nome. Os índios carijós, muito antes dos portugueses, chamavam a ilha de “Meiembipe”, palavra que traz a ideia de “montanha ao longo do rio”. O italiano Sebastião Caboto, a serviço da Espanha, numa de suas expedições, por volta de 1526, desembarcou na ilha e assinalou em seus mapas o nome de “Porto dos Patos”. Decerto que o topônimo está ligado a uma grande quantidade dessas aves, que imitando a flecha certeira dos legítimos donos da ilha, espetavam os pequenos peixes, pingentes prateados sob a lâmina azul daqueles dias.

Pouco mais de três anos da chegada de Caboto, tanto ele como um outro navegante, Diego Ribeiro, passaram a anotar em seus mapas o nome de “Ilha de Santa Catarina”. Não se sabe se tal nomenclatura foi uma homenagem de Sebastião Caboto à sua esposa, Catarina Medrano, ou a Santa Catarina de Alexandria, venerada pela Igreja Católica até 1969, quando foi banida do Calendário Litúrgico por falta de provas históricas de sua existência.

Devido a sua localização, era comum a visita de portugueses e espanhóis à ilha. Praticamente todas as embarcações que partiam do Rio de Janeiro em direção ao Rio da Prata, entre Argentina e Uruguai, necessitavam de reparos, água e víveres de toda sorte. Assim, no ano de 1623, aportou na ilha o bandeirante Francisco Dias Velho, provavelmente por sugestão do Governador do Rio de Janeiro, Salvador Correa de Sá e Benevides, e deu início ao povoado de “Nossa Senhora do Desterro”. O nome do novo povoado foi motivado por ser a ilha, à época, habitada por vários desterrados. A estes, juntavam-se náufragos, marinheiros desertores e alguns frades franciscanos.

Quase três séculos se passaram até a eclosão da Revolução Federalista em 1893, no Rio Grande do Sul. À frente dos acontecimentos estava “o primeiro vice-presidente a se tornar presidente”, o marechal Floriano Peixoto, que se revelou um ditador implacável, crudelíssimo, inimigo de toda e qualquer liberdade. Os federalistas gaúchos exigiam que Floriano se pautasse pela Constituição. Como o marechal não fosse homem de acordos, em pouco tempo os três estados do Sul se revoltaram. A ilha assistiu ao conflito sangrento entre “federalistas” e “legalistas”, até que, no ano seguinte, em 1894, Desterro foi ocupada pelas tropas de Floriano Peixoto. O Coronel Antônio Moreira César assumiu a chefia estadual. Seguiu-se uma ferrenha perseguição aos revoltosos, que em poucos dias foram fuzilados impiedosamente, sem direito algum de defesa.

A julgar pelos acontecimentos históricos, o nome atual da ilha recai como uma ironia ácida às famílias que viram muitos de seus membros serem assassinados friamente. Em homenagem lúgubre à carnificina imposta pelos vencedores do conflito, a ilha passou a se chamar “Florianópolis”, a “cidade de Floriano”, o terrível marechal.

É claro que hoje o nome soa antipático apenas aos que conhecem a outra parte da história do “pedacinho de terra perdido no mar”. Várias sugestões já foram dadas para que a ilha mudasse mais uma vez de nome. Já se falou em “Ondina”, que segundo a mitologia germânico-escandinava eram ninfas aquáticas de beleza extraordinária. Essas ninfas estariam ligadas à eternidade e efemeridade do amor. O nome é bem apropriado, posto a ilha como um símbolo do amor do Oceano Atlântico, que embora seja conhecedor de todo o corpo de sua amada, não pode adivinhar-lhe o nome exato.

Conquanto as empresas de turismo tenham explorado bastante a expressão “Ilha da Magia”, atualmente os moradores da cidade a chamam carinhosamente de “Floripa”. As ruas do centro ostentam dois nomes em cada placa, o atual e o antigo. Através dos antigos nomes, “Rua do Príncipe”, “Rua da Paz”, “Rua da Saudade”, pode-se flanar também pela atmosfera poética que continua adoçando toda ilha. É quando o caminhante mais sensível observa, na penumbra do palimpsesto urbano, o verdadeiro tesouro da ilha dos nomes flutuantes… Mais do que uma descoberta, um momento de puro amor.

(Charles Silva é poeta da ilha, graduado em História e mestre em Educação)

A VIDA COM TEMPO de osvaldo wronski / curitiba


O satélite fotografa a alma da chuva

Que por acima se aproxima

Fazendo-nos ficar a sós

.

Nada podemos contra o seu avanço

Que medonho e cativante nos enfrenta

estremecendo todas as estruturas

.

Vamos dar um tempo ao tempo

Este pode ser um bom momento

Para acompanhar os seus estágios

.

Por momentos nos contemos

Cercados por água saciante

Benvinda de todos os lados

.

Lá fora  a água retinge a cor da tinta

Invadindo lugares, privando a cidade de pessoas

Que andam em círculos sobre o metro quadrado

.

Nuvens obscuras encobrem o céu

O raio aponta para o chão

estarrecendo o cenário

.

Indo até aonde nós nos temos

Debaixo de algum abrigo metereológico

O clima se modifica e tudo se reedita

.

Chuva que cai como uma luva

quem me dera ficar ao deus dará

e ver o tempo que não para de cessar

QUERO SER FADA de ana carolina cons bacila /curitiba


Fada das quatro estações,
me traz emoções,
me traz meu sonhar.

Crio coragem pra te falar,
quero asas para voar,
sonho do coração.

Asas negras para o inverno.
Asas vermelhas para o verão.

Asas marrons para o outono,
Asas rosadas para a primavera.

Asas de anjo
para confortar um coração.

.

ana carolina (16) faz parte do grupo jovens poetas do site.

IMPACIÊNCIA de josé dagostim / criciúma

Impaciência

O tempo corta-me num cerco implacável. Percorro perdido entre os limites da rota e o balanço, num ritual que tenta agradar os deuses da lentidão. Minha dança é sem compasso, presa no entroncamento do destino. Avanço o sinal num gesto previsível que acusa o agastamento do logradouro…


ÁFRICA de nelson padrella / curitiba

Os rios eram azuis na folha de cartolina. Tão azuis quanto os olhos de Margot. Ela ficou de vir estudar aqui em casa, ela e seus olhos muito azuis.

Os garotos vieram me procurar para a gente ir brincar. Bem que eu estava com vontade de descer a rua no carrinho de rolimã, mas a menina era muito mais importante.

Quando a campaínha tocou meu coração mudou de lugar. Margot entrou sobraçando cadernos. Nem um beijo à porta.

Sentados na sala grande como crianças comportadas. a África era nossa, onde sonhávamos safáris. Os faraós nos aguaravam, deitados pacientemenmte em seu sono de pó. O pó dos séculos deve ser como a areia do Sahara. O Nilo foi criado no papel, sem ameaça de crocodilos. Só o azul das águas ameaçava.

– Quando desenhei o rio pensei nos teus olhos.

Ela, concentrada na leitura de um texto.

Falo de maneira diferente:

– Teus olhos me lembram o Nilo.

Ela deixou o interesse pela leitura.

– Meus olhos estão cheios d’água?

– Não – eu disse.

– Cheios de faraós?

Abaixei a cabeça não envergonhado, abaixei para sorrir melhor.

A menina continuava me provocando:

– Então, meus olhos…(fez uma grande pausa, inventado o que dizer)…eles são os maiores do mundo?

– Sim – respondi.

Ela se admirou. Olhou séria para mim:

– Tenho olhos tão grandes assim?

– Não, Margot. Os olhos de você são os maiores do mundo em beleza.

Ela continuou seria. Retomou o texto, como se o que eu tivesse dito não importasse. Depois, apanhou a ecoline e ia pincelando savanas na África inventada. Parou nas margens do Nilo.

– Por que você disse aquilo?

O cheiro de Margot me inebriou. Flores da África ofereciam perfume. O siroco me sufocava com seu ar quente.

– Disse porque é verdade.

Agora, era ela quem se perdia. Retomou o desenho, mas a caneta parada na mão era como a caravana indecisa nas areias, que não sabe o rumo a ser tomado. Ela olhava para fora, o jardim onde verdes se insurgiam.

– E se fossem verdes?

– O quê?

– Meus olhos. Se fossem verdes?

Pensei um pouco, mas ela respondeu antes que eu falasse.

– Iam lembrar o lodo do fundo do Nilo?

Ela estava contrariada e eu não atinava o motivo. Era quase agressiva quando olhava daquele modo para mim.

– Não, Margot. Se fossem verdes me lembravam das florestas da África.

Paramos de falar. Da rua, gritos alegres de crianças. Um perfume vindo não sei de onde. A vontade de tocar na menina.

– Um dia queria ir pra África – eu disse.

Ela não respondeu. Talvez não tivesse o que dizer. Eu me enchi de coragem.

– Queria navegar no rio Nilo.

Ela ergueu o rosto e estava sereno. Era um sorriso nascendo no canto dos lábios?

– Queria navegar nos teus olhos – eu disse.

Ela abaixou a cabeça e fez que sim. Eu toquei com a mão em seu ombro e ela suspirou. O segredo da esfinge desvendado. Trouxe a cabeça da menina até perto da minha.

MEDIOCRIDADE versus TALENTO / editoria

quando Winston Churchill, ainda jovem, acabou de pronunciar seu discurso de estréia na Câmara dos Comuns, foi perguntar a um velho parlamentar, amigo de seu pai, o que tinha achado do seu primeiro desempenho naquela assembléia de vedetes políticas.

o velho pôs a mão no ombro de Churchill e disse, em tom paternal: -“Meu jovem, você cometeu um grande erro. Foi muito brilhante neste seu primeiro discurso na Casa. Isso é imperdoável. Devia ter começado um pouco mais na sombra. Devia ter gaguejado um pouco. Com a inteligência que demonstrou hoje deve ter conquistado, no mínimo, uns trinta inimigos. O talento assusta.”

e ali estava uma das melhores lições de abismo que um velho sábio podia dar ao pupilo que se iniciava numa carreira difícil. a maior parte das pessoas encasteladas em posições políticas é medíocre e tem um indisfarçável medo da inteligência. temos de admitir que, de um modo geral, os medíocres são mais obstinados na conquista de posições. sabem ocupar os espaços vazios deixados pelos talentosos displicentes que não revelam apetite pelo poder. mas é preciso considerar que esses medíocres, ladinos, oportunistas e ambiciosos têm o hábito de salvaguardar as posições conquistadas com verdadeiras muralhas de granito por onde talentosos não conseguem passar.

dentro desse raciocínio, que poderia ser uma extensão do “Elogio da Loucura”  de Erasmo de Roterdam, somos forçados a admitir que uma pessoa precisa fingir-se de burra se quiser vencer na vida.

o grande dramaturgo brasileiro nelson rodrigues nos deixou esta:

Finge-te de idiota e terás o céu e a terra.

VERA LÚCIA KALAHARI e sua poesia / portugal

Disseste que voltavas

E eu esperei…

Mandei que as acácias rubras

Florissem só para ti.

Que as casuarinas desgrenhadas

Se vestissem com mantos de nívea espuma.

Mandei que as rosas

Se abrissem só para ti…

Que juncassem de flores

As pedras de cada rua…

Que tocassem batucadas

Na noite luarenta…

Qu’acendessem fogueiras

Em todas as esquinas…

Tu não voltaste.

Murcharam as acácias

A florirem numa ansiedade vã…

Curvaram-se as casuarinas

Com lágrimas d’espuma

Caindo na praia escura…

Calaram-se os cantos nos beirais.

Parados quedávamos

Tentando o som dos teus passos escutar…

Calou-se o menino de barriguinha inchada

Qu’esperava por ti para o salvares…

Que fazias que não voltavas?

Que fizemos p´ra não voltares?

Tu que trouxeras a fé e a crença

A este povo descrente

Eras agora uma voz …

Uma voz…nada mais.

O ARTISTA VISUAL “JUAREZ MACHADO” abriu sua exposição: CHÂTEAUX BORDEAUX em CURITIBA

abriu ontem a exposição Châteaux Bordeaux, do artista visual catarinense Juarez Machado, na Simões de Assis Galeria de Arte. Juarez passou três meses viajando pelo interior da França, país em que reside há 20 anos, hóspede dos mais encantadores castelos da região.

na exposição estavam presentes:

JUAREZ MANECO TEREZA CLETODSC06525

o poeta –  palavreiro da hora – manoel de andrade e autor de CANTARES e POEMAS PARA A LIBERDADE, tereza (esposa de cleto), o artista visual juarez machado e o poeta e editor cleto de assis. amigos das antigas.

veja mais fotos da vernissage na página SALA DE VISITAS 1

MEU DISCURSO NO PLENÁRIO por “o ruminante”* / belem

Todos nós, cidadãos brasileiros, temos o direito de nos expressar ante as assembléias e senado. Um dia pretendo falar no plenário, seja municipal, estadual ou federal, ainda que desprezado, vou utilizar deste meu direito, que hoje acredito estar tornado-se dever.

Apenas para registrar: não tenho nenhuma pretensão política!

Caso o discurso fosse hoje, este seria assim:

“Caros cidadãos que me ouvem, gostaria de dizer que não sou líder comunitário, não represento nenhuma classe social ou grupo sindical, não tenho conhecimento dos procedimentos políticos necessários para a adequada governança de nosso país. Além disso, nunca me interessei realmente por política, sendo assim, não conheço a fundo o histórico político da grande maioria dos políticos que aqui se encontram.

Apesar da desqualificação que vos apresentei agora, tenho algo que me faz apto para expressar minha indignação: SOU CIDADÃO BRASILEIRO E NÃO AGUENTO MAIS!

Desde minha infância ouço dos que estão a minha volta que a carreira política não é para pessoas honestas, porém sempre achei que isso fosse um exagero, certamente estas pessoas que receberam votos estavam lá para ajudar o povo e governar o país na direção correta, poucos deveriam ser os desonestos.

Minha inocência passou, passei a prestar atenção com olhos maduros ao que acontece no dia-a-dia dos políticos brasileiros e, hoje, temo não confiar em mais nenhum destes cidadãos (sim, vocês também são somente cidadãos, assim como eu).

Apesar de me parecer que todos os políticos brasileiros são corruptos, quero acreditar que dentre todos vocês ainda há alguém que realmente se preocupa com o próximo, que se comove ante as necessidades e dramas alheios, que tem moral e ética para agir conforme o bem da nação, no cumprimento das leis e, principalmente, no respeito ao próximo.

O simples respeito ao próximo seria suficiente para que os governantes deste país atuassem de forma mais digna do que vemos atualmente! Basta isto: RESPEITO!

Hoje nossos políticos sofrem de um total desrespeito por nós, cidadãos comuns (apesar de que para mim, todos são cidadãos comuns), por conta disso não fazem o que nós precisamos, mas o que precisam aos seus interesses pessoais.

Nós brasileiros não estamos reagindo como deveríamos! Não falo de luta armada, de revoltas e nada de violento, mas de voto. Tem exatamente 12 anos que não voto em ninguém, tenho anulado meu voto a cada eleição, não consigo votar em nenhuma pessoa que se habilita para defender os meus direitos de brasileiro.

Não deixei de votar como um ato de protesto, mas por não ter em quem votar! Quase votei no Presidente Lula, mas agradeço no repente de nacionalismo que tive em frente a urna que me levou a anular, também, este voto.

Atualmente, digo a todos que não temos políticos em nosso país, mas um grupo de pessoas acima da cidadania que não respeitam ninguém. Estas pessoas não se importam com a base moral que deveriam representar e que, tanto quanto um traficante de drogas, prejudicam nosso país com suas atitudes egoístas e mercenárias.

Sou apenas, repito, um cidadão comum, mas sei que minha consciência jamais se calará diante da condição política que nos encontramos. Se minha voz puder chegar ao resto da nação, espero fazer nestas poucas palavras mais do que qualquer polítco da atualidade tem feito por nosso país.

Muito obrigado

O Ruminante”

Caso alguém queira saber, estou completamente bêbado, mas escrevo de coração.

* o site tem a verdadeira identidade do autor.

ARROZ de CARRETEIRO – de jayme caetano braun / são borja.rgs

Arroz_Carreteiro_4a3bef2173a2a

Nobre cardápio crioulo das primitivas jornadas,
Nascido nas carreteadas do Rio Grande abarbarado,
Por certo nisso inspirado, o xiru velho campeiro
Te batizou de “Carreteiro”, meu velho arroz com guisado.

Não tem mistério o feitio dessa iguaria bagual,
É xarque – arroz – graxa – sal
É água pura em quantidade.
Meta fogo de verdade na panela cascurrenta.
Alho – cebola ou pimenta, isso conforme a vontade.

Não tem luxo – é tudo simples, pra fazer um carreiteiro.
Se fica algum “marinheiro” de vereda vem à tona.
Bote – se houver – manjerona, que dá um gostito melhor
Tapiando o amargo do suor que –
às vezes, vem da carona.

Pois em cima desse traste de uso tão abarbarado,
É onde se corta o guisado ligeirito – com destreza.
Prato rude – com certeza,
mas quando ferve em voz rouca
Deixa com água na boca a mais dengosa princesa.

Ah! Que saudades eu tenho
dos tempos em que tropeava
Quando de volta me apeava
num fogão rumbeando o cheiro
E por ali – tarimbeiro, cansado de bater casco,
Me esquecia do churrasco saboreando um carreteiro.

Em quanto pouso cheguei de pingo pelo cabresto,
Na falta de outro pretexto indagando algum atalho,
Mas sempre ao ver o borralho onde a panela fervia
Eu cá comigo dizia: chegou de passar trabalho.

Por isso – meu prato xucro, eu me paro acabrunhado
Ao te ver falsificado na cozinha do povoeiro
Desvirtuado por dinheiro à tradição gauchesca,
Guisado de carne fresca, não é arroz de carreteiro.

Hoje te matam à Mingua, em palácio e restaurante
Mas não há quem te suplante,
nem que o mundo se derreta,
Se és feito em panela preta, servido em prato de lata
Bombeando a lua de prata sob a quincha da carreta!

Por isso, quando eu chegar,
nalgum fogão do além-vida,
Se lá não houver comida já pedi a Deus por consolo,
Que junto ao fogão crioulo,

Quando for escurecendo, meu mate -amargo sorvendo,
A cavalo nalgum tronco, escute, ao menos, o ronco
De um “Carreteiro” fervendo.

PONDERAÇÕES e VAI – de raimundo rolim / morretes.pr

Ponderações

Ele andava meio desconsoladaço com a sua vaquinha de estimação. Mas que não era para tanto, para ir tão longe, isto não!! Era verdade que ela já lhe havia escondido o leite umas não sei quantas vezes. Talvez fosse a ração, ou o feno não estava fresco o quanto deveria; a contento, sei lá. Quem sabe era o tempo! Andava mesmo meio úmido e meio frio, chove não chove. Mas os seus olhos, isto é, os da vaquinha, guardavam sempre a mesma aparência tranqüila, apuradissimamente bovinos! Mansos, redondos, meio revirados às vezes, por não ter o que fazer a não ser ruminar infinitamente o bocado que lhe era oferecido pelo seu amo e senhor! E ele passou a mão, vendeu-a pro açougue! Ela ficou lá, dependurada, com seus imensos olhos redondos, meio revirados, já não tinha mais o que fazer.

Vai

Com seu estilo erótico, o poeta anárquico, a convite da madre superiora que não lhe conhecia a fama ou o estilo, ruborizar-se-ia e muito, depois de ouvir dele os satânicos, apoquentados e luxuriantes versos impregnados de todas as intenções possíveis. Eles encheriam de sangue e calor as partes internas e delicadas das mocinhas que lá estavam a aprender dentre outras matérias a etiqueta social e prendas domésticas; além, é claro de muita religião. Algumas seriam freiras mais tarde. E foi lá que o poeta, desferiu-lhes golpes de estupor, volúpia e desejos num sábado, à tarde, no outeiro, um tipo de recital ! Sabedoras que lá estaria um poeta, as noviças já o esperavam entre ardores e suspiros. Ficavam pelas janelas do enorme e retangular prédio, às espreitas, ouvidos aguçados para o pátio interno, onde, a qualquer momento, cercado por flores e pequenos arbustos, o poeta belo e sedutor, estaria a traduzir os delírios amorosos por meio de seus poemas! Chegou-se ele, como elas o imaginavam: doce, lábios rosados, tez pálida e cabelos alourados encaracolados, de olhar divagante e algo triste. Com gestos largos e delicados, voz firme e grave, recitou seus poemas. Falava de todos os sonhos possíveis, da arte de amar e ser amado(a), das intimidades destes amores e do que eles são capazes de provocar na reclusa e faminta alma humana. Quando das derradeiras estrofes do caliente e lírico “Para bem amar” (que por óbvias razões ele deixara por último) as fêmeas do convento, corações em brasa e completamente despossuídas de quaisquer sentimentos da razão, passaram ao desnudamento. Peça por peça esvoaçaram para cair lá, onde estava o poeta, braços abertos, a olhar incrédulo o que acontecia naquele convento. Toda uma santa nudez vista de baixo para cima! Ato contínuo e a um só tempo, começaram as criaturas candidatas a esposas do sagrado, a gemer e a revirar lânguidos e brilhantes olhinhos, com os dedinhos lá, num ato de justiça com as próprias mãos, enquanto o poeta, extasiado, terminava a sua fala: “Para um profundo estado de excitação coletiva, faz-se mister que haja mais de uma pessoa”… E o poeta que nem era tão bom assim, ou seja, era ruinzinho mesmo (como se percebe pelos seus versos últimos), fora expulso do recinto pelas outras sórores antes que a superiora madre o agarrasse sôfrega em pleno estado de ululação e o prendesse numa tesoura de pernas. Ufah! Foi por pouco. Alcunhou-se o lugar, a partir de então, como o “Convento das Possessas Uivantes”.

MÚSICA BRASILEIRA por mário de andrade / rio de janeiro

Até há pouco a música artística brasileira viveu divorciada da nossa entidade racial. Isso tinha mesmo que suceder. A nação brasileira é anterior à nossa raça. A própria música popular da Monarquia não apresenta uma fusão satisfatória. Os elementos que a vinham formando se lembravam das bandas de além, muito puros ainda. Eram portugueses e africanos. Ainda não eram brasileiros não. Se numa ou noutra peça folclórica dos meados do século passado se delineiam os caracteres da música brasileira, é mesmo só com os derradeiros tempos do Império que eles principiam abundando. Era fatal: Os artistas duma raça indecisa se tornaram indecisos que nem ela.

O que importa é saber se a obra desses artistas deve ser contada como valor nacional. Acho incontestável que sim. Esta verificação até parece ociosa mas para o meio moderno brasileiro sei que não é.

Nós, modernos, manifestamos dois defeitos grandes: bastante ignorância e leviandade sistematizada. É comum entre nós a rasteira derrubando da jangada nacional não só as obras e autores passados como até os que atualmente empregam a temática brasileira numa orquestra européia ou no quarteto de cordas. Não é brasileiro, se fala.

É que os modernos, ciosos da curiosidade exterior em muitos dos documentos populares nossos, confundem o destino dessa coisa séria que é a Música Brasileira com o prazer deles, coisa diletante, individualista e sem importância nacional nenhuma. O que deveras eles gostam no brasileirismo que exigem a golpes duma crítica aparentemente defensora do patrimônio nacional, não é a expressão natural e necessária duma nacionalidade não, em vez é o exotismo, o jamais escutado em música artística, sensações fortes, vatapá, jacaré, vitória-régia.

Mas um elemento importante coincide com essa falsificação da entidade brasileira: opinião de europeu. O diletantismo que pede música só nossa está fortificado pelo que é bem nosso e consegue o aplauso estrangeiro. Ora por mais respeitoso que a gente seja da crítica européia carece de verificar duma vez por todas que o sucesso na Europa não tem importância nenhuma para a Música Brasileira. Aliás, a expansão do internacionalizado Carlos Gomes e a permanência além-mar dele prova que a Europa obedece a genialidade e a cultura.

Mas no caso de Vila-Lobos, por exemplo, é fácil enxergar o coeficiente guassú (1) com que o exotismo concorreu para o sucesso atual do artista. H. Prumières confessou isso francamente. Ninguém não imagine que estou diminuindo o valor de Vila-Lobos não. Pelo contrário: quero aumentá-lo. Mesmo antes da pseudo-música indígena de agora Vila-Lobos era um grande compositor. A grandeza dele, a não ser para uns poucos, sobretudo Artur Rubinstein e Vera Janacopulos, passava despercebida. Mas bastou que fizesse uma obra extravagando bem do continuado para conseguir o aplauso.

Ora por causa do sucesso dos Oito Batutas ou do choro de Romeu Silva, por causa do sucesso artístico mais individual que nacional de Vila-Lobos, só é brasileira a obra que seguir o passo deles? O valor normativo de sucessos assim é quase nulo. A Europa completada e organizada num estádio de civilização campeia elementos estranhos para se libertar de si mesma. Como a gente não tem grandeza social nenhuma que nos imponha ao Velho Mundo, nem filosófica que nem a Ásia, nem econômica que nem a América do Norte, o que a Europa tira da gente são elementos de exportação universal: exotismo divertido. Na música, mesmo os europeus que visitam a gente perseveram nessa procura do esquisito apimentado. Se escutam um batuque brabo muito que bem, estão gozando, porém se é modinha sem síncope ou certas efusões líricas dos tanguinhos de Marcelo Tupinambá, Isso é música italiana! – falam de cara enjoada. E os que são sabidos se metem criticando e aconselhando, o que é perigo vasto. Numa toada de acalanto, num aboio, desentocam a cada passo frases francesas, russas, escandinavas. Às vezes especificam que é Rossini, que é Boris. (2) Ora o quê que tem a Música Brasileira com isso! Se Milk parece com Milch, as palavras deixam de ser uma inglesa outra alemã? O que a gente pode mas é constatar que ambas vieram dum tronco só. Ninguém se lembra de atacar a italianidade de Rossini porque tal frase dele coincide com outra da ópera-cômica francesa.

Um dos conselhos europeus que tenho escutado bem é que a gente se quiser fazer música nacional tem que campear elementos entre os aborígenes, pois que somente estes são legitimamente brasileiros. Isto é uma puerilidade que inclui ignorância dos problemas sociológicos, étnicos psicológicos e estéticos. Uma arte nacional se faz com escolha discricionária e diletante de elementos: uma arte nacional já está feita na inconsciência do povo. O artista tem só que dar para os elementos já existentes uma transposição erudita que faça da música popular, música artística, isto é: imediatamente desinteressada. O homem da nação Brasil hoje está mais afastado do ameríndio do que do japonês, e do húngaro. O elemento ameríndio no populário brasileiro está psicologicamente assimilado e praticamente já quase nulo. Brasil é uma nação com normas sociais, elementos raciais e limites geográficos. O ameríndio não participa dessas coisas e mesmo parando em nossa terra continua ameríndio e não brasileiro. O que evidentemente não destrói nenhum dos nossos deveres com ele. Só mesmo depois de termos praticado os deveres globais que temos para com ele é que poderemos exigir dele a prática do dever brasileiro.

Se fosse nacional somente o que é ameríndio; também os italianos não poderiam empregar o órgão que é egípcio; o violino que é árabe; o cantochão que é greco-hebraico; a polifonia que é nórdica; a anglosaxonia flamenga e o diabo. Os franceses não poderiam usar a ópera que é italiana e muito menos a forma-de-sonata que é alemã. E como todos os povos da Europa são produto de migrações pré-históricas se conclui que não existe arte européia…

Com aplausos inventários e conselhos desses a gente não tem que se amolar. São eles fruto de ignorância ou de gosto pelo exótico. Nem aquele nem este não podem servir para critério de um julgamento normativo.

Por isto tudo, Música Brasileira deve significar toda música nacional quer tenha quer não tenha caráter étnico. Do Padre Maurício, I Salduni, Schumanniana – são músicas brasileiras. Toda opinião em contrário é perfeitamente covarde, antinacional, anticrítica.

E afirmando assim não faço mais que seguir um critério universal. As escolas étnicas em música são relativamente recentes. Ninguém não lembra de tirar do patrimônio itálico Gregório Magno, Marchetto, João Gabrieli ou Palestrina. São alemães J. S. Bach, Haendel e Mozart, três espíritos perfeitamente universais como formação e até como caráter de obra os dois últimos. A França então se apropria de Lulli, Gretry, Meyerbeer, Cesar Franck, Honnegger e até Gluck que nem franceses são. Na obra de José Maurício e mais fortemente na de Carlos Gomes, Levy, Glauco Velásquez, Miguez, a gente percebe um não-sei-quê indefinível, um ruim que não é ruim propriamente, é um ruim esquisito para me utilizar duma frase de Manuel Bandeira. Este não-sei-quê, vago, mas geral, é uma primeira fatalidade de raça badalando longe. Então, na lírica de Nepomuceno, Francisco Braga, Henrique Osvaldo, Barroso Neto e outros; já pode ser percebido um parentesco psicológico bem forte. Isto basta pra gente adquirir agora o critério legítimo de música nacional que deve ter uma nacionalidade evolutiva e livre.

Mas neste caso um artista brasileiro escrevendo agora em texto alemão sobre assunto chinês, música da tal chamada música universal, faz música brasileira e é músico brasileiro. Não é não, por mais sublime que seja. Não. A obra não é brasileira, como é antinacional. E socialmente o autor dela deixa de nos interessar. Digo mais: por valiosa que a obra seja, devemos repudiá-la, que nem faz a Rússia com Strawinsky e Kandinsky.

O período atual do Brasil, especialmente nas artes, é o de nacionalização. Estamos procurando conformar a produção humana do país com a realidade nacional. E é nessa ordem de idéias que se justifica o conceito de Primitivismo aplicado às orientações de agora. É um engano imaginar que o primitivismo brasileiro de hoje é estético. Ele é social. Um poeminho humorístico do Pau Brasil de Osvaldo de Andrade até é muito menos primitivista que um capítulo da Estética de Vida de Graça Aranha. Porque este capítulo está cheio de pregação interessada, cheio de idealismo ritual e deformatório, cheio de magia e de medo. O lirismo de Osvaldo de Andrade é uma brincadeira desabusada. A deformação empregada pelo paulista não ritualiza nada, só destrói pelo ridículo. Nas idéias que expõe não tem idealismo nenhum. Não tem magia. Não se confunde com a prática. É arte desinteressada.

Pois toda arte socialmente primitiva que nem a nossa é arte de circunstância. É interessada. Toda arte exclusivamente artística e desinteressada não tem cabimento numa fase primitiva, fase de construção. É intrinsecamente individualista. E os efeitos do individualismo artístico no geral são destrutivos. Ora numa fase primitivística, o indivíduo que não siga o ritmo dela é pedregulho na botina. Se a gente principia matutando sobre o valor intrínseco do pedregulho e o conceito filosófico de justiça, a pedra fica no sapato e a gente manqueja. “A pedra tem de ser jogada fora”. É uma injustiça feliz, uma injustiça justa, fruto de época.

O critério atual de Música Brasileira deve ser não filosófico, mas social. Deve ser um critério de combate. A força nova que voluntariamente se desperdiça por um motivo que só pode ser indecoroso (comodidade própria, covardia de pretensão) é uma força antinacional e falsificadora.

E arara. Por quê? Imaginemos com senso comum: Se um artista brasileiro sente em si a força do gênio, que nem Beethoven e Dante sentiram, está claro que deve fazer música nacional. Porquê como gênio saberá fatalmente encontrar os elementos essenciais da nacionalidade (Romeau, Weber, Wagner, Mussorgski). Terá, pois, um valor social enorme. Sem perder em nada o valor artístico porque não tem gênio por mais nacional (Rabelais, Goya, Whitman, Ocussai) que não seja do patrimônio nacional. E se o artista faz parte dos noventa e nove por cento dos artistas e reconhece que não é gênio, então é que deve mesmo de fazer arte nacional. Porque incorporando-se à escola italiana ou francesa será apenas mais um na fornada, ao passo que na escola iniciante será benemérito e necessário. Cesar Cui seria ignorado se não fosse o papel dele na formação da escola russa. Turina é de importância universal mirim. Na escola espanhola o nome dele é imprescindível. Todo artista brasileiro que no momento atual fizer arte brasileira é um ser eficiente com valor humano. O que fizer arte internacional ou estrangeira, se não for um gênio, é um inútil, um nulo. E é um reverendíssimo besta.

Assim: estabelecido o critério transcendente de Música Brasileira que faz a gente com a coragem dos íntegros adotar como nacionais a Missa em Si Bemol e Salvador Rosa, (3) temos de reconhecer que este critério é pelo menos ineficaz para julgar as obras dos atuais menores de quarenta anos. Isto é lógico. Porque se trata de estabelecer um critério geral transcendente se referindo à entidade evolutiva brasileira. Mas um critério assim é ineficaz para julgar qualquer momento histórico. Porque transcende dele. Isto, porque as tendências históricas é que dão a forma que as idéias normativas se revestem.

O critério de música brasileira para a atualidade deve de existir em relação à atualidade. A atualidade brasileira se aplica aferradamente a nacionalizar a nossa manifestação. Coisa que pode ser feita e está sendo sem nenhuma xenofobia nem imperialismo. O critério histórico atual da Música Brasileira é o da manifestação musical que sendo feita por brasileiro ou indivíduo nacionalizado, reflete as características musicais da raça.

E onde estas estão?

__ Na música popular.

(1) Todas estas afirmativa já foram escutadas por mim, de estranhos…fazendo  inventário do que é nosso (observação do próprio autor).

(2) guassú, parece que o autor quis dizer “guaçu” em língua tupi-guarani – açu (grande). Portanto, “coeficiente guassú – “coeficiente de grandeza” de Vila Lobos.

(3) todas marcações sublinhadas foram realizadas pelo próprio autor.

(com pequena adaptação do texto por Tonicato Miranda)

Quando um mendigo mendiga… de tonicato miranda / curitiba

TONICATO MIRANDA - Sophia e Catherine


para Sophia Loren e Catherine Deneuve

.

Se eu

lambesse com a língua curva

o parafuso mais recurvo de uma nave estelar

seria muito mais do que um boi estrelado

seria um quadrúpede intergaláctico e alado

Mas não,

sou touro do campo mesmo

lambendo chão, remoendo gramíneas

trespassando o corpo de porteira em porteiras

chifrando os horizontes e as segundas-feiras

Se eu

babasse a baba do ódio com o olho turvo

seria um demo de carranca na cara

meu frontispício assustando o espelho

a cara fugindo da imagem, qual coelho

Mas não,

tenho a cara santa e limpa

sorriso suave, noves fora da maldade

e até dizem tenho um rosto suave

que até confiança produz à pequena ave

Se eu

fosse um jacaré com dentes pontiagudos

ansiando o estômago por carne dilacerada

de frango, de galinhas e suas ninhadas

penas apenadas seriam na boca trituradas

Qual o quê…

sou quase vegetariano e verde

meus dentes e as bocas do meu olhar

miram mais os peixes e os frutos do mar

uma dúzia de camarões já me serve um manjar

Se eu

fosse um rude de queixo duro

gestos imprecisos, mãos e pés calejados

monossílabos frios e curtos no canto da boca

teria a voz sem cantares e arte, totalmente rouca

Qual o quê…

meu canto também é rouco

a voz, do princípio ao fim de um louco

apenas ressoa o muito brilho de um cântico

porque sou irremediavelmente romântico

Se eu

fosse o pergaminho de uma era

teria apenas poucos versos impressos

um poema de pedra e tons de verdes

na umidade da gaveta criando musgos mais verdes

Mas pra quê?

ninguém se interessa por poemas e poesias

nem por bois voadores e jacarés comedores de galinhas

muito menos por musgos e liquens

o mundo continua atrás dos verdes e seus níqueis

Se eu

fosse um mago da palavra

que um gesto da vara e no abracadabra

pudesse mudar o olhar da atriz

fa-la-ía mirar-me na platéia, deixando-me por um triz

Mas pra quê?

se a personagem e os atores da peça

somente à atriz seu olhar interessa

não vê que este pobre ser pedalador de bicicleta

não é homem, boi ou musgo, apenas um mendigo poeta

DIDI (RENATO ARAGÃO) recebe carta-desabafo de ELIANE SINHASIQUE / rio branco

Há alguns meses você vem me escrevendo pedindo uma doação mensal para enfrentar alguns problemas que comprometem o presente e o futuro de muitas crianças brasileiras. Eu não respondi aos seus apelos (apesar de ter gostado do lápis e das etiquetas com meu nome para colar nas correspondências).

Eliane Sinhasique

Eliane Sinhasique

Achei que as cartas não deveriam sem endereçadas à mim. Agora, novamente, você me escreve preocupado por eu não ter atendido as suas solicitações. Diante de sua insistência, me senti na obrigação de parar tudo e te escrever uma resposta.

Não foi por “algum” motivo que não fiz a doação em dinheiro solicitada por você. São vários os motivos que me levam a não participar de sua campanha altruísta (se eu quisesse poderia escrever umas dez páginas sobre esses motivos). Você diz, em sua última carta, que enquanto eu a estivesse lendo, uma criança estaria perdendo a chance de se desenvolver e aprender pela falta de investimentos em sua formação.

Didi, não tente me fazer sentir culpada. Essa jogada publicitária eu conheço muito bem. Esse tipo de texto apelativo pode funcionar com muitas pessoas mas, comigo não. Eu não sou ministra da educação, não ordeno as despesas das escolas e nem posso obrigar o filho do vizinho a freqüentar as salas de aula. A minha parte eu já venho fazendo desde os 11 anos quando comecei a trabalhar na roça para ajudar meus pais no sustento da família. Trabalhei muito e, te garanto, trabalho não mata ninguém. Estudei na escola da zona rural, fiz supletivo, estudei à distância e muito antes de ser jornalista e publicitária eu já era uma micro empresária.

Didi, talvez você não tenha noção do quanto o Governo Federal tira do nosso suor para manter a saúde, a educação, a segurança e tudo o mais que o povo brasileiro precisa. Os impostos são muito altos !
Sem falar dos impostos embutidos em cada alimento, em cada produto que preciso comprar para minha família.

Eu já pago pela educação duas vezes: pago pela educação na escola pública, através dos impostos, e na escola particular, mensalmente, porque a escola pública não atende com o ensino de qualidade que, acredito, meus dois filhos merecem. Não acho louvável recorrer à sociedade para resolver um problema que nem deveria existir pelo volume de dinheiro arrecadado em nome da educação e de tantos outros problemas sociais. O que está acontecendo, meu caro Didi, é que os administradores, dessa dinheirama toda, não tem a educação como prioridade. O dinheiro está saindo pelo ralo, estão jogando fora, ou aplicando muito mal.

Para você ter uma idéia, na minha cidade, a alimentação de um presidiário custa para os cofres públicos R$ 3,82 (três reais e oitenta e dois centavos) enquanto que a merenda de uma criança na escola pública custa R$ 0,20 (vinte centavos)! O governo precisa rever suas prioridades, você não concorda?

Você diz em sua carta que não dá para aceitar que um brasileiro se torne adulto sem compreender um texto simples ou conseguir fazer uma conta de matemática. Concordo com você. É por isso que sua carta não deveria ser endereçada à minha pessoa. Deveria se endereçada ao Presidente da República.

Ele é “o cara”. Ele tem a chave do cofre. Eu e mais milhares de pessoas só colocamos o dinheiro lá para que ele faça o que for necessário para melhorar a qualidade de vida das pessoas.

No último parágrafo da sua carta, mais uma vez, você joga a responsabilidade para cima de mim dizendo que as crianças precisam da “minha” doação, que a “minha” doação faz toda a diferença. Lamento discordar de você Didi. Com o valor da doação mínima, de R$ 15,00, eu posso comprar 12 quilos de arroz para alimentar minha família por um mês ou posso comprar pão para o café da manhã por 10 dias.

Didi, você pode até me chamar de muquirana, não me importo, mas R$ 15,00 eu não vou doar. Minha doação mensal já é muito grande. Se você não sabe, eu faço doações mensais de 27,5% de tudo o que ganho e posso te garantir que essa grana, se ficasse comigo, seria muito melhor aplicada na qualidade de vida da minha família.
Você sabia que para pagar os impostos eu tenho que dizer não para quase tudo que meus filhos querem ou precisam?

Renato Aragão

Renato Aragão

Meu filho de 12 anos quer praticar tênis e eu não posso pagar as aulas que são caras demais para nosso padrão de vida.
Você acha isso justo? Acredito que não.
Você é um homem de bom senso e saberá entender os meus motivos para não colaborar com sua campanha pela educação brasileira.

Outra coisa Didi, mande uma carta para o Presidente pedindo para ele selecionar melhor os professores. Só escolher quem de fato tem vocação para o ensino. Melhorar os salários, desses profissionais, também funciona para que eles tomem gosto pela profissão e vistam, de fato, a camisa da educação. Peça para ele, também, fazer escolas de horário integral, escolas em que as crianças possam além de ler, escrever e fazer contas, possam desenvolver dons artísticos, esportivos e habilidades profissionais. Dinheiro para isso tem sim ! Diga para ele priorizar a educação e utilizar melhor os recursos.

Bem, você assina suas cartas com o pomposo título de Embaixador Especial do Unicef para Crianças Brasileiras e eu vou me despedindo assinando…

Eliane Sinhasique – Mantenedora Principal dos Dois Filhos que Pari

Jornalista/Radialista e Publicitária
atuante em Rio Branco – Acre há mais de 19 anos.
Repórter especial do Jornal A Gazeta e Apresentadora do programa Toque Retoque da Gazeta FM 93,3

LAÇOS ETERNOS de marcele carvalho / são paulo

Séculos atrás tu te atirastes
Ás areias do Egito
Para proteger meus pequeninos pés…
Séculos atrás me encontro
Jogada aos leões famintos
Em meio ao coliseu
Tu gladiador,com tua coragem
Jogaste teu corpo em frente ao meu…
Séculos atrás nos esbarramos
Em uma caminhada
Á Revolução Francesa
Gritávamos bem alto ao mundo
Liberté, Egualité, Fraternité !
Séculos atrás não tinhas
O direito á liberdade
Imposto por minha família
Mas enquanto tu eras torturado
Minhas lágrimas corriam
Junto aos versos de Castro Alves…
Hoje tu defendes a liberdade
Do nosso Brasil no Exército
Eu própria escrevo
As poesias destinadas a ti…
Amanhã não sei onde estaremos
Se seremos grandes ou pequenos
Mas sei que serão sempre
Os momentos mais lindos que vivi!

MANHÃS DE SETEMBRO de helena guimarães / rio de janeiro


Manhãs de Setembro,

aragem fresca

construindo sonhos,

teias de gotas

enfeitando os matos,

perfume verde

a seguir meus passos,

lírios roxos

ponteando as margens

do fio de água

que escorre manso.

E tu E eu!

E a erva tombada

pelos corpos,

os lírios violados

na paixão.

E o céu!

Esse céu azul

sem limite.

O nosso limite.

A nossa eternidade!

MANOEL DE ANDRADE comenta em: “SIETE PUÑALES EN EL CORAZÓN DE AMÉRICA” por fidel castro / cuba

Comentário:
Sete punhais no coração da América. Que poética imagem para relembrar as incontáveis punhaladas cravadas no corpo inteiro da América desde que os saqueadores europeus chegaram aqui há quinhentos anos.

Em 1519, no México, o Imperador Montezuma II acolhe os espanhóis como enviados divinos e recebe o ingrato punhal  da prisão e da  morte com grande parte do seu povo,  pela cobiça de seu ouro por Fernão Cortez,  Pedro de Alvarado e seus prespostos.
MANOEL DE ANDRADE - FOTO DELE - IMG_7355Em 1532, o Imperador do Peru, Atahualpa,  é traído e aprisionado em Cajamarca por Francisco Pizarro, que toma seu ouro e depois manda executá-lo por estrangulamento.

No Chile os indomáveis araucanos resistiram às crueldades e as fogueiras de Diego de Almagro e ao conquistador Pedro de Valdívia e seus sucessores, mas resistiram por 350 anos. Muitos caíram com  o punhal da crueldade espanhola…,como Galvarino, que teve as mãos cortadas e Caupolicán, que foi empalado vivo. Conheci seus sobreviventes, nas montanhas de Arauco, no sul do Chile,  onde se isolaram da “civilização” e mantém ainda viva a memória heróica do passado.

Artigas, San Martin, O’Higgins, Sucre, Bolívar, Hidaldo e Juarez, os pais de tantas pátrias e que arrancaram os punhais do domínio espanhol da América.

Mas depois viriam os punhais dos comerciantes ingleses a sangrar, com a usura e a ganância comercial  a nossa independência política.
Viriam os punhais yanques da United Fruit para engolfar-se no sangue dos camponeses guatemaltecos, hondurenhos e salvadorenhos.
E essa Cuba heróica,  bloqueada  pelo poder do império e apunhalada, há cinco décadas, pelos representantes bastardos do sangue latino-americano.
E vieram  os punhais da CIA para assassinar nossos revolucionários.

Sim…, há que tomar partido diante destes sete punhais a serem cravados no coração da América. Ali…, onde  em o6 de  dezembro de 1928,  a praça principal da cidade colombiana de Ciénaga, tingiu-se de vermelho no já esquecido “Massacre das bananeiras”. Sob as ordens yanques da United Fruit os velozes punhais de chumbo silenciaram o protesto de  mais de mil camponeses que caiam abraçados com suas mulheres e seus filhos.. Alí…, na pátria do “Bogotaço” onde assassinaram a voz de Eliécer Gaitán  e depois caiu  Camilo Torres.

RESISTÊNCIA …, SIM….   “los pueblos pueden resistir y ser portadores de los principios más sagrados de la sociedad humana. De lo contrario el imperio destruirá la civilización y la propia especie.”
Veja a matéria comentada  AQUI.

PIERRE LÉVY cria língua universal para WEB / frança

Filósofo cria língua universal para web e prevê nova revolução do conhecimento

Para Pierre Lévy, web semântica vai transformar maneira de fazer ciência.
Em breve, aposta francês, computadores saberão como ‘traduzir’ conceitos.



A internet permitiu que, pela primeira vez na história, se tornasse possível manter um arquivo universal do conhecimento e da produção cultural de nossa espécie. Mas para o filósofo francês Pierre Lévy, esse poder já começa a mostrar limitações, e é hora de promover uma “recauchutagem” na estrutura da rede.
Mas para transformar a web em uma máquina capaz de identificar a verdadeira inteligência coletiva, no entanto, Lévy prevê dois grandes desafios: a ausência de profissionais habilitados para trabalharem na organização das informações, e a necessidade da adoção de um padrão para a chamada “web semântica” – que permitirá que todo o conhecimento seja coordenado automaticamente por conceitos, e não mais simplesmente pelos links entre documentos.

A evolução proposta por Lévy – dono de uma bibliografia extensa sobre cibercultura e sobre a relação entre o virtual e o real – passa pela criação de regras para a organização das informações. Para isso, o filósofo desenvolveu uma linguagem universal capaz de compreender as ideias expressas em qualquer idioma e que, ao mesmo tempo, pode ser processada por computadores.

“Isso significaria o fim da fragmentação da informação, atualmente dividida por conta de barreiras de linguagem e escolhas diversas de sistemas de organização”, afirma Lévy, em entrevista ao G1. O projeto coordenado pelo francês é desenvolvido por um grupo de pesquisadores na Universidade de Ottawa, no Canadá.

A IEML (sigla em inglês para “metalinguagem da economia da informação”) é completamente artificial, e segue, nas palavras de Lévy, “regras bastante estritas”. Conceitos universais são codificados utilizando sequências de seis símbolos com significados primitivos: o código *E:**, por exemplo, significa “vazio”. Os símbolos são organizados em grupos de três, e cada “camada” de informação reúne três grupos anteriores. Termos utilizados constantemente ganham abreviações, o que facilita a criação de frases.

“Você está lendo um documento e identifica que ele trata sobre os conceitos ‘x’, ‘y’ e ‘z’. O computador será capaz de identificar que este documento está ligado a outros, e ajudará a filtrar, navegar e expandir seu acesso a conhecimentos correlatos”, afirma Lévy.

Ciências como psicologia, economia e sociologia seriam as maiores beneficiadas com a adoção deste código universal. Lévy acredita que as ciências humanas viverão, na próxima geração, uma revolução semelhante à que impulsionou os estudos naturais com a invenção da prensa rotativa por Johannes Gutenberg, no século XV.

“Hoje em dia, todos os dados sobre o comportamento humano podem ser reunidos no ciberespaço, o único problema é que ainda não temos a capacidade de explorar essas informações”, explica o francês. “Se alguém escreve um blog em chinês, eu não consigo ler, você não consegue ler e os programas de tradução automática, como do Google, não são muito bons. Portanto, não há comunicação”.

Mas há barreiras – reconhecidas pelo próprio criador – para transformar esse “Esperanto eletrônico” em realidade. Há outros projetos que pretendem ocupar essa “quarta camada” da internet (ver infográfico abaixo), alguns deles inclusive apoiados pelo próprio inventor da web, o engenheiro britânico Tim Berners-Lee. “Talvez não seja a língua que eu criei que será a base dessa revolução científica, mas haverá (na web do futuro) algo nesses moldes”, diz Lévy.

mapa da netinfonet

Leopoldo Godoy – g1- São Paulo

POEMA I de mario benedetti / montevidéo.ur

A mais lindafoto de miguel afonso.

às vezes sou

manancial entre pedras

e outras vezes uma árvore

com as últimas folhas

mas hoje me sinto apenas

como lagoa insone

como um porto

já sem embarcações

uma lagoa verde

imóvel e paciente

conformada com suas algas

seus musgos e seus peixes

sereno em minha confiança

acreditando que em uma tarde

te aproximes e te olhes

te olhes ao lhar-me.

UTÓPICA INTUIÇÃO (v) de joão batista do lago / são luis.ma

Rasgo meu coração atormentado

Viscerado pelas madrugadas indormidas

Cálido dos calores humanos

Destruídos pelos hinos das insônias

Soçobradas dos cansaços vomitados pelas almas

.

Hoje à noite quero o sono mais profundo

Adormecer no colo da utopia que me segreda

Como a criança ‘inda não nascida

Como a esperança ‘inda que desesperada

De todas as vidas desaparecidas nos campos de guerras

.

Hoje à noite quero a eternidade de todas minhas paixões

Quedá-la no meu peito com profundidade

Qual punhal (!)

Estraçalhando meu coração em mil paixões

E desta visceral volúpia arrancar-me de dentro como antihumano

.

Quero, enfim, nesta noite sacrossanta

Batizar-me de todos meus desejos

Tomar o corpo da minha amada, minha Temis!

E deitá-lo no mais profundo dos meus gozos

E sabê-lo eterno no tempo da eternidade que me restara

ONDE ARTISTAS MORREM por hamilton alves / florianópolis

Não sei se acontece com todo mundo, mas comigo dá-se esse interesse por saber ou ter curiosidade por lugares (hotéis, cidades, ruas) onde grandes artistas morreram ou foram sepultados. Ou deixaram um registro qualquer. Ainda que não sejam os artistas escritores propriamente ditos, mas seus personagens.

Há pouco, soube, lendo um conto de Hemingway, que Verlaine morreu num hotel modesto perto da rue Mouffetard, uma rua sempre atravancada como conta Hemingway. Mais recentemente, lendo uma crônica de Rubem Braga, ao acaso, para fazer outro tipo de consulta (saber se em alguma crônica teve a infelicidade de usar a palavra “todavia” – (discuti com um amigo sobre a questão de que essa palavra não soa bem numa crônica; em outro qualquer lugar, sim, poderá ser muito própria, por exemplo, num ofício de um excelentíssimo senhor para um outro excelentíssimo senhor) – lendo uma crônica do Braga, li que Proust morreu na rua Hamelin, próximo de onde morou quando passou curta temporada em Paris.

Sei que Odete de Crécy, personagem de “Em busca do tempo perdido”, de Proust, morou numa rua atrás do Arco do Triunfo, na rue La Pérouse (com um restaurante com esse mesmo nome). Um dia irei lá, nem que seja na forma de espectro.

Sei que Joyce foi sepultado no cemitério Fluntern, em Zurique, Suíça.

Tenho esses dados espalhados (ou anotados) em livros.

Kafka foi enterrado, em Praga, sua cidade natal.  Augusto Frederico Schmidt, o poeta, com quem, em certa época, andei trocando algumas cartas, esteve lá para conhecer esse local. Procurou colher informação com um e outro. Nada ficou  sabendo. O mesmo acontecera com Carpeaux, que foi numa clínica onde Kafka se tratara de sua doença, que o matou. Só conheceu a clínica e o filho do médico que deve ter cuidado do escritor, mas nada mais além do local em que estivera cuidando de sua saúde, que descreve como sendo muito discreto. Até pode observar por uma janela envidraçada uma sala onde provavelmente estivera Kafka sob tratamento. Ou o quarto onde se hospedara.

Há curiosidade em torno dessas coisas, que, afinal, marcam a história de um artista, que há pessoas que têm interesse de saber.

Se for um dia a Paris, procurarei conhecer o hotel modesto, no dizer de Hemingway, em que morreu Verlaine ou a rua, na informação de Rubem Braga, em que morreu Proust.

Ou ainda, em Praga ou em Zurique, conhecer os locais onde estão sepultados Kafka e Joyce.

E nos respectivos túmulos depositar uma flor.

CONCHAS por omar de la roca / são paulo

Colei as mãos aos ouvidos como conchas.Como conchas que contam estórias e que as vezes prendemos em nossas orelhas.Conchas que contem água mas não a bebemos.Talvez por ser estranha ,salgada e não querermos.Coloquei as mãos a cintura,como quem espera.Como mãos que esperam a concha vir a elas,resvalando pela onda.Mas a concha cala e seca.Pus meus pés no chão,que no ar estavam.Como pinheiros altos querendo possuir o céu.No chão molhado escorrego,mas não caio .Me segurando nas franjas do papel.Pus minha mente nas estrelas.Que nublada estava a visão do chão.Me veio a sempre névoa rosada e me embalou,me toldando de novo a visão.Serei como um carvalho teimoso,que insiste em crescer na ribanceira?Ou oliveira a produzir frutos amargos? Que trago a curtir em mim para melhorar o gosto e servi-los ?Como conchas moídas a distribuir fortalezas,hidratadas,concisas,continuas certezas ?Pus meus olhos no horizonte.Como alguém que espera,que alguém pelo caminho venha.Que venha e tenha certeza do que quer e que seja eu o que quer,o que deseja.Para que eu então,finalmente seja.Como a luz que ilumina o caminho escuro.E que por ele também segue tateando.Como o fogo que aquece e consome,mas ao mesmo tempo se acaricia e estrebucha e morre.Como a água que a tudo leva e tudo lava.E tudo limpa e permanece limpa.Como a lava que tudo derrete.Como a frágil folha que tremula e cai.Como o galho fino que o vento quebra.Como quebra a onda nas pedras que a lava funde.E confunde o vento que muda de direção.E foge,foge para longe.Para outras terras que penteará sem dó.Levantando as asas dos pássaros.Ou como o fundo triste de pedras de algum riacho. Que se lava e se lava e continua sujo. Mas limpo,que apenas aos seus olhos esta poluído.E segue mexendo uma pedra aqui,outra ali,outra oscilando. Na água que tudo vê e que corre zombando.Correndo sem saber pra onde,pro mar pro oceano pra longe na certa.Se fundindo no sal,ao sol que a areia aperta.E a areia escolhe seus grãos,e a eles presenteia,com outro grão de sol,que colhe alheia.E os peixes prateados que voam lá no fundo lambiscando molusco,pólem  e planta,seguem firmes pensando,que triste esse mundo e,solitário ,pobre de quem canta.E as conchas gritam que não só feitas de branco não são só feitas de nada.E reclamam furiosas,quem irá sozinho percorrer o caminho?Eu que era prosa sem graça e agora penso em rimas, falsas, corretas,perfeitas quase cristalinas.E me empenho em ajeitar o injusto,ainda me espanto,me surpreendo com o susto.Que levo ao abrir o e mail.E encontrar a mensagem que não esperava,mas esperava.Por que sabia que não viria mas ansiava que viesse e veio. Entrando em minhas veias dilatando tudo, latejando feio. E quieto, cedo, agradecendo tudo e nada. Como poderia ser de outra forma , meu caminhar nesta estrada?

Rumorejando (Com a vitória de Rubinho Barrichello vibrando. Só por ele. Tal esporte continuo não apreciando. Esporte?) por juca (josé zokner) / curitiba

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I

O livro do meu grande amigo Valdir Izidoro Silveira, Escritos de Resistência – Quatro Décadas de Reflexão é leitura obrigatória para quem quer tomar conhecimento de nossa história e da luta do escritor em defesa das injustiças sociais. Rumorejandorespeitosamente recomenda.JUCA - Jzockner pequenissima (1)

Constatação II (De uma dúvida crucial).

Se a fórmula química da água é H2O, a fórmula do fogo é 1/H2O (Um sobre H2O) ?

Constatação III (De outra dúvida crucial).

A Progressão Aritmética decrescente é parente da Ordem e Progresso que consta na nossa bandeira, como os positivistas apregoaram?

Constatação IV

E a Progressão Geométrica é comadre da euclideana, analítica e da espacial?

Constatação V

A Pílula de Vida do Dr. Ross morreu?

Constatação VI

O médico mandou

Ela fazer uma dieta,

Mas ela se revoltou.

Ao invés de obedecer

Desbragadamente passou

A comer

O triplo da meta

Recomendada.

Finou.

Coitada!

Constatação VII (Quadrinha para ser recitada pelas mamães).

Vai dormir menino sapeca

Amanhã tem que ir à escola

E no recreio jogar bola

Pra não ser um Juca, digo, Jeca.

Constatação VIII

Não se pode confundir açulou que o dicionário Houaiss dá como 1 incitar (cão) para que morda, ataque ou se porte agressivamente (contra).

transitivo direto e bitransitivo

2 Derivação: por extensão de sentido.

provocar em (alguém) irritação, agastamento (contra); enfurecer, exasperar

Ex.: <ruídos muito agudos o açulam> <a. a torcida contra o time adversário> com azulou, que o mesmo dicionário diz, dentre outros3 Regionalismo: Brasil. Uso: informal.

pôr-se em fuga, retirar-se em debandada; fugir, escapar, até porque se um cão, açulado ou não vier em sua direção com ares indistintos e, se der no jeito, a melhor coisa é azular.

Constatação IX

“A tua prima escorregou

Quando me encontrou

E na bochecha me beijou”,

O marido explicou

Quando a mulher encontrou

Baton na sua gravata.

“Deixe-se de lorota!

Prefiro que você me conte

Alguma bravata.

Afinal, é inesgotável tua fonte

E a marca da bochecha não se nota.

Seu mentiroso,

Metido a talentoso

Seu descarado,

Seu safado!”

“Se eu não a tivesse segurado,

Ela teria se esborrachado

Na calçada”.

Coitada!*

Coitado!

*Não ficou devidamente esclarecido à qual das duas se refere o termo “coitada”. Tão logo Rumorejando tome conhecimento dará ciência aos seu prezados leitores.

Constatação X

O septuagenário não conseguia entender porque os atendentes esboçavam um sorriso – quando não, um riso – e iam falar com o gerente, pedindo esclarecimentos, quando ele estacionava no posto de gasolina e pedia: “Me encha o tanque com um hectolitro de gasolina comum”; quando no armazém pedia um decagrama de queijo e mais ou menos um decímetro de salame e um galão de manteiga. E, na casa de tecidos, 100 polegadas de determinado tecido. Coitado!

Constatação XI (Pseudo-soneto, da série Ah, o amor…).

Ternura

Olhos nos olhos e de mão dadas

O casal idoso senta na praça.

Será que ele diz piadas?

Ela ri. De alguma graça?

Súbito, ficam sérios

Se beijam como antigamente

Afinal, não há mistérios

Em se beijar de modo ardente.

Agora, ela apóia a cabeça no seu ombro.

E ele beija os seus brancos cabelos

Para quem passa, nenhum assombro.

Os vizinhos já estão habituados

Com essa sucessão de doces desvelos

Só os de fora ficam com olhos arregalados.

Constatação XII

Com a absolvição do ex-ministro e atual deputado federal Antonio Palocci pelo Supremo Tribunal Federal, deu na mídia: O ex-presidente da Caixa Econômica Federal Jorge Mattoso será o único a responder a ação penal por suspeita de participação na quebra do sigilo bancário e na divulgação dos dados do caseiro Francenildo dos Santos Costa”. Data vênia, como diriam nossos juristas, masRumorejando acha que o ex-presidente da Caixa quis fazer média, na época, com o então ministro Antonio Palocci. Ver a constatação seguinte.

Constatação XIII

Não se pode confundir costura com postura, até porque quando o garotão costura no trânsito, porque tem pressa em não ter nada a fazer, pondo em risco a sua vida e de outros, e porque assistiu a vitória do Rubinho na Fórmula I, está tendo uma postura digna de ser enquadrado como qualquer simples mortal, obviamente exceto deputados, senadores, ministros, juízes e desembargadores de um país de alhures.

O “HOMEM” CULPADO por alceu sperança / cascavel.pr

A indústria da morte é uma das mais lucrativas na atual etapa superior do capitalismo – o neoliberalismo.

Ela se distribui em vários ramos, dos remédios às armas (e às guerras), passando pela liquidação de gente e vida vegetal na progressiva ocupação da Amazônia via moto-serra, na disseminação de doenças entre os povos, no recrudescimento da aids nos países pobres, especialmente na África e na Ásia.Alceu sperança  - AJC (1)

E se mascara na repetida, malandra e continuada pregação ideológica de que é tudo culpa “do homem”. Não se atribui essa indústria da morte a um sistema cruel de exploração das necessidades humanas e dos recursos naturais, mas ao “homem”.

Um grande brasileiro, o médico gaúcho Ciro de Quadros, ao assumir o comando do Instituto Sabin de Vacinas, em Washington, decidiu voltá-lo a iniciativas para levar às populações mais pobres os benefícios da ciência.

Pode-se imaginar o que ele tem passado, no coração e no cérebro do neoliberalismo, enfrentando cara a cara a indústria da morte! Mas ele tem conseguido pelo menos duas vitórias: uma, está desmascarando a indústria da “saúde” a serviço do lucro e não da vida; outra, vai ampliando o alcance da vacinação de crianças em todo o mundo.

Empregos para robôs – Anualmente morrem ao redor de 10 milhões de crianças com menos de 5 anos de idade. A maioria dessas mortes poderia ser evitada com as vacinas. Meio milhão morrem por sarampo, um milhão por pneumonia, 600 mil por rotavírus, doenças que podem ser perfeitamente prevenidas.

Por que não são? Ora, porque a saúde não dá lucro. Pessoas doentes alimentam toda uma estrutura “curativa” que movimenta fortunas cada vez maiores, tirando o dinheiro do bolso das pessoas com um pouco mais de posses e drenando dos cofres públicos para essa estrutura uma babilônia que poderia estar sendo empregada na melhoria da vida de todos.

Por exemplo, através de professores bem pagos em escolas integrais, boas bibliotecas e laboratórios equipados, centros de formação de jovens, estabelecimentos melhores que as Febems do inferno para tratar as crianças miseráveis etc.

O maravilhoso desenvolvimento da tecnologia está contribuindo para aprofundar as desigualdades. Ele reduz a geração de empregos e semeia o desespero entre os que estão ocupados, sob o risco de se trocar dez a vinte pessoas por uma nova máquina ou robô.

Como diz o dr. Ciro, “com o advento de novas e mais caras tecnologias, está ocorrendo uma grande iniquidade: os que não têm continuam não tendo e tendo menos, e os que têm continuam tendo e tendo mais”.

Rebelião geral – O economista norte-americano Jeremy Rifkin, autor do livro O Fim dos Empregos, adverte que os postos de trabalho serão poucos no futuro, ocupados por uma pequena e bem paga elite profissional altamente qualificada.

Ao menor sinal de esgotamento físico ou mental e o advento de nova tecnologia, esse profissional cai do topo para o buraco: já era. “Os dias de oferta de empregos em massa para os trabalhadores não qualificados ou com pouca qualificação acabaram”, diz Rifkin.

Ele, no entanto, crê ser possível uma solução capitalista para esse caos todo. Acha que dá para evitar a rebelião geral que isso vai causar se o governo estimular os grandes grupos econômicos a ganhar ainda mais.

Aí, generosamente, eles repartiriam os lucros com a sociedade através da redução da jornada de trabalho, gerando mais empregos…

Mesmo que os governos incompetentes atrelados ao neoliberalismo façam isso, o que é duvidoso, e mesmo que as mega-corporações passem a lucrar mais, como estão lucrando, não vão gerar mais empregos. Não adianta pôr a culpa no “homem”.

A culpa é de uma estrutura injusta, cruel, sem futuro. Pois o “homem” acusado de tamanhos crimes contra si mesmo, a natureza e a vida, um dia perceberá que é escravo e se libertará.

O POETA ALTAIR DE OLIVEIRA convida para a I BIENAL DO LIVRO EM CURITIBA

O poeta Altair de Oliveira convida-lhes para uma “Manhã de Autógrafos” de seu quarto livro de poemas “O Lento Alento” que ocorrerá no dia 30/08/09 (domingo) das 9:30 às 11:30 hs no espaço offline daPrimeira Bienal do Livro de Curitiba“. O poeta participa também da primeira bienal curitibana do livro no sábado, fazendo leitura de poemas no “LITEROMANIA – SARAU DOS JOVENS POETAS” (das 19 às 21:30 hs), um espaço destinado aos poetas independentes pelo organizadores do evento. Não percam.

PRIMEIRA BIENAL DO LIVRO
Local: EXPO UNIMED CURITIBA (Campus da Universidade do Positivo)
Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5300
Campo Comprido – Curitiba.

ANDAR, ANDEI de otto nul / palma sola.sc

andar, andei,

e foi tanto andar,

tanto procurar,

que nada encontrei;

.

olhar, olhei,

e foi tanto olhar,

tanto descobrir,

que nada achei;

.

chorar, chorei,

e foi tanto chorar,

tanto me lastimei,

que só me acabei;

.

sofrer, sofri,

e foi tanto sofrer,

tanto padeci,

que quase morri;

.

chegar, cheguei,

e foi tanto chegar,

que só me lamentei

de tanto querer voltar.

A ONDA de manoel de andrade / curitiba

MANOEL DE ANDRADE - ondas-fotoarte-clark-little-att00008foto de clark little.

Canto a onda…
amazona das águas e dos ventos
a cavalgar esbelta sobre o dorso do oceano
pelas planícies tropicais dos mares
a cavalgar sob o sol e sob a lua
até a longínqua solidão dos hemisférios
a cavalgar sua cadência fugidia
pelo imenso território dos silêncios.
.
Canto a onda
salgada crista
verde brancura sempre erguida
e sempre despejada
canto teus canteiros borbulhantes de frescor e de açucenas
teu sorriso derramado em pétalas de espuma
canto teu beijo sugado ardentemente pela Terra
úmida fragrância espalhada nas areias do tempo
ritmo incessante dessa dança milenar.
.
Canto a onda
guardiã do mar e dos mistérios
atlética miragem que caminha sem descanso
vigiando as inumeráveis multidões de vidas
a caminhar sobre a imensa solidão das águas
a caminhar nos passos de lépida gazela
ou no galope da vaga majestosa.
.
Canto a onda
a grande onda
potência elementar
coluna insustentável que anuncia o precipício
súbita cascata, túnel e turbilhão
força imbatível, peso imponderável
filha do ventre ancestral das águas
vulto encoberto que avança obstinado
até surgir qual serpente coleante
galgando o planalto submarino
empinando a cabeça para o bote
tentáculo de sal, insólita medusa
invencível lâmina cortada por afiadas proas
sedução e pavor dos navegantes.
.
Longe… longe sobre as águas,
pairando na calmaria,
surge no céu um negrume…
e tudo é brusco e fantástico na paisagem que ressurge
são nuvens redesenhadas num borrão assustador
vem alargando seus passos
invadindo o horizonte
desterrando as claridades
turvando as ondas vadias
vem vindo no verde mar qual corcel em disparada
assanhando os elementos sobre a linha do horizonte
é o céu baixando à Terra
chegando na ventania, na rajada, no aguaceiro.
.
Um raio risca a penumbra e mergulha no oceano
e num frêmito aquoso se enruga a superfície.
Há uma tensão sob as águas
há um prenúncio nos ventos
as vagas se levantando
ressurgindo poderosas
no punho emerso do abismo
nos bramidos da procela colossal
na indomável fúria da tormenta
na invasão que avança.
.
Eis onda…
ora calma e deslumbrante
e agora o vulto apavorante
a galopar, qual indomável centauro sobre o mar,
avançando em sua marcha soberana
qual extensa muralha em movimento
alçando seu punho inumerável
exibindo seu pesado látego de espumas
chicoteando a muralha, o arbusto e a penedia
bramindo no poder dos elementos
chegando no estrondo, no vendaval, na fantástica sinfonia
invadindo, inundando e espalhando seus despojos.
.
Praias varridas
orlas de vida e de sonhos afogados
os imensos litorais tragados
os restos desfigurados da invasão
pedaços de barcos destroçados
lágrimas que ainda esperam
pescadores que não mais voltarão.
.
Contém, ó mar
teus passos sobre a Terra
tua reconquista
teu apocalíptico destino.
Já são tantos os sinais dos tempos
tanta irreverência ante tantos pressentimentos.
Ó mar…
são tão grandes teus domínios
escavados na origem desta concha planetária.
Deixa intacta esta nossa única terça parte
este verde agonizante que nos resta
esta solitária relva de esperança.
.
Curitiba, março de 2004
Este poema consta do livro CANTARES  editado por Escrituras

COMISSÃO PRÓ FORUM de CULTURA (SC) CONVIDA:

forum f_rum

estranho íntimo – de charles silva / florianópolis

o cara me chamou pra ser parceiro
ando tão ímpar!
o cara me chamou pra um cruzeiro
só tiro onda!
o cara apareceu com um pandeiro
caí no samba!
o cara é aprendiz de feiticeiro
vela e muamba!

conta aí, meu camarada
é caramelo de camelo
ou camelô de encruzilhada?

mundo ligeiro
um beijo virtual pra minha amada
uma pegada na real em minha amante
porque a carne ainda não vai pela tomada
e o monitor escolhe a cor do diamante

estranho íntimo
a vida não é bem essa levada
segura o ritmo!

“GETÚLIO VARGAS DEIXOU BILHETES PARA A HISTÓRIA DO BRASIL” pela editoria

Com antenas direcionadas para a área cultural e sensibilidade apuradíssima para os temas oportunos, Mary Garcia Diretora do CIC-CENTRO INTEGRADO DE CULTURA do Estado de Santa Catarina, localizou na capital do estado, Florianópolis, um tesouro histórico. Com a cautela e bom senso que a descoberta requeria Mary Garcia marcou com o médico Dr. Francisco Batista Neto, dono do tesouro, o encontro onde ela “veria com os próprios olhos”. A preciosidade trata-se, nada mais nada menos, de mais de 700 bilhetes, manuscritos, do ex Presidente Getúlio Vargas onde dirigindo-se ao seu chefe de gabinete dava ordens e cobrava soluções. Com tal achado o povo brasileiro poderá compreender grande parte de como ocorria a administração e os bastidores políticos da era Vargas. Com rigorosos cuidados Mary busca contato com o amigo escritor e biógrafo Toninho Vaz no Rio de Janeiro a fim de assessorar-se sobre como proceder para dar divulgação desse grande quinhão histórico. Toninho com sua vasta experiência em grandes mídias costura os primeiros passos, leva a Florianópolis o repórter Marcos Strecker da Folha de São Paulo, que encantou-se com a notícia da futura matéria. Daí para frente tudo tomou seu rumo após algumas ciosas reuniões. De imediato, a publicação na Folha da matéria produzida por Marcos no dia em que eram lembrados os 55 anos da morte do grande Presidente, 24 de agosto. Os bilhetes agora serão analisados por técnicos e historiadores para aferirem a veracidade e importância histórica, apesar de  a neta do Presidente, Celina do Amaral Peixoto, reconhecer a autenticidade. Novos passos, já definidos, iremos anunciando no devido tempo. Sem dúvida um grande achado parabéns Mary Garcia.

JB VIDAL

Editor

A rotina do Presidente Vargas

São bilhetes políticos e administrativos dirigidos ao Chefe de Gabinete, Lourival Fontes.

GETÚLIO - BILHETE PREFEITO

foto de toninho vaz.

“Perguntar ao prefeito se está tudo preparado para receber a carne argentina, inclusive a distribuição em combinação com frigoríficos.” 12.2.51.

O bilhete acima, no qual o presidente Getúlio Vargas se mostra preocupado com o abastecimento de carne, é apenas um dos 700 encontrados numa caixa e que estão sendo analisados por historiadores e especialistas. A primeira informação mostra o hábito do Presidente de emitir recados administrativos, sobretudo ao seu braço direito, o sergipano Lourival Fontes, que trabalhava na sala ao lado. Ao longo dos quatro anos do segundo governo, Fontes teve o cuidado de arquivar todos os pequenos e grandes recados que ficaram guardados por mais de 50 anos. Eles revelam aspectos da rotina no palácio do Catete.

GETÚLIO VARGAS - PASTAS COM BILHETES - TONINHO VAZ DSC04436

foto de toninho vaz.

são pastas e mais pastas e mais pastas com os mais de 700 bilhetes do Presidente Vargas. foram dedicados, ao longo do tempo, cuidados especiais, pois encontram-se em ótimo estado de conservação apesar da umidade da ilha de Santa Catarina.

o repórter da Folha de São Paulo Marcos Strecker, o jornalista e biógrafo Toninho Vaz e o médico Francisco Baptista Neto que tem a posse dos documentos. foto de Mary Garcia.

o repórter da Folha de São Paulo Marcos Strecker, o jornalista e biógrafo Toninho Vaz e o médico Francisco Baptista Neto que tem a posse dos documentos. foto de Mary Garcia.

Depois de passar pelas mãos de Lourival Baptista, também sergipano e companheiro de bancada de Fontes no Senado, os documentos finalmente estão agora com o filho de Baptista, o médico Francisco Baptista Neto, que mora em Florianópolis..

.

na grande mídia virtual e impressa dos estados do sul o PALAVRAS, TODAS PALAVRAS “fura”  a reportagem.



A LINGUIÇA (autor desconhecido) enviado por costa lemos / foz do iguaçu.pr



A medida que envelheço e convivo com outros, valorizo mais ainda as mulheres que estão acima dos 30;
Elas não se importam com o que você pensa, mas se dispõem de coração se você tiver a intenção de conversar;
Se ela não quer assistir ao jogo de futebol na tv, não fica à sua volta resmungando, pirraçando… vai fazer alguma coisa que queira fazer… E geralmente é alguma coisa bem mais interessante;
Ela se conhece o suficiente para saber quem é, o que quer e quem quer.

Elas definitivamente não ficam com quem não confiam;
Mulheres se tornam psicanalistas quando envelhecem.
Você nunca precisa confessar seus pecados… elas sempre sabem…

Ficam lindas quando usam batom vermelho.
O mesmo não acontece com mulheres mais jovens… Por que será, hein??
Mulheres mais velhas são diretas e honestas.
Elas te dirão na cara se você for um idiota, caso esteja agindo como um!
Você nunca precisa se preocupar onde se encaixa na vida dela.
Basta agir como homem e o resto deixe que ela faça…

Sim, nós admiramos as mulheres com mais de 30 anos!
Infelizmente isto não é recíproco, pois para cada mulher com mais de 30 anos, estonteante, bonita, bem apanhada, sexy, e bem resolvida, existe um homem com mais de 30, careca, pançudo em bermudões amarelos, bancando o bobo para uma garota de 19 anos…

Senhoras, eu peço desculpas por eles,  não sabem o que fazem!

Para todos os homens que dizem: ‘Porque comprar a vaca, se você pode beber o leite de graça?’, aqui está a novidade para vocês: hoje em dia 80% das mulheres são contra o casamento e sabem por quê? Porque ‘ as mulheres perceberam que não vale a pena comprar um porco inteiro só para ter uma lingüiça!’.
Nada mais justo!

MÚSICA, MAESTRO! por jorge lescano / são paulo

– Para esses ouvintes a arte deve se parecer com um bom jantar ou um par de sapatos macios!

Ao Maestro parecia-lhe que a educação musical havia chegado a um ponto no qual era possível ouvir as estruturas à par da melodia, do ritmo. Pensava em termos de som e pausas expressivas. Os ouvintes do Café Concerto precisavam de música de fundo para não ouvir suas próprias palavras, e de melodias que se gravassem na memória para reproduzi-las, ou convites à dança.

– A isto chamam de utilidade, justificação social da arte! Eu chamo de ganha-pão!

Alguma vez pensou num concerto só de cadenzas, uma para cada instrumento. Assim a orquestra permaneceria como estrutura, porém, sua função seria outra, destacando as qualidades de todos os sons sem se misturarem:

– O ouvinte vinculará esses elos dentro do seu tempo de escuta. Uma composição que utilize a descontinuidade do tempo através de instrumentos musicais e temas sonoros diversos, unidos, no entanto, pela estrutura da orquestra e a continuidade da audição.

Lamentava não poder discutir estes assuntos com seus companheiros do Café. Todos estavam preocupados com o artesanato da música, a reprodução exata das notas do pentagrama. Todos eram partidários da melodia bem feita:

– Apenas o trivial variado, não variado demais se se quer trivial. Mas eu entendo; é preciso sobreviver!

Às vezes se abandonava aos impulsos de mudança, de rupturas:

– Não respeitar as formas estabelecidas pelo romantismo, e ainda estamos nisso, é o único modo de ser autenticamente romântico! Pense nas Humoresques de Sibelius, nos Caprichos de Paganini, nos Noturnos de Chopin, mas sem o instrumentista virtuose. Houve um caso de flautista virtuose. Seu maior sucesso era o Moto Perpétuo. Fez carreira até que se soube que era gago. O interesse do público esfriou e ele acabou como faquir, pobre, em sânscrito. É uma piada, naturalmente, mas ilustrativa. Compreende o que quero dizer? Na situação em que foi colocado, o público só aprecia fenômenos, e o artista, em tanto que profissional, só pode aspirar a ser um fenômeno. Tudo isso é puro romantismo. O indivíduo exótico contra a multidão comum, para agradá-la. Mas, como poderia ter dito Mozart: vida de artista não é uma valsa de Strauss. Nunca sentiu que o Bravo! Ouvido na sala de concertos é o Gol! das elites culturais? Eu sempre penso nos concursos de arte como um campeonato. Como se o amor, o ódio, a consciência e o medo da própria morte e a perplexidade ante a vida, pudessem ser avaliados com pontos, como uma redação escolar, e premiados numa competição! Arte é forma, diz você. Concordo, mas todo prêmio é por bom comportamento, e há de convir comigo que os sentimentos não respeitam convenções formais. Eu quero construir algo assim como haikus musicais. Fragmentos que são um todo. Sim, Webern, mas não é isso…

Coçava o queixo, impotente ante as limitações da palavra

– Cada instrumento criará seu próprio contexto, sic, confiando na perspicácia do ouvinte, e com ele se relacionando de forma sutil, no mesmo plano de criação. O músico provocando e o ouvinte, que é tão musical quanto ele, estimulando sua criatividade. Os dois no mesmo plano, unidos pelo som e este diversificado por cada instrumento.

Antecipava-se à jogada do outro:

– O jazz era isso! Hoje também tem partitura e autor e arranjador e direito autoral e empresas gravadoras e colecionadores e críticos e tratados enciclopédicos. A arte, como o esporte, é boa quando praticada. Chega de ver o rei passar! A música, meu amigo, deve ser vivida. Imagine um coro que cantasse em uníssono a mesma melodia, mas cada cantor cantando em língua diferente, segundo suas necessidades e convidando o público, vamos pôr aspas na palavra público, e convidando o público as participar ativamente, juntando sua voz e melodias ao tutti. Que festa!

O outro poderia ter avançado seu Ives, ou atacado com a música para não ser ouvida de Satie, para não apelar com John Cage, a música aleatória e tutti quanti:

– Sim, sim! Isso já foi feito, ouviu Deus que lhe diziam…

Segundo o Maestro, o Concerto é um gênero romântico: o mocinho solista contra a orquestra de bandidos:

– Não importa se surgiu antes do romantismo. Estou falando de uma atitude, não de baboseiras escolares. É um gênero, como o nu, a natureza morta e o soneto. Agora abundam os Concertos num só movimento. Veja as sonatas de Béla Bartók, têm um ou dois movimentos, quer dizer, não são Sonatas. A Sinfonia Inacabada de Schubert não é uma Sinfonia porque não preenche os requisitos formais da Sinfonia. Você já leu algum Soneto de sete ou oito versos? Nem poderia! Eu já vi um Nu Corretamente Vestido, o que não está errado, se pensarmos que todos somos Adão sob a roupa; e outro nu intitulado Natureza Morta, mas o autor dos dois quadros era um poeta que propositadamente misturava as linguagens e confundia os gêneros para chegar a outra coisa. Meu amigo Rodrigo Barrientos, um pintor colombiano que atualmente reside em Paris, ameaçava pintar um Nu Esotérico. Nunca soube como seria, provavelmente estava tão oculto que nem ele sabia como era. Quero dizer que vivemos presos às palavras; chamamos de inacabado algo que o autor não teve necessidade de continuar. No Masp há um retrato de Diego Rivera pintado por Modigliani. Aparentemente não está terminado porque aparecem trechos da tela que não foram preenchidos, mas está acabado. O pintor percebeu que não era necessário acrescentar nada. Fugiu da redundância parando onde o assunto se esgotou como pintura. A coisa muda e nós continuamos usando as mesmas definições, ou então acreditamos que mudando o nome mudamos a coisa. Para que chamar uma composição musical de Concerto ou Sonata, Suite ou Sinfonia? Para não falar do absurdo do Poema Sinfônico, como se a música precisasse da literatura! Talvez o contrário seja verdadeiro. O que importa é a música, não o rótulo. Eu quero desnudar a orquestra, por assim dizer, e mostrá-la ao vivo. Lembra de Pedro e o Lobo?, ampliar essa idéia musical, desafiar o ouvinte a unir os fragmentos e construir mentalmente sua própria composição. Falo de ouvintes, não de todos os que têm orelhas. Orelha não é documento! Ir além da sensualidade do som, reorganizar o tempo de escuta. Imagino uma composição como um quebra-cabeça, um mosaico e um caleidoscópio de sons, onde a orquestra não seja o meio, o suporte de uma Sinfonia ou de um Concerto, mas apenas produtora de som, do qual o objeto será a própria orquestra. Quanta música na Sinfonia Inacabada! Bartók compôs um Concerto para Orquestra, e Barber um Ensaio para Orquestra, mas não é isso, ainda não é isso… Isto está parecendo um manifesto! É melhor deixar sempre algo por dizer, parar antes de chegar à idéia, essa Musa morta!

(do Livro de Marievar)

ESCRITURAS EDITORA e CASA DAS ROSAS CONVIDAM: QUINTA POÉTICA em SÃO PAULO

Com os poetas convidados:

Rubens Jardim (anfitrião), Raquel Naveira, Zuleika dos Reis e a jovem poeta Deborah Goldemberg. Participação especial de Neuza Pinheiro.

Quinta-feira, 27 de agosto de 2009

a partir das 19h

Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos

Av. Paulista, 37 – São Paulo/SP

Próximo ao metrô Brigadeiro.

Convênio com o estacionamento Patropi – Alameda Santos, 74

Informações: (11) 5904-4499

Próxima QUINTA POÉTICA: 24 de setembro de 2009, quinta-feira, às 19h, na CASA DAS ROSAS.

Escrituras Editora

Rua Maestro Callia, 123 – Vila Mariana
04012-100 – São Paulo – SP – Brasil
Tel.: (11) 5904-4499 (Pabx)

.

nota do editor:  ZULEIKA DOS REIS é PALAVREIRA DA HORA PREMIADA!


ERNÂNI GETIRANA CONVIDA:

ernâni getirana comenta sobre o prêmio recebido pelo PALAVRAS, TODAS PALAVRAS:

Só podia dar nisso!! Prêmio merecidíssimo. Estamos todos de parabéns.

E  CONVIDA:

para lançamento de seu livro LENDAS DA CIDADE DE PEDRO II

dia 27 de agosto, as 19:00 hs, na sala de cultura do Banco do Nordeste

na cidade de  Pedro II – PI.

.

quero dizer aos leitores que este site é muitissímo acessado no estado do piauí e na bela cidade de pedro II. o piauí é grande produtor de talentos artísticos que se tornaram nomes nacionais e internacionais. para não esquecer nenhum vou citar, representando a todos, o poeta e letrista TORQUATO NETO, já falecido, parceiro de músicas com caetano veloso, gilberto gil e outros. e agora nos manda ernâni getirana.

TODOS LÁ!

obrigado amigo pelas palavras de carinho e incentivo,

jb vidal

Editor

“PALAVRAS, TODAS PALAVRAS” AGITA A BLOGOSFERA COM A PREMIAÇÃO.

Vej@Blog
Seleção dos melhores Blogs/Sites do Brasil!
http://www.vejablog.com.br
……………………………………………………………………………
Parabéns pelo excelente Site!
Palavras todas Palavras ]

Você está fazendo parte da melhor e maior
seleção de Blogs/Sites do País!!!  – Só Sites e Blogs premiados  –
Selecionado pela nossa equipe, você está agora
entre os melhores e mais prestigiados Blogs/Sites do Brasil!
– Parabenizamos pelo ótimo trabalho! –

vini-vidal

o poeta e editor vinícius alves/vini e o poeta jb vidal. bebemorando.

o site (blog) PALAVRAS, TODAS PALAVRAS,
do meu querido amigo Vidal, acaba de receber
o prêmio de um dos melhores blogs do país.

Parabéns, mano véio. / vini


confira lá:
www.palavrastodaspalavras.wordpress.com/

veja no blog do vini. clique.

=====================================

COMENTÁRIOS NO LINK DA PREMIAÇÃO DO “PALAVRAS, TODAS PALAVRAS” até as 11:40 de hoje.

manifestam-se PALAVREIROS DA HORA, amigos e leitores. centenas de emails! OBRIGADO À VOCÊS!

.

  1. Publicado por vera lucia kalahari em Agosto 24, 2009 10:08 am às 10:08 am edit

Um prémio mais do que merecido, por este blog de excepção , com uma equipe fantástica que tem dado oportunidade a todos aqueles que fazem da escrita o seu meio de comunicar, independentemente das suas origens, das suas camadas sociais e de outras diferenças que, para muitos, são objecto de exclusão ou marginalização. Um blog de eleição, com uma equipe fantástica.
Congratulo-me com esta distinção e só espero que haja muitos mais a reconhecerem o vosso mérito e o vosso excelente trabalho.
Um abraço de parabéns.
Vera Lucia

Responder

Publicado por Avani M. Slveira Martins em Agosto 24, 2009 11:37 am às 11:37 am edit

Parabéns. Merecido este reconhecimento parabéns à toda equipe. Espero que outros recomheçam seus
méritos. Obrigada por nos brindar com um blog sem preconceitos dando oportunidades à todos que possuem algo para compartilhar.
Um gande abraço e mais uma vez parabéns,
Avani Maria Silveira Martins

Responder

Publicado por Miriam Catão em Agosto 24, 2009 12:33 pm às 12:33 pm edit

Êta palavra boa esta! Reconhecimento. Vocês fazem o caminho entre densos ramos. Parabéns para esta equipe que se redobra para do melhor fazer a excelência! Um abraço carinhoso em cada um. Sucesso sempre. miriam Catão

Responder

Publicado por Zuleika dos Reis em Agosto 24, 2009 12:37 pm às 12:37 pm edit

Parabéns, caríssimo Vidal. Parabéns a todos os palavreiros da hora e a cada um dos colaboradores e leitores deste magnífico site. Sinto-me profundamente honrada e feliz por meus grãozinhos fazerem parte da areia de praia tão vasta; honrada como palavreira; honrada como leitora.
Beijo
Zuleika.

Responder

Publicado por Ana Maria Maruggi em Agosto 24, 2009 15:05 pm às 15:05 pm edit

Um site tão completo, tão sério e importante como é o PALAVRAS, não poderia jamais ser deixado fora de um podium..PARABÉNS!

Responder

Publicado por maze mendes em Agosto 24, 2009 15:16 pm às 15:16 pm edit

Parabens ao Palavreiros e toda sua equipe! premio merecido,sempre divulgando a arte,poesia,literatura. PARABENS ! Maze Mendes

Responder

Publicado por Paola em Agosto 24, 2009 15:19 pm às 15:19 pm edit

Premiação merecida a este site que é destaque na divulgação da literatura. Abraços. Paola.

Responder

Publicado por lilian reinhardt em Agosto 24, 2009 19:03 pm às 19:03 pm edit

Parabéns Palavreiros pela premiação recebida! Merecidamente um espaço de Arte de interação de linguagens, de contribuição artística/cultural/humanística, sem fronteiras, parabéns estimado poeta Vidal, é uma honra estar aqui e participar dessa uníssona confraternização, agradecendo sempre o vosso apoio e carinho! Um grande abraço, Lilian

Responder

Publicado por Manoel de Andrade em Agosto 24, 2009 23:37 pm às 23:37 pm edit

Vidal, meu caro,
temos partilhado tantas alegrias
e bem quisera dividir uma mesa de bar
para comemorar hoje contigo esta homenagem.
Dizer …, palavras, todas palavras
e saber que esse é o melhor livro que escrevemos,
dizer orgulho
e saber que somos cidadãos dessa aldeia,
dizer amizade
e beber da água pura desse cântaro,
dizer amigo
e sorver contigo um vinho capitoso.
dizer saudade
e te esperar sempre em minha casa.

Responder

10.

Publicado por Joanna em Agosto 24, 2009 23:43 pm às 23:43 pm edit

Aproveito o espaço para congratular o Blog e realçar a disposição do Vidal para tal façanha.
Obrigada

obs: Somente mulheres têm vindo parabenizar o Blog ‘ Palavras Todas Palavras’ ??????

Responder

Publicado por Joanna em Agosto 24, 2009 23:45 pm às 23:45 pm edit

Desculpe-me Sr Manoel de Andrade…………….. foi mais rapido que eu………….retiro a obs anterior.
Thx

Responder

12.

Publicado por cdeassis em Agosto 25, 2009 9:20 am às 9:20 am edit

Chegou um raro presente
muito antes do Natal.
Mas isso já era evidente
pelo afã permanente
de por poetas e afins
nesta rede mundial,
daqui até os confins
deste mundo sem portão.
Parabéns, meu caro irmão!
Você merece, Vidal!

Responder

13.

Publicado por retta rettamozo em Agosto 25, 2009 9:23 am às 9:23 am edit

Saravá!

Responder

14.

Publicado por cdeassis em Agosto 25, 2009 9:25 am às 9:25 am edit

Repeteco — Desculpe-me pelo erro de digitação, Vidal. O verbo pôr saiu sem o circunflexo. Justifica-se: até ele tira o chapéu para você…

Responder

Publicado por Tonicato Miranda em Agosto 25, 2009 9:32 am às 9:32 am edit

Meu Caro Vidal,

Você construiu e estamos lhe ajudando a erguer um “blog” formidável.
Permita-me, junto com outros palavreiros, como o Manoel de Andrade e outros;
e tantas mulheres maravilhosas, compartir este prêmio maravilhoso.
Penso que a sua vocação como articulador cultural, por vezes inibindo o poeta,
é grandiosa porque você valoriza muito as mulheres.

Não fora elas este “blog” não teria tanta luminescência.
Não fora elas este “blog” não seria tão perfumado de idéias.
Não fora elas este “blog” não “cheirava bem”, no dizer dos lisboetas.
Não fora elas este “blog” não ganharia prêmios e declarações tão entusiasmadas.

E este breve discurso não petende, de forma alguma, ser um poema.
Ele é apenas a repetição de constatações e certezas agradáveis.

Parabéns, Vidal.
Ao parabenizá-lo, deixo um grande abraço
a todos os que se apresentam neste “blog” e que contribuem com seu sucesso:
escritores, poetas, pintores, gravuristas, fotógrafos e artistas em geral.
Tenho orgulho de ser palavreiro,
maior ainda em ser seu amigo.

TM

Responder

16.

Publicado por ERNÂNI em Agosto 25, 2009 9:36 am às 9:36 am edit

Só podia dar nisso!! Prêmio merecidíssimo. Estamos todos de parabéns. Aproveito para dizer do lançamento de meu livro LENDAS DA CIDADE DE PEDRO II (dia 27 de agosto, 19:00 h, na sala de cultura do Banco do Nordeste – Pedro II – PI.

Ernâni Getirana.

Responder

Publicado por Virginia Rojas em Agosto 25, 2009 10:06 am às 10:06 am edit

Carisimo JV,

Fiquei extremadamente contente pela premiação a su labor neste site, agradeço participar nele e receba meus abraços e o carinho de sempre. Continue em frente amigo!!!

Virginia Rojas

Responder

18.

Publicado por Vicente Martins em Agosto 25, 2009 10:21 am às 10:21 am edit

Como professor, adoro, ao final de uma aula, ser elogiado pela contribuição à formação dos meus alunos. Um site também deve ter esse mesmo sentimento: a alegria de ser premiado. Isso porque site é virtual na Internet, mas real no ambiente de trabalho. Reúne pessoas com inquietações, dúvidas, angústias e alegrias. Espero que doravante, com este Nobel da Internet, cheguem novos prêmios e com eles novas e maravihosas conquistas. Do amigo cearense, Vicente Martins

Responder

19.

Publicado por Juca em Agosto 25, 2009 10:25 am às 10:25 am edit

Vidal, mano velho.
Você merece, menino! [ ]’s Juca.

Responder

20.

Publicado por Marco Aurélio Jacob em Agosto 25, 2009 10:37 am às 10:37 am edit

PARABÉNS AOS PALAVREIROS DA HORA!!!

QUE SUAS CONTRIBUIÇÕES À CULTURA PREVALEÇAM PERANTE O IMPERIALISMO DA MASSIFICAÇÃO CULTURAL!

Marco Aurélio Jacob

Responder

21.

Publicado por wagner em Agosto 25, 2009 11:09 am às 11:09 am edit

Foi um premio merecido,devia ter mais sites como esse na Internet um site que aborda assuntos inteligentes e úteis.

NOTA DO EDITOR:

não faz parte dos nossos objetivos inscrever-se em concuros de site, prêmios de qualquer ordem. este prêmio veio porque veio, porque os responsáveis pelo levantamento/pesquisa entenderam que era necessário nos incluir entre milhões de pesquisados. portanto, às dezenas de emails que o site está recebendo com agressões estúpidas respondemos com os comentários, de pessoas dignas e respeitáveis, acima.

JB VIDAL

Editor

Prece à boca da minha alma – de nauro machado / são luis.ma

Não te transformes em bicho,
ó forma incorpórea minha,
só porque animal capricho
perdeu o humano que eu tinha.

Guarda, do animal, o alheio
esquecimento. E somente.
Mas lembra aquele outro seio
que te nutriu a boca e a mente.

E recorda, sobretudo,
que não babas ou engatinhas,
a não ser quando te escuto
pelos becos, dentre as vinhas.

Vive como um homem morre:
em solidão e na esperança.
guardando a fé que socorre
em mim, semivelho, a criança.

Mas não te tornes em bicho,
nem percas o ser humano,
só porque a tara (ou o capricho)
deu-me este existir insano.

De Do Eterno Indeferido (1971)

GETÚLIO VARGAS, 55 anos HOJE da sua morte – editoria

Getúlio Dornelles Vargas (19/4/1882 – 24/8/1954) foi o presidente que mais tempo governou o Brasil, durante dois mandatos. De origem gaúcha (nasceu na cidade de São Borja), Vargas foi presidente do Brasil entre os anos de 1930 a 1945 e de 1951 a 1954. Entre 1937 e 1945 instalou a fase de ditadura, o chamado Estado Novo.

Revolução de 1930 e entrada no poder

Getúlio Vargas assumiu o poder em 1930, após comandar a Revolução de 1930, que derrubou o governo de Washington Luís. Seus quinze anos de governo seguintes, caracterizaram-se pelo nacionalismo e populismo. Sob seu governo foiGetuliopromulgada a Constituição de 1934. Fecha o Congresso Nacional em 1937, instala o Estado Novo e passa a governar com   poderes ditatoriais. Sua forma de governo passa a ser centralizadora e controladora. Criou o DIP ( Departamento de Imprensa e Propaganda ) para controlar e censurar manifestações contrárias ao seu governo.
Perseguiu opositores políticos, principalmente partidários do comunismo. Enviou Olga Benário , esposa do líder comunista Luis Carlos Prestes, para o governo nazista.

Realizações

Vargas criou a  Justiça do Trabalho (1939), instituiu o salário mínimo, a Consolidação das Leis do Trabalho, também conhecida por CLT. Os direitos trabalhistas também são frutos de seu governo: carteira profissional, semana de trabalho de 48 horas e as férias remuneradas.
GV investiu muito na área de infra-estrutura, criando a Companhia Siderúrgica Nacional (1940), a Vale do Rio Doce (1942), e a Hidrelétrica do Vale do São Francisco (1945). Em 1938, criou o IBGE ( Instituto brasileiro de Geografia e estatística). Saiu do governo em 1945, após um golpe militar.

O Segundo Mandato

Em 1950, Vargas voltou ao poder através de eleições democráticas. Neste governo continuou com uma política nacionalista. Criou a campanha do ” Petróleo é Nosso” que resultaria na criação da Petrobrás.

O suicídio de Vargas

Em agosto de 1954, Vargas suicidou-se no Palácio do Catete com um tiro no peito. Deixou uma carta testamento com uma

VARGAS em CURITIBA a caminho do Rio de janeiro. revolução de 1930.

VARGAS em CURITIBA a caminho do Rio de Janeiro. revolução de 1930.

frase que entrou para a história : “Deixo a vida para entrar na História.”  Até hoje o suicídio de Vargas gera polêmicas. O que sabemos é que seus últimos dias de governo foram marcados por forte pressão política por parte da imprensa e dos militares. A situação econômica do país não era positiva o que gerava muito descontentamento entre a população.

Conclusão

Embora tenha sido um ditador e governado com medidas controladoras e populistas, Vargas foi um presidente marcado pelo investimento no Brasil. Além de criar obras de infra-estrutura e desenvolver o parque industrial brasileiro, tomou medidas favoráveis aos trabalhadores. Foi na área do trabalho que deixou sua marca registrada. Sua política econômica gerou empregos no Brasil e suas medidas na área do trabalho favoreceram os trabalhadores brasileiros.

.

A CARTA TESTAMENTO DE GETÚLIO VARGAS

Mais uma vez, a forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes.

Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre.

Não querem que o povo seja independente. Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia, a ponto de sermos obrigados a ceder.

Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo, que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar, a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida.

Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão.

E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História.

Rio de Janeiro,  23/08/54

ASSINATURA DE VARGAS  get_lio_vargas01_02mar07

“PALAVRAS TODAS PALAVRAS” foi premiado e está no TOP: PARABÉNS “EQUIPE PALAVREIROS DA HORA”

Vej@Blog
Seleção dos melhores Blogs/Sites do Brasil!
http://www.vejablog.com.br
……………………………………………………………………………
Parabéns pelo excelente Site!
Palavras todas Palavras ]

Você está fazendo parte da melhor e maior
seleção de Blogs/Sites do País!!!  – Só Sites e Blogs premiados  –
Selecionado pela nossa equipe, você está agora
entre os melhores e mais prestigiados Blogs/Sites do Brasil!
– Parabenizamos pelo ótimo trabalho! –

EU e os GREGOS por joão batista do lago / são luis.ma

A senhora pergunta, sob o meu ponto de vista “(caso a vida continuasse após a morte do corpo)”, que destino eu daria:

1) Ao Sócrates Histórico?;
2) Ao Sócrates de Xenofonte?;
3) Ao Sócrates de Platão?;
4) Ao Sócrates de Aristóteles?

“- Não lhes daria nenhum destino.”

Mas esta resposta é por demais simplória, e não abarca, ou seja, não contempla a excelsa sabedoria introjetada em vosso argumento (segundo minha visão). No seu parêntesis estão contidos já três temas fenomênicos fundamentais JOÃO BATISTA 002para a história do pensamento, para a filosofia e para a história da formação do humano, assim como das espécies: Vida, Morte e Corpo.

“EU”, não acredito na morte, do que quer que seja. Mas, ao inferir este brocardo, ocorre-me um fluir paradoxal, isto é, sou, pelo senso comum, assim como pelo senso intelectual, dos quais sou construído, condicionado a pensar no contrário da “Morte”, ou seja, na “Vida”. E, ao pensar na Vida, ocorre-me um novo paradoxo: o Corpo. Eis, aqui, um “João Poeta” totalmente agrilhoado. Preso ao “MEU” desconhecimento, à “MINHA” não-sabedoria.
Mas, como sou anti-humano, por demais anti-humano, e penso, anti-humano “despertado” e “desperto”; inquietado com a “MINHA” ignorância, e ansioso para alcançar a “MINHA” Sabedoria, não canso em buscar aprender, e apreender, sobre essas questões metafísicas, uma razão racional tendo como laboratório de análise, estudo e pesquisa o meu próprio “EU”. E, em razão disso, questiono-me, desde que me considerei desperto, respostas para fenômenos como esses que a senhora se me remete.

Para justificar a minha não-crença na Morte, tomo, por empréstimo, o pensamento de Arthur Schopenhauer (1788-1860), pensamento que também foi emprestado por Friedrich Nietzsche (1844-1900): tudo que sabemos do mundo é puro fenômeno, ou seja, aparência, ilusão, fantasia; qualquer objeto de conhecimento é sempre condicionado ou, melhor, “DETERMINADO”, pelos esquemas radicados na mente do sujeito cognoscitivo: o espaço, o tempo, a relação de causa e efeito…; Isso significa que é sempre e essencialmente uma construção mental, uma representação…; Todas as nossas convicções são subjetivas, pois, não existe objetividade, nem mesmo no campo científico, e o mundo inteiro no seu conjunto, mesmo que nos pareça estável, real e independente de nós, é somente uma totalidade de representações mentais pessoais.

(*****)

Portanto, minha prezadíssima filósofa, penso que a Morte, assim como a Vida, são representações mentais. Assim sendo, “EU”, não tenho como “destinar” nenhum dos “Sócrates” para “destino” quaisquer. O “destino” não passa de representação individual da mente do humano. Mas é interessante perceber-se, no interior da sua questão, a existência desse fenômeno: o corpo.

Qual daqueles “Sócrates” (inclusive o de Alighieri, como refere a senhora) tem um Corpo? E o que é Corpo? E na possibilidade da existência de um Corpo, de que matéria são compostos esses corpos? Como e de que forma se pode ter consciência sobre a existência de Corpo naqueles “Sócrates”? Qual matéria constitui o corpo do “Sócrates de (…)”, que “com certeza perambularia por toda a eternidade através do planeta, conhecendo povos e épocas diferentes?”

(*****)

E agora invertamos os papéis: e se a esta nossa existência, deste aqui e agora, chamássemos Morte, e depois do desaparecimento do corpo a concebêssemos como Vida? Porventura não continuariam sendo apenas representações fenomênicas, isto é, representação mental individual de cada humano?

(*****)

E quanto ao corpo, vejamos o que diz Schopenhauer: que cada um é capaz de conhecer apenas “UM” objeto, somente “UM” no universo inteiro, em toda a sua objetivação e realidade efetiva. Esse objeto é o “NOSSO” corpo. Porventura não é a única “coisa” fenomênica que realmente percebemos, ou seja, que não percebemos por meio dos sentidos?
Ser; Ser-si; Sentir-se um corpo vivente é, para “NÓS”, o único conhecimento númeno possível, isto é, verdadeiro, essencial, objetivo, não fenomênico.

(*****)

Contudo, além de todas essas razões que apontei aqui e agora, lógico, partindo do pensamento de Schopenhauer, no qual acredito e, portanto, tomo-o como a “MINHA” verdade fenomênica, há, ainda, em sua questão, um fenômeno que subjaz, que está envolto por uma obscuridade apolínea, mas que a contesto dentro de uma concepção dionisíaca: a existência da “alma” que perambula.

(*****)

Se, porventura, “EU” destinasse para algum lugar, quaisquer daqueles “Sócrates” [inclusive o Sócrates de Alighieri, assim como o Sócrates de (…)], “EU” estaria pressupondo a existência de um outro ser ou de uma outra entidade: a alma, o que, por inferência lógica, com base numa tipologia de intuicionismo ou, quando muito, estabelecida a partir de uma teoria empirista da metempsicose, teria uma forma, ou seja, acabaria, de alguma maneira, prefigurando a existência de um corpo que “com certeza perambularia por toda a eternidade através do planeta, conhecendo povos e épocas diferentes”, como acredita a filósofa (…).

(*****)

Permita-me, filósofa (…), discordar do vosso aforismo filosófico, mas se porventura entendi errado o vosso pensamento, conceda-me, por gentileza, o dom da vossa correção. De minha parte não acredito na existência de uma alma que vaga mundo afora “conhecendo povos e épocas diferentes”, transmigrando de um corpo para outro após a morte, para novamente se instalar num novo “parto”, ou pairando em algum limbo, que “soi-disant” em humanos adormecidos pela estética do apolíneo. Isto, entretanto, não significa dizer que “EU” esteja com a verdade ou que tenha razão sobre este fenômeno. E, com certeza, provavelmente não estou com a verdade ou com a razão sobre este fenômeno. A verdade e a razão também não passam de representações mentais da mente pessoal.

(*****)

Por sua vez, Dante Alighieri, que não faz parte da história e do pensamento da Filosofia, a não ser sob o aspecto literário, nos remete para o “limbo”, um espaço metafísico ou um provável lugar onde “almas que não puderam escolher a Cristo”, pelo batismo, continuam a experienciar suas vidas após a morte. Devo admitir que esta é um das mais belas criações da literatura universal, e que se junta à “Odisséia” e à “Ilíada”, de Homero, assim como ao “Erga”, de Hesíodo. Não é a-toa que ‘o’ “Dante” da “Divina Comédia” encontra-se no Limbo com ‘o’ “Homero” da mesma obra dantesca, construída em três partes: Inferno, Purgatório e Paraíso.

Não seria isso tudo, pois, a representação mental fenomênica de Alighieri? E o que são o Inferno, o Purgatório e o Paraíso se não representações mentais fenomênicas? Podemos assinalar que Alighieri, nesta obra, em que pese toda a sua beleza, a sua plasticidade, a sua estética enfim, é um “ser adormecido”? Porventura a sua obra não foi criada para “(contentar em parte a igreja)”, conforme assinalou a senhora ao criar o tópico em debate?

(*****)

Veja, cara filósofa, o quanto de importância, beleza e profundidade têm o vosso questionamento. E o que se disse até aqui não é sequer um grão de areia nessa imensidão de conhecimento e sabedoria. Talvez não seja nada mesmo! Quem sabe!? Mas o fato é que estamos todos – todos mesmo – imbricados nessa avalancha monolítica do desconhecimento da origem das espécies, assim como do universo, apesar das teorias científicas modernas que nos alentam de conhecimentos racionais e científicos… E ainda sequer falamos de quaisquer dos “Sócrates”: o Histórico, o de Xenofonte, o de Platão e o de Aristóteles.

(*****)

Penso que o maior problema do debate sobre Sócrates reside, fundamentalmente, na dissonância discursiva dos principais discípulos, sobretudo quando falamos do “Sócrates” de Platão ou do “Sócrates” de Xenofonte, ou de ambos simultaneamente. E pior ainda, quando associamos a esses dois o Sócrates Histórico.

(***)

Mas para que possamos falar em (e de) Sócrates é indispensável que lembremos de um autor “maldito”, mas que me é caro e atraente, mesmo que dele discorde em muitas coisas: Friedrich Nietzsche. Sem este autor, quer gostemos ou não do seu pensamento, é quase que impossível, nos dias de hoje, estudarmos a socrática. Senão vejamos: foi a partir do instante em que N. desligara-se do Cristianismo, a partir do instante em que proclamara o advento do super-homem, que Sócrates teve de dar contas do ilimitado poder que desde o início da Idade Moderna exercera, como protótipo da “anima naturaliter christiana”. Somente para se ter como alocução sobre o poder de Sócrates, na Idade Média, veja-se o que o grande humanista da época da Reforma, Erasmo de Roterdam, sentia a respeito do helenista, chegando, inclusive, a incluí-lo entre os seus santos. E orava: “Sancte Socrates, ora pro nobis!”.

Isso, de certa maneira, atravessou os séculos, até que, na tendência anti-socrática de N. renascia, sob nova forma, o velho ódio do humanismo erasmiano contra o humanismo conceptual dos escolásticos. Para N., não era Aristóteles o “Príncipe” da Escolástica, mas o próprio Sócrates era “a autêntica personificação daquela petrificação intelectualista da filosofia escolástica, que durante meio milênio manietava o espírito europeu e cujos últimos rebentos o discípulo de Schopenhauer julgava descortinar nos sistemas teologizantes do chamado idealismo alemão” (Werner Jaeger) [Já na primeira obra de N., Die Geburt der Tragödie aus dem Geist der Musik, manifesta-se o ódio contra Sócrates, convertido pelo autor pura e simplesmente em símbolo de toda a “razão e ciência”. Nesta obra, N. tomava uma decisão interior entre o espírito racional da socrática e a concepção trágica do mundo dos Gregos. Esta mesma formulação do problema só se poderá compreender se o situarmos nos estudos sobre o helenismo que preenchem toda a vida de Nietzsche. Cf. E. SRANGER].

(*****)

Minha Mestra, permita-me fazer, por enquanto, um corte a este meu comentário, que, agora percebo, já se alongou, mas que está distante de sua conclusão.

UM JORNALISTA DE VISÃO por hamilton alves

Só conheci Assis Chateaubriand, que mantinha uma rede de jornais e emissoras de rádio, por longo anos, pontificando entre os primeiros “O Jornal”, que era, para seu tempo, algo que representava um avanço além dos marcos já conquistados pela imprensa do país e até, por que não dizer?, mundial, pelo nome e por via de fotos. Era um velhote baixote, muito simpático – e mais que tudo isso velha raposa do jornalismo tupiniquim. Conheceram-no os grandes jornalistas brasileiros que com ele conviveram e lhe conheceram certamente as pequenezas e grandezas características de todo o ser humano.

Refiro-me a Chateaubriand para lembrar o senso jornalístico que possuía. Ou a forma de conquistar leitores quando as coisas lhe pareciam não ir bem, o que falta nos proprietários de muitos de nossos jornais de hoje, que se contentam com o rebotalho de que dispõe (não vou citar nomes).

Houve, por exemplo, um momento em que “O Jornal” passou por uma crise de anunciantes e até mesmo de boiar nas bancas de meter medo e assustar Chatô (como era chamado pelos mais íntimos).

O que é que fez?

Usou a cabeça ou a imaginação, que lhe serviram de bússola a vida toda.

Convocou à redação Nelson Rodrigues, que, por essa época, pontificava em algumas colunas de jornais menos badalados e menos importantes, mas com público fiel que o lia.

O que lhe propôs Chatô para atrair leitores e ganhar anúncios? Simplesmente lhe disse:

– Nelson, você vai inaugurar no jornal uma história em folhetim. Cada dia publica-se um novo capítulo.

Nelson não deve ter achado difícil cumprir a missão que lhe foi confiada. Até porque era uma coisa que sabia fazer como poucos: inventar histórias, as mais dramáticas e rocambolescas, como eram, tempos depois, as crônicas que escrevia, na “Zero Hora”, de Samuel Wainer, na última página, no rodapé, que hoje foram transformadas em livro por iniciativa de seu grande admirador, Ruy Castro, que conta no prefácio (A vida como ela é) que sua mãe as lia para ele, que ouvia entre deslumbrado e embevecido.

Chatô acertou em cheio com a convocação de Nelson para iniciar esse folhetim, que assinava com o pseudônimo de Suzana Flag, que acabou noutro de seus grandes romances, lançado pela Companhia das Letras, prefaciado também por Ruy, com o título de “Núpcias de Fogo”.

Estamos assistindo à decadência de alguns de nossos jornais (notoriamente os que ainda mantêm algum prestígio e boa circulação, mas que dão sinais evidentes de descompasso com os novos tempos, com a concorrência forte do computador, com a formação de blogs) e pergunto se os donos desses jornais têm alguma receita pronta para reagir aos solavancos eventuais de falta de leitores e anunciantes?

Ou pretendem manter as coisas dentro do atual padrão? Vale lembrar a lição de Chatô.

GENTE BRONZEADA por alceu sperança / cascavel.pr

Se males piores o capitalismo em sua etapa neoliberal não contivesse além da brutal contradição entre desenvolvimento e destruição ambiental e da liquidação geométrica dos postos de trabalho proporcional à evolução Alceu sperança  - AJC (1)aritmética do progresso científico e tecnológico, ele deveria ser condenado como desumano no mínimo por uma constatação inquestionável e da maior relevância: ele é cruel para com o futuro da nossa espécie.

Evidencia-se isso de várias formas, inclusive pela destruição ambiental e pelo desemprego gerado com a introdução de computadores e robôs nas empresas, mas a face mais ofensiva desse sistema injusto é o que está acontecendo com as crianças, agora mesmo.

Mais de 200 milhões de crianças menores de cinco anos nos países mais pobres não atingem seu potencial de desenvolvimento, apontou um estudo do University College de Londres, publicado na revista médica The Lancet. Os pesquisadores mostraram o óbvio: pobreza e desnutrição redundam num cérebro menos capaz de aprender.

Essas crianças podem até ter vagas na educação “universalizada”, mas entram em sala com desvantagem competitiva com aquelas cujas mães conseguiram cuidar bem desde a gestação.

No que isso dá

É claro que a maioria delas, com exceção de um André Rebouças aqui ou de um Milton Santos acolá, devido às condições excepcionais de sua criação, poderão erguer a cabeça além do nível da água, mas essas crianças em desvantagem tendem a ter mau desempenho na escola, reproduzindo a velha equação: baixa renda + alta fertilidade = mais gente com menos dinheiro. E sempre mais gente infeliz.

É assim que a pobreza vai atravessando as gerações e explode na forma de insegurança e violência nas nossas cidades sitiadas no medo e nas injustiças sociais, agravadas dia a dia pelo neoliberalismo e sua máquina ideológica de engabelar.

O estudo promovido pela instituição britânica desfila um rol de obviedades: as crianças dos países pobres sofrem com a pobreza renitente, a má nutrição continuada e a completa falta de estímulo da família para elas, e à família por parte da sociedade e dos governos eleitos pelo povo para a alegria dos banqueiros compradores de votos. O fruto óbvio dessa desgraceira toda é a criança afetada em seu desenvolvimento cognitivo, motor e socioemocional.

Hoje, vivem em países pobres mais de 600 milhões de crianças menores de cinco anos, das quais 160 milhões têm problemas de crescimento e 130 milhões penam na absoluta pobreza. Essas crianças estão condenadas a ter menos educação, um menor desenvolvimento cognitivo e a ser menos produtivas.

“Deveriam implementar”

Ingenuamente, os pesquisadores que elaboraram o estudo concluem que “para alcançar os Objetivos do Milênio para reduzir a pobreza – e assegurar que meninos e meninas completem a escola primária –, os governos e as sociedades civis deveriam implementar programas de desenvolvimento infantil de alta qualidade”.

Esses governos neoliberais do tipo PT/PSDB/PMDB/DEM e essa sociedade omissa e conivente que aí estão não vão fazer nada disso em homenagem à bela cor dos olhos pidões e sofridos dos miseráveis em geral. Vão enrolar a massa a bolsadas e enriquecer os barões assinalados que financiam as campanhas eleitorais.

Pois, já dizia Marx em Miséria da Filosofia, essa coisa hoje dominante só pensa no que lhe dá lucro:

“É o tempo da corrupção geral, da venalidade universal ou, para falar em termos de economia política, em que qualquer coisa, moral ou física, tendo-se tornado valor venal, é levada ao mercado para ser apreciada por seu valor adequado.”

Por aqui, temos que reviver a bela palavra-de-ordem do poeta Assis Valente:

“Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor” (Brasil Pandeiro, 1941).

RUMOREJANDO -PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES. por juca ( josé zokner) / curitiba


Constatação I

Não se pode confundir acata com ataca, até porque quem acata quem te ataca quer dizer que você é um bunda-mole que o dicionário Houaiss define como:

1 Regionalismo: Brasil. Uso: informal, pejorativo.

Pessoa fraca, covarde; pusilânime.

Ex.: agora vamos ver quem é homem e quem é b.JUCA - Jzockner pequenissima (1)

2 Regionalismo: Brasil. Uso: informal, pejorativo.

Pessoa pouco ativa, desanimada.

Nota de Rumorejando: Os deputados e senadores são pessoas de muita atividade. Lamentavelmente, em seu próprio benefício…

Constatação II

Deu na mídia: “O Banco católico Pax Bank pediu desculpas por investir em armas, cigarros e pílulas anticoncepcionais”. Data vênia, como diriam nossos juristas, mas Rumorejando acha que banqueiro é banqueiro, sem distinção de raça, cor ou religião. Aliás, a religião do banqueiro é o dinheiro. E, em certos países, sempre visando lucros estratosféricos e, consequentemente, pornográficos… Não é à-toa que o irlandês George Bernard Shaw disse que “o pecado do ladrão é a virtude do banqueiro”.

Constatação III (e já que falamos no assunto…)

Ela era toda circunspeta

Inclusive sua bunda,

Pouco rotunda,

Que tava mais para atleta.

A dita, nunca mostrava os dentes

Foi a única que conheci assim

As demais, sempre sorridentes,

Como costumam ser

As bundas femininas,

Pela manhã, à tarde e ao anoitecer.

Sejam de meia-idade,

Da longínqua mocidade

Ou de meninas;

Sejam brancas, morenas ou carmesim.

Será que, além dos glúteos, os músculos,

Das bundas que abrigam algum biquíni,

Grandes ou minúsculos,

Possuem também o músculo Risório de Santorini*?

*que ou o que se localiza na proximidade dos lábios (diz-se de pequeno músculo).  (Houaiss). Músculo do riso.

Constatação IV (Pseudo-soneto da série Ah, o Amor…)

Meus sensíveis pontos erógenos

Ela, irritada, me ponderou,

São os que mexem com meus estrógenos

E você mais uma vez se enganou.

Você foi muito pro lado e acima

E, como sempre, muito depressa.

Você só pensa na tua superestima,

Você ainda não aprendeu, ora essa!

Me diga, então, os pontos exatos

To cansado de ouvir teus desacatos.

Preciso reaprender com exatidão.

Meu nariz, meu pulso e meu cotovelo;

Meus cílios, minhas unhas e meu tornozelo,

As bochechas, o cabelo e o metatarso do dedão.

Constatação V (De diálogos matrimoniais intelectualizados).

Sugeriu à mulher

Um “ménage à trois”.

Ela, como quem nada quer,

Esnobou no francês:

-“Ce serait bon, tu crois?

Você vai convidar

Teu amigo javanês?”

-“Não. Queria que você convidasse

A mulher dele”.

-“Aí, vamos ficar

Num baita impasse.

A javanesa,

Que, reconheço, é uma beleza,

Apenas topa ir com ele.

No ménage que eu participei

Com os dois

Eu só fiquei

No feijão com arroz”*

*Não ficou claro o que ela quis dizer com o “feijão com arroz”. Quem souber, por favor, cartas a este assim chamado escriba, pelo correio eletrônico, para podermos esclarecer aos nossos prezados leitores. Obrigado.

Constatação VI

Não se pode confundir prensado com repensado, mormente no caso da crise do Senado brasileiro, até porque, cada vez que o presidente do Senado é prensado por atos que cometeu e/ou tinha conhecimento sem tomar providencias e a Oposição tenta afasta-lo entram variáveis do tipo “eles também têm o rabo preso” e o caso passa a ser, incontinentemente, repensado

Constatação VII

Pintou e bordou:

Pintou o sete;

Bordou no corpete

A foice e o martelo.

O marido de Direita

Pôs-se amarelo.

Broxou.

Cortou, logo, o elo

E com ela não mais se deita.

E com cara amarrada

Falou muito zangado:

“Quem assim se enfeita,

Por si só se enjeita”.

Coitada!

Coitado!

Constatação VIII

Incorrigível,

O Senado doente

Acertou os ponteiros

Que o seu presidente,

Ainda por muitos janeiros,

À semelhança de anos inteiros,

Parece ser irremovível.

Constatação IX

O coringa ensejou

Que ele batesse

No jogo de canastra.

Aí, ela a roupa tirou,

Conforme combinado

De quem perdesse.

Ela, de tão magra,

Parecia uma pilastra.

Eis que o pai entra na sala

E os dois flagra.

Brande sua bengala.

Em sua direção.

“Seu safado!”

Ele nem se despede,

Se escafede

E na escuridão

Do jardim

Cai numa vala.

E rasga sua túnica

E sua única

Calça de brim.

Coitado!

Constatação X

Rico sempre seus ganhos dobra; pobre, soçobra.

JULIO DAIO BORGES entrevista o poeta MANOEL DE ANDRADE / são paulo

América Latina foi minha grande universidade

Hoje gerente de uma empresa da área médica, o poeta brasileiro Manoel de Andrade se destacou nos anos 70 pelos versos nos quais expressava o sentimento do homem latino-americano no livroPoemas para a Liberdade, reeditado recentemente em edição bilíngue no Brasil (Escrituras Editora).

Sua forte ligação com a América Latina começou no final dos anos 1960, quando saiu do Brasil devido à perseguição política pela luta estudantil contra a ditadura e, especificamente, por um poema que escreveu em homenagem a Che Guevara.

Na viagem, percorreu 15 países latino-americanos, onde viveu, segundo ele, sua universidade poética, apesar de termanecosido preso e expulso de alguns deles. Em cada cidade, aproveitava o tempo para estudar, aprender o idioma espanhol e ler grandes escritores.

Os frutos da empreitada resultaram em reconhecimento internacional, com o livro Poemas para la Libertad publicado na Bolívia, Colômbia, Equador e Estados Unidos, além de edições panfletárias no Peru, Nicarágua, El Salvador e México.

De volta ao Brasil, em 1972, não exerceu mais sua vocação e só voltou à poesia mais de 30 anos depois, com a publicação do livroCantares, em 2007.

Qual foi o impulso para reeditar Poemas para a Liberdade (1970) hoje?

Primeiramente pela grata recepção que teve meu livro Cantares, lançado em 2007. E, depois, pela memória de 1968, relembrando as bandeiras da luta estudantil empunhadas por minha geração. Recordar toda nossa corajosa resistência, como porta-vozes da sociedade contra o regime militar, me fez relembrar também meus anos de luta pela América Latina, onde minha trincheira e meu fuzil foram os meus Poemas para la Libertad, finalmente editados no Brasil.


Você é um dos únicos casos que conheço de poeta brasileiro que escreveu para a América Latina inteira (e obteve êxito) – como aconteceu essa sua ligação tão forte com o idioma de Cervantes?

A ligação antiga foi a leitura dos clássicos espanhóis na juventude e a imediata foi a convivência diária com o idioma castelhano em meu imenso caminhar. Ao longo dos 15 países que percorri, tinha o hábito de reservar as primeiras semanas para ler, nas melhores bibliotecas, sua história política e literária e seus principais poetas e prosadores. Aprendi muito rápido: lendo muito, falando e escrevendo.

Sua saída do Brasil está relacionada a um poema seu em homenagem a Che Guevara. Quando ele morreu, era tão perigoso assim homenageá-lo no Brasil?

Quando ele morreu, em 8 em outubro de 1967, ainda não existia o AI-5 [Ato Institucional nº5]. Saudação A Che Guevara foi escrito para comemorar o primeiro ano de sua morte. O poema colocava, liricamente, a sua imagem de comandante no centro dos movimentos revolucionários do continente, convocava a luta armada e saudava a sua imortalidade como uma consigna triunfante na conquista de um mundo novo.

Quatro mil cópias foram panfletadas até o início de dezembro, quando a nação já respirava uma atmosfera carregada pelo pressentimento de uma surda e sinistra ameaça por trás dos biombos do poder. No dia 13 de dezembro, a edição do AI-5 sufocou os últimos suspiros da democracia.

Em março, o DOPS [Departamento de Ordem Política e Social] já tinha em mãos cópias do meu poema, e a caça às bruxas já havia começado no país inteiro. Eu já estava sendo procurado nos recintos universitários, e os suspeitos de subversão eram presos, mantidos incomunicáveis, e alguns começaram a sumir. Nesse perigoso contexto, eu saí do Brasil.

Como foi percorrer 15 países por conta da sua obra, que foi, finalmente, editada em livro na Bolívia em 1970? Hoje seria possível algum poeta brasileiro experimentar uma acolhida remotamente parecida?

A América Latina foi minha grande universidade. Com meus versos na garganta, muitos percalços e alegrias pelos caminhos, preso e expulso de alguns países, mas avançando sempre rumo ao norte, meus poemas atravessaram o continente, cruzaram o Rio Bravo e foram cantar a justiça e a liberdade nas próprias entranhas do “monstro” livro capaimperialista. Ecoaram na Califórnia de 40 anos atrás, para dizer da saga revolucionária latino-americana aos nossos irmãos chicanos, cuja latinidade, maculada pelo esbulho da própria pátria mexicana, buscava forças em suas raízes para lutar contra a discriminação, as humilhações e as injustiças após 150 anos de genocídio cultural, com a anexação, em 1848, do Novo México, Arizona, Califórnia, Utah, Nevada e Colorado ao território estadunidense.

Por outro lado, não creio que hoje se possa experimentar uma acolhida tão solidária como aquela fraternidade ideológica que envolveu a América Latina nos anos 70. A Revolução Cubana acendeu uma fogueira que iluminou a tantos e nos sulcos das suas trincheiras muitos nos alinhamos, segurando o mesmo estandarte. O mundo mudou e hoje eu não cantaria mais a mudança do mundo com as armas na mão. O muro de Berlim se despedaçou sobre nossos sonhos. A Rússia centralizou sua “democracia” e a China negociou o socialismo com o “Capitalismo de Estado”. É triste dizer que, hoje, não temos mais uma utopia.

Mas a consagração, aqui, só veio em 1980, graças a Moacyr Félix e Wilson Martins… Como foi esse reconhecimento tardio?

Na verdade esse foi um reconhecimento solitário e prematuro. Meu primeiro livro publicado no Brasil foi Cantares, em 2007. Meu nome começou a surgir no cenário poético paranaense em 1965, quando minha poesia foi premiada num  concurso literário, e por minha participação na Noite da Poesia Paranaense no Teatro Guaíra, onde lancei, solitariamente, minhas primeiras farpas contra a ditadura. O destaque para minha poesia chegou, em fins de 1968, pelas amplas portas que o jornalista Aroldo Murá abriu no “Diário do Paraná” e  pela minha longa “Canção para os homens sem face”, publicada em dezembro daquele ano na Revista Civilização Brasileira, onde pontificava a elite intelectual de esquerda brasileira e mundial. Mas em março de 1969 deixei o país e me coloquei no olho do imenso furacão ideológico que agitou o continente. Minha poesia amadureceu nesse embate e frutificou nas edições de meu livro na Bolívia, Colômbia, Equador e Estados Unidos, além de edições panfletárias no Peru, Nicarágua, El Salvador e México. Quadros, cartazes, revistas, jornais, panfletos, recitais, palestras e debates foram os caminhos por onde transitaram os meus versos, partilhando também páginas de antologias com Mario Benedetti, Juan Guelmann e Jaime Sabines entre outros. Mas tudo isso fora do Brasil.

Apesar de você já ser uma promessa, nos anos 60, ao lado de Paulo Leminski e Dalton Trevisan, se ressente de não ser considerado, pela crítica especializada, tão importante quanto eles?

E nem poderia sê-lo. Voltei a ocupar esse espaço há dois anos, depois de 40 anos de ausência. Os que se lembram do poeta que fui têm hoje mais de 50 anos. Eu era uma promessa? Talvez literariamente realmente fosse. Mas esse tipo de importância nunca o foi para mim. Encaro o significado da vida numa dimensão muito maior que a literária. Quanto à crítica especializada de hoje, não crio expectativas em relação ao reconhecimento da minha poesia.

Meu livro Poemas para a Liberdade não é apenas mais um livro no mercado editorial, mas um documento histórico e político. Sua verdadeira importância está na expressão literária de um sonho que transcendeu as fronteiras do espaço e do tempo, e a crítica atual, com raras exceções, despreza a ideologia.

Meu respeito pelas palavras, a reverência do meu estilo e a clareza cartesiana com que escrevo meus versos não fazem concessões ao mero intelectualismo e aos paradigmas da pós-modernidade.

A crítica que me gratifica são os comentários sinceros que fazem na Internet aos meus poemas. Como me gratifica ver este meu livro citado publicamente por um grande escritor como Domingos Pellegrini, com dois Jabutis nas costas, e que, em mensagem a mim enviada, relembra a mesma bandeira que desfraldamos no passado e confessa que meus Poemas para a Liberdade lavaram sua alma.

E o que andou fazendo de 1980 pra cá?

Voltei em meados de 1972, quando o país passava pela sua mais aguda fase de repressão. Era a época da Guerrilha do Araguaia e quando a Anistia Internacional revela ao mundo o nome de centenas de torturadores e de milhares de torturados no Brasil. Depois de alguns meses, os agentes do DOPS já estavam à minha procura. Transferi minha [carteira da] OAB para Santa Catarina, na esperança de advogar em meu estado. Também lá não foi possível assumir publicamente qualquer trabalho.

Neste anonimato voltei para Curitiba e fui vender a Enciclopédia Delta Larousse. Era uma forma itinerante de trabalhar pelo interior sem que os agentes do DOPS me localizassem. Profissionalizei-me rapidamente, cheguei ao topo na hierarquia dos títulos nacionais e tive um grande sucesso financeiro.

Em 1987, já na abertura democrática, ingressei na área gerencial de uma empresa de medicina de grupo onde estou até hoje. Durante todo este período, embora não tenha escrito poesia, fui sempre um leitor insaciável e sempre envolvido com o voluntariado.

Foi difícil retomar o caminho da poesia em Cantares (2007)?

O caminho pelo qual retornei à poesia deu-se de forma intrigante em termos de inspiração poética: em setembro de 2002, durante a campanha eleitoral para governador no Paraná, meu velho amigo Roberto Requião foi covardemente atacado, na mídia, com uma série de infâmias e inverdades pelos seus inimigos políticos.

Indignado com tanta mentira, comecei a rabiscar um poema relembrando sua coragem, depois do golpe de 1964, quando partilhamos sua afiada oratória e minha poesia nos protestos estudantis contra a ditadura. Relembrei, sobretudo, seu gesto solidário quando, em março de 1969, me ajudou a sair do país, num dos momentos mais difíceis da minha vida. Este poema chama-se Tributo e consta do livro Cantares, e foi com este poema que voltei a escrever poesia depois de 30 anos.

E aquele sonho, dos anos 60, acabou mesmo – como disse John Lennon?

O sonho tem a dimensão que lhe queremos dar e sempre acreditei que o DNA dos poetas é feito de sonhos. Embora aquele sonho dos anos 60 tenha acabado, nos restou a indignação por termos que arriar tantas bandeiras. E essa indignação, que caracteriza toda a humanidade contemporânea, é a nova tese no misterioso processo dialético da própria vida que se renova, sobrepondo-se a todos os reveses. Em algum lugar sempre haverá alguém sonhando, ou nascendo para sonhar com um mundo novo, assim como Colombo um dia sonhou com o Novo Mundo.

Leia poema de Manoel Andrade:

Por que Cantamos*

Se tantas balas perdidas cruzam nosso espaço
e já são tantos os caídos nesta guerra…
Se há uma possível emboscada em cada esquina
e temos que caminhar num chão minado…

“você perguntará por que cantamos”

Se a violência sitia os nossos atos
e a corrupção gargalha da justiça…
Se respiramos esse ar abominável
impotentes diante do deboche…

“você perguntará por que cantamos”

Se o medo está tatuado em nossa agenda
e a perplexidade estampada em nosso olhar…
Se há um mantra entoado no silêncio
e as lágrimas repetem: até quando, até quando, até quando…

“você perguntará por que cantamos”

Cantamos porque uma lei maior sustenta a vida
e porque um olhar ampara os nossos passos.
Cantamos porque há uma partícula de luz no túnel da maldade
e porque nesse embate só o amor é invencível.

Cantamos porque é imprescindível dar as mãos
e recompor, em cada dia, a condição humana.
Cantamos porque a paz é uma bandeira solitária
a espera de um punho inumerável.

Cantamos porque o pânico não retardará a primavera
e porque em cada amanhecer as sombras batem em retirada.
Cantamos porque a luz se redesenha em cada aurora
e porque as estrelas e porque as rosas.

Cantamos porque nos riachos e lá na fonte as águas cantam
e porque toda essa dor desaguará um dia.
Cantamos porque no trigal o grão amadurece
e porque a seiva cumprirá o seu destino.

Cantamos porque os pássaros estão piando
e ninguém poderá silenciar seu canto.
Cantamos para saudar o Criador e a criatura
e porque alguém está parindo neste instante.

Pelo encanto de cantar e pela esperança nós cantamos
e porque a utopia persiste a despeito da descrença.
Cantamos porque nessa trincheira global, nessa ribalta,
nossa canção viverá para dizer por que cantamos.

Cantamos porque somos os trovadores desse impasse
e porque a poesia tem um pacto com a beleza.
E porque nesse verso ou nalgum lugar deste universo
o nosso sonho floresce deslumbrante.

(*) Manoel de Andrade escreveu estes versos motivado pelo poema “Por que Cantamos”, do uruguaio Mario Benedetti.

LEIA TAMBÉM ARTIGO SOBRE MANOEL DE ANDRADE: clicando AQUI.

“il pleure dans mon coeur” PAUL VERLAINE / frança

GERAÇÃO BEAT, COMO ESQUECER… por daisy carvalho / rio de janeiro

jack-kerouac-22

JACK KEROUAC. foto livre.

.

Para mim, falar de livros, além de ser sempre um prazer, me remete à cultura, ao tempo e espaço onde o escritor se inspirou para escrever seu livro. Eles são eternos, porém datados política e socialmente. Quando um escritor tem sua inspiração para desenvolver sua obra, ele está cercado pelo espaço e pelo tempo e, assim, não tem como não catalogar em seu livro, questões sociais, comportamentais e filosóficas. Respeito, mais que tudo nesta vida, aquele que emprega seu tempo e seu coração no ato de escrever. São deuses os escribas e devem ser sim reverenciados como disse-o bem nosso querido amigo Christian Gurtner.

Hoje vou falar de Jack Kerouac, para mim um dos maiores e mais sensíveis escritores de seu tempo. Vou falar de revolução cultural. Revolução! Uma revolução cultural que ficou conhecida como a Geração Beat.

On The Road

Em 1957, Jack Kerouac publicava On The Road e iniciava uma revolução cultural nos Estados Unidos. Este livro tornou-se o manifesto da geração beat, que rompia com o compromisso do american Way of life e pregava a busca de experiências autênticas, um compromisso selvagem e espontâneo com a vida até seus mais perigosos limites. Diante de uma sociedade que aniquilava o indivíduo, os beatniks queriam uma consciência nova, libertada de padrões, escolhiam a marginalidade. (Trecho O Autor e sua Obra)

Não queriam continuar numa sociedade morna, desprovida de vida, de ação e liberdade de pensar e viver.

Apesar das experiências com o êxtase através das drogas, na minha opinião é apenas um detalhe dada a importância desta revolução, a geração beat marcou nova era no mundo cultural. O homem tem direitos de indivíduo e o mais sagrado é, possivelmente o de mudar o Status Quo. Perceber que pode repensar as coisas e, diga-se de passagem, estamos falando de uma revolução artística – Literatura essencialmente…

Por intermédio de Burroughs, Kerouac tomou contato com escritores como Kafka, Céline, Spengler e Wilhelm Reich. Os três amigos passaram a conviver com as barras pesadas do Times Square.

Descendente de uma família de franco-canadenses, Jack Kerouac recebeu uma educação católica e graças às suas aptidões de atleta foi estudar na Universidade de Colúmbia. Lá no Campus, conheceu Allen Ginsberg, também estudante e William Burroughs, formado em Harvard. Os três iriam se tornar os principais representantes da geração beat.

Em 1947 Kerouac resolveu sair viajando pelo mundo e pegou a estrada. Associou-se com vagabundos, caroneiros, e bebeu muito por aí. Terminou o On The Road em 1951. Seu estilo é notável e inconfundível, com suas longas frases, onde descartava o uso da pontuação.

Mas sempre foi um individualista. Terminou dividindo um apartamento com sua mãe, onde pintava quadros com Cristos tristes, ficava horas a fio diante da televisão. Ou seja, era, no fundo um espírito conservador e não entendia como influenciara pessoas como Allen Ginsberg (poeta)!

Considerado um rebelde existencial, quedou-se ao budismo mas foi sempre um inadaptado ao mundo em que vivemos.

Escreveu vários romances, como “O Subterrâneo”, Desolate Angels”, “The town and the city”, entre outros.

Se alguém estiver se perguntando o que a geração beatnik tem a ver com os dias de hoje, eu poderia responder, de pronto, que tudo que somos e fomos depois desta revolução, tem a ver com a abertura literária no campo das experiências, da pós modernidade, da noção de liberdade de pensamento e principalmente, tem a ver com a felicidade de fazermos parte de uma cadeia de pensadores e escritores que nos deixaram um legado inestimável.

Trechos de On The Road

Casualmente, uma gostosíssima garota do Colorado bateu aquele shake pra mim; ela era toda sorrisos também; eu me senti gratificado, aquilo me refez dos excessos da noite passada. Disse a mim mesmo: Uau! Denver deve ser ótima. Retornei à estrada calorenta e zarpei num carro novo em folha, dirigido por um jovem executivo de Denver, um cara de uns trinta e cinco anos. Ele ia a cento e vinte por hora. Eu formigava inteiro; contava os minutos e subtraía os quilômetros. Bem em frente, por trás dos trigais esvoaçantes, que reluziam sob as neves distantes do Estes, eu finalmente veria Denver. Imaginei-me num bar qualquer da cidade, naquela noite, com a turma inteira; aos olhos deles, eu pareceria misterioso e maltrapilho, como um profeta que cruzasse a terra inteira para trazer a palavra enigmática, e a única palavra que eu teria a dizer era: “Uau!”…

SARA VANEGAS e poesia / ecuador

mar: un cuchillo de sal me atraviesa el pecho y las palabras

—-

las voces llegan a borbotones. como el oleaje a las naves sumergidas de la catedral eterna. voces que ascienden al coro y las cúpulas. como alas o lluvia mansa

tras los vitrales encendidos: peces arrodillados y tu sonrisa

dormida

—-

alguien dibuja en la arena el recuerdo de un nombre

y se arroja a la mar

.

—-

alguien me dice que es la luz azulada de la luna. y yo vuelvo a confundirla con un río submarino. nunca conoceré el origen del agua. me pregunto si el mar devorará sus propias lunas …

—————

la luna y sus manantiales. el mar henchido de campanas. aquí: castillos de espuma y sal. para tus ojos solos

AMIGO de pablo neruda / chile

Amigo

  1. Amigo, toma para ti o que quiseres,
    passeia o teu olhar pelos meus recantos,
    e se assim o desejas, dou-te a alma inteira,
    com suas brancas avenidas e canções.

  2. Amigo – faz com que na tarde se desvaneça
    este inútil e velho desejo de vencer.

    Bebe do meu cântaro se tens sede.

    Amigo – faz com que na tarde se desvaneça
    este desejo de que todas as roseiras
    me pertençam.

    Amigo,
    se tens fome come do meu pão.

  3. Tudo, amigo, o fiz para ti. Tudo isto
    que sem olhares verás na minha casa vazia:
    tudo isto que sobe pelo muros direitos
    – como o meu coração – sempre buscando altura.

    Sorris-te – amigo. Que importa! Ninguém sabe
    entregar nas mãos o que se esconde dentro,
    mas eu dou-te a alma, ânfora de suaves néctares,
    e toda eu ta dou… Menos aquela lembrança…

    … Que na minha herdade vazia aquele amor perdido
    é uma rosa branca que se abre em silêncio…

Pablo Neruda, in “Crepusculário”
Tradução de Rui Lage

SIETE PUÑALES EN EL CORAZÓN DE AMÉRICA por fidel castro / cuba

Leo y releo datos y artículos elaborados por personalidades inteligentes, conocidas o poco conocidas, que escriben en diversos medios y toman la información de fuentes no cuestionadas por nadie.

Los pueblos que habitan el planeta, en todas partes, corren riesgos económicos, ambientales y bélicos, derivados de la política de Estados Unidos, pero en ninguna otra región de la tierra se ven amenazados por tan graves problemas como sus vecinos, los pueblos ubicados en este continente al Sur de ese país hegemónico.

La presencia de tan poderoso imperio, que en todos los continentes y océanos dispone de bases militares, portaaviones y submarinos nucleares, buques de guerra modernos y aviones de combate sofisticados, portadores de todo tipo de armas, cientos de miles de soldados, cuyo gobierno reclama para ellos impunidad absoluta, constituye el más importante dolor de cabeza de cualquier gobierno, sea de izquierda, centro o derecha, aliado o no de Estados Unidos.

El problema, para los que somos vecinos suyos, no es que allí se hable otro idioma y sea una nación diferente. Hay norteamericanos de todos los colores y todos los orígenes. Son personas iguales que nosotros y capaces de cualquier sentimiento en un sentido u otro. Lo dramático es el sistema que allí se ha desarrollado e impuesto a todos. Tal sistema no es nuevo en cuanto al uso de la fuerza y los métodos de dominio que han prevalecido a lo largo de la historia. Lo nuevo es la época que vivimos. Abordar el asunto desde puntos de vista tradicionales es un error y no ayuda a nadie. Leer y conocer lo que piensan los defensores del sistema ilustra mucho, porque significa estar conscientes de la naturaleza de un sistema que se apoya en la constante apelación al egoísmo y los instintos más primarios de las personas.

De no existir la convicción del valor de la conciencia, y su capacidad de prevalecer sobre los instintos, no se podría expresar siquiera la esperanza de cambio en cualquier período de la brevísima historia del hombre. Tampoco podrían comprenderse los terribles obstáculos que se levantan para los diferentes líderes políticos en las naciones latinoamericanas o iberoamericanas del hemisferio. En último término, los pueblos que vivían en esta área del planeta desde hace decenas de miles de años, hasta el famoso descubrimiento de América, no tenían nada de latinos, de ibéricos o de europeos; sus rasgos eran más parecidos a los asiáticos, de donde procedieron sus antepasados. Hoy los vemos en los rostros de los indios de México, Centroamérica, Venezuela, Colombia, Ecuador, Brasil, Perú, Bolivia, Paraguay y Chile, un país donde los araucanos escribieron páginas imborrables. En determinadas zonas de Canadá y en Alaska conservan sus raíces indígenas con toda la pureza posible. Pero en el territorio principal de Estados Unidos, gran parte de los antiguos pobladores fueron exterminados por los conquistadores blancos.

Como conoce todo el mundo, millones de africanos fueron arrancados de sus tierras para trabajar como esclavos en este hemisferio. En algunas naciones como Haití y gran parte de las islas del Caribe, sus descendientes constituyen la mayoría de la población. En otros países forman amplios sectores. En Estados Unidos los descendientes de africanos constituyen decenas de millones de ciudadanos que, como norma, son los más pobres y discriminados.

A lo largo de siglos esa nación reclamó derechos privilegiados sobre nuestro continente. En los años de Martí trató de imponer una moneda única basada en el oro, un metal cuyo valor ha sido el más constante a lo largo de la historia. El comercio internacional, por lo general, se basaba en él. Hoy ni siquiera eso. Desde los años de Nixon, el comercio mundial se instrumentó con el billete de papel impreso por Estados Unidos: el dólar, una divisa que hoy vale alrededor de 27 veces menos que en los inicios de la década del 70, una de las tantas formas de dominar y estafar al resto del mundo. Hoy, sin embargo, otras divisas están sustituyendo al dólar en el comercio internacional y en las reservas de monedas convertibles.

Si por un lado las divisas del imperio se devalúan, en cambio sus reservas de fuerzas militares crecen. La ciencia y la tecnología más moderna, monopolizada por la superpotencia, han sido derivadas en grado considerable hacia el desarrollo de las armas. Actualmente no se habla solo de miles de proyectiles nucleares, o del poder destructivo moderno de las armas convencionales; se habla de aviones sin pilotos, tripulados por autómatas. No se trata de simple fantasía. Ya están siendo usadas algunas naves aéreas de ese tipo en Afganistán y otros puntos. Informes recientes señalan que en un futuro relativamente próximo, en el 2020, mucho antes de que el casquete de la Antártida se derrita, el imperio, entre sus 2 500 aviones de guerra, proyecta disponer de 1 100 aviones de combate F-35 y F-22, en sus versiones de caza y bombarderos de la quinta generación. Para tener una idea de ese potencial, baste decir que los que disponen en la base de Soto Cano, en Honduras, para el entrenamiento de pilotos de ese país son F-5; los que suministraron a las fuerzas aéreas de Venezuela antes de Chávez, a Chile y otros países, eran pequeñas escuadrillas de F-16.

Más importante todavía, el imperio proyecta que en el transcurso de 30 años todos los aviones de combate de Estados Unidos, desde los cazas hasta los bombarderos pesados y los aviones cisterna, serán tripulados por robots.

Ese poderío militar no es una necesidad del mundo, es una necesidad del sistema económico que el imperio le impone al mundo.

Cualquiera puede comprender que si los autómatas pueden sustituir a los pilotos de combate, también pueden sustituir a los obreros en muchas fábricas. Los acuerdos de libre comercio que el imperio trata de imponer a los países de este hemisferio implican que sus trabajadores tendrán que competir con la tecnología avanzada y los robots de la industria yanki.

Los robots no hacen huelgas, son obedientes y disciplinados. Hemos visto por la televisión máquinas que recogen las manzanas y otras frutas. La pregunta cabe hacerla también a los trabajadores norteamericanos ¿Dónde estarán los puestos de trabajo? ¿Cuál es el futuro que el capitalismo sin fronteras, en su fase avanzada del desarrollo, asigna a los ciudadanos?

A la luz de esta y otras realidades, los gobernantes de los países de UNASUR, MERCOSUR, Grupo de Río y otros, no pueden dejar de analizar la justísima pregunta venezolana ¿Qué sentido tienen las bases militares y navales que Estados Unidos quiere establecer alrededor de Venezuela y en el corazón de Suramérica? Recuerdo que hace varios años, cuando entre Colombia y Venezuela, dos naciones hermanadas por la geografía y por la historia, las relaciones se volvieron peligrosamente tensas, Cuba promovió calladamente importantes pasos de paz entre ambos países. Nunca los cubanos estimularemos la guerra entre países hermanos. La experiencia histórica, el destino manifiesto proclamado y aplicado por Estados Unidos, y la endeblez de las acusaciones contra Venezuela de suministrar armas a las FARC, asociadas a las negociaciones con el propósito de conceder siete puntos de su territorio para uso aéreo y naval de las Fuerzas Armadas de Estados Unidos, obligan ineludiblemente a Venezuela a invertir en armas, recursos que podían emplearse en la economía, los programas sociales y la cooperación con otros países del área con menos desarrollo y recursos. No se arma Venezuela contra el pueblo hermano de Colombia, se arma contra el imperio, que intentó destruir ya la Revolución y hoy pretende instalar en las proximidades de la frontera venezolana sus armas sofisticadas.

Sería un error grave pensar que la amenaza es solo contra Venezuela; va dirigida a todos los países del Sur del continente. Ninguno podrá eludir el tema y así lo han declarado varios de ellos.

Las generaciones presentes y futuras juzgarán a sus líderes por la conducta que adopten en este momento. No se trata solo de Estados Unidos, sino de Estados Unidos y el sistema. ¿Qué ofrece? ¿Qué busca?

Ofrece el ALCA, es decir, la ruina anticipada de todos nuestros países, libre tránsito de bienes y de capital, pero no libre tránsito de personas. Experimentan ahora el temor de que la sociedad opulenta y consumista sea inundada de latinos pobres, indios, negros y mulatos o blancos sin empleo en sus propios países. Devuelven a todos los que cometen faltas o sobran. Los matan muchas veces antes de entrar, o los retornan como rebaños cuando no los necesitan; 12 millones de inmigrantes latinoamericanos o caribeños son ilegales en Estados Unidos. Una nueva economía ha surgido en nuestros países, especialmente los más pequeños y pobres: la de las remesas. Cuando hay crisis, ésta golpea sobre todo a los inmigrantes y a sus familiares. Padres e hijos son cruelmente separados a veces para siempre. Si el inmigrante está en edad militar, le otorgan la posibilidad de enrolarse para combatir a miles de kilómetros de distancia, “en nombre de la libertad y la democracia”. Al regreso, si no mueren, les conceden el derecho a ser ciudadanos de Estados Unidos. Como están bien entrenados les ofrecen la posibilidad de contratarlos no como soldados oficiales, pero sí como civiles soldados de las empresas privadas que prestan servicios en las guerras imperiales de conquista.

Existen otros gravísimos peligros. Constantemente llegan noticias de los emigrantes mexicanos y de otros países de nuestra área que mueren intentando cruzar la actual frontera de México y Estados Unidos. La cuota de víctimas cada año supera con creces la totalidad de los que perdieron la vida en los casi 28 años de existencia del famoso muro de Berlín.

Lo más increíble todavía es que apenas circula por el mundo la noticia de una guerra que cuesta en este momento miles de vidas por año. Han muerto ya, en el 2009, más mexicanos que los soldados norteamericanos que murieron en la guerra de Bush contra Irak a lo largo de toda su administración.

La guerra en México ha sido desatada a causa del mayor mercado de drogas que existe en el mundo: el de Estados Unidos. Pero dentro de su territorio no existe una guerra entre la policía y las fuerzas armadas de Estados Unidos luchando contra los narcotraficantes. La guerra ha sido exportada a México y Centroamérica, pero especialmente al país azteca, más cercano al territorio de Estados Unidos. Las imágenes que se divulgan por la televisión, de cadáveres amontonados y las noticias que llegan de personas asesinadas en los propios salones de cirugía donde intentaban salvarles la vida, son horribles. Ninguna de esas imágenes procede de territorio norteamericano.

Tal ola de violencia y sangre se extiende en mayor o menor grado por los países de Suramérica. ¿De dónde proviene el dinero sino del infinito manantial que emerge del mercado norteamericano? A su vez, el consumo tiende también a extenderse a los demás países del área, causando más víctimas y más daño directo o indirecto que el SIDA, el paludismo y otras enfermedades juntas.

Los planes imperiales de dominación van precedidos de enormes sumas asignadas a las tareas de mentir y desinformar a la opinión pública. Cuentan para ello con la total complicidad de la oligarquía, la burguesía, la derecha intelectual y los medios masivos de divulgación.

Son expertos en divulgar los errores y las contradicciones de los políticos.

La suerte de la humanidad no debe quedar en manos de robots convertidos en personas o de personas convertidas en robots.

En el año 2010, el gobierno de Estados Unidos empleará 2 200 millones de dólares a través del Departamento de Estado y la USAID para promover su política, 12% más que los recibidos por el gobierno de Bush el último año de su mandato. De ellos, casi 450 millones se destinarán a demostrar que la tiranía impuesta al mundo significa democracia y respeto a los derechos humanos.

Apelan constantemente al instinto y al egoísmo de los seres humanos; desprecian el valor de la educación y la conciencia. Es evidente la resistencia demostrada por el pueblo cubano a lo largo de 50 años. Resistir es el arma a la que no pueden renunciar jamás los pueblos; los puertorriqueños lograron parar las maniobras militares en Vieques, situándose en el polígono de tiro.

La patria de Bolívar es hoy el país que más les preocupa, por su papel histórico en las luchas por la independencia de los pueblos de América. Los cubanos que prestan allí sus servicios como especialistas en la salud, educadores, profesores de educación física y deportes, informática, técnicos agrícola, y otra áreas, deben darlo todo en el cumplimiento de sus deberes internacionalistas, para demostrar que los pueblos pueden resistir y ser portadores de los principios más sagrados de la sociedad humana. De lo contrario el imperio destruirá la civilización y la propia especie.

Fidel Castro Ruz
Agosto 5 de 2009
11 y 16 a.m.

VIRANDO À DIREITA por walmor marcellino / curitiba


NÚCLEOS POLÍTICOS, CORPORAÇÕES E MOVIMENTOS SOCIAIS

Não por acaso o individualismo burguês que interpenetra a “esquerda” e o movimento social assume um coletivismo “prático” como padrão, onde predomina, mais que “o coletivo”, o conforto de “formar um conjunto popular contra o WALMOR MARCELLINO FOTO 1inimigo à vista”, e que se transformou em “o grande obstáculo ao avanço social”. Dentre as lideranças intelectuais, desde aí, predominará o grupismo “heroico” com o “relativismo das alianças conjunturais” contra os inimigos “expressamente ideológicos” — sem discernimento da luta de classes e da necessidade de fortalecer atitudes e posições científico-políticas, para uma longa e difícil batalha de formação de lideranças conscientes e de militâncias esclarecidas.

Nossa visão dialética errou na compactuação com um movimento operário-intelectual “de esquerda” apropriado por uma cúpula oportunista do PT que fez de Lula (não socialista e de ideologia “confusa à esquerda”) a vaca madrinha de um movimento capaz de substituir o antigo trabalhismo e os programas reformistas dos “comunistas”. Todavia, não restavam muitos caminhos claros no caos da “esquerda heroicizada” pela resistência estilhaçada que fizera à ditadura; o desmonte dos intentos socialistas-reformistas ficou no mostruário da anistia de 1979.

Perdão, por voltar a esse assunto. Quem não conhece história fica ofuscado pelo presente; ou fará de seu clubismo político a satisfação de todos os dias e a oportunidade de reconhecimento público. Mas, independente de maiores estudos, a grande crise brasileira, social, política e institucional está sendo vista e desvirtuada em lulismo x fernandismo, em partidos da “afirmação nacional” x partidos liberal-conservadores, nesse primarismo nacional-populista. O liberalismo governista Meirelles-Lula, a substituição dos “sem-terra’” pelos aventureiros capitalistas no São Francisco e na Amazônia, as obras e serviços “público-privados”, o petróleo nacional “compartilhado” até no pré-sal; enfim, a farsa do fortalecimento dos serviços públicos de educação, saúde, segurança (que não concentra seus esforços na ação do Estado), e, acima de tudo, as alianças à direita para “manter o necessário”. A lista é muito grande do que faz a nova classe “nem direita nem esquerda” (só o Obama jura que é “esquerda”).

Sem quadros revolucionários a militância social é cega ‑ os quadros revolucionários são a expressão de qualidade na quantidade de militância. Esse truísmo as pessoas estudiosas da política sabem, até eu, o aprendiz de realidades. Porém, no movimento social, a formação de militantes políticos em coexistência com partidos de experiência histórico-concreta na luta de massas e com o horizonte definido para uma revolução socialista sempre foi o grande desafio, debaixo do dispersionismo, do voluntarismo e espontaneísmo das massas e, de outro lado, o revolucionarismo pequeno-burguês querendo impor-lhes “disciplinas” autoritárias.

Guapo – de marilda confortin / curitiba

Encontrei-o todo encilhado,

Amarrado dos pés a virilha

Completamente adestrado

Preso na própria armadilha

.

Vestindo caros apetrechos

Argolas de prata e de ouro

O dorso coberto de adereços

Escondiam marcas no couro

.

O olhar daquele potro

Parecia fazer-me um apelo:

Desencilhe-me deste fardo

Cavalgue-me nua em pelo

.

Palavras são como rosetas

Cravadas na pele da gente

Pontiagudas picaretas

Ferindo o coração do vivente

.

Seguindo o instinto amazona

Afrouxei as cordas do arreio

E fingindo ser sua dona

Intentei tirar-lhe o freio

.

Mas o potro corcoveou,

Feito fera ainda xucra

Deu um coice, empinou,

Expulsou-me da garupa

.

Decidi então ir-me embora.

Afinal, um chicote ele merecia,

Só que em vez de espora

Tentei amansá-lo com poesia.

.

Devia ter apertado a barrigueira

Ter me fingido de perua

Usado espartilho, peiteira

E não mostrado a alma nua.

.

Poesia é como chincha no abdome:

Aperta, mas não machuca

Para prender aquele homem

Só era preciso ser puta.

CÂMARA VAI INVESTIGAR MORTE DE JOÃO GOULART – por mário coelho

Comissão de Direitos Humanos decide requisitar documentos dos serviços secretos das ditaduras do Brasil, da Argentina, do Chile e do Uruguai. Ex-agente uruguaio confirma denúncia de que ex-presidente foi assassinado a mando de generais brasileiros

JoaoGoulart_ABr_100809

Ex-presidente João Goulart morreu em 6 de dezembro de 1976


A Comissão de Direitos Humanos da Câmara vai requisitar documentos dos serviços secretos do Brasil, da Argentina, do Uruguai e do Chile sobre a Operação Condor. A intenção dos deputados é descobrir detalhes que joguem luz sobre a morte do ex-presidente João Goulart em 6 de dezembro de 1976. O motivo do requerimento foi o depoimento prestado na última sexta-feira (7) a integrantes do colegiado pelo ex-agente do serviço secreto uruguaio Mario Neiva Barreto, que reafirmou que Jango foi assassinado a mando dos generais brasileiros.

O presidente da comissão, Luiz Couto (PT-PB), e os deputados Pompeo de Mattos (PDT-RS) e Domingos Dutra (PT-MA) estiveram no Rio Grande do Sul para colher o depoimento de Barreto. Por aproximadamente três horas, eles ouviram do ex-agente um extenso relato sobre as circunstâncias da morte do ex-presidente. “Foi uma conversa longa. O tema é muito complexo e envolve uma série de ações daqui pra frente”, avaliou Domingos Dutra.

De acordo com o ex-agente, aproximadamente 20 dias antes da morte de Jango houve uma reunião com a presença de integrantes dos serviços secretos dos quatro países, além de um representante norte-americano e do então chefe do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) de São Paulo, Sérgio Paranhos Fleury. Nesse encontro, ainda segundo relato do uruguaio, ficou decidido como seria o assassinato de Jango: por meio de uma overdose de medicamentos.

Os deputados que ouviram o ex-agente acreditam que é necessário buscar provas físicas para comprovar as declarações de Barreto. Oficialmente, Jango morreu vítima de um ataque cardíaco no município argentino de Mercedes. Por conta da ditadura militar da época, não houve necropsia no corpo do ex-presidente. Somente foi emitido um laudo médico.

Ao viajar para Charqueadas, na região metropolitana de Porto Alegre, os deputados queriam de Barreto a confirmação das declarações dadas por ele ao jornal Folha de S. Paulo em 27 de janeiro de 2008. Na época, ele disse que João Goulart foi envenenado por ordem de Sérgio Fleury, com autorização do presidente da época, Ernesto Geisel (1908-1996). Com a confirmação da acusação e os detalhes fornecidos, a comissão pretende montar, a partir desta semana, um plano de trabalho para continuar as investigações.

Junto com o pedido de documentos que estejam disponíveis e não tenham sido destruídos, os deputados querem apoio da Câmara na continuidade das investigações. “Precisamos que a Câmara nos dê condições de investigar”, antecipou Dutra. O petista diz que, se o Parlamento der suporte à Comissão de Direitos Humanos, a apuração pode ser aprofundada.

Provas físicas

A principal preocupação dos deputados é com a falta de provas físicas. De acordo com Barreto, o medicamento que teria causado a morte de Jango não deixaria vestígio por muitos anos no sistema sanguíneo. Mesmo assim, Dutra não descarta a possibilidade de a comissão pedir uma exumação do corpo do ex-presidente. “Apesar das declarações, sem uma prova técnica fica meio complicado fazer uma acusação”, disse o maranhense.

“Por isso, a necessidade dos documentos”, reforçou Pompeo de Mattos. Entre os primeiros arquivos a serem vasculhados pela comissão estão os papeis do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), entidade criada pelo governo brasileiro em 1969 para coordenar e integrar as ações dos órgãos de combate às organizações armadas de esquerda. “Segundo Barreto, o Dops e o DOI-CODI eram constantemente informados de todos os detalhes da operação”, relatou o deputado gaúcho.

Golpe

Com o golpe militar de 31 de março de 1964, Jango exilou-se no Uruguai e mais tarde na Argentina. No dia 2 de abril, o Congresso Nacional declarou a vacância de João Goulart no cargo de presidente, entregando o cargo de chefe da nação ao então presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli. Dez dias após o golpe, João Goulart teve seus direitos políticos cassados por dez anos, com a publicação do Ato Institucional Número Um (AI-1).

A morte de Jango, assim como a do ex-presidente Juscelino Kubitschek, vive cercada de dúvidas até hoje. Tanto que, em julho de 2008, uma comissão especial da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul divulgou um relatório afirmando que “são fortes os indícios de que Jango foi assassinado de forma premeditada, com o conhecimento do governo Geisel”.

Entre as sugestões dadas pelos deputados estaduais gaúchos, estava a requisição de informações do médico brasileiro que, segundo o ex-agente uruguaio, participou de reuniões de trabalho com um colega uruguaio para a preparação do composto químico que, na versão dele, matou o ex-presidente Goulart. A comissão da Assembleia do Rio Grande do Sul também recomendou que fosse ouvido o hoje senador Romeu Tuma (PTB-SP), ex-integrante do Dops que, segundo os deputados estaduais, seguiu os passos de Jango no exílio na França. “Algumas pessoas citadas por Barreto ainda estão vivas. Vamos atrás delas para solicitar informações”, antecipou Mattos.

A Operação Condor, da qual a Comissão de Direitos Humanos pretende buscar documentos, consistiu numa aliança político-militar entre os regimes militares do Brasil, da Argentina, do Chile, da Bolívia, do Paraguai e do Uruguai para coordenar a repressão a opositores dessas ditaduras na América do Sul. Uma das ações do movimento foi o sequestro de filhos de presos e perseguidos políticos nas décadas de 1970 e 1980.

JOÃO GOULART (JANGO), O PRESIDENTE DEMOCRÁTICO – editoria

Jango - BRESCOLA(1)

João Goulart (Jango) assumiu a presidência em 7 de setembro de 1961, sob o regime parlamentarista, e governou até o Golpe de 64, em 1º de abril. Seu mandato foi marcado pelo confronto entre diferentes políticas econômicas para o Brasil, conflitos sociais e greves urbanas e rurais. Seu governo é usualmente dividido em duas fase: Fase Parlamentarista (da posse em 1961 a janeiro de 1963) e a Fase Presidencialista (de janeiro de 1963 ao Golpe em 1964).

Plebiscito – O parlamentarismo foi derrubado em janeiro de 1963: em plebiscito nacional, 80% dos eleitores optaram pela restauração do presidencialismo. Enquanto durou, o parlamentarismo teve três primeiros-ministros, entre eles, Tancredo Neves, que renunciou para candidatar-se ao governo de Minas Gerais.

Conquistas Trabalhista – Em 1961 a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria e o Pacto de Unidade e Ação, de caráter intersindical, convocaram uma greve reivindicando melhoria das condições de trabalho e a formação de um ministério nacionalista e democrático. Foi esse movimento que conquistou o 13º salário para os trabalhadores urbanos. Os trabalhadores rurais realizaram, no mesmo ano, o 1º Congresso Nacional de Lavradores e Trabalhadores Agrícolas, em Belo Horizonte, Minas Gerais. O Congresso exigiu reforma agrária e CLT (Consolidação das Leis de Trabalho) para os trabalhadores rurais. Em 62, com a aprovação do Estatuto do Trabalhador Rural, muitas ligas camponesas se transformaram em sindicatos rurais.

Plano Trienal – João Goulart realizou um governo contraditório. Procurou estreitar as alianças com o movimento sindical e setores nacional-reformistas, mas paralelamente tentou implementar uma política de estabilização baseada na contenção salarial. Seu Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico e Social, elaborado pelo ministro do Planejamento Celso Furtado, tinha por objetivo manter as taxas de crescimento da economia e reduzir a inflação. Essas condições, exigidas pelo FMI, seriam indispensáveis para a obtenção de novos empréstimos, para a renegociação da dívida externa e para a elevação do nível de investimento.

Reformas de Base – O Plano Trienal também determinou a realização das chamadas reformas de base: reforma agrária, fiscal, educacional, bancária e eleitoral. Para o governo, elas eram necessárias ao desenvolvimento de um “capitalismo nacional” e “progressista”.

O anúncio dessas reformas aumentou a oposição ao governo e acentuou a polarização da sociedade brasileira. Jango perdeu rapidamente suas bases na burguesia. Para evitar o isolamento, reforçou as alianças com as correntes reformistas: aproximou-se de Leonel Brizola, então deputado federal pela Guanabara, de Miguel Arraes, governador de Pernambuco, da UNE (União Nacional dos Estudantes) e do Partido Comunista, que, embora na ilegalidade, mantinha forte atuação nos movimentos popular e sindical. O Plano Trienal foi abandonado em meados de 1963, mas o Presidente continuou a implementar medidas de caráter nacionalista: limitou a remessa de capital para o exterior, nacionalizou empresas de comunicação e decidiu rever as concessões para exploração de minérios. As retaliações estrangeiras foram rápidas: governo e empresas privadas norte-americanas cortaram o crédito para o Brasil e interromperam a negociação da dívida externa.

Agitação no Congresso – No Congresso se formaram a Frente Parlamentar Nacionalista, em apoio a Jango, e a Ação Democrática Parlamentar, que recebia ajuda financeira do Instituto Brasileiro de Ação Democrática (I.B.A.D.), instituição mantida pela Embaixada dos Estados Unidos. Crescia a agitação política. A polarização entre esquerda e direita foi-se rescrudescendo. Na “esquerda”, junto a Jango, estavam organizações como a UNE, a CGT e as Ligas Camponesas; no campo oposto, na “direita”, encontravam-se o IPES, o IBAD e a TFP (Tradição, Família e Propriedade).

A crise se precipitou no dia 13 de março, em razão da realização de um grande comício em frente à Estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Perante 300 mil pessoas Jango decretou a nacionalização das refinarias privadas de petróleo e desapropriou, para a reforma agrária, propriedades às margens de ferrovias, rodovias e zonas de irrigação de açudes públicos. Paralelamente a tudo isso, cumpre assinalar que a economia encontrava-se extremamente desordenada.

Apoio ao Golpe – Em 19 de março foi realizada, em São Paulo, a maior mobilização contra o governo: a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, organizada por grupos da direita, com influência dos setores conservadores da Igreja Católica. A manifestação, que reuniu cerca de 400 mil pessoas, forneceu o apoio político para derrubar o Presidente. No dia 31 de março, iniciou-se o verdadeiro movimento para o golpe. No mesmo dia, tropas mineiras sob o comando do general Mourão Filho marcharam em direção ao Rio de Janeiro e a Brasília. Depois de muita expectativa, os golpistas conseguiram a adesão do comandante do 2º Exército, General Amaury Kruel. Jango estava no Rio quando recebeu o manifesto do General Mourão Filho exigindo sua renúncia. No dia 1º de abril pela manhã, parte para Brasília na tentativa de controlar a situação. Ao perceber que não conta com nenhum dispositivo militar e nem com o apoio armado dos grupos que o sustentavam, abandona a capital e segue para Porto Alegre.

Nesse mesmo dia, ainda com Jango no país, o Presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, declarou vaga a Presidência da República. Ranieri Mazzilli, Presidente da Câmara dos Deputados ocupou o cargo interinamente. Exilado no Uruguai, Jango participou da articulação da Frente Ampla, um movimento da Redemocratização do país, junto a Juscelino e a seu ex-inimigo político, Carlos Lacerda. Mas a Frente não logrou êxito. João Goulart morreu na Argentina em 1976.

PENSADORES E SEUS PENSAMENTOS

“Ninguém educa ninguém, ninguém se educa sozinho, nos educamos mutuamente.”
Paulo Freire

“Antes de desejarmos fortemente uma coisa, devemos examinar primeiro qual a felicidade daquele que a possui.”
La Rochefoucald

“Para se ser feliz até um certo ponto é preciso ter-se sofrido até esse mesmo ponto.”
Edgar Alan Poe

“Não há nada mais terrível do que uma ignorância ativa.”
Goethe

“Nada perturba tanto a vida humana como a ignorância do bem e do mal.”
Cícero

“Os grandes navegadores devem sua reputação aos temporais e tempestades.”
Epicuro

“É mais importante fazer as coisas que devem ser feitas do que fazer as coisas como devem ser feitas.”
P. Drucker

“Devemos seguir adiante, penetrar no desconhecido, no incerto e no inseguro, e utilizar nosso entendimento – o que temos – em fazer planos tanto para a segurança como para a liberdade.”
Karl Popper

“Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.”
Lavoisier

“Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno.”
Cecília Meireles

“A verdade nunca é injusta; pode magoar, mas não deixa ferida.”
Eduardo Girão

“A repetição não transforma uma mentira numa verdade.”
Roosevelt

JOÃO BATISTA DO LAGO jornalista e poeta, COMENTA em “FLORES ROUBADAS DO JARDIM ALHEIO” de ivo barroso / são luis.ma

COMENTÁRIO:

Belíssimo texto.

Belíssima denúncia.

Corajosa reflexão.

Permito-me, neste comentário, reproduzir o seguinte trecho:JOÃO BATISTA 002

“Essa prática inescrupulosa da apropriação de traduções alheias – pela cópia deslavada ou enganosa maquiagem – parece estar se ampliando junto a editores de livros em série ou coleções ditas populares. Há muitos títulos de obras clássicas que circulam por aí que, se examinados com cuidado, revelariam – como um triste palimpsesto – o nome apagado e explorado do tradutor original.”

E por que o reproduzi?(!)

Exatamente para embasar e solidificar este meu comentário que não faz crítica ao tradutor em si, pois este, é filho bizarro da subcultura que se vem propagando sob o patrocínio da pós-modernidade ou de uma modernidade tardia.

Minha crítica tem endereço certo: a indústria cultural brasileira (e de resto mundial) que se fundamenta em livreiros que não têm quaisquer compromissos com a “Paidéia”; essa indústria cultural, responsável por um sem-número de títulos imbecis (este não é o caso das Flores do Mal) é quem, de fato, deveria ser condenada e denunciada veementemente – como o fazem aqui o site e o autor do texto – pois, para além do plágio tosco e inculto, produzem uma tipologia de circularismo da circularidade presente de livros e textos de autores consagrados, sobretudo daqueles com mais de 100 anos, para evitar pagar os direitos autorais.

É devido a essa produção daninha – inescrupulosa mesmo! -, dessa tipologia de indústria cultural, desses fornos de subcultura – produto do capital capitalista -, que não vemos nascer novos grandes escritores que vivem condenados ao esquecimento e, possivelmente, suas obras jamais serão conhecidas do grande público.

Paralelamente, o Poder Público, ou seja, o Estado (no caso brasileiro: o Estado Brasileiro) não se tem revelado competente para o estabelecimento de uma política cultural que vislumbre o aparecimento ou a “produção” de uma indústria cultural capaz de revelar os novos atores da literatura nacional ou das belas artes brasileiras.

…E assim ficamos – todos, todos mesmos! – refém de uma produção literária ou de uma indústria cultural incapaz, ineficiente, imbecil, decursiva da idiotia idolatrada pelos senhores donos do capital da subcultura nacional.

Tenham todos um bom dia.

Bem sejam.

.

LEIA  A MATÉRIA COMENTADA CLICANDO : AQUI

FORA SARNEY! ontem, sábado (15/08/09), nas capitais deste BRASIL!

FORA SARNEY

em Belo Horizonte. foto de bruno figueiredo.

BRASIL
autor e interprete: CAZUZA

Não me convidaram
Pra esta festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer…

Não me ofereceram
Nem um cigarro
Fiquei na porta
Estacionando os carros
Não me elegeram
Chefe de nada
O meu cartão de crédito
É uma navalha…

Brasil!
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim…

Não me convidaram
Pra essa festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer…

Não me sortearam
A garota do Fantástico
Não me subornaram
Será que é o meu fim?
Ver TV a cores
Na taba de um índio
Programada
Prá só dizer “sim, sim”

Brasil!
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim…

Grande pátria
Desimportante
Em nenhum instante
Eu vou te trair
Não, não vou te trair…

Brasil!
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim…(2x)

Confia em mim
Brasil!!

.

FORA SARNEY RIO DE JANEIRO

Copacabana/ Riode Janeiro. foto de nelson de paula.

FORA SARNEY - SÃO APULO

fora sarney. em São Paulo. foto de nelson antoine.

PROTESTO/SARNEY/CURITIBA

em Curitiba. foto de rodolfo buhrer.

FIM DE JOGO por hamilton alves

A peça famosa de Beckett “Fim de Jogo” chegou-me às mãos por um texto em espanhol. Comecei a lê-lo e, a partir de certo ponto em diante, o larguei. Não pude colher nenhuma impressão das poucas páginas lidas. Sabia, no entanto, que se tratava de uma das melhores peças do dramaturgo irlandês. Vinha precedido de outro sucesso de palco, esse mais estrondoso – “Esperando Godot”, representado, no Brasil, pela primeira vez, por Walmor Chagas e Cacilda Becker, que, num dos espetáculos, teve uma crise de aneurisma e morreu em cena.

“Fim de Jogo” foi exibida aqui por Edson Celulari (canastrão global) e Cacá Carvalho (ator excelente). Revezavam-se ambos na interpretação dos personagens Clov e Hamm (dificílimos). Mas se saíram muito bem de sua missão árdua, melhor do que se poderia esperar.

Como fui ver essa peça é preciso que se conte.

Não tinha nenhum interesse de vê-la porque não acreditava em Celulari. Cacá era, para mim, um ilustre desconhecido, se bem que, como o outro, trabalhava nas novelas xaropes da Globo.

Um amigo, um dia antes da sessão a que compareci, me ofereceu dois ingressos.

Tinha-os ganho mas não revelava nenhuma disposição de ver a peça.

De minha parte, como aludido, tinha minhas restrições a Celulari, mal conhecia os demais atores, que formavam um quarteto, dois dos quais tinham pouca participação.

Sabia do valor do texto de Beckett, que, àquela altura, tinha corrido mundo.

Enfrentando uma má vontade de rotina de sair de casa à noite, onde invariavelmente me enfurno para distrair-me com leitura de livros ou jornais ou para compor algum trabalho literário, além do convívio com a família, fui ver a peça, já sabendo de ante-mão o que me esperava. Ou as poucas perspectivas de assistir a alguma coisa que me agradasse.

Bem, para resumir: o tiro me saiu pela culatra. Ou seja, foi um dos maiores espetáculos de teatro que já vi.                                                                                                Celulari que, na oportunidade em que assisti à peça, interpretava Hamm, e Cacá, Clov, deram ambos um show ”au complet” de arte teatral.

Punha as barbas de molho pela crítica ferina que havia feito de suas possibilidades de atores. Celulari, especialmente, estava absolutamente senhor de seu complicado papel de interpretar um velho caquético e autoritário como Hamm, que submetia sob seu tacão o pobre Clov, que lhe era todo servil. Cacá merece igualmente destaque especial (fez Clov de forma absolutamente espetacular). Trata-se, para mim, da revelação de um ator genial.

Quando saía do teatro, vinha comentando com um amigo a funda impressão que me deixara o desempenho de todos os quatro atores, com destaque para Celulari e Cacá. Notei que uma pessoa, que me ouvia, fez um risinho de mofa, levando-me a crer que não entendera lhufas da peça.

Não quero aprofundar o tema, mas me ocorreu como são mal aproveitados e pior dirigidos os atores de novelas.

RUMOREJANDO – PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES (16.08.09) por juca (josé zokner) / curitiba

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I

A torcida do Paraná contra o Bragantino chegou a gritar olé. É. Quem nunca come melado, quando come chega até a esquecer que pode se lambuzar na próxima. Mas, afinal. A gente estava acostumado a apenas levar e não dar olé…

Constatação II (E já que falamos no assunto, vamos externar nossa modesta e abalizada opinião):

A possibilidade do Paraná ser campeão

E ascender pra Primeira Divisão

É inversamente proporcional

A eu encontrar um adversário local,

Nacional ou mundial

Que me ganhe no truco.

Mesmo me deixando maluco.

Enfim, um cara bom…

Constatação III

Deu na mídia: O senador Artur Virgílio, que protocolou ações contra o presidente do Senado José Sarney, admitiu que manteve em seu gabinete um funcionário que estudava na Espanha. O líder do PSDB negociou com a diretoria do Senado o ressarcimento do dinheiro pago, R$ 210 mil em quatro parcelas”.

Moral I: Quem tem telhado de vidro não joga pedra no telhado do vizinho.

Moral II: Em certos países os desonestos são sempre os outros.

Moral III: Aparentemente, os dois não estavam do mesmo lado. A nossa relativa suposta sorte é que eles estavam se degladiando entre eles. Até a hora que sobreveio a tradicional e não surpreendente pizzada: “Eu não mexo com V. Excia.. E V Excia. não mexe comigo”. E viva “nóis” que não somos V. Excias…

Constatação IV (Classe é classe…)

Deu na mídia: “SÃO PAULO – O senador Fernando Collor de Melo (PTB-AL), disse em discurso em plenário dia 10 de agosto estar “obrando” na cabeça do jornalista Roberto Pompeu de Toledo, da revista Veja”. Data vênia, como diriam nossos juristas, masRumorejando supõe que na bacia sanitária seria bem mais cômodo e confortável.

Constatação V (Quadrinha para ser recitada em algum Fórum Mundial, daqueles que não levam absolutamente a nada).

Se eu fosse o presidente

Da República do Burundi

Eu viveria por lá, somente

E não viveria por aqui.

Constatação VI (Dúvida crucial via pseudo-haicai).

Na chuva, foi o amigo Bertoldo

Que, ao invés de guarda-chuva,

Usava um baita de um toldo?

Constatação VII (De outra dúvida crucial via pseudo-haicai).

Inspiro gás carbônico

Sobrevivo assim mesmo.

Será que sou biônico?

Constatação VIII (Quadrinha de cinco estrofes [pentinha?] para ser recitada no Senado ou na Câmara dos Deputados).

Conversa vai, conversa vem

Sempre haverá alguém

Que jamais, na vida, fará um bem.

E, qual um líquido, outro alguém

Tomará a forma do vaso que o contém…

Constatação IX (E já que falamos no assunto…)

Falta pros simples mortais perspicácia

Em se dar conta  que a democracia,

Apregoada por esses políticos, é uma falácia?

Constatação X (Pseudo-soneto da série Ah, o Amor…)

Chegamos no motel rotundo

Fechamos a porta do apartamento

E ficamos separados do mundo.

Nos olhando por um momento.

Trocamos beijos e abraços

No estilo “finalmente sós”.

Não foram pouco escassos.

As línguas, só faltavam dar nós.

As peças de roupa voavam

Quais corruíras no firmamento

E o teu corpo desnudavam

Você disse: “Vou tomar um banho

E volto em um momento”.

Tardou. Te segui. Visões de antanho.

Constatação XI (Com os agradecimentos ao professor de Educação Física, Personal training e Fisioterapeuta João Paulo de Andrade Alarcão).

Rico tem escápula; pobre paleta.

Rico tem gastrocnêmio; pobre, batata da perna.

Rico tem patela; pobre, rótula.

Constatação XII

O empate do Campinense um minuto após o gol do Paraná aos 46 minutos do segundo tempo lembra “mutatis mutandis” que o pão de pobre sempre cai com a manteiga voltada para o chão. E que alegria de pobre dura pouco…

Constatação XIII

Foi a mosquita

Que disse pro mosquito:

“Você andou chupando pirulito

Ou alguém que tomou birita?”

Constatação XIV

Foi a tigresa

Que disse pro tigre:

“Mas que beleza

Chegando essa hora!

Vá embora!

Emigre!

Você tá atrasado!

Seu desmiolado!”

Coitado!

Constatação XV

Não que a gente seja contra. Ao contrário. Mas a facilidade com que certas mulheres mostram os seios também pode ser explicado pelo fato delas acharem que estão mostrando algo que não lhes pertencem. Eles não são os seus seios originais. Eles foram siliconados. Elementar…

Constatação XVI

Escritor rico é vocabularista; pobre, sensacionalista.

.

FREIRAS - DE MARTA FERREIRA

a mesa diretora do senado federal em pose especial para o domingo de sol.

foto de marta ferreira.

ilustração do site.

MAU SUCO por alceu sperança / cascavel.pr

O PPS cometeu um enorme desserviço à história do País quando tentou destruir o Partido Comunista Brasileiro (PCB), dando-nos um enorme trabalho para reconstruir tudo do zero.

Para dificultar esse trabalho, espalhou por aí, sem o menor pudor, todo o patrimônio documental do Partidão, que acabou nas mãos da Globo, veja só!

Em seguida, irrefletidamente, apoiou a tucanagem nas eleições. E agora anuncia a intenção de promover discussões sobre a “esquerda democrática”… Deveria ter mais respeito pela própria história e não levar água ao moinho da direita.

A esquerda é democrática por definição e a adjetivação dela é absolutamente imprópria e malandra. Sugere que o PPS é “esquerda democrática” em oposição a uma esquerda que seria “antidemocrática” ou “não-democrática”.

O que é a esquerda, hoje, neste planeta? É não se render à ideologia capitalista, que hoje se apresenta com sua cara mais feroz e, contudo, hipnótica: o neoliberalismo. A ideologia que leva o escravo a desejar ser escravo, querer consumir e ser consumido, gastar e ser gasto.

Coisa gagá

O grande ridículo dos últimos tempos foi aquela coisa gagá dita pelo presidente Luiz Inácio:

“Se uma pessoa idosa é muito esquerda, então ele não sofre bem da cabeça”.

A besteira está menos na questão da idade que no conceito absurdo de intensidade: o que é ser “muito esquerda”, “pouco esquerda” ou “médio-esquerda”? Uma bobagem como “muito grávida”, “medianamente grávida” ou “pouco grávida”.

A esquerda é um amplo e multifacetado movimento anticapitalista e antineoliberal, de teor humanista e ambientalista, comandado pelas forças do mundo do trabalho em sua autodefesa, que procura de forma admirável, persistente, enfrentando toda a ardilosa e renitente ideologia vigente, radicalizar a democracia e não se opor a ela.

Sequer está em busca do Comunismo, um horizonte ainda impossível de compreender sem antes construir o socialismo como processo de transformação do antigo em novo.

O deputado Chico Alencar, do PSol – um dos partidos integrantes da Frente de Esquerda, ao lado de PCB e PSTU nas últimas eleições presidenciais –, fez, em uma palestra, um resumo do que é a esquerda nos dias atuais:

“Pela democratização radical: dos grandes meios de produção e… dos meios de governar (inclusive as caixas-pretas dos bancos centrais e dos gestores econômicos)”.

Abraça ainda a utopia de um governo mundial cooperativo (que Paulo VI já pregara, na encíclica Populorum Progressio, de 1967, atenção!) e de um planeta saudável e auto-sustentável.

Ou seja: ser esquerda hoje é pensar mais ou menos como o Papa pensava em 1967.

Frutos amargos

Essa mania de adjetivar a esquerda lembra aquilo que o filósofo Michel Foucault (1926–1984) dizia pensarem dele:

“Fui considerado um tecnocrata, agente do governo gaullista pelos democratas. E pelos gaullistas, pela direita, como um perigoso anarquista. Até mesmo um docente americano indignou-se porque nunca um veterano marxista como eu, certamente um agente da KGB, seria convidado pelas universidades americanas, e assim por diante”.

Mas se o neoliberalismo é o inimigo principal da esquerda, que não precisa de adjetivos e nem merece que alguém tente rachá-la com adjetivação, não é inimigo menor o neo-anarquismo, que também conduz à despolitização, à desmobilização e à omissão.

O neoliberalismo e o neo-anarquismo têm de muito parecido entre si o fato de semearem o desinteresse dos cidadãos por aquilo que é seu, é público e precisa do controle e da iniciativa popular para no mínimo corrigir rumos.

Ambos apostam na disfuncionalidade do Estado-nação. Ou seja, uns querem o Estado mínimo no sentido de ausente, outros querem nenhum Estado, acreditando que basta negá-lo para destruí-lo. Os frutos dessas duas árvores são igualmente amargos e nocivos. Dão mau (e antidemocrático) suco.

Ser esquerda é estar serviço da humanidade. É, portanto, ser radicalmente, e sempre, democrático.

CURADOR de josé dagostim / criciúma.sc


Abrigo-te no calor de meu coração.

Entre as montanhas avistaremos as flores.

Nos arroios sinuosos banharemos a angústia.

No amanhecer os pássaros com suas orquestras anunciarão o sol.

Nas tardes esquecidas brindaremos juntos o anoitecer.

Nas noites te recolho junto aos meus braços.

Não sentirás mais expiação.

BALEIAS à VISTA ! na ILHA DE SANTA CATARINA / brasil

Baleia franca 2

na Praia dos Ingleses, mãe com filhote.

Três baleias foram avistadas no último domingo – 09/08/09 – na Ilha de Santa Catarina. Duas estavam na Praia dos Ingleses,um adulto e um filhote, e uma na Praia do Campeche, ao Sul.
A temporada reprodutiva das baleias francas no Brasil é de julho a novembro, mas o melhor período para encontrá-las é entre a segunda quinzena de agosto e primeira quinzena de outubro, quando um maior número de baleias costuma estar na região.
Semana passada, foram avistadas 61 baleias entre Torres (RS) e Garopaba, no Sul do Estado, durante o primeiro sobrevoo do ano para observação de cetáceos.
De acordo com o Projeto Baleia Franca, a temporada 2009 pode ser uma das melhores para a observação de baleias em Santa Catarina. Geralmente, são avistados pares de mãe e filhote nadando em paralelo à costa, e muitas vezes elas expõem a nadadeira peitoral ou a cauda e dão impressionantes saltos n’água.
Segundo o Corpo de Bombeiros, uma baleia estava encalhada neste domingo na Praia Palmas do Arvoredo, em Governador Celso Ramos. A Polícia Ambiental se dirigiu ao local para verificar a situação do animal.

fernando alexandre.

SARNEY E EU* / brasília

Algumas semanas atrás recebi um email sobre uma manifestação na frente do Congresso Nacional pedindo “Fora Sarney”, na hora fiquei bastante animado, encaminhei o email para toda a minha lista de contatos e pensei que finalmente as pessoas iriam se indignar e reagir à tanta sujeira.

No dia da manifestação me bateu uma preguiça… após um longo dia de trabalho o cansaço me venceu, e afinal, quem iria sentir a minha falta?

No dia seguinte eu procurei eufórico nos sites de jornalismo sobre a tão falada manifestação que foi toda planejada em comunidades virtuais e bastante divulgada pelo twitter.  Para a minha surpresa não existia nenhuma manchete, nem ao menos uma nota de rodapé . Resolvi entrar em uma das comunidades do orkut que organizaram a manifestação, e para a surpresa de todos, apenas cinqüenta pessoas se dispuseram a ir para a frente do Congresso.

Apenas 50 pessoas? Sendo que eu sozinho divulguei para mais de 1000?  Que povo mais acomodado, pensei indignado, porque será que eles não foram??….

Não demorou muito para a ficha cair.  Eles não foram pelo mesmo motivo que eu não fui.  Esperava que “alguém” iria no meu lugar.

Recostei-me na poltrona em frente à televisão e olhei para a janela do meu apartamento, que refletia a minha imagem.  Fiquei olhando para mim e para a minha confortável inércia.  Foi quando de súbito, eu tive a arrebatadora visão daquilo que sempre procurei e nunca encontrei, o meu verdadeiro papel na sociedade.

“Que bunda- mole!!!”.

Finalmente, depois de tantos anos de crise existencial, pude perceber que eu era uma peça importante na sociedade, um legítimo Bunda-mole brasiliense (ou BMB).

Existem bunda- moles municipais e estaduais, mas eu tenho orgulho de dizer que sou um bunda-mole federal!! Nas minhas viagens de férias sempre algum engraçadinho vinha falar: “De Brasília né….já tem conta na Suíça?”. Eu ficava indignado, falando que eu era um funcionário público concursado, que pagava os meus impostos, enquanto o povo que roubava vinha de fora e blá blá blá. Mas agora eu vejo com nitidez que eu tenho um papel importante nesse cenário. Eu como um legítimo BMB ajudei a criar esta barreira de proteção que mantém os verdadeiros FDP livres para fazerem o que bem entenderem.

Eu acho que as coisas estão bem do jeito que estão. Tenho dinheiro todo mês para pagar a prestação do meu carro 1.0 e do meu apartamento de dois quartos, freqüento uma academia para queimar o meu excesso de ociosidade, tenho meu smart phone comprado na feira do Paraguai, e no final do ano ainda vou ficar um mês em uma casa de praia alugada junto com a minha família para a incrível experiência de assarmos como batatas na areia… Mais BMB impossível!!

Nas sextas-feiras, eu me sento com os meus amigos em um barzinho e depois do terceiro copo de cerveja soltamos toda a nossa indignação contra a patifaria que rola solta em Brasília, cada um conta um caso de um amigo próximo que enriqueceu da noite para o dia às custas do dinheiro público (o difícil é disfarçar aquela pontinha de admiração pelo “ixperto”). Depois traçamos os planos para endireitar o país. Planos que vão embora pelo ralo do mictório antes de pagar a conta. BMB de carteirinha!!

Os anos passam e as conversas vão mudando: PC Farias, anões do orçamento, precatórios, privatizações, dólar na cueca, mensalão, sanguessugas, vampiros, Lulinha Gamecorp, Daniel Dantas, o dono do castelo, Petrobrás, e agora a cereja do bolo, ele, o único, o inigualável Sarney!! Sarney é como um ícone do atraso nacional (clientelismo, fisiologismo, nepotismo, coronelismo, apropriação da máquina pública, desvio de verbas públicas etc), mas o que seria do Sarney sem a legitimidade dos BMB´s? O que seria da ilha da fantasia, dos cabides de emprego, dos lobistas, do QI (quem indicou), dos cargos de confiança, dos funcionários fantasmas, dos atos secretos sem a nossa apática presença?

Imaginem se no nosso lugar estivessem aqueles sul-coreanos malucos que iam para a rua protestar partindo pra cima da polícia, ou aqueles jovens em Seattle que furavam um forte esquema de segurança da OMC para protestarem contra a globalização.

O BMB precisa ter o seu papel reconhecido, somos nós que deixamos tudo correr frouxo, somos nós que damos uma cara de democracia a este coronelismo em que vivemos. O nosso poder aquisitivo acima da média nacional protege o Congresso e os palácios da miséria e da violência que fervilham em nosso entorno.

Bunda-moles: Vamos exigir os nossos direitos!! Precisamos finalmente mostrar a nossa cara. Nunca antes na história deste país o bundamolismo foi tão grande. Seja ele de centro, de esquerda ou de direita. Bundamolismo no movimento estudantil chapa-branca, nos sindicatos que só vão para a frente do Congresso para pedir aumento e nos artistas que se acomodaram no conforto dos patrocínios oficiais.

Vamos exigir que se crie em Brasília o museu do bundamolismo nacional na esplanada dos ministérios, uma enorme bunda branca de concreto, que irá combinar muito bem com a arquitetura de Niemeyer.

Assistimos de nossas poltronas o Brasil tomar o rumo da mediocridade, sem um projeto à altura do seu papel de grande potência ambiental do planeta, que pode liderar a nova economia limpa e inclusiva que irá gerar milhões de empregos. Mas que faz o contrário, age como a eterna colônia de exportação de matéria-primas, fazendo vista grossa para o colosso chinês que irá nos engolir com a sua máquina movida à destruição ambiental e desrespeito aos direitos humanos, para criar uma efêmera ilusão de prosperidade às custas de nossa biodiversidade e da nossa água doce (estes sim os nossos bens mais valiosos).

A bundamolização é muito mais eficaz do que o autoritarismo, ela pode ser eletrônica, através de novelas, videocassetadas, big brotheres e cultos picaretas. Pode ser química, com cerveja, maconha ou anti-depressivos. E também pode ser ideológica, com receitas milagrosas, e debates calorosos que sempre desaparecem em um clicar de mouse. Vivemos em uma sociedade anestesiada e chapada, sem rumo, imersa em ilusões baratas.

O bundamolismo nos une, não segrega ninguém, é a democracia verdadeira, que brilha por debaixo de uma crosta de hipocrisia e ignorância. E como toda ideologia que se preze, nós temos o nosso avatar, o nosso guru. Aquele que nos trás para a realidade e mostra quem realmente somos, revela o nosso eu profundo, a nossa essência.

Obrigado Sarney, só você para tirar as minhas dúvidas e me mostrar o mundo real por trás das ilusões. Sarney, nós somos duas faces da mesma moeda. Somos Yin e Yang. Nós somos os pilares deste país, um não existiria sem o outro. A sua cara de pau só existe porque do outro lado está a minha babaquice.

Bunda-moles de todo o país uni-vos!!

Vamos celebrar a nossa mediocridade, vamos sair às ruas gritando: Viva Sarney!! Viva Collor!! Viva Maluf!! Viva Roriz!! Viva Gim Argello!! Viva Renan Calheiros!! Viva Romero Jucá!!Viva o FHC!! Viva a República das bananas do Brasil!!!

Mas isso é pedir demais para um bunda-mole, vou voltar para a minha poltrona porque o jornal nacional já vai começar.

*Por Adelécio Freitas (um BMB legítimo).

.

ARTE DE RUA 1

enquanto o povo é sacricrucificado os “bunda-moles” assistem. foi assim há mais de 2.008 anos.

ilustração do site. foto livre.

CAOS de otto nul / palma sola.sc

Do fundo primordial

Das coisas

.

Difuso entre tudo

E nada

.

Ouve-se o canto

De um pássaro

.

Que permeia o ar

E impõe o silêncio

.

Entre sombra e luz

Sob forma de sonho

.

O canto perpassa

Todos os limites

.

Até restabelecer

A atmosfera do caos

NASA tira foto inédita do centro da galáxia – por paula rothman, de INFO

centro-via-lactea-NASA-20090807155547

O telescópio espacial Spitzer conseguiu registrar o centro da Via Láctea, uma região escondida por nuvens de gás e poeira.

Com suas lentes infra vermelhas, ele fotografou o coração da nossa galáxia, um local há cerca de 26 mil anos luz de distância da Terra, em direção à constelação de Sagitário.

O amontoado de pequenos pontos  é falsamente colorido pelo efeito da câmera, e mostra estrelas mais velhas e frias em tons azulados. As nuvens de poeira brilhantes e vermelhas indicam estrelas mais jovens e quentes nos berçários estelares.

A imagem tem um alcance de cerca de 900 anos luz.

OS INIMPUTÁVEIS por sérgio da costa ramos / florianópolis

Se pudesse invocar a Deus, o Senhor não deixaria de tomar uma divina providência. O Todo-Poderoso entendeu que aquele era um caso pessoal, de intervenção imediata. Num lugar exótico do planeta Terra, homens e mulheres transgrediam a lei, a moral social e os bons costumes e não lhes cabia qualquer tipo de penitência.SERGIO DA COSTA RAMOS

O primeiro desses “anjos caídos” habituara-se a tomar o público como privado. Apropriava-se dos bens do povo com a desenvoltura de um Lúcifer. Nomeara parentes e amigos, distribuíra empregos e benesses sem a devida contraprestação em trabalho. Pior: amealhara dinheiro de falsos convênios, subtraíra recursos que poderiam socorrer um carente, manter um hospital, salvar uma vida.

Ironia: chamava-se José, como o carpinteiro do Novo Testamento, em cujo abrigo nasceu o Salvador.

O segundo desses anjos decadentes era um “administrador de obras públicas”. Ou melhor: um “sugador” de recursos orçamentários. De uma única avenida, chupou nada menos do que US$ 400 milhões. Fortuna que viajou pelo mundo e, devidamente “lavada”, voltou ao domínio desse Ali Babá. O político – brasileiro, é claro – já foi condenado em duas instâncias do Judiciário, mas ainda não conhece penitência. Naquele bizarro país, trambiqueiros costumam viver soltos e impunes.

Num país da reforma de Lutero, os que “subtraem”, pagam. Como aquele financista do mal, Bernard Madoff. Condenado a 150 anos de prisão.

Nesse outro país da contrarreforma, o “administrador em causa própria”, Maluf, acabou ungido como o deputado federal mais votado – apesar de condenado a 23 anos de prisão. Estranha condenação – que o condenado cumpre em total liberdade, fundado na onírica presunção de que “mesmo os culpados, havendo recurso, são considerados inocentes e não se obrigam à penitência”…

E havia ainda aquela menina de rosto angelical, belas feições de “anja” numa persona dissimulada. Aquela jovem havia reunido representantes de Satanás, a quem abriu as portas de sua casa, para que massacrassem seu próprio pai e sua própria mãe, enquanto eles dormiam.

Naquele país, tristemente conhecido como “O Limbo dos Inimputáveis”, as forças do mal estão prontas para libertar a ré desse crime hediondo, depois de cumprido apenas um sexto da pena que lhe destinaram, já de si branda e “compreensiva”.

Está nas mãos do Senhor visitar esse “Limbo” e justiçar José Sarney, Paulo Maluf e Suzane Von Richthofen – os Inimputáveis.

Alexandre França apresenta sua Música de Apartamento – hoje / curitiba

af_cartaz(3)

Publicado em 13/08/2009 | Pedro de Castro, especial para a Gazeta do Povo

Seguindo a linha de temas tristes e intimistas iniciada com “A solidão não mata, dá a idéia”, o novo disco do músico curitibano Alexandre França toma um espaço de clausura das cidades como metáfora para falar de um personagem ordinário, o chefe de uma família de classe média. Música de Apartamento transforma a previsibilidade deste cenário numa sequência de tragédias teatrais, acompanhada de uma instrumentação pouco carregada. França lança o novo disco hoje e amanhã, no Teatro Paiol, às 21 horas.
O apartamento é o espaço onde se desenvolvem as histórias das letras das canções, que mantêm uma tênue linha narrativa, pouco evidente de propósito. Dentro dele, o homem experimenta decepção, traição e morte. Porém a continuidade não é mais importante que os episódios isolados. O espaço delimita a ação, é a clausura do personagem, e acumula outro significado. “Exploramos o sentido burguês do apartamento, símbolo desta camada, que não só contém como está ligado ao percurso do sujeito de classe média”, explica França. A presença do tema do isolamento remete ao disco anterior, que o músico faz questão de diferenciar. “Bus ca mos outro sentido além da solidão do apartamento, e este disco tem um tom mais intimista”, esclarece.
A visão voltada para si próprio é reforçada por um arranjo de poucos instrumentos, que tam bém abre espaço ao viés cênico das canções. Sons encontrados no ambiente de um apartamento, como o barulho de água fervendo na chaleira até o ranger de portas ou o choro de um bebê, interferem na melodia das canções, pautadas pela estética da MPB. Um exemplo é a faixa que abre o trabalho, “Valsa de Apartamento”, onde o som de escovar de dentes dita o ritmo da canção. “A intenção é que o ouvinte fique absorvido na atmosfera do lugar através do disco e a instrumentação contribui com isso”, conta o músico.
França espera que o trabalho tenha uma boa recepção. “O outro disco já tinha recebido boas críticas”, lembra. O CD foi produzido dentro do âmbito do projeto Pixinguinha, da Funarte, que visa difundir a música popular brasileira.
* * *
Serviço
Música de Apartamento – Alexandre França. Teatro Paiol (Lgo. Guido Viaro, s/nº – Prado Velho), (41) 3213-1340. Hoje e amanhã, às 21 horas. Ingresso: R$ 15 (com CD), R$ 10 e R$ 7 (estudantes).

POESIA VISUAL de hugo mund junior / brasilia

HUGO MUND JUNIOR - POESIA VISUAL mund

-.-

HUGO MUND JUNIOR - VISUAL poema0011

A RAINHA DE SABÁ por eliane percília / brasília

Pouco se sabe sobre a belíssima rainha de Sabá, cuja história é repleta de mistério. A parte conhecida de sua história está relatada no Velho Testamento, datadas no século 6 d.C., e em um dos livros de Talmudu (coletânea das tradições orais judaicas).
No Alcorão (livro sagrado muçulmano) encontramos referência à suposta cidade natal da rainha, Marid. Dentre todos os relatos a respeito da rainha de Sabá, o mais conhecido é o da Etiópia, o Kebra Nagast, do século 11 a.C. Segundo esse documento, ela teria assumido o trono com apenas 15 anos de idade, após a morte do pai.

Em Sabá as mulheres e os homens possuíam praticamente os mesmos direitos, por isso sua coroação foi muito festejada pelos súditos. A única coisa que fazia a diferença entre homens e mulheres em seus direitos era a determinação religiosa de a rainha manter-se virgem. Como uma boa seguidora dos costumes de seu povo, Bilqis como era chamada no Alcorão, aceitou conformada. Já que não poderia jamais deliciar-se dos prazeres carnais, dedicou-se ao estudo da filosofia e do misticismo. Seu reinado esbanjou luxo e riqueza, isso graças à farta colheita, que era estimulada por avançadas técnicas de irrigação, e à localização privilegiada que impulsionava o comércio. Sabá era ponto de encontro de mercadores

a rainha de Sabá e o seu amado o rei Salomão.

a rainha de Sabá e o seu amado o rei Salomão.

vindos de todos os lugares. Vendia-se e comprava-se de tudo pelas pequenas ruas do reino, em especial mercadorias oriundas do Oriente. Para se distrair a rainha circulava em meio ao tumulto do comércio. Gostava de conversar com os viajantes, foi em uma dessas conversas, que sobe da existência do rei Salomão. Foi o chefe das caravanas reais, Tamrim, que lhe relatou a história de tal rei.

Ele vendia incensos de Sabá para diversos lugares do mundo e trazia muitos tecidos e jóias para a rainha. Ao retornar de uma viagem à cidade de Jerusalém, ele contou que havia feito negócios com um rei cujo nome era Salomão, muito rico e que tinha fama de sábio e generoso. A soberana ficou muito intrigada com os dotes intelectuais do rei de Jerusalém, então resolveu viajar para conhecer o soberano pessoalmente. Anunciou que iria junto com Tamrim em sua próxima viagem à Jerusalém, para isso saiu pelo reino em busca de presentes para Salomão.

A comitiva tinha 800 animais, apesar da curta distância a viagem durou seis meses. Chegando à Jerusalém, a rainha se dirigiu ao palácio, trajando roupas caras, coberta de jóias e seguida por servos trazendo os presentes para o anfitrião. Divertiu-se testando a sagacidade de Salomão, muito culta e bem-humorada ela disparou um arsenal de charadas com a intenção de desafiá-lo. O rei, muito sábio, não deixou nenhuma pergunta sem resposta.

Por sua vez, Salomão pregou a ideologia e os valores de sua religião, o Judaísmo, e conquistou mais uma adepta. Como um grande sedutor, ele também cortejou a visitante. Mesmo tendo feito o voto de castidade, a rainha de Sabá em sua primeira noite no palácio não resistiu ao charme de Salomão e se entregou a ele. Permaneceu meses na companhia de Salomão e retornou para casa grávida do amado, o filho foi chamado de Menilek.

Após o retorno da rainha, os relatos foram se tornando escassos. Nenhuma das histórias sobre a rainha de Sabá é arqueologicamente comprovada. Dessa forma, a célebre e lendária rainha tornou-se um grande enigma da história, não há comprovação de sua verdadeira história e nem relatos de seu fim.

PEQUENA ODE AO SUICÍDIO de tonicato miranda / curitiba

para 4 “Js”: Joplin, Hendrix e Morrison

Pensar no suicídio como esconderijo

A raposa acuada na busca da toca

Pensar no suicídio como o baque rijo

O corpo vindo ligeiro ao beijo do cimento

.

Pensar no suicídio como o balido da voz

A carne dura do bode ferindo a faca

Pensar no suicídio como o rio na sua foz

Afogando-se nas águas ele feito de água

.

Pensar no suicídio como bebida amarga

O absinto sem sentido e fora de nexo

Pensar no suicídio e a descarregada carga

A arma prenhe de pólvora a explodir o ego

.

Pensar no suicídio como tropel de cavalos

Assustando a platéia meu corpo sob cascos

Pensar no suicídio como o sangue nos ralos

A gilete no chão, o pulso gotejando vermelhos

.

Pensar no suicídio como o vôo de asa delta

O precipício na montanha é sua eternidade

O corpo voando ao nada e à música celta

Mas no átrio da descida perguntei:

Oh, mãe de verdes e de pedras:

__ Por quantos anos meu corpo esteve por aqui?

__ Por que perguntas? Não cabe entender,

por que medras?

A montanha sempre será mais do que a carne.

JOÃO DE ALMEIDA NETO declama o poema ” O MEU PAÍS” / porto alegre

UM clique no centro do vídeo:

.

Um país que crianças elimina;
E não ouve o clamor dos esquecidos;
Onde nunca os humildes são ouvidos;
E uma elite sem Deus é que domina;
Que permite um estupro em cada esquina;
E a certeza da dúvida infeliz;
Onde quem tem razão passa a servis;
E maltratam o negro e a mulher;
Pode ser o país de quem quiser;
Mas não é, com certeza, o meu país.

Um país onde as leis são descartáveis;
Por ausência de códigos corretos;
Com noventa milhões de analfabetos;
E multidão maior de miseráveis;
Um país onde os homens confiáveis não têm voz,
Não têm vez,
Nem diretriz;
Mas corruptos têm voz,
Têm vez,
Têm bis,
E o respaldo de um estímulo incomum;
Pode ser o país de qualquer um;
Mas não é, com certeza, o meu país.

Um país que os seus índios discrimina;
E a Ciência e a Arte não respeita;
Um país que ainda morre de maleita, por atraso geral da Medicina;
Um país onde a Escola não ensina;
E o Hospital não dispõe de Raios X;
Onde o povo da vila só é feliz;
Quando tem água de chuva e luz de sol;
Pode ser o país do futebol;
Mas não é, com certeza, o meu país!

Um país que é doente;
Não se cura;
Quer ficar sempre no terceiro mundo;
Que do poço fatal chegou ao fundo;
Sem saber emergir da noite escura;
Um país que perdeu a compostura;
Atendendo a políticos sutis;
Que dividem o Brasil em mil brasis;
Para melhor assaltar, de ponta a ponta;
Pode ser um país de faz de conta;
Mas não é, com certeza, o meu país!

Um país que perdeu a identidade;
Sepultou o idioma Português;
Aprendeu a falar pornô e Inglês;
Aderindo à global vulgaridade;
Um país que não tem capacidade;
De saber o que pensa e o que diz;
E não sabe curar a cicatriz;
Desse povo tão bom que vive mal;
Pode ser o país do carnaval;
Mas não é, com certeza, o meu país!

SAUDADE de pablo neruda / chile


Saudade – O que será… não sei… procurei sabê-lo
em dicionários antigos e poeirentos
e noutros livros onde não achei o sentido
desta doce palavra de perfis ambíguos.

Dizem que azuis são as montanhas como ela,
que nela se obscurecem os amores longínquos,
e um bom e nobre amigo meu (e das estrelas)
a nomeia num tremor de cabelos e mãos.

Hoje em Eça de Queiroz sem cuidar a descubro,
seu segredo se evade, sua doçura me obceca
como uma mariposa de estranho e fino corpo
sempre longe – tão longe! – de minhas redes tranquilas.

Saudade… Oiça, vizinho, sabe o significado
desta palavra branca que se evade como um peixe?
Não… e me treme na boca seu tremor delicado…
Saudade…

.

tradução de rui lage.

AFOGO-ME de ana carolina cons bacila / curitiba

Neste mundo de bolhas,
aqui me vejo
aqui me fico.
Me desgraço
me desvio,
aqui me estravio.

As memórias,
as lembranças,
aquelas prosas
que trançam,
me tranço
me esqueço,
a bolha se desfaz
e eu me lembro.

Que era tudo um sonho,
que agora se acaba,

Me afogo.

.

ana carolina (16) faz parte do grupo de poetas iniciantes do site.

MOFO de josé dagostim / criciuma.sc

É nos arrabaldes do umbral que brota a trágica doutrina das sombras e duplos…

Os escravos do sistema afinam o dorso das vítimas nas letradas universidades.

Abrolham crianças sem celebro, na sombra clínica dos doutores formatados nas institucionais academias da simulação capitalista…

Assisto ao bolor acadêmico do serviçal sistema, anjos perfumados com o mineral da fome proletária…

Operário patrão do dia seguinte, como um presidente maquinal de ilustres banqueiros, besta do mato e sanguinário revendedor da elite adoçante…

Fora o morno, quero a raiz!