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ATÉ A NOITE ACABAR de otto nul / palma sola.sc


Queria te encontrar

Na lua, na rua,

Em lugares assim

Sem endereço nem fim

Queria te ver de novo

No meio do povo

Queria te olhar, te ver,

Onde possa ser

Te falar, te falar,

Longamente

Sob o fulgor esplendente

Da rua, da lua

Em lugar solitário

Sem ninguém notar

Na rua, na lua,

Sem parar

Queria te amar, te amar,

Até a noite acabar

INCÓGNITO – de otto nul /palma sola.sc

Move-se

Ou não se move

Ri-se

Ou não se ri

Olha-se

Ou não se olha

Inquire-se ou não

Ouve

Apagou-se

Excluiu-se

Num beco

Aprumou-se

Pertence ao mundo

Não é de lugar algum

AI DE MIM – de otto nul / palma sola.sc

De hora em hora

A desoras

Ora ora ora

Estou por fora

Blasfêmias

Abstêmias

Sistêmicas

Abantesmas

Mesmo galho

No baralho

Com outro alho

Que esbugalho

Numa guinada

À rapaziada

Dou uma pernada

Na madrugada

E por fim

Diga sim

Ai de mim

Querubim

MORRER de otto nul / palma sola.sc

Morrer num repente

E para sempre

Morrer de tédio,

Subitamente,

Morrer aqui e agora

Ao despontar da aurora

Morrer aniquilado

De morte jubilado

Morrer sem remissão

E sem perdão

Morrer de tristeza

Ou de paixão

Morrer de desencanto

Ou de beleza.

SOLIDÃO poema de otto nul

 

Estou só

Sempre só

Solidão que insiste

Que resiste

 

De tal modo só

Nada mais existe

Tomo assim pos-

Se de mim

 

Pouco mais desejo

Que ser apenas eu

Comigo num so-

Lilóquio sem fim

 

Que bom ser assim

Nessa fala infinda

Tudo vem de mim

Embora só ainda.

 

 

        x x x

 

(abril/09 – Otto Nul)