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Rumorejando (Com a preocupação de que com a nossa seleção estaremos penando). – por juca (josé zokner) / curitiba

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I (De diálogos reciprocamente inverossímeis).

Disse um velhinho pro outro:

“Você já viu as imagens eróticas que têm na Internet ?”

“Não. E nem quero ver. Como é que você ficou sabendo de tudo isso ? Você já viu ?”

“Ainda não. Me contaram”…

“E como é que faz pra ver ?”

“Não sei. E nem quero saber”.

Constatação II

A corrupção e os altos salários dos políticos são concentradores de renda, consequentemente do aumento filhadapu…mente da pobreza.

Constatação III (De diálogos anti-desperdícios).

-“É da casa do Fulano ?”

-“É”.

-“É o senhor que ia ter uma consulta hoje às 16 horas com o Dr. Beltrano ?”

-“É”.

-“O Dr. pede mil desculpas, mas teve um chamado urgente em outra cidade e não sabe se conseguirá voltar em tempo para lhe atender. Ele pediu para marcar uma nova consulta para amanhã, no mesmo horário. De acordo ?

-“É. Tá bem. O que é que a gente vai fazer ? Pena que eu já tomei banho”…

Constatação IV

Tá certo que no par de meias estava escrito que ele continha 94% de algodão e os restantes 6% de fibra sintética. Mas, os 6% de fibra sintética provocaram uma alergia tal que ficou a dúvida crucial se não haviam trocado os percentuais…

Constatação V (Lamentavelmente).

A persistente agressão

Na camada de ozônio

Sem cessar

Fará uma transformação,

Um pandemônio,

Na água, na terra e no ar.

Constatação VI (Ah, esse nosso vernáculo).

Deixou curtindo o mate chimarrão para melhor curti-lo.

Constatação VII

E como dizia aquele extenuado marido para a sua obcecada e insaciável esposa: “Assim como existe, em alguns lugares, o cartaz: “Por favor, respeite o meu direito de não fumar”, eu te peço: “Por favor, respeite o meu direito de não me esfalfar”.

Constatação VIII (Via pseudo-haicai).

A petulância

É irmã gêmea

Da arrogância.

Constatação IX

Disse um velhinho, nada a ver com um dos velhinhos da Constatação I: “Viagra é um santo remédio”. Disse outro velhinho, nada a ver com nenhum dos velhinhos da Constatação já mencionada: “Viagra é um remédio santo”. Disse um terceiro velhinho, etc., etc.,: “Viagra é um santo remédio santo”. Mentiu um quarto velhinho, metendo panca: “Coitados de todos esses velhinhos”.

Constatação X

Bertold Brecht é o autor da frase: “Do rio que tudo arrasta se diz que é violento, mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem”. “Parodiando” o grande teatrólogo, depois das chuvas em Curitiba e adjacências: A enxurrada que tudo destrói se diz que é malsã, mas o lixo na calçada se acumula desde a manhã…

Constatação XI (De diálogos esclarecedores).

-“Ele reprovou nos exames”.

-“Por falta de estudo ?”

-“Não. Por excesso de coceira”…

Constatação XII (Ah, esse nosso vernáculo).

Ela foi provar

O chá do samovar

E se queimou.

E se queimou

Porque ninguém avisou.

Constatação XIII

Ela teve um sonho

Que tava declamando

Muralha, o Sidônio

E a turma, só vaiando.

Constatação XIV

Não parece normal

Que, em casa, eu não apite.

Mas, não faz mal

Ando mesmo sem palpite…

Constatação XV

Disse o crupiê

Pra mulher,

Com dureza,

Sentada no bidê

Como quem nada quer:

“Cartas na mesa”!

Constatação XVI

A guisa

De informação:

Certo tipo de aposentado,

Fizeram dele

Um palhaço

Nessa anômala contribuição,

Pois, foi ele,

De novo, tungado.

E o seu quinhão

Que já era escasso

Passou a ser uma brisa…

Constatação XVII

As desavenças entre um casal também se verificam quando ambos, já com uma certa idade, a provecta, ou  “a terceira idade”, ou “a idade de ouro” retornam a fase do “não”. E o “não” deles não são para as mesmas coisas, são “nãos” totalmente díspares.

Constatação XVIII (De conselhos úteis).

E nunca esqueça, prezado leitor, que você, para subir na vida, não precisa pisar nos outros. É bem mais fácil você pisar em degraus… Inclusive, você se equilibra bem melhor e não corre o risco de um escorregão. De nada !

Constatação XIX

Não se deve confundir Extremadura, que é o nome de um time de futebol da Espanha, com ferradura, muito embora, a semelhança de tantos atletas que atuam por outros times, há muito jogador do Extremadura que deveria jogar com ferradura

Constatação XX

Em certos países, devendo ou não, o camarada paga “para não se incomodar”. E viva “nóis” !

Constatação XXI

Quisera

Eu

Que

Aquela

Doce

Sensação

Que

Ela

Prometeu

Não

Fosse

Quimera…

Constatação XXII

A fofoca provem principalmente da falta de assunto.

Constatação XXIII

Dentre os livros mais vendidos nas livrarias na área de “Não ficção”: 203 maneiras de enlouquecer um homem na cama, de Olivia St. Claire; 177 maneiras de enlouquecer uma mulher na cama, de Margot Saint Loup. Para quem se interessa em estatística, isso tudo dá um total, entre “segredos” e “maneiras”, de 380. É só conferir. Me refiro a estatística. Quem quiser, pode, também, ler esses dois livros. É decisão pessoal da necessidade de cada um…

Constatação XXIV

Quando o ambientalista leu o cartaz da loja “Estamos liquidando o verão” pensou imediatamente: “Também o inverno, a primavera, o outono…”

Constatação XXV

O jiu-jitsu está entrando na moda. Com toda a certeza, o caratê vai entrar também. Provavelmente, seguir-se-ão (perdão, leitores, saiu assim. Não tem nada a ver com o “fi-lo porque qui-lo”) outros esportes assemelhados. Em certos países, andar armado faz horas que entrou na moda e até hoje não saiu…

Constatação XXVI (De conselhos úteis. De nada!).

Vê se manera

Na tua despesa.

Seja austera.

Nessa vertente

De mulher burra

Dificilmente,

Você chegará,

Você se tornará

Uma formosura,

Uma globeleza.

Constatação XXVII

Tem gente que te visita para fazer terapia, despejando em cima de você todas as suas desditas e saindo, em seguida, leve como sombra de asa de libélula. Depois disso, é você que tem que fazer terapia. Aí, com um especialista, pagando uma baita consulta.

Constatação XXVIII

Quando a vizinha e amiga falou: “Eu vou convidar vocês para aparecerem lá em casa para ver o filme da nossa viagem com as crianças para a Disneylandia”, a amiga e vizinha pensou: Puxa! Eu nunca fiz nada de mal pra essa gente. Ao contrário, sempre os tratei bem. Só fiz gentilezas nesses quinze anos que vizinhamos”…

Constatação XXIX (De temas de transcendental importância).

Quando a gente era mais novo – e por mais incrível que isso possa parecer, a gente já foi mais novo –, quando criança, a gente costumava dizer, caso chovesse e saísse sol simultaneamente: “Chuva e sol, casamento de espanhol”, ou “sol e chuva, casamento de viúva”. Hoje em dia, em Curitiba, não daria mais, não só pelas condições climáticas, já que só chove e o sol não é visto, mas porque o casamento está, gradativamente, sendo abolido… Agora, nos poucos casos que eles ocorrem, os noivos costumam se despedir na igreja, não oferecendo um almoço, um jantar ou, sequer, um simples coquetel, o que, convenhamos, parece meio usurário, meio sovina. Para esses casos esdrúxulos sugerimos que, em Curitiba, as crianças, digam: Chuva e chuva, queremos a manjuva*. Fica consignada a imprescindível sugestão.

*Manjuva = comida, refeição.

Constatação XXX (Ah, esse nosso vernáculo).

O Cunha, contou uma história, sem cunho histórico, sobre o seu cunhado que fez uma cunha toda torta por haver tomado uma “caña” paraguaia.

DÚVIDAS CRUCIAIS

Dúvida I

Se o Presidente Dutra, que governou o Brasil em 1946, depois da ditadura de Getúlio Vargas, também tivesse sido ditador, teríamos tido uma ditadutra ? (Perdão, leitores).

Dúvida II

E já que falamos no assunto, quem poderia supor, pela cabeça de quem iria passar que, um dia, o mundo ficaria mais pequeno para os “grandes”  ditadores, como por exemplo o falecido Pinochet ?

Dúvida III

Progenitura,

Atualmente,

Somente

Quem

Não

Tem

Fartura ?

Perdão,

Sinecura ?

Dúvida IV

Você também é daqueles que fica pê da vida, possesso, fulo de raiva quando a caneta esferográfica, recém adquirida, não solta tinta ou solta em demasia ? Ou você acha que apenas levou azar na compra ?

Dúvida V

Dependendo da resposta para a Dúvida IV, você acha que irá para o céu ou para o inferno, eventualmente, com baldeação, ou conexão, no purgatório ? (Baldeação, nos casos de utilizar trem: conexão, avião).

Dúvida VI

O seu bocejar

Incessante,

A sua sonolência

Irritante

Começou a estragar

Sua boa aparência ?

Dúvida VII

O flerte

De sua filha

Tão solerte ?

Dúvida VIII

O namoro

Do seu filho

Só decoro ?

Dúvida IX

A cartomância,

Como ciência,

É ignorância,

Ou sapiência ?

Dúvida X

Quando o vendedor, ao te apresentar um orçamento, diz: “Dependendo da oferta do concorrente, ainda dá para negociar o meu preço”, ele está te dando um diploma de burro, já que estará pensando: “se meu preço passar, passou”; ou ele está se dando um diploma de burro, pois você sempre poderá dizer que o preço do seu concorrente é menor, ou, ainda, ambas as coisas ? (Comentários no blog. Obrigado).

Dúvida XI (Via pseudo-haicai).

Sem parcimônia

Ele mandou a sogra

Tocar zampônia* ?

*Zampônia = Instrumento de sopro muito utilizado no Peru e Bolivia.

Dúvida XII (De alguns países africanos).

Dolarizar ou não dolarizar, esta é a questão, digo, that is the question ?

Dúvida XIII

Potência estrangeira

Só quer nossa infelicidade!

Tudo isso não é besteira

Ou, da oposição, maldade ?

Dúvida XI

A novela

Foi a responsável

Pela queima da panela ?

Dúvida XII

Ora veja,

Naquele momento,

Tão solene,

O falatório

Da proclama

De casamento

Da Irene:

“Foi no cartório,

Na igreja

Ou na cama ?”

Dúvida XIII

Foi o xexelento*

Que propôs à ricaça beldade

Casamento?

*Xexelento = “Regionalismo: Brasil. Uso: informal.

1. desprovido de qualidade; de pouco valor

2. de aparência desagradável; falto de beleza

3. usualmente desejoso de amolar, incomodar; implicante” (Houaiss).

Dúvida XIV

A mulher que se permite ser objeto de um homem é uma mulher abjeta?

RUMOREJANDO ditados juquianos – por juca (josé zokner) / curitiba

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I (De ditados juquianos).

A matemática,

Desenvolve

O raciocínio;

A prática,

Desenvolve

O tirocínio.

(E a globalização

Desenvolve

O morticínio…)

Constatação II

E como dizia aquela mãe extremosa, se referindo ao seu filhinho do coração de 35 anos que vivia dando golpes na praça: “Ele é um pobre de um incompreendido”.

Constatação III (Passível de mal entendido).

Ela colocou os ovos dele na geladeira.

Constatação IV

Sem dúvida, era um mau genro. Quando a sogra entrou numa escola de pára-quedismo, se pôs a distribuir, a torto e a direito, sementes e mudas de roseiras, abacaxi e daquele gênero de cacto bem espinhento…

Constatação V (Interlocutor chato).

A conversa

Converge,

Tergiversa,

Submerge…

Constatação VI

Rico aborda educadamente; pobre, baixa intempestivamente.

Constatação VII

Não se deve confundir despontar com desapontar, até porque, ao despontar a sogra no portão da sua casa você não deixa de sedesapontar.

Constatação VIII

Não se deve confundir preterido com preferido, muito embora, às vezes, o preferido é preterido como naquela história, que vocês tão bem conhecem – embora, ainda, não tenha passado na televisão –, do filho pródigo que volta à casa paterna e o pai manda servi-lo do bom e do melhor, coisa que para o preferido nunca havia sido feito.

Constatação IX

Rico negaceia; pobre, tira o corpo fora.

Constatação X

Impretérito perfeito não tem nada a ver com pretérito imperfeito, até porque impréterito não existe.

Constatação XI

Quebrou a munheca*.

Quando, pelos amigos largado,

Em casa entrou,

Todo cambaleante, torto,

Menos vivo que morto,

Que meleca !

De susto, quase expirou:

A mulher, no começo tão amada,

Tinha se mandado.

Não mais agüentou

O que se tornou

Uma empreitada…

Coitada!

Coitado!

*Quebrar a munheca = Embriagar-se.

Constatação XII

Pobre vende a alma; rico, faz concessões.

Constatação XIII

O rei estava nu. Claro, ele estava se preparando para entrar no banho.

Constatação XIV

Deu na mídia: “A Confederação Nacional da Indústria – CNI, em documento entregue aos presidenciáveis, citou que o país pode ter renda per capita de ricos até 2040”. Vai-se a esperança deste assim chamado escriba de fazer parte dos ricos, tendo em vista a sua – minha – provecta idade. E já que falamos sobre o assunto, a CNI nada falou quanto à distribuição de renda que em nosso país sempre foi a pior do mundo.

Constatação XV (Teoria da Relatividade para principiantes).

É muito melhor que baixem as ações na Bolsa de Valores do que a tua frágil libido. No entanto, dependendo do número de ações que você tenha, baixando estas, o fato poderá ocasionar a baixa daquelas…

Constatação XVI

Do meu Amigo o psicanalista Davy Bogomoletz: “Minha aplicação da Lei de Newton ao problema econômico: O dinheiro atrai o dinheiro na razão direta das quantias e na razão inversa do quadrado da necessidade!”

Constatação XVII

O  técnico da Argentina fez a seguinte afirmação: ‘Se  a Argentina ganhar a Copa do Mundo, eu fico nu no Obelisco em Buenos Aires’. Data vênia, como diriam os nossos juristas e provavelmente os juristas dos  nossos hermanos, mas Rumorejando acha que  tal visão viria a empanar a alegria dos argentinos e, principalmente, das  argentinas. Pra quem não se interessa por futebol, somente pela referida soturna visão de Maradona pelado.

DÚVIDAS CRUCIAIS.

Dúvida I

E quem diria que a palavra fomentar, que quer dizer “promover o desenvolvimento, o progresso de”, também quer dizer “lixar-se; danar-se” ? (Houaiss)

Dúvida II

Foi o cético que passou a não acreditar até nas suas próprias palavras ?

Dúvida III (Via pseudo-haicai).

No bate, rebate

Até o gandula

Entrou no embate ?

Dúvida IV

Intercâmbio é quando os gaúchos trocam de time, passando do Grêmio para o Internacional ?

Dúvida V (Via pseudo-haicai).

Só naquele instante,

O ancião achou viagra

Interessante ?

Dúvida VI

Fugiram da casamata,

Do xilindró,

Usando só

Um abridor de lata ?

Dúvida VII

A expressão “cunhada” foi cunhada pela sua cunhada ou pela cunhada da sua cunhada ?

Dúvida VIII

Será que sem embreagem

E com o freio de mão puxado

Aumenta o teor de frenagem

Do perdulário

Das finanças, o secretário

Do vosso estado ?

Dúvida IX

O prezado leitor está em dúvida em quem votar ou em quem não votar nestas próximas eleições?

Dúvida X

E o prezado leitor também está apavorado com a seleção do Dunga?

FÁBULA CONFABULADA (INDIGNA DO MILLÔR).

Numa província chinesa, daquelas que muitos chamariam “bem no interiorzão”, vivia uma população pacata e ordeira como corresponde a quem vive nesses lugares. Trabalhavam a terra para de ela tirar o seu sustento, que no Ocidente se chama de cultura de subsistência, naturalmente estando expostos às condições climáticas para obter uma melhor ou pior safra, já que irrigação que é bom, nem pensar. Evidentemente havia também artesãos, pequenos comerciantes, um ou outro profissional liberal, mas efetivamente, a maioria se ocupava da terra.

O fim de semana, limitado apenas ao Domingo, era dedicado ao futebol, esporte que estava começando a se tornar muito popular, a exemplo de tantos outros países, principalmente do Ocidente. À medida que o esporte se difundia no país, também na província ganhava, cada vez mais, status. A evolução foi tamanha que se formou o time do lugar que disputava partidas amistosas com as províncias vizinhas, quando então se verificava que não eram tão amistosas assim, já que, muitas vezes, acabava em pancadaria, com envolvimento de jogadores, torcedores e outros “ores”, como, vejam só, quem diria, doutores. Sem deixar, é claro, de sobrar para o juiz, como é muito comum nesses casos suceder também no Ocidente. Mas, tudo isso, já é outra história.

A coisa começou a se tornar tão apaixonante, como soe acontecer com este esporte, que resolveram importar um técnico para treinar a equipe, procurando trazer de um país, chamado Brasil, que ficava do outro lado do mundo e que era considerado pela sua própria população, como “o melhor do mundo”, muito embora não tivesse sido campeão numa certa copa, perdendo de goleada de um país que, até então, sempre havia se destacado pelos seus vinhos e queijos e que tinha a fama de viver para comer ao invés de comer para viver, conforme, quem possui o dom da observação, depara algo similar em todo o reino animal. Bem, naturalmente, tudo isso de “gourmet” ou “gourmant”, não deve ser confundido, pois se trata de outra história que, pelo menos por ora, não vem absolutamente ao caso.

Mas, voltemos ao assunto, procurando se dispersar o menos possível: O primeiro técnico cogitado, que ao longo de toda sua carreira havia se mostrado supersticioso, invocando sempre o número 13, foi descartado pelo fato de haverem chegado a conclusão de que, se mandinga desse resultado, os campeonatos lá no Brasil terminariam com todos os times juntos em primeiro lugar. Ou em último, dependendo da pessoa, que estivesse analisando a colocação dos times, fosse otimista ou pessimista; o segundo técnico lembrado, também foi descartado por haver feito referência ao seu próprio bumbum, alegando ser feio e, com isso, não se propondo a posar nu para revistas especializadas. Julgaram que era uma espécie de marketing ao revés, pois achavam que o retro estava, ao não enaltecer essa sua parte pudenda, exatamente querendo chamar atenção sobre ela, o que não lhes parecia muito ético.

No fim, acabaram optando pela prata da casa, escolhendo o melhor jogador do time para ser o técnico. Aí, como não poderia deixar de ser, verificou-se a famosa Lei de Peter que diz que todo sujeito ascende numa escala hierárquica até atingir o seu nível de incompetência.

De cara, Rah Teh Ven, esse era o seu nome, começou a sugerir que o time jogasse sem se prender a esquemas rígidos. Até aqui, tudo bem. O time, assim, perdia e ganhava ou ganhava e perdia, dependendo se seja otimista ou pessimista. Mais tarde, Rah Teh Ven começou a fazer experiências, baseado em fórmulas de retrancas, copiadas de alguns técnicos brasileiros, que segundo os entendidos, são os mais entendidos no intrincado assunto: volantes atrasados, volantes adiantados, meio de campo com quatro apoiadores, três, sem nenhum, zagueiros líberos, zagueiros híbridos, zagueiros promovidos a beques, beques promovidos a zagueiros, uma barafunda total. O time, como diriam os entendidos, não os acima mencionados, mas os comentaristas esportivos, que parecem, por seus comentários, ser mais entendidos do que os outros entendidos, os técnicos, nunca mais fez as pazes com a vitória. Era derrota em cima de derrota. Rah Teh Ven, de ídolo como jogador, teve, como técnico, até de se mudar para outra província. Lá, constitui família e aos filhos proibiu, patriarcalmente, que se falasse em futebol para todo o sempre. O que, é claro, provocou muitos ressentimentos na família. O que, convenhamos, comumente acontece na maioria delas. Principalmente quando o assunto é herança. Mas, isso, já vem a se constituir numa outra história.

MORAL: Não se mexe em time que está ganhando e perdendo.

RUMOREJANDO – por juca (josé zokner) / curitiba

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I

Quem estuda cálculo infinitesimal e integral se depara com o capítulo “função de função” que é expresso da seguinte maneira: y = f(x) que se lê como y é função de x e, por sua vez, x = f(z) que é lido como x é função de z. Logo, y = f [f (z)], ou seja, y é função de função de z. Bem, quando da época da ditadura militar no Brasil, numa certa fase, o país estava sendo presidido pelo general Costa e Silva. Seu vice-presidente era o civil Pedro Aleixo. Eis que um enfarte mata ogeneral Costa e Silva. O vice Pedro Aleixo se veste com um terno de corte impecável para ocasiões muito especiais e sai de casa, lépido e, digamos, gracioso, para assumir a presidência, no que é impedido pelos três ministros militares que assumem o comando do país. O que, sem dúvida, se constituiu num golpe função de outro golpe. Em suma, numa função de função. O que se infere, de imediato, que é elementar, minha gente, o que é função de função. Mais elementar, ainda, era dar golpes em certos países, continentes, e outros assemelhados… Em alguns, ainda é…

Constatação II (De conselhos úteis).

Tomar um chimarrão, dentre outros e/ou outras, ouvindo uma música clássica de Mozart, Bach, Vivaldi e autores outros da preferência do cidadão ou cidadã é uma excelente terapia para esses tempos tempestuosos do país com um altíssimo grau de violência e outros também assemelhados imperando. Naturalmente desde que seja uma erva não muito forte para não deixar o pobre do mortal muito mais elétrico do que o coitado já anda. De nada.

Constatação III (Via pseudo-haicai).

Um resquício

Na conta corrente.

Que suplício!

Constatação IV

Pai! Não os perdoai, porque eles continuam não sabendo o que fazem…

Constatação V

Rico emagrece no spa; pobre, não precisa tomar quaisquer providências.

Constatação VI

Não se deve confundir enjoado com enojado, muito embora existam atitudes que nos deixam nas duas condições simultânea e indistintamente.

Constatação VII

“Tá escrito aqui que o euro voltou a cair e tem o menor valor em quatro anos”, disse a mulher que estava lendo o jornal de domingo. “E ele se machucou?” perguntou o marido que não tirava os olhos da televisão que tava transmitindo o desfile das misses em maiô para a rainha de qualquer coisa (Não foi possível apurar exatamente para quê. Perdão, leitores por essa nossa omissão).

Constatação VIII

Declaração recente e oficial da Unesco, Organismo das Nações Unidas: “O tango é Patrimônio Cultural da Humanidade. Este assim chamado escriba, que tem paixão pelo tango, acha “merecedíssima” a outorga da Unesco. Vale lembrar que o argentino R. Ostuni no seu Trinta versos para sentir o tango incluiu que “O tango é tão antigo como o homem, nasceu com a primeira dor da alma”. Provavelmente também com dor de cotovelo que o nosso Lupicinio Rodrigues foi um digno representante. Rumorejando, sem qualquer inveja dos hermanos, cuja diferença se resume apenas – e não mais que apenas – ao futebol – acha – data vênia, é claro – que o nosso samba também mereceria ser Patrimônio Cultural da Humanidade. Ao contrário do tango, pela sua alegria da alma. Tenho sem patriotada dito!

Constatação IX (De uma senhora em dúvida meio crucial).

“Foi a horrível

Da petulante

Que, por incrível

Que pareça,

Me disse algo interessante:

“Não esmoreça

Na crise atual,

Nem pereça

Com a situação.

Mude o visual,

Fazendo unha e cabelo,

Com muito desvelo.

Apareça

Lá no meu salão.

Preço de ocasião!”

-“Sei, não…”

Constatação X (Grande Monteiro Lobato).

Mostrou pertinácia

Ao dizer que no Brasil

Havia petróleo,

“Basta que se sonde”,

O criador de Tia Anastácia

No livro infantil

O poço do visconde.

Constatação XI

Resvalo,

Sem querer

Na gatona.

Que dona!

Não precisava

Nem eu esperava

Ela me dizer:

“Cavalo!”

Constatação XII

Rico especula preço, terras, prédios, casas e dólar; pobre, não tem porque, em que, com que e para que especular.

Constatação XIII

Quando o goleiro começou, no final da partida, justificar como deixou passar aquele chute despretensioso do meio do campo, permitindo que a partida que parecia ganha e que terminou empatada, Rumorejando ficou com uma dúvida crucial: Se ele quis dizer que o jogo só termina quando acaba ou se o jogo acaba quando termina. Quem escutou a entrevista e puder esclarecer, por favor, comentários no blog indicado a seguir: http://rimasprimas.blogspot.com

Penhoradamente nossos efusivos e respeitosos agradecimentos.

Constatação XIV (De uma dúvida, não necessariamente crucial, de quem não sofre de complexo de perseguição e julga que tem “desconfiômetro” que funciona às mil maravilhas).

Por que será que me perseguem e nunca me convocam para defender a seleção de quaisquer esportes que se pratica por esse mundo afora? Quem souber, por favor, etc. Obrigado.

Constatação XV

Deu na mídia: “Ronaldo Fenômeno se reconcilia com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira”. Taí mais uma notícia de transcendental importância para o futuro da Humanidade.

DÚVIDAS CRUCIAIS

Dúvida I (De uma fofoqueira, atingindo dois, ou melhor, duas coelhas com uma só cajadada).

É a caquética

Que é aparentada

Da atlética

Espiantada ?

Dúvida II

Foi a tomada que espalhou que o plugue andava tomando viagra ?

Dúvida III(Via pseudo-haicai).

A turma nem fica lívida

Com sua dolarizada

Impagável dívida ?

Dúvida IV (Meio surrealista).

O carreto pra levar o lápis

Da Terra até a Lua

Não saiu grátis ?

Dúvida V

Foi a aranha

Que não creu na patranha,

Estranha,

Contada pelo “aranho”,

Fazendo manha ?

“Estranho !?”

Dúvida VI

Pingue-pongue

Ela tava jogando,

Tudo mostrando

Só de “sarongue” ?

Dúvida VII

Essa crise geral

Deixou a emergente

Soturna e noturnal

Igual

A todo mortal,

Como a gente ?

Dúvida VIII (por atacado).

A tangente é por pouco uma quase secante ? E o arco tem complexo por não ser diâmetro ? E foi o raio que mandou o diâmetro para o raio que o parta ? E no teorema de Pitágoras todo mundo é quadrado ? Quem nasce circunferência nunca freqüentará o circulo ? O lado do quadrado é uma diagonal dividido por uma certa ou incerta raiz quadrada ? O cone tem complexo de inferioridade por valer apenas 1/3 do volume do cilindro ? O trapézio está para o retângulo assim como o camelo está para o cavalo ? A Lemniscata de Bernouilli é um oito cansado ? Ou o infinito é um oito deitado ? A elipse, a parábola e a hipérbole de figuras geométricas passaram a figuras de retórica ? 69 também é número cabalístico ? O número pi ao quadrado é somente o produto de 3,14159 por ele mesmo ? O tetraedro não tem nada a ver com o icosaedro ? O pentágono despreza o hexágono, o heptágono e o octógono só porque se julga importante já que tem o seu nome usado na maior potência do planeta ?

Dúvida IX

Era naquele cartaz que estava escrito: “Não escrevemos nada aqui porque não temos nada a escrever” ?

Dúvida X

Ela fez firula

Para não comer

Por temer

O pecado da gula ?

Dúvida XI

A tua perda, com a desvalorização do real, foi uma rima rica ?

Dúvida XII (Via pseudo-haicai).

Acha o sonhador

Que com a euro

O aplicador

Não

Ficará tão

“Neuro” ?

Dúvida XIII (Perdão, leitores, o péssimo latim).

Nosso triste destino é ser, para todo o sempre, por “seculae seculorum”, “ad eternam”, o país com um futuro sem corruptos ? (De acordo com estudo da Fiesp, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, “o custo” da corrupção pode variar entre R$ 41 bilhões e R$ 69 bilhões por ano).

Dúvida XIV

Quem dominar

O computador

Deverá se tornar,

No futuro,

O grã-senhor

De tudo que é burro?

CONCEITOS DEVEM SER REVISTOS E ATUALIZADOS – editoria

Como estamos na ‘ Era Digital ‘, foi necessário rever os velhos ditados existentes e adaptá-los a nova realidade. Veja como ficaram:

.

1. A pressa é inimiga da conexão.

2. Amigos, amigos, senhas à parte.

3. A arquivo dado não se olha o formato.

4. Diga-me que chat freqüentas e te direi quem és.

5. Para bom provedor uma senha basta.

6. Não adianta chorar sobre arquivo deletado.

7. Em briga de namorados virtuais não se mete o mouse.

8. Hacker que ladra, não morde.

9. Mais vale um arquivo no HD do que dois baixando.

10. Mouse sujo se limpa em casa.

11. Melhor prevenir do que formatar.

12. Quando um não quer, dois não teclam.

13. Quem clica seus males multiplica.

14. Quem com vírus infecta, com vírus será infectado.

15. Quem envia o que quer, recebe o que não quer…

16. Quem não tem banda larga, caça com modem.

17. Quem semeia e-mails, colhe spams.

18. Quem tem dedo vai a Roma.com

19. Vão-se os arquivos, ficam os back-ups.

20. Diga-me que computador tens e direi quem és.

21. Uma impressora disse para outra: Essa folha é sua ou é impressão minha.

22. Aluno de informática não cola, faz backup.

23. Na informática nada se perde nada se cria. Tudo se copia… E depois se cola.

UM a ZERO por charles silva / florianópolis

Atravessou a sala da emergência do hospital e, desesperado, invadiu o consultório médico:

– Doutor, me ajude, tem um gol dentro de mim!

– Como é que é?!

– Um gol, doutor, um gol!

– Você engoliu uma bola, foi isso?

– Não, doutor, é um golaço, daqueles de placa!

– Você engoliu um rádio?

– Por favor, doutor, me ajude!!!

– Só posso ajudar depois que você disser o que está sentindo!

– Eu sinto o Maracanã de pé! Foi gol, doutor, foi gol!

– Olhe, você só pode estar de brincadeira. Por favor, retire-se imediatamente do meu consultório!

– Não, doutor, eu preciso muito da sua ajuda! Isso já dura uma eternidade! Vou acabar enlouquecendo com essa narração absurda! O senhor precisa fazer alguma coisa!

– Narração?

– Do gol, doutor.

– E quem está narrando, Luciano do Valle ou Galvão Bueno?

– Galvão.

O velho médico recordou as tardes de domingo diante da TV Globo, onde um gol narrado por Galvão parecia valer, no mínimo, o dobro. Não importava se o gol fosse para esse ou aquele time, se fosse legal ou não. A emoção do locutor dava-se do mesmo jeito: “Goooooooooollllllllll!!!!!!!!!! É do….” Rubro-negro, o grito de Galvão era, para os flamenguistas, a música que guardava o sol carioca nas redes crepusculares daquelas tardes. Enternecido pela lembrança, o doutor disse:

– Sente-se ali, por favor. Deixe-me auscultá-lo… Sabe quem joga?

– FlaFlu

– E você é…

– Flamengo, lógico!

– Respire fundo… Segure… Solte. Mais uma vez, bem fundo. Segure… Solte… ai, ai, ai!

– ?!

– Ih…

– O que foi, doutor?

– Essa, não! Aí é dose!

– Que cara é essa, doutor?! O que está acontecendo?!

– Pênalti para o Fluminense…

– Ah, não, essa não!!!

– E ainda expulsou dois do Flamengo…

– Ladrão! Juiz filho da mãe! Só assim mesmo, para o Fluminense ganhar! Só comprando o juiz e os bandeirinhas! E quem é que vai bater?

– Fred.

– Vai errar.

– Arrumou a bola com carinho, olhou pro goleiro, Atenção!… Correu, bateu…

Não foi possível saber o resultado, pois o homem chegou como o vento e saiu como um raio. Algumas horas depois, o estranho paciente irrompeu no consultório médico outra vez, olheiras profundas, olhos esbugalhados, visivelmente perturbado. O médico, que não havia cobrado pela consulta anterior, perguntou com cara de poucos amigos:

– O que foi dessa vez?

– Doutor, me ajude, tem uma trave dentro de mim!

Rumorejando (Socorro! Socorro! O horário eleitoral tá chegando). – por juca (josé zockner) / curitiba

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I

Nem sempre os sinônimos e os antônimos podem ser referidos através da negação de um em relação ao outro, como por exemplo, se você disser “ela não é simpática” não é a mesma coisa que se você disser “ela é antipática”. Pode-se não ser simpático, sem necessariamente ser antipático. Tenho, simpaticamente, dito.

Constatação II (Ah, esse nosso vernáculo).

Cheia de dedos, pediu emprestado à vizinha o seu único dedal.

Constatação III

“O livre mercado provoca instabilidade, desigualdade, empobrecimento e abandono dos mais necessitados. Abre terreno para desespero e violência. Também facilita o aparecimento de líderes carismáticos e fundamentalistas”. (Afirmação do Dr. John Gray, Professor da London School of Economics and Political Science, uma das mais importantes academias e ciência política do mundo, autor do livro Falsa aurora – as desilusões com o capitalismo global).

Constatação IV

O septuagenário jamais quer comparecer aos eventos badalativos para os quais tem sido freqüentemente convidado, com medo de que sua foto saia na coluna social de algum jornal, com os seguintes dizeres: “Fulano de Tal da atual geração imergente”.

Constatação V

Tá certo que nós somos um povo cordato e pacífico e que, por tal razão, não estamos preparados para a guerra. Mas isso, absolutamente, não quer dizer que estejamos preparados para a paz…

Constatação VI

Psicologia feminina: “Perua, são sempre as outras”…

Constatação VII (Com a primeira frase, passível de mal entendidos).

A gente até poderia estar se dirigindo em direção ao 1º Mundo. Mas, os juros das passagens aéreas estão muito elevados…

Constatação VIII

E já que falamos no assunto de 1º Mundo, os programas das televisões comerciais estão a cada dia em níveis tais que não parecem ser nem do 1º, 2º, 3º ,4º ou Enésimo Mundo. Parecem ser de algum outro mundo em via de formação, semelhante à feitura do planeta Terra, conforme nos é narrada na Bíblia Sagrada: “No começo era o caos”…

Constatação IX

Cavalinho recém nascido dá a impressão de que está com os lábios pintados, se é que cavalo tem lábios.

Constatação X (Meio eufemística e tergiversante).

Não se deve confundir redunda com redonda que são coisas totalmente distintas. Redunda tem rima fácil com tunda, cacunda, etc., principalmente etc.; já redonda é, normalmente, a forma do “principalmente etc.” o que não impede de também ter as suas rimas, como com sonda, ronda, onda e por aí afora. Elementar, minha gente.

Constatação XI ( Meio repetitiva, via pseudohaicai).

Comigo, ela não consegue falar

O sânscrito, pelo menos, mais ou menos.

Nem menos o mais rudimentar.

Constatação XII (Teoria da Relatividade para principiantes).

Em certos países, é preferível furar o sinal vermelho e pagar o ônus disso (perda de pontos na carteira de habilitação; perda de dinheiro por ter que pagar multa), do que ser furado por tiros de revólver ou faca, pagando o ônus disso (perda de sangue, da consciência, da vida, etc.).

Constatação XIII (De conselhos úteis).

Depois do famigerado “aumento”para os aposentados, “exulta-te e jubila-te”, quer dizer, vá escutar está obra de Mozart, já que a terapia musical é recomendada pelos médicos. De nada.

Constatação XIV

Não se pode confundir “tenha modos” com “tenha mudas”, até porque, se você mora em apartamento, é muito mais fácil você ter o primeiro que o segundo. Pelo menos, aparentemente, já que, no primeiro caso, depende da tua educação e da tua vocação; no segundo, mais da tua vocação…

Constatação XV

Rico escreve; pobre, garatuja.

Constatação XVI (Ah, esse nosso vernáculo).

Não trema se alguém te disser que a palavra “trema” leva trema.

Constatação XVII

Não se deve confundir Germinal que é o nome de uma obra do escritor Emile Zola, levada ao cinema pelo diretor Claude Berri, com terminal, muito embora a demora do ônibus em um ou outro terminal permitiria de se ficar assistindo o filme até o fim, mesmo sabendo-se que é de longa metragem…

Constatação XVIII (Via pseudohaicai).

Tchimbum!

Mergulhei de novo nos doces

Quebrando meu efêmero jejum.

Constatação XIX (Via pseudohaicai).

Nada mais que um arrufo

Foi o que ela teve

Com o hipócrita, o tartufo.

Constatação XX

Em certos países, viver é uma arte,/ sem que um trinta e oito te descarte.

DÚVIDAS CRUCIAIS

Dúvida I (De antigamente).

Foram os nubentes

Que já iam se agarrando,

Totalmente carentes ?

E o padre, ali, esperando ?

Dúvida II (Via pseudohaicai).

Foi depois daquela festa

Que o maridão começou a ficar

Com certos problemas na testa ?

Dúvida III

A troça, o riso de escárnio, o deboche são auto defesas dos complexados burros ou dos burros complexados ? (Cartas. Obrigado).

Dúvida IV

Joaquim!

Diga pra mim

Se é o fim

Escrever,

Ou ler,

Fim,

Em tupiniquim,

Assim:

Fin ?

Dúvida V (Via pseudohaicai).

Foi o Fernando*

Que andou

Pererecando ?

*Não quer dizer que, necessariamente, seja(m) o(s) Fernando(s) que vocês tanto conhece(m). Pode até ser outro totalmente desconhecido. Vá lá um saber…

Dúvida VI

Se “interechá” quer dizer se interessar por uma chávena de chá ? (Perdão, leitores).

Dúvida VII

Pouco lhe importa,

Minha senhora,

Comer torta

Fora de hora,

Sem oferecer

Também

A alguém

Que lhe quer

Tanto bem

E está a sofrer,

A esmaecer ?

Pouco lhe importa,

Hein, hein  ?

Dúvida VIII

O meu time Paraná não ia melhorar, segundo os novos dirigentes?

Dúvida IX

Elefante assoa a tromba quando está resfriado ? E, em caso afirmativo, qual é o tamanho do lenço?

Dúvida X

O Brasil tem milhões de analfabetos, a saúde tá um caos e tem a petulância de falar em 1º Mundo. Falta de sentido de observação ou de desconfiômetro mesmo ?

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br

Rumorejando (O jogador do meu Paraná inspirou a França a fazer gol com a mão para se classificar, constatando). – por juca (josé zockner) / curitiba

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I

O Ratinho, há tempos, declarou – e sua frase teve ampla repercussão entre jornalistas, críticos, telespectadores, etc. – que se houvesse intenção de educar o povo brasileiro, utilizando essa notável mídia que poderia ser a televisão, os programas da Fundação Roberto Marinho, os tele-cursos, seriam levados ao ar em horário nobre e não praticamente na madrugada. E tudo ficou na mesma.

Constatação II (Para recitar pra ela).

Que estranho !

Ontem a conheci

E parece que a vi

Desde antanho*.

*Antanho = Antigamente, outrora.

Constatação III

Quando o septuagenário leu o texto do escritor uruguaio Mario Benedetti, intitulado Síndrome, se sentiu perfeitamente identificado com o autor:

“Todavia tenho quase todos os meus dentes

quase todos meus cabelos e pouquíssimas cãs

posso fazer e desfazer o amor

subir uma escada de dois em dois

e correr quarenta metros atrás do ônibus

ou seja que não deveria me sentir velho

mas o grave problema é que antes

eu não me fixava nestes detalhes”.

Constatação IV

A doce ilusão sempre acaba redundando amarga…

Constatação V

A loira burra que faz operação plástica, em certas regiões do corpo, quase sempre as mesmas, muda apenas o invólucro…

Constatação VI (De conselho isonômico).

Se você tem um filho de 20 anos que não quer estudar e, muito menos, trabalhar, não corte a mesada dele. Afinal, tá cheio de político e administrador que não faz nada e nem por isso ele tem os seus proventos cortados.

Constatação VII (Via pseudo-haicai).

Quem se julga o tal,

Não dá outra:

Boçal.

Constatação VIII

O mais grave da ignorância é não se dar conta dela.

Constatação IX (Teoria da relatividade para principiantes).

Se a sabedoria pode conduzir à loucura, é muito melhor morrer louco do que burro.

Constatação X

Pobre é caloteiro; rico é inadimplente.

Constatação XI

Perguntou o médico psiquiatra ao seu paciente: -“E então ? Como é que vai indo ?”

Respondeu o paciente: -“Mais ou menos. Tenho administrado razoavelmente minhas crises conjugais, depressivas, financeiras e existenciais”.

Constatação XII

A humanidade é ineducável.

Constatação XIII (Ah, esse nosso vernáculo, via pseudo-haicai).

Na Alfama,

Havia uma azáfama

Em busca de fama.

Constatação XIV

Ronca a mulher,

Ronca o cachorro.

O que mais se quer ?

Que, pelo menos, em coro.

Constatação XV

Rico tem necessidades imperiosas; pobre, é afoito.

Constatação XVI (Via pseudo-haicai).

Quando ouviram meu canto,

Os críticos, com a ousadia,

Fizeram cara de espanto.

Constatação XVII (Ah, esse nosso vernáculo).

O abúlico, metido a áulico, não sabia jogar bolinha de búrico. (No Rio de Janeiro, prezado leitor, se diz búrica).

Constatação XVIII (Via pseudo-haicai).

Truco, sem lúpulo,

É falta total

De escrúpulo.

Constatação XIX

Em certos países, quem consegue trabalho, consegue; quem não consegue, não consegue e fica por isso mesmo. Elementar, meu caro Watson…

Constatação XX (Via pseudo-haicai).

Alma, já não havia.

Mostrou, até,

Sua radiografia.

Constatação XXI

A grande incidência

De assaltos na rua

É uma verdade nua e crua,

Uma eterna reincidência.

Constatação XXII (Via pseudo-haicai).

Sua conversa opaca

Enchia a paciência

Paca.

Constatação XXIII (De alguma derrota de algum dos nossos times, algures, via pseudo-haicai).

Ficamos todos aturdidos

Com os três a zero.

Até hoje, ardidos…

Constatação XXIV (Ah, esse nosso vernáculo).

No decurso das férias, ela fez um curso para não mudar o curso das coisas. Acabou mudando o curso da minha história. Vou entrar com um recurso, sem decurso de prazo e sem muito discurso. Depois, participar de um concurso. Espero não ficar no percurso, pois creio que a banca não fará papel de amigo urso. Afinal, não se pode perder o “purso” (Perdão, leitores).

Constatação XXV (Via pseudo-haicai).

Até sem nitidez,

Deu para perceber:

Pura frigidez.

Constatação XXVI

E como dizia, via pseudo-haicai, o adepto do ócio total:

“Desocupação

Nunca gera

Preocupação”.

Constatação XXVII (gauchesca).

Me creia:

O doidivanas

Volta e meia

Se embriagava

Pois tomava

Dúzia de carraspanas

E ficava

De cara cheia.

Que “peleia”!

Constatação XXVIII

E já que falamos no assunto, em outra constatação, com a onda de violência, o perigo não está somente nas ruas; também, nas calçadas…

Constatação XXIX (Via pseudo-haicai).

Me abalo,

No trânsito,

Com tanto gargalo…

Constatação XXX

Rebola,

A Jane do Tarzan,

Toda gabola.

Até parece

A Chita pela manhã.

E quando anoitece..

Rumorejando (Pelo jeito que o futebol está se caracterizando, quem fizer mais falta é que ganha a partida?, perguntando) – por juca (josé zokner) / curitiba

O terror que matura

I

Oriunda de respeitável progenitura:

A mãe, professora de corte e costura;JUCA - Jzockner pequenissima (1)

O pai, escriturário na magistratura,

Era, ela, uma formosura,

Uma pintura,

Digna de figurar numa gravura,

Ou numa xilogravura,

Daquelas com moldura,

Trabalhada em artística ranhura.

Mediana estatura,

Cabelos pretos, sem tintura,

Dentes, perfeitos, uma alvura;

Sorriso, sem amargura,

Franco, aberto, uma quentura;

A mirada, uma brandura,

Muito límpida, muito pura,

De olhos de jabuticaba, uma pretura;

E um poço de ternura!

Ah! E a cintura!

Parecia duma tanajura…

Educação, nem falar. Que finura!

Dada a não pouca leitura,

De sutil e elevada literatura,

E um dedilhar, sem partitura,

Além de se dedicar à feitura

De origami, de dobradura.

E, no jardim, à floricultura,

Onde, às vezes, ouvia o canto da saracura.

II

Ele, era só feiúra,

Como uma caricatura.

Duma lividez, duma transparente brancura

Num monte de ossatura

Como se filho fosse de alguém de média estatura,

Mas de não muita largura.

E do Cavaleiro da Triste Figura

Àquele que, até com moinhos, mostrou bravura

Não tendo como vestidura

A respectiva armadura.

Além disso, morando numa lonjura.

E, mais, um escrachado caradura

De péssima postura,

Ou melhor, somente impostura:

Noites a fio, jogava, com fundura,

Em busca de fácil fartura;

À mão, um copo daquela bebida de lúpulo, de levedura

E um eterno cigarro, alterando, dos lábios, a comissura.

Receitas, infalíveis, de fazer estrago em qualquer criatura.

Tal proceder, sem dúvida, merecia ampla censura.

Não confundir com àquela do tempo da ditadura,

Quando até se usou a indefectível tortura,

Nos governos da chamada linha dura,

Bem antes do que se convencionou chamar Abertura.

O salário, parco, da Prefeitura,

Dum trabalho que exercia com sinecura,

Na base de quem não se apura,

Obviamente, redundava numa apertura.

As dívidas, não poucas, proveniente de mordedura,

Mesmo que firmadas numa caprichada escritura,

Fatalmente seguiam o destino da pendura

Que postergava, com ensaboadura,

Para uma época futura

E que, da memória, apagava com uma varredura.

De inteligência, não era nenhuma cavalgadura,

Daquelas que só falta a ferradura.

Era capaz de se pôr a falar, com desenvoltura,

Sobre, do quadrado, a curvatura

Ou, da circunferência, a quadratura.

E, se porventura,

Cometia alguma outra loucura

De imitar, de alguém, a assinatura,

Perfeita e sem rasura,

Em cheque, promissória ou fatura,

Fruto de condenável urdidura,

Resultava, se descoberto, nessa amargura

De ter que conseguir um alvará de soltura,

Alegando, ao delegado, tratar-se duma travessura

E no seu ilibado currículo, uma simples arranhadura;

Que não tinha intenção de viver numa cela escura

E que, afinal, toda a sua vida, agira com extrema lisura.

III

Essa atitude devassa, que o estado físico tritura

E o bolso, a conta corrente do banco, perfura,

Para ele, era adrenalina total, uma aventura,

Que foi obrigado de encerrar, uma fissura,

Quando sua saúde se deteriorou e sofreu uma ruptura.

Logo, ele, que nunca tivera um resfriado, ou uma rasgadura

E, muito menos, alguma forma de rendidura,

Parecendo, tudo, praga, maldição ou esconjura,

De nada adiantando os santos invocados em benzedura.

É que numa amorosa tertúlia, sobreveio uma velhice prematura

Àquela que deixa, um, e a parceira, em desventura,

E provoca na alma e no ego profunda machucadura.

Pouco antes, já vinha sentindo, no estômago, uma queimadura,

Somado a um mal-estar, a uma teimosa tontura,

Que o deixava, por um momento, com a vista obscura

E com a possibilidade de cair e sofrer uma fratura.

O médico, amigo desde a infância, adepto da natura,

Pespegou-lhe um susto, numa sincera e repreensiva secura:

“Não se trata de querer que você viva numa clausura.

No entanto, se dessa vida desregrada não abjura;

Se continuar nessa farra, para você uma gostosura;

Não se livrar do vício, dessa imbecil escravatura,

O teu amanhã nem eu nem ninguém te assegura,

Pois você, bem sabe, está cavando a própria sepultura.

Entretanto, preste atenção, você facilmente se cura:

Primeiro, tem que parar de comer fritura

Que absorve rios de gordura;

Não fumar, nem beber, dormir cedo, nada de diabrura;

Tem que consumir muita verdura,

Muita fibra e fruta não ácida, madura;

Nada de doce tipo quindim ou rapadura,

Se não vai ter – já, já – de usar dentadura”.

Os amigos acharam tudo aquilo uma frescura,

E que a prescrição parecia mais uma absurda propositura,

Ponderando que uma vida, assim, nem santo atura.

De início, o reproche, ele classificou de grossura,

Mas, apavorado, ou como dizem os italianos, numa “paúra”,

Resolveu mudar de vida, para uma mais segura.

Indubitavelmente, foi um tento de bela feitura:

Má alimentação, vícios e toda essa nomenclatura

Foi mudada com força de vontade de quem tem envergadura;

Passou a estudar e ler livros de grossa brochura

E a escutar música clássica e popular de fina tessitura,

Já que havia desenvolvido o bom gosto, por aquela altura;

Optou em fazer uma faculdade, uma Licenciatura,

Visando o almejado canudo, numa cerimônia de formatura.

Chegou até a pensar em Engenharia ou Arquitetura,

Sem descartar Agronomia, dado a discorrer sobre agricultura.

Melhorou o visual, que a gente, a si mesmo, augura:

Cabelo e barba aparados, dois banhos diários, total limpadura;

Entrou numa academia de ginástica para fazer musculatura

Com a intenção de ganhar peso, conforme, por aí, se assegura

E ficar com o tórax como os lutadores na era da gladiatura;

Passou a freqüentar ambientes de pessoas de boa catadura,

Onde o gosto apurado, aliado à boa educação, sempre fulgura;

A usar ternos com tecidos de excelente textura

E gravata, com grife, em camisa de abotoadura;

Pagou os credores, que não desgrudavam como atadura,

E, mais adiante, comprou, do ano, uma possante viatura,

Bem espaçosa, “nada de apertos, nada de miniatura”.

Também, numa pechincha, um apartamento, não de cobertura,

Mas tendo sacada com churrasqueira, para grelhados e assadura.

E suíte com hidromassagem, portaria e tetra-chave na fechadura,

Em imóvel localizado num terreno ajardinado, numa planura.

O pagamento: uma entrada, mais 20 anos, com juros da Lei da Usura,

Aproveitando um desconto graças a famosa Lei da Oferta e da Procura,

Àquela, que político promete revogar ao defender sua candidatura.

Decorou, tudo, com móveis em cedro, com caprichada entalhadura

E tapetes, feitos à mão, de razoável espessura.

IV

Nessa história, em condições normais de pressão e temperatura,

Deveria haver, com a jovem do início, alguma relação ou ligadura.

Mas, não. Ela só foi aqui lembrada por sua beleza, sua candura.

Seu sorriso, seu olhar, sua sensibilidade, sua doçura.

Bem! Cada um seguiu o seu destino, sem se cruzar, sem mistura,

Embora, o mesmo juiz de paz ter efetuado a legal lavratura.

E que passaram, em épocas distintas, a lua-de-mel em Cascadura,

Onde, anos após, retornariam para passar alguns dias em vilegiatura.

Ele, redimido, havia encontrado uma companheira, uma lhanura,

Gentilíssima, amável, cortês, sem um pingo de desmesura.

E ela, um companheiro, muito sério, trabalhador, uma polidura,

Um estudioso aplicado, um autodidata em matéria de cultura.

Obviamente, de todos as partes envolvidas, de amor eterno, muita jura,

Que, nesses casos, quase sempre, ao pé de ouvido se murmura

E, com ardor, se realizam num colóquio de extrema fervura.

Hoje, vivem felizes, com filhos, produto duma fértil semeadura

Numa paixão que, mesmo com a crise econômica, ainda perdura.

Rumorejando (Como muitos,com a vitória do Rio de Janeiro vibrando, mas com os super-faturamentos se preocupando…) – por juca (josé zokner) / curitiba

JUCA - Jzockner pequenissima (1)

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I

Ficou

Arrebatado

De alegria

Parecia

Estar

Num mar

De rosas.

Havia

Acertado

Numa milhar

E passou

A ganhar

A atenção

Das formosas

Atendentes

Do balcão

Que antes sequer

Nele notavam

Nem mostravam

Os dentes.

Vá alguém

Procurar

Entender,

Compreender

O desdém

De uma mulher.

Constatação II [Chuvas no Paraná e nos demais estados do sul do Brasil (I)]

No céu cinzento,

Kafkiano,

O curitibano,

Sentiu-se bolorento,

Fossético,

Patético,

Amuado,

Torvado,

Perturbado.

Coitado!

Constatação III [Chuvas no Paraná e nos demais estados do sul do Brasil (II)].

Um sol atrevido,

Que já havia desaparecido

Despontou

Entre nuvens carregadas

De imagens

Como desenhadas.

Soprou um vento,

Naquele momento

Trazendo

Frescas aragens

Tal deixou

Ele, um quatrolho*,

De humor horrendo,

Com o sobrolho,

Antes carregado,

Desanuviado.

Descoitado!

* De sobrancelhas brancas (Houaiss).

Constatação IV [Chuvas no Paraná e nos demais estados do sul do Brasil (III)].

Ela fez uma desfeita.

Não compareceu

Ao encontro marcado,

O que levantou nele,

Um apaixonado romeu,

Uma incômoda suspeita

De que estava sendo corneado.

Tinha ficado

Debaixo de um aguaceiro

E logo quando ele

Ia pedir a ela algum dinheiro.

Coitado!

Constatação V

Uma imagem vale mil palavras. Se for das sogras vale mil palavras, relacionadas com medo, susto e sobressaltos.

Constatação VI (De uma dúvida crucial).

O Michael Jordan viria a ser o Pelé do basquete e/ou o Pelé ante viria a ser o Michael Jordan do futebol?

Constatação VII (“Poesia” meio forçada).

Foi o clarinete

Que disse pro fagote

Que o oboé

Ao andar de trotinete*

Escorregou ao dar 

E deu um trompaço na trompa,

Que até pareceu abraço de tamanduá,

Quando retornava de ,

Das bodas de fígaro, com pompa,

Mas sem circunstância

Já que não houvera dote

E se fora um casamento

De muita retumbância.

Aí,

Num certo momento,

O noivo descuidado,

Talvez ofuscado

Pelo sol,

Meio fora de si

Tropeçou num fami…gerado

Penetra que não tinha sido convidado,

Já que os convivas só

Era gente de escol

E se machucou de dar .

Coitado!

*Trotinete = patinete (Houaiss).

Constatação VIII

Rico alcança uma idade avançada; pobre, fica um caco.

Constatação IX

Rico cria mitos; pobre, é macaca de auditório.

Constatação X

Chamou o idoso, seu tetraneto, de fedelho.

E passou a lhe dar um sermão, além de conselho.

Era sua tataravó que sempre armava uma querela

Quando ele disse que ia pela nona vez se casar com uma donzela.

Constatação XI

Rico é impetuoso; pobre, vagaroso.

Constatação XII (Via pseudo-haicai).

Seu verso-de-seis-pés*

Ninguém se dispôs a ler

De lés-a-lés**.

*Sextilha (Aurelião).

**De um lado a outro (Aurelião)

Constatação XIII

Rico fica indignado; pobre p. da vida.

Constatação XIV

O jogador paranaense Alex, que foi revelado na equipe de base do Coritiba merecia estar no livro Guiness de recordes por ter sido o único jogador que fez dois gols olímpicos numa mesma partida. O goleiro que levou tais gols também…

Constatação XV

E já que falamos em futebol, vale lembrar e/ou assinalar que o meu time, o Paraná, não tem necessidade de estar mudando frequentemente de técnico. O Paraná precisa, apenas, mudar a Diretoria, os jogadores da defesa, do meio de campo e do ataque. Elementar…

Constatação XVI (“Poesia” quase trágica).

Traição em dobro

Saiu correndo pela rua em trajes de Adão,

Mostrando, entre outros, seu tralalá.

O guarda lhe deu voz de prisão:

“Vosmecê vai tê que me “acompanhá”

O Delegado perguntou a razão

De ele estar andando desnudo.

Ele não quis dar explicação

Daí, ficou todo o tempo mudo.

“Você vai ficar no xilindró

Até que eu telefone pra sua consorte”.

Apavorado, ele falou: “Por favor, tenha dó.

Não faça isso. Se não, será minha morte”.

“Não entendo porque tanto temor

Que mal que ela poderá te fazer?”

“É que eu estava com outro amor

Aí, o marido chegou e eu tive que correr”.

Constatação XVII

Rico sofre de oclofobia*; pobre, almeja a oclocracia**.

*Oclofobia = “medo mórbido da multidão, da plebe” (Houaiss).

**Oclocracia = “exercício do poder ou do governo pela multidão, pela plebe” (Houaiss).

Constatação XVIII

Quem anda no fio da navalha

Não pode nem deve ter uma escorregadela

Porque lhe pode sair caro essa falha

Pois poderá machucar a bun, digo, a costela.

RUMOREJANDO (27/09/09) por juca (JOSÉ ZOKNER) / curitiba

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I

Rico ganha abastança*; pobre, perde a esperança.

*Abastança =  substantivo feminino

1 provimento satisfatório ou suficiente

2 excesso de provimentos e haveres; abundância, riqueza.

3 vida segura, confortável, sem privações ou problemas de subsistência (Houaiss).

Constatação II

Um otimista sempre vai achar que o Paraná volta para a Primeirona do Brasileirão; o pessimista, que ele cai para a Terceirona; o realista que ele deverá continuar na Segundona. Esta, parece ser a  mais provável. Triste sina…

Constatação III

Não se pode confundir provisão com profissão, muito embora muitos políticos fazem de seus cargos uma profissão, recorrendo a alguma provisão de numerário, não necessariamente honesta, independentemente de seus estratosféricos salários.

Constatação IV

Não se pode confundir colunável (Quem aparece nas colunas sociais [e/ou policiais]) com colimável (passível de se ter em vista; pretenso), até porque nem sempre é possível obter o objeto, pessoa ou coisa que se deseja por meios lícitos ou não com o fito de passar a ser colunável. A recíproca é como é e tá acabado. Tenho democraticamente dito!

Constatação V

Parcos pode ser substantivo ou adjetivo; porcos, também. Mas nem por isso deve-se confundir uns com os outros.

Constatação VI

Eu achei o pedido da ministra incabível”, disse a ex-secretária da Receita Federal Dilma Vieira se referindo a Ministra Dilma Roussef. Taí mais uma expressão sendo inaugurada em depoimento. E a sua utilização, embora soe estranha, está correta. Igualmente como foi a de um outro ministro que usou o “imexível”. A utilização de ambas é infrequente (epa…).

Constatação VII

Esse pessoal do PT que votou a favor do Sarney agora tenta justificar o voto (“Obedeci ordens porque sou homem do partido”), para estar bem com todos. Os nazistas também, segundo eles, obedeciam a ordens. Tá na hora desse pessoal do PT se dar conta de quem bate o córner não consegue também cabecear. A falta de caráter virou pandemia…

Constatação VIII

Disse a mulher na praia para o marido: “Pare de olhar para essas meninas todas”.

Disse o marido: “Não sou eu que estou olhando pra elas. São elas que estão olhando pra mim. Como você já deve ter se dado conta, no meu caso específico, charme não se compra em farmácia”.

Contestou a mulher: “Mas xarope tem de todas as marcas”.

Constatação IX

Uma livraria cá de Curitiba colocou junto a sua placa indicativa uma máxima, atribuindo sua autoria ao grande escritor gaúcho Mário Quintana: “Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas; os livros mudam as pessoas”. A autoria da frase é contestada. Segundo os entendidos ela foi proferida pelo romano do século II a.C. Caio Graco. Rumorejando gostaria de receber informações dos seus leitores a respeito. Obrigado.

Constatação X

Travado

Pelo zagueiro,

De gol com gana e sede,

O artilheiro

Chutou-o e também a bola.

Esta, quicou

Como se tivesse cola

E ficou

Ali ao lado.

O coitado do zagueiro,

Ao ser chutado,

Voou

Raspando o travessão.

Acabou

Estatelado

Na rede

Onde se emaranhou

Na maior contusão.

Coitado!

Constatação XI

Nada de ladainha!

A credibilidade

Da Situação

E da Oposição

Tá um caco.

Na realidade,

Eles sempre foram farinha

Do mesmo saco.

Constatação XII

Se o Homem foi criado à semelhança de Deus, como se propaga por aí, a Sua imagem como é que fica?

Constatação XIII

Rico dispõe de tudo; pobre, eventualmente do entrudo.

Constatação XIV

Deu na mídia: “Presidente da Inguchétia retorna dois meses após atentado”. E Rumorejando que achava que seus conhecimentos de gografia estavam em dia. Inguchétia?

Constatação XV

E como dizia o obcecado para a solteirona convicta, parodiando o antigo partido União Democrática Nacional – UDN (“O preço da liberdade é a eterna vigilância”): “O preço da ignorância é a eterna vigilância. E o preço da vigilância é a eterna ignorância”.

Constatação XVI

E já que falamos no assunto da incompreendia liberdade, o livro Poemas para a Liberdade, do escritor Manoel Andrade, catarinense radicado em Curitiba, publicado em vários países da América do Sul, saiu em português, pela editora Escrituras de São Paulo, numa edição bilíngue. Leitura obrigatória , como diriam os críticos.

RUMOREJANDO (20/09/09) por juca (josé zokner) / curitiba

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I

Não se pode confundir Maradona com maratona, até porque vai ser uma maratona, Maradona armar um time JUCA - Jzockner pequenissima (1)para enfrentar o Brasil e os demais para se classificar para o mundial.

Constatação II

A execrável censura contra o Estadão lembra a fábula de Esopo (Phaedrus) O lobo e o cordeiro, ou o indefectível “O senhor sabe com quem está falando” e coisas desse jaez. Pena!

Constatação III

“Na gafieira,

Segue o baile calmamente”,

Diz a canção.

No Senado,

Por todo o lado,

Só se ouviu, recentemente,

Uma profusão de besteira

Entremeada de palavrão.

Constatação IV (De velhos tempos quando a gente costumava abotoar o cabelo atrás e deixar um topete como o Elvis Presley e mais tarde como um presidente da República do nosso país).

O barco descia

Na corredeira

Do rio Iguaçu.

Dava tanto solavanco

Que a gente se sacudia

No banco

E tanto molhava

A cabeleira,

Da água que espirrava,

Que até não adiantaria

O uso de “glostora” e xampu.

Constatação V

Deu na mídia: “Casa Branca prevê déficit de US$ 9,05 trilhões em 10 anos”. Este assim chamado escriba que trabalhou boa parte da sua vida – que nem por isso deixará de ser eternamente curta – no Banco de Desenvolvimento do Paraná S.A. – Badep, antiga Codepar, acostumado a ouvir falar de repasses, investimentos e financiamentos de expressivas cifras, confessa que não sabe contar até lá. Mas que é um baita* número, isso lá deve ser.

*Usamos a expressão “baita” porque somos educados como é sobejamente reconhecido por nossos prezados leitores.

Constatação VI (Pseudo-soneto da série Ah, o amor…)

Lábios nem sempre carnudos

Também são feitos para beijar

Os casais, nessa hora, ficam mudos

Efetivamente não vale a pena falar.

Beijo na bochecha ou selinho

É tênue e rápido demais

Dá impressão de não haver carinho

Entre os desvelados casais.

Beijo que é recomendável

E premonição de algo notável

É o que tira a respiração.

Se for de língua melhor ainda

Nessa benfazeja hora infinda

Que não enseja anúncio de solidão…

Constatação VII

Não se pode confundir sanefa, que o dicionário Houaiss, entre outros, dá comolarga tira de tecido que se coloca na parte superior da cortina ou reposteiro, nas vergas das janelas etc., geralmente rematada com franja ou galão” com safena, a veia que se usa para substituir por alguma outra que esteja entupida, para se fazer uma ponte, “by-pass”, etc. Até porque uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, como já foi propalado por aí.

Constatação VIII

E também não se pode confundir loquacidade com louca cidade, até porque a loquacidade dos prefeitos, visando melhorar o tráfego nunca é posto em marcha e transitar ou atravessar as ruas fica difícil, pois se tem a impressão que se vive numa louca cidade.

Constatação IX

E ainda não se pode confundir libertinagem, que o dicionário Houaiss dá como “licenciosidade de costume, conduta de pessoa que se entrega imoderadamente a prazeres sexuais; a prática do libertino” com libidinagem, que o mesmo dicionário, dentre outros, define como “qualidade, condição ou comportamento próprio do que ou de quem é voluptuoso, lascivo, sensual”, até porque o referido dicionário ainda define libertinagem, no sentido figurado, como “insubmissão, indisciplina”. Elementar, crianças!

Constatação X

Disse o obcecado para o amigo, mostrando uma foto da playboy duma “poupança” de uma gatona: -“preferência multinacional”. Respondeu o amigo: -“Por que multinacional se a turma define como nacional?” –“Porque eu sempre procuro ser original. E, além disso, depois da globalização, ainda existe empresa nacional no nosso país?”

Constatação XI

“Desprazerosa

A tua companhia”,

Disse a sogra pro genro

Nada amorosa.

Numa cantilena

Sem melodia,

Fazendo cena.

”Você não é tenro

Com a tua mulher

Trata, a pobre,

Como uma qualquer.

Não trata como o finado

Me tratava

Como se eu fosse nobre.

O tempo todo ele me paparicava.

Você não dá a ela atenção.

Só fica vendo televisão,

Ou fica no computador.

E as tuas juras de amor?

Seu vento virado*.

Coitado!

*Vento-virado = “prisão de ventre, constipação” (Houaiss).

Constatação XII

Rico, quando fala, usa estrangeirismo; pobre, caipirismo.

EÇA DE QUEIROZ – editoria

Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão.

RUMOREJANDO (Cota de avião? A próxima legislação de interesse deles algum pai da pátria já deve estar bolando. Até quando? / por juca (josé zokner)


PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I

O abandono dela me deixou sentido.

Meu coração, que era maciço,

Ficou, por tal razão, carcomido.

E parecido com um queijo suíço.

Constatação II

O candidato eleito é a antítese, o antípoda, a dicotomia, a discrepância do candidato em campanha.

Constatação III

Foi a tenista americana Serena Wiliams que um admirador tranqüilo, calmo, sereno fez uma serenata pra ela no meio de um forte sereno, cantando “serenô eu caio, eu caio, serenô deixa cair”…

Constatação IV

Corja é o coletivo

De um pessoal

Muito vivo?

Constatação V (Para os meus amigos Beto Guiz e Marcos Recchia e para Inezita Barroso).

Quando o interiorano foi pela primeira vez assistir um balé que apresentou o Lago dos Cisnes do compositor russo Pyotr Ilyich Tchaikovsky e, mais tarde, contou para os amigos: “Só me alembro de algumas partes que eu assisti. As otras eu drumi. Abriu uma cortina de uma baita janela. Adespois vejam só:

Ela parecia mermo uma garça

Quando na ponta do pé

Tava a dançá

Uma linda varsa.

Será que ela tava

Com dor no carcanhá?

Que deve ter incomodado ela

Bastante?

Um cristão

Ficava

Arrodeando

Ela todo instante

E se agarrava nela.

Devia tá matutando

Arguma má intenção

Arguma má fé.

Tinha jeito de tê

Arguma tara.

Num gostei do infeliz.

Eu até quis

Dá nele um safanão

O fiô duma égua,

Que vá dança

Com aquela

Ropa de cetim,

Cateretê

Com as muié,

Que quisé

Muinta légua

Pra morde longe de mim.

Constatação VI (Dúvida crucial via pseudo-haicai).

É no peritônio

Que se manifesta

O cara ser idôneo?

Constatação VII

E como fabulava o obcecado: “Meus carinhos são sempre sem segundas intenções, mas que elas existem isso lá existem”.

Constatação VIII

Assim como o parvo diz parvoiçada e o besta diz besteirada quem diz disparate é um sujeito resultante da soma do parvo e do besta na tabuada?

Constatação IX (Para o meu Amigo Luiz Ivan de Vasconcellos se recuperando de um acidente).

Foi o lírio

Que disse para a ágata:

“Você é uma gata

Que, como ouro, reluz.

Pros meus olhos uma luz,

Um colírio.

O teu desdém

Me obriga, no jantar,

A tomar

Um chá de mentruz

Pra me acalmar

Você é alguém

Que me induz,

Num vaivém,

A frequentar

O Sus.

Constatação X (Dúvida crucial).

Foi o marisco

Que, para não se molhar,

Por causa de um chuvisco,

Adentrou ao mar?

Constatação XI

Não se pode confundir purista com jurista, até porque nem todo jurista é purista e nem todo purista é jurista. Evidência, evidentemente, evidente, prezados leitores.

Constatação XII

Muita gente reclama porque Noé levou para a sua – dele – arca certos insetos inconvenientes, como, por exemplo, um casal de pulgas. Data vênia, como diriam nossos juristas, mas este assim chamado escriba acha que, por estar muito atarefado em conciliar os lugares para todas as espécies, Noé não tomou tal iniciativa. Elas, as pulgas, devem ter tomado carona no casal de cães. Pelo sim e pelo não Rumorejando se propõe a esclarecer o que realmente ocorreu. Tão logo tenha uma resposta dará a conhecer aos seus estimados leitores. Obrigado pela compreensão.

Constatação XIII

O horroroso

Não se considerava

Pavoroso,

Nem, ao menos, feioso

E não se achava

Mirífico*

Ou magnífico.

Ele se julgava

Meio-termo,

Pois vivia ermo

Só e abandonado.

Coitado!

*Mirífico = “2   extraordinariamente belo; perfeito, maravilhoso, admirável” (Houaiss).

Constatação XIV

O corporativismo é uma reunião de interesses comuns, defendendo causas incomuns.

Constatação XV

E foi a ametista

Que levou a boca-de-leão

Ao dentista

Por causa de uma inflamação?

Constatação XVI

O banguela

Desceu com o carro

Na banguela

Na estradinha de barro

Um pouco lisa.

O dentista tinha arrancado

Mais de um dente

Que o doutor tinha achado

Excludente.

Coitado!

De repente ele divisa

Um buraco.

Freou,

Meio devagar, fraco.

Mesmo assim,

O carro derrapou

E a companheira

Que ia ao lado

Bateu no pára-brisa

A moleira.

Quebrou um dente,

Também ela.

Ficou danada.

“Você não cuida de mim!”

Coitada!

Constatação XVII

Rico sofre de amnésia; pobre, nunca presta atenção.

Constatação XVIII

E como explicava, poetando, aquele velho professor de matemática contrário à máquina de calcular:

“Qualquer resolução

De uma equação

Passa, antes de mais nada,

Pela velha tabuada.

Constatação XIX (De uma dúvida crucial).

Por que será que a diretoria do meu Paraná não se demite ao invés de demitir técnicos?

Constatação XX

Rico leva donativo; pobre, corretivo.

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br

 

RUMOREJANDO. (Parentes com verba da Câmara viajando. Dúvida crucial: Será que eles não acham que estão nos roubando?) 19.04.09

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I

Rico é caloroso; pobre, nebuloso.

Constatação II

Rico ganha cafuné; pobre, pontapé.

Constatação III

Ao gracejo

Ela respondeu,

Rapidamente,

Como um meteoro,

Com um sonoro

Bocejo

Tão-somente.

Aí ele perdeu

O rebolado.

Coitado!

Constatação IV

Com relação ao seu pedido de aumento,

Alegando a vinda próxima de um rebento

E o substancial e exagerado aumento

Do aluguel do seu apartamento,

Tenho a informar o seguinte argumento,

Que se refere ao posicionamento

Do meu Departamento:

Ultimamente o seu comportamento

De incitar os colegas a um movimento

De paralisação por um momento

Ou os trabalhos de retardamento

Da entrega das partidas de cimento

Revelando descumprimento

Da política de nosso enriquecimento,

Obriga-me a recusar o seu intento.

Sinceramente lamento.

Sem mais para o momento,

Apresento meu respeitoso cumprimento.

Antônio dos Anjos Sarmento

Ex – Primeiro Sargento

Do 2º. Batalhão de Provimento.

Constatação V

Aquele edifício,

Onde habitava

Gente não pontifícia,

Parecia um dentifrício:

Numa batida da polícia,

Rolava nada de carícia,

Pois ela apertava

A caterva

Aí, saía muita erva.

Nada a ver com erva-mate

O que seria um disparate,

Pois tomar um simples chimarrão

Absolutamente não é infração.

Constatação VI(Ah, esse nosso vernáculo ou como ensinar o a, e, i, o, u versejando, preferencialmente, para adultos).

Por causa de um perjúrio

De um mau augúrio

O cartorário

Teve um delírio,

Condenatório,

O que foi um martírio,

Além de um mistério

Que seu itinerário

Para o purgatório

Antes passava pelo cemitério.

Constatação VII

Encheu o bandulho

Com uma macarronada

Antes de visitar

A namorada.

A barriga se pôs a fazer barulho,

A roncar

Bem na hora de beijar

A idolatrada

A tão amada

Que caiu na risada

O que fez o encanto

Esmorecer.

Ficou chateado.

Tava nas preliminares

Naquela sublime ação

Da bolinação

Que afasta até azares

E que deveria acontecer,

Ou que se supõe suceder

Em todos os lares.

Pra não enroscar,

Já tinha tirado

Até os anéis e colares.

Teve que recomeçar

Com novo canto,

Com novos cantares.

Coitado!

Constatação VIII (Uma historieta).

A família era constituída pela mãe, o pai e quatro filhos, duas meninas e dois meninos. Tinham o habito de comerem todos juntos, ao contrário do que vem acontecendo na maioria das famílias. Mas isso já é outra história ou historieta que absolutamente, agora, não vem ao caso. A mãe mandou fazer uma mesa sextavada. Assim, cada um dos componentes sentava num dos lados do hexágono, no seu lugar já consagrado. Um dia, a filha mais velha trouxe o namorado para jantar. Era o professor da academia de ginástica, do tipo dois metros de altura por dois metros de largura. Quando começaram a comer, depois de dar um jeito de encaixar o namorado na mesa, se deram conta que teriam, nas próximas vezes, tirar os outros três filhos para irem comer na cozinha. É que o namorado comia com os cotovelos formando 90º com o corpo. Coitado! Coitados!

Constatação IX (Teoria da Relatividade para principiantes).

É muito melhor ter os olhos de rato e o sorriso da Mona Lisa do que os olhos da Mona Lisa e o sorriso de rato.

Constatação X (Pergunta ao meu amigo, o professor Luiz Gonzaga Paul).

Por que palavras como período, bugio, vazio e tantas outras a letra o tem o som de u?

Constatação XI (De diálogos tipo mea culpa).

-“A minha mulher é uma santa!”

-“Por que? Ela faz milagres?”

-“Sim. Ela faz o milagre de me aturar”.

-“Ah!”

Constatação XII

O eterno cordato

Acaba virando

Um pato

De quando em quando?

Constatação XIII

“Sinergia”, explicava o obcecado para a sua mais recente conquista, “é dizer sim com toda a energia para as minhas benévolas propostas”

Constatação XIV (De diálogos meio confusos e consequentemente pouco esclarecedores).

-“Ela tirou o corpinho. Revelou assim todo o seu antológico corpinho. Que eu cobri com o meu corpão”.

-“Cobriu o corpinho ou o corpinho?”

-“O corpinho”.

-“Ah, bom!”

Constatação XV

Era um político duplamente baixo: De altura e de propósitos.

Constatação XVI

E como poetava aquele filho para a sua – dele – intrometida mãe: “Não me impinja uma calipígia como é o caso da Ligia; não infrinja meu direito de escolha. Não seja bolha”.

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br

 

 

DANTE MENDONÇA LANÇA SEU LIVRO HOJE EM FLORIANÓPOLIS

capa

 

Não há quem não elogie Curitiba por seu perfil europeu, sua civilidade plena de cortesias, sua face organizada de Brasil que dá certo. Claro, como ninguém é perfeito, falta o mar, o cheiro das ostras e maresias uma ausência tão sentida que, para nós, Curitiba quer dizer ostracismo.

O que ninguém sabia é da existência de uma Curitiba secreta, cheia de cerebrinas histórias, bares e restaurantes memoráveis – entre os quais o da empreiteira que inaugurou uma casa de pasto num buraco, comemorando a canalização de um rio na Rua Voluntários da Pátria.

Não é piada do Dante Mendonça, o neotrentino catarina que é hoje o mais celebrado chargista-escritor da terra do Vampiro. A empreiteira organizou um churrasco dentro das canaletas do riacho, ainda a céu aberto. E convidou as “otoridades” para o faturamento de praxe. O eterno prefeito de Curitiba, Jaime Lerner, confessa o seu estupor:

— Quando vi onde seria o churrasco, levei um susto. O povo passava acima, ao nível da rua, e eu devorando uma picanha num túnel de lama!

O ex-prefeito, gourmet de fina linhagem, recomenda “Curitiba. Melhores defeitos, Piores qualidades” como o saboroso cardápio “à la carte” da bela e – seria verde? – capital paranaense. Curitiba, ensina Dante, não tem uma única cor, mas várias. Seu livro é um “intensivão” sobre os meandros da variada alma da “Potylândia” – ou você não sabia que nasceu e morreu em Curitiba o maior ilustrador gráfico do Brasil, o mitológico Napoleón Potyguara Lazzarotto (1924-1998), o “Poty”, bico de pena predileto de Gilberto Freyre, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, José Américo de Almeida, Mário Palmério e Raul Bopp?

Os painéis de Poty estão no aeroporto, nos mercados, nos parques, nos monumentos históricos. “Numa cidade em que os artistas se tornam invisíveis, Poty é o artista mais visível de Curitiba”.

Flagrado no tal churrasco subterrâneo, o grande prefeito, que fundou a nova Curitiba, oferece seu selo de qualidade ao livro, como se ele fosse a surpreendente “sobremesa” daquele churrasco:

— O livro é um delicioso passeio pela história de Curitiba. Leitura obrigatória para curitibanos e não curitibanos, neotrentinos incluídos.

O autor, que já nos obsequiara com um verdadeiro “Tratado do Bem Beber”, um “Berlitz” sobre as linguagens do bar e de seus tipos, coloca na prancheta as “almas” – a ostensiva e a secreta – de uma cidade que seduz aos poucos, revelando os seus segredos apenas àqueles que merecem essa “Eureka”.

Como o vampiro Dalton Trevisan, Dante admite que “às vezes dói morar em Curitiba”, mas como é tão milagreiro quanto a Santa Paulina de Nova Trento, o autor descobre que há até sol na sua terra de adoção…:

— Sim, há sol em Curitiba. Mas somos a única capital brasileira onde os ouvintes ligam para as rádios reclamando porque o tempo vai melhorar…

Vou amanhã a Santo Antônio de Lisboa, debaixo de um sol adriático, e à beira de uma fazenda de ostras, comprar o instigante livro do Dante Mendonça, desvairada declaração de amor a Curitiba.

Afinal, se a vizinha capital não é o Paraíso, não deixa de ser um excelente “Limbo”.

 

Sérgio da Costa Ramos

17/04/09

 

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