para Guilherme Magalhães Vaz
14 de Março de 2002
Coltrane, sempre ele, pinga notas na minha alma
você não conhece Curitiba, nem eu tão pouco
a cidade já me habitou como caranguejo na lama
da mesma forma como Brasília, quando era só poeira
quando a solidão das pessoas, nadava no jazz e na beira
das janelas, onde jovens de apartamento bebiam Coltrane
elas bebiam e cresciam em John, lançando-se à calma
janelas afora, no tapete voador da pauta do músico rouco
Brasília era assim, mais perplexidade do que trauma
cidade onde o pontilhado de um Equinox era mugido de boi
ruminante longe do sertão, próximo do que para Picasso foi
o touro, os chifres, os seios e para mim os acordes do Coltrane
o fraseado deixa-me triste, preso às linhas da mão na palma
solto num sertão de recordações, nas tardes de ventos loucos
onde acordes como pulsos, salpicavam-me como napalm
enquanto Vietnams sangravam pessoas, florestas e fogueiras
A morte e as guerras, tão distantes estavam das mangueiras
o último acorde do sax, mais do que música era puro Coltrane
morrer na lembrança todos morrem um pouco, que nos diga a Salma
vizinha do paraíso plantado no solo de um terreno, de pouco em pouco,
frases musicais volteiam-me, apalpam a alma, viram-na e salgam-na
Lembranças do Lago Norte, daquela casa, do pé de Guabirovu
das árvores plantadas no pé da minha janela e do meu olho nu
e My favourite things trina no sax passarinho, do bico de Coltrane.
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“HOMENS ATÔMICOS
UNIDADES LATENTES
ATÔNITOS VIVENTES
DANÇA ÁTOMO
DANÇA HOMEM
DANÇA VERSO
DANÇA UNIVERSO
DANÇA…”
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Não. Não é possível que a vida se me esvaia
Sem ter jamais ao campo de batalha
Arrojado-me, sequer, a perseguir ideais;
E, derrotado sem luta e sem vontade,
Veja cair-me uma a uma as máscaras
De que cobri, em atroz engano, a face,
Vivendo a iludir-me e ao mundo
Na promessa vã, hipócrita, infinda
De principiar a grandiosa jornada;
A transformar-me a vida em imensa farsa.
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Quem nunca disse uma gíria, que fale alguma agora ou cale-se para sempre. Calma, não estou rogando nenhuma praga, apenas querendo dizer que as gírias fazem parte de nossas vidas. Estão por toda parte, aparecendo novas expressões a todo o momento.
Tudo pode virar gíria. Elas existem assim como os apelidos para que as pessoas
possam chamar de forma diferente: objetos, fatos e outras pessoas. Que apesar de possuírem seu próprio nome, por um acaso do destino, acabam ganhando este jeito “novo” de serem chamadas e reconhecidas.
Como exemplo, podemos citar a cerveja, que no passar dos anos, foi intitulada de: loira, ceva, boa, gelada entre outras.
As gírias em geral são facilmente entendidas, pois são introduzidas gradualmente em nosso meio. Mas se por acaso pegássemos uma pessoa totalmente isolada do mundo por algumas décadas e falássemos com ela utilizando gírias, poderiam ocorrer equívocos de interpretação.
Pensem nesse indivíduo escutando que um rapaz estava “azarando” a moça na escola. Provavelmente iria imaginar que o referido jovem estava torcendo para que a tal moça tropeçasse em algo ou que estourasse a caneta no meio de seu caderno, porque para ele “azarar” seria torcer contra e não “paquerar”.
Outra gíria que poderia ser mal interpretada é o tal “toque” do celular - aliás, no meu tempo dar um toque em alguém, era dar uma dica sobre algo, para o sujeito se “tocar” sobre algum fato do qual ele não estava muito por dentro –, mas voltando ao celular, a primeira coisa que se pensaria era que os jovens andavam se “cutucando” (sabe-se lá aonde) com seus aparelhos.
Pior ainda seria se escutasse que fulano iria mandar um “torpedo” para uma “mina”. Entraria em pânico, acreditando se tratar de um ataque terrorista.
Brincadeiras à parte, as gírias servem de certa forma para personalizar o jeito como chamamos algo, deixando-o na “moda”. Chega como uma novidade, transforma-se em pronúncia corriqueira e por fim acaba no dicionário para não cair no total esquecimento.
Lista de gírias
13 - Louco
22 - Louco
24 - Homossexual. Número do veado no jogo do Bicho
38 - Arma de fogo
59 - Sigilo
69 - Posição sexual
171 - (lê-se um-sete-um) - Estelionatário ou estelionato. Derivado do artigo 171 do código penal.
Abraçar Jacaré - Se dar mal.
Alcagüete - Delator
Babado - Fofoca
Baia - Casa
Baiano - Nordestino (pejorativo usado em São Paulo)
Paraíba - Nordestino (pejorativo usado no Rio de Janeiro)
Baitola - Homossexual
Bagulho - Objetos, Maconha ou mulher feia
Bala - ótimo
Balada - Festa
Barra-pesada - Lugar perigoso
Bater uma Chepa - Comer
Soltar um Barro - Defecar
Soltar um Mijo - Urinar
Larica - fome causada pelo uso de maconha
Bebum - Alcólatra
Bicha - Homossexual
Boca-mole - Fofoqueiro
Boca-aberta - Pessoa descuidada
Boiola - Homossexual
Bolado - Preocupado, Chateado
Brega - Cafona
Bufar - Flatulência
Busão - Ônibus
Chapado - Bêbado, Drogado
Camelo - Bicicleta
Cara - Pessoa
Casca-grossa - Pessoa rústica ou corajosa
Causar - Bagunçar
Casa de força - Banheiro
Dar um Mix - Urinar
Dedo-duro - Delator
Doidinho - Indivíduo
Filar a bóia - Comer
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OLAVO TENÓRIO
A. H. Fuerstenthal
Consultor em Ciências Comportamentais
Este artista é um mestre de formas. Seja num móbile, num corpo de luz, numa composição de estruturas contrastantes, na simbolização de um animal, num broche, num desenho, numa pintura ou em outra coisa que ainda não fez, mas certamente fará, ele se destaca pela originalidade, pela inspiração, pela simplicidade e pela espontaneidade estética.
O que impressiona em Olavo é a ausência de comprometimento. É moderno só no sentido de não seguir nenhum estilo historicamente marcado: não é gótico, nem barroco, nem renascentista e muito menos expressionista ou impressionista. O seu estilo pode ser chamado de “musical”, uma vez que cada uma das suas figurações toca o espectador como se fosse um som, ou, melhor, uma harmonia que agrada os sentidos sem que se saiba exatamente o porquê.
Outro traço característico do Olavo é a “unidade”. A obra e a pessoa são uma e a mesma coisa, tendo a mesma elegância genuína, o mesmo alongamento, a mesma sinuosidade e significação.
E não é só isso. A unificação estende-se também ao meio em que vive e cria este artista. O Olavo expressa o melhor do Brasil, suas danças, seus cantos, seus sorrisos, seus abraços e sua gentileza que atrai os visitantes, apesar de desavenças sociais, desordem e insegurança.
Olavo tem a resposta certa para todos aqueles embaraços do meio tropical: pega a madeira, o metal, o acrílico, o cristal e raios de luz para criar um mundo de pequenos milagres, capazes de dar à pessoa sensível um impacto de beleza em plena existência cotidiana.
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O vampiro
O vampiro do arraial era esquisito o suficiente para não ser levado muito a sério. Todos os habitantes o sabiam propenso ao sanguessuguismo deslavado e desmedido. Ao menos achavam que era isso. Ele o era, porém não! Alguns o justificavam mais por pena que por precisão. Dizia-se à boca miúda, que ele, o vampiro, vivia ali há séculos e mais alguns anos e que simplesmente recusava-se a abandonar a – digamos – “casca” - que escondia com altivez sombria sob um puidíssimo e paupérrimo manto negro. Um dente em cima, o outro ficava em baixo, de lado, quase atrás. Era cômico e algo idiota. Corcunda. O peso da idade o deixara com seqüelas seriíssimas. Arrastava-se inteiro para andar e embora ainda o fizesse na vertical, ia assim, meio adernado para um lado. Era corajoso, isso ninguém o negava. Cabelos ele ainda os possuía, aos tufos, longos e amassados; jamais o vento bulia-os, (imexíveis que eram). Os olhos de um vermelho azinavrado, dependuravam-se nas órbitas desmesuradas e escuras. As mãos eram indecifráveis posto que translúcidas e esqueléticas. Não sabiam ao certo como vivia aquele homem, já que nunca o viram mastigar ou ruminar, nem pensamentos. Alguns disputavam que o mesmo vivia de ar. Outros que não; que os o espíritos dos antepassados vampiros o alimentava. Havia total desconhecimento. Com ninguém ele falava e nem coisa com coisa. Lendas diziam que lá, naquele lugar, habitavam outros iguais a ele e que eram invisíveis e eram esses tais que o encorajava a continuar, transferindo-lhe todo o know-how de que carecia para sobreviver séculos seculorum. Oras! Como aquele pobre diabo poderia ser um vampiro? O habitante mais antigo já lhe sabia as façanhas e que a tal criatura lá existia desde sempre, quando chegaram as primeiras caravanas a tomar posse de terras. Por mais que o seguissem, jamais descobriram onde o mesmo morava. Pois em dado momento, ele desaparecia e no outro canto do arraial, lá estava ele, sem nunca se cansar! Nem arfar! Mas, por que então o chamavam vampiro? Ninguém o sabia, assim chamavam e assim ficou! Mesmo com sol a pino ele perambulava e isto o diferenciava muito mais, até em demasia! Dizia-se que um marceneiro havia confeccionado ardilosos crucifixos e afiadas estacas de madeira e os deitava ao longo do caminho, mas que na hora agá, o vampiro desviava-se como que teleguiado. As crianças tinham certo cuidado e recomendações paternas especiais, para que jamais se deixassem ficar em rota de colisão com aquele azarento, que a bem da verdade, a ninguém incomodava, (o que tirava das autoridades o direito de perturbá-lo ou exigir-lhe pagamento de impostos ou coisas do gênero). Aquilo tudo seguiria sem fim, não fosse um belo dia, o gaguinho local, entre um soluço e outro, ter conseguido finalmente articular palavras (e falava num e só fôlego para não patinar nas letras) e disse que vira finalmente a criatura extrair de um frasco, uma substância que carregava num alforje dependurado na altura das costas e que levara a mão à boca e que engolira sem mastigar. E que o odor característico que sentira, assemelhava-se a um tempero bem conhecido. Alho, alho, alho, (repetia sôfrego e sem parar o gaguinho), alho puro! O vampiro encara alho ! Disse esta última lasca de frase e voltou a gaguejar imediatamente. Oras! E daí? Era a sua única ração (do vampiro)! A sua última razão (do vampiro). Era ele um vampiro à moda da casa! E daí? O vampiro encara alho! E daí?
A surpresa
A noiva da cidade, já entrada em anos, era das cercanias o folclore. Excursões eram organizadas para que conhecessem a dita cuja. Fugira-lhe de há muito a beleza, assim como todo e qualquer atrativo que fizesse homem com pingo de juízo, se aproximar. Não mais existia a graça, o esplendor. Sepultados estavam o brilho e os traços de delicadeza. Não havia expressão naquele corpo por baixo do eterno vestido (da qual a mesma não se livrava nem para os banhos, e havia muitos que apostavam que ela nunca mais os tomara), desde que fora deixada na porta da capela pelo noivo - um vaqueiro desalmado - num domingo de sol, sem piedade nem consideração. O véu, a grinalda, a guirlanda… (como ela chamava aquilo), enfeitada de flores de plástico, tão antinaturais que já beiravam a comicidade pura e simples. De algumas das flores, restavam apenas a haste torta e pardacenta, com o arame à mostra. Ainda assim, ela os acomodava com certa vaidade, no alto da cabeça, bem como todo o seu vestuário, transformado em andrajos, que a rigor, já nem trajava nem desnudava. Era um misto de ser e não ser, o princípio da contradição estabelecido numa única e singular pessoa. Um mistério, um milagre! O pároco local já tentara com água benta e modos medievos exorcizar o que quer que fosse que tomava o lugar daquele cérebro, e óbvio, nada acontecia! Era ela inexpugnável ! Carregava ainda nas mãos sempre trêmulas, o mesmo buquê que não jogara para trás, por cima da cabeça, para que outras casadoiras o pegassem. Era tudo dela. Vivia assim, sem denodo nem pecado. Juravam que ela não mais tinha alma, nem espírito nem sangue, nem princípio e nem fim. E claro, era um desafio para a inteligência mais aguçada e a ciência da psicologia e parapsicologia se desfiguraria nos seus postulados mais elementares se tentasse se inclinar sobre tudo aquilo do que se dizia sobre a noiva da cidade. Uns tinham vontade de jogar pedra, outros faziam o sinal da cruz à sua passagem. Risinhos e lágrimas se confundiam no rosto das pessoas que achavam ter o privilégio de vê-la passar pelas manhãs, aos domingos, como que a procura de algo que jamais se soube o que era. Ela, a noiva, a danada e sem banho, o sabia. Só ela. Ninguém a cumprimentava, mesmo porque, não havia retorno. Um dia, ela apareceu nua. Isto, nuazinha. Em pelo! Deslindara-se dos andrajos de nubente que a acompanhara desde o dia fatídico. Aí sim, o motivo de tanta estranheza fora imediatamente compreendido, e toda a cidade, toda, fez vários e muitos ohs !!! A noiva da cidade apiedara-se finalmente da curiosidade e angústia alheias e resolveu num último lampejo de serenidade dar-se a conhecer. Com um pequeníssimo pênis à mostra, que quase desaparecia entre tufos de pelos descolorados e ralos, desatou-se a rir. E riu-se, riu-se tanto que toda a cidade se pôs a rir. Até o sacristão, por não mais agüentar de tanto rir, foi tocar os sinos para aumentar o alarido. Era veramente ela, a noiva desapiedada, um “fofo” de colhões e espada. E assim cruzou a rua principal (sua via menos crucis) na mais espetacular procissão de uma só pessoa. Embrenhou-se na estrada de pó, assim, daquele jeito, puro e casto, a rir-se. Da cidade. De si !
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Abertos os braços da alma, recebo-te em júbilo.
Somos um os dois, amante e noivo.
Ao teu encontro vou como à rocha o mar.
Espuma e véu e sal, azul e ar.
Correm cristais de luz por teus cabelos.
Voam em bandos sutis borboletas.
A solidão é assim o mar que bate
e regressa vencido para marrar outra vez.
Fecho os braços da alma em torno de mim.
Caem nuvens fechadas sobre o mar escuro.
Somos dois, agora, amante e noivo,
que se separam como o oceano inventa marés.
Na amplidão o gozo de saber-te luz,
os prazerosos ontens sepultados.
Cai uma chuva de pétalas de rosas
e eu mergulho no poço de rãs e musgos.
Há um prego na memória enferrujando datas.
Tesouros de desejos entre paixes náufragos.
Nada resta agora se é tudo só espaço,
apenas o espaço de uma praia esquecida.
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SER. Sujeito da ação?
Homens.
Mulheres.
PESSOAS.
SOMOS SERES SOCIAIS DOTADOS DE SUBJETIVIDADE.
TEMOS, NO COTIDIANO, A EXPRESSÃO PLURAL DA SUBJETIVIDADE HUMANA.
SOMOS SERES SOCIAIS!!
A Lei coexiste na subjetividade.
As leis precisam acolher àqueles aos quais limitam.
São necessárias ao indivíduo enquanto norteadoras, mas, jamais podem levar à exclusão do SER!!
Povo Brasileiro,
a realidade vivida,
a expressão da verdade,
a manipulação instituída,
Angústia diária.
À margem da escolha alheia,
inexiste o Sujeito da Ação!!!
Carência de oportunidade em assumir-se a própria escolha.
“Não é preciso encontrar outros caminhos; precisa-se, sim, descobrir a nova forma de caminhar!
Aquela que ,efetivamente, realiza a mudança.”
Mudança,
Mudança de postura,
Mudança de compreensão e de dimensão na análise,
Mudança de “lugar”.
Posicionamento ativo, dinâmico, conjunto, participativo, engajador e construtivo para a evolução ,
abandonando definitivamente a mera repetição.
Precisamos assumir a fala original , abandonando as expressões segundas.
Resgatar a Fala autêntica!!!
A Democracia precisa que a autorizemos vir à Luz.
Nós, mães desta filha que não consegue nascer e agoniza já hoje dentro do ventre destes brasileiros que não encontram em si a possibilidade de autorizarem-se a dar à luz a esta filha singular e especial que é parte de seus pais e que não deve ocupar apenas uma lembrança de Desejo de existir!!!
Somos gestantes da FILHA Democracia, mas,
precisamos autorizar-nos a deixá-la existir!
Permitamos que no resgate da fala autêntica coexistam o gênero, um ao outro complementariamente, sendo assim plenos de compreensão enquanto necessários a existência da Democracia!!!
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“Enterrar o marxismo é prematuro”
O cientista social Michael Löwy, que vive em Paris há 30 anos, veio ao Brasil para o lançamento de O Marxismo na América Latina, que foi organizado por ele. A publicação é da Editora Fundação Perseu Abramo. Mais do que um conjunto de textos com a antologia dessa corrente de pensamento desde 1909 até os dias atuais, Löwy quer mostrar que nem a Teologia da Libertação, nem o marxismo morreram na América Latina, apesar de o socialista lamentar a migração de marxistas para o neoliberalismo, como o ilustre presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, que Löwy fez questão de citar.
A fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) por exemplo, teve alguma inspiração marxista, segundo o cientista social. O Movimento dos Sem Terra (MST), que surgiu a partir das Pastorais da Terra - ligadas à Igreja Católica - também tem forte cunho socialista, por conta da influência da Teologia da Libertação, ou do cristianismo de libertação, como Löwy gosta de chamar o movimento.
O cientista recebeu o JORNAL DO BRASIL na casa de seus tios, que o hospedam em São Paulo. Apesar do frio, o cientista fez questão de sentar na varanda para aproveitar o sol da manhã de outono. Ele tem 61 anos, nasceu em São Paulo, e formou-se em Ciências Sociais na USP. Participou da fundação da organização Política Operária (Polop) e fez doutorado na Sorbonne, defendendo tese sobre o jovem Marx.
Löwy é autor de livros e artigos traduzidos em 22 idiomas. Atualmente, trabalha como diretor de pesquisas no Centre national de la Recherche Scientifique, em Paris, onde também faz parte do PT.
O senhor indentificou três fases do marxismo na América Latina. A revolucionária, a com fortes tendências stalinistas e uma terceira, também com vocação revolucionária. Pode-se afirmar que a última etapa é a de maior amadurecimento?
O primeiro período é o mais fértil, do ponto de vista intelectual. Porque nessa época é que aparece José Carlos Mariátegui, o pensador mais criativo do marxismo, mas que é pouco conhecido no Brasil. O último período não pode ser considerado como o mais maduro, porque havia uma espécie de ilusão na estratégia guerrilheira de que bastava simplesmente imitar os cubanos na revolução. Quase todos os países da América Latina fizeram isso, a própria tentativa de Che Guevara, na Bolívia, foi inspirada por essa idéia. Mas a revolução só deu certo em países com estrutura social semelhante a de Cuba, como a Nicarágua, com a revolução sandinista.
Por que a insurreição salvadorenha, em 1932, foi a única conduzida por comunistas na América Latina?
Nos anos 20, os partidos revolucionários ainda eram fracos, não tinham conseguido se desenvolver na maior parte dos países. Então, não havia condições para que um deles tivesse um papel dirigente em larga escala. A exceção mesmo foi em El Salvador, onde embora o partido também fosse recente, conseguiu ganhar uma base social ampla. O que ocorreu foi um verdadeiro levante de massas. Outra particularidade é que a Internacional Comunista não participou desse levante. Isso garantia maior liberdade às ações do partido comunista em El Salvador. Já quando Stalin assumiu o poder, houve a busca da aliança com a burguesia nacional, o que paralisou os partidos e burocratizou-os. A partir daí, nos anos 30, cada vez mais os partidos perderam seu papel revolucionário e começaram a fazer greves e a lutar por melhores condições de trabalho.
Durante a era stalinista houve a revolta dos militares em 1935, no Brasil. Como o senhor analisa isso?
O levante de 1935 foi um caso especial porque foi ambivalente, já que não havia uma base de massas populares. Uma das ilusões era a de que a burguesia apoiaria o movimento, que era centrado nos militares, com Carlos Prestes. Só no Nordeste, em Natal, houve participação popular, mas nada comparado com o que houve em El Salvador. Mas depois disso, não houve mais nada parecido porque o stalinismo realmente enquadrou os partidos.
O que faltou para que acontecesse uma revolução socialista mais amadurecida na América Latina?
Depois da revolução cubana houve uma efervescência social e política, mas a maior parte dos países não conseguiu organizar as classes subalternas. A militância ficou apenas entre intelectuais, estudantes e camponeses. Quem conseguiu realmente organizar os pobres foram os cristãos. A insurreição em El Salvador só deu certo porque havia o apoio cristão. Na Guatemala por exemplo, era o partido comunista quem dirigia a revolução, mas havia confiança total nas Forças Armadas. O PC achava que o exército daria as armas ao povo, mas os militares acabaram traindo a confiança dos comunistas, com a justificativa de que, na verdade, deveriam defender a pátria. Foi um erro trágico.
Pode-se falar na morte da Teologia da Libertação na América Latina, com o atual resgate do evangelismo e crescimento de igrejas pentecostais?
São prematuros os anúncios da morte da Teologia da Libertação, porque a terceira e quarta gerações que tiveram essa formação não vão recuar. A Teologia da Libertação continua para os cristãos, porque o muro da pobreza não caiu. Nos últimos 10 anos, cada vez que há um movimento social ou político na América Latina, você encontra forte presença da Teologia da Libertação, como no MST por exemplo. Seus dirigente vieram das comunidades de base, de pastorais da terra. Apesar disso, quiseram criar uma autonomia em relação à Igreja Católica. O movimento Zapatista, em Chiapas, também vem da conscientização das comunidades indígenas, que foi feita por Dom Samuel Ruiz. Os surtos evangélicos pentecostais que existem atualmente são apenas resultado da orientação conservadora do Vaticano, que combateu as comunidades de base e deu espaço para os carismáticos. Da mesma forma, é outro enterro prematuro o do marxismo. Quando houve a queda do muro de Berlim, muitos acharam que significaria também a queda do marxismo. Mas os sistemas em vigor na Tchecoslováquia e na URSS já eram uma caricatura burocrática do regime. A impulsão do marxismo não vinha daí há muito tempo. Mas quem se formou pelo modelo soviético ficou muito abalado. O que sobrou do Partido Comunista no Brasil não é muito brilhante. A queda do muro ocorreu bem em cima dos comunistas brasileiros. Quem conseguiu se desvincular e não tinha a China, nem a Albânia ou a URSS como modelo, continua ativo. Eu acho que o marxismo vai desenvolver-se, libertado do peso da história que foi o stanilismo. A própria fundação do PT teve alguma inspiração marxista.
O MST no Brasil tem vocação revolucionária?
Sua vocação revolucionária é a de realizar a reforma agrária. O que, no Brasil, é quase uma revolução, porque a classe dos latinfundiários controla há muitos séculos a terra. O MST é a ponta avançada de um movimento social contra o neoliberalismo.
E como o senhor analisa a situação do movimento sindical brasileiro, que tem sofrido com o desemprego e com a crise econômica?
É um momento muito difícil para o movimento sindical mundial, porque essa ofensiva neoliberal não é fácil de ser enfrentada. Mas é difícil separar a luta pelo emprego da batalha pelas outras conquistas trabalhistas. Na Europa está ficando cada vez mais claro que a manutenção do emprego passa pela redução da jornada. O próprio governo francês reduziu a jornada semanal para 35 horas. A lógica do desenvolvimento do capitalismo cada vez marginaliza a força de trabalho. Quanto mais o empresário elimina empregados, mais as cotações da empresa na bolsa sobem. O capitalismo acha que não precisa de mão-de-obra, algum dia a mão-de-obra vai chegar à conclusão de que não precisará do capitalismo. E não tem 35 saídas, a saída é o socialismo.
O que mudou em Cuba, desde a palavra de ordem “Wall Street dever ser destruída”, de Julio Antonio Mella, passando pela Revolução Cubana, até os dias de hoje?
Julio Antonio foi fundador do partido comunista. Mas com o stalinismo, o partido comunista cubano foi degradando-se. E não foi à toa que a Revolução Cubana não foi feita pelo partido, mas pelo movimento 26 de Julho. A Revolução Cubana foi a virada na história na América Latina. Até 1968, a revolução representou uma tentativa original de busca ao socialismo, com críticas ao modelo soviético. Mas a partir de 1968 houve uma adesão ao socialismo soviético, o que custou muito caro. Porque ocorreu a perda de autenticidade e substância democrática. Houve um processo de dependência político-ideológica e econômica muito grande da URSS. Hoje, lógico, há uma crise. Mas diferentemente do que aconteceu na Romênia, que caiu como um castelo de cartas quando o muro caiu, existe em Cuba um apoio da população. Cuba não quer voltar a ser um prostíbulo dos Estados Unidos, uma colônia americana. Hoje Fidel Castro tem uma saúde frágil, mas essa dependência excessiva de um líder é perigosa, tem de haver a substituição desse caudilho revolucionário por uma democracia socialista.
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O Poeta.
O Poeta é um ser diferente,
O mundo do poeta é diferente do mundo da gente,
O poeta idealiza um mundo, venturoso e fecundo,
E vive lá para sempre.
Em versos forma palavra, em cada fala uma rima,
O Poeta sente o sabor em cada verso de amor.
Somente o poeta interpreta o esplendor da alma feminina,
O poeta é um criador, que sabe transformar em verso,
Das belezas do universo, faz um paraíso em flor,
O poeta anda sozinho recitando pelos caminhos,
Seus poemas de amor.
O Poeta é um construtor,
De versos de amor e palavras bonitas,
Só ele no seu repente alegra a alma da gente,
Com palavras que nunca antes foram ditas.
O Poeta dribla a tristeza em seu jeito de viver.
O poeta contempla a beleza onde outro olho não vê.
Somente o Poeta sabe o que lhe vai pela mente,
O Poeta sente saudade mesmo estando presente.
O homem necessita um castelo para sua propriedade,
Precisa muito poder para afagar sua vaidade
Para o Poeta o mundo é belo, tendo saúde e amizade,
Se contenta com os farelos da esperança e da saudade.
O Poeta mente para o seu coração,
Dizendo em sua imaginação, que todas as mulheres são suas,
Embora nem uma possa tê-la,
O poeta é apenas amigo da lua e namorado das estrelas.
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Você sabe o que é tautologia?
É o termo usado para definir um dos vícios de linguagem. Consiste na repetição de uma idéia, de maneira viciada, com palavras diferentes, mas com o mesmo sentido.
O exemplo clássico é o famoso ’subir para cima’ ou o ‘descer para baixo’. Mas há outros, como você poderá ver na lista a seguir:
- elo de ligação
- acabamento final
- certeza absoluta