Arquivos Diários: 6 novembro, 2009

FINGIR de rosa DeSouza / portugal / florianópolis


 

Se o poeta é um fingidor,
e finge tão completamente
que chega a fingir ser amor,
o amor que deveras sente…

(desculpas a Fernando Pessoa)

me pergunto, porque nunca consegui…
fingir o que hoje senti.

Se seu ser o sangue me revolve,
como poderei fingir que se dissolve?

Se seu olhar me invade,
como poderei mostrar imunidade?

Se por ele sinto o amor mais profundo,
como poderei criar verso mudo?

Se por ele poderia morrer,
como sem ele poderei viver?

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O CULTO CARREIRISTA por ” o ruminante ” / belém


Todos nós sabemos que hoje o mundo está cada vez mais corrido, caótico, competitivo e stressante. A velocidade dos acontecimentos e do fluxo de informações estão fazendo das pessoas escravas de tecnologias que até pouco tempo nem mesmo pensávamos ter. O que deveria nos beneficiar está nos trazendo mais sofrimento, pois hoje ficamos angustiados quando acaba a bateria do celular, quando não podemos acessar a internet, quando perdemos algum e-mail que era importante, além de muitas outras coisas.

Ao observar essas coisas comecei a analisar nossas vidas, valores e o que tem sido considerado importante nos dias de hoje. Logo no primeiro momento percebi que cada vez mais as empresas estão nos levando a crer que a carreira profissional é a nossa maior realização na vida, como se sucesso no trabalho fosse sinônimo de felicidade. Também pude notar que muito da tecnologia que temos é para trabalharmos mais rápido e sermos mais eficiente. Não consegui de deixar de pensar em alguns pontos, por exemplo:

  1. Telefone Celular: desde o ínicio de minha carreira não tenho um celular próprio, estou o tempo todo conectado a disposição da empresa, podem me ligar a qualquer hora, seja lá o que estiver fazendo. Temos um coleira eletrônica e por esta somos pagos para usar.
  2. Notebook da empresa: se a empresa lhe concede um computador portátil, pode ter certeza, é para você poder trabalhar em qualquer lugar. Não acredite que se a empresa lhe acrescentar no pacote um sistema de internet móvel via celular você vai estar com vantagens, a única garantia é que além de te ligarem a qualquer hora, você ainda vai receber tarefas onde estiver.
  3. Cursos Motivacionais: esse é um dos piores, pois com o tempo os empresários descobriram que é só falar ou fazer algumas coisas estimulantes aos empregados para obterem maior produtividade. Estamos sendo tratados como cachorrinhos em adestramentos, recebemos um agradinho, fazemos o truque e somos premiados com um biscoitinho.
  4. Livros de auto-ajuda: talvez pior do que os cursos, as empresas tem feito um marketing enorme sobre livros de liderança, motivação, mudanças e muitos outros assuntos que, no final das contas, só querem nos levar a dar mais de nossas vidas para eles.

Acredito que muitos podem vir a me interpretar como um preguiçoso que não quer trabalhar, ou até receber críticas de que eu estaria sendo influenciado pelo comunismo ou outras linhas de pensamento socialista, mas na verdade não é isso que me estimula a escrever.

Com as observações que venho fazendo, percebi algo: não damos mais o mesmo valor para nossos familiares e vida pessoal, damos o nosso sangue para sustentá-los, mas o que eles mais querem é que estejamos por perto, que possamos passear no praça ou praia com nossos filhos e conjugês. Pode não ser tão perceptível, mas estamos nos colocando em uma situação que somente nos sacrificando ao extremo podemos dar tudo o que nossa família talvez nem precise, deixando de fora o mais importante: pais, mães, maridos, esposas e filhos que são muito mais importantes.

Emprego, trabalho, carreira pode ser que traga felicidade para um indivíduo, desde que não seja por uma influência imposta pelo culto ao profissional, mas por um gosto pessoal, se isso lhe dá felicidade, seja feliz assim. Hoje nos está sendo imposta a idéia que o sucesso profissional é a realização de nossas vidas, mas será que ao final de tudo, quando olharmos para trás terá valido a pena deixar de brincar com nossos filhos? Será que agüentaremos a saudade de nossos pais que estão envelhecendo e abruptamente podem nos deixar? Não seria melhor aproveitar o máximo de nossas vidas com quem amamos? Ainda que tenhamos que viver de forma mais simples, acredito que eu sei a resposta, pelo menos para mim.

VOVÓS LOLITAS por sérgio da costa ramos / florianópolis

 

No imaginário popular, vovó sempre foi aquela velhinha encarquilhada de Monteiro Lobato, a Dona Benta, inimaginada como alguém proprietária de algum sex-appeal. Que não se choquem os pudicos, mas jantá-la… nem mesmo o lobo mau.

Pois esta imagem da avó “maracujá-de-gaveta”, enrugada como uma Alena Ivanovna, de Dostoievski, ou uma babuskha de Tolstoi, caducou ao talho do bisturi da modernidade.

“Toda mulher devia ter 14 anos”, proclamou, certa vez, o sociólogo-dramaturgo Nelson Rodrigues.

Na sua época, era impensável a beleza na idade meã, de 50 pra cima:

– Marilyn Monroe morreu dessa enfermidade terrível que é a beleza. E o que é mais sofrido: a beleza jovem.

Isso nos tempos em que os bichos falavam e Nelson vivia de escrever paradoxos. Hoje as vovós estão tão jovenzinhas e enxutas – para usar uma gíria antiga – que, de vez em quando, uma vovó dá à luz, com mais de sessenta e tantos. Em vez de vovós, são as “momós”… As vovós mamães.

Doutora Anna Aslan – a primeira grande geriatra – e as artes disseminadas pelo cirurgião plástico brasileiro Ivo Pitanguy fizeram milagres pelas vovós de hoje, que malham nas academias e se submetem a tratamentos ortomoleculares para conservar a carroceria sempre saudável – “com tudo em cima”, como gostam de dizer.

Já se desvaneceu aquele antigo horror das mulheres muito vaidosas, em briga permanente com a palavra “avó”.

As vovós precoces de antigamente só faltavam amordaçar os netinhos, para que eles não atirassem em sua direção o dissílabo fatal:

– Vovó!

Atrás de uma bola, alertava-se, sempre vinha uma criança. E atrás de um netinho, uma velhinha. Isso, antigamente.

Hoje, atrás de um netinho podem muito bem vir as atrizes Marieta Severo e Betty Faria, ou a empresária Lígia Azevedo – que acaba de chegar aos 65 com uma silhueta digna da “Receita de Mulher” do mulherólogo Vinicius: Que haja uma hipótese de barriguinha, mas que a mulher se alteie em cálice, e que seus seios sejam uma expressão greco-romana.

As vovós já não são aquelas velhinhas em cadeira de balanço, tricotando sapatinhos.

Elas curtem os netos, as netas, e até rivalizam com estas, usando calças três quartos, de cintura baixa e umbigo à mostra…

Marieta Severo confessa “alguns sustos” ao ser considerada “símbolo sexual” em plena maturidade:

– Acho que andam me confundindo com a Vera Fischer. Mas sou amiga dos amigos das minhas filhas porque sou muito animada. Acho muito engraçado ser considerada “uma gata” aos sessenta e “alguns”.

Mais do que cremes esfoliantes, as vovós gostosas precisam de “emoções”, ensina Marieta.

Como o olhar de um homem, torcendo o pescoço para reparar no seu “movimento de quadris”, a verdadeira revolução francesa do erotismo.

A verdade é que as Vovós Lolitas andam merecendo o nosso assobio. Até o quase pedófilo Vladimir Nabokov (Lolita) se apaixonaria por elas.

 

 

AMIGO – de pablo neruda / chile


  1. Amigo, toma para ti o que quiseres,
    passeia o teu olhar pelos meus recantos,
    e se assim o desejas, dou-te a alma inteira,
    com suas brancas avenidas e canções.

  2. Amigo – faz com que na tarde se desvaneça
    este inútil e velho desejo de vencer.

    Bebe do meu cântaro se tens sede.

    Amigo – faz com que na tarde se desvaneça
    este desejo de que todas as roseiras
    me pertençam.

    Amigo,
    se tens fome come do meu pão.

  3. Tudo, amigo, o fiz para ti. Tudo isto
    que sem olhares verás na minha casa vazia:
    tudo isto que sobe pelo muros direitos
    – como o meu coração – sempre buscando altura.

    Sorris-te – amigo. Que importa! Ninguém sabe
    entregar nas mãos o que se esconde dentro,
    mas eu dou-te a alma, ânfora de suaves néctares,
    e toda eu ta dou… Menos aquela lembrança…

    … Que na minha herdade vazia aquele amor perdido
    é uma rosa branca que se abre em silêncio…

Pablo Neruda, in “Crepusculário”
Tradução de Rui Lage

 

“INSEGURANÇA INTERNACIONAL NO PÓS GUERRA FRIA” curso da CASLA – Casa Latinoamericana / curitiba

casla

 

Minicurso “Insegurança Internacional no Pós Guerra Fria”


Ao discutir temas internacionais, a Casa Latino Americana (CASLA) pretende manter o compromisso de oferecer aos participantes do curso as questões inerentes ao Sistema Internacional, buscando compreendê-las e interpretá-las, sem perder o rigor e a seriedade. Assistimos hoje a construção de uma nova ordem mundial, com o renascimento de nacionalismos e de conflitos étnicos.
O curso sobre a questão da Insegurança Internacional no pós Guerra Fria tem uma abordagem interdisciplinar, abrangendo as áreas de política, sociologia, geografia e história. Os participantes do curso serão capacitados a avaliar os processos políticos, sociais e culturais e no Sistema Internacional, além de identificar os principais temas da Agenda de Segurança Internacional, sendo eles; o Terrorismo Internacional, Imigração Internacional, Narcotráfico e Tráfico Humano serão estudados, de modo que os participantes possam construir uma análise coerente das Relações Internacionais Contemporânea, atentando sempre para as questões que estão além do fato.

Graduandos e graduados a nível superior, oriundos de qualquer curso de graduação.
Inscrições: abertas
As matrículas estão abertas até 06 de novembro, e são feitas, previamente, pela inscrição on-line. A confirmação da matrícula dá-se com o pagamento da taxa de R$ 150,00 (Cento e cinquenta reais).
O início do curso está previsto para 09 de novembro de 2009, e as aulas irão até o dia 13, na sexta-feira. A carga horária estimada é de 30 horas, das quais será expedido certificado de conclusão.
As aulas serão expositivas, com seminários, e exercícios em sala de aula. Serão utilizados filmes, leitura comparativa de jornais e revistas de diversos países, artigos de revistas especializadas, capítulos de livros e documentos dos principais organismos internacionais. Os professores do curso são altamente especializados nas temáticas em que irão trabalhar.
As aulas serão divididas em módulos, sendo que cada temática será apresentada em um módulo e data específicos. Dessa maneira, a ordem dos conteúdos apresentados é:
  1. Terrorismo Internacional
  2. Narcotráfico
  3. Imigração Internacional
  4. Tráfico Humano
  • Prof ª Gislene Santos (UFPR)
  • Prof. Dr. Alexsandro Eugenio Pereira (USP- UFPR)
  • Prof. Dr. Pedro Bodê (UFPR)
  • Prof. Dr. Rui Dissenha (USP)
Escola de Relações Internacionais do Brasil – EriBrasil
Para enviar email à coordenadora: elcineia@casla.com.br

Contato

CASLA – Casa Latino-Americana – (41) 3013-7570
contato@casla.com.br
www.casla.com.br
Rua João Manoel, 140 – Centro – Curitiba / PR