Arquivos Diários: 9 novembro, 2009

“HONORÁVEIS BANDIDOS” do jornalista palmério dória, JÁ está nas livrarias do país / belém.pa

a saga do senador da república brasileira e presidente do senado federal, JOSÉ SARNEY, contada pelo jornalista PALMÉRIO DÓRIA, já se encontra nas livrarias do país. um trabalho de longa pesquisa que vem confirmar tudo aquilo que sabemos e que nada fazemos. “tudo isso acontecendo e eu aqui dando milho aos pombos” (RAUL SEIXAS).

sarney

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CRONTOS ou CÔNICAS por omar de la roca / são paulo

 

Atravessei a miniatura da Via Lactea, riscada de estrelas multicores esperando que uma delas passasse de raspão e levasse com ela esta dor de cabeça imensa.Fui garimpar um pouco de energia com o Pedreira.Aprendi que amigos são para isso mesmo.Um dia a gente apóia e em outro nos apoiamos.As pedras coloridas e a conversa me aliviam.Mas a dor esta forte e não consigo participar direito.Preciso pedir desculpas da próxima vez.Momentos preciosos de amizade não podem ser desperdiçados.Mas a cabeça lateja e lateja.Começou assim : Sai do prédio gelado e vazio,como um grande tumulo congelado.Fui andar ao sol.O sol que me encarou de frente e me fez buscar sombra acolhedora que não encontrei.Não é um longo caminho até o Pedreira e eu sempre vou com prazer.Espero que para ele minha presença seja tão bem vinda,tanto quanto eu gosto de estar lá.Mas não com dor de cabeça,que lateja,lateja.Estou aprendendo a observar mais.Aprendendo a olhar para cima,para a borboleta inexistente ,vendo o pássaro que não passou e vou registrando tudo ou quase tudo.Será que escreverei um conto? Uma crônica ? Acho que seria melhor escrever um cronto mistura de conto e crônica. Não uma cônica que me lembra formas geométricas.Todas diferentes,como as pessoas e as pedras.Lateja.No caminho querem pegar em minha mão,quase deixo para sentir o toque,mas a conversa que vem depois já conheço de cor.Continuo caminhando ao sol,que me ofusca e cubro os olhos para diminuir seu brilho.Ajuda,mas quem poderá ofuscar o sol ?As folhas de carvalho na pedra.Que eu sempre quis fotografar.Mas para que? Bonitas  sim,mas de uma inutilidade absoluta. Continuarão na pedra até que o prédio venha abaixo.Lateja,lateja.Passo pelas árvores que me cumprimentam e eu me curvo perante elas.Vou caminhando,mas devagar,que lateja. Já foram quatro comprimidos.E a dor que multiplica o sangue bombeando,latejando.Fechou o farol.Atravesso ainda com o sol no rosto,fazendo o possível para ignora-lo, mas ele não deixa. Precisei dar uma pequena corrida que uma moto não respeitou o farol.A cabeça explode.Vou andando devagar,preciso de energias boas.Energia das pedras coloridas.Muitas coisas me passam pela cabeça,vejo um pequeno jardim sem flores,sem grama.Um jardim?Ao menos me pareceu que era um jardim.Um pedaço de terra revirado.Sem uma planta sequer.Lateja.Ali,um jato de água tímido querendo vencer a queda e se lançar no espaço.E eu passo por ele esticando a mão para molhar a testa. Mas esta longe.E eu continuo pela praça quase deserta.Latej.Isto mesmo latej,esta melhorando,e eu me animo.Começamos a conversar e eu a tocar nas pedras.Lat,quase bem mas ainda confuso dos comprimidos.E falamos e falamos.Lateja forte.La.Chega a hora de ir embora.Quase bem agora.De costas para o sol volto a caverna fria.No caminho abro o guarda chuva para me proteger de minhas memórias mas num inacreditável movimento antigravitacional elas contornam a beirada do guarda chuva sobem pelas varetas e vão pingando sobre mim.Agora que cheguei,abro o Word.Palavras e mais palavras que quero brincar com vocês.L,quase bem.Mas com o gosto dos comprimidos na boca.Comprimo os lábios contendo o riso ao lembrar…Sacudo as gotas que a memória deixou em meu paletó e o penduro para secar.Quanto ao resto farei o que puder.” Serei sempre aquele que espera que lhe abram uma porta,ao pé de uma parede sem porta?” Ou um juntar e rejuntar de cacos que se unem e se desfazem todos os dias ? Tentando Se reinventar numa forma diferente, mais agradável talvez? Mas que nunca é deixado na estante,quieto como um bibelô? E se por acaso me esquecerem lá,saberei resistir a imobilidade , já que não fui feito para exposições? Agora sim,a dor passou.Nem mesmo um l minúsculo para registra-la. Mais uma vez chegou a hora de juntar os cacos.Sorrindo os apanho depressa coloco um aqui,outro ali,sem me importar muito se estão no lugar.Opa ! Um deles caiu e o apanho depressa apertando com mais força para ficar preso desta vez.E vou andando,feliz com meus cacos,esperando que não vejam as emendas que fiz no conjunto,procurando mostrar mais o lado azul da porcelana do que o branco onde as fraturas aparecem mais.Se doem ? Tanto quantas outras múltiplas coisas,como a mão que para no meio do caminho de um afago.Ou os braços que rejeitam um abraço.Os lábios que desviam.Mais cacos.E vou virando e revirando memórias para achar um pouco de cola e mante-los no lugar.