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O QUE HÁ COM A POESIA? PARA IVO BARROSO FALTA…

Para Ivo Barroso, falta à poesia atual o poder de emocionar

Cada vez a poesia “atinge” menos leitores, seja porque recorre a uma linguagem que em última instância a elitiza ou a marginaliza, seja pela sua atual incapacidade de atingir aquilo que parece o fim precípuo dessa arte: o poder de emocionar, de tocar uma corda sensível do leitor e tirá-lo, ainda que por brevíssimos instantes, do fulcro habitual em que vive e pensa. A maior parte da produção poética de nosso tempo nada tem a ver com a poesia propriamente dita: é prosa ruim ou letra de música ou abjeções destinadas ao vaso sanitário. Além disso há uma persistência inexplicável por métodos que de há muito se revelaram inócuos. Tenho engulhos quando leio poemas com trocadilhos ou jogos de palavra aleatórios tipo pá/lavra e quejandos. Há gente que ainda hoje usa recursos concretistas pensando que está fazendo poesia “avançada”…

BAÍA DE ANTONINA. tela de claudio kambé. ilustração do site.

AS CHUVAS poema de h. dubal

 

Nas mãos do vento as chuvas amorosas
vinham cair nos campos de dezembro,
e de repente a vida rebentava
na força muda que as sementes guardam.

Nas ramas verdes rebentava a luz
e a doçura do tempo transformava
a terra e o gado na pastagem tenra
na alegria dos rios renovados

Cheiro de gado e de currais suspenso
no ar que os dedos do inverno vão tecendo
mais um vez nos campos de dezembro.

E nos trovões a tarde acalentada,
cantiga de viver que a chuva traz
numa clara certeza repetida.

 

 

H. DUBAL – Poeta Crítico, leitor de Sartre, Rilke, T.S.Eliot e Camus… existencialista. Nào falava de si, discreto. falava do mundo, criticava a modernidade…entregou as moedas para o barqueiro há dois meses.

A ENCENAÇÃO poema de altair de oliveira

 

Antes que a dor me arrie,

Emulo um lance de sorte

E empano a extinta alegria

Eu  a empunho como estandarte,

e a porto por toda parte…

(…rio só noites e dias!)

E a emprego de arma de marte

com artes de artilharia

E miro o motor da morte…

 

– Algoz com as minhas algias!!!

 

CRUCIFIXO REAL poema de ademário da silva

Um céu / Um sol

África de urinol

Um chão

Deserto de Saara

Escancara corrupção

Tempestade de emoção

Lágrimas de penitência

Ausências solidárias

Multifárias questões

Humanos borrões

Ações estáticas

Fantásticas são as prisões

A prisão dos ventres

Das mentes e dos corações

Vilões da liberdade



Sentados no trono da falsidade

Administrando destinos de infantilidades

Clitóris em desavisos

Meretrícias condutas

Liturgias pedófilas

O pecado do mundo e o cordeiro do nada

No templo das indulgências milenares

Um esquisito madeiro

Provoca a inflação moral

Por trinta dinares!