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Brasil extradita acusado de integrar Operação Condor

Brasil extradita acusado de integrar Operação Condor

Manuel Cordero foi levado de ambulância até Uruguaiana.
Cordero foi preso no Brasil em fevereiro de 2007.

Do G1, em São Paulo

O militar reformado uruguaio Manuel Juan Cordero Piacentini, acusado participar da Operação Condor, responsável pela perseguição e desaparecimento de opositores dos regimes militares no sul do continente nos anos 70, foi extraditado neste sábado (23) para a Argentina.

Cordero teve sua extradição autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em agosto do ano passado. A Justiça argentina pediu a extradição para julgá-lo por crimes de violações de direitos humanos. Ele ficou conhecido pela alcunha de Coronel Cordero mas, nos documentos oficiais, se apresenta como major.

O militar, que passou os últimos seis meses em prisão domiciliar em Santana do Livramento, foi retirado na terça-feira (19) de sua casa por agentes da Polícia Federal. Por causa de um mal-estar, no entanto, os policiais o transferiram ao hospital Casa de Saúde dessa cidade.

Na sexta (15), o advogado de Cordeiro havia ajuizado no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de suspensão da extradição, sob a alegação de que ele é beneficiário da Lei da Anistia em vigor no Brasil. No ano passado o advogado já havia tentado outro recurso contra a extradição, negado pelo Supremo.

Segundo a Polícia Federal do Rio Grande do Sul, Cordero foi transferido em uma ambulância a partir de Santana do Livramento para Uruguaiana, na fronteira com a Argentina, onde foi recebido pelas autoridades argentinas. Ele foi submetido a um novo exame médico e entregue aos agentes argentinos, que o levaram de ambulância até Buenos Aires.

Na Argentina, ele deverá comparecer diante do juiz federal de Buenos Aires Norberto Oyarbide, que o interrogará dentro do processo de violações aos direitos humanos cometidos na Operação Condor.

Com informações da EFE e da Agência Estado.

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DA EDITORIA:

é preciso que o ministro (sic) da defesa nelson jobim abandone, conscientemente, a sua postura militaresca que chegou ao ridiculo de vestir a sua roupinha de “rambo”, de fins de semana, para visitar a tragédia que atingiu o haiti e se descubra um civil brasileiro com a obrigação, que o cargo lhe exige, de apurar todos os crimes cometidos pelos militares radicais, que entenderam que o inimigo era o povo brasileiro durante o período da ditadura exercida pelas forças armadas nacionais. não se trata de vendetta, trata-se de apurar os excessos de um período na história brasileira que se de um lado os atores estão mortos ou com sequelas das torturas do outro é necessário identificar e punir os torturadores e assassinos. trata-se de passar a limpo esse período obscuro da nação. outros países do hemisfério já tomaram essas providências porquanto viveram ditaduras semelhantes e não se permitiram que tal abismo histórico dividisse suas pátrias. este assunto não será sepultado como querem alguns dirigentes das corporações em razão de ser extremamente grave para unidade do povo brasileiro e suas instituições. o estado não pode ceder à vontade de alguns em detrimento da honra e da grandeza de seu povo. identificar os responsáveis por tal selvageria é resgatar a dignidade das nossas forças armadas que desde então andam às cegas na história brasileira.

jb vidal

Editor.

APELO AO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL: NÃO ANISTIE OS TORTURADORES! / A NAÇÃO BRASILEIRA

Exmo. Sr. Dr. Presidente do

Supremo Tribunal Federal
Ministro Gilmar Mendes

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Eminentes Ministros do STF: está nas mãos dos senhores um julgamento de importância histórica para o futuro do Brasil como Estado Democrático de Direito, tendo em vista o julgamento da ADPF (Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental) nº 153, proposta em outubro de 2008 pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, que requer que a Corte Suprema interprete o artigo 1º da Lei da Anistia e declare que ela não se aplica aos crimes comuns praticados pelos agentes da repressão contra os seus opositores políticos, durante o regime militar, pois eles não cometeram crimes políticos e nem conexos. Tortura, assassinato e desaparecimento forçado são crimes de lesa-humanidade, portanto não podem ser objeto de anistia ou auto-anistia. O Brasil é o único país da América Latina que ainda não julgou criminalmente os carrascos da ditadura militar e é de rigor que seja realizada a interpretação do referido artigo para que possamos instituir o primado da dignidade humana em nosso país. A banalização da tortura é uma triste herança da ditadura civil militar que tem incidência direta na sociedade brasileira atual. Estudos científicos e nossa observação demonstram que a impunidade desses crimes de ontem favorece a continuidade da violência atual dos agentes do Estado, que continuam praticando tortura e execuções extrajudiciais contra as populações pobres. Afastando a incidência da anistia aos torturadores, o Supremo Tribunal Federal fará cessar a degradação social, de parte considerável da população brasileira, que não tem acesso aos direitos essenciais da democracia e nesta medida, o Brasil deixará de ser o país da América Latina que ainda aceita que a prática dos atos inumanos durante a ditadura militar possa ser beneficiada por anistia política. Estamos certos que o Supremo Tribunal Federal dará a interpretação que fortalecerá a democracia no Brasil, pois Verdade e Justiça são imperativos éticos com os quais o Brasil tem compromissos, na ordem interna, regional e internacional. Os Ministros do STF têm a nobre missão de fortalecer a democracia e dar aos familiares, vítimas e ao povo brasileiro a resposta necessária para a construção da paz. Não à anistia para os torturadores, sequestradores e assassinos dos opositores à ditadura militar.

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Comitê Contra a Anistia aos Torturadores

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Entidades lançam campanha contra anistia a torturadores

Nos próximos meses, o Supremo Tribunal Federal (STF) irá julgar um processo decisivo para o futuro democrático do Brasil. Trata-se da ADPF (Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental) nº 153, proposta em outubro de 2008 pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, que reivindica que o Supremo interprete que a Lei de Anistia não se aplica aos crimes comuns praticados pelos agentes da ditadura civil militar (1964-1985). O processo aguarda o parecer do Procurador Geral da República, e, em seguida, o ministro relator, Eros Grau, poderá colocar em pauta de julgamento.

Com o objetivo de impedir que os agentes da repressão sejam anistiados, um grupo de defensores de direitos humanos e entidades da sociedade civil criou o “Comitê contra a Anistia aos Torturadores”.

Tortura, assassinato e desaparecimento forçado são crimes de lesa-humanidade, portanto não podem ser objeto de anistia ou auto-anistia. Estudos  indicam que a impunidade dos crimes de ontem favorece a continuidade da violência atual dos agentes do Estado, que continuam praticando tortura e execuções extrajudiciais contra a população pobre.

A primeira iniciativa do comitê é o lançamento de um manifesto on-line, que já conta com o apoio de intelectuais, artistas, juristas, parlamentares e defensores de direitos humanos. Entres os que subscrevem a petição estão Antonio Candido, Chico Buarque, José Celso Martinez  Correa, Aloysio Nunes Ferreira, Frei Betto, Marilena Chauí, João Pedro Stedile e Sérgio Mamberti.

PARA ASSINAR O MANIFESTO CLIQUE AQUI

Mais informações: Tatiana (11) 8327-5319

CÂMARA VAI INVESTIGAR MORTE DE JOÃO GOULART – por mário coelho

Comissão de Direitos Humanos decide requisitar documentos dos serviços secretos das ditaduras do Brasil, da Argentina, do Chile e do Uruguai. Ex-agente uruguaio confirma denúncia de que ex-presidente foi assassinado a mando de generais brasileiros

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Ex-presidente João Goulart morreu em 6 de dezembro de 1976


A Comissão de Direitos Humanos da Câmara vai requisitar documentos dos serviços secretos do Brasil, da Argentina, do Uruguai e do Chile sobre a Operação Condor. A intenção dos deputados é descobrir detalhes que joguem luz sobre a morte do ex-presidente João Goulart em 6 de dezembro de 1976. O motivo do requerimento foi o depoimento prestado na última sexta-feira (7) a integrantes do colegiado pelo ex-agente do serviço secreto uruguaio Mario Neiva Barreto, que reafirmou que Jango foi assassinado a mando dos generais brasileiros.

O presidente da comissão, Luiz Couto (PT-PB), e os deputados Pompeo de Mattos (PDT-RS) e Domingos Dutra (PT-MA) estiveram no Rio Grande do Sul para colher o depoimento de Barreto. Por aproximadamente três horas, eles ouviram do ex-agente um extenso relato sobre as circunstâncias da morte do ex-presidente. “Foi uma conversa longa. O tema é muito complexo e envolve uma série de ações daqui pra frente”, avaliou Domingos Dutra.

De acordo com o ex-agente, aproximadamente 20 dias antes da morte de Jango houve uma reunião com a presença de integrantes dos serviços secretos dos quatro países, além de um representante norte-americano e do então chefe do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) de São Paulo, Sérgio Paranhos Fleury. Nesse encontro, ainda segundo relato do uruguaio, ficou decidido como seria o assassinato de Jango: por meio de uma overdose de medicamentos.

Os deputados que ouviram o ex-agente acreditam que é necessário buscar provas físicas para comprovar as declarações de Barreto. Oficialmente, Jango morreu vítima de um ataque cardíaco no município argentino de Mercedes. Por conta da ditadura militar da época, não houve necropsia no corpo do ex-presidente. Somente foi emitido um laudo médico.

Ao viajar para Charqueadas, na região metropolitana de Porto Alegre, os deputados queriam de Barreto a confirmação das declarações dadas por ele ao jornal Folha de S. Paulo em 27 de janeiro de 2008. Na época, ele disse que João Goulart foi envenenado por ordem de Sérgio Fleury, com autorização do presidente da época, Ernesto Geisel (1908-1996). Com a confirmação da acusação e os detalhes fornecidos, a comissão pretende montar, a partir desta semana, um plano de trabalho para continuar as investigações.

Junto com o pedido de documentos que estejam disponíveis e não tenham sido destruídos, os deputados querem apoio da Câmara na continuidade das investigações. “Precisamos que a Câmara nos dê condições de investigar”, antecipou Dutra. O petista diz que, se o Parlamento der suporte à Comissão de Direitos Humanos, a apuração pode ser aprofundada.

Provas físicas

A principal preocupação dos deputados é com a falta de provas físicas. De acordo com Barreto, o medicamento que teria causado a morte de Jango não deixaria vestígio por muitos anos no sistema sanguíneo. Mesmo assim, Dutra não descarta a possibilidade de a comissão pedir uma exumação do corpo do ex-presidente. “Apesar das declarações, sem uma prova técnica fica meio complicado fazer uma acusação”, disse o maranhense.

“Por isso, a necessidade dos documentos”, reforçou Pompeo de Mattos. Entre os primeiros arquivos a serem vasculhados pela comissão estão os papeis do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), entidade criada pelo governo brasileiro em 1969 para coordenar e integrar as ações dos órgãos de combate às organizações armadas de esquerda. “Segundo Barreto, o Dops e o DOI-CODI eram constantemente informados de todos os detalhes da operação”, relatou o deputado gaúcho.

Golpe

Com o golpe militar de 31 de março de 1964, Jango exilou-se no Uruguai e mais tarde na Argentina. No dia 2 de abril, o Congresso Nacional declarou a vacância de João Goulart no cargo de presidente, entregando o cargo de chefe da nação ao então presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli. Dez dias após o golpe, João Goulart teve seus direitos políticos cassados por dez anos, com a publicação do Ato Institucional Número Um (AI-1).

A morte de Jango, assim como a do ex-presidente Juscelino Kubitschek, vive cercada de dúvidas até hoje. Tanto que, em julho de 2008, uma comissão especial da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul divulgou um relatório afirmando que “são fortes os indícios de que Jango foi assassinado de forma premeditada, com o conhecimento do governo Geisel”.

Entre as sugestões dadas pelos deputados estaduais gaúchos, estava a requisição de informações do médico brasileiro que, segundo o ex-agente uruguaio, participou de reuniões de trabalho com um colega uruguaio para a preparação do composto químico que, na versão dele, matou o ex-presidente Goulart. A comissão da Assembleia do Rio Grande do Sul também recomendou que fosse ouvido o hoje senador Romeu Tuma (PTB-SP), ex-integrante do Dops que, segundo os deputados estaduais, seguiu os passos de Jango no exílio na França. “Algumas pessoas citadas por Barreto ainda estão vivas. Vamos atrás delas para solicitar informações”, antecipou Mattos.

A Operação Condor, da qual a Comissão de Direitos Humanos pretende buscar documentos, consistiu numa aliança político-militar entre os regimes militares do Brasil, da Argentina, do Chile, da Bolívia, do Paraguai e do Uruguai para coordenar a repressão a opositores dessas ditaduras na América do Sul. Uma das ações do movimento foi o sequestro de filhos de presos e perseguidos políticos nas décadas de 1970 e 1980.

JOÃO GOULART (JANGO), O PRESIDENTE DEMOCRÁTICO – editoria

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João Goulart (Jango) assumiu a presidência em 7 de setembro de 1961, sob o regime parlamentarista, e governou até o Golpe de 64, em 1º de abril. Seu mandato foi marcado pelo confronto entre diferentes políticas econômicas para o Brasil, conflitos sociais e greves urbanas e rurais. Seu governo é usualmente dividido em duas fase: Fase Parlamentarista (da posse em 1961 a janeiro de 1963) e a Fase Presidencialista (de janeiro de 1963 ao Golpe em 1964).

Plebiscito – O parlamentarismo foi derrubado em janeiro de 1963: em plebiscito nacional, 80% dos eleitores optaram pela restauração do presidencialismo. Enquanto durou, o parlamentarismo teve três primeiros-ministros, entre eles, Tancredo Neves, que renunciou para candidatar-se ao governo de Minas Gerais.

Conquistas Trabalhista – Em 1961 a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria e o Pacto de Unidade e Ação, de caráter intersindical, convocaram uma greve reivindicando melhoria das condições de trabalho e a formação de um ministério nacionalista e democrático. Foi esse movimento que conquistou o 13º salário para os trabalhadores urbanos. Os trabalhadores rurais realizaram, no mesmo ano, o 1º Congresso Nacional de Lavradores e Trabalhadores Agrícolas, em Belo Horizonte, Minas Gerais. O Congresso exigiu reforma agrária e CLT (Consolidação das Leis de Trabalho) para os trabalhadores rurais. Em 62, com a aprovação do Estatuto do Trabalhador Rural, muitas ligas camponesas se transformaram em sindicatos rurais.

Plano Trienal – João Goulart realizou um governo contraditório. Procurou estreitar as alianças com o movimento sindical e setores nacional-reformistas, mas paralelamente tentou implementar uma política de estabilização baseada na contenção salarial. Seu Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico e Social, elaborado pelo ministro do Planejamento Celso Furtado, tinha por objetivo manter as taxas de crescimento da economia e reduzir a inflação. Essas condições, exigidas pelo FMI, seriam indispensáveis para a obtenção de novos empréstimos, para a renegociação da dívida externa e para a elevação do nível de investimento.

Reformas de Base – O Plano Trienal também determinou a realização das chamadas reformas de base: reforma agrária, fiscal, educacional, bancária e eleitoral. Para o governo, elas eram necessárias ao desenvolvimento de um “capitalismo nacional” e “progressista”.

O anúncio dessas reformas aumentou a oposição ao governo e acentuou a polarização da sociedade brasileira. Jango perdeu rapidamente suas bases na burguesia. Para evitar o isolamento, reforçou as alianças com as correntes reformistas: aproximou-se de Leonel Brizola, então deputado federal pela Guanabara, de Miguel Arraes, governador de Pernambuco, da UNE (União Nacional dos Estudantes) e do Partido Comunista, que, embora na ilegalidade, mantinha forte atuação nos movimentos popular e sindical. O Plano Trienal foi abandonado em meados de 1963, mas o Presidente continuou a implementar medidas de caráter nacionalista: limitou a remessa de capital para o exterior, nacionalizou empresas de comunicação e decidiu rever as concessões para exploração de minérios. As retaliações estrangeiras foram rápidas: governo e empresas privadas norte-americanas cortaram o crédito para o Brasil e interromperam a negociação da dívida externa.

Agitação no Congresso – No Congresso se formaram a Frente Parlamentar Nacionalista, em apoio a Jango, e a Ação Democrática Parlamentar, que recebia ajuda financeira do Instituto Brasileiro de Ação Democrática (I.B.A.D.), instituição mantida pela Embaixada dos Estados Unidos. Crescia a agitação política. A polarização entre esquerda e direita foi-se rescrudescendo. Na “esquerda”, junto a Jango, estavam organizações como a UNE, a CGT e as Ligas Camponesas; no campo oposto, na “direita”, encontravam-se o IPES, o IBAD e a TFP (Tradição, Família e Propriedade).

A crise se precipitou no dia 13 de março, em razão da realização de um grande comício em frente à Estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Perante 300 mil pessoas Jango decretou a nacionalização das refinarias privadas de petróleo e desapropriou, para a reforma agrária, propriedades às margens de ferrovias, rodovias e zonas de irrigação de açudes públicos. Paralelamente a tudo isso, cumpre assinalar que a economia encontrava-se extremamente desordenada.

Apoio ao Golpe – Em 19 de março foi realizada, em São Paulo, a maior mobilização contra o governo: a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, organizada por grupos da direita, com influência dos setores conservadores da Igreja Católica. A manifestação, que reuniu cerca de 400 mil pessoas, forneceu o apoio político para derrubar o Presidente. No dia 31 de março, iniciou-se o verdadeiro movimento para o golpe. No mesmo dia, tropas mineiras sob o comando do general Mourão Filho marcharam em direção ao Rio de Janeiro e a Brasília. Depois de muita expectativa, os golpistas conseguiram a adesão do comandante do 2º Exército, General Amaury Kruel. Jango estava no Rio quando recebeu o manifesto do General Mourão Filho exigindo sua renúncia. No dia 1º de abril pela manhã, parte para Brasília na tentativa de controlar a situação. Ao perceber que não conta com nenhum dispositivo militar e nem com o apoio armado dos grupos que o sustentavam, abandona a capital e segue para Porto Alegre.

Nesse mesmo dia, ainda com Jango no país, o Presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, declarou vaga a Presidência da República. Ranieri Mazzilli, Presidente da Câmara dos Deputados ocupou o cargo interinamente. Exilado no Uruguai, Jango participou da articulação da Frente Ampla, um movimento da Redemocratização do país, junto a Juscelino e a seu ex-inimigo político, Carlos Lacerda. Mas a Frente não logrou êxito. João Goulart morreu na Argentina em 1976.

NENA INOUE convida para PROJETO 70

Mostra70+2

Meus Caros Amigos…

Nesta quarta e quinta-feira  faremos a 1.a Mostra do Projeto  70,  que trata sobre o período da Ditadura no Brasil.

Na programação, um texto do Boal, um encontro com Gloria Ferreira e ainda uns vídeos depoimentos de pessoas que entrevistamos em ruas, feiras, bares e casas de Curitiba  sobre a memória dos fatos/pessoas dos anos de chumbo no Brasil.

A entrada é franca e sua presença será muito bem vinda.

E pra aquecer ainda mais e arrecadar fundos, caldinho de feijão, caldinho de peixe, vinho e cachaça mineira.

Apareçam… será um prazer.

Gracias,

Nena Inoue

SERVIÇO: PROJETO 70/ MOSTRA DE PROCESSO

Dias 15 e 16 de Julho. 20h.

PROGRAMAÇÃO: Dia 15: Leitura do texto Murro em Ponta de Faca, de Augusto Boal. Com André Coelho, Moa Leal, Nena Inoue, Patricia Ramos, Raquel Rizzo e Rodrigo Ferrarini.

Dia 16: A Arte dos Anos 70 e a Vivência no Exilio. Bate papo com  Gloria Ferreira (RJ)

Local: ACT – Ateliê de Criação Teatral. Rua Paulo Graeser Sobrinho, 305. CURITIBA.

Informações: 3338 0450

ENTRADA FRANCA!!

GRUPO TORTURA NUNCA MAIS realizou encontro para lançar o MEMORIAL DA LIBERDADE

 

O GRUPO TORTURA NUNCA MAIS DO PARANÁ  promoveu no dia 22 de abril as 19 horas  no auditório da Rua da Matriz, em Curitiba, o evento cívico-artístico MEMORIAL DA LIBERDADE.
Nesse dia aconteceram varias apresentações culturais, exposições, lançamentos de livros, declamações de poesias, depoimentos, contando um pouco da história acontecida em Curitiba, durante os anos de ditadura militar.memorial-da-liberdade-plateia-2009-261

 O projeto pretende lançar o movimento PRÓ- MEMORIAL e demonstrar que este espaço tem grande importância para a história de nossa cidade e de todo o país. Durante as décadas de 60 e 70, neste local existiu o QUARTEL DA POLÍCIA DO EXÉRCITO, onde todos os prisioneiros políticos, muitos menores, foram cruelmente torturados.

Também, neste mesmo local, estava a AUDITORIA MILITAR, onde aconteceram os “julgamentos” de grande parte dos presos políticos do Estado do Paraná e Santa Catarina.
Por todos esses motivos estamos apresentando este evento,mas, principalmente, para que essa história não fique esquecida e possa servir para educar as novas gerações.

HISTÓRIA

Na década de 1970, as famílias de mortos e desaparecidos durante o regime militar iniciaram a busca, difícil e dolorosa, de informações sobre as circunstâncias dos crimes. A missão era não somente esclarecer os acontecimentos, localizar restos mortais e identificar os responsáveis, mas principalmente preservar a memória do que ocorreu e, assim, contribuir para a difusão de uma cultura de defesa dos direitos humanos. 

“Dossiê Ditadura: mortos e desaparecidos políticos no Brasil (1964-1985)” é resultado desse trabalho incansável e sofrido, empreendido por uma comissão de familiares, muitos deles também vítimas da violência. Trata-se de um levantamento exaustivo e abrangente, cuja segunda edição, com incontáveis acréscimos, foi lançada pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos e IEVE (Instituto de Estudos sobre a Violência do Estado) no dia 25 de abril, no Memorial da Resistência, Estação Pinacoteca (Largo General Osório, 66, 5º andar, Luz). Houve debate com o jurista Fabio Konder Comparato, o professor Marcio Seligman Silva e a historiadora Janaina de Almeida Teles.

A primeira edição, após quase duas décadas de buscas por informação e algumas versões preliminares, foi publicada em 1995. A luta por esclarecimentos, porém, nunca cessou. Esta nova edição, revista e ampliada, reúne histórias ilustradas de 436 mortos e desaparecidos durante o regime militar. No Brasil, são 396, sendo 237 mortos e 159 desaparecidos políticos –desde a última edição, novas investigações acrescentaram as histórias de 69 pessoas, além de terem ajudado a corrigir várias das versões anteriores. 

No exterior, há 30 casos, incluindo mortos em decorrência de seqüelas de tortura ou de acidente no exílio. Há, ainda, 10 pessoas que morreram antes do golpe.

“Algumas pessoas que pensávamos terem sido mortas na rua em tiroteios foram na verdade presas, torturadas e executadas. Lembro que foram 132 casos em que provamos serem mentirosas as versões da ditadura de suicídios, atropelamentos e tiroteios”, afirma uma das quatro responsáveis pela redação final do livro, Suzana Lisboa, ex-guerrilheira cujo marido foi a primeira vítima a ser reconhecida oficialmente, em 1979. 

Este número de vítimas ainda não é definitivo. Não foram esgotadas as possibilidades de pesquisa e investigação, como as realizadas nos arquivos do antigo SNI, por exemplo. Nem foi possível, também, o acesso aos arquivos militares. É o que diz Criméia de Almeida, outra das responsáveis pela redação final do livro. Sobrevivente da guerrilha do Araguaia, ela perdeu o marido e o sogro: “Os arquivos nos são sistematicamente negados sob a alegação de que não existem, até mesmo quando ganhamos na justiça esse direito como é o caso do Araguaia, em out ubro de 2003. Até hoje a sentença não foi executada”. 

Grande parte das informações, segundo ela, foi obtida, direta ou indiretamente, com ajuda dos familiares. “Nossa meta futura é fazer com que os arquivos sejam realmente abertos e o país tenha uma Comissão de Verdade e Justiça que esclareça as circunstâncias em que se deram as mortes e desaparecimentos e puna os responsáveis por tais crimes”.

Ao comparar os dois momentos, o da primeira edição do “Dossiê Ditadura” e o atual, Criméia de Almeida diz que houve avanço, mas “num ritmo muito aquém do que seria necessário ou desejável numa democracia”. Para Suzana Lisboa, o Brasil está muito atrás dos países da América Latina. Desde a última edição, as denúncias aumentaram, vale destacar, porque outros países têm pedido a prisão de agentes do estado brasileiro. 

No livro, organizado cronologicamente, cada vítima tem sua história de vida e luta contada. Estão lá membros de partidos, militantes de grupos de esquerda e de movimentos sociais, além de outros que, sem qualquer atividade política, foram mortos “por acaso”, por terem sido confundidos. Existem casos famosos, como o do Capitão Lamarca e Iara Iavelberg, mortos na Bahia no começo dos anos 70, os dos participantes da guerrilha do Araguaia, que resistiram até 1974, e o do jornalista Vladimir Herzog, morto em 1975. O livro inclui também boxes temáticos que ajudam a contextualizar os crimes e a luta dos familiares, tais como aqueles que tratam do AI-5, do Congresso da UNE em Ibiúna, da Campanha pela Anistia, da Crise dos Desaparecidos de 1975 e das tentativas de criar a CPI da Tortura.

No prefácio à nova edição, o jurista Fábio Konder Comparato lembra que, ao ler qualquer das páginas, é praticamente impossível evitar as lágrimas. Porém, acrescenta ele, a consciência ética deve nos levar além de reações emocionais. Afinal, há várias perg untas que permanecem: “Por que razão tudo isso aconteceu entre nós durante anos, sob o olhar indiferente da maioria esmagadora da população? É decente virar as costas para essa fase ignominiosa da história brasileira, sem se importar com a identificação e a punição dos mandantes, financiadores e executantes de todos os crimes aqui descritos?”, diz.

Dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo –e, assim como Konder Comparato, uma das vozes mais ativas na luta pelos direitos humanos–, ressaltava já no prefácio à primeira edição que este livro, “de dor e melancolias”, surgia para “fazer pensar e fazer mudar o que deve ser mudado em favor da vida e da verdade”.

Por meio do site http://www.desaparecidospoliticos.org.br, mantido pelos familiares, tem sido possível receber informações. Se a redação final contou com quatro pessoas, o levantamento teve -e continua a ter — a contribuição de incontáveis participantes.

GRUPO TORTURA NUNCA MAIS CONVIDA:

 

                                                           MEMORIAL DA LIBERDADE
                                                      
22 de abril é dia de descobrir o Brasil
                                     na Rua da Matriz – Pça. Rui Barbosa – Curitiba -19 horas

 
O GRUPO TORTURA NUNCA MAIS DO PARANÁ estará promovendo, no dia 22 de abril, às 19 horas, no auditório da Rua da Matriz, o evento cívico-artístico MEMORIAL DA LIBERDADE.
Nesse dia acontecerão várias apresentações culturais, exposições, lançamentos de livros, declamações de poesias, depoimentos, contando um pouco da história acontecida em Curitiba, durante os anos de ditadura militar.
O projeto pretende lançar o movimento PRÓ- MEMORIAL e demonstrar que este espaço tem grande importância para a história de nossa cidade e de todo o país. Durante as décadas de 60 e 70, neste local existiu o QUARTEL DA POLÍCIA DO EXÉRCITO, onde todos os prisioneiros políticos, muitos menores, foram cruelmente torturados.
Também, neste mesmo local, estava a AUDITORIA MILITAR, onde aconteceram os “julgamentos” de grande parte dos presos políticos do Estado do Paraná e Santa Catarina.
Por todos esses motivos estamos apresentando este evento,mas, principalmente, para que essa história não fique esquecida e possa servir para educar as novas gerações.