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PARA NÃO NOS LEVARMOS A SÉRIO DEMAIS ! por lucas paolo / são paulo

Para começar achamos de suma importância esclarecer padrões epistolares! Não nos expressaremos em primeira pessoa!  Muito menos em terceira! O primeiro caso traria uma vivência por demasiada pessoal para se tratar a complicada questão a ser abordada! O segundo caso não conseguiria convencer nem Eu nem Ele nem Você! Portanto não passaria de uma farsa ridícula com ares de paródia!  Para uma abnegação completa de qualquer forma de subjetivismo falaremos por Nós!  Isso exclui definitivamente o emissor e o remetente liquidando qualquer tipo de dupla significação! Entretanto é uma carta! De nós para nós mesmos!  O intuito não é ativar a imaginação nem dar margens às suposições! Seremos tão límpidos como água clara! Enfim diretos! Não buscaremos palavras nem expressões diferentes no dicionário! Qualquer erro redundância contradição ou demonstração de sentimentos será com certeza uma falha devida à imperfeição humana! Desejamos a maior perfeição possível para a presente abstração! Seremos absolutamente científicos exatos e indiferentes! Também não usaremos de qualquer simbologia! Apenas será usado o ponto de exclamação para finalizar as frases e dar a devida importância a elas!  Não julgamos necessidade de qualquer paragrafação além da próxima e mais uma no final! Prestem muita atenção ao que se segue o sentido da vida pode estar contido aqui!

Estamos com muita vontade de suicidar palavras e gastar papel! Ou seja queremos por demais escrever qualquer coisa! Porém falta-nos um tema para um possível romance e não sabemos também por onde começar um conto uma crônica um poema o que for! Acreditamos não haver tema neste mundo e na nossa cultura que mereça nossa reflexão! Não! Não desejamos falar de amor! Este tema é por si só mesquinho e pouco metafísico! Não somos românticos e não temos boas experiências para dividir! Achamos que ninguém as tem! Só existe uma supervalorização idiota do momento vivido com alguma outra pessoa que não nós mesmos! Dividir a existência com alguém é estúpido e não é nem um pouco produtivo! Falar de amor é repetir metade da literatura universal já escrita! Não existe amizade verdadeira ou que dure realmente! Sendo assim a amizade é mais um tema que não merece ser especulado muito menos mencionado em algum texto inteligível! A família é uma propriedade cultural e histórica que não daria tema nem para 50 páginas! E outra coisa todo mundo tem uma família e elas são em seu cerne todas iguais! Pra que falar delas! Aliás para que falar de alguma coisa que envolva o convívio humano! Somos todos animais que não sabemos conviver em sociedade nem longe dela! Não nos olhamos! Não nos percebemos! Não nos conhecemos! Enfim não nos merecemos então para que falar de nós mesmos e nossas relações! Estupidez inventar personagens fictícios! Para que botar mais gente egocêntrica no mundo mesmo que literário! Que fique bem claro não desejamos falar do bicho homem e de sua existência tão supérflua e insignificante! Não ansiamos nem por um instante tratar de arte! Música! Música é um banal artesanato infindo e sem qualquer resultado palpável! Produzir movimento em partículas que formam uma onda que causará devido à imperfeição do ouvido humano a errônea impressão de estarmos ouvindo determinada freqüência ou seja um som para o qual buscaremos relação com algum sentimento ou que tentaremos racionalizar até o último ínfimo físico e estético do possível significado de uma movimentação do ar que nada mais tem que significar do que uma coisa que acontece devido à uma movimentação nas coisas que existem na natureza! Uma movimentação do ar caramba! Artes cênicas ou teatro não merecem nosso tempo também! Que babaquice é representar uma coisa que por si só já é uma representação! A vida não tem que ser representada tem que ser vivida e representar uma representação da vida é se afastar cada vez mais dela! Atores são aqueles que mais procuram a perfeição do gesto em suas encenações e são também os que menos prestam atenção em seus próprios gestos! Artes plásticas ou visuais ou como quiserem chamar a produção de alguma coisa para ser contemplada com os olhos! A cor é uma ilusão! A produção de uma imagem é congelar no tempo um momento uma pessoa um objeto uma abstração uma qualquer coisa! Resumindo é parar na seqüente movimentação do espaço cósmico uma asneira qualquer! Interferirmos no fluente curso de nosso texto para falar de intervenções artísticas performáticas seria por si só uma intervenção! Continuemos! O amálgama de coisas que podem ser consideradas arte é muito grande! Se as grandes artes não fogem de um irracionalismo absurdo o que diremos então da Moda da Gastronomia da Numismática e do que mais houver! Finito! Não falemos da produção humana! Muito menos podemos falar do pensamento humano! Toda hora aparece um novo grego falando bobagens e usando da retórica para distorcer e torcer um assunto que já foi tão controvertido pelos homens! Filosofar é parar no tempo para refletir sobre o nada com o intuito de concluir o sentido do lugar nenhum! Quantas bobagens já não foram ditas sobre o nada e o tempo! A junção dos dois resulta na existência da memória e do gênero humano! A junção do homem nessa mixórdia toda resulta no conjunto de coisas chamada Humanidade e conseqüentemente resulta em culturas diferentes e prosseguindo conseqüentemente em guerras! E ainda bem! Conseqüentemente logo logo no fim da raça humana! Ufa! Ufos! Falar de alienígenas verdinhos ou de vida extraterrena é extrapolar para fora de uma realidade que já é desinteressante inferindo nossa visão antropológica do mundo que de nada provavelmente tenha a ver com possíveis culturas marcianas, plutonianas ou seja lá quem for os possíveis cabeçudinhos! Deixando o homem e a suposta outra vida inteligente do universo de lado poderia se falar de todas as outras coisas que existem vivem mas não pensam! Se é que podemos chamar o que os homens fazem de pensar! Podemos escrever mil duas mil três mil páginas sobre uma manga uma pedra um dromedário uma pulga um cristal condensado sobre o ar a terra a água a via lactéa o surgimento de tudo! Mas pensamos que nós temos bem mais o que fazer! Podemos falar da preguiça da gula da luxúria da avareza! Podíamos falar de Deus o ubíquo! Mas tememos muito as heresias e não somos chegados aos gnosticismos! Não acreditamos em nenhuma religião mas tememos constantemente o inferno! Já conseguimos deduzir que não se vale a pena falar de nada sobre o que se possa divagar ou reproduzir com palavras! Podemos falar do niilismo ou da escrita! Pensando bem os dois são uma e a mesma coisa! A justificável desistência do mundo material para o mundo das possibilidades ou não possibilidades! Contudo queremos nos permitir deixar aqui no fim da carta algo de redundante de modesto de conclusivo de irreflexivo escrito! Alguma bobagem que justifique o endereçamento de uma carta a alguém! Um aforismo!

Muitas vezes quanto mais verde se joga mais se colhe leitores maduros!

Observação minha sobre a missiva: Não pretendi alcançar nesta carta o sentido da vida; não busquei um impacto muito grande para minhas palavras e nem as escolhi a dedo; só queria escrever e não sabia sobre o que, então, escrevi de uma maneira esquisita sobre muitas coisas que, NO MOMENTO, não tinha vontade de tratar neste texto. Sei lá do que posso ter tratado nesta epístola! Acho que não tratei de nada, só escrevi. Mas escrever foi por demais bom e divertido. Desculpem a chatice e a possível crítica a alguém ou alguma coisa importante da vida. No mais, agradeço pela leitura de meu texto.

Escrita em iminência – por lucas paolo / são paulo

Ou será que, sendo tão fraco de visão quanto tímido de espírito,

ele sentia menos prazer com o reflexo do mundo sensível e

brilhante através do prisma de uma linguagem multicolorida e

ricamente lendária do que com a contemplação

de um mundo interior de emoções individuais perfeitamente

espelhadas em uma prosa periódica, lúcida e flexível?

James Joyce, um retrato do artista quando jovem

Preâmbulo Ostensivo

Inconclusivo, mas ele decidira experimentar as teclas do computador:

<PALAVRAS>

A sugestão estaria dada. Algum hipotético leitor (absolutamente necessário) poderia facilmente influir que era um azarão: apenas alguns pouquinhos professores ineficientes a mais e duas mil, duas mil e duas páginas de literatura fantástica a menos [leitor criativo adicione a esta conta vivências artísticas e humanas a seu bel-prazer] e pronto! seria ele um futuro físico-quântico, acadêmico, político, médico, engenheiro, talvez um pedagogo, que poderia confortavelmente viver de forma satisfatória duas, talvez  três vezes por semana. [mais uma vez fiquem à vontade para complementar a sugestão à monotonia]

* Reflito agora e percebo que alguns leitores poderão se sentir subestimados, ou, superestimados com as liberdades oferecidas acima, sendo assim, do próximo parágrafo em diante, poderia eu correr o risco de não sugerir complemento imaginativo nenhum; mas por achar divertida a idéia  de uma possível antecipação redundante do leitor, continuarei com minhas sugestões totalmente desnecessárias. [Porém deixo a seu critério: se quiser, leia o que esta dentro das chaves; se não quiser, não leia!]

Por essas e aquelas palavras já se pode alumbrar um axioma:

Ele é inextricavelmente um pensador!

Pensador! mas é um filosofador bem ruinzinho – da pior espécie – daqueles que congenitamente saem sempre do nada para dar em lugar nenhum. [Aqui há espaço para a implementação fátua de alguma situação vivida pelo próprio leitor – algo como: uma conversinha de buteco, um simpósio sobre a estética de tal parágrafo de tal autor sobre a estética de outro autor, …]

Deixando de preâmbulos, havia ele de escrever alguma coisa.

Redenção da Introdução à Crônica

Antes de me desenrolar (e me enrolar) em reflexões acerca de algum assunto, gostaria de tentar muito perfunctoriamente imergir o leitor em minha problemática. De antemão peço desculpas por meu escasso repertório, mas com as singelas ferramentas que tenho tentarei dizer alguma coisa.

Introdução à Crônica

Pode-se escrever sobre tudo (e muitos aspirantes-pseudo-pensadores-picaretas como eu são a prova escrita disto). Ao mesmo tempo é absolutamente incontestável que tudo já foi escrito, pensado ou imaginado por algum ser humano. Que nenhuma idéia é nova ou inteiramente auto-referente. Desta forma, um bom leitor jamais escreveria uma palavra sequer de qualquer tipo de literatura. Entretanto a vida nos impregna de uma poesia completamente inquietante [peço que se dê a poesia o infindável sentido que a palavra possui e merece] que anseia por transbordar em sons, cores, cheiros, sabores, gestos, enfim, palavras.

Não há como resistir ao comichão ansioso que vive a cutucar a imaginação e o ego, pedindo para virar mais uma refletida expressão do nada. Por isso, é irrevogável desnudar a mente e o coração em mais uma manifestação do eu que muitíssimo raramente acrescentará ou melhorará algo em Nós.

Penso que julgar intenções e méritos de pobres almas mortais que pensam exprimir algo através da palavra é sandice das mais ignóbeis. Tanto faz ler 1.500 livros para descrever a ignorância de dois homenzinhos ou tirar da própria ignorância material para escrever 1.500 livros. (Que se divirta que tem saco para tanto! Hoje minha ignorância cabe muito bem em três páginas redigidas em letras grandes). [Transportem o exemplo do conhecimento literário para os vários âmbitos da existência humana: a vivência amorosa, o conhecimento sobre as duras realidades e injúrias da vida, e por aí vai…].

Um problema imponente e de insondáveis divagações existencialistas é a vaidade literária. Todos os escritores querem escrever o Quixote, (os que desistem da imortalidade se contentam em ser o best-seller semanal). Como se contentar em ser mais um autor-sem-editora ou blogueiro-potencial?

Apesar de tudo, toda palavra quer ser lida, imaginada, colorida, musicada, saboreada, profanada, respeitada, sussurrada, adjetivada, citada, ensotaqueada, silabeada, esmiuçada, aguçada, emporcalhada, mal-tratada, esgotada, …

Talvez o pior entrave seja, finalmente, o esgotamento da criatividade. Quando ela esgota esgotou… E muitas vezes não se disse nem um tiquinho do que se ansiava dizer.

Resumo da tentativa de Crônica

[Ao fim, algo foi realmente dito?

O que havia me feito começar a escrever?

Consegui explicar a primeira palavra?

Minha existência foi justificada?

Nos divertimos?

Pensamos?

Entrarei eu agora para a infinita Biblioteca?]

*

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