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UM ADEUS A SATURNO de josé dagostim / criciuma.sc


 

Vai saturno…

Até tenho saudade de tua paciência comigo

Escrevi a alma nos versos da

Carta natal.

Às vezes, não acertei o enredo,

Mas na canção de Florbela encontrei

Neruda.

No ciclone, encontrei a brisa.

No vulcão, encontrei Plutão.

No reinado, encontrei a utopia.

Vai, adeus saturno,

Espero-te na curva do destino.

 

José Dagostim

12/10/2009

 

* Ouvindo Marcos Assumpção cantando os versos de Florbela Espanca (Capricorniana) escrevi estes versos, como “forma” de oferenda ao deus (Cronos), Saturno regente de Capricórnio. Que depois de dois anos dá adeus ao signo de virgem. Agradecer aos deuses que habitam nosso interior é uma generosidade que devemos cultivar para que a flor exterior floresça e a poesia amanheça…

 

IMPACIÊNCIA de josé dagostim / criciúma

Impaciência

O tempo corta-me num cerco implacável. Percorro perdido entre os limites da rota e o balanço, num ritual que tenta agradar os deuses da lentidão. Minha dança é sem compasso, presa no entroncamento do destino. Avanço o sinal num gesto previsível que acusa o agastamento do logradouro…


CURADOR de josé dagostim / criciúma.sc


Abrigo-te no calor de meu coração.

Entre as montanhas avistaremos as flores.

Nos arroios sinuosos banharemos a angústia.

No amanhecer os pássaros com suas orquestras anunciarão o sol.

Nas tardes esquecidas brindaremos juntos o anoitecer.

Nas noites te recolho junto aos meus braços.

Não sentirás mais expiação.

MOFO de josé dagostim / criciuma.sc

É nos arrabaldes do umbral que brota a trágica doutrina das sombras e duplos…

Os escravos do sistema afinam o dorso das vítimas nas letradas universidades.

Abrolham crianças sem celebro, na sombra clínica dos doutores formatados nas institucionais academias da simulação capitalista…

Assisto ao bolor acadêmico do serviçal sistema, anjos perfumados com o mineral da fome proletária…

Operário patrão do dia seguinte, como um presidente maquinal de ilustres banqueiros, besta do mato e sanguinário revendedor da elite adoçante…

Fora o morno, quero a raiz!