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DIÁRIO DA PROVYNCIA II – por olsen jr /rio negrinho.sc


  

A INFÂNCIA QUE NOS PERSEGUE

 

Já está virando moda por aqui. Lugares públicos tocando discos de vinil. Pode ser bizarro num primeiro momento, mas é um diferencial. Sei disso porque não abri mão dos meus discos, tenho dois aparelhos para tocá-los e estou namorando um terceiro que vi em um antiquário.

O “Canto do Noel” é um boteco situado na Rua Tiradentes, no centro de
Florianópolis, onde funcionava o “Pettit” e que volta a ser um ponto de intelectuais que resolveram dar um tempo no disque-me-disque do Mercado Público com o seu cheiro de peixe característico e os pedintes e bordejadores de sempre. Pois é, o “Canto do Noel” tem produzido alguns diferenciais, um deles é este, precisamente, você ouve grandes intérpretes nacionais, começando logicamente pelo que empresta o nome ao local, em discos de vinil, claro tem outros compositores brasileiros de qualidade, mas também a história ou parte dela é mantida com as imagens, fotografias, recortes de jornal emoldurados e dispostos nas paredes criando verdadeiros nichos de saudades onde se vê como essa cidade era bonita. Desde o casario antigo até uma população que parecia mais romântica e pacata. O fotógrafo Édio Melo certamente tem muito a ver com todo aquele acervo.

Parte da memória da cidade está ali naquelas paredes zelosamente guardada pelo carinho dos novos proprietários Edson e Sônia. O Rio de Janeiro e Florianópolis irmanadas por reminiscências, composições musicais, talentos e o que cada um dos clientes acrescenta com a própria experiência.

No Empório Mineiro no Boulevard da Lagoa da Conceição, outro lugar aconchegante, vejo o disco de vinil rodando no toca-disco de cor alaranjada onde o poeta Vinicius de Moraes e o violonista Toquinho acabam de cantar “Meu Pai Oxalá” que tinha sido uma das músicas da trilha sonora da novela “O Bem Amado”…

O disco terminou e continuou girando, a agulha acompanhava as voltas do vinil naquela faixa neutra que não tinha nada gravado nela e somente se ouvia o rodar do acetato. Ao invés de ir até lá e erguer a agulha, trocar o disco ou quem sabe por o mesmo para tocar novamente, fiquei observando o brilho da luz refletido no vinil rodando ali na minha frente e logo aquele aparelho é substituído pela eletrola lá de casa, em Chapecó quando os discos caiam um a um após tocarem naquele pino automático onde estavam empilhados (até cinco recomendavam os especialistas, para não arranharem uns com os outros)… E já não era mais o Vinicius de Moraes e sim o Billy Vaughn tocando “Look for a Star”.    Composta por Buzz Cason, nascido em Nashville (Tennessee) e que passou a assinar com o psudônimo de Garry Miles e, em 1960 compôs a música que o consagraria.

“Look For a Star” que, aliás, está completando em 2010, 50 anos, era uma das preferidas da minha mãe. Também andei assobiando uma versão interpretada pelo Roberto Carlos “… Duas noites são teus lindos olhos, onde estrelas estão a brilhar, que ternura olhar mil estrelas, em teu olhar”…

Outro dia assisti ao filme “Circus of Horrors” e a trilha sonora era Look for a Star na composição original de Garry Miles, e viajei novamente ouvindo aquilo associado a minha infância enquanto lia um dos 30 volumes da obra do Karl May, naquela edição encadernada da Ed. Globo de Porto Alegre e que vinha em caixas retratando em maravilhosos bicos de pena os personagens e o mundo criado pela mente prodigiosa do escritor alemão que marcou a minha juventude (minha, do Fernando Sabino, do Rubem Braga e Paulo Mendes Campos, entre outros)…

Num dos filmes do Harry Potter, a música Look for a Star também aparece de fundo, está muito impregnada na minha infância e parece que de muito mais gente…

Em fração de segundos lembro de tudo isso enquanto observo ainda o disco de vinil ali sem que ninguém tome uma providência, acredito que foram aquelas faixas girando que me transportaram, como uma máquina do tempo…

Alguém passou em frente e cortou o meu fluxo de pensamentos, mas ainda tive a sensação de ver por ali, a minha mãe com um pano tirando o pó de cima do móvel e afirmando que gostava muito daquela música!

 

 

NOTAS:

 

 

Não faço ideia o que seria a música brasileira sem o Noel Rosa (1910-1937)…

Nascido em Vila Isabel, aprendeu a tocar bandolim de ouvido, mas logo passou para o violão…

Abandonou a Faculdade de Medicina porque acreditou que a música era a “sua” vocação…

Conseguiu legitimar o samba de morro fazendo uma ligação entre a classe média e o rádio…

O primeiro sucesso veio com a composição “Com que roupa” em 1930, produto de uma situação inusitada, sua mãe havia escondido suas roupas para tentar impedi-lo de sair para outra noite de boemia…  E ele exclamou “com que roupa que eu vou?” criando a partir daí um samba que está mais vivo do que nunca…

“Conversa de Botequim” é outro de seus muitos sucessos…

http://www.youtube.com/watch?v=in9W6vHyI5k&feature=related

 

Noel Rosa morreu aos 26 anos com tuberculose…

 

OLSEN JR  é membro da ACADEMIA CATARINENSE DE LETRAS.

 

Eternamente Yolanda – por otaciel de oliveira melo / fortaleza.ce

Os dois se encontraram num desses lugares barulhentos, uma mistura de bar, restaurante e lanchonete com comidas e bebidas para todos os gostos e bolsos. Num desses lugares com vários televisores ligados em canais diferentes e música ao vivo ao … Continue lendo

NELSON CAVAQUINHO já dizia…

 

Sei que amanhã
Quando eu morrer
Os meus amigos vão dizer
Que eu tinha um bom coração
Alguns até hão de chorar
E querer me homenagear
Fazendo de ouro um violão
Mas depois que o tempo passar
Sei que ninguém vai se lembrar
Que eu fui embora
Por isso é que eu penso assim
Se alguém quiser fazer por mim
Que faça agora.
Me dê as flores em vida
O carinho, a mão amiga,
Para aliviar meus ais.
Depois que eu me chamar saudade
Não preciso de vaidade
Quero preces e nada mais

 

E se os DEMOSTUCANOS estivessem no comando da nação? o terror estaria implantado na economia!

E SE ELES AINDA ESTIVESSEM NO COMANDO?

Em 31 de agosto do ano passado, o governo Dilma, ancorado numa percepção correta de agravamento do quadro mundial, cortou a taxa de juro pela primeira vez em seu mandato. O dispositivo midiático-tucano reagiu entre ‘indignado e estupefato’, como disse então o economista Luiz Gonzaga Belluzzo em debate promovido por Carta Maior. Um mês depois, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ecoava as avaliações dos think tanks demotucanos, a exemplo da Casa das Garças, e dizia ao jornal Valor Econômico que considerava a decisão do BC ‘precipitada’. Expoentes menores mas igualmente aplicados na defesa dos mercados autorreguláveis, como o economista de banco Alexandre Schwartzman, já haviam se manifestado na mesma linha da abalizada percepção tucana das coisas. Em sua douta análise dos fatos, veiculada em 4-09-2011, Alexandre Schwartzman, também conhecido como ‘o professor de Deus’ pontificava em pedra e cal:” não há indícios de que a crise econômica global de 2011 seja tão grave quanto a de 2008″. Outros sábios de bico longo e o mesmo olhar de lince, como Luis Carlos Mendonça de Barros, o Mendonção, ex-presidente do BNDES e expoente das privatizações no sistema de comunicações, advertiam então que o BC brasileiro ficara refém de um agravamento da crise mundial que justificasse a sua decisão.” “O BC passou a torcer pela crise”, diziam, argüindo a estratégia brasileira de priorizar o enfrentamento da crise ao combate à inflação. As linhas acima recuperam uma nota publicada em Carta Maior em 11-11-2011. Seis meses depois, alguns milhares de desempregados à mais e quase uma Grécia a menos no euro, o governo brasileiro –corretamente– anuncia nesta 2ª feira novas medidas contracíclicas para afrontar a  caleidoscópica reprodução da crise financeira mundial  –que a sapiência demotucana avaliava como miragem heterodoxa. É forçoso arguir: e se eles ainda estivessem no comando da Nação?

(Carta Maior; 2ª feira/21/05/2012)

DALTON TREVISAN vence o PRÊMIO CAMÕES (português)

Escritor brasileiro vence Prêmio Camões

 

O escritor brasileiro Dalton Trevisan, 86, foi anunciado o vencedor da 24ª edição do Prêmio Camões nesta segunda-feira (21), em Lisboa. A premiação, criada em 1988 por Brasil e Portugal, é o principal reconhecimento da literatura em língua portuguesa.

O júri, formado por seis representantes de Portugal, Brasil, Moçambique e Angola, reuniu-se nesta manhã para eleger o ganhador. Dalton Trevisan foi premiado por sua “dedicação ao fazer literário”, segundo o escritor Silviano Santiago, um dos integrantes do júri.

“A escolha de Dalton Trevisan foi unânime. Houve uma discussão maravilhosa entre os membros do júri de cerca de duas horas e depois chegamos a essa decisão consensual”, afirmou Santiago em nota divulgada pela Fundação Biblioteca Nacional, responsável pelo prêmio no Brasil. “Primeiramente, pela contribuição extraordinária de Dalton Trevisan para a arte do conto, em particular para o enriquecimento de uma tradição que vem de Machado de Assis, no Brasil, de Edgar Allan Poe, nos EUA, e de Borges, na Argentina.”

Nascido em Curitiba em 14 de junho de 1925, Dalton Jérson Trevisan é autor de “O Vampiro de Curitiba” (1965), uma das suas obras mais conhecidas. Entre outros títulos notáveis do escritor estão “Vozes do Retrato – Quinze Histórias de Mentiras e Verdades” (1998), “O Maníaco do Olho Verde” (2008), “Violetas e Pavões” (2009), “Desgracida” (2010) e “O Anão e a Ninfeta” (2011).

Reprodução
O escritor Dalton Trevisan, vencedor do Prêmio Camões, que não se deixa fotografar, em uma de suas raras imagens
O escritor Dalton Trevisan, vencedor do Prêmio Camões, que não se deixa fotografar, em uma de suas raras imagens

CABO ANSELMO: COMISSÃO DE ANISTIA JULGA ANSELMO NA PRÓXIMA TERÇA / brasilia.df

O ex-marinheiro, que atuou dos dois lados durante a ditadura, reivindica indenização e a condição de anistiado político

20/05/2012 | 16:46 | AGÊNCIA O GLOBO

Comissão de Anistia julga na manhã da próxima terça-feira (22), menos de uma semana após a instalação da Comissão da Verdade, o caso de José Anselmo dos Santos, o Cabo Anselmo. O ex-marinheiro, que atuou dos dois lados durante a ditadura, reivindica indenização e a condição de anistiado político. Ele entrou com o processo na comissão em 2004.

O relator do processo na comissão será o petista Nilmário Miranda, ex-preso político e ministro dos Direitos Humanos no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A tendência é que os conselheiros neguem o pedido de Anselmo.

O processo dele, de número 2004.01.42.025, aguardava na fila para entrar na pauta. Cabo Anselmo liderou a revolta na Marinha, chegou a fugir e viver no exílio, inclusive em Cuba, onde recebeu treinamento de guerrilha. De volta ao Brasil, foi preso no início dos anos 70. Em troca da liberdade delatou perseguidos políticos ao delegado Sérgio Paranhos Fleury, do Dops, incluindo sua namorada, Soledad Viedma, que acabou morta pela tortura. Cooptado pelos órgãos de segurança, tornou-se agente duplo e sua atuação foi decisiva para desmontar grupos de resistência armada urbana à ditadura.

Em entrevista ao programa “Roda Viva”, em outubro do ano passado, disse que não se arrepende de nada do que fez, nem de ter entregado militantes à morte, assassinados em emboscadas armadas pelas forças de repressão. O ex-militar estima ter contribuído para a morte de até 200 pessoas durante o período do regime militar.

O DOCE SABOR DE UMA MULHER – de auber fioravante junior / porto alegre.rs

Face Orvalhada
Tem certos dias,
Que não sinto a caricia do vento
Murmurando pelos laredos d’ alma,
Comungando em segredo com silêncio
Amigo divagador do verso oriundo da brisa!

A bom bordo da nave,
Diante da praia ouço da areia a canção
Pairando dentre as estações,
Relíquias do tempo e do espaço
Dando aconchego ao olhar de solidão!

Mesmo incerto da próxima onda,
Deixo a este bordo, reversos perdidos,
Sem a imagem que inebria meus avessos
Mais insanos brotos já desabrochados,
E ainda altivos percebendo o orvalho das manhãs!

Em pequenos detalhes,
A poesia se formou, se fez flor,
Ensinou-me que o verbo
É tão grande quanto o universo!

Com as lágrimas que habitaram
E ainda habitam minha face,
Componho minha partitura em amor,
Clarividente na luz devaneando pelo luar!

Auber Fioravante Júnior_13/04/2012_Porto Alegre – RS

REGINA, a mulher-loba do Brasil – por amilcar neves / ilha de santa catarina.sc

Regina, mulher-loba do Brasil

 

Lobas são extremamente ciosas dos seus filhotes. Ou então: lobas são selvagemente ciosas. São mansas e pacíficas enquanto o mundo se lhes apresenta manso e pacífico. O problema é que elas se dão ao hábito de pensar e, ao pensar, tomam partido e definem-se criticamente frente a esse mesmo mundo. E ele que se comporte! Nem sonhe em sair da linha!

 

Os filhotes da Regina são os seus alunos, a Literatura (mais necessária e carinhosamente aquela próxima, feita em Santa Catarina) e, por consequência dos cuidados anteriores, os escritores catarinenses. Estes filhotes é que lhe importam.

 

Regina, loba, preocupa-se. Tem consciência política (não se trata aqui de partido político, é importante deixar bem claro), posiciona-se filosoficamente no meio em que vive, em que trabalha com uma dignidade que muita gente não tem para mostrar, no meio em que paga seus impostos como penitência para viver e participar da sua rua, do seu bairro, da sua cidade.

 

Com esse dinheiro, com seu imposto, paga o salário de vereadores e servidores públicos que têm a obrigação de considerar suas opiniões, ao invés de, numa forma simplista, demagógica e autoritária, ameaçá-la de processo judicial por “entravar a máquina pública” ao impedir, com sua força de mulher e sua coragem de ser humano, a “limpeza de um terreno público” no Estreito.

 

O terreno público em questão é uma área com árvores que abriga um sítio arqueológico protegido pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

 

Acontece que a gerente da loja vizinha ao sítio, loja que vende a mais famosa marca de motos do mundo, decidiu limpar o terreno público ao lado. “Vive cheio de usuários de droga”, foi a bandeira que ela levantou. Como o local estaria “desocupado”, dita senhora dá a qualquer um o direito de supor que ela imaginava abrir ali um espaço informal e gratuito para servir de estacionamento exclusivo aos seus abastados clientes. Já que a loja naturalmente será contribuinte dos cofres públicos, a gerente achou-se no direito de acionar seus “contatos”, de maneira informal (por que tanta burocracia, não é mesmo?), a fim de conseguir autorização para a limpeza – limpeza arrasadora com patrola, como um corte de cabelo com máquina zero.

 

Um vereador, que já deixara a secretaria municipal ligada ao caso para candidatar-se à reeleição, autorizou verbalmente o desmate, o desmonte, a “limpeza” de tolerância zero com o terreno – atribuição e autoridade de que ele já não mais dispunha, da mesma forma que não disporia ainda que estivesse no exercício do cargo, simplesmente por tratar-se de um sítio arqueológico: um patrimônio público (não do poder público) de interesse histórico.

 

Regina Brasil, mulher-loba, escolada, que dá um monte de aulas, educa pessoas e ensina-lhes cidadania, desconfiou quando retiraram a tela que protegia o terreno. No dia seguinte, bem cedo, a patrola iniciou a devastação. A professora correu, pôs-se à frente da máquina e impediu que o crime se consumasse em sua totalidade. Ela foi fotografada (as fotos saíram na imprensa e circulam pelos caminhos da internet), aplaudida e consagrada como heroína.

 

Mas as pressões sobre ela aumentam, e serão maiores assim que baixar a poeira da publicidade que envolve o seu ato. Como a ameaçou o pessoal da loja de motos, o que a forçou a registrar Boletim de Ocorrência na delegacia do bairro, “Você não sabe do que somos capazes! Você tem certeza que quer essa incomodação para o resto dos seus dias?”

 

 

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AMILCAR NEVES é membro da ACADEMIA  CATARINENSE DE  LETRAS

‘Nova Lei Rouanet’ terá edital para pequeno produtor e pontuação – por julianna granjeia / são paulo.sp

O projeto de lei que deve substituir a Rouanet pretende fortalecer o FNC (Fundo Nacional de Cultura) para descentralizar o fomento e o incentivo à cultura.

O fundo patrocinará editais para produções culturais que não costumam ser atendidas pela renúncia fiscal, em especial aquelas de fora do eixo Rio-São Paulo.

Para isso, o projeto de lei -chamado ProCultura- fixa mecanismos de capitalização do FNC (que contou com cerca de R$ 300 milhões em 2011). Um deles prevê que parte da renúncia fiscal vá direto para o fundo. Outro seria a destinação a ele de 5% da renda de loterias.

O ProCultura também estabelece um sistema de pontuação -quanto mais contrapartidas sociais (como gratuidade do produto/serviço cultural, acessibilidade, difusão no exterior e ações educativas) houver, maior será o abatimento do IR, que pode ser de 30%, 50% ou 100% do montante investido.

Os empresários que investirem em projetos que alcançarem pontuação equivalente a 30% e 50% de dedução poderão abater o valor total do investimento como despesa operacional, o que acarretará em mais descontos no final do processo.

Já o percentual do imposto destinado pelas empresas para investimentos em shows, teatro e literatura, por exemplo, pode chegar a 6% do total do IR devido -atualmente, o teto é de 4%. O patrocinador que deduzir mais de 4% doará parte do excedente desse percentual ao FNC (veja ao lado).

Outra novidade é o estímulo ao Ficart (Fundo de Investimento Cultural e Artístico), destinado a aplicações em projetos culturais e artísticos. Esse investimento garante dedução no IR de até 50% do valor das cotas adquiridas.

O deputado Pedro Eugênio (PT-PE), relator do projeto, deve entregar o texto para a Comissão de Finanças da Câmara nas próximas semanas.

Ele aguarda um estudo da Fazenda que calculará o impacto da eventual mudança na arrecadação de impostos.

Paulo Pélico, vice-presidente da APTI (Associação dos Produtores Teatrais Independentes), afirma que, se o esquema de renúncia previsto for aprovado, haverá uma mudança positiva no financiamento cultural.

“Nunca tivemos separação entre projetos independentes, públicos e corporativos. Depende, agora, de o governo aprovar. Se tirar uma peça desse quebra-cabeça, não vai funcionar”, diz ele.

TAINHA: No alto de morro na Barra da Lagoa, olheiros têm papel importante na captura da tainha / ilha de santa catarina.sc

Na Barra da Lagoa, Leste da Ilha, a dupla observa o mar no alto do morro

Olheiros têm papel importante na captura da tainha  Caio Marcelo/Agencia RBS

Seo Diquinho (E) conta causos enquanto observaFoto: Caio Marcelo / Agencia RBS
Sâmia Frantz

Seo Diquinho é pescador, mas há 25 anos não entra no mar. Não empurra o barco, nem cerca o cardume. Também não ajuda a puxar a rede e a contar os peixes. No ritual da pesca da tainha, Seo Diquinho, 67 anos, usa os olhos. São eles que, atentos e experientes, observam o mar e são capazes de identificar as inconfundíveis manchas na imensidão das águas. E quando as vê, a busca se transforma em gritos: “vem vindo tainha aí, minha gente!”.

Adir João Lemos, esse é o nome dele, é olheiro. E todo o ritual da pesca da tainha começa com um olheiro. Seu Diquinho se posiciona no alto do Morro da Barra da Lagoa, lá onde a cruz abençoa a comunidade.

Barcos vão pra água após o sinal

E é ao sinal dele que, na praia, os pescadores sabem que chegou a hora de jogar os barcos na água. Seo Diquinho olha tudo lá do alto. Nem sequer participa da “bagunça”:

— A gente só fica olhando daqui. Não dá para ir lá. Pode vir mais atrás, né?

Ele só sai de lá para almoçar. Segue a trilha e caminha até o rancho, onde é preparada a comida. Mas não deixa o posto sozinho, nunca. Reveza o tempo de almoço com José Vieira, 63 anos. José também é pescador, mas pela primeira vez está lá, como olheiro. Trabalhou 30 anos em barcos de caça de malha, mas cansou. Agora quer uma vida mais calma, em terra.

Trabalho puxado de todos

O trabalho do olheiro começa cedo. Às 6h, quando ainda é escuro, Seo Diquinho e José já estão lá, a postos. Debaixo do braço trazem casacos, guarda-chuva, lanterna e comida – geralmente pão, bolo e café com leite. Ficam lá o dia inteiro e só vão embora quando voltar a escurecer.

São horas e horas de observação do mar. Seo Diquinho olhando para o Norte, José para o Sul. Peixe não tem destino, por isso. Ficam de olho na mancha que, algumas vezes, é mais avermelhada e, outras, de um amarelão forte.

— A gente vem todos os dias, faça chuva, faça sol, esteja frio, esteja quente. Venho até quando estou com gripão. É a vida de pescador, né? Peixe não avisa quando passa.

Histórias para passar o tempo

Seo Diquinho é daqueles que gostam de contar histórias. Suas preferidas são as de fantasmas e de causos que ele viu ou ouviu há muitos anos. A sorte de Seo Diquinho é de ter um bom ouvinte. Tudo o que ele tem de conversador, seu José tem de quieto.

— Sabe feiticeira? Ela existe. E sabe lobisomen? Também.

Ele é olheiro há 25 anos e já passou pelo Gravatá e pela Galheta. Gosta tanto do que faz que, agora, só trabalha em época de tainha:

— Às vezes elas vêm pulando. É lindo de ver!

Mais de 4,5 toneladas até agora

A safra deste ano começou com o pé direito, mas as 4,5 toneladas de tainhas retiradas do mar até agora, só na Grande Florianópolis, ainda não são suficientes para fazer a alegria do pescador. A estimativa, nos primeiros três dias, é do Sindicato dos Pescadores.

— Ainda estamos na estaca zero. O forte da tainha começa, mesmo, na semana que vem. Os bons lanços sempre aparecem entre o fim de maio e o início de junho. Isso é histórico – alerta o presidente do órgão, Osvani Gonçalves.

MAR – de omar de la roca / são paulo.sp

 

Que palavra é essa que se agita em mim?

Que mar é esse ?

Como uma onda que me cobre a cabeça,

E eu tenho que bater os pés com força para respirar

Ou como uma tábua de salvação

A que me agarro

E me desgarro quando o pé encontra o chão.

Como a onda que me leva boiando no espaço liquido.

Onde faço lentos movimentos circulares.

Onde sufoco um pouco, um pouco ofego

Sôfrego de luz e de palavras.

Como o barco, que só alcanço a borda

Sem força para nele me chegar

Fraco,tímido, sôfrego  de medo

Tremendo,querendo mergulhar

Mais fundo e mais e mais

Deixando que  a corrente me transporte.

Trazendo a tona a água dividida.

E quebro a onda, com meu corpo

Cujo destino é pedra. E alga.

Com a mão aliso a vaga

Que me levanta e a mim salga.

E sigo resistindo a sereia que se enrosca

Em meus tornozelo, e a mim puxa,

Para o fundo,para o fundo.

Mas me sacudo e me livro

 

Como faço com palavras que me incomodam

Pondo no papel, pondo ao vento

Como roupas a secar e a chuva molha,

Apelando ao perdido pensamento,

Sentimento que não volta.

Que mar é esse ?

Que palavra é essa?

Aceno a mão para o navio inexistente,

Querendo voltar ao porto que ainda não existe,

A água sobe e perco o pé, mais esforço feito,

para ficar a tona, cabeça de fora,nariz de fora.

Ar , que te quero puro.

Ar que é preciso, e eu preciso .

Que palavra que se agita

Em mim e logo grita,

Que mar, no qual me agito,

Muito alem de meu próprio grito?

O sol chia ao encostar na água lá no horizonte.

Logo será noite. Encontrarei areia. Bato os pés

Em desalinho,respiro,afundo.

Me agarro a um tronco. Devo estar perto de terra firme.

Bato os pés e vou seguindo.Vou seguindo.

Que palavra, que mar ?

Bato os braços,os  pés.

Chego lá ? Não sei,engulo água,

E ,me agito mais forte para respirar,

para alem de minha mágoa.

Que cor é essa com a qual escrevo?

Cor de água do mar.

E o papel ? Transparente ,de vidro.

Que mar ?…afundo.

Que palavra ? Surdo, de água.

Areia,concha,alga e pedra. Mar.

E no ar seguro de novo.

PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF dá posse a COMISSÃO da VERDADE (vídeos, foto, texto) / brasilia.df

UM clique no centro do video:

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Integrantes falam na posse da COMISSÃO:

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O Brasil e as novas gerações merecem a verdade, afirma presidenta Dilma

Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia de instalação da Comissão Nacional da Verdade, no Palácio do Planalto. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

A presidenta Dilma Rousseff afirmou hoje (16), no Palácio do Planalto, ao dar posse aos integrantes da Comissão da Verdade, que o Brasil e as novas gerações merecem a verdade. Segundo Dilma, a comissão, que terá prazo de dois anos para apurar violações aos direitos humanos ocorridas no período entre 1946 e 1988, que inclui a ditadura militar (1964-1985), não será pautada pelo revanchismo e pelo ódio.

“O Brasil merece a verdade, as novas gerações merecem a verdade e, sobretudo, merecem a verdade factual aqueles que perderam amigos e parentes e que continuam sofrendo como se eles morressem de novo e sempre a cada dia. É como se disséssemos que, se existem filhos sem pais, se existem pais sem túmulo, se existem túmulos sem corpos, nunca, nunca mesmo, pode existir uma história sem voz. E quem dá voz à história são os homens e as mulheres livres que não têm medo de escrevê-la.”.

Segundo a presidenta, a criação da Comissão da Verdade não foi movida pelo desejo de reescrever a história. Para Dilma, a instalação da comissão é a celebração da transparência da verdade de uma nação que vem trilhando seu caminho na democracia.

“Ao instalar a Comissão da Verdade não nos move o revanchismo, o ódio ou o desejo de reescrever a história de uma forma diferente do que aconteceu, mas nos move a necessidade imperiosa de conhecê-la em sua plenitude, sem ocultamentos, sem camuflagens, sem vetos e sem proibições”.

Dilma afirmou que os sete integrantes da Comissão da Verdade – Cláudio Fonteles, Gilson Dipp, José Carlos Dias, João Paulo Cavalcanti Filho, Maria Rita Kehl, Paulo Sérgio Pinheiro e Rosa Maria Cardoso da Cunha – foram escolhidos pela competência e pela capacidade de entender a dimensão do trabalho que vão executar.

“Ao convidar os sete brasileiros que aqui estão e que integrarão a Comissão da Verdade, não fui movida por critérios pessoais nem por avaliações subjetivas. Escolhi um grupo plural de cidadãos, de cidadãs, de reconhecida sabedoria e competência. Sensatos, ponderados, preocupados com a justiça e o equilíbrio e, acima de tudo, capazes de entender a dimensão do trabalho que vão executar. Trabalho que vão executar – faço questão de dizer – com toda a liberdade, sem qualquer interferência do governo, mas com todo apoio que de necessitarem”, disse a presidenta.

Na cerimônia, a presidenta também falou sobre a Lei de Acesso à Informação, que passa a vigorar a partir de hoje, junto com a Comissão da Verdade.

“A nova lei representa um grande aprimoramento institucional para o Brasil, expressão da transparência do Estado, garantia básica de segurança e proteção para o cidadão. Por essa lei, nunca mais os dados relativos à violações de direitos humanos poderão ser reservados, secretos ou ultrassecretos”.

LEI ÁUREA, 124 anos após a publicação o Brasil não consegue erradicar trabalho escravo – por najla passos / são paulo.sp


As comemorações dos 124 da Lei Áurea, neste domingo (13), perderam o brilho. Mais uma vez, a Câmara dos Deputados adiou a votação da Proposta de Emenda Constitucional 438, a chamada PEC do Trabalho Escravo, que prevê a expropriação das terras em que a prática for comprovada. A bancada ruralista foi quem deu a última palavra. O argumento é meramente ideológico: a defesa intransigente da propriedade.

 

As comemorações dos 124 anos da Lei Áurea, neste domingo (13), perderam o brilho. Mais uma vez, a Câmara dos Deputados adiou a votação da Proposta de Emenda Constitucional 438, a chamada PEC do Trabalho Escravo, que tramita há 11 anos na casa. Não bastaram a intensa mobilização da sociedade civil, os esforços do governo e o compromisso dos parlamentares mais progressistas. A bancada ruralista, que possui a maioria dos votos na casa, foi quem deu a última palavra, a exemplo do ocorreu na votação do novo Código Florestal.

A votação estava prevista para ocorrer na noite de terça (8), em sessão extraordinária. Durante todo o dia, movimentos camponeses, militantes dos direitos humanos, representantes das centrais sindicais, artistas, intelectuais e políticos participaram de atos e manifestações em favor da matéria, que prevê o endurecimento da pena contra os proprietários das terras onde for comprovada a prática, inclusive com a expropriação das terras para fins de reforma agrária.

Embora nenhum parlamentar tenha chegado à ousadia de subir na tribuna para defender a prática, momentos antes do horário previsto para a votação, o quórum do plenário da Câmara permanecia baixo. As 16:30 horas, apenas 208 dos 513 deputados haviam assinado a lista de presença. Para a aprovação de uma mudança na constituição, são necessários pelo menos 308 votos favoráveis. O deputado Amauri Teixeira (PT-BA) que acompanhava de perto a mobilização em plenário, já denunciava: “Há partidos grandes, alguns deles da própria base aliada do governo, que estão com poucos deputados em plenário”.

Na reunião dos líderes de bancadas, representantes dos partidos de oposição e da própria base aliada do governo explicaram porque não aprovariam a matéria. De acordo como líder o governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), os ruralistas reclamavam que a PEC não deixava claro o que é trabalho escravo e nem detalhava em quais circunstâncias se daria a expropriação.

O presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), ainda tentou um acordo: os parlamentares aprovavam a PEC como estava, e ele conversaria com o presidente do Senado, José Sarney, para que a casa revisora aprovasse uma lei complementar detalhando os pontos de discórdia. Os ruralistas concordaram. O presidente anunciou a votação para o dia seguinte e deu início às negociações com o Senado. A mobilização social se dispersou.

Entretanto, na quarta (9), pela manhã, os ruralistas se reuniram e decidiram pelo rompimento do acordo. Em documento divulgado, eles criticavam não só os pontos levantados na reunião de líderes do dia anterior, como vários outros. Segundo eles, a PEC implicaria em insegurança jurídica, o que ocasionaria a fuga de investidores do país.

“Os argumentos são mentirosos. O conceito de trabalho escravo, por exemplo, já está tipificado no Código Penal e e muito bem difundido até no senso comum. Mas eles terão que acertar as contas com a história”, afirmou o presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara, deputado Domingos Dutra (PT-MA).

Ele criticou também a alegação dos ruralistas de que a expropriação poderia prejudicar, também, um proprietário que, porventura, arrendasse terras para alguém que compactuasse com prática do trabalho escravo. “Saber a quem arrenda um imóvel é dever do proprietário já previsto na Constituição”, rebateu.

À noite, o quórum era de 338 deputados em plenário. Porém, sem conseguir negociar com os ruralistas, o presidente da Casa fez as contas e, ciente de que não conseguiria aprovar a matéria, adiou a votação para 22 de maio.

Ferida aberta
Dados do relatório Conflitos no Campo Brasil 2011, divulgados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), na última segunda (7), já mostravam a dimensão atual do problema. Só em 2011, foram identificados 230 casos de ocorrência de trabalho escravo em 19 dos 27 estados do país, envolvendo 3.929 trabalhadores, inclusive 66 crianças. Destes, 2.095 foram de fato considerados em condições análogas à de escravidão, e libertados.

As ocorrências se deram, principalmente, nas atividades ligadas à pecuária (21%), ao corte de cana (19%), à construção civil (18%), a outras lavouras (14%), à produção de carvão (11%), ao desmatamento e reflorestamento (9%), à extração de minério (3%) e à indústria da confecção (3%).

“O trabalho escravo é um fenômeno majoritariamente rural, da fronteira agrícola, da invisibilidade, salvo as raras exceções em que ocorrem nas cidades, com a exploração de estrangeiros ilegais. O agronegócio brasileiro, que se diz pujante, moderno e altamente tecnológico, não precisa estar vinculado a esta prática. Por isso, acredito que a posição da bancada ruralista reflete mesmo é a questão ideológica da defesa intransigente da propriedade”, resumiu o ex-ministro dos Direitos humanos do governo Lula, Nilmário Miranda.´

Najla Passos

O vento mudou na Europa – por josé manuel pureza / coimbra.pt

A política europeia virou? Não. Mas só o sectarismo mais cego se recusará a reconhecer que as condições do combate político em escala europeia e em escala nacional mudaram no domingo passado. Há uma inequívoca derrotada nas eleições francesas e gregas: a troika e a sua receita estúpida e incompetente para a Europa. O campo dos talibãs da austeridade ficou fragilizado. Pode estar em germinação uma Europa nova. As escolhas que agora fizermos decidirão o sentido e a densidade dessa novidade.



Não, não é inevitável. Foi essa a mensagem dada à Europa pelos povos de França e da Grécia. Cada um a seu jeito, porque cada um está em sua condição. Não é inevitável a desconstrução da Europa por um fundamentalismo recessivo, disse com clareza o povo francês. Não é inevitável a punição das vidas das pessoas e a humilhação dos povos como redenção da cupidez do sistema financeiro, disseram com clareza os gregos.

A política europeia virou? Não. Mas só o sectarismo mais cego se recusará a reconhecer que as condições do combate político em escala europeia e em escala nacional mudaram no domingo passado. Há uma inequívoca derrotada nas eleições francesas e gregas: a troika e a sua receita estúpida e incompetente para a Europa. O campo dos talibãs da austeridade ficou fragilizado. E se é certo que do novo presidente francês não se ouve a palavra ruptura, não é menos certo que no centro do seu compromisso eleitoral estava a renegociação do pacto orçamental imposto por Angela Merkel.

Esse vai ser o teste decisivo à intensidade da mudança: ou a social-democracia hoje personificada em François Hollande se queda por uma adenda ao neo-liberalismo – que o aceita e não quer mais do que “humanizá-lo” – ou tem a coragem de lhe contrapor com clareza e coragem outra estratégia, outro horizonte e outra cultura econômica e política.

Essa é também a escolha que os socialistas portugueses terão que fazer. Que a direção do Partido Socialista tenha alinhado com esta direita na aprovação pacoviamente precoce do pacto orçamental ditado de Berlim – para mais, votando a favor – retira-lhe todo o crédito que um sábio adiamento da decisão confere agora a Hollande e coloca-a em contradição com a vontade expressa pelo SPD de votar contra o dito pacto. O PASOK, na Grécia, fez o mesmo que Seguro. Os resultados estão à vista. A interpelação de Mário Soares ao seu partido tem, neste contexto, um sentido claro: a radicalidade da crise não se compadece com adendas suavizadoras da austeridade, é precisa outra opção de fundo e ela não se fará sem rutura com o memorando de entendimento com a troika. Não por palavras mas em atos concretos.

O dogma da ilegalização de tudo quanto não seja neo-liberalismo- custe-o-que-custar sofreu um sério revés em Paris e Atenas. Cabe agora a todos/as os/as que aspiram a uma mudança efetiva transformar essa derrota do adversário numa vitória própria. Para isso é preciso programa, é preciso firmeza sem transigências no essencial e maleabilidade lúcida no acessório, é preciso ouvir as pessoas e garantir-lhes em concreto a dignidade que lhes está a ser roubada.

A lição dos resultados eleitorais na Grécia é essa mesma. Claro que, aflitos, os amigos do centrão sentenciam o caos causado pela vitória dos “radicais”. Como se radicais não tivessem sido as políticas que governaram a Grécia nos últimos dois anos pela mão da troika e do centrão com ela alinhado, como se caos não fosse uma dívida que cresceu para os 180% do PIB depois da intervenção externa, um desemprego que vai nos 22% e um horizonte de pelo menos mais dez anos de agravamento desta descida aos infernos. Não, o que incomoda verdadeiramente os amigos do centrão é que uma esquerda europeísta e por isso mesmo frontalmente contrária à destruição recessiva da Europa passe a ter um reconhecimento social amplo e possa ser vista como precedente de conteúdos de governação alternativos para a União.

Pode estar em germinação uma Europa nova. As escolhas que agora fizermos decidirão o sentido e a densidade dessa novidade. Não, não há inevitabilidades. Tudo está sempre em aberto.

(*) José Manuel Pureza – prof de Relações Internacionais da Universidade de Coimbra e prof visitante do departamento de Relações Internacionais da PUC/SP

O MUSEU E A ARTE CONTEMPORÂNEA – por almandrade / salvador.ba


Na arte contemporânea não existe limites estabelecidos para a invenção da obra, embora nem tudo em nome da liberdade, sem critérios e sem o risco de referências, a transgressão sem saber de que, divulgado como arte, é arte. Com o deslocamento dos suportes tradicionais, a exemplo da pintura e da escultura para outras opções estéticas ou experiências artísticas em processo, com o uso de novas tecnologias disponíveis, ou não, mas principalmente com um novo conceito do que vem a ser uma obra de arte, hoje em dia, coloca em xeque o museu tradicional. Determinadas linguagens de natureza diversificadas da atualidade solicitam a reformulação de demandas e estratégias museias, um outro modelo museológico e museográfico.

O museu é o recipiente de conservar uma coleção e preservar uma herança estética e cultural de um tempo que passou e do presente para significar o possível futuro. Ele ocupa um lugar de destaque entre os diferentes elementos que compõem o sistema da arte. Assim como o hospício e a clínica, é provável ver nele um espaço de confinamento, um espaço sagrado, intocável e asséptico de exposição de objetos, que exige do espectador um ritual de contemplação, quase em silêncio, das chamadas obras de arte.

Não é um lugar neutro, tem história e implicações ideológicas. Na primeira metade do século XX, o museu de arte era o depósito de repouso do moderno, questionado no início desse século pelo precursor das poéticas contemporâneas, Marcel Duchamp e seu novo paradigma, bem humorado, para a arte: não mais uma coisa criada pelo artista, mas a coisa que o sujeito reconhecido como artista escolhe e decide para ser a obra de arte.

O museu como lugar passivo foi desarticulado com o Minimalismo na década de 1960 e logo em seguida a Arte Conceitual entrou em cena questionando de forma crítica e decisiva as instituições culturais, em especial o museu, o templo da sacralização da arte. O embate foi travado entre o museu e as novas propostas artísticas, efêmeras, privilegiando a ideia contra a materialidade que se armazena na instituição e alimenta o mercado de arte com mercadorias. A arte, desde então, passou a ser uma usina geradora de críticas, provocações e incômodos. Os mal-entendidos entre a arte e a instituição museal foram inevitáveis e imprevisíveis.

O caráter problematizador dessa produção de arte praticamente rejeitou o estatuto da obra de arte como produto, isto contrariou interesses do mercado e o desejo de classificar e acomodar da instituição museológica. Para a arte contemporânea, o museu com sua arquitetura característica, com função de alojar uma diversidade de procedimentos, é um laboratório de ensaio do que pode ser uma obra de arte, um campo de experimentação. O museu é indispensável, é o ponto de partida e a estação de chegada. É ele que legitima o que se designa experiência artística. E o papel do museu, mais do que armazenar obras, é ser um espaço de pensamento crítico e educativo, frequentado por um público ativo e não mero observador do que está em exposição.

De certa forma, a arte, produzida hoje, expõe feridas da cultura e do sistema da arte. E o imaginário museal tem uma importância na formação do olhar capaz de pensar sobre a arte, do olhar que deixou de contemplar passivamente para experimentar e vivenciar. A arte de hoje não nos diz nada como a arte do passado, ela convida o espectador para refletir sobre o que é uma obra de arte e suas relações com o sistema institucional. Nesse caso, o museu é o lugar privilegiado para o exercício do pensamento, até porque, as obras efêmeras são transferidas ou resgatadas para dentro do discurso e da instituição museológica pelos documentos, registros e reproduções.

Almandrade

(artista plástico, poeta e arquiteto)

AMOR de MÃE – por wilker barreto

Meus amigos, hoje é o Dia das Mães e – por que não dizer – o dia do amor. Não há na vida algo maior, mais intenso e mais sublime do que o amor de mãe: incondicional, absoluto e irrestrito.

Amor que encoraja, fortalece, transforma, torna possível o impossível. Berço da vida, afago da alma, combustível da esperança, és tu, mamãe, que nos educa, ensina, acalenta e nos acompanha em nossa caminhada. Todo dia é teu dia, mãe! Nada que possamos fazer será suficiente para agradecer a dedicação, o carinho, a generosidade, a compreensão, os dias a fio e o amor que nos foi dedicado.

Verdadeiras guerreiras na batalha de educar e preparar seus filhos, as mães cumprem várias jornadas de trabalho e nada recebem por isso. São mães, esposas, profissionais e, infelizmente, têm sido cada vez mais frequentes os casos em que também se tornam pais. Não restam dúvidas, somente as mulheres poderiam ser capazes de desempenhar tantas funções ao mesmo tempo e com tamanha excelência. Só nos cabe agradecer, reverenciar e dizer que não chegaríamos a lugar algum sem o seu amparo, seu colo e seus ensinamentos.

Nenhuma mãe falece, porque todas habitam em nossos pensamentos e residem em nossos corações. Seus ensinamentos jamais se perderão, e do seu amor jamais esqueceremos. O pouco que somos devemos a ti e, como diria o poeta, “somente uma coisa no mundo é melhor e mais bela do que a mulher: a mulher que é mãe”.

Amemos, celebremos e jamais nos esqueçamos da criatura mais importante de nossas vidas. Aproveitemos, em especial, o dia de hoje para exaltar as mães, festejar o amor e valorizar a família. Que todos tenhamos um grandioso e memorável dia. Muito amor, paz, saúde e longevidade às nossas mamães. Irmanemo-nos no amor e na generosidade das mães de ontem, de hoje e do amanhã. Profiramos todos os dias em alto e bom som: Mãe, eu te amo!

jorn. AROLDO MURÁ, MANOEL DE ANDRADE e DANTE MENDONÇA, CONVIDAM: Curitiba.pr

COMISSÃO DA VERDADE, governo anuncia integrantes / Brasilia.df

Cerimônia de posse, em 16 de maio, terá a presença dos ex-presidentes Sarney, Collor, FHC e Lula

BRASÍLIA – A presidente Dilma Rousseff escolheu os sete integrantes da Comissão da Verdade. São eles: José Carlos Dias, ex-ministro da Justiça, Gilson Dipp, ministro Superior Tribunal de Justiça, Rosa Maria Cardoso da Costa, ex-advogada da presidente Dilma, Cláudio Fonteles, diplomata e ex-secretário de Direitos Humanos do Ministério da Justiça Paulo Sérgio Pinheiro, a psicanalista Maria Rita Kehl e o advogado e jurista José Paulo Cavalcanti Filho.

A posse está marcada para o dia 16 de maio e os ex-presidentes José Sarney, Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva participarão da cerimônia. O porta-voz do Planalto, Thomas Traumann, informou que os convites foram feitos todos na tarde desta quinta-feira, pessoalmente, “Todos os ex-presidentes já confirmaram suas presenças em uma demonstração de que esta comissão não é de governo, é de Estado”, afirmou o porta-voz.

A Comissão da Verdade gerou uma grande polêmica desde quando foi anunciada por causa de questionamentos da área militar. Em todas as manifestações os militares da reserva, principalmente do Exército, afirmar que a comissão será revanchista e tentará reescrever a história à sua maneira. Mas o governo rebate esta tese e insiste que a comissão será de Estado e agirá com imparcialidade. Em seu discurso, quando sancionou a lei, a presidente Dilma afirmou que a Comissão da Verdade consolida o processo democrático e salientou que “o silêncio e o esquecimento são sempre uma grande ameaça. Não podemos deixar que no Brasil a verdade se corrompa com o silêncio”.

Dilma acrescentou ainda que “a verdade interessa muito às novas gerações que tiveram a oportunidade de nascer e viver sob regime democrático. Interessa, sobretudo, aos jovens que hoje têm o direito à liberdade e devem saber que essa liberdade é preciosa e que, muitos, por ela lutaram e pereceram. As gerações brasileiras se encontram hoje em torno da verdade. O Brasil inteiro se encontra, enfim, consigo mesmo sem revanchismo, mas sem a cumplicidade do silêncio”, concluiu.

Entre os objetivos da comissão estão “esclarecer os fatos e as circunstâncias dos casos de graves violações de direitos humanos” entre 1946 e 1988 e “promover o esclarecimento circunstanciado dos casos de torturas, mortes, desaparecimentos forçados, ocultação de cadáveres e sua autoria, ainda que ocorridos no exterior”. A partir da sua instalação, a comissão terá um prazo de dois anos para conclui os trabalhos. Não está estabelecido como será o rito de funcionamento da comissão. Cada integrante da comissão receberá um salário mensal de R$ 11.179,36.

A lei prevê que a comissão requisite documentos de órgãos públicos, convoque para entrevistas “pessoas que possam guardar qualquer relação com os fatos e circunstâncias examinados”, promova audiências públicas e peça proteção para indivíduos que eventualmente se encontrem “em situação de ameaça” por conta da colaboração com a comissão.

A legislação ainda estabelece que as atividades não terão “caráter jurisdicional ou persecutório” e que “é dever dos servidores públicos e dos militares colaborar” com a comissão. A legislação ainda estabelece que as atividades não terão “caráter jurisdicional ou persecutório” e que “é dever dos servidores públicos e dos militares colaborar” com a comissão. Está prevista ainda que a comissão poder firmar parcerias com instituições de ensino superior e organismos internacionais.

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Tânia Monteiro e Rafael Moraes Moura, da Agência Estado

senador CIRO MIRANDA faz elogio inédito, da tribuna do senado, ao POVO BRASILEIRO Brasilia.df

ANDRÉ RIEU e o BRASIL / londres

Surpresa no Concerto de André Rieu em Londres… 


Desenvolvia-se o concerto de música clássica no refinado Royal Albert Hall, em Londres, sob sua regência . E de repente ele surpreende. Espetacularmente. Bravíssimo!!!

UM clique no centro do vídeo:

IGREJAS e INDÚSTRIAS unem seus deputados e votam contra a “tributação de fortunas”, porque seriam atingidas / brasilia

Parceria CNI-Igreja derruba votação para tributar fortunas

Em comissão da Câmara, parlamentares dos setores esvaziaram reunião

EVANDRO ÉBOLI

BRASÍLIA – Uma inusitada parceria entre o lobby da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e parlamentares católicos e evangélicos impediu nesta quarta-feira a aprovação de projeto que cria a Contribuição Social das Grandes Fortunas (CSGF), recurso que seria destinado exclusivamente para a saúde. Essa união de forças se deu na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara. O autor do pedido de verificação de quórum na comissão, uma manobra para impedir aprovação de projetos, foi do deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), médico que se apresenta como defensor da saúde. Desde o início da sessão, assessores da CNI e de deputados evangélicos negociaram boicotar a reunião.

O interesse dos religiosos era evitar, mais uma vez, um projeto que tramita há anos no Congresso e que cria direitos previdenciários para dependentes de homossexuais. Este nem chegou a ser apreciado. E o da bancada da CNI era impedir a votação do projeto que taxa as grandes fortunas. E conseguiram. Parlamentares desses dois grupos esvaziaram a sessão. O projeto que taxa as grandes fortunas tem como autor o deputado Doutor Aluizio Júnior (PV-RJ). Pela proposta, são criadas nove faixas de contribuição a partir de acúmulo de patrimônio de R$ 4 milhões e a última faixa é de acima de R$ 115 milhões. O projeto atinge 38 mil brasileiros, com patrimônios que variam nessas faixas.

- São R$ 14 bilhões a mais para a saúde por ano. Desse total, R$ 10 bilhões viriam de 600 pessoas, mais afortunadas do país. Vamos insistir com o projeto – disse Aluizio Júnior.

A relatora do projeto foi a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que deu parecer favorável. O projeto das grandes fortunas chegou a ser votado e 14 parlamentares votaram sim e três, não. Foi nesse momento que Perondi pediu a verificação de quórum e eram precisos 19 votantes ao todo. E tinham 17. Faltaram apenas dois para a matéria ser considerada aprovada.

Quando começou a votação, parlamentares do PSDB e do DEM deixaram o plenário. O deputado Doutor Paulo César (PSD-RJ) fez um parecer contrário ao de Jandira e argumentou que taxar grandes fortunas iria espantar os investimentos e empresários levariam dinheiro para fora do país. Mas a derrota, no final, pode ser atribuída a dois parlamentares evangélicos. Um deles, Pastor Eurico (PSB-PE) chegou a fazer um discurso a favor da taxação das grandes fortunas e afirmou até que a Câmara está cheio de lobbies de interesses. Chegou a ser aplaudido, mas, na hora de votar, atendeu ao apelo da parceria CNI-religiosos, e deixou o plenário. Nem sequer votou. Outro deputado, Marco Feliciano (PSC-SP), defensor dos interesses religiosos deixou o plenário quando se inicia a votação.

O advogado Paulo Fernando Melo, um assessor das bancadas religiosas e que atuou na parceria com a CNI, comemorou o resultado.

- Tinham duas matérias polêmicas na pauta (pensão para gays e taxação de grandes fortunas). No final, a articulação desses dois setores, que é regimental, deu certo e os dois lados saíram vitoriosos – disse Paulo Fernando.

senador AGRIPINO MAIA, presidente do DEM, arauto da moralidade, É ACUSADO de receber propina (de R$1.000.000,00) no Rio Grande do Norte

Testemunha acusa Agripino Maia de receber propina

Leandro Fortes
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O senador Agripino Maia, presidente do DEM, é acusado de receber 1 milhão de reais do esquema. Foto: Válter Campanato / Agência Brasil

Há pouco mais de um mês, em 2 de abril, um grupo de seis jovens promotores de Justiça do Ministério Público do Rio Grande do Norte organizou uma sessão secreta para ouvir um lobista de São José do Rio Preto (SP), Alcides Fernandes Barbosa, ansioso por um acordo que o tirasse da cadeia. Ele foi preso com outras nove pessoas, em 24 de novembro de 2011, durante a Operação Sinal Fechado, que teve como alvo a atuação do Consórcio Inspar, montado por empresários  e políticos locais com a intenção de dominar o serviço de inspeção veicular no estado por 20 anos. A quadrilha pretendia faturar cerca de 1 bilhão de reais com o negócio. Revelado, agora, em primeira mão, por CartaCapital, o depoimento de Barbosa aponta a participação do senador Agripino Maia, presidente do DEM, acusado de receber 1 milhão de reais do esquema.

O depoimento de Barbosa durou 11 horas e reforçou muitas das teses levantadas pelos promotores sobre a participação de políticos no bando montado pelo advogado George Olímpio, apontado como líder da quadrilha, ainda hoje preso em Natal. De acordo com trechos da delação, gravada em vídeo, Barbosa afirma ter sido chamado, no fim de 2010, para um coquetel na casa do senador Agripino Maia, segundo disse aos promotores, para conhecer pessoalmente o presidente do DEM. O convite foi feito por João Faustino Neto, ex-deputado, ex-senador e atual suplente de Agripino Maia no Senado Federal. Segundo o lobista, ele só foi chamado ao encontro por conta da ausência inesperada de outros dois paulistas, um identificado por ele como o atual senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) e o outro apenas como “Clóvis” – provavelmente, de acordo com o MP, o também tucano Clóvis Carvalho, ex-ministro da Casa Civil do governo Fernando Henrique Cardoso.

Apontado como um dos principais articuladores do esquema criminoso no estado, Faustino Neto foi subchefe da Casa Civil do governo de São Paulo durante a gestão do tucano José Serra. Na época, era subordinado a Aloysio Nunes Ferreira.

De acordo com os promotores, o papel de Barbosa na quadrilha era evitar que a Controlar, uma empresa com contratos na prefeitura de São Paulo, participasse da licitação que resultou na escolha do Consórcio Inspar. Em conversas telefônicas interceptadas com autorização da Justiça potiguar, Barbosa revela ter ligado para o prefeito Gilberto Kassab (PSD), em 25 de maio de 2011, quando se identificou como responsável pela concessão da inspeção veicular no Rio Grande do Norte. Aos interlocutores, o lobista garantiu ter falado com o prefeito paulistano e conseguido evitar a entrada da Controlar na concorrência aberta pelo Detran local. Em um dos telefonemas, afirma ter tido uma conversa “muito boa”. Embora não se saiba o que isso significa exatamente, os promotores desconfiam das razões desse êxito. Apenas em propinas, o MP calcula que a quadrilha gastou nos últimos dois anos, cerca de 3,5 milhões de reais.


Aos promotores, Alcides Barbosa revelou que foi levado ao “sótão” do apartamento do senador Agripino Maia, em Natal, onde garante ter presenciado o advogado Olímpio negociar com o senador apoio financeiro à campanha de 2010. Na presença de Faustino Neto e Barbosa, diz o lobista, George prometeu 1 milhão de reais para o presidente do DEM. O pagamento, segundo o combinado, seria feito em quatro cheques do Banco do Brasil, cada qual no valor de 250 mil reais, a ficarem sob a guarda de um homem de confiança de Agripino Maia, o ex-senador José Bezerra Júnior, conhecido por “Ximbica”. De acordo com Barbosa, Agripino Maia queria o dinheiro na hora, mas Olímpio afirmou que só poderia iniciar o pagamento das parcelas a partir de janeiro de 2012.

O depoimento reforça um outro, do empreiteiro potiguar José Gilmar de Carvalho Lopes, dono da construtora Montana e, por isso mesmo, conhecido por Gilmar da Montana. Preso em novembro de 2011, o empreiteiro prestou depoimento ao Ministério Público e revelou que o tal repasse de 1 milhão de reais de Olímpio para Agripino Maia era “fruto do desvio de recursos públicos” do Detran do Rio Grande do Norte. O empresário contou história semelhante à de Barbosa. Segundo ele, Olímpio deu o dinheiro “de forma parcelada” na campanha eleitoral de 2010 a Carlos Augusto Rosado, marido da governadora Rosalba Ciarlini (DEM), e para o senador Agripino Maia. E mais: a doação foi acertada “no sótão do apartamento de José Agripino Maia em Morro Branco (bairro nobre de Natal)”.

Com base em ambos os depoimentos, o Ministério Público do Rio Grande do Norte decidiu encaminhar o assunto à Procuradoria Geral da República, pelo fato de Agripino Maia e ser senador da República, tem direito a foro privilegiado. Lá, o procurador-geral Roberto Gurgel irá decidir se uma investigação será aberta ou não.

O depoimento de Barbosa (foto) reforçou muitas das teses levantadas pelos promotores sobre a participação de políticos no bando montado pela quadrilha.,

Procurado por CartaCapital, o senador Agripino Maia negou todas as acusações. Afirma que nunca houve o referido coquetel no apartamento dele, muito menos repasse de 1 milhão de reais das mãos da quadrilha para sua campanha eleitoral, em 2010. Negou até possuir um sótão em casa. “Sótão é aquela coisinha que a gente sobe por uma escadinha. No meu apartamento eu tenho é uma cobertura”, explicou. Agripino Maia afirma ser vítima de uma armação de adversários políticos e se apóia em outro depoimento de Gilmar da Montana, onde ela nega ter participado do coquetel na casa do senador.

De fato, dias depois de o depoimento do empreiteiro ter vazado na mídia, no final de março passado, o advogado José Luiz Carlos de Lima, contratado posteriormente à prisão de Gilmar da Montana, apareceu com outra versão. Segundo Lima, houve “distorções” das declarações do empresário. De acordo com o advogado, o depoimento de Montana, prestado a dois promotores e uma advogada dentro do Ministério Público, ocorreu em condições “de absoluto estresse emocional e debilidade física” do acusado, que estaria sob efeito de remédios tranquilizantes. No MP potiguar, a versão não é levada a sério.

Dá dó! – por valdo cruz / Brasilia.df

Dá dó!

 

A oposição está atordoada. Alguns de seus líderes ensaiaram críticas às mudanças feitas pela presidente Dilma Rousseff na remuneração da caderneta de poupança. Saíram dizendo que ela deveria ter reduzido os impostos sobre aplicações financeiras, como fundos de investimentos, em vez de mudar o cálculo do rendimento da caderneta, a mais tradicional forma utilizada pelo brasileiro para poupar seu dinheirinho no final do mês.

Faltou quem orientasse esses líderes da oposição. Em resumo, eles defenderam que o governo melhorasse a vida dos rentistas, aumentando o lucro daqueles que aplicam, por exemplo, em títulos do Tesouro Nacional, em vez de mexer na poupança, o que irá permitir que o Banco Central reduza ainda mais a taxa de juros do país. Traduzindo, querem beneficiar um grupo restrito de pessoas em vez de adotar uma medida que tem potencial para melhorar a vida de empresários e trabalhadores com a redução do custo financeiro do país.

Mal comparando, a oposição ensaiou entrar no mesmo caminho dos petistas quando do lançamento do Plano Real. Luiz Inácio Lula da Silva, que veio a se tornar presidente do Brasil, não poupou críticas ao plano elaborado pelo tucano Fernando Henrique Cardoso no governo Itamar Franco. Mais tarde, admitiu o erro, responsável por sua derrota na eleição de 1994.

Agora, se tudo der certo na estratégia dilmista, o Brasil pode caminhar para ter juros civilizados -estratégia que a equipe da presidente classifica de o Plano Real da Dilma. Se a oposição insistir nas críticas fáceis à mexida na poupança, corre o risco de ter de reconhecer, daqui alguns anos, o erro de avaliação. Infelizmente, a oposição brasileira minguou e não se mostra capaz de lançar uma agenda propositiva.

O fato é que, tirando as preferências partidárias, a mudança na caderneta de poupança é uma medida que veio tarde. Dilma, ao contrário de seus antecessores, teve disposição e coragem de enfrentar o tema, tido como impopular por conta do histórico recente de confisco da poupança patrocinado pelo governo de Collor.

A remuneração fixa da caderneta de poupança, na casa dos 7%, havia criado um piso para a taxa de juros. Ela não podia cair para 8,5% sem provocar distorções no mercado financeiro e no financiamento da dívida pública.

Como as aplicações financeiras pagam taxa de administração e Imposto de Renda, um juro de 8,5% pago pelos títulos públicos, que compõem as carteiras de fundos de investimento, acaba equivalendo a algo na casa de 7%. Resultado: os rentistas tenderiam a tirar seu dinheiro dos fundos e passar para a poupança, que ficaria mais rentável. Agora, esse risco deixa de existir. E o Banco Central fica livre para reduzir os juros, caso, claro, avalie que o cenário econômico permite tal movimento.

No Palácio do Planalto, a expectativa é que os juros, hoje em 9% ao ano, caiam para pelo menos 8% no final de 2012. Há quem aposte que pode ficar até abaixo deste percentual. A conferir.

 

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VALDO CRUZ  é jornalista da Folha.com

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE concede entrevista a LEDA NAGLE /são paulo.sp

 

UM clique no centro do vídeo:

PRESIDENTA DILMA: Um dia de desagravo a VARGAS, JANGO e BRIZOLA

DILMA põe a máquina, de volta, aos trilhos da história e Fernando Henrique Cardoso sai dos trilhos envergonhado. A história é implacável.

Em seu discurso de despedida do Senado, em dezembro de 1994, o presidente eleito Fernando Henrique Cardoso anunciou o fim da Era Vargas. Foi generosamente elogiado pelas corporações midiáticas, saudado pelos bancos, aplaudido pelo capital estrangeiro, incensado, enfim, pelo dinheiro grosso e seus áulicos de escrita fina.

Era preciso sedimentar o estigma maniqueísta para legitimar o projeto conservador. Foi o que se fez e ainda se faz. Não escapa ao observador atento a entrevista ‘oportuna’ de FHC à Folha esta semana para advertir a Presidenta em corajosa ofensiva contra os bancos para a redução dos juros.”Vá devagar, não se brinca (sic) com o mercado financeiro”, protestou o tucano. É coerente. Pelos quase dez anos seguintes seu governo negociaria barato o patrimônio público construído, na verdade, por décadas de lutas de toda a sociedade brasileira. A nova referência autossuficiente da economia, da sociedade e da história seriam os livres mercados –sobretudo o capital especulativo que não presta contas a ninguém.
Inclua-se nesse arremate a Vale do Rio Doce, mas também algo de incomensurável importância simbólica: a auto-estima da população, seu discernimento sobre quem tem o direito e a competência para comandar o destino de uma sociedade e do desenvolvimento. Entorpecida a golpes do tacape midiático, essa consciência seria desqualificada para a entronização dos ‘mercados desregulados’ como o portador autossuficiente do futuro e da eficiência. Em suma, era a vez do ‘Brasil não caipira’.

Três vitórias seguidas do PT resumem o escrutínio da população sobre os resultados desse ciclo de desmonte da esfera pública, endividamento da Nação e depreciação da cidadania em dimensões profundas, talvez ainda não suficientemente avaliadas; por certo, não superadas em suas usinas realimentadoras.

Seria preciso, porém, uma crise capitalista igual ou pior que a de 1929 para sacudir de vez a inércia ideológica e o interdito histórico que recusavam admitir nas conquistas sociais e econômicas do ciclo iniciado em 2003, um fio de continuidade com tudo aquilo antes execrado e sepultado como anacrônico e populista.

Lula cutucou-os não poucas vezes; no fígado da intolerância histórica em certas ocasiões , como quando anunciou a autossuficiência do petróleo em 2006, e disse: ” a seta do tempo não se quebrou”. E o demonstraria na prática pouco depois, com a regulação soberana do pré-sal, fazendo das encomendas da Petrobrás uma alavanca industrializante capaz de fixar um novo divisor produtivo.

Conquistas acumuladas em décadas de luta pelo desenvolvimento seriam assim resgatadas de um reducionismo a-histórico, desmentido nos seus próprios termos pelo colapso planetário das premissas esfareladas na crise de 2008.

Coube nesta 5ª feira à Presidenta Dilma Roussef acrescentar a essa espiral dialética um discurso pedagógico. Na cerimônia de posse do novo ministro do Trabalho, Brizola Neto, nomes e agendas que a soberba conservadora se propôs um dia a banir da história brasileira, retornaram com orgulho e reconhecimento à narrativa de um governo soberano que, desde 2003, com tropeços e hesitações, aos poucos se liberta daqueles que ainda evocam o direito de cercear o passo seguinte da história brasileira. Esse tempo acabou e Dilma,ontem, fez do seu réquiem um desagravo à história da luta pelo desenvolvimento.Palavras da Presidenta Dilma Rousseff:

“O desemprego no Brasil está hoje nos mais baixos patamares de nossa história – 6,5% em março. Trata-se de um contraste gritante(…) o mundo perdeu 50 milhões de vagas formais de emprego, pulverizadas pela crise econômica, por políticas de austeridade exagerada, pela redução de direitos e precarização da legislação trabalhista. Nós navegamos na contramão dessa tendência (…)

A partir do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, houve uma mudança (…) Nós mudamos a nossa forma de conceber o desenvolvimento e definimos um processo de desenvolvimento com inclusão social (…) Somente nesses últimos 15 meses do meu governo, nós geramos 2 milhões e 440 mil empregos formais (…)

É assim, muito significativa, a circunstância que traz ao cargo de ministro um jovem que representa, inclusive, no sobrenome Brizola, uma história de mais de meio século de lutas sociais, de defesa do interesse nacional e de conquistas de direitos por parte dos trabalhadores brasileiros. Não bastasse levar o sobrenome Brizola, o novo ministro do Trabalho carrega consigo a história do seu tio-avô João Goulart, ex-presidente da República. Em 1953 – vejam os senhores que coincidência -, também aos 34 anos, também jovem e determinado, Jango foi empossado ministro do Trabalho do governo democrático de Vargas. Foi Jango quem deu à pasta do Trabalho grande peso político e grande dimensão.

Assim, nomear como ministro do Trabalho e Emprego Carlos Daudt Brizola Neto reforça, em meu governo, é o reconhecimento da importância histórica do Trabalhismo na formação do nosso país” (Presidenta Dilma na posse do ministro do Trabalho, Brizola Neto).

 

C. MAIOR.

ELEIÇÕES NA FRANÇA: Hollande vence Sarkozy…

 …e socialistas voltam ao poder.

François Hollande diz querer ter “uma presidência normal”. Foto: AFP

PARIS, França (AFP) – O socialista François Hollande foi eleito presidente da França neste domingo 6 ao derrotar o atual chefe de Estado, o conservador Nicolas Sarkozy, no segundo turno das eleições francesas.

Em seu primeiro discurso como presidente eleito, Hollande afirmou que a “austeridade não deve ser uma fatalidade” entre os diversos governos de uma Europa em crise.

“Hoje mesmo, responsável pelo futuro do nosso país, estou ciente de que toda a Europa nos observa”. “Na hora em que o resultado foi anunciado, tive a certeza que em diversos países europeus houve um sentimento de alívio e de esperança, de que, por fim, a austeridade não deve ser mais uma fatalidade”, disse Hollande, que obteve 52% dos votos.

“Neste 6 de maio, os franceses escolheram a mudança para me levar à presidência da República” e estou “orgulhoso por ter sido capaz de devolver esta esperança”. “Prometo ser o presidente de todos”.

“Envio uma saudação republicana a Nicolas Sarkozy, que dirigiu a França durante cinco anos e que por isto merece nosso respeito”.

Sarkozy reconheceu a derrota no início da noite e chamou Hollande de “novo presidente” que o “povo francês elegeu de forma democrática e republicana”.

O atual chefe de Estado assumiu “toda a responsabilidade pela derrota” e comunicou a seus partidários que não liderará a luta para as eleições legislativas, previstas para 10 e 17 de junho.

BRASÍLIA 52 ANOS DA CAPITAL DO PODER – por almandrade / salvador.ba

BRASÍLIA 52 ANOS DA CAPITAL DO PODER

“Nenhum rosto é tão surrealista quanto o verdadeiro rosto de uma cidade”
Walter Benjamin

Mais de cinqüenta anos depois, a bossa nova da arquitetura e do urbanismo,mostra suas rugas e os sintomas de um envelhecimento precoce. O
símbolo maior da modernidade e da ideologia desenvolvimentista que
projetou o Brasil como um país novo, revela o que é a cidade moderna,
o lugar da afirmação e do poder da máquina e das restrições do domínio
público. Com uma malha rodoviária e amplos espaços que ultrapassam a
escala humana, Brasília foi concebida nas pranchetas de Oscar Niemeyer
e Lúcio Costa sob a orientação do presidente Juscelino Kubitschek para
responder ao desenvolvimento industrial, em particular, a indústria
automobilística em ascensão, e hoje representa o fim do sonho e das
ilusões desenvolvimentistas.

Sem dúvida, Brasília é uma das mais importantes contribuições
brasileira para a arte do século XX, juntamente com a Bossa Nova, a
Arte Concreta e o Cinema Novo, que resiste aos escândalos políticos
que assolam a capital. As estruturas de suas construções permanecem
intactas, o concreto armado parece eterno. Uma cidade cartesiana
implantada no interior do país, sob o cerrado, distante do litoral,
uma aventura quase que impossível. Nas palavras do critico de arte
Mário Pedrosa, “se Brasília foi uma imprudência, viva a imprudência”.
A nova capital era uma resposta à crítica de um Brasil litoral, de
costas para o seu interior, desde os tempos do Marques de Pombal. Esta
experiência urbanística foi estimulada por uma opção de
desenvolvimento que se desejava para o Brasil o qual estamos sofrendo
suas conseqüências.

Mais do que uma simples cidade, Brasília é um discurso, símbolo de uma
nova situação que direcionou a vida e a economia do país. Uma cidade
com uma arquitetura governamental, monumental e moderna. O trançado
urbano e a arquitetura arte criaram a cidade como uma realidade
moderna, imagem e símbolo do Brasil industrial, país da tecnologia e
da democracia para os que dispõem de meios mecanizados para dominar os
grandes espaços vazios. A cidade que arquiteto francês, nascido na
Suíça e mestre dos arquitetos brasileiros, Le Corbusier não teve a
oportunidade e o privilégio de construir. O centro principal e
simbólico da capital do poder é a praça dos três poderes, na
organização do espaço as hierarquias e os interesses de classe não
ficam ausentes.

Falar de Brasília não se pode deixar de lado as manobras processadas
na economia e da política dos anos de 1950. “o avanço dos 50 anos em
5 anos” meta do governo JK. A sede de democracia, agitações, debates
inflamados e o avanço da indústria. A população vivia o impacto da
confiança no futuro. A nova capital refletia uma sociedade otimista
disposta a realizar utopias. Brasília foi pensada para ser um centro
político, cultural e administrativo para o desenvolvimento do
Centro-Oeste, mas não contava com o crescimento desordenado e
populacional, que acabou comprometendo o plano urbanístico de Lucio
Costa e trouxe os problemas e os desastres que assolam os grandes
centros urbanos. Com o regime militar, implantado em 1964, a cidade
criada em um período raro de democracia acreditando que a sua
localização no interior estaria mais protegida de ataques militares,
foi associada ao totalitarismo, mas resistiu com seu chame como uma
expressão artística que colocou o Brasil internacionalmente num
patamar de respeito.

Almandrade
(artista plástico, poeta e arquiteto)

 

DOS BEATLES… PAUL MCCARTNEY! – por olsen jr / rio negrinho.sc

DOS BEATLES… PAUL MCCARTNEY!


   Talvez quem mais tenha sofrido com a separação dos Beatles tenha sido o Paul.

Os historiadores costumam situar os Beatles num espaço cronológico de 1962 (quando gravaram o primeiro disco) até 1972 (quando venceu o contrato que os mantinha unidos enquanto grupo) num lapso de tempo menor que dez anos. Acontece que John e Paul, George em seguida, se conheceram em 1957 e paralelamente aos ensaios, também compunham. A música “Love me Do” é desta época, uma das raras que se salvou depois que Jane Asher (namorada de Paul) em uma faxina despachou um caderno onde ele costumava anotar suas criações.

Durante o período em que a banda existiu, os Beatles eram muito gregários, andavam sempre juntos, compunham, trabalhavam, divertiam-se, faziam festas, viviam como uma família… Bonitos, bem sucedidos, ricos, famosos, além de trabalhadores (mais criativos que Beethoven, segundo uma crítica da época), revolucionários, tornaram-se uma referência mundial.  A juventude copiava seus cortes de cabelos, modos de vestir, irreverência, desprezo pelas instituições que tinham envelhecido sem acompanhar os apelos do seu tempo, eles mostravam novos caminhos onde certamente a paz e o amor tinham lugar assegurado e onde tudo era permitido, exceto a indiferença.

.  As intermináveis sessões fotográficas da banda (porque não existe na história da música pop mundial um grupo que teve tantos registros fotográficos como os Beatles) eram organizadas por Paul, também o projeto de fazer um filme e lançar dois álbuns por ano…

Paul McCartney raciocinava como um escritor, disse mesmo em uma entrevista que pensava os discos como se fossem livros, desde o título às ideias que norteavam suas feituras, os álbuns conceituais “White Album” e “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” , são exemplos.

A morte de Brian Epstein, descobridor e primeiro empresário dos Beatles em 1967 – tido por muitos como o “Quinto beatle” deixou um espaço livre para o surgimento das “diferenças” entre os componentes da banda.. E foi de Paul o fantasioso e incompreendido projeto da gravação do “Magical Mistery Tour” dentro de um ônibus, sem roteiro… O primeiro vídeoclip a ser mostrado na televisão. Uma tentativa de mantê-los ocupados e adiando o conflito que estava por vir.

Antes de o John Lennon proferir a célebre frase “The dream is over”, os Beatles individualmente já tinham consciência disso.

Natural, portanto, que passada aquela euforia onde tudo parecia possível, sobreviesse um tempo de angústia, de desespero, um não saber como continuar seguindo adiante sem os outros.

Em 1971, os Beatles mostraram ainda por que eram os melhores, Paul McCartney lançou “Another Day”, John Lennon “Mother”, George Harrison “My Sweet Lord” e Ringo Starr “It Don’t Come Easy”… Todas as composições fizeram enorme sucesso e indicavam o caminho e o momento que cada um estava vivendo… Paul que tinha dado a volta por cima; John buscando na perda da mãe a origem de sua angústia; George um reencontro com a espiritualidade e Ringo, a arte de representar que lhe era latente.

Os Beatles continuam sendo um marco a ser batido com mais de um bilhão de discos vendidos… E seus integrantes já fazem parte da história musical do mundo, alguns ainda podem ser vistos e admirados, como Sir James Paul McCartney em Florianópolis, finalmente!

BOX I

O COMEÇO DO FIM

   Quando morreu Brian Epstein (em 1967) as fissuras dentro do grupo começaram a aparecer. A Apple, empresa que haviam criado para dar sustentação aos negócios deles como músicos e de outros que tivessem talento (um caos com muitas possibilidades) estava perdendo dinheiro. Eles também gastavam sem conta, principalmente o John. Aliás, foi o próprio John Lennon quem disse numa entrevista que se tudo continuasse daquele jeito eles e a Apple estariam falidos em pouco tempo. Foi o contador deles que se demitiu deixando um bilhete: “Suas contas pessoais estão uma zona”.

Para retomar o caminho, Paul tinha escolhido para gerir os negócios, Lee Eastman o sogro (pai da Linda Eastman com quem estava casado) e John (com Yoko que o apoiava em tudo) preferia Allan Klein (que tinha sido empresário dos Rolling Stones e que Mick Jager detestava e alertou os Beatles “evitem este cara”). Mas Klein estava assediando a banda fazia muito, até conseguir uma audiência com John/Yoko e tomar a frente os negócios do fab four. Paul foi o único que não concordou, mas os outros três assinaram um contrato por três anos, o que deixava, na prática, os Beatles vinculados até 1972.

A história, no entanto, mostraria que Paul estava certo. Mais tarde os outros três Beatles processaram Klein.

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 BOX II

O ÚLTIMO SHOW PELA ARTE

Em 1968 eles foram fazer meditação transcendental na Índia buscando uma autoavaliação do que eram e do que poderiam se tornar… Cerca de 40 composições foram produzidas no período, boa parte do “Álbum Branco”.

Na verdade Paul tentava dar um rumo para a banda. Este esforço parecia aos outros, uma tentativa de dominação, eram considerados ofensivos e davam a entender sempre ser “mais um projeto” de Paul McCartney que, aliás, era meticuloso, detalhista, sempre premiando a habilidade, fazendo diferente… A composição “Ob-ladi, Ob-lada” foi gravada mais de 40 vezes, para se ter uma ideia…

Ringo disse em uma entrevista que “O Paul queria que trabalhássemos o tempo todo… Era um viciado em trabalho”, um workaholic…

Para o produtor George Martin “Paul era mandão e os outros caras detestavam… Mas era o único jeito de mantê-los juntos… Num processo de desintegração generalizado”.

Enquanto gravavam o disco “Let it Be” (que deveria se chamar Get Back, originalmente) os Beatles tocaram 52 músicas novas… Muitas destas acabaram entrando no “Abbey Road” (o último disco deles) ou fazendo parte do melhor material dos álbuns solos dos membros da banda.

Para completar o filme/documentário que saiu com o mesmo nome do disco “Let it Be”, o diretor Lindsay-Hogg queria um final e, por sugestão de alguém foi marcado para o dia 30 de janeiro no telhado do escritório da Apple um show com os Beatles… Acompanhados por Billy Preston, foi o primeiro show desde agosto de 1966 e também foi o último… “Também foi o melhor o que diz muito sobre o poder coletivo da afinidade musical e do carisma que os quatro cultivaram, e que nem suas desavenças mútuas seriam capazes de apagar.”

Paul declarou a um jornal: “Ringo saiu primeiro, depois George, então John. Eu fui o último a sair! Não fui eu! (Revista Rolling Stone Brasil/setembro de 2009).

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BOX III

O RECOMEÇO

   Paul ficou arrasado com a separação dos Beatles, era a banda da qual ele fazia parte desde os 15 anos…

No final de 1969, afastado dos holofotes, casado com Linda, vivendo seu retiro na Escócia… Bebia pela manhã, de tarde e á noite, parou de compor, ficou irascível entregando-se a uma depressão paralisante… Foi com o apoio da mulher que tinha pedido para ele voltar ao trabalho e retomar a carreira que o ex-beatle reacendeu para o mundo, porque a vida deveria continuar desta vez sozinho e no natal daquele mesmo ano Paul começou a trabalhar no seu primeiro LP solo.

Depois de gravar dois álbuns, “McCartney” (1970) e “Ram” (1971) tentando ainda provar que poderia ter êxito na carreira sem ser um “beatle” , forma outra banda, “Wings” que tinha como princípio não tocar nenhuma composição dos Beatles.

Ao todo, sete álbuns (1971/1979) e o sucesso chegou já no segundo com a canção “My Love” que foi logo ao primeiro lugar, depois o “Band of the Run” que se tornou o maior sucesso da banda e foi eleito o disco do ano (1974)… A catarse que precisava para existir sem os Beatles estava feita e surgiu daí um novo artista predestinado a bater recordes: em 1979 o Guinness declarou-o como o compositor de maior sucesso da história da música pop mundial de todos os tempos… Em 1990 tocou pela primeira vez no Brasil, foi no “Maracanã” para 184 mil pessoas, batendo o recorde de público em uma única apresentação de um artista solo.

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OLSEN JR é membro da ACADEMIA DE LETRAS DE SANTA CATARINA

FÉLIX CORONEL e MARCO MACEDO batem papo em GUARATUBA.pr

Na foto, FelixCoronel e Marcos Macedo editor do jornal FOLHA DE SANTA FELICIDADE

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Conheci o Felix Coronel como a gente conhece tanta gente nessa babel da internet. Sou curioso e ávido leitor. No site do jornal on-line Correio do Litoral me deparei com as crônicas do Felix. Irônicas, questionadoras e que mostravam uma cultura ampla, geral e irrestrita. Mas sem anistiar ninguém. Esse argentino portenho paranaense – que se autointitula ‘insuportável’, pero no mucho – , começou escrevendo no jornal La Crônica de Buenos Aires, desde lá seus 15 anos de idade. E agora, no exílio na bela Guaratuba do Paraná, escreve e escreve. Fui lá conversar com ele e conhecê-lo. Valeu a pena. Com sua simpatissíssima esposa Lúcia (que o suporta) tivemos horas e horas de boa conversa jogada fora à vista da praia central de Guaratuba. Do seu livro Como É Que É, tirei essa pérola da literatura. Veja como se deu este poema. Felix nos seus quase dois metros de altura foi levar um currículo para arrumar um emprego em uma empresa. Um jovem -bem -jovem, lhe perguntou: Qual é sua experiência? Ah, prá quê!!! A coisa só não acabou nos finalmente por que Felix Coronel num impulso zen arrefeceu os ânimos. Mais tarde, em casa, ele nos oferece essa genial CURRICULUM VITAE… Leia e se emocione. Ah! Felix Coronel vai nos dar a honra de ser CRONISTA do novo site da Folha de Santa Felicidade que, em breve, será inaugurado.

CURRILUM VITAE
Félix Coronel

Eu já dei risada até a barriga doer,
Já nadei até perder o fôlego,[
Já chorei com o rosto desfigurado.
Já fiz cosquinha na minha irmã só pra ela parar de chorar,
Já me queimei bricando com vela.
Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto.
Já conversei com o espelho.
E até já brinquei de ser bruxo.

Já quis ser astronauta,
Violonista, mágico, caçador e trapezista.
Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora,
Já passei trote por telefone,
Já tomei banho de chuva,
E acabei me viciando.

Já roubei beijo,
Já fiz confissões antes de dormir
Num quarto escuro pro melhor amigo.
Já confundi sentimentos,
Peguei atalho errado
E continuo andando pelo desconhecido.

Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro,
Já me cortei fazendo a barba apressado,
Já chorei ouvindo música no ônibus.
Já tentei esquecer algumas pessoas,
Mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer.

Já subi escondido no telhado prá tentar pegar estrelas,
Já subi em árvore prá roubar fruta,
Já caí da escada de bunda.
Conheci a morte de perto,
E agora anseio por viver cada dia.

Já fiz juras eternas,
Já escrevi no muro da escola,
Já chorei no chão do banheiro,
Já fugi de casa pra sempre,
E voltei no outro instante.

Já saí pra caminhar sem rumo,
Sem nada na cabeça, ouvindo estrelas,
Já corri pra não deixar alguém chorando,
Já fiquei sozinho no meio de mil pessoas
Sentindo falta de uma só.

Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado,
Já me joguei na piscina sem vontade de voltar,
Já bebi uísque até sentir dormentes os meus lábios,
Já olhei a cidade de cima
E mesmo assim não encontrei meu lugar.

Já senti medo do escuro,
Já tremi de nervoso,
Já quase morri de amor,
Mas renasci novamente pra ver o sorriso especial de alguém especial.

Já acordei no meio da noite
E fiquei com medo de levantar.
Já apostei em correr descalço na rua,
Já gritei de felicidade,
Já roubei rosas num enorme jardim.
Já me apaixonei e achei que era pra sempre,
Mas sempre era um “para sempre” pela metade.

Já deixei na grama de madrugada
E via a Lua viral Sol,
Já chorei por ver amigos partindo,
Mas descobri que logo chegam novos,
E a vida é mesmo um ir e vir sem razão.
Foram tantas coisas feitas,
Momentos fotografados pelas lentes da emoção.
Guardados num baú, chamado coração.

E agora um formulário me interroga,
Encosta-me na parede e grita:
“- Qual sua experiência?”.
Essa pergunta ecoa no meu cérebro:
“- … experiência… experiência…”.
Será que ser “plantador de sorrisos” é uma boa experiência?
Não!
“Talvez eles não saibam ainda colher sonhos!”

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Por Marcos Macedo
Editor da Folha de Santa Felicidade

CLAUDIO GUERRA, ex-delegado, diz que queimou corpos de militantes em usina /rio de janeiro.rj

Ex-delegado diz que queimou corpos de militantes em usina

Em livro de memórias, agente do Dops confessa crimes da ditadura

“Isso me atormentou durante muito tempo porque eu sei que as famílias devem ainda ter até hoje aquela esperança de saber o destino de seus entes queridos. Se eu tive coragem de fazer, eu tenho que ter coragem de assumir os meus erros”, diz Guerra em vídeo publicado na tarde desta quarta-feira no site de promoção do livro, editado pela Topbooks, que chegará às livrarias no próximo fim de semana.

Em trecho do livro publicado nesta quarta-feira no site “IG”, o ex-delegado diz ter se aproveitado da amizade com o ex-deputado federal e ex-vice-governador do Estado do Rio Heli Ribeiro Gomes, dono da Usina Cambahyba, para usar o forno da unidade em Campos (RJ) e desaparecer com o corpo de militantes. De acordo com o livro, teriam sido incinerados João Batista, Joaquim Pires Cerveira, Ana Rosa Kucinski, Wilson Silva, David Capistrano, João Massena Mello, José Roman, Luiz Ignácio Maranhão Filho, Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira e Eduardo Collier Filho.

Guerra afirma ter levado dois superiores hierárquicos ao local para que aprovassem o uso do forno da usina: o coronel da cavalaria do Exército Freddie Perdigão Pereira, que trabalhava para o Serviço Nacional de Informações (SNI), e o comandante da Marinha Antônio Vieira, que atuava no Centro de Informações da Marinha (Cenimar). Ambos já morreram; o primeiro em 1996, e o segundo em 2006. O dono da usina, Heli Gomes, foi deputado pelo PTB, filiado à Arena e ao PFL. Morreu em 1992, três anos antes de a usina fechar.

— Meu pai era simpático aos militares, mas naquela época ou você era de um lado ou de outro. Ele não queria o comunismo dentro do Brasil, mas era totalmente contrário a qualquer perseguição ou violência, era um democrata — diz Cecília Gomes, filha de Heli, que considera as acusações de Guerra “absurdas”.

No livro, o ex-delegado diz que a comunidade de inteligência decidiu matar Fleury em reunião realizada em São Paulo.

”Fleury tinha se tornado um homem rico desviando dinheiro dos empresários que pagavam para sustentar as ações clandestinas do regime militar. Não obedecia mais a ninguém, agindo por conta própria. E exorbitava”, diz o delegado em trecho publicado pelo “IG”.

Oficialmente, Fleury morreu acidentalmente em Ilhabela, depois de tombar da lancha. Segundo Guerra, ele teria sido dopado e levado uma pedrada na cabeça antes de cair no mar.

enviado por email.

O movimento internacional contra as coisas-lixo (junk things) – por amilcar neves / ilha de santa catarina.sc



A partir de um desconforto crescente, a ideia surgiu recentemente na velha Albion, o nome que teve em tempos remotos a ilha da Grã-Bretanha, assim batizada talvez pelo aspecto que causavam aos argonautas, à entrada Sul do território, os penhascos escarpados de Dover, que caem na vertical, branquíssimos, direto sobre o mar. O estopim da causa foi o tema da obesidade: “48% dos homens e 43% das mulheres do Reino Unido serão obesos em 2030″.


Não só lá, cá também.


Cá: “No Brasil, 40% da população está acima do peso. Estudo recente realizado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia revelou que 15% das crianças brasileiras são obesas.” Há quem diga, porém, que a situação tupiniquim seja muito mais lancinante:


Segundo dados da pesquisa Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), do Ministério da Saúde, divulgados no dia 10 de abril do corrente, o número de brasileiros acima do peso passou de 42,7%, em 2006, para 48,5%, em 2011. No mesmo período, a proporção de obesos aumentou de 11,4% para 15,8%.”


Lá: num manifesto velado em que abordam o aspecto mais nobre, ou mais passível de aceitação, do movimento, “cirurgiões, psiquiatras, pediatras e médicos de todas as especialidades do Reino Unido lançaram neste domingo, 15 de abril, uma campanha contra a obesidade e centraram suas críticas às empresas de junk foods (comidas-lixo, em livre tradução). A Real Academia das Faculdades de Medicina do Reino Unido, que representa cerca de 200 mil dos profissionais do país, pediu a proibição de marcas como McDonald’s e Coca-Cola patrocinando eventos esportivos como os Jogos Olímpicos e que famosos façam propaganda de comidas que não são saudáveis para as crianças.”


A proposta do movimento, em suma, é bastante simples e eficaz: que se crie um suculento “imposto sobre a gordura”, ideia surrupiada de alguns países escandinavos que já a aplicam, no sentido de inibir o consumo de produtos não saudáveis. A fórmula é conhecida: mais tabaco, mais álcool, mais sódio, mais colesterol, mais açúcar ou mais gordura = mais imposto.


A gordura é apenas a parte visível do iceberg, para usar uma imagem batida e desgastada que volta à tona por ocasião das celebrações do centenário de naufrágio do Titanic. O objetivo, depois, é mobilizar os povos do planeta contra todas as coisas cujo consumo faz um mal danado à saúde, ao bom senso, à inteligência e à sanidade das pessoas. Passaremos então para as fases de combate às músicas-lixo (junk musics), com perdas enormes, no Brasil, para a indústria dos sertanejos, sertanejos-universitários, axés, pagodes e gêneros afins. Em seguida, entrarão na linha de fogo as propagandas enganosas (junk marketing, o lixo da publicidade), com a quebra de milhares de publicitários maiores e menores ao redor do globo; os políticos que já deveriam ter sido expurgados da vida social (junk politicians, os políticos-lixo, espécie da qual todos nós conhecemos ao menos uma vintena de espécimes); os malditos livros-lixo (junk books), a fim de isolar do mundo todas as obras, no sentido de obrar, defecar, de autores de bestsellers que só fazem mal à saúde; e assim por diante. A lista vai longe, podemos bem imaginar o seu incomensurável tamanho.


Por fim, alçaremos o topo, o máximo, a purificação santificante: combateremos e eliminaremos do alcance dos olhos os junk people, a gente-lixo que, claro, não vale nada.

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AMILCAR NEVES é membro da ACADEMIA CATARINENSE DE LETRAS.

O BAR do CICCARINO – por luis fernando pereira / curitiba.pr

O Bar do Ciccarino

 
Não sei se orgulhoso ou envergonhado, à exceção de um curto período, nunca tive o “meu Bar”. Aquele do dia a dia; de todos os dias. Mas com vergonha ou
orgulho, a verdade é que sempre tive uma inveja danada dos frequentadores diários do mesmo Bar (não é por acaso, mas por deferência que grafo “Bar” sempre iniciando a maiúscula). Lá estão sempre os mesmos amigos e, inevitável, os chatos de sempre. Bar sem chato não é Bar. E há também os chatos amigos. Até porque, como dizia o Mario Quintana, há duas espécies de chatos: os chatos propriamente ditos e… os amigos, que são os nossos chatos prediletos. Com amigos e chatos, é realmente admirável a fidelidade devotada a determinados Bares.

Como ia dizendo, à exceção de um curto período, nunca fui de frequentar Bar todos os dias. Muito menos o mesmo Bar. A exceção foi o Bar do Ciccarino – comandado pelo Vicente. À época eu trabalha com o grande Sérgio Toscano de Oliveira, no escritório do Professor Machado. Sérgio, este sim, era admiravelmente fiel aos Bares que frequentava (ponho no passado porque já não é mais o mesmo, andam dizendo). Com o Sérgio estive quase diariamente no Ciccarino. Isso durante o tal curto período da exceção (não tão curto quanto estou sugerindo).

Para quem não conheceu o Ciccarino, devo esclarecer que era um Bar – e não um Boteco (também vai com maiúscula no início). E a diferença não é pequena. O Boteco (ou Buteco, como preferem alguns) é outra coisa. O legítimo Boteco, pé-sujo como tem de ser, deve necessariamente apresentar potes de conserva com rollmops atrás do balcão. O banheiro tem de ser sujo. O garçom desleixado. O Ciccarino definitivamente não era um Boteco. O Bar do Ciccarino inaugurou em Curitiba os Bares “metidos à besta”. Coisa fina. E não era só Bar. No ambiente de entrada, onde ficava o balcão, havia um belo armazém com tudo do bom e do melhor para comer e beber.

Por falar em balcão, o Ciccarino tinha o melhor da cidade. Que balcão! E isso é muito importante. O verdadeiro frequentador de Bar (ou de Boteco) gosta mesmo é do balcão (fiquem de olho; quem prefere a mesa pode ser um falso frequentador de Bar). O Sérgio Toscano, por exemplo, não admitia sentar- se à mesa. Não abria mão do balcão. E para o lado de dentro deste imenso balcão estava sempre lá o nosso Vicente Ciccarino. O comandante. Obrigo-me a dedicar parágrafo especial ao Vicente. Sem conhecer um pouco o Vicente é impossível compreender o Bar.

Dizem que o dono de Bar deve ser simpático. Vicente não levava isso a sério. Na medida exata, ironizava, esculhambava, gozava de todo mundo. Vicente vendia fiado, mas era mais pelo prazer de cobrar os devedores publicamente. – Como é Fulano, quando vai acertar a conta, gritava o Vicente (eu mesmo fui vítima). Era isso que nós gostávamos do Vicente. O simpático é quase sempre um falsificador. Vicente era autêntico. Inteligente e vivido, Vicente, além de dono e gerente, era também o programador cultural. Sim o Ciccarino, sobretudo aos finais de semana, tinha uma programação cultural. Uma vez o Ciccarino trouxe a Curitiba o Miéle. Advirto aos mais novos que não falo aqui do Carlos Miele, estilista (o Vicente, aliás, não admitiria um estilista lá dentro). Falo, é claro, do Luís Carlos Miéle. Principal parceiro de Ronaldo Bôscoli. Chegaram a dividir o mesmo apartamento, onde também morou João Gilberto. Ator, diretor, humorista, produtor dos melhores espetáculos cariocas, Miéle é, sobretudo, um showman. Eu estava viajando e acabei não indo no dia do Miéle. Logo na segunda-feira seguinte, balcão lotado, perguntei ao Vicente como tinha sido o show. Ao seu estilo, Vicente disse que tinha sido muito bom, mas que os curitibanos (que não entendiam da animação cultural carioca) não tinham entendido nada. Os clientes do balcão riram, como se Vicente brincasse. Ele não brincava, é claro. Este é o Vicente. Os ofendidos que procurassem um dono de Bar simpático.

Vi cenas incríveis do Ciccarino. Uma noite o Nêgo Pessoa, assíduo no Bar, pegou o Pedro Longo pelo pescoço apenas em função de uma divergência em torno da questão indígena no Brasil. Retire esta opinião em favor dos índios, retire, gritava o Nêgo. Juliano Breda e Carlos Nasser (habitués no Ciccarino) são testemunhas. O Bar não abria aos domingos. Abriu uma vez para a festa infantil de aniversário da filha do Sérgio Toscano. Cheguei lá e havia uma mesa com vinte amigos do Sérgio, já bem embalados. Procurei as crianças. Isoladas em um canto, eram apenas três ou quatro. O Sérgio notou que estranhei a presença de poucas crianças em um aniversário infantil e foi logo anunciando: no próximo ano a festa da minha filha também será aqui e sem nenhuma criança! Nenhuma, deixou claro. Que eu saiba, foi a única festa infantil do Ciccarino.

Um dia o Ciccarino fechou. Todo Bar que se preze fecha, cedo ou tarde. O Ziraldo uma vez disse que o carioca Antônios era o “único bar definitivo do país”. Fechou um tempo depois. Assim é para todo nós o Ciccarino. Definitivo. Ou infinito enquanto durou, para terminar citando Vinicius.

 

A TRIGÉSIMA MULHER – de zuleika dos reis / são paulo.sp

A TRIGÉSIMA MULHER

                                   Zuleika dos Reis

a morte

em  cada xícara

a face sem face

da trigésima mulher

árvore ave canção

sussurro das coisas mortas

em vão

a trigésima mulher

a derradeira

estrelas que estalam

noite que se quebra

cai

fragmentos

de nós

a dançar

ao redor de nós

ao redor de nós

as palavras sonhadas

as palavras sagradas

a morte que te quer

esta rival

teu grito

em mim

meu grito

em ti

os tempos de nós

que tento segurar

as xícaras

a porcelana da tarde

a tarde

vaso a se partir

o meu amor

partido

em ti

em ti

em mim

cacos de nós

o primeiro homem

a trigésima mulher

números escritos ( I ) – por omar de la roca / são paulo.sp

Pus me a cismar…
Quer dizer,estava pensando na geometria das letras.Redondas como
círculos,angulosas como triangulos,retas como retas.E na aritmética
das palavras que vão somando as letras,os sentidos,eta palavrinha
dificil, sentidos.
Na matemática das sentenças, em sua densidade fluída,escorrendo para
dentro de nós, devagar ou rápido,de acordo com nosso entendimento,com
nossa vontade,com
nossa sede.
Na inexata exatidão das palavras,na precisão,necessidade,premência,com que
vem forçando passagem para se exprimir,nas expressões que vão se
formando e a gente nem sabe de onde vem.Só sabe que vem.
Como arteiras gotas de chuva,que vão se acumulando na calha esperando
alguem passar,para brincar de pega pega.E elas sempre pegam.
Assim como as palavras,que vão se acumulando na calha do pensamento
esperando para despencar sobre algum incauto.Que possa lhes mostrar o
brilho.Ou melhor,para mostrarem a ele o seu brilho.
Ou como as palavras,suspensas em galhos pesados,como frutas
aduras,esperando a brisa para cantarem com ela,enquanto aguardam
redondas pela colheita.Algumas na certa irão passar do ponto e
cairão.Quase sempre aquelas que não valhem a pena a colheita.Mas
sempre é bom dar uma olhada no conjunto que fica no chão.As vezes
formam figuras geometricas assimétricas,que valem um segundo olhar.As
vezes deixamos que os insetos as comam por serem indigestas ou
assustadoras.As vezes precisamos delas e as pegamos do chão,passamos
um paninho e colamos aqui ou ali para dar um sentido ou para esconder
outros.
Difícil esta profissão de matemático.Dar sentido a palavras sem
sentido algum.Ou lhes dar um sentido oculto,que revele tudo mas
esconda tudo também.Ou fazer apenas somas simples,que a todos
agradem,sem compromisso.  Ou então subir ate o alto da escada e ir
forçando pela garganta abaixo ( dos outros ) seus pensamentos
obtusos.( É, voce acertou,peguei obtuso do chão ha dois minutos
atrás).E me ocorreu mais uma soma.Uma soma ética como Aritmética,exata
como Humana.Somos todos produtos de somas diversas,multiplicações
complexas,divisões internas ( ate a sétima casa decimal ),e subtrações
frequentes.Normalmente a favor dos outros.Esquecendo do numero Pi
primordial que somos nos mesmos.Pares ou primos,seguimos a linha do
caderno,singulares ou plurais,vamos escrevendo para a frente.Ou para
trás.Ou de cima para baixo.Ou de tras pra frente.Mas sempre nos
expressando,calculando,acertando,errando. Com a borracha bem a mão,
para quando for necessário e possível.Para quando valer a pena.

O MUSEU E SUA FUNÇÃO CULTURAL – por almandrade / slavador.ba

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O  MUSEU  E  SUA  FUNÇÃO  CULTURAL O homem está sempre preocupado em preservar sua história e sua memória, colecionando artefatos. Ele tem acesso ao seu passado através de relatos ou depoimentos de testemunhas oculares, textos, enfim documentos. Quando se defronta … Continue lendo

EM TORNO DAS 1001 NOITES – por jorge lescano / são paulo.sp

Em torno das 1001 Noites © Jorge Lescano       Dahlmann había conseguido, esa tarde, un ejemplar descabalado de las Mil y Una Noches de Weil [...] algo en la oscuridad le rozó la frente, ¿un murciélago, un pájaro? … Continue lendo

O poeta MANOEL de ANDRADE escreve sobre sua resistente viagem pela América Latina no livro: “O BARDO ERRANTE” / curitiba.pr

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Na década de 60 tudo estava no ar e bastava o compromisso de sonhar para que os caminhos se abrissem magicamente. Contudo nem todas as portas da realidade se abriram aos ideais e nem todos os visionários que lutaram por … Continue lendo

PAUL McCARTNEY: “Olá, manezinhos. Oi, oi, oi, Floripa”, diz, durante show

foto de guto kuerten.

foto de alvarélio kurossu.

foto de julio cavalheiro.

DIÁRIO DA PROVYNCIA I – por olsen jr / rio negrinho.sc

DIÁRIO DA PROVYNCIA I

 

A IDEOLOGIA (NOSSA) DE CADA UM

 

Nunca escondi de ninguém as influências que tive no meu fazer jornalístico. Acredito que no livro “Confissões De Um Cínico”, elas estão escancaradas.

O editor, e também poeta, Joel Gehlen se deu ao trabalho de computar, diz a propósito da obra: “…Este é um livro radical, implacável, provocativo e vigilante, retrato inequívoco do cronista. Aliás, para um autor que confessa ter recebido todas as influências possíveis, de Gregório de Matos a Bocage; de Swift, Twain, Rabelais, Voltaire, passando por H.L. Mencken, Jorge Jean Nathan, William C. Fields, Ogden Nash, Bernard Shaw, Woody Allen e Art Buchwald até Paulo Francis, bem, não era de se esperar que oferecesse refresco”.

Mas não esqueço o Groucho Marx, Ambrose Bierce, Noël Coward, Aparício Torelly (o Barão de Itararé) de onde todo o humor brasileiro descende, Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto) e Millôr Fernandes, onde este termina e o outro começa.

Houve um tempo em que pensei que iria fazer humor.

O casamento entre o humor e a filosofia era algo a ser perseguido. Como disse o Bertrand Russel “O truque da filosofia é começar por algo tão simples que ninguém ache digno de nota e terminar por algo tão complexo que ninguém entenda”.

Ou, para simplificar, vox populi, perde-se o amigo, mas não a piada.

Estou repassando isso mentalmente enquanto me lembro da reunião de ontem. Foi na casa de um professor universitário de nossa gloriosa UFSC (pronuncia-se em bom manezês, Uféiiisqui – Universidade Federal de Santa Catarina) e foi um convescote interessante. Uma tertúlia de indivíduos – ditos de esquerda – o que se depreendia pelo jargão nas conversas. Não fosse pelo fato de conhecê-los daqui e dali, diria estar em um museu. A palavra que mais ouvi foi “burguesia”, dita no sentido pejorativo de uma classe a ser extirpada do planeta. Curioso é que estávamos fazendo um churrasco onde se observava além do trivial, uma ovelhinha uruguaia, picanha, maminha, costela… E a uma profusão de bebidas, incluindo espumante argentino uma deferência minha, tequila mexicana, bondade do anfitrião, e uísque Jack Daniels e cervejinhas tantas, de outra classe, dita média (ou mérdea, como lembrava sempre o amigo escritor João Antônio) que de indigente não tinha nada.

Questão de nomenclatura. Filhos remediados da classe média fazendo pouco de suas próprias origens. Berço é destino.

Digo que está para nascer ainda um “comunista” que recuse um bom salário mensal, férias, décimo terceiro e décimo quarto, possibilidade de uma casa, carro na garagem e viagens por aí, ainda que pseudo-culturais porque no fundo (ou só na superfície mesmo) é o que todo mundo ambiciona… Mas para isso é necessário financiá-lo e dinheiro como se sabe é coisa de capitalista… Ninguém me contestou. O duro para alguns indivíduos é que “eles” sabem quando alguém lhes adivinha as segundas intenções antes que nos revelem as primeiras… É sempre alguém tentando derrubar alguém pela mesma razão e fins… A peça do Sartre “A Engrenagem” nunca esteve tão atual.

O cineasta Vittorio de Sica costumava dizer “Toda a indignação moral, na maioria dos casos, é 2% moral, 48% indignação e 50% inveja”.

Está aí o Paulo Francis me cutucando, diga a eles que “não há país democrata que não seja capitalista”… Mas era incrível o grau de intolerância no grupo com relação as diferenças, começando por preferências clubísticas, a mais popular delas e nem precisava chegar as “convicções” ideológicas, as mais pernósticas dentre elas…

Falando nisso, acredito que o papo só engrenou quando alguém me instigou em declinar como me “definia” ideologicamente… Well, afirmo, na década de 1970 tive de confessar em um interrogatório no 23º BI que era “marxista” e mesmo acrescentando que era da “tendência Groucho” (fazendo alusão a um dos irmãos Marx da conhecida família de humoristas norte-americanos) ainda assim “penei” um bocado…

Hoje, sinceramente, gosto muito do Woody Allen…Risos.

 

OLSEN JR é membro da ACADEMIA CATARINENSE DE LETRAS.

ANTES do JOGO – por amilcar neves / ilha de santa catarina.sc

Antes do jogo

Fazia tempo, já, que não chovia. Depois, começou a chover uma vez por semana apenas. Chovia por hora e meia, se tanto tempo, enchia tudo, alagava o cruzamento das avenidas e as esquinas da cidade, encharcava as pessoas na rua e os bichos encolhidos nas calçadas, e logo o sol voltava – o calor nem se tinha ido – e secava tudo. Mais meia hora e era como se não chovesse havia tempos.

Então, inesperadamente, no domingo de Páscoa, apenas três ou quatro dias da última chuva, a tarde começa a escurecer, aos poucos ainda, por enquanto, iluminada pelo clarão súbito e fugaz de relâmpagos aqui e ali que se despedaçam sob uma camada espessa de trovões ameaçadores e sinistros, que no entanto latem mais do que mordem. Haverá de chover em breve e, provavelmente, será muita chuva. Com toda a certeza, haverá de ser um pequeno dilúvio a despencar bem na hora do jogo, exatamente quando estiver prestes a iniciar a partida de futebol.

Como aconteceu ainda outro dia, sob um furioso vendaval de Oeste que levou a chuva, de frente, até o último degrau das arquibancadas do setor D, levantando, arrancando e arremessando a longa distância partes metálicas retorcidas da cobertura das cadeiras. Mais quinze minutos e o estrago seria memorável. Por sorte, o que se soltou da estrutura, devido à ferocidade insana do vendaval, correu rolando por sobre o telhado – uma só peça daquelas que voasse por baixo do telhado, uma só lasca daquele ferro, e aço, e alumínio, e zinco, que se soltasse e se projetasse sob a coberta, seria lâmina afiada e sedenta para uma cortante destruição em massa. O que se soltou, rolou sobre a cobertura e caiu atrás do estádio, nos locais onde passam as pessoas e estacionam-se os carros: por sorte, o time vinha mal no campeonato e não havia, por isso, gente caminhando antes do jogo nem carro parado naquele terreno baldio em que se cravaram, no solo, pesados restos de metal arrancados pela tempestade.

Está agora quase começando a partida desta tarde pascoal e o vento sopra furioso, o céu não cessa de espocar luzes coruscantes que buscam ávidas o chão de terra ou de água, o ronco da trovoada é então quase um rugido constante e incansável – e a chuva chega, desvairada e forte, açoitando todo mundo com rajadas cambiantes até fixar sua direção, seu Norte: ela vem precisamente de Nordeste e lava os degraus das arquibancadas encurralando o pessoal, os torcedores, nos derradeiros níveis de cadeiras, em busca inútil de uma cobertura, um abrigo que os proteja da borrasca. A chuva vem fria e consigo despeja o granizo.

O efeito mais imediato da água que nos metralha quase na horizontal é a suspensão forçada da redação deste texto: homem de arquibancada de estádio, não disponho dos vidros e paredes de um camarote para observar o espetáculo e seus atores, exatamente, de camarote. Sou parte da trupe, mero figurante, é verdade, no meio de outros nove mil torcedores anônimos.

Na hora do jogo, porém, o temporal já se tinha ido sabe-se lá para onde, o gramado perfeito escoara toda a água que se acumulara, o sol já iniciava seu retorno de detrás das nuvens e a partida começou sem atraso.

Chuvas de Norte vêm sempre de Joinville, cidade em que chove sempre, mesmo em tempos de seca geral. E foi justamente o Joinville que entrou em campo, mas de nada lhe valeu a chuva trazida consigo, derrotado que se viu por 1 a 0 pelo Avaí, completando 11 anos sem conseguir vencer o Leão da Ilha na Ressacada, faça chuva ou faça sol, faça frio ou calor.

 

AMILCAR NEVES  é membro da ACADEMIA CATARINENSE DE LETRAS com 8 obras publicadas.

GENERAL da reserva: corrupção e desmandos em ALAGOAS

23/04/2012 - 12h33

General é suspeito de desvio de recursos dos presídios de AL

A Justiça de Alagoas decretou nesta segunda-feira a prisão do general da reserva do Exército Edson Sá Rocha, ex-comandante da PM alagoana, suspeito de participação em um esquema de desvio de cerca de R$ 300 milhões dos presídios de Alagoas.

Foram presos também o ex-intendente-geral do Sistema Penitenciário, coronel Luiz Bugarin, e mais dois oficiais da PM alagoana, além de quatro empresário, um policial civil e um ex-funcionário do sistema prisional.

As prisões foram efetuadas por uma força tarefa das policiais Civil e Militar, com apoio da Guarda Nacional. Os mandados de prisões foram expedidos pelos juízes da 17ã Vara Criminal da capital, a pedido do Gecoc (Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas) do Ministério Público Estadual.

Os presos estariam envolvidos num esquema de fraude a licitação e superfaturamento de produtos comprados para o sistema prisional, principalmente para a alimentação dos internos. O esquema vinha sendo investigado desde 2007, no primeiro mandato do governo Teotônio Vilela Filho (PSDB), quando foi descoberto pelo ex-secretário de Segurança Pública, delegado federal Paulo Rubim.

De acordo com coordenador do Gecoc, o promotor Alfredo Gaspar, as prisões desta segunda-feira têm ligação com a operação Espectro, deflagrada pela Polícia Civil de Alagoas no início de março deste ano.

Naquela oportunidade, foram presas pessoas envolvidas com operações fiscais: empresários e contadoras das empresas suspeitas de participação do esquema.

“Desta vez, pedimos a prisão dos gestores que teriam contribuindo para a fraude registrada entre os anos de 2007 e 2009″, afirmou Gaspar. Ele disse ainda que já teriam sido executadas seis prisões e entre os presos estariam os três oficiais da PM.

PROVAS

Durante a Operação Espectro, deflagrada no dia 3 de março, além das prisões de empresários e contadores, foram apreendidos cerca de R$ 4 milhões em dinheiro e cheques. Mas no início da semana passada, a polícia constatou que parte dos cheques e do dinheiro havia sumido da delegacia, só teriam restado R$ 960 mil entre as provas do inquérito. Uma sindicância foi aberta para apurar o sumiço do material.

De acordo com as investigações, as empresas vendiam para o sistema prisional, mas não entregavam os produtos e triplicavam o valor nas notas fiscais.

Doze empresas teriam participação direta na fraude e 70 estariam envolvidas no esquema. Os suspeitos respondem por crimes de peculato, corrupção passiva, corrupção ativa, falsificação de documento público, falsificação de documento particular, fraude em licitação, formação de quadrilha e sonegação fiscal.

 

RICARDO RODRIGUES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE MACEIÓ

A linguagem secreta que há nos gestos dos maestros – new york.ny

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DANIEL J. WAKIN DO “NEW YORK TIMES”   Braços esculpem o ar. Uma mão se fecha. Um dedo indicador se projeta. O torso oscila para frente e para trás. E, não se sabe como, música jorra em resposta a essa … Continue lendo

ADEUS EUROPA – por frei betto / são paulo.sp


 Lembram-se da Europa  resplandecente dos  últimos 20 anos, do luxo das avenidas do  Champs-Élysées, em Paris, ou da  Knightsbridge, em Londres? Lembram-se  do consumismo exagerado, dos eventos da  moda em Milão, das feiras de  Barcelona e da sofisticação dos carros  alemães?

Tudo isso  continua lá, mas já não é a mesma coisa. As  cidades europeias são,  hoje, caldeirões de etnias. A miséria empurrou milhões  de africanos  para o velho continente em busca de sobrevivência; o Muro de  Berlim,  ao cair, abriu caminho para os jovens do Leste europeu buscarem, no   Oeste, melhores oportunidades de trabalho; as crises no Oriente Médio   favorecem hordas de novos imigrantes.

A crise do  capitalismo,  iniciada em 2008, atinge fundo a Europa Ocidental.  Irlanda, Portugal e Grécia,  países desenvolvidos em plena fase de  subdesenvolvimento, estendem seus pires  aos bancos estrangeiros e se  abrigam sob o implacável guarda-chuva do  FMI.

O trem  descarrilou. A locomotiva – os EUA – emperrou, não  consegue retomar  sua produtividade e atola-se no crescimento do desemprego. Os  vagões  europeus, como a Itália, tombam sob o peso de dívidas astronômicas. A   festa acabou.

Previa-se que a economia global cresceria,  nos  próximos dois anos, de 4,3% a 4,5%. Agora o FMI adverte:  preparem-se, apertem  os cintos, pois não passará de 4%. Saudades de  2010, quando cresceu  5,1%.

O mundo virou de cabeça pra  baixo. Europa e EUA, juntos,  não haverão de crescer, em 2012, mais de  1,9%. Já os países emergentes deverão  avançar de 6,1% a 6,4%. Mas não  será um crescimento homogêneo. A China, para  inveja do resto do mundo,  deverá avançar 9,5%. O Brasil,  3,8%.

Embora o FMI evite  falar em recessão, já não teme admitir  estagnação. O que significa  proliferação do desemprego e de todos os efeitos  nefastos que ele  gera. Há hoje, nos 27 países da União Europeia, 22,7 milhões  de  desempregados. Os EUA deverão crescer apenas 1% e, em 2012, 0,9%. Muitos   brasileiros, que foram para lá em busca de vida melhor, estão de   volta.

Frente à crise de um sistema econômico que  aprendeu a  acumular dinheiro mas não a produzir justiça, o FMI, que  padece de crônica  falta de imaginação, tira da cartola a receita de  sempre: ajuste fiscal, o que  significa cortar gastos do governo,  aumentar impostos, reduzir o crédito etc.  Nada de subsídios, de  aumentos de salários, de investimentos que não sejam  estritamente  necessários.

Resultado: o capital volátil, a  montanha de  dinheiro que circula pelo planeta em busca de multiplicação   especulativa, deverá vir de armas e bagagens para os países  emergentes.  Portanto, estes que se cuidem para evitar o  superaquecimento de suas  economias. E, por favor, clama o FMI, não  reduzam muito os juros, para não  prejudicar o sistema financeiro e os  rendimentos do cassino da  especulação.

O fato é que a  zona do euro entrou em pânico. A  ponto de os governos, sem risco de  serem acusados de comunismo, se prepararem  para taxar as grandes  fortunas. Muitos países se perguntam se não cometeram  uma monumental  burrada ao abrir mão de suas moedas nacionais para aderir ao  euro.  Olham com inveja para o Reino Unido e a Suíça, que preservam suas   moedas.

A Grécia, endividada até o pescoço, o que fará?  Tudo  indica que a sua melhor saída será decretar moratória (afetando  diretamente  bancos alemães e franceses) e pular fora do  euro.

Quem cair fora  do euro terá de abandonar a União  Europeia. E, portanto, ficar à margem do  atual mercado unificado. Ora,  quando os primeiros sintomas dessa deserção  aparecerem, vai ser um  deus nos acuda: corrida aos saques bancários, quebra de  empresas,  desemprego crônico, turbas de emigrantes em busca de, sabe Deus  onde,  um lugar ao sol.

Nos anos 80, a Europa decretou a morte do   Estado de bem-estar social. Cada um por si e Deus por ninguém. O  consumismo  desenfreado criou a ilusão de prosperidade perene. Agora a  bancarrota obriga  governos e bancos a pôr as barbas de molho e  repensar o atual modelo econômico  mundial, baseado na ingênua e  perversa crença da acumulação  infinita.

Frei  Betto é escritor, autor do romance “Minas  do ouro” (Rocco), entre  outros livros.

DILMA: Aprovação ao seu governo bate recorde e vai a 64%, diz Datafolha / sãopaulo.sp

22/04/2012 08h52 - Atualizado em 22/04/2012 08h53

Pesquisa mostrou que maioria prefere ver Lula candidato do PT em 2014.
Comparação mostrou que para 57% dos eleitores Dilma é igual a Lula.

Do G1, em Brasília

Após um ano e três meses de duração, o governo da presidente Dilma Rousseff obteve aprovação recorde de 64% dos eleitores, que o consideram bom ou ótimo, mostra pesquisa Datafolha publicada na edição deste domingo pelo jornal “Folha de S.Paulo”. Outros 29% consideraram a gestão regular e apenas 5% acharam o governo ruim ou péssimo.

A série histórica das pesquisas do instituto revela que a avaliação do governo Dilma melhorou. No levantamento anterior, de janeiro, a gestão era aprovada por 59%, considerada regular por 33% e ruim ou péssima por 6% do universo pesquisado.

Os índices revelam a melhor avaliação obtida por um presidente no período considerado. Com um ano e três meses de mandato, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tinha o governo aprovado por 30% e Luiz Inácio Lula da Silva por 38%.

Apesar da aprovação recorde de Dilma, um novo dado da pesquisa revela que a maioria dos eleitores consultados prefere que em 2014 o candidato do PT seja Lula. Para 57%, o ex-presidente deve voltar a concorrer nas próximas eleições presidenciais pelo partido, contra 32% que preferem que sua sucessora concorra à reeleição. Para 6%, o candidato petista não deveria ser nenhum dos dois e 5% não souberam responder.

A comparação entre os dois governos mostrou que para 57% dos eleitores, Dilma é igual a Lula. Para 21%, Dilma é pior que Lula; 20% acham Dilma melhor que Lula; e 2% não sabem.

A pesquisa foi realizada nos dias 18 e 19 de abril e ouviu 2.558 pessoas em 161 municípios de todos os estados e Distrito Federal. A margem de erro é dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Juiz muda atestado de óbito de perseguido político / são paulo

enfim a história vai entrando nos trilhos da verdade

O  juiz Guilherme Madeira Dezem, da 2.ª Vara de Registros Públicos, em São Paulo, determinou a retificação, no atestado de óbito, do local e da causa da morte de um militante de esquerda assassinado durante a ditadura militar. Trata-se de uma decisão inédita, segundo organizações de direitos humanos.

No documento retificado, onde se lê que o economista João Batista Franco Drumond morreu no dia 16 de dezembro de 1976 na esquina da Avenida Nove de Julho com a a Rua Paim, passará a constar: “Falecido no dia 16 de dezembro nas dependências do DOI-Codi do 2.º Exército, em São Paulo”. Em seguida, onde se anotou que a causa da morte foi “traumatismo craniano encefálico”, ficará escrito que decorreu de “torturas físicas”.

A sentença, segundo o texto do juiz, segue orientação da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Ele cita particularmente a determinação - de 2010 - para que o Brasil adote medidas destinadas a cumprir o direito que as famílias de mortos e desaparecidos têm à memória e à verdade.

Trata-se de uma decisão de primeira instância, que ainda pode ser modificada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. O pedido de mudança foi feito pela viúva de Drumond, a senhora Maria Ester, de 65 anos. Segundo seu advogado, Egmar José de Oliveira, ela espera por isso desde a morte do marido, 35 anos atrás. “Faz parte de um longo esforço para restituir-lhea dignidade”, conta ele.

Tortura e morte

Drumond tinha 34 anos e era militante do PC do B. Foi preso no dia 15 de dezembro de 1976, no episódio que ficou conhecido como massacre da Lapa – uma operação que, sob o patrocínio do 2.º Exército, resultou no desmantelamento da cúpula do partido. Conduzido para as dependências do DOI-Codi, ele enfrentou seguidas sessões de tortura, segundo depoimentos de outros presos políticos, até a sua morte, no dia seguinte.

Quando o pai de Drumond chegou para identificar o corpo e providenciar o funeral, as autoridades lhe informaram que o filho morrera atropelado, durante uma tentativa de fuga. “Ele recebeu ordem, por escrito, para que isso constasse no atestado de óbito”, conta o advogado.

Sentindo-se ameaçadas, a mulher e as duas filhas de Drumond mudaram para a França – onde moram até hoje. Elas já tinham conseguido, junto à Comissão de Mortos e Desaparecidos, o reconhecimento de que o marido morrera quando se encontrava sob a custódia das autoridades militares.

Mas a senhora Maria Ester queria ir além, queria o reconhecimento final, na certidão de óbito do marido. Quando soube da decisão do juiz, assinada no final da semana passada e divulgada na segunda-feira, ela comemorou e chamou-o de corajoso.

Jurisprudência

“Mesmo sendo uma decisão de primeira instância, é altamente significativa. Trata-se de uma reação inédita do Judiciário, que sempre foi omisso no trato das questões da ditadura militar”, diz o advogado, que também é vice-presidente da Comissão de Mortos e Desaparecidos. “É uma a peça a mais no esforço que se faz no País para se restabelecer a memória e a verdade. Tomara que seja o início de uma jurisprudência que ajude as famílias a restabelecerem plenamente os fatos ocorridos durante a ditadura.”

O ex-preso político Ivan Seixas, da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos, também elogiou a sentença.  “Ela confirma as denúncias de morte sob tortura. É mais um passo para que o Brasil possa conhecer a verdade daquele período”, afirma.

O ESTADÃO.

Dilma estabelece ‘padrão mundial contra a corrupção’, afirma Hillary Clinton

Secretária de Estado dos EUA fez comentário na conferência da Parceria para o Governo Aberto

17 de abril de 2012 | 12h 12
 Tânia Monteiro e Rafael Moraes Moura, da Agência Estado

BRASÍLIA – A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, disse nesta terça-feira que a presidente Dilma Rousseff está estabelecendo um “padrão mundial” na questão de transparência e luta contra a corrupção. O comentário foi durante a abertura da Primeira Conferência Anual de Alto Nível da Parceria Para Governo Aberto, que está sendo realizado em Brasília.


'Não há um parceiro melhor para iniciar esse esforço do que o Brasil', disse Hillary  - Roberto Stuckert Filho/Agência Brasil
Roberto Stuckert Filho/Agência Brasil
‘Não há um parceiro melhor para iniciar esse esforço do que o Brasil’, disse Hillary

 

 

A Open Government Partnership (OGP), ou Parceria do Governo Aberto, foi lançada em setembro passado nos Estados Unidos como um esforço conjunto na luta contra a corrupção e na promoção de transparência na gestão pública. O Brasil e os Estados Unidos lideram a iniciativa.

 

“Não há um parceiro melhor para iniciar esse esforço do que o Brasil e, particularmente, a presidente (Dilma) Rousseff. O compromisso dela com abertura, transparência, sua luta contra a corrupção está estabelecendo um padrão mundial”, disse Hillary.

 

De acordo com a secretária de Estado norte-americana, os Estados Unidos estão orgulhosos com a parceria e querem mantê-la para garantir que o século XXI seja uma era de “transparência, democracia e resultados para pessoas de todos os lugares”.

 

Para Hillary, a corrupção “mata o potencial de um país, drena recursos, protege pessoas desonestas”. “Uma das mais significantes divisões não são entre norte, sul, leste, oeste, religiosas ou de outras categorias. Estamos falando de sociedades abertas e fechadas. Aqueles governos que se escondem da opinião pública vão encontrar dificuldades crescentes”, afirmou.

 

Para o ministro-chefe da Controladoria-Geral da União, Jorge Hage, “todos se deram conta de que, quanto maior a abertura de informações ao escrutínio público, maior será a eficiência dos serviços públicos”. “Não há melhor desinfetante que a luz do sol”, disse Hage, que também discursou no evento.

MEU ENCONTRO COM MILLÔR FERNANDES (*) – por olsen jr / rio negrinho.sc


   Estava passando por um corredor no Centro de Cultura e Eventos da UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina, quando ouvi o amigo Dilvo Ristoff contando uma história hilariante envolvendo o Millôr Fernandes (**) em que “eu” aparecia como o homem certo no lugar errado. Ouvi atentamente e exclamei “espera aí, não foi bem assim”. Só intervi porque na plateia estavam os escritores Silveira de Souza, Flávio José Cardozo e Jair Francisco Hamms (***).

Não ia deixar “barato” aquele relato. Já havia passado quase dez anos e o cara não “esquecera”, ou pelo que constatei, atinha-se a “sua” versão do ocorrido.

O Millôr havia aberto a Primeira Semana de Comunicação e Expressão, início de 1996, e havia ganhado algumas “notas extras” nos jornais por conta de duas perguntas de uma jornalista. A primeira, “como você vê o quadro político-econômico do País?” Respondeu: “o quadro tem uma moldura boa, mas o conteúdo é precário”; a segunda, “Como você avalia a comunicação brasileira hoje?” Disse (simulando meditar): a Rede Globo deve valer um bilhão de dólares… A entrevista terminou aí…

Depois do evento, Dilvo (um dos idealizadores daquele Encontro) convidou o Millôr para almoçar na Lagoa da Conceição. Era uma segunda-feira, a maioria dos restaurantes fecha para o descanso semanal. Estou ao lado da minha casa, num dos poucos lugares abertos quando vejo um táxi parar em frente. O Dilvo se aproxima para ver se o local serve almoço e me vê. Após os cumprimentos, afirma que está com o Millôr Fernandes e pergunta se poderiam sentar à mesma mesa. Afirmo que seria uma honra. Logo após, estamos reunidos, o Millôr com a mulher, Cora (filha do grande crítico literário, Paulo Ronai), a escritora rio-grandense Ieda Inda, a Michelle (minha filha) e este poetinha que vos fala. O Millôr consegue manter aquele humor o tempo todo, coisa rara, de maneira que dois cínicos se dão bem, e logo parecia que nos conhecíamos há mais de 20 anos. Acredito que a “mágoa” do Dilvo (se houve alguma) deva ser atribuída a esse fato, embora “ele” próprio consiga manter um apurado senso de humor.

Terminado o almoço, perguntei se o Millôr poderia autografar alguns livros. Cora, a mulher, disse que não haveria problema. Em menos de cinco minutos, trouxe 23 obras da minha biblioteca. Motivo de gozação. O Millôr brincou “Pô! Não pensei que tivesse escrito tanto”… No livro “O Homem do Princípio ao Fim”, ele escreveu “Para o escritor Olsen Jr. que é do meio”… Cada dedicatória era uma peça, todas lidas depois em voz alta e “curtidas” pela mesa…

O tempo passou, e agora estou ali, ouvindo a “versão” do Dilvo. Tenha paciência, brinquei você foi muito gentil, aquele encontro foi memorável, ao contrário de alguns “coleguinhas” que quando trazem alguém de fora, nestas paragens, procuram isolar-se, não compartilhando de “suas” presenças. Coisa de gente pequena. Lembro que já te agradeci por isso, no que o Dilvo concordou. Depois o Jair Hamms afirmou que iria escrever sobre o fato, disse que também o faria, afinal, tenho “a minha reputação a zelar”. Aliás, aquela “nota” sobre as “respostas” do Millôr Fernandes para a jornalista, confesso, fui eu quem enviou para o Cacau Menezes (19/03/1996), o Millôr disse apenas “o quadro tem uma moldura boa, mas o conteúdo é precário”… Botei a minha colher e acrescentei “ignora-se se o conteúdo é precário porque o esboço é ruim, ou o esboço é ruim porque o conteúdo é precário”… “Fi-lo” como diria o Jânio Quadros,  porque a bolinha estava quicando na área e tinha de marcar o gol, afinal, agora o que ficou foi a minha versão, lembro a expressão clássica do Leonel Brizola “não é verdade!”.

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(*) – Esta crônica inicialmente com o título de “O que importa é a versão” foi publicada originalmente no Jornal “A Notícia”, de Joinville (SC) no dia 08 de abril de 2005.                

(**) – O humorista, escritor, tradutor, cartunista, crítico e filósofo Millôr Fernandes morreu no dia 27 de março de 2012.

(***) – O escritor Jair Francisco Hamms faleceu no dia 11 de janeiro de 2011.    

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NOTAS:

A música poderia ser esta: “Beatles in Pepperland”…

A inspiração veio do Álbum “Revolver” e da música  “Yellow Submarine” , uma das faixas,  ambos de 1966…

Em 1967, Lee Minoff escreveu uma história baseada em algumas letras dos Beatles.

Essa história foi transformada em filme.

Um desenho animado onde o produtor dos Beatles, George Martin participa com algumas músicas instrumentais.

Estas músicas foram adicionadas a trilha sonora do filme…

O Álbum com a trilha sonora foi lançado seis meses após o filme, contendo apenas algumas músicas do filme e mais as composições de George Martin…

Em 1999, o desenho animado foi reeditado digitalmente e foi lançado o Álbum Yellow Submarine Soundtrack, desta vez com todas as músicas dos Beatles que fazem parte do filme,

mas sem as compostas pelo George Martin.

A história do desenho animado era sobre PEPPERLAND, um paraíso situado a oitenta mil léguas submarinas cercado por cor e música (qualquer alusão aos livros “Vinte Mil Léguas Submarinas” e a “A Volta ao Mundo em Oitenta Dias”, de Júlio Verne não será mera coincidência)…

Os vilões denominados BLUE MEANIES atacam Pepperland para acabar com as músicas…

Os Beatles vão salvar Pepperland dentro de um Submarino Amarelo…

A música “Beatles in Pepperland” é instrumental, de George Martin que anima esta parte do filme…

Não conto o final do filme…

Aí está parte da trilha sonora, com o carinho do poeta, sempre…

http://www.youtube.com/watch?v=gbsVySv5UAU

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OLSEN JR é membro da ACADEMIA CATARINENSE DE LETRAS com 8 livros editados.

AMILCAR NEVES, discurso de posse na ACADEMIA CATARINENSE DE LETRAS

Esta galeria contém 1 fotos.

(Discurso à moda de ficção) Discurso de posse da Cadeira nº 32 da Academia Catarinense de Letras, proferido em 12.04.2012 Senhoras e Senhores, Preciso pedir-vos desculpas antes mesmo de proferir as primeiras e pobres palavras que tenho para vos dirigir. … Continue lendo

MERCADORIA – de gilda kluppel / curitiba.pr

Segue o seu caminho

apresenta as armas

em linhas verticais prepara o escudo

manipula a espada

e aglutina seguidores
dentre os que não conhecem seus fetiches

permeia relações e forja emoções

inúmeros painéis indicam

os sentidos captam sem demora

matéria à mostra

preço a prazo e longe da vista

num instante a aspiração

de uma vida cumulativa

objetos, coisas, troços…

rapidamente se tornam obsoletos

outra necessidade inventada

um novo ciclo inicia

na contramão do poema

segue a sua marcha mercadoria

seduz mais adeptos

para juntar o metal precioso

e acumular tempo perdido

em tantas dores recolhidas

empilhar-se de bens

e tentar saciar as infinitas cobiças

na ilusão de ser pelo que tens.

Executivo da Marcopolo é um dos conselheiros da presidente Dilma Rousseff – por silvana toazza / ZH / porto alegre.rs

José Antônio Fernandes Martins ajudou a moldar o pacote de estímulo à indústria Martins tem longa amizade com a presidente do paísFoto: Maicon Damasceno / Agencia RBS Um articulador, um interlocutor e um conciliador. Mais do que palavras parecidas, elas … Continue lendo

POEMAS DE V. KHLÉBNIKOV (1885-1922) – por mario francisco ramos / são paulo.sp

1)Из мешка На пол рассыпались вещи. И я думаю, Что мир – Только усмешка, Что теплится На устах повешенного. (1908)De um saco roto Vazou quase tudo. E eu penso Que o mundo É só um riso maroto Luz fraca nos … Continue lendo

JORGE VIDELA, ex ditador militar da Argentina diz, orgulhoso, ter ordenado até 8 mil mortes

 

13/04/2012 16h21 - Atualizado em 13/04/2012 16h47

Jorge Videla deu entrevista a jornalista argentino que lança livro sobre o regime militar do país.

 BBC
O ex-ditador argentino Jorge Videla (Foto: AFP)
O ex-ditador argentino Jorge Rafael
Videla (Foto: AFP)

O ex-presidente militar argentino Jorge Rafael Videla (1976-1981) admitiu, pela primeira vez, que foi o responsável direto pelas ‘mortes e desaparecimentos de entre 7 mil e 8 mil pessoas’ durante seu governo.

A declaração foi dada ao jornalista argentino Ceferino Reato, que lança no próximo fim de semana na Argentina o livro ‘Disposición Final’ (‘Disposição Final’, em tradução livre), sobre os anos em que Videla comandou o regime argentino.

O general afirmou que a repressão violenta a opositores foi necessária para que não ocorressem protestos dentro e fora do país.

‘Não havia outra solução. Na cúpula militar estávamos de acordo que era o preço a se pagar para ganhar a guerra contra a subversão e precisávamos [de um método] que não fosse evidente, para que a sociedade não o percebesse’, disse Videla ao jornalista.

Em entrevista à BBC Brasil, Reato disse que ‘não foi difícil conseguir a entrevista’.

‘Videla não é procurado pelos jornalistas e estava disposto a falar’, disse.

Ordens
O ex-homem forte da Argentina afirmou ter dado as ordens sobre cada prisão e assassinato de seus opositores. Disse porém ser incapaz de apontar a localização dos corpos pois os assassinatos e eliminação dos cadáveres teriam sido praticados pelas diversas unidades militares sob seu comando.

Videla tem hoje 86 anos e cumpre pena de prisão perpetua na cadeia militar Campo de Mayo, na Província de Buenos Aires.

‘Tenho peso na alma, mas não estou arrependido de nada. Gostaria de fazer esta contribuição para que a sociedade saiba o que aconteceu e para aliviar a situação de muitos oficiais que atenderam às minhas ordens’, afirmou Videla ao jornalista.

As cerca de 20 horas de entrevistas foram gravadas pelo jornalista entre outubro de 2011 e abril de 2012. ‘Ele está bem fisicamente, apesar de curvado por problemas na coluna vertebral’.

‘Videla disse que [os militares] chegaram ao poder depois do golpe decididos a ‘aniquilar’ as ações dos subversivos’, contou.

Desaparecimentos
Videla contou que antes da decisão pelas mortes e desaparecimentos, outras formulas para ‘eliminar’ a guerrilha foram tentadas, como tiroteios disfarçados nas ruas.

‘Eu sabia tudo o que estava acontecendo e autorizei tudo’, disse Videla.

O livro foi chamado de ‘Disposición Final’ porque era como os militares definiam a última etapa a ser cumprida – primeiro prisão, depois morte, e no fim o desaparecimento do corpo.

‘Disposição final são palavras bem militares. Significam tirar algo de circulação quando já é irreversível’, disse.

Videla foi sentenciado à prisão perpétua em 1985, mas cinco anos depois recebeu o perdão do presidente Carlos Menem. Em 1998 foi condenado à prisão domiciliar, sob acusação de sequestro de bebês durante seu governo. Em 2007, o perdão de 1990 foi revogado e um ano depois ele foi enviado a uma prisão militar.

AMILCAR NEVES, teve uma das posses mais concorridas a uma cadeira na ACADEMIA CATARINENSE DE LETRAS dos ultimos anos.

auditório da ACADEMIA completamente lotado.

o acadêmico AMILCAR NEVES, diploma na mão, recem empossado, em foto histórica entre seus pares presentes.

o poeta J B  VIDAL foi cumprimentar o amigo  AMILCAR quando da cerimonia. uma pequena mão, de um futuro acadêmico, “tenta surrupiar” o medalhão do titular.

Salman Rushdie: pseudônimo batizará suas memórias / ag. f

O nome falso que Salman Rushdie usou enquanto durou a sentença de morte contra ele vai batizar o livro de memórias do escritor britânico nascido na Índia.

“Joseph Anton” terá lançamento mundial em 18 de setembro. No Brasil, o livro sairá pela Companhia das Letras.

Em 1989, após a publicação do romance “Versos Satânicos”, o aiatolá Khomeini, do Irã, anunciou uma “fatwa”, um decreto religioso que naquele caso estipulava uma sentença de morte, contra o escritor, alegando que o livro blasfemava o islã e o profeta Maomé.

Rushdie viveu por nove anos escondido e sob proteção policial, até que em 1998 o governo do Irã anunciou que não mais incentivaria o cumprimento do decreto religioso.

Segundo a editora Random House, que publicará “Joseph Anton” no Reino Unido, quando passou a viver escondido o romancista escolheu o pseudônimo –exigido pela polícia para dar-lhe proteção– em homenagem a dois de seus escritores prediletos: Joseph Conrad e Anton Tchékhov.

Zsolt Szigetvary/Efe
Escritor Salman Rushdie durante entrevista coletina em Budapeste em novembro de 2007
Escritor Salman Rushdie durante entrevista coletina em Budapeste em novembro de 2007

REPÚBLICA DOS JUÍZES, STF legisla e CONGRESSO se interessa por cargos! – rogério galindo / curitiba

foto de Gevársio Baptista/SCO/STF
Gevársio Baptista/SCO/STF / STF: são eles que mandam.
STF: são eles que mandam.

 

Numa democracia saudável, o Legislativo faz as leis e o Judiciário exige que elas sejam cumpridas. No Brasil, há muito, vem acontecendo uma mudança problemática. O Judiciário decidiu legislar.

A decisão sobre os fetos anencéfalos é apenas o caso mais recente. Por esses tempos, o Supremo Tribunal Federal também decidiu sobre a união civil de homossexuais, o uso de células tronco e uma infinidade de assuntos polêmicos.

O ideal seria que houvesse uma lei sobre cada desses assuntos. E os juízes apenas mostrariam quem infringiu a legislação.

Mas nossos deputados e senadores se omitem. Estão mais ocupados disputando cargos, chantageando a presidente ou fazendo pose de moralistas, até que sejam pegos na próxima esquina.

Quando votam, votam ou assuntos superficiais ou seguem a pauta do Executivo. Quem recebeu benesses é a favor, quem espera chegar ao poder na próxima eleição vota contra.

E o Judiciário, como não existe vácuo de poder, vai criando leis a esmo. Com princípios, claro. Mas com que legitimidade?

O Congresso é que elegemos para nos representar. A função do juiz deveria ser meramente técnica. Mas vira política e logo teremos uma aristocracia togada decidindo sobre os rumos de nosso país.

Uma pena.

O ESCRITOR AMILCAR NEVES, colunista do site ‘PALAVRAS,TODAS PALAVRAS’ toma posse na ACADEMIA CATARINENSE DE LETRAS hoje as 19:00

Amilcar Neves toma posse da cadeira 32 da Academia Catarinense de Letras

Prestes a completar 50 anos de carreira literária, ele tem sete livros e meio publicados


o escritor AMILCAR NEVES.

Uma coincidência marca a posse do escritor Amilcar Neves hoje, na condição de membro da Academia Catarinense de Letras. Não é coincidência que precisaria, obrigatoriamente, constar no discurso que preparava ontem para a ocasião. Mas é significativa: no próximo dia 24, ele completa 65 anos de vida. Como começou a escrever aos 15, será empossado no ano em que completa 50 anos de produção literária.Sua atividade não vai ser arrefecida pela condição de imortal das Letras do Estado. Uma conta é curiosa: ele tem sete livros e meio publicados.

— Sem querer copiar o 8 1/2 de Federico Fellini, mas o livro sobre Eduardo Dias (O Tempo de Eduardo Dias —Tragédia em Quatro Tempos), pelo qual tenho carinho especial, é metade do Francisco Pereira — argumenta Amilcar.

Quem sabe até a frequência de lançamentos se intensifique. Já há um novo trabalho bem encaminhado. A filha morou no Bronx, famoso bairro de Nova York, enquanto fazia seus estudos de doutorado. Hospedados na casa dela, o escritor e a mulher passaram três períodos por lá, vivendo um dia a dia normal, se deslocando por metrô e fazendo as compras de casa.

O período serviu para escrever muito. Várias crônicas escritas nos EUA foram publicadas no Diário Catarinense, onde é colunista (assina a crônica da página 3 do Variedades, logo ao virar a página). Da época, há material não publicado.

— Quero juntar tudo em um livro, são textos com uma visão crítica do país. De longe, a gente consegue perceber coisas que aqui não percebemos. Essa é a ideia, ver o Brasil a partir do Bronx. Não vai ser um guia turístico, vai ter um pouco de ficção e de realidade — conta.

Amilcar também quer reeditar uma de suas mais curiosas obras. Trata-se de Pai Sem Computador, uma novela infanto-juvenil de 1993, que teve seis edições e, para o autor, pode ter mais. É uma história que se passa na Ilha, e introduz algo que era mais ou menos novo à época, o computador pessoal. Por conta de nomes técnicos ainda desconhecidos pela maioria dos leitores, tinha muitas notas de rodapé.

— As pessoas têm me pedido para reeditar o livro, que tem um tema sempre interessante. Mas agora, não há mais razão de ter as notas de rodapé. Hoje em dia, nem se usa mais disquete — diz.

Nova posse na semana que vem

Quanto ao assunto Academia, vale destacar que ele assume a cadeira número 32, que pertencia ao escritor e professor Lauro Junkes. A solenidade será amanhã, às 19h, na sede da instituição. Na semana que vem, outro novo membro será empossado na ACL: Gilberto Gerlach, que assume a vaga deixada pela morte do historiador Carlos Humberto Corrêa.

— Não tenho tido contato com a Academia, nem oficialmente. Só começo a receber as informações quando for oficialmente empossado. Mas acho que há muita coisa para ser feita. A tendência entre um grande grupo de membros é trabalhar para abrir mais a estrutura física — opina o novo imortal.

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RENÊ MÜLLER – DC

SERGIO CAMARGO: ‘PERCURSO ESCULTÓRICO’ no MON / curitiba.pr

Demóstenes aposta no STF para esfriar caso e evitar cassação / leandro colon e gabriela guerreiro – brasilia.df

O senador Demóstenes Torres (sem partido) planeja esperar que o STF (Supremo Tribunal Federal) analise o pedido de anulação dos indícios contra ele nas investigações da Polícia Federal para só então discutir uma eventual renúncia, informa  Leandro Colon e Gabriela Guerreiro.

Senado exonera enteada de Gilmar Mendes de gabinete de Demóstenes
Entenda as suspeitas envolvendo o senador Demóstenes Torres
Ministro da Justiça defende atuação da PF no caso Demóstenes
Chefe de gabinete de Marconi Perillo deixa cargo após revelações
Duro oposicionista, Demóstenes criticou corrupção; relembre

A defesa de Demóstenes afirma que vai entrar hoje com um pedido para que seja anulado o poder de prova das gravações telefônicas que o ligam ao empresário Carlinhos Cachoeira, acusado de explorar jogo ilegal. O senador alega que, por ter foro privilegiado no STF, não poderia ter sido monitorado sem o aval da corte.

Carlos Cecconello – 6.dez.10/Folhapress
Por ter foro privilegiado, o senador (à dir.) só pode ser julgado por ministros do STF, entre eles, Mendes
Por ter foro privilegiado, o senador (à dir.) só pode ser julgado por ministros do STF, entre eles, Gilmar Mendes….

Juridicamente, avalia o senador, uma renúncia a esta altura levaria o seu caso para o Tribunal de Justiça de Goiás, onde tem foro como procurador de Justiça. Lá, corre o risco de ter sua prisão pedida, o que hoje ele descarta no âmbito da Procuradoria-Geral da República.

A.FOLHA.

Imprensa permanece blindada no caso “Cachoeira” — por vinícius mansur / brasilia.df

Dezenas de agentes ligados ao esquema do contraventor Carlinhos Cachoeira já estão sob a mira da Justiça, do Congresso, da imprensa e da opinião pública após serem citados nas investigações que deflagraram a operação Monte Carlo. Envolvimento de jornalistas, porém, não recebe os mesmos holofotes. Questionada, Veja indicou telefone de consultoria jurídica que nega trabalhar em algo relativo à revista.

Brasília - A Operação Monte Carlo resultou na prisão de 35 pessoas acusadas de envolvimento com a quadrilha da jogatina de Carlinhos Cachoeira, em Goiás. Entre os acusados, dois delegados da Polícia Federal, seis delegados da Polícia Civil goiana, um agente da Polícia Rodoviária Federal e 29 soldados, cabos e oficiais da Polícia Militar de Goiás.

A classe política também sangra com a operação. Após terem seus nomes mencionados nas investigações do Ministério Público e da Polícia Federal, os deputados Carlos Leréia (PSDB-GO), João Sandes Júnior (PP-GO) e Rubens Otoni (PT-GO) e, especialmente, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) já são alvos de diversas reportagens e de um inquérito encaminhado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Caminho parecido deve seguir o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), dadas as denúncias crescentes na mídia que expõe seus vínculos com Cachoeira.

Mais complicado, entretanto, é vir a público quais são os setores da imprensa envolvidos com a organização criminosa.

Conforme noticiou Carta Maior, partes do inquérito que deram origem a Operação Monte Carlo - publicadas na internet – citam relações promíscuas de jornalistas com a quadrilha de Cachoeira. Porém, apenas o nome de Wagner Relâmpago, repórter do programa DF Alerta, da TV Brasília/Rede TV, é explicitado.

Os três procuradores federais do Ministério Público responsáveis pelo caso – Daniel de Resende Salgado, Léa Batista de Oliveira e Marcelo Ribeiro de Oliveira – não deram maiores informações sobre o envolvimento de jornalistas. “Vamos ter que estudar isso”, limitou-se a dizer o procurador Marcelo Ribeiro.

Por meio de sua assessoria, o juiz da 11ª Vara da Justiça Federal em Goiás, Paulo Augusto Moreira Lima, que expediu os mandados da operação Monte Carlo, disse que não vai se pronunciar porque o processo corre em segredo de Justiça e só quem tem acesso a ele são as partes envolvidas e seus procuradores.

Porém, diversas outras informações, além daquelas que já são públicas devido ao vazamento de trechos do inquérito citado acima, seguem sendo meticulosamente reveladas por veículos de comunicação. Mas, praticamente nada diz respeito aos jornalistas envolvidos.

Rara exceção foi o jornalista Luis Nassif, que obteve a informação de que as investigações registraram mais de 200 telefonemas entre Cachoeira e o diretor da revista Veja em Brasília, Policarpo Júnior.

No intuito de se defender, no último sábado (31), a revista tornou pública a gravação de uma conversa, que teria sido feita em 8 de julho de 2011, entre Cachoeira e o ex-agente da Abin, Jairo Martins, acusado pela Justiça de pertencer à quadrilha. Na conversa, Cachoeira cita Policarpo como “alguém que nunca vai ser nosso” e ainda afirma que foi seu grupo quem deu “os grande furos do Policarpo”,“limpando esse Brasil, rapaz, fazendo um bem do caralho pro Brasil, essa corrupção aí”.

Para Nassif, esta gravação não é suficiente para desfazer a associação da quadrilha com a revista, entre outras razões, porque foi registrada em uma época em que a antiga relação entre elas já estava esgarçada. “Há um vazamento seletivo. Por que não divulgam os demais grampos?”, indaga.

Procurada pela reportagem, a revista Veja alegou que o assunto deveria ser tratado com seu departamento jurídico. Entretanto, no telefone informado, a Novoa Prado Consultoria Jurídica afirmou que, apesar de já ter prestado serviços para a Editora Abril, nunca trabalhou em nada relativo à revista Veja

O assunto parece mesmo proibido nos veículos da mídia tradicional, ainda que em mínimas proporções. O blog “Rádio do Moreno”, que faz parte da edição digital do jornal O Globo, teve que retirar do ar, na última sexta-feira (30), um texto do colaborador Théofilo Silva. O artigo mencionava que “o poderoso editor da revista Veja” estaria envolvido com Cachoeira e indagava “se você compra a imprensa e as autoridades públicas, o que mais falta para ser o dono do Estado?”

Na nota em que comunicou a retirada do texto, Jorge Moreno disse ter recebido “uma grave e merecida advertência do diretor de redação, Ascânio Seleme”, alegou falta de apuração e concluiu “não considero correto que um blog de jornalista agrida outro jornalista”.

C. MAIOR

Demóstenes quebra silêncio e critica proposta de Dilma no blog. Demóstenes não faz nenhuma menção às suas ligações com o marginal Carlinhos Cachoeira nem sobre o seu incerto futuro. Não se defender das acusações e atacar a Presidenta é como ele quer dar “atenuante” para o STF. Se o relator for o GILMAR MENDES…

não sabe o que é CRIME ORGANIZADO?

É ISTO:

o marginal CARLINHOS CACHOEIRA que comanda o governador PERILLO, de Goiás, e o senador moralista, (de cueca), DEMÓSTENES TORRES, também de Goiás.

CONSIDERAÇÕES SOBRE ALGUMA POESIA CONTEMPORÂNEA – por paulo franchetti / são paulo.sp

Witold Gombrowicz (1904-1969) escreveu, na década de 1950, um artigo intitu-lado “Contra os poetas”. A tese central do texto é assim resumida pelo autor: [...] quase ninguém gosta de poemas e [...] o mundo da poesia versificada é um mundo … Continue lendo

Demóstenes, Marconi e Policarpo – por mino carta / são paulo.sp

Esta galeria contém 1 fotos.

O caso do senador Demóstenes Torres é representativo de uma crise moral que, a bem da sacrossanta verdade, transcende a política, envolve tendências, hábitos, tradições até, da sociedade nativa. No quadro, cabe à mídia um papel de extrema relevância. Qual … Continue lendo

HÁ RACISMO NESTA FOTO?

COMENTÁRIO…?;/}~=!!#$%&*?

Novo comentário sobre seu post “CIDINHA CAMPOS, deputada estadual no RIO DE JANEIRO, faz depoimento GRAVÍSSIMO e seus pares seguem rindo. é o regime da CANALHOCRACIA. / rio de janeiro”
Autor: Ana Araújo (IP: 201.17.99.28 , c911631c.virtua.com.br)
Email: teles.araujo50@uol.com.br
URL    :
Whois  : http://whois.arin.net/rest/ip/201.17.99.28

Comentário:
Escolhi escrever de modo que, não seja fácil o desvio, ou alteração dessa mensagem, por poder ter uma rende de computador, ou um uso, do meu ponto para o uso da internet.
O filho quer me deixar com erros, com o tratamento dele, dado a mim, como então posso depor para algo, me defenser, ou me divorciar, com os direitos, que podem não existir, também com a ajuda dos meus filhos na minha moradia? Qual o direito do qual posso fazer uso agora dessa forma? Como faço a minha prima me defender disso, por querer ter atuação dela e, não posso pagar mais por isso?

Por enquanto eu estou vivendo uma realidade mas quero responder , sendo de acordo, com o que me dizia, as clolegas da Universidade de Serviço Social existia o helicóptero do governo sobrevoando e sabendo de tudo e, depiois eu soube, eu entendo não sendo pelo mesmo motivo, passdao um bom tempo e, em outro local, a existência de empregadores, que estariam em qualquer lugar e, saberiam o que quisessem.

Eu fiquei muinto tempo sem falar muinto, agora existem muintas coincidências, então eu respondo.
Os filhos ficam comigo, para a ajudá-los, mas se acabam, se ficarem com a outro, muinto mais e, têm que me aturar de maneira, em começo igual, ou semelhante e, nem o pai fica com eles, só querem essa ajuda desses filhos, dessa maneira, embora um tenha 23 anos e, o outro 19 anos. Está vago, por enquanto esse direito, sendo o mais rápida possível, necessária uma meio para se estabelecer uma saúde para esses, sabendo que esse meu cônjugue, já matou psicológicamente a minha mãe, assim o querendo e, dando mortes a outros, estando com um problema, que geram mortes, e, agora quer-me maluca e, os filhos de qualquer jeito, sendo o pior para esses, assim como para mim, por querem esses piores, que os filhos da outra pessoa e, como não conversaram tanto assim comigo, de mim tenho certeza. Ter que ficar igual ao outro quando se é a segunda, não é justo e, nem certo, por a outra pessoa, seja a que for, não ter como  certa uma vida, que seja de dever, assim como eu teria, sendo igual à minha.

Sexta-feira Santa – por olsen jr / rio negrinho.sc


 

SEXTA-FEIRA SANTA

 

O “dia não é de alegria!”…

Foi a primeira frase que ouvi, logo seguida de um complemento:  “as pessoas costumam meditar, fazer uma auto-análise daquilo que pretendem com a vida que levam, também se impõe uma espécie de penitência em que se inclui o jejum”…

Meu pai disse aquilo ao mesmo tempo em que me entregava uma obra “O Mais Belo Rabi”, com a recomendação “leia este livro”. A indicação vinha como uma ordem, e lá em casa se respeitava uma determinação paterna, pelo menos na infância. Era a primeira vez que ele me impunha uma leitura. Normalmente apenas comunicava os livros que havia comprado e estavam disponíveis na biblioteca. Sempre fui um rebelde e não gosto de imposições. Mas, acredito, naquele dia devia estar com um semblante indefinido, naquela incerteza que acompanha um “não saber qualquer”, a dúvida que antecede uma nova escolha, no caso, de recomeçar a leitura ou de descobrir uma obra interessante para se ler, mas voluntariamente, sem indicação externa. Tinha entre 9 e 12 anos e sabia, por experiência própria, que quando se tem uma tarefa para cumprir, o melhor era acabar logo com a incumbência e se livrar do peso de um remorso, a posteriori, e a maldita consciência do dever não cumprido. E já estava encarando a leitura como um compromisso e não um prazer pessoal dela decorrente. É Sexta-Feira Santa e existe uma aura no ar, como convém a um dia especial. Dia de consternação, de ficar só…

Tudo passa num instantâneo enquanto observo um pai levando um filho pelas mãos em frente do banco onde estou em uma praça no centro da cidade, a criança vem sorrindo alheia ao que se celebra hoje, está contente – como disse Bertolt Brecht, porque ainda não havia recebido a má notícia… Mais além, outro garoto caminha sozinho, não tem a quem recorrer, por isso recorre a todos.  Aquela mãozinha estendida era de cortar o coração. Que espécie de sociedade permite tal desempenho? De repente me descubro nela, dentro dela, sou ela, logo a lembrança de Sartre, a respeito da obra “A Náusea”, afirmava que enquanto uma criança passasse fome no mundo, aquele livro não tinha o menor sentido. Era retórico para chamar a atenção sobre outra realidade, o que conseguiu…

Descubro-me, igualmente, sem ter a quem recorrer, estou tão só como aquele garoto, e por isso me lembro do meu pai e daquele livro, “O Mais Belo Rabi”, que tratava da vida de Jesus Cristo. Uma leitura gratificante, edênica, menos dolorida que o filme “A Paixão de Cristo”, dirigido por Mel Gibson. Depois, no ano seguinte voltei a relê-lo, e hoje apenas folheio as páginas detendo-me em parágrafos aleatórios alimentando a consciência de que a liberdade que permite essas elucubrações só faz sentido porque ainda não perdi a capacidade de me indignar!

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OLSEN JR  é membro da ACADEMIA CATARINENSE DE LETRAS.

Livros pra se ficar rico, muito rico – por amilcar neves / ilha de santa catarina


Maria Vitória me chama:

- Rápido, olha só isto aqui. Acho que vais gostar do que está passando.

A rapidez se justificava pelo fato de que o homem falava na televisão (o “isto aqui” a que ela se referia) e podia, portanto, mudar de assunto de um instante para outro, como sempre acontece quando queremos compartilhar uma notícia com alguém da sala ao lado (por isso que, em oposição à televisão, a internet tanto cresce como fonte de informações, pois ela é sabiamente paciente, sempre se submetendo aos caprichos do cliente e sempre lhe entregando o que ele busca). Mas não foi o caso, o homem me aguardou com incrível espírito de perseverança, sem cessar jamais de comunicar-se com sua ênfase esmagadora, dessas de tirar o fôlego, o raciocínio e o juízo de quem se deixe apanhar por palavras retumbantes e tons de voz autoritários e urgentes. Ele prosseguiu contando suas maravilhas por um longo tempo: o tempo afinal era dele, pago para que falasse quanto lhe conviesse. E, como sabemos todos nós, quanto mais se repisa uma ideia estonteante ou se ressaltam as magníficas virtudes de um produto, mais o interlocutor, ouvinte ou telespectador se convence da veracidade das palavras proferidas com tanta e tamanha solenidade.

Assim era o homem: tanto e solene, tamanha a sua certeza das verdades da vida.

Falava de livros – melhor, de um livro específico (depois deitou a falar de uma profusão de outros títulos publicados por uma editora que até parecia ser de sua propriedade, e talvez o fosse mesmo). O homem discorria sobre a obra de um certo Rev. Louis P. Sheldon (seria este um parente do notório Sidney, autor de tantos livros que vendem milhões mundo afora?), supostamente intitulada, em inglês, The Agenda e traduzida no Brasil como A Estratégia, com o subtítulo sintomático e assaz importante para a correta difusão do trabalho, e afim de não deixar qualquer dúvida sobre suas inclinações e intenções, de O plano dos homossexuais para transformar a sociedade.

Sobre o livro, o sítio da editora alerta que está em curso uma “estratégia gay, que visa erradicar a estrutura moral da sociedade e promover relações promíscuas”, as quais identifica como “abominação”, e incita os cristãos a “denunciar o pecado e combater esse plano diabólico para destruir o ser humano”.

Daquela mesma Editora Central Gospel fica-se sabendo da existência de outra obra pouco sutil já no título:Nascido Gay? – Existem evidências científicas para a homossexualidade?, assinada por um tal Tay (nãoGay), um Dr. John S. H. Tay. A tese é clara: esse negócio de alguém dizer que nasceu gay masculino (que, livrando por ora as mulheres, parece ser um alentado foco de preocupações para a igreja do homem que falava dos livros na televisão, o qual vem a ser um conhecido pastor evangélico) é pura sacanagem só para minar a família e, com certeza, obrigar a todos nós, em breve, a termos exclusivamente relações homossexuais.

Isso assusta um bocado de gente temente a Deus (temente a ponto de se borrar nas calças), uma turma que está chegando à classe média brasileira e descobre uma graninha sobrando para comprar alguma coisa mais, como uma cadeira cativa no céu e um livro do agrado divino – seja através da igreja ou dos títulos do pastor, um escriba prolífico que promete na TV solenes descontos de 5% e pede dinheiro, dinheiro, dinheiro para ajudar suas obras de caridade.

E que escreve livros de autoajuda no sentido reflexivo do ponto de vista do autor…

Amilcar Neves é escritor com oito livros de ficção publicados, e membro da ACADEMIA CATARINENSE DE LETRAS.

CARTA ABERTA À REDE GLOBO DE TELEVISÃO – por Movimento Organizado pela Moralidade Pública e Cidadania – Moral

CARTA ABERTA À REDE GLOBO DE TELEVISÃO


O Movimento Organizado pela Moralidade Pública e Cidadania – Moral vem manifestar seu apoio à campanha da Rede Globo com denúncias sobre corrupção apresentadas no programa Fantástico.

 

A importância desse tipo de denúncia vem compensar a falta de atividade legislativa no país, onde em todos os níveis não existe fiscalização dos atos do executivo. Assim, as propinas azeitam as milionárias campanhas políticas e as trocas de favores por cargos são tão comuns que o povo vive desesperançado.

No estado de Mato Grosso a grande mídia faz um silêncio pavoroso quando o assunto são as denúncias de quem ordena despesas para campanhas publicitárias que são um escândalo. Só a Assembleia legislativa em 2010 usou de 18 milhões do erário para comprar o silêncio da maioria dos veículos.

 

Por isso vimos pedir que a Rede Globo esclareça ao povo de Mato Grosso e do Brasil, porque em dezembro de 2010 deixou de levar ao ar uma reportagem feita pelo “repórter sem rosto” Eduardo Faustini sobre os processos que envolvem o presidente da Assembleia Legislativa, deputado José Riva, acusado pelo Ministério Público de desviar, em valores atualizados, cerca de meio bilhão de reais dos cofres públicos.

 

O repórter da Globo, acompanhado de um militante da Ong Moral, com veículo locado pela entidade, foi a Campo Verde onde entrevistou os contadores que montaram as empresas fantasmas. No cemitério em Várzea Grande filmou o túmulo do homem que depois de morto assinou cheques da recebidos da Assembleia. O repórter conversou com promotores que promoveram as ações e reuniu-se também com um grupo de dirigentes do Moral, quando as informações foram complementadas.

Porém, na noite do domingo quando todos sentaram à frente da televisão para assistir a reportagem do Fantástico, o que se viu foram quatro inserções de propaganda da Assembleia Legislativa e nada sobre as acusações ao deputado. A reportagem nunca foi ao ar.

 

O repórter Faustini passou a não atender as ligações em seus telefones, não dando nenhuma explicação para o silêncio da Rede Globo ante as graves denúncias. Enquanto os boatos nos meios jornalísticos e políticos davam conta que a negociação do silêncio envolveu a soma de 10 milhões de reais.

 

Não acreditando nos boatos, a direção da Ong Moral enviou uma carta ao Diretor de Jornalismo da emissora no Rio de Janeiro, Carlos Henrique Schroder, sem obter resposta. A falta de esclarecimento é um  desrespeito inclusive aos profissionais sérios do jornalismo desta emissora que atuam  em todo o país.

 

Como é sabido, o deputado José Riva responde a mais de cem processos, entre ações civis públicas e ações penais, que patinam nos meandros do nosso Poder Judiciário. Para se manter no comando do legislativo local por 17 anos, gasta em média 1,5 milhão de reais por mês com propaganda, emprega fantasmas e loteia favores para acomodar a maioria do seus pares calados e acovardados.

 

A Rede Globo de Televisão e o repórter Eduardo Faustini devem uma explicação à sociedade matogrossense. O melhor seria a apresentação a reportagem guardada, cujo assunto continua atual. Se aqui em nosso estado uma reportagem sobre corrupção, carregada de provas robustas foi engavetada, quantas mais pelo Brasil terão o mesmo destino?

 

Cuiabá, 30 de março de 2012.

Assinam os diretores da Ong Moral:

Ademar Adams

Cláudio César Fim

Roberto Vaz da Costa

Gilmar Brunetto

 

Bolsonaro e o despertar do neonazismo

Preconceito na web

Jair Bolsonaro foi responsável por acordar os nazistas na rede. Foto: Renato Araújo/ABr

Em 11 de maio de 2011, o Ceará eliminou o Flamengo na Copa do Brasil. No dia seguinte, a Safernet, organização que monitora crimes de ódio na rede, recebeu mais de cinco mil denúncias sobre perfis do Twitter que incitavam o ódio contra nordestinos na internet. Fenômeno similar foi observado pouco antes, em novembro de 2010, na eleição de Dilma Rousseff – que teve maior votação no Nordeste. Foram quase três mil denúncias de manifestações preconceituosas na rede social logo no dia seguinte.

Outras datas tiveram picos de denúncias: o dia seguinte ao lançamento da campanha #HomofobiaNão, no Twitter, seguida da #HomofobiaSim, em 19 de novembro de 2010.

Até então, alguns perfis detonadores, como a da estudante de direito Mayara Petruso, eram responsáveis tanto pela onda de ódio como pela indignação dos usuários ao preconceito veiculado, como reação, na rede. Em 2011, no entanto, quando algumas figuras públicas começaram a fazer declarações de ódio, racismo e homofobia explícitas, veiculadas pela mídia, os picos, ainda que menores, começaram a ser cada vez mais frequentes.

Entre todos os episódios, ninguém encarnou tão perfeitamente o fenômeno como o ex-militar Jair Bolsonaro. Deputado federal pelo PP do Rio, Bolsonaro tornou-se fenômeno midiático quando, em abril de 2011, fez declarações racistas/homofóbicas no programa CQC – Custe o que Custar, do rede Bandeirantes. Questionado pela cantora Petra Gil o que faria se seu fiho se apaixonasse por uma negra, Bolsonaro respondeu: “Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco e meus filhos foram muito bem educados. E não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu”. A repercussão deixou o parlamentar por algumas semanas em exposição intensa na mídia. Com isso, os neonazistas acordaram.

Leia mais:
Nazismo à brasileira
Deputados protocolam representação contra Bolsonaro

 

Thiago Tavares, presidente da Safernet, explica que, ao expor as opiniões publicamente – e não sofrer retaliações – Bolsonaro despertou a atividade das células neonazistas que atuam no Brasil. Até então, a internet servia apenas como canal de comunicação intergrupos. Encorajados, no entanto, os neonazistas começaram a usar o Twitter como campo de batalha, um lugar para expor suas ideias, praticar o ódio e angariar simpatizantes. “Acabam se sentindo legitimados e encorajados”, afirma ele.

Outro personagem público que contribuiu para o despertar dos nazistas nas redes foi Danilo Gentili, do mesmo programa em que Bolsonaro tornou-se astro. “Entendo os velhos de Higienópolis temerem o metrô. A última vez que chegaram perto de um vagão foram parar em Auschwitz”, afirmou o “humorista” em sua conta do Twitter.

Diversas manifestações antissemitas, ainda que em menor quantidade do que os outros tipos de manifestação, inundaram a rede.

Hoje, o Brasil tem cerca de 300 células neonazistas. Segundo a antropológa Adriana Dias, mestre pela Unicamp e que estuda o tema há dez anos, cerca de 150 mil brasileiros baixam mensalmente mais de cem páginas com conteúdos nazistas. Desse total, 15 mil são líderes e coordenam as incitações de ódio na internet.

 

Na esteira desse despertar, a atuação cada vez mais intensa de quadrilhas neonazistas foi alvo do maior pico de denúncias do relatório da Safernet. Em 11 de dezembro de 2011, a organização recebu mais de 21 mil denúncias de 11 perfis do Twitter que incitavam ódio a imigrantes, negros, judeus, mulheres e homossexuais. A mesma quadrilha alimentava um site próprio com o nome falso de Silvio Koerich.

Em 22 de março, a Polícia Federal prendeu dois homens acusados de serem os cabeças do grupo:  Emerson Eduardo Rodrigues, 32 anos, e Marcello Valle Silveira Mello, 29.

Além das inúmeras incitações à violência, a PF identificou plano para um ataque em massa a estudantes de Ciências Sociais na Universidade de Brasília, com data marcada e estratégias de ação.

Com 70 mil denúncias e 500 mil arrecadados em conta por doações de parceiros, o site mobiliza muita gente. Com senhas compartilhadas, mesmo depois da prisão, novos textos continuam a ser postados e as contas no Twitter permanecem ativas. Ao todo, Tavares calcula que mais de uma centena de perfis falsos foram feitos pela quadrilha.

Segundo ele, a Operação Intolerância, que procura agora os outros integrantes do grupo, foi um marco ao priorizar crimes cibernéticos e fazer uma investigação profunda para identificar os culpados.

“O Brasil ainda está engatinhando na repressão a crimes de ódio”, conta ele, que vê uma resistência do Judiciário a condenar pessoas acusadas de racismo, crime tipificado na lei.

Nos últimos dez anos, o movimento neonazista cresceu assustadoramente, segundo a antropóloga Adriana Dias. O número de sites passou de oito mil a 32 mil. Já o crescimento da atividade em fóruns de discussão online cresceu 400%, impulsionados pelo aumento da comunicação possibilitado pela internet.

Quando pessoas no Brasil são presas, células internacionais auxiliam financeiramente para bancar advogados. “A participação brasileira em fóruns internacionais nazistas é muito intensa”, afirma Dias. “Uma pessoa se comunica com qualquer outra com tradutor a dois toques”.

 O perfil do neonazista: 

A pesquisa de Adriana Dias identificou o perfil do neonazista brasileiro. Confira:

- Desses 300 grupos, 90% se concentram em São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.

-São brancos, homens, jovens, a maioria com ensino superior (completo e incompleto)

- Para se inserir nas células, é necessário ritual de iniciação. Geralmente, espancar gratuitamente um negro ou judeu na rua, e que pode levar à morte.

- Depois de aceito, o nazista recebe senha para acessar manual, que lhe dirá, entre outras coisas, como reconhecer um útero branco – a mulher perfeita para procriação de um neonazista.

- Todos eles enfrentam dificuldades de socialização

- Muitos apresentam frustrações sexuais: o próprio Emerson Rodrigues afirmou em seus vários sites e perfis, que sua ex-namorado havia o deixado por um “negão”(sic).

- Muito se sentem ressentidos por supostamente terem perdido poder, com a entrada do PT, associado à esquerda, no governo – esse aspecto está ligado, sobretudo, ao preconceito contra nordestinos e à ascensão de uma nova classe média.

- São fundamentalistas religiosos – o que pode ajudar a confundir liberdade religiosa com crimes de ódio.

CLARA ROMAN.

“Jornalismo econômico”: o país merece desculpas – por saul leblon / são paulo.sp

 

Durante décadas, o discernimento histórico da sociedade brasileira foi entorpecido por um barbitúrico de alta toxicidade chamado ‘jornalismo econômico’. Entre outras, sua especialidade era convencer o país de que o assim chamado ‘custo Brasil’ interpunha-se como um Everest no acesso dos nativos aos bens da civilização. Somente a entrega dos destinos nacionais à eficiência emanada dos livres mercados destravaria a catraca de acesso ao futuro virtuoso.

Desregulação era a palavra-chave. Dois obstáculos se superpunham: os direitos trabalhistas resumidos no pejorativo bordão da ‘herança getulista’ e os direitos cidadãos, consagrados na Constituição de 1988, que universalizou ‘coisas’ como licença maternidade, direito à saúde, aposentadoria rural, entre outras temeridades e precipitações. Os especialistas em suas colunas diárias e emissões intermitentes não poupavam os incrédulos e/ou jurássicos: o país não cresceria, os capitais não ingressariam, o mel não jorraria nos rios tropicais enquanto a arquitetura de proteção do trabalhador e a cidadania precoce não fossem erradicadas do leito pátrio.

Em 2002, nas eleições presidenciais, a sociedade arriscou um palpite diferente. O resto é história. Mesmo sem uma ruptura linear com o receituário ortodoxo, o governo deslocou a ênfase das ‘reformas’ para o resgate do excluídos e a retomada da agenda do desenvolvimento, banida das prioridades nacionais.

Nesta 3ª feira, a Presidenta Dilma reduziu o custo das folhas salariais das empresas sem remover direitos constitucionais, nem afanar trabalhadores. Como? A retomada do crescimento criou mais de 15 milhões de novos empregos nos dois governos de Lula. Um mercado de consumo popular formado por 103 milhões de brasileiros redefiniu as bases do crescimento. A economia em ritmo de pleno emprego (hoje a taxa de desemprego oscila em torno de 5,5%, contra 9,5% em 2002) promoveu saudável formalização do trabalho precário.

Entre 2003 e 2010 o número de contribuintes da Previdência aumentou 16,8%. A arrecadação previdenciária e o aumento das contribuições sobre o lucro líquido das empresas elevaram a receita fiscal sem aumentar imposto. Foi isso que permitiu ao governo trocar a contribuição previdenciária das empresas dos atuais 20% da folha para um alíquota de 1% do faturamento – que implica redução de 0,5 ponto no custo previdenciário efetivo.

Inverteu-se assim a prescrição martelada durante 30 anos pelos canarinhos dos livres mercados na imprensa: em vez de sucatear a sociedade extraiu-se do crescimento e da disseminação de direitos as energias para cortar os custos e ampliar a competitividade. Há um leque de desafios ainda a vencer na construção de um novo ciclo de desenvolvimento. Mas nada afasta a percepção de que os dogmas embutidos na narrativa ‘jornalística’ dos anos 80/90 – entre eles o credo anti-estatal, o câmbio livre, a furiosa defesa da livre circulação de capitais e a panacéia dos juros altos associados às metas de inflação – incluem em sua composição doses variáveis de fraude ideológica, interesses endinheirados e genuflexão obsequiosa de profissionais da imprensa, repartidos entre a má fé, a soberba e a ignorância.

Trata-se de um antepasto incompatível com a renovação do cardápio de desenvolvimento brasileiro. É hora de uma autocrítica de profissionais e associações de classe. Pouca dúvida pode haver , cedo ou tarde, um escândalo vai desvelar a rede de ‘Cachoeiras e Desmóstenes’ nesse braço da desfaçatez midiática.

FLORESTA DE GENTE SER – de zuleika dos reis / são paulo.sp


 

Ai, que saudade

da Ternura

que era floresta

que era Amazônia

a perder de vista

a atravessar

a preencher

os múltiplos Estados

de gente ser.

 

Saudade da floresta

que era Ternura

floresta devastada

que em terra de predadores

floresta que era verde

toda funda de raízes

até o centro de gente ser.

 

Ai, que se enlouquece

sobre a terra que agoniza

ai, que se enlouquece

nestes animais que agonizam

nestes rios que sangram

nestes peixes, ai, assim cegos,

nestas sereias, ai, que não cantam mais.

 

Ai, que saudade

de gente ser.

Ternura verde

há-que reflorestar-te

há-que reflorestar

o ser.

DEMÓSTENES, sem escrupulos, imoral e cínico: ‘Em 2010, Demóstenes redigiu prefácio de livro da OAB sobre Lei Ficha Limpa”

Na época, ‘ninguém tinha idéia do que estava acontecendo’, afirmou o presidente da entidade

02 de abril de 2012 | 20h 36

BRASÍLIA – O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, pediu no final de semana a renúncia do senador Demóstenes Torres. Mas em 2010 coube ao hoje parlamentar investigado a tarefa de redigir o prefácio de um livro editado pela OAB em comemoração à aprovação da Lei da Ficha Limpa.

Veja também:
link DEM abre processo de expulsão de Demóstenes
link Senadores querem antecipar o caso em Conselho
link Tudo sobre o caso Demóstenes

No texto, após elogiar a atuação da entidade no processo de aprovação da lei, Demóstenes Torres afirmou: “Por causa da nova lei, a nação vai conquistar muito, pois o volume de recursos para beneficiar a população é inversamente proporcional ao número de bandidos abrigados na vida pública.”

Demóstenes Torres foi o relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado do projeto que resultou na Lei da Ficha Limpa. A norma que impede a candidatura de políticos condenados e daqueles que renunciam a mandatos para escapar do risco de cassação foi considerada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

No prefácio, o senador citou uma frase dos autores do livro, Ophir Cavalcante e Marcus Vinícius Furtado Coelho, segundo a qual a sociedade brasileira não aceita mais políticos com comportamento inadequado: “A norma se fez realidade por intermédio da atenta participação da sociedade brasileira, que não mais admite que os destinos da nação possam ser geridos por representantes que não possuem conduta adequada à dignidade das relevantes funções públicas.”

A assessoria de imprensa da OAB informou que o livro “Ficha Limpa: A vitória da sociedade” foi lançado em comemoração à aprovação da lei. Segundo Ophir Cavalcante, “ninguém pode apagar a história”. “Aquilo foi feito dentro de um momento em que ele foi o relator da Ficha Limpa no Senado. Ninguém tinha idéia do que estava acontecendo. O que foi feito, foi feito. Não há o que mexer. Nas novas edições, certamente essa questão vai ser observada”, disse.

 

O Estado de S. Paulo

Lula ganha prêmio na Espanha por luta contra a pobreza. Oposição se desespera. Serra chora em reunião de familia. DEMos em debandada para o ninho dos tucanos.

02/04/2012 - 12h46

DA FRANCE PRESSE

 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi escolhido nesta segunda-feira para receber o 24ª Prêmio Internacional Catalunha por suas políticas “a serviço de um crescimento econômico justo” e sua luta contra a pobreza, segundo anunciou o presidente regional catalão, Artur Mas.

O júri da premiação reconheceu na gestão do ex-presidente brasileiro uma “política de crescimento econômico justo, que colocou o país à frente de globalização, criando uma classe média e favorecendo a partilha mais justa da riqueza e das oportunidades”.

O prêmio é oferecido às pessoas que contribuem com a promoção dos valores culturais, científicos e humanos em todo o mundo. Segundo o júri, Lula também foi agraciado por “sua trajetória pessoal e sua luta contra a pobreza e a desigualdade”.

“Lula construiu as bases para o crescimento econômico do Brasil e entendeu, graças ao seu passado sindicalista e de esquerda, que sem crescimento econômico não há divisão de riqueza”, disse Mas sobre o ex-presidente brasileiro, que aceitou e agradeceu a premiação em uma carta.

Este prêmio “reforça a minha convicção da importância de lutar por uma sociedade mais justa e democrática, sem fome nem miséria”, declarou Lula.

O presidente catalão assegurou que o ex-presidente brasileiro demonstrou a intenção de viajar à Catalunha para receber o prêmio em junho, caso a sua saúde permita, após superar um câncer na laringe.

O Prêmio Internacional Catalunha, que oferece 80 mil euros a seu vencedor e uma escultura de Antoni Tàpies, foi concedido no ano passado ao escritor japonês Haruki Murakami.

Presidente do Governo Autônomo da Catalunha, Artur Mas, anuncia Lula como vencedor do prêmio
Presidente do Governo Autônomo da Catalunha, Artur Mas, anuncia Lula como vencedor do prêmio.

NÓS, OS SOLITÁRIOS – por olsen jr / rio negrinho.sc

 

Você me pergunta: “como a vida está te tratando?”. Well! Exclamo (como alguém do interior de New Orleans, habituado com a boa música, the good old jazz, mas descrente de que tal prática possa sepultar a discriminação racial mesmo entre aqueles que admiram a grande arte) sem muita convicção, continuo esgrimindo contra mil fantasmas, a maioria deles, existentes só na minha imaginação. Não me importo, afinal de contas, é dela somente que preciso para fazer o que acredito, ainda posso fazer. Se fosse o Sartre, diria: “para emprestar uma justificativa para a existência injustificável dos meus semelhantes”… No fundo, nós os poetas, escritores, queremos ser aceitos… Sofisticando um pouco, ou pedindo muito, pretendemos ser amados, é isso. Lembrei agora da atriz Ava Gardner, num momento de introspecção, disse: “no fundo, sou bastante superficial”, não consigo deixar de rir, embora nada conspire para a existência deste riso, mas é o que restou, quando perdemos o senso de humor não temos mais nada para perder.

Um homem sozinho não tem chance, profetizou o velho Hemingway no livro “To Have and Have Not” e que originou aquele belo filme, segundo a lenda, produto de um desafio de um diretor que teria instigado “Papa” a lhe dar o que considerava o “seu pior livro” e “ele” faria um bom filme. Acertou, com Humphrey Bogart e Lauren Bacall e que foi traduzido como “Uma Aventura na Martinica”… Pois é, hoje estou pensando naqueles ensinamentos, frases soltas ditas aqui e ali, minha avó era pródiga nisso, afirmava que as pessoas estão neste mundo para alguma coisa, uma espécie de “missão” a cumprir, depois disso, partem… O que significava não poder questionar o destino de ninguém, quando partiam era porque a hora tinha chegado. Agora, sem ninguém para me ouvir, penso, se todas as pessoas estão aqui para alguma coisa, no meu caso deve ter havido um engano. Não me sinto imbuído de “missão” nenhuma. Claro, se estou aqui, então preciso fazer alguma coisa. Digo que sou escritor, me atocho de heroísmo, me dou  ao luxo de ser um solitário, uma atitude tipicamente burguesa, sou independente dos outros, se não fosse pelo fato de vê-los como personagens, não teriam importância nenhuma. É duro, mas é o que penso. Isso tem um preço, e é alto. Pago a minha cota, e é muito para compartilharmos a “nossa” indiferença mútua. Estou identificado no poema de Sidônio Muralha, em seus últimos versos “… E que ninguém me dê amparo nem pergunte se padeço. Não sou nem serei avaro – se caráter custa caro, pago o preço!”…

Tudo isso para tentar responder a tua pergunta, amigo Fausto Wolff, porque ser “durão” significa sacrificar aqueles a quem amamos para realizar a nossa arte, afinal, de quem iríamos escrever?  Ser amado, constatou Paulo Francis, falando de T.S. Elliot, é um sentimento que supera qualquer depressão, desespero ou impotência, concordo. Não foi a indiferença quem me prostrou, foi o temor em ser aceito naquela sociedade, só!

1 de abril de 1964.SILÊNCIO!

o clube militar é frenquentado pelos velhos generais e alguns coronéis que comandaram a NOITE DE TERROR (ditadura) e que hoje estão de pijama mas com saudades da corrupção de outrora. a imagem do jornalista HERZOG irá acompanha-los, até 0s últimos dias. hoje estão em extinção, a tropa das armas brasileiras agradece.

Metrô de Nova York promove a poesia /new york.ny

DA FRANCE PRESSE

 

A autoridade que administra o metrô de Nova York anunciou o relançamento da iniciativa ‘Poesia em Movimento’ depois de um parêntesis de quatro anos.

Os poemas e frases serão acompanhados de detalhes de obras de arte e também aparecerão na forma de animação nos telões eletrônicos de algumas estações. Os telões serão colocados em caráter experimental nas estações Grand Central Terminal, Pennsylvania Station, Bowling Green, Atlantic Avenue-Pacific Street e Jackson Heights-Roosevelt Avenue.

“Nossos clientes vivem nos dizendo que até mesmo o menor investimento em arte e música no metrô faz uma enorme diferença para eles”, disse Joseph J. Lhota, diretor da Metropolitan Transportation Authority, empresa que administra o metrô.

Os primeiros versos, que já podem ser vistos nos vagões, são do poema “Graduación”, de Dorothea Tanning, uma poetisa americana que morreu este ano, aos 101 anos de idade, em Nova York.

Novos poemas serão exibidos a cada três meses em cartazes espalhados pelas composições. Os versos, além de serem acompanhados de uma foto de obra de arte, também aparecerão na parte superior dos bilhetes MetroCard.

Álvaro Fagundes
Vagão de metrô na cidade de Nova York
Vagão de metrô na cidade de Nova York

Adélia e o seu pai Severo – por amilcar neves / ilha de santa catarina.sc


Quando Adélia dos Santos Ferreira morreu, seus pais já estavam separados. Naquele tempo isso era muita coisa, essa coisa de separarem-se marido e mulher, pai e mãe casados, era caso para escândalo público e vergonha familiar. Na época, a mãe ficou na casa da Prainha, com sua religiosidade beata e a filha única que teimava em viver lendo e estudando, enquanto o pai se mudou para a Agronômica, onde morava amancebado, porém como cônjuge verdadeiro, com uma dona de nome Luzia.


A história da morte de Adélia, atropelada por um ônibus no meio da Ponte Colombo Salles, e das consequências desse trágico acontecimento foi contada em um livro publicado em 1984 e nunca mais reeditado, de título Dança de Fantasmas. O caso andou um tanto esquecido porque pouca gente leu o livro e – desgraça suprema para soterrar qualquer acontecimento! – o fato aconteceu justo num sábado de carnaval.


O fato referido no parágrafo anterior é a circunstância de que Adélia ejetou-se – ou foi ejetada – de um carro em movimento que transitava pela segunda pista da ponte; logo após aquele veículo, na primeira pista, a da beirada, aquela que corre olhando para a Hercílio Luz, ponte que naqueles anos ainda existia de pé, subia o ônibus que atingiu a garota plena e irremediavelmente, prostrando seu condutor em estado de choque. O carro em que a menina se encontrava perdeu-se no continente defronte.


Adroaldo Ferreira adorava aquela filha e era na casa do pai que Adelinha se sentia mais gente, como se diz, mais à vontade, com espaço para leitura, com estante repleta dos seus livros de estimação e sem a perseguição implacável do odor de vela santa, da umidade de água benta, da ameaça dos cruéis castigos eternos nem do rosário sempre rezado das obrigações eclesiásticas recorrentes. Foi daquele ambiente de vida e realização pessoal que ela saiu para encontrar a morte. O pai sofreu dor profunda, assim covardemente apunhalado pelo destino.


Tempos depois, já em 2003, a história foi filmada num curta-metragem de 18 minutos produzido pela Laine Milan e dirigido pelo Chico Caprario, levando o título As Diversas Mortes de Adélia - porque cada pessoa que conhecia a jovem de 17 ou 18 anos tinha a sua memória muito pessoal de Adélia e via uma razão ou justificativa muito própria para a sua morte: como se ela fosse ao mesmo tempo várias e todas tivessem morrido subitamente.


Severo foi o pai de Adélia no curta. Vendo-o preparar sua participação no filme, qualquer um era capaz de jurar que ali estava o personagem vivo, não um ator. Ali estava um pai completamente arrasado, destroçado, acabado, com as roupas e o rosto em desalinho pelo pesado golpe recebido: uma voz embargada, ainda que firme, uns olhos úmidos pousados na face idealizada da filha querida que se fora, uma expressão de dor difusa e autêntica a cortar-lhe os traços, um ser humano alquebrado e, naquele momento, totalmente desesperançado. A participação de Severo Cruz conferiu uma dimensão humana marcante ao filme.


Agora, em fevereiro deste ano de 2012, esse pai sofre novo golpe ao ver sua casa na Costa da Lagoa totalmente consumida pelo fogo. Amigos e admiradores se organizam e marcam um Tributo a Severo Cruz – Renascer das Cinzas, espetáculo com mais de 30 músicos, cantores e grupos musicais no palco do Teatro Pedro Ivo no sábado, 31 de março, para juntar dinheiro e comprar nova casa para o ator e também cantor.


E para que Severo continue a fazer o pai de muitas outras Adélias no cinema.



Amilcar Neves é escritor com oito livros de ficção publicados.

MILLÔR FERNANDES: ‘A imprensa brasileira sempre foi canalha’

leia entrevista com Millôr

No início da década de 1980, a revista “Oitenta”, inspirada na Granta inglesa, entrevistou o escritor e jornalista Millôr Fernandes por mais de sete horas. Segundo avaliação de Millôr, de 1938 –quando começou no jornalismo– até aquela data, a técnica foi a única mudança nos meios de comunicação. Em quesitos éticos e morais, “a imprensa brasileira sempre foi canalha.”

Em homenagem ao intelectual brasileiro que pensou, falou e escreveu sobre temas importantes de nosso tempo, a Livraria da Folha selecionou um trecho do livro “A Entrevista” no qual Millôr conta o seu envolvimento com o jornalismo e as suas impressões sobre a mídia brasileira.

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Livro apresenta um longo e denso depoimento atravessou três décadas
Livro traz um denso depoimento de Millôr que atravessou três décadas

Millôr - Eu quero fazer um pequeno introito a esta entrevista absolutamente sincero: não gostaria de estar dando esta entrevista. Estou porque gosto muito fraternalmente – como não posso dizer fraternalmente por causa da idade, eu costumo dizer fra-paternalmente – do Lima e do Ivan. Por osmose comecei a gostar dos outros. Eu só não digo que estou começando a ficar gaúcho porque não tenho rebolado gaúcho. Agora – nada, na minha estrutura, soi disant intelectual, com todas as aspas, me conduz a dar uma entrevista a sério, sobretudo a pessoas altamente respeitáveis como vocês. Quero que fique gravado nesta entrevista: realmente, eu não me levo a sério. Mas na proporção em que o tempo passa, a idade avança, as pessoas vão te levando insuportavelmente a sério, e você acaba assumindo um mínimo disso.

Quando você começou no Jornalismo?

Millôr - Eu comecei a trabalhar no dia 28 de março de 1938; tinha 13 pra 14 anos de idade. E essa é uma das coisas de que me orgulho – a minha vanglória – a consciência profissional. Eu era um menino solto no mundo, uma vida que dependia só de mim mesmo. Naquela época, o Ministério do Trabalho era recém-fundado. O meu empregador já eraO Cruzeiro. Pedi que me assinassem a carteira de trabalho. Quando cheguei em casa (uma pensão) e vi que a data que estava lá na carteira era a data em que eu havia pedido a assinatura da carteira e não a em que eu havia começado a trabalhar, voltei e pedi retificação. Veja você, um menino com menos de 14 anos, sem nenhuma influência ideológica de trabalhismo, de nada, apenas com aquela consciência de que tinha direito. Então a carteira diz assim: “onde se lê tal, leia-se tal data”. Está lá registrado o primeiro dia de trabalho: 28 de março de 1938. Já fiz 43 anos de jornalismo, mais anos do que vocês, em conjunto, têm de vida.

Obrigado pela generosidade. Você acha que o jornalismo brasileiro melhorou muito de lá pra cá?

Millôr - Muito, tecnicamente. Lamentavelmente, porém, do ponto de vista ético, moral e social, melhorou muito pouco. E já era quase criminosamente ruim naquela época. Conforme você sabe, eu não tenho nenhuma formação marxista, não acredito em excessivos determinismos históricos. É evidente, é liminar, que as forças de produção regem muitas coisas. É liminar que o contexto da sociedade reja fundamentalmente muitas coisas. Agora – o que não é liminar é o seguinte: há forças metafísicas, há entrerrelações no mundo que não estão previstas em qualquer ideologia; a isso eu chamo o anticorpo. O Marx é o próprio anticorpo dentro da sociedade em que vivia. Se as teorias de Marx fossem perfeitas, ele não existiria. Porque o contexto social e as relações de produção da época não o previam, não o permitiram. Você pode dizer que a imprensa é resultado do meio, a imprensa é resultado da sociedade em que funciona. Certo. Mas, às vezes, por força de um indivíduo, ou por força de um pequeno grupo de indivíduos, ela pode se antecipar ao seu meio e fazer progredir esse meio. Mas a imprensa brasileira sempre foi canalha. Eu acredito que se a imprensa brasileira fosse um pouco melhor poderia ter uma influência realmente maravilhosa sobre o país. Acho que uma das grandes culpadas das condições do país, mais do que as forças que o dominam politicamente, é nossa imprensa. Repito, apesar de toda a evolução, nossa imprensa é lamentavelmente ruim. E não quero falar da televisão, que já nasceu pusilânime.

Há um consenso de que a imprensa brasileira, tecnicamente, teria atingido uma qualidade comparável com o que de melhor se faz no mundo.

Millôr - De acordo. A revista onde trabalho, Veja, é um exemplo, tem todas as possibilidades; praticamente iguais às da Time. A TV Globo só não tem mais possibilidades porque não quer. Ela pode mandar 30 repórteres amanhã pra Polinésia com o poder que tem, fazer a cobertura que quiser. Mas só age em função do merchandising. Nos falta até o contraste, que existe em países supercapitalistas como os Estados Unidos, onde o choque de interesses é tão violento que faz da imprensa americana a melhor imprensa do mundo. Quando o New York Times não quer dar cobertura a um setor, o Washington Post vai em cima. A França tem dois fenômenos de boa imprensa: são Le Monde e Le Canard Enchainé: prova de que a chamada imprensa burguesa, ou a imprensa dentro de países burgueses, pode ser realmente a expressão de uma absoluta liberdade, maior do que em países socialistas (nestes não há imprensa: há boletins).

É possível fazer imprensa com independência. Se o Canard Enchainé faz, se o Le Monde faz, por que não se pode fazer no Brasil? É uma coisa que pode parecer até brincadeira: quando nós fizemos o Pasquim, num certo momento eu disse pro pessoal: “Olha, eu sou o único comunista daqui”. Eu acreditava que aquele negócio fosse mesmo um negócio comunitário, para o bem público. É verdade! Os que se presumiam comunistas (não só eles!) começaram a roubar da maneira mais deslavada, mais escrota possível. Mas que se pode fazer dentro de um contexto capitalista, de um contexto burguês, uma imprensa de alta eficiência social voltada para o bem público, isso se pode, sim! Dei provas: você tem o Le Monde e o Canard Enchainé, duas coisas até bem contrastantes.

Em Nova York, há um Village Voice, e um canal 13 de televisão orientado como serviço público. Por que no Brasil não existem condições, neste momento ao menos, de se ter uma imprensa alternativa – mas não marginal – de grande penetração na sociedade? Por que não existe isso?

Millôr - Respondo voltando àquela velha anedota de Deus criando o mundo: todo mundo conhece. Alguém (havia mais “alguém” por ali?) reclamou que Deus tinha feito este país maravilhoso, sensacional. O Chile foi feito cheio de terremotos, o Paraguai tinha pântanos incríveis, outro país tinha furacões, o outro tinha desertos e o escambau e, de repente, no Brasil não tinha nada desastroso: florestas maravilhosas, mares maravilhosos, montanhas lindas. Aí Deus parou e disse: “Espera porque você vai ver a gentinha que eu vou botar lá”.

Que tipo de imprensa poderia contribuir melhor pro bem social?

Millôr – Estou pensando, além dos que já citei, no Village Voice. Hoje, um jornal rico. Já é até um jornal do sistema. Talvez hoje, curiosamente, jornais maiores, como o Washington Post e o New York Times, para falar dos dois que sempre se confrontam, ajam mais em função do bem público do que o Village Voice. Mas a imprensa alternativa (e o Village Voice foi um dos seus grandes exemplos), eu acho que ela é a grande solução para a liberdade de expressão. Os jovens precisavam se conscientizar disto. Saber que eles podem fazer um jornal que, ocasionalmente, vai ficar preso ao bairro, mas é importante que o bairro seja protegido, é importante que as misérias do bairro sejam mostradas ao poder público, até que o poder público chegue àquele negócio mínimo (que é o máximo!) que é consertar o buraco da rua. Não se vai partir para a solução do mundo partindo do macrocosmo; precisamos partir do microcosmo, não tenha dúvida nenhuma. Cristo começou com uma cruz só. Essa pretensão do homem de fazer o organograma universal acaba em Delfim Neto, acaba em tecnocracia, acaba em “herói”. E chega de heróis. O homem tem que se convencer de que o mais importante de tudo é o dia a dia. O homem vive é todo dia. A maior utopia é a resistência diária. Ser herói é fácil. Herói se faz em três meses. Tem amigos nossos, feito o Gabeira, que fazem três meses de heroísmo, viram heróis de todos os tempos e passam a viver disso. E é aquele negócio, é bicha porque está na moda, elogia mulher porque está na moda, é incapaz de dizer alguma coisa contra a corrente, mesmo que a corrente seja lamentável, odiosa, reacionária.

E você acha, por exemplo, que os jornais alternativos estão contribuindo pra alguma coisa neste sentido no Brasil?

Millôr - Neste momento estão um pouco em recesso. Mas de qualquer forma estão contribuindo. A maior contribuição que foi dada à imprensa brasileira, nos últimos tempos, foi a imprensa opcional a partir do Pasquim, não tenho dúvida nenhuma. Mas a própria abertura forçou um pouco o recesso no setor. A própria abertura trouxe junto muita vigarice, os caras estão explorando demais o sexo, estão explorando o homossexualismo, o sensacionalismo: pegando os vícios da outra imprensa. A coisa essencial é “vender”. Mas continuo achando que a imprensa opcional é uma solução. Bem feita, essa imprensa opcional forçará a grande imprensa a dar cobertura a certos assuntos. Cobra! Envergonha! Força! Aquele negócio: o socialismo força o capitalismo a ceder em certas coisas. Você pega o Manifesto do Partido Comunista do Marx: das oito ou dez exigências básicas do Marx, pelo menos uns seis itens nem Uganda deixa de aplicar hoje em dia. O imposto de renda é um deles.

AF.

O ” OLHO DA ÁFRICA”

Estrutura geológica no deserto do Saara só pode ser vista do espaço.
Fotografia foi feita da Estação Espacial Internacional.

Imagem registrada pelo astronauta holandês André Kuipers, que está na Estação Espacial Internacional, mostra uma enorme formação geológica localizada no meio do deserto do Saara, na Mauritânia, na África. Os tons avermelhados são característicos da Estrutura de Richat, também apelidada de “Olho da África”. Com cerca de 50 quilômetros de diâmetro, esta estrutura só pode ser totalmente visualizada do espaço. A imagem foi feita no dia 7 de março deste ano, segundo a Agência Espacial Europeia. (Foto: André Kuipers/ESA/Nasa)

Subitamente – por amilcar neves / ilha de santa catarina.sc


De súbito fez-se noite. De um momento para outro estava escuro que nem breu. Algumas estrelas brilhavam, uma lua se insinuava para breve mas não tanto, pois a fase era minguante e, minguando, ela só surge mais tarde, cada vez mais tarde até praticamente não mais surgir quando se faz nova. Nova, não passa de esboço de lua no céu diurno, uma coisa pavorosa. Não se sabe de esboço de sol no céu noturno.

 

Fora as estrelas e a promessa de lua, a rua tomava-se da luz esfuziante dos carros, dos postes, das casas (cada vez menos), dos apartamentos (cada vez mais e mais altos). Mas era noite. E era escuro. Disto ninguém duvidava, pois tinha de fato anoitecido assim de repente.

 

Em verdade, não foi bem assim, se fores honesto conosco e contigo mesmo – o mais difícil, e cada vez mais, é encontrar honestidades vagando por aí. De tão raras no pedaço, são disputadas a tapa, a socos e pontapés, para que aprendam de vez a serem desonestas e safadas como todo mundo. Que é isso de andar honestamente por aí? Pensas que isto aqui é a casa da mãe joana para te fazeres de santo? Ainda mais: fazer-te de honrado, digno e decente em ano de eleição municipal? Era o que me faltava – o que nos faltava -, tem a santa paciência!

 

O fato é que te embrenhaste pelos meandros de um desses grandes mercados que espalham por aí, e lá tinhas ido, sabes, apenas para comprar um pão decente e honesto, mas decidiste te perder absurda e irresponsavelmente a esquadrinhar a prateleira de doces e chocolates como se te fosse dado consumi-los assim sem um motivo muito consistente e inarredável. Ao saíres, ao cabo de todos os procedimentos inerentes ao mercadejamento capitalista, a noite se fizera, se fechara frente aos teus olhos surpresos.

 

Olhaste então para o outro lado da rua e viste a fazendola que ali esteve pelos últimos 35 ou 40 anos, tempo durante o qual sempre te propuseste a fotografá-la antes que o dono a vendesse, antes que os herdeiros a torrassem (para comprar carros e fazer festas e ficar sem nada em pouco tempo, bem menos do que esses 35 ou 40 anos em que ela resistiu com seus bois e vacas, suas galinhas e plantações, para o trabalho solitário do pobre velho já doente mas teimoso, teimoso até morrer, como diziam sempre suas noras, genros e cunhados que não se conformavam de saberem-no com uma mina de ouro nas mãos e, no entanto, disposto a sair no frio, na chuva e na lama para tratar do gado como se isso fosse serviço de gente). Mas não, nunca pegaste uma câmara, sequer teu celular de baixa resolução, para fazeres as fotos que sempre te prometias e ali estava, agora: subitamente tudo viera abaixo.

 

Já não havia mais fazenda, mas uns lotes enormes marcados para a construção de prédios residenciais enormes, com nomes como Maison de France ou coisa assim, com 12, 14, 16 andares para tapar a vista dos morros em volta e com a finalidade única de derramar mais e mais carros, com crianças para a escola e adultos para o trabalho, nas ruas estreitas de sempre que há muito já não davam conta de escoar tanto veículo, onde nem o transporte público, raro, precário e caro, conseguia circular.

 

Subitamente as coisas mudaram – mudam -, assim como subitamente um dia morrerás – morreremos -, e já devias te dar por satisfeito de não teres sido abortado de aborto espontâneo ou provocado. A partir dali, tudo aconteceria de súbito na tua vida: pouco a pouco, devagar, construindo-se – mas ainda assim dizes que aconteceu tudo tão subitamente que nem tiveste tempo.

 

 

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AMILCAR NEVES é membro da Academia Catarinense de Letras com   oito livros de ficção publicados.

Morre o escritor Antonio Tabucchi / italia.it

O italiano era conhecido por obras como “Afirma Pereira” e “O Tempo Envelhece Depressa”

Morre o escritor Antonio Tabucchi Reprodução/Arquivo Pessoal

Tabucchi faleceu aos 68 anosFoto: Reprodução / Arquivo Pessoal

O escritor italiano Antonio Tabucchi faleceu em Lisboa aos 68 anos após uma longa doença, informou neste domingo o tradutor de sua obra para o francês, Bernard Comment.

Considerado um dos maiores autores italianos contemporâneos, Antonio Tabucchi escreveu obras como Afirma Pereira e O Tempo Envelhece Depressa.

Autor de mais de 20 livros traduzidos para quase 40 idiomas, este romancista, professor universitário e ensaísta era o principal tradutor e promotor da obra do escritor português Fernando Pessoa em italiano.

Vários romances de Tabucchi foram adaptados para o cinema, como Noturno Indiano(prêmio Médicis estrangeiro, 1987), por Alain Corneau, e Afirma Pereira, por Roberto Faenza, com Marcello Mastroianni como protagonista, o que contribuiu para o sucesso da obra.

Profesor de literatura portuguesa na Universidade de Siena (Italia) e romancista, Antonio Tabucchi foi articulista dos jornais Corriere della Sera e El País (Espanha). Foi um grande crítico do governo de Silvio Berlusconi.

Filho único de um vendedor de cavalos, Tabucchi, nascido em 24 de setembro de 1943 em Pisa, na Toscana, estudou Filologia Românica e, a partir de 1962, Literatura em Paris, onde descobriu o poeta Fernando Pessoa ao ler a tradução para o francês de um de seus poemas.

O entusiasmo com a descoberta o levou a estudar o idioma e a cultura de Portugal, que se tornou sua segunda pátria. Tabucchi estudou Literatura Portuguesa na Universidade de Siena e redigiu uma tese sobre o “Surrealismo em Portugal”. Apaixonado por Pessoa, traduziu toda sua obra para o italiano, ao lado da mulher, que conheceu em Portugal.

AFP.

senador Demóstenes (moralista de cueca) emprega enteada de ministro Gilmar Mendes

SENADOR LIGADO AO BANDIDO CARLINHOS CACHOEIRA ABRIGA EM SEU GABINETE KETLIN RAMOS, QUE É TRATADA COMO FILHA DO MINISTRO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL; SE O CASO FOR AO STF, ELE SE DECLARARÁ IMPEDIDO DE JULGAR?

Foto: Pedro França/Agência Senado

Sob risco de virar alvo do STF (Supremo Tribunal Federal), o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) emprega em seu gabinete uma enteada de Gilmar Mendes, um dos 11 ministros da corte.

Ketlin Feitosa Ramos, que é tratada na família como filha do ministro, ocupa desde setembro o cargo de assessora parlamentar de Demóstenes, posto de confiança e livre nomeação.

O senador passa hoje por uma crise política por ter seu nome envolvido na Operação Monte Carlo, que desmontou no mês passado um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro na exploração de jogos caça-níquel.

Acusado de ser o chefe do esquema, o empresário Carlinhos Cachoeira é amigo de Demóstenes e teve 300 telefonemas com ele gravados pela polícia.

O senador confirmou que recebeu de Cachoeira um telefone antigrampo, um fogão e uma geladeira de presentes de casamento. Investigação mostrou que o senador também pediu ao empresário R$ 3.000 para pagar despesas de táxi-aéreo.

Como senadores possuem foro privilegiado (só podem ser investigados com autorização do STF), todo o material que envolve Demóstenes e outros políticos foi remetido para análise do procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

Ele poderá pedir ao STF autorização para abrir um inquérito específico para investigar o senador. Gurgel não tem prazo para isso.

Se o pedido de inquérito for feito, o caso será distribuído automaticamente a um dos 11 ministros do STF, incluindo Gilmar Mendes, caso ele não se declare impedido.

Leandro Colon e Fernando Mello.

brasil247.

Vinicius de Moraes, toda a poesia – por marcelo sandmann / são paulo.sp

Manuel Bandeira, apreciando Cinco elegias (1943), foi lapidar a respeito do autor: “Porque ele tem o fôlego dos românticos, a espiritualidade dos simbolistas, a perícia dos parnasianos (sem refugar, como estes, as sutilezas barrocas), e finalmente, homem bem do seu tempo, a liberdade, a licença, o esplêndido cinismo dos modernos.” Já na “Advertência” que abre sua Antologia poética (1954), Vinicius propunha a existência de duas fases na sua poesia: uma primeira, “transcendental, frequentemente mística, resultante de sua fase cristã”; e uma seguinte, “de aproximação do mundo material, com a difícil mas consistente repulsa ao idealismo dos primeiros anos”. De uma forma ou de outra, essas duas considerações ainda hoje conformam boa parte dos juízos da crítica a respeito dos desenvolvimentos de sua obra.

Vinicius de Moraes estréia na literatura com O caminho para a distância, em 1933, sob o influxo do catolicismo militante de Jackson de Figueiredo, Tristão de Athayde e Octavio de Faria. Predominam os poemas em versos longos e livres, à maneira de versículos bíblicos, de tom elevado e solene, às voltas com os temas do espiritualismo cristão caro àqueles escritores. Trata-se de uma poesia tributária da herança simbolista, programaticamente distante do humor e da irreverência do Modernismo de 1922. Os livros seguintes, Forma e exegese(1935) e Ariana, a mulher (1936), seguem, em linhas gerais, o mesmo caminho.

Uma transformação evidente se processa a partir de Novos poemas (1938) e se consolida com Poemas, sonetos e baladas (1946), Antologia poética (1954) eNovos poemas II (1959). A poesia torna-se formalmente multifacetada, com textos em versos livres e outros com base em metros e formas da tradição (como o decassílabo e a redondilha, a balada e o soneto). Ao mesmo tempo em que maneja os recursos expressivos da poesia moderna, torna-se um renovador dos antigos modos de poetar. Em Livro de sonetos (1957), reúne o que de melhor produziu dentro dessa forma, da qual se tornou um dos principais cultores em língua portuguesa no século XX. Na poesia madura de Vinicius de Moraes, o tom elevado dos primeiros livros convive com uma linguagem mais despojada e coloquial, que soube aprender as lições de Bandeira, Mário de Andrade e Drummond. São desses anos alguns de seus poemas mais conhecidos, como “Soneto de Fidelidade”, “Balada do Mangue”, “O Dia da Criação”, “Soneto de Separação”, “Pátria Minha”, “Poética”, “Receita de Mulher” e “O Operário em Construção”.

A partir de meados dos anos 50, a poesia passa a dividir com a música popular as energias criativas do autor. Na literatura, publica Para viver um grande amor(1962), que reúne crônicas e poemas; Para uma menina com uma flor (1966), com crônicas; A arca de Noé (1970), com poemas voltados ao público infantil; e outros volumes de poesia, em edições de pequena tiragem e mais restrita circulação, como História natural de Pablo Neruda (1974), A casa (1975) e Um signo, uma mulher (1975). Na música, paralelamente, Vinicius de Moraes projeta-se como o grande letrista da Bossa Nova e nome referencial da MPB dos anos 60 e 70, fazendo a ponte entre a poesia do livro e a letra de canção. A partir de Vinicius, compositores mais jovens, como Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso e Gilberto Gil, por exemplo, adentram o campo literário e passam a ser percebidos como “poetas” pelas novas gerações. A música popular atinge um estatuto de igualdade em relação à produção cultural mais crítica e criativa do país, num reconhecimento que chega ao meio acadêmico. A partir de Vinicius, e assim como ele, outros poetas vão transitar com desenvoltura entre o poema e a letra de música, como Torquato Neto, Cacaso, Wally Salomão, Paulo Leminski, Alice Ruiz, Antonio Cicero e Arnaldo Antunes, numa tendência viva até os dias de hoje.

Toda a poesia de Vinicius de Moraes na Brasiliana USP:

PSDB, PSOL E DEM, VÃO AO STF PARA IMPEDIR BOLSAS NO ENSINO TÉCNICO AOS MAIS POBRES

sexta-feira, 23 de março de 2012

O Senado aprovou na quinta-feira verba extra de R$ 460 milhões neste ano para conceder bolsas de estudo a estudantes e trabalhadores no Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego).Tem direito à bolsa trabalhadores beneficiários da Bolsa Família, para fazerem cursos profissionalizantes com carga horária mínima de 160 horas, visando conseguir empregos melhores.

Também tem direito alunos de escola pública do ensino médio, para frequentar ao mesmo tempo o curso profissionalizante, quando não é oferecido em sua escola.

Foram contra a Medida Provisória que garante as verbas, os senadores do PSDB,
do DEM e, pasmem, Randolfe Rodrigues do PSOL/AP, repetindo a aliança neoliberal com os demotucanos para retirar R$ 160 bilhões do SUS e engordar o lucro dos empresários com o fim da CPMF.

A nova aliança neoliberal do PSOL-DEM-PSDB alegou que a Medida Provisória seria inconstitucional, pois não atenderia aos critérios de urgência, como se quem é beneficiário do bolsa família em busca de um emprego melhor pudesse se dar ao luxo de ficar esperando por esta discussão inócua das Vossas Excelências demotucanas e psolistas.
Derrotados no voto na quinta-feira, o senador Álvaro Dias (PSDB/PR) anunciou que recorrerá ao tapetão do STF (Supremo Tribunal Federal) para impedir que os trabalhadores e alunos mais pobres tenham estas bolsas já neste ano. Nesta sexta-feira disse:
“Já está pronta a Adin [Ação Direta de Inconstitucionalidade]. Só falta a assinatura do partido, que será feita na semana que vem pelo Sérgio Guerra (PSDB) e pelo Agripino Maia (DEM)”.
Álvaro Dias demonstra que o discurso de campanha tucano de José Serra em 2010 era falso.
Na campanha de 2010, o candidato tucano à presidente José Serra chegou a prometer fazer um programa semelhante ao PRONATEC. Álvaro Dias chegou a ser candidato a vice de Serra por 24 horas, quando foi substituído por um nome do DEM.
A postura atual de Álvaro Dias, como líder do partido no Senado, e de Sérgio Guerra, como presidente do partido, demonstra que tucanos com mandato estão fazendo o oposto do que prometeram na campanha eleitoral.
DEMos já entraram com ação semelhante contra o PROUNI e perderam
O DEMos é reincidente em entrar na justiça contra bolsas de estudos para os mais pobres. Em ação semelhante também ingressou no STF contra o PROUNI, com alegação de inconstitucionalidade. Para felicidade geral da Nação, perderam. (Com informações da Ag. Senado

“ For the world is more full of weeping than you can understand “ – por omar de la roca / são paulo.sp

 

Se quebraram meus vasos de porcelana rara. Eu peguei os cacos e vi que não eram nada além de barro comum. Estalaram as cordas da harpa que se cansou da conhecida música. A ultima rosa de verão, tão acalentada, mirrou e suas pétalas se transformaram em pó. Nada mais resta de meus sonhos exaustos. Só o cansaço me acompanha fiel. Este cansaço “de todas as coisas”, ancestral,velho de milênios. Cansado de si mesmo, arrastando-se pelo sol em cega caminhada. De um lado a água profunda e escura do outro o deserto escaldante. A trilha estreita que me empurra ora para um lado ora para outro. Sem me dar chance de escolher, de dizer, é este que eu quero e não aquele. Meu coração, como o espelho, partiu-se de lado a lado. E cada lado se partiu em outros dois pedaços numa seqüência fractal indefinida. Espero com os pés na areia,mas a estrela não cai mais.A primavera congelou no tempo.Me cortaram as asas.Só eu continuo por aqui. Mas não sei como. Não sei como sou. Não sei quem sou nem o que importo. Nem se importo. Eu quem ? Mas a impossível continuidade segue em frente, e me carrega com ela. Como uma onda que varre tudo pelo caminho e vai levando, vai levando. Sem dizer para onde e nem se vai parar. A canoa  solta das amarras, insiste em ficar no mesmo lugar. Só vai balançando de um lado para o outro. Não vira e nem segue em frente. Não segue a corrente de água (límpida? turva? não sei ). Os dedos do salgueiro continuam tocando de leve a água do lago. Mas eles não escrevem mais, apenas observam as gotas escorrendo deles como as lágrimas que não chora. Nada mais me importa. Nem me interessa mais agradar a ninguém. Nem me interessa me dar bem com ninguém. Será apenas um momento? Será apenas este infinito, irremediável cansaço? Serei capaz de suportar este azul que insiste em se mostrar? Mas o azul não esta mais dentro de mim.  O falcão refugiou-se na gaiola e não quer mais voar pelas campinas amarelas. As borboletas, as flores de cerejeira, o beija flor, ficaram só na fotografia. Nada restou. Algo virá para ocupar o vazio? Há bastante espaço. Mas o vazio não quer ser incomodado com mágoas e sonhos destruídos. Nem as minhas. O vazio quer apenas o vazio e nada mais. Quer ficar vazio para sobreviver. Quer sobreviver?  Não sei.

Come away, O human child!
To the waters and the wild
With a faery hand in hand,
For the world’s more full of weeping than you can understand

Vá embora, criança,                                                                                                                                   Vá para os lagos e floresta                                                                                                                   com uma fada em cada mão,                                                                                                                deste mundo cheio de tristeza e choro,                                                                                             além de sua compreensão.

E este interminável cansaço. Cansado de si mesmo e dos outros.. A última fibra de rompeu. Cansaço, companheiro inseparável de todas as horas. E eu, que pensava ser forte, cai em mim e percebi que não sou nada além de apenas mais um .Sem direito a nada mais do que meu cansaço me impele a conseguir. Será que vai ser só isso? Sem esperança de ir mais além? Só sei que cada vez estou mais triste, com menos esperanças. Era mais fácil quando eu acreditava que algo mais viria. Agora, não sei. Será só esta inexistência insossa? Só me resta esperar que meu cansaço me responda. Dá me tua mão cansaço,vamos seguir mais um pouco.

O dedo do anel roubado – de gilda kluppel / curitiba.pr


Vão-se os anéis, ficam os dedos

E de que modo ficam os dedos…

tremendo de medo.

Vão novamente usar os adornos

círculos de ouro, prata ou lata

para qualquer moldura

um olhar suspeito.

Vão apanhar a carteira da bolsa

o dinheiro contado

escondido no punho cerrado.

Vão indicar a ferida

a liberdade perdida.

Vão procurar a vingança

apertando o gatilho

numa violência atravessada

equivocada e nociva.

Vão segurar a caneta

denunciar o transtorno

e a tranquilidade roubada.

Vão permanecer sempre alerta

com receio e dedos ao alto

desconfiança constante

e a delicadeza falida.

A unha e a carne

agoniadas e acuadas

vão procurar abrigo dentro dos bolsos

ou permanecer inertes

atrás de um braço cruzado

temendo pela próxima vez

vão-se os anéis, não sobram os dedos.

O CARNAVAL, A CIDADE E O MEIO AMBIENTE – por almandrade / salvador.ba

Com as mudanças climáticas aceleradas há uma tendência de dificultar
ainda mais a vida no planeta nas próximas décadas, por essa razão a
perda da qualidade de vida tende a aumentar e consequentemente também
a recessão da ética, da cidadania, da ordem, da educação e das responsabilidades individuais com o outro e o meio ambiente. Levar vantagem, não importa como, é uma meta. Na sociedade urbano-contemporânea, a perda do domínio público é visível nas reivindicações ou reclamações que vêm à tona quando surgem intervenções que atingem o espaço particular. Há muito a cidade deixou de ser o lugar da liberdade, do diálogo, do encontro, é o lugar dos prazeres imediatos e
do consumo, da circulação da mercadoria.

Chegou o verão, a cidade do salvador é do turismo e da festa. Estamos
nas vésperas de mais um carnaval. A cidade, desprovida do sentido de
comunidade, é o palco onde tudo se troca, tudo tem um valor de
mercado, do entretenimento ao corpo. O evento já não é mais uma
diversão, mas uma indústria de um espetáculo que invade a cidade. E
para quem vive no circuito da folia, sem tranquilidade, exilado em seu
próprio espaço residencial, invadido pelo barulho da rua e o odor
desagradável de urina e cerveja, não há alternativa.

O carnaval acabou se transformando numa festa autoritária para quem
não tem o direito de optar por outro divertimento, por outro tipo de
música. Cresceu demais, ficou maior que a cidade, que mal o
suporta. Ainda não se fez uma avaliação do impacto dos trios elétricos
na estrutura dos prédios, monumentos históricos e no entorno. Chegou o
momento de se pensar numa cidade do carnaval para o desfile dos
trio-elétricos e a infraestrutura necessária que a festa exige como o
sambódromo, no Rio de Janeiro. A festa gera consumos exagerados de
água, eletricidade, combustível, produz uma quantidade de lixo e
custos de coleta.

O carnaval é um exemplo da privatização do espaço público e da nossa
incapacidade de habitar o lugar público, nos acostumamos a pensar o
público como uma reprodução do privado, até como forma de se sentir
protegido. Com seus trios seletivos, é a extensão do domínio privado. A liberdade é o deslocamento para o público e a publicidade daquilo que se deseja realizar na intimidade e daquilo que não se tem coragem de realizar, nos outros dias do ano.

É preciso entender a cidade além da concepção de espaço físico.
Habitar uma cidade tem como princípio básico o exercício da cidadania
e o agir ético dentro de uma determinada sociedade. O consumidor, o
personagem central da cidade moderna, ignora esse princípio e quem tem
mais poder de consumo reivindica para si os benefícios da cidade. Isso
está muito claro no carnaval, nos luxuosos camarotes, nas cordas que
circulam os trios.

Meio ambiente, cidadania e ética atravessam a cidade da festa. A
função que o homem exerce na ocupação e significação do espaço, na
relação com o outro e a natureza, diz respeito a valores que
determinam a vida de cada ser no planeta. Valores que estão em crise.
O homem moderno se dissociou dos propósitos mais importantes da vida,
do compromisso pessoal com o estilo de vida e valores éticos. As
necessidades devem ser satisfeitas levando em conta a necessidade do
outro e das futuras gerações. Mas perdemos nosso senso de
responsabilidade.

Almandrade
(artista plástico, poeta e arquiteto)

OUTONO – Ofereço a ti e ofereço à minha mãe – por zuleika dos reis / são paulo.sp

 

Neste dia 20 de março, na alta madrugada começa, no hemisfério sul, a estação do Outono, ao mesmo tempo em que tem início a estação da primavera no hemisfério norte.

Se não dispomos da incrível beleza de cores dos campos na América do Norte, na Europa, na Ásia, em seu Outono que ocorre a partir de setembro, isso não significa que nosso Outono não seja belo. Assim, nenhuma outra estação costuma apresentar céus tão diáfanos nem luas cheias tão esplêndidas nem – permitam-me acrescentar este dado muito subjetivo –melancolias tão profundamente especiais. No Outono as estrelas cadentes se tornam mais visíveis, as chuvas se fazem mais silenciosas, as saudades e as lembranças insidiosas afloram mais intensamente, bem como os relâmpagos ocorrem com maior frequência.

No Outono também há árvores que se cobrem de flores, como a bonina, a espatódea, o manacá, a quaresmeira, a nespereira, a paineira, sendo que desta última existe, há décadas, um belíssimo espécime na pracinha em frente ao prédio onde moro, sempre diante da janela da minha sala, por sinal nos presentes dias já deveras florido, com suas flores rosa, com suas flores símbolo do meu amor, do meu amor sempre protegido entre as pétalas do coração. Assim como as árvores de Outono, a passarada também nos toca a todos com seus múltiplos cantos, nos campos e nas pequenas e grandes cidades do país.

No Outono temos a Semana Santa e a Páscoa. No Outono temos o dia do trabalho, o dia da abolição da escravatura, o dia em que as mães são homenageadas, o dia dos namorados… No Outono temos o tempo da colheita do arroz, o tempo da colheita do algodão.

Há quem diga que o Outono é a mais poética das estações.

Ergamos um brinde ao Outono, tempo de recolhimento, mas também tempo de  descobrimentos, tempos de renovação.

As Estátuas da Ilha da Páscoa tem corpos – flavia guimarães – rio de janeiro.rj



Um dia ainda irei voar até Rapa Nui  – o umbigo do mundo. São muitos os mistérios que lá existem. Esta ultima descoberta nos deixa ainda mais assombrados. Sempre conheci o Moais como sendo apenas enormes cabeças de pedras plantadas numa ilha no fim do mundo, mas jamais poderia imaginar que existiam corpos destas estátuas.

Rapa Nui esta localizada no Oceano Pacífico, essa ilha vulcânica foi descoberta pelo navegador holandês Jakob Roggeveen, no domingo de Páscoa no ano de 1722, e mais tarde tornou-se posse do Chile, em 1888. Muitos segredos cercam a Ilha de Páscoa que é famosa por suas incríveis estátuas chamadas Moais e que estão ao redor de toda a ilha.

A descoberta, não tão nova, mas que aumenta o mistério sobre quem as esculpiu, quem vivia na ilha, como elas foram parar lá é o fato de que as estátuas da Ilha de Páscoa têm corpos! Isso mesmo, as cabeçonas gigantes são estatuas completas cuja maior parte está enterrada e correspondem a corpos e mãos.

Um grupo de pesquisa privado tem escavado recentemente as estátuas da Ilha da Páscoa e está estudando as escrituras nos corpos das mesmas.

A dúvida agora é por que estes gigantes de pedra tiveram seus corpos enterrados? As estatuas sempre foram assim ou com o tempo ficaram desta maneira?

Uma das teorias sobre o desaparecimento dos habitantes originais de Rapa Nui foi a superpopulação que levou a conflitos internos e falta de alimentos. Agora surge outra hipótese: um enorme deslizamento pode ter varrido a ilha e sua civilização. Isso aniquilou a população e fez com que as estatuas ficassem com boa parte do seu corpo sob a terra.

MARIANNE MOORE, NOTA SOBRE “POETRY” – por régis bonvicino / são paulo.sp

A tradução mais recente de Augusto de Campos é a de um conhecido poema de Marianne Moore, “Poetry”. Qual a necessidade de se traduzir este poema hoje? A pergunta é pertinente, pois a tradução pode ser um caprichoso jogo intelectual ou uma importante intervenção cultural, injetando nas veias da língua de chegada a vitalidade da poesia de saída, para gerar ideias.

Marianne Moore é considerada nos EUA uma autora modernista importante. Ainda assim, não desperta o mesmo interesse de outros pares de sua geração. Sua presença histórica existe, digamos, a despeito de não ter a força de Eliot, Williams ou Stevens. Destaque-se que “Poetry” já obteve versões para o português, anteriores a esta feita por Campos, mas uma razão segura para ele traduzi-lo seria a própria qualidade da tradução. Pois, apesar de tudo, assim o repertório da língua de chegada resultaria enriquecido.

“Poetry” tem várias versões, de distintas dimensões, mas a mais conhecida é a sua redução a um terceto:

In Poetry, 1919, Marianne Moore engages directly in a debate with Tolstoy and William Butler Yeats, quoting Tolstoy’s dislike of business documents and / school-books and Yeats’s condemnation of literalists of / the imagination, before defending the roots of poetry in the literal, businesslike raw material of everyday life, her equivalent of Eliot’svariety and complexity. In its original version (1919), the poem offers a defense of poetry along the lines of Stevens’s later quest for a poem of pure reality. As she revised the poem over the years, however, Moore cut out the lists of possible subjects for poetry and condensed the poem to just its three original opening lines. The condensation represented in a sense a return to the miniature forms of imagism, but now seeming to contain the whole relation of poetry to the social world in just three lines:

I, too, dislike it: there are things that are important beyond all this fiddle.
Reading it, however, with a perfect contempt for it, one discovers in
it after all, a place for the genuine. 
[1]
Esse possível enunciado da relação da poesia com o mundo social ganha, através da redução, uma notória ironia, que marca o primeiro verso: “Eu também não gosto dela…”. Trata-se de um gesto cult afoot da explícita evocação de Baudelaire: “Hypocrite lecteur, – mon semblable, – mon frère!”. Mas o que no gigante francês era desmascaramento em Marianne Moore é um dizer sutil: “Sim, eu também não gosto dela, mas…”. Não há essemasbut, no poema – ao menos, não de modo imediato. Ele aparece um pouco adiante, na forma de howevercontudono entanto… O que confirma a ironia envolvente e fina, que faz seu giro nesse however: “I, too, dislike it. / Reading it, however…”. A concordância inicial não passava de uma forma sedutora de preparar a discordância com o frontal “hypocrite lecteur, mon semblable, mon frère”:

In her well-known poem, Poetry, Miss Moore begins, I too, dislike it. This line has been interpreted as ironic, as an attempt to disarm, or as evidence that she practices her art only half-seriously. Quite obviously, however, her reasoning is serious. [2]

Além de sutil e irônica no tom, a linguagem de Moore é natural e coloquial na sintaxe, o que combina com a ideia de envolver, de pactuar com o leitor.

Nada há disso, ao que parece, na versão de Augusto de Campos. Nem a ironia e o coloquialismo, que tentam capturar a atenção do leitor para uma arte que “contain the whole relation of poetry to the social world”. Tudo é perdido pela hipérbole semântica: “Eu também a abomino”. Abominar é “ter horror, detestar, execrar, odiar”. O que isso tem a ver com o simples desgosto contido nesse dislikeDislike pode também significar detestar, odiar, execrar, mas esses significados não estão autorizados pelo contexto do poema de Moore. O que explica essa escolha, ainda que não a justifique, é a opção imprópria por uma rima perfeita com “genuíno” no terceiro verso:

Eu também a abomino.
Lendo-a, porém, com total desdém, a gente des-
cobre ali, afinal, um lugar para o genuíno.
A dicção e a sonoridade de Marianne Moore são elegantes (talvez, elegantes demais): “I, too, dislike it./ Reading it, however, with a perfect contempt for it…”. Augusto de Campos, no entanto, impõe-lhe um ritmo entrecortado, além de comprometido por encontros e destaques vocálicos abertos, em eco, que absolutamente não existem no original:

Eu também a abomino [ah ah]
Lendo-a [ah], porém, com total [au] desdém, a [ah] gente des-
cobre ali [ah], afinal [ah au], um lugar para [ah ah] o genuíno.

Notar que o corte em descobrir, “des-/cobrir”, além de inexistente em “Poetry”, pretende realçar a duplicidade de descobrir e ocultar, um duplo sentido cansado e óbvio, verdadeira malversação do original.  “One” significa “alguém”. Pode igualmente significar “a gente”, mas, Moore diz, com simplicidade,  o seguinte: “o leitor, mesmo fazendo pouco-caso da poesia, poderá encontrar nela um “sítio” para o genuíno”, que, no poema, quer dizer o desafetado, o real, a realidade, condenando, deste modo, os poemas decorativos da época. Ela foi uma poeta modernista. “Contempt” significa desprezo orgulhoso, menosprezo, descaso. “Desdém” não está muito autorizado pelo original, embora possível, mas revela a atração do tradutor por rimas e por uma poética velha: “porém” (uma adversativa bacharelesca) e “desdém”, forçado, como interpretação. Tão forçado quanto  “a gente” (“one”), que, aqui, Moore usa, de fato, na acepção de  “descobre-se”:  “contudo, lendo poesia,  mesmo com menosprezo, descobre-se nela, enfim, um lugar para o genuíno”. A tradução de Augusto de Campos mina o sentido original, porque interpõe o verbo “cobrir” na cadeia semântica, quando só existe o verbo descobrir. Vejamos então o que o tradutor pretende encobrir.

Wallace Stevens define o poema de Marianne Moore como investigação da realidade, que, por isso, em sua versão de 1919, enumera, segundo ele, possíveis temas para outros poemas de gume duro. Pode-se então concluir que, ao que tudo indica, Augusto de Campos investiga aqui a investigação alheia. Mas, ao final, oculta a investigação da investigação, que é a tradução do poema, pela ilegibilidade kitsch do travestivemento gráfico de um então poema próprio, pilhado do trabalho alheio (cf.http://www.musarara.com.br/marianne-moore-em-tres-dimensoes). E o que era uma proposta de investigação de gume duro da realidade, a ser investigada pela tradução, torna-se show room tipológico. Um show room paradoxal, que se exibe, que se dá a ver, para ocultar tanto a realidade investigada pelo original como sua própria tradução. (Em 12 de março de 2012)

PARECE FÁCIL, MAS NÃO É! – por olsen jr / rio negrinho.sc


   Cansei da maçaroca. Lembrei de um livro do Salim Miguel ”Sezefredo das Neves, poeta”, que começa com o narrador afirmando que recebeu um “original” para ser lido mais tarde e que o apelidou logo de “a maçaroca”.

A maçaroca, no meu caso, é constituída de uma série de anotações feitas por aí e guardadas em um dos bolsos da calça. As calças mudam e as tais anotações continuam se amontoando sem que tome uma providência. São ideias para uma crônica, um conto, um dito espirituoso feito na hora apropriada, uma frase que capta um momento bem humorado, enfim, algo que pode ser trabalhado posteriormente. O suporte para tais anotações pode ser um guardanapo, um extrato bancário, um comprovante da medida de peso/altura de uma farmácia, uma nota de compra, um ticket de supermercado ou de posto de gasolina, o verso de um cartão de visitas, e se não tiver nada, a palma da mão também serve.

Hoje peguei aquela papelada toda e disse: chega! Só tomei a iniciativa, entretanto, quando um amigo me viu deixar cair tudo quando fui pagar o café no bar… Ele indagou “que maçaroca é essa?”.

Well, é de assombrar como se parte de coisinhas simples para se construir uma obra.

Muitas vezes é só um lembrete mesmo: “policial Henrique (livro)”… Lembrei que fui socorrido por um policial num acidente de carro. Quando soube que era um escritor disse que gostava muito de ler e eu prometi um livro. Na hora não tinha nenhum. O bilhete deve estar a uns quatro anos passando de bolso em bolso sem que cumpra com o prometido, vou fazer isso hoje; um outro diz: “filme do Cantinflas/ajudante de circo/pesos”, trata-se do comediante Mário Moreno, ele fazia o papel do ajudante, a atração principal era um fisioculturista (vestido com pele de tigre) que levantava vários artefatos em que estavam escritos em cada um o “seu” peso (150kg, 200kg,) e depois da encenação, o Cantinflas entrava e pegava todos eles com uma das mãos (eram de isopor) e o cinema vinha a baixo de riso, lembro a propósito de um colega de ginásio que assistia ao filme na cadeira de trás da minha e passava o tempo todo cantarolando a música “Leva eu Sodade”, um dos versos que dizia  “Oi leva eu…  eu também quero ir”… Dos “Cantores de Ébano” que fez sucesso na década de 1960… No outro lado do papel, um lembrete: “Eliane & Elias/ Piano” seguido de um número de telefone para contato… Cenas que poderiam integrar uma obra de ficção.

Numa comanda de hotel indicando como chegar a feijoada do Bar do Zé em Joinville, estava o texto “A mesma “coisa” feita de outro jeito, tem novo sentido”. Não me lembro do que se tratava, a “mesma coisa” para mim sempre foi um caminhão carregado de melancias, mas depois que os japoneses “criaram” a melancia quadrada (vi isso na internet) nem se pode usar mais a tal expressão.

Tinha elucubrações bem feitas e que só estavam ali porque não tivera disposição para transportá-las para um caderno onde faço tais registros, por exemplo, “Procuro ignorar os elogios e as críticas que fazem ao meu trabalho porque ambos são mendigos que me pedem esmolas: o elogio de minha vaidade e a crítica de minha ira. Tanto um como outro me empobrece”.

O meu favorito era um que afirmava “Os homens de talento, digo, os gênios, deveriam ser mais pacientes, afinal nós temos a eternidade pela frente”…

Tudo isso parece afetação, mas o que é que se pode esperar de alguém que pensa o dia inteiro? Claro, tinha os bilhetes que me faziam cair na realidade, esse que está em minhas mãos agora, para ilustrar, dizia “Pagar a ótica (R$175,00) no dia10”, consulto o calendário e já estamos no dia 22… O que “eles” iriam pensar do meu atraso? Talvez, na melhor das hipóteses: “paciência, os filósofos são distraídos mesmo, não são?”.

 

NOTAS:

 

A música poderia ser essa, “In the Summertime”, do Mungo Jerry…

Grupo inglês formado por Ray Dorset, Colin Earl, Paul King e Mike Cole…

http://www.youtube.com/watch?v=zc9wIzi96_E&feature=list_related&playnext=1&list=AVGxdCwVVULXdYIqsgEqjJnN0mDqo59BJK

Fizeram sua estreia no início dos anos 1970 no Festival Hollywood, Newcastle-Under-Lyme em Staffcorshire… A música “In the Summertime” foi direto ao topo, foi a número um em 26 países ao redor do mundo…

O nome do Grupo foi inspirado no poema “Mungojerrie” , de T. S. Eliott…

Segundo Joseph Murell no livro “O Livro dos Discos de Ouro” (1978) a “Mungomania” foi possivelmente o mais importante fenômeno pop a chegar a Grã-Bretanha desde os Beatles…

 

O DIA A DIA DA INFORMÁTICA – karlos bettega / ilha de santa catarina

Haroldo tirou o papel do bolso, conferiu a anotação e perguntou à balconista:- Moça, vocês têm pendrive? – Temos, sim.  - O que é pendrive? Pode me esclarecer? Meu filho me pediu para comprar um.  – Bom, pendrive é um aparelho em … Continue lendo

NELSON RODRIGUES, 100 ANOS – por luis fernando pereira / curitiba.pr

É só isso? Foi a minha pergunta ao funcionário da acanhada sala do Teatro Glauce Rocha no Rio de Janeiro, escolhida pela Funarte para abrigar a recente exposição “Nelson Brasil Rodrigues – 100 anos do anjo pornográfico”. Não havia quase nada exposto na tal exposição. Alguns recortes de jornais sobre Nelson e a sua Remington Portable (uma máquina de escrever, explico em atenção aos mais novos). Patético. No final da década de setenta, já com saúde debilitada, Nelson Rodrigues foi do Rio a Florianópolis de carro (não andava de avião) para lançar O Reacionário. Pois na hora do lançamento não apareceu uma viva alma para comprar os livros autografados. Nelson estava em baixa. A exposição lá no Rio lembrou-me da sessão de autógrafos de Nelson em Florianópolis. Coisa triste. E muito injusta!
Exagero pouca coisa quando digo, vez ou outra, que Nelson é o escritor brasileiro mais importante de todos os tempos. Dramaturgo, cronista, romancista, frasista, polemista, ninguém escreveu tanto e tão bem. É claro que poucos concordam com a minha opinião. E Machado? Questionariam alguns. Não chega perto de Guimarães Rosa, afirmariam outros. Com certa razão, pode-se dizer que Érico Veríssimo produziu mais. Para mim é o Nelson porque eu acho que é e ponto final. Algo que o próprio Nelson classificaria como opinião de torcedor do Bonsucesso. Ou, ainda Nelson, “se os fatos são contra mim, pior para os fatos”. O Nelson é o maior e não se fala mais nisso.
E digo que é o maior praticamente desconsiderando o Nelson dramaturgo. Aqui fico com o polonês Ziembinski – que disse o seguinte ao ser apresentado ao texto de Vestido de Noiva (peça que ele depois dirigiu): “Não conheço nada no teatro mundial que se pareça com isso”. Mesmo jogando fora toda a produção teatral, Nelson segue com o título do “melhor escritor brasileiro de todos os tempos” (título que eu mesmo criei e entreguei, em homenagem póstuma). Sobretudo agora, em desagravo pela exposição anoréxica lá do Rio.
O Nelson legítimo é o cronista-contista-frasista. E ainda poderíamos deixar de lado toda a crônica de futebol – que é deliciosa. O que há de mais importante em Nelson é a sua crônica do cotidiano. Joguem tudo fora (os romances, inclusive) e levem em conta apenas a Vida como Ela é. É o suficiente para garantir o título a Nelson. Por dez anos consecutivos (de 51 a 61) o sábio Samuel Wainer deu-lhe o espaço para as colunas diárias no jornal Última Hora. A coleção de crônicas e contos é admirável (há quem diga que eram ensaios; os mesmos que dizem que Nelson era o Montaigne do Brasil. Eu quase concordo). Na sua Remington Portable Nelson escrevia de forma alucinada (fumando e usando só dois dedos). Antes que critiquem o veículo das publicações, lembrem que Balzac também publicou boa parte da sua Comédia Humana em capítulos de revistas. Nelson é o nosso Balzac. Um Balzac de linguagem simplificada e um pouco mais pornográfico. São, aliás, as duas acusações preferidas dos críticos de Nelson.
“Reclamam que a minha linguagem é pobre”, dizia Nelson para logo em seguida complementar, com boa ironia: “não fazem ideia do esforço que faço para empobrecê-la”. Com esta linguagem pobre Nelson era sim pornográfico. Era nosso Marques de Sade sem o ressentimento da prisão; mais solto, irônico e caricato. Hoje é fácil ser pornográfico. Mas retratar moças virgens violentadas (Otto Lara Resende ou Bonitinha, mas ordinária) na década de sessenta era um pouco mais complicado. Nelson não se importava. Tratou de sexo e adultério o tempo todo. “Se cada um conhecesse a intimidade sexual dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém”, dizia o nosso anjo pornográfico; que também dizia: “sexo é coisa para operário”.

Hoje em dia o adultério perdeu um pouco a graça. Quase não escandaliza. Não era sim nos dez anos da coluna no Última Hora (adultério ainda era crime previsto no Código Penal). Por isso ele impressionava quando dizia com frequência: “não existe família sem adúltera”. Ou, “ninguém se interessa por uma família sem adultério. É muito enfadonha”. Para logo em seguida poupar a mulher (“não se chama uma adúltera de adúltera, jamais” – dizia), explicando: “o adultério não depende da mulher, e sim do marido, da vocação do marido. O sujeito já nasce enganado”. Assim era Nelson Rodrigues.
Nelson era insuperável na frase. Ruy Castro (autor da biografia do escritor) disse que o nosso Nelson talvez fosse o maior frasista da história da língua portuguesa. Por que só da língua portuguesa? Leiam outros bons frasistas como H. L. Mencken, Karl Kraus, Oscar Wilde e mesmo Bernard Shaw (este último muito admirado por Nelson) e comparem com tudo que está reunido pelo próprio Ruy em Flor de Obsessão (Companhia das Letras). Nelson é melhor e pronto. Aqui no Brasil há quem prefira Mencken ou Shaw, mas é Nelson quem explica a razão: “o Brasil é muito impopular no Brasil”. Ou “o brasileiro não está preparado para ser o maior do mundo em coisa nenhuma; nem mesmo em cuspe a distância”. E mais: “O brasileiro é um Narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Nelson era e é vítima deste complexo de vira-lata” (expressão de Nelson, é claro).
Aqui meu desagravo a Nelson. Aproveito para dedicar o texto ao único paranaense que com ele realmente conviveu: nosso amigo Carlos Nasser (citado em algumas crônicas). A propósito, um dia Nelson descobriu que Carlos Nasser era nascido em São Paulo e comentou espantado (sempre ao seu estilo): “Meu Deus, o único paranaense que eu conheço é paulista!”.

 .

ARTHUR RIMBAUD: MA BOHÈME (Fantasie) – paris.fr

 

E lá me ia, as mãos nos bolsos furados,
E meu casaco era também o ideal.
Eu ia sob o céu, Musa! e te era leal;
Oh! lá! lá! que esplêndidos amores sonhados!

Minha única calça estava em frangalhos
— Pequeno Polegar sonhador, em minha fuga eu ia
Desfiando rimas e sob a Ursa Maior adormecia,
Ouvindo no céu o doce rumor das estrelas.

Sentado à beira das estradas eu as ouvia,
Belas noites de setembro em que eu sentia
O orvalho em meu rosto como um vinho forte;

Quando compondo em meio a sombras fantásticas,
Como uma lira eu puxava os elásticos
De meus sapatos gastos, um pé junto ao meu peito!

Tradução de LEONARDO MAGALHAENS.

Hubble faz imagem de estrelas mais antigas da galáxia

Aglomerado estelar Messier 9 está a 25 mil anos-luz da Terra.

Imagem do telescópio espacial foi divulgada nesta sexta (16).

Imagem do telescópio espacial Hubble mostra o aglomerado estelar Messier 9, que fica perto do centro da nossa galáxia. Os cientistas acreditam que as estrelas ali estão entre as mais antigas da Via Láctea, cerca de duas vezes mais velhas que nosso Sol. (Foto: NASA/ESA)Imagem do telescópio espacial Hubble mostra o aglomerado estelar Messier 9, que fica perto do centro da nossa galáxia. Os cientistas acreditam que as estrelas ali estão entre as mais antigas da Via Láctea, cerca de duas vezes mais velhas que nosso Sol. (Foto: NASA/ESA)
Do G1, em São Paulo

ORAÇÃO DE JOÃO MARIA – de jairo pereira / quedas do iguaçu .pr

 

Foi com teus olhos

De João e de Maria

Senhor João Maria

Que vi o profundo da serra

Que conhei a larva da terra

E a extensão das fazendas vazias.

 

Foi com os teus pés

De João e de Maria

Senhor João Maria

Que pisei o solo das estradas

Desconhecidas

Os carreiros úmidos das matas

Que senti os espinhos

Da sina de errante.

 

Foi com tua fome

De João e de Maria

Senhor João Maria

Que comi o pão de milho

Na casa do pobre

E masquei a erva do sertão.

 

Foi com tua força

De João e de Maria

Senhor João Maria

Que entendi a filosofia

Do princípio e do fim dos

Tempos

A razão natural que se expressa

E a ideologia do amor.

 

Foi  com tua cura

De João e de Maria

Senhor João Maria

Que sarei o silêncio do triste

E o hilário do alegre

No campo sem fim de cada dia.

 

Foi com tua alma

De João e de Maria

Senhor João Maria

Que senti a escuridão da noite

E o brilho do dia

A senda e o movimento

Das  multidões operárias.

 

Foi com tua análise ilógica

De João e de Maria

Senhor João Maria

Que joguei a praga no padre

No político e no fazendeiro,

Naquela cidade onde os livres

Não são aceitos.

 

Foi com tua voz inaudível

De João e de Maria

Senhor João Maria

Que fiz tremer os governos, os exércitos,

E os poderosos civis.

 

Foi com teus olhos, pés,

Fome, alma, força e delírio,

De João e de Maria,

Senhor João Maria

Que cruzei rios, pontes, matas e serras,

Que fiz a mais bela apologia à terra

(que um homem jamais sonhou)

Porque a noite dos tempos

Era de minha exclusiva propriedade.

HERMES TRISMEGISTO – por antonio rocha fadista / rio de janeiro.rj

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O MITO E A REALIDADE . Filho de Zeus e de Maia, a mais jovem das Plêiades da mitologia grega, Hermes nasceu num dia quatro (número que lhe era consagrado), numa caverna do monte Cilene, ao sul da Arcádia. Divindade … Continue lendo

A MORTE LENTA ou MORRE LENTAMENTE – por pablo neruda / santiago.ch

“Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito e do trabalho, repetindo todos os dias o mesmo trajeto, quem não muda as marcas no supermercado, não arrisca vestir uma cor nova, não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o “preto no branco” e os “pontos nos is” a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam o brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeções, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projeto antes de iniciá-lo, não tentando um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe. 

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o simples ato de respirar. Estejamos vivos, então!” 

Paulo Neruda

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NOTA DO SITE:

recebemos de um colaborador, assíduo, e cremos que também não sabia e porque o conhecemos confiamos na informação de autoria do poema acima. ocorre que tal poema NÃO É de autoria de PABLO NERUDA e sim de nossa colaboradora a escritora gaúcha MARTHA MEDEIROS com o título A MORTE DEVAGAR. pedimos esclarecimentos a FUNDAÇÃO NERUDA, no Chile, e recebemos este email:

Estimado Joao,

Gracias por escribirnos.

“Muere lentamente” NO ES de Pablo Neruda. Su autora es Martha Medeiros.

 

Más información en el siguiente link: http://www.fundacionneruda.org/es/pablo-neruda/preguntas-frecuentes/104-tres-poemas-falsamente-atribuidos-a-pablo-neruda-.html

 

Saludos cordiales,

 

Carlos Maldonado R.
Director de Comunicaciones

Fundación Pablo Neruda

www.fundacionneruda.org

(56 2 737 60 04)

Fernando Márquez de la Plata 0192

Providencia, Santiago

A notícia mais importante da semana – por amilcar neves / ilha de santa catarina.sc



Para um bom punhado de gente, tanto contra como a favor, a melhor notícia da semana foi a informação de que o Ministério Público Federal trabalha há tempos para indiciar acusados por crimes cometidos durante a ditadura como autores de sequestro e ocultação de cadáver. Sequestro e ocultação de cadáver são crimes permanentes, ou seja, continuam a ser cometidos até que os corpos apareçam ou que se saiba o que de fato aconteceu. Como a Lei da Anistia abrange o período de 1961 a 1979, os responsáveis pelos desaparecimentos ocorridos naqueles anos estariam ainda hoje cometendo os crimes e, portanto, colocando-se ao desabrigo da referida Lei que tanto lhes vale.

A turma de pijama – oficiais da reserva, militares reformados e civis aposentados – está esfregando as mãos: “Se somos agredidos e atacados, temos o direito divino de nos defender”, e pensa em sequestrar, eliminar e ocultar mais arquivos da época e acelerar os planos de um novo 1º de Abril redentor. “Vamos botar ordem na tropa! Ou isto aqui é uma manada?”

Mas estão todos redondamente enganados (redondamente enganado é expressão muitíssimo anterior às campanhas publicitárias que rolam por aí). A notícia mais promissora da semana é uma fria: vem da Groenlândia.

Erik, o Vermelho, um viquingue da gelada Islândia, exilado do seu país por ter assassinado um vizinho, foi condenado a passar três anos naquelas terras hostis – melhor, naqueles gelos hostis, já que o gelo cobre 84% do território da maior ilha do mundo; será a segunda maior se considerarmos ilha a Austrália, praticamente um continente inteiro.

O islandês assassino chegou ao destino em 985 com uma tal caravana que lhe permitiu pensar na colonização do pedaço. Se vai haver colonização, dois requisitos são indispensáveis: braço colono para amanhar as terras e nome da colônia para todo mundo saber onde é que ela fica. Em atenção a esta segunda necessidade saiu o nome que Erik, o Vermelho, deu à ilha: Terra Verde, que é o que significa Groenlândia. Sendo verde a terra, ficava mais fácil convencer, ou induzir, ou ludibriar o candidato a colono a empreender enorme viagem pelos mares gelados vizinhos ao Ártico.

Como se vê, data de mais de milênio o uso de propaganda enganosa.

Mas o que nos veio de tão bom esta semana lá da gélida Verdelândia?

Veio a notícia, no domingo, de que a Groenlândia está derretendo e que o derretimento completo – completo! – da sua camada de gelo se fará com temperaturas mais baixas do que antes se pensava (só isto causará o aumento do nível do mar em 6,4 metros). Estimava-se que essa liquefação total da cobertura groenlandesa aconteceria quando a temperatura global subisse de 1,9 a 5,1 graus acima daquela que se media quando não havia indústrias sobre a face da terra. Recentes estudos rebaixaram essa faixa para 0,8 a 3,2 graus, com robustas estimativas de que o ponto de fusão total ocorra aos 1,6 graus – hoje, o aquecimento global já atingiu 0,8 graus desde a Revolução Industrial.

O bom da história, além de virmos a ter no futuro mais água para navegar, é que vastos territórios se abrirão para a Engenharia brasileira, conduzida pelas caçambas das grandes empreiteiras nacionais que vivem a vasculhar o planeta: a Groenlândia mede um quarto da superfície do Brasil e, descascada, verde, revelará paisagens de tirar o fôlego, nunca dantes vistas, virgens para a construção de um inferno de obras no atacado.

É ou não é coisa de se comemorar com júbilo empreendedor?


DITADURA MILITAR, no banco dos réus ! O Brasil começa a ser passado a limpo.

MPF denuncia major Curió por sequestros na Guerrilha do Araguaia

Ação da Promotoria sustenta que ‘crimes permanentes’ não são abrangidos pela Lei da Anistia

13 de março de 2012 | 19h 03

BRASÍLIA – O Ministério Público Federal vai denunciar nesta terça-feira, 13, na Justiça Federal em Marabá o coronel da reserva do Exército Sebastião Curió Rodrigues de Moura pelo crime de sequestro qualificado de cinco pessoas na Guerrilha do Araguaia. Curió comandou as tropas que atuaram na região em 1974, época dos desaparecimentos de Maria Célia Corrêa (Rosinha), Hélio Luiz Navarro Magalhães (Edinho), Daniel Ribeiro Callado (Doca), Antônio de Pádua Costa (Piauí) e Telma Regina Corrêa (Lia).

Veja também:
link RELEMBRE: Curió abre arquivo e revela que Exército executou 41 no Araguaia
link ESPECIAL: Com Arquivo Curió, Araguaia ganha nova versão

Procurador da República Sergio Gardenghi Suiama explica a denúncia contra o major Curió - Celso Junior/AE
Celso Junior/AE
Procurador da República Sergio Gardenghi Suiama explica a denúncia contra o major Curió

Em entrevista concedida nesta terça-feira, em Brasília, quatro procuradores da República envolvidos na investigação sustentaram que mesmo após 38 anos da guerrilha é possível responsabilizar Curió pelo sumiço dos militantes. De acordo com eles, o que ocorreu no caso foi um sequestro, crime que tem caráter permanente já que as vítimas continuam desaparecidas.

Por causa desse caráter permanente, segundo os procuradores, é possível denunciar Curió mesmo depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter reconhecido em 2010 a validade ampla, geral e irrestrita da Lei de Anistia. Promulgada em 1979, a lei anistiou pessoas punidas por ações contra a ditadura e, conforme a interpretação estabelecida na época, agentes do Estado acusados de violações a direitos humanos. A tese é polêmica e deverá chegar ao STF.

Os procuradores também afirmam que a lei anistiou os crimes praticados até 15 de agosto de 1979. No entanto, segundo eles, o crime de sequestro ainda persiste e, portanto, não a lei não beneficiou Curió. “O fato concreto e suficiente é que após a privação da liberdade das vítimas, ainda não se sabe o paradeiro de tais pessoas e tampouco foram encontrados seus restos mortais”, argumentam os procuradores.

“Por se tratar de crimes permanentes, cuja consumação encontra-se em curso, algo precisava ser feito”, afirmou o procurador Tiago Modesto Rabelo, um dos autores da denúncia. Os procuradores também citaram decisões recentes do STF que autorizaram a extradição de militares argentinos acusados do mesmo crime durante a ditadura naquele país.

A denúncia que será entregue nesta terça-feira é baseada principalmente em provas testemunhais, como relatos de que as vítimas teriam sido capturadas, levadas para a base militar, colocadas em helicópteros e nunca mais vistas. Também foram descritos maus tratos que teriam sido praticados nas bases militares comandadas por Curió.

“As violentas condutas de sequestrar, agredir e executar opositores do regime governamental militar, apesar de praticadas sob o pretexto de consubstanciarem medidas para restabelecer a paz nacional, consistiram em atos nitidamente criminosos, atentatórios aos direitos humanos e à ordem jurídica”, sustenta o Ministério Público Federal.

Mariângela Gallucci, de O Estado de S. Paulo

D O B A I L E – por jorge lescano / são paulo.sp

A primeira dama havia lido a resenha de um grande baile de gala [...]

a leitura propunha o questionamento e solução das sete seguintes fases:

Primeira: o baile como foi realmente oferecido há um século.

Segunda: o baile resenhado pelo cronista da época.

Terceira: o baile como a primeira dama imagina que foi,

com a resenha do cronista.

Quarta: o baile como a primeira dama imagina que foi,

sem a resenha do cronista.

Quinta: o baile como ela imagina dar.

Sexta: o baile como é realmente dado.

Sétima: o baile que pode ser levado a cabo,

utilizando a lembrança do baile como é realmente dado.

 

Virgilio Piñera, O baile, 1944

 

Segundo o encarregado do cotillon – a escolha do termo franco em detrimento do ianques coloquial, denotava o anacronismo do decorador e o habilitava para o cargo – , dever-se-ia respeitar as premissas do baile original se bem que acrescidas da técnica de última geração. A grande sala receberia iluminação indireta, porém, conservar-se-ia o grande lustre central, apagado. As fontes luminosas seriam arandelas douradas, devidamente guarnecidas de lâmpadas fluorescentes. O resto da ambientação não poderia violar este princípio. Por que a luz em primeiro lugar? O sorriso enigmático sugeria alguma causa mística – e nisto ele era perfeitamente contemporâneo – imaginasse a primeira dama os adereços correspondentes a partir desta causa não revelada.

O fashionista de moda (sic) sustentava opinião diversa. Para ele, a autenticidade da reprodução (sic) residia precisamente no uso do design e materiais pós-modernos – o itálico dava caráter de citação ao termo e habilitava o usuário para o cargo –, visto o idealizador do baile que se pretendia reeditar haver tido como referência um look prévio (vide V.Sa. o book & folderzinho anexos). De acordo com o cronista do baile (segundo nesta cronologia), os kits dos convivas eram exclusivos, criados especialmente para a ocasião, não streetwear nem week-end, com apenas um flashback da fashion do século retrô. Por tal motivo estavam, ele e seu competente team de fashionistas, ao inteiro dispor da primeira dama e seu wonderful catálogo de partners.

O músico da corte, tentando um caminho conciliatório – evitou a palavra alternativa por estar muito em voga –, sugeriu a inclusão de ritmos dançantes que remetessem aos bailes originais, melodias lights e um toque leve de música animal (sic). Acreditava que deste modo permitiria aos presentes a leitura simultânea do baile atual, devidamente justaposto à(s) lembrança(s) do(s) baile(s) original(is). Apreciasse a primeira dama o Song Book de artistas nacionais que acompanhava o parecer. Uma forte tendência para a simetria deu-lhe fama de espírito equilibrado, o qual o habilitava para o cargo.

Inúmeras objeções e conjeturas nutriram as tertúlias dos eruditos locais. Algum ficcionista cubano, de passagem por K, registrou as sete versões do baile, ou sete bailes possíveis, e as peripécias metafísicas e antropológicas vividas pela primeira dama e sua corte de senhoras bem nascidas. Seria cansativo referi-las neste parco resumo. Recorreu-se então à iconografia da(s) época(s)em questão. Saiu-seà caça de depoimentos de cidadãos provectos e de partituras mais ou menos consumidas pelas traças, uma vez que o Museu do Homem, em Paris, pegou fogo naqueles dias.

O patchwork party de ontem à noite nos Gardens de Calcutá City foi badaladíssimo. A iluminação light empolgou quem esteve lá. As teens vibraram com os mega insight do Luto Gacaz, que instalou spots Luiz XV munidos de psicodélicos pisca-pisca. O efeito alinear só foi superado pelo som, que circunviajou do hit Jesus Alegria dos Homens à oldfashioned tecno com paradas no country-rock& música étnica. A wearable Lulu Fueda Sertã estava diafânica. Vestiu saiote rodado, chapéu de plumas & peruca empoada à Maria Antonieta, com direito a fita de veludo blood no pescoço & franja irregular escorrendo para o decote free. Quem esteve animal foi Roland Small Pinto, 12. Seu black-tie, as polainas de verniz & hat a La Jack, o Stripper, compuseram um look zen. Arrasou! A promoter do evento passou a velada à margem esquerda de Sua Excelência. Digno de nota seu coque retrô. Vez por outra o sorriso spleen surgia por trás do leque de plástico made in Taiwan, decorado com graciosas figurinhas de Watteau. Sua Excelência vestia bermuda verde, óculos escuros, camiseta regata amarelo sorriso, tênis grunterssauro azuis, meias brancas com estampas de coqueiros & bonezinho Mickey Mouse. Spirit vídeo-clip, seu travel is do planalto to baía. Era-lhe impossível conservar a dignidade oficial, sempre identificada com a pose ice da pintura careta.

            O agito foi antológico, Yeah! Todos pediram bis. Uau!

Assim resenhou o baile um jornalista creditado no Palácio de Governo.*

*cf. Niu’s (Jornal Nacionalista) de 29/07/1997 (Nota de JL)