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O PERIGO VEM DE LÁ, NÃO DAQUI – por anna malm / estocolmo

A atitude bélica do govêrno dos Estados Unidos, não as tentativas diplomáticas e racionais do Brasil e da Turquia deixam o mundo mais perigoso.

Quanto aos comentários de Hillary Clinton transmitidos pela televisão brasileira à respeito do acima dito, acrescenta-se que no seu próprio país, os EUA, pode-se constatar que as avaliações apresentadas por outras fontes americanas, no caso mais condígnas, diferem bastante das por ela apresentadas. [1]

A atitude do govêrno dos Estados Unidos em anunciar publicamente que se tinha conseguido apôio para sanções ao mesmo tempo que se noticiava  pelo mundo que o acôrdo com o Irã tinha sido assinado, tem que ser visto como um surpreendente e espantoso insulto em frente a uma tão notável realização diplomática, conferem outros analistas desafiando a posição oficial.

Constata-se que se pode ficar certo que no resto do mundo a reação malevolente da administração de Obama não passou despercebida e de que se tomaram notas cuidadosas para serem relembradas no futuro, se bem que uma reação dessas não seria esquecida nem perdoada facilmente. Como certo concluiu-se que  se confirmaria uma vêz mais que o jôgo sujo dos americanos continuava como sempre, da forma depressivamente conhecida e isso dito e sustentado  por americanos.

Um ponto que Hillary Clinton não entendeu ou não quer divulgar, mostra-se na avaliação apresentada por outros analistas americanos [1] de que o que o Irã mais deseja nêsse mundo é que a grosseira dominância dos EUA- mostrada claramente quando os EUA partem ditando e dando ordens pelo mundo afora e isso muito especialmente pelo Oriente Médio- se dissipe ou pelo menos reverta-se a um nível mais aceitável. [1] .

E por falar em estados “vagabundos-sem eira nem beira” (rogue states) que é uma das expressões favoritas dos EUA para alguns países, nota-se que os Estados Unidos como Estado, êle mesmo, está a bom caminho para poder ser considerado como um tal, falido e sem eira nem beira. Que impérios possam falir da noite para o dia mostrou-se nos tempos modernos no caso da União Soviética. É a gota d´água que transborda o copo e diga-se de passagem que o copo americano já está bem cheio só esperando pelas últimas gotas para transbordar de vêz.

Respeito e admiração pela vitória diplomática deu-se internacionalmente.  A vitória diplomática registrou-se  em diversas publicações de pêso no Oriente Médio, na Europa e nos Estados Unidos.  Como um dos exemplos, além dos noticiários amplamente divulgados internacionalmente,  veja [2] e [3].

Uma publicação americana faz as seguintes análises à respeito com o que se pode contar em caso contrário:- [4]

Militarmente se se comparar a capacidade iraniana com a da americana pode-se concluir que a capacidade americana é massiva e que o Irã não teria como se salvaguardar convenientemente frente a um ataque americano. Isso tendo sido dito conclui-se que de modo algum  é para se entender como se fôsse uma vitória americana certa, com muitos louros a colocar na corôa da vitória. Muito pelo contrário. O que se é de esperar é miséria e morte e isso não só para o Irã.

Para os Estados Unidos o Iraque deveria ser considerado como um “pic-nic” se comparado com o que esperar do Irã seguindo se a um ataque americano. Conclui-se também que o Irã tem possibilidades de pôr uma pressão efetiva nas posições americanas tanto no Iraque como no Afeganistão e que isso é de se esperar no caso dêsse pesadelo se materializar. [4]

Mesmo que o Irã não seja um país árabe, sendo como é um país de cultura persa, é no entanto um país islâmico. Sunitas (por ex do Egito e da Arábia Saudita)  e Shiitas (Irã) islâmicos podem ter diferente opiniões à respeito de muitas questões ideológicas, mas atacando o Irã os EUA estariam atacando em primeira mão um país islâmico e isso não seria calmamente aceito pelos 1.500.000.000 islamitas do mundo inteiro, independentemente das divergências ideológicas internas. Imagine-se o que isso representaria para o Egito, a Jordânia o Líbano e a Arábia Saudita para se nominar apenas alguns paíse com grande população islâmica. Pode-se também imaginar o que isso representaria para diversos países da Europa e mesmo para o próprio USA, e aqui não se falando de terroristas, mas de gente simples e correta como você e eu, e os nossos vizinhos. No mínimo é de se esperar demonstrações e reações sadias de revolta e repugnância pelas ruas das maiores cidades do mundo, assim como uma movimentação social da qual é difícil de se prever as consequências. Uma coisa é no entanto certa. Não fortalecerá a posição dos Estados Unidos no mundo.

E depois do Irã, se o govêrno dos EUA quisesse deslanchar novas guerras no Oriente Médio, teria que fazer isso com dinheiro emprestado. Dinheiro êsse que, pode-se concluir, deveria emprestar dos seus credores, a quem já está devendo a camisa, credores êsses como a China e a Arábia Saudita. Credores êsses que já também não deveriam estar muito contentes em ver os Estados Unidos tomando iniciativas militares desfavoráveis aos legítimos e importantes interêsses financeiros deles.

Começar uma guerra com o Irã para os Estados Unidos significaria o fio de cabelo na carga que quebraria as costas do camelo. O que os EUA teriam a esperar do destino seria o mesmo que a Inglaterra quando essa   por mal dos pecados decidiu-se por invadir o Egito e isso  para obter o contrôle do Canal de Suez em 1956, o que fêz com o auxílio da França e de Israel. Fêz, mas não lhe serviu de nada,  porque com isso perdeu o pouco que ainda tinha, pondo ponto final nas suas aspirações como um império mundial potente.

Os analistas terminam especificando que, como Americanos que são, esperam que seu govêrno vá poder fazer melhor que isso.

Portanto, voltando a Hillary Clinton pode-se afirmar que nem todos nos Estados Unidos pensam como ela gostaria. Muitos pensam e acertam publicamente que o  perigo não vem dos feitos diplomáticos do Brasil e da Turquia mas das ilegítimas agressões  bélicas dos próprios americanos, da mesma maneira que o perigo da proliferação nuclear na região do Oriente Médio não vem do Irã, mas dos Estados Unidos e de Israel.

O primeiro passo diplomático já foi dado pelo Brasil e pela Turquia. Agora é hora do Conselho de Seguradas das Nacões Unidas fazer sua parte, assegurando-se que os tratados de não proliferação de armas nucleares se cumpra e isso começando por Israel. Que a Agência Internacional de Energia Atômica possa constatar, para que todo o mundo poder respirar aliviado, que pelo menos Israel não tem armas nucleares, uma vê que os paises europeus que não as deveriam ter – o que infringindo os tratados internacionais lhes foi concedido pelos EUA -as tem. Armas que, infringindo os tratados internacionais aos quais deveriam obedecer e não obedecem, estão voltadas para o Irã.

Que se acabe com a hipocrisia deslavada e a matança generalizada. Isso é o que é necessário para se ter uma America Latina assim como um mundo mais seguro e confidente. Isso e  não a sabotagem de esforços diplomáticos e racionais como os do Brasil e da Turquia na arena mundial, arena essa onde os EUA já perderam a vêz,  assim como o lugar de honra, restando-lhes agora o caminho ensanguentado para impôr seus objetivos.  Se Obama estivesse agindo honestamente nêsse,  como em muitos outros casos, o caminho agora estaria aberto para negociações frutíferas com o Irã.
Referências:

[1] Graham Fuller publicado em 26 de maio de 2010 como op-ed no “Christian Science Monitor”

[2] Rami G. Khouri – [Negociando com o Irã] – “Dealing with Iran” em http://www.patrickseale.com

[3] Abdel Bari Atwan – [Um Goal Iraniano nos Últimos Segundos] –“An Iranian Goal in the Final Seconds” em  www.bariatwan.com

[4] Leverett, Flynt and Leverett, Hillary Mann em http://www.raceforiran.com

2010-05-26

[5] Prof. Michel Chossudovsky [Europa – Os cinco não declarados Estados Nucleares] – Europe´s Five “Undeclared Nuclear Weapons States.” emwww.globalresearch.ca

*Anna Malm é correspondente do Pátria Latina em Estocolmo na Suecia

SILVIO TENDLER: “CARTA AO GOVERNO ISRAELENSE”

Recebo carta aberta, assinada pelo cineasta Silvio Tendler, e endereçada ao governo israelense.

O texto, certamente, expressa o sentimento de milhares de judeus humanistas, espalhados pelo mundo, e que não suportam mais ver o seu povo associado à política genocida adotada por Israel.

Uma cultura que gerou pensadores como Marx, Freud, Eistein, e centenas de autores e intelectuais como Stephen Zweig, Amos Oz e tantos outros, não pode ser jogada no lixo pela política fascista do Estado de Israel.

É importante não estigmatizar a cultura judaica, e não permitir que o anti-semitismo se propague, sob impacto desse ataque criminoso promovido pelo governo israelense. RODRIGO VIANNA.

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CARTA AO GOVERNO ISRAELENSE – por Silvio Tendler

Senhores que me envergonham:

Judeu identificado com as melhores tradições humanistas de nossa cultura, sinto-me profundamente envergonhado com o que sucessivos governos israelenses vêm fazendo com a paz no Oriente.Médio.

As iniciativas contra a paz tomadas pelo governo de Israel vem tornando cotidianamente a sobrevivência em Israel e na Palestina cada vez mais insuportável.

Já faz tempo que sinto vergonha das ocupações indecentes praticadas por colonos judeus em território palestino. Que dizer agora do bombardeio do navio com bandeira Turca que leva alimentos para nossos irmãos palestinos? Vergonha, três vezes vergonha!

Proponho que Simon Peres devolva seu prêmio Nobel da Paz e peça desculpas por tê-lo aceito mesmo depois de ter armado a África do Sul do Apartheid.

Considero o atual governo, todos seus membros, sem exceção,  merecedores por consenso universal do Prêmio Jim Jones  por estarem conduzindo todo um pais para o suicídio coletivo.

A continuar com a política genocida do atual governo nem os bons  sobreviverão e Israel perecerá baixo o desprezo de todo o mundo..

O Sr., Lieberman, que  trouxe da sua Moldávia natal vasta experiência com pogroms, está firmemente empenhado em aplicá-la contra nossos irmãos palestinos. Este merece só para ele um tribunal de Nuremberg.

Digo tudo isso porque um judeu humanista não pode assistir calado e indiferente o que está acontecendo no Oriente Médio. Precisamos de força e coragem para, unidos aos bons, lutar pela convivência fraterna entre dois povos irmãos.

Abaixo o fascismo!

Paz Já!

Silvio Tendler

LULA no Editorial do LE MONDE (25.05.10) – no Brasil, demos e tucanos vão ao desespero / paris

Editorial do Mundo.

O BRASIL DE LULA EM TODAS AS FRENTES

Tradução Sergio Faria

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Lula aqui, o Brasil  lá! O mundo está repleto de declarações do Presidente brasileiro e das ações não só futebolísticas de seus cidadãos.

Ouvimos Luiz Inácio Lula da Silva repreender a Alemanha pela sua relutância em salvar a Grécia, e, também, oferecer sua mediação no conflito  entre Israelitas e palestinos.

Nós o vimos tentando resolver a questão nuclear iraniana junto com os turcos, e apoiar os argentinos em seu conflito contra os Ingleses na questão da Ilhas Malvinas e do petróleo que tem lá.

Mas “o homem mais popular do mundo”,  como disse Barack Obama não se apóia somente no seu carisma para falar em voz alta. Ele encarna um  Brasil em plena forma que,  depois da crise, acompanha a China e a Índia em termos de crescimento.

A Petrobras, empresa de petróleo que é a mais lucrativa da América Latina, a Vale, líder mundial em ferro, a Embraer poderia superar a Boeing e a Airbus antes do tempo, são as jóias de uma economia industrial de primeira ordem.

Na agricultura o crescimento é semelhante, e deu ao Brasil  o título de “celeiro do mundo. Soja, açúcar, etanol, café, frutas, algodão, galinhas,etc.. tornaram-no um competidor formidável para os agricultores europeus.

Em 2008 o Brasil tornou-se consciente das suas capacidades económicas. Até então, ele negociou na Organização Mundial do Comércio, mas um pouco frio. A crise dos Estados Unidos e o colapso da produção industrial dos chamados países avançados, o persuadiu que era o tempo para a ofensiva.

Agora o Brasil é brilhantemente representado pelo seu ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que pressiona para uma forte conclusão das negociações da Rodada Doha. Em comparação, os Estados Unidos parecem ter parado em outra era: a do protecionismo.

Menos temida que a da China e da Índia, bilionárias em população, mais considerada que uma Rússia rentista de suas matérias primas, o Brasil é o verdadeiro porta-voz das economias emergentes que contribuem para o crescimento mundial. O eixo econômico do mundo que se desloca em direção ao sul, permite afirmar, com razão, que se substituem assim os países do Norte em avaria de vitalidade por melhores representantes em organismos internacionais, começando pelo Banco Mundial e pelo  FMI. Sem mencionar o Conselho de Segurança das Nações Unidas, em que o Brasil quer manter um assento permanente.

Porque “o século XXI pertence aos países que não tiveram sua chance”, e porque ele se considera pessoalmente ” em meio de carreira política”, Lula (65) poderá apresentar sua candidatura à Secretaria Geral da ONU em 2012.  Ele deverá também lutar para melhorar o G20, que ele considera com uma influência “muito fraca”.

Nós não acabamos ainda de ouvir o ex-metalúrgico, um amigo das favelas e dos investidores. Nós não acabamos ainda de falar  do Brasil no alvorecer de seus “trinta anos gloriosos”.

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Edito du Monde

Le Brésil de Lula sur tous les fronts

LE MONDE | 24.05.10

Lula par-ci, Brésil par-là ! Le monde bruisse des déclarations du président brésilien et des hauts faits pas seulement footballistisques de ses concitoyens.

On a entendu Luiz Inacio Lula da Silva tancer l’Allemagne pour ses réticences à sauver la Grèce, et proposer sa médiation dans le conflit israélo-palestinien.

On l’a vu essayer de désamorcer avec les Turcs le dossier nucléaire iranien, et soutenir les Argentins dans leur conflit contre les Britanniques à propos des Malouines et de leur pétrole.

Mais “l’homme le plus populaire du monde”, selon Barack Obama, ne s’appuie pas seulement sur son charisme pour parler haut et fort. Il incarne un Brésil en pleine forme qui, après un passage à vide dû à la crise, talonne la Chine et l’Inde en termes de croissance.

Petrobras, le groupe pétrolier qui est l’entreprise la plus lucrative d’Amérique latine, Vale, leader mondial du fer, l’avionneur Embraer qui pourrait bien damer le pion à Boeing et Airbus avant longtemps, ne sont que les fleurons d’une économie industrielle de premier ordre.

Côté agricole, la montée en puissance est comparable, et a valu au Brésil le titre de “grenier du monde”. Soja, sucre, éthanol, café, fruits, coton, poulets, etc. en font un concurrent redoutable pour les éleveurs européens.

C’est en 2008 que le Brésil a pris conscience de ses capacités économiques. Jusque-là, il négociait à l’Organisation mondiale du commerce, mais de façon un peu frileuse. La crise partie des Etats-Unis et l’effondrement de la production industrielle des pays dits avancés l’ont persuadé que l’heure était à l’offensive.

Désormais, c’est le Brésil, brillamment représenté par son ministre des affaires étrangères, Celso Amorim, qui pousse le plus fort pour une conclusion des négociations du cycle de Doha. En comparaison, les Etats-Unis semblent englués dans un protectionnisme d’un autre temps.

Moins redouté que la Chine ou l’Inde, milliardaires en population, mieux considéré qu’une Russie rentière de ses matières premières, le Brésil est le véritable porte-parole de ces économies émergentes qui tirent la croissance mondiale. L’axe économique du monde se déplaçant vers le Sud, il peut réclamer à bon droit que ceux qui se substituent ainsi aux pays du Nord en panne de vitalité soient mieux représentés dans les instances internationales, à commencer par la Banque mondiale et le Fonds monétaire international (FMI). Sans oublier le Conseil de sécurité de l’ONU, au sein duquel le Brésil souhaite détenir un siège de membre permanent.

Parce que “le XXIe siècle sera le siècle des pays qui n’ont pas eu leur chance”, et parce qu’il s’estime personnellement “à la moitié de [son] parcours politique”, Lula (65 ans) pourrait présenter sa candidature au secrétariat général de l’ONU en 2012. Il devrait aussi militer pour améliorer le G20, dont il juge l’influence “très faible”.

On n’a pas fini d’entendre l’ancien métallo, ami des favelas et des investisseurs. On n’a pas fini d’entendre parler d’un Brésil à l’aube de ses “trente glorieuses”.

Article paru dans l’édition du 25.05.10

http://www.lemonde.fr/

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Revista Time escolhe Lula como um dos líderes mais influentes do mundo

DEMOS  e TUCANALHAS, se desesperam diante do reconhecimento  da liderança mundial do Presidente LULA. Para lembrar, FHC, O CULTO, jamais recebeu uma frase elogiosa, sequer de uma ditadura africana. Essa gente, vendilhões da pátria,  já passou! O povo brasileiro não quer voltar atrás!

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Presidente é destaque na categoria “leaders”, junto com Barack Obama; brasileiro Jaime Lerner é citado entre “pensadores”

29/04/2010 | 11:50 | AGÊNCIA ESTADO E G1/GLOBO.COMatualizado em 29/04/2010 às 19:57

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito pela revista americana “Time” um dos líderes mais influentes do mundo em 2010, ao lado de figuras como o colega americano, Barack Obama. Embora o nome de Lula seja o primeiro da lista, a publicação afirma que isto não o qualifica como o líder mais influente, pois não se trata de um ranking. Em 2004, o presidente brasileiro já figurara na relação – ocasião em que foi descrito como “a voz dos países em desenvolvimento”.

A lista das 100 pessoas mais influentes do mundo deste ano, divulgada nesta quinta-feira (29), é dividida em quatro categorias: líderes, heróis, artistas e pensadores. Lula divide o título com outros 25 líderes, de empresários a políticos.

O perfil do brasileiro é assinado pelo documentarista Michael Moore. No texto – altamente elogioso -, ele descreve Lula como “um autêntico filho da classe trabalhadora latino-americana”. “O que Lula quer para o Brasil é o que costumávamos chamar de o sonho americano”, compara.

O perfil menciona a história de Lula, desde sua infância no Nordeste, “forçado a deixar a escola na quinta série para ajudar a família”, até sua eleição em 2002, “quando, depois de três candidaturas fracassadas, já era uma figura conhecida na política brasileira”. O texto questiona: “mas o que o levou à política?”. E responde: “foi quando, aos 25 anos, assistiu sua mulher Maria morrer no oitavo mês de gravidez, junto com o bebê, porque não podiam pagar um atendimento médico decente”.

Moore aproveita o perfil de Lula para criticar seu próprio país. “A grande ironia do governo Lula é que, enquanto tenta conduzir o Brasil ao primeiro mundo com programas sociais estatais, como o Fome Zero, os Estados Unidos se parecem cada vez mais com o antigo terceiro mundo.”

Esta é a sétima lista do gênero divulgada pela “Time”. A publicação de 2010 chega quando a aprovação do presidente brasileiro alcança os 84%, de acordo com a última pesquisa Ibope A lista de líderes influentes inclui o presidente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, a presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, Nancy Pelosi, e a ex-governadora do Alasca e candidata a vice-presidente na chapa de John McCain, Sarah Palin , além dos primeiros-ministros japonês e palestino, Yukio Hatoyama e Salam Fayyad.

Jaime Lerner

O ex-prefeito de Curitiba Jaime Lerner também figura na lista, só que na categoria dos pensadores mais influentes do mundo. “Nos últimos 40 anos, Lerner deixou um magnífico legado de sustentabilidade urbana”, escreveu o prefeito de Vancouver, Gregor Robertson, que traçou o perfil do brasileiro. Ele descreve o colega como um “pioneiro” do sistema de transporte público nas cidades – um modelo, segundo o texto, “agora usado em todo o mundo”.

Outros nomes na mesma categoria incluem o presidente da Apple, Steve Jobs, os economistas Paul Volcker e Amartya Sen, e a integrante da Suprema Corte americana Sonia Sotomayor.

Outras homenagens

Lula já havia recebido outras homenagens de jornais e revistas importantes no cenário internacional. Em 2009, foi escolhido pelo jornal britânico “Financial Times” como uma das 50 personalidades que moldaram a última década.

Também foi eleito o “homem do ano 2009” pelo jornal francês ‘Le Monde’, na primeira vez que o veículo decide conferir a honraria a uma personalidade. No mesmo ano, o jornal espanhol ‘El País’ escolheu Lula o personagem do ano. Na ocasião, Zapatero refigiu o artigo de apresentação do brasileiro e disse que Lula ‘surpreende’ o mundo.

Veja abaixo a lista dos 10 líderes mais influentes da Time

1 – Luiz Inácio Lula da Silva
2 – J.T. Wang
3 – Admiral Mike Mullen
4 – Barack Obama
5 – Ron Bloom
6 – Yukio Hatoyama
7 – Dominique Strauss-Kahn
8 – Nancy Pelosi
9 – Sarah Palin
10 – Salam Fayyad

(Confira a lista completa no site da revista)

Chomsky: o que está em jogo na questão do Irã – David Goessmann/Fabian Scheidler – Freitag

Noam Chomski

Em entrevista à publicação alemã Freitag, Noam Chomsky fala da pressão dos EUA e de Israel sobre o Irã e seu significado geopolítico. “O Irã é percebido como uma ameaça porque não obedeceu às ordens dos Estados Unidos. Militarmente essa ameaça é irrelevante. Esse país não se comportou agressivamente fora de suas fronteiras durante séculos. Israel invadiu o Líbano, com o beneplácito e a ajuda dos EUA, até cinco vezes em trinta anos. O Irã não fez nada parecido”, afirma.


Barak Obama obteve em 2009 o Prêmio Nobel da Paz enquanto enviava mais tropas ao Afeganistão. O que ocorreu com a “mudança” prometida?

Chomsky: Sou dos poucos que não está desiludido com Obama porque não depositei expectativas nele. Eu escrevi sobre as posições de Obama e suas perspectivas de êxito antes do início de sua campanha eleitoral. Vi sua página na internet e para mim estava claro que se tratava de um democrata moderado ao estilo de Bill Clinton. Há, claro, muita retórica sobre a esperança e a mudança. Mas isso é como uma folha em branco, onde se pode escrever qualquer coisa. Aqueles que se desesperaram com os últimos golpes da era Bush buscaram esperanças. Mas não existe nenhuma base para expectativa alguma uma vez que se analise corretamente a substância do discurso de Obama.

Seu governo tratou o Irã como uma ameaça em função de seu programa de enriquecimento de urânio, enquanto países que possuem armas nucleares como Índia, Paquistão e Israel não sofrem a mesma pressão. Como avalia essa maneira de proceder?

Chomsky: O Irã é percebido como uma ameaça porque não obedeceu às ordens dos Estados Unidos. Militarmente essa ameaça é irrelevante. Esse país não se comportou agressivamente fora de suas fronteiras durante séculos. O único ato agressivo se deu nos anos 70 sob o governo do Xá, quando, com apoio dos EUA, invadiu duas ilhas árabes. Naturalmente ninguém quer que o Irã ou qualquer outro país disponha de armas nucleares. Sabe-se que esse Estado é governado hoje por um regime abominável. Mas apliquem-se os mesmos rótulos aplicados ao Irã a sócios dos EUA como Arábia Saudita ou Egito e só se poderá o Irã em matéria de direitos humanos. Israel invadiu o Líbano, com o beneplácito e a ajuda dos EUA, até cinco vezes em trinta anos. O Irã não fez nada parecido.

Apesar disso, o país é considerado como uma ameaça…
Chomsky: Porque o Irã seguiu um caminho independente e não se subordina a nenhuma ordem das autoridades internacionais. Comportou-se de modo similar ao que fez o Chile nos anos setenta. Quando este país passou a ser governador pelo socialista Salvador Allende foi desestabilizado pelos EUA para produzir “estabilidade”. Não se tratava de nenhuma contradição. Era preciso derrubar o governo de Allende – a força “desestabilizadora” – para manter a “estabilidade” e poder restaurar a autoridade dos EUA. O mesmo fenômeno ocorre agora na região do Golfo. Teerã se opõe à autoridade dos EUA.

Como avalia o objetivo da comunidade internacional ao impor graves sanções a Teerã?
Chomsky: A comunidade internacional: curiosa expressão. A maioria dos países do mundo pertence ao bloco não alinhado e apóiam energicamente o direito do Irã de enriquecer urânio para fins pacíficos. Tem repetido com freqüência e abertamente que não se consideram parte da denominada “comunidade internacional”. Obviamente pertencem a ela só aqueles países que seguem as ordens dos EUA. São os EUA e Israel que ameaçam o Irã. E essa ameaça deve ser tomada seriamente.

Por que razões?
Chomsky: Israel dispõe neste momento de centenas de armas atômicas e sistemas de lançamento. Destes últimos, os mais perigosos provem da Alemanha. Este país fornece submarinos nucleares Dolphin, que são praticamente invisíveis. Podem ser equipados com mísseis nucleares e Israel está preparado para deslocar esses submarinos para o Golfo. Graças à ditadura egípcia, os submarinos israelenses podem passar pelo Canal de Suez.

Não sei se isso foi noticiado na Alemanha, mas há aproximadamente duas semanas a Marinha dos EUA informou que construiu uma base para armas nucleares na ilha Diego Garcia, no oceano Índico. Ali seriam estacionados os submarinos equipados com mísseis nucleares, inclusive o chamado “destruidor de bunkers”. Trata-se de projéteis que podem atravessar muros de cimento de vários metros de espessura. Foram pensados exclusivamente para uma intervenção no Irã. O destacado historiador militar israelense Martin Levi van Creveld, um homem claramente conservador, escreveu em 2003, imediatamente após a invasão do Iraque, que “depois desta invasão os iranianos ficaram loucos por ainda não terem desenvolvido nenhuma arma atômica”. Em termos práticos: há alguma outra maneira de impedir uma invasão? Por que os EUA ainda não ocuparam a Coréia do Norte? Porque ali há um instrumento de dissuasão. Repito: ninguém quer que o Irã tenha armas nucleares, mas a probabilidade de que o Irã empregue armas nucleares é mínima. Isso pode ser comprovado nas análises dos serviços secretos estadunidenses. Se Teerã quisesse equipar-se com uma só ogiva nuclear, provavelmente o país seria arrasado. Uma fatalidade deste tipo não é do gosto dos clérigos islâmicos no governo: até agora eles não mostraram nenhum impulso suicida.

O que pode fazer a União Européia para dissipar a tensão desta situação tão explosiva?
Chomsky: Poderia reduzir o perigo de guerra. A União Européia poderia exercer pressão sobre Índia, Paquistão e Israel, os mais proeminentes não assinantes do Tratado de Não Proliferação Nuclear, para que finalmente o assinem. Em outubro de 2009, quando se protestou contra o programa atômico iraniano, a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) aprovou uma resolução, que Israel desafiou, para que este país assinasse o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares e permitisse o acesso de inspetores internacionais aos seus sistemas nucleares. A Europa e os EUA trataram de bloquear essa resolução. Obama fez Israel saber imediatamente que não devia prestar nenhuma atenção a esta resolução.

É interessante o que acontece na Europa desde que a Guerra Fria acabou. Quem acreditou na propaganda das décadas anteriores devia esperar que a OTAN se dissolvesse em 1990. Afinal, a organização foi criada para proteger a Europa das “hordas russas”. Agora já não existem “hordas russas”, mas a organização se expande e viola todas as promessas que fez a Gorbachev, que foi suficientemente ingênuo para acreditar no que disseram o presidente Bush e o chanceler Kohl, a saber: que a OTAN não se deslocaria um centímetro na direção do leste europeu. Na avaliação dos analistas internacionais, Gorbachev acreditou em tudo o que eles disseram. Não foi muito sábio. Hoje a OTAN expandiu a grandes territórios do Leste e segue sua estratégia de controlar o sistema mundial de energia, os oleodutos, gasodutos e rotas de comércio. Hoje é uma mostra do poder de intervenção dos EUA no mundo. Por que a Europa aceita isso? Por que não se coloca de pé e olha de frente para os EUA?

Ainda que os EUA pretendam seguir sendo uma superpotência militar, a sua economia praticamente desmoronou em 2008. Faltaram bilhões de dólares para salvar Wall Street. Sem o dinheiro da China, os EUA talvez tivessem entrada em bancarrota.
Chomsky: Fala-se muito do dinheiro chinês e especula-se muito a partir deste fato sobre um deslocamento do poder no mundo. A China poderia superar os EUA? Considero essa pergunta uma expressão de extremismo ideológico. Os Estados não são os únicos atores no cenário mundial. Até certo ponto são importantes, mas não de modo absoluto. Os atores, que dominam seus respectivos Estados, são sobretudo econômicos: os bancos e as corporações. Se examinamos quem controla o mundo e determina a política, vamos nos abster de afirmar um deslocamento do poder mundial e da força de trabalho mundial. A China é o exemplo extremo. Ali se dão interações entre empresas transnacionais, instituições financeiras e o Estado na medida em que isso serve a seus interesses. Esse é o único deslocamento de poder, mas não proporciona nenhuma manchete.

CM.
Tradução para a Carta Maior: Katarina Peixoto

Fonte original: http://www.freitag.de/politik/1013-iran-obama-weltordnung-sanktionen

A ARMA DO JUÍZO FINAL por uri avnery / usa


Não há pior pesadelo para os judeus norte-americanos do que serem acusados de pôr a segurança de Israel acima da segurança dos EUA. Se Obama decidir reagir e ativar sua arma do juízo final – a acusação de que Israel põe em risco a vida de soldados dos EUA – as consequências serão catastróficas para Israel.


Já é lugar comum que, quem não aprende com a história, está condenado a repetir erros.

Há 1942 anos, os judeus revoltaram-se contra o Império Romano na província chamada Palestina. Considerado em retrospectiva, parece loucura. A Palestina era parte pequena e insignificante do império planetário que acabava de impor uma derrota acachapante ao poder rival – o Império dos Partos (a Pérsia) – e vencera também uma grande rebelião na Britânia. Que chances teria a revolta dos judeus?

Sabe Deus o que passaria pela cabeça dos Zelotes. Mataram os líderes moderados, que alertavam contra provocar o império, e ganharam prestígio entre a população judaica local. Confiavam em Deus. Talvez confiassem também nos judeus de Roma e acreditassem que a influência deles sobre o Senado conseguiria segurar o imperador, Nero. Talvez tivessem ouvido dizer que Nero estava enfraquecido, a beira de ser derrubado.

Sabe-se como acabou: depois de três anos de luta, os rebeldes foram esmagados, Jerusalém caiu e o templo foi reduzido a cinzas. Os últimos Zelotes suicidaram-se, em Massada.

Os sionistas bem que tentaram aprender com a história. Agiram de modo racional, não provocaram as grandes potências, trabalharam para obter o que fosse possível em cada caso. Fizeram concessões e cada concessão serviu-lhe de base para andar adiante. Inteligentemente usaram o radicalismo de seus adversários e conquistaram a simpatia do mundo.

Mas desde o início da ocupação, a mente dos sionistas parece mergulhada em trevas. O culto de Massada tornou-se dominante. Promessas divinas voltam a desempenhar função importante no discurso público em Israel. Partes significativas do público seguem hoje os novos zelotes.

E a fase seguinte também já começa a repetir-se: os líderes de Israel estão começando a rebelar-se contra a nova Roma.

O que começou como insulto ao vice-presidente dos EUA já se converte agora em algo muito maior. O camundongo pariu um elefante.

Nos últimos tempos, o governo de ultra direita em Jerusalém começou a tratar o presidente Obama com mal disfarçado desprezo. Os medos que ainda havia em Jerusalém no começo de seu governo dissiparam-se. Para eles, Obama é uma pantera negra de papel. Até desistiu de exigir verdadeiro congelamento das construções nas colônias. Cada vez que lhe cuspiram na cara, Obama comentou que começava a chover.

Agora, ostensivamente de repente, a paciência esgotou-se. Obama, seu vice-presidente e seus principais assessores condenam, cada dia com mais severidade, o governo de Netanyahu. A secretária de Estado Hillary Clinton impôs um ultimato: Netanyahu tem de por fim a toda e qualquer construção nas colônias, também em Jerusalém Leste; tem de começar a negociar os problemas centrais do conflito, inclusive Jerusalém Leste, e mais.

Surpresa total em Israel. Foi como se Obama cruzasse o Rubicão, quase como o exército egípcio cruzou o canal de Suez em 1973. Netanyahu deu ordem para mobilizar todas as reservas de Israel nos EUA e avançar todos os blindados diplomáticos. Todas as organizações de judeus nos EUA receberam ordens de unir-se à campanha. O AIPAC fez soar as cornetas de chifre de carneiro e ordenou que seus soldados, no Senado e na Câmara, atacassem a Casa Branca.

Parecia que ia começar a batalha decisiva. Os líderes israelenses tinham certeza de que derrotariam Obama. Mas então, de repente, ouviu-se um som estranho: o som da arma do juízo final. O homem que decidiu ativá-la é inimigo de novo tipo, que ainda não se vira em Israel.

David Petraeus é o oficial mais popular do exército dos EUA. General de quatro estrelas, filho de um capitão do mar holandês que emigrou para os EUA quando seu país foi ocupado pelos nazistas e lá viveu toda a vida, desde a infância. Foi “distinguished cadet” na academia militar de West Point e primeiro colocado na Escola de Alto Comando do Exército. Como comandante em combate, só colheu elogios. Escreveu sua tese de doutoramento (sobre as lições do Vietnã) em Princeton e trabalhou como professor-assistente na cátedra de Relações Internacionais na Academia Militar dos EUA.

No Iraque, comandou as forças em Mossul, a cidade mais problemática de todo o país. Concluiu que, para derrotar aqueles inimigos, os EUA tinham de conquistar corações e mentes da população civil, ganhar aliados locais e gastar mais dinheiro que munição. A população local conhecia-o como “Rei David”. Seu sucesso foi considerado tão significativo, que seus métodos incorporaram-se à doutrina oficial do exército dos EUA.

Sua estrela ascendeu rapidamente. Foi nomeado comandante das forças da coalizão no Iraque e logo se tornou chefe do Comando Central do exército dos EUA, que cobre todo o Oriente Médio exceto Israel e Palestina (os quais ‘pertencem’ ao comando norte-americano na Europa).

Quando Petraeus fala, o povo dos EUA ouve. Como pensador de questões militares, não tem rivais.

Essa semana, Petraeus enviou mensagem claríssima: depois de examinar os problemas de sua Área de Responsabilidade [ing. Area Of Responsibility, AOR] – que inclui, além de outros setores, o Afeganistão, o Paquistão, o Irã, o Iraque e o Iêmen – chegou ao que chamou de “causas de raiz da instabilidade” na região. O primeiro item dessa lista é o conflito Israel-Palestina.

No relatório que Petraeus encaminhou ao Comitê das Forças Armadas, lê-se:

“As intermináveis hostilidades entre Israel e alguns de seus vizinhos implicam desafios específicos à nossa habilidade para obter avanço no rumo de nossos interesses na AOR. (…) O conflito fomenta o sentimento anti-norte-americano, porque se percebe que os EUA favorecem Israel. A fúria dos árabes motivada pela questão palestina limita a força e a profundidade das parcerias que os EUA construam com governos e povos na AOR e enfraquece a legitimidade de regimes moderados no mundo árabe. Simultaneamente, al-Qaeda e outros grupos militantes exploram essa fúria e assim mobilizam apoios. O conflito [Israel-Palestina] também faz crescer a influência do Irã no mundo árabe, mediante seus clientes, o Hizbollah libanês e o Hamás.”

Como se não bastasse, Petraeus enviou seus oficiais para que apresentasse essas conclusões ao Conselho dos Comandantes do Estado-Maior.

Em outras palavras: a paz entre palestinos e israelenses não é questão específica de dois grupos, mas assunto que envolve o superior interesse nacional dos EUA. Isso significa que os EUA têm de alterar o apoio cego que tem dado ao governo israelense e deve impor a Solução de Dois Estados.

O argumento, como tal, não é novo. Muitos especialistas já disseram aproximadamente a mesma coisa. (Imediatamente depois dos ataques de 11/9, escrevi também nessa direção e previ que os EUA teriam de mudar suas políticas. Daquela vez, nada aconteceu.) Mas agora, a mesma ideia aparece em documento oficial redigido pelo comandante norte-americano responsável.

O governo Netanyahu imediatamente entrou em modo de redução de danos. Os porta-vozes disseram que Petraeus tenta impor sua visão estreita; que nada entende de questões políticas; que o argumento é falho. Nem por isso conseguiram impedir que, em Jerusalém, muitos começassem a suar frio.

Todos sabemos que o lobby pró-Israel domina sem limites o sistema político nos EUA. Isso, ou quase isso. Todos os políticos e altos funcionários norte-americanos morrem de medo dele. O menor desvio do roteiro prescrito pelo AIPAC, implica suicídio político.

Mas há um ponto fraco na armadura desse Golias político. Como Aquiles no calcanhar, esse descomunal lobby pró-Israel tem um ponto vulnerável o qual, se atingido, pode neutralizar todo o seu poder.

Boa ilustração desse fenômeno é o caso Jonathan Pollard (relacionados a eventos ocorridos em 1983-1984). Esse judeu-norte-americano era empregado de uma importante agência de serviços de inteligência e espionava para Israel. Para os israelenses, era herói nacional, um judeu que cumpria seus deveres de judeu. Mas para a comunidade de inteligência dos EUA, não passava de um traidor que pôs em risco a vida de vários agentes norte-americanos. Não satisfeitos com as penalidades de rotina, os EUA induziram a corte de justiça a condená-lo à morte [1]. Desde então, todos os presidentes dos EUA têm recusado os repetidos pedidos do governo de Israel para que a sentença seja comutada. Até agora, nenhum presidente norte-americano atreveu-se a confrontar os altos setores da inteligência dos EUA, para os quais Pollard é criminoso e merece a sentença de morte.

O aspecto mais significativo desse caso faz lembrar o famoso comentário de Sherlock Holmes, sobre cachorros que não latiram certa noite. No caso Pollard, o AIPAC não latiu. Silêncio. Toda a comunidade dos judeus norte-americanos manteve-se (e assim continua até hoje, 25 anos depois!) calada. O AIPAC jamais defendeu Pollard.

Por quê? Porque a maioria dos judeus norte-americanos está sempre disposta a fazer absolutamente tudo – tudo! – pelo governo de Israel. Com uma única exceção: jamais farão coisa alguma que dê a impressão de ferir a segurança dos EUA. Basta que suba a bandeira da segurança, e todos os judeus, como todos os norte-americanos, perfilam-se e batem continência. A espada de Dâmocles da suspeita de deslealdade pende sobre as cabeças dos judeus norte-americanos. Não há pior pesadelo para eles do que serem acusados de pôr a segurança de Israel acima da segurança dos EUA. Exatamente por isso, é vitalmente importante para os judeus norte-americanos repetirem eternamente, sem descanso, o mantra que reza que os interesses de Israel são idênticos aos interesses dos EUA.

E então, agora, aparece o mais importante general do exército dos EUA e diz que não está sendo bem assim. Que, hoje, a política do atual governo de Israel está, sim, fazendo aumentar o risco de vida que os soldados norte-americanos enfrentam no Iraque e no Afeganistão.

Por enquanto, o assunto tem aparecido só marginalmente, em comentários de especialistas e não está, ainda, na grande mídia. Mas a espada já saiu da bainha – e os judeus norte-americanos já tremem, hoje, só de ouvir o rugido ainda distante desse terremoto.

Essa semana, um cunhado de Netanyahu usou a versão israelense de nossa arma do juízo final. Declarou que Obama seria “antissemita”. O jornal oficial do partido Shas garante que Obama, de fato, é muçulmano. Representam a direita radical e seus aliados; já escreveram que “Hussein Obama, negro que odeia judeus, tem de ser derrotado nas próximas eleições parlamentares e, depois, na próxima eleição presidencial.”

(Importante pesquisa feita em Israel e publicada ontem mostra que os israelenses não acreditam nessas insinuações: a vasta maioria entende que Obama dá tratamento justo a Israel. De fato, os números de aprovação de Obama são mais altos que os de Netanyahu.)

Mas se Obama decidir reagir e ativar sua arma do juízo final – a acusação de que Israel põe em risco a vida dos soldados dos EUA – as consequências serão catastróficas para Israel.

Por hora, parece ter sido disparado um tiro que os destróiers dão para ‘acordar’ a marujada e sinalizar para que outro navio faça o que foi instruído a fazer. O aviso é bem claro. Ainda que a crise atual amaine, não há dúvida de que voltará a incendiar-se outras e outras vezes, enquanto perdurar no poder, em Israel, a atual coalizão de governo.

Quando o filme Hurt Locker foi premiado no concurso Oscar-2010, todo o público norte-americano estava unido na preocupação com a vida dos seus soldados no Oriente Médio. Se esse público convencer-se de que Israel o está apunhalando pelas costas, será desastre completo para Netanyahu. E não só para ele.

O artigo original, em inglês, pode ser lido em:
http://zope.gush-shalom.org/home/en/channels/avnery/1269137362

Tradução: Caia Fitipaldi, autorizada pelo autor.

CLETO de ASSIS convida:

Por la libertad de los presos políticos cubanos

Por la excarcelación inmediata e incondicional de todos los presos políticos en las cárceles cubanas; por el respeto al ejercicio, la promoción y la defensa de los derechos humanos en cualquier parte del mundo; por el decoro y el valor de Orlando Zapata Tamayo, injustamente encarcelado y brutalmente torturado en las prisiones castristas, muerto en huelga de hambre denunciando estos crímenes y la falta de derechos y democracia en su país; por el respeto a la vida de quienes corren el riesgo de morir como él para impedir que el gobierno de Fidel y Raúl Castro continúe eliminando físicamente a sus críticos y opositores pacíficos, condenándolos a penas de hasta 28 años de cárcel por “delitos” de opinión; por el respeto a la integridad física y moral de cada persona; firmamos esta carta, y exhortamos a firmarla a todos los que han elegido defender su libertad y la libertad de los otros.

Firmar en

http://firmasjamaylibertad.com/ozt/index.php#lists

“FINANCIAL TIMES: LULA é uma das 50 pessoas que MOLDARAM a DÉCADA” / usa – …e os DEMOS e TUCANOS permanecem “chorando” na mídia brasileira. FHC, o poliglota, jamais recebeu UM reconhecimento como estes da ESPANHA, FRANÇA, ALEMANHA e ESTADOS UNIDOS .

Lula é uma das 50 pessoas que moldaram a década, diz ‘Financial Times’

Segundo jornal, presidente combina ‘charme e habilidade política’; lista conta ainda com políticos, artistas e empresários.


Da BBC

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi escolhido pelo jornal britânico “Financial Times” como uma das 50 personalidades que moldaram a última década.

Segundo o diário, Lula entrou na lista porque “é o líder mais popular da história do Brasil”.

“Charme e habilidade política sem dúvida contribuem (para sua popularidade), assim como a baixa inflação e programas de transferência de renda baratos, mas eficientes”, diz o jornal.

“Muitos, inclusive o FMI, esperam que o Brasil se torne a quinta maior economia do mundo até 2020, trazendo uma mudança duradoura na ordem mundial.”

Vilões

Ainda no campo da política, o FT também destaca como as personalidades mais influentes da década o presidente do Irã, Mahmoud Ahamadinejad; o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama; a chanceler alemã Angela Merkel; o ex-presidente e atual primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin; e o presidente da China, Hu Jintao.

O jornal selecionou também o que chamou de “alguns vilões” que acabaram por determinar o curso da história destes últimos dez anos, como o líder da rede al-Qaeda, Osama Bin Laden, e o ex-presidente americano George W. Bush.

A lista do FT também inclui personalidades das áreas de negócios, economia e cultura. Muitas delas refletem o crescimento e o fortalecimento da internet e das novas tecnologias, como os empresários Jeff Bezos, da loja virtual Amazon; Meg Whitman, do eBay; Larry Page e Sergey Brin, do Google; Jack Dorsey, Biz Stone e Evan Williams, do Twitter; Mark Zuckerberg, do Facebook; e Steve Jobs, da Apple.

Outras figuras foram eleitas pelo jornal britânico pelo mérito pessoal de terem se tornado ícones mundiais em suas áreas, como a escritora JK Rowling, autora dos livros do personagem Harry Potter; o jogador de golfe Tiger Woods; a apresentadora americana Oprah Winfrey; o diretor japonês de desenhos animados Hayao Miyazaki; o produtor de TV John De Mol, criador da fórmula do Big Brother; e os astros da música Beyoncé e Jay-Z.

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manchete após as “aspas” é do site. foto livre também deste site.

Algumas Reflexões sobre a História do Haiti e Suas Durações – por maria clara carneiro sampaio

O historiador norte-americano Eric Foner escreveu sobre a independência do Haiti (no início do século XIX): “A espiral econômica descendente que deixou o Haiti como uma das nações mais pobres do hemisfério pareceu também demonstrar a muitos observadores do século XIX que uma nação camponesa de ex-escravos leva necessariamente ao desastre econômico”.

A lição que Foner depreendeu da experiência dos haitianos, entretanto, não foi o que observadores do séculos XIX, XX e XXI ainda parecem ver na miséria da ilha. O que Foner quis demonstrar não é o que inconscientemente ficou cristalizado no pensamento racista dos oitocentos (e dos novecentos e dos anos 2000), que é, a grosso modo, que a experiência de uma nação de negros ex-escravos jamais poderia alcançar contornos políticos, sociais e econômicos desenvolvidos. Nessa linha, conclui o autor: “Nascida da revolução escrava, a república negra representava uma ameaça permanente para as sociedades escravocratas no Novo Mundo e para os impérios do Velho. Por esse motivo o Haiti era tratado como um pária pela comunidade internacional”.

Se depois do terrível terremoto e do caos humanitário já se sabe bem mais sobre ilha; se já a reconhecemos mais facilmente dentre o emaranhado de ilhas do Mar do Caribe, muitos de nós ainda desconhece esse outro lado interessante da história do país, talvez porque ainda concebemos o Haiti como “pária internacional”. O irmão negro e mais pobre na América. Se desde a independência até hoje mais de 200 anos se passaram, algumas das circunstâncias dela ainda ecoam na forma como o país conduziu sua vida política e econômica até aqui.

O Haiti, que ocupa a parcela ocidental de uma das maiores ilhas da região, já foi a jóia das Antilhas no século XVIII, sob domínio colonial da França. Seguindo o padrão econômico mais ou menos uniforme das Américas, o Haiti foi um dos maiores exportadores de açúcar, dentre outros gêneros como o algodão e o café, da época. Esse padrão, a grosso modo, envolveu o privilégio do cultivo de itens valorizados no mercado internacional, cultivo esse feito em sua maioria em propriedades rurais de grande porte e com grande incidência do emprego de trabalho escravo de origem africana em larguíssima escala.

Se no início do século XVIII a realidade do Haiti – chamada então de Saint-Domingue – parecia-se muito com as realidades das ilhas vizinhas, e mesmo de colônias continentais, as últimas décadas dos anos setecentos fizeram dela uma das primeiras nações a se separar da metrópole nas Américas. Embora os conflitos entre escravos e senhores – colônia e metrópole – tenham começado antes do início do século XIX, tendo a notável e complexa figura de Toussaint L’Overture como o grande articulador da abolição da escravidão na ilha, o ano simbólico da independência do país é 1804 – quando L’Overture já havia sido preso e morrido – devido a declaração de independência de Jean Jacques Dessalines.

Embora tenhamos o exemplo dos Estados Unidos, cuja declaração de independência da Inglaterra é de 1776, o caso do Haiti é especial porque sua conturbada independência envolveu justamente a abolição geral e irrestrita da escravidão, abalando os dogmas do trabalho cativo como base produtiva de grandes porções do território das três Américas. Até mesmo a porção sul dos recém-independentes Estados Unidos ainda utilizavam o trabalho escravo de origem africana como um de seus pilares de produção. Era a primeira colônia, ex-colônia, que abolia a escravidão negra em todo seu território.

A abolição da escravidão no Haiti e sua independência, entretanto, preencheram processos sociais longos e violentos, cujas conseqüências podem ainda se perceber. No final do século XVIII, a realidade social das colônias francesas no Caribe, mas especialmente no atual Haiti, era a de uma maioria esmagadora de escravos mantidos majoritariamente nas fazendas, de uma pequena elite – branca – proprietária dessas fazendas e dos escravos, e uma incipiente massa de libertos, mestiços e livres.

Com a simbólica queda da Bastilha em Paris, em 1789, a França mergulhou em sua Revolução, se vendo obrigada a afrouxar o controle militar das colônias na América, por estar ela mesmo afundada em terrível guerra civil. Se por um lado, a situação política e fática da metrópole contribuiu para que os escravos antilhanos de diversas ilhas acirrassem sua resistência à escravidão e lutassem pela liberdade, é preciso pensar que o fim da escravidão nas Américas, no atual Haiti, foi uma luta não só cotidiana e pessoal ao longo dos séculos, mas também foi uma revolução de idéias de liberdade que tomavam o pensamento e as armas na França revolucionária, mas que também se expressava nas pequenas e grandes ações por todo o Novo Mundo.

A emancipação e independência no Haiti conseguiram resistir às tentativas dos exércitos de Napoleão – e de outras metrópoles, como a Inglaterra – de restabelecer a escravidão em suas colônias (e que obtiveram sucesso na Martinica, por exemplo). A luta dos haitianos para construir sua identidade nacional e reconstruir seu país depois de tantas sangrentas batalhas ainda estava por encontrar as maiores dificuldades nos anos por vir.

Se a base econômica do país sempre fora a agricultura de exportação, uma vez aniquilado ou exilado o grupo social dos proprietários de terras e escravos, manter o mesmo nível de exploração dos então recém-libertos para manter a produção haitiana competitiva no mercado internacional não condizia mais com as aspirações dos milhares negros que experimentavam a liberdade pela primeira vez. Os haitianos em sua maioria tendiam a fugir das fazendas nas quais haviam trabalhado como escravos e procuravam encontrar novas localidades para se restabelecer, através da agricultura de subsistência ou da produção para o crescente mercado interno.

As terras passaram a ser controladas pelo estado e políticas sucessivas de trabalho forçado foram impostas nas décadas seguintes na tentativa de manter a agricultura de exportação como estrutura da economia. A despeito da violência e das iniciativas de manter o país como grande exportador de produtos primários a realidade econômica haitiana obedeceu uma lógica decrescente por todo o século XIX, marcada pela evasão da população das grandes propriedades estatais e pela emergência de um campesinato. Campesinato esse que se afastava cada vez mais dos desejos do Estado em manter as grandes propriedades exportadoras.

A experiência da independência parecia, portanto, a prova real de que os negros, camponeses, jamais conseguiriam construir um país com instituições políticas complexas. O que muitos deixaram de fora de suas reflexões foram os empecilhos que as grandes potências metropolitanas da época impuseram ao recém-independente estado. O reconhecimento diplomático do Haiti foi um processo demorado e custoso. Com poucos anos de liberdade o país já sofria um encargo econômico irrazoável de indenizar os fazendeiros franceses expulsos. E para além da dívida externa o Haiti ainda foi submetido à quarentena de seus parceiros comerciais de longa data, circunstâncias que criavam um abismo cada vez maior entre o Estado haitiano e a população.

Uma nação independente de negros nas Américas colocava em perigo o delicado equilíbrio entre senhores e escravos de todas as localidades, bem como, colocava em cheque a estrutura de economia exportadora de bens primários. Tão perigosa parecia a revolução de idéias abolicionistas no Haiti, quanto haviam sido as sangrentas batalhas contra os exércitos de Paris. A idéia de um país de ex-escravos em um mundo mergulhado na escravidão era assustadora não só para a Europa, mas para as elites escravocratas de toda América.

Um dos resultados da revolução haitiana foi a falta de interesse da comunidade internacional em restabelecer laços comerciais e culturais. E se não bastasse todo o medo internacional que mais revoluções escravas pipocassem no mundo atlântico, já no século XX os interesses imperialistas apenas se renovaram na ocupação militar dos Estados Unidos entre os anos 1915 e 1934, em mais uma tentativa relativamente frustrada de refazer a estrutura de imensas propriedades voltadas para a exportação. Ainda assim a experiência de séculos de exploração intensa da população nessas grandes propriedades parece ter pairado como uma sombra nefasta empurrando os haitianos a resistir em suas pequenas propriedades por todos os confins do território, a despeito dos projetos de sucessivos governos mais ou menos estáveis de reinstalar o regime econômico da grande propriedade exportadora.

Assim como o século XIX, o século XX tem seus próprios processos históricos, mas é impossível negar o vácuo criado entre a experiência de luta pela liberdade dos haitianos e a construção de seu Estado, por vezes preocupado em re-inserir a nação nos mesmos moldes de nação exportadora de bens primários da sua pré-revolução.

O descompasso entre um projeto social de liberdade e um projeto estatal de sobreviver através de um comércio internacional enforcado pelos antigos e novos parceiros comerciais, abrem brechas para se refletir sobre a continuidade desses conflitos do século XIX. O Haiti do século XX viu ditaduras violentas após o fim da ocupação norte-americana, talvez confirmando essa separação entre um projeto social camponês, duramente reprimido, e um Estado instável, incapaz de construir instituições políticas sólidas e um projeto nacional conciliador.

Maria Clara Carneiro Sampaio é bacharel em Direito pela PUC-SP, bacharel e mestre em História pela USP. O seu mestrado foi sobre projetos de colonização (expatriação) de ex-escravos norte-americanos na Amazônia Brasileira, proposto no Governo Lincoln. Atualmente, faz doutorado no Programa de História Social da USP. A sua pesquisa amplia o estudo do mestrado, para propostas semelhantes feitas simultaneamente para diversos países da América Latina, inclusive Haiti.

bairro da capital PORT-AU-PRINCE antes do terremoto.

LULA é eleito PERSONAGEM DO ANO pelo jornal EL PAÍS da ESPANHA. os “demos” e o “tucanato” deploram e choram na imprensa brasileira.

Em artigo no ‘El País’, Zapatero diz que Lula ‘surpreende’ o mundo

Presidente foi escolhido um dos 100 personagens do ano pelo jornal.
Mundo se dá conta de que Brasil é mais que futebol e praias, diz espanhol.

Lula e Zapatero. foto de Ricardo Stucker (Presidência).

Eleito um dos 100 personagens do ano pelo jornal espanhol “El País, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi tema de um artigo assinado pelo primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, com o título “O homem que surpreende o mundo”. No texto, Zapatero diz que sente “profunda admiração” por Lula e faz diversos elogios ao colega brasileiro.

“O mundo tem se dado conta que o Brasil é muito mais que carnaval, futebol e praias. É um dos países emergentes que conta com uma democracia consolidada e está chamado a desempenhar nas décadas seguintes uma liderança política e econômica crescente no mundo, assim como já vem fazendo na América Latina com sucesso”.

Ele conta que conheceu Lula em setembro de 2004, quando a Espanha passou a integrar a Aliança contra a Fome, na cúpula das Nações Unidas em Nova York. “Não podia ter havido melhor ocasião”, diz Zapatero.

O premiê espanhol diz que Lula marcou posição ao declarar que é inaceitável uma ordem econômica em que “poucos podem comer cinco vezes por dia e muitos sequer saber se conseguirão comer ao menos uma” e lembra uma declaração do brasileiro de que terá realizado a missão de sua vida se, no fim de seu mandato, os brasileiros puderem tomar café da manhã, almoçar e jantar todos os dias.

“Nesse empenho, segue esse homem honesto, íntegro e admirável, transformado em referência inegável para a esquerda do continente americano.”

Ao destacar que o Brasil deixou de ser o país de um futuro que nunca chegava, o líder espanhol diz que o país foi conduzido pela mão de Lula, seguindo um caminho aberto por seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso.
“Lula tem o imenso mérito de ter unido a sociedade brasileira em torno de uma reforma tão ambiciosa como tranqüila. Está sabendo, sobretudo, enfrentar, com determinação e eficácia, os desafios de desigualdade, pobreza e violência que tanto têm atingido a história recente do país.”

Zapatero destaca ainda que, durante o mandato de Lula, o Brasil tem recebido a confiança dos mercados financeiros internacionais “pela capacidade de atrair investimentos diretos e pelo rigor com as contas públicas”.

g1.

obs.: a segunda frase da manchete é do site.

Fracasso em Copenhague seria melhor, diz cientista da Nasa / usa

Usina na Alemanha espalha fumaça pelo ar. Países ricos se recusam a controlar a poluição.

Na opinião de Hansen, o combate à mudança climática não deixa margem para o tipo de concessão que costuma dominar a política mundial

O mundo estará melhor se a reunião climática da ONU neste mês em Copenhague fracassar, afirmou um cientista da Nasa que ajudou a fazer os alertas sobre os perigos do aquecimento global.

Em entrevista ao jornal britânico Guardian, James Hansen afirmou que qualquer acordo resultante do evento será tão falho que, para as futuras gerações, seria melhor que as discussões fossem retomadas do zero.

“Seria melhor não acontecer, se as pessoas aceitarem esse como o melhor caminho, porque é um caminho desastroso”, disse Hansen, diretor do Instituto Goddard de Estudos Espaciais, da Nasa, em Nova York.

“Toda a abordagem está tão fundamentalmente errada que é melhor reavaliar a situação. Se for uma coisa como (o atual Protocolo de) Kyoto, aí serão gastos anos tentando determinar exatamente o que significa.”

Na quarta-feira, um documento assinado por China, Brasil, Índia e África do Sul rejeitou as principais metas propostas pela Dinamarca, como a redução pela metade das emissões globais de gases do efeito estufa até 2050, em comparação aos níveis de 1990.

Os países em desenvolvimento querem mais empenho dos países ricos na redução das suas emissões antes que haja metas globais, pois temem que isso transfira para si o ônus da ação, travando seu crescimento econômico.

Hansen se opõe fortemente aos esquemas de créditos de carbono, em que autorizações para poluir são compradas e vendidas. A União Europeia e outros governos consideram esse sistema como a melhor forma de reduzir emissões e “limpar” a matriz energética do mundo.

O cientista também é contra o plano do governo norte-americano para um sistema de limites e créditos para as emissões nos EUA. Ele prefere um imposto sobre o uso da energia.

Na opinião de Hansen, o combate à mudança climática não deixa margem para o tipo de concessão que costuma dominar a política mundial.

“Isso é análogo à questão da escravidão enfrentada por Abraham Lincoln ou a questão do nazismo enfrentada por Winston Churchill”, afirmou. “Nesse tipo de questão, não se pode fazer concessões. Não se pode dizer ‘Vamos reduzir a escravidão, vamos encontrar um acordo e reduzi-la em 50 ou 40 por cento’. Não temos um líder que seja capaz de captar isso e dizer o que é realmente necessário.”

REUTERS.

PRESIDENTE BARACK OBAMA concede entrevista a blogueira CUBANA – editoria


O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, concedeu uma entrevista à blogueira cubana Yoani Sánchez. É um fato inédito. A autora do blog Generación Y, que critica abertamente o governo da ilha.

A blogueira havia enviado um questionário com sete perguntas ao líder americano e ao presidente cubano, Raúl Castro, sobre a relação entre os dois países. Obama foi o primeiro a responder.

 

“Depois de meses de tentativas consegui fazer com que um questionário chegasse ao presidente americano com alguns desses temas que não me deixam dormir”, disse Yoani ao jornal espanhol El País. A entrevista foi publicada em espanhol e inglês. Aqui vão as respostas de Barack Obama

Presidente Barack Obama:
Agradeço esta oportunidade de compartilhar impressões com você e seus leitores de Cuba e do mundo, e aproveito para parabenizá-la pelo prêmio María Moore Cabot, da Faculdade de Jornalismo da Universidade de Columbia, recebido por promover o diálogo mútuo nas Américas através de suas reportagens. Fiquei decepcionado de você ter sido impedida de viajar para receber o prêmio em pessoa.
O seu blog oferece ao mundo uma janela das realidades da vida cotidiana em Cuba. É revelador que a internet ofereceu a você e a outros corajosos blogueiros cubanos um meio tão livre de expressão, e aprovo esses esforços coletivos para permitir que seus compatriotas se expressem através da tecnologia. O governo e o povo americano se unem a todos vocês antes mesmo do dia em que todos os cubanos possam se expressar livre e publicamente, sem medo ou represálias.

Yoani Sánchez:
Durante muito tempo, Cuba esteve presente tanto na política exterior dos Estados Unidos como entre as preocupações domésticas, especialmente pela existência de uma grande comunidade cubano-americana. No seu ponto de vista, em qual categoria assuntos de Cuba devem ser abordados?

Obama:
Todos os assuntos da política exterior têm componentes internos, especialmente aqueles de países vizinhos como Cuba, de onde procedem muitos imigrantes nos Estados Unidos e com o qual temos uma longa história de vínculos. Nosso compromisso de proteger e apoiar a livre expressão, os direitos humanos e um estado de direito democrático, tanto em nosso país como no mundo, também supera as demarcações entre o que é política interna e externa. Além disso, muitos dos desafios que compartilhamos, como a imigração, o narcotráfico e a administração da economia, são assuntos tanto internos quanto externos. Ao fim, as relações entre Cuba e os Estados Unidos devem ser analisadas em um contexto interno e externo.

Yoani:
Se o seu governo colocasse um ponto final nessa disputa, ele reconheceria o governo de Raúl Castro como oúnico interlocutor em eventuais negociações?

Obama:
Como disse antes, o meu governo está pronto para estabelecer laços com o governo cubano em uma série de áreas de interesse mútuo, como fizemos nas conversas sobre imigração e nas remessas de dinheiro. Também me proponho a facilitar o maior contato entre o povo cubano, especialmente entre famílias que estão separadas. Queremos estabelecer vínculos também com cubanos que estão fora do âmbito governamental, como fazemos em todo o mundo. Está claro que a palavra do governo não é a única que conta em Cuba. Aproveitamos todas as oportunidades para interagir com toda a sociedade cubana e olhamos para um futuro no qual o governo reflita as vontades do povo cubano.

Yoani:
O governo dos Estados Unidos renunciou ao uso de força militar como forma de pôr fim ao conflito?

Obama:
Os EUA não têm intenção alguma de utilizar força militar em Cuba. O que os EUA apóiam em Cuba é um maior respeito aos direitos humanos e às liberdades política e econômica. Os EUA se unem às esperanças de que o governo cubano responda às aspirações de seu povo de desfrutar da democracia e do poder determinar o futuro de Cuba livremente. Somente os cubanos são capazes de promover uma mudança positiva em Cuba, e esperamos que logo possam exercer as capacidades de maneira plena.

Yoani: Raúl Castro disse, publicamente, estar disposto a dialogar sobre todos os temas com o respeito mútuo como única condição e a igualdade de condições. Estas exigências lhe parecem desmedidas? Quais seriam as condições previas que seu governo imporia para iniciar um diálogo?

Obama: Por anos eu disse que era hora de aplicar uma diplomacia direta e sem condições, seja com inimigos ou inimigos. Contudo, falar por falar não me interessa. No caso de Cuba, o uso da diplomacia deveria resultar em maiores oportunidades para promover nossos interesses e as liberdades do povo cubano. Já iniciamos um diálogo, partindo desses interesses comuns – imigração que seja segura, ordenada e legal, e a restauração do serviço direto dos correios. São pequenos passos, mas parte importante de um processo para colocar as relações entre os Estados Unidos e Cuba a uma nova e mais positiva direção. 

Yoani: Que participação poderiam ter o cubanos no exílio, os grupos de oposição interna e a emergente sociedade civil cubana nesse hipotético diálogo?

Obama:
Ao considerar qualquer decisão sobre política pública, é imprescindível escutar quantas vozes diferentes for possível. Isso é precisamente o que viemos fazendo com relação à Cuba.

O governo dos EUA conversa regularmente com grupos e indivíduos dentro e fora de Cuba, que acompanham com interesse o curso de nossas relações. Muitos não estão de acordo com o governo cubano, muitos não estão de acordo com o governo americano e muitos outros não estão de acordo entre si. O que devemos todos estar de acordo é que temos que ouvir as inquietações e interesses dos cubanos que vivem na ilha. Por isso é que tudo o que vocês estão fazendo para projetar suas vozes é tão importante – não somente para promover a liberdade de expressão, como também para que as pessoas de fora de Cuba possam entender melhor a vida, as vicissitudes e as aspirações dos cubanos que estão na ilha.

Yoani: O senhor é um homem que aposta no desenvolvimento de novas tecnologias de comunicação e informação. Contudo, nós, cubanos, continuamos com muitas limitações para acessar a Internet. Quanta responsabilidade tem nisso o bloqueio americano em relação a Cuba e quanta tem o governo cubano?

Obama: O meu governo deu passos importantes para promover a corrente livre de informação proveniente de e dirigida ao povo cubano, particularmente por novas tecnologias. Possibilitamos a expansão dos laços das telecomunicações para acelerar o intercâmbio entre o povo de Cuba e do mundo exterior. Tudo isso aumentará a quantidade de meios através dos quais os cubanos da ilha poderão comunicar-se entre si e com pessoas de fora de Cuba, valendo-se, por exemplo, de maiores oportunidades em transmissões de satélite e de fibra ótica.

Isso não acontecerá de um dia para o outro, nem tampouco poderá ter plenos resultados sem ações positivas do governo cubano. Entendo que o governo cubano anunciou planos para oferecer maior acesso à internet nos postos de correio. Acompanho estes acontecimentos com interesse e exorto o governo a permitir acesso à informação e à internet sem restrições. Além disso, são bem-vindas sugestões sobre áreas nas quais podemos mais tarde ajudar no livre fluxo de informação dentro, de e para Cuba.

Yoani: Estaria disposto a visitar o nosso país?

Obama: Nunca descartaria uma ação que tenha como objetivo avançar nos interesses dos Estados Unidos ou promover as liberdades do povo cubano. Ao mesmo tempo, as ferramentas diplomáticas devem ser usadas somente após cuidadosa preparação e como parte de uma estratégia calma. Eu adoraria visitar uma Cuba, onde todas as pessoas possam desfrutar dos mesmos direitos e oportunidades de que goza o resto do povo do continente.

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OM.

HÁ 46 ANOS : “John Fitzgerald Kennedy é assassinado em Dallas” – por max altman / são paulo

A primeira dama Jacqueline Kennedy raramente acompanhava o marido em seus compromissos políticos. Dessa vez, estava ao lado dele, em 22 de novembro de 1963, junto com o governador do Texas, John Connally, e sua mulher, na carreata que evoluía a 15 quilômetros por hora através das ruas centrais da cidade de Dallas.

Sentados em um Lincoln, os casais Kennedy e Connally conversavam e acenavam para a enorme e entusiástica multidão que se concentrava ao longo do percurso. No momento em que o veículo passava pelo prédio do Almoxarifado de Livros Escolares do Texas, exatamente às 12h30, ouviram-se três tiros, supostamente desferidos do sexto andar, por um tal de Lee Harvey Oswald, ferindo mortalmente o presidente Kennedy e atingindo seriamente o governador Connally. O 35º presidente dos Estados Unidos foi declarado morto 30 minutos mais tarde no Hospital Parkland de Dallas. Ele tinha 46 anos.

O vice-presidente Lyndon Johnson, que participava três automóveis atrás de Kennedy da carreata, prestou juramento como o presidente dos Estados Unidos às 2h39 de 23 de novembro, a bordo do avião presidencial estacionado na pista do aeroporto Dallas Love Field. O juramento foi assistido por cerca de 30 pessoas, inclusive Jacqueline Kennedy, que ainda trajava o vestido manchado com o sangue de seu marido. Sete minutos depois, o jato presidencial levantava voou para Washington.

No dia seguinte o presidente Johnson emitiu sua primeira proclamação decretando que o dia 25 de novembro seria um dia de luto nacional em homenagem a Kennedy. Naquela segunda-feira, centenas de milhares de pessoas alinhavam-se nas ruas de Washington para assistir à passagem da carreta puxada a cavalo, levando o corpo do presidente assassinado da rotunda do Capitólio até a catedral católica de St. Matthew para uma missa de réquiem. A solene procissão seguiu depois ao cemitério nacional de Arlington, onde líderes de 99 nações aguardavam a chegada do féretro para os funerais, com as honras militares.

Extrema-direita

O principal suspeito, Lee Harvey Oswald, nascido em Nova Orleans em 1939, alistou-se na Marinha em 1956. Deu baixa em 1959 e nove dias depois partiu para a União Soviética, onde tentou, sem sucesso, tornar-se um cidadão soviético. Trabalhou em Minsk, casando-se com uma russa. Em 1962 foi autorizado a retornar aos Estados Unidos com sua mulher e uma filha.

No começo de 1963, comprou um revólver calibre 38 e um fuzil com mira telescópica pelo correio. Em 10 de abril, em Dallas, supostamente atirou errando o alvo num ex-general do exército, Edwin Walker, uma figura conhecida por suas posições de extrema-direita. Mais tarde, naquele mesmo mês, Oswald viajou para Nova Orleans onde localizou uma pequena sede do comitê Fair Play for Cuba, uma organização pró-Fidel Castro.

Em setembro de 1963, foi para a cidade do México, onde, segundo investigadores, tentou conseguir um visto para viajar a Cuba ou regressar à União Soviética. Em outubro, retornou a Dallas, obtendo um emprego no Almoxarifado de Livros Escolares do Texas.

Menos de uma hora depois de Kennedy ter sido baleado, Oswald matou um policial que o parou para interrogar numa rua perto de sua residência. Trinta minutos mais tarde, Oswald foi preso num cinema como suspeito. Foi formalmente denunciado em 23 de novembro pelas mortes do presidente Kennedy e do oficial J.D. Tippit.

Em 24 de novembro, Oswald foi trazido ao sótão do quartel-general da polícia de Dallas a caminho de uma prisão de maior segurança. Centenas de policiais e jornalistas queriam testemunhar sua chegada ao edifício, com transmissão ao vivo por todas as cadeias de televisão.

Assim que Oswald entrou no recinto, Jack Ruby emergiu da multidão e o feriu mortalmente com um fanico tiro à queima-roupa de um revólver calíbre 38 que mantinha escondido. Ruby, que foi imediatamente detido, berrava que sua ação se devia à raiva despertada pelo assassinato de Kennedy. Alguns o consideraram herói, no entanto foi acusado de homicídio em primeiro grau.

Morte com premeditada intenção

Jack Ruby, originalmente Jacob Rubenstein, era dono de danceterias e casas de strip-tease em Dallas, mantendo discretas conexões com o crime organizado. Ele aparece como destaque nas versões sobre o assassinato do presidente e muitos acreditam que eliminou Oswald para evitar que revelasse detalhes de uma conspiração.

Em seu julgamento, Ruby negou esta acusação e declarou-se inocente com base em que sua dor pela morte de Kennedy provocou nele uma “epilepsia psicomotora”, atirando em Oswald inconscientemente. O juiz Fari considerou Ruby culpado de “morte com premeditada intenção” e o sentenciou à pena capital.

Em outubro de 1966, a Corte de Apelação do Texas reverteu a decisão com fundamento em admissões impróprias de testemunhas e pelo fato de Ruby não ter tido naquela ocasião um julgamento justo  em Dallas. Em janeiro de 1967, enquanto aguardava novo julgamento, Ruby morreu de câncer no pulmão num hospital de Dallas.

O relatório oficial da Comissão Warren, especialmente constituída pelo Congresso norte-americano, concluiu em 1964 que nem Oswald nem Ruby faziam parte de uma conspiração doméstica ou internacional para assassinar Kennedy, e que ambos agiram solitariamente.

A despeito das aparentes firmes conclusões, o relatório não conseguiu silenciar teorias de conspiração que cercaram o episódio. Em 1978 a House Select Committee on Assassinations concluiu, em relatório preliminar que Kennedy “foi provavelmente assassinado como resultado de uma conspiração” que poderia envolver atiradores profissionais e o crime organizado, mas sem apresentar provas concludentes. As conclusões desse comitê como as da Comissão Warren continuam até hoje a ser amplamente contestadas.

 

“INSEGURANÇA INTERNACIONAL NO PÓS GUERRA FRIA” curso da CASLA – Casa Latinoamericana / curitiba

casla

 

Minicurso “Insegurança Internacional no Pós Guerra Fria”


Ao discutir temas internacionais, a Casa Latino Americana (CASLA) pretende manter o compromisso de oferecer aos participantes do curso as questões inerentes ao Sistema Internacional, buscando compreendê-las e interpretá-las, sem perder o rigor e a seriedade. Assistimos hoje a construção de uma nova ordem mundial, com o renascimento de nacionalismos e de conflitos étnicos.
O curso sobre a questão da Insegurança Internacional no pós Guerra Fria tem uma abordagem interdisciplinar, abrangendo as áreas de política, sociologia, geografia e história. Os participantes do curso serão capacitados a avaliar os processos políticos, sociais e culturais e no Sistema Internacional, além de identificar os principais temas da Agenda de Segurança Internacional, sendo eles; o Terrorismo Internacional, Imigração Internacional, Narcotráfico e Tráfico Humano serão estudados, de modo que os participantes possam construir uma análise coerente das Relações Internacionais Contemporânea, atentando sempre para as questões que estão além do fato.

Graduandos e graduados a nível superior, oriundos de qualquer curso de graduação.
Inscrições: abertas
As matrículas estão abertas até 06 de novembro, e são feitas, previamente, pela inscrição on-line. A confirmação da matrícula dá-se com o pagamento da taxa de R$ 150,00 (Cento e cinquenta reais).
O início do curso está previsto para 09 de novembro de 2009, e as aulas irão até o dia 13, na sexta-feira. A carga horária estimada é de 30 horas, das quais será expedido certificado de conclusão.
As aulas serão expositivas, com seminários, e exercícios em sala de aula. Serão utilizados filmes, leitura comparativa de jornais e revistas de diversos países, artigos de revistas especializadas, capítulos de livros e documentos dos principais organismos internacionais. Os professores do curso são altamente especializados nas temáticas em que irão trabalhar.
As aulas serão divididas em módulos, sendo que cada temática será apresentada em um módulo e data específicos. Dessa maneira, a ordem dos conteúdos apresentados é:
  1. Terrorismo Internacional
  2. Narcotráfico
  3. Imigração Internacional
  4. Tráfico Humano
  • Prof ª Gislene Santos (UFPR)
  • Prof. Dr. Alexsandro Eugenio Pereira (USP- UFPR)
  • Prof. Dr. Pedro Bodê (UFPR)
  • Prof. Dr. Rui Dissenha (USP)
Escola de Relações Internacionais do Brasil – EriBrasil
Para enviar email à coordenadora: elcineia@casla.com.br

Contato

CASLA – Casa Latino-Americana – (41) 3013-7570
contato@casla.com.br
www.casla.com.br
Rua João Manoel, 140 – Centro – Curitiba / PR

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, ex presidente do BRASIL FOI COLABORADOR (agente) da CIA (central de inteligência americana /usa) afirma FRANCES STONOR SAUNDERS – londres / Movimento Verdade / são paulo

FHC

Mal chegou às livrarias e o livro ”Quem pagou a conta?” já se transformou  em bestseller.

A obra da pesquisadora inglesa Frances Stonor Saunders (editada no Brasil pela Record, tradução de Vera Ribeiro), ao mesmo tempo em que pergunta, responde: quem “pagava a conta” era a CIA, a mesma fonte que financiou os US$ 145 mil iniciais para a tentativa de dominação cultural e ideológica do Brasil, assim como os milhões de dólares que os precederam, todos entregues pela Fundação Ford a Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente do país no período de 1994 a 2002.

O comentário sobre o livro consta na coluna do jornalista Sebastião Nery, do diário carioca Tribuna da Imprensa. “Não dá para resumir em uma coluna de jornal um livro que é um terremoto. São 550 páginas documentadas, minuciosa e magistralmente escritas: “Consistente e fascinante” (The Washington Post). “Um livro que é uma martelada, e que estabelece em definitivo a verdade sobre as atividades da CIA” (Spectator). “Uma história crucial sobre as energias comprometedoras e sobre a manipulação de toda uma era muito recente” (The Times).

Dinheiro da CIA para FHC

“Numa noite de inverno do ano de 1969, nos escritórios da Fundação Ford, no Rio, Fernando Henrique teve uma conversa com Peter Bell, o representante da Fundação Ford no Brasil. Peter Bell se entusiasma e lhe oferece uma ajuda financeira de 145 mil dólares. Nasce o Cebrap”. Esta história, assim aparentemente inocente, era a ponta de um iceberg. Está contada na página 154 do livro “Fernando Henrique Cardoso, o Brasil do possível”, da jornalista francesa Brigitte
Hersant Leoni (Editora Nova Fronteira, Rio, 1997, tradução de Dora Rocha). O “Inverno do ano de 1969” era fevereiro de 69. (este é outro livro que deve ser lido!)

Fundação Ford

Há menos de 60 dias, em 13 de dezembro, a ditadura havia lançado o AI-5 e jogado o País no máximo do terror do golpe de 64, desde o início financiado, comandado e sustentado pelos Estados Unidos. Centenas de novas cassações e suspensões de direitos políticos estavam sendo assinadas. As prisões, lotadas. Até Juscelino e Lacerda tinham sido presos. E Fernando Henrique recebia da poderosa e notória Fundação Ford uma primeira parcela de 145 mil dólares para fundar o Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento). O total do financiamento nunca foi revelado. Na Universidade de São Paulo, sabia-se e se dizia que o compromisso final dos americanos era de 800 mil a um milhão de dólares.

Agente da CIA

Os americanos não estavam jogando dinheiro pela janela. Fernando Henrique já tinha serviços prestados. Eles sabiam em quem estavam aplicando sua grana. Com o economista chileno Faletto, Fernando Henrique havia acabado de lançar o livro “Dependência e desenvolvimento na América Latina”, em que os dois defendiam a tese de que países em desenvolvimento ou mais atrasados poderiam desenvolver-se mantendo-se dependentes de outros países mais ricos. Como os Estados Unidos.

Montado na cobertura e no dinheiro dos gringos, Fernando Henrique logo se tornou uma “personalidade internacional” e passou a dar “aulas” e fazer “conferências” em universidades norte-americanas e européias. Era “um homem da Fundação Ford”.
E o que era a Fundação Ford? Uma agente da CIA, um dos braços da CIA o serviço secreto dos EUA.

Milhões de dólares

1 – “A Fundação Farfield era uma fundação da CIA… As fundações autênticas, como a Ford, a Rockfeller, a Carnegie, eram consideradas o tipo melhor e mais plausível de disfarce para os financiamentos… permitiu que a CIA financiassefhc (1) um leque aparentemente ilimitado de programas secretos de ação que afetavam grupos de jovens, sindicatos de trabalhadores, universidades, editoras e outras instituições privadas” (pág. 153).

2 – “O uso de fundações filantrópicas era a maneira mais conveniente de transferir grandes somas para projetos da CIA, sem alertar para sua origem. Em meados da década de 50, a intromissão no campo das fundações foi maciça…” (pág. 152). “A CIA e a Fundação Ford, entre outras agências, haviam montado e financiado um aparelho de intelectuais escolhidos por sua postura correta na guerra fria” (pág.
443).

3 – “A liberdade cultural não foi barata. A CIA bombeou dezenas de milhões de dólares… Ela funcionava, na verdade, como o ministério da Cultura dos Estados Unidos… com a organização sistemática de uma rede de grupos ou amigos, que trabalhavam de mãos dadas com a CIA, para proporcionar o financiamento de seus programas secretos” (pág. 147).

Fernando Henrique foi fácil.
4 – “Não conseguíamos gastar tudo. Lembro-me de ter encontrado o tesoureiro. Santo Deus, disse eu, como podemos gastar isso? Não havia limites, ninguém tinha que prestar contas. Era impressionante” (pág. 123).

5 – “Surgiu uma profusão de sucursais, não apenas na Europa (havia escritorios na Alemanha Ocidental, na Grã-Bretanha, na Suécia, na Dinamarca e na Islândia), mas também noutras regiões: no Japão, na Índia, na Argentina, no Chile, na Austrália, no Líbano, no México, no Peru, no Uruguai, na Colômbia, no Paquistão e no Brasil” (pág. 119).

6 – “A ajuda financeira teria de ser complementada por um programa concentrado de guerra cultural, numa das mais ambiciosas operações secretas da guerra fria: conquistar a intelectualidade ocidental para a proposta norte-americana” (pág. 45).