Arquivos Diários: 22 novembro, 2009

HÁ 46 ANOS : “John Fitzgerald Kennedy é assassinado em Dallas” – por max altman / são paulo

A primeira dama Jacqueline Kennedy raramente acompanhava o marido em seus compromissos políticos. Dessa vez, estava ao lado dele, em 22 de novembro de 1963, junto com o governador do Texas, John Connally, e sua mulher, na carreata que evoluía a 15 quilômetros por hora através das ruas centrais da cidade de Dallas.

Sentados em um Lincoln, os casais Kennedy e Connally conversavam e acenavam para a enorme e entusiástica multidão que se concentrava ao longo do percurso. No momento em que o veículo passava pelo prédio do Almoxarifado de Livros Escolares do Texas, exatamente às 12h30, ouviram-se três tiros, supostamente desferidos do sexto andar, por um tal de Lee Harvey Oswald, ferindo mortalmente o presidente Kennedy e atingindo seriamente o governador Connally. O 35º presidente dos Estados Unidos foi declarado morto 30 minutos mais tarde no Hospital Parkland de Dallas. Ele tinha 46 anos.

O vice-presidente Lyndon Johnson, que participava três automóveis atrás de Kennedy da carreata, prestou juramento como o presidente dos Estados Unidos às 2h39 de 23 de novembro, a bordo do avião presidencial estacionado na pista do aeroporto Dallas Love Field. O juramento foi assistido por cerca de 30 pessoas, inclusive Jacqueline Kennedy, que ainda trajava o vestido manchado com o sangue de seu marido. Sete minutos depois, o jato presidencial levantava voou para Washington.

No dia seguinte o presidente Johnson emitiu sua primeira proclamação decretando que o dia 25 de novembro seria um dia de luto nacional em homenagem a Kennedy. Naquela segunda-feira, centenas de milhares de pessoas alinhavam-se nas ruas de Washington para assistir à passagem da carreta puxada a cavalo, levando o corpo do presidente assassinado da rotunda do Capitólio até a catedral católica de St. Matthew para uma missa de réquiem. A solene procissão seguiu depois ao cemitério nacional de Arlington, onde líderes de 99 nações aguardavam a chegada do féretro para os funerais, com as honras militares.

Extrema-direita

O principal suspeito, Lee Harvey Oswald, nascido em Nova Orleans em 1939, alistou-se na Marinha em 1956. Deu baixa em 1959 e nove dias depois partiu para a União Soviética, onde tentou, sem sucesso, tornar-se um cidadão soviético. Trabalhou em Minsk, casando-se com uma russa. Em 1962 foi autorizado a retornar aos Estados Unidos com sua mulher e uma filha.

No começo de 1963, comprou um revólver calibre 38 e um fuzil com mira telescópica pelo correio. Em 10 de abril, em Dallas, supostamente atirou errando o alvo num ex-general do exército, Edwin Walker, uma figura conhecida por suas posições de extrema-direita. Mais tarde, naquele mesmo mês, Oswald viajou para Nova Orleans onde localizou uma pequena sede do comitê Fair Play for Cuba, uma organização pró-Fidel Castro.

Em setembro de 1963, foi para a cidade do México, onde, segundo investigadores, tentou conseguir um visto para viajar a Cuba ou regressar à União Soviética. Em outubro, retornou a Dallas, obtendo um emprego no Almoxarifado de Livros Escolares do Texas.

Menos de uma hora depois de Kennedy ter sido baleado, Oswald matou um policial que o parou para interrogar numa rua perto de sua residência. Trinta minutos mais tarde, Oswald foi preso num cinema como suspeito. Foi formalmente denunciado em 23 de novembro pelas mortes do presidente Kennedy e do oficial J.D. Tippit.

Em 24 de novembro, Oswald foi trazido ao sótão do quartel-general da polícia de Dallas a caminho de uma prisão de maior segurança. Centenas de policiais e jornalistas queriam testemunhar sua chegada ao edifício, com transmissão ao vivo por todas as cadeias de televisão.

Assim que Oswald entrou no recinto, Jack Ruby emergiu da multidão e o feriu mortalmente com um fanico tiro à queima-roupa de um revólver calíbre 38 que mantinha escondido. Ruby, que foi imediatamente detido, berrava que sua ação se devia à raiva despertada pelo assassinato de Kennedy. Alguns o consideraram herói, no entanto foi acusado de homicídio em primeiro grau.

Morte com premeditada intenção

Jack Ruby, originalmente Jacob Rubenstein, era dono de danceterias e casas de strip-tease em Dallas, mantendo discretas conexões com o crime organizado. Ele aparece como destaque nas versões sobre o assassinato do presidente e muitos acreditam que eliminou Oswald para evitar que revelasse detalhes de uma conspiração.

Em seu julgamento, Ruby negou esta acusação e declarou-se inocente com base em que sua dor pela morte de Kennedy provocou nele uma “epilepsia psicomotora”, atirando em Oswald inconscientemente. O juiz Fari considerou Ruby culpado de “morte com premeditada intenção” e o sentenciou à pena capital.

Em outubro de 1966, a Corte de Apelação do Texas reverteu a decisão com fundamento em admissões impróprias de testemunhas e pelo fato de Ruby não ter tido naquela ocasião um julgamento justo  em Dallas. Em janeiro de 1967, enquanto aguardava novo julgamento, Ruby morreu de câncer no pulmão num hospital de Dallas.

O relatório oficial da Comissão Warren, especialmente constituída pelo Congresso norte-americano, concluiu em 1964 que nem Oswald nem Ruby faziam parte de uma conspiração doméstica ou internacional para assassinar Kennedy, e que ambos agiram solitariamente.

A despeito das aparentes firmes conclusões, o relatório não conseguiu silenciar teorias de conspiração que cercaram o episódio. Em 1978 a House Select Committee on Assassinations concluiu, em relatório preliminar que Kennedy “foi provavelmente assassinado como resultado de uma conspiração” que poderia envolver atiradores profissionais e o crime organizado, mas sem apresentar provas concludentes. As conclusões desse comitê como as da Comissão Warren continuam até hoje a ser amplamente contestadas.

 

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VENEZUELA : Chávez propõe criar uma “Quinta Internacional Socialista” – por lamia oualalou / rio de janeiro

O presidente venezuelano Hugo Chávez declarou  ontem (20) que “chegou a hora de criar uma Quinta Internacional, para aglutinar o movimento progressista planetário, e elaborar uma resposta à crise mundial”.

“Eu acho que a Quinta Internacional é uma necessidade, atrevo-me a convocá-la (…), acho que já está decidido”, afirmou Chávez frente a 150 delegados dos 52 partidos de esquerda reunidos em Caracas ao convite do Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV).

“Estou oferecendo algo novo”, porque a “terceira via fracassou”, acrescentou o chefe de Estado, precisando que “esse encontro socialista tem que ser da esquerda verdadeira, disposta a enfrentar o imperialismo e o capitalismo”. “Nós viajamos no mundo intero e podemos dizer que a criação de uma Quinta Internacional é um clamor popular”, disse.

Chávez propôs também que os partidos de esquerda presentes no encontro constituam a base de um comitê preparatório para convocar formalmente a nova internacional. “A constituição deste comitê pode ser umas das conclusões deste primeiro encontro de partidos de esquerda” concluiu o presidente.

No Brasil, o Partido dos Trabalhadores criticou a iniciativa. Segundo o secretário de Relações Internacionais, Valter Pomar, “se o texto ficar desse jeito, o PT não vai assiná-lo”.

o coronel hugo chávez.o coronel hugo chávez.

ilustração do site.

PT discorda da posição VENEZUELANA – por lamia oualalou / rio de janeiro


As duas primeiras versões do “Compromisso de Caracas”, cuja adoção deve encerrar o 1º. Encontro Internacional de Partidos de Esquerda, enfrentam críticas do Partido dos Trabalhadores, expressadas pelo seu secretário de Relações Internacionais, Valter Pomar.

Ele já adiantou  que “se o texto ficar desse jeito, o PT não vai assiná-lo”, sublinhando, porém, a necessidade de esperar a publicação do texto final para se pronunciar oficialmente.

Um dos pontos polêmicos a criação de “uma secretaria política de coordenação que garanta o funcionamento de uma rede de contatos entre os partidos de esquerda, as organizações populares e os governos progressistas”. Para Valter Pomar, a idéia de criar uma secretaria política ou uma Quinta Internacional não é uma boa solução para coordenar a ação dos partidos de esquerda.

“Consideramos que a intenção é nobre, mas não estamos de acordo”, declarou ao Opera Mundi. Ele considera que “a experiência das Internacionais anteriores, a experiência das organizações partidárias atualmente existentes e as atuais condições do movimento socialista, indicam que construir uma Internacional não é a melhor maneira de coordenar os esforços da esquerda mundial”.

“Nós precisamos de unidade de ação e coordenação nas ações práticas. Não precisamos criar novas instituições. As organizações que existem são plenamente capazes de dar conta das tarefas”, afirma o secretário de Relações Internacionais do PT. Ele lembra da existência do Foro de São Paulo, que reune mais de 60 partidos de esquerda da América Latina.

Contra-ofensiva da direita

Valter Pomar também lamentou o tom bélico das primeiras versões do “Compromisso de Caracas”, que giram, em grande parte, em torno da instalação das bases americanas na Colômbia. Para ele, a esquerda cai numa armadilha quando superestima o caráter militar do confronto com os governos e partidos conservadores.

“Existe uma contra-ofensiva da direita latino-americana e dos Estados Unidos. Esta contra-ofensiva é política, não militar”, assegura Pomar. Sublinha que até os elementos militares, como as bases na Colômbia ou a reativação da Quarta Frota da Marinha dos Estados Unidos na América do Sul e Caribe, constituem elementos da contra-ofensiva política.

“Superestimar este aspecto, dar-lhe um caráter central, constitui um erro político”, acrescenta Pomar dizendo que tinha “encaminhado ao PSUV a opinião do PT, pedindo para que alterassem o texto”.

Apesar das discordâncias, o secretário de Relações Internacionais insiste no fato que o PT respeita as decisões do PSUV. “Se eles desejam impulsionar uma organização, é direito deles. O que nos interessa é que continuem participando do Foro de São Paulo”, declara.

O presidente do PT, Ricardo Berzoini(d), e o secretário-geral do PT, José Eduardo Cardozo, na reunião do Diretório Nacional do partido, na sede em Brasília (DF).

ilustração do site.

MAURICE POLITI lança seu livro ” RESISTÊNCIA ATRÁS DAS GRADES” em CURITIBA dias 26 e 27/11

O MELHOR CRONISTA por hamilton alves / florianópolis

Há pouco, um crítico literário, que mantém uma coluna diária num de nossos jornais, falando de um livro de crônicas, disse considerar o autor o melhor cronista do país.

Cada qual, obviamente, tem o direito de dizer o que quer. Ou o que pensa sobre isso e aquilo.

Mas direitos à parte, há um certo exagero em tal afirmação, até porque não se sabe exatamente quantos cronistas andam por aí, desconhecidos, que não foram devidamente catalogados ou qualificados pelo dito crítico.

Então, a partir daí fica muito vago dizer-se que fulano é o melhor seja no que for.

O autor do livro, ao ser assim distinguido, certamente se babou de vaidade, auto-considerando-se, certamente, o melhor ou que o crítico teria razões de sobra de assim julgá-lo.

A vaidade muitas vezes cega.

Não queria entrar no mérito desse assunto tão desprovido de interesse.

Isso é de uma banalidade de doer nos calos.

Eu, de mim, não me acho melhor em nada. Não acho também que alguém, seja no que for, possa ser tido o melhor no que faz.

Trata-se de uma questão quase sempre imponderável, que não permite um juízo de rigor ou justo sobre as possibilidades de uns e outros.

Por isso, o melhor é não arriscar palpite, que sempre pode levar o endereço errado. Ou esquecer que há valores que estão sempre um pouco acima daquele que somos capazes de perceber ou julgar como sendo o maior.

Já vou longe nessa catilinária inútil.

Preferível não atacar esse assunto tão mofino.

Preferível seria não ter lido a crítica do colunista. Passar por alto por ela.

No meu caso, se fosse me auto-julgar, gostaria de ser considerado o melhor cronista da minha rua. Todos me apontariam por onde diariamente passo:

– Olha, lá vai o melhor cronista de nossa rua.

Ser o melhor cronista de minha rua é já, segundo penso, um enorme galardão ou uma imensa responsabilidade, que carrego sobre as costas, de que o vulgo bem poderia me poupar.

Mas, enfim, que assim seja.

ENTRE A MOBILIDADE E A IMOBILIDADE, ANDAMOS OU DANAMOS? por alceu sperança / cascavel.pr

Capinzal. Simpática cidade do interior catarinense onde me nasceram alguns primos. Desde que acompanho, a cidade tinha uma tarifa de lotação de 65 centavos. Foi reajustada para 75, 80 centavos e agora está em um real. O volume de passageiros aumentou significativamente desde que a Prefeitura assumiu o transporte coletivo urbano em lugar das empresas ávidas por grana, e mais gente usando e pagando viabiliza ainda mais o sistema.

É possível, portanto, baratear o lotação sem ter que fazer tarifaços e caça desenfreada às carteirinhas dos direitos conquistados. Tarifaços resolvem o problema de caixa do sistema no momento, mas o volume de usuários tende a cair com a transferência de mais pessoas para o transporte individual. Assim, aumentar tarifa e cortar direitos não valem como solução duradoura. Ao contrário, apressam a aniquilação do sistema.

O transporte individual é, com os assaltantes, a carga tributária e político safado, o grande inimigo do cidadão. Mais de 500 carros por dia são incorporados às ruas de São Paulo, que terão quase 10 milhões de carros em 2024, ao ritmo atual.

Nem ruralista egoísta

Nos EUA, calcula-se que os engarrafamentos fazem o país perder 10 bilhões de dólares por ano, sem contar os prejuízos econômicos da poluição atmosférica dos automóveis, que atinge em cheio a agricultura e contribui para a morte de lagos, rios e florestas. Quer dizer, o automóvel arrebenta o agronegócio e ameaça o planeta. Nem ruralista egoísta aguenta isso.

Chinês nem a pau gasta 200 mangos por mês em mobilidade, para ir trabalhar ou estudar. E se os chineses resolvessem asfaltar a mesma quantidade de solo por habitante que os EUA, seriam cobertos de pedra e piche 64 milhões de hectares, mais de 40% da superfície agrícola chinesa. Nosso camaradinha chinês teria que comer telefone celular e chips de computador. Ou importar comida.

Vivemos a civilização do petróleo, ou seja, dos engarrafamentos de trânsito, do efeito estufa, da chuva ácida e dos atropelamentos de gente que quer fazer uma coisa bem simples: atravessar a rua.

Escrevia Cesar Bráulio, no Diário da Tarde, de Curitiba, em 6 de janeiro de 1913:

– Aí vêm os (bondes) elétricos, para terminações de martírio desses infelizes irracionais (mulas de carroças) e com esse próximo acontecimento desaparecerá, também, o resto de indolência do nosso povo, que atravessa vagarosamente as ruas, faz ponto no meio das mesmas, atravanca as calçadas e as esquinas; ficará sendo um povo ativo, às direitas, fugindo dos bondes velozes, apertando o passo para apanhá-lo nos pontos de parada, não obstruindo mais os passeios, etc, etc, será um verdadeiro circulez parisiense.

Pedágio urbano

Esse aprazível cenário de ruas curitibanas sem carroças e burros e com veículos elétricos degringolou para a realidade atual de que os acidentes urbanos ostentam números similares aos de uma guerra militar sangrenta. Causam perdas ao redor de 30 milhões de dólares por semana. Mas dá pra calcular o valor das vidas perdidas e pôr etiqueta de preço na dor de famílias desestruturadas?

Pesquisa na Alemanha mostrou que uma bicicleta comum exige de seu proprietário cerca de 22 calorias por quilômetro rodado. Caminhada de 1 km consome 62 calorias. Trem gasta 550 calorias por passageiro/km. Ônibus, 570. E um automóvel com um só ocupante gasta 1.150 calorias/km.

Torrar energia à toa não é crime? Isso fez a pátria de Marx subsidiar o transporte coletivo para ser melhor e mais barato. E também por aqui, como em Londres, logo virá o pedágio urbano, aproveitando a estrutura das zonas azuis, até alguém finalmente se tocar que transporte barato é inclusão social: pobre prefere ir a pé antes de entrar em lotação e pagar mais de oito reais ao dia. Esses R$ 8 fazem falta para as contas do mês.

Nossos vereadores se sacrificam indo à Europa em busca de nobres propostas para fazer suas cidades avançar. Que tal uma visitinha a Capinzal? Lá verão como é que os catarinas conseguem ter um lotação de 1 real – com passe livre a idoso e deficiente e meio-passe, sem frescuras e exigências bestas, aos estudantes.

Meio-passe, aliás, que deveria ser na verdade o passe inteiramente livre, viu, DCE? O transporte público é caro, aqui, em Londres ou Nova Iorque, mas o custo não deve ser repassado aos mais pobres. Ou ele barateia e melhora, para ser alternativa saudável ao caos urbomobilístico, ou nos danaremos todos.