Arquivos Mensais: setembro \30\UTC 2007

BICICLETEIROS PRESOS no dia sem carro – por jaques brand

Amigos,
Passo adiante recados e manifestos que acabam de surgir no contexto do movimento BICICLETADA. Uma primeiríssima ciclo-faixa (faixa para bicicleta no próprio asfalto das ruas, diferente da ciclovia, maisvoltada ao lazer) apareceu na primeira quadra da RuaAugusto Stresser, Curitiba, por obra da moçada valente que toca esse movimento.
A Guarda Municipal reprimiu… no Dia Mundial SemCarros!
Os coordenadores da iniciativa foram parar …na Delegacia do Meio Ambiente, presos!
O movimento agora quer a homologação, pelo PrefeitoBeto Richa, desse trecho – começo de um caminho novo, de um novo trato no sistema de circulação da cidade.
Dá pauta de reportagem e dá o que pensar.
Abraço, grato pela atenção,

Jaques Brand

“…à noite, quando encontrei um integrante da trupe Bicicletada, este me relatou que em dado momento resolveram pintar simbolicamente uma ciclofaixa em uma via da cidade. Este ato teve a intenção de mostrar que, bastando uma lata de tinta e boa vontade política, a cidade pode ser sinalizada com este mecanismo rudimentar, chamado ciclofaixa, que é eficaz no que diz respeito a sua finalidade de destinar um espaço preferencial para circulação de bicicletas com segurança. Um ato de demonstração de como pode haver democracia da circulação viária.
No entanto, o que se seguiu foi no mínimo cômico. Alguns agentes da Guarda Municipal de Curitiba chegaram repentinamente em dois carros viaturas (no dia sem carro!) e, depois de demonstrações de truculência, despreparo e falta de capacidade para entender um movimento democrático, conduziram por meio de ameaças descabidas os integrantes da mobilização para a Delegacia de Meio Ambiente, alegando que os ciclistas estavam cometendo crime ambiental.”

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PARTO ESSE PÃO – poema de dylan thomas

Parto esse pão que outrora foi centeio,
Esse vinho sobre uma árvore estranha
Submersa em seus frutos;
O homem durante o dia ou o vento à noite
Derrubaram as searas e esmagaram a alegria das uvas.

Outrora nesse vinho, o sangue do verão
Pulsava na carne que recobria a videira,
Outrora nesse pão
O centeio era feliz ao vento;
Mas o homem dilacerou o sol e abateu o vento.

Essa carne que despedaças, esse sangue que permites
Trazer desolação às veias
Eram as uvas e o centeio
Nascidos da seiva e de sensuais entranhas;
Meu vinho que bebes, meu pão que abocanhas.

Arroz, Feijão & Philosophia – parte tres – art. jairo pereira

Parte trhesFilósofo já sai pronto de forma. A ninguém se deu ou se dará o poder de fabricar filósofos. Convive o triste, com o são desequilíbrio construtivo, oscilando entre imanência e transcendência. Não adianta subir o longo calvário do conhecer histórico e canônico da velha filosofia, especialmente a ocidental, que é criação humana, racional e cerebrina, para tornar-se um dia filósofo, se não se detém o dom inato, de profunda observação dos fenômenos. Criar conceitos é apenas uma das faculdades com as quais os filósofos se armam. Além dessa muitas outras espocam, como estrelas, no céu da vida daquele pobre coitado que nasce com o mal grave da Triphistophilosophia. Primeiro: filósofo que é filósofo deve saber situar-se no tempo e no espaço. Impor-se pelo pensamento. Pensamento que deve trazer no mínimo, algo do seu próprio pensar. Pensar que não pode ser mera revista do que lera de outros filósofos ou veio a aprender em escola. Para tanto, filósofo deve trazer sempre sob as vestes, o opúsculo extraordinário de sua lavra. Um livreto qualquer de no mínimo vinte ou trinta laudas de um só-pensar-particular, legítimo, autêntico, nem que seja no próprio equívoco desse seu detido pensar. Equívoco que poucos terão coragem de um dia em vida acusar ao nosso amigo filósofo.
Lembrando que muitas grandes filosofias viveram apenas de uns poucos conceitos, não é preciso escrever muito para se conceber uma filosofia original. A obra realmente é de fundamental importância na vida do filósofo que se habilita. É de se compor o filósofo convicto, o seu pequeno livro, aberto aos espíritos, o livro que revele o pensar singularíssimo, de ser e estar no mundo entre as coisas. Tudo isso, que é quase-nada, fazer, sob pena de passar em branco, como uma traça tonta, a vagar, nas páginas do processo filosófico, sobre as sentenças (conceitos) dos outros.

E O TEMPO LEVOU – poema de ewaldo schleder

Murro na ponta da história

cara quebrada no espelho

à cicatriz sem memória

juro, eu logo me ajoelho

Sem escapes, não despiste

ouro de pobre não reluz?

apontar duro o dedo em riste

é purgar o resto do pus

Transmutação sobretudo

faca de louco não se afia

se daqui logo me mudo

não sei quando todavia

Peço ao rio: arrebente

navego o dia sombrio

a sentir gozo pungente

cheio de porra, esvazio

É PRECISO SABER E AGIR – env. por celso benitez

Ecologia é o estudo das interações dos seres vivos entre si e o meio ambiente.
A palavra Ecologia tem origem no grego “oikos”, que significa casa, e “logos”, estudo, reflexão. Logo, por extensão seria o estudo da casa, ou de forma mais genérica, do lugar onde se vive. Foi o cientista alemão Ernst Haeckel, em 1869, quem primeiro usou este termo para designar a parte da biologia que estuda as relações entre os seres vivos e o ambiente em que vivem, além da distribuição e abundância dos seres vivos no planeta.
A ecologia divide-se em três ramos: Autoecologia, Demoecologia e Sinecologia.
Para os ecólogos, o meio ambiente inclui não só os fatores abióticos como o clima e a geologia, mas também os seres vivos que habitam uma determinada comunidade ou biótopo.
Para que possamos delimitar o campo de estudo em ecologia devemos, em primeiro lugar, compreender os níveis de organização entre os seres vivos. Portanto, podemos dizer, que o nível mais simples é o do protoplasma, que é definido como substância viva. O protoplasma é o constituinte da célula, portanto, a célula é a unidade básica e fundamental dos seres vivos. Quando um conjunto de células, com as mesmas funções estão reunidas, temos um tecido. Vários tecidos formam um órgão e um conjunto de órgãos formam um sistema. Todos os sistemas reunidos dão origem a um organismo. Quando vários organismos da mesma espécie estão reunidos numa mesma região, temos uma população. Várias populações num mesmo local formam uma comunidade. Tudo isto reunido e trabalhando em harmonia forma um ecossistema. Todos os ecossistemas reunidos num mesmo sistema como aqui no Planeta Terra temos a biosfera.
O meio ambiente afecta os seres vivos não só pelo espaço necessário à sua sobrevivência e reprodução levando, por vezes, ao territorialismo mas também às suas funções vitais, incluindo o seu comportamento (estudado pela etologia, que também analisa a evolução dos comportamentos), através do metabolismo. Por essa razão, o meio ambiente — a sua qualidade — determina o número de indivíduos e de espécies que podem viver no mesmo hábitat.
Por outro lado, os seres vivos também alteram permanentemente o meio ambiente em que vivem. O exemplo mais dramático é a construção dos recifes de coral por minúsculos invertebrados, os pólipos coralinos.
As relações entre os diversos seres vivos existentes num ecossistema incluem a competição pelo espaço, pelo alimento ou por parceiros para a reprodução, a predação de organismos por outros, a simbiose entre diferentes espécies que cooperam para a sua mútua sobrevivência, o comensalismo, o parasitismo e outras.
Da evolução destes conceitos e da verificação das alterações de vários ecossistemas — principalmente a sua degradação, pelo homem, levou ao conceito da Ecologia Humana que estuda as relações entre o Homem e a Biosfera, principalmente do ponto de vista da manutenção da sua saúde, não só física, mas também social.
Por outro lado, apareceram também os conceitos de Conservação e do Conservacionismo que se impuseram na actuação dos governos, quer através das acções de regulamentação do uso do ambiente natural e das suas espécies, quer através de várias organizações ambientalistas que promovem a disseminação do conhecimento sobre estas interações entre o Homem e a Biosfera.
A ecologia está ligada a muitas áreas do conhecimento, dentre elas a economia. Nosso modelo de desenvolvimento econômico baseia-se no capitalismo, que promove a produção de bens de consumo cada vez mais caros e sofisticados e isso esbarra na ecologia, pois não pode haver uma produção ilimitada desses bens de consumo na biosfera finita e limitada

H. L. MENCKEN furioso



sobre a adolescência

um estágio entre a infância e o adultério.

NO CABARET VERDE – poema de Rimbaud/1870

No Cabaret Verde – as cinco horas da tarde




Oito dias a pé, as botinas rasgadas
Nas pedras do caminho: em Charleroi arrio.-
No Cabaré-Verde: pedi umas torradas
Na manteiga e presunto, embora meio frio.


Reconfortado, estendo as pernas sob a mesa
Verde e me ponho a olhar os ingênuos motivos
De uma tapeçaria. – E, adorável surpresa,
Quando a moça de peito enorme e de olhos vivos


– Essa, não há de ser um beijo que a amedronte!
-Sorridente me trás as torradas e um monte
De presunto bem morno, em prato colorido;


Um presunto rosado e branco, a que perfuma
Um dente de alho, e um chope enorme, cuja espuma
Um raio vem doirar do sol amortecido.

ONDE TANJO UM SOL – poema de jaques brand

I

Onde tanjo um Sol
ouvem lá que é um Fá
e se solo um Lá
falam só que é um Si

II

Nuvem que nem Noruega,
que nem a espada de Quéfrem
ou o sorriso de Vânia
e as açucenas do açude.

O SUPERLUX – poema de jairo pereira

meus filhos crescem livres ao redor da casa
para o futuro as hastes progridem belas
nada perdi e tudo ganhei com os signos
arvorei imagens inusitadas nas amplas telas
o futuro
e seus triumphantes de longas asas pratas
alumínios carbonos néons ricos materiais no espaço
os triumphantes dão vôos rasantes sobre as cercas
como uma criança miro o desconhecido
no onde quer q. seja tudo estoura fogos de artifício
a vida não fica fora do desperdício cósmico
😮 superlux:preciso te falar dos meus princípios alentados
trançar sentidos no amplo espaço desprogramado
módulos semióticos cuspidos para o infinito
não valem os três sonetos q. perdi
aqueles vis ofícios.

OS MANO – por roberto gold

Há poucos dias assisti um trecho da entrevista do Mano Brown no programa Roda Viva. Nem questionei o fato dele estar num programa que só manda ao ar entrevistas com grandes personalidades, e também não assisti na íntegra, mas como se para confirmar os meus pontos de vista anteriores vi e ouvi uma pequena amostra da “filosofia” dos mano. Um escritor chamado Paulo Lins, fez uma pergunta mais ou menos assim: “Como você consegue dizer para os meninos das periferias pobres para eles serem honestos diante da cena atual onde os políticos roubam, os empresários roubam, a roubalheira atinge o futebol e por aí? O Mano Brown não entendeu a pergunta e começou um discurso acusatório defendendo a “honestidade” dos que delinqüem. Ele disse mais ou menos isso: Eles (provavelmente se referindo aos que a sociedade chama de marginais) são honestos com seus companheiros, com seus familiares, com os mano que estão no sistema prisional…” Aí voltou a sua metralhadora para a “sociedade” dizendo que “a sociedade é que é a criminosa, desonesta etc”. Nesse exato momento me veio a mente uma cena que presenciei há uma semana no centro da cidade do Rio de Janeiro, mais exatamente no cruzamento da Rio Branco com Rua do Ouvidor. O sinal abre e centenas de pessoas passam umas pelas outras apressadas, afinal era hora do almoço. O espaço da faixa de pedestres fica tomado por aquele mar de gente. Pensei, essa é a sociedade: gerentes, secretárias, diretores, office boys, auxiliares administrativos, desempregados saindo de uma entrevista de trabalho. Gente que luta e trabalha todo dia no Rio e em todo o Brasil. Essa é a sociedade criminosa e desonesta? Não? Há então existem outras sociedades? Claro. Como diz Erich Fromm não existe sociedade e sim sociedades.
Quando ouço esse tipo de bobagem pobremente ideologizada fico pensando: imagine se esse discurso sectário e mistificador fosse ouvido por todos que moram em periferias, favelas, pobres e às vezes até miseráveis? Os milhões de seres que estão nessa condição, mas optaram por lutar dentro do sistema trabalhando duro, e honestamente largariam suas pastinhas, suas ferramentas, e correriam para procurar uma arma? Imaginem se o Lula tivesse ouvido essa convocação para combater a “sociedade” corrupta e partisse para o crime ainda no pau de arara que o trouxe para São Paulo? Hoje ele não seria o presidente e sim chefe de uma quadrilha (certamente não estaria vivo). Isso me lembra demais o discurso idealista do bon sauvage, do século XIX , que levantava a bola dos índios do Novo Mundo em contraste com a sociedade européia viciada e corrupta. Hoje sabemos que isso não passava de uma grande bobagem. Os selvagens foram eles mesmos responsáveis por uma imensa degradação ambiental, da extinção de espécies e de guerras fratricidas das mais cruéis que se têm notícia. Vivo repetindo: a ideologia quando é o único combustível do indivíduo e é deformadora das realidades. A ideologia não é racional por mais que se esforce para se apresentar como tal.
Há políticos corruptos claro que há. Mas qual a porcentagem de políticos em relação à população? Há policiais corruptos? Claro que há, mas se toda a polícia fosse corrupta as cadeias não estariam lotadas de bandidos, quem os colocou lá, o mano Brown, o Paulo Lins, você, eu? Sei que precisamos da generalização para poder lidar com a realidade, mas quando usamos a generalização para criar ou reinventar a realidade aí é pura e simples mistificação, em suma picaretagem ideológica barata.
Convivo com um mega empresário que veio de um meio pobre e de um país mais pobre ainda que o nosso. Até uns dezoito anos atrás era garçon. Hoje fatura setecentos milhões por ano, emprega (de carteira assinada) 14 mil funcionários, trabalha até quinze horas por dia e já recusou várias propostas para vender a empresa. Ao contrário ele sempre me diz: “quero crescer mais, contratar mais gente e ir para o exterior levar o know how brasileiro para lá.” Imaginem se esse menino pobre ouvisse o discurso do mano e do escritor supracitado de desalento e revolta. Esse papo aranha quer turbinar uma guerra civil que não pode ter vencedores nunca e jogar culpa sobre a sociedade que trabalha e que busca sobreviver e prosperar honestamente. Não vivemos no melhor dos mundos, mas mentir, falsificar a realidade para incitar ao crime e a revolta vai piorá-lo muito, mas muito mais.

GREENPEACE – env. por paolo luchesi


Esta é uma questão que envolve a todos nós. Vamos denunciar, debater e sugerir soluções. Ainda pode haver tempo.



A Greenpeace é uma organização não governamental sediada em Amsterdam e presente em quarenta e um países. O seu campo de ação centra-se em questões relacionadas com o meio ambiente (alterações climáticas, preservação dos oceanos e florestas, paz e desarmamento, engenharia genética, desenvolvimento nuclear, comércio justo ou sustentável). Esta organização não é financiada por governos ou empresas, mas sim por mais de 2.8 milhões de membros particulares.
As campanhas e manifestos promovidos pela Greenpeace provocaram o fecho de um centro de testes nucleares nos Estado Unidos, o fim dos testes nucleares subterrâneos em alguns países, a proibição da importação de pele de morsa na União Europeia, a criminalização da pesca de baleias e a proteção da Antártida contra a exploração minérios.
As actividades da Greenpeace caracterizam-se pela sua controvérsia e, por vezes, pela sua ilegalidade. Os ativistas envolvidos são constantemente acusados de crimes, como desobediência civil e trespasse de limites e fronteiras. O caso mais mediático de desrespeito das leis pelos ativistas da Greenpeace deu-se em 1985, quando o governo francês ordenou o bombardeamento do Rainbow Warrior, um dos navios da organização.

W. FIELDS furioso

Uma mulher me levou à beber – e eu nem ao menos lhe agradeci por isto.

SEGREDO – poema de marilda confortin



Um isto

É meu o cisco
a faísca
o escuro ínfimo
que existe no mundo
quando teu olho pisca
é meu teu medo
teu segredo
sou eu

O MARKETING CONTRA A POESIA – por álvaro alves de faria

A construção de falsos poetas e a

conivência da mídia cultural brasileira.

A poesia brasileira, salvo exceções honrosas, está mergulhada numa densa escuridão. Invadida por marqueteiros, a poesia brasileira se debate quase sem saída. Na poesia dos marqueteiros vale só o experimentalismo cultivado com a arrogância. E a palavra arrogância tem de entrar aqui porque a discussão deixa até mesmo de ser por questões literárias. É uma questão de honestidade. O jogo é de cartas marcadas, tudo com espaço garantido numa mídia sem compromisso cultural nenhum. Um jogo de favores e confetes mútuos. Uma paisagem constrangedora. Bem diz o poeta Roberto Piva: “Só aceito um poeta experimental que tenha vida experimental. Não tenho nenhum patrono no ‘Posto’ nem leões-de-chácara e guarda-costas literários nas redações de jornais e revista. Nada mais provinciano do que os clubinhos fechados da poesia brasileira, com seus autores-burocratas tentando restaurar a Ordem/…/” O mais deprimente nesse quadro de sombras é o comportamento da chamada mídia cultural, especialmente de São Paulo e Rio de Janeiro, que, quase toda, se presta ao trabalho de inventar valores nessa paisagem cada mais melancólica. Poetas são inventados da noite para o dia. Uma louvação sórdida. Uma mentira jogada na cara dos que ainda conseguem pensar neste país medíocre. O que se vê é uma festa regada com a inconseqüência que representa, no fundo, uma afronta à inteligência. Poetas brasileiros que hoje escrevem poemas utilizando palavras — é lógico — são praticamente ignorados por essa mídia que se afirma cultural, mas que é feita única e exclusivamente de e para apadrinhados que mais se preocupam com vaidades levianas do que com a poesia. É um sarau interminável de veleidades. Manuel Bandeira escreveu que “a poesia está em tudo — tanto nos amores como nos chinelos, tanto nas coisas lógicas como nas disparatadas”. Mas de que adianta essa descoberta da poesia em todo lugar, já que ela parece pertencer apenas a alguns detentores do poder da mídia que promove quase só mediocridades, num jogo lastimável? Tem-se que evitar a generalização. Até porque, nesse imenso vale de lágrimas, existem poetas honestos no trabalho de elaborar uma obra séria ao homem, que sirva à vida, que sirva à própria poesia. É muito difícil, atualmente, situar a poesia brasileira sem destacar essa desonestidade que corrói a produção poética, devidamente amparada por uma chamada mídia cultural sem compromisso com nada. No Brasil, este é um tempo que transforma compositores de música popular em poetas grandiosos. Um deboche. Os tecnocratas da poesia no Brasil querem a morte da palavra. Os tecnocratas da poesia querem a morte do poema. Os tecnocratas do poema querem a morte da poesia.

PARA UM HOMEM (das cavernas) – poema de marilda confortin

Introspectivo profundo e calado
feito uma caverna do diabo.
Arma(dilha) a quem se atreve explorá-lo.
Estalactíferas palavras
precipitam-se pontiagudas
sobre quem ousa quebrar
seu silêncio.
Engana-se quem pensa
que amá-lo ou odiá-lo
faz diferença.
Ele se isenta
do sentimento que desperta.
É tão inFelini,
tão confúcio,
tão nietzchido
e tão triste
que parece um colar
de ágata Christie.
Ele me encanta e me apavora.
Acho que é porque
ele lê minski
e fala pouco.
Acho que ele é louco.
Acho que ele é santo,
Um tanto planta e
demasiado humano
para ser deste plano.
Ele teme morrer
antes de ter certeza
de ter atingido a
incerteza máxima.
Pound ser…

Arroz, Feijão & Philosofia – parte dois – art. jairo pereira

Parte dhois

Além, muito além de criar conceitos, ou sê-los, os conceitos em potência, filósofo é aquele cara que desde menino, não sabe brincar com as outras crianças. Tudo que faz dá errado. Não sabe ganhar dinheiro, namorar, atleticar. Filósofo, é acima de tudo indolente e reparador. Vejam que em reparador está praticamente a potência máxima do protofilósofo. Reparar é observar, criticando silenciosamente. Observar a vida. Observar as pessoas. Observar a nathureza. Observar, observar e observar. Contrastar, projetar, refazer in spiritus o contorno das coisas, seus núcleos complexos, entroplexos.
O olhar rastreador de quem repara as mínimas coisas, situações, projeções do outro no tempo, no espaço das mais diversas nathuras. A exemplo o filósofo que visita alguém e mede a condição social da família, se os filhos estudam, trabalham, o grau de conhecimento dos mesmos, as possibilidades reais do núcleo se expandir no tempo naquele contexto onde vivem, se há, haverão problemas familiares explícitos ou implícitos, tudo é medido milimetricamente pelo espírito invicto e silencioso do philósopho, como um aparelhinho positrônico que não foi inventado ainda, vocacionado ao registro minucioso da vida alheia de seu tempo e de seu espaço, além da própria (vida) em todas suas mazelas.

FÚRIA

É claro que uma relação platônica é possível, mas só entre marido e mulher.

ETERNA MÁGOA – poema de Augusto dos Anjos


O homem por sobre quem caiu a praga
Da tristeza do mundo, o homem que é triste
Para todos os séculos existe
E nunca mais o seu pesar se apaga!

Não crê em nada, pois, nada há que traga
Consolo à Mágoa, a que só ele assiste.
Quer resisitir, e quanto mais resiste
Mais se lhe aumenta e se lhe afunda a chaga

Sabe que sofre, mas o que não sabe
É que essa mágoa infinda assim, não cabe
Na sua vida, é que essa mágoa infinda

Transpõe a vida do seu corpo inerme;
E quando esse homem se transforma em verme
É essa mágoa que o acompanha ainda!

EDUCAÇÃO: IMPORTANTE OU PRIORITÁRIA? por eduardo ratton

O que distingue aquele que consegue realizar daquele que nem ousa tentar? É o “saber fazer”, ou se preferirem o “savoir-faire” o “know-how”. Não se trata de puro instinto ou privilegio genético e sim, de disciplina, de obstinação, do desejo de realizar e de contribuir para a melhoria da vida da sociedade em toda sua inter-relação: social, econômica, intelectual, ambiental, de saúde e do próprio saber! Surge então outra pergunta: “O que é o saber?” Infinitas respostas apontariam para a simples imaginação do desempenho competitivo do dia-a-dia: do bem sucedido economicamente, dos recordistas de produção, de vendas ou, até mesmo, do conhecimento e da manipulação de tecnologias de difícil acesso e compreensão. De outro lado, filósofos existencialistas poderiam concluir que “o saber” não deva estar relacionado, necessariamente, com o construir materialmente e sim, com o prever conseqüências, imaginar soluções, ensinar a outrem, compreender a angustia e os sofrimentos daqueles que jamais poderão compreender complexas tecnologias ou simples comportamentos sociais. O discurso governista da priorização da educação se resume na tentativa de cumprimento de exigências constitucionais e legais, cujos resultados esperados são índices, informações numéricas despersonalizadas, nunca qualitativas. A real avaliação do processo educacional é anterior ao processo estatístico que produz a manchete jornalística. Há que se permitir, previamente, a existência das condições morais, de saúde íntegra e, principalmente, emocional para que os indivíduos estejam aptos a receber o conhecimento, a raciocinar e a prever conseqüências, a praticar aquilo que receberam como aprendizado ou criaram de suas próprias capacidades imaginativas: – A debilidade emocional dificulta a passagem do saber para o fazer! A importância do processo educacional exige drástica mudança da forma de condicionamento da informação que, atualmente, está organizado para produzir pessoas inseguras, frágeis e sem capacidade criativa. Este processo deturpado se inicia no âmago da família, no ciclo educacional básico e médio, no exagero de algumas religiões, enfim, através de críticas imperativas do comportamento espontâneo das crianças, que acabam por anular e castrar a capacidade de inovar e, assim, condicionando seus comportamentos a se tornarem, no máximo, a repetição de ícones anteriores.
o autor é professor titular da UFPR.

VIÉS – poema de joão batista lago

Perdi-me nos labirintos de
Dias e noites
Imbriquei-me entre
Pétalas de esperanças
Fiz-me abelha para
Sugar o teu néctar…
[…]
Construí-me poeta para
Cantar-te em versos!
Mas…
Nada te chegou (nem)
Minha solidão (nem)
Minha esperança (nem)
Minha paixão…
Jamais provei teu mel
Nunca cantei-te em poema
Hoje continuo solitário
Sou abelha sem flores
Enxame sem mel
Poeta sem versos.

PARA REFLETIR pela editoria

Perguntaram ao Dalai Lama:O que mais lhe surpreende na humanidade?E ele respondeu:Os Homens, porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde. E, por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem-se do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente e nem o futuro! E vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido!

MEU MAIOR SONHO – poema de erly welton

MEU MAIOR SONHO
Há duas coisas que preciso dizer. Apenas duas. A primeira é que hoje me sinto exageradamente bandido, hipócrita, fraudulário, velhaco, besta, inescrupuloso, pobre. Miserável, imbecil, retrógrado, claustrofóbico, ansioso, impaciente, intolerante mesmo para com toda a noção de verdade que há no mundo. Tenho todas as ganas possíveis e imagináveis. Gana de enforcar cada um dos membros dessa humanidade que imito, não sem antes vê-los sofrer, sangrar contorcendo de dor e fome e solidão. Gana de causar pavor e medo ainda maior do que o que eles sentem por esta vida inútil e mentirosa de consumir o inconsumível, sonhar com o amor que desconhecem e a sua acomodação empírica. A segunda é que assim mesmo consigo perdoá-los e me perdoar por isso. Sinto-me capaz ainda de transformar a praga e a peste que me corróe em poesia. Porque o meu maior ideal é enrabar a besta que cotidianamente me come o rabo

ARROZ, FEIJÃO & PHILOSOPHIA – parte um – art. jairo pereira -parte um

Parte humFilósofo é aquele cara que tem mania de criar conceitos. Gilles Deleuze e Félix Guattari, no livro O que é a filosofia? mostram que filósofo é o amigo do conceito, ou melhor, ele o próprio filósofo é o conceito em potência. Li pouco de história da filosofia. Lia os filósofos que iam aparecendo em minha vida, acidentalmente. Outros, de meu interesse, corria atrás até encontrar. Embora entenda ser importante a visão orgânica da filosofia, fixei-me com obsessão na teoria do conhecimento, aliás, utilíssima pra quem faz arte e literatura. O estalo, o lux, taí, na relação cognitiva: sujeito x objeto x prisma de análise, os condicionamentos do sujeito cognoscente, etc. Depois de tanto debater-me no processo do conhecimento, acabei pai de filosofia. Modestíssima a minha, só para o gasto, construída no quintal da casa, a protonathural, que carrego comigo sempre para onde vou e que apesar de séria, é motivo de riso para os outros. Li e confundi vários filósofos ao mesmo tempo. Pegava a monada no ar, e póft, a abatia a tiro, como um verdadeiro tiro ao pombo, ou tiro ao prato. Uma coisa sobre filosofia aprendi e isso digo de boca cheia: tem tudo a ver com samba e poesia. Não se aprende estudando sua história. Não se aprende nos templos afamados do saber. Não se aprende nos grandes museus e cemitérios de livros. Filósofo, é de nascer pronto. Ou mais certeiro: filósofo já nasce filósofo. Tem tino. Alto poder de abstração. Aquele olhar grave que estraga qualquer festa, como expressou Erasmo de Roterdã, no seu O elogio da loucura. Filósofo é deslocado. Distraidão. Só pega no tranco. Na fase oral, tem a estranha mania de morder os bicos dos seios da mãe e cuspir fora a chupeta de borracha.

ATENÇÃO AMIGOS

A partir de hoje estaremos publicando um artigo do Dr. Jairo Pereira, advogado, POETA, ESCRITOR tendo editado diversos livros entre eles O ABDUZIDO, O ANTILUGAR da POESIA que é um manifesto poético com protonathural filosofia estética e MEUS DIAS DE TRABALHO (poesia). Por ser longo, vamos editá-lo em 5(cinco) partes.
Os leitores poderão acompanhar, mesmo não tendo lido na página principal, porque ficarão numeradas, cada parte, no índice “matérias publicadas no blog”.
Título do artigo: ARROZ, FEIJÃO & PHILOSOPHIA

TONINHO VAZ em CURITIBA com 90 ANOS de CINEMA BRASILEIRO

Existem alguns acontecimentos que merecem nossos registros.

Ontem esteve em Curitiba o jornalista, escritor e biógrafo Toninho Vaz, que já editou O BANDIDO QUE FALAVA LATIM, biografia do nosso amigo Paulo Leminski e de PRA MIM CHEGA biografia do compositor Torquato Neto, para lançamento da sua mais recente publicação 90 ANOS DE CINEMA BRASILEIRO biografia de Luis Severiano Ribeiro que se confunde com a história de nosso cinema.

Uma obra grandiosa, de excelente apresentação para os glutões da película. Edição limitada. Para Curitiba vieram somente 70 exemplares. Portanto corram até a Livraria Ghignone na Rua Comendador Araújo, 534 em frente à Itaipu Binacional.

 

ESCLARECIMENTO

É com muita satisfação que a Equipe do palavreiros da hora ocupa este espaço, que é única e exclusivamente para quem quer publicar seus textos, de acordo com a apresentação do blog, à esquerda e à cima, primeiramente para agradecer os acessos, os comentários e a quantidade surpreendente de material para publicação.Mas queremos, também, alertar os leitores deste blog que apesar de NÃO haver CENSURA
ele não se propõe a mandar recados desaforados para esposas, namoradas, sogras, amigos, inimigos, ex-amantes, ex-amigos ou quem quer que seja.

Não há censura para, poesias, artigos técnicos ou não, crônicas, ensaios, comentários políticos, críticas fundamentadas, opiniões pessoais, enfim tudo que tenha um mínimo de aproveitamento geral.

Mais uma vez muitíssimo obrigado e continuaremos a fazer o melhor possível.

Amanhã, 18/09, estaremos fazendo aniversário, uma semana de existência!!

A SOGRA FANTASMA – por eduardo ratton

A Sogra Fantasma

É lastimável que um flagrante caso de falta de controle administrativo da Assembléia Legislativa, além da inegável locupletação de políticos de indole duvidosa, tenha que ocupar seguidamente o espaço político da imprensa ao invés das páginas policiais, pois é um verdadeiro caso de polícia!
E o pior, como tem-se que apontar um culpado, atribuiu-se o crime a um falecido ex-diretor de área administrativa da AL e, ao que sugere a notícia publicada neste jornal (Gazeta do Povo) em 12/09/07, .a única penalidade contra os reais criminosos será a devolução dos valores do ilícito praticado.
Um verdadeiro absurdo e descaso com a justiça e com o povo paranaense.. No entanto, deixado de lado a vergonha (ou a falta de), o título da matéria é muito sugestivo, pois muitas pessoas seguramente gostariam de também ter uma “sogra fantasma”.
Eduardo Ratton
Cidadão
Nota do blog: para quem não sabe, trata-se da sogra de um político da cidade de Curitiba que foi flagrada como funcionária fantasma da Assembléia Legislativa do Paraná por mais de cinco anos.

 

 

 

COMA – poema de jb vidal

nasço e inauguro em mim a trajetória da morte,
início e fim, siameses do útero à campa,

como fonte, me insurjo, resisto,
consciente de sua presença, prossigo
sepultado vivo na matéria,
com a alma esgarçada na miséria
de um momento que ela mesma desconhece,

não há passado para o início não haverá futuro para o fim,

o que será dos meus pensares?
da razão? o que ficará dos sentidos?
das agonias, dos sofreres,
dos sentimentos, penso profundos,
o que será dos meus saberes?

não me falem de exemplos,
experiências, conhecimentos,
como óbolos para quem vem a seguir,
para eles há futuro, esquecer

não me venham com alegorias cenobitas,
relações de fé-imagem, palavras-reveladoras,
crenças obtusas oferecidas em sacras mansões, não!

digam apenas que estou louco,
que me debato em trevas,
que abreviei a trajetória,
que vivo morto por querer viver depois…

 

AS RENANÁRIAS – por joão batista do lago

Marco Túlio Cícero é considerado uma das mais expressivas personagens da Roma antiga. Sua práxis política, por exemplo, continua (ainda) hoje despertando grande interesse de estudiosos, pesquisadores, historiadores, filósofos e politicólogos, devido ao seu estilo retórico contundente e perspicaz, que fora reconhecido até mesmo por desafetos como César: “Se muitos procuraram usar o próprio estudo e a própria experiência para poder exprimir com clareza o próprio pensamento, dessa possibilidade tu foste o precursor e descobridor, de modo que devemos reconhecer em ti o benemérito do nome e da honra do povo romano”. Outro que falara sobre Cícero, fora Quintiano, no décimo livro da sua Institutio oratória: “Justamente os homens do seu tempo disseram que ele era um tribuno; perante os pósteros o seu nome passou não como o de um homem, mas até como o da eloqüência: por isso devemos ter os olhos voltados para ele e propô-lo como exemplo; por isso aquele a quem Cícero agradar muito, saiba que isso bastará para fazê-lo progredir”.
Pois bem, é dessa personagem que lhes quero falar neste artigo. Mas não só isso: quero fazer uma certa ligação entre a sua época como Senador romano e o Senado do Brasil dos dias atuais, pois, por mais paradoxal que pareça, encontro similaridades. Similaridades que se comprazem na corrupção, no corruptível e no corruptor. E parto de uma única hipótese para sustentar este meu tirocínio: que discurso faria Cícero, hoje, se fosse Senador do Brasil. Vale lembrar que ele foi (63 a.C.) um dos maiores defensores da República e o mais contundente adversário do senador Catilina, talvez o maior corrupto da senatoria romana que, inclusive, queria tomar à força o Poder. Os discursos feitos contra Catilina originaram uma das obras clássicas ciceroneanas: As Catilinárias, um conjunto de quatro discursos e que foi usado durante muito tempo como uma das principais formas de ensino de argumentação.
Cícero era um homem que pagava as suas dívidas, quando ninguém as pagava ou, para pagá-las, pedia o governo de uma província qualquer (aliada), onde com odiosos e injustos impostos, oprimindo os habitantes, podia tirar os meios para pagar as excessivas despesas pessoais. Quanta ironia! Quanta coincidência com o Brasil! Lá, As Catilinárias! Aqui, As Renanárias! Ironia e coincidência!
No primeiro discurso, em que Cícero censurara a vergonhosa audácia de Catilina, inferira: “Quosque tandem abutere, Catilina, patientia nostra? Quamdiu etiam furor iste tuus nos eludet? Quem ad finem sese effrenata iactabit audácia? Nihilne te nocturnum praesidium Palatii, nihil urbis vigiliae, nihil Timor populi, ninhil concursus bonorum omnium, nihil hicmunitissimus habendi senatus locus, nihil horum ora vultusque moverunt? Patere tua consilianon sentis? Constrictam iam omnium horum scientia teneri coniurationem tuam non vides? Quid proxima, quid superiore nocte egeris, ubi fueris, quos convocaveris, quid consilii ceperis, quem nostrum ignorare arbitraris?”
Possivelmente, se fosse Senador do Brasil, nos dias atuais, Cícero deblateria da tribuna: “Até quando, enfim, ó Renan, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo ainda esse teu rancor nos enganará? Até que ponto a (tua) audácia desenfreada se gabará? Porventura nem (nada) a gentil-alma do povo brasilino, nem as reservas de moralidade da cidade, nem o temor ao povo, nem o concurso de todos os bons (cidadãos), nem este lugar fortificadíssimo de o Senado se reunir, nem o aspecto e o semblante destes te moveram? Não percebes que os teus planos estão patentes? Não vês que a tua conjuração já é tida como presa pelo conhecimento de todos estes? Julgas que alguém de nós ignora que fizeste na última noite, que (fizeste) na (noite) anterior, onde estiveste, a quem convocaste, que deliberação tomaste?”
E Cícero também aconselharia: “Com efeito, que há Renan, que esperes ainda mais, se nem a noite pode ocultar nas (suas) trrevas as (tuas) reuniões criminosas, nem a casa particular conter nas (suas) paredes as vozes da tua conjuração? Se todas as coisas se esclarecem, se (todas) manifestam? Muda já essa intenção, acredita em mim; esquece-te da traição e das falcatruas: estás preso por todos os lados; todos os teus planos são para nós mais claros do que a luz, (fatos) que é lícito já (que) reconheças comigo”.
E depois de muito falar, Cícero, provavelmente discursaria: “Quae cum ita sint, Renan, perge quo coepisti: egredere aliquando ex urbe; patente portae; proficiscere”. Ou seja: “E como estas coisas são assim, Renan, continua por onde começaste: sai enfim, da cidade; as portas estão abertas; parte”. E finalmente sacramentaria: “Leva também contigo todos os teus; senão, o maior número possível; limpa a cidade”.Mas Marco Túlio Cícero fora apenas um Senador de Roma
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Poeta, escritor, teatrólogo, publicista, epistemólogo e pensador empiricista.

PARA REFLETIR

Não me indigno, porque a indignação é para os fortes; não me resigno, porque a resignação é para os nobres; não me calo, porque o silêncio é para os grandes.

Fernando Pessoa.

UM MINUTO DO DIÁRIO DE POTI VIDAL /POA

Quarta-feira, Agosto 01, 2007
Acabei de ver o filme “Diamante de sangue”. Impressionante como essas coisas mexem com a gente. Nos faz pensar que podemos fazer alguma coisa pelo o próximo ou pelo mundo em que vivemos. Tenho pensado muito nisso, coincidentemente, depois de ter visto um outro filme, um documentário na verdade, “Uma verdade inconveniente”. Nós passamos a nossa vida toda trabalhando, lutando pelo nosso sustento e de nossas famílias, sem se importar com coisas que acontecem ao nosso redor, coisas que nos afetam e ao nosso mundo também. Estamos tão determinados em vencer na vida, que acabamos cegos e não vemos uma boa parte da vida.Outro dia estava em frente a uma empresa e observei o consumo de Crack na rua. Percebi, durante 10 minutos que ali fiquei, uma realidade chocante. Do outro lado da rua estava a Vila dos papeleiros e vários meninos estavam jogando bola, enquanto um vai e vem de traficantes circulava entre a vila e a rua onde eu estava. Percebi que aqueles meninos estão ali, a mercê das drogas e dos traficantes, e que mais cedo ou mais tarde, eles também estarão se drogando e traficando.Nosso planeta ta doente, nossos povos estão doentes, mas tem pessoas que já viram isso e trabalham incessantemente, em diversas áreas, para mudar o curso dessa história.Eu não sei bem como eu posso ajudar, mas eu quero fazer alguma coisa, para que o mundo que o meu filho encontrará daqui alguns anos, seja mais humano, mais justo e que ele saiba que não adianta somente vencer na vida, temos que viver a vida e ajudar o próximo a vive-la também

O CONGRESSO NACIONAL e o PEIXE ESPADA! ou, de como mudar para ficar como está! – por jb vidal

Pitçarada, buchada, churrascada, estrogonoferada, canja de aviário, uiscada, champanhotagem, vinhos bordô, guizado de cobras e lagartos, rãs peladas, camarões ao “bafo”, liguiçada (feitas do lixo dos abatedouros), queijo assado, salpicão natalino, ovos de coelho (?), sopa de peixe “espada”, coque ô van, fondi neuchatô, e…sei lá mais o quê; chamem do que quizerem a farra gastronômica ocorrida no Senado desta abençoada República do çul do mundo, ocorrida ontem na capital deste território espremido entre o Atlântico e os Andes.
Todo esse festival foi para comemorar a auto-abssolvição do referido poder. É, não era o Renan. Não, eram os senadores fazendo uma “auto-análise” que terminou numa catarse festiva da qual Baco deve ter ficado indignado.
As acusações ao Renam atigiam o senado, dizem eles, e o senado sem eles, os senadores, é o quê? nada, apenas um prédio, vazio, donde se deduz que as acusações eram contra eles, e, aí tinham que salvar-se dessa fogueira redentora. Conchavos. Coxixos. Camas. Mesas.
E nasce a saída para tal imbroglio causado por uma senhora de comportamento republicano que resolveu transar com o poder porque ele é lindo e intocável. Desta relação nasce uma filha, uma denúncia de dinheiro sujo e uma dor profunda naquele calcanhar que derrotou o grande Aquiles. Saída essa que “construiu” a defesa e a acusação para parecer sadio o processo de julgamento do Senado.
Afinal, um poder julgando-se a si próprio.
Nós, os brasileiros, conhecemos de há muito a maioria de suas excelências que lá estão encastelados por obra e graça de grupos econômicos e marginais que nos sugam há uma centena de anos. Dos defensores, conhecemos as razões, dos falsos acusadores, também, por serem as mesmas.
Senhores Senadores, por favor, tenham um mínimo de respeito por nossa mediana inteligência!
Tenham certeza de que não nos enganaram.
Elegem-se e reelegem-se às custas da fome e das promessas mirabolantes que espalham nação a dentro cujo resultado aparece nas urnas como um grito de esperança ainda que seja no mal.
Se o Senado está sangrando como vocês dizem, não importa, é sadia uma transfusão, mas parem de sangrar os cofres do País.
Este povo já não tem mais o que oferecer em holocausto a não ser seu trabalho e suas dores. Apesar de vocês, amanhã será outro dia.
Até.

LEON TOLSTOI disse:

HÁ QUEM PASSE PELO BOSQUE E SÓ VEJA LENHA PARA QUEIMAR.

A INTELECTUAL PELADA – de jb vidal

 

era uma fase em que passava o tempo disponível fechado em meu quarto lendo. lia muito. Altusser, Fernando Pessoa, Lênin, Álvares de Azevedo, Rosa de Luxemburgo, Castro Alves, Hegel, Mário Quintana, Goethe, Pedro Nava, Spinoza, García Lorca, Camus e outros, e outros. filósofos e poetas sempre me perseguiram. como fantasmas. quando entro nas livrarias, eles me chamam, me puxam pelo braço, quando me dou conta já tenho nas mãos um deles. alguns valeram a pena, outros, uma merda. aos treze anos já escrevia algumas poesias de cunho romântico e alguns textos cujo conteúdo tinham as cores da esperança.

para relaxar, ia até a sacada  fumar um fininho refletindo sobre o que havia lido. leituras difíceis para um adolescente de dezesseis anos.      sem ajuda para interpretar. no seco.

“aquela mulher está me olhando” observei durante uma longa tragada.

quem indicava a leitura? explico. eu morava em Porto Alegre, na Av. Borges de Medeiros no. 1042, décimo andar, apartamento 102, Edifício Império. eu e minha mãe, dona Silvia. no mesmo endereço, segundo andar, residia a mãe do Érico Veríssimo. conversamos algumas vezes, quando ele ia visitá-la. ao acaso. presenteou-me com algumas de suas obras.

porque os dados acima? não sei. que fiquem. talvez sirvam para algum biógrafo eh, eh, eh, eh, eh!

pois bem, numa das lojas do térreo,  estava instalada a Livraria Sulina, uma das grandes da época e ponto de venda do Érico. o proprietário, seu Lory, que certa vez encontrou-me,  com o grande escritor, conversando no all do edifício, sugeria, quando lhe perguntava “o que devo ler de bom?” nem tudo que li, é claro; bom? o que é isso? quanta ingenuidade! comprei poucos. não tinha grana. emprestava-me com a recomendação de não marcá-los. nunca devolvia. continuava “emprestando”. aquela conversa flagrada, com o Érico, era o meu aval sem que eu soubesse.

anos depois, reli alguns. o entendimento foi outro. fruto da observação. da vivência. então, de que valeu a leitura? para compreender o pensamento do autor tive que viver! que se foda então. o autor é claro.

numa dessas idas à sacada para umas “baforadas”, notei uma mulher na janela de um apartamento no edifício em frente, o Yucatan, olhando-me. contei os andares. oitavo.

eu a olhava. ela à mim.  sorriu. sorri.

no dia seguinte, a mesma cena. só que, enquanto eu enrolava um baseado, encostado na porta que se abria para a sacada, ela recuou para o centro da sala e começou a despir-se até ficar completamente nua. uma nuvem cúmplice deixou de encobrir o sol.

olha para mim, sorri e dá umas voltas em torno de si mesma, como bailarina de caixa de música. na pele, extremamente branca, o morro de vênus sobressaía.

não sabia o que pensar diante do inusitado. mas gostei. sentia  algo mexendo-se em mim.

repetiu. nesse dia e nos seguintes.

lia menos e fumava mais. mais sacada. perdi a conta das punhetas.

também não sei se contava.

não entendia o meu interesse por uma velha que deveria ter uns setenta anos, murcha, decrépita e tudo mais que cabe a um velho, imaginava. não entendia, mas havia. provavelmente a expectativa de uma trepada, o que naqueles tempos era coisa rara fora dos prostíbulos.

certo dia, enchi-me de coragem e, mímicamente, fiz um sinal de que iria até o seu apartamento. aquiesceu de pronto. enquanto aguardava o elevador, no seu prédio, tive uma ereção espontânea.

recebeu-me de quimono verde com grandes flores bordadas, muito coloridas.

o perfume que exalava de seu corpo e o cheiro de café recém passado tomavam conta da sala que segurava nas paredes algumas telas, me inquietaram. algo se movia dentro de mim, indelével, de maneira suave  absorvia o impacto do ambiente, confortavelmente, na minha ignorância.

sorriso simpático. olhos azuis. à mim, pareceu, que ali eram as nascentes dos oceanos. guardava traços bonitos no rosto, apesar das gelhas profundas. o coração acelerado. o pau, duro. como uma rocha; disfarçava, segurando-o com a mão esquerda pelo bolso da calça. senti alguma umidade.

“sente-se” disse oferecendo o sofá “você é prisioneiro naquele quarto?” perguntou sorrindo “não” respondi como se estivesse com a boca cheia de areia.

o planeta sumiu e eu não sabia onde estava!

com voz serena, indagando à meu respeito e abordando temas que pudessem me interessar, ela conduziu com traquilidade aquele instante. serviu  café.  sabia que estava tenso.

alisou-me o rosto. esse gesto foi uma merda. deixou-me menor do que estava me sentindo.  não era sua intenção, hoje  eu sei. mas fiquei puto!

em meia hora dávamos gargalhadas. tirei a mão do bolso. já não era necessário ele amolecera. “que mulher maravilhosa” repetia  meu pensamento. este encontro durou  entorno de duas horas.

levou-me até a porta segurando minha mão e depositou, suavemente, um beijo em meu rosto ( descrição de mau gosto, segundo um critico de merda), mas esse beijo foi o pingo de prata, em meus olhos de recém nascido!

nunca mais se despiu no centro da sala.

novos encontros. muitos. ela alfabetizava minha alma.

entre tantos autores, que havia lido, entusiasmava-se com Sartre e Simone. alcançamos muitas madrugadas discutindo sobre suas obras, as quais passei a ler por sua influência.

eu crescia. quer dizer, dava os primeiros passos em direção à compreensão da miséria humana. não é isso? pense melhor.

deixava ler suas poesias; ria muito quando dizia “não entendi”.

nunca explicava.

algumas vezes, passeávamos por horas no Parque da Redenção, conversando sobre os mais variados assuntos. filosofia e arte eram seus preferidos. eu não era, nem de longe, o interlocutor ideal. ela sabia disso. investia. minhas primeiras babas críticas, sobre a humanidade, começaram a escorrer.

nessas ocasiões, vez por outra, tinha que colocar a  mão no bolso esquerdo.

assim foi, por quase dois anos. sexo? de nenhum tipo. jamais, sequer, insinuou que desejava foder comigo. também  não perguntei porque havia dançado nua para mim.

aquele momento, tornara-se parte da apresentação.

foi num verão, em certa manhã, as janelas do seu apartamento permaneceram fechadas. por muitos anos mais, morei naquele endereço e fumei alguns  baseados com o  olhar fixo na janela da sala…  permaneceram fechadas.

nunca mais a vi.

confesso que algumas vezes chorei quando olhava o oitavo andar do Yucatan.

saudades Helga.

BRUNO AYALA VIDAL o neto

Para ficarem com inveja apresento à todos vocês meu neto Bruno, Bruno Ayala Vidal, male, gaúcho e gremista!! Querem mais?
os pais? meu filho Poti e Cátia. 

FAMILIA – na abertura do blog minha homenagem aos meus filhos

Aqui, para quem ainda não conhece, meus quatro “tezouros” que a vida me agraciou sem nenhum peso. Da esquerda para a direita: João Paulo, eu, óbvio, Diego, Potiguara e Gustavo Henrique. Esta foto foi feita na frente de um bistrô. Onde? adivinhem: Londres, Paris, Helsinque ou Oslo?