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VIA CRUCIS – de alceu wamosy / uruguaiana.rs

Ó calvário do Verso! Ó Gólgota da Rima!
Como eu já trago as mãos e os tristes pés sangrentos,
De te escalar, assim, nesta ânsia que me anima,
Neste ardor que me impele aos grandes sofrimentos…

Esta mágoa, esta dor, nada existe que exprima!
Sinto curvar-me o joelho a todos os momentos!
E quanto falta, Deus, para chegar lá em cima,
Onde o pranto termina e cessam os tormentos…

Mas é preciso! Sim! É preciso que eu carpa,
Que eu soluce, que eu gema e que ensangüente a escarpa,
Para esse fim chegar, onde meus olhos ponho!

Hei de ascender, subir, levando sobre os ombros,
Entre pragas, blasfêmeas, gemidos e assombros,
A eterna Cruz pesada e negra do meu Sonho!

DUAS ALMAS de alceu wamosy / uruguaiana.rs

Ó tu, que vens de longe, ó tu, que vens cansada,
entra, e sob este teto encontrarás carinho:
eu nunca fui amado, e vivo tão sozinho,
vives sozinha sempre, e nunca foste amada…

A neve anda a branquear, lividamente, a estrada,
e a minha alcova tem a tepidez de um ninho.
entra, ao menos até que as curvas do caminho
se banhem no esplendor nascente da alvorada.

E amanhã, quando a luz do sol dourar, radiosa,
essa estrada sem fim, deserta, imensa e nua,
podes partir, ó nômade formosa!

Já não serei tão só, nem irás tão sozinha.
Há de ficar comigo uma saudade tua…
Hás de levar contigo uma saudade minha…

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Alceu de Freitas Wamosy (Uruguaiana, 14 de fevereiro de 1895 — Santana do Livramento, 13 de setembro de 1923) foi um jornalista e poeta brasileiro.

Filho de José Afonso Wamosy, de origem húngara e Maria de Freitas, foi um poeta simbolista publicou seu primeiro livro de poesia, Flâmulas, em 1913, enquanto já trabalhava como colaborador no jornal fundado por seu pai, A Cidade, em Alegrete.

Poeta simbolista,escreveu poemas cheios de desencanto, em uma produção que se destacou no sul do país e é uma das mais significativas do Simbolismo brasileiro.

Em 1917 adquiriu o jornal O Republicano, no qual permaneceu trabalhando até seu falecimento em 1923. Republicano ferrenho, lutou na Revolução Federalista, combatendo em Santa Maria Chica, Pontes do Ibirapuitá e Ponche Verde, onde foi ferido mortalmente.

É patrono de uma cadeira da Academia Rio-Grandense de Letras. Foi homenageado como patrono da Feira do Livro de Porto Alegre em 1967.

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