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ODEIO A IGREJA, NÃO JESUS! – julio dourado / rio de janeiro

Li essa semana um slogan bastante interessante que revela o quanto a igreja esta em baixa nos últimos tempos: ODEIO A IGREJA, NÃO JESUS!
A lista abaixo relacionada é direcionada à igreja institucional, à igreja-empresarial, ao clube de entretenimento, assim falsificada e vendida ao poder temporal. Não me refiro absolutamente à igreja verdadeira, ao remanescente fiel que muitas vezes está contido nessa igreja caricata dos nossos dias.

Compartilho aqui o sentimento de inconformação de Davi quando disse a Deus: “Não aborreço eu, Senhor, os que te aborrecem? e não abomino os que se levantam contra Ti?” Aborreço-os com ódio consumado, para mim são inimigos de fato.
O que eu odeio em ti, igreja dos nosso tempos?

1. A TUA PRETENSÃO OSTENSIVA de tu te veres superior a tudo e a todos, e com esse orgulho besta, deixas de ser reconhecida como voz de Deus e agência do Reino no mundo. Ao contrário, deverias te afastar pra bem longe dessa vaidade luciferiana e cair em si, voltando a servir humildemente ao mundo ao qual foste enviada.

2. QUANDO INFLEXÍVEL, IMPÕES O DETESTÁVEL LEGALISMO COMO FORMA DE CAMINHADA CRISTÃ com regras insuportáveis que mantém teus membros eternamente cativos a infantilidade na fé, ao invés de conduzi-los à maturidade cristã que alcança a essencial liberdade consciente e anda maduramente nas pegadas de Jesus de Nazaré.

3. A TUA CEGUEIRA REDUCIONISTA que não discerne claramente o Reino além de tuas limitadas fronteiras, expandindo a visão para ver e aceitar outras formas de expressão, de serviço cristão, de culto e de obras que também glorificam a Deus e contribuem para a expansão do Reino na terra.

4. A TUA FORMA DE JULGAR SUMARIAMENTE as pessoas, se são merecedoras do céu ou do inferno, como se coubesse a ti essa prerrogativa divina de seleção. Deveria tu saber que essa é uma ação exclusiva de Deus.

5. A TUA DISCIPLINA CORRETIVA que sempre exclui e joga fora todo aquele que desgraçadamente tropeça por algum motivo, levando invariavelmente o “disciplinado” ao abandono, e ferido, a morrer a míngua.

6. A TUA FORMA ANTIBÍBLICA DE EVANGELIZAR, definindo prazo de mudança para as pessoas ”aceitarem Jesus”, exigindo uma conversão urgente e superficial baseada na adequação compulsória às regras de teus usos e costumes, e não na radical soberana transformação do Espírito Santo, de dentro para fora, e no livre tempo de Deus.

7. A TUA VISÃO MISSIONÁRIA/ EVANGELÍSTICA DISTORCIDA que em nome do “ide” retira as pessoas de suas áreas de convivência na sociedade onde exerciam posições estratégicas para alcançar seus semelhantes, para mantê-los circunscritos à área do templo, transformando-os em pessoas inativas ou em obreiros alienados que desconhecem o que se passa no mundo que os rodeiam.

8. O TEU ABUSO DE PODER arrastando milhares de PESSOAS SINCERAS, frágeis, crédulas, simplórias, despreparadas e desavisadas à exaustão, ao esgotamento, ao sofrimento, à decepção, e a se sentirem absolutamente usurpadas física, emocional, material e espiritualmente. Essas pobres vítimas do teu poder abusivo se tornam amargas e refratárias ao Evangelho para sempre, fechadas para qualquer possibilidade de pensarem em Deus ou em coisas relacionadas a ti.

9. A FORMA IMORAL COM QUE TEUS LÍDERES LIDAM COM AS FINANÇAS, manipulando o dinheiro que entra em teus cofres de forma irresponsável, desonesta, revelando que são subjugados pelo deus Mamon. Reproduzes pastores que amam posição, poder, e o dinheiro, tornando-os cheios de avareza e de ganância. ISSO TEM CAUSADO GRANDES ESCÂNDALOS E DANOS IRREVERSÍVEIS PARA O EVANGELHO, E TU ÉS DIRETAMENTE RESPONSÁVEL POR ISSO!

10. E por último, odeio quando MENTES, ASSEVERANDO QUE FORA DE TI, AS PESSOAS NÃO PODEM SOBREVIVER. Saiba que existem milhões de pessoas que nunca adentraram em teus átrios e mesmo assim oram, têm temor, discernimento, maturidade, ética, moral e dignidade, muitas vezes, mais apurados que teus pobres membros pretensiosos.Sobretudo, há uma forma difícil, dolorida, mas possível, que pode mudar radicalmente esse quadro sombrio: TENS QUE PASSAR PELO PORTAL DO ARREPENDIMENTO. Como diria Jesus: ” Lembra-te de onde caíste e arrepende-te…”

A CARTA DA DESOBEDIÊNCIA por max quint / ouro preto.mg

Como se não bastasse a crise em que a Igreja católica vive, no momento, com freqüentes denúncias de padres incorrendo em graves práticas de pedofilia (atos de libido) contra principalmente menores, o que os inimigos da Igreja, declarados ou não, se esmeram em explorar da maneira mais sórdida imaginável através de ridículas charges, piadas grotescas, etc., vem o teólogo suíço Hans Kung, através de Carta Aberta aos fiéis do mundo todo e, especialmente, aos bispos, convocar todos a uma reação em prol da reforma da Igreja, conclamando principalmente para pontos controversos e tradicionalmente contra os fundamentos essenciais do sacerdócio, um dos quais é o celibato.

Diz o teólogo Kung, a certa altura de sua carta:

“O uso do vernáculo na liturgia, as mudanças dos regulamentos que governam casamentos mistos, a afirmação de tolerância, democracia e direitos humanos, a abertura para uma atitude ecumênica, e muitas outras reformas do Vaticano II, só foram alcançados pela pressão tenaz debaixo para cima”.

Kung, desafiadoramente, como se pode notar, conclama os bispos para uma reação à linha adotada por Bento XVI em seu episcopado de 5 anos. É a manifesta tendência a deflagrar-se, no seio da igreja, a desobediência. O que é, sem dúvida, o pior que pode ocorrer, neste momento, por tantos motivos, à Igreja católica, que precisa, sim, de um consenso entre seus bispos e o Papa para bem definir-se uma posição que não se afaste de seus princípios e fundamentos tradicionais, a fim de encontrar-se o melhor e mais adequado rumo para seus destinos.

Kung descreve um quadro de defecção sintomática na Igreja, com redução de seu corpo de sacerdotes, esvaziamento das paróquias, dos seminários, para bem mostrar a crise atual, que se alastra, segundo ele, de forma preocupante, para propor as soluções que entende serem as que recolocarão as coisas em seus devidos lugares.

Entre essas mudanças estaria a abertura para o celibato, sugerindo que nem por não serem celibatários os padres perderiam a consideração de seus bispos ou de outras autoridades eclesiásticas, continuando tudo a correr normalmente no seio da Igreja. O que significaria, no fundo, a tomada de uma medida como o fim do celibato na Igreja católica? O atual Papa Bento XVI não quer ouvir nem falar disso. Por que? Simples: isso seria o primeiro passo para a Igreja se desintegrar e aprofundar mais ainda a crise de fé, se há uma crise assim neste momento. Foi Cristo que fundou o sacerdócio, ao dizer “quem quiser vir depois de Mim abandone seus bens, sua família e siga-Me”. Não se podem misturar de forma alguma sacerdócio e deveres familiares. Não se pode servir, como diz a doutrina cristã, a dois senhores.

Quanto aos gestos de tolerância da Igreja, não podem ser tão grandes que pactuem com a desestruturação moral do mundo atual, com os casamentos mistos, de que falou Kung, num tom que parece indicar que até a isso a Igreja deve se dobrar passivamente.

Volta a pregar, no fim de sua Carta Aberta, o teólogo Kung: “Incontáveis pessoas perderam sua confiança na Igreja Católica. Somente admitindo aberta e honestamente esses problemas e realizando resolutamente as reformas necessárias a confiança poderá ser recuperada”.

Kung deflagra perigosamente um dissenso no seio da Igreja. Oxalá, não esteja colaborando para aprofundar ainda mais a crise atual. Tudo o que a Igreja católica precisa neste momento é de coesão em torno de pontos essenciais ou de um ideário que não a afaste de seus fundamentos básicos, e que não a desfigure, como parece pretender, claramente, o teólogo Hans Kung.

Pequena Reflexão sobre a Semana Santa e a Páscoa – por zuleika dos reis / são paulo

Sejamos nós cristãos católicos, ortodoxos, evangélicos…; judeus, islâmicos, budistas, hinduístas, agnósticos, ateus… curvemo-nos todos diante do Mistério, ou da possibilidade do Mistério: o Deus-homem vem ao Mundo e se dá ao Sacrifício, ao Sacro-Ofício, morre em seu corpo de carne como o nosso e ressuscita neste mesmo corpo para nos dar o Testemunho da Imortalidade.

Lembremo-nos do verso imortal de Fernando Pessoa: “O Mito é o nada que é tudo” e, seja qual for a nossa crença ou o tamanho da nossa descrença, coloquemo-nos todos juntos, na comunhão deste momento de irrupção do Tempo Sagrado no interior do tempo profano. Deixemo-nos tocar, deixemo-nos impregnar. Se a nossa descrença já impregnou todas as coisas, se nos sentimos impermeáveis a toda e qualquer Revelação, a qualquer Utopia de cunho sagrado ou humano, ainda assim suspendamos nossos juízos por um instante para comungarmos  a Grandeza anunciada nestes dias, a da morte e a da ressurreição do homem-Deus.
Incontáveis de nós estamos morrendo nas guerras, nas guerrilhas, nas emboscadas urbanas, em emboscadas dentro das próprias famílias; incontáveis de nós estamos morrendo nas cidades e nos campos devastados pela fome e pelas doenças; incontáveis de nós estamos morrendo de inanição emocional, em castelos de sempre precárias muralhas;incontáveis de nós estamos morrendo órfãos de nós mesmos, reféns da terrível solidão de não mais nos reconhecermos nos pensamentos nem nos atos de cada dia.Há infinitos modos de morrer, de se matar e de matar e a nossa morada, a Terra, está infestada deles.
Por um instante que seja, sintamo-nos Um Só, unidos através da miséria e da riqueza da nossa condição de seres humanos que seguem carregando a certeza ou a nostalgia do Deus dentro, ao redor e/ou além de nossa infinita pequenez. Sintamo-nos Um, com toda a nossa Esperança tornada ato, nossa Esperança impossível de ser extirpada, semente bendita para sempre, semente sempre-viva replantada, desde todo o Sempre, apesar da legião de mortos no mundo, apesar das injustiças de toda espécie que vêm se perpetuando há milênios.

A QUARESMA DE UM CIENTISTA por marcio campos / curitiba

UM CIENTISTA LÊ A BIBLIA

A maioria, ou pelo menos boa parte dos cristãos está agora celebrando a Quaresma, um tempo de 40 dias que antecede a Semana Santa e tem ênfase especial na penitência e na mudança de vida. É verdade que, em algumas paróquias, as pessoas só percebem que estão na Quaresma porque está escrito no folheto e porque o padre usa roxo, já que os instrumentos musicais seguem à toda, assim como a bateção de palmas – anteontem mesmo estive numa missa dessas. Mas, para quem está disposto a viver esse período de forma mais séria, existem várias coletâneas de meditações nas livrarias ou na internet. Uma delas é o assunto dessa resenha, e aqui faço um mea culpa: esse texto devia estar no Tubo há uma semana, mas só agora consegui tempo para finalizar a leitura.

Pela própria natureza do livro, Um cientista lê a Bíblia é dirigido aos cristãos. Não sei se um ateu tiraria o mesmo proveito dele. Seu autor, John Polkinghorne, é um dos maiores nomes no debate atual sobre a relação entre ciência e religião. Físico cuja especialidade é a Física de partículas, ele também é clérigo anglicano, ordenado em 1982. Um cientista lê a Bíblia (edições Loyola, 159 p., apenas R$ 9 na Saraiva) é de 1996. Como eu já tive a chance de mencionar, é uma coletânea de meditações para cada dia da Quaresma – não foi feito para ser lido de uma tacada só, embora não seja longo (os textos para cada dia têm duas ou três páginas) e possa ser lido de uma vez, como eu fiz. Os textos têm todos uma mesma estrutura: começam com algum trecho bíblico, seguem com a reflexão do autor e terminam com uma oração curta.

Embora esse não seja propriamente um livro sobre ciência e fé como os que têm sido resenhados aqui no blog, em muitos pontos Polkinghorne ressalta as semelhanças entre uma e outra. Logo na introdução, por exemplo, o autor diz que, assim como o cientista busca a verdade sobre o mundo pela evidência científica, a Bíblia também é, por assim dizer, a “evidência” sobre Deus e sobre Cristo. “Há uma concepção atual estranha de que fé é uma questão de fechar os olhos, cerrar os dentes e acreditar em coisas impossíveis, porque alguma autoridade inquestionável diz que é preciso fazer isso. De forma alguma! O salto da fé é um salto para a luz, não para a escuridão. Envolve o compromisso com o que compreendemos,para que possamos aprender e compreender mais“, diz Polkinghorne (itálico do autor). Na meditação do sábado após a Quarta-Feira de Cinzas, o autor lembra a primeira carta de São Paulo aos tessalonicenses, em que recomenda examinar tudo e conservar o que é bom. Mais uma vez Polkinghorne diz que a busca pela verdade é um componente essencial na religião – é curioso como algumas pessoas se mostram chocadas quando uma religião ou uma igreja pretende ser a única verdadeira, mas essa é uma pretensão perfeitamente válida, até porque é impossível que duas religiões que digam coisas opostas sejam igualmente verdadeiras. Mas, enquanto o cientista faz todo tipo de experiência para comprovar sua teoria, na religião não se “testa” Deus. O mesmo vale para os relacionamentos humanos (Cervantes já sabia, basta lembrarmos da história do “curioso impertinente”, no Dom Quixote). Ainda assim, o que une o cientista e o religioso é a sede de entender o mundo. Também é interessante a semelhança que Polkinghorne vê entre os Evangelhos e a pesquisa científica (não vou entregar tudo aqui, já que o objetivo de uma resenha é levar vocês a ler o livro).

Os dias entre o início da Quaresma e o primeiro domingo são dedicados a temas mais ou menos variados (em um dos textos, descobrimos por que Tolstoi é infinitamente superior a Manoel Carlos), mas as semanas seguintes são dedicadas a temas específicos: Criação, Realidade, Busca, Oração e Sofrimento, até chegar à Semana Santa. Na semana dedicada à Criação, é impossível escapar dos comentários sobre o texto do Gênesis e a evolução. Polkinghorne afirma que o propósito dos relatos da criação não é ser científico (do contrário não teríamos como escapar da contradição entre os dois relatos), mas explicar o porquê das coisas. Usando o exemplo da lareira (“o fogo queima na lareira porque processos físicos e químicos atuam na madeira” e “o fogo queima na lareira porque estou recebendo amigos” não são explicações incompatíveis entre si), o autor diz que não é preciso escolher entre o Big Bang e o “faça-se a luz”. Ao comentar a evolução, Polkinghorne diz que Deus poderia ter feito o mundo todo pronto, mas preferiu criar um mundo que faz a si mesmo. Quando o autor do Gênesis diz que o homem foi formado “do pó da terra”, estabelece uma continuidade entre a natureza e o ser humano. Polkinghorne mostra pistas de Deus na beleza das equações matemáticas que regem o universo – é um trecho com o qual eu me identifico. Eu não sei ver beleza em equações (detestava Trigonometria na escola técnica), mas adoro Van Gogh e Mozart. Nem todo mundo me acompanha na admiração por um quadro ou uma composição musical, assim como para mim passa batida a beleza existente em outros aspectos da vida, que os demais reconhecem muito melhor que eu. E o autor encerra a semana com considerações sobre propósito e acaso – este último, diz Polkinghorne, está longe de ser negativo: é “o espaço de manobra que Deus concedeu às suas criaturas ao permitir que fossem elas mesmas”, afirma.

Na sequência da obra, o autor aborda temas como o maravilhamento diante das coisas do mundo, a diferença entre senso moral e senso cultural (sim, é possível ser uma pessoa boa sem ter religião nenhuma, mas como se nega a existência de certos padrões morais universais a todas as culturas?), a função da Teologia Natural, o emprobrecimento causado pelo Iluminismo na cabeça das pessoas ao desvalorizar o entendimento subjetivo e a experiência pessoal. Mas um capítulo que eu gostaria de comentar é o da semana dedicada ao Sofrimento, já que andamos discutindo o assunto aqui, por causa do Haiti. Polkinghorne se baseia especialmente nos Salmos e se pergunta: por que, no terremoto de 1755, Lisboa foi devastada justamente num Dia de Todos os Santos, quando milhares de pessoas estavam em igrejas que desabaram, matando os fiéis? “O que Deus estava fazendo com o terremoto em Lisboa? Acho que a resposta é que Ele estava deixando a crosta terrestre se comportar de acordo com a sua natureza”, diz o autor. Um Deus que não é “tirano nem mágico” permite que o mundo criado por Ele possa se desenvolver sozinho. Mas o salmista fica perplexo não apenas com os desastres naturais: ele percebe que coisas más ocorrem com pessoas boas. Pior ainda: coisas boas acontecem a pessoas más – que nadam “em mar de contentamentos”, como escreveu Camões. Nós também experimentamos essa perplexidade em vários níveis quando vemos desde autênticos cachorros atraírem o interesse das melhores garotas até mensaleiros sendo reeleitos. Como se resolve isso? Não basta nos consolarmos pensando que na vida eterna as coisas se encaixarão nos seus devidos lugares: se fosse assim, Nietzsche teria razão ao chamar o Cristianismo de religião de escravos conformados. Mas a resposta de Polkinghorne ao filósofo do século 19 eu deixo para vocês descobrirem ao ler o livro.

Ainda estamos no começo da Quaresma. Aos leitores cristãos, eu recomendo que procurem o livro e, depois de recuperar o tempo perdido, comecem a seguir as meditações dia após dia. Garanto que será um período de muitos frutos.

OS ANCESTRAIS e os PLANOS VIBRATÓRIOS marcelo debbio / são paulo

Os Ancestrais e os Planos vibratórios
Em todas as mitologias de todos os povos do planeta, sem exceção, existem contos e textos descrevendo o encontro de seres do Plano Material com seres do Plano Astral. Chamados pelos profanos de Fantasmas, Assombrações, Espíritos, Encostos, Poltergeists, Kamis, Veneráveis, Ancestrais e outros infindáveis nomes, estes seres são basicamente pessoas EXATAMENTE como nós; apenas estão em outra faixa de vibração, indetectável para a maioria das pessoas. Entendendo este princípio simples, fica muito fácil de explicar todos os fenômenos ditos “paranormais” ou “sobrenaturais”…

Para entender como todo este processo de Diferentes Vibrações funciona, vamos fazer uma analogia simples, Analisando nossos cinco sentidos: Em nossa visão, detectamos uma faixa de vibrações do espectro que vai do vermelho ao violeta. Abaixo desta faixa, temos o chamado Infravermelho e acima o Ultravioleta, cores que existem, mas somos incapazes de detectar. O primeiro aparelho capaz de detectar infravermelho foi construído a menos de dois séculos, mas graças às telecomunicações, esta é uma das áreas da ciência ortodoxa que mais avançamos nos últimas décadas.

Nos sons, temos uma faixa audível para o ser humano entre 20Hz e 20kHz. Abaixo deste valor temos os chamados Infrasons e acima disto os chamados Ultrassons, que os seres humanos não são capazes de detectar.
Nos gostos, além dos 4 sabores tradicionais (salgado, doce, azedo e amargo), os cientistas descobriram um quinto sabor, já conhecido há muito tempo pelos orientais com o nome de Umami e recentemente cientistas descobriram que alguns ratos são capazes de sentir um sexto tipo de sabor. Ainda há muito debate sobre isso e os cientistas não chegaram a nenhum acordo a respeito disso, mas sabe-se que existem sabores que não são detectados pelo paladar humano, apenas por alguns animais.
Nos cheiros, existem odores que o ser humano consegue captar e outros que não consegue detectar (chamados ferormônios). O estudo nesta área ainda está engatinhando e mal se projetam aparelhos capazes de detectar odores para uso prático, como detectar explosivos, drogas e outros aparelhos. Nos dias de HOJE, o melhor aparelho para se detectar explosivos continua sendo um cachorro. Ou seja, a ciência ortodoxa não é capaz de detectar com precisão nem ao menos odores ou gostos, quanto mais matéria sutil como a Luz Astral e o Pensamento.
Finalmente chegamos ao tato. Sabemos através de Eisntein que a matéria é energia, coisa que os antigos ocultistas conheciam há milênios (apenas usavam palavras diferentes para expressar a mesma idéia). Todos os objetos considerados “sólidos” são, na verdade, grandes vazios eletromagnéticos compostos de cargas positivas e negativas, que por estarem no mesmo plano de vibração, seus campos eletromagnéticos as repelem, causando a sensação de “físico” que possuímos ao tocar em um objeto “sólido”. Mesmo assim, existem partículas que são tão pequenas que nossos instrumentos não são capazes de pesar, como os Neutrinos (e somos bombardeados o tempo todo por milhões deles por segundo, vindos do Sol).

Os Sete Corpos
Para os ocultistas, os seres humanos possuem sete corpos. A saber: O Corpo Físico (este de carne e osso), o Duplo Etérico (que possui uma infinidade de nomes, de acordo com a tradição estudada: perispírito, campo etérico, corpo vital, biossoma, corpo ódico, corpo bioplasmático, prânamâyakosha, Veículo de Prana, etc). O Duplo etérico faz a ligação entre nossos corpos mais sutis e o nosso corpo físico, adotando a mesma forma que nosso corpo físico. Estudar o duplo-etérico é extremamente importante para compreendermos a maioria das lendas a respeito de fantasmas e assombrações.
Depois dele vem o Corpo Astral propriamente dito. Aquele que se desdobra nas projeções astrais e que permanece ligado ao físico pelo chamado cordão de prata. Os espíritas chamam este corpo de “alma”, os gregos chamavam de Psique.
O Quarto corpo é chamado Corpo Mental. Aqueles que supõe que a mente é o cérebro estão totalmente equivocados. A mente é energética, pode permanecer independente da matéria densa, pois é um corpo à parte, constituído de matéria mental. A mente elabora os pensamentos que se expressam por meio de cérebro. Pensamentos, mente e cérebro são três coisas totalmente distintas. Como o Kentaro demonstrou em umacoluna antiga, entre o ato de se desejar um movimento e o corpo físico efetivamente se movimentar, há um pequeno intervalo de tempo, necessário para se passar a informação da mente para o corpo astral, para o duplo etérico e finalmente para o corpo físico. O cientista Benjamin Libet chamou isso de “potencial pré-motor”.

Desta maneira, a razão converte a mente em um campo de batalha. O processo de racionalização extremada acaba rompendo as delicadas membranas do corpo mental, aprisionando-os no corpo físico (ver texto sobre Hod). Segundo a filosofia oriental e gnóstica, o pensamento deve fluir silencioso sereno e integralmente, sem o batalhar das antíteses (ver Netzach).
O corpo mental pode viajar através do tempo e do espaço, independentemente do cérebro físico. Em um determinado processo do estudo esotérico, o discípulo aprende a se desdobrar em corpo astral. Já em corpo astral, aprende a abandonar este corpo e a ficar no corpo mental. De acordo com a Teosofia, o corpo mental da raça humana encontra-se no início de sua evolução, estando quase que completamente desorganizado (chamado corpo mental lunar).
Corpo Causal (ou da Vontade) é o chamado quinto corpo e vem a ser o veículo da alma humana. No ser humano comum, este corpo ainda não está formado, tendo encarnado dentro de si mesmo apenas uma fração da alma humana. Tal fração é denominada “essência” e no zen budismo japonês “Budhata”. É a Lua dos Alquimistas, a princesa dos contos de fadas, que precisa ser libertada dos castelos do Mundo Material.
Podemos e devemos estabelecer diferença entre o seu corpo da vontade de seres humanos comuns e correntes, do tipo lunar e o corpo da vontade consciente de um Mestre. O legítimo corpo da vontade permite ao adepto realizar ações nascidas da vontade consciente e determinar circunstâncias. O Corpo Causal é a tal “força de vontade” que os leigos tanto apregoaram em filmes como “o Segredo”. É através deste corpo que materializamos nossas “telas mentais” para a realização de desejos.
O sexto corpo é chamado de ” Budhi ” ou Alma Divina. É um corpo totalmente radiante que todo ser humano possui, porém, ao qual ainda não está intimamente ligado. É Tiferet na Kabbalah, o “Espírito Crístico” de Jesus, o deus-solar dos Antigos e o Sol do Casamento alquímico dos hermetistas. É o cavaleiro de Armadura Brilhante dos contos de fadas. Quando desenvolvido plenamente, faz com que nos tornemos verdadeiramente iluminados.
O sétimo corpo é chamado Átmico, Atman ou Atmã. Chamado também de o Deus interno, o real ser, o íntimo de cada um, o EU SOU.
Atman, em si mesmo é o ser inefável, o que está além do tempo e da eternidade. Não morre e nem se reencarna, é absolutamente perfeito. Atman se desdobra na alma espiritual, esta se desdobrando na alma humana, a alma humana se desdobra na essência e essa essência se encarna em seus quatro veículos (corpo físico, etérico, astral e mental), se veste com eles.

Isto colocado, podemos entender o primeiro deus Psycopompo: Thanatos, o Deus dos Mortos. O Plano Astral é a morada daqueles que ainda não encarnaram ou que estão em fase intermediária entre duas encarnações.
Quando uma pessoa morre (ou “desencarna”, ou “passa para o oriente eterno”, como preferirem), ela abandona seu corpo material e permanece no Astral com seus seis corpos sutis, na forma que seu duplo-etérico (perispírito) possuía quando faleceu. Neste ponto de nossa trama, existem MUITAS histórias e possibilidades. Estas pessoas são chamadas de “Espíritos” pelos kardecistas e são eles que se comunicam na maioria das vezes em sessões mediúnicas. Eles também formam os “encostos”, “assombrações”, “fantasmas” e outros.
Após algum tempo no Astral, os mortos abandonam seu duplo etérico, que se dissolve, e permanecem apenas com seu Corpo Astral, que vai para Planos de Consciência mais sutis, onde recebe outro duplo-etérico na ocasião de um novo nascimento. Quanto mais evoluído é o espírito, menos tempo ele passa na forma de seu Perispírito.

Cascões Astrais
quando o duplo-etérico é abandonado, ele pode resultar nos chamados cascões astrais, que são formas vazias possuidoras da imagem de alguém que faleceu recentemente. Muitas vezes estes cascões astrais podem ser habitados temporariamente por elementais (muitas vezes as imagens projetadas em centros espíritas não são na realidade a pessoa falecida, mas apenas o cascão astral dela, animado por um elemental). Os ocultistas chamam estes seres de Doppelgangers.

“Eles se movem por ai, como pessoas normais. Vêem o que querem ver, e não enxergam uns aos outros”
No Plano Astral, o duplo etérico funciona EXATAMENTE como nosso corpo físico, limitado apenas pelo nosso subconsciente. Se uma pessoa acredita que a parede é sólida, então ela se torna sólida para ele. Se é um iniciado e sabe que pode atravessar uma parede, então ele assim o fará (mas como veremos a seguir, a imensa maioria dos habitantes do astral é tão ignorante quanto suas contrapartes do Plano Físico). A Vontade (Thelema) é o que realmente comanda dentro dos Planos sutis. As pessoas que sabem como Yesod funciona rapidamente se tornam “chefes” das massas ignorantes de espíritos.

I see dead people
No Astral, as pessoas enxergarão aquilo que estiver na mesma freqüência de vibração que elas; muitas vezes não saberão sequer que estão mortos. Já tive experiências de resgate em que as pessoas simplesmente não acreditavam que haviam morrido. A senhora havia falecido durante o sono e achava que seus netos e filhos apenas não prestavam mais atenção a ela…
Alguns animais (gatos especialmente) são capazes de sentir estas vibrações. Crianças e sensitivos também enxergam dentro de algumas faixas do Astral. O nome que se dá para as pessoas que possuem estas faculdades é Clarividente (antigamente chamados de médiuns-videntes) embora existam também Clariaudientes (que escutam), olfativos (que sentem cheiros) e táteis (que sentem impressões). Hoje em dia termos como “videntes” não são muito utilizados, pois acabaram se tornando associados a charlatões e vigaristas.
Importante ressaltar que estas faculdades não estão necessariamente conectadas entre si: Um médium pode incorporar (usando a psicografia, psicofonia e etc) e não ter clarevidência nenhuma, por exemplo.
Problemas de esquizofrenia são frequente em médiuns ostensivos, que possuem a capacidade física da mediunidade. A glândula pineal manda toda essa carga de informações para o hipotálamo e afins, assim surgindo vários problemas. O médium treinado recebe essas informações pelo lobo-pré frontal, o a parte cerebral que lida com a ética humana (Dr. Sérgio Felipe de Oliveira).

Enxergar o Astral, exige um misto de habilidade nata e treino. Há pessoas que nascem com este dom (assim como pessoas nascem daltônicas, ou seja, enxergam menos cores no espectro, outras nascem clarividentes e enxergam uma gama maior de frequencias vibratórias) enquanto outras precisam treinar por anos a fio para desenvolver estas faculdades.
Existem alguns facilitadores para despertar estes processos. Um deles é o vegetarianismo. Limpar o corpo das impurezas energéticas contidas na carne facilita o despertar destes sentidos; não beber, não fumar e manter o corpo sem relações sexuais por alguns dias também vai facilitar o processo (não apenas disso, mas de projeções astrais também).

Fantasmas, Vampiros e Aparições
Antigamente, as pessoas se alimentavam com comidas mais limpas, sem toxinas, agrotóxicos, venenos, sabores artificiais e conservantes químicos, e possuíam mais propensão ao contato mediúnico. A explicação ridícula que se ouve por ai é que as pessoas de antigamente eram mais burras ou supersticiosas, ou esquizofrênicas, por isto acreditavam em fantasmas. Como já foi demonstrado e provado inúmeras vezes, a maioria dos casos de “loucura” nada mais é do que mediunidade exacerbada somada a ignorância cética. Os astrólogos de antigamente chamavam a casa 12 no Mapa Astral de “Casa dos Loucos” porque constatavam que a grande maioria dos internos dos institutos depsiquiatria possuíam muitos planetas no signo de Peixes nesta casa.
No campo, onde a alimentação e o ar eram mais saudáveis, estes efeitos de contato entre o Material e o Astral eram mais freqüêntes e algumas pessoas conseguiam enxergar os espíritos obsessores agindo. Destes contatos surgiram as lendas dos vampiros, lobisomens e bruxas voadoras.
Vamos explicar algumas das características dos vampiros de maneira científica:
1) Obsessores são entidades astrais que se conectam à pessoas vivas com o objetivo de sugarem fluidos sutis. Um corpo astral não é capaz de fumar, nem de obter prazer a partir da ingestão de nicotina, mas pode se “encostar” em uma pessoa e, através dochakra Umeral (um chakra que fica na parte de trás da nuca), absorver as sensações de prazer que o fumante possui quando traga um cigarro. Este processo de fluidificação é o mesmo usado pelos kimbas (espíritos trevosos) para absorver o sangue de um sacrifício ou a comida de um despacho de macumba (explicarei sobre isso mais para a frente). Obsessores também se “alimentam” de sensações: alegria, tristeza, dor, saudade, raiva… boa parte dos casos de DEPRESSÃO nada mais são do que obsessores que incitam estas sensações na pessoa para depois se alimentarem delas.
Por precisarem estar literalmente acoplados energeticamente em suas vítimas, os kardecistas os chamaram de “espíritos obsessores”, os espiritualistas chamam de “espíritos encostados” e os toscos dos evangélicos adaptaram a expressão para “encostos”. Da posição de “sugar o pescoço” surgiu a lenda que vampiros mordem o pescoço de suas vítimas.
2) Estas entidades existem apenas no Plano Astral. Quando um vidente as enxergava diante do espelho, via apenas a criatura, mas não seu reflexo (pois o espelho reflete apenas o Plano Material). Disto vem a lenda de que os Vampiros não possuem reflexo em espelhos.
3) as entidades mais baixas são constuídas de miasmas astrais (restos energéticos que compõem os cascões usados por estes seres para se manifestar no Astral, de maneira semelhante ao duplo-etérico) e a luz solar dissolve estes miasmas. Disto surgiu a lenda que vampiros queimam no sol, pois seus cascões astrais são literalmente DISSOLVIDOS pela luz solar (você nunca reparou que pessoas depressivas evitam ao máximo a luz solar?).
4) Água Lustral também é outro material que afeta o Plano Astral. Água Lustral é feita a partir de sal marinho e água (água do mar também serve). É o motivo pelo qual os Orixás recomendam tanto banhos de mar para ajudar em problemas espirituais, além de ser um dos locais mais fortes para despachos. Surfistas, nadadores, mergulhadores e pessoas que trabalham com o mar também concordam com a sensação de limpeza que o mar traz quando se lida com ele. A Igreja Católica, que tudo copia, também apoderou-se da água lustral, só que a chama de “Água Benta”. Ao utilizarmos água lustral em nossos rituais, dissolvemos as miasmas astrais. Disto resultou na lenda de que vampiros são afetados por água benta. Ela literalmente corrói a “pele” dos obsessores e cascões astrais. Também explica a lenda de que os vampiros não podem cruzar água corrente.
5) símbolos religiosos, assim como a baqueta ou “varinha mágica”, são canalizadores da Vontade (Thelema) do ocultista. Através dele, podemos forçar nossa vontade a dissolver o miasma dos cascões astrais e forçar a entidade para fora do cascão que está acoplado na pessoa (esta é uma das bases do Exorcismo, que explicarei em posts mais adiante). Já sabendo disso, estas entidades se afastam da presença do mago. Por isto que se diz nas lendas que “a cruz só funciona com quem acredita nela”. A Baqueta, quando atravessada no cascão astral, também dissolve completamente o miasma. Por isso dizem que vampiros tem medo do crucifixo. A baqueta de madeira atravessando o corpo do obsessor também é a origem da “estaca” matando vampiros.
6) Igrejas e Templos (rosacruzes, maçônicos, thelemitas…) normalmente possuem egrégoras e rituais especiais que impedem a presença deste tipo de criatura. Dizemos que o templo “está coberto” contra a presença destas entidades. Por esta razão, as lendas dizem que demônios, assombrações e vampiros não podem pisar “solo sagrado”.
7) Obsessores e obsediados mantém uma relação de harmonia vibratória entre eles. Um espírito obsessor só consegue permanecer em um local onde haja uma afinidade emocional ou vibracional, caso contrário eles não serão capazes de acoplar ou serão mantidos afastados. Disto surgiu a lenda de que vampiros só podem entrar em um local se forem convidados (valeu pela lembrança, Thahy).

Uma das coisas mais interessantes sobre as lendas dos vampiros é que Bram Stoker, o escritor que imortalizou o Drácula, era membro da Golden Dawn, uma ordem iniciática muito conhecida no começo do século XIX. Quando ele colocou estas características em seu romance, ele sabia muito bem sobre o que estava escrevendo.

O QUE HÁ COM A POESIA? PARA IVO BARROSO FALTA…

Para Ivo Barroso, falta à poesia atual o poder de emocionar

Cada vez a poesia “atinge” menos leitores, seja porque recorre a uma linguagem que em última instância a elitiza ou a marginaliza, seja pela sua atual incapacidade de atingir aquilo que parece o fim precípuo dessa arte: o poder de emocionar, de tocar uma corda sensível do leitor e tirá-lo, ainda que por brevíssimos instantes, do fulcro habitual em que vive e pensa. A maior parte da produção poética de nosso tempo nada tem a ver com a poesia propriamente dita: é prosa ruim ou letra de música ou abjeções destinadas ao vaso sanitário. Além disso há uma persistência inexplicável por métodos que de há muito se revelaram inócuos. Tenho engulhos quando leio poemas com trocadilhos ou jogos de palavra aleatórios tipo pá/lavra e quejandos. Há gente que ainda hoje usa recursos concretistas pensando que está fazendo poesia “avançada”…

BAÍA DE ANTONINA. tela de claudio kambé. ilustração do site.

AS CHUVAS poema de h. dubal

 

Nas mãos do vento as chuvas amorosas
vinham cair nos campos de dezembro,
e de repente a vida rebentava
na força muda que as sementes guardam.

Nas ramas verdes rebentava a luz
e a doçura do tempo transformava
a terra e o gado na pastagem tenra
na alegria dos rios renovados

Cheiro de gado e de currais suspenso
no ar que os dedos do inverno vão tecendo
mais um vez nos campos de dezembro.

E nos trovões a tarde acalentada,
cantiga de viver que a chuva traz
numa clara certeza repetida.

 

 

H. DUBAL – Poeta Crítico, leitor de Sartre, Rilke, T.S.Eliot e Camus… existencialista. Nào falava de si, discreto. falava do mundo, criticava a modernidade…entregou as moedas para o barqueiro há dois meses.

A ENCENAÇÃO poema de altair de oliveira

 

Antes que a dor me arrie,

Emulo um lance de sorte

E empano a extinta alegria

Eu  a empunho como estandarte,

e a porto por toda parte…

(…rio só noites e dias!)

E a emprego de arma de marte

com artes de artilharia

E miro o motor da morte…

 

– Algoz com as minhas algias!!!

 

CRUCIFIXO REAL poema de ademário da silva

Um céu / Um sol

África de urinol

Um chão

Deserto de Saara

Escancara corrupção

Tempestade de emoção

Lágrimas de penitência

Ausências solidárias

Multifárias questões

Humanos borrões

Ações estáticas

Fantásticas são as prisões

A prisão dos ventres

Das mentes e dos corações

Vilões da liberdade



Sentados no trono da falsidade

Administrando destinos de infantilidades

Clitóris em desavisos

Meretrícias condutas

Liturgias pedófilas

O pecado do mundo e o cordeiro do nada

No templo das indulgências milenares

Um esquisito madeiro

Provoca a inflação moral

Por trinta dinares!