Arquivos Mensais: março \25\UTC 2009

ENTARDECER poema de otto nul

Ah, tardes lindas

Tardes findas

 

No lusco-fusco

Em que me ofusco

 

No escarcéu

Que mostra o céu

 

Na melancolia

De uma agonia

 

Na derradeira hora

Do dia em que mora

 

A centelha ainda

Viva do sol que brinda

 

O ocaso de cores

E a noite de amores

 

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ALEXANDRE FRANÇA em entrevista ao caderno G da Gazeta do Povo /Curitiba

 

O que é Curitiba?
Curitiba é uma renite que tentamos, a todo custo, curar entre edredons e livros do Dostoievski. É o frio que escondemos nos copos de cerveja e nas brasas de cigarro. Uma sala de estar vazia. O crack fumado por moleques friorentos. As luzes congeladas da nova iluminação branca da cidade. O boné do menino classe média roubado dentro do tubo do expresso. As favelas escondidas pelas campanhas publicitárias. A neve européia que ainda aguardamos. A cachaça tomada logo pela manhã por guardadores de carros. Os apartamentos mofados do centro. Reuniões literárias, recitais de poesia, indivíduos criticando amargamente seus colegas de trabalho. O vinho Campo Largo tomado por jovens nas esquinas do bairro São Francisco. A Cruz Machado abrigando musas desgastadas e músicos veteranos. A Ilíada decorada e declamada na casa da atriz Claudete Pereira Jorge. O templo do Dario Vellozo ainda ecoando em nossos ouvidos. Dalton Trevisan e a sua casa na Ubaldino. A Rua XV entulhada de lojas Diva. Os costelões 24 horas. O céu cinza. Os lambrequins que ainda resistem em casas polacas. Livros escritos por curitibanos, perdidos em prateleiras de grandes livrarias. Talentos diminuídos pela ignorância e pela falta de compreensão. Gente querendo reconhecimento de maneira obsessiva. Gente com medo de olhar na sua cara. Gente sorrindo forçosamente na festa de inauguração do último bar da moda. Um curitibano falando mal de Curitiba. Este mesmo curitibano com medo de morar fora.

(Esse é Alexandre Gil França, curitibano nascido dia 10 de agosto de 1982. Escreveu e publicouMata-Borrão, Batom (Poesia, 2003) e Toda Mulher Merece Ser Despida (Poesia, 2005). Tem os Cds gravados e lançados A solidão não mata, dá a idéia (2006) e Poesia em Desuso (2005, em parceria com o poeta Fernando Koproski).

O que não é Curitiba?
Aquilo que alguns curitibanos gostariam que a cidade fosse. Isto inclui Londres, Paris, Rio de Janeiro, Bahia, São Paulo e etc.


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Palavra mais do que viva

 

Quem são os curitibanos?

Os que eu admiro, são aqueles que fazem de tudo para que a cidade não vire uma cópia barata de Londres, Paris, Rio de Janeiro, Bahia, São Paulo e etc.

(Ele gosta de talharim com cubos de mignon, cerveja original, toca guitarra e violão, frequenta a Pizza Mais, o Wonka Bar, o Hermes Bar, o Café Mafalda, o Ponto Final, o Sal Grosso e o Bar Doce Lar. Namora a Renata (Reka), com quem passeia pela 13 de maio, XV de Novembro, Sete de Setembro e Coronel Dulcídio. Sabe dirigir, é Leão, torce pelo Coxa, é fã da marguerita da Pizza Mais e ama a cor preta).

O que te move a escrever?
O ócio, a noite, o frio e a solidão.

O que vem antes da escrita?
Os livros que li e o diálogo com as pessoas que gosto e admiro.

Você pensa por meio de imagens, palavras ou sons?
Quando começo a escrever, tento não pensar em nada – sigo um ritmo interno. Vou digitando coisas, sentindo o teclado, deixando a coisa fluir. De repente, surge um assunto. Não paro de digitar, agora focado neste assunto que, como um imã, vai me atraindo. Escrevo uma, duas, três, quatro, às vezes até dez páginas e paro. É deste processo que sai o grosso da minha produção. Às vezes acerto de primeira. Na maioria das vezes, não. É preciso também criar um clima para a escrita, por isto gosto de escrever de madrugada, onde tudo é mais silencioso. Quando não estou em casa e me vem uma imagem interessante, anoto num papel; depois tento inseri-la dentro do que já foi escrito. É como num brinquedo lego: primeiro fabrico as peças e depois tento encaixá-las da forma que me parece mais interessante. A parte difícil vem depois, quando reflito acerca do que escrevi: se aquilo é compatível com que penso sobre o mundo, sobre as pessoas, sobre a vida. No final das contas, em muitos casos, acontece de num trabalho de dez laudas eu tirar apenas uma frase.

Com o que você tem sonhado ultimamente?
Com a minha boemia de antigamente. Por causa do trabalho, tenho saído menos e isto tem me afetado de maneira negativa. Para mim, realmente, é muito difícil viver longe dos bares e da vida noturna.

O que e quem você ama?
Amo a capacidade que temos de tentar compreender o próximo. Dia após dia treino esta capacidade em mim. Numa arte coletiva como o teatro, inclusive, isto é importante, principalmente quando você tem um elenco de oito pessoas com bagagens e histórias completamente diferentes. No caso da peça que estou dirigindo (Mentira!), esta capacidade de compreensão tem sido fundamental para a criação dos envolvidos. Penso que é no exercício intensivo da convivência (e, consequentemente, da capacidade de compreensão) que o bom teatro hoje parece respirar. Este excesso de (profissionalismo?) que a tv e a publicidade impõe aos atores acaba sugando o que eles possuem de melhor: a subversão, o senso crítico, a ação inventiva. Amo trabalhar com artistas que discutem o que fazem, que se colocam numa posição de risco, que odeiam o conforto da “missão cumprida” do funcionário padrão. Para mim, de fato, é um tédio trabalhar com profissionais do entretenimento, funcionários da cultura. Por que estas pessoas não querem ser compreendidas e nem querem compreender o próximo: elas querem bater o cartão e continuar a suas vidas como se nada de mais tivesse acontecido.


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Poeta e dramaturgo

 

O que e quem você odeia?
A intolerância. A minha teimosia. A teimosia dos outros. A arrogância. Odeio as pessoas que gostam de ser arrogantes. Odeio a inveja: o sentimento mais desagradável que alguém pode sentir. É pior do que romper um relacionamento

Como e de que maneira o teatro entrou em sua vida?
Sempre quis escrever dramaturgia (antes mesmo de me interessar por poemas) e eu já escrevia uns diálogos durante a minha adolescência. Lembro que uma das primeiras peças que eu assisti na minha vida, quando eu tinha uns dez anos, foi uma do Plínio Marcos sobre catadores de papel. Aquilo mudou definitivamente a minha maneira de encarar o mundo. Era super pesada. Mexia radicalmente com questões morais. Lembro que foi no colégio estadual. Então fui atrás de cursos de teatro na escola em que fazia o fundamental e em outros lugares. Acabei no curso do ator e diretor George Sada. Depois, entrei na faculdade de publicidade (posteriormente na de letras), e acabei abandonando a escola de teatro. Mas nunca deixei de assistir peças e estudar o assunto. Até que um dia eu conheci a famosa casa da atriz Claudete Pereira Jorge, onde se reunia uma porção de artistas admiráveis (hoje, todos meus amigos). Mostrei alguns dos meus textos para a turma e eles me incentivaram a continuar (inclusive fazendo leituras dramáticas na casa). A minha vontade de montar uma peça neste momento era muito grande. Convidei a Helena Portela (filha da Claudete) para a leitura de um texto meu (que, na época, ainda se chamava ?Um Dostoievski de Presente?). Ela aceitou o convite e chamou uma amiga, Verônica Rodrigues, para compor o elenco. Assim, de maneira despretensiosa, começaram os ensaios da minha primeira montagem, ?Um Idiota de Presente?, que para a minha surpresa teve uma boa acolhida do público. Nascia ali a Dezoito Zero Um ? Companhia de Teatro. Depois disto não parei mais de escrever dramaturgia e atualmente, junto com a música, esta tem sido a minha principal ocupação.

A poesia não é algo que cobra exclusividade? Ou você consegue lidar
bem com a poesia, a música, o teatro e a vida?

Penso que está tudo relacionado – poesia, música, dramaturgia, vida. Sem poesia – que é a base de tudo – , não consigo fazer direito o resto. Aliás, não me imagino sem poesia. Ela é o combustível que me faz querer viver. Isto não está ligado apenas ao ato de construir poemas. Mas sim a postura de vida, ao entendimento das coisas. Quando escrevo dramaturgia, por exemplo, eu preciso de uma atmosfera poética, se não a única coisa que acaba saindo são diálogos sobre o tempo, do tipo ?será que vai chover??.

O que você acha de quem posta comentário em posts na internet?
Acho que no mínimo esta pessoa está buscando um diálogo com alguém. Gosto quando comentam no meu blog. Me sinto menos sozinho. Todos nós às vezes nos sentimos sozinhos. A Internet nos dá esta impressão de que não estamos solitários no mundo. Embora eu, particularmente, prefira tomar uma cerveja com os amigos no bar.

 

 

No Festival de Curitiba, peças de França, atenção:
Mentira!Teatro fantástico | Curitiba/PR | Centro Cultural Falec |
Dias 26 às 18 horas, 28 às 12 horas e 29 às
15 horas Ingressos: R$ 10 e R$ 5

Final do Mês
Comédia | Curitiba/PR | Teatro da Caixa Cultural | Dias 22
às 18 horas, 23 às 21 horas, 24 às 15h, 25 às 18h
Ingressos: R$ 10 e R$ 5

Habitués – O Longo Caminho de
Dois Freqüentadores de Boteco

Drama | Curitiba/PR | Teatro João Luiz Fiani | Dias 20, 21,
22, 27, 28 e 29 às 21h e 19, 25 e 26 às 18h
Ingressos: R$ 30 e R$ 15

 

RIOS DE GENTE (série) poemas de francisco cenamor / España

 

5,02 p. m.

 

Llega hasta la pequeña plaza

el sonido de una guitarra.

 

Pasa, alegre, un limpiador de cristales

montado en bicicleta, silbando.

Alguien fuma nervioso alejándose.

Una mujer observa desde la mesa de una cafetería.

 

Ve pasar una pareja de ancianos.

Pequeños, elegantes. Salen de la plaza.

A la vuelta de la esquina, ella se agacha

para echar unas monedas al músico.

 

 

5,04  p. m.

 

Una mujer mira desde la mesa de una cafetería.

En frente, muy cerca, no lo ve,

un bloque de apartamentos limita la plaza.

 

En su rostro sereno se marca alguna arruga.

Da caladas lentas a un cigarro. El humo empaña su rostro.

Dos hombres con traje la observan mientras hablan.

 

La mano de un limpiador de cristales pasa ante ella

y se despierta. Mira al joven ruborizada.

Recoge con prisa sus cosas y sale sin volverse a mirar.

Una lágrima recorre su rostro.

 

 

5,06 p. m.

 

Cinco cipreses en la pequeña plaza.

Se ha despertado la tarde de su letargo.

Han salido del colegio los niños.

Abren los cierres de los comercios.

Adolescentes pudorosas cubren

su pecho con las carpetas.

Un discapacitado pide unas monedas

a alguien que escribe sentado en un banco.

Un grupo de gorriones pelea por unas migas de pan.

Dos hombres con traje salen de una cafetería.

Cinco inmóviles cipreses en la pequeña plaza.

 

POEMA de sara vanegas /Ecuador

 

es el viento que ruge entre las dunas hendidas

puertos antiguos y naves sumergidas desde el fondo

de la arena

resucitan /por segundos eternos

mientras el caminante maldice

su propia huella /tan lejos del oasis de sus antepasados

 

tan ajeno al recuerdo y al olvido

A REVISTA FORMA por manoel de andrade

 

Não me esquecera da Revista FORMA e do impacto cultural que causou na época, acenando-nos, naquele janeiro de 1966, com um espaço onde pudéssemos semear nossas ideias e nossos sonhos.

           FORMA chegava no momento certo. Os tempos sinalizavam para a nossa emancipação intelectual e, na década de 60, apesar do quartelaço de 64, o Paraná passava por um estado de graça em termos de cultura, e Curitiba, como centro polarizador dessa conjuntura, demandava uma publicação que expressasse ao país aquela realidade e partilhasse suas inquietudes com a inteligência nacional.. Vivia-se numa agradável atmosfera do espírito, marcada pela relevância das artes plásticas na presença do Juarez Machado, cartunista, na imprensa nacional; pelos prêmios do João Osório Brzezinski; pelas gravuras do Fernando Calderari e pelo destaque do Salão Paranaense de Belas-Artes. A literatura ainda buscava seu espaço marcado com a presença de novos poetas e contistas, pelo destaque de prosadores como o Dalton Trevisan e Jamil Snege e pela emocionante Noite da Poesia Paranaense, em 65, no Teatro Guaira. A dramaturgia mostrava sua presença com o talento de Cláudio Correia e Castro na direção do Teatro de Comédia do Paraná e, pelo apoio oficial, foi criado no Teatro Guaíra a Escola de Arte Dramática,  promovendo-se um intercâmbio com grandes companhias nacionais que colocaram Curitiba no roteiro dos grandes espetáculos. A música também ensaiava, por aqui, os seus melhores passos e instituições como a Pró-Música e a Scabi estiveram à frente de cursos e festivais de música realizados na Capital. Tudo isso partilhado com a regência do grande trabalho do maestro Roberto Schnorremberg no comando do Curso Internacional de Música do Paraná. Muitos de nós líamos o Cahiers du Cinéma e acompanhávamos também o pionerismo de Sylvio Back que já anunciava seu grande talento em vários curta-metragens, lançando em 1968, o filme Lance Maior.A crítica cinematográfica surge com o talento prematuro e de vanguarda de Lélio Sotomaior e Sérgio Rubens Sossélla, –que em setembro de 1963 me presenteou seu primeiro livro, 9 Artigos de Crítica  –marcou sua  indelével passagem por aqueles anos, como poeta, como crítico  – um dos maiores entendidos na obra de Fialho de Almeida, no Brasil  – e como colaborador e membro do Conselho de Redação da Revista FORMA. Naquela mesma época, publicava o ensaio sobre Milton Carneiro e sua “Procissão de Eus”. Na imprensa, a cultura era veiculada através da incansável atividade de Aramis Millarch e, sobretudo, pelo respeitável trabalho de Aroldo Murá Haigert, cuja coluna “Vernissage”, no Diário do Paraná, era a caixa de ressonância da melhor expressão da arte e da cultura paranaense. Quiséramos falar de outras sementes, de flores que desabrochavam e de frutos que começavam a amadurecer. Quiséramos falar  das tantas luzes que iluminaram aquela aurora cultural – marcada também pela arquitetura e a importância superlativa do nosso urbanismo –, mas tudo isso ou quase tudo, mal conseguiu chegar intacto até o fim de 68. E toda esta  primavera curitibana    abortada pela repressão e o trágico silêncio cultural que se seguiu ao AI-5 –  a FORMA se propunha abarcar em seu espaço, mas fechou suas páginas prematuramente e não conseguiu retratar a integralidade daquele fenômeno.

 

          Em julho de 2003 enviei uma carta a Fabio Campana parabenizando-o pelo primoroso lançamento da Revista ET CETERA e dizendo-lhe que, apesar de não ter notícia de que no Paraná se tenha publicado uma revista de cultura com um requinte visual e uma escolha tão criteriosa dos textos quanto a sua, houve, contudo, em Curitiba, uma honrosa exceção, tentada no bem intencionado projeto da REVISTA FORMA, lançada pela originalidade e a sensibilidade gráfica de Cleto de Assis e com carismática intelectualidade de Philomena Gebran.

 

          Hoje, 43 anos depois, compulsando com saudade suas páginas, abro o meu nº 01  – autografado pela Philomena, pelo Cleto e pelo João Osório – e releio o primeiro artigo: “Cultura no Paraná”, uma bela matéria sobre a primeira metade da década de 60. Escrito com  elegância  e inteligência por Ennio Marques Ferreira (a quem o Paraná também muito deve por sua passagem, naquela época, pelo Departamento de Cultura da Secretaria da Educação e Cultura e, mais recentemente, na Casa Andrade Muricy), o texto delineia toda a paisagem cultural do Estado, na primeira década de 60, enfatizando o papel da arquitetura e das artes plásticas. Seguem outras tantas expressões da cultura paranaense e pontificam neste número os desenhos litografados de Poty, a pintura de João Osório, um estudo sobre uma partitura de Bach feita pelo regente José de Almeida Penalva (o famoso Padre Penalva, da época), um belíssimo poema do poeta e estadista senegalês Léopold Sedar Senghor e textos de Sylvio Back, Elias Farah e Nelson Padrella.

 

         A nota de abertura do segundo número comenta da receptividade e do alcance nacional da Revista. Enfatiza seus propósitos como instrumento de diálogo com a intelectualidade brasileira e como instrumento de divulgação de uma cultura democrática. Não vou declinar, nos limites desta nota, toda a seleta galeria dos nomes que integraram os dois números da Revista FORMA. Contudo, quero ressaltar, no segundo número, a saudosa presença de Guido Pellegrino Viaro contando, num texto autobiográfico, as passagens marcantes de sua vida, desde sua origem simples e provinciana na cidadezinha italiana de Badia Polesina, onde nasceu em 1897. Destaca as dificuldades dos primeiros estudos, seus sonhos com terras distantes, seu alistamento, aos 16 anos, sua participação na 1ª Guerra Mundial, depois a tristeza e os horrores. Mais tarde, os estudos em Veneza e a busca de um caminho para a sua arte…, “a linha – sempre a linha  – os espaços, a cor.”  Da Europa para a América. Do Rio para São Paulo. A chegada fortuita a Curitiba. “Procurei me manter em pé sem fazer concessões. (…). Tratei com carinho a composição, após ter estudado a paisagem e a criatura. Só assim consegui não soçobrar, permanecendo assim mesmo, o pintor figurativo de ontem.”  O  segundo número tem sequência com um estudo arquitetônico de Cleon Ricardo dos Santos; um recheado BAÚ de notícias culturais, o poema Cântico de Guerra, de João Manuel Simões e um interessantíssimo artigo sobre “Literatura: Regional & Universal” de Hélio de Freitas Puglielli. Este número fala ainda de teatro e promove  um DEBATE sobre Orson  Welles,  através de textos de Sergio Rubens Sossella, Sylvio Back e Luiz Geraldo Mazza. Entre outras matérias, este segundo e último número da Revista se encerra com dois contos: Lamentações de Curitiba, de Dalton Trevisan e Noite/Nove  de Jamil Snege.

 

          FORMA teve um nascimento deslumbrante, mas, infelizmente, morreu ainda infante. Tinha tudo para ser nossa aldeia, nosso mágico território. Gestada pelas idéias de um tempo melhor, teve um parto cultural luminoso. Filha de tantos anseios e dos legítimos sonhos de cultura do Cleto e da Philomena, todos acompanhamos seus primeiros passos, e por isso  ela foi o nosso mimo, nosso relicário e agonizou em nossas lágrimas. Nestes dias, em que a memória da década de 60 abre as portas para tantos visitantes, registramos aqui nosso saudoso sentimento e uma esperançosa alegria por sabermos que o Cleto de Assis, que navega com destreza nas águas da informática, pretende publicar na Internet todo o rico conteúdo das duas únicas edições.  

 

 

RÉQUIEM PARA O TREMA poema de cleto de assis (27.out.08)

 

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Treme, trema! É quase chegada a hora de partires.
O rei e sua corte de sábios assim ditaram
e a hora do cadafalso se aproxima.
Treme, porque os tribunais já se fecharam para ti,
não tens mais direito a apelações ou a acentuações.
Também os juízes e monarcas d’além mar
Não tiveram piedade e firmaram suas sentenças.

Se te serve de consolo, recordemos tuas culpas,
tantas vezes levantadas nas querelas contra ti,
estas mesmas em que te recusaste a aportar,
qual ungüento escorregadio.

Mas não te livraste dos qüiproquós.

Lembremos a ambigüidade dos lingüistas que
freqüentam as academias, intranqüilos,
com argüições grandiloqüentes, porém de qüércica acidez,
contra esses dois míseros pontinhos
de que és formado. Todos a gritar:
“Apropinqüemos sua morte!
Averigüemos suas culpas, pois ele não mais agüentará!
À forca com esse delinqüente!”

Mais atrapalhaste que ajudaste.
Chegaste da velha Grécia, via Gália e Lusitânia,
Para simbolizar um buraquinho na gramática.
Aliás, dois orifícios, para que ninguém te confundisse
com o indefectível ponto, de falsa modéstia postado aos
pés das frases, mas sempre a determinar seus fins.
Tu ganhaste o pináculo, acima delas e em cima de gordinhos us,
quase como bolhas de champanha a transbordar da taça.

Mas quantos vestibulandos levaste ao desespero!
Quantos parlamentares enganaste em ambíguos  discursos
plenos de obliqüidades!

Muitas vezes seqüestraste a inteligência de
Poetas, jornalistas, bacharéis e multilíngües mestres,
Que, distraídos, esqueceram de ti e preferiram
Levar-se a sonhos e incompletudes
com teus três tranqüilos irmãos penserosos…

Mais felizes, por certo, foram teus irmãos franceses,
Ainda a cavalgar, qual eqüestres sinais de la grammaire,
sobre muitas vogais e consoantes.

Mas os lusos, que te copiaram dos vizinhos gauleses,
foram os que deram a ti a primeira coroa espinhenta da ingratidão,
ao retirarem-te, há mais de cinqüenta anos,
Da palavra saüdade, na qual sentias tanta vaïdade.

Talvez uma de tuas maiores culpas é a de não seres
amigo do povo inculto, que não vê razões
para andares embarcado no lombo de desmilingüidas lingüiças
e de pingüins de geladeira.
Vieste para dividir,  meu dierético amigo,
e não para unir. E este é um tempo de solidariedade
no qual pouca serventia têm sinais que semeiam confusão,
embora, às vezes, sejas tão elucidativo.

Em ti sinto pena de nossos irmãos autóctones
Que, sem conhecer a língua dos missionários,
Já te pronunciavam em tão belas palavras naturais.
Que será feito, a partir de alguns poucos dias,
Do canto do güyarapuru, que já soa bonito só ao ser nominado?
E os birigüis e sagüis não poderão mais saltar nas árvores e fugir de Anhangüera?

Aproveite, pois, teus últimos dias do verão brasileiro
E das outras estações em que vivem os demais lusófonos,
pois teus dias estão contados.
Pelo menos os de freqüência nas gramáticas e dicionários de Português,
que serão liqüidados nas livrarias por tua culpa,
tua máxima culpa.

Breve virão novos gramáticas e novos léxicos
Para fazer o povo esquecer-te completamente
E começar a mudar algumas palavrinhas onde eras necessário.

Consola-te: nós aqui ficaremos para cuidar das vogais
que recusam a se transformar em ditongos
com a coleguinha do lado, como a u e a i da recém escrita palavra.
E, nos dias que se esvaem, pense que ainda poderás estar conosco
De vez em quando
Em estrangeiras palavras.

Aproveita bem este final de ano e tenha um bom Natal:
a partir daquele dia de graça terás apenas um qüinqüídio de vida.
Requiescat in pace.

Curitiba
27.out.08

 

COMPOSIÇÃO MARCIAL PARA CORAL poema de solivan brugnara

 

 

 

               Como um amanhecer com canto

                                   de pássaros  

                              escuta-se.                

             Gritos carmins, enxames de dor.

               Choros enfaixados com escombros.

          Gemidos que pousam como borboletas monarcas

                             Ganidos

                                        e o trilo dos decepados.

                 Bocas-templos clamam por Deus.

           Pombas desesperadas saem das gargantas das mães.

          Rosnados de vingança

                   Agulhas tatuando luto em um coração.                                               

          Feridos que vomitam panos ensangüentados.

         Berro de uma alma saindo do corpo a fórceps.

         Um chamado perfumado com esperança.

       Pedidos de ajuda se dissolvem no céu como sangue no mar

                          e  mortos cantam silencio.                                        

 

 

Mais inútil que… – poema de ana carolina cons bacila

 

Estou me sentindo mais morta que peixe boiando.

Estou me sentindo mais podre que defunto enterrado.

 

Mais triste que emo deprimido,

Mais estúpida que fanho perdido.

 

Mais leve que borboleta voando,

Mais entediada que burro parado.

 

Mais chata que mosquito zunindo,

Prestes a dar seu último suspiro.

 

A EXCOMUNHÃO DA VÍTIMA de miguezim da princesa

I
Peço à musa do improviso
Que me dê inspiração,
Ciência e sabedoria,
Inteligência e razão,
Peço que Deus que me proteja
Para falar de uma igreja
Que comete aberração.

II
Pelas fogueiras que arderam
No tempo da Inquisição,
Pelas mulheres queimadas
Sem apelo ou compaixão,
Pensava que o Vaticano
Tinha mudado de plano,
Abolido a excomunhão.

III
Mas o bispo Dom José,
Um homem conservador,
Tratou com impiedade
A vítima de um estuprador,
Massacrada e abusada,
Sofrida e violentada,
Sem futuro e sem amor.

IV
Depois que houve o estupro,
A menina engravidou.
Ela só tem nove anos,
A Justiça autorizou
Que a criança abortasse
Antes que a vida brotasse
Um fruto do desamor.

V
O aborto, já previsto
Na nossa legislação,
Teve o apoio declarado
Do ministro Temporão,
Que é médico bom e zeloso,
E mostrou ser corajoso
Ao enfrentar a questão.

VI
Além de excomungar
O ministro Temporão,
Dom José excomungou
Da menina, sem razão,
A mãe, a vó e a tia
E se brincar puniria
Até a quarta geração.

VII
É esquisito que a igreja,
Que tanto prega o perdão,
Resolva excomungar médicos
Que cumpriram sua missão
E num beco sem saída
Livraram uma pobre vida
Do fel da desilusão.

VIII
Mas o mundo está virado
E cheio de desatinos:
Missa virou presepada,
Tem dança até do pepino,
Padre que usa bermuda,
Deixando mulher buchuda
E bolindo com os meninos.

IX
Milhões morrendo de Aids:
É grande a devastação,
Mas a igreja acha bom
Furunfar sem proteção
E o padre prega na missa
Que camisinha na linguiça
É uma coisa do Cão.

X
E esta quem me contou
Foi Lima do Camarão:
Dom José excomungou
A equipe de plantão,
A família da menina 
E o ministro Temporão,
Mas para o estuprador,
Que por certo perdoou,
O arcebispo reservou
 A vaga de sacristão. 

 

INCOERÊNCIA CATÓLICA por drauzio varella

 

 

AOS COLEGAS de Pernambuco responsáveis pelo abortamento na menina de nove anos, quero dar os parabéns. Nossa profissão foi criada para aliviar o sofrimento humano; exatamente o que vocês fizeram dentro da lei ao interromper a prenhez gemelar numa criança franzina.

Apesar da ausência de qualquer gesto de solidariedade por parte de nossas associações, conselhos regionais ou federais, estou certo de que lhes presto esta homenagem em nome de milhares de colegas nossos.

Não se deixem abater, é preciso entender as normas da Igreja Católica. Seu compromisso é com a vida depois da morte. Para ela, o sofrimento é purificador: “Chorai e gemei neste vale de lágrimas, porque vosso será o reino dos céus”, não é o que pregam?

É uma cosmovisão antagônica à da medicina. Nenhum de nós daria tal conselho em lugar de analgésicos para alguém com cólica renal. Nosso compromisso profissional é com a vida terrena, o deles, com a eterna. Enquanto nossos pacientes cobram resultados concretos, os fiéis que os seguem precisam antes morrer para ter o direito de fazê-lo.

Podemos acusar a Igreja Católica de inúmeros equívocos e de crimes contra a humanidade, jamais de incoerência. Incoerentes são os católicos que esperam dela atitudes incompatíveis com os princípios que a regem desde os tempos da Inquisição.

Se os católicos consideram o embrião sagrado, já que a alma se instalaria no instante em que o espermatozoide se esgueira entre os poros da membrana que reveste o óvulo, como podem estranhar que um prelado reaja com agressividade contra a interrupção de uma gravidez, ainda que a vida da mãe estuprada corra perigo extremo?

O arcebispo de Olinda e Recife não cometeu nenhum disparate, agiu em obediência estrita ao Código Penal do Direito Canônico: o cânon 1398 prescreve a excomunhão automática em caso de abortamento.

Por que cobrar a excomunhão do padrasto estuprador, quando os católicos sempre silenciaram diante dos abusos sexuais contra meninos, perpetrados nos cantos das sacristias e dos colégios religiosos? Além da transferência para outras paróquias, qual a sanção aplicada contra os atos criminosos desses padres que nós, ex-alunos de colégios católicos, testemunhamos?

Não há o que reclamar. A política do Vaticano é claríssima: não excomunga estupradores.

Em nota à imprensa a respeito do episódio, afirmou Gianfranco Grieco, chefe do Conselho do Vaticano para a Família: “A igreja não pode nunca trair sua posição, que é a de defender a vida, da concepção até seu término natural, mesmo diante de um drama humano tão forte, como o da violência contra uma menina”.

Por que não dizer a esse senhor que tal justificativa ofende a inteligência humana: defender a vida da concepção até a morte? Não seja descarado, senhor Grieco, as cadeias estão lotadas de bandidos cruéis e de assassinos da pior espécie que contam com a complacência piedosa da instituição à qual o senhor pertence.

Os católicos precisam ver a igreja como ela é, aferrada a sua lógica interna, seus princípios medievais, dogmas e cânones. Embora existam sacerdotes dignos de respeito e admiração, defensores dos anseios das pessoas humildes com as quais convivem, a burocracia hierárquica jamais lhes concederá voz ativa.

A esperança de que a instituição um dia adote posturas condizentes com os apelos sociais é vã; a modernização não virá. É ingenuidade esperar por ela.

Os males que a igreja causa à sociedade em nome de Deus vão muito além da excomunhão de médicos, medida arbitrária de impacto desprezível. O verdadeiro perigo está em sua vocação secular para apoderar-se da maquinária do Estado, por meio do poder intimidatório exercido sobre nossos dirigentes.

Não por acaso, no presente episódio manifestaram suas opiniões cautelosas apenas o presidente da República e o ministro da Saúde.

Os políticos não ousam afrontar a igreja. O poder dos religiosos não é consequência do conforto espiritual oferecido a seus rebanhos nem de filosofias transcendentais sobre os desígnios do céu e da terra, ele deriva da coação exercida sobre os políticos.

Quando a igreja condena a camisinha, o aborto, a pílula, as pesquisas com células-tronco ou o divórcio, não se limita a aconselhar os católicos a segui-la, instituição autoritária que é, mobiliza sua força política desproporcional para impor proibições a todos nós.

 

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tortura-nanide NANI. ilustração do site.

pacote. – de jorge lescano

 

 

                                                                                                                                                                           pacote.

A bem da verdade, a designação é tecnicamente incorreta, ou ao menos arbitrária. Trata-se de um saco de papel Kraft, com o nome de um supermercado perfeitamente visível, impresso com tinta azul. Parece-nos que o conceito pacote pressupõe, sugere, talvez requeira, determinadas dobras e barbantes ou fitas com laço ou papel adesivo para prender as abas de tendência triangular. Este não respeita esses requisitos. Mantém sua natureza de saco, reiterada pelo conteúdo que podemos adivinhar na estrutura vagamente cúbica da base. Estreita-se em direção à abertura por uma dobra realizada não de maneira casual, mas respeitando o plissado lateral, que faz do saco um retângulo de papel marrom quando, ainda virgem, repousa junto a outros congêneres na prateleira.
 A dobra, sem violar o plissado original, faz duas abas quase triangulares. Talvez isto crie um certo ar de família com o pacote propriamente dito. O vértice superior das abas vão em direção, ou nascem, impossível determinar com precisão o sentido original, do vinco do plissado; a base do triângulo fica na boca dentada, ou, se preferirmos, recortada à moda de uma onda contínua, acentuada no centro por um corte maior em semicírculo numa das faces, precisamente na qual se encontra impresso o nome da loja. Estas duas abas foram dobradas duplamente no sentido vertical, ou seja, em direção ao fundo do saco, formando uma alça.
 A coisa — hesitamos quanto à sua designação — se encontra no terceiro degrau, a contar de cima, da escadaria de concreto que dá acesso à entrada de um banco. O prédio da instituição financeira está fechado. Estamos na hora do crepúsculo vespertino de um  dia de outono. Confessamos que o objeto em questão foi o responsável pela interrupção de nossa caminhada.
 No primeiro momento — parece-nos que esta atitude é comum à espécie — olhamos em torno do embrulho — que daqui em diante chamaremos pacote —  procurando seu proprietário. Ao não o acharmos, ampliamos o raio de nosso olhar ao redor da escadaria e de nós mesmos. Como não avistamos ninguém na vizinhança, intuímos que o pacote foi esquecido por alguém que por um momento se deteve para descansar. Tal intuição, acrescida pela curiosidade, autoriza-nos a nos considerarmos donos do pacote abandonado.Para confirmar esta nova qualidade, insistimos em olhar em torno procurando seu legítimo proprietário, porém, já com o secreto desejo de não vermos ninguém a quem lhe falte este pacote.  
   Dispomo-nos a nos apropriarmos dele. Provemos o passo acelerado que nos afastará do local, e a concentração mental necessária para vencer o impulso de olhar para trás, denunciando-nos, caso um pedestre trilhe o mesmo caminho que nós. A certeza de nosso próximo gesto faz com que nos demoremos em especulações sobre seu conteúdo.
 A aparência conservada pela base do saco permite imaginar um corpo rígido e, insistimos, vagamente cúbico. A conclusão parece-nos óbvia: uma caixa. A medida que o recheio do pacote solitário ganha altura, perde a rigidez, sugerindo vultos menores, de forma orgânica e de matéria flexível. Pensamos em frutas miúdas e saquinhos de legumes. Talvez um maço de verduras. A caixa é menos previsível, tanto pode conter flocos de trigo como sabão em pó ou facas afiadas. Melhor não nos apressarmos no prognóstico.
 Subitamente nos ocorre que nada impede que o(a) ex-proprietário(a) do pacote tenha usado o saco  para guardar, ou  esconder, objetos  outros que não produtos  de supermercado. O retângulo-cubo
 
poderá ser um cofre ou estojo, os outros volumes algumas peças de pano usadas. Luvas, por exemplo, um par de meias de mulher. Enfim, coisas pequenas, de configurações, pesos e usos variados, dispensáveis no momento em que foram esquecidos ou abandonados.
 A ausência de marcas de outras dobraduras — além do vinco e o plissado — dão ao pacote aspecto de novo. A superfície lisa da face anterior sugere leveza.
 Custa-nos admitir que no interior possa haver algum mecanismo explosivo, programado para entrar em funcionamento quando alguém o toque. Que esconda ninhadas de animaizinhos mortos, retalhos de vísceras ou membros humanos, parece-nos intolerável pelas características externas supracitadas. Contudo, a caixa poderá conter aranhas venenosas vivas. Os volumes moles poderão ser: a) um feto de mamífero em avançado estado de putrefação; b) fezes contaminadas; c) uma substância química de efeitos imprevisíveis sobre o organismo humano; outros (?). Como se vê, material inadequado ao conceito tradicional de pacote. Este termo tem um caráter, não direi aristocrático, mas respeitável, a ponto de merecer seção especial nas lojas; embrulho é mais condizente com os pretensos conteúdos citados. 
 Somos tentados a procurar um policial e duas testemunhas de nossa inocência. Desejamos que o agente da ordem pública proceda ao desvendamento do mistério sob nossas vistas; gostaríamos de convocar a imprensa falada, escrita e televisionada para que noticie o achado bizarro. Ao mesmo tempo, desconfiamos que não seríamos levados a sério. Não é impossível, todavia, que sejamos incriminados. O policial não se deixará envolver num episódio sórdido sem alguma vantagem pessoal.
 Há um momento de fraqueza ou lucidez no qual optamos por nos desentender do pacote. Podemos imaginá-lo só, intacto no terceiro degrau, a contar de cima, próximo da coluna dórica que sustenta a cornija sobre a qual se lê, em letras góticas, o nome da instituição. Sim, urge que nos afastemos das implicações nocivas do seu incomprovável recheio.
 Torna-se necessário, porém, que aproveitemos a passagem de outra pessoa para desentravar os músculos tensos. No momento em que o pedestre se aproxime simularemos consultar o relógio. O gesto será largo e demorado. Precisamos ter a certeza de que foi percebido e interpretado corretamente. Isto é, não como simulação, mas como se de fato olhássemos o relógio pela derradeira vez, antes de desistirmos de uma espera que a esta altura dos acontecimentos se manifesta inútil.
 Talvez seja convincente acender um cigarro. É preciso ter calma e inspirar confiança na moça antes de começar a andar em ritmo e velocidade normais a alguns passos à sua frente. Assoviemos uma valsinha. Não!, tal dança não faz parte do seu repertório, e isto nos tornaria suspeitos. No entanto devemos impedir a todo custo que ela atribua a decisão de abandonarmos nossa atalaia, agora que a noite envolve o local, a uma futura abordagem ou perseguição, intenções totalmente estranhas à autora, bem como ao personagem e à sua sombra.
 A tudo isto se mantém alheio o

 Jorge Lescano

 
Para Daniela Delamare

DÉCIMAS poema de gregório de matos

Estais dada a Bersabu,
Chica, e não tendes razão,
Sofrei-me Maria João,
pois eu vos sofro a Mungu:
vós dais ao rabo, e ao cu,
eu dou ao cu, e ao rabo,
vós com um Negro diabo,
eu com uma Negrinha brava,
pois fique fava por fava,
e quiabo por quiabo.

Vós heis de achar-me escorrido,
não vo-lo posso negar,
eu também o hei de achar
remolhado, e rebatido
assim é igual o partido,
e mesmíssima a razão,
porque quando o vosso cão
dorme c’oa a minha cadela,
que fique ela por ela,
diz um português rifão.

Vós dizeis-me irada e ingrata,
c’oa a mão na barguilha posta”
eu me verei bem disposta”
e eu digo-vos: “Quien se mata?”
eu vou-me à putinha grata,
e descarrego o culhão,
vós ides ao vosso cão,
e regalais o pasmado,
leve ao diabo enganado,
e andemos c’oa a procissão.

Chica, fazei-me justiça,
e não vo-la faça eu só,
eu vos deixo o vosso có,
vós deixai-me a minha piça:
e se o demo vos atiça
mamar numa e noutra teta,
pica branca e pica preta,
eu também por me fartar
quero esta pica trilhar,
numa grêta e nutra grêta.

Dizem que o ano passado
mantínheis dez fodilhões
branco um, nove canzarrões,
o branco era o dizimado,
o branco era o escornado,
por ter pouco, e brando nabo;
hoje o vosso sujo rabo
me quer a mim dizimar,
que não hei de suportar
ser dízimo do diabo.

Chica, dormi-vos por lá,
tendo de negros um cento,
que o pau branco é corticento,
e o negro jacarandá:
e deixai-me andar por cá
entre as negras do meu jeito,
mas perdendo-me o respeito,
se o vosso guardar quereis,
contra o direito obrareis,
sendo amiga do direito.

Sois puta de entranha dura,
e inda que amiga do alho
sois uma arranha-caralho
sem carinho, nem brandura
dou ao demo a puta escura,
que estando a tôdas exposta,
não faz festa ao de que gosta;
dou ao demo o quies vel qui,
e não para quem a encosta.

Quem não afaga o sendeiro,
de que gosta, e bem lhe sabe,
vá-se dormir cuma trave,
e esfregue-se num coqueiro:
seja o cono presenteiro,
faça o mínimo agasalho
ao membro, que lhe dá o alho,
e se de carinho é escassa,
ou vá se enforcar , ou faça,
do seu dedo o seu caralho.

 

TRANSFORMA-SE O AMADOR NA COUSA AMADA poema de luís vaz de camões

 

Transforma-se o amador na cousa amada,
por virtude do muito imaginar;
não tenho, logo, mais que desejar,
pois em mim tenho a parte desejada.

Se nela está minh’alma transformada,
que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si sòmente pode descansar,
pois consigo tal alma está liada.

Mas esta linda e pura semideia,
que, como um acidente em seu sujeito,
assi co a alma minha se conforma,

está no pensamento como ideia:
o vivo e puro amor de que sou feito,
como a matéria simples busca a forma.

A FALÊNCIA LIBERAL por walmor marcellino

DE ONDE PROVÊM?

 

 

De algum modo, somos vítimas do “paradoxo da informação ideal”, de que nos advertem os filósofos. Sob os interesses de classe (e caráter), tendemos a assimilar a ideologia sociopolítica que nos convenha; e então “nossos compromissos” objetivos e subjetivos desprezam quaisquer informações negativas, contrárias. Dessa maneira a intelligentsia contemporânea poderá afirmar e reafirmar a substância social da igualdade de direitos econômicos, sociais e políticos e a liberdade política concreta para consegui-los, o “idiota privatista” prosseguirá rejeitando o “interesse público” que não aproveite ao seu arrivismo.

Mesmo a produção destrutiva do capitalismo tem (teria?) uma finalidade que a sustém; e assim o sistema capitalista chegou a esta fase AD 2000, em que seu impulso-intenção produtora se liquefaz (naufraga) estrondosamente; com as pessoas que acreditavam na falácia liberal-produtiva (ainda que avassaladoramente destruindo natureza e comunidades) aturdidas no que se vai comprovando sua ”má-fé” ante a sociedade e a natureza ‑ sempre ameaçadas pela “ousadia” e cupidez imperial. Quanto a nós, reputados “imbecis coletivistas”, éramos a um tempo “ignorantes dos fundamentos dessa excelsa liberdade” como induzidos por uma “falácia patética” (sentimentalismo orientado para uma “humanização absoluta” ou simples “frustração ante as realizações alheias”) no desprezo à “única fonte real de progresso”: o próprio sistema capitalista e sua “lógica política liberal-democrático-representativa”.

Não pretendia aqui falar das “grandes virtudes” que, de uma ou outra forma, atraem e condicionam nossas atitudes e comportamento, e sim reconhecer que se consensuam nelas, por mais de 2.500 anos, aqueles “valores sociais” que a cultura eclética capitalista diz ter trazido à convivência no trabalho e na sociedade: a justiça, a coragem, a fidelidade, a compaixão, o amor, a temperança e a prudência, para apenas exemplificar, e não com o escopo de contrapor ao “malin génie” (má-fé intrínseca) de que padece a pós-modernidade.

Sabemos de onde provêm as idéias corretas ‑ da prática social, da experiência científica e da teoria crítica que viemos estruturando ‑; porém “o pensamento politicamente correto” é uma convenção do poder econômico-político, uma falácia alienante jogada sobre o vulgo. Então por que a polidez nos leva a admitir o falaço do provisionado intelectual a babar em nossos ouvidos e a nos reciclar a paciência com essa contumélia filosófica da burguesia?

Sugiro-lhes: não acalentar as burrices e dogmas de direita ou esquerda, de alienados e interesseiros, quando pretendem replicar ‑ ao modelo Fernando-Henrique Collor Cardoso, Gilmar Perlífero Mendes, Olavo Oh de Carvalho ou Diogo Decúbito Mainardi, assim alcunhados, respectivamente, como pelegos políticos: 1 – canhestro sociólogo neoliberal, 2 – jurisproduto e “patife ilustre”, 3 – filósofo fementido e 4 – pensador reciclado ao cotidiano. ‑ no que as práticas econômica, política e científica confirmam. wmarcellino@yahoo.com.br

 

GUERRA do CONTESTADO – CARTA ABERTA à NAÇÃO

Guerra do Contestado

 

Carta aberta à Nação


Eu, D. Manoel Alves de Assunção Rocha, aclamado Imperador constitucional da Monarquia Sul Brasileira, em primeiro de agosto do corrente ano, com sede no reduto de Taquaruçu do Bom Sucesso, convido a nação pra lutar para o completo extermínio do decaído governo republicano, que durante 26 anos infelicita esta pobre terra, trazendo o descrédito, a bancarrota, a corrupção dos homens e, finalmente o desmembramento da pátria comum.


Comprometo-me:
 
1º – O Em pouco tempo eliminar o último soldado republicano do território da Monarquia, que compreende as três províncias do Sul do Brasil – Rio Grande, Santa Catarina e Paraná;
2º – Para o futuro, anexar ao Império o Estado Oriental do Uruguai, antiga Província Cisplatina;
3º – Organizar um exército e armada dignos da Monarquia e reorganizar a guarda nacional;
4º – Dar ao país uma constituição completamente liberal;
5º – Reduzir os impostos de importação e exportação e bem assim estabelecer o livre câmbio dentro do território do Império;
6º – Fazer respeitar meus súditos, logo que me seja possível, em qualquer ponto do planeta;
7º – Fazer garantir a inviolabilidade do lar e do voto, tão menosprezados pelo decaído regímen;
8º – Fazer respeitar, em absoluto, a liberdade da imprensa, também menosprezada pela antiga República;
9º – Tornar inexpugnável a barra do Rio Grande e todo o litoral do país;
10º – Guarnecer a fronteira como Estado de São Paulo e fronteira argentina, logo que seja reconhecido oficialmente o novo Império e organizado o exército imperial;
11º – O Assumir, relativamente, todos os compromissos do antigo regime, que relativamente couberem ao Império Sul Brasileiro;
12º – O exército imperial será a primeira linha e a guarda nacional a segunda linha;
13º – Unificação da lei judiciária do país;
14º – Restringir a autonomia dos municípios;
15º – Emitir provisoriamente numerário nominal e em seguida a conversão metálica;
16º – A religião oficial será a católica apostólica romana;
17º – Liberdade de culto;
18º – Cogitar do desenvolvimento da lavoura sem desprezo da indústria;
19º – O imposto protecionista a indústria e lavoura do Império;
20º – Livres os portos do Império a todos estrangeiros sem cogitar-se da raça, crença etc;
21º – Serão considerados nacionais todos os estrangeiros que residirem dois anos no país;
22º – Modificar o atual sistema do júri, que não está mais compatível com o século;
23º – O ensino será obrigatório, tanto para a infância como para o exército;
24º – A criação do exército aviador que atualmente está dando resultado na guerra européia;
25º – Edificação da Corte Imperial que será no centro do território imperial;
26º – A bandeira e coroa do império Sul Brasileiro serão adotadas as antigas da decaída Monarquia Brasileira;
27º – A pena de morte em vigor, com a forca;
28º – O serviço militar será obrigatório;
29º – A agricultura nacional será dado uma área de terra independente de pagamento, em terras nacionais;
30º – De lº de setembro em diante entrará em vigor a lei marcial aos inimigos da Monarquia.
 

Viva a Monarquia Sul Brasileira!
Deus guarde e vele pela Monarquia!

Reduto do Taquarussú do Bom Sucesso, em 5 de agosto de 1914.

O Imperador Constitucional da Monarquia Sul Brasileira.

Ass. D. Manoel Alves de Assumpção Rocha

 

teria sido melhor? 

VERLAINE crônica de hamilton alves

 

 

 

                            Paul Verlaine foi um dos maiores poetas do século XIX, cujos poemas ainda ressoam, um dos quais com mais freqüência que os demais – “Chanson d’Automne” (ou Canção de Outono), que é de uma beleza fora do comum, pela sua musicalidade e feitura muito bem organizada, contendo os versos e as palavras estritamente necessárias, como se fosse concebido a compasso.

                            Verlaine foi amigo de Rimbaud. Os dois tiveram um envolvimento rumorosíssimo, inclusive no plano da recíproca homossexualidade. Eram dois libertinos em toda a extensão do termo, pouco se lixando para as convenções ou limites impostos pela sociedade da época.

                            Rimbaud, ao que se diz, virou a cabeça do amigo, que era casado e que, com a mulher, em decorrência de tal ligação, viveu momentos difíceis. Até que veio a se consumar quase um crime de homicídio, tendo Verlaine, numa acesa discussão ou conflito com Rimbaud, disparado um tiro de revólver, que por pouco não o atingiu mortalmente. A partir desse episódio, os dois se reconciliaram, mas não foram os mesmos amigos de antes. Até porque Rimbaud, na sua loucura de comportamento, acabou indo para uma cidade da Abissínia, onde, na intenção de enriquecer, ao que se diz, traficou com armas.

                            E a poesia onde ficou?

                            Teve uma única resposta, bem típica de seu temperamento: “à la merde la poésie”.

                            O fim de Rimbaud foi muito triste. Voltou à cidade natal, Charlesville, sendo acolhido pela irmã, que dele cuidou até o fim da vida. Amputou uma perna por essa ocasião. Viveu até os 37 anos. O suficiente para deixar um legado literário dos mais importantes e ricos, como é o caso de “Une saison en enfer”, sobre o qual exegetas dos mais renomados têm feito as mais extravagantes ilações.

                            Deixou poemas imortais, como “Le bateau ivre” (O barco bêbedo), que é vazado em termos extremamente herméticos, que ainda hoje não se conhece o verdadeiro significado. Uns reputam como sendo uma descrição da vida do poeta. Penso que essa interpretação está mais próxima da realidade. O “barco” seria o próprio Rimbaud, em sua difícil trajetória pelo rio em que navega, cheio de empecilhos e obstáculos de toda ordem.

                            Verlaine deixou igualmente sua marca de grande poeta. Seu momento apoteótico foi, sem dúvida, o poema já referido, “Canção de outono”, que, ainda hoje, é dito por inúmeras pessoas em todas as latitudes do mundo e, certamente, foi traduzido para todas as línguas cultas conhecidas.

                            Folheando há dias um livro de ensaios literários, de Milan Kundera, de uma das páginas colhi a seguinte informação: “Verlaine morreu num hotel modesto em Paris”.

                            Talvez tivesse morrido sozinho, sem um companheiro ou companheira (teria se separado da mulher?), com nostalgia de seu grande amigo, Arthur Rimbaud, com quem, afinal de contas, viveu dias marcantes, que passaram à história da literatura, no que ela possui de mais estranho e notável.

                            De quando em quando, para mim mesmo, em circunstâncias as mais imprevistas, recito esses versos de Verlaine:

                            “Les sanglots longs

                              Des violons d,automne

                              Blessent mon coeur

                              D’une langueur monotone”.

 

                              Esta é a primeira estrofe do belíssimo soneto “Chanson  d’automne”.      

 

 

(março/09)

LARGO DA ORDEM – VIDEO CLIP poema de e recitado por marilda confortin

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES. (22/03/09) – por juca (josé zokner)


Constatação I (Medidas não convencionais de tempo).

Por ficar esperando a mulher se aprontar, ele impaciente, sabia quantos passos mediam todas as peças da casa, inclusive os banheiros e quantas baforadas de cachimbo ela demorava.

Constatação II (Ah, esse nosso vernáculo).

Ela fazia fita para iniciar um tratamento fitoterápico: “Reflita, ele conflita com as minhas convicções alopáticas e alopráticas, quero dizer alopradas”.

Constatação III (De conselhos úteis).

Prova documental de entrada e saída de um estacionamento onde o sujeito costuma deixar o carro pode servir de álibi. Isso se a mulher não se der conta e aceitar a ponderação ao ter chegado tarde em casa. Na realidade, tal não prova absolutamente nada. O maridão pode, depois, pegar um táxi e ir pro motel com uma gata. O táxi não deve ser pego no estacionamento e, em nenhuma hipótese, ser aquele com motorista velho conhecido da família. Afinal, ele pode ter vocação para chantagista ainda não revelada. De nada!

Constatação IV (De uma dúvida crucial).

A Justiça tarda, mas não falha?

Constatação V (Quadrinha para ser recitada em festa infantil).

A fada madrinha

É muito boazinha

Ela me traz presente

Quando tô com dor de dente.

Constatação VI (De outra dúvida não necessariamente crucial).

O esporte radical foi inspirado em apresentações circenses?

Constatação VII (Teoria da Relatividade para principiantes).

É muito melhor vestir camisa de força do que pijama de madeira.

Constatação VIII

A vassoura de piaçaba também é um meio de transporte?

Constatação IX

Quando eu era criança eu olhava para o alto e nas nuvens vislumbrava rostos, árvores e animais; agora, com setenta e dois anos, eu só olho para baixo, cuidando para não tropeçar…

Constatação X (Teoria da Relatividade para principiantes).

A Guerra dos Cem Anos, que não levou exatos cem anos parece ser a mais longa da História. Esta como qualquer outra, para os familiares dos soldados levou e leva uma infinidade de anos para acabar. Se é que acaba…

Constatação XI

E como dizia aquele machista: “Mulher não raciocina jamais; ela apenas intui, quando muito”.

Constatação XII

Depois da promessa,

O candidato

Riu a beça:

“Enganei mais um pato”.

Constatação XIII (Mais uma dúvida crucial. Perdão antecipadamente caros leitores).

Dizem que a oportunidade

É careca.

Será que ela tem vontade

De passar na sua oca cabecinha

Alguma loção ou, de galinha,

Meleca?

Constatação XIV

Dizem que errar é humano e perdoar é divino. Data vênia, como diz nossos juristas, mas Rumorejando só acha divino para aquele – e só pra ele – que foi perdoado.

Constatação XV

A junta médica disse que o enfermo tava perdido. Perdidos estavam os médicos da junta. O assim chamado enfermo se curou com chás do tempo da vovó (dele) e, mais, sem o indefectível efeito colateral.

Constatação XVI

O bebê nasceu prematuramente. A sogra* não perdoou: “Também foi concebido prematuramente antes do casamento”.

*Não ficou claro se foi a sogra dele ou dela. Talvez as duas. Rumorejando se compromete a averiguar e tão logo saiba, dará a conhecer aos seus prezados leitores.

Constatação XVII (Crise financeira mundial).

Num banco, que a gente trabalha,

O meu saldo

É nada mais

Que um ínfimo rescaldo,

Uma migalha

Como nos demais.

Constatação XVIII

O pobre do marido

Em tempo assaz periódico

Escuta a peroração dela,

Bastante aborrecido,

Ar acabrunhado,

Prostrado,

Abatido

Que a compra foi uma bagatela

Por um preço módico.

Coitado!

Constatação XIX

Ela me fez seu joguete,

Disse que eu era mixo

E me deixou no lodo

Depois quis me varrer,

Com o rodo,

Para debaixo do tapete

Como ela faz desaparecer

O lixo.

Constatação XX (Quadrinha de onze estrofes (undeciminha?) de dúvida crucial troglodita, digo poliglota).

Quando o meu Paraná perde

Um coitado

De um torcedor francês

Será

Que ficará,

Como eu, insone

E, talvez,

Dirá

Merde,

Ou, se for educado,

Les cinq lettres de Cambronne?

Constatação XXI (E já que falamos no assunto…)

Recado ao Amigo Ernani Buchmann: Faz favor de dar uma mão – ou como se escrevia antigamente, na velha ortografia, u’a mão – ao nosso time Paraná. Tá feia a situação. Obrigado pela atenção.

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br

 

 

TEORIA DO CONHECIMENTO poema de joão batista do lago

Se há um indivíduo

Existe um animal;

Se há um sujeito

Existe um sentido;

Se há um sentido;

Existe um pensamento;

Se há um pensamento;

Existe uma idéia;

Se há uma idéia

Existe um discurso;

Se há um discurso

Existe o outro;

Se há o outro

Existe a comunicação;

Se existe a comunicação

Existe a linguagem;

Se existe a linguagem

Existe um signo;

Se existe um signo

Existe o significado;

Se existe o significado

Existe a interpretação;

Se existe a interpretação

Existe o ser;

Se existe o ser

Existe o complexo;

Se existe o complexo

Existe o não-idêntico;

Se existe o não-idêntico

Existe o social;

Se existe o social

Existe a Sociedade

 

[…]

 

Conhecimento!

ARCARROCOBOLIA poema de jairo pereira

 


 

 

 

 

 

Estive presente na instituição

nathural da telúrica língua-açu estive

no gesto inaugural da palavra-vida

e de pouco adiantou meu aprendizado

eis que ainda cometo arcarrocobolia

de verbos

 no cesto trançado da fala.

 

 
 
 
 

 
 
 
 

BACHELARD e JUNG – editoria

Bachelard admirava  a visão de Psicologia Profunda de Carl Gustav Jung denominada por ele “visão junguiana”, à fim de abordar a matéria estruturada pelo trabalho da razão epistemológica sob a perspectiva das imagens míticas, literárias e poéticas que possibilitam a exploração interna da psiquê humana –. preferindo  Jung a Freud  “C.G.Jung disse-nos , com toda a clareza, que o interesse desvia-se da obra de arte para se perder no caos inextricável dos antecedentes psicológicos”., bem como Schopenhauer e Nietzche  ‘a Kant e Edmund Husserl. Vindo de uma formação científica, magistério de físico-química,  escreveu ele “ o coração da filosofia deve ser de francamente estudar o homem literário“ (l´homme littéraire” ,sendo  o homem literário  uma soma do pensamento e da imaginação. 

Bachelard utiliza o termo ‘surracionalismo’ numa alusão ao alargamento filosófico proporcionado, principalmente, pela ciência em desenvolvimento no início do século XX. Para ele, a generalização do pensamento é uma característica desse “novo espírito científico”, em que uma mecânica não-newtoniana surge como generalização (apesar da ruptura) da mecânica newtoniana, podendo-se também falar numa lógica não-aristotélica, numa química não-lavoisiana, ou em geometrias não-euclidianas, no mesmo sentido O real passa a ser um caso particular do possível. Bachelard cunha o termo ‘surracionalismo’ em analogia com o ‘surrealismo’ da arte, permitindo-se uma certa liberdade de pensamento que ilumine sua discussão epistemológica e esclareça, diferenciando-o, esse novo momento da ciência.

 É com base nesse pluralismo de “doutrinas filosóficas” que se funda a noção de perfil epistemológico. Isso porque cada uma delas (do realismo ao surracionalismo) esclareceria apenas uma face de cada conceito particular. Assim sendo, não podemos classificar os indivíduos de “realistas” ou “racionalistas”, mas atribuir aos seus pensamentos coeficientes de realismo, empirismo etc, ou seja, admitir que cada doutrina filosófica encontre um certo “peso relativo” em cada indivíduo, para cada conceito. Desse modo, a noção de perfil epistemológico representa, antes de mais nada, a idéia de que a superação de um conhecimento anterior e o progresso epistemológico não implicam no abandono definitivo daquilo que foi superado.

 O movimento em direção à alma é um movimento de interiorização. Esta interiorização não deve ser entendida como o interior do homem, mas sim o interior das coisas, de todas as coisas. Hillman resgata a antiga idéia da anima-mundi, a alma do mundo, para mostrar que tudo possui alma, que em tudo é possível haver interiorizações.

Cultivar a alma é, portanto, entrar gradualmente em contato com a base poética da mente, expressão utilizada por Hillman para apontar o caráter imagético do psiquismo. Poesia e mito são os meios genuínos de expressão da alma.

Para Hillman, é o “mito fundamental da criatividade psicológica”.

O mito narra o que acontece entre as pessoas e dentro das pessoas.

 Mostra também que o desenvolvimento de Psique não ocorre num mar de rosas. Sofrimento, tortura, depressão, tentativas de suicídio, desânimo são vivências fundamentais de todo o processo.

Eros, o amor, é retratado como um grande torturador e não como um querubim bondoso. É um processo difícil e cheio de obstáculos.

RETTAMOZO, PRYCILA VIEIRA, JULIO COVELLO e ANTENOR BOGEA EXPÕEM SEUS TRABALHOS NA GRÉCIA PELA UNESCO

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Λουίς Κάρλος Αζάλα Ρεταμόζο

 

 

        

 Ο Ρεταμόζο ή Ρέτα θεωρείται ένας από τους σπουδαιότερους καλλιτέχνες της Βραζιλίας. Εκτός από εικαστικός είναι και συγγραφέας, μουσικός, σκηνογράφος και ποιητής. Έχει βραβευθεί για τα έργα του το 1975 και 1978 στην Έκθεση Τέχνης της Πολιτείας του Παρανά και στην 14η Μπιενάλε του Σάο Πάολο. Έχει συμμετάσχει στην Εθνική Έκθεση Τέχνης του Ρίο ντε Τζανέιρο και σε εκθέσεις και θεάματα στον Παρανά, στο Σάο Πάολο, στο Ρίο ντε Τζανέιρο, στην Σάντα Καταρίνα και στο Ρίο Γκράντε ντο Σουλ, καθώς επίσης και σε εκθέσεις στην Ιαπωνία και την Πορτογαλία.

             Ο καλλιτέχνης φιλοτέχνησε την τοιχογραφία ‘Ουρανόςέδαφος’, στην αίθουσα του Κολεγίου ‘Μεντιανέιρα’ και έχει γράψει τα βιβλία ‘Το Κορίτσι Σύννεφο‘ (παιδικό), ‘Για να σκεφτείς κοίταξε στον καθρέφτη‘ (ποιήματα), ‘Μην αρρωστήσεις’ (φαντασίας) και ‘Ρεταμόρφωση’ (τέχνη/διαδικασία). Έχουν κυκλοφορήσει, επίσης, το CD του για παιδιά “Καλή Μουσική για Σκύλους’ και τα θεατρικά του έργα ‘Ο ΆνθρωποςΖώο’ και ‘Το Απόλυτο Βρικολάκιασμα’. Ο Ρέτα, με το αστείρευτο χιούμορ του, δημιουργεί συνεχώς τέχνη και παρασύρει όποιον βρίσκεται δίπλα του να ασχοληθεί κι αυτός με την τέχνη.

O RETRATO OVAL de edgar alan poe

O castelo em que o meu criado se tinha empenhado em entrar pela força, de preferência a deixar-me passar a noite ao relento, gravemente ferido como estava, era um desses edifícios com um misto de soturnidade e de grandeza que durante tanto tempo se ergueram nos Apeninos, não menos na realidade do que na imaginação da senhora Radcliffe. Tudo dava a entender que tinha sido abandonado recentemente. Instalámo-nos num dos compartimentos mais pequenos e menos sumptuosamente mobilados, situado num remoto torreão do edifício. A decoração era rica, porém estragada e vetusta.

Das paredes pendiam colgaduras e diversos e multiformes trofeus heráldicos, misturados com um desusado número de pinturas modernas, muito alegres, em molduras de ricos arabescos doirados. Por esses quadros que pendiam das paredes – não só nas suas superfícies principais como nos muitos recessos que a arquitectura bizarra tornara necessários –  por esses quadros, digo, senti despertar grande interesse, possivelmente por virtude do meu delírio incipiente; de modo que ordenei a Pedro que fechasse os maciços postigos do quarto, pois que já era noite; que acendesse os bicos de um alto candelabro que estava à cabeceira da minha cama e que corresse de par em par as cortinas franjadas de veludo preto que envolviam o leito. Quis que se fizesse tudo isto de modo a que me fosse possível, se não adormecesse, ter a alternativa de contemplar esses quadros e ler um pequeno volume que acháramos sobre a almofada e que os descrevia e criticava.

Por muito, muito tempo estive a ler, e solene e devotamente os contemplei.

Rápidas e magníficas, as horas voavam, e a meia-noite chegou. A posição do candelabro desagradava-me, e estendendo a mão com dificuldade para não perturbar o meu criado que dormia, coloquei-o de modo a que a luz incidisse mais em cheio sobre o livro.

Mas o movimento produziu um efeito completamente inesperado. A luz das numerosas velas (pois eram muitas) incidia agora num recanto do quarto que até então estivera mergulhado em profunda obscuridade por uma das colunas da cama. E assim foi que pude ver, vivamente

iluminado, um retrato que passava despercebido. Era o retrato de uma jovem que começava a ser mulher.

Olhei precipitadamente para a pintura e acto contínuo fechei os olhos. A

principio, eu próprio ignorava por que o fizera. Mas enquanto as minhas

pálpebras assim permaneceram fechadas, revi em espírito a razão por que as fechara. Foi um movimento impulsivo para ganhar tempo para pensar – para me certificar que a vista não me enganava -, para acalmar e dominar a minha fantasia e conseguir uma observação mais calma e objectiva. Em poucos momentos voltei a contemplar fixamente a pintura.

Que agora via certo, não podia nem queria duvidar, pois que a primeira

incidência da luz das velas sobre a tela parecera dissipar a sonolenta letargia que se apoderara dos meus sentidos, colocando-me de novo na vida desperta.

O retrato, disse-o já, era de uma jovem. Apenas se representavam a cabeça e os ombros, pintados à maneira daquilo que tecnicamente se designa por vinheta – muito no estilo das cabeças favoritas de Sully. Os braços, o peito, e inclusivamente as pontas dos cabelos radiosos, diluíam-se imperceptivelmente na vaga mas profunda sombra que constituía o fundo. A moldura era oval, ricamente doirada e filigranada em arabescos. Como obra de arte, nada podia ser mais admirável que o retrato em si. Mas não pode ter sido nem a execução da obra nem a beleza imortal do rosto o que tão subitamente e com tal veemência me comoveu. Tão-pouco é possível que a minha fantasia, sacudida

da sua meia sonolência, tenha tomado aquela cabeça pela de uma pessoa viva.

Compreendi imediatamente que as particularidades do desenho, do vinhetado e da moldura devem ter dissipado por completo uma tal ideia – devem ter evitado inclusivamente qualquer distracção momentânea. Meditando profundamente nestes pontos, permaneci, talvez uma hora, meio deitado, meio reclinado, de olhar fito no retrato. Por fim, satisfeito por ter encontrado o verdadeiro segredo do seu efeito, deitei-me de costas na cama. Tinha encontrado o feitiço do quadro na sua expressão de absoluta semelhança com a vida, a qual, a princípio, me espantou e finalmente me subverteu e intimidou. Com profundo e reverente temor, voltei a colocar o candelabro na sua posição anterior. Posta assim fora da vista a causa da minha profunda agitação, esquadrinhei ansiosamente o livro que tratava daqueles quadros e das suas respectivas histórias. Procurando o número que designava o retrato oval, pude ler as vagas e singulares palavras que se seguem:

Era uma donzela de raríssima beleza e tão adorável quanto alegre. E maldita foi a hora em que viu, amou e casou com o pintor. Ele, apaixonado, estudioso, austero, tendo já na Arte a sua esposa. Ela, uma donzela de raríssima beleza e tão adorável quanto alegre, toda luz e sorrisos, e vivaz como uma jovem corça; amando e acarinhando a todas as coisas; apenas odiando a Arte que era a sua rival; temendo apenas a paleta e os pincéis e outros enfadonhos instrumentos que a privavam da presença do seu amado. Era pois coisa terrível para aquela senhora ouvir o pintor falar do seu desejo de retratar a sua jovem esposa. Mas ela era humilde e obediente e posou docilmente durante muitas semanas na sombria e alta câmara da torre, onde a luz apenas do alto incidia sobre a pálida tela. E o pintor apegou-se à sua obra que progredia hora após

hora, dia após dia. E era um homem apaixonado, veemente e caprichoso, que se perdia em divagações, de modo que não via que a luz que tão sinistramente se derramava naquela torre solitária emurchecia a saúde e o ânimo da sua esposa, que se consumia aos olhos de todos menos aos dele. E ela continuava a sorrir, sorria sempre, sem um queixume, porque via que o pintor (que gozava de grande nomeada) tirava do seu trabalho um fervoroso e ardente prazer e se empenhava dia e noite em pintá-la, a ela que tanto o amava e que dia a dia mais desalentada e mais fraca ia ficando.

E, verdade seja dita, aqueles que contemplaram o retrato falaram da sua

semelhança com palavras ardentes, como de um poderosa maravilha, – prova não só do talento do pintor como do seu profundo amor por aquela que tão maravilhosamente pintara. Mas por fim, à medida que o trabalho se aproximava da sua conclusão, ninguém mais foi autorizado na torre, porque o pintor enlouquecera com o ardor do seu trabalho e raramente desviava os olhos da tela, mesmo para contemplar o rosto da esposa. E não via que as tintas que espalhava na tela eram tiradas das faces daquela que posava junto a ele. E quando haviam passado muitas semanas e pouco já restava por fazer, salvo uma pincelada na boca e um retoque nos olhos, o espírito da senhora vacilou como a chama de uma lanterna. Assente a pincelada e feito o retoque, por um momento o pintor ficou extasiado perante a obra que completara; mas de seguida, enquanto ainda a estava contemplando, começou a tremer e pôs-se muito pálido, e

apavorado, gritando em voz alta ‘Isto é na verdade a própria vida!’, voltou-se de repente para contemplar a sua amada: – estava morta.

LIVROS ELETRÔNICOS por marilda confortin (11/2008)

 

 

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Nos últimos dias, andei assistindo palestras e debates sobre “Literatura e as novas mídias”. Os escritores que ouvi, Miguel Sanches Neto, Ricardo Corona, Luci Colin, José Castelo, Daniel Pelizari e João Paulo Cuenca, se dividem entre resistentes, desconfiados e entusiastas das novas mídias.

Eu que tenho um pé na tecnologia e outro na literatura, não me preocupo muito com o tipo da mídia, desde que a palavra continue cantada e decantada em verso e prosa para todo o sempre, amém. Estou adorando essa era multimídia.

Os radicais, afirmam que o livro de papel nunca vai acabar. Engraçado… tenho a leve impressão de ter conhecido alguém assim, quando escrevíamos nas paredes das cavernas. E acho que já li uma afirmação parecida com essa num rolo de papiro na biblioteca de Alexandria. Será que esses escritores ainda usam máquina de escrever para datilografar seus livros? Nada contra. Tem gente que gosta de sofrer.

Os desconfiados, dizem que na internet só tem porcaria e que só usam como fonte de pesquisa. Estranho…usam a internet para pesquisar porcaria? Lêem o que os outros escrevem, mas não permitem que ninguém pesquise seus textos? É, tem gente que acha que o papel garante a qualidade do conteúdo.

Um deles, disse que tem uma relação de fetiche com o livro de papel e por isso não acredita na evolução do livro eletrônico. Eu também pensava assim até que um dia fiz um pequeno teste: Coloquei sobre a mesa o livro “O senhor dos anéis” em papel e a lado dele, um desses aparelhinhos para leitura de livros eletrônicos com o mesmo livro carregado. Pedi para meus filhos escolherem. Deu a maior briga. Ambos queriam o ebook. Lembrei das inúmeras pessoas que procuram as bibliotecas públicas ou empresas que reciclam papel para doar bibliotecas inteiras de seus recém falecidos pais… ai meus queridos livros… nosso fim está próximo.

O livro impresso em papel tem menos de 500 anos. Não vai demorar mais que 30 pra mudar de recipiente outra vez. O mercado editorial está se mexendo, assim como aconteceu com o mercado da música, dos vídeos, da telefonia. E quem não se mexer, está com dias contados. As editoras e distribuidoras que não se espertarem vão falir, mas, os escritores e leitores sairão ganhando porque a tendência é que o acesso aos livros eletrônicos e bibliotecas digitais seja completamente patrocinado por grandes instituições, como já está acontecendo com blogs e sites culturais.

Empresas como Yahoo, Microsoft, Google, eBoockCult, Sony, Amazon, Panasonic entre outras,estão investindo pesado no mercado de livros eletrônicos. Além dos bons e não tão velhos PCs e Notebooks, vários dispositivos específicos para leitura de livros eletrônicos estão sendo desenvolvidos e aperfeiçoados. Alguns modelos já estão a venda com apelos significativos como por exemplo: Compre nosso eBook reader e ganhe 100 livros clássicos de graça; Compre um livro e ganhe U$ 50 para gastar com outros livros; Compre nosso eBook e nós lhe damos serviço gratuito de banda larga sem fio e daí pra fora.

Para quem ainda não leu nada sobre esse assunto, vou mostrar algumas imagens e características desses ainda misteriosos e recém-nascidos dispositivos para leitura de livros eletrônicos.

 

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Os eBook Readers pesam em média 250 gramas, medem aproximadamente 17 cm de altura e15 cm de largura (tamanho de um livro normal), são revestidos por uma capa que imita a capa dura de um livro clássico, a tela é de mais ou menos seis polegadas, feita com uma tecnologia que não cansa nem agride os olhos e só consome energia quando você vira a página. Não precisa desligar o equipamento. É só fechar e largar na cabeceira da cama ou dentro da bolsa como se faz com qualquer livro de papel. Em uso, a bateria dura em média 6 horas. Por enquanto, comportam apenas 50 a 500 livros e possuem vários botõezinhos que fazem coisas interessantes, mas os mais utilizados são mesmo os de virar as páginas, o do índice de livros e o de aumentar o tamanho da letra (para quem já tem vista curta como eu, é ótimo).

 

Para aqueles que gostam de dialogar com o livro de papel interrogando-o, torturando-o com riscos e anotações, os eBooks mais modernos possuem uma canetinha mágica que faz tudo isso sem danificar a página e ainda cria marcadores para retornar às anotações e links para aprofundar a leitura.

 

Para quem viaja muito e fica preso em aeroportos, avião ou ônibus é uma beleza.

 

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Imagine tirar férias e ir para a ilha do mel levando todos os seus livros preferidos? Ou ter que morar numa kitinete ou num quarto de hotel. Não seria bom ter uma imensa biblioteca na cabeceira da cama?

E como é que se carrega esse tal de eBook Reader? Com um cabo USB, igual ao que você usa para copiar arquivos para o pendrive ou descarregar a câmera fotográfica. E onde se compra o aparelho e os livros? Por enquanto, cada fabricante tem seu próprio modelo e sua própria editora. Você entra no site, compra o aparelho e os títulos, paga com cartão e baixa o livro como se fosse uma música, uma imagem ou um novo toque de celular. E o acervo? A Sony tem cerca de 20 mil títulos para venda e oferece mais de 100 gratuitamente. A Kindle anunciou que tem 90 mil títulos. O projeto Gutenberg oferece 20 mil livros eletrônicos de domínio público gratuitamente. Você também pode carregar seus próprios textos ou assinar os principais jornais e revistas. No Japão, já tem até um sebo virtual. E dá para emprestar livros também. Ele se auto apaga quando termina o prazo do empréstimo. E se cair, quebrar, molhar, estraga? Estraga. O livro de papel também estraga se molhar. O celular, a televisão, o notebook também. Mas o conteúdo do livro que você comprou, continua lá, no provedor para você fazer um novo donwload.

É claro que ainda tem muito pouco acervo traduzido para o português, que os dispositivos de leitura custam de 350 a 500 dólares, que os títulos custam de um a quinze dólares, que a indústria do papel vai resistir bravamente e que os escritores estão morrendo de medo do plágio e da pirataria. Mas, a revolução do livro eletrônico está só engatinhando. Tem menos de 10 anos de existência. Antes da metade desse século essa tecnologia estará mais segura, confortável e acessível até para nós, brasileiros. Tem quem aposte que o papel eletrônico ainda vai salvar a floresta Amazônica.

Cansado de ler esse artigo? Que tal pegar seu eBook e se distrair com um jogo ou um filme? Ou rever as fotos da família? Ou colocá-lo embaixo do travesseiro e dormir ouvindo uma música bem relaxante?

Se a evolução dos livros de papel para eBooks é uma coisa boa ou ruim, eu ainda não sei. O que sei é que quem gosta mesmo de ler, vai continuar lendo e escrevendo em qualquer dispositivo, em qualquer lugar, em qualquer tempo.

 

 

*marilda confortin é analista de sistemas.

11/2008.

 

A MÁSCARA DO MAL poema de bertolt brecht

Em minha parede há uma escultura de madeira japonesa
Máscara de um demônio mau, coberta de esmalte dourado.
Compreensivo observo
As veias dilatadas da fronte, indicando
Como é cansativo ser mal

JAZZ no WONKA BAR hoje (19/03)

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“Wonka Jazz Project”

A melhor jam session de Curitiba do tradicional ao fusion, com Helinho Brandão saxofone . Fernando Rivabem bateria . JBoldrini baixo acustico . Jeff Sabbag piano.

Entrada R$8

PORQUE NÃO CRONICO crônica de hamilton alves

 

 

 

 

 

 

 

 

                                      Um amigo me encontrou há dias por acaso numa das ruas do centro da cidade. Acostumado de velha data a ver meu nome encabeçando uma crônica nos jornais me perguntou de saída:

                                      – Não tens escrito mais?

                                      – Escrever sempre escrevo; não posso passar sem isso.

                                      – E por que não publicas o que escreves?

                                      – Estou provisoriamente sem jornal.

                                      Aí se referiu a um punhado de cronistas conhecidos, que sempre integraram a galeria dos grandes nomes, que formam em inúmeras antologias,  que, hoje, ainda, são lembrados com saudades.

                                      – Volta a escrever, volta a escrever! – repetiu de certo modo enfático.

                                      Há leitores que de algum modo apreciam minhas ladainhas.

                                      Esse é um deles ou um dos raros freqüentadores de crônicas escritas por mim.

                                      Na verdade, não é que não tenha (ou me falte) jornal. O caso é diferente.  Ao último que me convocou para cronicar impus condições (que não vou dizer quais foram). A editora, velha amiga, não as aceitou, alegando que o jornal não as acolhia por causa de sua linha programática. Tinha que dançar conforme a música estabelecida pelo editor-chefe. Aceitou uma, mas recusou outra. E, por fim, lhe disse:     

                                      – Então, de hoje em diante, não mando mais a crônica.

                                      E assim estamos acertados até hoje,

                                      Disse-me uma série de desaforos, um dos quais foi que eu estava bom mesmo é para voltar a morar nas cavernas, como os homens da pré-história.

                                      Tudo se resumia a uma pequena exigência, que não mudaria em nada a feição do jornal para o qual colaborara já com três ou quatro crônicas. Uma exigência não foi aceita, o dono do jornal sabe o que quer. E por isso achei por bem de pedir meu boné. Ele tem seus direitos, tenho os meus.

                                      Lá estão figurando alguns cronistas que evidentemente não leio nem sei quem são. Nem muito menos quero saber.

                                      Por último, escrevia crônica para um “blog” (volto a outro “blog”, do J. B. Vidal – palavreiros da hora) – que, como se diz, é o último refúgio de um cronista lançado às traças. Ou que a elas se lançou.

                                      Na hora atual é difícil pintar uma crônica dentro da linha clássica conhecida. Ou seja, elaborada com todo os temperos, condimentos ou dentro do melhor figurino, como sabiam fazer os cronistas da velha guarda (daqui e d,além mar).  Cito de passagem um desses, nosso velho cronista ilhéu, Barreiros Filho, um craque no gênero – para não mencionar outros de igual estirpe. Todos conhecem e sabem de quem falo.

                                      Abrem-se os jornais e o que se vê? Ou o que se lê? Tanto em âmbito regional quanto nacional?

                                      O grande time sumiu de campo.

                                      Não há mais ninguém que cultive o belo dom de compor uma crônica no velho e inimitável estilo.

 

 

(março/09)

 

 

 

                                              

RUMOREJANDO (PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.) por josé zokner (juca)

 

Constatação I (Dúvida crucial).

Como é que o estudante que dá, nos calouros, um trote selvagem passou no vestibular já que ele é um perfeito ou imperfeito idiota? Quem souber a resposta, por favor, correio eletrônico para Rumorejando.

Constatação II (Dúvida crucial via pseudo-haicai).

Exemplo de cortina de fumaça

É o cara dissimular que tá no fogo

Por ter tomado muita cachaça?

Constatação III (Dúvida crucial via pseudo-haicai).

É muito desumano

Não importa quem

Entrar pelo cano?

Constatação IV (Dúvida crucial via pseudo-haicai).

É inócuo tentar

A burrice

Otimizar?

Constatação V

A cinquentona*

Na cama virava

Uma irrequieta criança.

Ficava brincalhona

E até se comportava

Com destemperança

*Sem trema, já com a nova ortografia.

Constatação VI (Teoria da Relatividade para principiantes).

É muito melhor, meu caro, ir pro motel no carro da gata do que no carro de um taxista já que sai caro. Dependendo do caso a gata também pode acabar saindo mais caro do que muito carro…

Constatação VII (“Poesia” zoológica).

A caravana seguia

Pelo causticante deserto

No alto, como guia,

Um sol no céu aberto

Os homens e os camelos

Iam calados,

Estes com os pêlos

Que pareciam terciopelos;

Aqueles, ensimesmados.

Pareciam tristes

Mesmo se num oásis parassem

E contassem

Alguns chistes.

Apenas um camelo

Parecia

Ir com desvelo.

Ele sabia

Que a namorada,

Que ele chamava

De Dona Maria,

O esperava

E mergulhado

No seu pensamento

No seu amor devotado

E no compromisso

De um próximo casamento,

Já autorizado pelos pais,

Quase deu uma topada

E também por isso

Ele, ao contrário dos demais,

No coração uma melodia,

Ele sorria

O sorriso da alegria.

Constatação VIII

Não causou perplexidade

A inércia dos governantes

Por sua falta de vontade.

Todos, depois de eleitos,

Com aqueles defeitos

Inclusive pedantes.

Constatação IX (Dúvida crucial. Quem souber, por favor, cartas por correio eletrônico. Obrigado).

O radio ouvinte

E o telespectador

Ouvem propaganda,

Durante a programação

Às vezes vinte

Na maioria balela,

Anda que anda,

Tipo novela

Esta e, às vezes àquela,

Com sofrimento e dor

Até a exaustão.

Esse elo

De ligação

Será flagelo?

Constatação X (Ecos do carnaval que passou).

Resolutamente,

A viúva

Saiu disfarçadamente

E mesmo na chuva

Foi pular o carnaval

Fantasiada

De marsupial

Tão-somente.

Descoitada!

Constatação XI

E como elucubrava aquele sujeito amante do futebol e do carnaval, teorizando: “O carnaval, o futebol e a cerveja sempre ou quase sempre caminham juntos e, indubitavelmente, é uma trinca que faz sucesso. Pelo menos numa excelente combinação de dois a dois. Normalmente, a cerveja participa mais que a outra dupla. Afinal, não é em todo lugar que tem jogo no carnaval. Tenho brasileiramente dito!”

Constatação XII

O nado do alóptero*

Parecia um helicóptero

Ou invés

Do revés?

*Alóptero = que não possui as nadadeiras em posição fixa (diz-se de peixe) (Houaiss).

Constatação XIII

E como dizia aquele herege: “Quem peca vai para o inferno; quem não, vive num”.

Constatação XIV

E como dizia aquele policial: “Perseguir uma idéia é muito mais fácil do que perseguir um facínora”.

Constatação XV (De cenas domiciliares).

O cão,

Sonolento,

Rosnava

De modo insano,

Molestando,

Incomodando

O bichano,

Pachorrento,

Que ronronava

Sob o fogão.

Constatação XVI

Chorava a carpideira,

Derramando tantas lágrimas

Que até parecia uma torneira.

Constatação XVII

Um segredo, na memória, eu lacro,

Mas tem gente que usa de engodo.

De longe, dá pra ver que é simulacro.

Constatação XVIII

“É tão suave a noite”,

Dizia o masoquista,

“Quando ela brande o açoite”.

Constatação XIX

O brilhantismo,

A intensidade do orgasmo

Parecia um paroxismo?

Constatação XX

Sirigaita é o siri que toca acordeom?

Constatação XXI (Ah, esse nosso vernáculo).

Ela por ter soltado a franga no carnaval, cozinhou o galo pra cozinhar a galinha?

Constatação XXII (Dúvida crucial).

Não tem solução é uma frase que somente denota pessimismo ou ela pode ser otimista?

Constatação XXIII

Triângulo escaleno amoroso é quando João ama Maria que ama Pedro que, por sua vez tá de olho no João?

Constatação XXIV

E como concluía o septuagenário: “Broxar é um imoralismo trágico”.

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br

 

STALINGRADO CORAÇÃO por bárbara lia

 

 

 

Stalingrado coração – sangue e amputações. Cercas de arame com soldados estirados e fuzis cravados ao lado como cruz-metade. Stalingrado coração, esqueletos de casas, nenhuma flor na paisagem, botas rangendo a neve vermelha, silvos, bombardeios, doces lágrimas de adeus. Stalingrado coração, nenhuma alegoria, nada na mesa, nenhum vinho para coroar a noite de amantes, não há amantes. Stalingrado coração repleto de lenços brancos de despedida, repleto de fardas enlameadas, repleto de ausências que ardem em olhos azuis de meninos russos, repletos de saudades lambendo a noite, que não cessa, nem quando o dia arde na neve, que vai ser vermelha, sempre vermelha. Mais uma batalha, mais uma batalha, mais uma batalha, mais um amor que chega para abalar os alicerces, demolir a casa, atirar fogo aos navios, amputar as pernas, tocar uma melodia de canhões, de fuzis engalanados com uma cor vermelha, suástica canina. Esta imortal sanha de nazi, solidão nazista que me segue. Stalingrado coração resiste, para que a solidão não destrua a barreira última e se instale. Solidão vencida, que alguém me conquiste, que este alguém me conquiste, decepe a sede, arranque os alarmes, remova todos os cadáveres, remova a neve devolva vida aos ossos congelados. Stalingrado coração metralhado, rubro, sangra e resiste, e resiste e se prepara, para mais uma batalha, mais uma batalha…

 

 

VÉSPERA poema de manoel de andrade

 

 

 

Quatorze de março

mil novecentos e sessenta e nove.

É preciso…

é imprescindível denunciar o compasso ameaçador destas horas,

descrever esta porta estreita que atravesso,

esta noite que me escorre numa ampulheta de pressentimentos.

 

Um desespero impessoal e sinistro paira sobre as horas…

O ano se curva sob um tempo que me esmaga

porque esmaga a pátria inteira…

 

Nossas canções silenciadas

nossos sonhos escondidos

nossas vidas patrulhadas

nossos punhos algemados

nossas almas devassadas.

 

Pelos ecos rastreados dos meus versos

chegam os  pretorianos  do regime.

Alguém já foi detido, interrogado,  ameaçado

e por isso é necessário antecipar a madrugada.

 

E eis porque esse canto já nasce amordaçado

porque surge no limiar do pânico.

Meu testemunho é hoje  um grito clandestino

meus versos não conhecem a luz da liberdade

nascem  iluminados pelo archote da esperança

para se esconderem na silenciosa penumbra das gavetas.

 

Escrevo numa página velada pelo tempo

e num distante amanhecer

é que o meu canto irá florescer.

                                                              

Escrevo num horizonte longínquo e libertário

e num tempo a ser anunciado pelo hino dos sobreviventes.

Escrevo para um dia em que os crimes destes anos puderem ser contados

para o dia em que o banco dos réus estiver ocupado pelos torturadores

 

Contudo, nesta hora, neste agora

o tempo se reparte pra quem parte

e um coração se parte nos corações que ficam…

O amanhecer caminha para desterrar os nossos gestos 

para separar  nossas  mãos  e  nossos olhos

e nesta eternidade para pressentir o que me espera

já não há mais tempo para dizer quanto quisera.

 

Tudo é uma amarga despedida nesta longa madrugada

e neste descompassado palpitar,

contemplo meus livros perfilados de tristeza

retratos silenciosos de tantas utopias,

bússolas, faróis, retalhos da beleza.

Aceno a Cervantes, a Lorca, a Maiakovski

mas só Whitman seguirá comigo

nas suas páginas de relva

e no seu canto democrático.

Contemplo ainda os pedaços do meu mundo

nos amigos do penúltimo momento

nas lágrimas de um benquerer

na infância de minha filha

e nesse beijo de adeus em sua inocência adormecida.

 

Nesta agonia…

neste abismo de incertezas…

abre-se o itinerário clandestino dos meus passos.

De todos os caminhos

resta-me uma rota de fuga, outras fronteiras e um destino.

Das trincheiras escavadas e dos meus sonhos,

restou uma bandeira escondida no sacrário da alma

e no coração…

um passaporte  chamado  liberdade.

 

                                           Curitiba, 14 de março de 1969

 

 

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O FATO e o ATO

 

O poema deixou gravada a ansiedade do autor na madrugada de sua fuga do Brasil, em 14 de março de 1969. É o testemunho angustiante de momentos marcados por pressentimentos e pânico. Fala da pátria esmagada pela repressão e pelo intenso patrulhamento político-ideológico que se instalou no país com o Ato Institucional nº. 5, imposto pela ditadura militar em dezembro de 1968. Fala de prisões e interrogatórios e de almas devassadas pela tortura.  Fala de suas canções amordaçadas e, contudo, canta profeticamente para um distante amanhecer em que sua poesia  irá florescer e por isso escreve para um dia em que tantos crimes poderiam ser contados, para  um tempo  anunciado  pelo hino dos sobreviventes. O poema é um doloroso gesto  de despedida  e, ao mesmo tempo,  iluminado pelo brilho da esperança. Dor e esperança ampliadas pela visão e memória dos seus livros perfilados na tristeza, dos amigos dos últimos momentos, nas lágrimas de um benquerer e no beijo de adeus em sua filhinha adormecida. O poeta antecipa poeticamente a madrugada e sai pela porta estreita da incerteza em busca de uma rota de fuga. Leva intactos seus sonhos, uma bandeira escondida na alma e no coração o passaporte da liberdade. Manoel de Andrade deixou o Brasil, alertado da sua prisão iminente pelo conteúdo do seu poema “Saudação a Che Guevara”, escrito em outubro de 1968, e panfletado em universidades e  sindicatos de Curitiba. O poeta deixava o país exatamente numa época em que sua poesia começava a ser conhecida nacionalmente, divulgada em grandes jornais e publicações como a Revista Civilização Brasileira. O poema Véspera consta de seu livro Poemas para a Liberdade, com quatro edições no exterior, em fase final de editoração pela Escrituras, e a ser lançado, em edição bilíngüe,  no próximo 15 de abril no  Espaço Cultural Alberto Massuda, em Curitiba.

 

 

 

Poeta paranaense José Gaspar Chemin lança tetralogia na Livraria Arte & Letra

O poeta paranaense José Gaspar Chemin lança, no dia 19 de março, às 19 horas, na Livraria Arte & Letra (anexa ao Lucca Cafés Especiais, no Batel) sua tetralogia, que reúne o melhor de sua vasta produção em verso.

 

Acumulados ao longo de mais de quatro décadas – desde que Chemin adotou a prática diária das chamadas “poedras”, poemas escritos em pequenas pedras, com pincel e tinta – os poemas, haicais e trocadilhos foram compilados em quatro volumes temáticos, que agora chegam às mãos dos leitores.

 

Em Quando Amo Versos Tramo, foram reunidos poemas cuja força-motriz é a mesma que levou o poeta a idealizar as “poedras”: o amor. Foi muito apaixonado que, em 1976, Chemin fez das pedras papel pela primeira vez. “Costumo dizer que a poesia vazou de mim para as pedras”, relembra o escritor, hoje com 66 anos.

 

A natureza e as paisagens dos Campos Gerais – região oeste do Paraná, onde é facilmente encontrada a Araucária, árvore-símbolo do estado – é o mote dos poemas reunidos em Tente Ver Vertentes. Os campos limpos, matas de galeria e cachoeiras da região vêm servindo de inspiração para Chemin desde os anos 1960, ocasião em que sua família deixou sua terra natal, Imbituva e passou a residir em Ponta Grossa.

 

Poemínimos Sentimáximos apresenta uma seleção de poemas em que o autor faz ode a sua vasta coleção de referências ideológicas, políticas e literárias – de Rousseau a Carlos Castaneda. Tais conhecimentos deram origem a uma filosofia de vida particular, aqui revelada em versos incisivos.

 

Por fim, o resultado da soma entre poder de síntese, observação, senso de humor e criatividade é a origem de Irreverência ou Morte!, que apresenta uma seleção dos melhores trocadilhos já inventados pela inquieta mente de Chemin.

 

Publicados e distribuídos de forma independente, os exemplares de Quando Amo Versos Tramo, Tentes Ver Vertentes, Poemínimos Sentimáximos e Irreverência ou Morte!, poderão ser adquiridos, a partir de XX de março, nas seguintes livrarias da capital paranaense: Livraria Arte & Letra, anexa ao Lucca Cafés Especiais (R. Pres. Taunay, 40 – Batel), Livrarias Curitiba ; Livraria Solar do Rosário (R. Duque de Caxias, 04)

Em breve, serão anunciadas as datas de lançamento dos livros nas cidades de São Paulo e Brasília. 

 

Sobre o autor: JOSÉ GASPAR CHEMIN nasceu no distrito de Apiaba, Município de Imbituva, Paraná, em 19 de junho de 1942. Escritor antes de leitor, sua primeira obra não-publicada foi o Domingário – diário em que narrava aventuras juvenis de seus dias de folga do trabalho. Aos 34 anos idealiza o uso da pedra como suporte para sua poesia, criando assim a “poedra” – exercício de síntese da palavra, que ele pratica incansavelmente até os dias de hoje. Ao longo dos anos, suas pedras – nunca comercializadas, sempre doadas – espalharam-se pelo mundo, o que o tornou conhecido como “o poeta das pedras”.  

 

Serviço:

Lançamento e noite de autógrafos dos livros Quando Amo Versos Tramo, Tentes Ver Vertentes, Poemínimos Sentimáximos e Irreverência ou Morte!, de José Gaspar Chemin. Dia 19 de março, às 19 horas. Livraria Arte & Letra, anexa ao Lucca Cafés Especiais (R. Pres. Taunay, 40 – Batel), (41) 3039-6895.  

 

SIMONE CARVALHO E VANESSA MUNHOZ ASSESSORIA DE IMPRENSA.

A INTUIÇÃO e a INSPIRAÇÃO por ademário da silva

 

 

A intuição é o atributo do espírito, enquanto potencial adquirido ao longo das experiências milenares realizadas nas mais variadas dimensões existenciais. É o que permite essa troca de impressões, informações e práticas singulares, no cotidiano das relações imortais, que não acontecem apenas na faixa das percepções mediúnicas, mas, se manifesta também enquanto “voz da consciência”, no campo das nossas preocupações espirituais.

 

A intuição é o resultado das nossas aquisições sensitivas, que pode e é perfeitamente utilizada por nossos protetores e amigos espirituais, no prisma de relações fraternas que a interação existencial nos permite, segundo a faixa das nossas próprias vibrações morais. O que nos põe em alerta quanto aos cuidados com os nossos próprios pensamentos. Então o que inadvertidamente classificamos de “presença de espírito” em circunstâncias significativas da nossa vida, são na verdade o resultado dessas trocas mentais realizadas por nós, mesmo inconscientemente.

 

Trocas mentais neste caso significa visitas instantâneas (insights) nos escaninhos mais profundos da consciência, numa velocidade imperceptível aos sensores físicos, por isso não há registro consignado de ida e volta, do tipo viagem ao litoral e volta programada.

 

Não podemos e nem devemos confundir intuição com inspiração. São dois fenômenos distintos entre si. Como toda modalidade mediúnica tem por base a telepatia, enquanto recurso de comunicação, nos fenômenos de intuição e inspiração o pensamento também é o veículo principal de acesso as informações colhidas em âmbito mediúnico e anímico.

 

Na inspiração a moldura mediúnica está na razão de que o pensamento não nos pertence. E para reconhecer essa condição basta verificarmos e analisar nosso modo de pensar diário, vocabulário, modo de expressão mental, maior ou menor capacidade de exposição redativa, estilo de enfoque e de enquadramento da exposição oral ou escrita e assim por diante… Na verdade a fonte de inspiração é o éter universal, que se encontra permanentemente impregnado dos pensamentos dos espíritos superiores e também dos inferiores. O que se nos exige cuidado com as próprias vibrações e emanações mentais. A Doutrina Espírita afirma que o espírito sopra onde, e como toda ação gera uma reação, ele também recolhe onde quer. Ou seja, onde está seu coração, aí está o seu tesouro, nas vias saudáveis ou insalubres da afinidade.

 

A intuição se configura qual talento adquirido nos véus dos tempos vividos. De conformidade com a capacidade que se alcança de emancipação da própria alma, mais facilidade se encontra pra recolher da própria palma, pedras polidas ou puídas, preciosas ou enganosas no garimpo nas jazidas interiores, que cada um de nós carrega no torço da própria responsabilidade espiritual.

 

Em ambos os casos a mediunidade enquanto alça da caridade universal tem peso específico e distinto. Na inspiração a afinidade moral como que determina a subjetividade das relações do médium com os espíritos, dificultando inclusive o discernimento sobre o que pertence a cada um. Na intuição a ação dos desencarnados se limita a circunstâncias e injunções momentâneas, por quanto o ser encarnado mesmo sendo médium tem maior liberdade de escanear a memória de experiências já vividas por ele, em tempos, condições, culturas, religiões e países e idiomas os mais diversos, como que criando imagens e ambiências que facilitem ao intuitivo, encontrar o objeto de suas buscas.

 

Inspirar-se é buscar em referências externas, os exemplos, os ensinos e ajudas que componham um conjunto de recursos de ajuda, explicações, orientações e instruções que configurem caridade, fraternidade e solidariedade no colo do tempo e nos braços do amor universal.

Intuir-se é provar por instantes o sal dos mares navegados e temperar com sabor antigo o alimento atualizado. De tal modo que o designer da experiência não desminta o valor da convivência.

 

No livro dos Médiuns, Kardec nos demonstra com sua peculiaridade pedagógica, os riscos e escolhos da mediunidade e no Evangelho espíritos maiores se nos instruem quanto ao mal e o remédio. Esses dois pontos, científico e filosófico são os caminhos da oração e da vigília.

 

Desde que não mais se acredite que o silêncio (humano) seja prece, por que o pensamento em nosso interior efervesce, o equilíbrio que é esperado estremece e o médium inspirado envaidece, pondo em risco toda benesse, é neste momento que a humildade a gente esquece.

 

Inspiração é opção que afinidade e a conduta oferecem, requerendo responsabilidade e preces.

Intuição é atitude sensitiva, leitura dinâmica de antigas missivas, que exige interpretação lúcida e transparente, tendo a simplicidade qual lâmina damocliniana na pauta de responsabilidades imortais.

MUSEU DE HOLOGRAFIA por flávio calazans


 

                                         

           

            Dia 11 de julho de 1995, terça-feira, Paris amanheceu ensolarada e feliz.

            Em uma caminhada sem destino pelas ruas da Cidade-Luz, bebericando nos cafés, visitando as livrarias, cheguei à uma praça arborizada e aprazível, que impressiona pelo edifício em cuja entrada empilham-se como que dançando letras gigantescas coloridas, as Vogais com as cores alquímicas atribuídas pelo poeta Arthur Rimbaud ( para quem, na Alquimia do Verbo, “O Poeta se faz vidente por meio de um longo, intenso e racional dersregramento de todos os sentidos”) , é  o “Forum des Halles-Grand Balcon” , dentro deste prédio encontrei o Museu da Holografia, aberto de segunda a sábado das 10 às 19 horas.

            A holografia é um processo de registro de dados ou gravação de imagens em uma matriz tridimensional que emprega o cruzamento de raios LASER e uma placa sensibilizada.

            A holoarte mantida neste museu é típica “obra de arte na era da reprodutibilidade técnica” como dizia Benjamim, brinda o fruidor com um tipo diferente de sentimento estético, diferente da pintura e da escultura, diferente da videoarte, é uma forma de expressão plástica pouco estudada e menos explorada pelos artistas e até mesmo ignorada pelos críticos de arte tradicionais.

Os hologramas coloridos impressionam pela qualidade e tridimensionalidade, não vou tentar descrever em palavras o indescritível, faltam conceitos verbais para tanto, a Holoarte transcende as palavras, é poesia e escultura em luz, eixos X. Y e Z da tridimensionalidade.

O Processo da Holografia e seu produto final- Holograma, foram criados por Dennis Gabor em 1947, valendo-lhe o Prêmio Nobel de Física pela criação deste novo gênero de imagens técnicas, uma nova tecnologia de registro de dados em suporte luz, empregando a luz condensada do raio Laser.

Lloyd Cross desenvolveu o holograma composto, ou holograma cinético, gerando uma segunda geração de imagens, agora com movimento, superando em muito o “trompe d’oeil” da perspectiva renascentista, imegens pós-fotográficas.

Segundo p Ph.D. David Bohn (Inglaterra) e o Ph.D. Carl Priban (USA), o novo paradigma holográfico propicia uma ruptura epistemológica com consequências imprevisíveis no estudo do pensamento visual, ambos aplicam os conceitos de Jung de sincronicidade aos hologramas.

A estas pesquisas de ponta acrescentam-se as considerações do artista plástico brasileiro Eduardo Kac, com sua Holografia Digital, empregando a computação gráfica para uma intersemiose das imagens virtuais, sintéticas, com modelos biológicos, analogias entre a Geometria fractal de Mandelbrot da IBM (Auto-similaridade de cada parte com o todo nela contido do holograma e dos fractais) com paradigmas como a Morfogêneses de Kawagushi no Japão.

Peças de Holoarte do artista australiano Alexander chegam a alcançar preço de mercado de 20 mil dólares, sendo o custo unitário de produção técnica em cerca de um dólar de despesas .

A holoarte, se insipiente no final do Século XX, pode estabelecer-se como signagem-linguagem plástica na era das tecnologias da luz, fibras opticas e CDRoms do Século XXI.

Vale a pena visitar este Museu indescritível e também o prédio de cristal que abriga a exposição de Holografias do Futuroscope em Poitiers.

Estranho que tão pouca gente o inclua nos roteiros turísticos, e tao poucos o visitem…

 

O MAR: ENTECRIÔNICO poema de jairo pereira

 

 

 

 

um mar presidir o encontro dos espírithos

o mar levantado em azul frente aos corpos-micros

o mar com seus palimpsestos papiros

tábuas inscrições céleres nas águas

o mar com sua vastíssima erudição

o mar versado em miles de artes disciplinas

o mar autoritário artífice de pródigas criações

o mar com sua língua superafiada

em consturas intransigentes

o mar uma língua-ciência maior

q. o mundo azul do mar

o mar levantado em azulmar sob azul cerúleo

o mar hipertrançado de destinos

o mar como uma colcha transfulgente

no espaço térreo

cosmogônica composição animovente

o mar Senhor dos signos-búzios

atirados à praia

o mar criônico-ente na escuridão estelar.

 

 

SOBRE A MENTIRA por ballone g j (psiquiatra)


 

 

 

A Mentira
A mentira não deve ser entendida como uma espécie de contrário da verdade. Ética e moralmente a mentira está muito mais relacionada à intenção de enganar do que ao teor de deturpação da verdade e, juridicamente, a mentira está relacionada ao dolo ou prejuízo que causa a outra pessoa.

A mentira não é apenas invenção deliberada, uma ficção, pois nem toda ficção ou fábula é sinônimo de mentira. Não pode ser mentira a literatura, a arte ou mesmo a demência (sintoma da confabulação). A intencionalidade é que define a mentira, estabelece o dano ou dolo.

Assim sendo, não mente quem acredita naquilo que diz, mesmo que isto seja falso. Santo Agostinho declara que “Quem enuncia um fato que lhe parece digno de crença ou acerca do qual forma opinião de que é verdadeiro, não mente, mesmo que o fato seja falso”.

Considerarmos todas as formas de mentira, desde a mentira convencional de dizer Bom Dia às pessoas sem que, necessariamente, ansiamos para que ela tenha realmente um bom dia, passando pela mentira humanitária de consolar o moribundo, pela mentira carinhosa de achar que aquele vestido ficou muito bem na pessoa amada, o Papai Noel, ou a mentira por omissão, seja ela médica, política ou policial, enfim, todas essas maneiras de dissimular a verdade, entendemos melhor as pesquisas que mostram a mentira presente em todas as pessoas.

Mas, é o propósito com que falamos alguma coisa que definirá a mentira. Mentir seria dirigir a outro um enunciado falso, cujo mentiroso sabe conscientemente dessa falsidade, e o faz com objetivo de enganar, de levar esse outro a crer naquilo que é dito, dando a entender que diz a verdade.

Como dissemos, para mentir o que conta é a intenção e, voltando a Santo Agostinho, “não há mentira, apesar do que se diz, sem intenção, desejo ou vontade de enganar”. É a intenção que define se o que foi dito, verdadeiro ou falso, teve ou não o propósito de enganar. Aliás, excluindo-se o aspecto intencional de enganar que caracteriza a mentira, é mesmo muito difícil argüir se uma verdade é mais ou menos verdadeira, de forma a aceitarmos com facilidade a expressão “a verdade de cada um”. Isso é bem comentado quando estudamos as maneiras pessoais de representar a realidade, quando vimos o termo procepção.

Muitas vezes levadas pela insegurança de ser aceitas tal como são, as pessoas podem cair na tentação de enriquecer suas histórias e enaltecer suas habilidades de forma a causar uma impressão mais favorável em outras pessoas.

É assim, por exemplo, que um ladrão atribui-se mais roubos do que realmente tenha cometido para melhorar sua imagem diante dos companheiros de cadeia, ou o jovem que se vangloria de proezas sexuais muito além do que tenha feito, superando a insegurança de sentir-se pouco viril, ou a mãe que aumenta um pouco o desempenho escolar de seu filho, compensando assim o sentimento de inferioridade diante de outras mães satisfeitas com o rendimento dos filhos delas…

Além de atender diretamente as aspirações próprias, a mentira satisfaz também interesses de maneira indireta. É o caso, por exemplo, dos falsos rumores que diminuem, comprometem, execram pessoas que, de uma forma ou outra, nos ameaçam (às vezes ameaçam apenas nosso bem estar emocional). Mentir é um recurso fácil de se recorrer, sem necessidade de se passar por esforços ou penúrias, ainda que haja o permanente risco de ser descoberto.

O Mentiroso
Aprendemos desde cedo as vantagens da mentira. Ainda crianças aprendemos a dizer que a mãe não está em casa, quando ela quer evitar atender ao telefone. Cedo aprendemos os benefícios de um atestado médico forjado para comodidade de poder faltar às aulas de ginástica, e assim por diante. Ah! Não esquecendo das mentiras a que se obrigam os netos, quando os avós perguntam de quais avós gostam mais…

Mas o mentiroso também passa por dificuldades, e quanto mais cai na tentação de mentir, tanto mais difícil vai ficado controlar a abundante base de dados das versões de suas mentiras, mais difícil vai ficando garantir a coerência de suas estórias, mais necessidade de novas mentiras para encobrir as antigas…. a farsa cresce em progressão geométrica.

Não é possível para a psiquiatria estabelecer o estereótipo do mentiroso; cada caso é um caso. A maioria das pessoas se encaixa nos mentirosos fisiológicos, e a mais fisiológica das mentiras são os falsos elogios – “ora, você está sempre igual,  parece não envelhecer…”. Esses mentirosos fisiológicos se servem das mentiras também para a elaboração das mais esfarrapadas desculpas – “não pude comparecer ao enterro porque uma tia minha teve que ser internada…” E o interessante é que o outro, igualmente mentiroso fisiológico, também mente, fingindo acreditar.

Diante dessa freqüência fisiologicamente humana há, naturalmente, uma tendência em banalizar a mentira, ou inocentemente classificar nossa mentirazinha cotidiana como sendo do tipo positiva, aquela que além de não prejudicar pode até ajudar pessoas (…o senhor me parece mais saudável hoje do que ontem… conheci seu filho, um jovem magnífico…), ou mentira negativa, aquela que prejudica.

Enfim, a mentira fisiológica pode até facilitar a integração social, e de tal forma que as pessoas com inata dificuldade para essas mentirinhas corriqueiras são tidas como ingênuas, socialmente pouco habilidosas, falta-lhes jeito ou, como se diz espertamente, não têm “jogo de cintura”.

Uma das razões interiores mais comuns para mentir é a insegurança ou baixa auto-estima. Como dissemos, a mentira passa ao outro uma imagem de nós próprios muito melhor do que de fato acreditamos ser. Mente-se também por razões externas, de acordo com as  pressões para sucesso na vida em sociedade, por razões políticas ou até econômicas, quando o prejudicado for o fisco.  

Finalmente há mentiras por razões patológicas, desde aquelas determinadas por uma personalidade problemática, até as outras, produzidas por neuroses francamente histriônicas, como é a Síndrome de Münchhausen e de Ganser.

Mentirosos contumazes, de dinâmica psíquica rica em conflitos e complexos, que representam personagens tal como fazem os atores, e refletem aquilo que gostariam de ser. Ao  perderem o controle  sobre o impulso de mentir o personagem criado suplanta o ego e a personalidade toda é tomada por um falso e inaltêntico ego.

PASSARINHO poema de joão batista do lago

 

 

Voas sobre mim

Aquém do tempo

Além do espaço

 

Voas sobre sonhos

Aquém das ilusões

Além do desejo

 

Em tuas asas de prata

Brilham meus sonhos:

Quimera de solidão

 

Em tuas asas de bronze

Reluzem meus desejos:

Utopia da visão

 

Em tuas asas de ferro

Cintilam meus devaneios:

Realidade e paixão

 

Dão-me as tuas asas?

Quero voá-las!

 

Ser real na ilusão dos meus desejos

Brilhante nos sonhos da minha solidão

Eterno na utopia da minha visão

 

Dão-me as tuas asas!

Saberei voá-las?

ILUSÕES DO AMANHÃ poema de alexandre lemos (aluno da APAE)

 ‘Por que eu vivo procurando um motivo de viver, se a vida às vezes parece de mim esquecer? 

Procuro em todas, mas todas não são você.

Eu quero apenas viver, se não for para mim que seja pra você .

Mas às vezes você parece me ignorar, sem nem ao menos me olhar, me machucando pra valer. 

Atrás dos meus sonhos eu vou correr. 
 
Eu vou me achar pra mais tarde em você me perder.

Se a vida dá presente pra cada um, o meu, cadê? 

Será que esse mundo tem jeito? Esse mundo cheio de preconceito. 

Quando estou só, preso na minha solidão, juntando pedaços de mim que caíam ao chão, juro que às vezes nem ao menos sei, quem sou. 

Talvez eu seja um tolo, que acredita num sonho. 

Na procura de te esquecer, eu fiz brotar a flor. 

Para carregar junto ao peito, e crer que esse mundo ainda tem jeito. 

E como príncipe sonhador… 

Sou um tolo que acredita, ainda, no amor.’ 

PRÍNCIPE POETA (Alexandre Lemos – APAE) 
Este poema foi  escrito  por  um  aluno  da  APAE, chamado, pela sociedade,de excepcional. 
Excepcional é a sua sensibilidade! 

Ele tem 28 anos, com idade mental de 15 e peço que divulguem  para prestigiá-lo. Se uma pessoa assim acredita tanto, porque as que se dizem normais não acreditam?

“LIMITE” poema de bárbara carvalho


 

No primeiro dia, a morte me rondava.

Não havia cor no céu, nem luz.

Não podia ouvir qualquer som,

além do abafado pranto em meu peito

teimando por sair.

 

No momento segundo, tomei-me de todos os objetos

que me te traziam à lembrança

e os fechei em uma caixa.

Fixei-a em terra, para que somente eu pudesse levá-la e

deixei a chave esquecida em um canto conhecido apenas por mim.

 

No momento seguinte, busquei arrancar da alma e do peito

as memórias boas e más, o que fora desbravado e o que fora escondido

– bem mais, ainda, da tua invasão avassaladora – 

– bem mais, ainda, de ti, inteiro.

 

Arranquei de mim os dias e as noites de amor e os de desespero,

as marcas de todo o prazer e de toda a dor.

Desprendeu-se tua voz da minha memória,

teus escritos afastei dos meus olhos

e tua essência tirei do meu coração.

ONDE TÁ TU VIDAL? por cleto de assis

 

 

Palavras, Todas Palavras
congelou na Internet.
Se Vidal fosse budista
Estaria no Tibet.

Nem está mestre Vidal
(como budista não é)
lá pras bandas do Nepal.
Ou voltou para Bagé?

Ficou no meio da rota
no Desterro feito ilha
descalçou a sua bota
e abandonou a filha.

Sob chuva em abundância
por muitos dias e meses
tentou erguer nova estância
lá na Praia dos Ingleses.

Das Palavras o palrador
esqueceu completamente
nem abriu computador
pra mandar e-mail pra gente.

 

Sua filha eletrônica
tristinha e abandonada
nem poesia e nem crônica
publica mais a coitada.

Proponho aos caros amigos
e às amigas também
vivermos de comentários
enquanto Vidal não vem.

Um dia, tenho certeza
voltará o bom gaúcho
com farto vinho à mesa
e muita ostra no bucho.

Parece estar bem patente:
devido ao seu sibarismo
Vidal, momentaneamente,
condenou-se ao ostracismo…

Nós, aqui ao desamparo
sem saber fazer o quê
beberemos vinho amaro
E o Vidal, J.B…

Esperamos que essa féria
Nem forçada ou concedida
Não nos deixe na miséria
De ver Palavras perdida.

Volte, Vidal, à querência
da palavra e da poesia.
Ponha a mão na consciência
E deixe a ostracologia…

 

SALVE, SALVE!!! ESTAMOS VOLTANDO!! pela editoria

SALVE, SALVE !! 

 

estamos voltando depois de algum tempo envolvidos em uma reforma (grrrrrrrr) residencial em razão de mudança de “trincheira”.

 VOCÊS SÃO MARAVILHOSOS!!!! colaboradores e leitores !  pois que o último post foi em 08/12/08 há 90 dias atrás !! VOCÊS MANTIVERAM O SITE ATIVO!!! por todo esse tempo! quanto o site perdeu de leitores? NENHUM!!! a média que era de 1.300 acessos dia, após esse período longo, sem postagens, está em 1.200 (dia)!!!!

a que se deve tal força de sobrevivência?

sem dúvida alguma ao alto nível das matérias publicadas pela EQUIPE PALAVREIROS DA HORA – poesias – contos – artigos – crônicas – ensaios, que, quem não conhece pode vê-los na página GALERIA DOS PALAVREIROS, acima.

OS COLABORADORES, bem, esses, o que dizer? além de suas matérias de alta qualidade, publicadas, são os motores de divulgação deste espaço para uma rede de leitores, também, de altíssimo nível como se pode ver nos comentários, com exceção de alguns “desocupados mentais”.

 

obrigado. muito obrigado.

 

o site está voltando com toda vitalidade agregado, agora, pelo clima de grandes energias da “nova trincheira”!!

 

grande abraço a todos,

 

JB VIDAL

editor

 

praia-dos-ingleses-12                  foto aérea da “nova trincheira”